Nota da Autora: Ainda não estou de volta totalmente, mas aqui vai mais um capitulo da S9. O angst está acabando prometo! Sei que não agradei a todos, tenho meus motivos para fazer o que fiz. Sei que é impossível agradar gregos e troianos. Enfim, emoções, expressões, sentimentos....enjoy!
Cap.24
— Não!!! - Castle desvencilhou-se da onda de policiais que tomavam a sua frente. Paul começou a correr na direção do hospital e foi parado por três policiais da SWAT.
— Eu preciso entrar! Eu sou médico…feridos! Meu Deus!
— Senhor, ninguém pode entrar e…- mas o policial não esperava ser surpreendido com um soco. Zonzo, ele caiu no chão. Paul voltou a correr, Castle atrás dele.
— O que vocês pensam que estão fazendo? É uma situação de risco! - o responsável pelo time da SWAT gritava.
— Pode haver feridos. Sou médico! Eu vou entrar…
— E você? Onde pensa que vai?
— Eu estou com ele! - Paul procurava algo para jogar na porta de vidro, mas ao chegar perto, a mesma se abriu e quase ao mesmo tempo, os dois cruzaram a porta do hospital.
Minutos antes dos tiros….
— Olhe para mim, capitã. Eu disse somente para mim! - ele gritou - o que diabos você pensa que está fazendo? Pensa que eu não percebi o joguinho das duas? Eu estou no comando! - ao gritar, o rosto ficava quase roxo - eu! - largou o telefone com raiva, Cindy ainda estava na linha - quer me desafiar, sua cadela? Quem você pensa que é? Está na hora de acabar com a conversa. Está duvidando de mim?
— Eu sei do que você é capaz, Ron. Vai mesmo ficar nervosinho e perder a chance de conseguir seu helicóptero? Sabe o que eu acho? Você não foi muito convincente com o tenente. Faltou força, demonstração de poder. Para ser sincera, acredito que nesse instante ao invés de estar providenciando o seu helicóptero, toda a equipe da SWAT e da NYPD está a postos esperando o sinal do tenente. E sabe o que vai acontecer quando ele autorizar a invasão no hospital? Você vai voltar para a prisão. Você não tem um plano B, Ron. Está acabado!
— Acabado? Eu estou no comando! E a sua amiguinha é meu plano B. Quem manda aqui sou eu! - ele atirou para o teto acertando uma lâmpada. Os pedaços de vidro espalharam-se no chão.
— Kate, agora! - gritou Johanna afastando-se para o lado. O tiro disparado por Beckett atingiu em cheio o ombro de Ron que gritou afastando um pouco a arma do pescoço de Johanna. A médica percebeu a oportunidade e alcançou a seringa no bolso do jaleco. Com toda a força que podia, ela enfiou a agulha na coxa dele. Um novo grito ecoou na enfermaria e Ron disparou o segundo tiro que passou de raspão pela cabeça de Beckett. Então seu corpo começou a ceder a droga injetável e Ron escorregou até perder os sentidos, mas não sem disparar um terceiro tiro.
— O que você fez?
— Uma dose de tarja preta. Vai mante-lo desacordado por umas duas horas - ofegante, Johanna se afastou do criminoso. Beckett tateava a procura do par de algemas que trouxera, respirando com dificuldade, ela jogou no chão para Johanna.
— Algeme-o… você… é cheia de… surpresas, Joh… - Beckett sentiu o coração acelerar. Levou a mão até a barriga. Caminhou com dificuldades até onde a médica estava prendendo Ron. Olhou para o criminoso e após respirar fundo, ela mirou a perna e atirou.
Ao ouvirem o que de fato era o quinto tiro, Paul e Castle corriam em desespero seguindo o barulho. Os dois se depararam com o corpo de Ron estirado sob o piso frio da enfermaria, as algemas em um dos pulsos e na estrutura de metal. E sangue. Johanna estava sentada no chão quando reparou pela primeira vez na amiga.
— Kate, você está sangrando…. - Beckett não deu tempo da médica pensar. Apenas soltou um grito agudo quando a contração a atingiu, o liquido escorreu pelas pernas e molhou o chão - você… a sua bolsa… estourou.
— Beckett! - Castle correu para amparar a esposa e coloca-la sentada quando a segunda contração a atingiu. Johanna tentava se levantar já gritando para Paul pegar um kit de sutura. O médico, porém, estava em choque. Atônito. Não esboçava qualquer movimento nem emitia som.
— Paul! O kit! - ela correu para o interfone - Cindy acione a Dr. Charlotte e encontre alguém para preparar uma OR! Paul! - ela empurrou o namorado e logo em seguia puxou-o pela camisa e beijou-o. A adrenalina corria por suas veias.
— Joh…. você está bem?
— Estou! Vamos, Kate está em trabalho de parto. Você precisa me ajudar - vários policiais já estavam no hospital. Alguns na enfermaria prontos para levar o prisioneiro - ele não vai a lugar algum. Precisa de tratamento. Levou dois tiros e está dopado. Paul, você pode retirar as balas e fazer a sutura? Eu vou cuidar de Kate. Quanto mais rápido você o costurar, mais rápido ele volta para a prisão - ela ouviu um novo grito de Beckett. Paul finalmente parecia ter acordado. Começou a trabalhar.
— Castle, você pode me ajudar a leva-la para a OR?
— Claro. Johanna, ela está bem? Lily? E-eu… não posso perdê-las.
— Vai ficar tudo bem, Castle. Sua filha está quase nascendo….
— Joh? E-eu quero normal… cirurgia não…
— Tudo bem, Kate. Apenas se preocupe em respirar. Se estiver tudo bem com você e a Lily, faremos o parto normal. Agora preciso examina-la e cuidar do ferimento em seu braço. Preciso retirar a bala. Vamos, Castle. Me ajude - juntos, eles levaram Beckett para uma sala de cirurgia esterilizada. Com cuidado, ela se livrou das roupas que a capitã usava e a fez deitar na maca para examina-la.
Estava com pouca dilatação ainda. Não havia sangramento o que era um bom sinal diante do que ela experimentara nas ultimas horas. Não existia dúvidas que a situação de risco acabara por induzir o parto. Respirando fundo e um pouco mais aliviada, Johanna sorriu e comunicou o status aos futuros pais.
— Aparentemente está tudo bem. Você ainda tem pouca dilatação. Vamos esperar por Charlotte para definir o planejamento. Por enquanto, vou cuidar do seu braço - a médica sentou-se ao lado da amiga com um kit de sutura aberto diante de si. Limpou o local cuidadosamente. Castle estava a sua frente. Segurava a mão da esposa ainda assustado com tudo o que acontecia na ultima meia hora quando ele decidiu invadir o hospital.
— Que loucura… porque você fez isso, Beckett? Quando cheguei em casa, me deparei com o cheiro de queimado, o forno ligado. Você podia ter colocado fogo no loft. Então eu vi a noticia na tv e entendi. Meu Deus! Eu tive tanto medo. Quando você me disse que estava aqui dentro… e-eu…
— Sinto muito, babe… e-eu errei, mas era a Joh… eu não podia… não podia perde-la outra vez - Castle viu as lágrimas da esposa deslizarem pelo rosto, ela claramente estava se referindo a mãe. Uma nova contração a atingiu e ele finalmente entendera o que a trouxera até ali - aiii… não tem anestesia? Isso dói!
— Você tem sorte, foi de raspão. A bala ficou presa entre a epiderme e a derme. Sem dano ao tecido subcutâneo. Vai parecer um arranhão mais tarde. Feche os olhos, Kate e procure relaxar. Sinta seu corpo, vai precisar estar calma para fazer força quando a hora chegar.
— V-você não está machucada? Estava na mira de Ron todo esse tempo.
— Eu estou bem. Talvez até melhor que Paul.
— Sim, ele estava assustado… - disse Beckett e as duas riram.
— Ah, vocês acham engraçado. Pois não é, por alguns minutos eu não conseguia parar de pensar no que aconteceu quando investigávamos Loksat, o que passamos nesse hospital. Eu sabia muito bem do que Ron era capaz. Eu já estive refém dele ou melhor dos seus capangas. Por pouco ele não matou a ex-esposa para sequestrar o filho. Aposto que era isso que ia fazer com você, Johanna. E quando conseguisse o que queria, acabaria por mata-la. Deus! - ele apertou a mão de Beckett, ela podia ver a apreensão em seus olhos.
— Já passou. Eu e Joh formamos uma boa dupla. Ela tem seus truques. Agora precisamos focar em Lily.
— Sim, isso mesmo. A filha de vocês é mais importante. Vou deixa-los a sós por algum tempo. Quero checar se Paul terminou. Espero ver aquele homem longe daqui o mais rápido possível - Johanna deixou a sala de operação. Castle inclinou-se beijando a testa da esposa.
— Quando você vai parar de me assustar, Beckett? Essa ideia de ser a melhor e mais destemida capitã da NYPD não funciona se você não está com o seu parceiro preferido - eles sorriam então Castle ficou sério - Eu tive tanto medo, Kate. Quando eu ouvi os tiros, a única coisa que pensei foi se você estava…se Lily estava… Deus! Não que eu duvide da sua habilidade é apenas… e-eu não queria pensar, da última vez e-eu…- Beckett colocou o indicador entre os lábios dele.
— Cas…babe, eu sinto muito. E-eu… amo você. Sinto…- ela não terminou a frase porque uma nova contração a fez gritar outra vez. Recuperando-se, Beckett deixou-se cair na cama - sinto muito. Eu não queria deixa-lo preocupado. Eu sei que errei, mas era Johanna. Eu não podia… - ela parou de falar achando que uma nova contração estava a caminho. Não aconteceu - e-eu achei que era outra…eu sei que soa louco, mas eu já perdi minha mãe e e-eu revivi tudo outra vez quando vi na tv e… - Beckett deixou um soluço escapar.
—Tudo bem, Kate. Descanse um pouco - ele beijou a mão dela, em seguida a testa e os lábios. Beckett acomodou a cabeça em seu ombro e sentiu os braços de Castle a envolverem. Um longo suspiro escapou de seus lábios. Tinham poucos minutos de quietude até a próxima contração acontecer.
Johanna encontrou Paul terminando de costurar a perna de Ron. Ao vê-lo, a médica respirou fundo e pela primeira vez deixou um gemido escapar-lhe pela garganta. Paul virou-se para fita-la e seu mundo desabou. Johanna não conseguia conter as lágrimas.
— Paul… - foi tudo o que ela conseguiu dizer. Ele rapidamente deixou os instrumentos de lado, tirou as luvas e correu para abraça-la. Johanna enterrou a cabeça no peito do namorado deixando as lágrimas correrem livres - eu tive medo de não… sobreviver, de não ver você, salvar Katie… e-eu quis ser forte, mas eu estava aterrorizada.
— Shhh já passou, estamos bem. Você foi incrível.
— Eu? Kate foi. Como ela consegue? - ela se afastou um pouco para fita-lo - ah, moreno, eu te amo tanto…. apenas me abrace.
— Eu também, Joh. Concordo com você, eu não sei como eles aguentam essa vida de perigo. Agora entendo bem a agonia e a insistência de Castle quando ele dizia nesse mesmo hospital que ela iria acordar. A ideia de perder quem se ama é intolerável. Devo desculpas a ele por isso - Paul ergueu o rosto de Johanna e beijou-lhe carinhosamente os lábios. Percebeu que ela tinha marcas no pescoço causado pela arma. Nesse instante, Daniel entra na sala.
— Meu Deus! Vocês estão bem?
— Tudo bem, pode cuidar dessa bagunça? Tem mais pessoas precisando de cuidados médicos e eu quero ver esse sujeito longe daqui. Preciso que Johanna descanse, deite um pouco e….
— Eu não vou a lugar nenhum. Kate está em trabalho de parto, não vou deixa-la sozinha.
— Ela não está sozinha, Joh. Castle está com ela.
— Lily é minha afilhada e Kate é minha amiga, você sabe o que tudo isso significa. Nossa ligação… - o médico suspirou. Não tinha porque discutir com ela agora.
— Certo, mas ela pode demorar para ter o bebê. Você pode se deitar no conforto enquanto isso. Vou providenciar uma refeição e café. Tudo bem para você, Daniel se formos…
— Por favor! - sorrindo, Paul deixou a enfermaria levando a namorada consigo. No caminho encontraram com Charlotte que sorriu aliviada ao ver que a médica estava aparentemente bem. Foram direto para o conforto apesar dos protestos de Johanna. Paul a colocou sentada na cama enquanto checava o armário dela em busca de uma muda de roupa limpa.
— Você irá tomar um banho, trocar de roupa e comer. Vou lhe dar um analgésico para dor e passar algo nessas marcas. Então você poderá ver Kate novamente.
— E desde quando tenho que obedecer suas ordens? Você não é meu dono!
— Podemos discutir quanto a isso mais tarde, por hora sou seu médico e vai fazer o que eu estou dizendo. Sem discussões, Joh - ela bufou, mas reconhecia que ele tinha razão. Um banho seria muito bom. Levantou-se indo para o chuveiro. Quinze minutos depois, ela apareceu com o cabelo molhado e solto sobre os ombros, uma calça jeans e camiseta. Sobre a mesa do conforto havia uma caneca de café, uma salada e um muffin de blueberry.
— Desculpe, foi o que deu para arranjar.
— Está ótimo - ela sorriu e se sentou levando o café aos lábios - hum, isso é reconfortante - Johanna comeu calada. Ao terminar a salada, mordiscou apenas uns pedaços do muffin deixando-o sobre a mesa. Juntou-se a Paul na cama entrelaçando seus dedos nos dele - obrigada, amor - beijou o pescoço dele, o rosto até chegar aos lábios. Perderam-se em um longo e ansiado contato desde que toda essa loucura começará. Mais uma vez, ela o surpreendeu ao deitar-se na cama e puxa-lo consigo.
— Não vai ver a Kate?
— Depois. Pode ficar deitado comigo por um tempo? Podemos esquecer o resto do mundo, só por um instante?
— Claro, Joh. O quanto precisar - ele a envolveu em seus braços. O nariz na altura do pescoço dela, podia sentir os lábios do homem ao seu lado roçando em seu ombro e em seus cabelos. Suspirou e fechou os olhos. Apenas uns minutos,pensou.
Charlotte encontrou Castle e Beckett apoiados um ao outro, abraçados. A cena fez a médica sorrir.
— Então, Lily decidiu vir ao mundo depois de ver a mamãe em ação? Como você está, Kate? - ela se aproximou da paciente com um sorriso nos lábios. Castle afastou-se para dar espaço a médica que precisava fazer seu exame.
— Hey, Charlotte… honestamente eu não sei dizer. Johanna afirmou que está tudo bem, mas não há muita dilatação. E as dores….são intensas.
— De quanto em quanto tempo são as contrações? - Beckett olhou para Castle buscando ajuda para responder a pergunta.
— Diria que em média dez minutos, porém bem fortes. É normal, doutora? Beckett insiste em não fazer cesária.
— É normal. E dependendo de como esteja a dilatação, o processo pode durar horas - Charlotte continuou a examina-la. Satisfeita, tirou as luvas - minha colega tem razão, a dilatação está pouca. Se a dor for muito forte, basta me avisar que administro um remédio. Sei que quer a experiência completa, você é corajosa. Mas tudo tem limite, saiba reconhecer o seu se for o caso. Eu vou providenciar água e cubos de gelo. Pela minha estimativa ainda temos umas boas horas pela frente.
— Consegue estimar? Quantas? - perguntava um Castle ansioso.
— De sete a nove.
— Wow! Tudo isso?
— Bem-vindo ao mundo das mamães, Castle. Eu volto logo - Castle voltou a se aproximar da esposa, ia começar uma conversa quando o celular tocou. Ryan.
— Castle, onde diabos você se meteu? E Beckett? Chegar na frente desse hospital é uma tarefa quase impossível!
— Desculpe. Estamos bem, Beckett entrou em trabalho de parto. Minha filha vai nascer Ryan!
— Opa! Isso é uma boa noticia, mas e quanto ao resto? Prenderam Ron?
— Eu não sei ao certo. O hospital está cheio de policiais e não houve vitimas além do próprio Ron.
— Ele está morto?
— Não. Apenas ferido, por precaução.
— Tudo bem, dê minhas lembranças a Beckett e avise quando Lily nascer.
— Pode deixar. Obrigado, Ryan - voltou sua atenção a Beckett - como você está se sentindo?
— Eu estou…- a frase foi completada com um grito devido a uma nova contração - isso dói! Não sei se irei aguentar sentir dor por sete horas, Castle.
— É claro que vai. Você é uma guerreira, uma mulher de fibra, Kate - ele segurou a mão dela, afetou os cabelos para trás da orelha - mas caso ache que precisa do remédio, basta pedir a Charlotte. Isso não faz de você uma pessoa fraca. E se quiser fazer casaria, também é sua escolha, amor.
— Lily podia se apressar, não? - eles riram - não vou desistir do parto normal.
— Pronto. Trouxe algumas toalhas molhadas e cubos de gelo. Só nos resta esperar. Se continuarmos nesse ritmo, a espera será longa e Lily pode acabar nascendo na madrugada. Kate, tem um policial lá fora querendo falar com você. Acha que pode recebe-lo?
— Não é o Ryan… - disse Castle.
— É alguém da operação.
— Pode manda-lo entrar, se ele não se incomodar com meus gritos durante a conversa.
— Vou alerta-lo - cinco minutos depois, o Lieutenant Richmond entra na enfermaria no meio de uma contração. Arregala os olhos devido ao susto.
— Não se assuste, Lieutenant. É apenas uma mulher se preparando para dar a luz - disse Castle.
— Eu sei, tenho dois meninos. Capitã, você nos desafiou hoje. Eu nem quero saber como entrou nesse hospital, mas acredito que devo desculpas por tê-la subestimado. Estava certa quanto a forma de conduzir essa operação e o suspeito não exibia sinais de desistência. Será que pode me contar como a situação ocorreu para efeitos de relatório e comprovação mediante a perícia?
— Com certeza - Beckett relatou cada momento desde sua entrada no hospital, seu encontro com Ron, os diálogos e o que presenciou. Por fim, contou como o tirara do sério achando o momento certo para dar o bote. Falou da sequência de tiros, da participação de Johanna. Tudo isso em meio a mais duas contrações.
— Certo, acredito que anotei tudo. Para sua informação, o suspeito foi medicado e está a caminho da Sing Sing novamente.
— Eu sugiro que peça os registros médicos do hospital. Eu tenho quase certeza que Ron forjou sua condição para ter sua saída autorizada da prisão.
— Mas ele foi operado! Os médicos não veriam isso?
— Talvez sim, talvez não. Pode conversar com o cirurgião.
— Vou fazer isso. Só mais uma pergunta. O tiro na perna de Ron. Ele foi disparado por ultimo após ele estar desacordado. Por curiosidade, pode me dizer porque optou por disparar mais um tiro para feri-lo?
— Lieutenant Richmond, eu já enfrentei muitos bandidos, assassinos frios e serial killers na minha carreira. Uma coisa que aprendi: melhor prevenir. Tinha que mobiliza-lo para ter certeza de que não iria a lugar algum. Não tinha como saber o efeito do tranquilizante.
— Eu entendo. Não se preocupe será relatado como ação na linha do dever. Preciso colher o depoimento da médica. Sabe se ela ainda está no hospital?
— Com certeza, apenas não sei aonde.
— Eu vou encontra-la. Boa sorte com o bebê.
— Obrigada - ele mal se despediu e Kate já encarou outra contração.
XXXXXXX
Johanna acordou assustada com o barulho do celular tocando. Ela havia esquecido completamente que deixara o aparelho no conforto por hábito como sempre fazia quando estava trabalhando. Levantou-se deixando o aconchego dos braços de Paul e dirigiu-se a mesa de centro. Quem ligava era insistente. Ela congelou ao ver o nome no visor. Audrey.
— Audrey…
— Mãe! Até que enfim! Está tudo bem? Eu acabei de sair da aula e vi o noticiário. O hospital está repleto de policiais e você foi refém? Está ferida? Levou tiro? Não esconda nada de mim, eu ouvi que houveram tiros e…
— Hey… respira, filha. Está tudo bem. Já passou.
— Você ainda está no hospital? Paul está com você?
— Sim para as duas perguntas. Eu estou bem, Audrey.
— Eu confio em você, mãe. Mas quero ver com meus próprios olhos. Estou indo para ai. Estou perto.
— Audrey, não precisa… - mas a menina já havia desligado. Ela sentiu a mão de Paul em seu ombro.
— Tudo bem?
— Sim, Audrey está vindo para cá. Que horas são?
— Já passa das quatro.
— Nossa! Como será que a Kate está? Lily pode ter nascido. Eu vou até a enfermaria.
— Vou com você - Paul saiu guiando-a pelos corredores com a mão na base das costas da namorada. Com toda a confusão, eles sequer se lembraram da menina. O mesmo ocorrera com Castle e Beckett. Ao chegar na enfermaria, encontrou Castle ao telefone falando com a mãe.
— Hey! Pensei que tinha perdido o nascimento.
— Nada! Sua afilhada está fazendo cena para sair. Deve estar esperando uma plateia, sinal de que puxou ao pai.
— Ou é pura teimosia. Característica da mãe - remendou Castle.
— Você ainda não terminou sua tarefa. Falta ligar para o meu pai - rapidamente ele voltou a atenção ao celular. Johanna segurou o riso. Charlotte voltou a aparecer para checar a paciente. Cumprimentou os médicos e dirigiu-se para Kate.
— Acho que não irá demorar tanto quanto antes. Pela dilatação, talvez umas três horas. Está agüentando firme, Kate? Tem certeza que não quer o medicamento?
— Não, estou bem - ela mai acabou de falar uma nova contração surgiu. Recuperada do momento, ela tornou a comentar - Para falar a verdade, eu queria mesmo que Lily nascesse logo. Não vejo a hora de carrega-la em meus braços.
— Ansiosa, hein? Ah, mamãe! A aventura está somente começando.
— É verdade - disse Castle entregando o celular para ela - seu pai quer falar com você.
— Oi, pai!
— Como você está, filha? Foi querer dar uma de heroína na reta final da gravidez, Katie. Eu vi na tv. Eu prometo ir ao hospital daqui a duas horas.
— Tudo bem, pai. Eu estou esperando sua neta resolver nascer. Acredito que ainda vai demorar.
— Eu chegarei logo. E não se preocupe, Katie. Sua mãe está lhe protegendo de onde ela estiver.
— Oh, pai… até mais - vendo que ela desligara, Castle a fitou poor uns segundos.
— Tudo bem, amor? - ele acariciou sua mão. Apenas com o olhar, ela respondeu a ele, um pequeno sorriso formou-se nos lábios de Beckett. Anuindo, ele beijou a testa da esposa e continuou a conversa.
— Então, Beckett está ansiosa e nem sabe o que vem por ai. Teremos pela frente as noites em claro, as trocas de fraldas, cólicas. Muitas brincadeiras e esse é apenas o primeiro round. Teremos mais dois?
— Mesmo? Quem disse? Você? - Johanna olhou impressionada.
— Não, o cara do futuro! - Castle disse empolgado.
— Cara do futuro? - Paul olhou intrigado para Beckett que revirava os olhos.
— Bobagem do Castle. Ele está se referindo a um maluco que investigamos uma vez, ele teimava em dizer que era do futuro. Disse que teríamos três filhos. Só para vocês entenderem o contexto, ele estava no hospício.
— Ele acertou quando disse que íamos casar. E você teve uma oferta para ser senadora, mas optou pela carreira na NYPD. Voce pode ter outra chance.
— Sei sei, e quanto aos livros sérios que você ia escrever? Não vi nada até agora.
— Do que eles estão falando? - perguntou Paul olhando confuso para Johanna.
— Deixa para lá, amor. Eles estão no mundo deles - então Johanna ouve um grito e apenas sente alguém lhe abraçar. Audrey, claro.
— Mãe! Como que isso aconteceu? Vitima de um assassino? Achei que era seguro trabalhar aqui nesse hospital. E que historia é essa que a Cindy me contou? Você deu uma de heroína levando o cara a nocaute? - ela tascou um beijo na bochecha da mãe - dona Johanna não tem jeito mesmo. Quantas vezes eu preciso lhe dizer que essas historias estilo James Bond, a la 007 que voce lê não são reais? Ficção, mamãe. E você, hein? Onde você estava Paul? Não sabe que a mamãe gosta de brincar com o perigo e viaja nesses lances? Paul, você poderia dizer para ela que aqueles livros são um monte de mentiras? - Castle que estava próximo não ia aguentar ficar calado, afinal era de seus livros que a menina falava. Beckett segurava o riso porque percebia a cara de insatisfação do marido.
— Com licença, acredito que ainda não nos conhecemos. Richard Castle, escritor de best-sellers, o mestre do macabro - estendeu a mão para a guria que não percebeu a principio a relação do nome.
— Sou Audrey, a filha da Johanna. Você também estava no tiroteio como refém?
— Não, mas minha esposa estava. E foi ela quem atirou no bandido. Se me permite replicar seu comentário anterior sobre os livros que Johanna lê serem mentiras, na verdade, não são. Eles são baseados no dia a dia da minha esposa, a Capitã Kate Beckett. Nikki Heat é seu alter ego.
— É Audrey, ele é o autor dos livros que você acabou de insultar. E a grávida é a mulher dele, Kate, que salvou minha vida por sinal.
— Oh! Aquela Kate? - Johanna anuiu. Audrey virou-se para encara-la - é um prazer conhece-la, Kate. Mamãe fala muito de voce e do escritor. Voce salvou a vida dela mesmo?
— Foi uma parceria. E-eu não… - ela parou de falar para receber a próxima contração - Deus! Lily! Por que voce é teimosa? Podia nascer logo, filha. É um prazer conhece-la, Audrey. Você não nega que é filha de sua mãe - era verdade, a menina tinha o mesmo tom de pele, o formato de rosto e o olhar de Johanna. Os cabelos eram castanhos claro e o corpo era mais cheinho. Não havia como negar.
— Espera, você está dizendo que aquilo que a mamãe lê aconteceu com a sua esposa? Ele está falando sério, Kate?
— Está. Não são as mesmas historias, mas o tipo de perigo é bem parecido com o que nós dois já enfrentamos. As vezes é bem mais difícil que isso, a justiça não acontece. No livro, o crime é solucionado e há sempre uma espécie de final feliz. Não como um felizes para sempre, torna-se algo mais do tipo tudo terminou bem por enquanto - Audrey sorriu.
— Está com fome, filha? Devia comer algo. Podemos ir até a cafeteria.
— É uma boa ideia - respondeu Audrey.
— Castle, você não quer ir com o Paul e a Audrey? Eu posso ficar com a Kate.
— Claro que não. Você precisa passar um tempo com a sua filha. Não se preocupe comigo.
— É Joh, fique com Audrey.
— Se vocês insistem… - ela, Paul e Audrey saíram rumo a cafeteria.
Enquanto as horas passavam, Beckett sentia dores. Johanna voltara a enfermaria para dizer que ia levar Audrey em casa e retornava. Três horas se passaram e quando Charlotte chegou a situação da capitã novamente, viu que as dores estavam mais constantes. Castle a informou que as contrações tinham um intervalo de sete minutos agora.
— Ótimo, nossa pequena deve querer vir ao mundo nas próximas horas. Kate, eu vou lhe dar um remédio para relaxar. Quero que esteja bem no momento do parto. Você está a alguma horas com dor. Só precisamos de um centímetro mais e podemos realizar o parto, contudo sei o quanto a dilatação pode demorar - Johanna reapareceu nesse instante, ao olhar para Castle fez uma careta.
— Você está horrível, Castle. Sua filha não vai gostar de te ver assim. Está precisando de um café gigante urgente e alguma comida. Vá lavar esse rosto e se alimentar.
— Nossa, Johanna. Você já foi mais educada.
— Ela tem razão, babe. Você está com a aparência cansada. Faça o que ela disse. Eu estou bem - Beckett acariciou a mão dele - eu tomaria um café se Charlotte não fosse brigar comigo. Pode ir. Joh fica comigo.
— Melhor seguir o que sua esposa está dizendo, Castle. Quando a ação começar realmente, você não vai querer perder um segundo - disse Charlotte - eu estarei no consultório. Qualquer coisa me avise, Johanna.
— Pode deixar - Castle se aproximou da cama e beijou-lhe os lábios da esposa. Deixou a enfermaria. Johanna sentou-se ao lado da amiga - ele é tão teimoso quanto você. Está se sentindo bem? Quer uns cubos de gelo? Deve estar com sede - ela ofereceu os cubinhos para a amiga que aceitou. Dois minutos depois, Johanna a olhava intrigada - o que foi, Kate? Você está com um ar de quem está preocupada. Lily está bem, o que você está passando é o ritual normal de um parto. Nada vai atrapalhar o nascimento da sua filha.
— Não é o parto em si. Eu li sobre o que ia acontecer. E-eu estou pensando em outra coisa.
— No que? - Beckett não sabia dizer se as palavras que falara em seguida eram resultado da emoção que tomava conta dela ou influenciada pelo efeito da droga. Ela sentia-se louca para fazer confissões. Suspirou profundamente.
— Confesso que além da ansiedade de ver Lily, existe o medo. É tudo novo para mim. Eu vejo Castle falando com uma certa propriedade sobre cuidar de bebês. Eu o vi fazendo isso. Martha diz que vou me sair bem, mas eu não sei. É errado se sentir assim? Rumo ao desconhecido? E-eu queria tanto que minha mãe estivesse aqui para me ajudar… ela saberia o que dizer para me acalmar, como agir e Deus! Ela iria querer tanto segurar a neta nos braços. Cantar para ela, nina-la - a menção da mãe fez as lágrimas brotarem em seus olhos - ela dominaria tudo, faria com que tudo fosse perfeito. E-eu me sinto um pouco egoísta por desejar isso sabendo que Castle está ao meu lado disposto a fazer o impossível por mim, por Lily. Ele é meu marido, o homem que eu amo, mas eu ainda gostaria que pudesse ter Johanna Beckett comigo. Ela sempre sabia o que fazer.
— E você também, Katie. Olha, eu entendo seu medo. Passei por isso com Audrey. É natural. Você terá a ajuda de muita gente. Castle, Martha e terá a mim - ela pegou a mão da amiga na sua - sei que não sou sua mãe, não sou a Johanna que gostaria de ter a seu lado, não estou a altura dela, porém sempre que precisar é só chamar - Kate segurou o choro e apertou a mão da médica com força recebendo uma nova contração. Quando a mesma passou, ela fitou Johanna.
— Você pode não ser minha mãe, mas existe uma conexão, uma semelhança. Eu gosto de tê-la em nossas vidas, Joh.
— Eu também, Katie. Gosto de fazer parte dela.
Quando Castle retornou tinha um semblante bem mais desperto e relaxado. Sorriu para o marido que beijou sua testa.
— Seu pai está aqui. Minha mãe também - a conversa foi interrompida por Daniel que surgiu na enfermaria procurando por Johanna.
— Johanna, me disseram que você estava aqui. O tenente gostaria de trocar umas palavras conosco sobre o paciente.
— Claro, Daniel. Eu volto logo - ela disse sorrindo para a amiga. O olhar questionador de Beckett dizia tudo. Johanna teve que segurar o riso. Castle veio com Jim e Martha mudando o tom da conversa para um misto de risadas e animação.
Duas horas depois, as dores tornaram-se bem intensas. O espaço entre as contrações diminuíra para cinco minutos. Charlotte voltara a enfermaria. Vira o sofrimento de Beckett que suava e gritava por causa da dor. Fez um ultimo exame.
— É hora de Lily vir ao mundo. Não vamos mais esperar. Preciso que vocês deixem a sala, quero privacidade. Ninguém além do papai - Charlotte foi até o interfone chamou a enfermeira para preparar Kate e leva-la para uma sala de operação. Johanna deu um ultimo beijo no rosto da amiga e saiu.
— Boa sorte, Castle - disse antes de dar um beijo em sua bochecha.
— Sorte? Por que precisaria de sorte?
— Kate e parto normal? Prepare-se para os xingamentos e potenciais socos - ela saiu rindo vendo a careta amedrontada dele. Beckett foi transferida para a OR, Charlotte trocara sua roupa, calçara as luvas e colocara a toca e os óculos. Castle também recebera um dos uniformes para colocar sobre as roupas. Trazia o celular e uma Go-pro com ele. Posicionou a câmera em um lugar estratégico da sala que capturasse o momento por completo. Charlotte deu a ele várias toalhas para ajudar a manter Kate relaxada e alerta as instruções que receberia. Uma nova contração a atingiu. Dessa vez, a dor fora bem mais forte que as demais. Charlotte sorria ao observar a cavidade a sua frente.
— Então mamãe, está pronta para conhecer sua pequena? Hora do trabalho pesado, Kate.
Continua.....