quarta-feira, 16 de agosto de 2017

[Castle Fic] A (Im)Perfect Love Story - Cap.22


Nota da Autora: E o tempo está passando. Nesse capitulo temos casal Greys Anatomy, os futuros pais em conversa, encontro de amigas....está tudo muito tranquilo, não? Hora de jogar veneno (ops!) melhor dizendo angst! Isso mesmo se preparem para momentos tensos. Afinal é quase como uma final de temporada... cap. 22, sabe como é... Enjoy! 


Cap.22 

O mês de maio chegou e Beckett acabara de entrar em seu oitavo mês de gravidez. Tudo estava se encaminhando muito bem para a chegada de Lily. Em sua ultima consulta com Charlotte, a médica checou tudo sobre sua filha. Tamanho, peso, desenvolvimento. Perfeitos. Também reviu a potencial janela para o parto. Segundo suas estimativas, Beckett poderia entrar em trabalho de parto entre o dia 10 e 22 de junho. Claro que as datas podiam ser antecipadas. Beckett também reafirmou para a médica que queria ter parto normal e a cesariana somente seria uma opção se a criança corresse perigo.  
Com a proximidade do fim da gestação, obviamente as dores nas pernas, o inchaço e o peso incomodavam Beckett mais do que ela previra. Era sua primeira vez enfrentando o lado difícil da maternidade dessa fase ao menos, tentava se manter positiva e focar na chegada de Lily, porém o cansaço vinha lhe ganhando. Ele apenas perdia para a famosa teimosia de continuar trabalhando. Naquele fim de tarde ao deixar o distrito, Beckett estava calada. As dores nas pernas estavam intensas, latejavam. Castle sabia que ela estava sentindo algo. Esperou até chegarem em casa. 
Kate foi direto para o banheiro. Ele trocou de roupa para algo mais confortável. Ao voltar para o quarto, ele percebeu que ela estava caminhando bem devagar. 
— Você está com dor. 
— Apenas cansada - sentou-se na cama. 
— Kate, você está com dor. Ficou calada esse tempo todo porque não queria me preocupar. Vem, encoste-se na cabeceira da cama. Vou fazer uma massagem em seus pés, nas pernas e vamos coloca-los para cima. Elas estão inchadas, amor - ele foi para o banheiro. Voltou com o vidro de hidratante. Do closet retirou travesseiros extras para manter as pernas dela elevadas após massagea-las. Sentou-se na cama próximos aos pés dela. Começou a espalhar o creme e brincar com os dedos dela. 
À medida que ele tocava seus pés, a cada aperto ela relaxava um pouco mais. Ele sabia como fazer isso. As mãos de Castle iam e vinham em suas pernas, a pressão leve dos dedos causavam arrepios que percorriam sua pele e sua espinha. Como adorava o toque dele. A tensão nos ombros causada pela dor desaparecia devagar. Beckett escorou a cabeça na cabeceira fechando os olhos suspirando. Agora, ele beijava a perna dela. Ajeitou os travesseiros deixando as pernas dela elevadas. Ficou ao lado da esposa, acariciou seus braços. 
— Melhor? 
— Sim, você sabe que adoro suas massagens. E seu toque - ele inclinou-se beijando-lhe os lábios - Castle, eu estou ansiosa. Por Lily, para conhece-la. Três semanas. E-eu nunca pensei… ficar assim. 
— Ansiosa por conhecer sua filha? Nossa Lily? É perfeitamente normal, amor. Sabe, eu me lembrei daquele caso com o bebê Cosmo. Você estava apavorada com a possibilidade de cuidar de uma criança. Mal conseguia carrega-lo. Quase pânico - ela riu - trocar uma fralda? Nem pensar! Quero saber se está preparada agora - ele acariciou o rosto dela - claro que sim, está no seu olhar. Ansiedade por ter nossa pequena em seus braços. Eu nunca esqueci a promessa que fez para mim, que não deixaria eu criar nosso bebê sozinho. Está claro que não. Você irá trocar cada uma das fraldas se puder. 
— Conhecendo você? É capaz de apostar corrida para ver quem chega primeiro. 
— Você tem que reconhecer, as trocas de fraldas representam tão pouco diante do ato de amamentar. Isso somente você poderá viver, Kate. 
— Eu sei - ele a beijou carinhosamente. As mãos tocavam a barriga de Kate, depois beijou-a. Não resistindo, Beckett enfiava os dedos nos cabelos dele. 
— Hey, Lily… seu daddy está doido para pegar você no colo. 
— Não mais que sua mommy, ela vai ama-la com todo o coração. Do mesmo jeito que ela me ama - ele olhou para a esposa, viu que sorria - Iremos escrever muitas historias, meu bebê.   
No dia seguinte, ela percebera que não ouvira noticias de Johanna por mais de uma semana, por isso decidiu telefonar para a amiga. Será que ela estava trabalhando naquele sábado? Ultimamente ela e Paul evitavam dar plantões nesse dia da semana. Ao quarto toque, finalmente alguém atendeu o telefone. 
— Alo? 
— Esse é o celular da Johanna? 
— Sim…
— Paul? 
— Sim, é ele. 
— Paul, sou eu Kate. Joh está por perto? 
— No banheiro. Acabamos de acordar. Um minuto - levou mais tempo, a verdade era que ela desconfiava que não tinham acordado, eles tinham feito amor. Ela sorria do outro lado da ligação quando ouviu a voz ligeiramente ofegante de Johanna. 
— Kate? 
— Johanna, você deixa o Paul atender seu telefone? - brincou. 
— Ele estava mais perto. 
— Ou você estava tentando recuperar o fôlego. Achei que os dois estavam ocupados, posso ligar depois se você quiser. Não quero atrapalhar nada apesar de já ter certeza que foi isso mesmo que eu fiz. 
— Não, você não atrapalhou nada. Estamos no trabalho. 
— Para cima de mim, Joh? Vou te dar quinze minutos e ligo de volta - não esperou a amiga questionar, desligou o telefone rindo. 
— O que é tão engraçado, amor? - Castle se aproximou entregando uma caneca de chá para a esposa. 
— Eu acabei de cortar o clima entre Joh e Paul. Ou estraguei o finalzinho da festa. Eles estavam “ocupados” - Castle gargalhou. 
— Paul vai querer matar você. 
— Foi ele que atendeu. Dei alguns minutos para os dois se recomporem. Ela vai reclamar com certeza. 
— Então eles estão de folga? Só aproveitando. Quando o Paul vai criar coragem para pedir a Johanna em casamento? 
— Castle, eles sequer moram juntos. Precisam resolver essa parte primeiro e para ser sincera, não acredito que Johanna queira casar, nem Paul. Se dividirem a mesma casa já é suficiente. 
— Por que diz isso? Só porque ela já foi casada e não deu certo não é justificativa, eu sou o maior exemplo disso. E não use a idade de Paul. Eu estou prestes a ser pai. 
— Cabe a eles decidir. Vou ligar para Joh outra vez, você não vai ficar chateado se eu for almoçar com ela, vai? 
— Não, desde que esteja bem o suficiente para isso. Você está pesada, cansada, o inchaço da sua perna diminuiu, mas ainda a incomoda. 
— Relaxa, babe. Não vou pular de um prédio ou fazer triatlon. É um almoço - ele sorriu, beijou a testa dela. 
— Eu me preocupo com você e com Lily. 
— Será um almoço inofensivo, prometo - ela pegou o celular e discou o numero de Johanna - hey, sou eu de novo. Nem quero ouvir reclamações ou desculpas para o que estava fazendo. Apenas aceite meu convite para almoçar. 
— Eu devia recusar só pela intimação - Johanna riu - mas estou com saudades de vocês. Almoço de garotas ou voce está convidando o Paul também? 
— Garotas. Castle vai escrever. 
— Eu vou? - ele olhou intrigado para a esposa - parece que vou… 
— Onde voce quer ir? 
— Que tal um italiano? 
— Conheço um lugar ótimo. Passo para te pegar a uma da tarde. Eu sei que você está com um interrogatório pronto na sua cabeça, capitã. Não vai funcionar. 
— Sei, sei… do mesmo jeito que não funcionou das outras vezes. Você é igual a Castle. Nem adianta tentar… te vejo mais tarde. 
— Beckett, por que disse a Johanna que ia escrever? Não é verdade! Podíamos ir todos juntos almoçar. 
— Se quer passar um tempo com Paul, por que não liga para ele? - Castle fez uma careta, o que a fez rir. 
— Você tem cada ideia! Quer saber? Vou escrever sobre a médica sexy que está ajudando Nikki - ele provocou - você acabou de me dar uma ideia. 
— Faça o que quiser, mas se eu sonhar que ela deu em cima de Rook, vai jogar esse livro no lixo. 
— Como você saberia? Não a deixo ler spoilers. 
— Eu sou policial, tenho meus métodos. E Gina! 
— Golpe baixo, Beckett. Você acordou com a corda toda hoje, não? - ela riu. Levantou-se do sofa para se arrumar. 
Mais tarde, quando estava de saída, passou no escritório para se despedir dele. Castle estava entretido, os dedos voavam no teclado. Os olhos fixos no monitor. Usava óculos. Ele ficava sexy demais assim, cara de intelectual. Beijou o pescoço dele tirando um pouco da concentração. Conhecendo a sua leitora numero um, ele tratou de bloquear a tela. 
— Você está sexy com esses óculos, babe… 
— Está falando a verdade ou apenas queria ler o que eu escrevia? - ela continuava beijando o pescoço dele, as mãos deslizando pelo peito, uma delas invadindo a camiseta que usava - hum… é verdade - ele a fitou - já vai sair? 
— Joh mandou uma mensagem, está a caminho. 
— Beckett, vocês vão pegar o metro? Amor, você está com oito meses, devia evitar. Subir e descer escadas, o peso… - ela colocou o indicador nos lábios dele. 
— Relaxa, babe. Vamos de carro. Eu não estou com ânimo de enfrentar metro. 
— Acho bom - ele beijou a barriga dela e em seguida os lábios - divirta-se! Cuide da mamãe, Lily. Não deixe ela cometer exageros. 
— Os exageros veem dela, Castle. Até mais tarde. 
Beckett e Johanna chegaram a um restaurante italiano que ficava no Upper East Side. Era bem reservado e não estava tão cheio. A gravidez tinha suas vantagens. Assim que apareceram no salão, a hostess tratou de providenciar uma mesa para as duas. 
Após sentarem pedirem as bebidas e um couvert inicial, Johanna voltou a conversa praticamente iniciada ao telefone. Ela tinha evitado falar disso durante todo o percurso focando na gravidez. 
— Existe algum motivo especial para esse almoço, Kate? 
— Precisa? Eu não posso estar com saudades de uma amiga? Por que deve haver segundas intenções? Sabe, esse seu jeito Castle não é legal… - Joh riu - confesso que fiquei curiosa com a diversão de sábado de vocês. Aboliram de vez os plantões nesse dia? 
— Também estava com saudades. E não abolimos totalmente. Estarei trabalhando no próximo, mas desde que esse novo médico Daniel Lewis se juntou a equipe de traumatologia no hospital, a vida para mim e Paul se tornou mais fácil. Foi um verdadeiro alivio para nós porque ele é muito competente e está acostumado a loucura da emergência. Outro dia ouvi alguém dizer que o trabalho no ER não é tão excitante ou glamoroso como mostra a televisão. Tenho que discordar, tem dias que aquilo parece um hospício. Enfim, com Daniel evitamos os fins de semana ao máximo especialmente os plantões de sábado de madrugada. Eles tendem a ser os piores. 
— Imagino. Cuidado com o jeito que você fala desse Daniel, Paul pode não gostar. Ele teve ou tem ciúmes de Castle que era um paciente, um médico com a mesma especialidade dele? Isso me soa bem perigoso, especialmente se tiverem que dividir plantões. 
— Kate! 
— Como é esse Daniel? 
— Você é da policia? - Beckett ergueu a sobrancelha - trocadilho idiota. Ele é um cara normal. Veio da costa oeste. Trabalhava em um dos grandes hospitais de Los Angeles. 
— Vindo da costa oeste? Aposto que é sarado e bronzeado - implicou Beckett - mais um motivo para Paul vê-lo como um inimigo, competição. Não é estranho trocar a costa oeste pela leste? O que você acha? 
— Eu sei que as pessoas geralmente não se acostumam, não é o caso de Daniel. Ele trabalhou em L.A. por quatro anos. O resto de sua carreira foi toda em Boston. Esteve lá para uma especialização. Ele é um cara criado na costa leste e está noivo. Engraçado, você fala como se abominasse. Não gosta do estado ensolarado? 
— Claro que sim. Mas sou nascida e criada em Nova York e apesar de ter ido a Los Angeles algumas vezes e ter considerado minha faculdade lá, o lugar me traz lembranças tristes, ambíguas. 
— Isso tem alguma coisa a ver com o período que você e Castle estavam separados? 
— Não. Castle estava comigo naquela época. Ainda não éramos um casal - ela sorriu lembrando dos momentos deles - na verdade, após o nosso primeiro beijo falso, foi nessa ocasião em Los Angeles que eu quase baixei a guarda para ele. Por muito pouco nós não dormimos juntos. E depois veio a morte de Montgomery, o meu atentado… e tudo me faz pensar que ele tinha razão outra vez, não era o momento. Eu tinha que estar pronta - Beckett balançou a cabeça - Vamos mudar de assunto. Agora confessa, eu atrapalhei a transa de vocês hoje não? - Johanna ficou vermelha no mesmo instante - eu sabia! 
— Tínhamos terminado. Eu estava considerando o segundo round, mas ele atendeu o celular porque eu estava de sobreaviso por causa de um paciente que atendi ontem. 
— Então o hospital sabe sobre vocês? 
— Sim, resolvemos esclarecer para a chefe geral. Quer dizer, Paul é o chefe da traumatologia e eu trabalho diretamente com ele, não queríamos problemas. 
— Você se deu conta de que ao fazer isso estão levando o relacionamento de vocês a um outro nível? Estão assumindo que é sério. 
— Kate, meu relacionamento com Paul é sério, não somos mais crianças ou jovens em busca de aventuras. Na verdade, acredito que chegamos ao ponto que não há mais volta - ela suspirou, sorriu - algumas mudanças acontecerão em breve. Audrey vai passar o verão na Europa e quando voltar irá se preparar para um intercâmbio de doze meses em Paris no proximo ano. Ela me pediu. Está fascinada com o francês. E eu sempre fui incentivadora de aprender, aproveitar oportunidades, viver aventuras. Quero que a minha filha seja independente. Tenha o máximo de experiências que conseguir na vida. De certa forma, eu incitei esse sentimento nela - Beckett sorriu. 
— Como minha mãe. Ela sempre me dizia: você tem que experimentar a vida, Katie. Conhecer outras culturas. Ela vibrou quando eu disse que queria passar um semestre estudando fora. Essa mudança de Audrey, foi algo pensado? 
— Por ela. Tinha tudo planejado quando veio falar comigo. Ela me disse que ia fazer isso, mas precisava saber se eu ficaria bem. Disse que poderia me mudar para morar com o Paul. Eu quase não acreditei. 
— Você contou isso a ele? Sobre Audrey? 
— Contei… e, ah! Katie… esse homem, e-eu não sei o que fazer com ele! Maravilhoso é pouco para descreve-lo. Ele me fez uma proposta, me fez prometer que moraria com ele durante os três meses e que quando Audrey voltasse se ela não se sentisse bem em morar conosco eu podia voltar para o meu apartamento mediante a promessa de ficar novamente com ele assim que ela viajar. 
— É, Joh, isso não é mais um relacionamento sério. É uma união estável. Paul não vai deixar você escapar. Parece que ele andou pensando bastante sobre o lado travado e sobre os conselhos que recebeu para ser feliz. 
— Do que você está falando? 
— Nada especificamente - sorriu - isso merece um brinde, nem que seja com limonada! Estou tão feliz por vocês, Joh. Formam um belo casal, se completam. Paul é um bom homem e está numa etapa da vida que não se deixa levar mais por impulsos. Isso me fez lembrar de umas palavras que Castle disse para mim, sobre arrependimentos. 
— Adoraria ouvir. 
— Ele disse que tudo o que fizera, cada escolha, cada coisa terrível ou maravilhosa que aconteceu com ele o levou aquele momento comigo. Estávamos dançando na antiga escola onde ele estudara. Estávamos noivos e eu havia perguntado se ele se arrependia de não ter ido ao baile de formatura. Talvez isso tenha acontecido com você e Paul também. Ele nunca casou, você está sozinha há anos. 
— Está dizendo que esperávamos um pelo outro? Quem está encarnando o jeito de Castle agora? 
— Não estou dizendo que é destino. Apenas que vocês se encontraram, descobriram afinidades através do trabalho além de outras - sorriu safada - e tem a oportunidade de viver isso. Simples assim. 
— Eu consigo enxergar um toque de magia ai, Katie, de felizes para sempre. 
— Suas palavras, não minhas. Se a ideia lhe agrada, vá em frente. 
— Outro dia ele me surpreendeu no conforto médico. Nossa! Precisei de todas as minhas forças depois daquele orgasmo para trabalhar. 
— Ah! Então as rapidinhas no conforto medico não são mitos de séries como Grey’s Anatomy? Elas são bem reais! 
— Pelo menos para nós, sim - a conversa sobre os relacionamentos de ambas continuou animadamente. Beckett provocava Johanna para que ela revelasse suas fantasias e riam das besteiras que saiam naquela conversa. Depois, o tópico mudou para gravidez e a ansiedade de Kate em ter Lily em seus braços. Elas saboreavam a sobremesa quando o celular de Johanna tocou. 
— Será que é do hospital? Terá que trabalhar? - perguntou Beckett vendo Johanna revirar a bolsa a procura de algo.
— É o Paul. Hey, moreno… aconteceu algo? Acabei de perceber que deixei meu bipe no seu apartamento. 
— Não, só queria saber quando você volta para casa. Estou com saudades e trabalho amanhã cedo, esqueceu? Ia sair para uma corrida agora à tarde. Voce não quer vir comigo até a High Line? 
— Por acaso você está me tentando, Paul? Isso não foi um convite inocente. 
— É você que está dizendo. Eu vou correr, apenas queria saber se a espero - Johanna consultou o relógio, quase três da tarde. 
— Tudo bem, em meia hora estou em casa. Não faça nada sem mim - ao desligar, Beckett já ria sem ao menos saber o teor da conversa, afinal tinha uma ideia do assunto. 
— Acho que nosso almoço acabou, não? É uma questão de prioridades. E não estou falando de emergência medica, eu entendi. 
— Hey, ele não é minha prioridade agora… 
— Joh, tudo bem. Eu não posso mais aproveitar como gostaria, mas não é por isso que irei priva-la de fazer o mesmo. Terminamos a sobremesa, você me deixa em casa e vai curtir seu moreno… - Beckett implicou. 
— Fala como se não pudesse fazer o mesmo com seu escritor… 
— Não mais da forma que gostaria - Beckett apontou para a barriga. Elas riram. Encerrado o almoço, Johanna deixou a amiga em casa e foi cuidar do momento particular com seu moreno. 
Chegando em casa, ela jogou a chave na mesa chamando por ele. 
— Paul? Hey, moreno… cadê você? - ela tirou o casaco leve que usava, os saltos, ela sorria - moreno… - ele apareceu na sua frente. Usava uma bermuda, tênis e a camiseta regata. Johanna se aproximou sentindo o aroma característico do perfume, fez questão de cheirar seu pescoço - está cheiroso. É tudo para a corrida ou para mim? 
— As duas coisas? Você foi rápida. 
— Kate pode ser bastante solidária quanto a determinados assuntos. Ela respeita a prioridade - ele riu - que horas você trabalha amanhã mesmo? 
— Começo as oito da manhã. Por que? 
— Apenas avaliando minhas opções. Isso nos dá tempo suficiente para nos exercitarmos, jantar adequadamente, namorar e quem sabe nos exercitar um pouco mais? - ela beijou o rosto dele - vou me trocar, não demoro. 
Quinze minutos depois, eles deixaram o apartamento de Paul para a corrida. Eles não apenas se exercitaram, Johanna teve que se segurar para não ataca-lo logo depois da corrida na High Line. Suados, Paul acabou por comprar sorvete para os dois. Sentados em um banco saboreando o sorvete, ela se deixou levar pelo fato do namorado estar ali ao seu lado não resistindo por beijar o pescoço dele, os braços claramente não conseguia resistir ao homem ao seu lado. 
— O que há de errado comigo? Você me deixa excitada assim… 
— Vem comigo - puxando-a pela mão, Paul a arrastou escada abaixo pela High Line escondendo-se por trás de uma das colunas. Suas mãos deslizavam pelo corpo dela, Johanna fazia o mesmo com o corpo dele. Os beijos eram intensos, cheio de paixão. Era impossível não querer mais. Ele a tentava, a provocava. 
— Não podemos… não aqui - ela mordiscou o ombro dele. Em seus lábios, sentia a mistura de suor e perfume. Gostava disso. 
— Vamos para casa - eles deixaram o local com muita pressa. Mal chegaram em casa e foram logo perdendo as roupas. Eles nunca chegaram no quarto. Fizeram amor ali mesmo no chão da sala. Quase uma hora depois. eles estavam deitados sobre o carpete perto do sofá. Johanna brincava com os dedos na pele morena do namorado. 
— Você não consegue se controlar, não Joh? 
— Eu? Você fica me provocando… nem adianta sair de fininho jogando a culpa em mim. Sua culpa - ele a beijou - o que você quer jantar? Cordeiro ao molho de menta? 
— Eu devo ter feito algo muito bom para merecer esse jantar… - ela deitou-se sobre o namorado aprofundando o beijo. 
— Desde quando você ficou tão convencido? Vou começar a achar que aprendeu algo com Castle. Andou conversando com ele? - Paul teve que rir - tudo bem, vou preparar seu prato favorito, jantamos e partimos para a segunda rodada - ela beijou-o rapidamente levantando-se e indo para o quarto trocar de roupa. Mais tarde, após tomar um banho, Paul a encontrou finalizando o jantar na cozinha. Ela colocava o cordeiro no forno. 
— Oh, você está pronto para jantar… eu preciso de um banho. O forno está no timer. Pode providenciar um vinho bem gostoso para nós? Eu já volto - ao passar perto dele, o cheiro do perfume a fez inalar profundamente o aroma - você tinha que colocar esse perfume, não? Paul, voce não cansa de me provocar? - ela cheirou e beijou o pescoço dele - ah, Deus… - ela saiu correndo para o banheiro. Quinze minutos depois, ela estava de volta usando um short e uma camiseta. Precisava de munição nesse jogo de provocação - onde está o vinho? - Paul estava de costas escolhendo umas musicas para acompanhar o jantar. Ao virar-se, ele ficou boquiaberto. Johanna estava mostrando as pernas e o colo, a parte preferida dele que o levava a loucura, as sardas. 
— Definitivamente voce sabe como roubar a cena e levar uma brincadeira inofensiva para um outro nível, não Joh? - ela riu. 
— Vê algo que gosta, Paul? Eu apenas pensei que se estávamos em casa, eu não precisava vestir-me tao formalmente. Além do mais, quanto menos roupas melhor para a nossa aventura mais tarde. Tenho certeza que voce aprova. 
— Você não tem ideia do quanto - ele se dirigiu ao mesa de centro onde estava a garrafa de vinho e serviu-lhe um copo. Johanna saboreou um pouco da bebida e se aproximou do namorado. Desde o momento que ele aparecera na cozinha cheirando a Hugo Boss, ela ficara tentada em lhe cobrir de beijos. Envolvendo um dos braços ao redor do pescoço dele, Johanna inclinou-se sorvendo os lábios de Paul. Depois deixou os lábios deslizarem até o pescoço provando e inalando o cheiro da pele. Instintivamente, Paul deslizava suas mãos no corpo dela acariciando o bumbum dela, as costas. Esperou Johanna se distanciar um pouco para beijar-lhe os ombros, contemplando as sardas. Ela já sentia o corpo começando a responder quando o timer soou. 
— O jantar… - a afirmação saiu como um suspiro. Ela vagarosamente se afastou dele e foi cuidar do cordeiro. Devidamente recompostos do pequeno momento de deslize, sentaram-se à mesa e saborearam uma ótima refeição. A garrafa de vinho se fora e apesar de tentarem namorar educadamente no sofá, o desejo foi maior levando-os para o quarto. Um nova rodada de prazer aconteceu e após um poderoso orgasmo, Johanna estava esparramada de olhos fechados na cama. Paul posicionou-se de lado e ficou contemplando-a. Com a ponta dos dedos, ele acariciava a pele alva e macia da namorada. 
— Você está muito animada hoje? De onde vem tanto desejo, Joh? Tesão acumulado? - sem abrir os olhos ela respondeu. 
— Estou tentando tirar o melhor proveito do tempo que temos juntos. Amanhã você trabalha e pelos nossos horários, iremos nos encontrar brevemente durante plantões na próxima semana e eu ainda trabalho no sábado. 
— Temos que ser justos. Daniel vem nos ajudando bastante desde que chegou. Cobriu a maioria das madrugadas e dos plantões pesados de sábado. Precisa de descanso também ou iremos perde-lo em breve. E sempre temos as rapidinhas e os momentos no conforto - ela se aconchegou ao corpo dele, abriu os olhos. 
— Você está se saindo melhor do que eu imaginava. O que anda acontecendo com você, Paul? 
— Não é a favor das rapidinhas? - ele acariciou o rosto dela - Você aconteceu, Joh… 
— Ah, não fala assim que eu fico sem jeito. Você sabe que eu não resisto a um moreno de olhos verdes. Eu não prometo de vir muito durante essa semana, tenho que ficar com Audrey. Vou tentar vir aqui após um dos meus plantões noturnos, os da madrugada. Eu sei que Daniel está nos ajudando… - ela virou-se ficando de lado para fita-lo - ele foi uma ótima aquisição. É prestativo, inteligente e dedicado. Opera muito bem. Ele estará dividindo o plantão do sábado comigo. 
— Mesmo? Não sabia que gostava tanto dele. 
— Menos, moreno. Eu gosto de sua dedicação e admiro sua competência. Nada de ciúmes, por favor, ele é um colega. 
— Eu também era. 
— Era, mas se tornou meu amigo, meu conselheiro e além do mais, Daniel não faz meu tipo. 
— Ah, você tem um tipo? 
— Tenho. Cabelos escuros, olhos claros. Um belo corpo, pele morena… em outras palavras, você. 
— Seu plantão no sábado é de doze horas? 
— Quem dera! Vinte e quatro. Entro às dez da manhã de sábado e saio no domingo. Daniel pega às dez da noite até a manhã do domingo. Pelo menos durante o horário mais critico vou ter um par de mãos extras para me ajudar. 
— Desde que seja somente com cirurgias de emergências… - ela riu. 
— Você é tão bobo. Adoro seu jeito inseguro e ciumento, moreno… - ela o puxou pela nuca e beijou-lhe apaixonadamente - isso deve ser suficiente para faze-lo acreditar que já tenho meu par de mãos extras para atividades extracurriculares… - ele gargalhou. 
— Eu amo você, sabia?  
— Claro que sim, especialmente as minhas sardas - rindo ele beijou o ombro dela e a aconchegou contra seu corpo para finalmente dormirem. 

Quinta-feira 

A chefe da cirurgia chamou o Dr. Gray e o Dr. Lewis para uma reunião em sua sala. Paul ficou surpreso, não sabia do que se tratava. Assim que entraram ambos demonstravam-se perdidos diante do convite. 
— Sentem-se por favor. Eu iria começar logo, porém não sabia que a Dr. Marshall estava em cirurgia. Quero que ela esteja presente também. Fui informada que ela está fechando o paciente, enquanto esperam aceitam um café? Não se preocupem é da maquina de expresso. 
— Por que não? - concordou Daniel. 
— Eu aceito também - disse Paul - sobre o que é a reunião, Jackie? 
— Eu prefiro esperar por Johanna para falar de uma vez. Tire essa ruga da testa, não irei brigar com ninguém nem demitir vocês. Mas o assunto exige cautela - dez minutos depois, eles se distraiam ouvindo historias de Daniel quando Johanna entrou na sala. 
— Desculpe o atraso, Jackie. 
— Que isso! Você estava operando. Sente-se, vou fazer um expresso para você. A razão porque chamei os três aqui está relacionada com um paciente. 
— Alguém está processando o hospital? - perguntou Paul. 
— Nada disso. Trata-se de um paciente complicado. Ontem à tarde, eu fui contatada pela Sing Sing. Um dos presos em regime de segurança máxima teve uma crise, muitas dores, vomitava, febre. Os sintomas foram avaliados pelo médico da prisão que constatou que é um caso de pedra na vesícula. Ainda não era possível determinar se precisaria da cirurgia ou não até há uma hora atrás. Recebi uma ligação do médico informando que o estado dele piorou e estão cuidando do processo de retirada da prisão para que receba o atendimento necessário. Ele precisa ser operado e nosso hospital foi o escolhido para recebe-lo. Como vocês sabem, existe burocracia e protocolo nesses casos. Se conseguirem correr com a papelada e a estrutura para transporta-lo adequadamente, ele chegará amanhã. 
— Eu não estarei trabalhando amanhã - disse Johanna - por que me chamou? 
— Porque ele precisará passar pelo menos dois dias no hospital após a cirurgia para sabermos que tudo correu bem e liberarmos o prisioneiro para voltar ao encarceramento. Claro que passará um tempo na enfermaria da Sing Sing, mas isso não nos diz respeito. O que precisamos é assegurar que durante o tempo que estamos com ele sob nosso teto e nossa responsabilidade, tudo ocorra bem. 
— E o que você espera que façamos, Jackie? - perguntou Paul. 
— Na sexta-feira, o criminoso chegará nesse hospital pela emergência e será transportado para o quarto andar onde será preparado para a cirurgia. Quero que o Daniel o opere e o médico que o atendeu na prisão irá ajuda-lo. Durante sua recuperação, não quero ninguém além de vocês três e uma enfermeira que ainda irei escolher tendo contato com o paciente. Isolaremos a area e haverá policiais nas portas para garantir a segurança de todos os nossos empregados e dos civis que estejam recebendo tratamento ou esperando por alguém nesse hospital. Alguma pergunta? 
— Podemos ter acesso ao histórico médico do paciente? - perguntou Daniel. 
— Claro - Jackie pegou três arquivos e entregou um para cada - mandei prepara-los para vocês se familiarizarem. 
— Que crime o levou para a cadeia? 
— Assassinato. Segundo o diretor da prisão, ele matou duas pessoas. Tem uma pena de 40 anos para cumprir. Ele é tido como muito inteligente portanto é importante evitar qualquer conversa prolongada com o paciente que não tenha relação com o seu quadro de saúde. Algo mais? 
— Não agora - disse Daniel. 
— Então, Daniel opera e Johanna irá cuidar do pós-operatório no sábado? - ela percebeu que Paul não estava à vontade com a situação - tem certeza que estará segura? 
— Vai ficar tudo bem, Paul - disse Johanna. Ela via a preocupação no olhar do namorado - haverá policiais. 
— Sim, Paul. A NYPD irá oferecer seus homens para cuidar de nossa segurança. Fique tranquilo. É uma cirurgia, dois dias de recuperação e pronto. Fim de caso. Assim que receber o sinal verde sobre que horas o paciente chegará no hospital, informo vocês. Estão dispensados - Johanna e Paul se entreolharam. Deixando a sala, ele voltou a demonstrar sua preocupação. 
— Não sei se isso é uma boa ideia. Ele é um criminoso, um assassino. 
— Ele é um paciente. Lembre-se do juramento. Temos que salvar qualquer vida. 
— Não gosto de saber que você irá estar sozinha com um assassino, Joh. Eu sequer estarei aqui para ajuda-la caso algo aconteça. Eu deveria pedir para Jackie me colocar na escala amanhã - ele fez menção de voltar a sala do chefe de cirurgia, porém Joh o segurou. 
— Se acalme. Não vai pedir nada a Jackie. Primeiro porque você está trabalhando sem folga a três dias. Segundo porque é um procedimento simples e não vai haver complicações. Vai ficar tudo bem. Você ouviu a chefe, teremos policiais aqui, uma area isolada. Respire, amor. E tire essa ruga da testa porque me dá logo vontade de fazer coisinhas para vê-lo sorrir de novo e não posso. Tenho que checar meu paciente. Mais tarde nos vemos. Saio à uma hora da manhã, vou para o seu apartamento. Basta me esperar. 
Ainda um pouco contrariado, Paul resolveu não ficar remoendo o assunto. Faria suas próprias recomendações a Daniel mais tarde. Pediria para ficar de olho nela. 

Sexta-feira  

Paul estava no conforto após sua primeira cirurgia do dia quando Daniel apareceu. 
— Acabei de receber a ligação afirmando que o paciente especial está a caminho. Estimativa de chegada em quinze minutos. Você quer me acompanhar para recebe-lo? Eu sei que terei que operar com o médico dele, mas você tem meu apoio para assistir da galeria e me acompanhar no pós-operatório. 
— Claro! Ia pedir isso de qualquer forma. Eu li a ficha do paciente, ele é um assassino vil. Ron Brandt parece instável mentalmente. Assassinato, violência domestica e perseguição atras do filho? É insano. Na ficha dele não diz quem o prendeu, fico imaginando se não foi alguém que eu conheço. 
— Você tem um contato na NYPD? 
— Sim, conheço uma capitã de uma delegacia de homicídios. 
— Por que não pergunta para ela? 
— Eu pensei nisso, mas é amiga da Joh e no momento está gravida, oitavo mês. Se ele for barra pesada posso estar trazendo uma preocupação a mais para ela por causa da minha namorada… não acho justo. 
— Você que sabe, para nós resta agirmos como médicos. Vamos? - Paul seguiu Daniel pelos corredores do hospital rumo à emergencia. 
A recepção do paciente ocorreu de forma calma. A equipe designada para o suporte não demonstrou apreensão nem criou alarde. Ele foi levado para a area isolada do hospital. O time de segurança do hospital iria trabalhar em conjunto com a policia. Daniel levou-o direto para a antessala ao lado da emergencia. Primeiro iria prepara-lo para a cirurgia. Ron estava algemado a maca. Daniel discutiu com o médico da prisão sobre as opções de como fazer a cirurgia. Paul permaneceu ao lado do colega ouvindo-o traçar toda a estratégia da operação. 
A enfermeira e o residente escolhidos terminaram a preparação no paciente. Eles deveriam aplicar uma anestesia local contudo seguindo a ideia do perigo envolvido em torno do criminoso, Daniel optou e Paul aprovou a anestesia geral. Finalmente preparados, o paciente foi levado para a sala de cirurgia. 
Conforme Daniel previra a cirurgia foi rápida e bem sucedida. E algo incomodou bastante Daniel. Eles não pareciam ter razão quanto ao caso do paciente. Chegou a olhar intrigado e questionar o médico da prisão. A suposta pedra a ser retirada da vesícula não existia. Ele encontrou pequenos resíduos para uma potencial formação de cálculos. Poderia facilmente ter questionado a decisão do colega ao insistir em que o paciente entrasse na faca. Duas horas depois, o paciente estava em um quarto especificamente arrumado para ele. Segurança na porta, cameras e obviamente ele continuava algemado. Daniel saiu do quarto após escrever em seu prontuário e encontrou Paul esperando por ele. 
— Cara, eu preciso comer. Quer almoçar comigo? Acredito que temos um tempo. Nada de casos urgentes hoje. Parece que demos sorte. Estou morrendo por um hambúrguer bem gorduroso. 
— Eles não tem isso na cafeteria, Daniel.  
— Eu sei, estava pensando em sair para comer. 
— Com um criminoso em uma das alas do hospital? Sem chance! Não podemos sair daqui e deixa-lo sob a supervisão de enfermeiras e residentes. 
— Relaxa, Paul. Ele não está sozinho, tem dois policiais na porta do quarto dele, dois no corredor e um na entrada da area. Além do mais, ele deve acordar daqui a duas horas, tempo suficiente para curtirmos um bom almoço. 
— Não acho que é uma boa ideia. 
— Vamos, Paul. Se dê um descanso. Voltamos em uma hora, prometo - mas o olhar de Paul dizia tudo, ele não ia a lugar algum - tudo bem, eu vou comprar um belo hambúrguer e batatas fritas para nós. 
Quinze minutos depois, Daniel reaparece no conforto com um saco grande de papel e uma bandeja de papelão com dois copos grandes de refrigerante. Colocou o saco sobre a mesinha e retirou tudo que trouxera. 
— Refeição completa. Double cheeseburger com bacon, batatas fritas e coca-cola. Ah! Não esqueci da sobremesa, trouxe uns cinammon rolls - Paul olhava para ele intrigado - eu sei, deveríamos comer saudável, evitar gordura, fritura e açúcar de refrigerante, você é um cara sarado, mas acredito que pode abrir uma exceção, não? Foi um dia difícil, ainda não terminou. Merecemos um afago. E o que é melhor que comida? Ok, não responda, guarde para você - Paul riu. 
— Tudo bem. E eu tenho um fraco para batatas fritas. A Joh sabe… 
— Você gosta muito dela, não? 
— Gostar não a faz justiça, eu a amo. 
— Não pensam em casar? 
— Não é tão simples. Quer dizer, poderia ser. Existe a possibilidade. 
— Vocês formam um belo casal e Johanna é uma mulher incrível, com todo o respeito - ele sorriu. 
— Vamos comer enquanto podemos. Antes que alguma emergencia apareça. 
Eles comeram, conversaram, riram. Após a refeição, os médicos ficaram no conforto descansando. O plantão daquela sexta-feira estava calmo. Paul fechou os olhos e acabou se deixando cochilar até o momento que o bipe de Daniel tocou. 
— Era o residente. Nosso paciente VIP acordou. Você vem comigo? 
— Sim - eles se levantaram. Paul viu Daniel colocar um pequeno aparelho de volta na sua mochila - voce se importa que eu pergunte o que é isso? 
— Ah, jogos. PSP, eu adoro videogames. Um dos meus pecados e prazeres. 
— Você não é o primeiro. Aliás, estou começando a achar que sou o único que não entendo desse mundo - eles chegaram na area determinada e a enfermeira se prontificou em informa-los que o paciente acordara bem, lúcido e esperariam suas ordens para checar o progresso da cirurgia. Eles agradeceram e entraram no quarto. O paciente estava sentado na cama com dois travesseiros apoiando suas costas. 
— Boa tarde, Sr. Brandt - Daniel pegou o prontuário - como você está se sentindo? 
— Bem, um pouco dolorido e zonzo. Deu certo? A cirurgia? 
— É compreensível. O efeito da anestesia ainda não passou totalmente. A cirurgia foi um sucesso. Retiramos a sua vesícula, mas o corpo  está funcionando muito bem, não houve danos. Claro que ao voltar para a prisão terá que seguir algumas regras para ter uma recuperação completa. Alguma pergunta? 
— Sim, sobre o tratamento. Terá que fazer o médico da prisão entender. Quanto tempo preciso, você sabe, para recuperação? 
— Um mês pelo menos. Alimentação é um dos pontos chaves. Algo mais? 
— Uma curiosidade. Tenho certeza que leu meu arquivo, sabe que eu sou um assassino. Então, por esse motivo quero saber, por que me operou?        
— Eu sou médico. Quando completei a faculdade, eu fiz um juramento. Uma das frases mais importantes dizia que eu não faria mal a ninguém. Também jurei ajudar a todos que cruzassem meu caminho. Não importa o que eles tenham feito, cor, raça, como médico eu tenho a responsabilidade de lhes dar conforto através da cura. Eu honro meu juramento. Se me recusasse a opera-lo, eu não me sentiria bem comigo mesmo. Posso deitar minha cabeça no travesseiro e dormir com a certeza do dever cumprido e da consciência limpa. Isso não significa que eu aprove o que você fez. Não importa seus motivos. 
— Um homem de princípios… 
— Eu vou mandar meu residente prepara-lo para um ultra-som e uma tomografia. Encontrarei-o nos exames - Daniel saiu da sala acompanhado de Paul que permanecera calado durante todo o período que estiveram no quarto do paciente. No corredor, ele falou pela primeira vez. 
— Que cara arrogante. Ele falou como se o desafiasse! Só porque ele é um criminoso, acha que todos querem fazer mal aos outros como ele? 
— Paul, o que eu vi ali foi um teste. Ele quer abertura para tentar se conectar, criar uma ligação. Pode ser por simples companhia ou segundas intenções. 
— Eu voto na segunda opção. 
— Eu também. É por esse motivo que eu quero me certificar que está tudo bem com o paciente para manda-lo de volta para a prisão o quanto antes. 
— Tem meu apoio. 
Daniel checou o paciente, tudo parecia em controle. A recuperação do hospital seria rápida e logo ele estaria na prisão outra vez. Sem grandes preocupações. Deu as boas noticias a Ron e indicou que o levassem de volta para o quarto. Ele fez anotações em seu prontuário, deu recomendações a enfermeira e checou o relógio. Tinha mais meia hora de plantão. Retornou ao conforto. Quinze minutos depois, Paul entra. 
— Acabei de atender um rapaz que levou uma queda bem feia de skate. Além de ter a lateral da perna toda ralada, ele bateu a cabeça, teve uma contusão e um corte feio no supercilio. A CT revelou um coagulo. Chamei o neurologista, está em cirurgia. Acredita? 17 anos. 
— As loucuras da juventude. Eu estou de saída em dez minutos. Deixarei o controle do forte com você até Johanna chegar no sábado. 
— Posso te pedir um favor? 
— Claro! 
— Eu sei que não posso fazer muito durante o sábado, mesmo que eu peça sei que Joh vai me ignorar dizendo que estou exagerando, mas eu não desisto. Você pode ficar de olho nela? Aconselha-la para não se envolver demais com o criminoso? Joh tem essa mórbida curiosidade por assassinos, crimes, mistérios. Eu não quero que nada aconteça com ela. Nós dois sabemos que o cara não é confiável. 
— Prometo que irei tentar. Espero que ela me escute, você conhece bem sua namorada, Paul. Ela pode ser bem teimosa as vezes. 
— É isso que me preocupa. Obrigado. Melhor ir andando, precisa descansar, Daniel. 
— Vou mesmo. Boa noite para você, Paul - o médico trocou de roupa, pegou a mochila e acenando para o colega deixou o hospital. 

Sábado

Beckett estava na cozinha preparando o almoço, Castle reclamou varias vezes sobre ela preferir cozinhar a deixar que ele trouxesse comida para os dois. 
— Você deveria sentar-se, descansar as pernas…
— Castle, está tudo bem. Eu quero cozinhar, gosto. Você não vai demorar, certo? 
— Serei o mais rápido possível. Apenas quero que Gina veja o draft do livro, se ela gostar da ideia eu posso seguir tranquilo escrevendo. Vou convence-la na verdade. Esse livro envolvendo  hospitais e crimes medicos tem tudo para arrasar. Sei que meus leitores irão gostar. 
— Gosto de vê-lo empolgado, babe - ele se aproximou e acariciou a barriga dela beijando seus labios. 
— Não mais empolgado que a mamãe com a chegada de Lily. Estarei de volta em duas horas - sorrindo, Beckett voltou sua atenção ao lombo de porco que preparava. Após adiantar todos os acompanhamentos, ela checou a carne que estava pegando tempero em um molho de vinho  e especiarias. Satisfeita com o tempo, ela transferiu a peça para uma assadeira e ligou o forno para pré-aquecer. Não havia motivo para esperar mais, fazia uma hora e meia que Castle saíra e se ele não a enganara, em meia hora ele estaria em casa. O porco precisava de quarenta minutos. Ela estava com fome, afinal eram quase duas da tarde. Beckett sentou-se no sofá. Ligou a televisão colocando as pernas esticadas no sofá. Enquanto mudava os canais, uma noticia chamou a atenção dela. Um boletim urgente. 
— Segundo informações dos policiais ainda não há vitimas. Nesse momento, o criminoso conhecido como Ron Brandt fez reféns em especial a médica que estava de plantão e designada para monitora-lo. A direção do hospital presbiteriano de Nova York informou que o homem que… - porem Beckett não prestava mais atenção às palavras da reporter, tudo que seu cérebro registrara era o nome do hospital e Johanna. Ela podia estar trabalhando, meu Deus, ela podia ser a vitima. Aos poucos, sua atenção voltou à televisão - a cirurgia foi um sucesso e o paciente deveria retornar a Sing Sing amanhã. Temos os nomes das pessoas supostamente dentro do hospital - a reporter apenas recitava os nomes - e por fim, a médica responsável pelo pós-operatório, Johanna Marshall também é refém. A policia de Nova York está tentando encontrar um meio de negociar com o criminoso. Ainda não sabemos se há alguma vitima ou feridos e… 

Johanna. Ela era refém. O corpo de Kate se estremeceu, a tensão foi sentida nos músculos. Ela estava em perigo. E se algo acontecesse com ela? Não, ela não podia deixar isso acontecer. Ela se levantou do sofá, pegou as chaves, o casaco, o distintivo e sua arma. Saiu o mais rápido que pode para o hospital. 


Continua...