terça-feira, 14 de junho de 2016

[Stanathan] Stay Tonight




Stay Tonight

Autora: Karen Jobim
Classificação: NC17 – Romance
Histórias: Stanathan – oneshot  
Quando: Fim das gravações da S8
Disclaimer: História de ship real em universo alternativo. Baseada na seguinte hipótese. Fim de gravações. Um pressentimento ruim envolve Stana e em meio a nostalgia e um momento melancólico e carente, ela se vê pensando em Nathan e na possibilidade de não vê-lo novamente. O que poderia acontecer então? Castle e Beckett não me pertencem...são da ABC yada yada yada... e logicamente Nathan e Stana também não são meus! Conteúdo criado para diversão, todos os direitos da autora reservados!

Nota da Autora: A ideia para essa fic surgiu do nada. Em uma tarde no trabalho. Comecei a rabiscar como seria imaginar uma espécie de one night stand entre nosso casal real apesar de acreditar que isso não é bem o feitio de Stana. Porém, o que vale é a imaginação e outra vez, após ouvir uma canção, eu soube que precisava escrever. Detalhe: não lembro exatamente qual a bala que Stana ama, mas taffy é bem popular entre os canadenses, então.... Enjoy!

Importante! Minha ideia aqui não é tomar lados ou culpar ninguém, pura diversão a partir de um ponto de vista, não levem tudo tão a sério! Caso queiram ouvir a canção que a inspirou aqui está uma versão ao vivo simplesmente divina! 







NC17 be aware!


Stay Tonight



A semana passava rápido. O frenesi do final da temporada contaminava a todos no estúdio, atores, produtores e equipe técnica, apesar da grande maioria não ter ideia do que seria seu destino, o que o futuro os reservava. Havia risos, gritos, piadas e algumas brincadeiras. Somente uma pessoa parecia alheia a tudo isso. Stana Katic.

A cada nova cena terminada, uma parte de seu coração se quebrava. Ela tinha um pressentimento ruim sobre a season finale. O fato de não ter ouvido qualquer ruído, uma palavra sequer da emissora quanto a renovação de contrato, apenas agravava a situação. Ela sabia o que estava em jogo. Desde o instante que a oitava temporada começou, ficou claro a jogada da ABC e de Alexi. Episódio por episódio, eles tentavam diminuir sua participação. Primeiro com a separação ridícula de Castle e Beckett, depois a ênfase ao escritório de PI de Castle, a introdução de uma nova investigadora, o aumento da aparição de Alexis com o pai, tudo para demonstrar que sua personagem era descartável. Embora os fãs reclamassem, eles não pareciam dispostos a ouvir.

Ao receber o script, Stana sabia que o destino de sua personagem estava planejado e traçado naquelas páginas. Não se surpreendeu com o suposto cliffhanger criado. Convenhamos, era bem cômodo encenar uma cena onde criava-se a dúvida quanto ao futuro dos protagonistas incitando a possível continuação sem um deles, no caso, Beckett.

Ela estava sozinha por duas semanas. O marido estava viajando a trabalho. Havia uma mistura de sentimentos confusos pairando em sua mente. Estava solitária, triste. Talvez nostálgica fosse uma palavra melhor para descrever o que sentia cada vez que entrava em um dos cenários do estúdio. A sensação era de despedida, de encerramento. Era fim de temporada que mais parecia o fim da linha para ela.

Oito anos de histórias, de emoções, de reviravoltas. Tudo acontecera naquele lugar. Encontrara o sucesso, fizera amigos. Dera vida a uma das personagens femininas mais intrigantes e admiradas da televisão. Tivera esse privilégio de viver Kate Beckett e inspirar tantas jovens e mulheres ao redor do mundo. Amara, fora amada. Na tela e fora dela pelo mesmo homem. Fechou os olhos por um momento suspirando enquanto a imagem dele surgia em sua mente. Nathan.

Estava na sala dos escritores sozinha. Tomava café e ao abrir os olhos deparou-se com o próprio a sua frente. Ele sorriu. Stana olhou diretamente para aquele azul hipnotizante de seus olhos. Ela podia perder-se neles. Ao ver que ela parecia não notar sua presença, ele inclinou a cabeça para o lado, franziu a testa.

– Hey... tudo bem? – a voz melodiosa a fez despertar da pequena viagem que a fazia afogar-se naquele oceano azul bem a sua frente.

– Hey...

– Você me parece distante. Cansada? – ele começou a preparar um café para si – esses últimos dias não tem sido fáceis.

– É verdade, são onze da noite. Não, são quase meia noite e meia!

– E ainda temos uma cena para filmar para encerrar esse longo dia. Você já pensou o que vai fazer no seu hiatus? Vai para Europa, tem projetos? Ou vai simplesmente sumir no mundo por um tempo? Não seria você se não fizesse um pouco disso, Stana – ele sorriu bebendo o café.

– Eu planejo ficar em Los Angeles pelo menos uns dois meses – ela olhava para a caneca em suas mãos, estava evitando fita-lo com medo de perder-se outra vez em seus olhos. Havia algo que gostaria de perguntar a ele. Criando coragem, ela decidiu que não havia problema em dividir suas preocupações com seu costar – a emissora já contatou você com relação ao novo contrato, as negociações?

– Eles procuraram Michelle há umas duas semanas, mas agora com o lance do tratamento eu terei que conversar pessoalmente com eles e os advogados quando me chamarem. Por que pergunta? – ele percebeu no olhar dela que algo a incomodava. Tanto tempo trabalhando juntos, convivendo, conhecia as facetas de sua parceira. E não podia negar que já foram mais que parceiros profissionais um dia, mesmo que por um breve período de tempo, suficiente para deixa-lo marcado para a vida toda.

– Eu enviei uma proposta para a emissora, porém eu acredito que a ABC não está mais interessada em mim. Não querem meus serviços, não querem Beckett. Às vezes, acho que nem querem mais Castle.

– Não diga isso.

– Eu sinto como se fosse minha última vez nesse estúdio. Minha despedida de Kate Beckett. É tão estranho.

– Será que você não está exagerando? Se deixando levar pelo clima de fim de temporada, do episódio?

– Nathan, sejamos sinceros. Eles praticamente anularam minha personagem durante essa temporada. Focaram em você, em Hayley. Queriam vender a ideia do PI. Alexi é primeiro a incentivar isso em todos os escritores. Sei que tenho culpa nisso também por causa da última negociação. Eu provoquei. O castigo veio. Essa cena, o tal cliffhanger, não parece óbvio para você? Ambos levamos tiros, mas alguém, nesse caso, Beckett pode não sobreviver. Eu sinto aqui dentro. Um pressentimento ruim, é a minha despedida. Como é difícil! – ela se segurava para não ceder completamente as emoções.

– Agora que você falou, eu posso concordar embora não quisesse que fosse dessa forma. Oito anos não podem ser esquecidos assim, num piscar de olhos – ela podia ver a preocupação nos olhos azuis ao encara-la.

– Eu sei, Deus! Eu vou sentir falta disso. Sentir saudades das longas horas, das risadas, dos nossos erros... – ela fitou-o mordendo os lábios para impedir que as próximas palavras escapassem. Iria sentir falta dele, de abraça-lo e beija-lo.

– Todos nós iremos. Nós nos divertimos juntos, não?

– Sim, muito.

– Sentirei falta de tudo, absolutamente tudo, Stana – ele estava muito perto dela. Stana começou a se sentir nervosa pela proximidade deles, a respiração acelerara, podia sentir o perfume dele. Como Nathan cheirava bem, a camisa estava com os primeiros botões desfeitos o que lhe dava uma visão do tórax dele. Não podia negar. Ela ainda tinha sentimentos por ele. Ainda se sentia atraída e gostava de estar com ele. A pequena voz interior da razão pareceu incomoda-la. Você está casada, supere isso.

Nathan observava a luta interna que ela travava contra si mesma. Algo se passava na mente de Stana. Talvez sua esperança quisesse faze-lo de bobo, mas teve a impressão que ela estava pensando nele não como seu companheiro de cena e sim como homem. Finalmente, ela quebrou o silêncio incômodo.

– A-acho que devemos voltar para o set... – ela o empurrou levemente tocando o peito dele. O gesto a fez engolir seco recriminando os pensamentos impuros que pareciam se formar em sua mente. Comporte-se, mulher! Dizia para se mesma. Você trabalha com ele, seja profissional. Nathan afastou-se sabendo que aqueles poucos minutos já serviram para mexer bastante com a imaginação de ambos.

Eles retornaram para o set. A cena que filmariam era a morte do suposto Loksat, quando Castle os surpreendia para salvar a vida de Beckett. Era uma cena tensa. Não somente para o episódio, mas para seus personagens também. E toda a sensação de despedida que estava sentindo antes se amplificou com aquele abraço. Mais uma vez, ela não podia se negar a oportunidade de cheirar o pescoço dele novamente como sempre fazia quando o abraçava em cena.

Dessa vez, porém, não fora apenas o ato de cheirar que pareceu diferente, o próprio abraço de Nathan era diferente. Ele a mantinha muito perto de seu corpo apertando-a com vontade, como se não quisesse solta-la. Não ouviram o “corta” do diretor. Usaram seu próprio tempo para finalmente afastarem-se quebrando o contato. Ele a olhava intensamente.

– É isso aí, pessoal. Terminamos por hoje. Tenham um bom resto de sábado e vejo vocês dois na segunda para filmarmos as últimas cenas – eles se despediram de Rob e caminharam de volta ao vestuário para trocarem de roupa.

– Uma e meia da manhã de sábado. Como está tarde!

– Você está de carro ou seu marido vem busca-la? – ele tinha que perguntar, talvez essa fosse sua última chance de arriscar-se com ela. Stana notou a forma como Nathan dissera a palavra. Não soara como deboche, ainda assim havia uma espécie de sarcasmo ou repulsa. Entendia a reação, afinal eles se detestavam por causa dela.

– Ele está viajando. Vou pegar um taxi.

– Deixe de besteira, Stana. Eu te levo em casa.

– Não, Nathan. Não vou fazer você desviar de seu caminho por minha causa.

– Qual o problema? É madrugada, nem transito tem. Aposto que chegaremos lá em dez minutos. Troque de roupa e me encontre no estacionamento. Nem pense em começar a discutir – Não discutiria. Ao contrário do que Nathan pensava, ela queria desfrutar de alguns minutos a mais em sua companhia. Chame de nostalgia ou simples sensação de perda e término, a cada minuto que passava ela tinha mais certeza que chegara ao fim de uma longa jornada. Um capitulo muito importante de sua vida.

Trocou de roupa e pegou sua bolsa. Ao dirigir-se para o estacionamento, ela se pegou pensando se nesses oito anos havia algum arrependimento, alguma história esquecida ou mal resolvida. Claro que sim, a sua própria história com Nathan. O modo como acabaram seu relacionamento não fora dos melhores. Ela se acovardara, criou uma briga por ciúmes e simplesmente decretou o fim do que viviam juntos. Ficaram remoendo as cicatrizes que deixaram um no outro pelos últimos dois anos. Quase o mesmo tempo que ficaram juntos. As coisas aconteceram entre eles logo na volta para a quarta temporada. A princípio, negaram o que estava diante de seus olhos. Lutaram para não deixar que aquilo se desenvolvesse mais do que poderiam suportar, afinal tinham que agir como profissionais. Porém, o desejo e o coração os traiu nas filmagens de The Blue Butterfly. Cederam. Quando gravaram a cena de Always, eles já namoravam em segredo. Interpretar Castle e Beckett na quinta temporada foi um passeio no parque. Então, um obstáculo grande surgiu diante deles.

A primeira grande briga deles foi depois que Nathan defendeu sua suposta amiga Ochoa em pleno twitter após uma clara provocação e troca de farpas com Stana. Ela odiou o fato dele simplesmente a ignorar e ao fandom que tomara partido de Stana para simplesmente defender a outra. Também sabia que ele já tivera um pequeno namorico com a tal e isso apenas piorava a situação. A raiva rendeu duas semanas de distância entre eles.

Após um pedido de desculpas e muita adulação de Nathan, ela cedeu. Odiava admitir que a carne era fraca. O problema foi que depois que isso aconteceu, Stana passou a ficar mais insegura quanto ao seu envolvimento com Nathan, tinha medo de ser traída, medo do histórico, ela gostava dele, não. Ela o amava. Não negava seus sentimentos. Faltou-lhe coragem para tornar as coisas mais sérias e acabou rompendo alguns meses depois. Ainda lembrava das palavras horríveis que trocaram. Por poucos minutos, todo o amor que sentiam fora substituído pela raiva, pelo ódio. Eram dois estranhos se xingando naquela briga. Ele a chamou de covarde, ela o chamou de galinha. A pior briga de suas vidas. Palavras erradas, completamente erradas destruíram tudo. Não podiam ser os mesmos depois daquela discussão. Sofrera muito calada. E ainda teve que se render a beijos e caricias de seus personagens, o que tornara tudo mais difícil.

Então, Kris retomou um papo do passado, querendo relembrar o que eles tiveram um dia e contrariando todas as previsões, ela estava casada. Somente agora podia encara o fato como uma jogada ingrata do destino. Não, não culpe um plano secreto ou maior pelas decisões que você fez na vida, ela brigava em sua própria mente. Aceite que você e Nathan nunca daria certo, mesmo... mesmo gostando tanto dele. Embora am... ela não queria pensar na palavra. O que eles tiveram fora intenso, importante, porém a forma como acabaram, por não confiar, isso não se podia relevar ou reconstruir tão facilmente. Preferia evitar, teriam as lembranças, certo? Era o fim de uma longa jornada. A ideia de não vê-lo nunca mais...

Os pensamentos foram interrompidos ao chegar no estacionamento, diante da imagem. Nathan escorado no carro esperando por ela. Ele usava uma camiseta simples, a camisa de botões aperta sobre ela e jeans o que apenas serviu para perturba-la um pouco mais. O contorno dos bíceps expostos pelas mangas curtas, o peito amplo e nem queria imaginar o traseiro dele naquela calça. O que há de errado com você, Stana?

Ao vê-lo sorrir se aproximando dela para abrir a porta como um perfeito cavalheiro, ela mesma respondeu sua pergunta. Saudade, melancolia e a dura constatação de que não o veria mais após a próxima segunda. Sentiu um aperto no coração, mas sorriu diante do gesto dele agradecendo-o.

Ele tomou o controle do volante e pegou a estrada. A verdade era que estava juntando coragem para desafia-la. Fazer uma proposta, no mínimo, indecente.

– Você terá que me dizer que saída devo pegar. Não lembro muito bem o caminho – mentira, sabia de cor – você ainda mora no mesmo lugar ou mudou-se?

– Moro no mesmo lugar. Pegue a saída 63.

– Você se importa se eu parar para pegar um sanduiche? Estou com fome. Você não quer algo? Tem um in-n-out 24 horas na próxima saída.

– Talvez seja bom comer algo. Estou a base de café desde as dez da noite embora fast food não seja a melhor ideia de refeição. Tudo bem, como umas batatas fritas – sorrindo ele pegou a saída. Optou por usar o drive-tru já imaginando que ela não ia querer descer do carro e ficar na lanchonete. Pediu uma refeição completa para si e perguntou se ela queria ao menos um sanduiche. Stana ficou com a batata frita e um milk-shake de morango. Ele parou o carro numa das vagas do estacionamento e entregou o lanche para ela.

Passaram os primeiros minutos apenas comendo em silêncio, até que ele falasse outra vez.

– Hum...isso está bom. Tem certeza que não quer um pedaço? Eu pedi sem cebolas. Sei que você não gosta.

– Obrigada, mas batatas são mais que suficientes – ele lembrava desse pequeno detalhe? Ela detestava as cebolas daquele sanduiche, eram cruas. Nathan observava o jeito que ela tomava o milk-shake, a relação com o canudinho. Oh...não faça isso, Stana... não ia resistir. Tentou olhar para o outro lado, evitando qualquer contato com seu rosto ou olhar. Respirou fundo.

Ela terminou o liquido e colocou no porta copos ao seu lado. De repente, sentiu a necessidade de virar-se para encara-lo. A posição que encontrou foi de virar seu corpo colocando uma das pernas para cima do banco ficando de lado. Ao ver o que ela fazia, Nathan viu como uma oportunidade. Limpando a boca e esquecendo seu sanduiche, ele perguntou diretamente.

– Stana, você realmente acha que é o fim da linha para você em Castle? Que não terá seu contrato renovado, Beckett morrerá e que segunda será seu último dia naquele estúdio?

– Sim – ela suspirou – eu provoquei isso na última renovação de contrato e sejamos francos. Sou uma coadjuvante muito cara, Nathan.

– Você não é coadjuvante.

– Talvez não em termos de contrato ou para você e para os fãs. Contudo, na mente de Alexi, dos demais escritores e da própria ABC é assim que eles me veem. Foi assim que me trataram a temporada inteira. Responda com sinceridade, eu pareço sua costar? Uma das personagens principais na série nesses últimos episódios? Conto nos dedos aquele em que realmente vivi a Beckett.

– Não, você está certa. Eles a apagaram em muitos momentos. A série já não é mais o que era desde que Alexi assumiu.

– Entende porque digo que é o fim? – ele ficou calado. Podia ver a tristeza em seu olhar. Era uma despedida, não? Ela esticou a mão para toca–lo. Segurava seu braço deslizando suavemente até encontrar a mão dele – hey, está tudo bem. Eu sempre terei as lembranças. E-eu vou superar, eventualmente. Preciso superar... – algo dizia que ela não estava se referindo a série diretamente.

– Vai mesmo, Stana? Oito anos de trabalho, quatro de shipper, dois de... – ele não conseguiu completar o pensamento, ela entenderia de qualquer forma – eu não me arrependo do que fiz, talvez do que não insisti em fazer. Não sei se vai importar agora, parece que foi há tanto tempo, mas a sensação que tenho é de que foi ontem.      

– Nathan, eu... – porém ela não conseguiu terminar a frase, as palavras estavam rodando em sua mente. “Não esqueci, gosto de você, se pudesse...” faltava-lhe coragem. Ela não o veria após segunda, tinha certeza, então será que a vida não estava lhe dando uma última chance, uma despedida apropriada?

– Você pode me odiar por isso, Stana, mas eu não posso ficar simplesmente com um vago adeus e esse sentimento preso no peito, as palavras entaladas na garganta. Eu preciso dizer que eu sinto muito. Por tudo.

– Como assim, sente muito? Não estou entendendo...

– Sinto muito por não ter dito o que precisava ser dito na época. Por não ter insistido, não ter lutado. Agi como um idiota sofrendo pelos cantos, porém com o ego ferido o bastante para passar por cima do meu orgulho e tomar a atitude correta. Devia ter provado que estava errada. Demonstrado que não éramos, nem nunca seriamos um simples caso ou flerte, algo passageiro. Estou pagando pelo meu erro até hoje e tenho certeza que esse arrependimento ainda irá me perseguir por muitos anos. Assim como o que eu sinto por você.

– Nathan, você não pode... eu não posso... – ela estava atônita diante da declaração dele. O coração batia acelerado. Ele podia ver a pulsação dela na veia do pescoço.

– Stana, se estamos a ponto de desaparecer da vida um do outro, se a despedida é a única coisa que nos resta, por favor, podemos faze-la especial? – ele não esperou resposta. Avançou na direção dela e sorveu-lhe os lábios suavemente, com carinho e delicadeza. Ao sentir o leve movimento da boca contra a sua em retorno, ele colocou uma de suas mãos na nuca a fim de traze-la para mais perto e aprofundou o beijo. Por alguns segundos, era apenas uma dança de lábios, algo que se acostumaram a fazer mesmo em cena, então Nathan tomou os lábios dela partindo-os com sua língua invadindo sua boca por inteiro. Sentiu as mãos de Stana em seu peito acariciando e escorregando para a beira da camiseta onde pode infiltra-las por baixo do tecido tocando sua pele por fim. Ao sentir as pontas frias dos dedos dela, ele sobressaltou-se, mas não perdeu o ritmo que imprimia em sua boca.

Ele também queria toca-la. Sentia o desejo aflorar em cada poro, ele a queria, precisava dela, pelo menos mais uma vez. Nathan quebrou o beijo. Seus olhos encontraram-se com os dela. Ele viu. O desejo feroz dominava-lhe o olhar. Stana mordiscou os lábios, porém não recuou ou evitou o contato visual com ele. Estava bem ciente do que acabara de acontecer. Não era um momento movido por emoção ou atração. Era bem mais que isso. Eram sentimentos verdadeiros guardados a sete chaves por dois longos anos. Ela o queria, e naquele momento pouco importava o que isso dizia dela como pessoa.

Ele acariciou seu rosto. Ela percebeu quando Nathan passou a língua nos lábios como quem se prepara para mais uma rodada, só que ao invés de inclinar-se e beija-la outra vez, as palavras que saíram de sua boca foram as mais simples possíveis e ainda assim completamente compreensíveis para ela.

– Por favor? – ele não precisou de palavras para saber a resposta. Bastou olhar para a mulher a sua frente. Seus olhos amendoados diziam exatamente tudo. Um pequeno sorriso se formou no canto dos lábios dela quando Nathan suspirou fundo. Ligou o carro e em silêncio dirigiu rumo a sua casa.

Nathan parou o carro na garagem. Abriu a porta e Stana fez o mesmo. Ainda incerta de como proceder, ela esperou pelos movimentos dele. Vindo ao seu encontro. Ele tomou a mão dela. Entrelaçou seus dedos aos dela e puxou-a para entrar em casa.

Ao adentrar na sala, Stana prendeu a respiração e parou. Nathan virou-se para fita-la.

– O que foi?

– Entrar aqui novamente...eu pensei que não ia mais pisar aqui, voltar nessa casa. É meio... avassalador. Tem um significado diferente, sabe? Desculpa, eu não pretendia... – ela tinha lágrimas nos olhos. Ele chegou mais perto dela. Com a mão livre acariciou o rosto de Stana e falou.

– Hey... está tudo bem. Somos somente você e eu essa noite. Nada mais importa – ele a beijou outra vez. Stana pode sentir o carinho daqueles lábios. Os mesmos que ela já beijara tantas vezes e que sempre a faziam suspirar. A sensação de borboletas no estomago apareceu, estava ansiosa – Vem... – ele a puxava para as escadas. Subiram degrau por degrau. Ao entrar no quarto de Nathan, ela teve a sensação de que nunca saíra dali. Era como se ontem mesmo tivesse estado naquele ambiente.

A cama muito bem arrumada, os travesseiros espalhados pelo edredom como ele tanto gostava. Nathan ficou de frente, ergueu-lhe o queixo para que o fitasse. Um sorriso tímido surgiu no rosto dela.

– Eu não sei o que estamos fazendo... não me entenda mal, Nathan – ela fechou os olhos procurando a coragem, as palavras – eu sei que não sou a única que se arrepende das coisas que fez, embora muitas vezes ache que a culpa de tudo é minha. Alguns dias eu fico imaginando se eu tivesse pensado e agido de outra forma, se tivesse coragem para viver mais, arriscar...eu...

– Stana, não é a hora nem o lugar. Não pedi para você vir aqui e se desculpar ou assumir qualquer coisa. O nosso destino, o que aconteceu, quem errou ou quem deve ser culpado, verdades, mentiras, boatos, não me interessam. Não transforme esse momento em algo tenso. Eu só quero você, mais uma vez. Apenas fique comigo – ele percebeu que as mãos dela tremiam – Stana? – ela tinha lágrimas nos olhos. Mas seu próximo movimento não foi de desistência.

Stana aproximou-se dele. As mãos tremulas tocaram-lhe primeiro o peito para então seguirem para o rosto. Ela o fitou. Blue Eyes. Nunca superaria aquele olhar. Os lábios entreabriram-se fazendo-a inclinar-se na direção dele. O toque foi sutil, apenas um breve roçar sobre a boca dele. Os olhos dela viajavam entre os dele e os lábios. Uma, duas, três vezes, a lagrima caiu solitária pelo rosto e com um sussurro ela o quebrou.

– Nate... – sorveu-lhe os lábios apaixonadamente, não estava interpretando um papel, não era encenação. Era puro sentimento. Sentiu as mãos dele passeando pelas suas costas puxando-a contra seu próprio corpo. Diminuindo o espaço entre eles. Stana enroscou os braços no pescoço dele aprofundando o beijo. O corpo amolecia ao toque dele, por estar um passo mais próxima dele, por estar prestes a tê-lo por inteiro outra vez, como anos atrás. Tirou a camisa que ele usava sobre a camiseta.

Afastou um pouco do corpo dele interrompendo o beijo apenas para arrancar a camiseta que ele usava. As bocas se buscaram mais uma vez, como magnetismo. Ao sentir a temperatura da pele dele em suas mãos, ela gemeu em antecipação. Nathan tinha as mãos embaixo da blusa que ela usava. Borboletas no estomago. Ela não se lembrava da última vez que experimentara essa sensação tão característica de desejo e de estar apaixonada.

Foi a vez de Nathan quebrar o beijo e descartar a camisa que ela usava. Então, começou uma viagem no corpo da mulher a sua frente. Os lábios passeavam pelo pescoço, colo, meio dos seios onde parou para contempla-los e desabotoar o sutiã. Beijo-os, um a um, seguindo o caminho pelo corpo dela provando a pele, seu gosto, seu cheiro. As mãos que haviam se firmado na cintura, começaram a subir pela lateral do corpo de Stana para encontrar os seios quando Nathan se ajoelhara a sua frente admirando o estômago liso. Beijou-lhe o umbigo e desfez o botão da calça que ela usava. Elevou o rosto para fita-la. Stana tinha um sorriso nos lábios. Ela colocou uma das mãos no ombro dele e a outra acariciou o rosto de Nathan.

– Vá em frente...

Nathan puxou a peça até os pês dela. Stana ajudou-o erguendo as pernas. Então, surpreendendo-o, ela se agachou ficando de joelhos na frente dele, colando seu corpo e beijando-o outra vez. Ela percebeu quando ele relaxou os joelhos sentando sobre as pernas. Levantou-se e com as mãos nos ombros dele o fez levantar-se.

– Tire as calças... – ele obedeceu ficando nu na frente dela. Stana contemplou a imagem a sua frente. Ele estava pronto. Mais do que pronto, para ela. Aproximando-se, tomou-a pela cintura e deitou-a delicadamente na cama. Debruçou-se sobre o corpo tão desejado e sorveu seus lábios. As mãos acariciavam-na com carinho. A cada toque, ela respondia, esfregando-se nele, arqueando o corpo, era sua forma de dizer para continuar.

Nathan devorava-lhe os lábios, o colo seguindo para os seios começando uma sessão de pura provocação. Ele tomava cada um deles bem devagar, roçava os dentes no mamilo, usava a língua para contorna-los, beijava-o para por fim suga-lo. Repetia o mesmo tratamento no outro, porém usava a mão para beliscar aquele mamilo que abandonara. Stana conseguia apenas gemer ao toque, entregando-se as sensações maravilhosas. Estava excitada, desejava-o demais. Precisava dele. Outro beijo foi trocado e ao se separarem, ela pediu.

– Nate, por favor, não me provoque... eu preciso... – ele sorriu.

– Para que a pressa, babe... – e voltou a deslizar a boca pelo corpo dela, dessa vez tinha destino certo. Sentindo quase nas nuvens, o jeito que ele a chamara não passara despercebido. Babe. Ele sempre a chamara assim antes. Porém, ela não teve a chance de pensar mais sobre nada. Ele abrira suas pernas e simplesmente a tomara com os lábios. Perdera completamente a linha de pensamento e gemeu. A mente sofrera um blackout. E a cada movimento de lábios, línguas e dedos, tudo o que restara para Stana era sentir.

Não demorou para que ela sentisse o corpo tremer em antecipação ao que estava próximo, mas não queria ceder, não sozinha.

– Nate... agora... quero você...

Dessa vez, ele não a contrariou. Precisava estar dentro dela. Nathan a penetrou devagar, prolongando o momento. Quando estava completamente preenchida por ele, Stana o puxou para beija-lo outra vez. A sensação do momento levou-a ao passado. Era algo que estava escondido em seu subconsciente. O quanto era bom tê-lo para si, gemeu entre os lábios dele ao sentir que ele começava a mover-se devagar dentro dela. Nathan quebrou o beijo para fita-la, queria olhar em seus olhos, ver como ela reagia a tudo aquilo, precisava saber se havia sentimento naquele momento, além do desejo. Sim, ele podia perceber que os beijos não eram de puro desejo ou atração como pareceu o primeiro, havia mais que a vontade de estar juntos, não estavam transando. Faziam amor. Como fizera um dia no passado.

Ele aumentou o ritmo. Ela atracou as pernas na cintura dele procurando uma forma de movimentar-se junto, provoca-lo. As mãos abraçavam suas costas, as unhas fincavam a pele, os ombros, ela começava a balbuciar ou gemer, Nathan não conseguia entender. Stana sentiu o corpo tremer. Ele sabia que faltava pouco, então estocava mais fundo, ia e vinha aprofundando-se cada vez mais dentro dela. Arqueando o corpo, ela gemia respondendo aos movimentos dele. Não pensava em nada, apenas sentia. Mantinha os olhos fechados. Nathan roçou os dentes na garganta, no colo e tornou a calar seus gemidos roubando-lhe um beijo.

Não podia mais lutar contra a força que a invadia e a explosão aconteceu. Ele não esperou e cedeu ao orgasmo junto com ela.

Deixando o corpo cair sobre o dela, ele respirava apressado, o coração acelerara. Ela podia sentir o ar quente que escapava de sua boca próximo ao pescoço. Cansados, suados e completamente destruídos não pelo ato em si, porém pelo que ele representava. As emoções a flor da pele, lembranças de um passado que não voltava mais. E o sentimento tão bem escondidos que viera à tona em beijos, em caricias.

Nathan rolou para o lado. Notou que ela permanecia de olhos fechados. Ele apoiou-se de lado no próprio braço para admira-la. Stana em sua cama, pela última vez. Suspirou. Ela continuava linda. A pele maravilhosa, tudo nela era perfeito. Estava mais magra. Estava tão absorto na imagem da mulher relaxada em sua cama que não reparou que abrira os olhos e o observava também. Não aguentando, ele deslizou a ponta dos dedos sobre o estomago dela. Ao virar a cabeça, encontrou-a calada olhando para ele. Nathan inclinou-se sobre ela e beijou-a carinhosamente. Rolou na cama trazendo-a consigo. Stana deitara sobre o peito dele, sentia os dedos acariciando seus cabelos. Então, vencida pela emoção, ela chorou.

Apesar de calado, continuava a fazer carinho na cabeça dela e percebeu que ela chorava. As lágrimas molhavam seu peito. Por um instante, ele não soube o que fazer. Não podia dizer que estava tudo bem. Não podia convence-la que ficariam bem e seguiriam em frente. Não tinha as respostas. Mas não podia deixa-la chorando. Se estivesse arrependida do que aconteceu ou se chorava por ter mexido em uma parte de sua vida que precisava ficar esquecida, não importava. Ele teria que conforta-la independente das consequências.

– Hey... gorgeous... olhe para mim – ela relutou antes de vagarosamente virar a cabeça para encara-lo – não fique assim. Não é para ser algo triste, mesmo que seja uma despedida, foi especial, Stana. Muito especial para mim – ela sentou-se na cama, limpou as lágrimas. Nathan automaticamente sentara também. Talvez ela quisesse falar algo ou apenas quisesse... não, ele não tinha ideia do que ela queria. Se Stana o perguntasse, ele diria que queria mais, queria poder não dizer adeus, não ser apenas uma noite.

– Nate... – ele sorria ao ouvi-la chama-lo ainda da maneira carinhosa – é uma despedida. Não temos como evitar de sentir nostalgia, tristeza. É uma mistura de sentimentos. Não se esquece tão fácil. E hoje... esse momento... fazer amor outra vez, trouxe uma onda de lembranças do passado que não posso apagar, não quero apagar, mas que para minha própria sanidade precisam estar escondidas.

– Eu não queria dizer adeus, Stana. Queria poder dizer que não seria apenas essa noite. Você tem razão, é uma mistura de sentimentos, mas fazer amor com você é sempre especial. Lembrarei sempre disso. Não vou mentir, não posso esquecer, não consegui até hoje. Enquanto eu viver, terei a lembrança porque o sentimento existe, Stana e perdurará – ele evitava usar a palavra amor para não assusta-la.

– Nós escolhemos nossos caminhos, Nate. É uma loucura porque mesmo querendo, sentindo, é algo que nos faz muito bem e muito mal. Descobri hoje que há ainda sentimento. Há um desejo avassalador que se assemelha a uma dor dentro de mim, porque é intenso. Fizemos amor, foi especial, mas foi uma despedida.

– Eu sei... – ele falou resignado – como eu sei... – ela percebeu o brilho e a tristeza nos olhos dele. Despedidas eram sempre difíceis. Ela ergueu-se da cama. Começou a pegar suas roupas no chão. Nathan entendera o que ela estava fazendo.

– Stana... o que você está pensando? O que está fazendo?

– Eu preciso ir embora, Nathan – ele respirou fundo. Não podia deixa-la ir. Não ainda. Levantou-se colocando-se na frente dela. Stana olhou intrigada para ele.

– Não... fique um pouco mais. A noite não terminou. Fique comigo esta noite. Por favor... – ela pegou a mão dele na sua.

– Era uma última vez, Nathan.

– Eu sei, mas é madrugada. Não tem porque ir embora agora. Fique. Vamos nos demorar a noite toda. Vamos fingir que está tudo bem. Porque quando o sol nascer, saberemos que acabou. Vem, volte para cama...

– Nós sabemos onde isso vai dar, sabemos o que vai acontecer. Não estamos juntos.

– Eu sei, por Deus Stana, eu sei. Queria poder dizer que tudo vai ficar bem, que é verdade e que amanhã seremos nós ainda, infelizmente não podemos. Amanhã nos despediremos, diremos adeus um ao outro. Ainda faltam algumas horas para amanhecer, fique. Vamos fingir que não há amanhã. Só hoje. Fique...

Ela estava outra vez com lágrimas nos olhos. Colou seu corpo no dele, passou os dedos trêmulos em sua face e levemente roçou os lábios nos dele. As lágrimas tornaram a cair quando Nathan a beijou. O toque carinhoso em seu rosto, seja pelos lábios ou pelos dedos das mãos que a tocavam delicadamente. Ele a guiou de volta a cama. Sua intenção era apenas deitar-se ao seu lado, sentir seu corpo colado ao dela, sua presença em sua cama uma última vez, porém, Stana não queria apenas ficar de conchinha.

Ela aprofundou o beijo empurrando-o contra o colchão. Envolvendo entre suas pernas sentou-se na cintura dele. O beijo tomou um rumo diferente, sensual, intenso. Ela deslizava as mãos pelo corpo dele, seu próprio corpo deslizava sobre o de Nathan criando um atrito prazeroso.  Sentindo o peito, o estomago até encontrar seu membro. Acariciou-o, instigou para deixa-lo novamente pronto. Quebrou o beijo e os lábios passaram a explorar seu peito. Stana usou os dentes para mordisca-lo. Fez isso nos bíceps, no peito, com os mamilos e no estomago. Sorrindo, ela ergueu a cabeça e voltou a roubar outro beijo dele. Já estava excitada novamente. Ela preparou-se e deixou o membro deslizar para dentro dela. Ao senti-lo totalmente dentro de si, jogou a cabeça para trás gemendo. Então começou a mexer-se.

Nathan entrou na dança com ela. Os quadris a acompanhavam, tinha as mãos na cintura dela para manter o ritmo. Ela comandava agora. Sentia as mãos espalmadas em seu peito usava-as para ter impulso e mexer-se sobre ele. Deixou suas mãos subirem pela lateral do corpo dela para tocar-lhe os seios, aperta-los. Ouvindo o gemido, ele não resistiu e ergueu-se da cama colando o próprio tronco ao corpo dela, puxando-lhe os cabelos e tomando sua boca com paixão. Mordiscava-lhe o queixo ouvindo os gemidos aumentarem, ele não aguentava mais. Precisava que ela gozasse.

– Stana... por favor... – ela entendeu o que ele suplicava. Intensificando o ritmo, ela se entregou em alguns minutos levando-o consigo. Abraçados, eles caíram na cama. Permaneceram enroscados por outros minutos, imóveis.

Finalmente, ele saiu de dentro dela. Arrastou o corpo até o travesseiro no topo da cama. Ela o seguiu. Deitados de lado, Stana agarrou-se na cintura dele. Os lábios na direção do peito. O nariz dela roçava em sua pele. Uma das mãos deslizou para tocar-lhe o traseiro, ela o beliscou – hey... – ele reclamou, ela repetiu o gesto sorrindo.

Ela suspirou no peito dele. Nathan se acomodou melhor na cama para que ela pudesse deitar sobre seu peito. Beijou-lhe a testa, a cabeça de Stana pousada entre o ombro e o peito. Agora, ela usava os dedos para acariciar a pele, brincar com os parcos pelos do peito de Nathan. Logo seria manhã outra vez. O pensamento fez o seu coração apertar, ele notou que ela ficara tensa de repente.

– O que foi?

– O dia irá clarear logo...

– Eu daria tudo para não termos o amanhecer, que a luz do sol não chegasse, Stana. Prolongar esse momento ao máximo para nós dois.

– Diga para mim, finja... – ele sorriu e beijou-lhe os dedos das mãos um a um. Repetiu os gestos nas juntas.

– Feche os olhos, babe... não haverá luz. Ficaremos aqui essa noite. Tudo vai ficar bem. Ficaremos bem. Juntos. Nada mais importa além de nós dois hoje à noite. Celebrando o amor, o sentimento, criando memórias. Fazendo amor – ela reparara que Nathan falara de amor. Pela primeira vez naquela noite. Beijou-lhe o peito antes de encara-lo – eu disse para fechar os olhos... – ela usou os braços para impulsionar-se e deitar-se completamente sobre ele de modo que seus rostos ficassem na mesma altura.

Stana acariciou o rosto dele. Esfregou o nariz no de Nathan de olhos fechados. Ao tornar a abri-los, ela sorriu. Passou o polegar nos lábios dele.

– Diga o que quero ouvir, Blue Eyes... você sabe o que...

– Stana... – o fato dela o chamar de “Blue Eyes” fazia seu coração inflar de alegria. Estavam entrando em terreno perigoso.

– Diga, por favor, será a última vez. Apenas diga... eu preciso ouvir mais uma vez, para eu poder seguir em frente. Hey, blue eyes... tomorrow became yesterday what was will never be felt again...

– Não faz isso, Stana... – ele acariciou o rosto dela. Os olhos azuis fixos nos verdes. Ele sabia que ela queria que dissesse as palavras, as três fortes palavras que para Nathan era um misto de alegria e tortura porque não importava o quanto significassem para ela, para eles, não mudaria o fato de que ela iria embora de verdade na manhã seguinte. Suspirou e o coração bobo obedeceu-a novamente – eu te amo, gorgeous... amei, amo e amarei – deu um selinho nela. Com as testas coladas, eles permaneceram calados por vários segundos até que ela criasse coragem para responder.

– Eu sei, Blue Eyes, eu também – aconchegou-se no peito dele e fechou os olhos cochilando em seguida.

Os primeiros raios do sol inundavam o quarto onde estavam, porém nenhum dos dois parecia se importar com a presença da luminosidade. Haviam mudado de posição. Stana rolara de lado e Nathan provavelmente a acompanhara em algum momento da noite, pois tinha um dos braços ao redor da cintura dela envolvendo quase que num ato de possessão.

Quando a luz atingiu seu rosto, ele foi obrigado a abrir os olhos para entender o que acontecia. Era dia. Nathan observou a bela mulher dormindo pacificamente ao seu lado. Podia passar o dia inteiro olhando para ela sem cansar. Com a ponta dos dedos, ele acariciou o braço dela. O singelo movimento a fez mexer-se um pouco sem abrir os olhos. Pela respiração, ele sabia que ainda dormia. Com cuidado para não acorda-la, ele moveu seu braço e afastou o corpo levantando-se da cama em seguida.

Após uma ida ao banheiro que incluiu escovar os dentes, ele se pegou pensando se deveria preparar um café da manhã especial ou se apenas esperava Stana acordar a fim de decidirem juntos.

Juntos. O som da palavra o atingiu em cheio. Essa não é sua realidade, Nathan, dizia a si mesmo. Não existe juntos, nós, casal. Teria que lembrar o que realmente fora essa noite. Uma despedida. Um adeus. Estava certo que ia demorar um tempo para superar o impacto desse ato. Iria remoer, sofrer, não seria a primeira vez. Esquecer? Nunca. Fora sincero quando falara de seus sentimentos na madrugada.

Sentou-se aos pés dela na cama. Ficou velando seu sono. Não sabia quanto tempo estava ali apenas olhando para ela. Então ela se virou para o lado e encontrou o vazio. A cama fria. Automaticamente abriu os olhos e passou a mão sobre o lençol gelado. Ele não estava deitado ao lado dela. Por que? Apenas quando retornou à posição que estava anteriormente foi que o viu. Ele sorria sentado com as pernas cruzadas em posição de yoga.

– Hey, bom dia... – ela sentou-se.

– Bom dia, gorgeous. Está com fome?

– Você já acordou há muito tempo?

– Um pouco... – de repente ela ficou calada apenas o fitando. Não sabia ao certo o que fazer. Quer dizer, eles dormiram juntos, falaram de sentimentos, era uma despedida. Mas ela podia beija-lo agora? Ela queria. Era estranho? Errado? Mordiscou os lábios. Nathan percebeu a indecisão e a aflição perdurarem em seu olhar – o que foi?

– Nada – ele suspirou balançando a cabeça – vamos tomar café.

– Quantas vezes terei que dizer que conheço você e sei que “nada” quer dizer alguma coisa? – ela já estava de pé. Inconsciente, vestiu a camisa de botão que ele usava na noite anterior e sua calcinha. Nathan achou aquilo doce, não esperava vê-la fazendo isso. Acreditava que iria vestir-se e sair o quanto antes porta afora. Resolveu não pressionar caso ela não lhe desse uma resposta. Qual o ponto afinal? Eles se separariam.

Ele a acompanhou até a cozinha. Acionou a máquina de expresso para preparar o café. Stana se sentou em um dos bancos próximos ao balcão.

– O que vai querer? Ovos? Panquecas? French toast?

– Pode fazer uma das suas omeletes com bacon e queijo? Faz séculos que não como um desses...

– Tudo bem. Quer alguma fruta? Tem algumas na geladeira, fique à vontade – ela desceu do banco e foi até a geladeira. Encontrou realmente diferentes tipos. Pegou uma ameixa e três morangos. Ao passar pelas costas dele outra vez, ela não resistiu. Deixou a mão deslizar pelo contorno do bumbum e beliscou-o de leve. Surpreso, Nathan olhou para ela. Não se contendo, ela inclinou-se e beijou-lhe os lábios. Nathan respondeu ao gesto incerto do que ela pretendia com aquilo.

– Quis fazer isso desde que acordei – sorriu, porém, percebeu que ele não esperava isso dela – Desculpe, e-eu não deveria ter feito isso e...

– Hey...– ele segurou o queijo dela – tudo bem, eu apenas fiquei surpreso. Gostei. É só que...

– Não podemos tornar as coisas mais difíceis do que já são. Eu entendo – vendo que ela já iria ficar completamente embaraçada e arredia com aquilo, ele sugeriu algo para quebrar o momento estranho.

– Não. Melhor não pensar assim agora. Vamos fingir que ainda é de madrugada, bem cedo. Vamos manter o clima, por favor, mais algumas horas, ok?

– Ok – um pequeno sorriso se formou no canto dos lábios, aproximou-se outra vez dele tornando a beijar seus lábios. O beijo demorou um pouco mais que o primeiro. Ao afastar-se, ela completou – bom dia, Nate – voltou a sentar no banco para esperar sua omelete.

Nathan sentou ao lado dela para comerem. Stana pegou um dos morangos, mordeu e ofereceu a ele colocando a fruta nos lábios de Nathan que a mordeu. Comeram calados, comunicando-se apenas com gestos, toques e sorrisos. Assim que acabou, ela levantou com seu prato nas mãos. Colocou na pia, lavou as mãos que tinha resíduos de morango e seu suco, voltando-se para perto de Nathan.

– Eu acho que preciso me arrumar agora. Tenho que voltar para casa. Já está quase amanhecendo – disse mantendo a ideia sugerida antes por Nathan – eu já volto.

Ele a observou subir as escadas. O momento derradeiro se aproximava. Estava consciente de que não havia nada a ser feito. Ambos retornariam a vida real. Passou a mão nos cabelos e no rosto. Conseguira o que queria, não? A última noite. Mesmo sabendo que não teria mais do que isso, que fora sua ideia em primeiro lugar, ainda deixaria um vazio, uma saudade. Estava decidindo se voltava ou não para o quarto quando ela surgiu completamente vestida com a roupa de ontem no topo da escada. Ele caminhou para encontrá-la rente ao degrau.

– Preciso ir. Acho que é isso, não? Nossa despedida. Ainda iremos nos ver na segunda, mas... isso é a nossa lembrança.

– Sim, não importa o que acontecer. Teremos essa noite – eles saíram caminhando até a porta. Ela parou esperando que ele dissesse qualquer outra coisa ou ao menos abrisse a porta indicando que era hora de ir. Os olhares se encontraram, não quebraram o contato por longos segundos – espere um instante... – ele falou quase sussurrando, se afastando dela e sumindo em um cômodo da casa. Stana queria um último beijo. Tinha direito, não? Parte da despedida. Estava tentando ser forte, levar a situação numa boa, porém sabia que desabaria no minuto que deixasse a casa dele. Essa era a história deles afinal. Escolheram seus caminhos. Nathan retornou com uma pequena sacola.   

– Você quer que eu chame um taxi? Posso te levar em casa também se quiser.

– Não, irei andando. Não se incomode. Prefiro assim – ela segurou a mão dele na sua, aproximou-se dele quase colando o corpo ao de Nathan – então é isso. Obrigada, Nate – Stana puxou-o pela nuca até seus lábios se encontrarem em um beijo carinhoso. Um beijo de despedida. Um simples gesto que carregava todo o sentimento de duas pessoas com escolhas diferentes, separadas por decisões, independente de certas ou erradas, na estrada da vida.           

– Obrigado por ficar... – ele disse ao quebrar o beijo, viu que os olhos dela estavam envoltos em lágrimas outra vez – aqui, isso é para você – entregou a sacola. Curiosa, ela abriu e não acreditou no que vira.

– Taffy? Salt water taffy? Como você conseguiu isso? – ele sabia que ela amava aquela bala. Recordava sua infância.

– Meu irmão trouxe há duas semanas quando veio me visitar.  É seu.

– Nathan... – ela sorriu, os olhos brilhavam. Deu um selinho nele – obrigada – finalmente ele abriu a porta. Ela pisou do lado de fora e suspirou – te vejo na segunda?

– Sim, segunda. Tenha um bom fim de semana, Stana – com um último sorriso, ela começou a caminhar pela calçada. Ele observou-a até desaparecer na esquina. Não podia ver, mas Stana tinha o rosto completamente marcados por lágrimas.

Uma noite. Um adeus. A recordação para sempre em suas mentes e seus corações.



THE END
          


12 comentários:

Gabriela Mendonça disse...

OMG tão lindos, tão fofos, tão maravilhosos... Podia ser verdade, mas eles não facilitam!!! Kah vc acaba de alimentar o bichinho Stanathan, que vive em mim, com essa fic.

Géssica Nascimento disse...

Simplesmente... sem palavras!

Luciana Carvalho disse...

Aiiiiii q lindo!!! Karen alimentando a esperança de SN na minha mente!!!! Que fic linda, amei!!
Pena que é one, poderia ter continuação!!!

Denise Reis disse...

Meu Deus! Lindo demais.

marta cristina oliveira disse...

confesso q não curto fics StaNathan,não dei sorte porque a primeira e unica q havia lido deixou entender q Stana fez um teste do sofá;mas enfim resolvi ler essa pq é sua;ESTOU AOS PRANTOS DESCONSOLADA....SEM PALAVRAS

marta cristina oliveira disse...

confesso q não curto fics StaNathan,não dei sorte porque a primeira e unica q havia lido deixou entender q Stana fez um teste do sofá;mas enfim resolvi ler essa pq é sua;ESTOU AOS PRANTOS DESCONSOLADA....SEM PALAVRAS

justforstana disse...

Morta....sabia que devia ter ido dormir mas a curiosidade falou mais alto. Karen amo suas fics...adoro de vdd...tao cheia de sentimentos tão carregada de emoções.... E o que dizer da parte da série? Quanta injustiça meu Deus. Ai...a cena deles dois... Que droga! Queria que algo voltasse no tempo e tivéssemos eles de volta...que eles tivessem um ao outro de volta. Enfim.... O mundo não é perfeito. Mas sua fic é. Amei, amo e amarei. 💔

marta cristina oliveira disse...

Karen,agora mais calma preciso dizer que ainda estou no chão com essa fic,a forma como você colocou os dois frete à frente,não esquecendo que Stana etá CASADA,porém em uma situaçã que pode acontecer com qualquer um de nós(não cheguei a ter essa despedida.mas isso já aconteceu comigo,me vi exatamente na situação de Nathan)Cada dia mais admiro seu trabalho!

Camila Lorrane disse...

To sem palavras so sei dizer que foi Lindo 😭😭😢😢💔

rita disse...

O que dizer de você, uma escritora incrível! Essa fic foi maravilhosa, excelente (como todas as que escreve). Para nós (eu) que vou amar Castle eternamente foi doído, mais doce ler o que eles sentiram ao fazer amor sabendo que seria a última vez, mais ao mesmo tempo serviu para colocar de vez os pés no chão. Seriam um lindo casal,tanto na série como na vida, mais não tinha que ser.Continue a escrever, é um alívio para a alma. Beijos e abraços da amiga.

cleotavares disse...

Ficou lindo Kah! Eu tento enterrar meu Stanathan, daí leio uma fic dessa, o que posso fazer?
Parabéns! Eu acho que você lê as mentes das Stanathan´s. kkk

Silma disse...

Você sabe direitinho como arrancar uns belos chororo de suas leitoras! Você nos entende tão bem,tudo que você escreve nos deixa ainda mais apaixonadas por Stanatan!Meu amor por esse casal vai ser eterno,independente da realidade.
Uma última noite de amor dos dois!"Última" essa palavra machuca pra caramba.
Obrigada por todas as fics! ❤️