quinta-feira, 18 de setembro de 2014

[Castle Fic] There´s Always Tomorrow - Cap.22


Nota da Autora: Capítulo fresquinho para vocês. Detalhe importante, acabei de escreve-lo a dois dias só agora pude postar. Acredito que vão gostar. Adivinha quem está de volta? A jornalista! Lembenado que Nadine Furst é uma personagem de Nora Roberts, não é plagio da mesma forma que uso as personagens de Marlowe. Resolvi homenagear pelo amor que tenho a ela e por achar que Kate Beckett merece a melhor repórter. No próximo capítulo, farei uma surpresinha para vocês. Estamos merecendo, não? Enjoy!   

Cap.22

- Esse cara é muito petulante. Só pode estar querendo nos insultar com isso. Kate, isso é uma ameaça! Posso levar até a delegacia e fazer uma denúncia, prestar queixa. É exatamente o que vou fazer. Aposto que os rapazes vão adorar me ajudar nisso.

- Castle, me escute... – ela falava mas não conseguia fazê-lo parar para prestar atenção nela, estava muito revoltado.

- Se ele pensa que pode instigar minha mulher, falar da minha família, nos acuar... está muito enganado – viu quando ela colocou as flores na mesinha de centro e amassava o cartão – não faz isso, Kate! Isso é evidência, não importa se ele é senador, candidato a presidente. Não quero saber! – ela se aproximou dele, pegou sua mão e fitou-o procurando acalma-lo - Nós vamos responder porque é questão de honra e...

- Castle, espera....babe por favor, me ouça. Castle, estou falando sério. Finalmente a mudança do olhar de Kate o fez calar-se. O que viu ali foi aflição – amor, preciso contar o que aconteceu enquanto você dormia. Será uma longa conversa. Melhor irmos para o quarto mas antes vou pedir a Martha que fique com Alex. Me espere lá, ok? – Kate subiu as escadas com o filho nos braços ao encontro da sogra. O mínimo que dissera a Castle foi capaz de colocar caraminholas na sua mente. Conhecia a esposa muito bem para saber o quão sensível era o assunto Bracken para Kate, quase um tabu. Podia tolerar muita coisa na vida, mas quando se tratava da sua família, das pessoas que ama, a história era completamente diferente. Ele se transformava.

Ansioso e visivelmente nervoso, Castle andava de um lado a outro no quarto à espera de Kate. Mexia com as mãos, alisava os cabelos e cobria o rosto. Ao vê-la entrar e fechar a porta, prendendo a respiração por uns segundos. Esse gesto dela, indicava que a situação era mais séria que pensara.

Kate sentou-se na cama. Tentava controlar as emoções e a respiração para contar o que realmente acontecera e porque fora levada a tomar as decisões que mudariam sua vida e garantiriam o sossego da sua família. Castle parou de andar findando por sentar de frente para ela.

- O que você tem a me dizer, Kate? – a expressão séria a fez engolir em seco. Revisitar aqueles meses, em especial os dias de confronto, luta por sua vida e o sequestro faziam seu estomago embrulhar. Procurou a mão dele como uma espécie de conforto para então começar a falar.

- Castle, quero que você me escute apenas. Se quiser fazer perguntas, tudo bem. Porém, prefiro terminar de narrar, não quero que tire conclusões precipitadas. É difícil relembrar, sabia que faria isso um dia com você. Ainda assim mexe comigo. Deixou alguns sentimentos controversos. Você promete?

- Prometo, mas por favor me tire dessa ansiedade, dessa aflição – em um único gesto, ela levou a mão dele aos lábios beijando-a, fazendo o coração transbordar.

- Durante algum tempo após o seu acidente, eu me dediquei somente em entender a loucura que tomava conta da minha vida. Tudo o que pensava era no momento de te ver acordado, te contar a novidade que seríamos pais. Afastei-me do caso e do trabalho para ficar ali, esperando meu Castle. Claro que não desisti da investigação, estava muito próximo de pegar o senador havia encurralado Denver e queria discutir isso com você ao vir para New York. Uma dúvida martelava na minha mente. Fora realmente um acidente ou uma tentativa de assassinato? Pedi a Gates e aos rapazes para investigarem e descobri o que temia. Ele mandou matar você para me parar. Uma ameaça pesada contra nós. Aquilo me deixou louca! Do momento que soube não pude aceitar, esperar sentada por algo surgir e quem sabe, talvez, conseguirem incrimina-lo. Resolvi fazer minha própria justiça. Fui a Washington e invadi o Capitólio. Confrontei o senador Denver, seu capanga que foi o responsável pelo seu atentado estava lá. Ele ficou possesso, Castle. Sua reação foi de quem é culpado. Não hesitou em me expulsar e mandar o bandido atrás de mim – parou de falar mordendo os lábios para segurar suas lágrimas – eu... eu poderia ter morrido naquele dia. Eu pensei que morreria. O capanga dele, Smith, me atingiu. Levei uma bala no peito. Vi o mundo desaparecer ao cair naquela calçada após a perseguição, então eu o vi. Bracken. Meu algoz foi a última imagem que vi antes de desmaiar.

- Você está dizendo que... ele... espera, ele a salvou? – perguntou perplexo.

- Sim, uma dura verdade. Uma tapa na cara se me permite dizer. Mas não se trata somente disso. Ele pediu a ambulância, garanto que o fez por não estar sozinho. Havia vários funcionários observando a cena. Seu gesto não fora exatamente de compaixão mesmo porque os médicos nem sabiam se eu me salvaria. Soube depois que Denver esteve no hospital querendo se certificar da minha morte. Talvez tivesse entrado na UTI se soubesse que eu tinha sua carreira e sua vida em minhas mãos ou melhor, no meu celular. Eu gravei tudo, Castle. A ameaça, a raiva, o capanga. Foi o audio que tornou a prisão do ex-senador possível. O caso não parou aí. Pedi a Gates para me deixar participar de seu interrogatório, usamos a tentativa de assassinato para ligar ao crime de fraude contra o país em conjunto com o FBI. Ao me ver, parecia estar vendo um fantasma. O problema foi o que descobri junto com Tory. Denver não estava naquele golpe sozinho. Tinha um parceiro.

- Bracken – Castle suspirou – meu Deus, Kate! 

- Sim, tem idéia de como me sentir ao descobrir a sua ligação em tudo aquilo? Era dinheiro para financiar a campanha presidencial dele, Castle. O problema é que não seria um único link de uma conta que derrubaria um dos homens mais poderosos da América. Precisaria de mais, muito mais. Pedi a Tory para enviar o que achara para meu email pessoal e não comentar absolutamente nada sobre o assunto especialmente com os rapazes.

- Como sabe que ela não fez?

- Sei porque quando o senador foi destituido e preso, ela me questionou. Confio nela, Castle. Quando o caso atingiu as devidas proporções na mídia, tudo o que importava era o trabalho maravilhoso feito pelo FBI, o que incluiu elogios rasgados de Bracken a eles e a NYPD. E pensar que alguns dias atrás aquele mesmo homem estava me ameaçando.

- Kate, o que ele fez com você? Ele te machucou? Nosso filho? Se encostou a mão em você eu vou....

- Não, babe não. Ele não poderia me machucar fisicamente mais do que já me afetara psicologicamente. Ele sabia, Castle. Esse homem é um monstro sem limites. Controla tudo no Capitólio, cada pedaço. O dinheiro sujo corre solto em meio a política americana. Fui sequestrada por seus capangas em frente ao hospital quando saía para vir descansar em meu apartamento. Bracken fez questão de me encontrar, queria olhar nos meus olhos para ver minha frustração ao demonstrar sua superioridade, seu poder. Ele mostrou o acesso da NYPD a sua conta, ao seu IP do Capitólio. Disse que se eu quisesse viver e ter uma família, continuar fazendo meu trabalho, deveria esquecer o que vi. Falou sobre a facilidade com que podia me matar, afinal já retribuira o favor que fizera a ele quando me socorreu em DC. Seria tão simples acabar comigo, ele disse mas estava se sentindo bondoso. Tive que negociar com ele, Castle... negociei com o inimigo – não conseguiu segurar mais o choro, parou uns minutos para ganhar a confiança de continuar, ele se compadeceu ao ver o quanto o assunto a destruía. Abriu os braços e puxou-a para si.

Kate se aconchegou em seu peito e chorou. Passou um bom tempo de olhos fechados, acalmando o coração apertado por relembrar uma época negra e difícil. Beijava-lhe a testa, os dedos das mãos, afagava os cabelos. Um pouco mais serena, continuou.

- Eu só pensava no nosso bebê. Se você não acordasse, ele era minha total responsabilidade. Naquele momento fui obrigada a tomar uma decisão por nós, pela nossa família. Fez um acordo comigo, eu esquecia o que havia encontrado, parava simplesmente de procurar. Além disso, deixaria meu cargo no FBI. A repercussão do caso iria me projetar no Bureau, teria na visão dele outros meios para investigá-lo ou foi isso que deduzi. O senador ordenou que manifestasse a vontade de voltar a NYPD tendo como justificativa a minha família. Em troca, ele me deixaria em paz prometeu que nada aconteceria a mim, a você e ao nosso bebê. Eu fiz o que ele mandou, pensando em nós.

- Você não é mais uma agente do FBI? Não trabalha para o poder federal? Washington... você voltou de vez para New York. Isso é...

- Chocante, eu sei.  Castle, amor eu sei que é muito para digerir, a decisão foi feita na cerimônia de entrega das medalhas de Honra ao mérito. Pois é, irônico não? No dia que recebo os maiores elogios digo a um dos diretores do FBI que ao invés de uma promoção para agente pleno, quero sair do Bureau. Voltar para a NYPD. Tive que fazer tudo isso diante de Bracken. Nem sei onde consegui tanto sangue frio para fazer o que fiz naquela noite. Acredita que ele ainda contou que o salvei quando era detetive?

- Meu Deus! Cadê o limite desse homem? Interromper sua carreira dessa forma. Não é justo. Eu sinto muito, amor. O que você fará agora?

- Eu não acatei simplesmente o que aquele crápula ordenou. O que ele não sabe é que eu já vinha pensando nisso desde que descobri estar grávida. Washington nunca foi uma cidade que me agradasse. Eu sou novaiorquina por nascimento e coração, não gostaria de criar meu filho em outro lugar. Se Bracken não tivesse forçado a minha decisão, eu voltaria a morar aqui de qualquer forma. Conversei com a Capitã Gates antes sem revelar nada sobre a ameaça que eu sofrera. O comandante da polícia ficou surpreso quando recusei a promoção do FBI. Entendeu o meu ponto de vista e decidiu que se eu voltassse a trabalhar para o 12th distrito, deveria fazê-lo com amor não sendo menos merecedora de uma recompensa. Ele me ofereceu a patente de Lieutenant. Bracken acabou, de uma maneira para alguns bizarra, facilitando o que eu desejava – ele fez menção de falar mas Kate o interrompeu colocando o indicador sobre os lábios – Castle, sou uma detetive de homicídios, foi assim que você me conheceu, é o que faço de mellhor. Investigar um assassinato é dar a chance de fazer justiça por alguém que não consegue mais se defender. É proteger e servir a sociedade na cidade que amo. Não foi pela detetive que você se apaixonou? Não conseguiria negar as minhas origens, o que acredito. O FBI me deu experiências fantásticas, porém descobri também que a frieza como tratam algumas questões não me agradam, não estão de acordo com os meus princípios. Serei a Lieutenant do 12th distrito, ajudando as vítimas, honrando os mortos e trabalhando com a Capitã em coisas maiores. Minha essência continua a mesma e não será um monstro como Bracken que vai me fazer agir de outro modo.

O silêncio instalou-se entre eles. Os olhos conectados. Kate esperava pela opinião dele, ansiava para que fosse compreendida como esperava ser desde o momento que aceitara o que lhe fora imposto. De todas as pessoas, Castle era o único de quem ela queria o apoio e desejava desesperadamente a sua aprovação. Os outros podiam critica-la, seriam indiferentes. Mas ele... desmoronaria diante da crítica dele.

Castle baixou a cabeça olhando as mãos dela. Brincava com a aliança em seu dedo ao lado do solitário que dera a ela naquela tarde nos balanços quando a pediu em casamento. Naquele dia, ela o dissera que ia trabalhar para o FBI, no gabinete do procurador geral. Era um grande passo, assim como o seria aceitar o pedido dele. Tanto acontecera em dois anos. Tantas mudanças. Como ela conseguira atravessar tudo isso sozinha? A resposta era clara. Kate Beckett é uma guerreira. Estava procurando as palavras certas quando ela tornou a falar.

- Castle, por mais que pareça outra emboscada, minha decisão foi por amor. Escolhi acatar a ameaça porque era a melhor opção para nós, para nossa família. Eu não o decepcionarei, sou a mesma pessoa que você conheceu a anos atrás. E se você realmente acredita em mim, sabe que não me curvo facilmente, não me entrego. Foi uma questão de prioridade. Naquele momento, você e meu filho eram quem eu deveria proteger. Não me arrependo porque no fundo eu sempre acreditei que você acordaria. Chame de instinto, intuição ou mesmo esperança. Acho que foi a força do amor que o trouxe para mim – ele acariciou o rosto dela, ajeitando os cabelos por trás da orelha, sorriu.

- Conhecendo você, não esperaria nada menos do que fez. Não passaria nem por um segundo em minha mente dizer que está errada. Tem razão, sua essência, o que você é a levou a melhor decisão. Não conseguiria dizer o quanto ouvir tudo isso me maltrata ao mesmo tempo, me faz ter tanto orgulho de você,Kate. Minha guerreira, minha musa. E quando penso que não se pode amar uma pessoa mais do que imagino, você apenas me dá uma rasteira e mostra que é possível. Eu te amo tanto, Kate – inclinando-se na direção dela, tomou-lhe os lábios com vontade. O beijo era um bálsamo esperado por ela a muito tempo, era a confirmação de que tudo o que lutara, o que acreditara era o certo. Quebrando o contato, finalmente sorria aliviada.

- Está disposto a voltar ao 12th distrito para investigar homicídios entediantes? Será que posso contar com o meu antigo parceiro ou ele prefere a companhia de um agente do FBI?

- Ah, sabe como é aquele pessoal do FBI é meio bitolado, não gostam de ideias brilhantes como as minhas. E além do mais, não trabalharei com uma detetive, agora terei uma Lieutenant como parceira, soa bem melhor. Espere, você está me convidando por livre e espontânra vontade ou a Capitã concordou com a minha volta como parte do pacote?

- Castle, apesar de tudo a Capitã aprecia sua forma de investigar casos e ajudar nosso distrito exceto quando você extrapola o bom senso. E não é parte do pacote, você é meu parceiro oficial, não aceitaria outro em seu lugar.

- Fico feliz que pense assim – calou-se por um momento abraçando-a junto ao corpo, percebeu Kate fechando os olhos. Respirava serenamente – minha tenente. Extraordinária, desde o princípio tive razão, não há melhor palavra para descrevê-la. Somente em pensar no quanto você deve ter sofrido por lidar com esses inescrupulosos, à beira da morte, chantageada, frustrada e sozinha. Uma batalha para poucos. Gostaria de poder retribuir toda a garra e a força que depositou para salvar nossa família, Kate. Passarei o resto da minha vida pagando essa dívida com prazer.

- Hey... você não precisa provar nada, nem pagar. Você voltou para mim, me deu um filho lindo. Isso basta. Precisamos de um tempo para nós, sem intromissões, ameaças, crimes. Uma maré branda, chega de tempestades.

- Concordo. Vamos esquecer o caso do FBI, o senador, os problemas de um modo... – então entendeu – o livro. O final de Heat Blows! Foi por isso que deixou um cliffhanger, sugeriu uma continuação. Por isso escreveu que Nikki teria sua justiça. Kate, você não desistiu de vence-lo, quer vingar sua mãe e agora a mim e a você. Não desistiu!

- Não poderia. Mas, não se trata de vingança. Justiça, procuro na lei a solução para o problema do passado. Não nesse momento. Nada que levante suspeitas. É preciso planejar, unir forças. Podemos fazer isso, um dia terei o prazer de ver Bracken ser levado algemado para a prisão por assassinato além de tantos outros crimes. Nesse dia, serei eu quem lerá seus direitos, eu colocarei as algemas olhando-o cara a cara.

- Isso é brilhante! Essa é a história que devemos escrever. A musa superou o escritor, pelo menos dessa vez. Claro que tenho muitos outros best-sellers para demonstrar minha superioridade e também eu...

- Cala a boca e me beija, Castle – precisava de carinho, de se sentir livre para junto com ele seguir em frente. Alguns momentos em sua companhia, sem cobranças, sem interrupção, apenas os dois. Aprofundou o beijo deitando-se sobre o corpo de Castle. Sentiu as mãos vagarem por suas costas indo instalar-se em seu bumbum. Riu entre os lábios. De repente, estava de costas para o colchão sendo devorada no pescoço pelos lábios dele. Voltava para a boca, as linguas se completavam enquanto as mãos dele acariciavam-lhe os seios. Enroscou as pernas na cintura trazendo-o para mais próximo de si. Isso era o máximo de intimidade que poderiam ter até ali. Kate mesmo não tinha disposição para ir além. O parto, os cuidados com o bebê, o ato de amamentar e as noites mal dormidas provocavam um cansaço extremo que testava seu limite a cada dia.

Castle quebrou o beijo deitando-se ao lado dela. Aconchegando-se ao peito dele, Kate fechou os olhos por um momento. Esperou alguns minutos antes de perguntar.

- Quem mais sabe da sua volta a NYPD?

- Apenas Gates. O edital deve sair aproximadamente na época que minha licença acabar. Alex já estará com três meses e poderei assumir minhas novas responsabilidades. Os rapazes saberão apenas na minha volta. Não quero falar sobre isso antes do communicado oficial, só precisava contar a você.  

- E quando pretende começar a investigação sobre Bracken? Vai envolver o distrito, Tory?

- Não, Castle. Esse assunto é apenas nosso. Não posso comprometer ninguém mais, é perigoso. Prefiro voltar a trabalhar, mostrar a ele que aceitei a proposta, seguindo minha vida. Tenho que deixar claro que esqueci o passado. Ele não pode desconfiar que iremos investiga-lo. Tenho algumas idéias para trocar com você. Mas, babe... por favor, não agora. Podemos ter um momento apenas nosso, sem problemas? Só quero ficar aqui, quieta em seus braços.

- Tudo bem, Kate – beijou-lhe a testa – tudo bem.

XXXXXX

Algumas semanas se passaram e a rotina do casal continuava a mesma. Amamentar, acordar no meio da noite, fraldas. Levaram Alexander ao pediatra, usaram Alexis de babá e Kate aprendera mais truques sobre bebês com Martha. Gina voltara a pressionar por uma resposta quanto entrevistas e prazo de livros. Estava muito interessada em ver um pouco do novo trabalho de Castle e Kate juntos, queria colocar o novo romance no mercado o quanto antes mesmo sabendo que por contrato, eles teriam dez meses para escreve-lo.

A vida com uma criança proporcionava outros momentos interessantes além do cansaço. Cada novidade era motivo para uma foto. Uma visita, uma roupinha, uma mãe toda descabelada e cheia de olheiras em plena madrugada, roupas golfadas, tudo gerava uma foto. A maioria delas foram tiradas por Castle e Alexis mas Kate também tinha seus momentos como o que acontecera ainda no dia anterior. Ela pedira a Castle para ficar com Alex no quarto enquanto lavava algumas roupinhas dele na mão. Kate não gostava de misturar com outras peças ou usar a máquina para isso. Tinha o maior zelo com as coisas do filho. Ao entrar no quarto, deparou-se com uma cena digna de uma foto. Castle estava deitado na cama, sem camisa, com o filho de bruços em seu peito. Uma das mãos sobre o bumbum do bebê e a outra na cama. Alex subia e descia conforme a respiração do pai, ambos dormiam.

Kate abriu um sorriso pegando a máquina para registrar o momento. Seu coração acelerou. Havia tanto amor naquele pequeno espaço que sentiu-se revigorada. Aqueles dois homens pacificamente dormindo eram a sua família. As pessoas que mais amava no mundo. Era capaz de morrer e matar por eles. Limpando uma pequena lágrima que brigava para alcançar seu rosto, apeoximou-se da cama e cuidadosamente pegou o pequeno nos braços. Automaticamente, Castle abriu os olhos.

- Você me assustou... acabei cochilando – viu que Kate estava com o filho nos braços, cheirando a cabeça dele embalando-o – as vezes esqueço como adoro admirar você sendo mãe. Tão linda, tão dedicada. E se lembra quando dizia não ter aptidão com bebês? Quem diria, não? Você é uma mãezona, maravilhosa.

- Hum, me elogiando assim? O que você está querendo Castle? – falou brincando.

- Ah, o elogio é de graça por merecimento, o que eu quero porém, você não irá me dar mesmo...

- Oh Cas, procure entender. Eu nem sei o que é dormir direito, perdi quatro quilos, esse menino me toma muito tempo. Amamentar então! Prometo que quando chegar a hora, vamos aproveitar bastante. Irei recompensa-lo. É uma promessa.

- Eu sei, amor... eu sei.

Dois meses depois...

Com o papel de mãe entrando nos eixos, Kate já se preparava para voltar ao 12th distrito dali a quinze dias. Sua nomeação para Lieutenant sairia na próxima semana. Durante uma visita de Ryan e Jenny, esta até questionou quando ela retornava a Washington o que desconversou para evitar maiores comentários. Naquema semana, ela recebera mais um telefonema de Gina questionando-a sobre a possível entrevista sugerida por Nadine. Na verdade, a repórter não parava de contata-la para saber a resposta de Kate. Pela insistência, poderia haver algo mais do que uma simples entrevista, o que Nadine queria afinal era não apenas uma dúvida de Kate, mas uma pergunta que a própria Gina não sabia responder.

Diante da situação, concordou em recebe-la na sua casa para entender melhor a proposta da repórter. Pediu a Gina que agendasse uma visita não para a entrevista e sim para que Kate pudesse avaliar o real propósito da insistência de Nadine.  Por volta das três da tarde,  a campainha do loft tocou. Estava sozinha em casa. Castle havia levado Alex ao parque. Queria ter essa conversa sozinha com a repórter. Ao abrir a porta, sorriu.

Nadine Furst era extremamente elegante. Vestindo um terninho bege, uma blusa em seda cor de pérola e scarpin altíssimos, a loira de olhos verdes mantinha o cabelo até os ombros escovado ressaltando a maquiagem nos olhos. Com um sorriso, estendeu a mão para Kate.

- Finalmente posso ter o prazer de sua companhia, agente Beckett. Você é uma pessoa muito difícil de se achar.

- O poder de uma criança, Nadine. Entre e sente-se. De frente para a reportér, Kate se acomodou no sofá.

- Imagino. Estou louca para conhecer o herdeiro de Castle. Você pediu para eu vir até aqui. Creio que quer conversar sobre minha proposta. O que você precisa saber?

- Na verdade, Gina me comentou que você estava interessada em uma série de entrevistas comigo visando o trabalho em DC, o que é complicado mas gostaria de entender qual o seu interesse em mim.

- Como você pode perguntar isso? Kate Beckett é a melhor detetive que já passou pela NYPD. Sua média de conclusão de casos é superior em 30% dos seus colegas de profissão, ao meu ver você já merecia outra patente. Ainda bem que veio o escritório do procurador geral. Como agente, deixou sua marca em cada caso que investigava provando o talento que possui. Então veio o caso do ex-senador Denver. Posso listar tantos outros motivos, Kate. Falo por horas se quiser.

- Você investigou a minha vida? – aos poucos Kate ia montando o perfil da repórter na sua cabeça.

- Sou uma jornalista. Pesquisa é meu instrumento de trabalho. Conversei com pessoas também, todos são somente elogios para a agente Beckett. Seja em Manhattan, seja em Washington. Não é à toa que se tornou a musa de Castle e deu vida a Nikki. O que gostaria de fazer com você era mostrar como é o dia a dia da investigadora. O que te move, como você encara um caso,o passo a passo da investigação, saber da parceria com o escritor e o que isso mudou na dinâmica. Quero focar o lado profissional. Pode não saber mas Kate Beckett vende!  Taí Heat Blows e a Vanity Fair pra provar isso. As pessoas hoje procuram uma referência, querem encontrar alguém que possa fazê-los acreditar. Uma espécie de herói atual. Pessoas comuns que se destacam no trabalho que exercem além do esperado, que excedem espectativas. Você é uma dessas pessoas. Tenho um interesse particular na forma como você desenvolveu esse caso do senador. Achei o conteúdo da história fascinante, a forma como o esquema foi destruído até chegar a sua ligação com um membro do nosso governo. Quero conhecer um pouco mais desse caso. Além da medalha, seu conceito diante do Bureau subiu bastante.

Era isso. Kate sabia que todo esse súbito interesse no seu trabalho tinha que ter uma outra justificativa. Se Nadine queria saber detalhes do caso do ex-senador é porque algo a intrigava. Podia ser um terreno perigoso de se caminhar porém, era possível que essa parceria repentina pudesse render boas informações para Kate. O quanto do assunto a repórter poderia conhecer?

- Por que esse caso, Nadine? Por que tanto fascínio com ele? – Nadine fitou o olhar de Kate, estudando-a. A reputação da investigadora era conhecida por muitos como intacta. Naquele momento, ela avaliava se estava pronta para expor suas idéias a alguém que trabalha para o governo, está lá dentro em contato com pessoas poderosas. Suspirou. Se ela não confiasse na mulher a sua frente para trocar ideias, todo aquele discurso sobre pessoas comuns e heróis seriam apenas um bando de palavras despejadas ao léu para conseguir a atenção de alguém. Essa nunca foi a razão pela qual as dissera, fora sincera. Diante de tudo isso, em quem mais poderia confiar senão Kate Beckett?

- Tudo bem, eu vou abrir o jogo com você. Quando as primeiras notícias chegaram ao nosso conhecimento sobre um caso envolvendo drogas, suborno, fraude e não pagamento de impostos, o conjunto todo gritava máfia. Decidi pesquisar um pouco mais fundo. O que descobri foi uma rede de crimes ilícitos comandados pela máfia chinesa. Mercadorias ilegais entrando pelos portos americanos sem qualquer inspeção e claro sem pagar impostos. Fiquei pensando. Um esquema pesado como esse, deve ter a colaboração de alguém muito poderoso dentro do governo atuando na proteção dos contrabandos. As boates ligadas a rede não passavam de fachada para produção e distribuição da droga. Cheguei a visitar uma delas e acredite, é um lugar terrível. Quando estava lá, me ofereceram drogas mas não a suposta mistura poderosa. Conversei com outros jovens. Uma das garotas me garantiu que tinha, como eles dizem, um bagulho melhor lá em cima mas custava caro e você tinha que ser autorizada para colocar as mãos nele. Ela mesma apenas conseguia algum por causa de uma amiga que conhecia o dono da boate, um chinês naturalizado americano. Infelizmente, a tal amiga não estava lá naquele dia – bebeu um pouco da água que Kate a servira junto com o café – não pude ficar mais tempo ali. O cheiro de drogas misturadas naquele ar viciado em fumaça do lugar estava me deixando com falta de ar. Da outra vez que tentei voltar, estava fechada. Logo em seguida, a reportagem sobre a cassação do mandato do senador Denver chegou a redação revelando o caso e as descobertas do FBI. Não havia conectado o acidente de Castle ao caso. Depois de dar a notícia aos telespectadores, passei a olhar o caso por um novo angulo. Comecei uma investigação pessoal sobre Robert Denver. E bem, eu... – Kate reparou que ela estava receosa sobre como abordar a próxima questão.  Percebendo a situação, instigou.

- O que você descobriu, Nadine? E mais importante, como descobriu informações confidenciais?

- Tenho minhas fontes e meu faro investigativo é muito bom. Já sabia pelo caso que o ex-senador forjou uma série de documentos, criou empresas de fachada, tem várias contas abertas no exterior e brincava com o dinheiro público. Então, fui mais fundo, voltei a suas origens no Alabama. À medida que procurarva descobrir podres sobre sua carreira, encontrava um sujeito devotado à familia e ao seu estado. Iniciou a vida pública muito jovem com o apoio do pai que era um grande fazendeiro da região. Em seus primeiros mandatos ainda na sua cidade, ele ganhou a simpatia dos eleitores e fez muito pela comunidade o que garantiu a ele uma ótima popularidade para se tornar governador do estado. Não estou dizendo que Denver era santo. Para se chegar aonde estava precisava de aliados e trocas de favores. Foi então que surgiu sua vontade de ir para o senado americano. Ele se aliou ao partido de Bracken que concorria ao senado aqui, James que concorria pela California e Williams representando Washington. Fizeram uma espécie de coligação, aliança. Eles venceram e essa união os acompanhou até o senado. Que ironia ser o próprio senador Bracken a destituí-lo do cargo – a forma como Nadine falou a última frase causou arrepios em Kate. Era como se ela duvidasse de algo ou talvez estivesse jogando a isca para ver se ela cedia e dava alguma informação adicional. Nesse instante a porta do apartamento se abriu, Castle empurrava um carrinho usando óculos escuros. Ao ver que Kate continuava ocupada com a repórter, decidiu cumprimenta-las e seguir com o filho para o quarto.

- Bom dia – sorriu beijando a testa da esposa que levantou o rosto para beija-lo nos lábios – Alex gostou muito do passeio – entregou o filho para ela por um instante – olá, Nadine. É um prazer tê-la em nossa casa – estendeu a mão para ela, Nadine retribuiu apertando-a.

- Rick Castle, bom ver que você está bem novamente. Oh meu Deus! Esse é o herdeiro? – um sorriso formou-se no rosto da jornalista – ele é lindo! Tem os olhos do pai mas a boca e o nariz são seus, Kate. Parabéns, ele é um encanto.

- Obrigada. Nadine, se importa de ficar um instante aqui na sala, preciso mostrar algo pro Castle de Alex e amamenta-lo não vai demorar muito e Castle pode conversar com você nesse período.

- Claro, Kate. As obrigações de mãe vem em primeiro lugar. Não se preocupe comigo, vou aproveitar para ligar pra redação e ver como estão as coisas por lá.

Assim que entraram no quarto de bebê, Kate fez sinal para Castle fechar a porta. Castle estava um pouco confuso com a forma que ela conduzira isso. O que era tão importante para lhe mostrar que podia deixar Nadine Furst esperando?

- Kate, por que deixou Nadine sozinha? Alex não está com fome ainda tem pelo menos mais uma hora.

- Castle, acho que Nadine sabe ou desconfia de alguma coisa no caso do senador Denver. Esse é o real motivo que ela quer fazer as entrevistas comigo. Acho que pretende investigar o caso um pouco mais a fundo. Não se convenceu com as explicações. Ainda não terminei de entender o ponto de vista dela mas tudo indica que será isso. Agora me sinto entre a cruz e a espada. Podemos confiar nela? Se decidirmos que sim, ela pode ser uma excelente aliada quando precisarmos de informações e cobertura para pegar Bracken. Por outro lado, se ela nos trair minha carreira está acabada e nossas vidas ameaçadas. O que você acha?   

- Eu acho que Nadine Furst é uma jornalista competente que tem compromisso com a verdade. Ela é esperta e inteligente o bastante para sacar que existe algo além do que os jornais e o FBI relataram do caso Denver. Talvez ela seja uma aliada, mas teremos que ir devagar com informações e trocas de idéias. Não me parece uma traidora.

- Se eu permitir que ela faça a entrevista, estarei dando uma chance a ela para entrar no meu mundo mas terei que contar que não faço mais parte do bureau.

- Isso por si só é um furo para ela, principalmente se você lhe conceder uma exclusiva. Pode ser a chance de você descobrir mais sobre a mulher tão interessada em você.

- Talvez o interesse não seja em mim realmente, aposto na história.

- Acredito ser nos dois. Converse mais, use seu faro de detetive para entende-la melhor. Garanto que se tivermos uma aliada como ela, quando Bracken cair, será um prazer assistir de camarote. Vou voltar para a sala – pegou a babá eletrônica – conversarei um pouco com ela para que não fique estampado a nossa mentira. Fique um pouco com Alex antes de coloca-lo no berço.

Castle voltou para a sala, sentou-se ao lado de onde Kate estava antes ficando de frente para Nadine. Conversavam sobre seus livros, situações de New York até que o assunto voltou a ser Kate Beckett. A curiosidade da repórter começou com o motivo porque ele escolheu a detetive como musa inspiradora. Castle descreveu o que não cansava de repetir aos repórteres sobre sua esposa. Ouvindo com atenção, Nadine acabava por anotar algumas declarações. Ele comenta que no início nem tudo era perfeito, afinal Beckett não gostava de ter alguém seguindo-a durante todo o dia e algumas vezes à noite. Tiveram atritos mas acabaram por perceber que havia uma boa parceria ali.

- E olhe onde a parceira nos trouxe? – disse Castle vendo Kate retornar do quarto e sentar-se ao seu lado – já mamou?

- Não, ele não quis. Cochilou no berço. A babá está com você certo? – ele mostrou em sua mão – sobre o que estavam falando?

- De quando eu comecei a compartilhar meus conhecimentos sobre crimes com a NYPD. Fui de extremo valor para o distrito.

- Certo, certo. Ele gosta de se gabar. Então, onde paramos mesmo Nadine? Ah! Você estava falando da ironia de Bracken ter deposto o amigo.

- Sim, uma ironia realmente. Sabe Kate, o que mais me intriga é o tamanho da organização clandestina criada pela máfia junto com o senador. Apesar de saber que a família dele também está envolvida ainda acredito estar faltando algo. Era muito dinheiro envolvido, dinheiro sujo chinês e americano. Porém, o senso de jornalista fala mais alto. Não consigo acreditar que isso era a ação de um homem só. No meu entendimento, deveria ter pelo menos mais um no esquema. Um senador – Kate olhou disfarçadamente para Castle antes de responder ao questionamento.

- Nas nossas investigações ele trabalhava sozinho com os chineses, ele e o filho. Não encontramos outra pessoa ligada aos crimes. O próprio Denver confessou que tinha mandado matar a mim e a Castle, o motivo era por eu estar chegando perto demais. Acho que isso responde a sua dúvida. No fim da investigação, eu já estava afastada do FBI para cuidar de Castle além do próprio atentado que sofri. Foi o melhor que fiz, me afastar.

- Então, não foi você que encerrou o caso no FBI... interessasnte.

- O caso está encerrado, foi feito pelo agente McQuinn. Da mesma forma, o caso do “acidente” de Castle foi arquivado na NYPD deixando clara a sua ligação com o do FBI.

- Entendo, não me leve a mal, Kate respeito seus colegas do bureau mas não acredito que eles tivessem a mesma visão do caso que você. Desvendou todos os enigmas, achou todas as pontas soltas praticamente sozinha. Será que eles não acabaram deixando algo escapar? Você tem vontade de revisitar o caso, rever os relatórios?

- Não. Eu mesma ajudei a NYPD a fechar os relatórios que foram levados a promotoria e ao Capitólio. A Capitã Gates me deu essa honra. O caso está encerrado, Nadine e mesmo que quisesse não poderia investiga-lo.

- Por que não? Agentes fazem isso o tempo todo. Leem casos de colegas, usam para compara-lo aos seus. Tirar ideias, relacionar suspeitos. Mesmo que tivesse uma suspeita, você não investigaria de novo?

- Talvez, depende muito da pista. Algumas são uma extrema bobagem, outras de cara são descartadas. Por que me pergunta, Nadine? Tem alguma informação quente? Você ou alguma de suas fontes descobriu algo importante?

- Tenho uma suspeita apenas, por enquanto. Preciso investigar um pouco mais.

- Não olhe muito fundo do oceano, Nadine. Você pode se deparar com algo que não pode controlar. É uma jornalista, não uma investigadora ou detetive. Tenha cuidado, acredite tenho experiência no assunto.

- Não se preocupe, Kate. Investigo no âmbito jornalístico. Quando farejo algo, apenas levanto a suspeita e deixo o trabalho pesado para profissionais como você. É o que gostaria de fazer caso descubra algo interessante nas minhas pesquisas. Posso contar com você? – então viu o olhar trocado entre Kate e Castle, como já suspeitava, devia ter algo mais naquela história, seu faro jornalístico não falhava nunca – o que foi? É uma simples troca de favores. Se a dica for quente e ajudar, você me concede uma entrevista exclusiva sobre o assunto. Que tal? – viu Castle balançando a cabeça em afirmação além do gesto de apertar a mão dela.

- Nadine, o que estou prestes a contar é segredo e você deve me prometer que não levará ao conhecimento público pois caso o faça, será o fim da minha carreira – Kate percebeu o brilho no olhar da repórter – estou de dando um furo em primeira mão mas que você só poderá usa-lo quando for confirmado oficialmente. Estou fazendo isso porque gosto da forma como trabalha e vejo que há um interesse real aqui. Espero não me decepcionar. Fui clara?

- Sim. Prometo não agir de outra forma e não vou fazer nada para decepciona-la, Kate.

- Assim, espero. Não posso mais investigar o caso em questão porque ele não faz parte da minha jurisdição. Extra-oficialmente, desde a festa comemorativa onde recebi a medalha pela minha ajuda na solução do caso não faço mais parte do corpo do FBI. Foi uma decisão em conjunto com os diretores assistentes – Nadine estava em choque com o que ouvia - Na verdade, essa era uma decisão que já considerava durante a gravidez e todo o resto que você conhece bem. Mais importante, nasci em Manhattan, Castle também, nada mais justo que querer criar nosso filho aqui.

- Mas você...  Beckett...abandonou a carreira de detetive? – de olhos arregalados e pãlida, a repórter tentava assimilar as palavras que ouvia.

- Você sinceramente acha que largaria o trabalho e viraria uma dondoca? Se acha, definitivamente não é a pessoa correta para trabalhar comigo nem para me entrevistar.

- Não! É claro que não. Kate Beckett é sinônimo de justiça. Você não serve para o papel de doméstica, do lar como queiram chamar. De jeito nenhum vejo você em casa de avental fazendo massagem no marido enquanto ele janta na frente da tv – virou-se para ele - Desculpe, Castle sem ofensas.

- Tudo bem. Nem eu gostaria disso, acredite.

- E o que você irá fazer agora, Kate? Escrever sobre os crimes que já solucionou? Uma biografia?

- Não seria uma má idéia mas não será isso. Durante o evento, manifestei a vontade de voltar a NYPD. O Comandante concordou desde que eu recebesse a promoção para Lieutenant.

- Nossa! Isso é... um furo jornalistico. Queria tanto publicar...

- Não pode. Deverá esperar o diário oficial. Então posso conceder uma entrevista exclusiva para você.

- Melhor do que nada. E quanto as demais? Quero mesmo fazer outras entrevistas. Cinco seria ótimo.

- Ainda quer isso mesmo eu não sendo mais do FBI? – perguntou Kate surpresa.

- Claro! Não é o cargo, é a pessoa exercendo que o torna atraente. Podemos fechar a sequencia de trabalhos juntas?

- Podemos. Peça a Gina para redigir um contrato – disse Kate.

- E quanto ao caso do FBI, o que acontece se eu encontrar o que vocês detetives chamam de ponta solta?

- Vamos fazer o seguinte, se você encontrar algo relevante, me informe. Caso eu julgue como algo que vale a pena investigar, entro em contato com o agente do caso, se a desconfiança partir de mim será mais fácil para ele levar à sério do que apenas uma denúncia anônima.

- Tudo bem – Nadine se levantou, cumprimentou Castle – foi um prazer, Castle. Kate – segurando a mão da investigadora – acredito que iremos fazer uma parceria que vai abalar a audiência. Sabe o que mais? Ainda divulgarei um furo exclusivo seu, de verdade. Será um prazer trabalhar com você.

Castle a levou até a porta. Quando estavam finalmente sozinhos, perguntou.

- Você acabou de fazer o que penso que acabou de fazer?

- Se com isso você quer dizer que joguei a isca para Nadine me passar qualquer suspeita sobre o envolvimento de Bracken no caso Denver a resposta é sim. Se estiver pensando que farei dela uma aliada, a resposta também é sim. Pretendo revelar meu interesse em Bracken? Não. Esse assunto diz respeito apenas a nós dois, por enquanto.

- Ah, a sagaz detetive Beckett. Muito inteligente de sua parte – enroscou os braços ao redor dela e beijou-lhe carinhosamente os lábios, quando pensavam em aprofundar as carícias, o chorinho de bebê surge na sala – é a babá. Alex deve estar com fome.

- É Castle, o dever me chama. Você pode ligar para Gina, explicar o que fechei com Nadine? Diga que mais tarde ligo para ela.

Início de Outubro

Kate acabara de receber um telefonema da sua Capitã. Gates informara que o anúncio de sua promoção estaria no diário oficial do dia seguinte, portanto devia se preparar para a enxurrada de perguntas que poderia aparecer. Comunicou a notícia a Castle para em seguida ligar para Nadine. Se ela queria uma entrevista exclusiva, era melhor garanti-la ainda hoje. Gates também informara que iria fazer um breve esclarecimento para a equipe do 12th distrito mas que as perguntas cabiam a eles fazê-las diretamente à tenente. Além disso ela teria no máximo vinte dias para preparar a papelada e todos os exames necessários, provavelmente a data de sua posse seria 01 de novembro.

Nadine estava no loft por volta das duas da tarde.                        

Tão logo acomodadas, Kate quis iniciar a entrevista para que ganhassem tempo. As perguntas escolhidas por Nadine e aprovadas por Kate procuravam mostrar o lado pesssoal dela conectando-a a sua devoção a cidade de New York, suas raízes e à nova fase da sua vida, a da maternidade. Incluia também uma espécie de agradecimentos aos meses passados no FBI, o aprendizado que tivera lá e os colegas que conheceu. Nadine queria arrancar um pouco mais do trabalho de tenente porém, como Kate ainda não havia discutido com Gates preferiu não especular. Apenas garantiu que continuaria protegendo e servindo a cidade que ama, resolvendo assassinatos e trazendo à justiça os culpados pelos mesmos.

A entrevista gravada durou cerca de cinco minutos porém seria suficiente para dar uma guinada na audiência do canal 47 da ABC. Nadine ainda não era âncora do jornal da noite, tinha algumas participações e substituía a apresentadora principal quando era preciso. Ela esperava que com a série de reportagens que pretendia fazer com Beckett conseguisse chamar a atenção da audiência e ganhar a cadeira de apresentadora em definitivo.

Agradeceu novamente a Beckett por estar trabalhando em parceria com ela e questionou quando seria o melhor momento para gravarem a primeira entrevista no trabalho. Kate sugeriu que esperassem um caso significativo para que tivesse material suficiente para trabalhar. A repórter achou a idéia excelente. Comentou que a entrevista gravada ia ao ar logo no noticiário do meio-dia voltando a ser repetida à noite. Mesmo que fosse gravada, Nadine fazia questão de mostrar o que conseguira com exclusividade. Combinara com Kate que ela não daria nenhuma declaração até a entrevista delas ir ao ar.

Quando Nadine saiu, Kate seguiu para o quarto do filho. Ele dormia calmamente. Deixou-se cair na poltrona onde amamentava suspirando. Estava nervosa. Não pelo trabalho ou pelo cargo. Isso conseguia lidar e tirar de letra com a orientação de Gates. O que a preocupava era a reação dos rapazes. Além de saberem por Gates, ainda se deparariam com uma entrevista sua para a tv, o que sugeriria que tudo fora feito de caso pensado. O que não deixava de ser verdade. Fechou os olhos por um momento.

Em breve estaria de volta à ativa, resolvendo crimes, andando pelas ruas, buscando pistas. Sentia falta da ação. Quando estava em uma investigação, a descoberta de um suspeito, o ato de seguir uma pista, uma perseguição, fazia seu sangue correr rápido e energizante pelas suas veias. Gostava de ser policial. Mostrava seu distintivo com orgulho pela cidade que jurava proteger e servir. Havia, porém, outro sentimento dividido em seu coração. Kate precisaria de cuidado redobrado ao retornar às ruas. Manter-se viva era sua prioridade conflitando justamente com o dever de prender criminosos. Tinha a obrigação de voltar inteira para casa ao final do dia. Alex a esperava, seu filho dependia dela. Por conta disso, ela seria mais cautelosa.

Sentiu as mãos pousando sobre seus ombros. Sorriu levando a sua própria ao encontro. Acariciou a pele inclinando a cabeça para beija-la.

- O que faz aqui de olhos fechados? Está pensando em que?

- Na volta ao trabalho, nos próximos desafios, nos colegas. Acha que Ryan e Esposito vão me achar uma traidora? São meus amigos e sequer contei que voltaria a trabalhar com eles. Talvez nem queram fazer parte da minha equipe depois disso.

- Isso é bobagem, Kate. Você não contou a Lanie também. Apenas a mim.

- E a uma repórter. Como você acha que eles vão se sentir? Você não gostaria...

- Mas comigo é diferente. Você é minha esposa. Eles podem ficar chateados mas depois passa. Diga apenas que Gates a obrigou a ficar de bico calado – os braços dele a envolviam pelo pescoço. Os lábios beijavam sua nuca, sua orelha e o rosto. Acariciando o biceps dele, ela se levantou com cuidado da cadeira aproximando-se do berço. Deslizou a mão pelo corpo do filho que dormia.

- Agora é ainda mais importante lutar contra o crime. Por Alex.

- Faremos isso, Kate. Não se preocupe, amor.

No dia seguinte, por volta de dez horas da manhã o diário oficial foi liberado.  A partir dali, em meia hora os telefones dela e de Castle começaram a tocar. Kate escolheu por bem falar primeiro com Lanie, Esposito e Ryan. Calmamente, explicou para os amigos suas intenções e escolhas não revelando o que estava por trás de tudo aquilo. Ouviu muitas reclamações porém, ao final eles pareciam felizes por tê-la de volta. Satisfeita, foi a vez de falar com o pai. Jim fora bem mais receptivo aos seus argumentos. Ele já apoiara a filha quando ela quis se aventurar no FBI, agora ficaria ao seu lado novamente, especialmente porque o propósito maior era seu bebê. Ao final do dia, Kate estava cansada mas confiante de que logo estaria trabalhando. A última ligação do dia foi de Gates. Não só estava interessada em saber como ela estava como também tinha compromissos a repassar para Kate.  Informou  a necessidade de Kate comparecer com sua documentação na Central de polícia além de precisar realizar um exame médico completo e uma prova de tiro. Gates sugeriu que se organizasse da melhor maneira possível para não interferir no seu dia a dia como mãe.

- Como o pessoal reagiu com você, Beckett? Sei que Ryan e Esposito ligaram pra você.

- Ficaram um pouco zangados a princípio porém acredito que estão felizes por eu estar de volta.

- Foi o que pensei. Muito bom. Lembre-se que você precisa se preparar para voltar ao trabalho. Adequar a rotina do bebê. E como você está se sentindo?

- Muito feliz. Quero muito voltar ao trabalho, me dedicar a investigações, à justiça. Estou com saudades da agitação e olha que não falta nenhuma na minha vida nesse momento.

- Bom saber, faremos grandes coisas juntas, Kate. Vejo um futuro muito promissor para você mesmo na NYPD. Fez uma boa escolha voltando para essa cidade. Se precisar de qualquer ajuda, tiver dúvidas, não hesite em me contatar.  

- Sei que fiz, Capitã e obrigada.

No quarto, Kate pode assistir parte da entrevista que reprisava no canal 47. A pergunta que viu foi exatamente sobre o FBI. “Tive a oportunidade de trabalhar com pessoas incríveis no Bureau. Aprendi muito, pude ver um lado diferente de justiça ao que estava acostumada. Isso me fez crescer. Sou grata pela oportunidade e por ter ajudado em um dos casos mais relevantes para o país. Sou novaiorquina de nascença e coração. Essa é a cidade que escolhi para viver, criar meu filho, para defender”. Nadine era uma mulher muito esperta, tinha que reconhecer. Durante as vinhetas para o comercial, ela soltava uma frase de Kate na tela, para que isso ficasse gravado entre os telespectadores. Estrategista. Alguém que vale manter na sua lista de contatos importantes.  

Em sua casa em Washington, Bracken assistia ao mesmo canal. Analisava a imagem da mulher em sua tela com cuidado. Constatou que ela fora muito feliz na forma como frizou seu compromisso com a cidade de New York. Pelo semblante, a sua inimiga parecia bem, descansada e porque não dizer feliz? Por enquanto, seu trato estava mantido. Esperava que dessa vez Kate Beckett deixasse de ser um problema em definitivo na sua vida.

Na semana seguinte, Kate começou a mudar sua rotina. Com o auxílio de Martha adequou os horários de amamentação, discutiu a melhor forma de deixar leite para Alex e como gerir algumas situações. Também agendou uma consulta com a pediatra para tirar dúvidas aproveitando para levar Alex ao seu acompanhamento mensal. A consulta foi realmente esclarecedora. Castle gravara as palavras da médica para que eles não esquecessem nenhuma recomendação. Nesse momento de transição seria importante o apoio dele mais em casa do que no distrito. Depois de muita insistência além da sugestão de Alexis, Kate finalmente concordou em contratar uma babá para ajudar Martha com Alex. Na verdade, a pessoa era irmã de uma colega de faculdade da filha de Castle que já atuava como babá a mais de um ano. Kate pediu para Alexis combinar de vir no loft a fim de conversar com ela e aprender como as coisas funcionam.

Recebeu também um telefonema de Nadine. A jornalista estava muito empolgada com a reprcussão da sua entrevista com Kate não apenas em audiência como em comentários. A maioria aprovou a decisão de voltar a NYPD. Diante dos fatos, disse que não via a hora de poder fazer mais uma rodada com a então Lieutenant Kate Beckett. Parecia que todos realmente estavam felizes com as mudanças.

Kate havia passado a manhã fora. Estivera na Central de polícia para assinar seu contrato, entregar exames e passar pelo médico na academia de polícia. Deveria retornar no dia seguinte para sua prova de tiro. O resultado seria anexado ao seu processo que deveria ser assinado pelo comandante até a outra semana. Só então seria emposada podendo receber o distintivo de tenente e sua arma de volta. Eram quase meio-dia quando retornava ao loft. Tinha que admitir a si mesma, estava com saudades de Alex. Sabia que precisava começar a se acostumar em ficar mais horas longe do pequeno Alex para seu próprio bem.

Ao chegar no quarto do bebê se deparou com o berço vazio. A nova babá vinha entrando no quarto.

- Nossa, me assustei agora com a senhora Dona Kate.

- Amy, quantas vezes terei que dizer, me chame de Kate. Cadê o Alex?

- Acordou a pouco. Troquei a fralda, dei um banho nele e o arrumei para espera-la. Deve querer mamar logo. Ia ficar com ele no bercinho mesmo mas o Sr. Castle quis leva-lo, está no escritório. Vou lavar algumas roupinhas dele.

- Obrigada. Kate sai rumo ao escritório. Parou próximo à porta para observar a cena. O monitor de 40” ligado estava cheio de informações. Na parte de cima, havia um titulo “Heat Blows – 2”. Diante da tela, Castle com o filho nos braços passeava pelo escritório falando incansavelmente. Oras apontava para algo na tela, oras fazia um carinho no filho. Era lindo de se ver, pena que teria que quebrar esse clima.

- Hey, o que vocês dois estão aprontando?

- Olha quem chegou, Alex. A mamãe. Estava mostrando para o Alex como se faz um livro. Disse que era parecido com o método que você usa no trabalho. Vamos visitar a mamãe qualquer dia para você ver, filho – Kate sorria diante do jeito bobo dele com o menino – como foram as coisas na Central? Tudo resolvido?

- Quase – se aproximou para cheirar a cabecinha do bebê – preciso voltar a academia de polícia para fazer a prova de tiro, depois da assinatura do Comandante receberei meu distintivo.

- Lieutenant Beckett, oh! Na verdade....Lieutenant Castle. Soa bem melhor.

- Ai, Alex… esse seu pai não tem jeito – pegou a criança dos braços dele – de onde surgiram essas ideias?

- Já estou trabalhando no próximo livro. Será a continuação de Heat Blows. Estava tentando achar crimes que poderiam levar ao nosso alvo maior. Nikki começaria investigando um assassinato para então achar algo que a leve a alguma ponta solta do caso anterior. Pensei em alguém do ramo de informática, também tenho um executivo de banco e um empreiteiro que tem uma empresa que presta serviços para o governo. Tem alguma outra sugestão?

- O do ramo da informática seria o ideal mas não acha que daríamos muito na cara? Mexer com banco, talvez. A empreiteira está descartada, nosso culpado não mexe com obras. Vou pensar um pouco sobre outra possível vítima. Você desenhou as histórias para cada uma delas? Bom! – aproximou-se do monitor e balançando o filho nos braços, lia atentamente a idéia proposta – nada mal!

- Nada mal? Você está falando com um profissional, Kate. Essa sua mãe, Alex. Adora criticar meu trabalho, mas basta um rápido olhar na estante do velho apartamento de solteira dela que você encontra todos os livros de quem? Do papai aqui – Kate gargalhou.

- Você é muito convencido! Tudo bem, as histórias estão ótimas. Posso fazer sugestões?

- Claro, esqueceu que vai escrever esse livro em conjunto comigo? Aconselho você a ler antes as demais informações – mostrou a ela como acessar os grandes sumários que havia escrito – fique à vontade para acrescentar o que quiser nas histórias especialmente porque foi você quem escreveu o último, deveremos fazer a ligação entre os livros.

- Tudo bem, vou levar o Alex para a babá. Volto e fazemos um pouco disso juntos. Relembrar os bons tempos de investigação no 12th distrito.

- Ah, bons tempos. Você está elogiando nossa parceria em resolver crimes. Será que detecto um pouco de saudosismo nisso tudo?

- Talvez, deixa eu – mas Alex já se encostava no seio da mãe a procura de leite, Kate olhou para Castle – hum, você vai ter que esperar mais um pouquinho. Seu filho quer comer.

- É, ultimamente ele está melhor que eu – Kate riu do jeito dele resolvendo responder à altura.

- Finalmente tive a minha vingança quanto a todos aqueles peitos autografados.

- Ouch! Essa doeu! – disse ele colocando a mão sobre o coração em um gesto dramático.

- Sabe Castle, estava pensando em aliviar sua barra. Eu receberei um novo distintivo, tenho uma nova patente. Sinto que a ocasião merece uma comemoração apropriada – ele já ficara totalmente interessado no que ela dissera – tipo assim, um programa a dois, jantar ou quem sabe sem roupas, talvez um pouco de agitação, o que você acha?

- Meu Deus! Apenas diga quando e onde – Kate riu com uma cara de malícia.

- Acho que temos um encontro, Castle. Eu aviso quanto a data – piscou para ele saindo do escritório em seguida com o filho nos braços – volto para continuarmos a elaboração do livro.

E foi exatamente o que fizeram durante o resto da tarde até a próxima amamentação de Alex. Kate gostou da forma como Castle abordou as nuances do caso porém, por conhecer informações adicionais propôs mudanças que caiam bem no desenrolar da história. Modificou a ordem de alguns acontecimentos e acabou se convencendo que o caso do assassinato em uma empresa de informática era a melhor temática para ser abordada.

- Olha, Castle. Definitivamente formamos uma boa dupla. A ideia desse livro tem tudo para dar certo. Com sorte, se conseguirmos montar um caso contra Bracken, podemos usá-lo como inspiração para encerrar o caso do livro fechando o ciclo da parceria entre eu e você.

- Sim, estamos no caminho certo. Se a nossa sintonia permanecer desse jeito, tenho certeza que esse novo livro será um sucesso. Precisamos de um título.

- Só tenho uma reclamação a fazer – Castle a olhou intrigado - Por mais que seja adepta da tecnologia, tenha usado ótimos equipamentos e recursos no FBI, gosto do seu modo digital de organizar as coisas, porém nada substitui a análise do quadro branco. Você poderia conseguir um para mim?

- Sério? O meu monitor não é suficiente?

- Castle, eu me sinto mais confortável com um quadro branco...

- Tudo bem, darei um jeito – se aproximou de onde ela estava abraçando-a por trás – será que podemos dar início aquele encontro, tipo uma preliminar, uma pré-estréia? – beijava-lhe o pescoço fazendo Kate inclinar a cabeça para o lado a fim de dar mais acesso a ele, sentiu as mãos subirem acariciando-lhe vagarosamente os seios sobre a blusa. Soltou um gemido.

- Adoro ficar assim com você – virou-se envolvendo seus braços no pescoço dele sorvendo-lhe os lábios com vontade. Os braços de Castle a enlaçaram pressionando seu corpo rente ao dele. Um calor emanou dos poros dela fazendo o sangue correr mais rápido. Queria toca-lo, senti-lo. Precisava retomar e dominar aquilo que era seu por direito. O beijo intensificou-se, Kate mordiscava os lábios deles, deixava seus dentes fazerem marcas no rosto no pescoço e no queixo. A excitação dele já estava demonstrada contra sua coxa. Desabotoou a camisa dele usando os dentes para marca-lo, prova-lo. Castle puxou a camisa que ela usava, quando sua boca beijava-lhe o abdomen e as mãos dela se perdiam nos cabelos dele incentivando-o a seguir rumo ao centro onde queria ser tocada, a babá eletrônica que estava sobre a mesa deixada a uma hora atrás pela babá gritou, ou melhor, Alex gritou.

Com o susto, ambos se separaram automaticamente.

- Droga! – Castle soltou chateado.

- Desculpe... – ela o fitou sem jeito. Também não gostara da interrupção – parece que a nossa premiere foi pro espaço. Deve estar com fome. Vou vê-lo – na porta do escritório, virou-se olhando em meio a um sorriso – vamos fazer isso direito da próxima vez, longe daqui – e jogou um beijo no ar para Castle piscando antes de ir embora.

Os dias passaram-se bem rapidamente. Kate fora chamada para resolver algumas pendências na academia de polícia e também fez sua avaliação de tiro. Passou com louvor. Encaminhou a documentação recebendo a confirmação de que seu processo seria assinado em 48 horas. Ligariam para ela quando estivesse finalizado para que se apresentasse a Central de Polícia no gabinete do Comandante na presença da sua chefia para então receber seu distintivo e arma. Pelas contas dela, isso ocorreria praticamente no primeiro dia de novembro, data que voltaria ao 12th distrito para trabalhar.

Na véspera do dia primeiro, ela foi comunicada sobre o seu comparecimento a Central. Deveria vir sozinha, em seguida já daria inicio a sua atividade conforme a indicação da delegacia em que fosse trabalhar. Contou a Castle que não abriu mão de acompanha-la mesmo que não pudesse entrar no gabinete do Comandante. Ela não se objetou contra isso.

Em primeiro de novembro, Kate Beckett adentrava o gabinete do Comandante onde assinaria o seu contrato de retorno a NYPD. Terminada a papelada, o Comandante estendeu a mão para cumprimenta-la.

- Lieutenant Beckett, é um prazer recebe-la novamente na NYPD. Desejo-lhe muito sucesso nessa nova etapa de sua carreira. Você é uma detetive excepcional, acima da média e tenho certeza que será de grande ajuda no 12th sob o comando da Capitã Gates.

- Obrigada, senhor.

- Aqui estão sua arma como você prefere e seu novo distintivo de tenente. Sirva e proteja todos os cidadãos novaiorquinos.

- Servirei e protegerei, senhor. Pode contar com isso – disse apertando-lhe novamente a mão. Foi a vez de Gates cumprimenta-la.

- Kate, é bom ter você na equipe.

- Estou feliz por poder voltar, senhora.

- Comandante, com sua licença. Precisamos trabalhar – disse Gates cumprimentando-o com a cabeça, respeitosamente.  

Ao saírem do gabinete, Castle estava sentado em um dos bancos da antesala. A secretária parecia estar vidrada nele, admirando-o. Kate o avistou e abriu um sorriso. Ele se ergueu esperando-a vir ao seu encontro. Mostrou o distintivo novo, ele admirou o símbolo por um instante antes de puxar-la pela cintura colando seus lábios aos dela. Ouviram um pequeno pigarro distante. Quando se separaram, Kate sorriu meio envergonhada para sua superiora.

- Capitã Gates é sempre bom revê-la – disse Castle.

- Mr. Castle. Acredto que seguirá conosco para o distrito. Espero que esse tipo de comportamento não aconteça no meu distrito, se ocorrer terei um certo prazer em expulsa-lo de lá.

- Senhora, pode ir na frente. Chegamos logo em seguida.

- Tudo bem, Beckett. Assim que ela sumiu no corredor, Castle acariciou o rosto da esposa colocando uma mecha de cabelo para trás da orelha.

- Parabéns, Lieutenant Kate Beckett. É bom ver um sorriso lindo desses no seu rosto.

- Obrigada, você foi uma das razões por eu ter conseguido isso. Não vou esquecer, babe.

- Nenhum de nós irá. Vamos? – de mãos dadas eles seguiram até o carro. Da Central de polícia até o 12th levaram apenas dez minutos. Ao entrar no elevador, Kate sentiu o corpo arrepiar. Uma excitação diferente a tomava a cada andar que o elevador subia até chegar ao quarto onde ficava o departamento de homicídios. Quando as portas se abriram, Kate olhou para Castle. Os olhares trocados diziam tudo. Apertou levemente a mão dele tentando segurar a emoção. Castle levou a mão até os lábios e beijou-a.

- Seja bem-vinda de volta, Lieutenant Beckett... – ele disse sem quebrar o contato visual.

- Obrigada – suspirou – É bom estar de volta. Nesse momento, a porta do elevador se fechou. As letras pintadas indicando exatamente onde estavam. A passos firmes, ela caminhou até o salão segurando a emoção com Castle ao seu lado guiando-a e apoiando-a com a mão na altura de sua cintura. Em seu coração, Kate sentia o mesmo que Dorothy ao voltar para o Kansas. “Não há lugar como nossa casa”. Era isso que o 12th distrito representava para a tenente. Sua segunda casa. 

Continua.....

Um comentário:

Marlene Caskett Stanatic disse...

OMG NADINE!!!!!!!
Magina a união dessas 2,vão sambar na cara do desgraçado.Fique nervosa quando kate contou ao castle sobre a escolha que fez,ainda bem.que ela o.acalmou.Ela tão fofa como mama,amo os momentos entre os 3.Alex cortando o clima dos pais,tadinho do castelinho ta na seca...
SURTANDO SÓ DE IMAGINAR
LIEUTENANT BECKETT!!!!!!