segunda-feira, 19 de junho de 2017

[Castle Fic] A (Im)Perfect Love Story - Cap.19


Nota da Autora: E mais um capitulo recheado de situações interessantes. Temos hormônios, o bichinho do ciúme, o casal de amigos... um pouco de tudo: comedia, drama, romance enfim, um capitulo grande e divertido. Enjoy! 


Cap.19 

Beckett cumpriu o prometido a amiga. Telefonou para Johanna e comunicou o nome que escolhera para a filha, explicou o significado e contou que a filha mexera. A médica vibrou com as novidades e disse que logo iria visita-la. Os novos acontecimentos mereciam uma longa conversa. 
Johanna a surpreendeu aparecendo no distrito ainda na mesma semana na hora do almoço. 
— Hey, Castle - ela chegou beijando o rosto do escritor que a abraçou sorrindo. Os rapazes olharam um para o outro. 
— Quem é essa mulher? - Esposito perguntou baixinho para Ryan que deu de ombros. Não reconhecera a médica - ela é sexy. Se Beckett vir…vai mata-lo. 
— Que surpresa boa! É sua primeira vez aqui, não? Posso fazer um tour com você e nem adianta dizer que não quer porque eu conheço sua fascinação por esse universo. Você é uma fã hardcore minha e de Nikki. Suas histórias nasceram entre essas paredes. Quer conhecer a famosa sala de interrogatório onde tudo começou? 
— Ah, Castle isso é tentador. De verdade, mas se eu me demorar a capitã não estará disponível para mim. Quero aproveitar seu horário de almoço. Ela é muito ocupada. Talvez ela faça isso depois. 
— Ela sabe que você está aqui? Vão sair? 
— Não, vim por impulso e trouxe nosso almoço. Desculpe, hoje é o clube da luluzinha. 
— Posso conviver com isso, somente porque é você - ela riu - se fosse aquele moreno alto e forte que vive na sua cola teríamos problemas. 
— Ah, escritor… acho que ambos estamos seguros. O moreno é louco por mim e a capitã não vive sem você. 
— Vem, eu levo você até a sala dela - ele guiava a médica para a sala da capitã. 
— Você entendeu alguma coisa? 
— Nah… quem será o tal moreno? Castle parece ter ciúmes dele - disse Espo. Enquanto os dois montavam suas próprias teorias, Beckett lia concentrada um relatório. As batidas na porta desviaram sua atenção. 
— Hey… visita para você - ao ver a amiga, ela sorriu. 
— Joh! O que faz aqui? 
— Como estou de folga resolvi vir visitar minha amiga no seu local de trabalho. Sempre tive curiosidade de conhecer a casa de Beckett e seu alterego Nikki. 
— Eu ofereci o tour, mas ela recusou. 
— Tenho que aproveitar o tempo da capitã. Tenho certeza que você não almoçou e…
— Ah, eu agradeço muito, Joh. Só que estou cheia de trabalho e não posso sair. 
— Quem falou em sair? - ela colocou uma sacola sobre a mesa de Beckett - eu trouxe seu almoço e já avisei para o Castle que esse é um programa somente para garotas. Temos muito o que conversar.     
— Nesse caso, Castle, divirta-se com os rapazes - ela praticamente o expulsou da sala fechando a porta atrás de si - ele vai reclamar depois. 
— Você sabe lidar com o escritor - Johanna acariciou a barriga da amiga - hey, Lily… é a dinda. Como vão as coisas ai dentro, meu amor? - a menina mexeu. Ela riu junto com Beckett - já me reconhece. Você está tão linda, Katie.  
— Obrigada. Gostaria de poder dizer que me sinto linda e ótima. 
— Que isso! Não deixe os hormônios domina-la. Sente-se. Trouxe salada, peixe e frutas para comermos de maneira saudável enquanto você me conta sobre as ultimas aventuras de sua gravidez. Especialmente o lance do nome. 
— Curiosa? - Beckett riu - tudo bem. Lembra a nossa ultima conversa quando você e Paul vieram nos visitar no loft? Quando falei que estava com problemas para entender minha vocação como mãe? - Johanna anuiu - dias depois, eu sai para fazer compras no mercado. Movida por impulso, eu decidi andar pelas ruas de Nova York. Encontrei essa loja com artigos da NYPD. Não resisti. Acabei comprando um onesie para a minha filha. Em casa, eu o admirei e de repente, eu me lembrei das suas palavras. Para conversar com o meu bebê. Eu comecei por sua causa, logo me lembrei da minha mãe. Eu contei um pouco da minha vida, de Castle e claro que falei da vó. E-eu não sei explicar, no instante seguinte, eu estava me declarando para a minha filha com a imagem da minha mãe em mente. Ela se mexeu e eu soube. Ela ia se chamar Lily, a flor preferida da minha mãe, Johanna Beckett. 
— Wow! Esse foi um momento intenso. 
— Sim, eu finalmente me senti mãe. De alguma forma, você também foi parte disso, me ajudou. Joh, foi somente depois que você me salvou que o sonho e do desejo de ter um filho com Castle, de ter Lily, tornou-se real. Por isso serei para sempre agradecida. 
— Ah, Katie… você não precisa me dizer isso. Não me deve nada. No fundo, acredito que nosso  encontro foi algo do destino, que deveria acontecer. Está escrito. Sabe por que? Meu nome, nossa ligação, a maneira como influenciou minhas decisões para mudar, sobre Paul. Sua amizade é mais do que especial e suficiente, Katie. Complementamos uma a outra - Beckett sorriu. 
— Formamos uma boa dupla. A única vez que me senti assim sobre alguém foi com Castle.   
— Sinal de que eu estou certa ao falar de destino e conexão - ela vasculhou por algo dentro da sua bolsa. Beckett viu a amiga tirar de lá uma sacola azul que reconheceu como Tiffany’s - esse era o motivo porque queria saber o nome da minha afilhada. Aqui - ela estendeu a pequena sacola para Kate. 
— Johanna, você não devia ter feito isso - ao abrir a caixa, porém, ela suspirou. Dentro, havia um par de brincos de ouro no formato da letra L. Também um colar com um pingente com a mesma letra - nossa… é lindo. Joh, não precisava. 
— Claro que sim! Que tipo de madrinha eu seria? Lily merece o melhor. 
— Não sei o que vou fazer com você e Castle. Vão estragar essa menina. 
— Olha quem fala, algo me diz que você ainda vai nos surpreender. Posso fazer aquele tour pelo seu distrito agora? Estou curiosa para conhecer a famosa sala de interrogatório onde além de se apaixonar por Castle, você também o agarrou. 
— Eu não me apaixonei por Castle ali. 
— Não é o que ele diz - Johanna gargalhou. 

XXXXXX

O sexto mês de gravidez estava provando ser bastante complicado para o casal. Beckett estava com um mau humor terrível. Qualquer pequeno detalhe era motivo de briga. Castle tentava ser o mais paciente possível porque entendia que era apenas uma fase difícil da gravidez. Os rapazes também acabaram entrando algumas vezes no rol de broncas, o que causou um certo bate-boca com Esposito mesmo Ryan tentando evitar e explicar para o amigo que Beckett não estava fazendo isso de propósito. 
O lado bom de ser capitã era que raramente brigaria com eles por causa de um homicídio. Números, prazos, relatórios eram seu foco. Por esse motivo, o marido procurava agrada-la e mantinha-se ocupado com as investigações. Claro que as mudanças de humor também mexiam com a maneira como Beckett via sua aparência e o comportamento do marido. 
Durante uma investigação, ela calhou de deixar sua sala para checar uma informação com um de seus oficiais quando se deparou com uma cena nada agradável do seu ponto de vista. Castle estava sentado na sala de interrogatório junto com Ryan colhendo o depoimento de uma das amigas da vitima. Ele estava sendo cuidadoso com as palavras e sorria todo o tempo para a moça demonstrando simpatia. O sangue de Beckett ferveu, porém foi quando ele estendeu a mão para entregar-lhe um lenço e acariciar de leve o braço da moça que o vulcão do ciúme explodiu dentro dela. Abriu a porta da sala de supetão. 
— Castle, pode vir a minha sala? Agora! - ele arregalou os olhos não entendendo, porém ele conhecia bem o temperamento da esposa e não iria contraria-la. Beckett não gostava de ter seu comando desobedecido, no instante que ficou grávida, ele reconhecia que suas emoções costumavam estar no limite mais vezes do que o comum. Bastou entrar na sala dela para ver que a capitã não estava muito feliz. 
— Hey, o que foi? Precisa da minha ajuda? 
— Não sei, a mesma ajuda que você estava oferecendo para a amiga da vitima? 
— Beckett, por favor acho que você entendeu errado e…
— Entendi errado? Você jogando seu charme para aquela…aquela loira e todo solicito, carinhoso e qual o problema com você? Esse é meu território e você é meu marido. Flertando na minha casa, na minha frente? Não sou mais interessante e atraente para você porque estou carregando a sua filha? É isso? - ela estava possessa, vermelha. 
— Kate, hey… eu não estava fazendo nada disso. Eu apenas estava ajudando. Você está com ciúmes? Tudo bem, mas eu não mereço isso. Eu não quero ninguém além de você, amor. Está tudo bem, são os hormônios falando e… - mas as palavras dele não surtiram efeito, na verdade, ele somente sentiu a dor. Ela puxava a orelha dele torcendo - au,au! 
— Não quero vê-lo jogando charme para ninguém! Entendeu? 
— Eu não fiz nada e embora eu reconheça suas mudanças de humor por causa dos hormônios, eu não mereço ser tratado assim. Acredite o gesto seria interessante como uma memória do passado, mas não assim. Você está exagerando e me acusando de coisas que eu não fiz. 
— Cala a boca, Castle. Você estava todo… todo… - ela grunhiu - sai daqui! 
— Eu vou embora e Beckett, se fosse em outra época, talvez eu gostasse de ver esse ciúme. Agora? É um insulto. Espero que você se acalme antes de vir para casa - ele saiu batendo a porta da sala dela. Com raiva, Beckett chutou a cadeia a sua frente. As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto. Sentou-se na sua cadeira e baixou a cabeça, frustrada, irritada e totalmente a mercê das suas emoções e hormônios. 
Mais tarde, com a cabeça fria e a caminho de casa, Beckett pensava em como iria encarar Castle. Talvez tivesse que admitir que ele tinha razão quanto ao que acontecera hoje, contudo ela detestava a ideia de dizer ao marido que exagerara e morria de ciúmes dele. Castle não podia brincar com seus sentimentos. Por esse motivo, o sangue ainda fervia. A frustração da discussão a incomodava. Temia que ao ver o marido iria querer continuar o bate-boca, imaginava que também estava chateado com ela. 
Ao entrar no loft dez minutos depois, estranhou o silêncio. Ele não estava na sala, nem na cozinha restando o escritório ou o quarto. Ela apostava, pela raiva, que estaria no computador. O quarto seria um ambiente intimo demais para espera-la. Seguia para o local quando uma luz chamou sua atenção. O novo cômodo onde seria o quarto de Lily estava com a lâmpada principal apagada, mas havia um pequeno abajur sobre a cômoda projetando estrelas e planetas no teto. Atraída pela cena, ela entrou no quarto da filha. 
Beckett teve uma surpresa. O quarto estava arrumado, não havia uma caixa ou sacola no caminho. As cortinas, o abajur, as luzes, tudo perfeito. O berço com um conjunto de lençóis em tons de roxos, o elefantinho junto ao travesseiro. Então, ela viu. A placa com o nome da filha. Lily. Ele pensara em tudo. E o quarto estava pronto. Perfeito como ela sequer sonhara. Castle fizera isso. Para agrada-la, para a filha. Ela pegou o elefante, sentou-se na poltrona de amamentação. Por longos minutos, ela ficou ali. Acariciando a barriga, abraçando o bichinho de pelúcia. 
— Seu pai é incrível, Lily… 
Droga! Ela era uma idiota. 
Retornou o elefante para onde estava. Os dedos deslizavam pelas letras do nome da filha. Sorria. Finalmente criou coragem. Caminhou até o quarto. Castle estava no banheiro. Ela tirou o casaco, os sapatos. Acariciava a barriga esperando que ele viesse para o quarto. Ao vê-la, ele fechou a cara e manteve uma certa distância. Beckett fechou os olhos, suspirou. 
— Tem um resto de lasanha na geladeira. Pode esquentar no microondas se estiver com fome. Eu vou para o escritório escrever - ele virou as costas para a esposa, mas Beckett foi mais rápida segurando a mão dele. 
— Espera… - ele virou-se para fita-la - e-eu sinto muito, Castle. Eu não sei o que deu em mim - ele entortou a boca - tudo bem, eu sei. Essa droga de hormônios! Eles me deixam louca e idiota! E-eu nunca me senti assim tão vulnerável e tive ciúmes sem motivo, mas a gravidez? Ela muda minha maneira de pensar, agir, sentir… por favor, babe… - Castle continuava calado, ela esticou a mão tocando o rosto dele. 
— Quando eu vim para casa, ainda estava irritada com toda essa situação. Imaginava que ia te encontrar e acabar discutindo outra vez ou pior, você iria somente me ignorar como estava prestes a fazer. Então eu entrei no quarto de Lily. Meu Deus! Está tudo perfeito, terminado. Naquele instante, eu percebi o quanto fui injusta. Você fez aquilo sozinho, criou um cantinho especial para a nossa filha. Eu não tenho moral para reclamar ou brigar com você, Castle. Apenas agradecer. 
Os olhares conectados e intensos. Ela segurava a mão dele. Nenhuma palavra fora dita por questão de segundos, para Beckett era uma eternidade. 
— Emoção ou não, hormônios ou não, você com ciúmes é algo incontrolável. Eu não lhe dou motivos para duvidar de mim, da minha fidelidade. Espero que isso não volte a acontecer. 
— E-eu sinto muito, babe. Não vai, prometo. Eu detesto a ideia de ver você com outra mulher que não seja eu. Por mais que eu odeie admitir, eu morro de ciúmes de você. Especialmente agora que não sou mais a mesma mulher por quem voce se apaixonou - ela afagou os cabelos dele com a mão em sua nuca. Beijou-lhe o rosto bem proximo da orelha - desculpe por puxar sua orelha. 
— Sabe, essa parte não foi a pior… eu sempre vou lembrar do quanto te irritava no inicio. Você estava caidinha por mim. Não duvide do meu amor, Beckett. E quero deixar registrado que você é a mesma mulher extraordinária por quem me apaixonei. Talvez agora um pouco melhor principalmente após admitir que morre de ciúmes. Você é linda - sentiu o braço enlaçando sua cintura. Ao aproximar-se o máximo que podia, Castle percebeu a pressão contra seu estômago. Lily - sua filha está se manifestando, sera que é a meu favor? - ela riu - vem, vou esquentar a lasanha e fazer o tour com vocês pelo quarto dela - de mãos dadas, deixaram o quarto. Tudo estava bem novamente. 
Mais tarde, no quarto eles estavam deitados lado a lado. Com seis meses de gravidez, Beckett dormia de barriga para cima. Poucas vezes ela passava a noite deitada sobre a lateral do seu corpo. 
— Cas? Está acordado? 
— Sim. O que foi? 
— E-eu não consigo dormir. Acho que toda a agitação do dia, a briga com você. Isso me deixou alerta. Eu queria desligar, mas não estou conseguindo. E-eu… preciso dormir. 
— Você pode ficar em casa amanhã, Beckett. É a capitã do 12th. 
— Não quero ficar em casa. Lembre-se do que Johanna falou. Gravidez não é doença, não quero me sentir uma inválida e nem que fique me protegendo de tudo e de todos. Eu apenas quero desligar. 
— Tudo bem, desculpe. Não está mais aqui quem falou. O que você precisa é relaxar. Acho que sei como - ele beijou sua testa - suas pernas doem? 
— Um pouco. 
— Eu volto já - Castle desapareceu no banheiro. Voltou com uma bacia, óleo, hidratante, toalhas. Deixou tudo ao pé da cama. Em seguida, saiu do quarto. Quando surgiu outra vez, trazia a chaleira com agua quente. Despejou na bacia - pode se sentar para colocar seus pés de molho um pouco? Vai ser bom para relaxar e amenizar qualquer dor - ela obedeceu. A sensação provocada pelo contato com a agua a fez sorrir. Um suspiro prazeroso escapou de seus lábios - eu nem comecei e você está gemendo? 
— Não estou gemendo. 
— Hum, isso é subjetivo. Como não quero discutir, vou encarar como uma motivação para eu começar minha terapia. Pronta para a massagem? Prometo que vai relaxar rapidinho - ela riu - eu conheço esse olhar, você está pensando em besteiras…
— Você está me dando ideias… - foi a vez dele rir. 
— E depois eu sou o pervertido…- ele colocou um pouco de óleo nas mãos e começou a esfregar as pernas dela. Devagar, o toque de Castle foi fazendo todo o seu corpo amolecer. Ela recebia pequenas ondas de alivio e prazer apesar dele se concentrar somente nos pés nesse momento. Acabou deslizando o corpo deitando novamente na cama. Castle continuava a massagem observando as reações dela. Voltou a sentar-se na cama ajeitando para que pudesse ter uma boa posição e continuar sua tarefa. 
As mãos subiam pelas pernas agora. O óleo foi substituído pelo hidratante. Repetiu os gestos que fazia em seus braços e ombros, aproveitou para roubar um beijo. Beckett segurou o rosto do marido aprofundando o beijo. Castle voltou sua atenção para o corpo a sua frente. Entre toques e gestos, ele acabou por livrar-se da calcinha que ela vestia enquanto ouvia os gemidos de alivio e satisfação que Beckett deixava escapar. Sabia que ela estava relaxando, apenas queria levar a experiência para um outro nível. 
Ela somente percebeu o que ele pretendia quando sentiu os dedos de Castle a penetrando. O olhar que trocou com o marido indicava satisfação e agradecimento. Ao contrario do que ela pudesse assumir por essa iniciativa, Castle não estava buscando relações, ele falara sério ao prometer que a faria relaxar. Esse era o seu objetivo. Não precisava fazer amor com Beckett aquela noite. Observa-la durante o momento no qual o desejo a dominava era igualmente prazeroso. A feição dela mudando com as sensações que a tomavam era algo precioso de se ver, um momento para se contemplar os efeitos que era capaz de causar em sua esposa, não somente no âmbito fisico, mas especialmente no psicológico. 
A irritabilidade, a urgência e o senso de ansiedade que ela estava experimentando há cerca de uma hora transformara-se em calmaria, aceitação e prazer. Ela ficava linda em um cenário assim, completamente relaxada e desconectada da imagem poderosa que a envolvia. Ali ela era livre, tudo o que importavam eram suas emoções. Ela se permitia sentir com ele, era intimo e pessoal para ambos. Todas as reservas desapareciam. Castle inclinou-se e beijou-lhe os lábios vagarosamente, dando a oportunidade a Beckett de receber o carinho e tirar proveito do momento da melhor maneira possível. 
Sentiu a mão dela tocando sua nuca, usando a ponta dos dedos para acariciar a pele próxima ao seu cabelo. Ela aprofundou o beijo usando a lingua, explorando o interior de sua boca. Empurrou-o de volta no colchão. Deitando-se de lado, ela passou a acariciar seu peito, seu rosto, depositando beijinhos rápidos na bochecha, testa, queixo, ombro. 
— Sente-se melhor? - ele notou o que ela pretendia em seguida, a mão estava em sua calça de moletom. 
— Sim, posso mostrar o quanto - sorriu. Ele segurou a mão de Beckett trazendo até os seus lábios. 
— Você já mostrou. Terá várias oportunidades de fazer isso. Carregar minha filha, nossa filha é um exemplo de como se sente, como nos respeita. Isso que fiz agora, foi apenas um gesto, uma retribuição. Faz parte do que prometemos a nós mesmos antes de casar. Nunca seriamos chatos, rotina não é nosso forte. Estaríamos sempre fazendo diferente. Esse é um daqueles momentos. 
— Sabe uma das coisas que mais amo e odeio nessa experiência de gravidez? Esse turbilhão de emoções. A forma como eu vou do zero ao mil em termos de sentimentos. Acredito que nunca estive tão ligada e tão aberta para expressar o que sinto, para o bem ou para o mal. Johanna me explicou que é completamente normal, algumas mulheres sentem mais que outras. Para mim, foi extremo, estranho porque eu não estou acostumada com grandes demonstrações de emoções quaisquer que sejam. Raiva, amor, medo, frustração, alegria. Consegue entender o que eu digo? Estou temperamental. 
— Sim, eu entendo e confesso que estou adorando. 
— Você gosta de me ver fora da minha zona de conforto. Você adora, na verdade. Vibra a cada novo ataque, eu sei. Eu me sinto tão idiota e trouxa em certas ocasiões. Agora é uma delas porque tudo o que se passa em minha mente me leva a apenas uma ação. Eu só quero dizer o quanto eu te amo, repetir a frase várias vezes porque eu estou feliz, me faz feliz - ela olhava para o marido, o tom amendoado de seus olhos mostravam-se parcialmente verdes. 
— O que está esperando? 
— Eu te amo, eu te amo… - ela ria e enchia-o de beijinhos - eu te amo, Cas… tanto… 
— Eu também. Mas eu não acredito que essa reação esteja ligada aos hormônios ou ao seu estado de espirito na gravidez. Você realmente me ama. 
— Convencido! Não é disso que estou falando, seu egocêntrico! - ela gargalhava. 
— A Capitã Beckett também diria o mesmo até segurando o distintivo. 
— Talvez, não nessa intensidade - ela suspirou. 
— Voce está feliz, Kate. É isso que está querendo me dizer? 
— Sim, estou. E um escritor meio famoso me disse que de vez em quando é bom dizer as outras pessoas o que elas significam para nós. Eu te amo por isso. Por me ensinar sempre e tem razão, nós não poderíamos ser chatos, nunca… talvez quando nossa filha nascer eu me arrependa por pensar assim…
— Você não vai, você me ama…o escritor bonitão e que te provoca… 
— Quer parar de se elogiar? - ele a beijou. 
— Estou pensando em causar outra cena de ciúmes apenas para ouvir o quanto sou incrível outra vez - a mão dela foi direto para a orelha de Castle, dessa vez, ele estava preparado - ha! Você errou - Beckett imediatamente mordeu o ombro dele com vontade - ai! Meu Deus, mulher! - ambos caíram na gargalhada. Aos poucos, eles se acalmaram e dormiram. 
Três dias depois, Beckett sente a necessidade de fazer uma visita ao túmulo da mãe. Com tudo o que vinha acontecendo nos últimos meses de sua vida, sentia que precisava estar perto, conversar o que basicamente se resumia a um monólogo, contudo não conseguia explicar a vontade. Saiu da delegacia, passou em um florista e com um ramo de lírios seguiu para o cemitério. 
De frente para a lápide de Johanna, ela releu o epitáfio da mãe. Vincit Omnia Veritas. Sorriu. Algumas vezes houveram meias verdades na sua vida, não… eram omissões. Algumas pessoas acreditam na verdade como um dos seus valores mais preciosos. Inquebrável. Sua mãe era assim, passou esse mesmo conceito e valor para ela. Por muitas vezes em sua vida, Beckett se sentiu frustrada por lutar pela verdade. Mentiras brancas, elas existiam? Hoje sabia que sim, não fora contra o valor que sua mãe a ensinou, apenas aprendeu que existem momentos e razões para omissões. Castle fez isso com ela e embora na época tenha se magoado e o odiado momentaneamente por ter escondido algo tão importante para ela, Beckett foi capaz de compreende-lo, afinal ela também fizera o mesmo quanto ao seus sentimentos por ele, não? 
— Hey, mãe… trouxe algumas flores e várias novidades. Você será avó. Eu estou esperando um bebê, uma linda garotinha. Conheça Lily - ela acariciou a barriga - eu adoraria tê-la aqui para curtir esse momento comigo… de certa forma, você está. Mãe, eu não sei como explicar tem essa médica, também se chama Johanna e não sei se foi o nome, a ocasião em que ela surgiu na minha vida, eu sinto que ela me traz um pouco de você em muitos sentidos. Ela é minha amiga, não tem idade para ser minha mãe, porém representa confiança, conforto e acredito que seja a única pessoa além de Castle que eu me sinta completamente segura para expressar o que eu sinto. Eu estou feliz, mãe. Muito feliz - olhando mais uma vez para a lápide e em seguida para o horizonte a sua frente, ela sorriu. Virou-se e deixou o local.   

Duas semanas depois…

Beckett estava entrando no sétimo mês de gravidez. Continuava trabalhando normalmente embora dividisse muito do que fazia com Ryan, o lieutenant se tornara seu braço direito. Era uma maneira de treina-lo para ocupar seu lugar no período que se afastaria para cuidar de Lily. As mudanças de humor ficaram menos frequentes. A cada dia que passava, ela ficava mais ansiosa por conhecer a filha. Castle estava sempre presente, seja nas investigações ou nos momentos em casa procurava agrada-la e aproveitar a oportunidade que a fase da gravidez o proporcionava. Quase todas as noites conversava com a barriga de Kate, algumas ocasiões ela também acabava entrando na brincadeira e tecendo comentários sobre o pai seja para implicar seja para orgulha-lo. Eram ótimos momentos em familia. 
Vovô Jim começava a sentir parte da experiência. Sempre que visitava a filha e o genro queria saber as novidades sobre Lily, a saúde de Beckett e fez Castle rir quando apareceu com um uniforme dos Yankees para a neta. Parece que ele teria que se acostumar com uma potencial fã de baseball na familia. 
Juntos construíam memórias. Beckett fazia questão de escrever no livro da filha. Outra noite ele a pegou no quarto sentada na poltrona de amamentação com um livro nas mãos. Sim, ela estava contando historias para a pequena Lily. Durante alguns minutos ele a observou. Era um conto de fadas. A Bela e a Fera. Castle sorriu ao ver o jeito que ela recitava as palavras de Bela. Então, ela se pos a conversar com a filha. 
— Aqui quando Bela diz que quer mais do que uma vida provinciana, as pessoas da vila não a entendem. Acham engraçado o jeito dela pensar, Lily. Ela parece estranha porque gosta de livros e de conhecimento. Ah, eu tenho certeza que você adorará a leitura, por mim e pelo seu pai. Quero que aprenda isso com Bela, buscar conhecimento, aventura. Sua vó Johanna me disse algo muito certo. Ela disse que eu poderia ser o que quisesse. É verdade, você também pode ser, Lily. Você será o que quiser - ela colocou o livro de lado. Nesse instante, Castle julgou que poderia atrapalhar o momento entre mãe e filha. Aproximou-se e beijou-lhe o topo da cabeça. 
— Hey… não sabia que você era adepta aos contos de fadas, ou melhor, você me disse que gostava das histórias dos irmãos Grimm. Está lendo uma versão romantizada para a nossa filha. 
— Eu sei. Eu gosto dessa história e sei que posso ensina-la a entender o que está nas entrelinhas. 
— Falou como uma verdadeira mamãe. Vem, hora de ir para a cama - de mãos dadas, ela o seguiu. 
Mas nem tudo se resumia a gravidez e suas experiências, eles valorizavam muito o tempo a sós, para adultos como o escritor gostava de se referir aos momentos íntimos com a esposa. As vezes cozinhava para a esposa ou saiam juntos e o relacionamento ficava melhor a cada dia. A intimidade era respeitada e não deixaram de fazer amor, adaptavam-se as situações. Talvez por isso ele estivesse curtindo tanto o período.
Foi assim que Beckett teve a ideia de convidar Paul e Johanna para um visita aos Hamptons. A médica adorou. Claro que a capitã tinha um pedido especial. Queria experimentar outros truques culinários da médica. 
Eles chegaram no sábado pela manhã para preparar a recepção. Johanna e Paul chegariam depois do almoço por causa do plantão de sexta-feira que fora até meia-noite. Não havia muito o que fazer. A amiga prometera a Beckett que faria o jantar daquela noite e o almoço do dia seguinte ficaria por conta de Castle. Após checar se tudo estava em ordem, eles se aconchegaram no quintal nas espreguiçadeiras de frente para o mar. 
Por volta de duas da tarde, o carro de Paul para em frente a casa. Johanna não pode deixar de soltar um “wow” ao ver a mansão do escritor. 
— Castle, isso é deslumbrante. 
— Acredito que as palavras exatas de Beckett a primeira vez foram “espetacular, Castle”. Bem-vindos a casa de Castle. Entrem! - percebeu que Johanna trazia uma sacola com provavelmente os ingredientes do que pretendia cozinhar. Paul cuidava da bolsa de viagem de ambos. Castle os guiou para dentro da casa. Beckett estava na sala bebendo um suco verde. 
— Hey, bom ver vocês. Pronta para cozinhar? Confesso que estou curiosa para ver o que seus dotes culinários irão aprontar, Joh. 
— Eu tenho algumas ideias em mente, mas quem vai me ajudar a definir é você. Não quero preparar um jantar que faça mal a Lily. 
— Acho que posso dizer que Lily é muito acessível a todo o tipo de comida. Será espanhola? 
— A entrada. O prato principal de uma cozinha mais tradicional. Cordeiro soa bem para você? 
— Muito bem. Você não precisa cair direto na cozinha. Venha conhecer o resto da casa, dar um passeio na praia. Ninguém vai escraviza-la. Vem - Beckett levou os dois para o tour que anos atrás o próprio Castle deu a ela. Explicava a decoração, mostrava a area externa, a piscina. Comentava as mudanças que ela fizera depois de estar com ele e finalmente mostrou o quarto dos hospedes - não se preocupem. A nossa suite fica do outro lado do corredor podem brincar a vontade - ela piscou para Johanna vendo Paul arregalar os olhos - o que foi, Paul? Não é só o Castle que tem ideias. Nós iremos aproveitar com certeza. Vou deixa-los se acomodarem. Sugiro trocarem de roupa e caminharem na praia. Se forem corajosos o bastante, um mergulho no mar seria refrescante. Vejo vocês depois.  
Paul e Johanna aceitaram a sugestão de Beckett e seguiram para a praia. Foi um ótimo momento de pausa para os médicos. Entre beijos e risos, eles experimentavam a sensação das ondas batendo em suas pernas misturando-se a areia. Paul parou a namorada por um instante. Sorveu os lábios dela com voracidade. Os corpos colados criavam a necessidade do toque. Johanna deixou os braços deslizarem pelas costas dele por baixo da camiseta sentindo os músculos se flexionarem. Os lábios de Paul estavam em seu pescoço, instigando, provocando. Ela sussurrou. 
— Paul, me toque… - uma das mãos desceu até seus seios apertando e puxando o mamilo sobre a camiseta. A sensibilidade ao toque fazia Johanna deseja-lo. Paul inclinou a cabeça para usar a boca e suga-los. Ela imediatamente jogou a cabeça para trás e gemeu. Ele se afastou dela. 
— Não podemos… - pode ver a expressão frustrada no rosto da bela mulher a sua frente. Os cabelos castanhos em tom de ruivo brilhavam ao sol. Johanna podia ver a intensidade dos olhos verdes a devorando, tanto que automaticamente levou a mão ao pescoço. Respirou fundo. 
— Por que você faz isso? Só provoca e me deixa com gosto de quero mais… odeio me sentir assim. 
— Isso não é verdade, você gosta do jogo de sedução, Joh… confessa! 
— Implicante! - ele gargalhou - vou passar uma água no rosto e voltamos. Melhor me ocupar com o jantar. Mais tarde vou fazer você gritar… Castle e Beckett irão ouvir, pode esperar. 
Ao voltarem para casa, Castle chamou Paul para beber whisky a beira da piscina e conversar. Beckett preferiu observar a amiga cozinhando. 
— Agora você já pode me dizer qual é o menu. 
— Vou fazer uma entrada espanhola com polvo. Chama-se Pulpo a Gazella. Para o prato principal eu optei por não fazer um prato espanhol porque ficaria muito pesado. Queria fazer cordeiro, mas não combina com a entrada então escolhi um dos pratos preferidos do Paul. Peixe al papillote. 
— Agora fiquei com vontade de provar o cordeiro. 
— Não combina. Fica para outra vez, talvez amanhã. 
— Se você convencer o Castle para não cozinhar… 
— Esse é o seu papel. Vou fazer suflê de chocolate para a sobremesa. Acha que eu o convenço? 
— Está no caminho certo. Quer alguma ajuda? 
— Não precisa, somente observe e converse. Tem algo novo que queira me dizer? As mudanças de humor começaram a diminuir? Com o passar dos meses a mãe vai se adaptando ao seu corpo, aos sinais. 
— Ainda não estou nessa fase. Duas semanas atrás tivemos uma briga boba, como era esperado. Eu surtei por ciúmes - ela riu - sem motivo! Ah, você está certa. Meus seios estão maiores. Eu gosto. 
— E vão continuar se adaptando devido a produção de leite. Você sabe se sua mãe teve muito leite? Não é regra, mas pode ser um indicio se você irá amamentar por muito tempo. 
— Não sei. Talvez meu pai saiba. Nossa! Isso está bonito - disse Beckett admirando o peixe. 
— Estou preparando porque não demora muito no forno. Quero adiantar e seguir para a entrada. Vou já fazer o suflê. Outro dia, eu fiz o peixe para o Paul. Comeu que lambia os dedos. Eu não sabia que ele gostava tanto de peixe. Nem me atentei que o homem cresceu em Seattle. Acostumado com frutos do mar, mercado de peixes, mas não dispensa uma boa carne. Culpa dos anos de faculdade em Nova York. Sorte a minha que ele se mudou para cá. 
— Você está aprendendo a descobrir o que encanta o seu namorado. Ainda acho que podiam pensar seriamente em morar juntos e quem sabe… - ela usou o dedo indicador para mostrar a aliança - eu não achei que usaria uma dessas. 
— Devagar, Kate. Estamos nos arrumando, combinando plantões, ficando mais tempo juntos. Morar junto está longe de ser o proximo passo. Você será mãe, vai entender o que digo daqui a alguns anos. 
— Eu acho que está subestimando o seu relacionamento e o ponto de vista da sua filha. Pelo que sei, há espaço suficiente para os três no apartamento de Paul. 
— Por que você insiste tanto nisso? Nós ainda estamos programando a nossa próxima viagem. 
— Olha para vocês, Joh. É tão óbvio. Vocês se amam, complementam um ao outro, estão felizes. Não precisam provar mais nada. São bem sucedidos. E convenhamos, Paul é o típico solteirão, nunca casou. Aproveitem o tempo que a vida lhe mostra. 
— Um passo de cada vez, Katie. O jantar está praticamente pronto, podemos chama-los para comer a entrada? 
Eles sentaram-se à mesa para jantar. A entrada fora uma grata surpresa para Beckett. Johanna recebeu os elogios, mas foi o prato principal que arrancou suspiros de Paul. Fez questão de dizer que era um dos seus pratos preferidos beijando a namorada em seguida. Jogaram conversa fora, riram. Castle sugeriu que fossem para a área externa a fim de observar o mar e desfrutar da noite agradável que se formara lá fora. Johanna disse para irem na frente enquanto ela e Kate pegavam a sobremesa. Castle quase pulou de felicidade ao ver o que a médica preparara. O suflê de chocolate desmanchara na boca. 
— Johanna, assim você vai me acostumar mal. Vou acabar virando seu escravo gastronômico - Beckett riu. A amiga viu na declaração a oportunidade de comentar sobre as suas mudanças de planos para o almoço de amanhã. 
— Não é justo. Você não veio aqui para passar o fim de semana cozinhando. Deixe que eu sirvo steaks para nós. 
— É um dos pratos preferidos de Paul. Cordeiro ao molho de menta. E sua esposa ficou doida para provar… - Castle olhou para Beckett. Ela mordiscava o lábio inferior acusando-se - tudo bem, deixemos para resolver isso amanhã. Está tarde, acho melhor nos recolhermos. 
— Essa é a maneira educada que você encontrou para dizer que quer se livrar de nós e ficar sozinha com o Paul? 
— Castle! Não fale assim com as visitas. Um pouco de tato, por favor! 
— Tudo bem, Kate. Não fiquei ofendida. Vocês tem que lembrar que nós estávamos de plantão ontem, não estamos completamente recuperados. Quero aproveitar essa piscina amanhã. Vamos, Paul? - ela piscou para o namorado. 
— Vamos. Boa noite, pessoal. Até agora tem sido uma maravilha. 
— Pela manhã você me conta se o quarto também estava bom para as atividades atléticas e… - sentiu a mão de Beckett beliscando sua barriga - hey! Isso dói! 
— Então pare de falar besteira e constranger nossos convidados. Boa noite, Joh, Paul - quando o casal desapareceu de suas vistas, Beckett comentou - o que deu em você? Assim eles vão ficar se policiando para não fazer nada porque estamos por perto e você está curioso. Eles formam um casal tão bonito, não acha? 
— Se por bonito você quer dizer que eles combinam, eu concordo. Que tal nós irmos para a nossa cama também? Não está cansada? 
— Estou - eles entraram. 
No quarto do outro lado da casa, Johanna vestia a camisola e terminava de passar um creme no corpo. Paul já estava na cama esperando. Ao deitar-se ao lado dele, viu que o namorado virou-se de lado para fita-la. 
— Eu não sabia que escrever dava tanto dinheiro. Essa casa… bem, é uma mansão. Castle estava me explicando que não é original, reformou e conhecendo a figura e sua mania de grandeza dele tê-la tornado maior. 
— Ele tem muito bom gosto e não se trata apenas de escrever, Paul. É preciso escrever as histórias certas. Concordo que o lugar é deslumbrante, mas que tal nós não falarmos de Castle? 
— Eu aprovo. O que você quer fazer, Joh? 
— Eu não menti quando disse que estava cansada, mas uns beijinhos não matam ninguém pelo contrário ajudam a relaxar, sabia? - ele sorriu e beijou-a rapidamente. 
— Mesmo? Tem certeza? - ele a beijava outra vez, ouviu o murmúrio dela entre seus lábios, o som de “humhum” o incentivou a continuar. Foram vários beijinhos até que tomasse a boca de Johanna de vez. Seu corpo pressionando o dela contra o colchão, roubando-lhe o fôlego. Ela não se importava. Queria mais. As mãos deslizavam por baixo da camisa que Paul usava tocando a pele quente. Finalmente se afastaram. Ela respirou fundo. Sentiu o namorado puxando-a pela cintura colando seu corpo ao dele. Aconchegados, ela se preparava para dormir realmente. 
— Você comentou algo com Kate sobre a nossa viagem? 
— Ainda não. Vou falar amanhã. Não é uma super viagem, quatro dias em Los Angeles não é o que se chama de viagem, ainda quero ficar umas duas semanas perdida com você em alguma ilha do Caribe. Não que eu esteja reclamando, foi uma ótima ideia aproveitar o congresso de traumatologia para escapar de Nova York. Dois dias de palestras e dois dias inteiros somente para nós. 
— Vai ser muito bom, Joh - ele acariciava o estômago dela, a mão propositalmente subiu para os seios, ouviu-a gemer - boa noite, amor - beijou seu rosto e sorria. Nem precisou contar até três. 
— Que se dane! - ela virou-se e agarrou Paul. Em outras palavras, essa era a maneira de Johanna dizer que não ia dormir sem fazer amor com ele. 
Na manhã seguinte, ela apareceu e se deparou com uma mesa farta de café da manhã. 
— Nossa! Estou me sentindo em um hotel cinco estrelas! - Beckett que estava sentada à mesa comendo um morango displicentemente, sorriu. 
— Você já devia esperar isso em se tratando de Castle, Joh. Sente-se. Ele foi dar umas instruções para o caseiro. E Paul? Ainda dorme? 
— Estava no banheiro, deve estar descendo. 
— Dormiu bem? 
— Maravilhosamente bem - elas riram. 
— Pelo menos alguém aproveitou. Lily não parou de se mexer à noite. Estava agitada. Será que foi a comida? O chocolate? 
— As vezes não tem um motivo, os bebês somente ficam mais agitados, espertos, trocam o dia pela noite. 
— É, está bem quieta agora - Paul descia as escadas no mesmo instante que Castle entrara em casa - oi, Paul. Café. 
— Estou morrendo de fome! - disse Castle sentando ao lado da esposa. 
— E eu querendo experimentar aquela piscina - disse Johanna sorrindo. Durante a refeição, ela contou aos amigos sobre a viagem. Beckett disse que era uma ótima oportunidade. Quatro dias valem muito. Também ficou feliz ao ver que a amiga não desistira de fazer uma viagem mais longa depois. Terminando, eles se trocaram e foram para a piscina. Castle acabou por convencer a médica a não cozinhar. O almoço seria por sua conta. 
A manhã na piscina foi super agradável. As conversas, as risadas, as provocações. Beckett notara que aos poucos Paul se soltava. Quando Johanna foi inspecionar o que Castle fazia proximo a churrasqueira, Beckett teve a oportunidade de ficar um momento a sós com o médico. 
— Sabe, Paul eu sei que não conversamos muito e pouco que sei sobre você foi Johanna ou Castle que me disseram. Contudo eu posso afirmar que está feliz. Acredite eu já fui pior que você em matéria de reclusão e na arte de esconder sentimentos. Você é um homem sensato, gosta de seguir regras, está acostumado com a rotina. Tem muito de mim em você, por isso capto suas emoções - ele sorriu. 
— Somos mesmo parecidos? 
— Um pouco, não em tudo. 
— Tem razão, Joh me deixa feliz. Estar ao lado dela como amigo era muito importante e gratificante. Enfrentamos algumas batalhas, mas poder ser mais que o médico amigo, o conselheiro é melhor ainda. 
— Você quer dizer ser o homem que ela ama. Ela me contou - Beckett disse ao ver a cara intrigada de Paul - não se preocupe, ela não fala de outras intimidades de vocês e não sou tão curiosa e sem noção como meu marido. 
— Sei que não - eles riram - Joh é uma pessoa muito especial. Demais. Não vejo a hora de tê-la 100% comigo, 24 horas do dia. Estou ansioso para essa viagem. 
— Se gosta tanto da companhia dela, podiam morar juntos. Não é uma opção? - Beckett estava claramente jogando verde para colher maduro. 
— Claro que é, porém tem Audrey. Joh não quer prejudica-la nem evita-la. Eu respeito a atitude dela como mãe, não pode simplesmente mudar a vida da garota por sua causa, não é justo e não gostaria de coloca-la em uma situação como essa. 
— Entendi perfeitamente. Um dos meus maiores desafios foi não interferir na relação de Castle com Alexis quando decidimos ficar juntos. Não é tarefa fácil, até hoje não me convenci se fiz o suficiente. Não podemos agradar todo mundo e no meu caso, mesmo ela não tendo a mãe sempre consigo, eu não me tornei uma pessoa querida, uma amiga. No fundo, serei sempre a pessoa que invadiu a vida do pai dela convidando-o a fazer loucuras - ela suspirou - acho que o que quero dizer é não tenha Audrey como uma inimiga, mas não espere que aceite tudo o que você faz por Johanna ou reconheça. 
— Somos parecidos mesmo, não? - Paul a fez rir - vamos mudar de assunto porque o assunto chegou. 
— Acho que vou deixar vocês falando mais um pouquinho da minha pessoa, sei que são muitos elogios. 
— Paul, acredito que sua namorada está andando muito com Castle - da churrasqueira, ele ouviu e retrucou. 
— Johanna, não incentive Beckett. Ela pode falar horas incansavelmente sobre mim - eles gargalharam. 
O resto do dia foi divertido, eles comeram, beberam, aproveitaram a piscina e terminaram o fim de semana em grande estilo. À noite, Castle estava no quarto escovando os dentes apenas com a calça de moletom. Beckett escovava os cabelos para dormir. De repente, ele terminou o que fazia e ficou observando-a pelo espelho. Ela notou. 
— O que foi? 
— Você gosta do meu corpo, Beckett? - ela ergueu a sobrancelha - é sério! Você se sente atraída por mim? 
— Que pergunta boba! Você sabe que sim. Quer ganhar massagem no ego, escritor? - rindo ela escorou seu corpo no dele como podia e deslizava as mãos pelo tórax dele, acariciando. 
— Eu só quero saber. Vi o jeito que você olhou para Paul. Não gostei. Ele todo sarado, sem barriga e….- Castle sentiu a mão dela sobre os lábios. Beckett mordeu o ombro dele. 
— Pare. Paul é atraente para Johanna. Não vou negar que ele é bonito, mas ciúmes agora é tão sem significado, babe. Eu amo você, seu jeito, seu corpo, seu gosto. Sua maneira de pensar, de brincar. Eu nunca funcionaria com alguém como Paul. Ele é travado demais, sério demais. Não quero conversar comigo mesma numa relação - ela o virou para fita-la - deixe de bobagem, eu te amo - sorveu seus lábios. Beliscou a barriga dele - eu adoro meu travesseiro particular. Mas se quiser perder uns quilinhos, não vou reclamar. 
— Você acabou de dizer que gosta de mim do jeito que eu sou. Por que está me dizendo para perder peso? - ela riu. 

— Alguém não gosta quando prova do próprio veneno da implicância… estou brincando, mas poderia comer mais salada e menos bacon… - ao ver a cara de desgosto do marido, ela riu. Puxou-o na direção da cama - vem cá, eu sei como resolver seu problema, bonitão - beijou-o com vontade fazendo a calça que vestia ir ao chão.  


Continua....

quinta-feira, 15 de junho de 2017

[Stanathan] Kiss and Don't Tell - Cap.114


Nota da Autora: Apesar de estar atrasada na minha timeline, eu decidi postar esse capitulo porque não era justo com as minhas leitoras. Tem um pouco de tudo. Saudades, maternidade, para quem amou novo encontro de irmãs e um pouco de tensão, afinal vamos reconhecer que nem tudo são flores. Problemas fazem a vida mais interessante.... O capitulo está grande e já me desculpo pelo final, because of the reasons! Hahaha! Enjoy! 


Cap.114  

Stana ainda estava se acostumando à nova rotina sem Nathan. A primeira semana mostrou a ela o quanto sentia falta do marido especialmente na hora de dormir. Usava uma camiseta dele próximo ao seu travesseiro porque sentir o seu cheiro ajudava. As ligações eram diárias,  contudo a maioria era corrida afinal Nathan estava se adaptando ao novo ambiente de trabalho. O cronograma apertado de filmagens também tinha sua parcela de culpa nisso.  
Era quinta-feira e ela não iria trabalhar, era seu dia de folga. Tinha uma externa para gravar amanhã apenas. Dona Cookie havia arrumado o tapetinho para Katherine ficar acomodada com os brinquedos enquanto preparava o almoço. Stana observava a filha que estava distraída brincando com um elefantinho de pelúcia. A atenção da menina mudava de brinquedo para brinquedo. Uma bola cor de rosa que Kate estava segurando, rolou para longe. De repente, a pequena começou a se arrastar no tapete encolhendo as perninhas. 
No instante seguinte, ela estava engatinhando rumo a bola. Cookie foi quem primeiro notou a novidade.Impressionada, ela chamou por Stana que acabara se distraindo com o script de Absentia. 
— Stana, corre aqui. Você precisa ver essa cena.   
— O que foi, dona Cookie? - a sogra apenas apontou para onde Katherine estava. A mãe levou a mão à boca na mesma hora, surpresa - ela está…
— Sim, ela está engatinhando. Pegue seu celular, querida. Precisamos registrar isso. Ela está indo em direção à bola - Stana correu para pegar o celular começando a filmar os movimentos da filha. O sorriso não saia de seus lábios.
— Nate vai amar isso. Tenho certeza. Katie, olha para a mamãe - a menina virou-se procurando por Stana - vem cá, meu amor. Vem com a mamãe… - Kate começou a engatinhar em direção à mãe. Era muito fofo ver o bumbum arrebitado e as coxas grossas se movendo. Sim, ela herdara do pai, o que Stana achava lindo e ficava ainda maior com a fralda descartável. A menina chegou até onde a mãe estava e pediu colo. Ela parou de gravar e ergueu a filha do chão. 
— Você engatinhou, meu amor. Daddy vai ficar orgulhoso. Vamos mandar o video para o nosso daddy babão? - Stana encheu a menina de beijos fazendo-a gargalhar gostoso. Cookie observava a cena encantada com o jeito da nora. Ela era uma mãe incrível. Terminando de paparicar a filha, ela mandou uma mensagem e o video para Nathan. Imaginava que ele veria de imediato e ligaria. Esperou uns quinze minutos e a resposta não veio. Um pouco desapontada, ela subiu as escadas para trocar a fralda de Katherine e lhe dar um banho. 
Nathan estava gravando. Não percebeu as mensagens e o video que Stana enviara porque seu celular ficara no camarim improvisado no seu trailer. Apenas uma hora depois de uma sequencia de três cenas, ele teve um pequeno intervalo de quinze minutos para usar o banheiro e tomar um café antes de gravar novamente. Por hábito, ele checou o celular. Ao ver o codinome “gorgeous” em sua tela, abriu a mensagem “Hey, babe. Tenho uma surpresa para você.Assista o video e me ligue. XS.” Curioso, ele logo pensou que era uma brincadeira sexy da esposa. A saudade mexia com os dois. Clicou no link. A voz de Stana ao fundo fez seu coração derreter diante da imagem. Seu bebê, sua pequena Katherine estava engatinhando. Ria feito bobo ao admirar as perninhas grossas ainda desajeitadas movimentando-se e arrebitando ainda mais o bumbum que a esposa fazia questão de atribuir a sua genética. Stana chamava pela filha que sorria indo em direção a mãe.
Nathan tinha lágrimas nos olhos. Katherine era um verdadeiro milagre em suas vidas. Muitas vezes se pegava pensando em como ele e Stana superaram todos os obstáculos que encontraram e geraram uma menina tao linda. Claro, a mãe era beleza pura, mas a concepção, a jornada. A filha deles era um ato de amor, o resultado, o fruto de um sentimento profundo e incrível que ele não esperava experimentar na vida e mesmo assim, acontecera. 
Ele ligou para a esposa. No segundo toque ela atendeu. 
— Hey, você estava ocupado? 
— Sim, filmando. Acabei de ver o video. Oh, Stana… como eu pude perder isso? - ela reparou no brilho dos olhos azuis devido as lágrimas. 
— Você não perdeu, babe. Por isso mandei o video. Ela vai engatinhar para você. Katie, vem cá. É o daddy, meu amor - Stana virou a câmera para que o marido pudesse observar a filha movimentando-se. Ele chamava pela menina. 
— Katie, é o daddy… estou com saudades da minha princesinha - a pequena prestava atenção à voz indo em direção ao celular. Procurava pelo pai. Ela riu vendo o rosto de Nathan. 
— Dadada… - sentou-se na frente do telefone e bateu palminhas. Stana ficou impressionada. 
— Ela já bateu palmas antes? 
— Não! É a primeira vez. E vejo que você aprendeu a chamar por mim, Kate. Isso eu venho praticando com ela. Wow! É maravilhoso, Staninha - ele ouviu alguém bater na porta do seu trailer - preciso ir, meus amores. Joga beijo para o daddy. Você também, amor - a pequena encostou o rosto no celular como se beijasse o pai. Stana riu e pegou o aparelho todo babado. 
— Se cuida, babe. Estou com saudades. Liga mais tarde. Eu te amo. 
— Também te amo, Staninha. 
Assim que terminou as filmagens do dia, Nathan recusou um convite de Ryan para beber alegando cansaço. Deixariam para outra ocasião. Pegando suas coisas, ele seguiu para o único lugar onde tinha privacidade para falar com a esposa. O quarto de hotel onde ele residiria  pelos próximos três meses. Primeiro tomou um banho para espantar parte do cansaço e da dor nos músculos devido ao esforço do dia. Em seguida, ordenou um filé com legumes para jantar e meia garrafa de vinho tinto. Devidamente relaxado, após o jantar sentado na cama e com uma taça de um delicioso shiraz na mão, ele pegou o celular e tornou a ligar para a esposa. Ao ver a ligação ser atendida estranhou o ambiente escuro.  
— Stana? - aos poucos sua visão foi se acostumando e pode notar o que acontecia.  
— Hey, babe...- ela sussurrava - não fale nada, ela está quase dormindo - sentada na cama, Stana tinha o peito exposto, o roupão apenas sobre os ombros. Katherine estava deitada em seu colo mamando em seu seio. Os cabelos agora escuros contrastando com a pele alva. Ela acariciava a cabeça da menina que tinha os olhos fechados. Nathan suspirou diante da imagem. Sua esposa era a definição da perfeição, com a filha nos braços era algo sublime. De repente, ele viu a pequena soltar do seio da mãe dando um gemido de satisfação de olhos fechados literalmente esparramada no colo da mãe. Stana beijou a testa da menina e acomodou-a ao seu lado na cama. Pegou o celular.  
— Desculpa, Nate. Você espera eu colocá-la no berço?  
— Claro - Stana ergueu-se da cama levando a menina em seu colo. Cinco minutos depois, ela reapareceu.  
— Pronto, agora somos só eu e você.  
— Eu estava gostando de apreciar meus dois amores. Stana, você tem noção de quanto é perfeita? Como mulher, como mãe... e-eu não consigo entender o que fiz para merecer você.  
— Como não? Nossa história, nosso relacionamento todo evoluiu por sua causa. Quando eu estava fraca e insegurança, você me fez forte. Pare de me elogiar porque tenho muitos defeitos.  
— E eu amo todos eles. Inclusive o ciúme - ela riu - estou com saudades, amor.  
— Eu também. Como está o trabalho?  
— Muito bem, estamos à frente do cronograma. Alguns dias são cansativos, outros bem divertidos. É apenas nossa segunda semana. Outro dia Ryan me convidou para tomar uma cerveja depois do trabalho, aliás fez isso hoje e eu recusei porque queria falar com você. Estávamos conversando sobre a vida, encontrar alguém e querer a calmaria. Ele me perguntou se eu não me sinto sozinho, se não quero algo constante na minha vida e comentou que reparou no meu jeito. Disse que não era mais aquele cara galanteador que deixava as mulheres suspirando. Eu não sabia o que dizer!  
— Mas você teve que dar uma resposta, não?  
— Sim, eu disse que estava dando um tempo de relacionamentos. Acredita que ele me perguntou se eu gostava de Michelle e se ela seria a pessoa que eu me casaria quando achasse que estava na hora? - ela riu.  
— Sabe, isso não é tão difícil de imaginar. Ela está sempre com você, envolvida em sua vida profissional há anos. Nem sei como você conseguiu mantê-la longe de tudo por tanto tempo, ela nem desconfia da nossa relação. Eu não conseguiria.  
— Venho pensando sobre isso. Não acho justo com ela, amor. Você não ficou chateada com o comentário de Ryan? Com ciúmes? 
— Não. Michelle é como uma irmã para você, Nate. Sei que ela se preocupa e cuida de você. E gostei de saber que você só usa seu charme comigo.  
— Você merece, Staninha. E como vai Absentia?  
— No ritmo final. Acredito que bem antes de você voltar para o Natal, terminamos. Estão falando na próxima semana. Deus, Nate! Nunca pensei que fosse tão difícil ficar longe de você. Se passaram apenas duas semanas e eu já conto os dias para você voltar. Sua mãe é incrível, uma excelente companhia só que... droga! Eu detesto essa abstinência! Preciso de você. Sei que não é a mesma coisa, mas fale comigo, Nate. Por favor, me deixe experimentar um pouco de loucura.  
— Abra esse roupão outra vez, Stana - ela obedeceu - imagine que eu estou tocando sua pele. Meus dedos deslizando sobre a maciez dela, o polegar rodeando os mamilos. Faça isso, Stana. Faça o que estou mandando, imagine o meu toque. Vamos... - ela deslizou a mão pela própria pele tocando o colo, os seios, exatamente como ele dizia. A voz de Nathan a guiava como um mestre fazendo-a explorar seu próprio corpo da maneira que ele gostava de agir. Os primeiros arrepios subiam pela sua espinha, um gemido escapou de seus lábios.  
— Isso, Staninha... continue, fale o que está sentindo. 
— Calor... desejo... quero mais. Você está me deixando excitada.  
— Ótimo. Então é hora de tirar a calcinha  - Stana novamente seguiu o que o marido dizia, ao ficar completamente nua, Nathan percebeu o gemido em antecipação ao que viria - quero ver sua mão entre as suas pernas, exatamente do jeito que eu faço todas as vezes para lhe dar prazer - ele observava a forma como Stana se tocava. O rubor em seu rosto e os gemidos estavam deixando-o louco. Ele também sentia muita falta de estar com ela. Sua voz foi tornando-se mais fraca e rouca o que só fazia Stana chegar mais perto do orgasmo. Minutos depois, ela sucumbiu ao orgasmo. Não era a única que estava sem fôlego. Nathan tentava se controlar ao máximo para finalizar a conversa. A expressão no rosto, porém demonstrava que era tarde demais. Ambos ficaram calados por alguns minutos, então Stana comentou.  
— Por que você faz isso, Nate? Só aumentou a minha vontade de fazer amor com você.  
— Você pediu. Acho que ajudei a saciar um pouquinho essa vontade não?  
— Sim, ajudou mas não é a mesma coisa. Não é você.  
— Eu sei, amor. Acredite, eu sei muito bem.  
— Nate? Você não consegue se programar para passar um fim de semana aqui? Dois dias apenas, por favor. Acredito que na próxima semana as filmagens de Absentia acabam. Talvez tenha que voltar no fim do mês apenas para refazer alguns takes, irá depender da edição.  
— Eu verei o que posso fazer. Durma bem, amor. Amo você.  
— Eu também. Sonha comigo. 
— Isso é bem fácil - ela jogou um beijo para o marido. Desligou. Levantou-se da cama e foi até o banheiro. Depois dessa experiência, ela precisava de um banho gelado. O mesmo acontecia a quilômetros de distância com Nathan.  

XXXXXXX

Jeff resolveu fazer uma visita a Gigi em seu escritório naquela sexta-feira. Era a sua chance de chegar a desconfiança incômoda que o perturbava nos últimos dias. Não por Gigi. Conhecia muito bem sua esposa e talvez nem mesmo ela tivesse se tocado do que acontecia. Ninguém tirava da cabeça de Jeff que havia alguém querendo cantar de galo no seu terreno.  
Por volta da uma da tarde, ele apareceu de surpresa procurando por ela. Um dos jovens o reconheceu e veio logo o cumprimentar.  
— Oi, Jeff! Está procurando por Gigi? Ela está na sala de reunião atualizando o cronograma do projeto.  
— Ela está sozinha?  
— Acho que sim ou Marcus está com ela. Ele é o estagiário de arquitetura que a ajuda com o CAD. Vem, levo você até lá - o rapaz girou Jeff até a sala de reunião onde Gigi estava. 
— Ela não foi para a loja hoje? 
— Não, está desde cedo no escritório. não sei se ela pretende ir a loja - entrando na sala, o rapaz se dirigiu a ela — hey, Gigi, você tem… 
— Ralph, eu disse que não queria ser incomodada. Estou muito ocupada. Quem quer que seja vai ter que marcar hora para a próxima semana. 
— Tem certeza? É uma visita muito especial… - Jeff apareceu na sala, ela virou-se pronta para dar uma bronca no rapaz quando viu o marido de pé a olhando. 
— Jeff! - o sorriso despontou - o que faz aqui? 
— Hey, Gi. Vim te buscar para almoçar, mas se estiver muito ocupada eu… - ela já estava de pé próximo a ele.
— Para você, tenho todo o tempo do mundo - ela inclinou-se e beijou-lhe os lábios - rapazes, estou na minha hora de almoço. Tirem uma hora e depois voltem aqui e concluam as atividades. Quando eu voltar, farei os ajustes necessários. Vamos, amor - saiu puxando Jeff pela mão - nossa! Estou feliz com a surpresa. Você quase nunca vem ao meu escritório e ainda para me levar para almoçar! O que vamos comer, gostoso? Ou sua ideia de “almoço” é outra? - Jeff teve que rir. 
— Não, Gi. Nós vamos realmente almoçar. Que tal sushi? É rápido e sobra um tempo para nós namorarmos. 
— Eu não tenho somente uma hora, amor. 
— Mas eu não quero atrapalhar seu trabalho. 
— Tudo bem, sushi e amassos. Parece uma ótima combinação.  
No restaurante, eles conversavam um pouco sobre o projeto de Gigi. Jeff encontrou sua oportunidade para sondar porque ela não havia ido para a loja. 
— Nem sabia se ia te encontrar no escritorio. Foi um tiro no escuro. Achei que ia estar na loja.  
— Eu vim direto para o escritório porque precisava atualizar umas documentações, plantas, o cronograma do projeto de forma geral. Estamos avançados. Por que não me ligou? 
— Se ligasse não seria surpresa. 
— Eu gosto quando você faz isso - ela se aproximou dele roubando-lhe um beijo - na verdade, eu queria que você visse como a loja está ficando. Podemos ir até lá na semana que vem. 
— Talvez… - Jeff sorria, conseguira a abertura que queria. 
— Você tem noticias do seu irmão? Eu não falei mais com a sis, acho que ela anda bem triste. Vou ligar para ela… o que acha de fazermos uma visita hoje? Assim podemos jantar por lá, comer os quitutes de dona Cookie. 
— Não falei com o mano, mas mamãe me ligou ontem. Disse que ele está bem, porém você tem razão, ela comentou que Stana está solitária. 
— Então vamos visita-la. Eu também estou com saudades da minha fofinha. Sei que não deve estar sendo fácil para Stana. Aqueles dois são muito grudados. Como nós. Detesto ficar muito tempo longe de você. 
— Eu sei - Jeff beijou-a outra vez. Estava satisfeito por estar saboreando um almoço gostoso ao lado da esposa e sem qualquer sinal do tal cliente. Não que isso acabasse com as suas desconfianças. Ele certamente iria aproveitar o convite de Gigi para ver a loja e testar pessoalmente como essa interação de cliente/arquiteta acontecia. Por hora, decidiu ficar com o momento descontraído ao lado da esposa. Terminado o almoço, eles acabaram ficando uma meia hora dentro do carro na garagem do prédio onde Gigi trabalhava curtindo um bom amasso. Por muito pouco não fizeram ali mesmo no carro. Ofegante, Gigi o fitou. Os olhos cheios de desejo. 
— Eu juro que se não tivesse tanta coisa para finalizar no meu projeto hoje, eu arrancava suas roupas no primeiro quarto que encontrasse. Ou banheiro. Qualquer lugar fechado. 
— Ah, minha Gi… a ideia é tentadora, mas preciso trabalhar. Guarde essa empolgação para mais tarde - ela mordiscou o lóbulo da orelha dele, sorveu seus lábios mais uma vez em um beijo sensual e finalmente saiu de seu colo. Respirou fundo, ajeitou os cabelos e a roupa, retocou o batom. 
— Acho que estou apresentável outra vez - suspirou - vejo você mais tarde, gostoso - ela saiu do carro - ah! ligue para a sogrinha avisando que vamos até a casa de Stana para ela cozinhar o suficiente para todos nós. 
— Tudo bem, eu ligo. Não vá trabalhar muito. Nada de chegar tarde, viu? 
— Prometo - ela saiu correndo em direção ao elevador. Foi a vez de Jeff recostar a cabeça no encosto do carro e suspirar. Essa mulher era a sua perdição. 
Eram seis da tarde quando Gigi chegara em casa toda serelepe carregando um buque enorme de rosas vermelhas. Encontrou Jeff sentado no sofá vestido casualmente, de cabelos molhados, pronto para sair e jantar com a mãe. Ao vê-lo com uma camiseta e jeans, Gigi abriu o sorriso. Nem se preocupou em deixar o buque sobre a mesa, aproximou-se logo dele sentindo o cheiro do perfume amadeirado. 
— Hey, amor… você está um gato! Irresistível. E esse perfume… hum…. - ela cheirou o pescoço dele, mas Jeff a afastou fitando as flores. 
— O que é isso? Quem te deu essas flores? 
— Ah, foi o Steve. Eu acabei indo até a loja no fim da tarde entregar a planta baixa e o cronograma atualizado do projeto. Terminamos a fase 2 com duas semanas de antecedência, não é o máximo? Ele ficou tão surpreso e satisfeito que me deu esse buque. Sinto que estou com um pezinho no meu titulo de sócia, Jeff. 
— Então, ele lhe entregou flores pelo seu trabalho? Veio com algum cartão? 
— Sim, buques normalmente vem - ela o olhou desconfiada - o que foi, Jeff? Tem alguma coisa que você não está me contando? 
— Eu só perguntei do cartão. Vai me deixar ver? 
— Claro… - ela estendeu o pequeno cartão para o marido, continuava observando os gestos dele. Jeff abriu o pedaço de papel e leu “para a talentosa e eficiente Gigi. Você inspira a todos e transforma qualquer projeto em uma obra de arte. Essas flores não lhe fazem justiça, são apenas um pequeno gesto da minha admiração. Steve.” diante do que lera, ele não teve dúvidas que suas suspeitas estavam corretas. Gigi também desconfiou pela linguagem corporal do marido ao ler o cartão o que poderia estar acontecendo - você está com ciúmes, gostoso? - a forma como ela perguntara isso era divertida. 
— Não… - Jeff negou embora não tivesse sendo bastante convincente. 
— Jeff, eu conheço você… 
— Tudo bem. Sim, eu estou com ciúmes. Um outro cara lhe deu flores! E esse cartão meloso? Segundas intenções! 
— Não é nada disso. Foi um gesto de agradecimento. Totalmente profissional. 
— Profissional? Essas flores não lhe fazem justiça? Isso soa como uma cantada para mim, Kristina. 
— Jeff, quer parar? Você está chateado porque eu recebi flores de outro homem. Para sua informação, o gesto não é a mesma coisa do que me convidar para ir para cama. 
— O que? Ele já deu a entender isso? Você é minha, Kristina! 
— Quer parar de me chamar de Kristina? Não aconteceu nada. Você está imaginando coisas. Eu não quero brigar, Jeff. E eu não tenho qualquer interesse em outro homem a não ser você então que tal parar com essa crise de ciúmes boba e me dar um beijo? - ela colocou as flores sobre a mesinha de centro da sala - não quero estragar a nossa noite… 
Ele olhava para a esposa. Sabia que ela falara a verdade. Droga! Não podia perder a razão. Mesmo sabendo que o gesto era uma espécie de marcação de território e que Gigi ainda não percebera as intenções do tal Steve, ele não queria brigar, não queria deixar um clima ruim entre os dois. Passou as mãos nos cabelos. 
— Desculpe, é só que a ideia de um outro homem… - ela colocou o indicador sobre seus lábios impedindo-o de continuar. 
— Shhh… tudo bem, gostoso. Eu já disse que sou sua… - ela o beijou. Esfregando as mãos pelo peito dele, Gigi se demorava sorvendo os lábios do marido - você me deixa excitada quando fica com esse ar de possessão e ciúmes. Não me interessam as flores, gostoso. Prefiro mil vezes fazer amor com você. 
— Gi, isso é tentador, mas prometi a mamãe que estaríamos lá às sete…. - ela checou o relógio. 
— São seis e quinze… você sabe que conseguimos fazer maravilhas em quinze minutos. Ainda podemos chegar em tempo. Vem cá, você me provocou, Jeff… - ela o empurrou no sofá perdendo as roupas em tempo recorde. Jeff já abrira a calça mostrando o quanto estava pronto para ela. 
Foram os quinze minutos mais prazerosos que tiveram a semana inteira. Devidamente recuperados, eles saíram de casa. 
Ao chegar na casa em Studio City, Gigi foi logo abraçando a irmã e tascando um beijo estalado na bochecha da sogra. 
— Que saudade, sogrinha! - ela não largava Cookie abraçada a ela e beijando a sogra. Jeff ria do jeito da esposa - e cadê minha fofinha? 
— Deve acordar logo. Está na hora de jantar. Está cheia de novidades. Ela engatinhou ontem. 
— Jura? Eu quero ver… foi só uma tentativa ou ela realmente aprendeu? 
— Aprendeu e sozinha. Tomei um susto quando vi. Vou mostrar o video que gravei para o Nate. 
— Ele deve estar chateado por perder isso. 
— Não, ela engatinhou para ele e ainda o chamou de “dada”. Ah! Está batendo palmas também - Stana falava orgulhosa. Pegou o celular para Gigi ver a filmagem. 
— Só assim para ela largar da minha mãe - Jeff implicou. Beijou a mãe. 
— Deixe de ser implicante, gostoso. Esse é o papel do Nathan. Meu Deus! Que coisa mais fofa! Olha essas perninhas… ah, sis, ela é linda e pegou a genética, não? Preciso vê-la fazer isso - um chorinho surgiu na sala - Katherine acordou. Vou busca-la - subia rapidamente as escadas.  
— Veja se precisa trocar a fralda - lembrou Stana - já posso esperar pelo grito se isso acontecer. Eu devia deixar ela se virar. Afinal precisa treinar. 
— Stana se você falar isso para Gigi, ela vai dizer que treina muito. 
— Não foi nesse sentido, Jeff - ela ria do cunhado que ficava vermelho mesmo quando tirava uma brincadeira - ela ainda está trabalhando muito? 
— Sim, segundo Gigi está adiantada no projeto. 
— Sis! Vem aqui! - Stana trocou um olhar com a sogra e subiu as escadas. Quando retornaram para a sala, a irmã se ocupou com a sobrinha. Além de sentar-se ao lado da menina, ela passou a brincar levando a bola ou outros brinquedos para que Katherine a seguisse e engatinhasse. Gigi estava fascinada. A segunda missão da noite foi persuadir a pequena a falar seu nome. Katherine estava sentada mordendo um dos bichinhos de plástico. De frente para ela, Gigi sorria e conversava. 
— Vamos, Kate. Está na hora de dizer o nome da dinda. Repita comigo “Gigi”. Vamos, meu amor: “Gigi” - a menina olhava atenta para a tia enquanto ela repetia várias vezes até que finalmente largou o brinquedo e se pronunciou. 
— Dada…dada…
— Não, Kate. É Gigi. Gigi. 
— Dada…dada… - e batia palmas. 
— Ah, você fica linda batendo palmas, mas é Gigi. 
— No! Dada…dada… 
— O Nathan enfeitiçou essa menina, só pode. Meu nome é tão fácil! - ela continuou tentando absorta no mundo de bebês ao lado da irmã. Jeff observava o jeito da esposa sorrindo. Olhando para a mãe, comentou. 
— Eu estava certo. Sobre o cliente. Ele está querendo algo mais com Gigi. Deu a ela um buque de flores parabenizando pelo desempenho no projeto. Nós quase brigamos por causa disso. 
— Filho, você confia em Gigi? - dona Cookie fora direto ao ponto. A resposta de Jeff foi imediata.
— Claro que sim, minha Gi é louca por mim, ela me ama. É no cara que não confio. 
— Gigi sabe se cuidar, Jeff. Ela é esperta e não leva desaforo para casa. 
— Ela não percebeu as intenções do cliente. Acho que está tão concentrada no trabalho que não percebeu. Estava lá, na mensagem do cartão, o tipo de agradecimento que sugere outra coisa. Eu quero ver com meus próprios olhos como ele age perto dela. 
— Tenha cuidado, Jeff. Não faça nada que vá se arrepender. Controle esse ciúme, filho. Você não gosta de briga, não é seu estilo. 
— Eu sei, mãe. Gigi me deixa assim. Não quero dividi-la com ninguém.
Enquanto isso, as irmãs conversavam entre si. A curiosidade de Gigi era grande em saber como andavam as coisas entre Stana e Nathan. Já iam para a terceira semana separados. 
— Como você está, sis? Está aguentando a ausência do meu cunhado? 
— É bem complicado, Gigi. A forma como nós nos acostumamos com o relacionamento acaba por dificultar tudo. Eu me acostumei a tê-lo ao meu lado sempre. Nós nos falamos quase todos os dias. Mesmo tentando agitar a ligação, simular você sabe, a coisa de outra maneira, não é igual. Chega a ser frustrante saber que você não pode abraçar o outro, sentir seus lábios. 
— Ah, sexo por telefone pode ser divertido uma vez ou outra, mas nem chega perto do sexo real. Fazer amor, estar um nos braços do outro. Eu sei que é difícil. Se uma semana para mim é um caos, nem quero imaginar o que serão meses. 
— Nem me lembre! Eu pedi para ele tentar vir um fim de semana. Por enquanto, eu ainda estou ocupada, contudo as filmagens de Absentia terminam na próxima semana. Quando eu ficar mais tempo em casa será ainda mais difícil. 
— Oh, sis - Gigi abraçou a irmã em sinal de compaixão - sinto muito. Ele falou se é possível vir lhe visitar? 
— Disse que ia ver a possibilidade. Não tive resposta. 
— Sabe, se quiser dar uma chance a Outlander… que o Jeff nao me ouça. 
— Sério, Gigi. O que tem de tão interessante nessa série? 
— Tudo, sis. É muito boa. A personagem é incrível, a história, as cenas de sexo. É uma maneira de se ocupar. Bem interessante devo acrescentar - Stana riu - gostava quando o motivo dos ciúmes de Jeff eram apenas o ruivo… - o pensamento saiu espontaneamente, Stana ia perguntar da irmã se estava tudo bem, porém Gigi se distraiu com Kate brincando e conversando com a menina ao se aproximar de Jeff. 
— Quer encomendar um bebê para nós, amor? - Jeff provocou a esposa - você mesma já disse que está a um passo de se tornar sócia. 
— Jeff, não começa… - Gigi falou. Conhecendo a irmã, Stana tratou de mudar o rumo da conversa. 
— Já? Terminou o seu projeto, sis? 
— Ainda não. Estou adiantada e Steve está muito satisfeito. Tenho certeza que irá falar bem de mim para o meu superior. 
— Não tenho dúvidas disso, por ele você já é sócia - disse Jeff. Gigi notou o sarcasmo no comentário do marido. Olhou-o intensamente dando-lhe um um pequeno aviso. 
— Jeff… - Stana percebeu o clima estranho e trocou um olhar com a sogra que confirmou silenciosamente as suspeitas de ciúmes do cunhado. Ela, outra vez, mudou o foco. 
— Nem acredito que estou prestes a finalizar Absentia. Mais uma semana e terei que esperar pela estreia. 
— Quando será afinal? Março mesmo, Stana? - perguntou Jeff. 
— Sim, ao que tudo indica. 
— E o mano? Como está? Aposto que se acabando nos Ceasars - Stana riu. 
— Ótimo! Não fosse a saudade de mim… ele está se divertindo. Não é fácil ficar longe - dona Cookie chamou a atenção deles para a mesa. Sentaram-se para jantar e o clima de família reinou. 
Mais tarde, antes deles irem embora, Stana aproveitou que Jeff estava com Katherine para conversar com a irmã. 
— Sis, acho que estamos precisando de outro almoço. Você está com problemas? Com Jeff? Eu entendi o sarcasmo. 
— Ah, sis… e-eu não sei. Acho que é bobagem dele, mas… 
— Não acho prudente conversar aqui com ele por perto. Pode arranjar umas duas horas amanhã para almoçarmos? É sábado. Tenho certeza que dona Cookie não se importa de ficar com Katherine. 
— Eu diria que acho possível, ele não vai se importar de eu sair com você. Por outro lado, eu devia aproveitar o fim de semana para me dedicar um pouco ao meu marido. Esse sarcasmo também está relacionado com carência. O trabalho vem tomando boa parte do meu tempo. Que tal no meio da semana? Quando você puder. 
— Terça? 
— Combinado. Só faça o convite em alto e bom tom. Assim ele fica ciente. Vai que acha que eu estou… deixa para lá - o comentário da irmã apenas atiçou a curiosidade de Stana um pouco mais. 
— Pode deixar, observe - ela caminhou até onde o cunhado estava, Katherine ao ver a mãe se jogou para o seu colo balbuciando algo para Jeff inteligível e se aconchegando no colo da mãe de modo a roçar a boca nos seios de Stana - ela quer mamar, sabe que é hora. 
— Nós já vamos também - disse Jeff vendo Gigi mordiscar o pé da sobrinha e logo em seguida colocar a mão na cintura do marido. 
— Sis, podemos almoçar juntas na terça? Com essa história de estar longe do Nathan, eu realmente preciso conversar com alguém. E não posso desabafar com qualquer pessoa. 
— Terça está bom. Eu estou a frente com o projeto. Assim tenho o fim de semana pro meu maridinho gostoso… - ela beliscou o traseiro de Jeff. 
— Aproveita porque você pode. Você também, Jeff. Lembre-se do quanto eu e seu irmão gostaríamos de estar na situação de vocês - apenas o comentário de Stana já fez Jeff ficar envergonhado. Gigi segurou o riso. Sabia que a irmã estava alfinetando o cunhado de forma sutil. Ela se aproximou da sogra e beijou-a várias vezes. 
— Como sinto sua falta, sogrinha. Pode fazer uma carne assada daquelas especial para mim? 
— No domingo? 
— Não sei. Estaremos disponíveis no domingo, amor? - ela olhava para Jeff com uma cara safada. 
— Nós temos compromisso, o aniversário… esqueceu? 
— Ah, o aniversário… verdade. Pode ser uma noite dessas. Eu ligo para combinarmos - ela deu outro beijo em dona Cookie, outro em Stana, cheirou a cabecinha de Kate e voltou para o lado do marido. 
— Diga Gigi… vamos, Kate, para a dinda. Gigi… 
— Dada! - Gigi revirou os olhos. 
— É inútil! Jeff se despediu da mãe e da cunhada, fez um ultimo carinho na sobrinha e seguiram para casa. No meio do caminho, Gigi vira-se para fita-lo - que aniversário você estava falando? 
— Achei que tinha entendido que por aniversário, eu mentia descaradamente para não sairmos de casa. 
— Hum, foi o que eu pensei. Queria apenas confirmar - ela deixou a mão deslizar pela coxa dele, deslizando sorrateiramente até o meio das pernas e voltando para ficar sobre o joelho dele - sabe, podemos começar a comemoração de aniversário hoje e estende-la por todo o fim de semana - Jeff pisou no acelerador, não via a hora de chegar em casa - acho que isso é um sim - ela gargalhou. 
Não deu outra. Mal entraram em casa, as roupas foram se perdendo pelo chão, os braços se encontrando, as mãos explorando e as bocas colidindo em beijos intensos. Jeff claramente estava mandando uma mensagem com seus gestos. Gigi percebera, mas naquele instante, não estava interessada em questionar somente em aproveitar. De fato, não pensava em dormir cedo naquela noite. 

Segunda-feira 

Enquanto tomavam café, Jeff fingiu-se de bobo e acabou perguntando o que queria saber. 
— Você vai direto para o escritório, amor? 
— Sim, preciso fazer algumas conferências com fornecedores e checar uns pagamentos com o pessoal do financeiro. Por que? 
— Nada. Amanhã você já vai almoçar com Stana, então estava pensando em quando poderia ir a loja para ver o seu trabalho. Quarta? Podemos almoçar e depois ir até lá, prometo que limpo minha agenda. 
— Quarta é um bom dia. Eu confirmo para você. Preciso ir, não quero chegar atrasada. Esse fornecedor europeu é bem chatinho - ela deu um beijo no marido e subiu as escadas correndo. Cinco minutos depois, ela saia de casa. 
Os planos de Jeff acabaram por não funcionar da maneira que gostaria. Após uma reunião com um dos seus clientes, ele recebeu a notícia de que precisaria ir a Nova York para uma visita a fim de verificar alguns detalhes de uma campainha na quarta. Para isso, viajaria na terça à noite e retornaria na sexta-feira à tarde. Gigi não ia gostar da notícia. 
À noite, ele a esperava com uma boa massa e um vinho merlot delicioso. 
— Hum… o que cheira tanto? 
— Oi, amor. O jantar está quase pronto. É o molho das almôndegas. Quer tomar banho antes? Assim eu espero você para fazer a massa - ele beijou-lhe os lábios - precisava caprichar essa noite, acredito não ter boas notícias. 
— O que aconteceu? - ela olhava franzindo a testa para o marido. 
— Acho que não vou conseguir cumprir meu plano da quarta. Eu soube hoje que preciso viajar para Nova York amanhã. 
— Ah, não! Mais uma semana? 
— Não, Gi. Volto na sexta à tarde. Iremos passar o fim de semana juntos. 
— Poxa, amanhã? Acho melhor eu cancelar o almoço com a sis para ficar com você. 
— Não tem necessidade, amor. Eu viajo à noite. Vá almoçar com a sua irmã, ela está precisando de você. É por isso que cozinhei para nós hoje. Vamos ter um jantar saboroso, beber, namorar e fazer amor. Está bom para você? 
— Perfeito. Eu já volto - ela subiu as escadas parecendo um furacão. Ao retornar para a sala, estava apenas de roupão. 
— Gi, você por acaso não vai colocar uma roupa? 
— Tenho roupas suficientes, meu Jeff. Estou tornando a coisa mais simples para nós. 
— Vo-você está nua? - os olhos azuis arregalados. Automaticamente sentiu uma pontada na virilha. 
— Não necessariamente. E pare de ter esses pensamentos na hora do jantar, eu estou com fome. Quero o meu fettuccine com almôndegas. Você está fazendo fettuccine, certo? Nada de espaguete.    
— Sim, Gi. Sua massa favorita. 
A noite a dois foi um sucesso. Jeff fez tudo o que prometera para a esposa e esperava que ao retornar não tivesse nenhuma surpresa. 

Terça-feira

Gigi encontrou a irmã em um pequeno bistrô próximo a Venice beach. Stana chegara primeiro e já saboreava um suco verde. Ela sentou-se de frente para a irmã. 
— Desculpe o atraso, Stana. Eu me enrolei com umas peças e acabei pegando muito trânsito. Você vai tomar essa gororoba? Achei que o momento pedisse álcool. Você não quer afogar as mágoas? Eu certamente preciso de uma boa taça de vinho. Não vai me dizer que eles não vendem isso aqui… 
— Vendem sim. Achei que você estava trabalhando. Não vai voltar para o escritório? Já pedi nossa comida. 
— Hoje não. Já são quase duas da tarde, daqui que almocemos, colocamos a conversa em dia, vai levar tempo. Se considerar só o tempo de deslocamento nesse trânsito chegarei lá às sete da noite. Além do mais, eu não estou com cabeça. 
— Eu estava certa, então. Você e Jeff estão com problemas. 
— Não! Quer dizer, não é bem problemas. Jeff está viajando hoje e só volta na sexta. Estou no mesmo barco que você agora. 
— Deixa de ser exagerada. Ele está aqui no fim de semana. Sua situação não é nem de longe igual a minha, pare de agir como se dependesse de sexo. Você não é uma ninfomaníaca. 
— Quem falou em sexo? Tivemos uma bela despedida ontem. Três vezes - ela ria - você tem razão, Jeff está…. eu não sei como dizer isso, mas acho que ele se sente ameaçado pelo meu cliente. 
— Como assim? 
— E-ele insinuou que eu dou muita atenção ao Steve. Outro dia eu cheguei em casa tarde do trabalho. Ele estava me esperando preocupado se eu tinha jantado, eu não liguei. Na verdade, eu errei porque acabei comendo na loja. Steve pediu comida chinesa. Jeff não gostou nada de saber que ele ficava até tarde comigo. Na opinião dele, o cara está lá somente por minha causa. 
— Ele tem razão para isso? Viu alguma coisa? Acredito que o comentário sarcástico daquela noite está relacionado com isso, não? 
— Sim, mas eu não fiz nada. Eu trato Steve como qualquer cliente. O problema é que esse projeto vem consumindo muito do meu tempo e perdi noção das horas. As vezes, tratava um assunto até tarde ao telefone com ele. Tudo trabalho. Naquela sexta em que fomos para sua casa, quase brigamos porque eu cheguei com um buque de flores. Steve me deu para agradecer por meu trabalho. Jeff viu segundas intenções no gesto. Implicou até com o cartão. E eu encontrei as flores no lixo na manhã de sábado, não falei nada para ele, mas me chateou. De verdade. Ele não confia em mim? Diz que sim, mas não pode falar o mesmo do meu cliente. 
— Gigi, posso fazer o papel de advogado do diabo? - a irmã deu de ombros - vocês são super ciumentos, melhor dizendo, possessivos. Quando Jeff vê a esposa dele recebendo agradinhos de outro homem, falando várias vezes com ele ao telefone. Usando o primeiro nome. Claro que vai pensar em segundas intenções. Não por sua causa. 
— Eu o chamava de Sr. Mackenzie, somente uso o primeiro nome porque Steve pediu para deixarmos de formalidades.  
— Bem conveniente, não? 
— O que? Você concorda com o Jeff? Acha que Steve está me cercando de alguma forma? - Gigi suspirou - sis, quanto você acha que é parecida com Jeff? Ele parece ser um homem inseguro? O lance do passado, de traição, será que isso causou alguma mudança no modo como ele enxerga um relacionamento? 
— Não acredito que Jeff seja inseguro. Pelo contrário, ele sabe bem o que quer e não duvida que é capaz de conquistar. Acho que o lance entre vocês é mais de ciúme e possessão. Se isso está ligado com o antigo relacionamento, eu não saberia dizer. Talvez possa perguntar a dona Cookie - nesses instante o celular de Gigi toca. Jeff. 
— Hey… já está no aeroporto? 
— Sim, vou embarcar em meia hora. Liguei para me despedir e dizer para se comportar na minha ausência. Nada de ficar trabalhando até tarde ou assistindo muita televisão. Você sabe do que estou falando… 
— Prometo que não vou. Queria dormir e acordar somente na sexta quando você voltar, assim não sentiria tanto sua falta. 
— Eu sei. Se cuida, Gi. Eu te amo. 
— Também amo você, gostoso. Boa viagem - ela desligou o telefone, fitava o nada por uns instantes. Ao se lembrar que não estava sozinha, retomou a conversa - É, talvez eu converse com a sogrinha. E-eu não sei o que fazer. No fundo, acho que essa viagem do Jeff veio em boa hora. Eu ia leva-lo à loja… 
— Gigi, seu marido conhece o Steve? Já se encontrou com ele? Melhor. Descreva o seu cliente para mim. 
— Ah, sei lá. Steve é um coroa charmoso, bem cuidado, porte atlético. Tem mais de 50 anos, mas pode passar por 45 facilmente. Grisalho, olhos verdes. Ele é bonito e simpático. Pouco me importa. E Jeff não o conheceu. Quer dizer, ele sabe qual a rede de lojas dele porque eu mostrei e… - ela reparou o olhar da irma - o que foi? 
— Não consegue enxergar? Se coloque no lugar de Jeff. Eu aposto cem dólares com você que não só Jeff sabe quem é o Steve, viu a foto dele e considera-o uma ameaça exatamente por tudo o que você falou. Na cabeça de Jeff, ele é o seu tipo. 
— Você não acredita nisso. Não pode achar que eu sequer tenha pensado nisso, você me conhece, sis! Isso é loucura!
— Mesmo? Você disse que ele é charmoso, bonito, deu detalhes de aparência. Não preciso somar 2+2 para imaginar os pensamentos de Jeff quanto ao assunto. Lembrando que estou fazendo o papel de advogado do diabo aqui outra vez. 
— Mas ele sabe que eu sou casada! Deixei isso claro desde o inicio. Uso aliança, o anel e a minha gota! - automaticamente levou a mão ao colar - Jeff sabe que levo isso à serio. Não tiro esse colar por nada. 
— Sabe mesmo? É uma joia. Jeff entende que você gosta muito dela. 
— Nao é uma joia, Stana. É o símbolo do nosso amor - Stana sorriu. 
— Talvez você devesse dizer isso a ele. Exatamente como disse para mim. 
— Ele sabe. 
— Será? Ele sabe que você o ama, confia na esposa. Mas, sis, homens pensam diferente de mulheres. Se quer um conselho, você deveria leva-lo à loja. Quando ele vir sua relação profissional com o Steve, vai se acalmar. Especialmente se você deixar claro para o rival de que não vive sem o seu marido. E fale para Jeff sobre tudo o que ele representa, a joia. Isso vai ajudar. 
— Vou pensar no assunto. Acho que preciso de outra taça de vinho antes de irmos. Não vou para casa agora. Quero falar com a sogrinha e ver minha Katherine, vai me ajudar a ficar mais calma. 
— Claro, sis. O que você precisar. 
Elas deixaram o restaurante juntas. Gigi seguiu o carro de Stana. Ao chegarem em casa, ela chamego um pouco com a sobrinha para depois se sentar ao lado da sogra que lia tranquila no sofá da sala. 
— Deu uma folga para o trabalho, minha filha? As vezes é bom. 
— É sim, o almoço com a sis foi bem proveitoso. 
— E vai ficar para o jantar? Meu filho vem para cá depois? 
— Jeff viajou hoje, dona Cookie. Trabalho de última hora. Eu adoraria jantar com vocês, detesto a ideia de ficar naquela casa sozinha. Tem mais uma coisa, sogrinha. Eu queria saber algo sobre o passado de Jeff. Sobre o noivado - Cookie fitava a nora intrigada apesar de ter uma ideia de onde essa conversa iria terminar - ele me contou que quase casou, foi traído. E-eu preciso saber. Meu Jeff era possessivo com a outra também? A experiência deixou alguma espécie de trauma nele? - a sogra sorriu. Acariciou o rosto da mulher a sua frente. 
— Isso tem a ver com a situação de ciúmes entre vocês, não? - a cara de espanto de Gigi dizia tudo - ah Gigi, eu sei. Conheço meu filho muito bem. Ele está incomodado. Vamos por parte. Respondendo a sua primeira pergunta. Traição não é algo simples de superar. Jeff não tem trauma, contudo não posso dizer que o medo não exista. Quanto a ser possessivo, não tem nada relacionado com a experiência anterior. É você, minha filha. Você o tocou de uma maneira que ele é dependente. Dai a possessão. Ele é louco por você, Gigi. É um sentimento tão forte que o deixa vulnerável ao ciúme. Jeff não é de perder o temperamento, de se irritar, mas ele não consegue se controlar ou se sentir bem com a ideia de você passar mais tempo com outro homem que não seja ele. 
— Ele disse isso? 
— Não com essas palavras, mas sim. Ele a ama demais, Gigi. E confia em você. 
— Eu também o amo. Não quero nada com Steve, ele é meu cliente. Não entendo porque Jeff sequer pensa que isso poderia acontecer. 
— Ele viu algo nesse tal de Steve que o deixou alerta - Gigi suspirou, se deixou escorrer no sofá e fechou os olhos. Dona Cookie a puxou para deitar em seu colo. 
— Droga! Eu sou louca por ele… acho que cabe a mim consertar tudo isso, não? Tirar essa impressão errada da cabeça dele. 
— Você sabe como convence-lo, Gigi. E vai conseguir. Por hora, você vai curtir um pouco do meu colo e depois vou preparar uma carne assada para nós. Será uma noite apenas para garotas. 
E de fato, o clima do jantar foi o melhor possível. Gigi sentiu-se mais calma e antes de ir para casa, agradeceu à irmã pelos conselhos. 

Sexta à tarde

Stana tinha chegado em casa por volta de meio-dia. As filmagens de Absentia estavam oficialmente encerradas. O diretor contudo disse que após a edição se encontrassem algo que precisava ser regravado ou de uma transcrição de audio, ele ligaria para ela. 
Após o almoço, dona Cookie disse que ia se deitar um pouco e Stana sentara-se no tapetinho de Katherine para brincar com a filha. Estava rindo e jogando a bola cor de rosa na direção da menina e se divertindo de costas para a porta. As gargalhadas de Katherine eram muito gostosas de se ouvir. Ela jogou a bola na direção da filha, porém a menina não parecia interessada como antes. De repente, se colocou em posição de engatinhar. 
— Dada…dada…
— Oh, meu amor, seu daddy está trabalhando. Não podemos ligar para ele agora. Talvez à noite e… - ela viu que a menina disparou engatinhando e repetindo “dada”, Stana se virou para ver aonde a filha estava indo e ficou boquiaberta diante do que viu. 
— Olá, minha princesinha. Parece que a mamãe está um pouco surpresa - Nathan pegou a filha nos braços, aproximou-se da esposa - hey, amor. Estou em casa - o sorriso no rosto de Stana iluminou-se. Ela levantou-se rapidamente jogando-se no corpo do marido passando seus braços no pescoço dele com cuidado para não machucar a filha em seu colo. 

— Você está em casa… - sorveu seus lábios com vontade.  

Continua...