terça-feira, 14 de junho de 2016

[Stanathan] Stay Tonight




Stay Tonight

Autora: Karen Jobim
Classificação: NC17 – Romance
Histórias: Stanathan – oneshot  
Quando: Fim das gravações da S8
Disclaimer: História de ship real em universo alternativo. Baseada na seguinte hipótese. Fim de gravações. Um pressentimento ruim envolve Stana e em meio a nostalgia e um momento melancólico e carente, ela se vê pensando em Nathan e na possibilidade de não vê-lo novamente. O que poderia acontecer então? Castle e Beckett não me pertencem...são da ABC yada yada yada... e logicamente Nathan e Stana também não são meus! Conteúdo criado para diversão, todos os direitos da autora reservados!

Nota da Autora: A ideia para essa fic surgiu do nada. Em uma tarde no trabalho. Comecei a rabiscar como seria imaginar uma espécie de one night stand entre nosso casal real apesar de acreditar que isso não é bem o feitio de Stana. Porém, o que vale é a imaginação e outra vez, após ouvir uma canção, eu soube que precisava escrever. Detalhe: não lembro exatamente qual a bala que Stana ama, mas taffy é bem popular entre os canadenses, então.... Enjoy!

Importante! Minha ideia aqui não é tomar lados ou culpar ninguém, pura diversão a partir de um ponto de vista, não levem tudo tão a sério! Caso queiram ouvir a canção que a inspirou aqui está uma versão ao vivo simplesmente divina! 







NC17 be aware!


Stay Tonight



A semana passava rápido. O frenesi do final da temporada contaminava a todos no estúdio, atores, produtores e equipe técnica, apesar da grande maioria não ter ideia do que seria seu destino, o que o futuro os reservava. Havia risos, gritos, piadas e algumas brincadeiras. Somente uma pessoa parecia alheia a tudo isso. Stana Katic.

A cada nova cena terminada, uma parte de seu coração se quebrava. Ela tinha um pressentimento ruim sobre a season finale. O fato de não ter ouvido qualquer ruído, uma palavra sequer da emissora quanto a renovação de contrato, apenas agravava a situação. Ela sabia o que estava em jogo. Desde o instante que a oitava temporada começou, ficou claro a jogada da ABC e de Alexi. Episódio por episódio, eles tentavam diminuir sua participação. Primeiro com a separação ridícula de Castle e Beckett, depois a ênfase ao escritório de PI de Castle, a introdução de uma nova investigadora, o aumento da aparição de Alexis com o pai, tudo para demonstrar que sua personagem era descartável. Embora os fãs reclamassem, eles não pareciam dispostos a ouvir.

Ao receber o script, Stana sabia que o destino de sua personagem estava planejado e traçado naquelas páginas. Não se surpreendeu com o suposto cliffhanger criado. Convenhamos, era bem cômodo encenar uma cena onde criava-se a dúvida quanto ao futuro dos protagonistas incitando a possível continuação sem um deles, no caso, Beckett.

Ela estava sozinha por duas semanas. O marido estava viajando a trabalho. Havia uma mistura de sentimentos confusos pairando em sua mente. Estava solitária, triste. Talvez nostálgica fosse uma palavra melhor para descrever o que sentia cada vez que entrava em um dos cenários do estúdio. A sensação era de despedida, de encerramento. Era fim de temporada que mais parecia o fim da linha para ela.

Oito anos de histórias, de emoções, de reviravoltas. Tudo acontecera naquele lugar. Encontrara o sucesso, fizera amigos. Dera vida a uma das personagens femininas mais intrigantes e admiradas da televisão. Tivera esse privilégio de viver Kate Beckett e inspirar tantas jovens e mulheres ao redor do mundo. Amara, fora amada. Na tela e fora dela pelo mesmo homem. Fechou os olhos por um momento suspirando enquanto a imagem dele surgia em sua mente. Nathan.

Estava na sala dos escritores sozinha. Tomava café e ao abrir os olhos deparou-se com o próprio a sua frente. Ele sorriu. Stana olhou diretamente para aquele azul hipnotizante de seus olhos. Ela podia perder-se neles. Ao ver que ela parecia não notar sua presença, ele inclinou a cabeça para o lado, franziu a testa.

– Hey... tudo bem? – a voz melodiosa a fez despertar da pequena viagem que a fazia afogar-se naquele oceano azul bem a sua frente.

– Hey...

– Você me parece distante. Cansada? – ele começou a preparar um café para si – esses últimos dias não tem sido fáceis.

– É verdade, são onze da noite. Não, são quase meia noite e meia!

– E ainda temos uma cena para filmar para encerrar esse longo dia. Você já pensou o que vai fazer no seu hiatus? Vai para Europa, tem projetos? Ou vai simplesmente sumir no mundo por um tempo? Não seria você se não fizesse um pouco disso, Stana – ele sorriu bebendo o café.

– Eu planejo ficar em Los Angeles pelo menos uns dois meses – ela olhava para a caneca em suas mãos, estava evitando fita-lo com medo de perder-se outra vez em seus olhos. Havia algo que gostaria de perguntar a ele. Criando coragem, ela decidiu que não havia problema em dividir suas preocupações com seu costar – a emissora já contatou você com relação ao novo contrato, as negociações?

– Eles procuraram Michelle há umas duas semanas, mas agora com o lance do tratamento eu terei que conversar pessoalmente com eles e os advogados quando me chamarem. Por que pergunta? – ele percebeu no olhar dela que algo a incomodava. Tanto tempo trabalhando juntos, convivendo, conhecia as facetas de sua parceira. E não podia negar que já foram mais que parceiros profissionais um dia, mesmo que por um breve período de tempo, suficiente para deixa-lo marcado para a vida toda.

– Eu enviei uma proposta para a emissora, porém eu acredito que a ABC não está mais interessada em mim. Não querem meus serviços, não querem Beckett. Às vezes, acho que nem querem mais Castle.

– Não diga isso.

– Eu sinto como se fosse minha última vez nesse estúdio. Minha despedida de Kate Beckett. É tão estranho.

– Será que você não está exagerando? Se deixando levar pelo clima de fim de temporada, do episódio?

– Nathan, sejamos sinceros. Eles praticamente anularam minha personagem durante essa temporada. Focaram em você, em Hayley. Queriam vender a ideia do PI. Alexi é primeiro a incentivar isso em todos os escritores. Sei que tenho culpa nisso também por causa da última negociação. Eu provoquei. O castigo veio. Essa cena, o tal cliffhanger, não parece óbvio para você? Ambos levamos tiros, mas alguém, nesse caso, Beckett pode não sobreviver. Eu sinto aqui dentro. Um pressentimento ruim, é a minha despedida. Como é difícil! – ela se segurava para não ceder completamente as emoções.

– Agora que você falou, eu posso concordar embora não quisesse que fosse dessa forma. Oito anos não podem ser esquecidos assim, num piscar de olhos – ela podia ver a preocupação nos olhos azuis ao encara-la.

– Eu sei, Deus! Eu vou sentir falta disso. Sentir saudades das longas horas, das risadas, dos nossos erros... – ela fitou-o mordendo os lábios para impedir que as próximas palavras escapassem. Iria sentir falta dele, de abraça-lo e beija-lo.

– Todos nós iremos. Nós nos divertimos juntos, não?

– Sim, muito.

– Sentirei falta de tudo, absolutamente tudo, Stana – ele estava muito perto dela. Stana começou a se sentir nervosa pela proximidade deles, a respiração acelerara, podia sentir o perfume dele. Como Nathan cheirava bem, a camisa estava com os primeiros botões desfeitos o que lhe dava uma visão do tórax dele. Não podia negar. Ela ainda tinha sentimentos por ele. Ainda se sentia atraída e gostava de estar com ele. A pequena voz interior da razão pareceu incomoda-la. Você está casada, supere isso.

Nathan observava a luta interna que ela travava contra si mesma. Algo se passava na mente de Stana. Talvez sua esperança quisesse faze-lo de bobo, mas teve a impressão que ela estava pensando nele não como seu companheiro de cena e sim como homem. Finalmente, ela quebrou o silêncio incômodo.

– A-acho que devemos voltar para o set... – ela o empurrou levemente tocando o peito dele. O gesto a fez engolir seco recriminando os pensamentos impuros que pareciam se formar em sua mente. Comporte-se, mulher! Dizia para se mesma. Você trabalha com ele, seja profissional. Nathan afastou-se sabendo que aqueles poucos minutos já serviram para mexer bastante com a imaginação de ambos.

Eles retornaram para o set. A cena que filmariam era a morte do suposto Loksat, quando Castle os surpreendia para salvar a vida de Beckett. Era uma cena tensa. Não somente para o episódio, mas para seus personagens também. E toda a sensação de despedida que estava sentindo antes se amplificou com aquele abraço. Mais uma vez, ela não podia se negar a oportunidade de cheirar o pescoço dele novamente como sempre fazia quando o abraçava em cena.

Dessa vez, porém, não fora apenas o ato de cheirar que pareceu diferente, o próprio abraço de Nathan era diferente. Ele a mantinha muito perto de seu corpo apertando-a com vontade, como se não quisesse solta-la. Não ouviram o “corta” do diretor. Usaram seu próprio tempo para finalmente afastarem-se quebrando o contato. Ele a olhava intensamente.

– É isso aí, pessoal. Terminamos por hoje. Tenham um bom resto de sábado e vejo vocês dois na segunda para filmarmos as últimas cenas – eles se despediram de Rob e caminharam de volta ao vestuário para trocarem de roupa.

– Uma e meia da manhã de sábado. Como está tarde!

– Você está de carro ou seu marido vem busca-la? – ele tinha que perguntar, talvez essa fosse sua última chance de arriscar-se com ela. Stana notou a forma como Nathan dissera a palavra. Não soara como deboche, ainda assim havia uma espécie de sarcasmo ou repulsa. Entendia a reação, afinal eles se detestavam por causa dela.

– Ele está viajando. Vou pegar um taxi.

– Deixe de besteira, Stana. Eu te levo em casa.

– Não, Nathan. Não vou fazer você desviar de seu caminho por minha causa.

– Qual o problema? É madrugada, nem transito tem. Aposto que chegaremos lá em dez minutos. Troque de roupa e me encontre no estacionamento. Nem pense em começar a discutir – Não discutiria. Ao contrário do que Nathan pensava, ela queria desfrutar de alguns minutos a mais em sua companhia. Chame de nostalgia ou simples sensação de perda e término, a cada minuto que passava ela tinha mais certeza que chegara ao fim de uma longa jornada. Um capitulo muito importante de sua vida.

Trocou de roupa e pegou sua bolsa. Ao dirigir-se para o estacionamento, ela se pegou pensando se nesses oito anos havia algum arrependimento, alguma história esquecida ou mal resolvida. Claro que sim, a sua própria história com Nathan. O modo como acabaram seu relacionamento não fora dos melhores. Ela se acovardara, criou uma briga por ciúmes e simplesmente decretou o fim do que viviam juntos. Ficaram remoendo as cicatrizes que deixaram um no outro pelos últimos dois anos. Quase o mesmo tempo que ficaram juntos. As coisas aconteceram entre eles logo na volta para a quarta temporada. A princípio, negaram o que estava diante de seus olhos. Lutaram para não deixar que aquilo se desenvolvesse mais do que poderiam suportar, afinal tinham que agir como profissionais. Porém, o desejo e o coração os traiu nas filmagens de The Blue Butterfly. Cederam. Quando gravaram a cena de Always, eles já namoravam em segredo. Interpretar Castle e Beckett na quinta temporada foi um passeio no parque. Então, um obstáculo grande surgiu diante deles.

A primeira grande briga deles foi depois que Nathan defendeu sua suposta amiga Ochoa em pleno twitter após uma clara provocação e troca de farpas com Stana. Ela odiou o fato dele simplesmente a ignorar e ao fandom que tomara partido de Stana para simplesmente defender a outra. Também sabia que ele já tivera um pequeno namorico com a tal e isso apenas piorava a situação. A raiva rendeu duas semanas de distância entre eles.

Após um pedido de desculpas e muita adulação de Nathan, ela cedeu. Odiava admitir que a carne era fraca. O problema foi que depois que isso aconteceu, Stana passou a ficar mais insegura quanto ao seu envolvimento com Nathan, tinha medo de ser traída, medo do histórico, ela gostava dele, não. Ela o amava. Não negava seus sentimentos. Faltou-lhe coragem para tornar as coisas mais sérias e acabou rompendo alguns meses depois. Ainda lembrava das palavras horríveis que trocaram. Por poucos minutos, todo o amor que sentiam fora substituído pela raiva, pelo ódio. Eram dois estranhos se xingando naquela briga. Ele a chamou de covarde, ela o chamou de galinha. A pior briga de suas vidas. Palavras erradas, completamente erradas destruíram tudo. Não podiam ser os mesmos depois daquela discussão. Sofrera muito calada. E ainda teve que se render a beijos e caricias de seus personagens, o que tornara tudo mais difícil.

Então, Kris retomou um papo do passado, querendo relembrar o que eles tiveram um dia e contrariando todas as previsões, ela estava casada. Somente agora podia encara o fato como uma jogada ingrata do destino. Não, não culpe um plano secreto ou maior pelas decisões que você fez na vida, ela brigava em sua própria mente. Aceite que você e Nathan nunca daria certo, mesmo... mesmo gostando tanto dele. Embora am... ela não queria pensar na palavra. O que eles tiveram fora intenso, importante, porém a forma como acabaram, por não confiar, isso não se podia relevar ou reconstruir tão facilmente. Preferia evitar, teriam as lembranças, certo? Era o fim de uma longa jornada. A ideia de não vê-lo nunca mais...

Os pensamentos foram interrompidos ao chegar no estacionamento, diante da imagem. Nathan escorado no carro esperando por ela. Ele usava uma camiseta simples, a camisa de botões aperta sobre ela e jeans o que apenas serviu para perturba-la um pouco mais. O contorno dos bíceps expostos pelas mangas curtas, o peito amplo e nem queria imaginar o traseiro dele naquela calça. O que há de errado com você, Stana?

Ao vê-lo sorrir se aproximando dela para abrir a porta como um perfeito cavalheiro, ela mesma respondeu sua pergunta. Saudade, melancolia e a dura constatação de que não o veria mais após a próxima segunda. Sentiu um aperto no coração, mas sorriu diante do gesto dele agradecendo-o.

Ele tomou o controle do volante e pegou a estrada. A verdade era que estava juntando coragem para desafia-la. Fazer uma proposta, no mínimo, indecente.

– Você terá que me dizer que saída devo pegar. Não lembro muito bem o caminho – mentira, sabia de cor – você ainda mora no mesmo lugar ou mudou-se?

– Moro no mesmo lugar. Pegue a saída 63.

– Você se importa se eu parar para pegar um sanduiche? Estou com fome. Você não quer algo? Tem um in-n-out 24 horas na próxima saída.

– Talvez seja bom comer algo. Estou a base de café desde as dez da noite embora fast food não seja a melhor ideia de refeição. Tudo bem, como umas batatas fritas – sorrindo ele pegou a saída. Optou por usar o drive-tru já imaginando que ela não ia querer descer do carro e ficar na lanchonete. Pediu uma refeição completa para si e perguntou se ela queria ao menos um sanduiche. Stana ficou com a batata frita e um milk-shake de morango. Ele parou o carro numa das vagas do estacionamento e entregou o lanche para ela.

Passaram os primeiros minutos apenas comendo em silêncio, até que ele falasse outra vez.

– Hum...isso está bom. Tem certeza que não quer um pedaço? Eu pedi sem cebolas. Sei que você não gosta.

– Obrigada, mas batatas são mais que suficientes – ele lembrava desse pequeno detalhe? Ela detestava as cebolas daquele sanduiche, eram cruas. Nathan observava o jeito que ela tomava o milk-shake, a relação com o canudinho. Oh...não faça isso, Stana... não ia resistir. Tentou olhar para o outro lado, evitando qualquer contato com seu rosto ou olhar. Respirou fundo.

Ela terminou o liquido e colocou no porta copos ao seu lado. De repente, sentiu a necessidade de virar-se para encara-lo. A posição que encontrou foi de virar seu corpo colocando uma das pernas para cima do banco ficando de lado. Ao ver o que ela fazia, Nathan viu como uma oportunidade. Limpando a boca e esquecendo seu sanduiche, ele perguntou diretamente.

– Stana, você realmente acha que é o fim da linha para você em Castle? Que não terá seu contrato renovado, Beckett morrerá e que segunda será seu último dia naquele estúdio?

– Sim – ela suspirou – eu provoquei isso na última renovação de contrato e sejamos francos. Sou uma coadjuvante muito cara, Nathan.

– Você não é coadjuvante.

– Talvez não em termos de contrato ou para você e para os fãs. Contudo, na mente de Alexi, dos demais escritores e da própria ABC é assim que eles me veem. Foi assim que me trataram a temporada inteira. Responda com sinceridade, eu pareço sua costar? Uma das personagens principais na série nesses últimos episódios? Conto nos dedos aquele em que realmente vivi a Beckett.

– Não, você está certa. Eles a apagaram em muitos momentos. A série já não é mais o que era desde que Alexi assumiu.

– Entende porque digo que é o fim? – ele ficou calado. Podia ver a tristeza em seu olhar. Era uma despedida, não? Ela esticou a mão para toca–lo. Segurava seu braço deslizando suavemente até encontrar a mão dele – hey, está tudo bem. Eu sempre terei as lembranças. E-eu vou superar, eventualmente. Preciso superar... – algo dizia que ela não estava se referindo a série diretamente.

– Vai mesmo, Stana? Oito anos de trabalho, quatro de shipper, dois de... – ele não conseguiu completar o pensamento, ela entenderia de qualquer forma – eu não me arrependo do que fiz, talvez do que não insisti em fazer. Não sei se vai importar agora, parece que foi há tanto tempo, mas a sensação que tenho é de que foi ontem.      

– Nathan, eu... – porém ela não conseguiu terminar a frase, as palavras estavam rodando em sua mente. “Não esqueci, gosto de você, se pudesse...” faltava-lhe coragem. Ela não o veria após segunda, tinha certeza, então será que a vida não estava lhe dando uma última chance, uma despedida apropriada?

– Você pode me odiar por isso, Stana, mas eu não posso ficar simplesmente com um vago adeus e esse sentimento preso no peito, as palavras entaladas na garganta. Eu preciso dizer que eu sinto muito. Por tudo.

– Como assim, sente muito? Não estou entendendo...

– Sinto muito por não ter dito o que precisava ser dito na época. Por não ter insistido, não ter lutado. Agi como um idiota sofrendo pelos cantos, porém com o ego ferido o bastante para passar por cima do meu orgulho e tomar a atitude correta. Devia ter provado que estava errada. Demonstrado que não éramos, nem nunca seriamos um simples caso ou flerte, algo passageiro. Estou pagando pelo meu erro até hoje e tenho certeza que esse arrependimento ainda irá me perseguir por muitos anos. Assim como o que eu sinto por você.

– Nathan, você não pode... eu não posso... – ela estava atônita diante da declaração dele. O coração batia acelerado. Ele podia ver a pulsação dela na veia do pescoço.

– Stana, se estamos a ponto de desaparecer da vida um do outro, se a despedida é a única coisa que nos resta, por favor, podemos faze-la especial? – ele não esperou resposta. Avançou na direção dela e sorveu-lhe os lábios suavemente, com carinho e delicadeza. Ao sentir o leve movimento da boca contra a sua em retorno, ele colocou uma de suas mãos na nuca a fim de traze-la para mais perto e aprofundou o beijo. Por alguns segundos, era apenas uma dança de lábios, algo que se acostumaram a fazer mesmo em cena, então Nathan tomou os lábios dela partindo-os com sua língua invadindo sua boca por inteiro. Sentiu as mãos de Stana em seu peito acariciando e escorregando para a beira da camiseta onde pode infiltra-las por baixo do tecido tocando sua pele por fim. Ao sentir as pontas frias dos dedos dela, ele sobressaltou-se, mas não perdeu o ritmo que imprimia em sua boca.

Ele também queria toca-la. Sentia o desejo aflorar em cada poro, ele a queria, precisava dela, pelo menos mais uma vez. Nathan quebrou o beijo. Seus olhos encontraram-se com os dela. Ele viu. O desejo feroz dominava-lhe o olhar. Stana mordiscou os lábios, porém não recuou ou evitou o contato visual com ele. Estava bem ciente do que acabara de acontecer. Não era um momento movido por emoção ou atração. Era bem mais que isso. Eram sentimentos verdadeiros guardados a sete chaves por dois longos anos. Ela o queria, e naquele momento pouco importava o que isso dizia dela como pessoa.

Ele acariciou seu rosto. Ela percebeu quando Nathan passou a língua nos lábios como quem se prepara para mais uma rodada, só que ao invés de inclinar-se e beija-la outra vez, as palavras que saíram de sua boca foram as mais simples possíveis e ainda assim completamente compreensíveis para ela.

– Por favor? – ele não precisou de palavras para saber a resposta. Bastou olhar para a mulher a sua frente. Seus olhos amendoados diziam exatamente tudo. Um pequeno sorriso se formou no canto dos lábios dela quando Nathan suspirou fundo. Ligou o carro e em silêncio dirigiu rumo a sua casa.

Nathan parou o carro na garagem. Abriu a porta e Stana fez o mesmo. Ainda incerta de como proceder, ela esperou pelos movimentos dele. Vindo ao seu encontro. Ele tomou a mão dela. Entrelaçou seus dedos aos dela e puxou-a para entrar em casa.

Ao adentrar na sala, Stana prendeu a respiração e parou. Nathan virou-se para fita-la.

– O que foi?

– Entrar aqui novamente...eu pensei que não ia mais pisar aqui, voltar nessa casa. É meio... avassalador. Tem um significado diferente, sabe? Desculpa, eu não pretendia... – ela tinha lágrimas nos olhos. Ele chegou mais perto dela. Com a mão livre acariciou o rosto de Stana e falou.

– Hey... está tudo bem. Somos somente você e eu essa noite. Nada mais importa – ele a beijou outra vez. Stana pode sentir o carinho daqueles lábios. Os mesmos que ela já beijara tantas vezes e que sempre a faziam suspirar. A sensação de borboletas no estomago apareceu, estava ansiosa – Vem... – ele a puxava para as escadas. Subiram degrau por degrau. Ao entrar no quarto de Nathan, ela teve a sensação de que nunca saíra dali. Era como se ontem mesmo tivesse estado naquele ambiente.

A cama muito bem arrumada, os travesseiros espalhados pelo edredom como ele tanto gostava. Nathan ficou de frente, ergueu-lhe o queixo para que o fitasse. Um sorriso tímido surgiu no rosto dela.

– Eu não sei o que estamos fazendo... não me entenda mal, Nathan – ela fechou os olhos procurando a coragem, as palavras – eu sei que não sou a única que se arrepende das coisas que fez, embora muitas vezes ache que a culpa de tudo é minha. Alguns dias eu fico imaginando se eu tivesse pensado e agido de outra forma, se tivesse coragem para viver mais, arriscar...eu...

– Stana, não é a hora nem o lugar. Não pedi para você vir aqui e se desculpar ou assumir qualquer coisa. O nosso destino, o que aconteceu, quem errou ou quem deve ser culpado, verdades, mentiras, boatos, não me interessam. Não transforme esse momento em algo tenso. Eu só quero você, mais uma vez. Apenas fique comigo – ele percebeu que as mãos dela tremiam – Stana? – ela tinha lágrimas nos olhos. Mas seu próximo movimento não foi de desistência.

Stana aproximou-se dele. As mãos tremulas tocaram-lhe primeiro o peito para então seguirem para o rosto. Ela o fitou. Blue Eyes. Nunca superaria aquele olhar. Os lábios entreabriram-se fazendo-a inclinar-se na direção dele. O toque foi sutil, apenas um breve roçar sobre a boca dele. Os olhos dela viajavam entre os dele e os lábios. Uma, duas, três vezes, a lagrima caiu solitária pelo rosto e com um sussurro ela o quebrou.

– Nate... – sorveu-lhe os lábios apaixonadamente, não estava interpretando um papel, não era encenação. Era puro sentimento. Sentiu as mãos dele passeando pelas suas costas puxando-a contra seu próprio corpo. Diminuindo o espaço entre eles. Stana enroscou os braços no pescoço dele aprofundando o beijo. O corpo amolecia ao toque dele, por estar um passo mais próxima dele, por estar prestes a tê-lo por inteiro outra vez, como anos atrás. Tirou a camisa que ele usava sobre a camiseta.

Afastou um pouco do corpo dele interrompendo o beijo apenas para arrancar a camiseta que ele usava. As bocas se buscaram mais uma vez, como magnetismo. Ao sentir a temperatura da pele dele em suas mãos, ela gemeu em antecipação. Nathan tinha as mãos embaixo da blusa que ela usava. Borboletas no estomago. Ela não se lembrava da última vez que experimentara essa sensação tão característica de desejo e de estar apaixonada.

Foi a vez de Nathan quebrar o beijo e descartar a camisa que ela usava. Então, começou uma viagem no corpo da mulher a sua frente. Os lábios passeavam pelo pescoço, colo, meio dos seios onde parou para contempla-los e desabotoar o sutiã. Beijo-os, um a um, seguindo o caminho pelo corpo dela provando a pele, seu gosto, seu cheiro. As mãos que haviam se firmado na cintura, começaram a subir pela lateral do corpo de Stana para encontrar os seios quando Nathan se ajoelhara a sua frente admirando o estômago liso. Beijou-lhe o umbigo e desfez o botão da calça que ela usava. Elevou o rosto para fita-la. Stana tinha um sorriso nos lábios. Ela colocou uma das mãos no ombro dele e a outra acariciou o rosto de Nathan.

– Vá em frente...

Nathan puxou a peça até os pês dela. Stana ajudou-o erguendo as pernas. Então, surpreendendo-o, ela se agachou ficando de joelhos na frente dele, colando seu corpo e beijando-o outra vez. Ela percebeu quando ele relaxou os joelhos sentando sobre as pernas. Levantou-se e com as mãos nos ombros dele o fez levantar-se.

– Tire as calças... – ele obedeceu ficando nu na frente dela. Stana contemplou a imagem a sua frente. Ele estava pronto. Mais do que pronto, para ela. Aproximando-se, tomou-a pela cintura e deitou-a delicadamente na cama. Debruçou-se sobre o corpo tão desejado e sorveu seus lábios. As mãos acariciavam-na com carinho. A cada toque, ela respondia, esfregando-se nele, arqueando o corpo, era sua forma de dizer para continuar.

Nathan devorava-lhe os lábios, o colo seguindo para os seios começando uma sessão de pura provocação. Ele tomava cada um deles bem devagar, roçava os dentes no mamilo, usava a língua para contorna-los, beijava-o para por fim suga-lo. Repetia o mesmo tratamento no outro, porém usava a mão para beliscar aquele mamilo que abandonara. Stana conseguia apenas gemer ao toque, entregando-se as sensações maravilhosas. Estava excitada, desejava-o demais. Precisava dele. Outro beijo foi trocado e ao se separarem, ela pediu.

– Nate, por favor, não me provoque... eu preciso... – ele sorriu.

– Para que a pressa, babe... – e voltou a deslizar a boca pelo corpo dela, dessa vez tinha destino certo. Sentindo quase nas nuvens, o jeito que ele a chamara não passara despercebido. Babe. Ele sempre a chamara assim antes. Porém, ela não teve a chance de pensar mais sobre nada. Ele abrira suas pernas e simplesmente a tomara com os lábios. Perdera completamente a linha de pensamento e gemeu. A mente sofrera um blackout. E a cada movimento de lábios, línguas e dedos, tudo o que restara para Stana era sentir.

Não demorou para que ela sentisse o corpo tremer em antecipação ao que estava próximo, mas não queria ceder, não sozinha.

– Nate... agora... quero você...

Dessa vez, ele não a contrariou. Precisava estar dentro dela. Nathan a penetrou devagar, prolongando o momento. Quando estava completamente preenchida por ele, Stana o puxou para beija-lo outra vez. A sensação do momento levou-a ao passado. Era algo que estava escondido em seu subconsciente. O quanto era bom tê-lo para si, gemeu entre os lábios dele ao sentir que ele começava a mover-se devagar dentro dela. Nathan quebrou o beijo para fita-la, queria olhar em seus olhos, ver como ela reagia a tudo aquilo, precisava saber se havia sentimento naquele momento, além do desejo. Sim, ele podia perceber que os beijos não eram de puro desejo ou atração como pareceu o primeiro, havia mais que a vontade de estar juntos, não estavam transando. Faziam amor. Como fizera um dia no passado.

Ele aumentou o ritmo. Ela atracou as pernas na cintura dele procurando uma forma de movimentar-se junto, provoca-lo. As mãos abraçavam suas costas, as unhas fincavam a pele, os ombros, ela começava a balbuciar ou gemer, Nathan não conseguia entender. Stana sentiu o corpo tremer. Ele sabia que faltava pouco, então estocava mais fundo, ia e vinha aprofundando-se cada vez mais dentro dela. Arqueando o corpo, ela gemia respondendo aos movimentos dele. Não pensava em nada, apenas sentia. Mantinha os olhos fechados. Nathan roçou os dentes na garganta, no colo e tornou a calar seus gemidos roubando-lhe um beijo.

Não podia mais lutar contra a força que a invadia e a explosão aconteceu. Ele não esperou e cedeu ao orgasmo junto com ela.

Deixando o corpo cair sobre o dela, ele respirava apressado, o coração acelerara. Ela podia sentir o ar quente que escapava de sua boca próximo ao pescoço. Cansados, suados e completamente destruídos não pelo ato em si, porém pelo que ele representava. As emoções a flor da pele, lembranças de um passado que não voltava mais. E o sentimento tão bem escondidos que viera à tona em beijos, em caricias.

Nathan rolou para o lado. Notou que ela permanecia de olhos fechados. Ele apoiou-se de lado no próprio braço para admira-la. Stana em sua cama, pela última vez. Suspirou. Ela continuava linda. A pele maravilhosa, tudo nela era perfeito. Estava mais magra. Estava tão absorto na imagem da mulher relaxada em sua cama que não reparou que abrira os olhos e o observava também. Não aguentando, ele deslizou a ponta dos dedos sobre o estomago dela. Ao virar a cabeça, encontrou-a calada olhando para ele. Nathan inclinou-se sobre ela e beijou-a carinhosamente. Rolou na cama trazendo-a consigo. Stana deitara sobre o peito dele, sentia os dedos acariciando seus cabelos. Então, vencida pela emoção, ela chorou.

Apesar de calado, continuava a fazer carinho na cabeça dela e percebeu que ela chorava. As lágrimas molhavam seu peito. Por um instante, ele não soube o que fazer. Não podia dizer que estava tudo bem. Não podia convence-la que ficariam bem e seguiriam em frente. Não tinha as respostas. Mas não podia deixa-la chorando. Se estivesse arrependida do que aconteceu ou se chorava por ter mexido em uma parte de sua vida que precisava ficar esquecida, não importava. Ele teria que conforta-la independente das consequências.

– Hey... gorgeous... olhe para mim – ela relutou antes de vagarosamente virar a cabeça para encara-lo – não fique assim. Não é para ser algo triste, mesmo que seja uma despedida, foi especial, Stana. Muito especial para mim – ela sentou-se na cama, limpou as lágrimas. Nathan automaticamente sentara também. Talvez ela quisesse falar algo ou apenas quisesse... não, ele não tinha ideia do que ela queria. Se Stana o perguntasse, ele diria que queria mais, queria poder não dizer adeus, não ser apenas uma noite.

– Nate... – ele sorria ao ouvi-la chama-lo ainda da maneira carinhosa – é uma despedida. Não temos como evitar de sentir nostalgia, tristeza. É uma mistura de sentimentos. Não se esquece tão fácil. E hoje... esse momento... fazer amor outra vez, trouxe uma onda de lembranças do passado que não posso apagar, não quero apagar, mas que para minha própria sanidade precisam estar escondidas.

– Eu não queria dizer adeus, Stana. Queria poder dizer que não seria apenas essa noite. Você tem razão, é uma mistura de sentimentos, mas fazer amor com você é sempre especial. Lembrarei sempre disso. Não vou mentir, não posso esquecer, não consegui até hoje. Enquanto eu viver, terei a lembrança porque o sentimento existe, Stana e perdurará – ele evitava usar a palavra amor para não assusta-la.

– Nós escolhemos nossos caminhos, Nate. É uma loucura porque mesmo querendo, sentindo, é algo que nos faz muito bem e muito mal. Descobri hoje que há ainda sentimento. Há um desejo avassalador que se assemelha a uma dor dentro de mim, porque é intenso. Fizemos amor, foi especial, mas foi uma despedida.

– Eu sei... – ele falou resignado – como eu sei... – ela percebeu o brilho e a tristeza nos olhos dele. Despedidas eram sempre difíceis. Ela ergueu-se da cama. Começou a pegar suas roupas no chão. Nathan entendera o que ela estava fazendo.

– Stana... o que você está pensando? O que está fazendo?

– Eu preciso ir embora, Nathan – ele respirou fundo. Não podia deixa-la ir. Não ainda. Levantou-se colocando-se na frente dela. Stana olhou intrigada para ele.

– Não... fique um pouco mais. A noite não terminou. Fique comigo esta noite. Por favor... – ela pegou a mão dele na sua.

– Era uma última vez, Nathan.

– Eu sei, mas é madrugada. Não tem porque ir embora agora. Fique. Vamos nos demorar a noite toda. Vamos fingir que está tudo bem. Porque quando o sol nascer, saberemos que acabou. Vem, volte para cama...

– Nós sabemos onde isso vai dar, sabemos o que vai acontecer. Não estamos juntos.

– Eu sei, por Deus Stana, eu sei. Queria poder dizer que tudo vai ficar bem, que é verdade e que amanhã seremos nós ainda, infelizmente não podemos. Amanhã nos despediremos, diremos adeus um ao outro. Ainda faltam algumas horas para amanhecer, fique. Vamos fingir que não há amanhã. Só hoje. Fique...

Ela estava outra vez com lágrimas nos olhos. Colou seu corpo no dele, passou os dedos trêmulos em sua face e levemente roçou os lábios nos dele. As lágrimas tornaram a cair quando Nathan a beijou. O toque carinhoso em seu rosto, seja pelos lábios ou pelos dedos das mãos que a tocavam delicadamente. Ele a guiou de volta a cama. Sua intenção era apenas deitar-se ao seu lado, sentir seu corpo colado ao dela, sua presença em sua cama uma última vez, porém, Stana não queria apenas ficar de conchinha.

Ela aprofundou o beijo empurrando-o contra o colchão. Envolvendo entre suas pernas sentou-se na cintura dele. O beijo tomou um rumo diferente, sensual, intenso. Ela deslizava as mãos pelo corpo dele, seu próprio corpo deslizava sobre o de Nathan criando um atrito prazeroso.  Sentindo o peito, o estomago até encontrar seu membro. Acariciou-o, instigou para deixa-lo novamente pronto. Quebrou o beijo e os lábios passaram a explorar seu peito. Stana usou os dentes para mordisca-lo. Fez isso nos bíceps, no peito, com os mamilos e no estomago. Sorrindo, ela ergueu a cabeça e voltou a roubar outro beijo dele. Já estava excitada novamente. Ela preparou-se e deixou o membro deslizar para dentro dela. Ao senti-lo totalmente dentro de si, jogou a cabeça para trás gemendo. Então começou a mexer-se.

Nathan entrou na dança com ela. Os quadris a acompanhavam, tinha as mãos na cintura dela para manter o ritmo. Ela comandava agora. Sentia as mãos espalmadas em seu peito usava-as para ter impulso e mexer-se sobre ele. Deixou suas mãos subirem pela lateral do corpo dela para tocar-lhe os seios, aperta-los. Ouvindo o gemido, ele não resistiu e ergueu-se da cama colando o próprio tronco ao corpo dela, puxando-lhe os cabelos e tomando sua boca com paixão. Mordiscava-lhe o queixo ouvindo os gemidos aumentarem, ele não aguentava mais. Precisava que ela gozasse.

– Stana... por favor... – ela entendeu o que ele suplicava. Intensificando o ritmo, ela se entregou em alguns minutos levando-o consigo. Abraçados, eles caíram na cama. Permaneceram enroscados por outros minutos, imóveis.

Finalmente, ele saiu de dentro dela. Arrastou o corpo até o travesseiro no topo da cama. Ela o seguiu. Deitados de lado, Stana agarrou-se na cintura dele. Os lábios na direção do peito. O nariz dela roçava em sua pele. Uma das mãos deslizou para tocar-lhe o traseiro, ela o beliscou – hey... – ele reclamou, ela repetiu o gesto sorrindo.

Ela suspirou no peito dele. Nathan se acomodou melhor na cama para que ela pudesse deitar sobre seu peito. Beijou-lhe a testa, a cabeça de Stana pousada entre o ombro e o peito. Agora, ela usava os dedos para acariciar a pele, brincar com os parcos pelos do peito de Nathan. Logo seria manhã outra vez. O pensamento fez o seu coração apertar, ele notou que ela ficara tensa de repente.

– O que foi?

– O dia irá clarear logo...

– Eu daria tudo para não termos o amanhecer, que a luz do sol não chegasse, Stana. Prolongar esse momento ao máximo para nós dois.

– Diga para mim, finja... – ele sorriu e beijou-lhe os dedos das mãos um a um. Repetiu os gestos nas juntas.

– Feche os olhos, babe... não haverá luz. Ficaremos aqui essa noite. Tudo vai ficar bem. Ficaremos bem. Juntos. Nada mais importa além de nós dois hoje à noite. Celebrando o amor, o sentimento, criando memórias. Fazendo amor – ela reparara que Nathan falara de amor. Pela primeira vez naquela noite. Beijou-lhe o peito antes de encara-lo – eu disse para fechar os olhos... – ela usou os braços para impulsionar-se e deitar-se completamente sobre ele de modo que seus rostos ficassem na mesma altura.

Stana acariciou o rosto dele. Esfregou o nariz no de Nathan de olhos fechados. Ao tornar a abri-los, ela sorriu. Passou o polegar nos lábios dele.

– Diga o que quero ouvir, Blue Eyes... você sabe o que...

– Stana... – o fato dela o chamar de “Blue Eyes” fazia seu coração inflar de alegria. Estavam entrando em terreno perigoso.

– Diga, por favor, será a última vez. Apenas diga... eu preciso ouvir mais uma vez, para eu poder seguir em frente. Hey, blue eyes... tomorrow became yesterday what was will never be felt again...

– Não faz isso, Stana... – ele acariciou o rosto dela. Os olhos azuis fixos nos verdes. Ele sabia que ela queria que dissesse as palavras, as três fortes palavras que para Nathan era um misto de alegria e tortura porque não importava o quanto significassem para ela, para eles, não mudaria o fato de que ela iria embora de verdade na manhã seguinte. Suspirou e o coração bobo obedeceu-a novamente – eu te amo, gorgeous... amei, amo e amarei – deu um selinho nela. Com as testas coladas, eles permaneceram calados por vários segundos até que ela criasse coragem para responder.

– Eu sei, Blue Eyes, eu também – aconchegou-se no peito dele e fechou os olhos cochilando em seguida.

Os primeiros raios do sol inundavam o quarto onde estavam, porém nenhum dos dois parecia se importar com a presença da luminosidade. Haviam mudado de posição. Stana rolara de lado e Nathan provavelmente a acompanhara em algum momento da noite, pois tinha um dos braços ao redor da cintura dela envolvendo quase que num ato de possessão.

Quando a luz atingiu seu rosto, ele foi obrigado a abrir os olhos para entender o que acontecia. Era dia. Nathan observou a bela mulher dormindo pacificamente ao seu lado. Podia passar o dia inteiro olhando para ela sem cansar. Com a ponta dos dedos, ele acariciou o braço dela. O singelo movimento a fez mexer-se um pouco sem abrir os olhos. Pela respiração, ele sabia que ainda dormia. Com cuidado para não acorda-la, ele moveu seu braço e afastou o corpo levantando-se da cama em seguida.

Após uma ida ao banheiro que incluiu escovar os dentes, ele se pegou pensando se deveria preparar um café da manhã especial ou se apenas esperava Stana acordar a fim de decidirem juntos.

Juntos. O som da palavra o atingiu em cheio. Essa não é sua realidade, Nathan, dizia a si mesmo. Não existe juntos, nós, casal. Teria que lembrar o que realmente fora essa noite. Uma despedida. Um adeus. Estava certo que ia demorar um tempo para superar o impacto desse ato. Iria remoer, sofrer, não seria a primeira vez. Esquecer? Nunca. Fora sincero quando falara de seus sentimentos na madrugada.

Sentou-se aos pés dela na cama. Ficou velando seu sono. Não sabia quanto tempo estava ali apenas olhando para ela. Então ela se virou para o lado e encontrou o vazio. A cama fria. Automaticamente abriu os olhos e passou a mão sobre o lençol gelado. Ele não estava deitado ao lado dela. Por que? Apenas quando retornou à posição que estava anteriormente foi que o viu. Ele sorria sentado com as pernas cruzadas em posição de yoga.

– Hey, bom dia... – ela sentou-se.

– Bom dia, gorgeous. Está com fome?

– Você já acordou há muito tempo?

– Um pouco... – de repente ela ficou calada apenas o fitando. Não sabia ao certo o que fazer. Quer dizer, eles dormiram juntos, falaram de sentimentos, era uma despedida. Mas ela podia beija-lo agora? Ela queria. Era estranho? Errado? Mordiscou os lábios. Nathan percebeu a indecisão e a aflição perdurarem em seu olhar – o que foi?

– Nada – ele suspirou balançando a cabeça – vamos tomar café.

– Quantas vezes terei que dizer que conheço você e sei que “nada” quer dizer alguma coisa? – ela já estava de pé. Inconsciente, vestiu a camisa de botão que ele usava na noite anterior e sua calcinha. Nathan achou aquilo doce, não esperava vê-la fazendo isso. Acreditava que iria vestir-se e sair o quanto antes porta afora. Resolveu não pressionar caso ela não lhe desse uma resposta. Qual o ponto afinal? Eles se separariam.

Ele a acompanhou até a cozinha. Acionou a máquina de expresso para preparar o café. Stana se sentou em um dos bancos próximos ao balcão.

– O que vai querer? Ovos? Panquecas? French toast?

– Pode fazer uma das suas omeletes com bacon e queijo? Faz séculos que não como um desses...

– Tudo bem. Quer alguma fruta? Tem algumas na geladeira, fique à vontade – ela desceu do banco e foi até a geladeira. Encontrou realmente diferentes tipos. Pegou uma ameixa e três morangos. Ao passar pelas costas dele outra vez, ela não resistiu. Deixou a mão deslizar pelo contorno do bumbum e beliscou-o de leve. Surpreso, Nathan olhou para ela. Não se contendo, ela inclinou-se e beijou-lhe os lábios. Nathan respondeu ao gesto incerto do que ela pretendia com aquilo.

– Quis fazer isso desde que acordei – sorriu, porém, percebeu que ele não esperava isso dela – Desculpe, e-eu não deveria ter feito isso e...

– Hey...– ele segurou o queijo dela – tudo bem, eu apenas fiquei surpreso. Gostei. É só que...

– Não podemos tornar as coisas mais difíceis do que já são. Eu entendo – vendo que ela já iria ficar completamente embaraçada e arredia com aquilo, ele sugeriu algo para quebrar o momento estranho.

– Não. Melhor não pensar assim agora. Vamos fingir que ainda é de madrugada, bem cedo. Vamos manter o clima, por favor, mais algumas horas, ok?

– Ok – um pequeno sorriso se formou no canto dos lábios, aproximou-se outra vez dele tornando a beijar seus lábios. O beijo demorou um pouco mais que o primeiro. Ao afastar-se, ela completou – bom dia, Nate – voltou a sentar no banco para esperar sua omelete.

Nathan sentou ao lado dela para comerem. Stana pegou um dos morangos, mordeu e ofereceu a ele colocando a fruta nos lábios de Nathan que a mordeu. Comeram calados, comunicando-se apenas com gestos, toques e sorrisos. Assim que acabou, ela levantou com seu prato nas mãos. Colocou na pia, lavou as mãos que tinha resíduos de morango e seu suco, voltando-se para perto de Nathan.

– Eu acho que preciso me arrumar agora. Tenho que voltar para casa. Já está quase amanhecendo – disse mantendo a ideia sugerida antes por Nathan – eu já volto.

Ele a observou subir as escadas. O momento derradeiro se aproximava. Estava consciente de que não havia nada a ser feito. Ambos retornariam a vida real. Passou a mão nos cabelos e no rosto. Conseguira o que queria, não? A última noite. Mesmo sabendo que não teria mais do que isso, que fora sua ideia em primeiro lugar, ainda deixaria um vazio, uma saudade. Estava decidindo se voltava ou não para o quarto quando ela surgiu completamente vestida com a roupa de ontem no topo da escada. Ele caminhou para encontrá-la rente ao degrau.

– Preciso ir. Acho que é isso, não? Nossa despedida. Ainda iremos nos ver na segunda, mas... isso é a nossa lembrança.

– Sim, não importa o que acontecer. Teremos essa noite – eles saíram caminhando até a porta. Ela parou esperando que ele dissesse qualquer outra coisa ou ao menos abrisse a porta indicando que era hora de ir. Os olhares se encontraram, não quebraram o contato por longos segundos – espere um instante... – ele falou quase sussurrando, se afastando dela e sumindo em um cômodo da casa. Stana queria um último beijo. Tinha direito, não? Parte da despedida. Estava tentando ser forte, levar a situação numa boa, porém sabia que desabaria no minuto que deixasse a casa dele. Essa era a história deles afinal. Escolheram seus caminhos. Nathan retornou com uma pequena sacola.   

– Você quer que eu chame um taxi? Posso te levar em casa também se quiser.

– Não, irei andando. Não se incomode. Prefiro assim – ela segurou a mão dele na sua, aproximou-se dele quase colando o corpo ao de Nathan – então é isso. Obrigada, Nate – Stana puxou-o pela nuca até seus lábios se encontrarem em um beijo carinhoso. Um beijo de despedida. Um simples gesto que carregava todo o sentimento de duas pessoas com escolhas diferentes, separadas por decisões, independente de certas ou erradas, na estrada da vida.           

– Obrigado por ficar... – ele disse ao quebrar o beijo, viu que os olhos dela estavam envoltos em lágrimas outra vez – aqui, isso é para você – entregou a sacola. Curiosa, ela abriu e não acreditou no que vira.

– Taffy? Salt water taffy? Como você conseguiu isso? – ele sabia que ela amava aquela bala. Recordava sua infância.

– Meu irmão trouxe há duas semanas quando veio me visitar.  É seu.

– Nathan... – ela sorriu, os olhos brilhavam. Deu um selinho nele – obrigada – finalmente ele abriu a porta. Ela pisou do lado de fora e suspirou – te vejo na segunda?

– Sim, segunda. Tenha um bom fim de semana, Stana – com um último sorriso, ela começou a caminhar pela calçada. Ele observou-a até desaparecer na esquina. Não podia ver, mas Stana tinha o rosto completamente marcados por lágrimas.

Uma noite. Um adeus. A recordação para sempre em suas mentes e seus corações.



THE END
          


sábado, 11 de junho de 2016

[Stanathan] Kiss and Don´t Tell - Cap.76


Nota da Autora: Outro capitulo fluffy de nosso casal, porém já começamos a falar de seus proximos desafios e os momentos dificeis e angst que logo aparecerão na fic. Por enqianto, apenas aproveitem o momento. Enjoy! 


Cap.76


O domingo começou agitado. Após uma pequena diversão matinal, presente de sua esposa em nome da data de hoje, Nathan levantou-se feliz e cheio de energia. Fora a vez dela mima-lo e preparar o café da manhã que ele degustou na maior alegria. Depois seguiu para o quintal a fim de preparar a churrasqueira para o almoço. Outro momento em família. Jeff já ligara para ele confirmando que saíram de casa para buscar Anne. Stana ficara na cozinha separando os ingredientes para Anne fazer o tão sonhado bolo de chocolate para o aniversariante. Sabia que a menina vinha com essa ideia fixa na cabeça e pretendia ajuda-la na tarefa.

Quando eles chegaram, o clima mudou. As risadas, as vozes altas. Alegria. Anne correu para o tio enchendo-o de beijos. Ela tirou da pequena mochila uma sacola. Dentro estava a vela para os parabéns. Um escudo do capitão américa.

- Tio, foi o tio Jeff que disse que ia gostar. Eu queria comprar os números, mas a tia Gigi disse que não era legal.

- Eu adorei essa! Você vai mesmo fazer um bolo de chocolate para mim?

- Claro! Um bolo muito lindo e gostoso para a gente cantar parabéns e apagar a vela.

- Ótimo! Então corre lá na cozinha que sua tia está só te esperando para começarem. Gigi, fique à vontade para segui-la. Sei que você não vai meter a mão na massa, mas eu e Jeff vamos ficar um pouco ocupados com a churrasqueira. Tem cerveja na geladeira.

- Tudo bem, vou beber e apreciar o trabalho doméstico – assim que chegou na cozinha já com quase meia garrafa bebida, ela sorriu para a irmã – hey, sis! – beijou Stana rapidamente que já estava com as mãos sujas de farinha, untando a forma do bolo.

- Oi, Gigi. Estou guiando a Anne para fazer um super bolo para o tio, não docinho?

- É sim, super gostoso – sentando-se em um dos banquinhos próximo ao balcão, Gigi se fez ficar à vontade.

- E como foi Nova York?

- Excelente! O musical é muito bom. Que voz tem aquela Jessie Mueller, fico arrepiada só de lembrar.

- Você sabe que não estou falando do musical. Quero saber da parte importante. A comemoração. Afinal, você deu algum presente especial para o seu marido? – a cara de safada de Gigi fez Stana rir.

- Você não tem jeito mesmo, sis. Tudo ótimo nesse departamento. E sim, eu acabei me decidindo sobre o presente.

- Mesmo? E o que foi, afinal? – a excitação de Gigi demonstrava que ela estava pensando besteira. Revirando os olhos, respondeu a irmã.

- Deixa de ser pervertida, Gigi. Não é nada disso. Foi algo muito importante – ela murmurou quase muda para a irmã, apontando a cabeça na direção da sobrinha – conto depois.

- Quanto tempo vai demorar esse bolo? – Gigi perguntou, obviamente não era por vontade de comer.

- Ah, tia. Primeiro a gente prepara e depois vai para o forno. Umas duas horas, tia Stana? Para poder comer?

- Por aí. E vamos fazer a cobertura de chocolate amargo para seu tio, não pode esquecer. Gigi, é mais rápido do que você imagina. Nathan deve estar com as carnes quase prontas. Eu estou ficando com fome, porque você não vai pegar alguns pedaços para nós? E uma cerveja. Prometo que eu e Anne iremos adiantar o máximo aqui.

Gigi não tinha muita escolha. Ia ficar na curiosidade por um tempo. Decidiu que deveria ir curtir seu namorado. Stana tinha razão, podiam petiscar, porém ela se descuidou entre beijar o namorado e comer até que viu Nathan pegando cervejas para eles na geladeira, arregalando os olhos.

- Oh meu Deus! Eu esqueci da minha irmã completamente. Ela me pediu cerveja e carne ou linguiça, enfim comida.

- Relaxa, estou morrendo de curiosidade para saber do meu bolo. Eu levo algo para as duas – ele pegou a cerveja na geladeira e encheu um prato com linguiça e carne. Colocou dois pedaços de pão de alho e rumou para a cozinha.

- Hum... que cheiro delicioso! Meu bolo já está pronto?

- Está no forno, tio. Estamos fazendo a cobertura. Está quase pronto, muito gostoso. Quer provar? – Anne pegou a colher e ofereceu ao tio – cuidado que está muito quente – Nathan colocou o dedo na colher tirando um pouco do chocolate. Ao ver que a sobrinha ia voltar a colher para a panela, Stana gritou.

- Não, Anne! Seu tio colocou o dedo aí. Terá que lavar para voltar a mexer – Stana pegou a colher e lambeu – hum, está bom.

- Olha só, Anne! Sua tia gritou só para poder provar a cobertura.

- Não, Nathan. Não se pode fazer isso com comida, seu dedo está sujo, ia estragar. Está quase boa, docinho. Acho que mais uns dois minutos mexendo.

- Trouxe carnes e linguiça para vocês e sua cerveja, amor – ele entregou a garrafa a ela. Stana tomou um pouco e puxou-o pela camisa tascando um beijo nos lábios – o que foi isso? Querendo se redimir por ter brigado com o seu marido?

- Ué! Hoje não é seu aniversário? Pensei que cobri-lo de beijos fosse algo mandatório... se não é, eu paro.

- De jeito nenhum e deixe registrado que beijos são apenas o aperitivo – ele sorriu – mereço muito mais. Como esse tal bolo de chocolate...

- Pensei que já tinha cumprido minha parte depois de ontem...

- Você fez uma promessa, mas enquanto ela não se concretiza...temos outros meios de comemorar meu aniversário.

- Ainda não entendeu que o tio está falando de sexo, tia Stana? Ele fica falando em códigos, mas eu já saquei.

- Viu o que você fez, Nate? Anne, não é bonito uma garotinha tão linda como você ficar falando essa palavra. Você é uma criança. As pessoas vão achar que sua mãe não lhe educa. Promete para a tia que não vai falar mais disso?

- Tudo bem, tia. Mas eu só falo para vocês. Mamãe nem sabe que eu conheço a palavra direito.

- Certo, nada de dize-la daqui para frente, combinado?

- Tá, tia.

- Ótimo. A calda está pronta. Agora é só esperar o bolo assar. Mais vinte minutos e podemos tira-lo. Que tal você comer agora?

- Na verdade, deveríamos todos comermos. Vocês me acompanham até lá fora? – ele ofereceu as mãos para as duas. Sorrindo, Stana pegou a esquerda, Anne, a direita. Seguiram para o quintal. Jeff já arrumara uma mesa para sentarem. Terminava de cortar mais carne e assar alguns hambúrgueres. Gigi estava sentada saboreando um pedaço de linguiça. Com o comando de Nathan, eles sentaram-se cada um com sua cerveja. Brindaram a sua felicidade e ao aniversario para então começarem a refeição. Sentada ao lado do marido, Stana roubava beijinhos quase que de cinco em cinco minutos. Gigi e Jeff estavam num amor só também.

Alertada pela sobrinha, ela fora obrigada a largar do marido para verificar o bolo. Estava pronta. Colocou-o para esfriar e retornou para a mesa a fim de terminar seu almoço. Meia hora depois, eles permaneciam sentados à mesa. Stana colocara a sobrinha entre suas pernas para ajeitar-lhe o cabelo. Decidindo brincar com os cabelos castanhos claros quase loiros da menina, ela fez duas chuquinhas deixando Anne com um ar bem infantil. Criando coragem, Nathan e Jeff recolhiam a louça e Stana retornou à cozinha com Anne para montar o bolo. Gigi ficara estirada no sol.

Ela desformou o bolo de chocolate colocando-o em um prato bem bonito. O cheiro estava tentador. Em seguida, aqueceu um pouco a cobertura e jogou sobre o bolo enquanto Anne espalhava na superfície. Por último, coube a menina colocar a vela.

- Já podemos comer, tia?

- Não docinho. Vamos esperar pelo menos mais uma hora ainda está muito quente e acabamos de almoçar. Nem conseguiríamos comer bolo. Você não está cheia?

- Estou. Anne comeu muito. Acho que a tia tem razão.

- É claro que ela tem – disse Nathan – que tal uma partida de vídeo game? Eu até deixo você e Jeff jogarem juntos contra mim. Topa?

- Vou arrasar com o tio! Vamos, tio Jeff. Ele vai chorar no dia do aniversário dele – Jeff riu da menina.

- E ela diz que você é competitivo...

- Nada, isso tem o sangue das Katics. Não é competição, é vingança – disse Nathan.

- Vingança, Nate? Tem certeza que é isso que nós queremos? Porque eu ainda não cumpri a outra parte do seu aniversário.

- Oh, Staninha... você sabe que não foi isso que quis dizer...força de expressão...

- Sei... essa força de expressão pode ser sua derrota.

- Não fale assim, que tal um beijo para desejar boa sorte para esse jogador? – rindo, ela segurou o rosto dele com as duas mãos e sorveu-lhe os lábios – o elixir de qualquer guerreiro. Já volto com a vitória, minha rainha.

- Você é um palhaço mesmo! – ela não aguentava rindo dele. Assim que os viu desaparecer nas escadas, Stana foi para o quintal se juntar a irmã. Encontrou-a em uma das espreguiçadeiras de olhos fechados. Ela sentou-se na ponta da cadeira e chamou - Gigi? Está dormindo? Hey... – a irmã olha para ela.

- Cadê todo mundo?

- As crianças da casa nos deixaram pelo videogame. Parece que somos somente eu e você. Quer conversar? Aconteceu alguma coisa entre você e Jeff, você sabe, com relação a declaração? Você não comentou nada – Gigi abriu o sorriso – ah, vejo que sim... e tudo indica que foi bom...

- Mais do que bom, sis. Você tinha razão. Esses Fillions são bons em muitas coisas. Acho que nunca tive um encontro como o daquela segunda.

- Foi segunda?

- Ele não queria perder tempo...

- Gigi, conta logo, mas antes vou pegar umas cervejas para nós e vamos sentar na grama. Aqui está muito quente e o sol está bem na nossa direção – as duas se levantaram, Gigi não contestou a irmã. Sentadas outra vez, na grama bem no meio do quintal, ela tornou a pressionar – o que Jeff fez?

- Ele preparou um jantar delicioso. Com todo o cuidado, você precisava ver a mesa, a toalha, velas, taças. Nossa! O frango ao vinho estava sensacional! Depois, ele serviu a sobremesa. Mas a noite estava apenas começando. Eu consegui dizer como me sentia para ele, sis, só que o discurso dele ofuscou o meu completamente.

- Eu avisei...

- E quando me levou para o quarto, havia pétalas de rosas espalhadas pelo chão e na cama. Como não ser apaixonada por esse homem? Fizemos amor e foi perfeito.

- Posso ver pelo sorriso bobo no seu rosto. Gigi, eu estou muito feliz por você. Demais. Acho que brevemente teremos um casamento na família.

- Não tão breve, sis. Não apresse as coisas. Eu e Jeff ainda temos alguns pontos para analisar, alguns testes para fazer.

- Não sei o que. O homem cozinha bem, te trata como uma princesa, o lance entre quatro paredes dispensa comentários e ele te ama. O que você precisa mais?

- Stana, você sabe, eu não sou uma pessoa fácil de se conviver. Preciso saber se Jeff vai aguentar ficar comigo durante 24 horas. Estou pensando em propor para moramos juntos por um tempo. Se ambos passarem no teste, quem sabe?

- Não deixa de ser um grande passo.

- Tudo bem, já falamos sobre tudo o que podíamos de mim. Agora é a sua vez. Afinal, o que você deu de presente para o Nathan? Foi uma grande surpresa, aposto! O que você encenou para ele? Alguma super-heroína?

- Não, sis. Não foi nada relacionado com sexo. Quer dizer, não diretamente. Trata-se de realizar outro desejo dele. Eu não sabia se ia realmente fazer até assistir ao musical. Eu não sei, algo me tocou aqui dentro. Talvez por conta da história da peça, a música. Então, eu disse para ele que queria ir a um lugar de Nova York. Arrastei-o até um parque, levei-o até os balanços. No início, ele ficou tenso, apreensivo como se eu fosse lhe dar uma notícia ruim.

- Nossa, mas acho que até eu ficaria desconfiada.

- Eu queria algo simbólico – ela suspirou – eu confessei a minha vontade de ter uma família com ele. 
Disse a Nathan que queria começar a nossa família, era uma promessa já que eu ainda preciso da resposta da médica.

- Meu Deus, Stana! E como ele reagiu?

- Ficou surpreso, emocionado. Agiu do jeito que eu pensava. Ele ficou radiante. O sorriso, o brilho no olhar. Vou guardar aquela imagem para sempre. Espero cumprir minha promessa o quanto antes. Se bem que temos um outro obstáculo a superar. Além da médica. Nosso futuro profissional. Teremos que conversar sobre isso antes de tomar qualquer outra decisão.

- As coisas irão se arrumar. Vocês já venceram muitas dificuldades, essa será mais uma. Logo você estará rindo e contando a Nathan que a promessa se concretizou.

- Não vejo a hora – elas estavam distraídas conversando que não perceberam a chegada dos três. Anne se jogou feito uma bomba na tia, fazendo Stana cair sobre a grama rindo. Nathan foi capaz de capturar o belo momento entre tia e sobrinha. Os cabelos soltos sobre a grama, o sorriso de alegria e as chiquinhas da menina tornavam a foto especial.

- Eu venci, tia! Eu venci! Derrotei o tio! – ela virou-se para Gigi – com a ajuda do tio Jeff. Ele me ensinou uns truques. Podemos comer bolo, tia? Está na hora dos parabéns!

- Podemos sim. Basta que saia de cima de mim para que eu possa trazer o bolo e cantaremos parabéns a você para o seu tio – com uma certa dificuldade, Stana levantou-se do chão seguindo para a cozinha. Voltou carregando o bolo nos braços. Colocou-o sobre a mesa. A menina que a havia seguido, trouxe os pratos e os garfos para saborearem a sobremesa de chocolate. Após os parabéns a você e Nathan fazer seu pedido apagando a vela, Stana pediu que cortasse a primeira fatia do bolo e entregasse a alguém. A escolha era óbvia.

- Para Anne, por ter feito esse belo bolo de chocolate para mim. Obrigado.

- O tio merece e assim não fica triste depois que eu o derrotei – eles riram. Ao entregar a outra fatia para Stana, ela não aguentou e perguntou entre sussurros.

- Hey, o que você desejou?

- Não posso contar, senão não irá se realizar. Mas você deve fazer uma ideia.

- Feliz Aniversário, babe... – ela encostou a testa na dele antes de sorver seus lábios em um outro beijo apaixonado.

- É tão bom fazer aniversário... – ele sorriu roubando mais um beijo da esposa - Deixa eu mostrar o momento lindo que capturei – ele entregou o celular para Stana mostrando a foto que tirara – você e a pequena. Uma imagem vale mais que mil palavras. É só perceber a felicidade de seu sorriso, Staninha.

- É verdade, adorei! Pode enviar para mim? Quero postar. Vai já para o meu instagram – ele mandou a foto para a esposa e em cinco minutos recebeu o alerta de uma nova postagem dela. Realmente ficara perfeita, assim como o bolo de chocolate. Estava tão bom que devoraram mais da metade. O resto da tarde correu preguiçosa. Gigi e Jeff arrumaram uma brincadeira com Anne e Stana e o marido tiveram um tempo sozinhos para namorar um pouquinho.

Após se despedirem, Anne deu um abraço bem apertado em Nathan e um beijo caprichado.

- Obrigado pelo meu bolo. Eu adorei.

- O tio merece. Anne ama muito o tio Nathan.

- Também amo você.

- Hey! E eu?

- Não precisa ficar com ciúmes, tia Stana. Anne também ama você. Eu amo todo mundo! – eles riram.

- Boa noite, docinho – e a tia carregou a menina dando-lhe um beijo carinhoso na bochecha. Quando ele voltou, encontrou a esposa sentada no chão, sobre a grama. Ele sentou-se ao lado dela. Stana deitou-se na grama, um belo tapete verde. Estavam sozinhos finalmente, Stana virou-se para fitar o marido. Ele a observava confortavelmente deitada ali, sem grandes preocupações apenas o brilho do sol em seus cabelos. Uma imagem linda de se ver. Inclinou-se em sua direção, sorriu e sorveu-lhe os lábios. Como dois bobos, rolaram na grama aos beijos e risos. Stana sentou-se novamente e ele fez o mesmo. Com os braços ao redor do pescoço dele, ela sorria fitando os belos olhos azuis. Aquele brilho lindo que vira no parque no dia anterior continuava lá.

- Nate, feliz aniversário outra vez! – ela estava deitada sobre ele, mordiscou seu queixo – agora que estamos sozinhos, o que você acha de levarmos essa comemoração para outro nível?

- Hummm.... o que você tem em mente, Staninha?

- Nada puro, pode apostar. Vai subir comigo?

- Claro, eu só pensei que íamos arrumar algumas coisas e...ah! Deixa para lá! – de mãos dadas, eles entraram em casa, começaram a subir as escadas. De repente, Stana parou no meio do caminho. Nathan pensava que ia ter uma espécie de deja vu. Então, ela falou.

- Nate? Acho que seria uma boa ideia você voltar e pegar um pedaço daquele bolo de chocolate...

- Oh, Staninha.... não ousaria desobedecer um pedido seu... – e saiu correndo para pegar o doce enquanto Stana subia as escadas rindo, iam se divertir bastante aquela noite.    

O domingo fora um excelente dia. Isso contribuiu para o ótimo humor dela naquela segunda. Nathan continuou recebendo os parabéns pelo seu aniversário no estúdio e as pessoas chegaram a comentar o alvoroço dos fãs querendo que Stana mandasse um twitter a ele.

- E deixá-los loucos? Melhor não. Prefiro cumprimenta-lo pessoalmente – disse ela dando um abraço e um beijo no costar. Mais tarde naquele dia, ela fez alguns agradecimentos na rede sociais aos fãs e voltou sua atenção ao marido. O fim de semana fora um sonho para ambos, porém a realidade começava a bater em sua porta. Estavam nas últimas cenas do penúltimo episódio e ela precisava conversar sério com ele. No dia seguinte teria uma reunião com sua agente para explorar suas possibilidades futuras. De certa forma, Stana já vinha percebendo o que estava sendo desenhado na sua história e não sabia até que ponto podia interferir nisso.

- Nate? Posso tocar em um assunto complicado?

- O que foi, amor? Algo a perturba? O que essa mente inquieta está pensando?

- No futuro. Vamos ser honestos, está mais do que evidente que a ABC está se aproveitando de algumas exigências minhas de contrato para criar uma outra dinâmica na série. Você vem percebendo isso, os fãs perceberam. Cada dia que passa temos menos cenas juntos. Esse episódio que estamos finalizando talvez reflita muito bem o quanto estou certa sobre isso. Você lembra quando eu lhe contei sobre a minha negociação do ano passado?

- Claro, você achava que estava grávida e ficou protelando para poder assinar, além das exigências.

- Sim, mas isso não era tudo. Eu realmente pensei em não voltar para uma oitava temporada. Escondi um pouco isso de você. Algo me dizia que após a saída de Marlowe, teríamos problemas. Acho que não estava tão errada assim. Olha o que estão fazendo com o show! Nada contra dar abertura para a personagem de Toks, para os rapazes, mas quase anular Caskett? Isso vai de encontro a tudo que Marlowe e Terri criaram.

- Tenho que concordar com você. Mas talvez a nova dinâmica ajude a mostrar Castle e Beckett de uma outra perspectiva. Será que não podemos realmente viajar e deixar o 12th nas mãos de Ryan e Esposito? – ela o olhou incrédula – tudo bem, desculpa. Sei que não é isso. Você acha que estão querendo acabar com a série? Criar um spin-off?

- Eu acho que estão querendo acabar com a Beckett. Minhas negociações tem um pouco a ver com isso. Eu os desafiei, disse que queria aumento, menos horas, a briga foi difícil. Sei que a ABC não ficou satisfeita em aceitar meu acordo. Foi quase que forçado pela goela porque eles ainda não estavam preparados para ter um show sem a personagem principal feminina. Foi isso o que fizeram essa temporada toda. Começaram a anular Beckett. Não virei capitã por acaso. Eu fui ludibriada. Eles me disseram que sendo promovida eu podia trabalhar menos horas. Tudo era pretexto para testar a série sem mim.

- O que obviamente não funciona. Viu a audiência e a revolta dos fãs quando Alexi separou Caskett?

- Eles não ligam para os fãs, babe. Eles ligam para lucro, para pessoas que não se incomodam com suas regras. Eles querem mais espaço para Shonda. Desde que essa nova presidente assumiu, isso ficou evidente. The Catch é um claro substituto para Castle.

- Aonde você quer chegar com essa conversa, Stana?

- Amanhã eu irei me reunir com a minha assessoria para avaliar as possibilidades do meu futuro na série e na rede. Tem algo que preciso dividir com você, Nate.

- Stana...

- Eu estou pensando em desistir. Não quero continuar em um show onde sou coadjuvante. Eu sei que pedi por isso, mas agora após ver a evolução dessa temporada não quero que a imagem de Beckett que inspira tantas mulheres seja apagada ou representada por meras cenas de gerenciamento ou domésticas com o marido. Onde está a sagaz detetive que Marlowe criou? Ela está desaparecendo. Melhor sair antes que fique pior.    

- Então, você quer deixar Castle? – ele parecia surpreso – mas você ama aquilo!

- Eu amo a história criada por Marlowe e Terri. A do escritor e a musa. E tem mais um motivo pelo qual eu estou disposta a oferecer minha saída. Nós. Nossa vida, nosso futuro. Nate, eu quero muito a nossa família. Quero ter um bebê e apesar de muitas mulheres fazerem isso numa boa atuando, eu não gostaria. Porque além de causar um problema para a série, minha personagem sumiria de vez. Pode apostar nisso. Eu sempre imaginei que quando chegasse essa fase da minha vida, eu a curtiria em sua plenitude. Além do mais, eu tenho outros projetos.

- Você desistiria de Beckett, de sua carreira na ABC por nós?

- Sim, meu lado pessoal sempre será mais importante que o profissional, especialmente agora que tenho você.

- E se a ABC quiser continuar o show sem a Beckett?

- Que continuem! Para mim seria um grande erro, mas eles estão interessados nos cifrões.

- E-eu não sei o que dizer... – ele parecia perdido. Ela o olhou com preocupação e pena. Acariciando o rosto dele, ela sorriu timidamente.

- Oh, babe, desculpa. Não queria te deixar assim, eu só queria dividir minha preocupação e minhas possíveis escolhas com você. Pode ser que a ABC aceite renovar meu contrato e nada disso aconteça, em caso negativo, apenas gostaria que soubesse que aceitarei meu destino sem ressentimentos.

- Se você não estiver, eu também não assino. Farei essa exigência.

- Não seja bobo. Não podemos ficar os dois sem uma renda fixa se quisermos começar nossa família.

- Que se dane! Tenho economias, não morreremos de fome.

- Nathan, pare! Você não está pensando racionalmente. Por favor... somente entenda o meu lado. Eles já arruinaram a minha personagem. Se não fosse aquele episódio que Chad escreveu, ninguém veria a policial destemida em ação. Não quero que desista, por mim, por nós.

- Droga, Stana.. por que temos sempre um obstáculo nos desafiando?

- Porque é exatamente assim que são as grandes histórias de amor – ela inclinou-se sobre ele na cama beijando-lhe o pescoço. Ele a abraçou, o gesto esquentou seu coração. Tornou a fita-lo, passou a mão no rosto dele e sorriu – eu te amo, sabia? Isso é tudo que importa – beijou-o apaixonadamente.

Na quarta-feira, ela deixara o set mais cedo. Tinha a consulta da ginecologista. Quando estava de saída, Alexi a chamou e entregou o script do último episódio. Havia marca d´agua com seu nome em cada página. Stana olhou para o produtor ao ler o título.

- Stana, você já percebeu que o script tem marca d´agua. Por favor, não vá dar com a língua nos dentes. Lembre-se que você também é produtora.  

- O que não valeu de muita coisa em se tratando do último episódio. Nem eu, nem Nathan tivemos chance de opinar sobre o que vocês fizeram. Tem todo um mistério no ar – ela tornou a fitar a primeira página - Crossfire. Não sei porque tenho uma ideia do que isso signifique... não se preocupe, Alexi. Não irei dar spoilers – deixou a sala dos escritores. Não olharia isso agora. Tinha outras prioridades. 

Gigi encontrou com ela no consultório. Percebeu um ar triste nos olhos da irmã.

- Hey, sis... o que aconteceu? Você está preocupada com os resultados do seu exame? – ela apertou a mão da irmã - Tenho certeza que vai estar tudo bem. Logo você poderá começar seu projeto família como prometeu a um certo alguém.

- Não é isso, sis. Eu tenho certeza que está tudo bem nesse quesito. São outras coisas. Recebi o script do último episódio hoje. Pode realmente ser o último para mim.

- Do que você está falando? Está com problemas com a ABC?

- Não necessariamente. Digamos que estou prestes a tomar uma decisão difícil. Na verdade, já tomei. Falta apenas ouvir o outro lado, o problema é que a minha escolha terá consequências para Nate, para a série e para os fãs. Eu redigi um acordo ontem, foi enviado hoje aos executivos. Agora é esperar para conversar.

- Você acha que eles podem te tirar da série? Mas você é a principal!

- Eles já estão de certa forma fazendo isso nessa temporada.

- E está ficando uma bomba. Sério, o que esse pessoal tem na cabeça? – ela viu a irmã suspirar, percebeu que não queria discutir o assunto - Você conversou com Nathan sobre isso?

- Sim, e temo ter colocado-o entre a cruz e a espada. Não importa. Resta esperar – a médica a chamou naquele momento. Era a hora de saber se poderia realmente construir seu futuro do jeito que imaginava.

A médica a cumprimentou sorrindo. A pasta de Stana estava sobre a mesa com vários envelopes. Após sentarem-se, ela abriu a pasta. Com vários exames nas mãos, analisava os resultados. Stana e Gigi trocaram um olhar. A maneira como a médica olhava para as folhas não revelava se a notícia era boa ou ruim. Ela colocou o papel sobre a mesa, fez algumas anotações. Então, olhou para a paciente.

- Como você está se sentindo esse último mês, Stana? Alguma mudança repentina, alguma dificuldade com o tratamento?

- Não. Ultimamente não venho sentindo nada estranho. Para falar a verdade, me sinto muito bem fisicamente. Não tive crises hormonais, nem mudanças de humor.

- E vem se mantendo sexualmente ativa, muito bom – ela arregalou os olhos – o que? Você acha que isso não reflete nos seus exames? Aliás, por conta disso posso dizer que você tem razão. Está muito bem fisicamente, seus níveis de hormônios se equilibraram. Estão perfeitos, eu diria – Stana sorriu aliviada. Gigi apertou a mão dela.

- Não disse que tudo ia ficar bem, sis?

- Quase tudo. Na verdade, se o próximo passo que sua irmã quer tomar refere-se a uma possível gravidez, além de escolher o parceiro, o que não vem ao caso nesse momento, ela precisa estar bem psicologicamente. Posso ver pelo seu semblante que não é o caso. E a preocupação não está apenas relacionada ao que eu diria a ela hoje.

- Não é nada importante. Depois dessa notícia que recebi hoje, tudo fica tão mais fácil de lidar!

- Stana, se está pretendendo fazer uma produção independente ou até criar uma família com algum namorado misterioso, precisa entender que qualquer fator externo interfere em uma gravidez. Para estar pronta para gerar uma vida é preciso estar bem consigo mesma, com o parceiro e não haver dúvidas. Corpo, mente e coração precisam estar conectados para uma experiência bem-sucedida. Sua e de seu parceiro. Entendeu?

- Perfeitamente.

- Ótimo, sendo assim, se essa é a sua próxima escolha, seu próximo passo, certifique-se de que estará se entregando completamente e será bem-sucedida. Desejo tudo de bom para você e que da próxima vez que vier ao meu consultório seja para pedir um ultrassom de seu bebê.

- Obrigada, doutora – ela se levantou estendendo a mão para a médica.

- O prazer foi meu em ajuda-la.

Ao sair do consultório, antes de entrar no carro, ela olhou para a irmã. Os olhos estavam cheios de lágrimas e trocaram um abraço apertado.

- Oh, sis! Estou tão feliz por você! E conheço alguém que irá ficar nas nuvens com a novidade... acho que em breve teremos um novo membro na família. Acho que devemos comemorar. Que tal uma taça de vinho? Lembre-se que depois que engravidar você não poderá curtir álcool – ela riu.

- Tudo bem. Vamos parar em algum lugar para comemorar.

- E aposto que terá comemoração em casa também.

- Sei que sim, mas você ouviu a médica. Acho que somente conseguiremos sucesso após resolver essa pendência de nossas vidas profissionais.

- Ah, mas isso não vai impedi-los de tentar! – elas riram – não mesmo!

Quando Stana voltou para casa, encontrara o marido sentado no sofá com o script em uma das mãos e um copo de whisky na outra. Ela sentou-se ao lado dele, tirou o copo de sua mão e bebeu um pouco da bebida devolvendo-lhe em seguida. Acariciou-lhe a coxa e deu um beijo no rosto.

- Hey... o que você está fazendo?

- Já teve a chance de ler? Não tem as cenas finais.

- Já imaginava. Seu roteiro também está com marcas d´agua?

- Sim, todos devem estar. Faz parte. É uma season finale.

- É mais que uma season finale, babe. É um divisor de aguas. Por isso a ausência da cena final. Provavelmente teremos que filmar mais de uma. Eu mandei a minha proposta para os executivos da ABC, agora é esperar. Eles já lhe procuraram para conversar?

- Ainda não diretamente. Já falaram com Michelle, mas com tudo que vem acontecendo. Ela está fazendo uma bateria de exames. Acho que a coisa é mais séria do que ela pensava, amor.

- Ela vai ficar bem, Nate. Eu tenho notícias também – ela virou o corpo no sofá para ficar de frente para ele, queria olha-lo ao revelar o resultado do tratamento – eu acabei de sair da ginecologista.

- Verdade! Eu aqui me debatendo sobre a série e você tem coisas mais importantes para me dizer. Então, amor, o que ela disse?

- Que está tudo bem comigo e que a partir de agora posso colocar meu plano de engravidar em prática.

- Jura? – o sorriso e o brilho que ela viu nos olhos azuis dele eram como bálsamo. A bonança após a tempestade – isso é definitivamente a melhor notícia que poderíamos receber essa semana! Oh, Staninha... já posso começar a praticar e a sonhar com uma pessoinha aqui dentro... – ele tocou o ventre dela, podia ver pequenas lágrimas embaçando os olhos azuis. Ela o beijou. Ele começou a rir, evoluindo para gargalhadas – você tem ideia do quanto estou feliz com isso? Meu Deus! – rindo, ela afastou-se dele impondo a distância de seus braços sobre o peito dele.

- Espere um minuto, Nate. A doutora disse que para isso tudo funcionar, ambos devemos estar completamente focados no que estamos fazendo, concebendo uma vida. Temos que estar bem física e psicologicamente. É uma entrega dupla. Minha e sua. Compreende isso?

- Sim, amor. Eu compreendo. E sabe o que mais? Independentemente do que vier daqui para frente, temos um ao outro, vamos continuar aqui. Castle nos uniu, mas seu possível fim não irá nos separar. Temos novos recomeços e não me importo de tentar, lembre-se, a prática leva a perfeição.

- Você sabe como agradar uma garota... mas antes de fazermos coisinhas, quero ver esse script.

- Tem certeza?

- Nate, vou ter que me preparar para filmar daqui a dois dias. Tudo bem. E posso fazer uma brincadeira com os fãs e a ABC, não?

- Stana, não provoca...

- Não irei provocar... prometo! – e ela postou no twitter o que fez milhares de fãs irem ao delírio. Nem ela, nem o fandom imaginavam as cenas dos próximos capítulos.

No dia seguinte, foi a vez de Nathan trazer as boas notícias. Ele recebera um telefonema de Josh Wheldon para comparecer a uma entrevista e um teste na sexta. Queriam conversar com ele a respeito de uma possível participação dele no novo filme da Marvel, Guardiões das galáxias 2.

- Sabe o que isso pode significar, Stana? Que o cancelamento de Castle talvez não seja algo tão ruim assim. Posso ter mais oportunidades no cinema, tem as comic cons, a evolução de Con Man, acho que temos boas razões para comemorar, não?

- Temos sim, amor. Mas não vá com muita sede ao pote. Castle ainda é um porto seguro para nós - ele estava eufórico, ela podia ver a felicidade que as ultimas noticias causaram nele. Talvez ele nem precisasse de Castle. Sua webserie com Alan estava indo muito bem. Eles lançariam o dvd no próximo fim de semana. Rodeados de novidades boas, eles podiam comemorar e muito. As horas da madrugada seriam poucas para aqueles dois.

- Tudo bem, hora de comemorar.

Nos dias seguintes, eles dedicaram-se ao último episódio da temporada. Ainda não ouviam nada a respeito do destino da série. Na segunda à noite, enquanto se arrumava para dormir, viu a promo do próximo episódio: Death Wish. Sorriu mordiscando os lábios. Ao ver o olhar viajante em seu semblante, Nathan sorriu e perguntou.

- Por que está com esse ar bobo no rosto? Pensando besteiras, Staninha?

- Hum... talvez. Lembra das filmagens de Death Wish? O episódio da Gennie?

- O que você quase me fez passar vergonha na frente de Susan? Não dá para esquecer...

- Ah, babe, foi divertido...

- Se não tivesse ninguém conosco, até concordaria.

- Mentiroso! Você estava gostando que eu sei... sua reação não me deixa mentir – ela enroscou os braços na cintura dele beijando-o várias vezes e lembrando do que fizera.


Eles estavam no set do loft. Stana vestia uma camisola e um roupão. Estava pronta para entrar em ação. Não podia negar que a cena seria divertida de fazer. Aliás, fazia tempo que não filmavam algo tão íntimo entre Castle e Beckett. Finalmente alguém para escrever um episódio que a lembrasse os tempos de Marlowe. Steph estava de parabéns. Em suas posições, eles aguardaram a ordem do diretor. Ao som de gravando, ela apareceu na frente dele abrindo o roupão e mostrando as longas pernas, Beckett convidava Castle para um suposto terceiro round e Nathan só pensava em tornar isso realidade com a esposa mais tarde. Pensara tanto que quando Susan entrou em cena atrapalhando-os, ele esqueceu a fala.

Ao pedir desculpas, Stana que ainda estava atrás dele, acariciou-lhe as costas como uma espécie de incentivo.

- Tudo bem, vamos fazer mais uma vez. Em suas posições... silêncio, gravando!

A cena repetiu-se e dessa vez não fora Nathan quem esquecera a fala. Era Stana que escondida atrás dele, o provocava passando a mão na bunda dele. Beliscando-o e fazendo o cúmulo de roçar seu corpo no traseiro dele. O reflexo foi inevitável. Sem graça, ele tentava disfarçar balançando o corpo, mas o diretor gritou “corta!”

- Stana, não foi assim que conversamos. Você se esconde atrás dele e preste atenção na posição e no momento que vai colocar as mãos no ombro de Castle e Nathan, pare de se mexer, estava balançando de um lado para o outro. Desculpe, Susan, você está perfeita, mas temos que fazer esses dois se acertarem.

Pela terceira vez, eles tentaram e apesar dos esforços e provocações de Stana fazendo exatamente o que fizera na segunda vez, Nathan conseguiu se manter concentrado o bastante para terminar de dizer suas falas na cena, o que ele não conseguiu evitar foi ficar excitado diante da provocação da esposa. O que ele poderia fazer? A mulher simplesmente não tirava a mão do traseiro dele e quando o fazia era para esfregar-se nele além de usar as unhas para tocar suas costas por baixo da camisa, pura provocação. Ela ia pagar caro por isso.

Ao som do diretor e sua concordância de que a cena ficara perfeita. Nathan disfarçou colocando-se atrás do balcão até conseguir se acalmar. Lançou um olhar fuzilante para a esposa ao ver a cara questionadora e um olhar desconfiado de Susan que culminou em um sorriso de quem diz “eu vi o que aconteceu”. Ela apenas sorriu. E como previra, eles se acertaram a noite entre quatro paredes. 


- Você não tem vergonha de fazer essas coisas, Staninha? Nem sei se Susan realmente percebeu! Pareceu que sim, havia algo no olhar dela e...

- Mesmo que tenha percebido, ela é uma lady, não iria comentar nada. Mas valeu o esforço, você estava bem animado naquela noite. Aliás, você me atacou.

- Tinha que descontar sua provocação, se você gosta de agir com falta de decoro, isso é um problema seu.

- Nossa! Até parece que você é santinho... não sou eu que fico agarrando os outros no armário e deixando marcas. O que posso dizer? Gostei...

- Posso ficar animado se quiser agora também...


- Humm...é um convite, Nate? – e sentiu as mãos dele invadindo por baixo da camiseta do pijama que usava. 


Continua....