domingo, 8 de maio de 2016

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.52


Nota da Autora: Enfim, a continuação. Devo dizer que vocês me surpreenderam com a pervice hahaha! Mas como "Cuffed" é um dos episodios preferidos da S4, nada mais justo de que no dia de 4 anos de Always, não role uma brincadeira.... com muitas provocações antes, devo acrescentar. Enjoy! 

Atenção... NC17!


Cap.52
- Dormir comigo? Dormir, dormir ou...?
- Não nesse sentido... quer saber? Você deve estar em achando uma idiota. Nem devia ter vindo – ela virou-se para caminhar de volta a porta quando ele segurou seu pulso. Ele reparara que além da bolsa, ela tinha uma pequena sacola consigo.  
- Hey... não disse nada. Pode explicar o que está acontecendo? Está com medo?
- Não, eu... ah sei lá! Eu sou uma policial, não devia ter medo dessas coisas.
- Por que não? Era um tigre, podia ter nos comido, você não tinha sua arma. Isso não a faz menos corajosa, Beckett. Foi bastante perturbador mesmo. Sente-se. Você quer beber alguma coisa? – ela repara no copo sobre a mesa – eu estava bebendo whisky para me acalmar. Não foi um dia fácil.
- Eu aceito whisky. Você já comeu?
- Não, se estiver com fome podemos pedir uma pizza.
- Já passa da meia-noite, ninguém entrega essa hora.
- Isso é Nova York, Kate. Além do mais, tenho contatos. Vou pedir uma pizza, fique à vontade – ele se distanciou para servi-la e depois pegou o telefone. Minutos depois, ele sentou-se ao lado dela – quer conversar sobre o que você está sentindo?
- Não muito. Eu tenho a impressão que foi uma mistura de tudo, a adrenalina, o lance de estar perto da morte outra vez. E nesse caso, você é a única pessoa capaz de entender porque estava lá comigo – ela bebeu um pouco do whisky – estou dolorida. Como você está? Imagino que pior. Teve que me aguentar em seus ombros. Desculpe por isso.
- Não precisa se desculpar. Vale tudo para escapar com vida. E você não pesa tanto assim. Posso aguentar – ela olhou para ele como quem não acredita no que diz – tudo bem, estou dolorido, cansado, mas culpo a adrenalina, não a malhação – ela sorriu – não se preocupe, estamos sozinhos, não vou contar para ninguém que você fraquejou por causa de um tigre. Seu segredo está salvo comigo.
- É engraçado como vivemos nos metendo em enrascadas. Casos loucos. Já escapamos de morrer várias vezes.
- Tem razão. Ainda acho que o pior foi quando congelamos, juntos quero dizer. Para mim, nada superará vê-la ser baleada no coração, meu coração parou naquela ambulância junto com o seu – ele a olhava intensamente, percebeu que ela estava embaraçada, não queria que esse momento fosse arruinado com lembranças tristes – tudo bem, nada de falar de coisas ruins. Quer um pouco de queijo, a pizza deve estar chegando a qualquer momento. Mal ele falou, o interfone tocou – como se lessem meu pensamento... – ele se levantou sorrindo. Kate suspirou aliviada. Não queria entrar no assunto do seu atentado porque isso a lembrava da mentira que vinha contando pelos últimos meses.
O entregador apareceu na porta. Castle pagou o rapaz e colocou a pizza sobre a mesa. Fez sinal para que se juntasse a ele.
- Está cheirando. Não tinha percebido o quanto estava com fome até agora – ela sentou-se ao lado dele. Não se preocupou com pratos pegando uma fatia com a mão. Ele fez o mesmo – hum, muito bom.
- Vai me contar porque estava tão irritada hoje de manhã? E não me diga que foi apenas a situação de estarmos algemados. Você estava de mal humor – ela ficou calada por uns instantes, não queria falar sobre isso. Ele estava errado, parcialmente. Tinha a ver com hormônios, não tpm. Não podia dizer para ele que estava sentindo falta de sexo.
- Não é nada. Não quero falar sobre isso – deu outra mordida na pizza. Não mentira quanto a não conseguir dormir pensando no tigre. Mas estar ali não deixava de ser um bônus – e antes que insinue, não é tpm.
- Não falei nada.
- Mas pensou – ela bebeu um pouco do vinho que ele servira para acompanhar a pizza, quando ele estendeu o braço para pegar outro pedaço, ela viu que o pulso estava ferido, segurando a mão dele observou – você se machucou muito com a algema? – ela tocou-lhe o pulso vermelho. Havia ferido a pele, o polegar roçava carinhosamente no machucado. Castle estava gostando do carinho, mas aproveitou a chance para saber se ela realmente falara sério sobre tentarem mais uma vez.
- Não foi nada. Coisa simples, nada que me impeça de usar algemas novamente se você quiser... – insinuou em meio a um sorriso.
- Usar de novo? Talvez... você devia passar um antisséptico.
- Você está ferida? Deixe-me ver o seu pulso – ela não relutou em mostrar. Castle examinou com cuidado. Ela havia passado um creme – está melhor que o meu.
- É, eu meio que assumo a culpa pelo seu ferimento. Você teve que fazer a maior parte do trabalho duro especialmente ao me carregar e me equilibrar nos ombros. Eu estou satisfeita. Quero mesmo esticar o corpo.
- Você quer dormir no quarto de hóspedes ou comigo? – claro que ele sabia que era na sua cama, mas quis provocar.
- Eu não vim até aqui para ficar sozinha entre quatro paredes, esse foi o motivo pelo qual deixei meu apartamento. Algum problema, Castle? Não me quer aqui?
- Não é nada disso. Estava apenas me certificando de que você ainda quer isso. Podia estar melhor, mais confiante.
- O problema não é conversar ou esquecer o que aconteceu por algumas horas. É ao fechar os olhos – ela passou a mão no rosto e espreguiçou-se – estou cansada. Amanhã tenho que trabalhar.
- Amanhã é sábado, Kate. Você está de plantão?
- Oh, não sei onde estou com a cabeça. Esse caso me deixou desorientada, acho.
- Então, chega de beber – ele tomou a taça dela levando o resto da louça para a pia – vamos dormir, detetive. Pode ir na frente, se quiser usar o banheiro, fique à vontade. Vou organizar as coisas aqui e já encontro com você.
- Tudo bem – ela saiu em direção ao quarto. No banheiro, lavou o rosto, escovou os dentes, olhou para sua imagem no espelho. Sim, estava cansada e não pretendia fazer nada além de dormir ao lado dele essa noite. Vasculhando as gavetas de Castle, encontrou a caixa de primeiros socorros e um creme antisséptico. Levou a pomada consigo. Ela vestia um pijama. Sentou-se na cama, da sua bolsa, tirou um hidratante e começou a passar o creme nas pernas.
Nesse instante, Castle entra no quarto. Ele dá uma olhada no que ela estava fazendo. Era uma visão agradabilíssima. As pernas de Beckett, a simplicidade como ela se cuidava e sentia-se à vontade na cama dele. Seria um pouco do que a Dana comentara com ele no outro dia? Que aos poucos Kate estava cedendo ao possível relacionamento deles e aos próprios sentimentos?
- Pensei que já estava dormindo. Você me parece bem cansada, Beckett.
- Já disse que esperaria por você.
- Tudo bem, vou ao banheiro. Prometo não demorar – ela sorriu continuando a passar seu creme. Quando ele volta encontra a sua detetive terminando de passar creme no pé. Ele enfiou-se debaixo das cobertas ainda sentado e ficou admirando-a. O pensamento que se formava em sua mente era que, naquele momento, eles pareciam um casal de verdade que está junto há anos. Havia uma naturalidade, uma sensação de lar que ele não sabia explicar.
Ela deixou o creme na cabeceira da cama, pegou a pomada antisséptica. Quando virou-se, percebeu que ele estava observando-a. Um arrepio percorreu sua espinha.
- O que foi?
- Nada. Não vai se deitar, Beckett? – sim, ele evitava chama-la de Kate devido a intimidade tão intensa já presente.
- Vou, mas antes, me dê seu pulso – ele esticou o braço, colocando sobre sua coxa abriu a pomada. Com a ponta do dedo, ela espalhou suavemente o creme sobre o machucado causado pela algema. A sensação casual voltou a tomar conta da mente de Castle. A delicadeza do toque, o cuidado, para ele era um gesto de amor. Ao terminar, ela o fitou sorrindo. Ainda segurava o pulso dele – só queria garantir que você tivesse curado esse machucado. Vamos dormir?
Ela se deitou puxando o edredom cobrindo-se. Ele fez o mesmo. Sem saber que posição tomar, deixou que ela tivesse a iniciativa. Então, Kate virou-se para o lado e fechou os olhos. Sabia que ele estava ali, isso já bastava por enquanto.
- Boa noite, Castle.
- Boa noite, Beckett – respondeu o escritor virando-se de costas para a parceira – pode me chamar se sonhar com o tigre – ela sorriu, mas não falou nada. Fato: dormira quase que instantaneamente.
Cerca de duas horas se passaram antes de Beckett sentir a agonia da experiência de mais cedo, um misto de medo e frio a dominara. Respirando fundo, ela virou-se para o lado que Castle dormia em busca de apoio. Encostou seu corpo totalmente no dele, deixando os pés se misturarem em meio aos de Castle. Estavam muito gelados. Por fim, enterrou o nariz na camisa dele e deixou uma das mãos envolverem o corpo pousando sobre o peito do homem a seu lado.
Ele percebeu o contato dos pés gelados junto aos seus. Ficou quieto entendendo o que acontecia até o momento que sentiu a respiração quente próximo ao pescoço e a mão em seu peito. Sorriu e não se mexeu. A posição estava confortável demais para assusta-la. Podia ter feito tudo isso inconscientemente.
O relógio marcava 3:47 da manhã. Kate começou a murmurar algo estranho.
- Não, cuidado Castle, não chegue tão perto. Não, por favor... Castle, ele vai come-lo vivo! – havia pavor em sua voz, ela agarrou ao peito dele continuando a falar – fique comigo. Segure a minha mão, o tigre... – ela continuava balbuciando o diálogo, nervosa. Castle acordara e ouvia o que dizia – não posso deixa-lo, precisamos ficar juntos. Castle... uma arma, ele tem... – o sonho mudara, Beckett agora se via no meio do pesadelo que a perseguia em sua PTSD – não atire, não! Castle...não morra, não... o tigre...Castle?
Ele virara-se para abraça-la. Chamava por ela várias vezes tentando traze-la de volta do mundo dos sonhos. Acariciava seu rosto, balançava seus ombros e falava com ela.
- Estou aqui, Beckett. Abra os olhos, estou bem aqui. Kate...acorde, por favor...Kate... – ele beijou-lhe o rosto, colocou-a colada em seu corpo próxima ao coração – está ouvindo, Kate? Meu coração, estou vivo. Abra os olhos, Kate – com um sobressalto, ela arregalou os olhos bem tensa.
- O tigre!
- Shhh, está tudo bem. Não há tigre algum e ninguém foi comido ou morto. Estamos bem, eu e você. Olhe para mim, Kate – devagar, ela virou o rosto para fita-lo – você teve um pesadelo, já passou. Estamos apenas nós dois aqui, no meu quarto, seguros. Tigre nenhum entrará aqui – ela respirou fundo. Sentia-se uma boba. Enterrou a cabeça no peito dele com vergonha.
- Você deve estar me achando uma idiota. Mas foi tão real! Ele ia come-lo, mordeu sua perna, sangrava. Eu não sabia o que fazer e de repente... – ela se calou. Não sabia se deveria falar da PTSD nesse momento. Não era idiota e tinha certeza que ele sabia que ainda vivia com as crises – o tiro, você levou o tiro. Como sempre acontece.
- Estou bem. Não houve tiro, nem mordida. O pesadelo passou – ele ergueu o rosto dela através do queixo fazendo-a fita-lo. Olhos nos olhos – e você não é idiota, Kate. Estivemos bem perto de virar comida de tigre, não a culpo por ainda estar impressionada. Você quer alguma coisa? Agua? Um comprimido para dormir? Pode pedir qualquer coisa.
- E-eu estou melhor. Desculpa.
- Não precisa se desculpar, afinal não foi por esse motivo que você pediu para ficar aqui hoje? – ele sorriu. Beijou o topo da cabeça dela – vamos dormir, ainda está muito cedo para acordar em pleno sábado.
- Castle? – ele ergueu a sobrancelha para mostrar que a ouvia – pode me abraçar? Não quero me sentir sozinha outra vez – ele não disse nada. Deitando-se de volta na cama, a puxou consigo ficando na posição de conchinha. Acariciou seus cabelos e finalmente beijou-lhe o pescoço fechando os olhos em seguida com a mão sobre o estomago dela. Kate buscou a mesma mão e entrelaçou os dedos com os dele. Adormeceu.
Na manhã ao acordar, ela sabia exatamente onde estava. Eles haviam se remexido na cama. Castle dormia de barriga para cima, uma das pernas sobre ela enquanto Kate estava sobre o peito dele. Com cuidado para não acordá-lo, ela inspirou seu cheiro pela camisa. Depois ergueu-se da cama tirando as pernas dele de cima dela, devagar. Seguiu para o banheiro. Após a higiene matinal, foi para a cozinha preparar o café. Era o mínimo que podia oferecer após tê-la deixado passar a noite no loft.
O cheiro do bacon frito e o barulho das panelas o acordaram. Ao se deparar com o lado da cama vazio, deduziu que era Kate quem estava cozinhando. Era uma pena. Depois do ocorrido na madrugada, ele esperava conseguir convence-la a se divertir essa manhã. Afinal tinha mais de um mês que não dormiam juntos. A tal parceria com benefícios estava praticamente esquecida. Esse último caso com o tigre podia ser uma boa desculpa para faze-los acabar com esse marasmo. Levantou-se e cinco minutos depois apareceu na cozinha.
- Bom dia, Beckett. Acordou inspirada? Está cheirando a bacon.
- Bom dia, Castle. Decidir preparar um café da manhã para nós. É o mínimo que posso fazer como retribuição por ontem.
- Não que precise realmente fazer isso, estou aqui para ajudá-la porque é isso que parceiros fazem, mas mesmo assim, obrigado pelo gesto. E estou com fome.
- Sente-se. Já está tudo pronto.
- Vejo que conseguiu dormir melhor após o pesadelo – ele comentou pegando um pedaço de pão, levando-o a boca. Beckett serviu-o de café e colocou o prato com ovos e bacon na frente dele. Os pães pularam na torradeira, passou manteiga e colocou sobre o balcão. Ela mesma serviu-se de um pouco do ovo para comer com o pão. Calada observava-o degustar o café da manhã – hey, terra para Kate. Ouviu o que eu disse?    
- Sim, desculpe. Me distrai. Dormi melhor. Esse lance da PTSD ainda não terminou, o processo é demorado.
- Mas você sonhou primeiro com o tigre.
- Sim, mas o tigre era a lembrança mais viva do dia, serviu para engatilhar a crise. Não quero mais falar sobre isso, por favor.
- Tudo bem. Já esqueci. Você tem planos para hoje ou podemos inventar algo para curtir o sábado em Manhattan? Estava pensando em dar uma volta pelo Chelsea Market, comer uma lagosta. Dar uma caminhada na high line, parece interessante para você, Beckett?
- Talvez, preciso perguntar. Como você está se sentindo? Ainda cansado?
- Não! Estou ótimo. Por que? Tem outra sugestão?
- Não sei. Deixe-me ver seu pulso – ela puxou a mão dele sem dar chance de Castle protestar. Examinou o ferimento. Estava seco. A pomada agira maravilhosamente. Sorriu – que bom que eu vim dormir aqui, caso contrário aposto que o machucado ainda estaria aí. Você não se cuida, tenho certeza. E com Alexis e Martha longe ia ficar reclamando do pulso por vários dias – o comentário sobre as duas ruivas a fez lembrar de outra coisa que precisava saber – a propósito, quando elas vêm para casa? Hoje?
- Não, retornam na segunda pela manhã.
- Hummm...
- No que está pensando, detetive?
- Acho que vou aceitar seu convite, Castle. Com uma condição.
- Você quer dormir de novo aqui? Condição aceita.
- Não era isso. Ia dizer que precisava passar em casa para trocar de roupa, mas posso aceitar essa condição também.
- Ótimo – ele levantou-se do banco de onde estava sentado, levou o prato até a pia e beijou-a no rosto – obrigado pelo café. Estava delicioso. Vou me vestir e não se preocupe com a louça, depois eu dou um jeito nisso – ela o viu dirigir-se para o quarto caminhando alegremente. Sabia somente pelo movimento do corpo. Claro que não deixaria uma sujeira na cozinha. Ela limpou o máximo que pode e retornou ao quarto para trocar de roupa.
Deixaram o loft quase na hora do almoço. Depois de uma rápida passada no apartamento de Beckett, eles seguiram para o Chelsea. Castle tinha razão. Aquele era um dos lugares de Nova York que sempre agradava quem transitava por lá. Havia constantemente um fluxo de pessoas interessadas nos produtos que se vendia por ali, desde massas especiais, itens importados, frutos do mar e itens de delicatessen. Algumas vitrines eram um colírio para os olhos.
Castle fez algumas compras. Umas garrafas de vinho, alguns queijos, patês especiais e claro decidiram saborear a lagosta no molho de manteiga e alho. O mais interessante era o modo de se comê-la. Com as mãos, sujando os dedos com a carne branca lambuzada de gordura da manteiga. Castle pegou duas garrafas de cerveja para eles e uma salada coleslaw como acompanhamento. Beckett não se lembrava da última vez que sentira tanto prazer ao degustar uma refeição.
Lambia os dedos melados do molho e da carne da lagosta. Castle não deixou o ato passar em branco. Ela percebeu que ele a olhava intensamente quando fazia isso. Havia um pouco da manteiga derretida no canto da boca e no queixo dele.
- Você tem um pouco de molho no canto da boca.
- Onde? – ele perguntou. Ao invés de indicar, ela tomou o guardanapo da mão dele tomando a frente para limpar a área. Passou o papel com delicadeza, provocando. Não satisfeita, inclinou-se e usou a língua para tirar o excesso levando a provocação para um outro nível. Castle não disse nada, apenas desfrutou do momento. Assim que ela se afastou, ele não quis continuar o jogo de sedução, queria ser direto.
- Por que fez isso, Beckett?
- Algum problema?
- Não, quer dizer. Não diretamente. Ultimamente andamos fazendo muito joguinhos de gato e rato, não?
- O que quer dizer com isso, Castle? Não sei onde você quer chegar... – ela obviamente estava se fazendo de desentendida.
- É claro que sabe do que estou falando. Nem adianta se fazer de vítima. Você é muito inteligente para querer se safar como uma “bimbo” qualquer. Tem algo a ver com o nosso acordo? Porque se não fosse o pesadelo que a vi ter ontem à noite, estava inclinado a dizer que o tigre era apenas um pretexto para estar na minha casa. Abra o jogo, Beckett. Você quer alguma coisa de mim? Além da parceria?
- Não sei o que está insinuando. Eu pedi ajuda ao meu parceiro pelo que passamos juntos.
- Eu sei que sim, mas você não respondeu a minha pergunta – ela suspirou. Se realmente dissesse o motivo pelo qual estava pensando nele e queria ficar próximo, o que ele pensaria dela? Podia confundir tudo.
- Você quer ter esse tipo de conversa comigo justamente quando estávamos aproveitando algo tão bom?
- Beckett, se ainda não percebeu ou prefere que eu insinue o que está em sua mente, estou falando de uma conversa tão ou mais agradável que a nossa comida. Ou você não considera nossa parceria com benefícios prazerosa? – ela ficou calada por alguns instantes. Sua mente protelava entre dizer o que queria e deixar Castle responder pelos dois. Era óbvio que ambos sentiam falta dos momentos, do sexo, porém ela tinha medo de que admitindo o que queria, ele inferisse que ela estava tendenciosa a dar o próximo passo, evoluir de parceria para relacionamento. Ela não podia deixa-lo pensar erroneamente sobre isso.
- Quer que eu responda por nós? Acredito que ambos estejamos precisando de um momento de relaxamento. Um instante do dia para fazer bem a nós mesmos. Sim, estou falando da nossa parceria com benefícios.
- Castle, eu não quero que pense errado. Nem que assuma algo que não existe. E-eu...
- Você quer apenas uma noite tranquila usufruindo de nossa parceria para suprir uma necessidade básica, nesse caso, o sexo. Nenhuma cobrança ou complicação. Distração é a palavra mais adequada. Estou certo? Porque se me responder, nesse minuto que sim, eu esqueço o passeio na high line e vamos para o loft o mais rápido possível.
Ela sorriu.
- Não vamos abortar o passeio. Você está certo, mas ainda podemos apreciar a nossa tarde. Além do mais, temos a noite livre e eu esqueci de mencionar um detalhe. Eu coloquei meu par de algemas na minha sacola de mão. Até o momento não sabia porque...
- Oh, detetive, desse jeito não vou conseguir me concentrar no passeio.
- Sinto muito, Castle. Você terá que esperar, ainda quero dar uma passada na feira da Union Square, ou você acha que vai escapar de cozinhar para mim hoje à noite? É sua vez.
- Você está abusando da parceria, detetive. Jantar não estava incluído no acordo.
- Que pena que você não tem para quem reclamar. Somos as duas únicas pessoas que sabemos dele, portanto eu fiz a regra e terá que cozinhar para que possamos passar para a próxima etapa.
- Chantagista! – ela riu.
- Vamos, Castle. Hora de caminharmos, o dia ainda promete. Tem um jantar para fazer.
Eles foram de fato a High line. Enquanto caminhavam pelo local, Kate avistou uma moça vendendo picolé e decidiu que queria um. Castle comprou para ela, o que se tornou uma verdadeira tortura. Ela brincava com o picolé como se estivesse provocando. A maneira como saboreava, fazia os pensamentos de Castle serem os mais pervertidos possíveis. Teve que lutar contra as reações de seu próprio corpo para manter a compostura ao lado dela.
Terminado o passeio, pegaram o metro para a Union Square. Não sabiam o que estava acontecendo na cidade, porém o metro estava muito cheio. Tanto que Beckett foi obrigada a ficar de costas para Castle, grudada nele. A posição era bastante cômoda para ambos. Ela porque podia aproveitar e provoca-lo um pouco mais, ele porque tinha o corpo dela colado ao seu, mesmo que de maneira forçada. Ela não parecia se importar com o fato. Pelo contrário, sempre que podia usava o movimento do metro como justificativa para roçar seu corpo no dele.
Podia sentir a respiração de Castle em seu pescoço, as mãos seguravam-na pela cintura. Era seu apoio. E tirava proveito disso. Tanto que percebeu uma ligeira excitação crescendo em suas costas. Tentou se afastar, porém o espaço era mínimo e com uma das paradas, ela foi jogada de volta nos braços dele. Seus lábios quase se encontraram, mas Beckett conseguiu segurar-se sem precisar beija-lo, mesmo indo contra todo o desejo que sentia.
Desceram na estação da Union Square diretamente no local onde acontecia a feira dos fazendeiros. Beckett se entretinha vendo os produtos enquanto Castle tentava se recuperar do episódio no metro. Fora pego completamente de surpresa. Após duas voltas nas barracas, ela sugeriu algumas coisas para ele comprar e definiu o prato da noite. Ratatouille.
- Apenas isso? Só uma entrada? E quanto ao prato principal?
- Podemos comer apenas a ratatouille com pão e queijo. Nada mais.
- Não. Deixe-me ao menos fazer uma carne. Um contrafilé de forno com aspargos.
- Tudo bem. Faça a sua carne. Lembre-se que não poderemos exagerar muito na comida... precisaremos de energia depois.
- E você quer que eu tenha energia comendo somente vegetais... vai sonhando, Beckett.
Após pagarem, eles retornaram ao metro. O trem continuava cheio, porém menos que antes. Isso não foi desculpa para Castle que apesar de estar com as sacolas de compras, ainda mantinha Beckett colada em seu corpo. Uma cadeira vagou, então ele ofereceu para que ela sentasse. Recusando, ela o empurrou para sentar. A sacola de compras entre as pernas dele e Beckett sentou-se em seu colo.
- Melhor do que você sentar no meu, não? – essa fora a desculpa esfarrapada que ela o dera. De volta ao loft, ela anunciou que ia tomar banho enquanto ele se encarregava do jantar. Meia hora depois, a carne já estava no forno e a ratatouille encaminhada. Beckett surgiu na sala vestindo apenas uma calça jeans e uma camiseta branca. Ele podia ver que estava sem sutiã.
- O jantar está quase pronto, portanto você pode ficar de olho enquanto eu tomo um banho? A carne estará pronta em vinte minutos, prometo que não demoro só quero tirar esse cheiro de tempero do corpo.
- Vou quebrar o seu galho dessa vez. Eu espero.
Quando voltou, ela colocava o ratatouille em uma tigela funda ao lado de prato de pães italianos cortados em largas fatias e queijo parmesão em lascas grandes. Castle foi direto olhar a carne, quase pronta. Aproveitou os próximos minutos para servir um bom vinho que deixara resfriando para ambos. Brindaram, beberam e em poucos minutos sentaram-se para comer. A conversa durante o jantar não indicou nada do que era pretendido naquela noite. Ele não sabia se haveriam planos ou se poderia sugerir ultrapassarem o lance da amizade. Ela dissera do seu jeito que queria, porém não deveria ser ele a tomar a iniciativa.
E realmente não foi. Após jantarem, ela sentou-se no sofá ainda saboreando o vinho. Queria uma abertura para começar a brincadeira.
- Castle, sei que a nossa experiência com o tigre foi meio frustrante e certamente não queremos repetir esse feito. Mas, houve alguma coisa positiva em tudo isso para você?
- Talvez algumas coisas interessantes. Como o fato de você estar tão irritada. Depois, acabamos achando nosso ritmo, como sempre fazemos. Aliás, esse é um dos motivos porque sobrevivemos a esse tipo de enrascada. Nossa parceria. Sempre respeitamos um ao outro, nós nos apoiamos mesmo com as ideias mais imbecis. Gosto disso.
- É, você é um bom parceiro. Mesmo com as teorias malucas. Só isso?
- Acho que sim – ele sabia que ela esperava que falasse sobre as algemas – por que? Tem algo mais?
- Não realmente. É que pensei, estarmos algemados não o incomodou? Nem ter que lidar com coisas como me carregar nas costas...
- Tudo isso é parte da parceria. Por que pergunta? O que foi positivo para você?
- Sua preocupação, sua proteção e saber que conseguimos nos virar muito bem com algemas. Só que eu acredito que podemos aprofundar os estudos. Se realmente somos bons parceiros.
- Está sugerindo que usemos as algemas novamente? Pensei que estava apenas provocando ao mencionar isso.
- Não necessariamente. Ou você tem medo de ficar conectado a mim por umas duas horas?
- Claro que não. Esse experimento é parte da nossa parceria com benefícios?
- Por que não? Mas tenho algumas regras – ela se levantou retornando em minutos do quarto com as algemas na mão - Pronto para ouvi-las? – ele sinalizou positivamente – certo, eu coordeno os movimentos. Digo o que faremos e antes que pergunte não é negociável. Também não ficaremos presos a cadeiras, cama ou mesa. As algemas estarão em nossos pulsos. Podemos perambular pela casa já que estamos sozinhos. A primeira coisa que farei é colocar as algemas.
- Espera. Você vai colocar sem tirar a roupa?
- Isso faz parte do experimento. Mas as camisas teremos que tirar ou vão nos atrapalhar – ele já tirava a camisa rapidamente. Jogou no sofá – com pressa, Castle? Ela tirou a sua lentamente. Os seios expostos na frente dele. Castle já dera um passo para frente querendo toca-la – não, nada de toque ainda. Me dá seu pulso. Vou colocar na sua esquerda e na minha. Como estávamos da outra vez – ela prendeu a algema – pronto.
- Qual nosso próximo passo, Beckett? E posso perguntar onde está a chave?
- Está comigo. Vamos ao seu escritório.
- Não deveríamos tirar o resto das roupas antes?
- Acho que tem razão... – ela chegou bem perto dele e começou a baixar a calça de moletom. Foi até os joelhos – use suas pernas ou abaixe para que eu possa chegar até o chão – ele obedeceu. Logo estava sem somente de boxer. De proposito, ela usou a mão esquerda com as algemas para roçar o boxer e instigar o membro dele com o metal.
- Cuidado, Beckett. Não vai querer danificar o material... – ela tocou no membro sobre o tecido. Sorriu. Já estava começando a se animar. Ela encosta os lábios no ouvido dele.
- Terei cuidado... – colou o corpo com o dele por uns instantes. Pele contra pele. Os dedos da mão livre brincavam com o elástico da cueca. Fitou-o antes de começar a baixa-la também. Logo ele estava como viera ao mundo. Ela se colocou por trás dele, a bunda empinada continuava perfeita. Ela usou a mão direita para deslizar por toda a costa dele até o bumbum e apertou-o.
- O que você está fazendo?
- Verificando.
- Você tem roupas demais. Reparou que estou pelado no meio da minha sala e todas as janelas estão escancaradas? Devíamos ao menos fechar as cortinas, Kate. Estou me sentindo exposto. Vai que tenha algum maluco espionando os vizinhos?
- Como em janela indiscreta? Acho pouco provável, mas vou fechar as cortinas. Me acompanha? – quando ela fechou todas, ele a empurrou contra uma delas – estava imaginando quando a diversão ia começar... – ele sorveu seus lábios, a mão foi direto ao seio, apertou-o, beliscou o mamilo fazendo-a gemer em sua boca. O jeans que ela usava atrapalhava o contato dos corpos. Quebrando o beijo, ele falou.
- Você precisa se livrar desse jeans...
- Tudo bem – ela se colocou de pé, de costas para ele. Com a mão esquerda, ela o guiou para desabotoar o botão da calça. Castle puxou o zíper e deslizou a calça pelas pernas dela levando junto a calcinha. Propositalmente, Beckett aproveitou a posição para empinar o bumbum enquanto ele baixava as calças. Ele gemeu. Não aguentava mais aquela tortura – espera a chave... – ela meteu a mão no bolso retirando a chave das algemas, mas o pequeno objeto escapuliu das suas mãos caindo diretamente na abertura do aquecedor desaparecendo pela tubulação – Ops!
Castle olhou para ela. Kate mordiscou os lábios. Isso era um mau sinal.
- Diga que essa não era sua única chave... – nem precisou. Seu olhar dizia tudo - sério? O que iremos fazer? Temos que descobrir uma forma de abrir essas algemas e... – ela colocou o indicador nos lábios dele para impedi-lo de falar.
- Ou podemos aproveitar o tempo e nos dedicar a experiência. Já estamos ambos sem roupa mesmo... – ela se aproximou colando seu corpo no dele, tentou colocar sua mão no pescoço dele, porém a outra atrapalhava para dar acesso aos lábios, tentou novamente. Nada – acho que só teremos uma ou duas posições – ficando de costas para ele caminhou até o escritório. A visão de Castle era maravilhosa de onde estava. Aquilo o fez acalmar um pouco e o fez apreciar o momento.
Kate observou o lugar.
- Você prefere a mesa ou a cadeira?
- Depende do que você tem em mente, Beckett. O que irá fazer em cada uma delas?
- Em uma faríamos sentados, a outra de pé... não precisa de nenhum gênio para entender ao que me refiro.
- Ouch! Só pela graça, vou escolher em pé – ela riu.
- Oh, Castle, era exatamente o que eu queria... – ela o empurrou contra a estante, beijou-lhe avidamente. Deixou os lábios deslizarem pelo peito dele sugando, provando, lambendo. Ele a parou antes que chegasse ao membro completamente ereto.
- Já perdemos muito tempo... – ele a virou de costas, Kate se apoiou na mesa inclinando o corpo e abrindo as pernas, sabia o que ele ia fazer. E não deu outra. Nada de provocações, joguinhos, ele não aguentava mais esperar. Com a mão algemada próximo ao pescoço dela, segurando-lhe a nuca, Castle penetrou-a devagar. Como era esperado, ela começara a gemer. Quando estava completamente dentro dela, ele usou a outra mão para agarrar um dos seios dela, apertava-o no intuito de desviar a atenção de Kate. Então, tirou seu pênis de dentro dela deixando um vazio. Ela reclamou de imediato.
- Não, Castle... – porém nem teve tempo para pedir que ele a preenchesse novamente. Castle a pegou de surpresa estocando-a de uma vez – Deus! – rindo, ele começou a movimentar-se. Apesar de ter dito que as regras eram dela, acabou dando o comando ao homem que a instigava a cada movimento. Indo e vindo, ele usava a boca nas costas dela. Quando estava profundamente dentro dela, ele roubava um beijo de seus lábios. O ritmo aumentou e ambos esqueceram que estavam algemados tamanho era o sincronismo. Ele tirou o membro de dentro dela apenas para faze-la virar-se de frente para si.
Castle a ergueu colocando-a sentada na ponta da mesa. Tornou a penetra-la após trocar a posição dos braços. Então, com uma mão ele acariciava o seio dela, a outra o rosto perdendo-se em um beijo ardente enquanto retomava os movimentos. Ela sentia o corpo ceder aos tremores que antecipavam o orgasmo. Ele estocava mais forte e rápido. Kate agarrava-se a ele não querendo se separar dele. Castle enterrou o rosto entre seus ombros e usou toda a energia que podia para traze-la ao clímax. Ele mesmo já estava no limite. Pressionando-se sobre ela, finalmente a ouviu gemer e amolecer em seus braços. Ele liberou-se dentro dela.
Kate agarrava-se aos seus ombros sentindo o coração disparar. Isso fora além do que ela esperava, o orgasmo apesar de um só foi tão forte que apagara sua mente por uns instantes. Talvez pelo tempo que passaram sem sentir essa sensação. Tudo fora muito poderoso. Devagar, ela mexeu-se por baixo dele.
- Castle? Mexa-se... está me apertando contra suas coisas...
- E qual seria o problema com as minhas coisas?
- Não estou falando disso, suas coisas sobre a mesa. Algo está me espetando as costas.
- Oh, certo... – ele a puxou da mesa colocando-a de pé na frente dele – como está seu pulso?
- Tudo bem. Agora precisamos encontrar uma forma de nos livrarmos das algemas.
- Antes, me diga detetive, a experiência foi satisfatória?
- Muito – ela acariciou o peito dele beijando-lhe o pescoço – obrigada. O que podemos usar para quebrar essas algemas? Você tem algum alicate, alguma ferramenta de corte?
- Tenho. Estão todas no porão do prédio. Não guardo essas coisas aqui em cima – a cara de espanto de Kate disse tudo, ela queria brigar com Castle por isso, porém não fora culpa dele a chave ter caído no aquecimento – você não tem outra chave reserva?
- Tenho. No 12th, mas acho que a ideia de nos vestirmos e irmos até lá algemados não vai ser boa. As pessoas provavelmente perguntariam porque estávamos algemados outra vez, em pleno sábado. Quer tentar o porão?
- Como você não tem uma reserva em casa?
- Castle, quer parar de reclamar e pensar numa maneira de nos livrarmos disso? – ela erguia o braço bem na cara dele.
- E a detetive irritada está de volta. Demorou, o que depois daquele obrigada, uns dois minutos?
- Não estou irritada. Estou tentando ser prática, objetiva. Por que você também não tenta? Quanto mais rápido resolvermos esse problema, mais rápido podemos ir para a cama... – a ideia agradou Castle que passou a guiar o caminho, subindo as escadas – para onde você está indo?
- No quarto da minha mãe. Sei que ela tem grampos aqui.
- Castle, grampos não abrem algemas. Isso é ficção. Temos que achar um objeto cortante. Tem que ter um alicate em algum lugar aqui ou uma chave de fenda, talvez com força possamos quebrar o mecanismo das algemas e abri-las.
- Quero tentar os grampos – ele encontrou o que procurava. Saíram do quarto. Ela pediu para ir à cozinha. Enquanto Castle teimava usando o grampo para abrir o objeto, Kate procurava algo nas gavetas que pudesse ajuda-los. Eles estavam tão focados em resolver o problema das algemas que nem se lembravam de estar completamente pelados. Apesar dos esforços de Castle, nada aconteceu com o grampo.
- Eu disse que não funcionava – ele fez uma cara de deboche para Beckett – podemos mudar de estratégia?
- Ok, qual é sua ideia espertinha?
- Procurar por uma ferramenta que me ajude a danificar o mecanismo de abertura. Tem certeza que não tem nada em seu escritório? Acho que devíamos procurar com mais cuidado. Vamos! – ele revirou os olhos, não tinha outra alternativa senão segui-la. Ficaram quase uma hora perambulando pelados pela casa.
Castle que antes havia adorado a ideia da detetive, agora estava começando a se arrepender de ter concordado com isso. Tudo bem, o sexo foi excelente, mas se não tivessem perdido a chave, podiam estar na cama repetindo o feito.
- Isso está sendo um fiasco. Acho melhor nos vestirmos e deitarmos na cama. Amanhã pensamos no que fazer. Não acredito que não tem nada nessa casa que possamos usar.
- Poderia tentar passar sua mão pelas algemas. Ela é menor...
- Ah, claro, porque você não vai machucar a sua. Que conveniente! Mesmo a minha sendo menor, de nada adianta forçar, eu apertei a algema proporcionalmente as nossas mãos, Castle.
- Então é isso? Vamos nos vestir e dormir? Que fim de noite... – ele entortava a boca claramente chateado. Ela o puxava para o quarto. Decidira colocar apenas uma calcinha e uma camiseta se encontrasse, caso contrário era melhor usar o roupão para dormir. Castle sentou-se na cama. Estava detestando ver sua noite cheia de possibilidades acabar dessa forma. Kate sentou ao lado dele, igualmente chateada. Apoiou a cabeça sobre o ombro dele, suspirou.
- Desculpe. Foi minha culpa. Provoquei demais e perdi a chave. Acabei estragando a noite. Tudo porque quis algema-lo outra vez. Que vergonha...
- Algemar-me outra vez... é isso! Como não lembrei disso antes? – ele se levantou da cama obrigando Beckett a segui-lo pelo quarto enquanto procurava o objeto – como no nosso primeiro caso! Droga, onde está minha carteira?
- Na cabeceira da cama, escritor.
- Ah, ótimo!
- Castle, o que sua carteira pode ajudar em abrir uma algema?
- Você não se lembra? – ele remexia na carteira - Como me livrei das algemas que você usou para me prender no carro no caso Tisdale? Ahá! Voilá! – ele mostrou a chave de algema para Beckett.
- Onde você arranjou isso? É propriedade da NYPD e rouba-la é crime, Castle!
- Você realmente quer falar de crime nesse instante? – ele balançava a chave – ganhei de um detetive que conheci quando escrevia um dos livros de Storm. Será que posso abri-las agora ou você ainda quer discutir regras comigo, detetive?
- Abra logo! – ele usou a chave e em segundos ouviram o clique da algema se abrindo. Ele sorria vitorioso. Ao deixar as algemas caírem no chão, ela amaciou o pulso e no instante seguinte avançou sobre Castle beijando-o. Ele não recusou o carinho e podendo usar ambas as mãos, ele segurou o rosto dela firme entre as mãos aprofundando o contato. Ao se afastarem, ela sorriu – pelo menos seus atos de rebeldia serviram para alguma coisa.
- Eu diria que foi um belo exemplo do que nossa parceria é capaz, detetive Beckett. Experimento concluído com sucesso.
- Devo concordar. Só tem uma coisa...
- O que? – ele já olhava para Kate vendo alguma tendência de pecado no rosto dela.
- Hora de comemorar... – ela o empurrou sobre o colchão, sentando-se sobre o corpo dele, as mãos espalmadas sobre o peito – dessa vez quem vai comandar sou eu, Castle.

- Como sempre, você primeiro, não? Tudo bem, posso conviver com isso – ela o calou com um beijo. Dessa vez, nada os impediria de curtir cada minuto. Nem pessoas, algemas ou tigres. Estavam sós.

Continua.... 

terça-feira, 3 de maio de 2016

[Stanathan] Kiss and Don´t Tell - Cap.72


Nota da Autora: A voz do povo é a voz de Deus! Acho que as fotos de ontem deixaram todo mundo com vontade de ler sobre SN, não? A verdade é que a loucura continua. Dona Rada está com a corda toda, mas algo me diz que vão me xngar depois... LOL, anyways... espero que esteja como vocês queiam...ou pelo menos perto! Ficou bem grande.... Enjoy! 



Cap.72

Ao chegar em casa encontrou a irmã toda produzida. Sorriu. Ela ia aprontar.

- Hey, sis! Onde você vai assim?

- Tenho um jantar com um dos meus investidores. Não posso faltar já que ele foi uma das empresas que me deu dinheiro.

- Perguntei se esse investidor é solteiro, vai que é a chance de Gigi se arrumar de vez? – Stana revirou os olhos – e pare de fazer caretas, Stana.

- Mãe, pare com essa obsessão.

- Eu já desisti, sis. O fato é que tivemos um ótimo dia no píer. Tomamos sorvete, vimos um pôr do sol magnifico e agora eu vou para o meu jantar. Vocês se divirtam porque dona Rada está inspirada, está fazendo meu prato preferido, então coma por mim. Ah, Stana, você pode me ajudar a ajeitar o cabelo um segundo?

- Claro! Volto já, mãe – as duas sumiram para o quarto de Gigi. Finalmente a sós, puderam conversar – certo, milagrosamente hoje não houve interrogatório. Só me perguntou do investidor e você sabe o que isso significa. Ou ela vai te atacar agora...

- Ou vai sobrar para Nathan.

- Exato.

- Espero que ele não se enrole amanhã. Vou levar reforço. Tenho que ligar para o Marko. Aliás, eu conversei sobre contar a verdade. Nate quer encarar a mamãe primeiro. Dependendo do que aconteça, ele disse que convida todos para um jantar e contamos a verdade. Como você está, Gigi? Sei que os últimos dias não estão sendo fáceis. Ele mandou um beijo para você e agradeceu por tudo.

- Ah, sis. Já disse que não precisam. Espera, você contou para ele sobre o Jeff? Ah não... ele vai ficar me olhando estranho ou vai ficar com pena e...

- Quer parar? Jeff contou uma parte e eu contei outra. Ele não vai pensar nada além do quanto você é maravilhosa.

- Por favor, Stana. A última coisa que preciso é vocês me olhando com pena.

- Isso não vai acontecer, mesmo porque, olha só para você! Toda produzida, linda. Nem parece aquela mesma Gigi de antes, cabisbaixa. Quero te ver feliz, portanto, saia daqui agora e vai curtir seu namorado. Pelo menos uma de nós pode fazer isso. Você mais do que merece. E juro que vou arranjar um meio de ficar com meu marido porque não está dando certo isso...

- Saudades dos beijos de Nathan?

- Se fosse só dos beijos... – elas riram – é tudo! Sexta, não vou trabalhar sexta. Pronto! Está decidido. Vamos fugir.

- Você é muito boba. Podia ter feito isso bem antes. Eu vou curtir minha noite – beijou o rosto da irmã – boa sorte - e saiu. Ao se juntar a mãe na cozinha, ela sentou-se à mesa para observa-la cozinhando. O celular a sua frente. Resolveu contar logo sobre a visita para deixar dona Rada feliz.

- Então, mãe. Eu falei com o pessoal no estúdio. Tudo certo para amanhã. Chegaremos por volta das onze. Vou ligar para Marko. Vou levar a Anne, ela pediu tanto. E acho que faz quase um ano que eu me lembre da sua última visita, quer saber? Não me lembro mesmo.

- Ah, excelente! Tudo bem levarmos minha neta. Mas você se certificou que Nathan estará gravando? Quero vê-lo. Essa visita não tem graça nem propósito se ele não estiver lá.

- Poxa, mãe. Obrigada pela consideração ao trabalho de sua filha. Está mais interessada em falar com o meu costar do que passear comigo no set.

- Ah, Stana. Não é nada disso. É claro que quero ver seu escritório de capitã, tirar fotos, mas quero ver todos não apenas Nathan. Você sabe dizer se Susan estará lá?

- Provavelmente sim, tenho uma cena com ela e Molly.

- Ah! Perfeito. Ela é maravilhosa e sempre fala tão bem de você. Podemos trocar uns truques de beleza com a diva – Stana riu, se conseguisse fazer Susan roubar a atenção da mãe, podia poupar Nathan de muitos momentos estranhos – o jantar está quase pronto, querida. Você vai beber vinho? Acho que devia evitar...

- Não, tem razão. Estou cansada. Acho que tem chá gelado na geladeira. Vou ligar para o mano – ela pegou o celular e conversou com o irmão alguns minutos. Depois, falou com a sobrinha sem levantar suspeitas do que realmente queria com a menina ao seu lado – pronto, mãe, tudo certo, amanhã pegamos a Anne e seguimos para o estúdio. Vamos jantar?

E da mesma forma que Gigi previra, o jantar aconteceu sem maiores perguntas ou comentários da mãe em relação a sua vida. Porém, depois de comer dona Rada queria ouvir um pouco mais sobre a vida da filha, o que ela estava planejando para o futuro e de alguma forma isso podia lhe dar pistas sobre como a vida amorosa andava.

Sentadas no sofá, de frente para a tv, ela começou a arrancar alguma informação de Stana.

- Então, filha, além de Castle, o que você anda fazendo? Tem alguns projetos pela frente? Pretende viajar no hiatus com Jeff?

- Tenho projetos, mãe. Meus filmes estão em fim de produção. Sisters Cities, lembra? Estou conversando com a minha agencia sobre produzir um programa para a tv a cabo. Agora entende porque sou tão ocupada? E de novo, Jeff não é meu namorado.

- Stana, sou sua mãe. Você não me engana. É tão obvio o porquê de estar com ele... espera, você vai assumir outro projeto? E quanto a Castle? Você vai abandonar a série?

- Não sei de nada, mãe. É cedo para falar do destino de Castle ainda mais com essa nova gerente de programação, ela é bem fã de Shonda, não sei se quer ver a série na grade. Talvez seja esse o motivo da produtora de Rhimes ter desenvolvido The Catch, tudo é especulação ainda. Temos que esperar a ABC se pronunciar sobre as negociações de contrato, tanto eu como Nathan temos apenas um ano – o que Stana estava escondendo da mãe era o possível motivo pelo qual ela pensaria em deixar a série. Vinha pensando muito sobre isso ultimamente. Porém, ainda tinha um mês para ter certeza de que podia tomar a decisão.

- Sinceramente, seria uma pena se não continuassem com Castle. Imagina? Vocês têm muitos fãs, é trabalho certo, com gente talentosa e bacana. Sem falar que seria um desperdício ficar longe daquele homem maravilhoso – Stana não aguentou. Teve que rir do jeito da mãe.

- Se não soubesse que a senhora é bem casada, diria que está apaixonada por Nathan, mãe.

- Stana, se eu fosse um pouco mais nova, com a chance que você tem. Esse homem já seria meu! Impossível não se apaixonar por ele, filha.

- Ele tem defeitos, sabia? Não é o príncipe encantado de contos de fadas. Pode ser implicante e chato muitas vezes. Principalmente em se tratando de trabalho.

- Querida, todos os homens têm defeitos. É para isso que precisam das mulheres, com jeitinho nós conseguimos fazê-los melhorar um pouquinho, não muito! Tudo em um relacionamento deve ser feito na medida certa – Rada ficou observando o jeito da filha por alguns minutos. De repente, ela parecia ter viajado para outra dimensão, o olhar indicava que estava pensando em outra coisa, outro alguém. Seria no assunto em questão? Estava pensando em Nathan? Ou Jeff?

- Filha, você não quer aproveitar para sair com seu namorado? Fique à vontade. Não se prenda por mim.

- Estou cansada, mãe – interessante, ela não negou o namoro dessa vez. Mas será que estava pensando nele ou no co-star? Resolveu provocar.  

- Satisfaça uma curiosidade minha. Como é filmar essas cenas na cama com o seu co-star? Como você age, se sente?

- Dona Rada! A senhora tem cada ideia! – ela ria, mas sabia que estava ficando vermelha – são cenas como qualquer outras. Um bando de gente olhando dois atores fingirem. Chega a ser estranho. Embaraçoso. Não é nada agradável.

- Stana, é claro que é embaraçoso porque você tem que ficar quase sem roupa na frente de algumas pessoas, mas não me diga que não é agradável. Imagino o cheiro daquele homem.

- Mãe!

- Ah, Stana sou mulher também. Eu vi seu jeito naquela cena do aniversário. Você estava muito à vontade. E cheirou-o, não foi a primeira vez. Sabe disso. Como são os beijos?

- Estava atuando! Não era a Stana, era a Beckett.

- Filha, tem horas que eu assisto as cenas e vejo você ali, não uma personagem. Essa foi uma delas. Tudo bem admitir isso, você não seria a primeira nem a última artista a se deixar levar por sua personagem. Grandes estrelas de cinema fazem isso. Conheço minha filha.

- A senhora não vai esquecer esse assunto, vai? Quer saber, já deu. Sim, Nathan beija bem. Satisfeita? Agora vou dormir – ela deixou a sala como um furacão. Rada sorria, aos poucos ela acabara arrancando o que queria da filha. Havia esperança para aqueles dois então. Podia ver no olhar dela, um brilho diferente. O mesmo que vira no natal, o mesmo que vira quando chegara em Los Angeles. Definitivamente o pobre Jeff não tinha chance, o que era uma pena porque era um ótimo rapaz.

Decidiu ir dormir. O dia seguinte prometia.

Stana fitava o teto do quarto. Droga! Por que sua mãe tinha que fazer aquele tipo de pergunta? Ela se enrolava quando o assunto era Nathan e agora não conseguia dormir porque ficava pensando nele. Nos beijos dele. Oh, Deus! Será que ela teria coragem de perguntar sobre beijos para o Nathan? Amanhã será um pesadelo. E Gigi dizendo que não a mãe não ia pegar no seu pé.... pura ilusão.

Em outro lugar de Los Angeles, alguém não se preocupava em pensar em beijos, apenas em da-los. Gigi rolava na cama. Sentia frio. Puxou o edredom para perto de si, mas não conseguiu sentir-se melhor. Resolveu subir no corpo do namorado. Ele resmungou. O calor da pele era aconchegante. Ela começou a distribuir vários beijinhos em seu peito, pescoço, ombros até Jeff abrir os olhos para fita-la.

- O que você está fazendo, Gi?

- Acordando você porque quero mais beijos antes de ir embora.

- Tem mesmo que ir? Podia dormir aqui. deixe Stana cuidar de sua mãe.

- E dar mais munição a ela? Sem chance. Ainda estou chateada por ela não acreditar em mim.

- Amor, ela está focada em mostrar para Stana que Nate é o homem da vida dela. Não ligue para isso. O importante é que enquanto você está aqui comigo, aqueles dois estão curtindo a fossa, sozinhos – ela riu – se ele sonha que estou dizendo isso vai querer me matar.

- Mesmo assim, melhor voltar. Chega de ser alvo. O dia hoje foi até interessante no píer. Então, vai me beijar ou terei que te agarrar a força? – ele segurou-a pela nuca e em um movimento rápido trocou de posição ficando sobre o corpo dela.

- Darei tantos beijos quantos forem necessários para você não esquecer de mim por vários dias...

- Hum... isso vai demorar... – e sentiu os lábios de Jeff colando nos seus, suspirando após o contato.  

XXXXXX

De manhã cedo, ela aproveitou para ligar e conversar com Anne antes de busca-la. Precisaria muito da menina. Passou quase meia hora dentro de seu quarto conversando com a sobrinha. Sentindo-se um pouco mais confiante, ela foi tomar café. Encontrou Gigi com uma cara de sono e felicidade entupindo-se de café.

- Noite difícil? - riu ao ver a irmã jogar a cabeça sobre a mesa – posso imaginar.

- Ah, sis...obrigada. O duro é ter que trabalhar.

- Se quiser trocar de lugar comigo. Daria tudo para não levar a mamãe no estúdio hoje.

- Ela pegou pesado com você?

- Na boa? Tenho medo do que ela possa perguntar para o Nathan. Nem sei se Jeff vai entrar na conversa para ser bem sincera. Ela vai ser direta. Acredita que ela me perguntou como era beija-lo? - Gigi riu – não ria! Estou nervosa, em pânico.

- E você disse o que? Sobre o beijo? – ela viu o olhar envergonhado da irmã – ah, sis....

- Eu disse a verdade. Quem sabe ela não para de perguntar essas coisas?

- Você se entregou! Deu munição para ela.

- É, eu sei que estraguei tudo. Aliás, cadê a mamãe?

- No banho. Se arrumando para o Nathan – Stana jogou o guardanapo na direção da irmã – ué! Ela vai encontra-lo, não?

- Acredita que ela me disse que se fosse mais nova ela ficaria com ele?

- Ela não estava te provocando?

- Estava, mas o jeito que falou... sei lá! – Gigi gargalhou.

- Sis, nós temos a quem puxar. Safadeza também é genética.

- Gigi!

- Aí, não grita... estou com dor de cabeça. Bebi tequila de novo.

- Você disse que não ia fazer mais isso - Stana baixou o tom de voz - Por que não pode se contentar só em fazer sexo com seu namorado?

- Foi para isso que bebi, encenamos a cena de Heat wave... aquela das margaritas, sabe? Muito bom. Você já tentou com Nathan? Seu corpo fica molinho... – Stana arregalou os olhos e chutou a irmã por baixo da mesa ao ver a mãe chegar.

- Bom dia, mãe. Wow! Está muito gata! – Gigi virou-se para conferir o que a irmã dizia.

- Hum, mamys! Arrasou. Kate Beckett que se cuide.

- Gigi, não fale assim. Sua irmã vai ficar encucada. Não se preocupe, Stana e nem fique com ciúmes – Stana olhava para Gigi como quem diz “viu o que você fez? ” – que horas saímos daqui?

- Daqui a meia hora. Pegamos Anne e vamos para o estúdio.

- Ótimo – a mãe olhou para Gigi – outra noitada, filha? O investidor era bonito? Você tem que parar com isso, procurar esquecer essas tais de ... como chama mesmo... baladas. Devia procurar alguém para namorar sério. Que nem sua irmã com Jeff, pelo menos ela está tentando, você nem isso.

- A senhora realmente não acredita que Jeff é meu namorado, não?

- Gigi, mude o disco. Suas mentiras não me convencem.

- Quer saber? Vou trabalhar. Tenho uma maquete para entregar. Vejo vocês a noite, se sobreviverem.

Conforme combinado, deixaram a casa e foram pegar Anne. A menina estava toda animada para ver o tio e também para tirar foto na mesa de capitã da tia. Carregava uma mochilinha que Stana lhe dera, dentro havia três fotos grandes. Uma de Stana com Nathan em um photoshoot antigo, outra de Nathan apenas e uma de Castle e Beckett no caso da bomba quando ambos sorriam para o próximo beijo. A vó olhava intrigada para o jeito que a neta cuidava daqueles papeis, como se fossem pequenos tesouros.

- Anne, por que tem essas fotos?

- Ora, vovó. Estamos indo para o estúdio onde grava Castle. Vou falar com o tio Nathan e como eu sou uma fã, vou tirar foto com ele e pedir para ele assinar minhas fotos com umas palavras bem bonitas de Castle. A senhora não trouxe as suas? Porque eu não vou dar nenhuma para você. É tudo da Anne. Papai que imprimiu.

Stana riu do jeito da menina agindo como fanzoca.

- Acho que prefiro somente a foto com ele, Anne.

- Uma selfie? Porque ele gosta de tirar selfie. Vejo no twitter dele.

- Pode ser... – Stana estacionou o carro. Fez sinal para Rob Kyker que estava escorado em um dos trailers conversando. Ela havia mandado uma mensagem para o amigo pedindo que fizesse o tour pelo estúdio com a mãe e a sobrinha, que podia demorar o quanto quisesse. Na verdade, quanto menos tempo a mãe passasse com Nathan, melhor. A intenção de Stana era procurar por Susan a fim de ser a primeira pessoa que a mãe tivesse a oportunidade de conversar. A cartada final era com Nathan e o tempo.

- Chegamos. Agora atenção para as regras mocinhas. Estão todos trabalhando, portanto, pedi ao Rob fazer a gentileza de fazer o tour com vocês enquanto checo se já preciso gravar, não posso deixar meus colegas esperando. Nada de gritar, falar alto, em todo o lugar pode haver câmeras e gravações, certo? Outra coisa, nada de ficar fazendo perguntas indiscretas para Rob. E por último, não podem ficar muito tempo aqui, no máximo umas duas horas. Lembrem-se que não posso dar muita atenção para vocês porque provavelmente irei me ocupar. Está claro?

- Tantas recomendações! Não sabia que essa visita ia ser tão restrita – disse Rada – por que todas essas regras?

- Porque é um ambiente de trabalho. Mesmo que eu faça parte da equipe precisamos ser responsáveis e respeitar o que os demais estão fazendo e sua vida profissional e pessoal. Quanto a falar com os demais atores, esperem por mim, tudo bem?

- Que jeito! Mas você não vai sumir gravando, né filha?

- Vou tentar – Stana saiu do carro. Rob já a esperava cumprimentando-a com um beijo e um abraço – hey, Rob. Obrigada por fazer isso.

- É um prazer – de frente para a dona Rada e Anne, ele estendeu a mão para cumprimenta-las – sou Rob, a senhora é muito bem-vinda. Agora sei porque Stana é tão bonita.

- Ah, obrigada. Pode me chamar de Rada, é um prazer Rob.

- E essa pequena? Nossa! Você cresceu! Já tem quinze anos? – Anne riu.

- Tenho oito, tio. Vou fazer nove em abril.

- Ah, quando ficar maior, você pode substituir sua tia. Acho que vai ser uma ótima Beckett no futuro. Já pensou em ser atriz, Anne?

- Já. Mas essa é apenas uma opção. Sou muito nova. Quero curtir a vida.

- Meu tipo de garota. Vamos começar? Stana, acredito que Jessica e Nathan estão esperando você para gravar. Eles me perguntaram se você já estava chegando.

- Deixa eu correr. Comportem-se meninas – Stana saiu apressada. Tinha que passar no figurino, maquiagem e cabelo para poder filmar. Lisa já esperava por ela. Viu Nathan de longe conversando com a diretora. Torcia para Rob enrolar bastante com o passeio, além de contar com Anne para retardar a visita em sets o máximo possível. Eles estariam filmando no loft, o que era bem melhor.

E para variar a sobrinha não decepcionou a tia. Em cada cômodo que ia, ela pedia para tirar fotos, fazia pose, queria estar sozinha e com a vó. Fez questão de demorar bastante. Ao chegar no cenário da sala da capitã, sentou-se na cadeira imitando a tia no computador. Fez uma festa ao ver o porta-retratos com a foto de Castle e Beckett sobre a mesa.

A vó acabou se distraindo com a pequena. Rindo das bobagens que falava. Ela bem que merecia outros netos como Anne. Quando chegaram na sala de descanso, também conhecida como mini copa, onde estava a máquina de café, Rob serviu uma xicara para Rada e entregou um suco para Anne conversando animadamente.

- Tio, é café de verdade mesmo nessa máquina? Achei que era só de brincadeira.

- Não, faz café mesmo. Serve para nós quando estamos trabalhando.

- Mas o tio Nathan faz café para a tia de verdade, para levar para a Beckett?

- Às vezes sim, quando sua tia quer café. Ele é o expert dessa máquina. Manja tudo.

- Ele é bem inteligente que nem o Castle?

- Sim, e palhaço também. Tanto quanto, as vezes até mais. Vou contar uma história que ele aprontou com Jon – e continuaram a conversar.

Enquanto isso, Stana terminava sua cena com Nathan e esperava por Susan para filmar a próxima. Era uma ótima oportunidade para conversarem.

- Então, onde estão as duas?

- Com Rob. Espero que Anne esteja fazendo sua parte do acordo. Vou pedir para a Susan conversar muito com a mamãe, só para atrasar. E você, tome cuidado. Não se deixe levar pelo seu charme, não exagere porque ela não está para brincadeira. Vai falar do Jeff?

- Se ela perguntar... mas estou com um pressentimento de que ela não quer saber de Jeff. Quer saber de mim, de nós.

- Vai inventar uma namorada? 

- Não. Melhor estar solteiro. Aí vem, Susan. Depois dessa cena vou espera-las na mini copa, tudo bem?

- Ok – ela gravou com a atriz e Nathan, assim que a cena acabou mal ele tinha desaparecido, Rob apareceu com a mãe e a sobrinha. Momento perfeito para entretê-la com Susan – olha quem chegou. Susan, quero que você conheça minha mãe. Rada e essa é minha sobrinha, Anne já esteve aqui antes, mas você não estava.

- Que linda menina, Stana. Podia ser sua filha. Já pensou? Dá até para fazer o papel da filha de Richard e Katherine – Anne sorriu toda empolgada com o comentário da atriz. Depois, Susan dirigiu-se para a mãe – Incrível. É um prazer conhece-la, Rada. Parabéns pela filha maravilhosa que tem. É um prazer imenso trabalhar com alguém com Stana. Talentosa, linda, um doce de menina – Stana foi ficando vermelha – e você, devo dizer que está maravilhosa para ser mãe de uma mulher dessas.

- Ah, que isso! Você que é a diva aqui. Sou apenas uma dona de casa. Aliás, qual é o seu segredo? Não envelhece.

- Ah, truques da maquiagem. Esses produtos de hoje fazem maravilhas, cremes, tônicos, mas a alimentação ainda é a coisa mais importante quando se fala de cuidado para a pele. Nada de porcaria e junk food, é o que sempre digo ao Nathan. Ele não é meu filho de verdade, mas é do coração. Ele adora uma massa. Ainda bem que vem se cuidando de uns tempos para cá. Outro dia chegou dizendo que comeu uma salada mediterrânea deliciosa. Perguntei se ele tinha comprado, ele disse que aprendeu a fazer com alguém.

- Tia Stana sempre faz Anne comer verdura e brócolis – era a menina querendo ajudar a tia para evitar que o assunto ficasse em Nathan.

- E ela tem razão, por que você acha que ela é linda assim? Se quer ser como ela quando crescer, obedeça e coma saudável. Mas tudo na vida é moderação. Podemos ter de tudo, sem exageros. Parece que Nathan finalmente entendeu isso.

- Eu estava reparando. Ele está bem mais elegante, bonito mesmo. Quando isso acontece geralmente tem um toque feminino. O que você acha, Susan?

- Além de meus conselhos de alimentação, vivo dizendo isso para ele. Sou como a minha personagem vivo dando conselhos não solicitados. E por mais incrível que seja, ele está solteiro. Sua filha não o quer – Stana tomou um susto. Isso não estava acontecendo. Seu plano parecia ter se voltado contra ela – eles formam um casal tão lindo.

- Fico feliz em saber que alguém mais concorda comigo – ela deu aquela olhada para Stana que tentou com todas as forças disfarçar – fale um pouco mais sobre isso, Susan, acha que ele gosta dela?

- Quem sou eu para afirmar o sentimento dos outros, mas que eles exalam química, ah isso sim! Tenho muitos anos na estrada, já trabalhei e vi atores fantásticos atuando, porém confesso que raras vezes vi duas pessoas tão perfeitas juntas.

- Hey! Eu estou bem aqui! – isso não pareceu intimidar as duas na conversa.

- Eu sei, Stana. Apenas comentei o que todos já sabem. Qualquer fã de Castle pode confirmar isso - disse Susan – basta entrar nas redes sociais. Agora descobri como usar essas coisas graças ao Nathan e a Molly, fiquei viciada. Tem muita coisa interessante. E o amor das pessoas por esses dois é surpreendente. Por esse motivo, amo meu trabalho.

- Ah, sim, acredito – disse Rada – mas voltando a Nathan, está solteiro. Que desperdício, sinto falta dos meus anos de juventude. Um homem como ele não me escapava – a situação piorava a cada minuto.

- E eu não sei? Nathan comentou várias vezes que ele não é do tipo para casar. Eu não acredito nisso. Às vezes fico observando-os gravar uma cena e não acredito. Pode ser talento de sobra, mas eu olho para Castle e Beckett e não consigo deixar de ver um casal real.

- Meu ponto, exatamente – Rada concordou. Anne, então soltou uma de suas pérolas.

- Tia, acho que é um problema de vó. Nem a vovó, nem a mãe do Castle entendem que aquilo tudo é mentira. Será que é porque elas são velhinhas? A tia nem é policial de verdade como poderia ser casada com o Castle? – Susan não aguentou caindo na gargalhada.

- Você é uma menina muito esperta, sabia? Quero um beijo, e pode me chamar de vovó. Não me importo.

- Posso tirar uma foto também?

- Claro que sim – Anne deu um abraço apertado em Susan e um beijo daqueles que só criança sabe dar. Stana tirou a foto da sobrinha, depois com a mãe e agradeceu pelo tempo da atriz, Rada despediu-se e soltou um último comentário.

- Vamos ver se consigo colocar um pouco de juízo na cabeça desses dois.

- Tudo bem, vamos andando. Eu realmente preciso de um café. Minha cabeça está explodindo - Já que não tinha como evitar, melhor passar pelo teste de uma vez, pensou Stana – mamãe, veja lá o que vai dizer, por favor. A senhora fica falando da minha vida amorosa como se soubesse muito dela, nem sequer respeita o Jeff – a mãe deu uma olhada fingindo-se de inocente, sua filha não a convencia com esse romance. Ao se aproximarem da mini copa, Anne foi a primeira a avistar Nathan. Ele estava conversando com Rob. Não se contendo, a menina correu até ele. Brincalhão como sempre, ele abriu os braços para segura-la. Falou para Rob.

- Shhh, silêncio que lá vem minha namorada.

Rada fez questão de olhar para a cara da filha com esse comentário, felizmente ela estava preparada para não reagir. Ponto para Stana.

- Como você está, princesa? – ele a carregou no colo, beijou-lhe o rosto – você cresceu!

- Como sabia que eu vinha? Não vejo o tio a tanto tempooooo – ela fez questão de enfatizar – só na televisão.

- Sua tia me contou que você vinha ontem. Não se pode abandonar o namorado, fale baixo que lá vem a Beckett.

- Não é a Beckett, é a tia Stana – a menina ria da cara de pânico que ele fazia.

- Touché! Tenho um negócio para você. Sente aqui e espere um pouco. Oi, Stana. Você demorou.

- Susan papeando com a minha mãe. A propósito, vocês já se falaram ao telefone então... além disso não é a primeira vez que se veem – ele sorriu estendeu a mão pegando a da sogra e levando até os lábios.

- Dona Rada, é um prazer vê-la pessoalmente. Nossa, tem certeza que não é irmã de Stana? A senhora está muito jovem.

- Ah, querido. Sempre educado. Obrigada. Galanteador e cavalheiro. Tem gente que é cega mesmo.

- Por que não se sentam? Querem café? Como a senhora prefere seu café, dona Rada?

- Apenas preto e com pouco creme.

- Tem certeza que não quer um cappuccino? Essa máquina faz maravilhas.

- Tudo bem, aceitarei sua sugestão – ele sorriu e dirigiu-se para a máquina, providenciando três cafés diferentes, ele se distanciou pegando algo no armário. Eram duas barras de chocolate – aqui está princesa. Especialmente para você – os olhos da menina brilharam e encheu-o de beijos. Rindo, Nathan finalmente entregou as xícaras de café a elas sentando-se ao lado de Rada e de frente para Stana. Ao primeiro gole de café, recebeu logo o elogio.

- Tinha razão. Está muito bom – antes que ela pudesse continuar a conversa, Anne os interrompeu.

- Tio, eu trouxe fotos para você assinar e para tia também. Quero seu autografo – ela puxou as fotos da mochila mostrando para Nathan, ele sorriu.

- Lindas fotos, Anne. Essa aqui foi muito bacana. O photoshoot da EW. Melhor casal. Nos divertimos não, Stana? – ele sorriu para a esposa que não pode evitar o sorriso. A mãe reparou nos olhares – oh, essa sou apenas eu, para exibir para suas coleguinhas, não? – ele assinou com carinho, pegou a próxima – Castle e Beckett, um dos episódios preferidos dos fãs. Vou deixar sua tia assinar primeiro essas duas, ok? Faça as honras, Stana – ele entregou o pincel para ela enquanto Anne lia o que ele escreveu na outra foto.

- Para Anne, minha princesa e eterna namorada. Amor. Nathan. Que lindo, tio! Obrigada – assim que Stana terminou de assinar, ele fez o mesmo e devolveu as fotos para a menina. Rada que estava quieta apenas observando o jeito dos dois, resolveu se pronunciar.

- Então, estava conversando com Susan a pouco, ela me disse que está solteiro? É verdade? Porque devo dizer que é um desperdício!

- É verdade, sim. A única razão de eu usar uma dessas – ele mostrou a aliança no dedo da mão esquerda – é por causa de Beckett – riu de sua própria brincadeira. Rada não se deixou encantar com a piada e resolveu pegar pesado.

- Por que você mentiu para mim, Nathan? No telefone, você disse que Stana não tinha namorado. Por que não falou sobre Jeff?

- Eu...bem... na verdade....é – ele não sabia como conseguir convencer a sogra sobre Jeff. Trocou um olhar com a esposa procurando ajuda, precisava mentir. Stana já ficara apreensiva. 

- Você fez igual, Gigi. Enrolando-se para explicar. Me faz pensar se tudo não é uma grande mentira.  

- Ela, Stana pediu para não contar.

- Por que você fez isso, Stana? Gigi, Nathan, todos mentindo por você. Para que? Sou sua mãe, não tenho o direito de saber? – ele viu que Stana ficara em maus lençóis por isso a socorreu.

- Dona Rada, a senhora conhece a filha que tem. Stana é uma pessoa bastante reservada, ela é uma figura pública, já imaginou o assédio a ela e ao namorado? Tem muito fã bacana, mas também tem vários malucos. Todo cuidado é pouco.

- Interessante como você logo a defende. E o que a mãe vai fazer? Tinha o direito de saber. E você? O que acha disso? Jeff é seu amigo, não?

- Sim, meu melhor amigo. Fico satisfeito.

- Satisfeito? Não me pareceu muito convincente, Nathan – e realmente não tinha sido.

- Não, eu quero ver sua filha feliz, Jeff feliz. Ele é muito amigo, leal, um cara como poucos, e o que dizer de sua filha? Ela é uma mulher maravilhosa por dentro e por fora. Não existe outra igual, simples, de sorriso fácil, inteligente. Como não ficar feliz? – Stana estava outra vez envergonhada. A mãe olhava para os dois. Eles evitavam de se olharem nesse momento, mas se era para ser teatro que fosse.

- Poxa, Nathan, obrigada. Assim, você vai me deixar com vergonha. E você tem razão, Jeff é um cara maravilhoso também. E estamos juntos por sua causa.

- Engraçado, eu fico olhando para os dois e lembrando da Gigi querendo me convencer que Jeff era seu namorado. Eu quase acreditei, mas... tudo bem, se você acha que está feliz. Como sua mãe tenho que acreditar. Não me entendam mal. Jeff é bonito, educado, um bom partido. Ele me lembra muito de você, Nathan – suspirou – eu não queria tanto conhecer o namorado da minha filha? Missão cumprida. Vou convida-lo para jantar lá em casa. Fazer uma reunião especial em família como se fosse umas boas-vindas a nossa família e quero conhecer mais dele, afinal pode ser meu futuro genro, não?

Ao imaginar a cena, Stana tendo que andar de mãos dadas com o seu irmão, forçar uma situação e provavelmente beija-lo, Nathan estremeceu e fez o que seu coração mandou.

- Ou... podemos todos jantar na minha? O que acham? – Stana nervosa o fitou em desespero como quem diz “o que você está fazendo? ” – sábado.

- Excelente! Não recusaria um convite desses – Rada respondeu, Anne que não tinha nada de boba, já se convidou também.

- Posso ir também, tio? Anne adora jantar de família e prometo que como todos os brócolis, deixa tia, por favorzinho? – ela fitava Stana segurando sua mão, quase implorando. Que seja, ela precisaria de toda a ajuda possível para encarar esse jantar.

- Tudo bem, falo com seu pai.

- E não esqueça de sua irmã.

Rada olhava para os dois, por mais que tentassem, pareciam desconfortáveis diante da situação – sabe, eu achei que era somente a Stana, mas os dois são cegos e idiotas. Não consigo entender. Nathan, querido, satisfaça uma curiosidade de fã. Como é filmar essas cenas entre Castle e Beckett especialmente essas da cama? – ele jurava que ouvira errado, só que a pergunta era aquela mesma. Ele ponderou antes de responder.

- Por mais bonito que pareça para o telespectador, acredite não é nada parecido. Na verdade, estamos cercados de câmeras, luzes, pessoas nos observando. Chega a ser bem estranho, embaraçoso – isso poderia ficar pior, pensou Nathan.

- Não me pareceram nada embaraçados naquela última cena do aniversário. Foi muito natural. Era quase como se fosse vocês dois, quer dizer, eu vi a Stana ali, não a personagem. Mãe percebe e sabe dessas coisas.

- Mãe, por favor... – agora as coisas estavam realmente passando dos limites. Ela precisava parar com essa conversa antes que ficasse pior. Então, Anne que estava quieta comendo o chocolate e ouvindo a conversa deu sua opinião.

- Eu gostei muitão da cena de aniversário. Do balão, da faixa. E Anne aprendeu que dá para beijar na boca e falar ao mesmo tempo como a tia fez.

- Anne, querida, fique quietinha um instante, isso é conversa de adulto – disse a vó, voltando-se para Nathan continuou – me diga, é embaraçoso porque, você sabe, fica animado?

- Mãe! Tem uma criança bem aqui!

- Dona Rada, por favor, me desculpe. Em respeito à sua filha vou fingir que não entendi a pergunta.

- Tudo bem, é justo. Então, responda. O que você acha do beijo da Stana? – pronto, era a gota d´agua. Até Nathan ficou boquiaberto com a pergunta audaciosa. Completamente desnorteado, ele tentava salvar o momento sem ter que responder ao que a sogra perguntava.

- Dona Rada, por favor, não me coloque em uma situação complicada, me sinto no meio de um tiroteio, isso é constrangedor. Sua filha está bem aqui, do meu lado. Somos parceiros, companheiros de trabalho, não me sinto à vontade com isso. Ela namora meu amigo e... 

- Mãe, o que eu falei sobre perguntas pessoais? Já passou dos limites! Isso é desrespeito. Vamos, embora – ela evitava de olhar para a mãe tentando esconder o embaraço – Nathan, me desculpe, sinto muito mesmo.

- Tudo bem, Stana.

- Ah, por favor, foi só uma pergunta inocente, pare de fazer confusão à toa.

- Vamos, Anne – a menina se mexeu, deu um beijo no tio e acompanhou a tia – eu vou coloca-las em um taxi e já volto para continuarmos trabalhando.

- É muito bom... – ele disse. Stana virara a cabeça para fita-lo quase em câmera lenta – o beijo, é muito bom – o coração dela parecia que ia saltar pela boca. Viu a mãe abrir um imenso sorriso. Ele sorria também. Os olhos fixos nela. Até Anne ficou de boca aberta com o que ele falara. Tentando se recuperar, ela soltou um suspiro profundo. Dos lábios escapou uma palavra que ela pretendia ser de repreensão, mas foi de puro sentimento.

- Nathan... – fechou os olhos certa de que acabara de estragar tudo – vamos embora, vocês duas.

- Espere, o jantar ainda está de pé?   

- É claro que n... – Nathan fora mais rápido que ela.

- Sim, está. Sábado as sete horas – dessa vez ele recebeu o olhar fuzilante no estilo de Beckett. Dona Rada não notou tamanha era sua empolgação.

- Perfeito! – Stana saiu empurrando as duas para fora do estúdio. Conseguiu um taxi e deu o endereço de sua casa. Ao ver o taxi partir, ela se sentia enjoada. Tudo por causa do nervoso. O que ele estava pensando? Por que respondeu à pergunta? Ela voltava para o estúdio quase sem forças. Ele continuava no mesmo lugar. Esperando por ela. Tinha certeza que ela queria mata-lo, porém ele sabia que fizera a coisa certa.

Quando olhou para ele novamente, teve que se segurar para não avançar e soca-lo. Sentou-se desolada na cadeira e deixou escapar a mesma pergunta que martelava em sua cabeça.

- O que você fez?

- O que combinamos. Você tinha razão, sua mãe arrasou conosco. Melhor contar a verdade.

- Agora sim, você praticamente se declarou na frente dela!

- Então você preferia que eu tivesse ficado calado, deixando você louca por um buraco para se enterrar que nem um pimentão, sem contar no tal jantar que ela ia fazer para Jeff. Já imaginou a cena? Sua mãe perguntando sobre você para ele, forçando um romance que não existe e pior, bem na frente da Gigi! Não, chega de sofrer, de fazer malabarismos. Ela merece a verdade.

Ela ficou calada. As mãos na testa cobrindo os olhos. Digerindo tudo o que se passara nos últimos minutos.

- Hey, Stana... – ela ergueu o rosto por fim, não havia lágrimas apenas a preocupação – vai ficar tudo bem.

- Terá que ficar, Nathan. Vamos acabar logo com isso – ela deu um sorriso cansado.

- Ótimo, além do mais, eu não disse a verdade para sua mãe. Seus beijos não são muito bons, são espetaculares – isso a fez sorrir – melhor, não? Vamos trabalhar – ele se levantou colocando as xicaras na pia quando Seamus entrou e viu a cara de Stana.

- Está tudo bem, pessoal?

- Está sim, Seamus. Só a Stana que está com a cabeça estourando. Por acaso, você não teria um analgésico? Ainda temos que gravar três cenas.

- Acho que tenho no armário, posso pegar, mas sei que tem na sala dos escritores.

- Bem, lembrado – Stana disse sorrindo para ele – vou pegar um comprimido. Não deveria ter comido aquele doce que a mamãe fez – assim que ela saiu da sala, Nathan completou.

- Quer apostar que isso é TPM? – provocou Nathan para que o amigo não suspeitasse de nada errado.

- Tenho certeza, já até acostumei com as da Juliana – eles riram – estou indo para o set.

- Já chegamos – Stana retornou tomou o comprimido e seguiram para trabalhar.

Ela estava tão chateada naquele dia que estava sem ânimo de voltar para casa. Antes de deixar o set, Nathan a surpreendeu agarrando-a no corredor e levando-a até um pequeno depósito de material de limpeza. Ele literalmente a agarrou, beijou-a, passou a mão no corpo dela e da mesma forma maluca que começara, terminara. Suas únicas palavras foram “algo para colocar um sorriso essa noite em seu rosto, você estava precisando, amor” e desapareceu.

De volta ao seu trailer, ela se pegou pensando em como evitar a mãe nesses próximos dois dias até antes do jantar. Não queria mais falar sobre Nathan. Foi quando o pensamento lhe ocorreu. Iria cancelar o trabalho na sexta. Iria para sua casa. Curtir um momento de paz com seu marido. Ia falar com Alexi agora mesmo e a tal dor de cabeça que ela ouvira Seamus comentar com a diretora seria seu pretexto. Mandou uma mensagem para Nathan falando para ele inventar algo também para não vir ao estúdio amanhã ou ao menos diminuir suas horas.   

Após a conversa com Alexi, ela conseguiu o que queria. Apenas o pensamento de que estaria em sua casa no dia seguinte, já serviu para dar uma melhorada em seu humor. Checando o celular viu uma mensagem de Gigi. Ligou para a irmã.

- Hey, sis.

- Hey, como foi o interrogatório no estúdio?

- Um pesadelo! Tão difícil que Nathan acabou inventando um jantar. Chega. Vamos contar a verdade. Nós praticamente já entregamos evidências suficientes para a mamãe de que gostamos um do outro mesmo. Será melhor. Simplesmente expor você e Jeff a um circo de mentiras seria demais. Acho que ela está satisfeita com o que conseguiu, mas com raiva de mim.

- Por que, Stana? Ela disse algo? Conte o que aconteceu – Stana repetiu para a irmã os momentos constrangedores que foram expostos. Gigi ouvia tudo atenta aos detalhes. Sua mãe realmente passara dos limites, podia imaginar a vergonha e a cara dos dois. Não deve ter sido fácil – nossa! Ela exagerou. Acho que Nathan tomou a decisão correta. Já pensou o meu namorado tendo que agir como seu? Eu não aprovo isso. Se mamãe quer Nathan como seu namorado, deixa-a ser surpreendida ao saber que ele é, na verdade, seu marido.

- É, chega. Mas preciso que lide com ela hoje, Gigi. Não estou com cabeça. Eu já terminei meu trabalho e ainda estou no estúdio trancada no meu trailer somente porque não quero ir para casa, encara-la. Acho que vou dar uma volta pela cidade, respirar ar puro. Deixei minha bicicleta por aqui, então. Só apareço em casa bem tarde e amanhã vou passar o dia na minha casa. Preciso do meu marido.

- Já não era sem tempo. Você merece, sis. Deixa que eu me entendo com a fera. Você se preocupe em relaxar.

Foi o que ela fez. Stana deixou o estúdio na bicicleta. Pedalou por longos quilômetros. O vento em seus cabelos, os pequenos cheiros da cidade, fizeram sua cabeça melhorar. Quando foi que chegaram até ali? Vivendo uma mentira e ao mesmo tempo o melhor momento de suas vidas? Sete anos. Quase três juntos, um ano de casados. É verdade o que dizem, as mães sabem tudo. Ela apenas queria que a situação se resolvesse, tanto no ambiente pessoal, quanto profissional para que pudessem dar o próximo passo. A ideia a fazia sorrir.

Stana voltou para casa com um único pensamento em sua mente naquela noite. Estar com Nathan na manhã seguinte. Passava de meia-noite quando entrou em casa. Encontrou Gigi sentada no sofá lendo.

- Hey, estava esperando você. Não se preocupe, mamãe já foi dormir há algum tempo. Somos só nós duas. Ela estava radiante, sis. E ainda acho que vai ficar mais ao saber a verdade.

- É, imagino – sentou-se do lado da irmã – você está bem, quero dizer, com tudo isso? Sei que ela está te colocando para escanteio, Gigi.

- Está, mas não me importo. Especialmente ao saber que ela quis acreditar em mim e falou bem do meu namorado. Não preciso dos refletores, sis, quero apenas ficar bem, todos devemos ficar bem – ela deu um beijo na irmã – você vai sair cedo amanhã?

- Sim, irei trabalhar para todos os efeitos.

- Ah, sim... trabalhar muito... – elas riram – boa noite, sis – foram para o quarto.

Na manhã seguinte, como se nada tivesse acontecido, Stana sentou-se à mesa para tomar café vestida para trabalhar. A mãe observava o jeito dela. Parecia calma depois de ontem. Resolveu cutucar.

- Você chegou tarde ontem. Estava trabalhando ou com seu namorado?

- Os dois. Fiquei no estúdio até nove da noite, depois fui jantar com Jeff. Quer saber se eu fiz sexo também?

- Hum... alguém está de mau humor. Nem parece que estava se divertindo com o namorado.

- Mãe, eu não gostei do jeito que falou com o Nathan. Aquilo foi inapropriado. A senhora não pode ficar se metendo na vida dos outros assim, invadindo sua intimidade. Apenas complica minha vida no ambiente de trabalho.

- Não precisaria se os dois conseguissem enxergar um palmo além do nariz – a mãe se aproximou dela segurando seu pescoço e virando-o para olhar melhor – Stana, o que é isso no seu pescoço? É um chupão? Meu Deus, filha! É um chupão! – Stana arregalou os olhos, não acreditava que tinha uma marca – tem um espelho? – ela se levantou da cadeira para se olhar no espelho da sala. Droga! A mãe estava certa. Nathan a marcara ontem durante os amassos. Era só o que faltava para deixar a mãe toda acessa.

- Não tinha visto. Que droga! Agora vou ter que retocar com base e disfarçar ou isso vai gerar o maior comentário no estúdio.

- Então a noite realmente valeu a pena, não filha? Mas Jeff precisa ter mais cuidado. Seu trabalho depende de sua imagem – ela ainda estava avaliando a extensão da marca em seu pescoço, era verdade que o cabelo escondia, mas se precisasse filmar com um coque ou rabo de cavalo estaria perdida – a menos que não tenha sido o Jeff...

- Do que a senhora está falando?

- Talvez essa sua marca tenha sido feita no set, pelo seu co-star, possível não? Ele tem jeito de quem é capaz de marcar a pessoa amada...

- Mãe! Acabei de falar que não gostei da forma desrespeitosa que a senhora tratou Nathan e de novo vem com essas insinuações infundadas. Será que não dá para esquecer isso? Eu e Nathan temos apenas uma relação de amizade e trabalho – Stana estava realmente irritada com a insistência da mãe 
- Quer saber? Não vou discutir. Vou trabalhar.

- Espera, filha. Desculpe. Eu só quero o melhor para você. Estou muito ansiosa pelo jantar e pela oportunidade de conhecer seu namorado melhor.

- Tudo bem, mãe. Porém, as vezes não precisa me pressionar. As coisas na vida precisam de tempo e dedicação. Relacionamentos não caem do céu, nem acontecem do dia para a noite, precisam ser trabalhados. Só esperava que entendesse isso.

- Eu entendo, filha. Mais do que você imagina. Tenha um bom dia de trabalho, Stana e mande minhas desculpas sinceras para Nathan, por ontem.

- Obrigada, mãe – assim que a filha saiu pela porta, dona Rada comentou.

- Insinuações infundadas, uma ova! Hoje eu vou descobrir o que Stana está me escondendo. Filhos! Não entendem que as mães sabem de tudo. Ela sorriu ao ver o crachá de entrada no estúdio sobre a mesa. Se ela esquecera, faria questão de entregar a filha pessoalmente.  

Stana saiu de casa sorrindo. Ela não ia se preocupar com as tentativas da mãe de empurra-la para Nathan. Hoje, ela queria se jogar em Nate, quantas vezes pudesse. O celular vibrou. Mensagem dele. “Hey, honey! Só consigo chegar em casa depois das dez da manhã. Não se preocupe, estarei lá. Relaxe um pouco. LU.NF”. Ela sorriu. Tudo bem, esperaria por ele.  

Ela estava tão feliz com a possibilidade de passar um dia com o marido que não percebeu, ao entrar no carro, que estava sendo seguida. Dona Rada estava desconfiada e decidiu confirmar se a filha estava mesmo falando a verdade. No taxi, guiava o motorista para segui-la sem dar mancada, o que não faria qualquer diferença, pois Stana tinha a cabeça nas nuvens. Viu a filha desviar do caminho do estúdio. Será que estava indo para a casa de Jeff? Ou filmaria em outro local?

Quando a viu estacionar na frente de uma bela casa, sabia que não ia trabalhar. Pediu para o taxista parar e permaneceu no carro observando Stana calmamente entrar em casa, aparentemente ela tinha uma chave. Decidiu não deixar o carro ainda, será que ela estava sozinha?

- Dona, a senhora vai sair do carro? Desse jeito terei que deixar o taxímetro rodando.

- Deixe rodando, não me importo. Estou fazendo algo sério aqui.

- Sei, sei... por acaso aquela moça é amante do seu marido?

- Cale a boca, senão não terá gorjeta.

Vinte minutos depois, parte das perguntas de dona Rada foram respondidas. Um carro estacionou de frente para a garagem enquanto a mesma abria. Seus olhos não acreditaram primeiramente no que viam. Era Nathan! Mas, isso não podia ser uma locação. Não havia sinais de interdição, caminhões, pessoas. Isso estava muito estranho.

Pagando o taxista e tendo certeza de que ele desaparecera rua abaixo, ela correu para a garagem. A porta estava terminando de fechar e ela ainda conseguiu passar pela brecha. Nem sinal dele. Com cuidado, ela caminhava não querendo fazer qualquer movimento brusco.
Stana ouviu um barulho vindo lá de baixo. Desceu as escadas.

- Nate? É você? – ele apareceu na sua frente segurando um buque de flores do campo, sorria.

- Bem-vinda de volta, Staninha – ela pegou as flores, cheirou-as e colocou no degrau da escada. Não tinha muito interesse no romance apesar de apreciar o gesto, tudo que ela queria era um beijo – oh, gorgeous, senti tanto sua falta... – agarrando-a pela cintura, ele a puxou para si. Segurando o rosto dele com as duas mãos ela o beijou, cheia de paixão.

- Eu também...- beijava – muito, muito – beijava deixando os braços deslizarem enroscando-se no pescoço dele bem na beira da escada. Então uma voz os assustou.


- Querem me explicar o que é isso? – pálida, Stana olhava para Nathan que, boquiaberto, não conseguia emitir uma só palavra. A expressão no rosto da mãe dizia tudo. Eu ganhei.

Continua...