domingo, 19 de março de 2017

[Castle Fic] A (Im)Perfect Love Story - Cap.10


Nota da Autora: Certo, o capitulo é pequeno, porém está cheio de momentos importantes e também emotivos. Citados nesse capitulo tem uma das frases mais bacanas que ouvi em Castle e mantive o trecho em inglês. Alem disso, tem referencia a bandas e cantores countries e outras coisas mais. Espero que gostem!  


Cap.10


Castle e Beckett curtiram muito os primeiros dias de sua viagem. Passaram por cidades como Boston, visitaram Harvard University, Chicago e tantas outras cidades pequenas e interessantes que cruzavam seu caminho. A cada momento uma nova descoberta, uma provocação e muitos, muitos beijos e carinhos que acabavam em noites de prazer em quartos de hotel. 
Beckett não se lembrara de outro momento onde estivesse completamente relaxada e feliz exceto no dia do seu casamento e na verdadeira noite de sua lua de mel em pleno rancho, um cenário desenhado para que se sentissem em um daqueles filmes antigos de John Wayne. Sorriu. Eles estavam no estado do Tennessee aproximando-se de Nashville para ser mais exata. Ela estava curiosa para visitar a cidade berço da musica country, não que fosse uma fã. Esperava que a atmosfera a fizesse recordar dos dias de sua lua de mel com Castle, mais que isso, ela precisava criar um clima para finalmente se abrir com ele. 
Estavam há vinte dias na estrada dos quais ela contava nos dedos de uma mão quando não fizeram amor ou trocaram umas caricias mais calientes. Por isso precisava conversar com o marido. Ela não contara a Castle que estava sem proteção desde que deixaram Nova York e mesmo sabendo que isso não era algo que chatearia o homem que caminhava ao seu lado na cidade de Knoxville, ela prometera: sem segredos. Ela revelaria o que estava pensando no próximo destino. Nashville.  
Dois dias depois, eles entravam na cidade do country. Castle estava empolgado. Já havia checado pela internet alguns dos bares famosos onde artistas começaram sua carreira. Mesmo não sendo fã do gênero, Beckett se deixava levar pelo marido. Podia reclamar o quanto quisesse de seus exageros, tudo da boca para fora. Adorava o jeito dele. 
— Beckett, que sorte a nossa! Lady Antebellum está tocando amanhã no Tootsie’s Orchid Lounge. Diz aqui que tem um pré-show de uma banda que toca Willie Nelson e Patsy Cline. 
— Castle, eu não sou fã de Lady Antebellum… 
— Temos que entrar no espirito, eles tem três palcos. Ah, Beckett, por favor, explorar é a regra numero um dessa viagem. Poderemos usar chapéus de cowboys e… 
— Menos, Castle - ela ria porque era exatamente isso que ela imaginara que ia acontecer quando chegassem ali - só falta me dizer que irá se vestir de Elvis quando chegarmos em Memphis. 
— Já me vesti em outra ocasião, isso é praticamente mandatório em Graceland. 
— Tudo bem, podemos checar o tal show. 
Na noite do evento, Castle apareceu com dois chapéus alegando que ela tinha que usar. Não aceitava um não como resposta. Ela revirou os olhos, mas acatou o que o marido pedia. 
O clube era muito bom. Beckett apreciou cada foto nas paredes. Muitos famosos passaram por ali. Castle escolheu uma mesa bem localizada com visão de palco e perto do bar. Voltou a se juntar a esposa trazendo duas doses de whisky. Fez amizade com a garçonete jogando seu charme para a moça que ficou empolgada em servir a mesa do bonitão até se deparar com Beckett. 
Ela notou que a moça ficara envergonhada ao vê-lo sentar-se ao lado de Beckett oferecendo sua dose de cowboy e beijando-lhe os lábios. Quando a garçonete se distanciou, perguntou. 
— Castle, por que a garçonete parecia envergonhada ao servir nossa mesa? 
— Talvez porque ela tenha pensado que o bonitão aqui queria algo mais além de servir bebidas quando jogou seu charme pedindo o whisky. 
— Você flertou com a garçonete? 
— Não, Beckett. Eu fui eu mesmo. Você sabe o que isso significa. Nem você resistiu… 
— E por acaso, ela não viu a sua aliança? 
— Eu estava com a minha mão no bolso - ela deu um murro nele - hey! Eu deixei perfeitamente claro que não queria nada com ela ao te beijar. 
— Sabe, Castle, Nashville é uma cidade extremamente fácil de se arranjar uma arma, ainda mais eu sendo policial. 
— E o que você faria com essa arma, Beckett? Brincaríamos de mocinho e bandido? Hum… você usando esse chapéu, segurando uma arma… posso ficar armado também, seria igual nossa lua de mel, não? 
— Não se engane. A arma não é para nenhuma cena de roleplay. É para atirar em você se ficar fazendo essas gracinhas, se oferecendo para outras mulheres. 
— Hum… detecto ciúmes, Kate? - outro murro. Ele a agarrou pela cintura sorvendo os lábios dela com vontade - não fique bravinha, amor. Só tenho olhos para você. 
— Acho bom mesmo. Preciso de outra dose de whisky - ele já ia se levantar, mas Beckett o empurrou no banco outra vez - pode deixar que dessa vez eu mesmo pego - ele adorava ver o lado ciumento de sua esposa aflorar porque trazia aquele jeito irritado que ele amava e certamente o deixava desejando-a ainda mais. 
O show começou e abraçados curtiam os bons momentos juntos. Rolavam uns beijinhos, umas mãos bobas, porém quando Hillary entoava o refrão da canção “Need you now”, ele já não podia resistir aquela bela mulher de olhos amendoados usando um chapéu bem ao seu lado acariciando sua coxa, provocando seus sentidos. Ele virou a dose de whisky de uma vez, não queria ficar mais ali. Ele se aproximou mordiscando o lóbulo da sua orelha, beijando seu pescoço e sussurrando de maneira provocante em seu ouvido. 
— Eu preciso de você agora… vamos sair daqui - ele a arrastou para fora do clube. Caminhavam com pressa de volta ao hotel. Castle parava em uma esquina ou outra para roubar um beijo ou para mordiscar os lábios dela. Pareciam dois adolescentes loucos e apaixonados. 
Ao chegar no quarto de hotel, tudo o que queriam era sentir um ao outro. Ele tirou suas roupas em tempo recorde deixando-a apenas de chapéu. Fez o mesmo com as suas. 
— Que tal relembrar nossa lua de mel, Beckett? 
A vontade de estar com o outro, o desejo que corria em suas veias a fez esquecer do que tinha planejado para aquela noite. Apenas queria sentir o corpo dele sobre o seu. Tirou o chapéu que usava e jogou longe. 
— Prepare-se, cowboy - e tomou seus lábios com vontade também livrando-se do chapéu que ele usava em meio a mordidinhas no lábio. Ela podia sentir a excitação dele contra sua coxa. Ela o jogou na cama, queria o controle ou pensava que queria. Explorava o peito dele com a boca, mordia a pele, usava a língua. Castle não a deixou ficar no comando por muito tempo. Trocaram de posição. Era sua vez de sugar-lhe os seios, tocar a pele e afastar as pernas para tocar seu centro. Em um verdadeiro jogo de gato e rato, eles se provocavam, se curtiam, se amavam. 
No momento que ela sentiu-o penetrar seu corpo, gemeu de satisfação. Castle movimentava-se dentro dela afundando-se um pouco mais até ser surpreendido por outro movimento de Beckett. Era sua vez de domina-lo, agarrava-se no estômago e no peito dele enquanto rebolava mantendo o contato intimo e intenso entre eles. Agarrou a cintura dela forçando-se rapidamente. Ergueu o corpo da cama. Beckett abraçou seu pescoço trocando um beijo ardente. Castle inclinou o corpo dela provando-lhe os seios e com uma nova estocada, ela gritou cedendo ao orgasmo. 
Ele tornou a deita-la na cama. Os movimentos não paravam. Ofegante, ela não desistia. Buscara seus lábios fazendo Castle se perder com sua língua provocando enquanto o beijava. Ele gozou. Deitados na cama permaneceram calados. Castle a puxou para cima de si, ajeitou os cabelos para trás da orelha. Sorria. Ela inclinou-se para beija-lo. Dessa vez, nada de urgência ou o louco desejo dominando. Era lento, apaixonado, sedutor. Ela se deixou aconchegar no peito dele. Adormeceram. 
Na próxima parada, Castle cumprira sua promessa se vestindo de Elvis na visita a Graceland. Até se meteu a representa-lo, ensaiando alguns versos de “Love me Tender” no microfone para Beckett na maior cara de pau no meio da rua arrancando aplausos de desconhecidos, deixando Kate vermelha com a demonstração calorosa de afeto em plena luz do dia. 
Como ela previra, ao chegarem no Texas, Castle pediu para alugarem a van e continuarem a viagem de moto apenas quando chegassem na California. Prometera que faria a rota da US1 de moto com Beckett. 
Ela não se incomodou. Um descanso era bom. 
A chegada a California trouxe outro ar a viagem. O estado ensolarado provava todos os dias porque recebera esse apelido. Em Los Angeles, eles fizeram passeios aos estúdios, ao teatro chinês, foram a Venice Beach e voltaram ao píer de Santa Monica. Sentados lado a lado observando o por do sol após uma caminhada na praia, as lembranças de um dia do passado retornaram a mente da capitã. 
— Lembra da nossa última visita a esse lugar? 
— Como poderia esquecer? E não estou falando da vista maravilhosa de você naquele maiô - eles riram - Royce. Ele foi o motivo de termos vindo a Los Angeles. A cena ainda está vivida na minha memória. Confesso que tive medo naquele dia. 
— Medo? - ela não entendeu ao que ele se referia. 
— Sim, medo que você simplesmente deixasse o impulso, a raiva apertar aquele gatilho. Meu coração dizia que você não faria isso, mesmo assim tive medo. Eu sei o que Royce significava, não pense que eu engoli aquele seu teatro ao telefone. Tudo bem, Kate. Todos nós tivemos nossas parcelas de relacionamentos frustrados. Aqueles que pareciam deixar a dúvida suspensa no ar. Engraçado como o suposto momento “e se” desaparece quando a pessoa que você ama, a única que você quer passar o resto da sua vida aparece diante de você. 
— Sua dúvida era a Kyra. 
— Sim, até o dia que a vi outra vez, ainda me perguntava se eu deveria ter ido procura-la em Londres. Nós ainda não estávamos juntos na época, mas eu já estava apaixonado. Eu me perguntava se a aparição de Kyra era um sinal dizendo para desistir de você. Mas Kate Beckett não é uma mulher fácil de se ignorar, muito menos esquecer. Eu vi como ficou mexida  durante aquele caso - ela ia abrir a boca para contestar - não negue. Lembro de suas palavras “ela é real”, como você, amor. Porém, foi quando eu a vi em perigo no caso do serial killer, quando a resgatei no seu apartamento que percebi que eu não podia lutar contra o sentimento. 
— Mesmo assim, quis se afastar. 
— Por medo de afeta-la. Foi a minha história que a colocou em perigo. E depois, Demming apareceu para atrapalhar tudo de novo. 
— E você resolveu voltar com sua ex-mulher. 
— Você recusou meu convite aos Hamptons. 
— Não vamos entrar nessa discussão. Sabemos que o nosso relacionamento nunca foi convencional - ela apertou a mão dele - e já que você está dividindo com a classe suas experiências, eu tenho uma para você. Royce foi sim uma pessoa importante na minha vida, na academia, pessoal e profissional. Ele me apoiou no caso da minha mãe. Foi o mentor, o professor, o amigo, uma paixonite, mas nunca o “e se” na minha vida. 
— E quem foi? 
— Acho que o único foi a perda da minha mãe. Na verdade, foi Royce que me mostrou que estava diante de um desses momentos quando vim até aqui investigar seu assassinato. Ele me deixou uma carta, nela Royce falava de você - ele a olhou surpreso, Beckett sorriu - eu me lembro exatamente das palavras - ela começou a recita-las - “Now for the hard part kid. Its clear that you and Castle have something real and you're fighting it. But trust me, putting the job ahead of your heart is a mistake. Risking our hearts is why we're alive. The last thing you want is to look back on your life and wonder "if only.”
Castle estava boquiaberto. Beckett continuou.
— Aquele foi meu momento porque na noite anterior eu quase cedi. Na verdade, eu ia. Voltei aquela sala, você tinha ido para o quarto para minha sorte. 
— Você está dizendo que podíamos ter ficado juntos antes do seu atentado? Como você pode considerar isso sorte, eu não estar lá? 
— Castle, babe, você sabe porque. Eu dormiria com você e depois me questionaria se fizera a coisa certa. Eu não estava sozinha e poderia ter estragado bem mais que a nossa amizade, a parceria. Quando li a carta de Royce e meses depois passei por toda aquela loucura para descobrir sobre Montgomery, minha mãe, eu sabia que não estava pronta. Havia uma grande dúvida na minha mente, não ao seu respeito, quanto a mim - ela falava olhando para o oceano a frente deles, a mão segurando a dele - Ao ouvi-lo dizer que me amava após ter sido baleada, eu sabia que para ser honesta com você primeiro precisaria ser honesta comigo mesma. A terapia me ajudou a enxergar o que eu queria ser - Beckett o fitou, ergueu a mão mostrando a aliança - E por isso estamos aqui. 
Por alguns instantes ele ficou sem palavras apenas fitando a esposa maravilhado. Ela tinha lágrimas nos olhos. 
— Não vai falar nada escritor? 
— Eu te amo, Kate - beijou-a apaixonadamente. 
— Always - ela se levantou, ofereceu a mão para ele - vamos nos preparar para pegar a estrada, chega de carro - de mãos dadas, eles caminharam de volta ao calçadão e em direção ao hotel. 
No dia seguinte, eles pegariam a Pacific Coast Hwy também conhecida como a número 1. Sairiam de Los Angeles passando por várias cidades menores fazendo a rota por Monterrey, Carmel, Big Sur até São Francisco. De lá partiriam para Vegas também via estrada parando em Yosemite e no vale da morte. 
A paisagem da viagem pela costa do pacífico era de tirar o fôlego. O conjunto da natureza, o céu, o oceano contribuíam para deixar tudo mais interessante. Passaram por Big Sur. As montanhas faziam Beckett se sentir viva. No porto de Monterey, eles pararam e saborearam uma lagosta incrível. Eles estavam parados abraçados observando o sol se perdendo no oceano quando Beckett suspirou e deixou as emoções a dominarem. Ela e Castle já estavam a mais de um mês com o pé na estrada. Voltar para casa era algo que não cruzava os pensamentos da capitã, outra coisa sim. 
— Isso é tão lindo. Traz uma sensação de paz interior - Castle beijou sua nuca - pela primeira vez, desde que todo aquele terror aconteceu. Eu sinto que estamos nos dando a chance de sermos felizes. 
— A paisagem está te deixando emotiva, Beckett? - ela virou-se para fita-lo. Suspirou - hey, o que foi? Você acabou de dizer que estava feliz, por que esse olhar? Essas lagrimas? - ela acaricia o rosto dele. 
— Eu preciso te contar uma coisa. Na verdade, trazer à tona uma conversa já adiada por nós dois há algum tempo. 
— Mais segredos? 
— Não é bem um segredo. Talvez uma omissão. Estou falando de futuro, babe. Para isso preciso falar do que aconteceu após eu acordar naquele hospital. 
— O que aconteceu é simples. Você e eu fomos feridos, nos recuperamos e estamos aqui vivendo nossa vida, nosso casamento. Felizes. 
— Essa é a versão reduzida do que experimentamos. Nas entrelinhas dela teve o seu sofrimento enquanto eu não acordava, depois o momento de tristeza porque estava dividido, brigado com sua filha e depois a volta da normalidade. Para mim, houveram sonhos enquanto eu dormia, a alegria de ver seu rosto outra vez, a preocupação de vê-lo triste e não saber o que fazer por causa de Alexis e reflexões sobre o futuro. Acho que desde que nos casamos nunca houve espaço para essa conversa do futuro. Eu tentei traze-la à tona uma vez, logo após aquele caso da suposta gênia, lembra? Você me disse que não precisava de gênio porque tinha tudo o que poderia desejar. Você me pegou de surpresa com as suas duas respostas. 
— Você estava falando da máquina do tempo? É verdade. 
— Eu sei. E naquela noite, o assunto que tentei investigar foi perdido pelas suas palavras, escritor. E não voltou então veio Loksat. 
— Kate, o que você está querendo me dizer? Qual é o mistério? 
— Eu venho pensando sobre o nosso futuro, Castle. E-eu não queria falar sobre isso com toda a situação com Alexis - ela colocou uma mão sobre o peito dele, não desviou o olhar quando falou novamente - desde que nós saímos de Nova York, eu não venho tomando nenhuma precaução, estou falando… 
— Beckett, você está falando…
— De família. Nossa família, Castle. Eu quero ter um filho com você. Não é algo para ter pressa, e-eu só precisava dividir isso com você. Eu acho que estamos prontos. Eu estou pronta. 
— Você está dizendo que todas as vezes que nós fizemos amor, nós podíamos… você está se sentindo diferente, é isso? Está achando que está gravida? - ela riu beijando-lhe os lábios. 
— Não, babe. Não estou grávida ainda. Parei de tomar meu anticoncepcional, mas cada organismo é diferente. Pode demorar. Tem mulheres que assim que suspendem, ficam grávidas na primeira tentativa, outras levam meses, anos. Eu apenas quero que você saiba que decidir tentar e se você achar que devemos esperar eu…
— Não, por favor. Eu não quero esperar, amor. Acho que já adiamos demais. Vamos continuar tentado. Eu sei que não vai demorar, posso sentir. 
— Você não está chateado por eu ter te escondido isso por mais de um mês? Nós prometemos sem segredos. 
— Claro que não. É uma coisa boa. Na verdade, a melhor coisa que você poderia me dizer depois que voltou para mim, Kate. Você está pronta - ele a beijou. Tornou a abraça-la por trás, olhavam o oceano. De repente, ele comentou. 
— Tenho que caprichar nas próximas. Preparar minha performance - ela olhou para o marido erguendo uma das sobrancelhas. 
— Você se deu conta de que isso não é uma competição ou uma corrida até a linha de chegada, certo? 
— Oh, Beckett, mas um dos meus nadadores cruzará a linha de chegada e quando isso acontecer, um pequeno bebê lindo e charmoso como o pai se formará dentro de você - ele tocou o ventre dela. Rindo, ela beijou o marido outra vez. 
— Castle, sem pressão… vamos apenas curtir o momento, tudo bem? Além do mais, quem disse que será um menino? Seu histórico mostra que não consegue viver sem as mulheres ao seu redor… 
— Só preciso de uma, você. Mas se você der a luz a uma menina igual a você, eu vou ser o homem mais feliz do mundo. 
— Até ela completar treze anos - ela viu o olhar de pavor no rosto dele. Castle balançou a cabeça. 
— Quantas vezes terei que pedir para não destruir minha história com a sua lógica? - rindo, ela o puxou pela mão. 
— Vamos, Castle. Hora de seguir viagem. 
Pernoitaram em Carmel. Depois, seguiram para São Francisco onde passaram três dias curtindo a cidade. De volta a estrada, Castle não via a hora de chegar a Vegas apesar das próximas paradas interessarem bastante a Beckett. Yosemite Park era um paraíso verde em plena California. Claro que Beckett aproveitou para colocar Castle para fazer umas trilhas consigo. Ele não reclamou. Era bom caminhar depois de tanto tempo sentado no banco de uma moto. Durante a trilha, ele não podia deixar de pensar na revelação de sua esposa. Estando a mais de um mês na estrada, juntos, a ideia de que a qualquer momento, em qualquer noite que fizessem amor poderiam estar gerando uma vida, dando inicio a sua nova família era incrivelmente maravilhosa. 
Lembrou em como pensara sobre isso quando ela estava em coma. Chegara a mencionar o desejo a Beckett. Tinha que reconhecer, a atitude de sua esposa o pegou desprevenido. Castle acreditava pelas suas experiências anteriores com ela que se alguém tomasse a iniciativa quanto ao assunto, seria ele. Beckett vinha considerando a ideia a algum tempo. O que será que a motivou? Seria a possibilidade de morrer? A segunda ou melhor terceira chance que recebera de viver? Fora influenciada por alguém? Ele pensou em Johanna. Tantas perguntas! Queria faze-las, não sabia como. 
Ela mencionara Alexis. Beckett teria abordado a questão antes se ele não estivesse brigado com a filha por causa dela. Entendia muito bem porque. Sua esposa tinha medo que ela estivesse falando de engravidar para suprir, substituir Alexis. Suspirou. Outra vez ele agradeceu pelo dia que ela invadiu sua festa de lançamento para interroga-lo. 
— Sem fôlego, Castle? Está calado. 
— Apenas apreciando a paisagem e pensando. Agradecendo para ser sincero. 
— Posso saber por que?
— Agradecendo pelo dia que você apareceu naquela festa de Storm Fall esfregando o distintivo na minha cara, no momento que mais precisava de algo diferente. 
— Você quer dizer no momento que precisava de uma nova distração. 
— Beckett, você nunca foi uma distração. Quer dizer… sim, porque me diverti muito te irritando, mas você me salvou. Eu voltei a escrever, fiquei intrigado com a sagaz detetive escondida atrás de um trauma e outros mistérios. E não estava errado quando disse que achei que você era o mistério que nunca solucionaria. Acredite, oito anos depois, Kate Beckett continua mostrando facetas escondidas, continua sendo meu mistério favorito. 
— Isso é bom? Pensei que não gostasse de ter segredos entre nós depois de tudo… 
— Isso é maravilhoso porque não se trata de segredos, não é nada que coloque em risco minha confiança em você. Na verdade, é um ingrediente fundamental para nos manter conectados, fortalecer o relacionamento. Você me surpreendeu mais uma vez. E Kate? Isso só me faz ama-la cada vez mais. Você estava tão preocupada que o nosso casamento virasse rotina, nos tornássemos chatos… como? Impossível! Nós somos incríveis e continuaremos sendo. 
Ela se aproximou dele. Afastou os cabelos grudados na testa pelo suor. Beijou-o. 
— Acho que chega de caminhada por hoje. Estamos precisando de um banho e um ótimo vinho para relaxar e brindar ao meu marido maravilhoso e nossa relação incrível - ele sorriu. 
— Adoro quando você fala assim porque vejo que acertei em várias coisas, fiz boas escolhas. 
— Ah, você certamente fez - Beckett ofereceu a mão que Castle aceitou na mesma hora seguindo o caminho de volta de mãos dadas com ela. Haveria tempo suficiente para perguntas. Não hoje.  
Seguiram pela estrada rumo a Las Vegas. O sol incomodava um pouco e Beckett sugeriu uma parada em uma das áreas de descanso da estrada. O corpo pedia por um café, porém o calor era maior. Disse a Castle que ia ao banheiro enquanto ele se decidia o que iria comer. Lavou o rosto sentindo-se bem melhor. Desconfiava que pegara uma insolação. O corpo estava moído, a cabeça pesava, tinha sono. Talvez devessem diminuir o ritmo de viagem. Ela prendeu os cabelos em um rabo de cavalo, molhou a nuca. 
Quando encontrou o marido, ele estava bebendo um milk-shake de chocolate. 
— Não comprou café? 
— Muito quente para café, fiquei na dúvida entre um frapuccino ou o shake. O que você quer comer? Verifiquei e não tem nada saudável. Pizza, sanduíche, frango frito - ela pegou o copo da bebida, provou e automaticamente levou o copo a nuca. Foi quando Castle notou o quanto ela estava pálida - Beckett, você está bem? 
— É o calor. 
— Você está pálida. Melhor se sentar - ele puxou-a para uma mesa. Beckett sentou-se colocando a cabeça entre as mãos. Castle deixou-a sozinha por uns instantes voltando com uma garrafa com agua gelada e um pratinho de frutas que encontrara no café - beba e coma. 
— Acho que peguei uma insolação - ela tomou um pouco da agua - ou talvez seja cansaço. Dirigimos muitas horas desde que saímos de Yosemite sem parar - ele se sentou ao lado dela. Abriu o pote de frutas e ofereceu um pedaço de melão no garfo para ela. 
— Por que não me disse que estava cansada? Podíamos ter parado antes. Você vai se recuperar e seguiremos para o primeiro motel que encontrarmos. Voltaremos para a estrada amanhã. Não temos pressa. Vou pegar algo para comer. 
Enquanto estava na fila, ele pensava nela. Preocupado. Um pensamento lhe ocorreu. Será? A vontade de perguntar era grande, contudo não podia aborda-la ali, no meio de estranhos. Retornou à mesa com dois pedaços de pizza e uma porção de breadsticks. Ela comia as frutas. Satisfeito, voltou a atenção ao seu prato. Castle reparou quando ela pegou um dos pãezinhos e comeu. Ela se levantou. 
— Vou pegar um café gelado. 
— Tem certeza? Não prefere um suco? Um shake de morango. Não acho uma boa ideia tomar café. 
— Castle, eu preciso de café - ele não disse mais nada. 
Beckett retornou com o copo. Parecia mais corada. Sentou e encostou a cabeça no ombro dele. 
— Está melhor? 
— Sim - ela puxou um saco com dois cookies, um de aveia e um de chocolate. Mordeu o de aveia oferecendo o outro para Castle - comprei para você. 
— Obrigado. 
— Preciso de um banho. Poxa, eu tinha um plano para nós, uma brincadeira. Vou ter que deixar para outra ocasião. 
— Tudo bem, temos tempo para isso - a curiosidade porém já tinha sido atiçada - o que exatamente era essa brincadeira? Alguma loucura? Vou gostar? Ah, Beckett… por que você fez isso? - ela riu - não, está errado. Precisamos nos concentrar em descansar. Você precisa estar bem para curtirmos Vegas - ela roubou um pedaço da pizza. 
— Hum… isso está gostoso. Quero um pedaço, compra para mim? - claro que ele satisfez a vontade da esposa. Ela comeu a pizza com gosto. Após certifica-se de que ela estava realmente bem, eles saíram do local. Pegaram suas motos e dirigiram por quinze minutos   até o motel mais próximo. Beckett agradeceu por poder tirar as botas e a roupa mergulhando o corpo numa banheira com agua gelada. Ficou mais de uma hora relaxando. Castle checava se estava tudo bem de tempos em tempos. 
Quando ela apareceu com os cabelos ainda molhados usando um roupão, ele sorriu lembrando-se daquela noite em que ela surgiu na sua porta molhada de chuva. O dia que deram um passo a mais na historia deles. 
Beckett sentou na cama. Ele a fitou. 
— Você curtiu bastante o banho, não? 
— Estava precisando. 
— Não fuja, vou tomar o meu e vamos deitar nessa cama para descansar. Verifiquei os arredores. Mais tarde vou comprar uma comida decente para nós. 
Vinte minutos depois, ele surgia usando um short de malha e camiseta. A temperatura do quarto estava agradável devido ao ar condicionado. Beckett estava escorada na cabeceira da cama. Assistia algo na tv. Um episódio de série médica. 
— Grey’s Anatomy? 
— Não tinha nada mais interessante. Acabei me lembrando de Johanna. Será que ela e Paul estão bem? 
— Aposto que sim. Aquele médico seria muito burro se deixasse uma mulher como Johanna escapar - ao vê-lo sentar-se ao seu lado, ela foi atraída pelo perfume. inspirou o pescoço do marido fechando os olhos. Ela amava fazer isso.
— Está cheiroso - ele aconchegou-a em seu peito. 
— Não quer esticar seu corpo? Está cansada, amor. 
— Estava esperando meu travesseiro particular - ele riu deitando-se na cama levando-a consigo. Beckett deitou a cabeça no peito dele. Suspirou e beijou-o sobre a camisa. 
— Eu tenho que perguntar. Esse cansaço, a palidez, tem certeza que não está gravida? - ela olhou para o marido, viu o traço de ansiedade e esperança nos olhos azuis. 
— Não, Castle. 
— Tem certeza? Você não está bem, está com sono, nós estamos treinando muito e… - ela colocou o indicador nos lábios dele. 
— Porque eu sei…
— Não é melhor fazer um exame? Posso ir numa farmácia comprar um daqueles de cinco minutos. 
— Castle, eu não estou grávida. 
— Como pode afirmar com tanta certeza? Você nunca ficou antes! Ou você já…
— Claro que não, Castle - ela sentou-se na cama. 
— Sö estou dizendo. Você não quer ter certeza? - ela olhou para Castle. Conhecia bem o marido que tinha. 
— Você não vai sossegar, certo? Vai me irritar até conseguir que eu concorde com o teste. 
— É bom saber que você me conhece tão bem, amor. Posso ir comprar? - ela revirou os olhos. 
— Tudo bem, mas Castle, por favor, não alimente esperanças. Não quero vê-lo triste com um resultado negativo - ele levantou-se da cama. Vestiu a calça jeans rapidamente. Pegou a chave da moto e a carteira. 
— Eu já volto. 
Beckett suspirou admirando o jeito do marido. Não sabia explicar porque, apenas não estava grávida. Não sentia como se tivesse. Ela entendia que não iria apressar as coisas, tudo aconteceria quando tivesse que acontecer. 
Castle retornou com uma sacola plástica contendo sorvete, batata chips, garrafa de suco, cerveja e o teste. 
— O que aconteceu com o discurso de comprar comida decente? 
— Esse é apenas um lanche. 
— Sorvete? Para o caso de ser negativo? - ele deu de ombros, entregou a caixa para ela que seguiu para o banheiro. Beckett retornou minutos depois com o objeto nas mãos. Viu o quanto Castle estava ansioso - cinco minutos. Castle, por favor, promete que não vai ficar triste. Eu conheço você, está empolgado com a ideia. Só porque eu parei de me proteger não quer dizer que estejamos desesperados. Vai acontecer naturalmente. 
— Eu estou ansioso, não vou mentir. Eu sei que pode demorar ou não - ele viu a preocupação nos olhos dela - hey, vai ficar tudo bem. Se você não estiver grávida, tentaremos de novo. 
— Eu sei disso, só não quero que você transforme isso em um projeto, uma prioridade. Estamos curtindo nossas férias. Isso não pode ser a nossa meta de vida - ele tocou o rosto da esposa. Sorriu. 
— Não é o momento de ficar paranóica, Beckett. Eu sei o que você está dizendo. O que deveremos ver no display? 
— Dois para grávida, um para não - ela virou o teste para que ele visse o resultado, pela cara dele sabia que estava certa - eu disse, não? 
— Uma outra vez. Chegaremos lá. Quer sorvete? Trouxe chocolate também - rindo, ela caminhou de joelhos até a cabeceira da cama. Ele fez o mesmo. Saborearam o sorvete, trocaram beijos. 
— Você não está decepcionado, babe? Por eu não estar grávida? 
— Não, Kate. Você sabe que meses atrás essa ideia sequer passava pela minha cabeça porque estava focado em ajuda-la, entendia que tínhamos uma missão. Não me importo de esperar um pouco mais - a reação dela foi beija-lo. Vendo que ela estava relaxada, Castle decidiu iniciar a conversa adiada.
— Beckett, você mesma já disse e reconhece o quanto sou curioso. Será que pode satisfazer essa curiosidade? - ela ergueu as sobrancelhas - não estou falando do lance de mais cedo. Estou falando da revelação sobre você querer um bebê. Quer dizer, era algo que eu esperava conversar algum dia, no futuro, sempre imaginei que seria eu a abordar o assunto. 
— O que você quer saber, Castle? 
— O que a fez tomar essa decisão? Foi a nova chance que recebeu, a experiência pós-coma? Ou alguém mais teve influência nisso?
— Como sempre, muitas perguntas - ela riu - foi um pouco de tudo. De toda a história de Loksat, o que mais me incomodou foi tê-lo magoado. Ter feito você sofrer agindo exatamente da maneira que Rita me alertou a não fazer. Eu arrisquei nossas vidas, não pensei nas consequências. Deve ter alguma explicação para que eu tenha recebido essa nova chance. Eu lembrei do que disse a você antes de sair de casa. Colocar tudo para trás a fim de viver nosso final feliz. Esse pensamento me incomodou. O que faltava no nosso final feliz? Eu vi nas discussões com Alexis que a entendia porque também sou filha, mas não conseguia entende-lo completamente porque não sou mãe. Durante uma conversa com Johanna… - ela parou de falar fechando os olhos. Castle apertou a mão dela. 
— Johanna perguntou se não pensava em ter filhos. Naquele momento, eu percebi que queria. Adoraria. Já vinha pensando sobre o assunto, mas a forma como ela falou que ia acontecer. A certeza nas palavras. Eu soube que não podia adiar mais. Relutei porque…
— Alexis. Você não queria falar por causa da minha filha - ele não precisava de confirmação, os olhos diziam tudo - Kate, tem ideia do quanto é maravilhosa? Antes você dizia não ser boa com bebês, mas ambos sabemos que essa não era a razão porque você evitava. Havia um vazio, um senso de família que foi perdido. Acho que finalmente você superou isso. Johanna, sua mãe, estará orgulhosa de você. E a outra Johanna… 
— O que tem ela, Castle? 
— Eu preciso agradece-la bem mais do que imaginava. 
— Castle, isso é loucura? Quer dizer eu gosto dela, conversar, rimos. Foi interessante vê-la tão vulnerável como eu, medo de assumir o que sente por Paul. A forma como ela me entende, dá conselhos… eu não sou assim! 
— Você é, Kate. Apenas passou muito tempo se escondendo por trás dos muros para perceber. Não é loucura. As vezes, a vida nos prega peças, nos traz pessoas que podem impactar nossas vidas de modo positivo ou negativo. Algumas são passageiras, outras vem para ficar. Johanna é uma delas. 
— Passageiras? 
— Não, você já criou um vínculo com ela desde que a médica a atendeu naquele hospital. Fazê-la ficar depende exclusivamente de você. 
— Você e seus papos de destino… - ela relutava em acreditar ou seria em ceder a ideia? 
— Funcionou para nós, não? Até as videntes acertaram - a careta dela foi engraçada. 
— Vidente? Faça-me o favor, Castle! Bando de charlatãs. 
— O que? Você já esqueceu? A filha de Vivian disse que um homem chamado Alexander seria muito importante para você. E eu lhe contei sobre a bela mulher que se mudaria para o meu loft e ficaria comigo para sempre. Acabei por descobrir que não se tratava da minha mãe. 
— Continue sonhando, Castle… não faz mal a ninguém - ele não se importava com as palavras de implicância. O belo sorriso no rosto de sua esposa e o brilho no olhar provavam que ela, assim como ele, também acreditava na história.     

Naquela noite eles não fizeram amor. Talvez pelo cansaço, a conversa, a ideia de futuro. Apenas dormiram nos braços um do outro. Pela manhã, após o café seguiram para Vegas. Ainda tinham alguns dias de diversão pela frente.  


Continua...

segunda-feira, 13 de março de 2017

[Stanathan] Kiss and Don't Tell - Cap.108


Nota da Autora: E tem novo capitulo! Preciso esclarecer algumas coisas: sobre Absentia nós não teremos a mesma dinâmica e nem a timeline que Stana posta as coisas devido a Kate. Também considerem a serie sendo gravada em LA. Para quem não escutou o podcast de Sao Francisco do Nate talvez fique meio perdida com um parte da fic. E sempre há novas referencias em fics, dessa vez vocês irão descobrir um dos vícios de Gigi. Para aquelas perguntando sobre Anne, ela não desapareceu, apenas estamos em momentos de casal. Prometo que ela volta. 


Cap.108 

Nathan tinha razão. A reunião ocorreu em um dos prédios do estúdio. Sequer entraram na área de filmagem. O objetivo era apresentar os criadores, roteiristas e os colegas de elenco. Interagirem e prepararem-se para ensaiar e contracenar juntos. Todos eram maravilhosos. O clima de descontração estava presente. Quando o momento de ambientação aconteceu, veio a parte complicada. 
Stana teve seu primeiro impacto quando um dos escritores comentou a novidade. 
— Stana, nós conversamos entre nós quanto a caracterização dos personagens e chegamos a conclusão de que Emily precisa ser morena. Então, na próxima semana nós iremos começar a mudar o seu cabelo para as filmagens. Alguma objeção? 
— Claro que não, tudo pela arte - ela ia adorar pegar Nathan de surpresa - tenho uma pergunta. Essa mudança está relacionada com a minha imagem também? 
— De certa forma. Sua imagem é uma das principais formas de marketing para a divulgação do show. Precisamos usa-la e… 
— E se mantiver minha aparência, os fãs vão pensar em Beckett não em Emily. 
— Exato. 
— Eu entendo. É bom mudar. 
— Ótimo, semana que vem você irá fazer o teste de cores com a equipe de cabelo e maquiagem.   
O segundo impacto veio de um dos diretores. Ele pediu para que ela passasse uma cena com Neil. Queria ver os dois trabalhando juntos, ver a dinâmica em cena. Ela se concentrou olhando para o colega. Com o texto na mão, ela começou a recitar suas falas. Neil, as dele. Tudo corria muito bem até o instante que ela falou. 
— Eu não sei se vou conseguir pega-lo, Castle… - estava tão envolvida na cena que ela não se tocou do que fizera, mas Neil ficou calado diante do ocorrido. O diretor percebeu - o que foi? Esqueceu sua fala? 
— Stana, você disse Castle em vez de Tom. 
— Eu disse? - ela arregalou os olhos - d-desculpe, e-eu não sei…
— Tudo bem, acontece. Nada demais. Vamos fazer de novo, duas falas antes dessa - Stana respirou fundo. Não podia errar. Novamente ela leu sua parte sem deslizes, porém o sentimento estranho continuava lá. Neil errou uma fala. Soltou um palavrão. Ela riu. De repente, percebeu porque estava se sentindo estranha. Não era Nathan. Claro que ela contracenava com muitos atores, fazendo filmes, participações, mas sempre voltava para aquele estúdio para a regularidade. Para Castle, o que significava, para Nathan. 
Agora ela lia a próxima cena enquanto o diretor ajudava dois outros atores a se familiarizarem. Sua cabeça estava a mil. Tinha receio que isso acontecesse, contudo não esperava que as lembranças ainda estivessem tão recentes a ponto de usar o nome de Castle numa fala. Já se passara mais de um ano da última vez que ela recitara falas com o nome de seu antigo companheiro da ficção. Suspirou. Precisaria de muita paciência e concentração para vencer a batalha dos hábitos que descobrira estarem tão fortemente presentes em suas atitudes. 
Voltou a contracenar com outro ator. Aos poucos, o lado brincalhão e moleca ia se soltando. Três horas depois, o criador elogiou a todos em especial a Stana e deu a reunião como encerrada marcando a próxima para terça, quarta e quinta no mesmo horário. Queria começar as filmagens no dia 20 de julho. A série estava prevista para estrear em fins de setembro na grade da emissora. 
Ao chegar em casa, encontrou Nathan na sala de video. Katherine estava no bebê conforto no chão ao lado do pai que jogava videogame. Stana ficou quieta na porta observando. 
— Katie, preste atenção. Eu vou pegar o cogumelo e vou crescer. Espera. Viu só? Papai está poderoso. Opa! Temos que evitar as tartarugas… - ela riu da cena, Katherine fazia sons e dava risinhos com a tela super colorida - vou pular no mastro e tada! Fase concluída! 
— Não tenho certeza se isso faz bem para a nossa filha… - ela sentou-se no sofá ao lado dele. 
— Ela está se divertindo com as cores e os sons - deu um beijo no joelho dela - como foi? 
— Foi bom. A equipe é bem bacana, os atores. O criador está empolgado com o projeto. 
— E você? Gostaram de você? 
— Sim, me elogiaram. E-eu… foi estranho. Repassar falas com outras pessoas que não fosse você. 
— Você faz isso nos filmes, amor. 
— Eu sei, mas aquilo é diferente. Não é um filme. Eles farão parte da minha vida por pelo menos quatro meses. Eu me senti estranha. E isso não foi o pior. Nate, eu falei uma das falas como se tivesse falando com você, eu disse Castle ao invés de Tom, a pior parte? Eu sequer percebi! - ele riu - não ria, não é engraçado. É embaraçoso - ela baixou a cabeça vermelha, Nathan acariciou os cabelos dela. 
— É natural, amor. Oito anos. 
— Eu olhava para Neil e pensava: não é o Nathan. Eu vou precisar de muita paciência, focar. Não posso ficar cometendo erros. Se seu nome escapar mais de duas vezes, as pessoas vão pensar que… sei lá! Pode levantar suspeitas, rumores, e se começarem a trazer aquelas noticias sobre, você sabe, nós, no set. 
— Hey, você está exagerando, amor. Pensando demais. É seu novo trabalho - ele se levantou sentado ao lado da esposa a abraçou - sabe, eu adoro o fato de estar na sua mente o tempo todo. De querer me ver ao seu lado. Contracenar comigo. Eu também sinto falta. Mas você não está mais fazendo Castle. É Absentia. Você não é Beckett, é Emily. Olhe pelo lado bom, você ainda pode voltar para casa e me beijar, conversar, fazer amor. Seu Nathan ainda está na sua vida e não pretende ir a lugar algum - ele segurou a mão dela - a adaptação vai ser demorada e necessária, vai conseguir. 
— É, eu sei - ela mordiscou os lábios - como você faz isso? 
— O que posso dizer? Sou o máximo - ela riu - quer amamentar sua filha?
— Sim - Nathan pegou Katherine nos braços, beijou sua testa e entregou-a a Stana - hey, Katie… estava com saudades. Você se divertiu com o papai? Ele acha que é o máximo, tem um ego enorme… mas eu o amo tanto. Quer comer, amor? 
Ele olhava para a esposa abrindo a blusa. A filha sugando o seio. O sorriso no rosto de Stana. Ele se levantou para deixa-la curtir o momento sozinha. 
Quando Stana voltou a encontra-lo na cozinha esquentando o jantar, queria muito passar uma noite agradável com o seu marido. Ela sorria. 
— Hey, handsome…o que você está fazendo? Quer dar uns amassos enquanto meu marido está viajando? 
— Esse é seu discurso para o jardineiro se algum dia tivermos um? - ele riu - você é muito boba, vem cá - ela beliscou o traseiro dele - o mano ligou, finalmente. Disseram que vem aqui amanhã. Vou fazer churrasco. 
— Você e sua curiosidade… 
— Olha quem fala, sente-se. Vamos jantar.  
No dia seguinte, Jeff e Gigi chegaram sorridentes e de mãos dadas na casa do irmão. Eles estavam radiantes, os dois.
— Olá, recém-casados! Vocês estão muito bem, não? Andam muito ocupados ultimamente - disse Stana - vem cá, sis. Quero um abraço. Você está bronzeada! - ela abraçou a irmã. 
— Ah, o sol do Mexico, as praias, tudo maravilhoso. Dez dias sem chuva e olha que vivíamos de protetor, não amor? 
— Verdade. Mesmo nos protegendo ficamos assim - ele abraçou a cunhada. Depois foi a vez do irmão. Gigi beijou Nathan. 
— Saudades de mim, cunhadinho? Quem era o mais curioso para saber o que andamos fazendo? - ela implicou. 
— Pergunta para a sua irmã. 
— Acho que os dois estavam sentindo falta de implicarem um com o outro. Bro, trouxe umas garrafas de tequila para você. Stana, a Gi comprou alguma coisa para você. Na sacola, depois ela vê. 
— Um vestido, amor. Cadê a minha fofinha? Quero dar um cheiro nela. 
— Está dormindo. Vai ter que esperar um pouco mais. Querem beber? Não acho muito prudente a tequila… 
— Ah, posso fazer margaritas - disse Nathan - você pode tomar um copo, não? Katherine não está tão dependente do seu leite daqui para frente. 
— Prefiro não arriscar, mas faça para vocês. 
— Como assim, Katherine não está mais mamando no peito? Por que sis? Você ficou sem leite? 
— Não, Gigi. Eu comecei a dar mamadeira porque voltei ao trabalho e não posso amamenta-la todas as vezes. Apenas à noite. Tive que fazer isso. 
— Você já está filmando? Nossa! Perdemos muitas novidades, meu Jeff. Conta tudo! 
— De jeito nenhum, primeiro vocês. Devem ter muita coisa boa para contar desses dez dias - disse Stana - quero saber de tudo. 
— Isso se não passaram os dez dias no quarto. 
— Você é tão engraçado e como estaríamos bronzeados? - Gigi mostrou a língua para ele. 
— Jeff, me conte porque se depender desses dois… 
— Foi maravilhoso. Lugares ótimos, paisagens de tirar o fôlego, o mar do Caribe sempre me encanta. Provamos drinques fantásticos e o cruzeiro vale muito a pena. Mergulhamos em lugares incríveis, bro. Você ia amar. Se tiverem a oportunidade de fazer um, eu recomendo. Cada noite eventos diferentes, musica, dança, teatro. Realmente nos esbaldamos. 
— Nossa! Gostaram mesmo. 
— E meu marido nem contou a parte principal - ela comentou com a cara mais deslavada bebendo a margarita - tudo foi sexy e quente! Desde o hotel em Santa Monica até em casa. Já testamos a nossa cama. Mais do que aprovada, não amor? Um espetáculo, sis! Obrigada de verdade.  
— Não precisamos de mais detalhes. Pelo menos o Jeff aparenta estar bem de saúde - brincou Stana, vendo que o cunhado já estava vermelho de vergonha. Ela ouviu um chorinho pela babá - Kate acordou. Vou pegar a mamadeira - rapidamente ela preparou um leite - Quer subir comigo, Gigi?
— Claro! 
No quarto de Katherine, Stana tirou a filha do berço. Gigi estava louca para carrega-la. Primeiro deu um beijo na cabecinha. Então a irmã entregou a sobrinha. 
— Hey, Kate… é a dinda. Estava com saudades, meu amor. Dinda estava muito ocupada, sabe? Mas não vou começar a contar porque sua mãe vai olhar com cara feia para mim - beijou a testa da criança - você está tão gordinha, Kate. Sis, posso amamenta-la? 
— Claro que sim - Stana entregou a mamadeira nas mãos de Gigi que sentou-se na poltrona e ofereceu o leite para a pequena. 
— Aqui entre nós, sis. Meu Deus! Que lua de mel! Não estava brincando quando disse que foi do hotel até em casa. Se soubesse que ia ser tão bom tinha casado antes. 
— Você fala como se não aprontasse antes. Os dois sempre tiveram fogo, casamento não muda isso. Eu sei, acredite. Eu e Nathan continuamos com o mesmo fogo de antes. 
— Eu sei, sis. Mas é tudo mais intenso. Eu fiz uma loucura com Jeff. Sempre fazíamos, mas essa deixou-o muito surpreso. Eu o agarrei em um dos decks, acho que é assim que se chama, do navio. Joguei-o contra a parede. Isso porque já tinha tirado minha calcinha na boate. Ele ficou louco. 
— E se alguém pega vocês? Era uma área aberta, não? 
— Sim, pode-se dizer que sim. Ai que está a graça, o tesão, é excitante demais. Mas a nossa primeira noite no hotel foi realmente a melhor. Esse homem me deixa louca… você já assistiu aquela série Outlander? É naquele nível. Olha, só de lembrar fico arrepiada - Stana viu os pelos do braço dela - viu? Não sei o que pode acontecer qualquer dia desses. 
— Vão matar um ao outro - ela riu. 
— Você já acabou, meu amor? Nossa! Ela come rápido. Você é muito gulosa, Kate - tirou a mamadeira - e agora, o que tenho que fazer? 
— Coloque-a de bruços no seu ombro - Gigi obedeceu - bata de leve nas costas dela. Vai ouvir quando ela fizer sons. Não precisa muito. Mamãe queria saber de você quando ligou, aliás não lhe contei sobre o almoço. Dona Cookie opera milagres. Precisava ver como até fez dona Rada rir. 
— A sogrinha não existe. Jeff ligou para eles avisando que chegamos, porém nem conversamos muito. Acho que ela já acabou, sis. 
— Traga-a em seu colo, vamos nos juntar aos nossos maridos. Estou com fome. 
— Viu o que você disse, sis? Nossos maridos. Ah, eu ainda fico boba. Estou casada! - elas riram. 
Ao descerem, encontraram os irmãos ainda bebendo e mexendo no fogo na área externa. Havia pedaços de carne cortados em um prato sobre a mesa. Gigi ainda tinha a sobrinha nos braços. 
— Olha amor, sua sobrinha está ficando uma bolinha. Quer segura-la? 
— Adoraria, Gi. Mas estou com as mãos sujas de carvão e sal. Depois. 
— Vem, sis. Coloque-a aqui no bebê conforto. 
— Vai contar agora como anda o trabalho? Não pode ter segredos com a gente, sis. Nós somos guardiões dele. Eu não gosto de spoilers, mas preciso saber de algo - ela roubava um pedaço de carne do prato - hum, isso está gostoso? Vai demorar muito o almoço? 
— Que tal você ajudar a preparar alguma coisa, Gigi? 
— Nathan, eu tenho um calendário para isso e não vou cozinhar para você, só para o meu Jeff gostoso, meu marido. 
— Vamos ser obrigados a ouvir isso até quando? Staninha, por favor, conte do seu trabalho ou Gigi vai ficar falando do mano até se cansar e não sei se isso realmente acontece - Stana gargalhou das caretas de Gigi. Para provocar, a irmã pegou Jeff desprevenido com um beijo muito bem dado, Stana pode notar. 
— Tudo bem, eu conto. Por nós, Jeff. Embora acredite que você não tem muito o que reclamar nesse momento. Fui para a primeira reunião de pré-produção. O pessoal é ótimo, o elenco divertido. Existe um clima bom para trabalhar no ar e eu senti que sou a estrela do show, o foco. 
— É claro que é, você é a protagonista - disse Nathan. 
— Foi estranho também. Era a primeira vez que não era Castle. Eu cometi uma gafe horrível! Chamei o meu co-star de Castle… e-eu estou me adaptando ainda. 
— Ah, Stana. Nada demais. Isso acontece. Logo você estará na pele da sua nova personagem e vai ficar tudo bem - disse Jeff - quando começam as filmagens? 
— Você é bem irmão do Nate mesmo. Dia 20. Semana que vem tenho mais reuniões e checagem de figurino, maquiagem essas coisas da tv. Estão decidindo sobre a estreia era para ser Setembro, ainda não confirmaram. 
— Sis, se for setembro ou quando for a estreia vai ter uma daquelas festas, não? Você já pensou se vai sozinha? Posso ir com você? 
— Ainda não pensei. Acredito que preciso da data então eu e Nate vamos conversar sobre isso - ela trocou um olhar com o marido - talvez esteja na hora de sair da toca do coelho - Nathan sorriu para ela. 
— Nossa! Por essa não esperava… vai ser uma loucura! 
— E posso acrescentar, uma senhora jogada de marketing para você e seu trabalho, Stana. 
— Ou um tiro que saiu pela culatra, Jeff. Não sei como nossos fãs de Castle irão reagir. Sério, podem achar que nós boicotamos a série. 
— Sério? Você boicotou a série sendo demitida? Não viaja, sis. 
— Gigi tem razão. Não houve boicote e podemos provar. Vamos comer, deixe esse assunto para depois. 
— Mas eu posso ter um convite para a festa de lançamento? 
— Claro, Gigi. Você é minha irmã. E se der tudo certo pode levar seu maridinho. 
Eles comeram, riram, beberam. Stana estava com saudades da irmã. Desse clima família. Quando Katherine reclamou, foi a vez de Jeff chamegar com a sobrinha. Ela gostava de ver o jeito do cunhado, tinha tudo para ser um ótimo pai como o irmão. Ela apenas tirou a filha do colo dele para trocar a fralda. Na hora da mamadeira, ele também pediu para dar. Nathan se sentou ao lado do irmão. Vendo a cena, Gigi se aproximou da irmã cochichando. 
— Ele vai ser um ótimo pai, não? 
— Vai sim.  
— O problema é que quando vejo ele assim, apenas consigo pensar besteira. Esse olhar sexy… os braços… isso é errado! Se continuar assim como posso ser mãe? - Stana riu - isso é normal? Não pode ser… 
— Claro que é, Gigi. Vocês estão no clima de romance, acabaram de voltar da lua de mel. Aproveite isso e por favor, se não quer engravidar se cuide. Você está tomando o anticoncepcional, certo? 
— Estou, não vou fazer besteira de novo. Já aprendi minha lição. Olha sis, que lindo cheirando a cabecinha dela - ela apertava o braço da irmã com a cabeça apoiada no ombro de Stana - está quente aqui. Você não está com calor, Nathan? Liga o ar condicionado por um tempo, por favor? - ela se abanava. Stana segurava o riso. Falou. 
— Vou servir uma limonada para você, Gigi. Com bastante gelo. 
Gigi melhorou e estava brincando com a sobrinha quando Jeff tocou em um assunto que gerou uma certa turbulência entre os quatro. 
— Mano, quase esqueci. Eu escutei o podcast de São Francisco. Aqueles caras são ótimos! 
— São mesmo e ainda ganham para tirar sarro da sua cara. Um emprego muito bom. 
— Nate, pode ser verdade aquele lance de quantum leap? Você acha que eles são capazes de promover um remake do show com você no papel de Al? 
— Eu não sei… eles só queriam usar uma desculpa acho porque falei que estava curtindo  ter tempo livre, estar desempregado. 
— Mas você não está. Sua série com Alan continua - disse Stana notando que a forma usada por Nathan parecia demonstrar um certo ressentimento - e você sendo Sam Beckett, wow finalmente conseguiu ter todos os nomes de Castle, Captain Castle - ela lançou um olhar pervertido para o marido, o viu sorrir porém sem o mesmo efeito que ela esperava - eu sei que você seria o Al, mas quando ouvi foi a primeira coisa que veio em minha mente. 
— Ok, vocês estão falando grego para mim… - disse Gigi já ficando emburrada com a conversa porque não tinha ideia de como participar, Jeff beija a cabeça dela, pega mais um dos cookies que Stana servira para eles e comentou outra parte do podcast. 
— E o que foi aquele comentário sobre mergulho? Eu, sereia? De onde tiraram isso? 
— E não é? Eles começaram a perguntar dos meus hobbies e quando falei em scuba diving e que adorava fazer isso com você, ele veio com a pergunta: Jeff é uma sereia? Eu quase não consigo responder pelas gargalhadas. 
— Como é? Meu Jeff uma sereia? Que palhaçada é essa? Sugeriram que meu marido é gay e você não fez nada? 
— Gi, foi uma brincadeira. Nate disse que gostava muito de mergulhar e como usou meu nome, eles implicaram porque queriam saber se era codinome para mulher… - não adiantou a explicação de Jeff, ela ainda estava revoltada por terem, na sua opinião, xingado o seu homem. 
— Você não é gay! Meu Jeff é muito macho. Quem é esse idiota? Quero dar na cara dele! 
— Gigi, deixe de exagero, não precisa ficar irritada foi uma brincadeira, uma piada. 
— Piada? Chamar meu marido de gay em algo que todo mundo assiste, escuta, está na internet! Meu Jeff é muito gostoso, viril e macho e posso provar. Não admito isso! Você não defendeu seu irmão? 
— Hey, hey… se acalme… - Jeff a abraçava - é claro que sim. Ele me elogiou. 
— Você só está dizendo isso para eu não bater no Nathan! - ela estava vermelha, irritada. 
— Não, ele me defendeu amor. Posso botar para você escutar. Não fique assim… 
— Ninguém fala mal ou tira sarro do meu homem, do meu Jeff - ela olhou para o marido - ninguém - deu uma olhada fatal para Nathan. Jeff virou o rosto da esposa para fita-lo. 
— Você é incrível… - beijou-a e sussurrou ao seu ouvido - mais tarde pode me defender de outra forma, fiquei excitado. 
— Um comentário gerou tudo isso…nossa! Vamos mudar de assunto - disse Nathan.      
— Eu preciso de água! - ela se levantou quase correndo com o comentário de Jeff. Stana riu. 
— Não faz isso, Jeff… - Nathan olhou para a esposa sem entender. 
— O que eu perdi? 
— Nada, babe, nada - ela piscou para o cunhado. 
Mais tarde, ao se despedirem Jeff sugeriu que a próxima reunião de família fosse na casa deles. Stana concordou. 
Ao deitar com um script de Absentia nas mãos, ela se lembrou da reação estranha do marido. Ele não parecia chateado, mesmo assim algo o incomodava. Seria o fato dela estar trabalhando regularmente? De ter a possibilidade de voltar a ficar na mídia e ele não? Tinha receio de começar uma discussão porque se estivesse errada eles brigariam, se estivesse certa também acabariam discutindo. Nesse momento, ela escolheu não comentar. Ficaria de olho no comportamento dele. 

XXXXX 

Stana voltou ao trabalho na semana seguinte. Nathan reorganizou seu cronograma para ficar com a filha. Não se incomodava podia fazer isso por uns tempos. Ele não mentiu para a esposa quando disse que queria vê-la arrasando, porém ele também merecia uma chance, não? O problema era que até aquele momento nada aparecia. Nada chamava sua atenção. 
Na quinta-feira, Stana recebeu a noticia dos produtores de Absentia de que seu lançamento fora postergado para Março do outro ano porque o canal estava ainda em negociações com a rede nos Estados Unidos e também com algumas afiliadas de outros países onde ela tem uma boa base de fãs. Falavam da França, Italia, Alemanha, Brasil e Espanha para começar. Porém o motivo principal era o local na grade. Eles queriam um horário especifico para a série. Stana não pode evitar o sorriso ao descobrir qual. Segundas às dez da noite. O AXN estava tentando tirar proveito de sua atriz e do significado do espaço na programação. 
Naquele dia também, ela passava pela sua transformação. Estava morena. Adorou a cor do seu cabelo e esperava que Nathan também gostasse. Estava ansiosa para brincar com ele. No meio do caminho, fez uma ligação. 
— Hey, amor. Está vindo para casa? 
— Sim, no caminho. Kate está bem? Deu trabalho? 
— Está ótima. Acabei de coloca-la no berço, mamou e dormiu. Quer jantar algo especial hoje? 
— Talvez… você… 
— Hum… isso me parece promissor, não demore gorgeous.  
Nathan ouviu quando o carro parou na garagem, porém não queria se mostrar muito ansioso. Fingiu que fazia algo na cozinha. Já estava de shorts e sem camisa para não perderem muito tempo. Estava de costas quando ela entrou. Sorrindo, ela provocou. 
— Belo traseiro, gostoso. Se importa se eu abusar dele? - ele ria na mesma posição porque já imaginava o que ela ia fazer - mas teremos que ser rápidos. Não quero que sua esposa chegue do trabalho e nos pegue no flagra - beliscou o bumbum dele, quando Nathan virou-se para encara-la, prendeu a respiração - olá, Captain… 
— Wow! Você não é minha mulher… o que fez com a minha Stana? 
— Não sei quem é essa. Sou Emily Vaughn e se quiser aproveitar-se de mim, melhor fazer isso antes que essa tal de Stana apareça - ela beliscou novamente o bumbum de Nathan colando seu corpo ao dele. 
— Você não me preparou para isso…demais! 
— Gosta do que vê, Nathan? 
— Muito. Não que eu não aprecie a versão original, é minha favorita. Mas essa mudança… uma morena de olhos intensos. Nada de role play, amor. Eu adorei a novidade. Estar casado com uma mulher tão sensual e misteriosa. Quero aproveitar a surpresa… - ele a agarrou contra o balcão da cozinha, ergueu-a colocando-a sentada sobre ele. Beijava-a com urgência e desejo. Tirou a blusa que ela vestia. Stana já beijava seu pescoço, seus ombros, as mãos no peito dele. Os lábios voltaram para a dança de antes. Sentiu que perdera o sutiã em algum momento. A mão dele instigando-a no meio das pernas por baixo da saia que usava. Gemeu. 
— O que você vai fazer, Nate? 
— Ter você, Emily - sorriu malicioso para ela baixando o short. Tirou-a do balcão e virou-a de costas para si. As mãos dele acariciavam seus seios - me quer assim? Fala, minha morena… 
— Sim, eu quero… - ele puxou a saia dela inclinou o corpo da esposa e afastou suas pernas. Stana soltou um grito quando sentiu-o penetrando-a. Virou o rosto para beija-lo. 
Os movimentos rápidos estavam consumindo-a. Ela tinha certeza que era pelo clima que criaram. Era intenso. Ele apertava seus seios, puxava os mamilos e não parava de afundar-se nela. Nathan a deitou parcialmente no balcão deslizando os lábios pelas costas dela voltando para a nuca. Não ia aguentar muito e nem queria. 
— Vem, amor… eu não posso… 
— Rápido, Nate…rápido… - ele obedeceu e os tremores tomaram seu corpo, ele gritou e ambos se deixaram receber a força do orgasmo em seus corpos. O corpo dele desabou sobre o dela. Ainda a preenchia. Permaneceram calados recuperando o fôlego. Nathan afastou os cabelos dela beijando o sinal do rosto dela. 
— Tudo bem? 
— Sim… muito bem - finalmente ele se afastou. Stana levantou-se do balcão virando-se para fita-lo - você realmente gostou do meu visual. 
— Não tive a oportunidade de vê-la como Carolina, você voltou a ser Beckett muito rápido - ela colocou suas mãos no rosto dele. Beijou-o várias vezes. 
— Agora convivera comigo morena por uns meses. 
— Vai ser muito bom. 
— Quase esqueci, eles não vão iniciar a série em setembro. Vão postergar. Provavelmente será em março o que significa que teremos mais tempo para decidir o que fazer com o nosso anúncio e claro as filmagens terminarão antes de ir ao ar. Eu não esqueci o seu convite para Yosemite. 
— Quem disse que esqueci? Qual o motivo de postergarem? Problemas financeiros ou estão com dúvida sobre o público? 
— Nada disso, jogada de marketing - ela acariciou o rosto dele, não sabia como ele reagiria à noticia - eles querem as segundas, babe. O mesmo horário. 
— Segunda às dez? - ela balançou a cabeça confirmando - sinto muito pela ABC, vai provar do seu próprio veneno. Já vejo os tweets dos fãs para a emissora. Sua amiga presidente não vai gostar, ainda mais agora que ela anda meio desesperada com o horário e está apelando para Shonda. 
— Deixe ela apelar… não me importo - ela cheirava o pescoço do marido - estou com fome. O que vamos jantar? 
— Você está conversando demais com Gigi… 
— Cala a boca, Nathan e trate de alimentar sua morena ou não vai ganhar sobremesa.  

Fins de Setembro

Gigi acabara de chegar em casa, o cheiro de fritura lhe deu agua na boca. Viu o marido na frente do fogão. 
— Oi, amor. O que você está fazendo que cheira tanto? 
— Hey, nem ouvi você chegar… - ele virou-se para fita-la, Gigi tinha as mãos nos quadris - tudo bem? 
— Sim, só estou cansada. 
— Vá tomar um banho. É tempura. Não presta comer muito frio. Quinze minutos. 
— Tudo bem - beliscou o traseiro dele e saiu rindo. 
Meia hora depois, metade dos tempuras já tinha ido embora. Ela comia o macarrão com molho de teriyaki. 
— Amor, eu terei que viajar na próxima semana. Chicago e Boston. 
— Quanto tempo? 
— Uma semana. 
— Tudo isso? Ah, Jeff eu não sei se consigo ficar todo esse tempo longe. Dormir sozinha naquela cama enorme? 
— Você adora a cama.
— Quando você está do meu lado, para fazer amor, gostoso. Aquilo parece uma ilha! - ele beijou os lábios da esposa rapidamente. 
— Eu estou pensando em outra coisa para depois que voltar de viagem. Não quero falar nada porque ainda é só uma possibilidade. 
— Você vai me deixar sozinha e curiosa? Isso é maldade com a sua esposa que trata você tão bem… - ela fazia biquinho. 
— Dessa vez, não posso evitar - ela deu de ombros. 
— É seu trabalho, né? Vou morrer de saudades. Acho que vou arranjar uns novos projetos para vir para casa só na hora de dormir. Nem posso acampar na casa da sis porque ela está gravando direto e se eu ficar muito tempo perto do Nathan irritada vamos acabar brigando. 
— E por que ficaria irritada, minha Gi? - obvio que ele sabia porque. 
— O que você acha? Falta de sexo irrita as pessoas. Já posso até ver Nathan me provocando. Não, melhor evitar. Por que você está rindo? Eu vou ficar em abstinência por uma semana naquela cama enorme! Não tem nada de engraçado nisso. Aliás, você também. Não esqueça o que tem escrito na sua aliança, você é meu! De mais ninguém. 
— Não esqueci, Gi. Nem podia. Só quero você, minha esposa. 
— É bom mesmo - ela o beijou. 
Na semana seguinte, ela tentou se ocupar ao máximo como tinha dito a Jeff. A verdade era que se tornava difícil a cada dia. Ela ligou para a irmã para descobrir quando estaria em casa. Stana confirmou que no dia seguinte podia visita-la. Não tinha gravações. Gigi respirou aliviada. 
Stana conseguira negociar pelo menos um dia na semana para ter uma folga. Não queria perder a oportunidade de ficar com a filha. Katherine faria seis meses em dois dias. A rotina de Stana lembrava a que tinha antes. Ela se divertia com os colegas de elenco, postava fotos e videos pagando de boba e trabalhava muito como se esperava na televisão. O ritmo era tão intenso quanto em Castle, exceto que ela estava tendo muitas cenas de ação nos últimos episódios e isso a consumia. 
Nathan tinha saído para filmar Con Man. Gigi chegou fazendo todo o barulho do mundo quase acordando a sobrinha. O motivo? Era a primeira vez que via a irmã de cabelos escuros. 
— Você está morena? Wow! Ficou lindo! Como você não me contou isso antes? Faz tanto tempo que a gente não se vê? Caramba! Você está dormindo no set? 
— Menos, Gigi. 
— Sério. A ultima vez, só o Nathan e a Kate foram nos visitar. Tem o que? Um mês? Ele nem falou nada. 
— Você não está acompanhando minhas postagens? - ela balançou a cabeça negativamente - Acho que todos estamos muito ocupados, não? 
— É, parece. E eu sozinha porque meu Jeff está viajando. Uma semana! Devia ser proibido ficar uma semana longe da sua esposa. Ainda mais naquela cama enorme. E ainda ficou todo misterioso… diz que está programando algo sei lá. E afirmo que sexo por FaceTime não é a mesma coisa. 
— Não posso concordar com você. Sobre deixar o outro sozinho. Eu estou no mesmo barco que Jeff. 
— Você está aqui, Nathan tem você ao lado todas as noites. 
— É, somente ao lado… - ela suspirou. 
— Sis, está tudo bem? Com você e o Nathan? 
— Sim, está. E-eu acho que está - ela passou as mãos no cabelo evitando olhar para a irmã alguns segundos - Eu tenho trabalhado muito, chego em casa tarde e dou um pouco de atenção para Katherine e depois vou para cama. Quer dizer, ele sabe como são essas rotinas de filmagens e estou fazendo muitas cenas de ação que exigem mais de mim. Quando chego na cama, quero dormir. 
— Há quanto tempo vocês não transam? 
— Umas duas semanas, eu acho. Talvez mais.  
— E você não conversou sobre isso? Quer dizer não é normal… para vocês, é? 
— Eu não sei, acho que só ficamos assim durante alguns momentos da gravidez e depois que Katherine nasceu, mas… 
— Mas? Stana, você está me dizendo que não sente vontade? 
— Não! Claro que não… eu sinto, como não poderia com um homem daquele ao meu lado? O tempo, o trabalho, nossa filha. Acho que faz parte da rotina de qualquer casal, sis. 
— Não, vocês não são qualquer casal. Eu e Jeff não somos qualquer casal. isso está errado, sis. Já parou para pensar como ele está se sentindo? Pode achar que você perdeu o interesse nele, jogou-o para escanteio. Você precisa consertar isso o mais rápido possível. Que horas ele volta para casa? 
— Depois das seis. Talvez mais tarde - Gigi checou o relógio. 
— Temos três horas. Vá tomar um super banho, ficar bem cheirosa. Escolha uma roupa bem sexy, capriche. Eu vou ficar com Katherine. Vou brincar com ela, vamos nos cansar e ela vai dormir para você acabar com esse jejum. Sis, está na sua cara que quer e que está preocupada. Precisam disso. Em casamento Katic não existe crise. Eu me recuso. E pensar que eu tinha um problema, coitado do meu cunhado. Deve estar subindo pelas paredes. 
— Hey! E você não tem pena de mim? 
— Não, é você que está evitando, oras! Vai acabar com isso hoje. o que está esperando? Suba logo essas escadas! - Stana ficou olhando para a irmã por uns instantes, correu na direção dela e tascou um beijo na bochecha de Gigi - eu podia ser egoísta já que o meu marido não está aqui, mas não gosto de ninguém triste perto de mim. Continue com esse sorriso no rosto e suma daqui! 
Stana subiu as escadas correndo. Ela não sabia como Gigi conseguira, contudo por volta de quinze minutos para as seis da tarde, a irmã acabara de alimentar uma Kate que empanzinada , cochilou quase imediatamente. Também havia colocado um vinho para gelar e estava de saída. 
— Cadê seus saltos, sis? Tem que ser pacote completo… gostei da roupa. Meu cunhado vai ficar babando nesse decote. Vou nessa, boa sorte! Depois me conta como foi e como ficaram as coisas entre vocês - beijou o rosto da irmã e saiu.
Stana não sabia dizer porque estava nervosa. Fizera isso tantas vezes com Nathan então qual era o problema? Apenas um. E se ele a rejeitasse? Sim, podia fazer isso. Podia alegar o mesmo que ela. Cansaço. Se isso acontecesse, era sinal de que a relação deles se desgastara? Por que ela estava pensando essas besteiras? Ela o amava. Ele era seu marido, seu companheiro. Não era essa a atitude que a irmã esperava dela. 
Pegou as taças de vinho arrumou-as onde queria e subiu as escadas. Antes de ir para o seu quarto deu uma ultima espiada em Katherine. A filha dormia serena. 
Nathan chegou em casa às seis e meia. Tivera um dia muito produtivo, estava animado. Durante o caminho para casa, ele se perguntava se Stana tivera um bom dia. Desconfiava que o novo trabalho começava a realmente consumi-la. O que ele esperava que acontecesse, porém as coisas não estavam bem entre eles. Era estranho vê-la chegar em casa e apenas deitar-se na cama ao seu lado. Era um beijo e boa noite. Ele sentia falta dela, a desejava, mas nos últimos dias percebia que ela evitava contato. Aquela não era sua Stana, sua esposa. 
Nathan viera decidido para casa. Precisavam conversar. 
Estranhou o silêncio na sala. Será que estava no quarto de Katherine? Podia estar dando uma mamadeira para a filha já que apenas dava peito na ultima mamada da noite. Subiu as escadas, viu que a porta do quarto da filha estava encostada. Devagar, ele a abriu. Kate dormia no berço. Ele se aproximou e cheirou a cabecinha da filha. Onde estava Stana? A ultima coisa que queria era encontra-la dormindo. 
A porta do quarto do casal estava escancarada. A cama arrumada. Nem sinal dela. Também não havia barulho vindo do banheiro, nenhum chuveiro ligado. Também não viu o celular nem a babá eletrônica. Não checara a cozinha. Talvez tivesse fazendo o jantar. Tirou o casaco, trocou de camisa, colocou uma bermuda. Desceu as escadas. 
Nada na cozinha. Mais que diacho, onde ela se metera? Então ele viu a silhueta da mulher próximo a piscina. Abriu a porta da varanda e saiu para o quintal. Stana usava um vestido preto curto, saltos altos. Estava de costas. Ele se aproximou. 
— Stana… o que você está fazendo aqui? Estava com alguém? - ela se virou. 
— Estava esperando você - ele reconheceu o vestido. Ela o usara em uma premiação era bem curto e o decote dos seios era incrível. 
— Vai a algum lugar? Tem compromisso? - ele estava intrigado ao vê-la toda arrumada, maquiada. Viu a esposa se aproximando dele. 
— Tenho um compromisso importante. 
— Você não me disse nada, achei que era seu dia de folga e - Deus! Ela estava sexy demais! Como ela iria sair daquele jeito? - você não me avisou e que roupa é essa? 
— Meu compromisso é com você, Nathan Fillion, meu marido - ela se inclinou sussurrando no ouvido dele - dessa vez estou sem calcinha… - ela se afastou e chutou os sapatos longe - quer? Tente me pegar - dizendo isso ela caiu de cabeça na piscina. 
— Meu Deus! - para o diabo com conversar, ele livrou-se das roupas que usava e pulou completamente nu na piscina. Em poucos segundos, ouvia-se o grito de Stana seguido de uma gargalhada. 
Uma hora depois, ele estava abraçado a ela ainda dentro d’ agua. Stana virou o rosto para beija-lo. Os olhos azuis estava calmos, brilhantes. 
— Desculpe, amor. Eu venho falhando com você. 
— Do que está falando? - ela se virou para fita-lo.
— Do nosso casamento, da rotina, Não é justo, não quero que pense que cansei ou enjoei de você. Nunca… eu acabei me deixando levar pelo trabalho e prometi a mim mesma que isso não pode se repetir. 
— Você estava cansada. 
— Nós parecíamos dois estranhos! Admita - ele acariciou o rosto dela. 
— Eu sei. Tanto que hoje vinha disposto a ter uma conversa séria com você. Sobre o que estava acontecendo. Não queria que pensasse que não te desejo, isso seria loucura. 
— Eu sei, eu sei, sinto muito, Nate. Minha culpa. Se isso acontecer, por favor, me sacuda! Brigue comigo! Por favor… três semanas! Como conseguimos? 
— Deve ser um novo recorde - ele riu - tudo bem. Passou e não irá acontecer novamente. 
— Eu amo você - encostou a testa na dele. 
— Eu também, Staninha. Que tal você tirar esse vestido de vez para uma nova rodada? Ainda tenho muita libido acumulada - ela riu. Virou-se de costas. 
— Faça as honras, Nate… - novamente eles fizeram amor na piscina. Agora sem pressa ou loucura para saciar o desejo que se acumulara e os incomodara. Pele contra pele, eles deixaram os seus corpos experimentarem todas as sensações de prazer lentamente e quando Stana o fez encostar as costas na parte de azulejos mais rasa da piscina, sabia que seria sua perdição. Ao prova-lo com sua boca e a língua, Nathan entendera que não havia nada de errado entre eles. 

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Jeff chegou em casa depois de uma longa semana de viagens, reuniões, contratos. Pelo menos conseguira resolver tudo, inclusive o que prometera para Gigi. Esperava que ela gostasse. O voo de Boston para Los Angeles fora muito mais demorado do que previra. A conexão atrasou e acabou ficando preso duas horas no aeroporto de Dallas. Eram onze da noite. As luzes da sala estavam apagadas. Subiu as escadas deixando a mala lá embaixo mesmo. 
O quarto estava no escuro exceto pela luz da tv. Pelos áudios já sabia o que ela estava assistindo. Encontrou Gigi de olhos atentos a uma cena de Outlander e se enchendo de chocolate. 
— Está me trocando por esse ruivo e chocolate, Gigi? - ela tomou um susto. Derrubou a caixa de seu colo sobre o colchão. 
— Filha da… Jeff! Você me assustou. 
— Responde, Gigi. Está me trocando? 
— O que você queria? Estou em abstinência por sua causa e a sis me deu essa caixa de chocolate porque eu tive a brilhante ideia de ajuda-la a transar loucamente, Claire está fazendo o mesmo e eu estou chupando o dedo… 
— Mesmo? - ele sentou-se do outro lado da cama, mantendo a distância devido ao tamanho da mesma, ele provocou - não acha que está muito dependente de sexo? 
— Sexo? Quem falou em sexo? - ela se colocou de joelhos na cama, Jeff pensou que ela iria vir ao seu encontro, mas sempre esquecia o quanto ela era maluquinha. Gigi ficou de pé no colchão. Jeff se aproximou devagar ainda sentado. Indo até ele, ela usou um dos pés para empurra-lo contra o colchão. Abriu as pernas e sentou-se sobre o marido. Com as duas mãos segurando seu rosto, ela falou - eu quero fazer amor, Jeff - tirou a camiseta que usava - bem-vindo de volta, meu marido - e beijou-o apaixonadamente. 
Eles estavam de roupão na cozinha. Jeff fritava ovos para eles. Havia pães e queijos sobre o balcão. Gigi mordiscava um croissant. 
— Como foi a viagem, amor? 
— Cansativa e produtiva. Um bom resultado. 
— Espero que você não tenha que viajar tão cedo. Não gosto. 
— Você sabe que não funciona assim, Gi. A propósito, acontecerá mais rápido do que você imagina. 
— Ah, não… de novo, Jeff? - ele se virou colocando os ovos nos pratos dos dois. Deixou a frigideira no balcão - eu disse para sis que isso devia ser proibido. Vai ser outra semana completa? 
— Na verdade, um fim de semana em aproximadamente dez dias. 
— Vai me deixar sozinha no fim de semana? Não acredito. 
— Acho que você não terá outra alternativa, Gi. A menos que não queira visitar sua sogra em Edmonton - ela olhou para ele surpresa. 
— Edmonton? Não é à trabalho? Você vai me levar para ver a sogrinha? 
— Esse é o plano. Achei que você ia gostar… 
— Gostar? Eu amei! - ela se pendurou no pescoço dele quando ia beija-lo, parou - espera, você vai comigo, não? 
— Claro que sim, amor. 

— Ah, meu gostoso! Eu amo você… mal posso esperar para ver minha sogrinha linda - beijou o marido e soltou um gritinho de felicidade fazendo Jeff rir. Adorava sua maluquinha.          


Continua...