domingo, 22 de outubro de 2017

[Castle Fic] A (Im)Perfect Love Story - Cap.27


Nota da Autora: Mais um pedaço dessa historia para vocês. Nesse capitulo, tem cena de amizade, supostas confusões, uma pilhada no casal Grey's Anatomy e momento maternidade. As musicas inseridas nesse capitulo são especiais. Eram musicas que minha mãe cantava para mim quando era pequena. Postei esse capitulo com um dia de antecedência para evitar me render a tentação, certo Lee? (Je suis prest? Hahaha... ) Enjoy! 


Cap.27 

O dia do encontro com Johanna chegou. Conforme combinado, Castle se dirigiu até o café que ficava na frente da lavanderia. Johanna ja colocara as mudas de roupa nas maquinas e teria que esperar pelo menos uma hora para move-las para a secadora. Sendo assim, atravessou a rua não ficando surpresa por ver Castle sentado em uma das mesas bebendo um pouco de agua. 
— Demorei? - ela inclinou-se para beija-lo na bochecha. 
— Não, acabei de chegar. O que quer beber? 
— Um cappuccino está ótimo. 
— Vou acompanha-la e pegar algo para beliscarmos - Castle se levantou, ordenou os cafés e voltou para a mesa com muffins e duas fatias de bolo de banana. 
— Eu avaliei suas perguntas e os assuntos listados. Antes de responder, eu preciso ouvir qual a sua ideia, em que contexto estaremos inserindo as doenças ou os medicamentos e tratamentos. Pode me dar um resumo do que está pensando? 
— Claro, vou contar a ideia principal das mortes e você me diz como tudo se encaixa - eles começaram uma conversa bastante animada. Castle ficou extremamente satisfeito ao ver como Johanna entendera o conceito e contribuiu inclusive sugerindo alterar alguns pontos que certamente não seriam pertinentes do ponto de vista médico nem mesmo do leitor, afinal hoje em dia as pessoas estavam bem informadas ou assistiam dramas médicos e estavam ficando bem exigentes. A conversa durou cerca de três horas apenas com um breve intervalo de quinze minutos para que Johanna fosse até a lavanderia e colocasse as roupas na secadora. Foi exatamente no momento que retornava para a cafeteria e sentava-se fazendo uma piada sobre as roupas de Paul que algo inesperado aconteceu do lado de fora. 
Enquanto Castle e Johanna conversavam e riam, Esposito e Ryan estavam passando na frente do café procurando por um endereço. Claro que os olhos de lince do sargento não perderam a cena dos dois, nada passava desapercebido a Esposito. Ele freou o carro bruscamente. 
— O que você está fazendo, Espo? Quer provocar um acidente? 
— Não tem ninguém atrás de nós. Há algo mais importante e pode se tornar um homicídio. Olha ali! Aquele é Castle com aquela ruiva, a tal amiga de Beckett. O que será que estão fazendo aqui sozinhos? Parecem bem animados. Não vejo a Beckett em lugar algum. 
— Ela deve estar no banheiro. É, eu reconheço a mulher. É a médica que salvou a vida dela. Beckett me contou uma vez quando estava me treinando para substitui-la. 
— Acho que Castle está tendo um caso com ela. 
— Não, Espo! Não ouviu nada do que eu disse? Claro que isso é uma ideia absurda. Castle ama Beckett, eles acabaram de ter uma filha. Não faz sentido algum. 
— Como não? Você mesmo disse. Eles acabaram de ter uma criança. Beckett estava gravida, o que significa que Castle está na seca há algum tempo. Vai me dizer que não acha, no mínimo, estranho? Essa médica entra na vida deles, em pouco tempo é super presente e sem esquecer que ela é ruiva, faz o tipo de Castle ou você ja esqueceu da primeira esposa dele, Meredith? 
— Castle não tem um tipo, Espo. Que parte de que a médica salvou a vida de Beckett você ainda não entendeu? E isso é irrelevante de qualquer forma. Ele está casado com Beckett, esperou anos por ela. Você realmente acha que iria jogar tudo fora porque não faz sexo há alguns meses? - pela cara de Espo, Ryan sabia que não convencera o parceiro com seu discurso - Espo, você precisa de um relacionamento urgente. Castle não está traindo Beckett. Você sempre pensa mal do cara, foi igual naquele caso onde o 3XK quis incrimina-lo. Saiu logo acusando-o de traição. 
— Sou realista. Como você explica isso? 
— Um encontro de amigos. 
— Até onde sei ela é amiga de Beckett. 
— Ela é amiga dos dois. Quer parar com isso? Temos trabalho para fazer. E vê se esquece esse assunto. Qual o endereço que procuramos mesmo? 
— 596, 17th St. 
— É do outro lado da rua mais embaixo. Dirija - Esposito obedeceu, mas não estava totalmente convencido da cena que vira. 
Quando toda a roupa estava seca, a maioria dos pontos que precisavam discutir estavam cobertos, Castle e Johanna resolveram deixar o café. Como ele havia pegado um taxi, Johanna ofereceu-se para leva-lo de volta ao loft. Havia prometido para Kate que hoje acabaria com o medo dela com relação ao banho de Lily. 
Coincidência ou não, no momento em que Castle e Johanna entravam no carro, Esposito e Ryan voltavam de sua investigação. 
— Olha lá! Castle está entrando no carro dela. Como pode negar que estão juntos? E Beckett está em casa cuidando da filha. Que cara de pau! 
— Javi! Quer parar? Isso não prova nada! Castle sempre pega carona, ele não gosta de dirigir na cidade. Essa sua desconfiança já está me irritando. 
— Você que se recusa de ver o obvio. Deixe de ser ingênuo, Ryan. 
— Não, sua mente que enxerga maldade em tudo. Vamos, temos que checar a nova pista que recebemos. Chega dessa conversa chata. Deixe os dois curtirem a filha e pare com essa teoria da conspiração. 
— É, estou vendo Castle curtindo bastante enquanto Beckett faz o trabalho pesado - resmungando, eles continuaram o caminho de volta ao distrito. 
Castle e Johanna chegaram ao loft e encontraram Beckett com a pequena Lily nos braços conversando com a sogra. A menina estava alimentada e acordada o que fez Johanna rouba-la imediatamente do colo da mãe. 
— Trabalharam muito? 
— Foi uma conversa bem proveitosa. Estou pronto para colocar tudo em palavras e cenas. Johanna foi ótima. Minha cabeça está fervilhando de ideias. Ah! - ele abriu a jaqueta tirando um saco de papel do bolso - trouxe para você. Bolo de banana com nozes - entregou o saco para a esposa e inclinou-se para beija-la - como está minha princesa? 
— Ótima. Comeu bastante, dormiu. Vovó conversou com ela… - Beckett mordeu um pedaço do bolo - hum, estava precisando disso. 
— Parece que não vou ter a chance de segurar minha própria filha. Johanna se apossou dela. O que é ótimo. Podemos deixa-la tomando conta de Lily e ter um dia somente para nós dois. O que acha, amor? 
— Sua ideia é ótima, Castle. Eu não me importo nem um pouco, mas pode esquecer porque isso não vai acontecer tão cedo. Kate está amamentando e sinceramente espero que continue por pelo menos seis meses. Bebês criados a base de leite materno são mais saudáveis e resistentes. 
— Seis meses? Não, eu tenho certeza que nós podemos fazer algo antes e… - Johanna o interrompeu. 
— Se está pensando em sexo, está certo. Relaxe, não vai esperar seis meses por isso. 
— Joh! - Beckett exclamou mas logo estava rindo com a amiga. 
— Vocês são duas implicantes! 
— Opa! Acho que Lily acabou de deixar um presentinho na fralda. Excelente oportunidade para um banho. Vamos, mamãe - ela viu Beckett morder os lábios - hey! Nada de se acovardar agora. É a sua chance. Lily quer tomar um banho, bebê? - juntas, elas seguiram para o quarto da menina. Ainda com Lily no colo, Johanna dava as instruções para Kate de como encher a banheira, checar a temperatura da agua, colocar tudo o que precisaria por perto e finalmente deitou a criança sobre o trocador. 
— Pode começar. Primeiro retire a roupa e a fralda. Certifique-se de que o excesso de sujeira no bumbum foi retirado. Assim facilita a limpeza e torna o banho mais rápido. Sim, porque mesmo a agua sendo quente o suficiente para aquecer o corpinho, o bebê não deve ficar muito tempo na agua. Sua pele enruga rápido. Tudo pronto? 
— Sim, o que devo fazer? 
— Coloque Lily em seus braços de barriguinha para cima - Kate obedeceu ainda receosa - faça uma conchinha com sua mão e gentilmente molhe a cabecinha de Lily enquanto deixa as perninhas dela em contato com a agua - ela observou os gestos da amiga, apesar da apreensão Kate se saia muito bem. Johanna continuou dando as instruções guiando Beckett pelo banho. O passo a passo surtiu efeito e quando ela sentiu-se insegura para virar a filha de bruços, Johanna estava a postos ao seu lado para socorre-la como uma mãezona. Terminado  o banho, ela a ajudou a enrolar Lily na toalha e partiram para a segunda lição. Enxugar e vestir, o que incluía um rápido cheque do nariz e dos ouvidos. Ao terminar, Beckett contemplou sua pequena completamente vestida e cheirosa. 
— Como você está linda, Lily! Mamãe ama! Daddy vai ficar todo bobo ao vê-la com essa roupinha azul combinando com os olhos dele. 
— Missão cumprida com sucesso. Como se sente, Kate? 
— Bem, não é tão difícil quanto parece embora eu não me sinta totalmente segura para vira-la. 
— Com o tempo você se acostuma. E fica melhor à medida que crescem. 
— Bom saber disso. Joh, muito obrigada por ter feito isso. Eu sei que Martha provavelmente faria o mesmo se pedisse, mas acredito que me senti mais segura fazendo isso com você. Sei que terei bastante tempo para treinar e me sentir melhor com a experiência, ainda assim… significou muito para mim. 
— Que isso, Katie… foi um prazer! Sempre que precisar basta pedir. Qualquer dúvida não hesite em me contatar. Acho que o mesmo vale para Charlotte - Beckett sorriu e Johanna não resistiu dando um abraço apertado na amiga repetindo o mesmo carinho na nuca que já fizera outra vez fazendo Beckett lembrar da própria mãe - você está se saindo uma mamãe maravilhosa. Lily se orgulha de você e eu também - ela deu um beijo estalado na bochecha de Beckett - agora pegue sua filha no colo e leve para ver o papai. Algo me diz que ela dormirá em breve e eu preciso ir andando, tenho um jantar para preparar. 
— Eu pensei que ficaria para jantar conosco. 
— Não, tenho meu moreno para agradar embora ele só vá estar em casa após a meia-noite. De qualquer forma, tenho minhas obrigações domesticas a cumprir. O patrão é bem exigente. Só eu para arrumar um homem neurótico por limpeza - elas riram. 
— Falando nesse homem especificamente não vai rolar um pedido? 
— Kate, quer parar? Estamos bem assim - ao ver a filha toda arrumada no colo de Beckett, Castle sorriu. 
— Minha princesa, você está tao linda! Pediu essa roupa para combinar com os olhos do papai, amor? Vem cá, Lily - ele tirou a filha dos braços de Beckett e começou uma conversa intima com ela. 
— Eu vou andando, meu trabalho por aqui está finalizado por hora. Castle, se precisar de mais alguma informação é só me ligar - beijou Kate, cumprimentou Martha e deixou o loft.   
Lily já completara mais de quarenta dias e Beckett estava se acostumando de fato aos horários e a rotina. Não estranhava acordar tantas vezes de madrugada embora o cansaço permanecesse presente durante todo o dia. Ela adorava os momentos que passava com a filha, especialmente quando a amamentava. Beckett sempre cantava ou falava sobre Castle, o futuro e dela mesma. Hoje, sentada na poltrona enquanto Lily tomava a sua terceira mamada do dia, ela cantarolava “Tickle, tickle little star”. Ao terminar, emendou com outra canção. 
“Frère Jacques, Frère Jacques 
Dormez-vous ? Dormez-vous ? 
Sonnez les matines ! Sonnez les matines ! 
Ding ! Daing ! Dong !” 

— Minha mãe cantava essa musica para eu dormir, Lily. Havia uma outra também. Oh, meu amor! Agora que lembrei era do filme Lili. Posso cantar para você. 

“A song of love is a sad song
Hi-Lili, Hi-Lili, Hi-Lo
A song of love is a song of woe
Don't ask me how I know
A song of love is a sad song
For I have loved and it's so
I sit at the window and watch the rain
Hi-Lili, Hi-Lili, Hi-Lo
Tomorrow, I'll probably love again
Hi-Lili, Hi-Lili, Hi-Lo”

— A vovó Johanna adorava contar o que ela fazia quando eu era bebê. Mesmo com três ou quatro anos, ela continuava cantando para mim além de outras musicas. Do re mi, mal posso esperar para você assistir “The Sound of Music” comigo. Tem outra também, era assim: 

“When I was just a little girl I asked my mother what will I be
Will I be pretty will I be rich
Here's what she said to me
Que Sera Sera
Whatever will be will be
The future's not ours to see
Que Sera Sera
What will be will be” 

Beckett suspirou. Ela podia ouvir a voz da mãe cantando deitada ao seu lado na pequena cama. Reparou que a menina adormeceu. Colocou a filha no berço, cobriu-a e com a babá eletrônica nas mãos, ainda mexida com as lembranças ela foi à procura do marido. A rotina das duas últimas semanas era simples, enquanto Beckett cuidava da filha, Castle escrevia. A reunião dele com Gina era dali a três dias. Estava na reta final de seu draft. 
Sorrateiramente, ela escorou-se na porta do escritório para observa-lo. Castle estava de pé fitando o monitor a sua frente que continha um emaranhado de informações a exemplo do primeiro modelo que vira anos atras quando o conheceu e ele se aventurava na primeira historia de Nikki Heat. Seu quadro de evidências da ficção como ele mesmo gostava de chamar. Castle estava de costas para ela, tinha a mão no queixo e vez por outra se aproximava do monitor e mexia em algo. Trocava uma anotação de lugar, checava uma foto, pegou até o notebook para escrever uma ideia a fim de não perde-la. 
Observar o marido trabalhando era muito interessante e de repente, Beckett percebeu o quanto era prazeroso também. Desligando-se do quadro, ela passou a examinar o marido. Seu corpo, seus movimentos. Pela primeira vez em algum tempo, teve uma vontade louca de beliscar aquele bumbum imponente, não apenas isso, queria tirar suas roupas também. Estava sentindo desejo outra vez? Sorriu. Sim, flashbacks de longas noites fazendo amor com ele voltavam a sua mente e como resultado, ela experimentou um arrepio em sua pele. A mente pensava em cada passo para tirar a roupa de Castle, cada gesto. Sentir seu corpo, sua pele, toca-lo por inteiro. Quase podia inspirar o perfume característico dele. Percebeu que seus mamilos rapidamente se eriçavam. No fundo, apesar das respostas de seu próprio corpo, Beckett não se acha completamente pronta para voltar a fazer amor com ele ainda. Ou ela assim pensava. Claramente o desejo existia, então porque ela não dava o proximo passo? 
Lily. De certa forma, ela ainda sentia-se insegura quanto à fase que vivia. Se voltasse sua atividade sexual normal estaria influenciando em algo para a filha? Teria problema? Eram perguntas que Beckett não sabia as respostas e por esse motivo, ela preferia esquecer o assunto por mais um tempo. 
Isso não a impedia de abraçar e beijar o marido. Foi o que fez seguindo o impulso que a tomava. 
— Hey… que surpresa boa. Posso assumir que Lily dormiu. 
— Dormiu. E você? Como anda o seu draft? 
— Bem, preciso apenas terminar mais duas cenas e finalizo o que irá compor os cinco capítulos. Depois é só escrever. 
— Espera, você está dizendo que ainda não escreveu nada? 
— Claro que sim. Escrevi o resumo de toda a historia e os três primeiros capítulos. Mais dois e reviso tudo antes da reunião com Gina. 
— Ótimo! - ela ainda estava agarrada à cintura dele. Curiosa, passou a observar os detalhes expostos no monitor. No canto superior direito, ela viu um sticky note com o seguinte titulo: “Para depois”. Logo abaixo havia dois pontos que chamaram sua atenção. Visita secreta e briga com uma informação entre parêntesis “passado - agente CIA?”. No mesmo instante, não conseguiu se conter - Castle, o que significa aquela nota ali?
— A curiosidade matou o gato, capitã. Eu avisei que não darei spoilers. 
— Não quero spoilers. Estou perguntando se essa nota se refere a aquela sua personagem chata dos outros livros. 
— Não vou lhe responder. Terá que esperar. A única coisa que posso dizer é que não existe historias de Nikki sem angst. Caso contrário nem teria chegado tão longe. 
Beckett beijou-lhe as costas e forçou a virar-se de frente para ela a fim de sorver seus lábios por um instante. As mãos acomodaram-se no bumbum dele - hum… melhor assim - beliscou de leve, tornou a olhar para o monitor. De repente, ela se afastou um pouco apenas para agarrar com as duas mãos a gola da camisa que ele vestia - vou lhe dar um aviso. Se seu angst envolver aquela agente idiota ou qualquer problema entre Rook e a personagem inspirada em Johanna, não será Gina quem boicotará seu livro. Serei eu. 
— Ow! Detecto ciúmes, capitã? Se não estou enganado, você já tinha feito essa ameaça antes. Está mesmo preocupada com Rook. 
— Nikki e Rook estão bem. Não precisam de ninguém para atrapalha-los. 
— Bem, você terá que esperar eu terminar o livro. 
— Veja lá o que vai aprontar, escritor - ela sentiu os braços de Castle puxa-la com mais força colando seu corpo no dele. 
— Eu adoro essas suas demonstrações de ciúme e possessão. 
— Possessão? 
— Sim, Rook é de Nikki e eu sou seu. Fim de papo, desse jeito - ele sorveu os lábios dela em um beijo intenso. A temperatura entre eles esquentou e quase sem fôlego, Beckett quebrou o beijo ao sentir seu corpo reagir ao ato. Procurou disfarçar e afastar os pensamentos que estava tendo da sua mente. 
— Estou com fome. Que tal fazer uma pausa e comermos algo juntos? 
— É uma ótima ideia. 
— E Castle? Você vai se superar nesse livro, posso sentir. 
— Hum… deu para ter poderes de vidente agora, Beckett? 
— Não, apenas palavra de sua musa - ele a beijou carinhosamente nos lábios, de mãos dadas seguiram para a cozinha. 

Hospital Presbiteriano de Nova York

O dia que começara pacato, dava sinais de que continuaria assim. Johanna estava checando seus pacientes de rotina do pós-operatório e pensava em convidar o namorado para um café na frente do hospital. A ultima vez que checou, Paul estava conversando com o residente sobre a carga da faculdade. 
Paul estava na recepção. As enfermeiras acabaram de trazer um prontuário de alta para que assinasse. Como já estava conversando com o residente há bastante tempo, decidiu que era seguro tirar uma dúvida com ele. Desde a última visita a Castle, Paul se perguntava que diachos significava aquilo que o escritor colocara naquele pedaço de papel. 
— Posso mudar de assunto? 
— Claro, Dr. Gray. Devo estar me tornando chato com tudo que falei. 
— Não é nada disso. Eu só preciso descobrir algumas coisas. Você curte videogame? 
— Claro que sim. Adoro desde menino. É ótimo depois de um plantão estressante. 
— Já me disseram isso. Então, eu tenho esse amigo que adora jogar e outro dia conversamos sobre o assunto e ele me entregou um papel com anotações, porém não me explicou o que fazer com isso. A razão foi a presença de nossas mulheres, só que não sou capaz de decifrar o que ele quis me dizer - ele mostrou o papel para o rapaz - por acaso, você saberia me dizer o que é? - o residente examinou o papel e sorriu. 
— Eu sei. Seu amigo lhe deu acesso a um site de jogos. Provavelmente quer que você experimente. Basta digitar esse endereço online e se cadastrar. Deve estar querendo que você sinta o gosto de jogar. Qual a plataforma que ele joga? 
— Todas? - eles riram - estávamos falando do XBox. 
— É, esse site tem jogos bem ao estilo dos que se joga online com o XBox. Sugiro experimentar. 
— É, vou fazer isso na minha folga sem Johanna por perto. Se ela me vir jogando nem sei o que pode fazer comigo. 
— Falando nela… - Paul se virou para fitar a namorada que caminhava em sua direção - terminou suas rondas? 
— Sim, todas as necessárias por agora. E você? Nada excitante? 
— Nao, acabei de dar alta a um paciente. 
— Ótimo! O que você acha de me acompanhar para um café do outro lado da rua? Não parece que algo urgente vai surgir nos próximos trinta minutos. 
— Isso é um convite? - sorriu - claro que aceito. Vamos trocar de roupa, não precisamos dos nossos uniformes e jalecos enquanto saboreamos um café - eles estavam prestes a desaparecer no corredor quando a chefe da cirurgia geral aparece chamando-os. 
— Dr. Marshall, Dr. Gray. Ainda bem que os alcancei. Esse hospital está prestes a se transformar em um campo de batalha. Acabei de receber a informação de um grande acidente de transito envolvendo três carros sendo um deles um micro ônibus escolar que voltava de uma visita ao museu de antropologia. Muitos feridos e vários em estado grave. 
— Crianças? - perguntou Johanna. 
— Sim, entre 8 e 10 anos. Já chamei os dois cirurgiões infantis. A SUV está destruída. Dois passageiros em estado grave, um dos airbags não funcionou adequadamente. O outro sedan, três pessoas. Devemos receber uma média de cinco ambulâncias para começar. Haverá mais. Os casos simples estão sendo enviados para outro hospital. Preparem as equipes, precisamos de residentes operando se for o caso. 
— Tudo bem, nós faremos isso - disse Paul. Ele trocou um olhar com Johanna, ela entendeu. Lá se foi a chance de tomar um café descente na companhia de seu namorado. Prioridades. Tinham vidas para salvar. 
A chefe tinha razão, a entrada da emergência tornou-se uma loucura, pacientes gravemente feridos iam direto para exames ou para uma sala de cirurgia. Alguns passavam por uma triagem com os residentes, raios X, tinham seus ferimentos examinados, outros iam para aparelhos ou direto receber medicação. Um dia regular de trabalho. 
Duas horas depois, além dos feridos do acidente ambulâncias chegavam ao hospital com mais pacientes. Sem contar os familiares que vinham desesperados por respostas. Um das pessoas da colisão fora operada logo que chegou com costelas quebradas e um pequeno coágulo no cérebro causado pelo impacto da batida. Johanna que a operou estava preocupada com ela. Era a motorista da SUV e continuava na UTI instável. A médica estava lidando com outro paciente quando seu nome soou no sistema de som. Código azul na ala da UTI onde a tal paciente estava. Ela ordenou o residente para continuar seu trabalho e saiu correndo pelo corredor. Ela podia ver a comoção ao redor da cama. 
— O que aconteceu? 
— A pressão caiu, o coração parou. Estamos tentando ressuscita-la. 
— 10mg de epinefrina - Johanna assumiu o controle da paciente - carregue para 200. Afastem-se! - as batidas surgiram. Analisando de perto ela entendeu - ela está sangrando por dentro. Aciono o cardio. Ela precisa ir para a cirurgia agora. Preciso de uma sala - ela coordenou com as enfermeiras e o outro residente. Saíram empurrando a maca pelos corredores. A paciente conectada aos aparelhos. Uma das enfermeiras que fora na frente para acionar o cardiologista  a interceptou no corredor. 
— Dr. Marshall, todas as salas de cirurgias estão ocupadas. 
— Como assim? Não é possível. Ela precisa ser operada agora! 
— Sinto muito. A ultima sala disponível acabou de ser reservada pelo Dr. Gray. 
— Ah, droga! Qual é a sala?
— Sala 5, doutora.  
— Ótimo! É para lá que vamos. 
— Mas doutora… - Johanna olhou de um jeito fulminante para a enfermeira fazendo um grande “shhhh” a fim de cala-la. No momento que chegou na frente da sala, viu Paul dando instruções e empurrando o carro com o seu paciente. 
— Paul! Espera! Eu preciso dessa sala. 
— Eu vou operar agora. 
— Minha paciente está sangrando. Hemorragia interna, não posso perde-la. 
— Dr. Marshall, eu esperei meu paciente estabilizar por uma hora para que pudesse opera-lo. Ele precisa reparar o pulmão. Há um nódulo nele que pode romper a qualquer instante. Não posso, doutora. 
— Não dê uma de chefe para cima de mim, Paul. Dr,. Marshall.. ugh! - ela remendou - minha paciente já esteve em cirurgia mais cedo para a retirada de um coágulo do cérebro e remendar as costelas. Está com hemorragia interna. Acredito que isso é suficiente para lhe dar prioridade. 
— Você vai querer discutir prioridades? Vai brigar comigo para ter a sala? 
— Se for preciso para salvar minha paciente, vou sim! Ela estava dirigindo a SUV, tem três filhos. Um deles não tem dez meses. Ela não teve culpa. A família precisa dela. Não vou desistir. 
— E por que meu paciente não merece a chance? - Paul começou a enumerar porque ele deveria ter a sala. De repente, estavam gritando um com o outro a ponto de não perceber o que se passava ao redor deles até o som da maquina apitar anunciando que a paciente de Johanna estava perdendo ritmo cardíaco. 
— Estamos perdendo-a! - o residente falou. Rapidamente, Johanna começou a massagem cardíaca. 
— Desfibrilador! Carregue para 200. Afastem-se! - ela pressionou o aparelho contra o corpo da mulher - isso é sua culpa, Paul! Carregue novamente, 200 - outro choque - finalmente a linha do monitor deixou de ser reta e começou a mostrar os picos. A paciente estava voltando - droga, droga! Ela não tem muito tempo. Oh, Deus! Oh, Deus! - Johanna lutava para manter a paciente estável que nem reparou a enfermeira chamando. 
— Dr. Marshall, por favor… Dr. Marshall - nada, então a moça não teve outra alternativa além de gritar - Dr. Marshall! 
— Johanna! - Paul gritou. 
— Pare de gritar comigo, Paul! Que droga! Preciso pensar - mas ele a segurou pelo braço fazendo-a fita-lo. 
— Joh… - ele disse suavemente - a enfermeira Robbins está tentando falar com você - ela caiu em si. 
— A sala de cirurgia 3 foi desocupada, doutora. Podemos usa-la - Johanna suspirou. Puxou o braço se livrando do contato com Paul. 
— Obrigada, vamos movê-la - antes de ir, ela fitou o namorado mais uma vez. O que Paul viu em seus olhos foi raiva. Não tendo tempo para lidar com isso no momento, ele entrou na sala de cirurgia para cuidar de seu paciente. 
Após três horas de cirurgia, Johanna conseguiu estabilizar a paciente e colocou-a em coma induzido. Estava exausta. A cirurgia fora difícil e toda a irritação anterior com Paul drenara sua energia. Pelo menos tinha boas noticias para a familia. Ao chegar na sala de espera, a médica encontrou o esposo da paciente com uma das crianças no seu colo dormindo sobre ele. 
— Com licença. Sr. Barry? - o homem olhou para ela assustado - sou a Dr. Marshall. Eu sou a médica responsável pela sua esposa desde que ela chegou no hospital. Tive que fazer duas cirurgias nela, a segunda devido à instabilidade de seus sinais vitais, demorou mais tempo e tive que coloca-la em coma induzido para proporciona-la uma melhor recuperação. Ainda não sabemos a extensão do coágulo. Temos que esperar que acorde. 
— Coágulo? Mas minha esposa estava em um carro e-eu não… entendo.
— O airbag não funcionou adequadamente. Ela bateu com a cabeça e fraturou duas costelas. 
— Meu Deus! Meu Deus! Penny… ela vai ficar bem? 
— Ela está estável por hora. Estamos monitorando-a na UTI 24 horas. Se quiser vê-la, posso leva-lo até lá. 
— Sim, por favor. Esse é Mike - disse ajeitando o menino nos braços - meu mais velho. Sete anos. Ele é louco pela mãe. Faz tudo por Penny. Tem problema se eu o levar no colo? Não quero acorda-lo apesar de não querer que ele a veja, você sabe, nesse estado. 
— Entendo, se quiser eu posso pedir a uma enfermeira para tomar conta dele. Deixe-o no sofá, se acordar diremos que você foi ao banheiro. 
— Parece bom - ele aconchegou o garoto no sofá com cuidado. Johanna fez sinal para uma das atendentes de enfermagem e explicou o que queria. Em seguida, guiou o homem para ver sua esposa. 
O dia pareceu não ter fim. De fato, a troca de plantão deveria ocorrer às seis da tarde, porém mesmo com a chegada de Daniel para substitui-los, Johanna e Paul continuaram trabalhando incansavelmente até as nove da noite quando a chefe finalmente os expulsou do hospital notando o quanto eles estavam cansados e estressados. Não era para menos, estavam a quase oito horas sem parar cuidando de pacientes críticos. No conforto, Paul trocava de roupa quando Johanna entrou esfregando os olhos. Ao vê-lo, fechou a cara e começou a juntar suas coisas. 
— Quando estiver pronta saímos. Vamos direto para casa, Joh. 
— Você pode ir. Eu preciso ir a um lugar antes - mentira, ela acabara de inventar isso apenas para não ir para casa com ele. Queria um tempo para si antes que ele a questionasse sobre o que acontecera horas antes. Talvez fosse apenas uma forma que encontrou para puni-lo. A raiva ainda borbulhava em seu sangue. 
— Joh, deixe de bobagem. Vamos para casa - ele tentou se aproximar dela, porém notou a forma como ela o evitava - tudo bem, você quer ficar emburrada e fazendo cena, por mim fique à vontade. Vou para casa - Paul pegou suas coisas e saiu pela porta. Johanna suspirou. Ela somente precisava esfriar a cabeça. Não tendo realmente um lugar para ir, ela pegou o metro e soltou na estação mais próxima de casa. Reparou que um café ainda estava aberto no quarteirão seguinte ao apartamento. Decidiu ir até lá. Comprou um café. Enquanto esperava os olhos pareciam perdidos, a cabeça vazia impossibilitada de formular um único pensamento. Ao entregar-lhe o café, o barista perguntou. 
— Noite difícil?
— Noite, dia, você não imagina o quanto. 
— Posso perceber pelo seu semblante cansado. Tem certeza que não quer comer alguma coisa? 
— Não, eu moro no próximo quarteirão. Só precisava de um instante para ficar sozinha e refletir. 
— Vá em frente. Eu só fecho à meia-noite - com um pequeno sorriso, ela agradeceu e sentou-se em um dos sofás. Tentou relembrar os acontecimentos do dia com Paul. Por que ficara tão chateada com ele? Na verdade, ele não fizera nada errado. Estava agindo em pró do melhor para o seu paciente como ela. Tudo bem, ela não gostou do jeito como se dirigiu a ela quando já havia usado o primeiro nome. Por que a chamou de Dr. Marshall? Era como se quisesse impor sua autoridade, mandar um recado de que ele ainda era o chefe. Aquilo não soou somente como a hierarquia do trabalho, Johanna sentiu que ele agira como se fosse seu dono. Isso que a incomodou. E ao segurar seu braço mesmo que fosse para chamar sua atenção para a enfermeira, ele completou o ato que a irritara. Somando-se todo o estresse do dia, o medo de falhar com sua paciente, Johanna ficou com os nervos à flor da pele e com raiva de Paul. Eles teriam que conversar. Meia hora depois, ela levantou-se e seguiu para casa. 
Ao abrir a porta do apartamento, se deparou com Paul já de pijamas comendo um cookie. Era óbvio que ele já jantara. Ao vê-la, ele falou. 
— Deixei um resto de coleslaw e dois pedaços de frango para você na geladeira. Não estava a fim de cozinhar, passei no mercado e comprei o jantar. Fique à vontade. Vou para o quarto - antes de dar as costas para ela, perguntou - como está sua paciente? 
— Estável. Ainda não sei a extensão dos danos - ele fez o movimento para ir para o quarto, ela se antecipou e segurou seu braço - Paul… espera. Precisamos conversar sobre o que houve hoje. 
— Eu entendo, Joh. Foi o estresse do dia, a responsabilidade. Não tenho problema com isso. Foi uma discussão de dois profissionais querendo o melhor para as vidas em suas mãos. 
— Não foi apenas isso. Se você não sabe ou não percebeu, eu preciso falar. Sente-se, Paul - ele obedeceu. Lado a lado, Johanna começou a falar - eu concordo que o nível de estresse foi alto o bastante para nos fazer agir estranhamente. O problema não foi somente isso. Todos sabem que temos um relacionamento contudo lutamos para deixa-lo fora do hospital, acredito que ambos não queremos nosso trabalho prejudicado por nossa vida pessoal. 
— Está certa. E no meu ponto de vista isso não aconteceu. 
— Então não concordamos e tenho mais de um ponto. Primeiro, eu me dirigi a você usando o primeiro nome, naquele momento queria sua atenção para algo importante. Só que quando você me respondeu usando o titulo e o meu sobrenome, eu senti que estava me diminuindo, me colocando no lugar de subordinada e chefe. Eu odiei aquilo. Somos adultos, profissionais competentes e se me dirigi a você de uma forma, por que usar de autoridade? 
— Joh, não foi nesse sentido. Não estava mostrando superioridade. 
— Mas foi o que pareceu e não somente para mim. Deus! Eu estava quase desesperada para salvar a vida da minha paciente, preocupada e brigar com você, fazer uma cena aos gritos no meio do hospital onde trabalhamos era a última coisa que pretendia. Eu fiquei morrendo de vergonha das enfermeiras. Então, veio a gota d’ agua. O jeito como me segurou e gritou meu nome, e-eu parecia sua propriedade. Alguém que está ali somente para ser mandada. Mesmo que a intenção fosse chamar minha atenção para a possível solução do empasse em que estávamos. Eu não gostei. Não me senti bem e juro que se qualquer uma dessas situações for normal para você, eu não sei se estamos fazendo a coisa certa. O ditado é certo: onde se ganha o pão não se come a carne. 
— Joh, eu em nenhum momento tive a intenção de soar autoritário. Ambos estávamos nervosos. E por favor, eu não fiz por mal. Foi no afã do momento. 
— Eu não sou sua propriedade, um brinquedo. Sou uma profissional tão competente quanto você. Não pode roubar ou diminuir minha autoridade como médica e prejudicar o respeito dos demais para comigo. Não funciona assim. Batalhei muito para ficar servindo de capacho para alguém. 
— Eu sei. Você é uma médica brilhante. Não foi minha intenção, Joh. De verdade. Sinto muito. Não quero que fique com raiva de mim, nem magoada. Acho que não foi um bom dia para todos nós. 
— Nem tanto. Salvamos várias vidas. Foi um dia muito bom com uma certa turbulência no meio - ela passou as mãos nos cabelos - estou cansada. Vou tomar um banho - ela se levantou do sofá, mas Paul segurou sua mão obrigando-a a fita-lo. 
— Joh, você me perdoa? Prometo que é a última vez que irei faze-la se sentir assim, uma propriedade, um objeto. 
— Nunca diga nunca, Paul. Sabe, eu até sou a favor de um pequeno role play com um toque de possessão. 
— Mesmo? - ele a puxou para mais perto deixando uma das mãos deslizar até o centro dela. Johanna prendeu a respiração por uns segundos - quer companhia no banho? 
— Eu e a minha boca… - ela riu - por que não? Acho que nós dois precisamos relaxar depois do dia que tivemos - então ela foi pega de surpresa, em um rápido movimento Paul a ergueu do chão carregando-a em seus braços até o banheiro. 
Em meio a uma banheira com agua quente e cheia de espuma, Paul tomou-a em seus braços enchendo-a de carinho. Beijos, toques, mãos bobas. Ele instigava tocando o interior de suas coxas, o estômago, massageando os seios e puxando seus mamilos. Johanna apenas fechou os olhos e se entregou ao festival de caricias. Quando ele usou os dedos para penetra-la e brincar com seu clitoris, ela gemeu alto. 
— Ah, moreno… faz isso não…
— Finalmente, pensei que não ia ouvir essa palavra toda a noite. Era só Paul. Quer que eu pare? É isso que está me pedindo, Joh? - ele aprofundou os dedos provocando. 
— Não, por favor…não… - ele beijou-a intensamente fazendo Johanna gritar entre seus lábios ao senti-lo penetra-la de uma vez. Não demorou muito para que o orgasmo os tomasse, mesmo assim eles não pararam por ai. A brincadeira na banheira rendeu um segundo momento de prazer para ambos. Quando recuperou seu fôlego, Johanna deixou escapar o pensamento que rondava sua mente. 
— Quase desejo que nós briguemos mais vezes… fazer amor depois de uma briga é bem intenso. 
— Você realmente quer brigar mais? 
— Não! Eu disse quase. Além do mais, sexo entre nós é sempre bom. Não precisamos desse tipo de estimulo, moreno - eles riram - vamos, estou começando a ficar com frio e necessitamos de uma boa noite de sono se quisermos estar inteiros naquele hospital amanhã. Quer saber? Estou com fome. Que tal depois de se vestir você esquentar o jantar para mim e trazer na cama. Não tenho mais energia para sair do quarto. 
— E por acaso eu tenho? 
— Você se alimentou antes do exercício. Por favor? - ela mordiscou o lóbulo da orelha dele e fez uma trilha com os dentes na mandíbula dele até alcançar os lábios mordiscando antes de beija-los. Ao se separar, ele olhou para a namorada com cara de safado. 
— Sua chantagista! - Johanna gargalhou.               

XXXXXXX

Três dias depois, Castle se arruma pega seus papeis e o notebook, beija a filha e a esposa em sinal de boa sorte. 
— Vai dar tudo certo, babe. Gina vai adorar a historia. E se ela reclamar, sei que vai convence-la ou escrever de qualquer forma. 
— Hum… dando uma de Rebel Beckett? - ela riu - eu só não quero brigar. 
— Acho que não vai chegar nesse nível e se precisar, pode dizer a Gina que tem minha aprovação. A opinião da musa deve valer alguma coisa, não? 
— Mais do que você imagina, Kate. A palavra da musa para o seu escritor é tudo.  

— Te espero mais tarde para comemorarmos - ela beijou-lhe os lábios e Castle finalmente deixou o loft. 


Continua...

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

[Stanathan] Kiss and Don't Tell - Cap.120


Nota da Autora: E parece que é natal em outubro hahaha! Pelo menos na timeline dessa fic. Tem um pouco de tudo, mas a palavra correta é familia, o que significa que para aqueles que vinham pedindo, ela está de volta - Anne! Bem light...Enjoy! 


Cap.120

Ante-véspera de natal 

Naquele dia 23, a casa já estava em clima de festa. A árvore de natal enorme estava recheada de ornamentos e luzes, imponente no canto da sala. Nathan retirou o peru do freezer colocando-o para descongelar pois precisaria ficar marinando a noite toda. Por volta das duas da tarde, Stana expulsou Nathan e Katherine da sua cozinha. Ele saiu resmungando, mas a esposa tinha um ponto válido. 
— Nate, em menos de duas horas sua mãe e seu irmão chegarão para dominar minha cozinha, quando isso acontecer nem conseguirei fazer o jantar de Katherine. É por isso que preciso de tranquilidade agora. 
— Mas nós ainda nem almoçamos! 
— E por que você acha que eu estou pedindo para me deixarem trabalhar? É o nosso almoço que estou preparando… por favor, babe. 
— Tá bom, iremos sumir da sua frente - ele pegou o pote de nutella e uma colher - vamos, Katie. Mommy quer nos ver bem longe. Nós vamos nos divertir - subiram as escadas. Stana apenas balançou a cabeça e se concentrou na tarefa que executava. 
Ela não estava errada, mal terminou de fazer o almoço, Gigi apareceu toda serelepe acompanhada da sogra, do sogro e do marido. Dona Cookie trazia uma travessa nas mãos. 
— Olá, Stana! Espero que tenha lugar no seu freezer para isso. Resolvi adiantar a sobremesa. Uma delas pelo menos. Torta de abacaxi,côco e café. 
— Hum, parece uma mistura interessante - disse Stana - e por que uma delas? A senhora vai fazer outra? 
— Claro, sis! Como é natal não terá torta de chocolate, então a sogrinha vai fazer uma mousse. Ela conhece bem a familia que tem especialmente os filhos. Seu marido é tarado por chocolate, o meu também não fica atrás e ainda tem Anne. Melhor nem discutir. 
— Ah! Vejo que você já colocou o peru para descongelar. Ótimo - disse Jeff - vou começar a cortar o que precisaremos para tempera-lo. 
— Foi o Nathan que tirou. 
— E cadê o mano falando nisso? 
— Sim, e minha fofinha? Está dormindo? 
— Tive que expulsa-los daqui ou não conseguiria fazer o almoço. Os dois dão trabalho. Vocês não se importam de nós sentarmos para comer, certo? 
— Claro que não, Stana. Vá chamar seu marido. Gigi, você vai nos ajudar em algo? Podia ao menos separar os ingredientes da mousse para mim, não? A receita deixei dentro da sacola preta com as bebidas que Jeff trouxe. 
— Ah, sogrinha… vou fazer isso somente porque amo muito você, mas é só isso! 
— Não se preocupe, dona Cookie. Assim que terminar de almoçar, eu vou ajuda-los. Gigi pode ficar com Nate e tomar conta de Katherine.  
— Isso se os dois não acharem um jeito de brigarem e esquecerem da menina… 
— Jeff! Como você pode falar assim de mim? 
— Sei que vocês estão com saudades de implicar um com o outro, confessa Gi… - ela mostrou a lingua para o marido fazendo Stana rir. Ela decidiu subir as escadas à procura de Nathan. Ao chegar no corredor estranhou o silêncio, ele era sempre barulhento quando brincava com a filha. Bastou entrar no quarto para entender o porquê. Katherine estava sentada no meio da cama, o rosto completamente lambuzado de chocolate. Os braços, peito e pernas não estavam em melhor estado e Stana viu a mãozinha da filha ir direto para o pote de nutella entre as pernas. 
— Katherine! Oh, meu Deus! O que você fez? Cadê seu pai? 
— Eu estou aqui - disse ele saindo do banheiro - eu precisava muito ir ao banheiro e… nossa! Olha para você! Está linda - desatou a rir. 
— Não tem graça! Ela está toda suja de nutella, os lençóis e sabe lá quanto de chocolate comeu! Como esse pote foi parar na mão dela, Nathan? 
— E-eu deixei na cabeceira e… - Kate batia palmas se sujando ainda mais com o gesto, o chocolate respingava. Ele correu para pegar o celular e registrar a imagem. 
— Dadada…
— Você deixou um pote de nutella aberto, de fácil acesso para a sua filha? Não acredito nisso. Quer largar a câmera? - ao ver a menina enfiar a mão coberta de chocolate na boca olhando com a cara mais safada para a mãe, Stana não resistiu e desatou a rir - você não nega que é filha do seu pai. Sapeca e chocólatra! Onde vamos parar, hein Katie? - ela pegou a menina nos braços indo em direção ao banheiro - vou dar um banho rápido nela e vamos comer. Será que você poderia pegar uma roupa limpa e fralda para eu vesti-la? 
— Claro que sim… 
— E limpe essa sujeira! - ela gritou. Rindo, ele seguiu para o quarto da filha. Meia hora depois, eles finalmente desceram. Nathan trazia o lençol sujo para deixar na área de serviço. 
— Até que enfim! Podia dizer que estavam aprontando, porém isso seria inapropriado com a Katherine junto… oi, meu amor… - Gigi pegou a menina do colo da irmã. 
— De certa forma, ela estava aprontado. Acredita que seu filho deixou Kate sozinha com um pote aberto de nutella por perto? O resultado foi catastrófico - ela pegou o celular do marido e mostrou o video. Gigi caiu na gargalhada. 
— Katie! Você também gosta de chocolate? Esses genes dos Fillions são fortes! Olha, Jeff que coisa mais fofa! Dá vontade de morder… - Nathan que retornara para a cozinha não perdeu a chance de complementar a observação de Gigi. 
— Você está esquecendo dos genes Katic, a mãe dela é uma formiguinha nata. 
— É, nisso você tem razão. Não se preocupe, fofinha, Gigi vai cuidar para que você não passe dos limites e fique obesa. 
— Vamos almoçar. Isso sim! Está tarde e preciso ajudar a minha sogra e o Jeff - Stana pegou a filha do colo da irmã e sentou-a na sua cadeira. Seguiu para a cozinha e trouxe a comida deles. A refeição não demorou muito. Gigi assumiu o cuidado da sobrinha e Stana se juntou a sogra. 
— Então, Gigi ouvi as boas notícias. Parabéns por ter conseguido a sociedade. Você merece. Nunca duvidei que ia dobrar seu cliente. Agora é a toda poderosa. 
— É bom. Eu estou muito satisfeita. Nossa! Você nem imagina como lado administrativo pode ser trabalhoso. Controlar orçamentos, redigir contratos, potencializar clientes, mas estou muito feliz com tudo. 
— Como disse, toda poderosa - ele sorriu. Por algum tempo, Gigi perambulou pela cozinha observando o que eles faziam com Kate no colo. Ao ouvir várias vezes o nome de Jeff durante as conversas, a menina resolveu que podia participar. 
— Eff…Eff… - Nathan não perdeu a oportunidade de implicar com a cunhada. 
— Mano, você está popular. Seu nome é doce na boca de Katie. Você gosta do tio Jeff, meu amor? 
— Eff…Eff… - os irmãos riram ao ver a criança batendo palmas. 
— Acho que isso é um sim, Jeff. 
— A culpa é sua, Nathan! 
— Como? O que eu fiz? Pelo que Stana me contou ela aprendeu sozinha. Eu nem estava aqui para me culpar, Gigi! 
— Não interessa! Você que começou a estimular Katherine a falar “daddy”, deu nisso. 
— Deixa de ser boba, sis. Ela é novinha. Nem pensa em falar mommy ainda. Eu nem estou preocupada.  
— Quer parar de defender seu marido, Stana? - dessa vez foi dona Cookie que riu, porém decidiu colocar ordem na casa. 
— Gigi, você e Nathan vão ficar discutindo ou vão tomar conta da minha neta? Posso pedir para o Bob ficar com ela se quiserem. Nós precisamos trabalhar ou não vai ter ceia de natal - Stana teve que segurar o riso ao ver a cara de espanto de Gigi para a sogra. 
— E-eu vou me comportar… desculpe, sogrinha. Vem, Katie, vamos brincar no tapetinho.
— Veja se não aborrece sua mãe, bolha! Estou de olho - pronto. No mesmo instante a paz reinou e a turma da cozinha pode se concentrar na preparação do jantar de natal. Aproveitando que Gigi se apossou da sobrinha, Nathan desapareceu para cuidar dos presentes da noite seguinte. Stana auxiliava cortando batatas e observando a interação para lá de interessante entre mãe e filho na cozinha. Bob acabou se sentando ao lado da nora para brincar com a neta. 
Tendo adiantado tudo o que podia para os cozinheiros, Jeff disse para a cunhada ir atrás do marido. Ele sabia o quanto ela precisava aproveitar os minutos na companhia de Nathan. Stana agradeceu e seguiu para a sala de video à procura dele. Em sua opinião, deveria estar aprontando alguma. Encontrou-o sentado no sofá remexendo umas sacolas. Sentou-se ao seu lado. 
— Hey! Você não devia estar aqui. Já te expulsaram da cozinha? 
— Não, acabou o que eu podia fazer. Vou esperar me chamarem outra vez. O que você está escondendo ai? 
— Deixa de ser curiosa! Vai saber amanhã. São os presentes. Tem um tempinho para namorar? - ele foi puxando-a pela cintura e tascando um beijo no pescoço dela. A gargalhada encheu a sala. Ela retribuiu o carinho segurando o rosto dele com as duas mãos e sorvendo os lábios do marido com vontade. Nathan a deitou no sofá colocando o peso do seu corpo sobre o dela. O amasso durou alguns minutos até Stana acabar com a festa. Não podiam pensar em sexo com a casa cheia. 
— Para, babe….por favor…está todo mundo aqui - contrariado, ele sentou-se no sofá. Estava vermelho e ela podia ver o membro parcialmente excitado sob a bermuda que ele usava. Ela acariciou a coxa do marido aconchegando-se ao lado dele. 
— Isso não se faz… - Nathan ligou a televisão para conseguir se distrair. Ao acionar o Netflix, ele franziu a testa. 
— Você criou um perfil? Posso saber o que anda assistindo? 
— Vá em frente. Não tenho segredos - assim que a tela abriu, um sorriso malicioso se formou nos lábios de Nathan. 
— Outlander, Staninha? Perdi alguma coisa? Isso tem dedo de Gigi, não? 
— Talvez… 
— Espera até o mano saber disso. 
— Nem pense em provocar uma discussão desnecessária, Nate. Não agora que a paz reina. Esses dois já tiveram muitos momentos tensos nos últimos tempos. Vamos mudar de assunto. Tenho novidades sobre Absentia e Dara me ligou com algumas ofertas tentadoras. 
— Hum, acho que ambos estamos experimentando momentos profissionais interessantes, não? Vá em frente, conte o que anda rolando no cenário de LA. 
— Não tem muito a ver com LA diretamente. A verdade é que a série está começando a ter um  forte trabalho de divulgação. Temos nosso programa vendido para vários países. Espanha, Bulgaria, Italia, França, Alemanha e Canadá. 
— Isso é incrível, Staninha. 
— Sim! E no inicio de janeiro será o screening especial em Los Angeles. Mas não para por ai. Maria me comentou que estão negociando para exibir o primeiro episódio da série com exclusividade internacionalmente no festival de cinema de Monte Carlo. Se tudo der certo, deve acontecer em junho. 
— Wow! É uma repercussão e tanto, não?
— Sim, e tem tudo a ver com a proposta da série de ser um programa essencialmente internacional. A Sony está investindo pesado na divulgação, bem diferente do que a ABC fazia com Castle. 
— Você merece todo o sucesso. Eu sei que Absentia vai trazer um retorno profissional incrível para você, amor. A produção, os atores, os escritores, todos contribuem para o sucesso, contudo você é o chamariz, o ícone da série. Staninha, você trata seu público, seus fãs e arrastará não apenas os fãs de Castle. Estou orgulhoso de você, de verdade. 
— Você sequer viu uma cena da série… 
— Eu sei do que você é capaz, do seu talento. Não há o que discutir. 
— Obrigada, babe. 
— E Dara? O que ela anda aprontando? 
— Além de escrever e se desafiar em maratonas? Ela me ligou para saber se eu continuava escrevendo os roteiros da minha série. Eu aproveitei a folga de Absentia e continuei o trabalho. Foi o suficiente para que ela me desse uma importante informação. Disse que se eu quiser, ela conhece um produtor que está procurando por um novo programa para investir. Pode nos apresentar. Eu disse que ia pensar. Na verdade, não quero me precipitar e queria trocar uma ideia com você. Quer dizer, eu ainda estou de certa forma comprometida com Absentia. A série sequer estreou. Eu sei que Maria nos deu carta branca para começar outros projetos, fazer filmes, mas com todo o lance da divulgação potencialmente acontecendo eu não acredito ser uma boa ideia me aventurar em um novo projeto sem a repercussão do outro. 
— Dara realmente comprou a ideia da série. Ela quer voltar a trabalhar com você. Se quer minha opinião, eu concordo com o seu pensamento. Absentia ainda não teve seu desempenho avaliado pela mídia. Contudo, eu também não descartaria de todo a sugestão de Dara. Você poderia avaliar o perfil do potencial investidor. Verificar que tipo de programas ele costuma trabalhar, se é confiável. Afinal, estamos falando do seu bebê, sua criação. E quem sabe não é uma oportunidade para apresentar aos estúdios Sony após a primeira crítica de Absentia? Já parou para pensar sobre isso? 
— Cheguei a cogitar. Acho que você tem razão. Não custa investigar. E sim, eu imaginava poder usar a Sony para uma avaliação. Não agora. 
— Isso é realmente muito bom, Staninha. Gosto de vê-la empolgada, fazendo planos. Falando neles, eu também tenho algumas coisas para te dizer. Assim que terminar o filme, estarei de volta a Los Angeles para fazer a dublagem de Carros 3. Tenho dois meses de projeto. Nesse período em Vancouver, eu recebi algumas propostas de trabalho. Uma delas me parece bem interessante. 
— Eu cheguei a cogitar que isso aconteceria, Nate. 
— Eu não tomei nenhuma decisão e sequer fui a qualquer teste ou reunião. Queria falar com você. Michelle levou a proposta para eu avaliar. É um papel na série “Desventuras em serie” da Netflix. É o tio. A série é filmada em Vancouver, mas ainda não tem previsão para o inicio das filmagens de seu segundo ano. O que você acha? Diante de tudo que está acontecendo, nós precisamos nos organizar para os nossos próximos trabalhos, não? 
— É uma boa oportunidade se você gostar do papel. É outra vez em Vancouver, o que me deixa um pouco triste devido à distância, porém se for isso que você quer… não posso impedi-lo, Nate - ele pegou a mão dela na sua. Levou até os lábios e beijou-a. 
— É uma decisão conjunta. Mesmo que eu aceite, imagino que as filmagens irão começar apenas no verão, talvez até no inverno. Katie já estava com mais de um ano e sua serie estará próxima de estrear. 
— Está dizendo o que eu estou pensando? Quer aproveitar para revelar o segredo? 
— Pode ser uma boa hora, não? Se o festival de Monte Carlo realmente vingar, eu adoraria ir com você, porém nem pensaria em roubar seu momento de gloria, Staninha. Você mais do que ninguém merece isso. A exposição, o brilho. É a sua grande volta ao mundo das séries. Acharemos o momento certo para expor tudo isso. Só acho que não deve passar do proximo ano, para o nosso próprio bem e para o planejamento do futuro.
— Eu concordo - ela segurou o rosto dele com as duas mãos e sorveu seus lábios com vontade - acho que deveríamos voltar. Não gosto da ideia da sua mãe fazer tudo sozinha, mesmo que o Jeff esteja ajudando, eu me sinto estranha não ajudando. 
— E eu não gosto da ideia de deixar Katherine muito tempo aos cuidados de Gigi. Sabe lá o que ela anda fazendo com a minha filha. 
— Nathan! - ela deu uma tapa de leve nele - não fale assim da minha irmã, ela é a madrinha de Kate - ele ria - deixe de ser implicante. 
— E qual é a graça nisso? Implicar com Gigi é excelente - ele a puxou pela mão. Desceram as escadas rindo e trocando beijos e caricias. Assim que chegaram no ultimo degrau, ele foi anunciando - viemos checar se todos estão vivos. Minha filha está bem, Gigi? 
— O que você quer dizer com isso, Nathan? 
— Estou perguntando se ela está inteira - ele se agachou no tapetinho - oi, meu amor. Sua tia Gigi está falando muita besteira para você? - a menina abriu o sorriso para o pai e engatinhou até onde ele estava.
— Dadada…dada… 
— Ah, Kate… que traição! Você devia ficar comigo - Stana balançava a cabeça vendo a cara emburrada da irmã. Seguiu para a cozinha. Nathan levantou-se com a filha no colo. 
— Voltei, dona Cookie e nem comece a dizer que não precisa da minha ajuda porque eu me recuso a aceitar. 
— Na verdade, eu preciso que você bata os ingredientes do mousse para mim se puder. A receita está no balcão. 
— Claro! Posso fazer isso. 
Na hora do jantar, eles se juntaram ao redor da mesa. Mesmo cuidando da ceia de jantar, dona Cookie encontrou tempo para cozinhar o jantar para a familia. Todos tinham concordado que iriam ter a ceia de natal na noite do dia 25. Era apenas macarronada, mas estava deliciosa. Durante o jantar, enquanto a vovó se divertia alimentando a neta, Gigi acabou por comentar sobre o problema que a afligia.  
— Estou à procura de um novo grande cliente para a firma. 
— Outro, Gigi? Pensei que estaria muito ocupada com o seu atual cliente. 
— Sim, Nathan. Temos oito lojas para reformar, mas sempre estamos lidando com a ideia de conseguir outros especialmente porque se eu ficar supervisionando as reformas de Steve, terei que viajar bastante e não terei tempo de trabalhar como sócia da minha firma realmente. E encontrar novos clientes é parte do meu trabalho também - ela trocou um olhar com Jeff. A verdade é que não contara o que acontecera a ninguém além do marido. Nem a própria Stana sabia. Uma hora ela acabaria contando para a irmã, contudo não era o momento. 
— Agora que você mencionou, eu me lembrei que Ryan comentou que queria reformar a sua casa em Malibu. Uma grande reforma mesmo. Quase começar tudo outra vez exceto derrubar a casa se você me entende. 
— Ryan? Ryan Reynolds? 
— Sim, Ryan. 
— Você acha que eu posso ter uma chance? Cuidar dessa reforma? 
— Por que não? Se quiser eu posso arranjar um encontro entre vocês antes de voltar para Vancouver. Ele também está aqui em LA e acredito que uma visita técnica pode ajudar. Eu ligo para ele depois do natal. 
— Ah, Nathan! Se eu conseguisse esse projeto seria perfeito - ela acariciou a coxa do marido e trocaram um novo olhar. 
— Você não tem nenhum problema com o Ryan, certo bro? Não quero criar confusão entre vocês. 
— Claro que não. Será excelente para a Gi. Seu primeiro cliente após se tornar sócia um astro de cinema? Ela vai fazer sucesso com os outros. Eu aprovo, mano. 
— Ótimo! Vou falar com Ryan então. 
Ao terminarem o jantar, Stana foi ajudar a sogra enquanto Bob se divertia com a neta. Ele rodava com a menina, soprava sua barriga e a enchia de beijos. As gargalhadas de Katherine eram deliciosas de se ouvir. Nathan dividia uma cerveja com Gigi e o irmão. Dona Cookie satisfeita com o que conseguira adiantar, virou-se para o filho e falou. 
— Tudo está adiantado portanto amanhã você coloca o peru no forno por volta de duas horas. Vai demorar umas quatro horas para assar. Pode deixar que eu fatiarei. Você sabe o que fazer, filho. Nem sei quantas vezes me viu fazer o peru de ação de graças e natal. Posso contar com você, não? 
— Ou é isso ou ficamos sem peru - disse Bob - não vá fazer besteira, bolha. 
— É claro que não. Vai ficar tudo bem, mãe. Jeff pode ser o expert da cozinha, mas eu tenho meus truques. 
— Ótimo. Estou pronta para ir para casa assim que vocês decidirem, viu Jeff? 
— Certo, mãe. Mais quinze minutos, só o tempo de eu terminar essa cerveja com o mano. 
— Sis, será que pode vir aqui comigo? - era Gigi puxando Stana para um canto. 
— O que foi, Gigi? 
— Eu queria saber como você está para amanhã, seu encontro com Michelle. Sei que está preocupada, quer agrada-la. 
— Eu não vou mentir. Estou um pouco nervosa, eu adoraria ter a aprovação dela. Vou dizer o que é certo e óbvio para mim. Eu amo Nathan há bastante tempo, ele é o amor da minha vida e a melhor coisa que aconteceu em muitos anos. Se ela ainda não acreditar em mim, infelizmente não há nada que eu possa fazer. Ele sabe o que significa para mim e isso é o mais importante. 
— Nossa! Você está preparada mesmo. Muito bem dito, sis. Mostre para ela - elas riram - sis, posso te pedir uma coisa? Será que podemos, depois que o natal passar, ter um novo almoço? Tem algumas coisas que eu preciso conversar com você. De mulher para mulher. 
— Gigi, você está com algum problema? 
— Não! Está tudo bem. Eu apenas queria conversar. Sobre futuro. E não é algo que possa discutir com Jeff primeiro. Eu sei que você tem pouco tempo para curtir seu marido, mas pode abrir mão de duas horinhas para mim? Um almoço ou um café, só isso. 
— Por mais difícil que seja deixar meu marido, eu posso fazer isso por você. Acho que ele não vai se importar de ficar duas horas jogando videogame com o irmão. Podemos até chamar a Anne para perturba-los mais um pouquinho. 
— Perfeito. Anne vai mantê-los ocupados e meu Jeff pode matar as saudades do irmão apesar que eu sei que preferia estar comigo - ela elevou a voz - Afinal todos amam a Gigi. Ninguém vive sem a Gigi. 
— Escuta isso, bolha. Alguém roubou seu lugar de preferido. Ou pelo menos o exagero de seu convencimento. Apesar de que no caso da Gigi, ela tem razão. Não é somente exibicionismo. 
— Hey! - Nathan reclamou. Bob riu e virou-se para a neta em seu colo. 
— O que você acha, Katherine? Sua dinda Gigi é o máximo, ela é melhor que seu daddy, não? Diz meu amor, você gosta da Gigi? 
— Dada…dada… 
— Ha! Ela é minha filha. Claro que gosta de mim. 
— Você gosta do bolha do seu daddy, meu amor? Diz para o vovô - ele beijava a menina, os risinhos encantavam Bob - você é linda, Katie… o bolha sabe fazer menino… - ela agarrou os cabelos do avô e gritou na maior alegria. 
— Vamos, meu velho. Amanhã você caduca mais - Bob entregou a menina para Stana. Eles se despediram e finalmente a casa voltou a ficar silenciosa. Stana subiu com a menina para dar-lhe um banho e coloca-la para dormir. Foi um dia agitado. 
A manhã seguinte passou bem rápido. Após o café, Nathan inventou de brincar com a filha. Passou um bom tempo rindo, cantando, fazendo vozes engraçadas e colocando a menina para engatinhar e estimulando-a a caminhar enquanto segurava as mãozinhas dela. Stana observava o jeito do marido. Ele estava se fazendo no papel de pai. Nunca duvidara que ele seria ótimo, porém estava se saindo melhor do que imaginara. 
— Não exagere nessa brincadeira de andar a casa toda agachado para não sentir dores nas costas depois…lembre-se que não deve satisfazer apenas a Katherine como pai, tem seu dever de marido para comigo. 
— Detecto um pouco de ciúmes, Staninha? 
— Que ciúmes! Estou falando da sua saúde. Não aceito desculpas mais tarde, viu? - ele riu e caminhou com a menina até a mãe só para lhe dar um beijo nos lábios. 
— Não se preocupe, eu me garanto - ela revirou os olhos. 
Mais tarde, Stana deu um banho na filha e percebeu o quanto ela estava sonolenta. Aninhando-a em seus braços, cantou para ela dormir. Nathan fez o que a mãe lhe pediu. O peru foi para o forno às duas horas. 
Por volta de seis horas da tarde, Stana se maquiava em frente ao espelho apenas de calcinha e sutiã. Nathan, pronto, desceu com Katherine. Gigi chegou logo em seguida com o marido, os sogros e a pequena Anne. Ao ver Nathan, a menina fez uma festa. 
— Tio! Quanto tempo! Anne está com muita saudade de brincar, jogar videogame. Você está passando muito tempo no Canada, se fosse a tia Stana não deixava! Oi, Katherine! - ela acariciou a cabecinha da prima e brincou com seus dedinhos mordiscando de leve - e cadê a tia? 
— Sua tia ainda está se arrumando, logo desce - Gigi se apossou da sobrinha enquanto dona Cookie foi direto para a cozinha inspecionar o trabalho do filho. O peru estava lindo. 
— Fez um ótimo trabalho, filho. E cadê a Stana? 
— Está terminando de se arrumar. Deve descer a qualquer instante - o celular dele tocou. Ele tirou o aparelho do bolso e se afastou vendo quem era. Fez sinal para o irmão pegar bebida para ele e o pai - Oi! Tudo bem? - por alguns minutos ele ficou ao telefone. Desligou. Ao ver Nathan voltar para perto deles, esperou o cunhado pegar um copo de whisky para perguntar. 
— Quando vamos jantar? - perguntou Gigi com o simples propósito de confirmar se a visita de Michelle aconteceria. 
— Bem, eu ia esperar por Michelle. mas ela me ligou me avisando que não poderá vir para o jantar. A familia a segurou. Deve vir amanhã. Sendo assim, quando a mamãe disser que podemos comer. 
— Basta eu terminar de fatiar o peru e sua esposa aparecer. 
— A sis está se arrumando para um baile? - ela sabia que a irmã estava nervosa e sequer imaginava que seu encontro com Michelle fora adiado - vou apressa-la - subiu as escadas rapidamente e encontrou a irmã praticando um discurso na frente do espelho - ah, não! Insegurança agora, sis? Pode esquecer. Tenho uma ótima noticia para você. 
— Ah, Gigi me deixa! Eu achei que estava pronta. Por que estou tão nervosa? Não fiquei assim nem quando fui conhecer meus sogros. Talvez um pouco… - ela sentou-se na cama respirando fundo. 
— Hey… - Gigi sentou-se ao lado dela abraçando-a - oh, sis! Deixa de ser boba. Hoje é dia de celebrar, se divertir. Nathan acabou de dizer que Michelle ligou e não poderá vir para a ceia. A visita ficou para amanhã. Que tal colocar um sorriso nesse rosto e descer para começarmos nossa ceia? Anne está indócil para vê-la. E eu preciso ficar de olho na minha fofinha, a  competição está grande. Jeff e Bob não param de rouba-la do meu colo - puxando a irmã pela mão, elas desceram as escadas - certo, a dona da casa chegou, já podemos comer - Bob gargalhou. Tinha Katherine no colo. 
— Essa é a sua dinda, Katherine. Doidinha! Gigi, pode segura-la? Preciso ir ao banheiro - a menina se jogou para o colo de Gigi.
— Só assim para você me entrega-la de bandeja, não sogrinho? - Anne correu para abraçar a tia. Agarrou em suas pernas até Stana abaixar e beijar a sobrinha. 
— Oi, meu amor! Quanta saudade! Como você está linda com esse vestido azul, docinho. 
— Da cor dos olhos do tio! - Nathan se aproximou dando um beijo na bochecha da menina, envolvendo a cintura de Stana com o braço. 
— Você está linda, Staninha. A rainha do castelo - beijou-lhe o rosto e os lábios em seguida.  
— Está tudo pronto - disse dona Cookie - tem certeza que querem jantar agora? Podemos comer uns petiscos, beber um pouco. Está cedo. As únicas que podem exigir comida nesse instante são Anne e Katherine. Quando foi a ultima vez que ela comeu, Stana? 
— Um pouco antes de seis horas. A próxima refeição somente nove da noite e não sei se vou dar muita comida. Talvez um pouco de pure e peru só para ela provar, depois uma mamadeira de leite. 
— Mamãe, tem razão - disse Jeff - vamos sentar e apreciar a companhia uns dos outros. Ninguém tem pressa essa noite. 
— Fala isso para a sua mulher, ela é quem está apressando todo mundo - implicou Nathan. Gigi reagiu na mesma hora. 
— Ah, não enche Nathan! - deu lingua para o cunhado. 
— Tia Gigi! Que feio! É noite de natal. Não pode brigar nem tratar ninguém mal. É falta de educação, não é tia Stana? Ela devia pedir desculpas para o tio. 
— Também acho que mereço um pedido de desculpas - Stana se viu entre a cruz e a espada. Tinha que dar o bom exemplo para Anne, ao mesmo tempo deveria recriminar o marido por ser implicante. Foi dona Cookie quem respondeu à menina. 
— Muito bem, Anne. Gostei de ver seu comportamento. Melhor que os dois adultos e nem faça essa cara de “eu não fiz nada” Nathan porque você e Gigi vivem se provocando. Vamos curtir a noite de natal. Se quiserem acalmar a fome, tem bastante nozes, amêndoas, castanhas e um pate de berinjela que fiz para comer com torradinhas. 
— Isso mesmo, minha sogra. Aliás, cadê o meu copo? Estou precisando de uma boa taça de vinho. 
— Vou servir você, minha cunhada - Stana sorriu para Jeff e sentou-se ao lado dele e do sogro. Anne optou por sentar-se no chão próximo as pernas da tia com seu copo de refrigerante. Gigi segurava Katherine e Nathan acabou sentando-se do seu lado. Cinco minutos depois, eles estavam conversando e rindo alegremente. 
O jantar manteve o mesmo clima animado de antes, porém seja pela presença de um bebê, seja por inúmeros assuntos diferentes que surgiam, alguém começou a sentir que não era mais o centro das atenções. Durante e após a ceia, Anne notou a prima passando de colo em colo muitas vezes sendo disputada pelos tios o que a deixou triste rapidamente. Stana, pela obrigação de mãe, se viu atenta a Katherine a maior parte do tempo, mas foi durante a distribuição dos presentes que Anne finalmente entendeu que fora colocada de escanteio. Obviamente que o ciúme falou mais alto. 
Nathan distribuira presentes para todos alegremente. Gigi também deu uma de mamãe noel e até dona Cookie assumiu seu papel na festa. Ao final da brincadeira, a diferença entre os presentes era gritante. Anne contou o que ganhara. Cinco presentes contra mais de dez de Katherine, claro que isso incluía roupas o que não fazia qualquer diferença para a comparação da pequena. O ultimo comentário de Gigi serviu como a gota d’ agua na historia. Nathan tinha acabado de se levantar para pegar mais bebida. Jeff estava com a sobrinha nos braços quando Gigi reclamou. 
— Jeff, será que você pode largar minha fofinha? Eu quero segura-la um instante. Vocês ficam monopolizando a menina. Ela é minha sobrinha preferida e eu sou sua tia favorita também. 
— Claro, não tem outra! - retrucou Nathan. Naquele momento, Anne levanta-se chorando, olha para Stana e grita. 
— Eu odeio vocês. Ninguém gosta da Anne! - sobe as escadas aos prantos numa velocidade incrível. Stana troca um olhar com Nathan e suspira. 
— Ah, não.. por que você foi falar assim, Gigi? 
— O que que eu fiz? 
— Anne está com ciúmes de Kate e você acabou piorando tudo com seu lance de tia favorita - ela passou a mão nos cabelos - eu vou falar com ela - Stana se levantou indo atrás da menina. Encontrou-a deitada em sua cama, com o rosto contra o travesseiro, o choro sentido era fácil de ouvir. Sentou-se ao lado da menina acariciando seus cabelos - hey, docinho…olhe para mim - sem levantar a cabeça do travesseiro, respondeu. 
— Não… Anne não quer. Estou triste porque ninguém quer conversar comigo…só querem a Katherine. 
— Não é nada disso, meu amor. Todos nós amamos você, Kate só requer mais cuidados. Você já é quase uma mocinha. 
— E por isso não ganho beijo, abraços e fico sozinha? Kate ganhou maus presentes do que eu! 
— Então é esse o problema? Está chorando e chateada porque Katherine ganhou mais presentes que você? 
— Não, tia - finalmente a menina sentou-se na cama fitando Stana - todo mundo faz carinho na Kate, fica com ela no colo, brinca… tio Nate, tio Jeff e a tia Gigi ainda diz que é a favorita dela. 
— Ah, docinho… você conhece sua tia, ela é doidinha e fala um monte de besteira. É claro que ela ama você, mas tem que entender que para Gigi, Kate representa você. Ela é a madrinha. Katherine é tão importante para ela como você é para mim, Anne. Eu te amo muito, você sempre será meu docinho. Minha filhota do coração. E seus tios a adoram! Quem vai jogar videogame com eles? Kate certamente não irá. As vezes nós adultos não percebemos que estamos agindo de maneira errada. Ficamos tão envolvidos com Katherine porque ela é um bebê que acabamos fazendo besteira. Você pode nos perdoar? - Stana olhava fixamente para a menina que sorriu. 
— Eu vou sempre perdoar a tia porque eu amo muito. 
— Que bom! - ela abraçou a menina enchendo-a de beijos - também amo você, Anne. Inclusive eu ia conversar com você no fim da noite. Eu e Gigi combinamos que iremos almoçar ou fazer um lanche na próxima semana após o natal. Você pode vir conosco ou ficar aqui com seus tios brincando e jogando videogame. Sei que Nate está doido para te desafiar em um jogo novo que comprou.  
— Sério? Que jogo? 
— Ah, terá que perguntar a ele! Eu não entendo nada desse assunto. Vamos descer? Estou louca para comer mais um pouquinho daquele mousse de chocolate da dona Cookie! - de mãos dadas, elas reapareceram na sala. Stana fez sinal com a cabeça para o marido indicando que estava tudo bem. Anne correu para o meio dos tios ansiosa para descobrir que jogo Nathan tinha. Por sorte, era exatamente esse embrulho que ele tinha em mãos para mostrar a menina e ao irmão. 
Ao se arrumarem para se despedir, Anne se aproximou de Jeff que tinha Katherine nos braços e beijou a cabecinha da prima. O tio sorriu e falou. 
— Eu vou torcer para que a minha sobrinha Katherine seja igual a você, Anne. Uma menina linda, divertida e especial - num impulso, ela abraçou o tio dando-lhe um beijo estalado. Em seguida, foi a vez de Nathan porque foi logo reclamando. 
— Hey! Só tem beijo para o Jeff? E eu? Passei mais de um mês sem te ver! - rindo, ela se pendurou no pescoço de Nathan. Ao ver a comoção, Kate expressou sua opinião. 
— Dadada…dada…
— Agora não posso, Katie. Sua prima está pendurada no meu pescoço. 
Depois beijou Gigi e por ultimo foi a vez de Stana. Abraçada à tia, Anne beijou-lhe o rosto e tornou a perguntar. 
— É verdade mesmo o que a tia disse? Sobre Anne ser a filha do coração? 
— Claro que sim, sempre será. Você foi meu primeiro bebê - a menina suspirou segurando o rosto da tia olhando fixamente nos olhos verdes amendoados. 
— Anne mentiu. Ela não odeia a tia Stana, nem os tios. Ela ama muito. Um tantão. Bem maior que a California, maior que os Estados Unidos. 
— Eu também, docinho. Agora, obedece sua tia Gigi e vá para casa. Amanhã você volta senão o papai noel não deixa presentes para você - a menina revirou os olhos. 
— Tia, eu sei que o P-A-P-A-I N-O-E-L é o papai. Não sou mais criança e soletrei porque não podemos estragar a surpresa para Kate - a gargalhada de Stana ecoou. Ganhando mais um beijo estalado da tia, ela seguiu satisfeita ao lado de Gigi.  

XXXXXXXX  

A manhã de natal foi especial. Nathan acordou cedo, colocou um gorro de papai noel e pegando a filha nos braços, desceu as escadas animado. Havia varias caixas e presentes espalhados embaixo da arvore. O volume e o colorido chamavam a atenção de Katherine que praticamente se jogou dos braços do pai. Nathan queria que Stana acompanhasse esse momento, então pos-se a chamar por ela porque tirar Kate da brincadeira era tarefa impossível. 
— Stana! Vem aqui, Stana! - a voz alta e clara fez com que Katherine parasse o que estava fazendo para observar o pai. Por sorte, Stana já havia se levantado e descia as escadas. 
— O que foi, Nate? 
— Você não quer perder a sua filha abrindo os presentes, quer? Olha o jeito dela. Está fascinada com as caixas e o colorido - a menina já voltara sua atenção para os presentes próximos dela. 
— Tudo bem que ela não vai entender nada, mas é tão fofo ver a alegria da nossa pequena! - Stana sentou-se ao lado de Nathan beijando-lhe o rosto - ok, daddy. O que você aprontou para a nossa Katie? Quer presente, meu amor? - a pequena engatinhou até a mãe para sentar-se no meio de suas pernas. Stana beijou a cabecinha da filha e observou o marido pegar uma caixa grande e vermelha colocando na frente de Katherine. 
— Abra para o daddy, Kate… - claro que ajudou a menina a rasgar o papel. Empolgada, Kate batia palmas ao ver um urso cheio de botões coloridos. Nathan apertou alguns e sons escaparam como latidos de cachorro, buzina, luzes vermelhas, verdes e azuis. A menina olhava para a mãe sorrindo e de volta para o brinquedo. 
— Parece que ela gostou, Nate.  

— É, espera só até ver o resto - um a um, ele abria as caixas. Bichos de pelúcia, livros pop-up, livros infláveis, bloquinhos para morder e estimular a dentição e roupas. Depois, foi a vez da esposa receber presentes. Passaram mais de duas horas nesse ritual até a fome apertar. Stana preparou frutas para a filha e uma mamadeira de leite. Nathan fez os ovos e serviu eggnog para os dois. Katie comia as frutas e se divertia com um dos livros infláveis que já estava todo sujo do suco de morango e pedaços de banana. Acabando a refeição, ela levou a menina para o banho. Logo a familia chegaria para comer o resto da festa no almoço. Além disso, receberia a visita de Michelle e Stana não negava estar ansiosa. 


Continua....