segunda-feira, 11 de setembro de 2017

[Castle Fic] A (Im)Perfect Love Story - Cap.24


Nota da Autora: Ainda não estou de volta totalmente, mas aqui vai mais um capitulo da S9. O angst está acabando prometo! Sei que não agradei a todos, tenho meus motivos para fazer o que fiz. Sei que é impossível agradar gregos e troianos. Enfim, emoções, expressões, sentimentos....enjoy! 



Cap.24


— Não!!! - Castle desvencilhou-se da onda de policiais que tomavam a sua frente. Paul começou a correr na direção do hospital e foi parado por três policiais da SWAT. 
— Eu preciso entrar! Eu sou médico…feridos! Meu Deus! 
— Senhor, ninguém pode entrar e…- mas o policial não esperava ser surpreendido com um soco. Zonzo, ele caiu no chão. Paul voltou a correr, Castle atrás dele. 
— O que vocês pensam que estão fazendo? É uma situação de risco! - o responsável pelo time da SWAT gritava. 
— Pode haver feridos. Sou médico! Eu vou entrar… 
— E você? Onde pensa que vai? 
— Eu estou com ele! - Paul procurava algo para jogar na porta de vidro, mas ao chegar perto, a mesma se abriu e quase ao mesmo tempo, os dois cruzaram a porta do hospital. 
Minutos antes dos tiros….
— Olhe para mim, capitã. Eu disse somente para mim! - ele gritou - o que diabos você pensa que está fazendo? Pensa que eu não percebi o joguinho das duas? Eu estou no comando! - ao gritar, o rosto ficava quase roxo - eu! - largou o telefone com raiva, Cindy ainda estava na linha - quer me desafiar, sua cadela? Quem você pensa que é? Está na hora de acabar com a conversa. Está duvidando de mim? 
— Eu sei do que você é capaz, Ron. Vai mesmo ficar nervosinho e perder a chance de conseguir seu helicóptero? Sabe o que eu acho? Você não foi muito convincente com o tenente. Faltou força, demonstração de poder. Para ser sincera, acredito que nesse instante ao invés de estar providenciando o seu helicóptero, toda a equipe da SWAT e da NYPD está a postos esperando o sinal do tenente. E sabe o que vai acontecer quando ele autorizar a invasão no hospital? Você vai voltar para a prisão. Você não tem um plano B, Ron. Está acabado! 
— Acabado? Eu estou no comando! E a sua amiguinha é meu plano B. Quem manda aqui sou eu! - ele atirou para o teto acertando uma lâmpada. Os pedaços de vidro espalharam-se no chão. 
— Kate, agora! - gritou Johanna afastando-se para o lado. O tiro disparado por Beckett atingiu em cheio o ombro de Ron que gritou afastando um pouco a arma do pescoço de Johanna. A médica percebeu a oportunidade e alcançou a seringa no bolso do jaleco. Com toda a força que podia, ela enfiou a agulha na coxa dele. Um novo grito ecoou na enfermaria e Ron disparou o segundo tiro que passou de raspão pela cabeça de Beckett. Então seu corpo começou a ceder a droga injetável e Ron escorregou até perder os sentidos, mas não sem disparar um terceiro tiro. 
— O que você fez? 
— Uma dose de tarja preta. Vai mante-lo desacordado por umas duas horas - ofegante, Johanna se afastou do criminoso. Beckett tateava a procura do par de algemas que trouxera, respirando com dificuldade, ela jogou no chão para Johanna. 
— Algeme-o… você… é cheia de… surpresas, Joh… - Beckett sentiu o coração acelerar. Levou a mão até a barriga. Caminhou com dificuldades até onde a médica estava prendendo Ron. Olhou para o criminoso e após respirar fundo, ela mirou a perna e atirou. 
Ao ouvirem o que de fato era o quinto tiro, Paul e Castle corriam em desespero seguindo o barulho. Os dois se depararam com o corpo de Ron estirado sob o piso frio da enfermaria, as algemas em um dos pulsos e na estrutura de metal. E sangue. Johanna estava sentada no chão quando reparou pela primeira vez na amiga. 
— Kate, você está sangrando…. - Beckett não deu tempo da médica pensar. Apenas soltou um grito agudo quando a contração a atingiu, o liquido escorreu pelas pernas e molhou o chão - você… a sua bolsa… estourou. 
— Beckett! - Castle correu para amparar a esposa e coloca-la sentada quando a segunda contração a atingiu. Johanna tentava se levantar já gritando para Paul pegar um kit de sutura. O médico, porém, estava em choque. Atônito. Não esboçava qualquer movimento nem emitia som. 
— Paul! O kit! - ela correu para o interfone - Cindy acione a Dr. Charlotte e encontre alguém para preparar uma OR! Paul! - ela empurrou o namorado e logo em seguia puxou-o pela camisa e beijou-o. A adrenalina corria por suas veias. 
— Joh…. você está bem? 
— Estou! Vamos, Kate está em trabalho de parto. Você precisa me ajudar - vários policiais já estavam no hospital. Alguns na enfermaria prontos para levar o prisioneiro - ele não vai a lugar algum. Precisa de tratamento. Levou dois tiros e está dopado. Paul, você pode retirar as balas e fazer a sutura? Eu vou cuidar de Kate. Quanto mais rápido você o costurar, mais rápido ele volta para a prisão - ela ouviu um novo grito de Beckett. Paul finalmente parecia ter acordado. Começou a trabalhar. 
— Castle, você pode me ajudar a leva-la para a OR? 
— Claro. Johanna, ela está bem? Lily? E-eu… não posso perdê-las. 
— Vai ficar tudo bem, Castle. Sua filha está quase nascendo….
— Joh? E-eu quero normal… cirurgia não…
— Tudo bem, Kate. Apenas se preocupe em respirar. Se estiver tudo bem com você e a Lily, faremos o parto normal. Agora preciso examina-la e cuidar do ferimento em seu braço. Preciso retirar a bala. Vamos, Castle. Me ajude - juntos, eles levaram Beckett para uma sala de cirurgia esterilizada. Com cuidado, ela se livrou das roupas que a capitã usava e a fez deitar na maca para examina-la. 
Estava com pouca dilatação ainda. Não havia sangramento o que era um bom sinal diante do que ela experimentara nas ultimas horas. Não existia dúvidas que a situação de risco acabara por induzir o parto. Respirando fundo e um pouco mais aliviada, Johanna sorriu e comunicou o status aos futuros pais. 
— Aparentemente está tudo bem. Você ainda tem pouca dilatação. Vamos esperar por Charlotte para definir o planejamento. Por enquanto, vou cuidar do seu braço - a médica sentou-se ao lado da amiga com um kit de sutura aberto diante de si. Limpou o local cuidadosamente. Castle estava a sua frente. Segurava a mão da esposa ainda assustado com tudo o que acontecia na ultima meia hora quando ele decidiu invadir o hospital. 
— Que loucura… porque você fez isso, Beckett? Quando cheguei em casa, me deparei com o cheiro de queimado, o forno ligado. Você podia ter colocado fogo no loft. Então eu vi a noticia na tv e entendi. Meu Deus! Eu tive tanto medo. Quando você me disse que estava aqui dentro… e-eu…
— Sinto muito, babe… e-eu errei, mas era a Joh… eu não podia… não podia perde-la outra vez - Castle viu as lágrimas da esposa deslizarem pelo rosto, ela claramente estava se referindo a mãe. Uma nova contração a atingiu e ele finalmente entendera o que a trouxera até ali - aiii… não tem anestesia? Isso dói! 
— Você tem sorte, foi de raspão. A bala ficou presa entre a epiderme e a derme. Sem dano ao tecido subcutâneo. Vai parecer um arranhão mais tarde. Feche os olhos, Kate e procure relaxar. Sinta seu corpo, vai precisar estar calma para fazer força quando a hora chegar. 
— V-você não está machucada? Estava na mira de Ron todo esse tempo. 
— Eu estou bem. Talvez até melhor que Paul. 
— Sim, ele estava assustado… - disse Beckett e as duas riram. 
— Ah, vocês acham engraçado. Pois não é, por alguns minutos eu não conseguia parar de pensar no que aconteceu quando investigávamos Loksat, o que passamos nesse hospital. Eu sabia muito bem do que Ron era capaz. Eu já estive refém dele ou melhor dos seus capangas. Por pouco ele não matou a ex-esposa para sequestrar o filho. Aposto que era isso que ia fazer com você, Johanna. E quando conseguisse o que queria, acabaria por mata-la. Deus! - ele apertou a mão de Beckett, ela podia ver a apreensão em seus olhos. 
— Já passou. Eu e Joh formamos uma boa dupla. Ela tem seus truques. Agora precisamos focar em Lily.  
— Sim, isso mesmo. A filha de vocês é mais importante. Vou deixa-los a sós por algum tempo. Quero checar se Paul terminou. Espero ver aquele homem longe daqui o mais rápido possível - Johanna deixou a sala de operação. Castle inclinou-se beijando a testa da esposa. 
— Quando você vai parar de me assustar, Beckett? Essa ideia de ser a melhor e mais destemida capitã da NYPD não funciona se você não está com o seu parceiro preferido - eles sorriam então Castle ficou sério -  Eu tive tanto medo, Kate. Quando eu ouvi os tiros, a única coisa que pensei foi se você estava…se Lily estava… Deus! Não que eu duvide da sua habilidade é apenas… e-eu não queria pensar, da última vez e-eu…- Beckett colocou o indicador entre os lábios dele.
— Cas…babe, eu sinto muito. E-eu… amo você. Sinto…- ela não terminou a frase porque uma nova contração a fez gritar outra vez. Recuperando-se, Beckett deixou-se cair na cama - sinto muito. Eu não queria deixa-lo preocupado. Eu sei que errei, mas era Johanna. Eu não podia… - ela parou de falar achando que uma nova contração estava a caminho. Não aconteceu - e-eu achei que era outra…eu sei que soa louco, mas eu já perdi minha mãe e e-eu revivi tudo outra vez quando vi na tv e… - Beckett deixou um soluço escapar. 
—Tudo bem, Kate. Descanse um pouco - ele beijou a mão dela, em seguida a testa e os lábios. Beckett acomodou a cabeça em seu ombro e sentiu os braços de Castle a envolverem. Um longo suspiro escapou de seus lábios. Tinham poucos minutos de quietude até a próxima contração acontecer. 
Johanna encontrou Paul terminando de costurar a perna de Ron. Ao vê-lo, a médica respirou fundo e pela primeira vez deixou um gemido escapar-lhe pela garganta. Paul virou-se para fita-la e seu mundo desabou. Johanna não conseguia conter as lágrimas. 
— Paul… - foi tudo o que ela conseguiu dizer. Ele rapidamente deixou os instrumentos de lado, tirou as luvas e correu para abraça-la. Johanna enterrou a cabeça no peito do namorado deixando as lágrimas correrem livres - eu tive medo de não… sobreviver, de não ver você, salvar Katie… e-eu quis ser forte, mas eu estava aterrorizada. 
— Shhh já passou, estamos bem. Você foi incrível. 
— Eu? Kate foi. Como ela consegue? - ela se afastou um pouco para fita-lo - ah, moreno, eu te amo tanto…. apenas me abrace. 
— Eu também, Joh. Concordo com você, eu não sei como eles aguentam essa vida de perigo. Agora entendo bem a agonia e a insistência de Castle quando ele dizia nesse mesmo hospital que ela iria acordar. A ideia de perder quem se ama é intolerável. Devo desculpas a ele por isso - Paul ergueu o rosto de Johanna e beijou-lhe carinhosamente os lábios. Percebeu que ela tinha marcas no pescoço causado pela arma. Nesse instante, Daniel entra na sala. 
— Meu Deus! Vocês estão bem? 
— Tudo bem, pode cuidar dessa bagunça? Tem mais pessoas precisando de cuidados médicos e eu quero ver esse sujeito longe daqui. Preciso que Johanna descanse, deite um pouco e….
— Eu não vou a lugar nenhum. Kate está em trabalho de parto, não vou deixa-la sozinha. 
— Ela não está sozinha, Joh. Castle está com ela. 
— Lily é minha afilhada e Kate é minha amiga, você sabe o que tudo isso significa. Nossa ligação… - o médico suspirou. Não tinha porque discutir com ela agora. 
— Certo, mas ela pode demorar para ter o bebê. Você pode se deitar no conforto enquanto isso. Vou providenciar uma refeição e café. Tudo bem para você, Daniel se formos…
— Por favor! - sorrindo, Paul deixou a enfermaria levando a namorada consigo. No caminho encontraram com Charlotte que sorriu aliviada ao ver que a médica estava aparentemente bem. Foram direto para o conforto apesar dos protestos de Johanna. Paul a colocou sentada na cama enquanto checava o armário dela em busca de uma muda de roupa limpa. 
— Você irá tomar um banho, trocar de roupa e comer. Vou lhe dar um analgésico para dor e passar algo nessas marcas. Então você poderá ver Kate novamente. 
— E desde quando tenho que obedecer suas ordens? Você não é meu dono! 
— Podemos discutir quanto a isso mais tarde, por hora sou seu médico e vai fazer o que eu estou dizendo. Sem discussões, Joh - ela bufou, mas reconhecia que ele tinha razão. Um banho seria muito bom. Levantou-se indo para o chuveiro. Quinze minutos depois, ela apareceu com o cabelo molhado e solto sobre os ombros, uma calça jeans e camiseta. Sobre a mesa do conforto havia uma caneca de café, uma salada e um muffin de blueberry. 
— Desculpe, foi o que deu para arranjar. 
— Está ótimo - ela sorriu e se sentou levando o café aos lábios - hum, isso é reconfortante - Johanna comeu calada. Ao terminar a salada, mordiscou apenas uns pedaços do muffin deixando-o sobre a mesa. Juntou-se a Paul na cama entrelaçando seus dedos nos dele - obrigada, amor - beijou o pescoço dele, o rosto até chegar aos lábios. Perderam-se em um longo e ansiado contato desde que toda essa loucura começará. Mais uma vez, ela o surpreendeu ao deitar-se na cama e puxa-lo consigo. 
— Não vai ver a Kate? 
— Depois. Pode ficar deitado comigo por um tempo? Podemos esquecer o resto do mundo, só por um instante? 
— Claro, Joh. O quanto precisar - ele a envolveu em seus braços. O nariz na altura do pescoço dela, podia sentir os lábios do homem ao seu lado roçando em seu ombro e em seus cabelos. Suspirou e fechou os olhos. Apenas uns minutos,pensou. 
Charlotte encontrou Castle e Beckett apoiados um ao outro, abraçados. A cena fez a médica sorrir. 
— Então, Lily decidiu vir ao mundo depois de ver a mamãe em ação? Como você está, Kate? - ela se aproximou da paciente com um sorriso nos lábios. Castle afastou-se para dar espaço a médica que precisava fazer seu exame. 
— Hey, Charlotte… honestamente eu não sei dizer. Johanna afirmou que está tudo bem, mas não há muita dilatação. E as dores….são intensas. 
— De quanto em quanto tempo são as contrações? - Beckett olhou para Castle buscando ajuda para responder a pergunta. 
— Diria que em média dez minutos, porém bem fortes. É normal, doutora? Beckett insiste em não fazer cesária. 
— É normal. E dependendo de como esteja a dilatação, o processo pode durar horas - Charlotte continuou a examina-la. Satisfeita, tirou as luvas - minha colega tem razão, a dilatação está pouca. Se a dor for muito forte, basta me avisar que administro um remédio. Sei que quer a experiência completa, você é corajosa. Mas tudo tem limite, saiba reconhecer o seu se for o caso. Eu vou providenciar água e cubos de gelo. Pela minha estimativa ainda temos umas boas horas pela frente. 
— Consegue estimar? Quantas? - perguntava um Castle ansioso. 
— De sete a nove. 
— Wow! Tudo isso? 
— Bem-vindo ao mundo das mamães, Castle. Eu volto logo - Castle voltou a se aproximar da esposa, ia começar uma conversa quando o celular tocou. Ryan. 
— Castle, onde diabos você se meteu? E Beckett? Chegar na frente desse hospital é uma tarefa quase impossível! 
— Desculpe. Estamos bem, Beckett entrou em trabalho de parto. Minha filha vai nascer Ryan! 
— Opa! Isso é uma boa noticia, mas e quanto ao resto? Prenderam Ron? 
— Eu não sei ao certo. O hospital está cheio de policiais e não houve vitimas além do próprio Ron. 
— Ele está morto? 
— Não. Apenas ferido, por precaução. 
— Tudo bem, dê minhas lembranças a Beckett e avise quando Lily nascer. 
— Pode deixar. Obrigado, Ryan - voltou sua atenção a Beckett - como você está se sentindo? 
— Eu estou…- a frase foi completada com um grito devido a uma nova contração - isso dói! Não sei se irei aguentar sentir dor por sete horas, Castle. 
— É claro que vai. Você é uma guerreira, uma mulher de fibra, Kate - ele segurou a mão dela, afetou os cabelos para trás da orelha - mas caso ache que precisa do remédio, basta pedir a Charlotte. Isso não faz de você uma pessoa fraca. E se quiser fazer casaria, também é sua escolha, amor. 
— Lily podia se apressar, não? - eles riram - não vou desistir do parto normal. 
— Pronto. Trouxe algumas toalhas molhadas e cubos de gelo. Só nos resta esperar. Se continuarmos nesse ritmo, a espera será longa e Lily pode acabar nascendo na madrugada. Kate, tem um policial lá fora querendo falar com você. Acha que pode recebe-lo? 
— Não é o Ryan… - disse Castle. 
— É alguém da operação. 
— Pode manda-lo entrar, se ele não se incomodar com meus gritos durante a conversa. 
— Vou alerta-lo - cinco minutos depois, o Lieutenant Richmond entra na enfermaria no meio de uma contração. Arregala os olhos devido ao susto. 
— Não se assuste, Lieutenant. É apenas uma mulher se preparando para dar a luz - disse Castle. 
— Eu sei, tenho dois meninos. Capitã, você nos desafiou hoje. Eu nem quero saber como entrou nesse hospital, mas acredito que devo desculpas por tê-la subestimado. Estava certa quanto a forma de conduzir essa operação e o suspeito não exibia sinais de desistência. Será que pode me contar como a situação ocorreu para efeitos de relatório e comprovação mediante a perícia? 
— Com certeza - Beckett relatou cada momento desde sua entrada no hospital, seu encontro com Ron, os diálogos e o que presenciou. Por fim, contou como o tirara do sério achando o momento certo para dar o bote. Falou da sequência de tiros, da participação de Johanna. Tudo isso em meio a mais duas contrações. 
— Certo, acredito que anotei tudo. Para sua informação, o suspeito foi medicado e está a caminho da Sing Sing novamente. 
— Eu sugiro que peça os registros médicos do hospital. Eu tenho quase certeza que Ron forjou sua condição para ter sua saída autorizada da prisão. 
— Mas ele foi operado! Os médicos não veriam isso? 
— Talvez sim, talvez não. Pode conversar com o cirurgião. 
— Vou fazer isso. Só mais uma pergunta. O tiro na perna de Ron. Ele foi disparado por ultimo após ele estar desacordado. Por curiosidade, pode me dizer porque optou por disparar mais um tiro para feri-lo? 
— Lieutenant Richmond, eu já enfrentei muitos bandidos, assassinos frios e serial killers na minha carreira. Uma coisa que aprendi: melhor prevenir. Tinha que mobiliza-lo para ter certeza de que não iria a lugar algum. Não tinha como saber o efeito do tranquilizante. 
— Eu entendo. Não se preocupe será relatado como ação na linha do dever. Preciso colher o depoimento da médica. Sabe se ela ainda está no hospital? 
— Com certeza, apenas não sei aonde. 
— Eu vou encontra-la. Boa sorte com o bebê.
— Obrigada - ele mal se despediu e Kate já encarou outra contração. 
XXXXXXX
Johanna acordou assustada com o barulho do celular tocando. Ela havia esquecido completamente que deixara o aparelho no conforto por hábito como sempre fazia quando estava trabalhando. Levantou-se deixando o aconchego dos braços de Paul e dirigiu-se a mesa de centro. Quem ligava era insistente. Ela congelou ao ver o nome no visor. Audrey. 
— Audrey…
— Mãe! Até que enfim! Está tudo bem? Eu acabei de sair da aula e vi o noticiário. O hospital está repleto de policiais e você foi refém? Está ferida? Levou tiro? Não esconda nada de mim, eu ouvi que houveram tiros e…
— Hey… respira, filha. Está tudo bem. Já passou. 
— Você ainda está no hospital? Paul está com você? 
— Sim para as duas perguntas. Eu estou bem, Audrey. 
— Eu confio em você, mãe. Mas quero ver com meus próprios olhos. Estou indo para ai. Estou perto. 
— Audrey, não precisa… - mas a menina já havia desligado. Ela sentiu a mão de Paul em seu ombro. 
— Tudo bem? 
— Sim, Audrey está vindo para cá. Que horas são? 
— Já passa das quatro. 
— Nossa! Como será que a Kate está? Lily pode ter nascido. Eu vou até a enfermaria. 
— Vou com você - Paul saiu guiando-a pelos corredores com a mão na base das costas da namorada. Com toda a confusão, eles sequer se lembraram da menina. O mesmo ocorrera com Castle e Beckett. Ao chegar na enfermaria, encontrou Castle ao telefone falando com a mãe. 
— Hey! Pensei que tinha perdido o nascimento. 
— Nada! Sua afilhada está fazendo cena para sair. Deve estar esperando uma plateia, sinal de que puxou ao pai. 
— Ou é pura teimosia. Característica da mãe - remendou Castle. 
— Você ainda não terminou sua tarefa. Falta ligar para o meu pai - rapidamente ele voltou a atenção ao celular. Johanna segurou o riso. Charlotte voltou a aparecer para checar a paciente. Cumprimentou os médicos e dirigiu-se para Kate. 
— Acho que não irá demorar tanto quanto antes. Pela dilatação, talvez umas três horas. Está agüentando firme, Kate? Tem certeza que não quer o medicamento? 
— Não, estou bem - ela mai acabou de falar uma nova contração surgiu. Recuperada do momento, ela tornou a comentar - Para falar a verdade, eu queria mesmo que Lily nascesse logo. Não vejo a hora de carrega-la em meus braços. 
— Ansiosa, hein? Ah, mamãe! A aventura está somente começando. 
— É verdade - disse Castle entregando o celular para ela - seu pai quer falar com você. 
— Oi, pai! 
— Como você está, filha? Foi querer dar uma de heroína na reta final da gravidez, Katie. Eu vi na tv. Eu prometo ir ao hospital daqui a duas horas. 
— Tudo bem, pai. Eu estou esperando sua neta resolver nascer. Acredito que ainda vai demorar. 
— Eu chegarei logo. E não se preocupe, Katie. Sua mãe está lhe protegendo de onde ela estiver. 
— Oh, pai… até mais - vendo que ela desligara, Castle a fitou poor uns segundos. 
— Tudo bem, amor? - ele acariciou sua mão. Apenas com o olhar, ela respondeu a ele, um pequeno sorriso formou-se nos lábios de Beckett. Anuindo, ele beijou a testa da esposa e continuou a conversa. 
— Então, Beckett está ansiosa e nem sabe o que vem por ai. Teremos pela frente as noites em claro, as trocas de fraldas, cólicas. Muitas brincadeiras e esse é apenas o primeiro round. Teremos mais dois? 
— Mesmo? Quem disse? Você? - Johanna olhou impressionada. 
— Não, o cara do futuro! - Castle disse empolgado. 
— Cara do futuro? - Paul olhou intrigado para Beckett que revirava os olhos. 
— Bobagem do Castle. Ele está se referindo a um maluco que investigamos uma vez, ele teimava em dizer que era do futuro. Disse que teríamos três filhos. Só para vocês entenderem o contexto, ele estava no hospício. 
— Ele acertou quando disse que íamos casar. E você teve uma oferta para ser senadora, mas optou pela carreira na NYPD. Voce pode ter outra chance. 
— Sei sei, e quanto aos livros sérios que você ia escrever? Não vi nada até agora. 
— Do que eles estão falando? - perguntou Paul olhando confuso para Johanna. 
— Deixa para lá, amor. Eles estão no mundo deles - então Johanna ouve um grito e apenas sente alguém lhe abraçar. Audrey, claro. 
— Mãe! Como que isso aconteceu? Vitima de um assassino? Achei que era seguro trabalhar aqui nesse hospital. E que historia é essa que a Cindy me contou? Você deu uma de heroína levando o cara a nocaute? - ela tascou um beijo na bochecha da mãe - dona Johanna não tem jeito mesmo. Quantas vezes eu preciso lhe dizer que essas historias estilo James Bond, a la 007 que voce lê não são reais? Ficção, mamãe. E você, hein? Onde você estava Paul? Não sabe que a mamãe gosta de brincar com o perigo e viaja nesses lances? Paul, você poderia dizer para ela que aqueles livros são um monte de mentiras? - Castle que estava próximo não ia aguentar ficar calado, afinal era de seus livros que a menina falava. Beckett segurava o riso porque percebia a cara de insatisfação do marido. 
— Com licença, acredito que ainda não nos conhecemos. Richard Castle, escritor de best-sellers, o mestre do macabro - estendeu a mão para a guria que não percebeu a principio a relação do nome. 
— Sou Audrey, a filha da Johanna. Você também estava no tiroteio como refém? 
— Não, mas minha esposa estava. E foi ela quem atirou no bandido. Se me permite replicar seu comentário anterior sobre os livros que Johanna lê serem mentiras, na verdade, não são. Eles são baseados no dia a dia da minha esposa, a Capitã Kate Beckett. Nikki Heat é seu alter ego. 
— É Audrey, ele é o autor dos livros que você acabou de insultar. E a grávida é a mulher dele, Kate, que salvou minha vida por sinal. 
— Oh! Aquela Kate? - Johanna anuiu. Audrey virou-se para encara-la - é um prazer conhece-la, Kate. Mamãe fala muito de voce e do escritor. Voce salvou a vida dela mesmo? 
— Foi uma parceria. E-eu não… - ela parou de falar para receber a próxima contração - Deus! Lily! Por que voce é teimosa? Podia nascer logo, filha. É um prazer conhece-la, Audrey. Você não nega que é filha de sua mãe - era verdade, a menina tinha o mesmo tom de pele, o formato de rosto e o olhar de Johanna. Os cabelos eram castanhos claro e o corpo era mais cheinho. Não havia como negar. 
— Espera, você está dizendo que aquilo que a mamãe lê aconteceu com a sua esposa? Ele está falando sério, Kate? 
— Está. Não são as mesmas historias, mas o tipo de perigo é bem parecido com o que nós dois já enfrentamos. As vezes é bem mais difícil que isso, a justiça não acontece. No livro, o crime é solucionado e há sempre uma espécie de final feliz. Não como um felizes para sempre, torna-se algo mais do tipo tudo terminou bem por enquanto - Audrey sorriu. 
— Está com fome, filha? Devia comer algo. Podemos ir até a cafeteria. 
— É uma boa ideia - respondeu Audrey. 
— Castle, você não quer ir com o Paul e a Audrey? Eu posso ficar com a Kate. 
— Claro que não. Você precisa passar um tempo com a sua filha. Não se preocupe comigo. 
— É Joh, fique com Audrey. 
— Se vocês insistem… - ela, Paul e Audrey saíram rumo a cafeteria. 
Enquanto as horas passavam, Beckett sentia dores. Johanna voltara a enfermaria para dizer que ia levar Audrey em casa e retornava. Três horas se passaram e quando Charlotte chegou a situação da capitã novamente, viu que as dores estavam mais constantes. Castle a informou que as contrações tinham um intervalo de sete minutos agora. 
— Ótimo, nossa pequena deve querer vir ao mundo nas próximas horas. Kate, eu vou lhe dar um remédio para relaxar. Quero que esteja bem no momento do parto. Você está a alguma horas com dor. Só precisamos de um centímetro mais e podemos realizar o parto, contudo sei o quanto a dilatação pode demorar - Johanna reapareceu nesse instante, ao olhar para Castle fez uma careta. 
— Você está horrível, Castle. Sua filha não vai gostar de te ver assim. Está precisando de um café gigante urgente e alguma comida. Vá lavar esse rosto e se alimentar. 
— Nossa, Johanna. Você já foi mais educada. 
— Ela tem razão, babe. Você está com a aparência cansada. Faça o que ela disse. Eu estou bem - Beckett acariciou a mão dele - eu tomaria um café se Charlotte não fosse brigar comigo. Pode ir. Joh fica comigo. 
— Melhor seguir o que sua esposa está dizendo, Castle. Quando a ação começar realmente, você não vai querer perder um segundo - disse Charlotte - eu estarei no consultório. Qualquer coisa me avise, Johanna. 
— Pode deixar - Castle se aproximou da cama e beijou-lhe os lábios da esposa. Deixou a enfermaria. Johanna sentou-se ao lado da amiga - ele é tão teimoso quanto você. Está se sentindo bem? Quer uns cubos de gelo? Deve estar com sede - ela ofereceu os cubinhos para a amiga que aceitou. Dois minutos depois, Johanna a olhava intrigada - o que foi, Kate? Você está com um ar de quem está preocupada. Lily está bem, o que você está passando é o ritual normal de um parto. Nada vai atrapalhar o nascimento da sua filha. 
— Não é o parto em si. Eu li sobre o que ia acontecer. E-eu estou pensando em outra coisa.
— No que? - Beckett não sabia dizer se as palavras que falara em seguida eram resultado da emoção que tomava conta dela ou influenciada pelo efeito da droga. Ela sentia-se louca para fazer confissões. Suspirou profundamente. 
— Confesso que além da ansiedade de ver Lily, existe o medo. É tudo novo para mim. Eu vejo Castle falando com uma certa propriedade sobre cuidar de bebês. Eu o vi fazendo isso. Martha diz que vou me sair bem, mas eu não sei. É errado se sentir assim? Rumo ao desconhecido? E-eu queria tanto que minha mãe estivesse aqui para me ajudar… ela saberia o que dizer para me acalmar, como agir e Deus! Ela iria querer tanto segurar a neta nos braços. Cantar para ela, nina-la - a menção da mãe fez as lágrimas brotarem em seus olhos - ela dominaria tudo, faria com que tudo fosse perfeito. E-eu me sinto um pouco egoísta por desejar isso sabendo que Castle está ao meu lado disposto a fazer o impossível por mim, por Lily. Ele é meu marido, o homem que eu amo, mas eu ainda gostaria que pudesse ter Johanna Beckett comigo. Ela sempre sabia o que fazer. 
— E você também, Katie. Olha, eu entendo seu medo. Passei por isso com Audrey. É natural. Você terá a ajuda de muita gente. Castle, Martha e terá a mim - ela pegou a mão da amiga na sua - sei que não sou sua mãe, não sou a Johanna que gostaria de ter a seu lado, não estou a altura dela, porém sempre que precisar é só chamar - Kate segurou o choro e apertou a mão da médica com força recebendo uma nova contração. Quando a mesma passou, ela fitou Johanna. 
— Você pode não ser minha mãe, mas existe uma conexão, uma semelhança. Eu gosto de tê-la em nossas vidas, Joh. 
— Eu também, Katie. Gosto de fazer parte dela.
Quando Castle retornou tinha um semblante bem mais desperto e relaxado. Sorriu para o marido que beijou sua testa. 
— Seu pai está aqui. Minha mãe também - a conversa foi interrompida por Daniel que surgiu na enfermaria procurando por Johanna. 
— Johanna, me disseram que você estava aqui. O tenente gostaria de trocar umas palavras conosco sobre o paciente. 
— Claro, Daniel. Eu volto logo - ela disse sorrindo para a amiga. O olhar questionador de Beckett dizia tudo. Johanna teve que segurar o riso. Castle veio com Jim e Martha mudando o tom da conversa para um misto de risadas e animação. 
Duas horas depois, as dores tornaram-se bem intensas. O espaço entre as contrações diminuíra para cinco minutos. Charlotte voltara a enfermaria. Vira o sofrimento de Beckett que suava e gritava por causa da dor. Fez um ultimo exame. 
— É hora de Lily vir ao mundo. Não vamos mais esperar. Preciso que vocês deixem a sala, quero privacidade. Ninguém além do papai - Charlotte foi até o interfone chamou a enfermeira para preparar Kate e leva-la para uma sala de operação. Johanna deu um ultimo beijo no rosto da amiga e saiu. 
— Boa sorte, Castle - disse antes de dar um beijo em sua bochecha. 
— Sorte? Por que precisaria de sorte? 
— Kate e parto normal? Prepare-se para os xingamentos e potenciais socos - ela saiu rindo vendo a careta amedrontada dele. Beckett foi transferida para a OR, Charlotte trocara sua roupa, calçara as luvas e colocara a toca e os óculos. Castle também recebera um dos uniformes para colocar sobre as roupas. Trazia o celular e uma Go-pro com ele. Posicionou a câmera em um lugar estratégico da sala que capturasse o momento por completo. Charlotte deu a ele várias toalhas para ajudar a manter Kate relaxada e alerta as instruções que receberia. Uma nova contração a atingiu. Dessa vez, a dor fora bem mais forte que as demais. Charlotte sorria ao observar a cavidade a sua frente. 

— Então mamãe, está pronta para conhecer sua pequena? Hora do trabalho pesado, Kate. 

Continua.....

sábado, 2 de setembro de 2017

[Castle Fic] A (Im)Perfect Love Story - Cap.23


Nota da Autora: Esse recadinho vai ser um pouco extenso. Primeiro, quero avisar que esse capitulo é o ultimo que posto em um intervalo de uma semana porque meus pais estão vindo me visitar e não terei tempo para escrever. Contudo, como sabem a situação está em um angst e ainda não terminou. Acredito que algumas dúvidas e respostas ainda ficarão no ar. Eu tive meus motivos para criar esse plot e sim, me inspirei em Shondanás e Greys anatomy já que temos um casal de médicos na história. Não irei prometer postar antes do dia 11, (vale para todas as minhas fics em andamento) Sorry! Obrigada pelos comentários anteriores e pela compreensão. Mais uma vez, desculpa pelo angst e pelo cliffhanger. Encarem esse plot como um "fim" de temporada ou um "mini hiatus"... Dedicado as fãs de Greys (e eu não sou má como a Shonda!) Divirtam-se! 


Cap.23 

Algumas horas antes… 

Johanna começara o dia inteirando-se sobre o estado do paciente VIP. Era assim que o chamavam embora não tivesse nada de especial. Muito pelo contrario, todo cuidado era pouco com um criminoso desse nível. Após consultar o prontuário deixado por Daniel, ela seguiu com a enfermeira para a ala isolada. 
— Ele tem dado trabalho? Como se relaciona com a equipe? 
— O Dr.Gray nos orientou para evitar conversar com ele. O mínimo de informação trocada possível. Apenas atualizações sobre sua condição, perguntar se está sentindo dor. Nada além disso. Pelo que ouvimos, ele tentou um dialogo com o Dr.Lewis que não o agradou muito. 
— Entendo. Vou fazer um exame rápido para ver qual o real quadro para dar alta a ele. Confesso que o quanto antes nos livrarmos dele, melhor. 
— Acho que todos concordamos, doutora - ela empurrou a porta do quarto. O paciente estava deitado na cama distraindo-se com a televisão. Quanta mordomia, Johanna pensou. 
— Finalmente uma médica! E bonita. Confesso que estava me sentindo muito solitário aqui. E fiquei preocupado porque ninguém aparecia. Eu estou sentindo dores na área da cirurgia. Pontadas intensas. Pode me dizer o que é? Ou talvez me dar alguma droga para acalmar, quem sabe uma dose de morfina ou oxicodona, Vicodin? 
— Esses tipos de remédios não são indicados para a sua dor. Não tente sugerir algo apenas para incentivar seu vicio de drogas. Eu preciso realizar um diagnostico para entender porque está com dor e o que devo receitar. 
— Então, por favor, pode me examinar - Johanna se aproximou dele, ergueu um pouco o lençol que cobria seu estômago e apalpou a região do corpo onde a vesícula estava situada. Ele gemeu de dor - vai dizer seu nome, doutora? - ela apertou mais uma vez o local, ele gritou de dor. 
— Marshall. Dr. Marshall - abriu o curativo, a pele estava limpa, não havia sinal de infecção no pequeno corte da cirurgia. Estranho. Será que ele tinha mais algum problema além da vesícula? Não acreditava que Daniel tivesse cometido alguma negligência na cirurgia. Precisaria checar o abdomen internamente. 
— Vou chamar o residente. 
— Vai me dar o remédio agora? 
— Não. Preciso avaliar outras possibilidades. Vou realizar uma ultra-som, talvez uma ressonância. Eu volto. 
Saindo da sala, Johanna chamou o residente. Fazer a ultra-som poderia ser mais seguro, contudo talvez não conseguisse verificar a abrangência da dor. Indicou o que o residente deveria fazer, ela teria que levar o paciente até a maquina. Tinha duas alternativas: fazer isso sozinha ou colocar o residente no fogo. Teria que desamarra-lo. Era arriscado. Olhou para um dos policiais que faziam a escolta na ala. Isso poderia ser uma opção então dirigiu-se a ele. 
Do lado de dentro do quarto, o assassino sorria. Enganara a médica direitinho. Escapar seria mais fácil do que pensara. Ela comprou seu ato e iria proporcionar uma chance valiosa para que ele deixasse aquela maldita prisão. Assim que ela o levasse para o exame e o soltasse, podia colocar seu plano de fuga em ação. Olhando para o ambiente ao seu redor, ele procurava algo que pudesse usar como uma arma branca. Teria que estar preparado. 
Johanna voltou acompanhada do residente e um dos oficiais. Ao ver o trio, ele não gostou muito. Fingiu estar com dor para manter-se fiel a ideia. O terceiro elemento demandava uma atenção maior. Devia ter previsto que algo assim aconteceria, afinal ali era um hospital e certamente queriam prezar pela segurança de seus funcionários e pacientes. Tudo bem, era um pequeno obstáculo totalmente gerenciável. 
— Esses são Peter e o oficial Johnson. Eles irão me ajudar a leva-lo para a sala de exames. Vamos colher seu sangue para uma nova avaliação - o residente se aproximou com a agulha recolhendo um frasco de sangue para análise. Terminado, Johanna aproximou a cadeira de rodas da cama. O policial se aproximou do paciente removendo cautelosamente as algemas que o prendiam a cama. Não tinha qualquer intenção de fazer uma cena naquele momento. Tinha que demonstrar fraqueza, ganhar a confiança deles, faze-los acreditar que precisava desesperadamente de ajuda. Era um pobre paciente indefeso. 
E foi assim que agiu durante todo o percurso. Antes de entrar no quarto, seja por impulso ou instinto, Johanna decidiu por procurar no armário de remédios algo para ter como precaução. Escolheu duas doses de diazepam injetável. Dessa forma poderia garantir uma maneira de para-lo caso algo desse errado. Colocou no bolso do jaleco. 
Gemendo e comportando-se como um verdadeiro paciente em apuros, ele colaborou com a equipe. Johanna acompanhou o processo de retira-lo da cama e prende-lo na cadeira de rodas. O processo similar ocorreu durante o momento que eles o colocavam na maca do exame. 
Ela foi para a sala com o residente. O policial também foi obrigado a deixar o recinto e ficou no corredor. 
— O que espera encontrar, doutora? 
— Não sei ao certo, quero me certificar que não deixamos passar nada. Descobrir de onde vem essa dor. Está tudo pronto? - o residente afirmou com a cabeça, ela acionou o botão para falar com o paciente - por favor, não se mexa. Iremos começar o exame - ela ligou a máquina. Johanna observava atentamente para as imagens que surgiam a sua frente no monitor. Ela avaliou cada detalhe e não encontrou nada que justificasse a tal dor que o paciente afirmava sentir. O local da cirurgia estava intacto, não havia nenhum resíduo ou anormalidade que indicasse um problema. Estaria perdendo algo? Decidiu por medicar o paciente com algo leve apenas para fazer com que se sentisse mais confortável. Checou o relógio. Daniel deveria estar chegando a qualquer momento. Podia conversar com ele a respeito e então tomar outras precauções. Desligou o aparelho e fez sinal para o residente acompanha-la. 
Entraram na sala, dessa vez não estava acompanhada do policial. Junto com o residente, eles moveram o paciente até a cadeira de rodas e em um simples descuido do rapaz, o bandido acertou um murro no rosto dele fazendo-o tombar para trás. Johanna gritou com o susto e não teve a chance de se defender. O assassino a agarrou pelo pescoço e a imobilizou antes que Johanna tivesse tempo de reagir. Assim que o residente se recuperou, foi surpreendido com um taser em seu abdomen. O impacto do choque o derrubou outra vez. 
— O que você está fazendo? 
— O que mais? Preparando-me para minha liberdade tão merecida e você irá me ajudar. 
— Onde conseguiu isso? O taser? 
— Esse seu policial é muito despreparado. Foi fácil tira-lo da cintura dele. Agora você irá fazer exatamente o que eu disser se quiser sair dessa intacta. Lembre-se Dr.Marshall, você é meu ticket para a liberdade, um passo em falso e perdera sua vida. Você sabe que sou um assassino, não hesitarei em matar. Não planejo fazer isso se cooperar comigo. Preste atenção - Johanna engoliu em seco - tem algum interfone que possa nos conectar com a recepção e a direção? 
— Tem, na sala ao lado. 
— Ótimo, mexa-se! - ele saiu empurrando a médica pelo corredor rumo a sala. O policial vendo a demora, resolveu checar. Ao entrar na sala, foi logo empunhando a arma, porém Ron falou - nem se atreva! Você não é bom policial. Se tentar atirar em mim, ela é quem morrerá. Se cooperar talvez saia vivo e possa ir para casa. Coloque a arma no chão. Obedeça! - receoso, o oficial olhava para Johanna procurando por uma alternativa. 
— Faça o que ele está mandando para o seu próprio bem e o meu - ele obedeceu. 
— Agora podemos continuar. Esse seu radio irá me colocar em contato com um responsável da NYPD? 
— Não… 
— Então ficaremos com o plano A. Ligue! - Johanna acionou o botão da recepção. Uma das atendentes respondeu prontamente. 
— Cindy? É a Dr. Marshall. Preciso que faça um favor para mim. Tenho um código preto e… - mas ela não conseguiu terminar. Ron tirou o telefone de sua mão e tomou a frente da conversa. 
— Cindy, a doutora não entendeu o recado. Preste atenção no que você irá fazer. Nesse momento preciso que ligue para a central da policia, 911 e diga que Ron Brandt está com vários reféns no seu hospital. Você irá trancar as portas e ninguém sairá desse local e pedirá para alguém vir até aqui escutar quais são minhas exigências. Entendeu? 
— S-sim…
— Ótimo. Agora coloque essa ligação no viva-voz e pegue outra linha para fazer a ligação. Quero escutar tudo o que vai dizer. Pode ligar, eu estou esperando - o medo tomou conta de Cindy. Com a voz tremula, ela fez o que ele ordenou. A atendente da emergencia em segundos percebeu que não era brincadeira porque Cindy também acionara o alerta vermelho, um botão com conexão direta à policia para qualquer situação extrema no hospital. Da outra linha, Ron se fez ouvir. 
— Ela não está brincando. Sou eu que estou exigindo a presença de alguém com poder para negociar. Tem centenas de vidas em risco nesse hospital e não estou a fim de ser desafiado. Se for, prepare-se para responder por vários homicídios. Você tem cinco minutos para ligar de volta e me colocar na linha com uma patente da NYPD.  Quatro minutos e cinquenta segundos agora… - eles ouviram o clique do outro lado - Cindy feche as portas. 
Johanna pensou que não havia como ter certeza de que Cindy fizera o que ele mandara. Poderia ter discretamente expulsado varias pessoas do hospital. Claro que Ron pensava a mesma coisa. Ele caminhou com Johanna até onde o policial deixara a sua arma. Por precaução, Ron chutou-a para um pouco mais longe e inclinou-se quase estrangulando Johanna no processo para pega-la. Em seguida, ele se aproximou do oficial. Com o taser apontado para a médica e a arma para o oficial, ordenou que o mesmo pegasse as algemas e prende-se no punho e numa barra de ferro próxima a maquina. Sem oferecer resistencia, o oficial obedeceu. Ele não estava muito preocupado com o residente ainda caído no chão, mas como diz o ditado, melhor prevenir e atirou na perna dele. Johanna gritou assustada. 
— Não grite, comporte-se! 
— Você atirou nele! Qual a necessidade? 
— Precaução. Ele vai sobreviver. Vamos para a recepção, preciso ver se Cindy cumpriu o que pedi ou vai querer uma bala. E nada de truques, doutora. Tem bala para você também. 
Ao chegar na recepção, ele viu que as portas estavam fechadas. Havia seguranças nas portas e várias pessoas apreensivas no saguão. Assim que o virão os seguranças sacaram as armas. 
— Eu não faria isso se fosse vocês…estão vendo? Eu também tenho uma arma e não vou hesitar em usar na doutora. Eu não tenho intenção de matar ninguém, quero que a policia cumpra minhas exigências, porém se vocês me ameaçarem, o número de vitimas será bem maior que a Dr. Marshall. 
— Por favor, não atirem. Não façam nada… - ela suplicou - há muitos civis aqui. 
— Escutem direitinho. Tirem suas armas e as coloquem no chão. Vamos! - eles obedeceram - agora afastem-se - ele pegou mais uma arma e colocou presa às costas e tirou o pente da outra - Cindy, estou esperando a ligação - ele ouviu um barulho de sirene - hum! Mandaram um time para conversar. Agora estamos fazendo progresso - ele mal terminou de falar, o telefone tocou. Era o tenente da NYPD responsável por negociar com Ron. Cindy lhe entregou o telefone. 

XXXXXXXXX

Beckett chegou a frente do perímetro bloqueado do hospital. Vários carros da policia estavam estacionados impedindo a passagem de civis e veículos. Mesmo caminhando mais lento que o normal, ela mantinha a pose determinada e confiante de policial. Tirou seu distintivo quase esfregando na cara do oficial da patrulha. 
— Capitã Kate Beckett, 12th distrito. Eu sou a policial que prendeu o bandido que está fazendo reféns nesse hospital. Preciso falar com o responsável pela operação. Pode me dizer quem é? 
— Senhora, e-eu não acho que aqui é um bom lugar para uma gra…- ela o cortou na hora já irritada. 
— É capitã. Vai me deixar passar ou terei que fazer isso na marra? Vou perguntar mais uma vez, quem é o responsável pela operação? 
— Tenente Richmond. 
— Ótimo! - ela passou pelo oficial e caminhou chateada para o seu encontrou com o tenente - não posso passar porque estou gravida! Que absurdo! Devia mandar prende-lo por desacato - resmungando, ela finalmente chegou ao local onde um homem na faixa de uns quarenta e cinco anos comandava um grupo de oficiais devidamente fardados, armados e protegidos com coletes. Sera que ele estava pensando em invadir o hospital? Erguendo seu distintivo outra vez, ela o abordou - Tenente Richmond? Capitã Kate Beckett, 12th distrito. Qual a situação? 
— O que faz aqui capitã? Ninguém morreu ainda. Não precisamos da Homicídios. 
— Eu estou aqui para ajudar. A médica refém é minha amiga e fui eu quem coordenou a prisão do bandido em questão. Ron Brandt. Posso lhe garantir que ele é um cara muito esperto. Você já falou com ele? 
— Sim, ele fez algumas exigências. Quer um helicóptero, cento e cinqüenta mil dólares, a garantia de que não o perseguiremos. Ameaçou levar a médica junto para ter certeza de que não o prenderemos. 
— Ele não quer voltar para a prisão. Vai cumprir com o pedido? 
— Você pensa que sou idiota? Claro que não! Eu vou enrola-lo e invadir esse hospital. 
— Então você definitivamente é um idiota! Ron Brandt não vai se render facilmente. A situação que você tem diante de si tenente é critica e perigosa. Sabe quantas pessoas estão no hospital entre empregados e pacientes? 
— Não recebemos um numero definitivo. Estimamos cerca de 150 pessoas. 
— Ele não vai se deixar ser pego. Ron tomou uma decisão no momento que deixou a Sing Sing. Nunca mais voltar para lá e será exatamente isso que ele fará. 
— Sinto muito desaponta-la, mas não vou perder a chance de manda-lo de volta para a sua cela. 
— Talvez precise fazer sua lição de casa, tenente. Ron Brandt simulou um assalto a uma agência bancaria apenas para conseguir o conteúdo de um cofre. Usou uma equipe, vestiram-se de médicos e ele passou por um dos reféns, um epiléptico. Assim que conseguiu o que queria simulou uma crise para deixar o banco. Ele é bom nisso. Provavelmente foi o que fez no hospital para conseguir a atenção de Johanna. 
— Como você sabe disso? 
— Porque eu me disfarcei de paramédica e acabei sendo a pessoa que tirou-o de lá, afinal pensávamos que era um civil em perigo. Não para por ai. Eles tinham C4 no banco e Ron matou duas pessoas para conseguir a combinação do cofre. Ia matar a terceira quando conseguimos captura-lo. Acredite em mim quando digo, ele não é um amador. E se você não cumprir as exigências dele, sinto muito informar que ele matará pessoas para escapar e se não conseguir pode se matar. Para mim está bem claro que ele prefere a morte que voltar a prisão. 
— Você realmente está me mandando conseguir o tal helicóptero? 
— Todas as exigências. Já tem um plano para manter as vitimas em segurança? Se não, é melhor pensar nisso. Caso contrario, ele vai começar a matar quando souber que não terá o que pediu, tenente. 
— Isso é um absurdo! Ele é um bandido! 
— Eu sei. Mas se quer pega-lo, terá que pensar primeiro nas mais de cem vitimas que estão nesse hospital - Beckett viu-o afastar-se um pouco. Pegara o celular provavelmente para consultar um superior. Ela observava tudo ao redor. Precisava achar um meio de entrar no hospital.

XXXXXX 

Quando Castle chegou em casa, a primeira coisa que chamou sua atenção foi o cheiro de queimado no ar. O que acontecera? Será que Kate fora tomar banho ou cochilara e esquecera algo no forno? Ao se aproximar da área da cozinha, ele notou o forno ligado. Cuidadosamente, abriu a porta do forno e a fumaça encheu o ar. Chamou por ela. 
— Kate? Está no quarto? Kate! - ele tirou a travessa com o porco torrado colocando sobre o balcão. Deve estar dormindo pesado, pensou. Encaminhou-se para o quarto - Kate? Você queimou o nosso jantar…- mas ela também não estava na cama, nem no banheiro. Onde se metera? Não sairá de casa deixando o forno ligado, isso era totalmente o oposto de algo que Beckett faria. Resolveu checar o quarto de Lily. Nada. Isso era um comportamento completamente inesperado da sua esposa. Retornou ao quarto pegando seu celular para ligar para ela. Como de costume, ligou a tv. A chamada de boletim exclusivo chamou sua atenção. 
Castle ouvia a historia e sentia seu corpo amolecer. As pernas fraquejarem por um instante forçando-o a sentar-se. 
— Ah, não…meu Deus! - a repórter falava sobre o caso e mostrava o ambiente na área externa do hospital. Castle deixou o celular escorregar de suas mãos - Kate, não… - infelizmente era sua mulher, a capitã estava proximo a um dos carros da NYPD conversando com outros policiais - minha mulher é louca! - ouvir o nome de Ron Brandt também não ajudara em nada, a cada minuto que passava, Castle ficava mais apreensivo e tenso. Ele precisava ir até lá e arrastar, pensando bem, arrastar não era o termo apropriado. Ele precisava faze-la entender o risco de estar ali ou de tentar participar nessa operação. Ligou para ela pegando a chave do carro e saindo. A ligação foi para a caixa de mensagem. Tentou outra vez, o mesmo resultado. Será que ela estava fazendo de propósito ou não escutara? Castle decidiu agir rápido e chegar o mais depressa ao local. A próxima ligação que fez foi para Paul. O médico também não atendeu. 
A verdade era que tanto Beckett quanto Paul tinham problemas maiores no momento. Ela convencera o tenente a conseguir o helicóptero. Tentara persuadir o responsável para participar da operação o que obviamente foi negado. Ela estava indócil. Não podia deixar Johanna na mão. Beckett decidiu observar o perímetro. Tinha uma boa distância bloqueada e nenhuma ambulância encostava na entrada da emergência. Os pacientes críticos que estavam a caminho desse hospital estavam sendo redirecionados para outro lugar. Ela matutava o que poderia fazer para entrar no hospital. Uma ideia lhe ocorreu e viria bem a calhar devido as circunstâncias.    
Beckett caminhou até uma área onde dois carros de patrulha estavam estacionados bloqueando o caminho de acesso da emergência e das ambulâncias. Ouviu um dos oficiais explicar para uma pessoa que todas as situações de risco ou criticas que se aproximavam estavam sendo direcionadas para outros hospitais. Ninguém entrava nem saia dali sem ordens expressas do tenente. Veremos, pensou Beckett. 
Ela colocou a mão na barriga. Surrupiou uma garrafa com agua que viu abandonada perto de um poste. Fez careta e começou a gritar simulando contrações. Caminhava com dificuldade até os policiais. O teatro era bem feito. Gemidos e gritos longos de dor pareciam reais aliados as expressões faciais que ela fazia. Beckett agarrou o braço de um dos policiais com força. 
— Por favor… ajude… minha filha! - ela deu mais um grito - e-la vai…nas-nascer…. door… ajude, eu preciso do…hospital. 
— Eu sinto muito, moça. Ninguém pode entrar nesse hospital. E-eu vou chamar o 911 pelo rádio e pedir uma ambulância. 
— Não dá tempo… a bolsa… - ela fez questão de afastar as pernas, a agua jorrou pelo meio delas - a bolsa estourou… ela vai nascer… 
— Dona, oh… meu Deus! E-eu não posso fazer isso… vou falar com meu superior e… - Beckett apertou outra vez o braço dele com vontade. Pegou o distintivo na bolsa. Mostrou ao oficial. 
— Eu sou capitã. Você não precisa contatar ninguém. Sei me virar - ela percebeu que uma ambulância encostara próximo ao carro da policia. Um paramédico desceu para perguntar se havia pacientes para serem transportados ou reféns. Beckett reconheceu o símbolo do hospital em sua farda. Era um dos que trabalhavam ali. Isso podia dar certo. 
— Tenho uma grávida, ela está com muita dor. Melhor trazer uma cadeira de rodas - o paramédico prontamente obedeceu. Beckett sentou-se e pediu para ele agir rápido. Aliviado por ter se livrado da responsabilidade de lidar com uma grávida, o policial nem percebeu que o paramédico não levara a grávida para a ambulância. Beckett rapidamente trocou umas palavras com o rapaz. 
— Tony, eu preciso entrar naquele hospital - ela mostrou o distintivo - eu não estou tendo contrações e minha bolsa não estourou. Sou amiga da Dr. Marshall e conheço o bandido que a fez de refém. Eu o prendi. Existe outra entrada de emergência além dessa? 
— Não de emergência, mas tem a área comum das ambulâncias. 
— Você tem acesso? - ele meneou afirmando - Ótimo. Leve-me até lá - ele a olhou um pouco apreensivo - olhe, estou armada. Sei me cuidar e preciso ajudar Johanna- Beckett suspirou quando viu que o convencera. Ele guiou-a na cadeira de rodas até o local. Usou seu crachá e seu código para entrarem. Ainda sentada, ela pediu - pode me dar uma explicação geral de como me locomover no hospital? Onde é a emergência, a recepção daqui? 
— Eu não vou deixa-la sozinha. 
— Você vai. Não precisamos de mais uma vitima. Apenas me ensine como andar pelos corredores do hospital para que eu ache Johanna - e ele o fez. Beckett movia-se com muito cuidado em direção a recepção. Ela não gostaria de enfrentar Ron na frente de vários civis. Não queria arriscar. Teria que contar com a sorte. 
Do lado de fora, Castle estacionou o carro a pelo menos dois quarteirões do hospital. Corria para o local ainda tentando falar com Beckett ou Paul. O celular dela tocou baixinho. Beckett pegou-o na mão. Vendo que era o marido, decidiu não atender. Então, o remorso a tomou. Eles haviam prometido que não esconderiam mais nada um do outro desde Loksat. Atendeu, a voz quase um sussurro.  
— Castle, por favor, preste atenção. Eu não posso me estender muito, eu estou bem. 
— Beckett, me diz que você não está no hospital. Por favor… - mas ela não precisava responder, ele já sabia a resposta - Deus! Você é louca… 
— Eu preciso achar Johanna, Castle. Eu vou colocar o celular no silencioso. Não quero que Ron desconfie. 
— Cuidado, por favor… você sabe que esse cara é perigoso. E-eu não quero perder você e Lily, e-eu…
— Vai ficar tudo bem. Eu te amo, Rick. 
— Always - Castle percebeu que suas mãos tremiam quando desligou o celular. Sabia da competência da sua esposa, confiava nela com uma arma, rendendo bandidos. Dessa vez, porém, ela não estava em seu estado regular. Ela estava grávida e seus movimentos eram mais lentos. Não, ele não podia pensar no pior. Respirou fundo. Tinha que furar esse bloqueio. Ao chegar próximo ao local onde uma faixa amarela enorme e vários cavaletes bloqueavam o caminho, ele viu Paul chegando correndo. Ele falava com o policial. 
— Não posso entrar? Como não? A médica que está lá dentro é minha namorada! Eu trabalho nesse hospital. Eu operei o bandido, pelo amor de Deus! Como você me diz que não posso entrar? 
— Senhor, desculpe. Eu não posso liberar ninguém. São ordens. 
— Então é bom você checar com os seus superiores ou pode estar cometendo um grande erro - Castle interrompeu cheio de si. Paul o olhou intrigado, porém logo compreendeu que precisava entrar no jogo do escritor - O Dr. Grey foi chamado aqui por causa do suspeito Ron Brandt que mantém reféns nesse hospital. Não acredita em mim? Ligue para a central de policia. Chame o tenente Ryan. Posso até lhe dar o numero dele para facilitar sua vida. 
— Quem é você? - Castle não respondeu e tampouco esperou o oficial responder. Discou o numero do amigo. 
— Ryan, preciso que fale para um dos oficiais… - ele olhou para o rapaz e para a placa de identificação - oficial Parker, quais são as ordens para a liberação do Dr. Grey e sua urgência - Castle colocou a ligação no viva-voz. Conhecendo o escritor e suas maluquices, ele resolveu seguir com o que o amigo pedira. 
— Oficial Parker, posso saber qual o problema? Castle não foi claro quanto as ordens com você? 
— Senhor, e-eu não posso deixar ninguém ultrapassar. Ordens do meu superior. 
— Qual o nome do seu superior? 
— Tenente Richmond, senhor. 
— Então oficial Parker saiba que uma ordem direta do Lieutenant Ryan da 1PP devidamente apoiada pela Capitã Gates não precisa de checagem. Irá executa-la? 
— S-sim, senhor. Desculpe, Lieutenant Ryan. 
— Ótimo. Castle, me ligue caso tenha outro problema. 
— Claro, Ryan. Agradeça a Gates por mim - ele desligou o celular - então? - o oficial ergueu a faixa deixando Paul passar, Castle foi ligeiro aproveitando a brecha. Quando estavam apressando o passo, ele deu a noticia ao médico - temos um problema. Beckett está lá dentro e eles não estão deixando ninguém entrar. Você tem um plano porque eu já usei o meu. Alguma entrada secreta? Preciso de opções, Paul. E rápido antes que os demais caras da NYPD nos vejam. 
— E Johanna? Ela está bem? 
— Eu não sei. Beckett ia procura-la. Precisamos de… - mas foram interrompidos - o celular de Castle tocou outra vez. Ryan - hey, eu consegui e…
— Quer me dizer o que você está fazendo? Beckett vai mata-lo se tiver a ponto de fazer loucura, Castle. 
— Eu que deveria estar fulo da vida com ela. Ryan, Beckett está nesse momento dentro do hospital sabe-se lá em que condições. não sei se Ron a fez de refém também. Ela está lá Ryan. Não posso deixa-la sozinha… 
— Por que voce não disse que estavam em apuros? Estou indo para ai.  
— Hey! Quem são vocês? - o atirador da SWAT usava colete e tinha em mãos uma arma de elite, própria de atirador profissional. 
— Ele é o médico do suspeito. Dr. Grey, ele operou Ron Brandt. 
— Não devia estar aqui, doutor. Não ha nada que possa fazer. 
— Mas eu sou funcionario do hospital, eu o operei e tem colegas e pacientes precisando de mim lá dentro. 
— Não posso deixa-lo entrar. Ordens do tenente e do sequestrador. Ninguém se aproxima das portas do hospital. Estamos trabalhando nas exigências dele. Vou leva-lo até o tenente Richmond. E você quem é? 
— Eu estou com ele - Paul quase riu do jeito de Castle, mas a situação exigia que ambos fossem convincentes. 
— Ele é um colega que veio dar sua opinião no caso do Sr. Brandt - o SWAT não questionou, apenas fez sinal para o seguirem. Castle cochichou para Paul. 
— Isso não vai dar certo, o tal tenente não vai nos deixar entrar. 
— Ele deixou a Beckett… 
— Ah, Paul… não, Beckett deu um jeito de entrar. Nenhum policial em sã consciência autorizaria uma grávida a entrar em um hospital em situação de risco. Voce não conhece minha esposa. 
— É, agora que você falou posso imaginar que é bem o estilo dela. O que faremos? 
— Dependo de você. 
— Tenente, encontrei esses médicos a caminho do hospital. Ele foi quem operou o suspeito. O outro é um colega. 
— Vocês não deveriam estar aqui. 
— Como não? Eu trabalho nesse hospital. A médica que está sendo feita de refém é minha parceira. Não apenas profissionalmente. Eu deveria estar de plantão agora, me sinto responsável. 
— Eu sinto muito, Dr… 
— Grey. Esse é Castle. 
— Como ia explicar, Dr. Grey, infelizmente não posso deixar ninguém entrar, ordens do sequestrador. Não posso estragar a negociação em andamento. 
— Já tem uma negociação? O que ele pediu? - perguntou Castle interessado. 
— Um helicóptero, dinheiro e a garantia que não seria seguido. Ele quer escapar. Eu sou totalmente contra a ideia. Por mim, já teria invadido esse hospital com meus homens. 
— Péssima ideia, tenente - disse Castle. Paul olhou para o escritor sem entender. Resolveu insistir com a autoridade. Também achava que estavam dando muita atenção e escolha para o criminoso. 
— E qual o problema? Pode fazer isso, não? Apenas invadir o hospital? 
— Eu falei com meu superior depois que a capitã Beckett disse que ele fugiria de qualquer jeito e mandou eu conseguir as exigências. Meu chefe concordou com ela. O tal do Brandt ameaçou levar a médica com ele como garantia. 
— Ah, não… Joh… 
— Bem-vindo a minha vida, Paul. Tenho até medo do que essas duas podem aprontar - Castle puxou o médico para um canto a fim de que o policial não o ouvisse - ok, você tem um plano? 
— Plano? Eu quero que a Joh saia viva dessa. Sem ferimento ou coisa pior… por que está me perguntando de plano? 
— Porque sua mulher está em perigo, a minha também. Você deveria ter um plano! 
— Eu não tenho! Espera, você tem? 
— Ainda não, mas preciso bolar um. Não posso deixar minha parceira sozinha nessa. Tenho que entrar nesse hospital - de repente, os olhos de Castle brilharam - Paul, qual o seu nível de acesso no hospital e mais importante, o quanto você o conhece? 
— Castle, está louco? Você está sugerindo que eu invada o hospital? 
— Eu e você. Se não quiser, eu farei isso sozinho, não me importo. Conte tudo o que você sabe. 

XXXXXXX 

Beckett estava bem próxima da recepção. Ela precisava de uma visão clara. Tinha que saber onde exatamente Ron estava para entender suas opções. Um rapaz que ela julgou ser enfermeiro surgiu no corredor trazendo uma jarra com agua. Colocando o indicador sobre os lábios, ela fez sinal para que ele se aproximasse. Frente a frente, ela começou a trabalhar em seu interrogatório. 
— Está tudo bem. Sou policial - mostrou a arma na mão - preciso que me ajude. Quero saber qual a posição de Ron e Johanna. 
— E-ele não está na recepção. Tirou todas as armas dos seguranças. É, ele está armado. Foram para a enfermaria da direita. Ele e a Dr. Marshall. Está esperando o retorno da NYPD sobre o helicóptero. O interfone permanece ligado para que ele monitore as coisas através de Cindy. Pelas minhas contas, tem dez minutos ou ele vai começar a matar reféns. 
— Eu preciso da sua ajuda. Tenho que chegar a enfermaria. É a minha única chance. Me leve até lá.  
— Mas você está grávida. 
— Eu sei qual o meu estado. Mais um motivo para você me ajudar. Eu conheço esse cara. Sei como ele funciona, eu o prendi. Só preciso chegar até ele. Preciso ter uma ideia clara de onde ele está e como está mantendo Johanna refém a ele. Essa enfermaria tem apenas uma entrada? 
— Não, tem duas. Você pode me seguir - Beckett foi com o rapaz. Mantinha sua arma em punho, destravada. Não podia brincar com Ron. Ele não pensaria duas vezes antes de atirar nela. A visão que Beckett tivera era, de certa forma, privilegiada. Ron estava de costas para ela, mantinha Johanna próximo ao seu corpo. Podia ver a arma apontada para a médica enquanto ela trocava o curativo dele. A capitã decidiu esperar até que a amiga terminasse o serviço. Não queria comprometer a vida de Johanna mais do que já estava exposta. 
Ela teria que ser rápida. Ganhar a atenção do suspeito para que o impedisse de puxar o gatilho. Ou talvez já começasse atirando. Não, isso definitivamente era uma má ideia. Ela ponderou seu próximo passo, talvez negociar de igual para igual sem deixar sua arma de lado. Beckett o conhecia, podia jogar a seu favor e principalmente se pudesse tirar Johanna do meio do perigo. Respirou fundo, de arma em punho, Beckett deu o próximo passo comunicando a sua entrada. 
— Ron Brandt, não se mexa. E nem pense em apertar o gatilho dessa arma que você tem em mãos - ele virou-se para fita-la - se lembra de mim, Ron? 
— Ah, Kate! O que você faz aqui? 
— Deveria saber quem voce é? 
— Não se lembra, Ron? Eu o tirei de um suposto assalto a banco porque você fingia uma crise de epilepsia afinal você era a pessoa por trás do golpe para chegar até seu filho depois de ter matado seus sogros, não? Refrescou sua memória? Eu era detetive na época, agora sou capitã. Meu parceiro era um dos reféns. 
— Ah, certo. O carinha que insistia em resolver o assalto. Eu não esqueci vocês. Na verdade, está bem diferente. Claro que eu sei que não está gorda, acha que pode me deter estando grávida, capitã? 
— Está sendo um pouco preconceituoso, Ron. Como conseguiu escapar da prisão, Ron? Outro de seus golpes se fazendo de doente? Já devia imaginar. Aposto que fez um teatro para a Johanna se compadecer de você, não? Afinal, ela fez um juramento e não faltaria com ele qualquer que seja o paciente, mesmo um criminoso assassino como você. Para a sua informação, a gravidez não tirou minha habilidade de atirar. Continuo com uma boa mira, porém esse não é meu objetivo. Quero que todos saiam daqui com vida e sem perdas.
— Fácil para você falar. De acordo com seus planos, eu volto para a prisão. Isso não vai acontecer. E estou disposto a matar por isso. Começando pela doutora aqui - Ron apertou o cano da arma no pescoço da médica, Beckett esforçava-se para mante-lo ocupado conversando até o momento certo. 
— Hey! Devagar! Soube que suas exigências estão a caminho. Helicóptero, bem ao estilo 007. Quanta evolução para o cara do ônibus. Se bem que era o seu parceiro que comandava no banco. Eles me disseram que levaria dez minutos. 
— Eles estão atrasados. Vou ter que mostrar quem está dando as cartas. 
— Posso lhe dar um conselho? Cuidado ao falar com o tenente responsável da operação. Ele não está muito disposto a lhe conceder as exigências. Para falar a verdade, a única razão porque está conseguindo o helicóptero é porque eu intervim. Mandei obedecer a cadeia de comando e lhe conceder o que pedia, ele falou com o superior dele e ficou bem chateado. Está louco para manda-lo de volta para a Sing Sing. Eu esperava que ele tivesse se arrumando para invadir esse hospital, Ron. Se isso acontecer, você vai voltar para a prisão. É um fato. A menos que tenha um plano B. Você tem? 
— Eu não irei voltar para a prisão, entendeu? Não mesmo! É melhor eu checar se Cindy recebeu noticias. Melhor ainda, vou lembra-los de quem está no comando - ele pegou o interfone outra vez chamando por Cindy. Johanna aproveitou que ele a mantinha de costas e mesmo com a arma apontada para a sua carótida, ela fazia pequenos gestos quase imperceptíveis para Beckett querendo que a capitã aproveitasse o momento para abater o alvo. Claro que Beckett pensara a mesma coisa, a sinalização de Johanna indicava o melhor lugar para que ela atirasse. Era um bom momento pelo foco de Ron estar no telefonema. Ele gritava. 
— Como você não recebeu nenhuma resposta? Eu quero saber onde está meu helicóptero agora! Cindy, coloque o responsável na linha ou eu não hesitarei em atirar. Vamos, Cindy! - Beckett notou que ele estava impaciente. Aparentemente, o tenente Richmond não estava contribuindo para diminuir o nível de raiva que tomava conta de Ron ao demorar em atender a ligação. Definitivamente, esse cara era um idiota e um péssimo negociador, pensou Beckett. Por fim, ele voltou a conversar. 
— Mais dez minutos? Que diacho de incompetente é você que não consegue arranjar um helicóptero? E não me venha com desculpas sobre piloto ou licença. Qualquer piloto serve! E quanto ao meu dinheiro? - ele ficou quieto um momento ouvindo as prováveis desculpas do tenente, o rosto tornava-se mais vermelho a cada segundo. Johanna aproveitando o momento de descontrole do sujeito tentou desviar o corpo um pouco mais para a esquerda para facilitar a visão e a mira de Beckett. Porém, Ron Brandt não era um criminoso de quinta, muito menos um marinheiro de primeira viagem por assim dizer. Rapidamente, ele segurou o interfone entre o ouvido e o ombro e baixou a mão acionando o taser na lateral do corpo de Johanna que gritou, 
— Não! Pare! o que você pensa que está fazendo? - Beckett gritava de volta. Ron não respondeu de imediato, voltou sua atenção para a ligação. 
— Você tem dez minutos ou a doutora morre! - desligou o telefone com raiva. No próximo segundo, ele ligou outra vez para Cindy - adivinha? Você tem uma missão muito importante, Cindy. Em cinco minutos, voce irá ligar novamente para o imbecil do tenente para cobrar meu helicóptero. Se voce não fizer, a doutora vai levar um choque a cada minuto, entendeu? - mas ele estava ligado o bastante no que acontecia ao seu redor mesmo com os choramingos de Cindy do outro lado do telefone. 
— Por favor, não faça nada com a Dr. Marshall, ela é boa. Não precisa morrer… e-eu vou ligar, prometo, por favor… - Ron tinha os olhos atentos ao da capitã. Havia algo acontecendo. 
— Olhe para mim, capitã. Eu disse somente para mim! - ele gritou. 

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Castle esfregou o rosto com ambas as mãos visivelmente nervoso. Eles ainda estavam um pouco distantes de onde o policial conversara com os dois. Paul também estava muito preocupado, principalmente depois de ser sabatinado por Castle e ver que o escritor pensava em agir por conta própria. 
— Certo, vamos repassar o que você me disse. Há umas docas na parte de trás do hospital onde caminhões de suprimentos chegam para descarregar e carregar todo tipo de material incluindo lixo. Você tem acesso ao local. Depois de passar das docas, se pegarmos o elevador de serviço basta acionar o “L” para chegarmos ao andar da recepção. Um longo corredor passando por salas de exames, farmácia e enfermaria até alcançarmos a frente do hospital. Ótimo! Não me parece tão difícil. Você não teria como acessar o sistema do hospital? Talvez baixar uma planta? Droga! Nessas horas eu sinto falta dos brinquedinhos do FBI. É isso! Talvez se eu falar com Gates e ela contatar o Bureau e… - ele sentiu as mãos de Paul com força sobre seus ombros. O olhar verde profundo e fixo no seu. 
— Castle, será que você consegue ouvir o que está dizendo? Está sugerindo que entremos no hospital clandestinamente para encontrar um criminoso, reféns e potencialmente nos tornarmos vitimas também. Nós sequer temos armas! Isso é loucura! 
— Paul, ele está mantendo sua mulher como refém e tenho quase certeza de que a minha esposa também está na mesma sala que eles. Eu não sei quanto a você, mas eu não vou abandonar Beckett. Ela é minha parceira e nós enfrentamos o perigo e corremos riscos juntos, independente do que possa acontecer. Se você não quer se arriscar, ótimo! A escolha é sua. Eu vou atrás de Beckett portanto me dê o seu crachá e o código porque eu… - a voz de Castle foi silenciada com o barulho de três tiros disparados quase que em sequências com poucos segundos um do outro. O olhar aterrorizado do escritor dizia tudo. Paul sentiu suas forças se esvaírem pelas pernas. 
— Joh…

— Oh, meu Deus….Beckett! - o grito apavorado de Castle foi abafado diante da confusão que se formara na frente do hospital. 


Continua....