quinta-feira, 2 de junho de 2016

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.54


Nota da Autora: Demorou, mas a fic está de volta. Já vou aproveitar para avisa-las que a partir de agora, vocês verão a história tomar uma conotação diferente do que vimos na temporada. Estamos entrando em um terreno perigoso, de analises psicologicas e propício angst que se desencadeará pela frente trazendo Dana como uma personagem mais presente. Todos sabem o que acontece no 47 segundos, porém na minha fic, eu ainda vou apresentar outro plot antes de entrar naquele momento crítico da S4. Esse é o episódio duplo, a primeira parte dele. Enjoy! (E não odeiem a escritora...)


Cap.54

No dia seguinte, ela reparou que tinha uma ligação perdida de Dana. Nem se preocupou em retornar porque sabia que a terapeuta ia cobrar dela o motivo por não ter isso a sessão. Poderia aguentar mais uns dias. Na delegacia, um novo caso surgira. O mais interessante era que ela ainda se pegava pensando no último. Como tinha o relatório para fazer, pediu para Esposito e Ryan assumirem a investigação e a chamassem se precisassem de um par de olhos mais tarde.
Sentada a sua mesa, ela começava a redigir o texto. Lembrando da história do diário, ela se viu folheando o caderno em busca do conto que Castle transformara em algo tão interessante quanto um enredo de filme noir. Ela podia ver porque o escritor chegou a usa-los como personagens principais. Ele certamente poderia transformar isso em um best-seller. Outra lembrança veio a sua mente. A noite anterior. Não somente os beijos de Castle, mas principalmente o que ele dissera sobre o whisky. Agora entendera quanto mal fizera a ele ao pedir que se afastasse. As vezes não entendia porque ele continuava ao seu lado.
Sorriu. Não seja idiota, Kate. Ela dizia para si mesma. Está ao seu lado pelo mesmo motivo que bebeu. Amor. Será que a próxima vez que bebessem aquele whisky seria celebrando a vida como fizeram ou o amor?
Não sabia. E a cada dia que passava, ela estava ficando mais confusa quanto ao seu relacionamento com Castle. A tal parceria com benefícios. Isso de certa forma estava mexendo com sua terapia, seu tratamento, podia sentir isso. As vezes tinha raiva de sua mente. Ela era capaz de trai-la muito facilmente. Em um momento, estava pensando na confusão que sua relação com Castle estava lhe causando e no momento seguinte, ela estava pensando nele. Mais precisamente na canção que ele assobiava quando voltavam para casa.
Foi assim que Castle a encontrou. Com o olhar sonhador e perdido fitando o diário de Joe recordando a cena da noite anterior.
- Ora, ora se não é a detetive Beckett se deliciando com a história do detetive particular... rendeu-se ao diário? – ela não respondeu – hey, terra para Beckett... – ele colocou o copo de café na frente de seus olhos. Ela ergueu a cabeça.
- Oi, Castle. Bom dia.
- Por favor, me diga que você estava viajando na história de Joe, imaginando os cenários....
- Não, estou fazendo meu relatório – bebericou o café.
- Parecia mais no mundo da lua para mim, não temos um caso? – ele a viu levantar a sobrancelha – para investigar, detetive.
- Esposito e Ryan tem um caso, eu tenho papelada. Vai ficar do lado de quem agora?
- Beckett, você sabe o quanto eu valorizo nossa parceria, quanto ela é importante para mim. Por esse motivo, eu irei ajudar os rapazes porque se ficar aqui, apenas irei lhe atrapalhar, não sou bom com burocracia. Você entende, não? De verdade, você continua sendo minha parceira, eu só preciso ajudar os meninos. Eles não irão conseguir resolver esse caso sem uma de nossas mentes brilhantes – ela estava rindo.
- Vai, Castle. Vai antes que eu me arrependa.
- Obrigado. E se me permite acrescentar, você estava muito bonita com aquele olhar sonhador, detetive – satisfeito pelo elogio que fizera a ela, Castle foi se juntar aos meninos deixando Beckett sozinha com seu relatório e seus pensamentos.

Alguns dias depois...

Beckett chegara ao consultório de Dana com o caderninho azul nas mãos. Durante a noite anterior e todo o dia ponderou sobre o assunto que queria conversar com a terapeuta. Obviamente, ela ia perguntar da ausência da quinta passada. Talvez usasse esse tópico para iniciar a conversa que queria ter. Ela já ia encontrar parte disso no caderno mesmo. A secretaria fez sinal para que ela entrasse.
- Olá, Dana.  
- Olha só! Quem é vivo sempre aparece. Por onde você andava Kate? Correndo atrás de bandidos não era.
- Dana, por favor, faltei um dia de terapia. Não é o fim do mundo.
- Não se durante a noite você estava fazendo algo que pudesse ajudar no seu tratamento. O que você fez? – ela ignorou a pergunta.
- Tome. Trouxe o caderno. Está completo agora. Todo seu. Pode me avaliar a vontade.
- Obrigada. Vou lê-lo e te dou um feedback nas sessões posteriores. Podemos começar? Você tem algum ponto especifico que queira comentar ou posso escolher o que discutiremos hoje?
- Na verdade, eu tenho sim. Ainda está relacionado com aquela nossa última conversa sobre a parceria com Castle estar se tornando doméstica. Aconteceram algumas coisas que somente provam o que estava contando a você.
- Como o que? – agora ela iria contar o que estava fazendo.
- Continuamos domésticos. Quer dizer, tivemos dois casos bem significativos. Um estivemos prisioneiros juntos ameaçados de virar comida de tigre – Dana arregalou os olhos – é, não estou mentindo. Depois do caso, eu não sei o que aconteceu comigo, talvez a culpa fosse da adrenalina, do medo de quase ter sido mordida por um animal selvagem – ela contou a maioria dos detalhes do caso para Dana - O fato era que eu não conseguia dormir. Eu fechava meus olhos e não via outra coisa além do tigre. E-eu fui até o apartamento dele. Pedi para dormir lá.
- Você foi até o loft porque não conseguia dormir. Por que eu acho que está faltando um pedaço da história? Você tinha outra intenção, não? O que era? Seja franca, Kate. Posso ver nos seus olhos que não está sendo totalmente sincera.
- Tudo bem. Eu, bem, fazia algum tempo que nós não... a parceria e você mesmo falou, necessidade básica e...
- Você arranjou uma desculpa para dormir com Castle?
- Não! – ela olhou chateada levantando-se do divã só pelo comentário da terapeuta – não foi uma desculpa! Aquele tigre, ele me assustou. Eu estava com medo de sonhar com aquilo e ainda tinha o lance da PTSD e...
- Kate Beckett! Você continua mentindo! Você só queria ficar com Castle!
- Não! Sim! Quer dizer, não foi isso... – ela suspirou e tornou a sentar-se – olhe, não estou mentindo quanto ao tigre, a parte que não estava contando era que eu também queria aproveitar um tempo com Castle. Eu meio que prometi uma segunda tentativa com as algemas... mas, uma vez lá as coisas se moldaram, era como se tivéssemos tendo uma noite normal de casal, comemos e fomos para a cama. Dormir. E eu tive pesadelos! Com o tigre e com Castle morrendo de novo como acontece devido a PTSD. Nós dormimos abraçados, eu fiz café para ele. Quando vi, estávamos agindo como se aquilo tudo fosse rotina. Até quando eu tentei mudar o foco para a tal parceria com benefícios, nós tivemos alguns problemas...
- Mas conseguiram fazer sexo?
- Sim, conseguimos.
- Então, vocês não se tornaram um casal casado a vinte anos que faz sexo uma vez por mês. Não entendo qual a sua preocupação, Kate.
- Não consegue mesmo enxergar, Dana? Vou lhe dar o outro exemplo – ela contou do caso da Borboleta Azul. Dana ria imaginando Castle pensando neles como as personagens de 47. Isso daria um ótimo livro – então ele me levou para o escritório e começou a falar sobre momentos especiais, o whisky... não percebe? Dana, quando ele me falou de como eu o magoei... mesmo assim, ele ainda gosta de mim, pensa em dividir aquelas garrafas de bebida rara comigo. Não é apenas doméstico, sinto como se tivéssemos cruzando uma linha, um limite. Não estamos mais vivendo a parceria com benefícios, para Castle nós somos um casal.  
- Para Castle ou para você?
- Isso importa?
- Levando em consideração que estamos aqui para a sua terapia e curar seus traumas, claro que sim – Dana mexeu-se na poltrona, estava prestes a jogar uma pequena bomba no colo de Kate. Sabia que ia deixa-la ainda mais confusa, porém precisava que ela começasse a aceitar que ela mesma cruzara a linha – certo, Kate. Eu vou lhe explicar exatamente o que eu vejo como sua terapeuta e o que precisamos para que você de fato conclua o tratamento.
Dana ergueu o caderno azul sacodindo na frente de Kate.
- Eu vou ler esse pequeno tesouro e voltarei a falar dele depois. Talvez você tenha alguma razão no que você esteja sentindo. No que você descreve como doméstico. A verdade é que você e Castle tem uma interação tão boa que mesmo a investigação de um caso pode ser intitulada como algo trivial, rotineiro. Para mim, tem outro nome. A parceria de vocês está tomando um outro rumo, sim continua tendo benefícios, porém está a cada dia se moldando mais para um relacionamento. Por que você acha que isso está acontecendo? Você chegou a ponto de pedir para dormir na cama dele, abraçados? Definitivamente não é sexo casual ou amizade colorida...
- Está vendo? É exatamente disso que estou falando. Não posso continuar isso. Era para ser algo sem significado, necessidade apenas. Sexo por sexo.
- Kate, nós duas sabemos que isso não funciona assim com Castle e você.
- Exatamente por esse motivo eu preciso pôr um fim nisso. Meu foco deve ser em curar meus traumas, consertar meus problemas. Só isso. E não passar duas horas de terapia falando de Castle.
- Sei... voltarei nesse ponto mais tarde. Conforme eu havia dito, existem alguns meios de saber como evoluímos em relação a terapia. No seu caso, basta responder a duas perguntas. Decidi que está na hora de você conhece-las. Preparada?
- Espera, você está dizendo que se responder essas perguntas o tratamento acaba?
- Se você as responder corretamente, sim, seria o fim do seu tratamento e eu saberia que posso deixa-la seguir em frente com sua vida – Kate suspirou. Em sua mente, ela estava inclinada a achar que isso era mais um dos joguinhos de Dana.
- Certo, e quais são as perguntas? Talvez essa seja nossa última sessão, afinal – Dana riu. A terapeuta tinha certeza que não.
- A primeira pergunta que você deve estar apta a responder é: você está pronta para contar a verdade sobre o seu atentado para Castle? – ao ouvir a pergunta, Kate não pode evitar ficar boquiaberta por uns instantes, Dana prosseguiu – a segunda pergunta é: Se eu aparecesse hoje falando que tenho uma nova pista no caso do seu atirador que consequentemente a levaria ao caso da morte de sua mãe e seu potencial assassino, o que faria? Perseguiria a pista mesmo sabendo que isso poderia lhe custar a vida?
- Você... não... você está jogando! Não pode me pressionar assim!
- Não estou lhe pressionando, Kate. Apenas revelei duas perguntas que você deve estar apta a responder corretamente para que eu declare seu tratamento como concluído. Vale dizer que não existe apenas uma resposta correta.
- Não é justo... são perguntas difíceis.
- Eu sei, não espero que tenha respostas agora. Mas, você pode pensar sobre elas. Dependendo de como me responda, posso ter uma ideia de onde estamos em seu tratamento. Relaxe, não vá perder o sono com isso. Trata-se do método que escolhi para trabalhar com você. O que me leva de volta ao assunto que você levantou um pouco antes. Você disse que não devia vir aqui e passar duas horas falando de Castle. Está errada. Uma de suas perguntas está diretamente atrelada a ele. Falar de Castle irá ajudá-la a responder à pergunta. Não está perdendo tempo com isso, está se ajudando a descobrir o lado pessoal e afetivo de Kate Beckett.
- Você me manda relaxar... acabou de jogar um quilo de dinamite em cima de mim...
- Não falei nada do que já não houvéssemos discutido antes. Você mesma entendeu que seu tratamento é baseado em si descobrir e deixar o peso do assassinato da sua mãe para trás. Estou apenas mostrando o caminho para você alcançar a sua meta. Disse que precisa focar, eu concordo. Precisa focar especialmente em seu interior, no que você quer, no que seu coração está lhe dizendo.
Kate passou as mãos pelo cabelo soltando um longo suspiro.
- Acho que terminamos por hoje. Muita informação para ambos os lados. Prometo que na próxima sessão tentarei algo mais leve. Também lhe darei uma resposta sobre o caderno, se é que já não fiz isso hoje. Vá para casa, Kate. Descanse.
- Vou precisar de um analgésico. Minha cabeça está latejando.
- Conheço um ótimo – disse a terapeuta sorrindo. Beckett a olhou erguendo a sobrancelha – ora, detetive, não é porque está confusa ou cansada do lado doméstico que não pode usufruir dos seus benefícios! Não leve a vida tão a sério, Kate... esse conselho sempre é bom e não é de minha autoria.
- Tchau, Dana. O único encontro que quero hoje é com a minha cama – Beckett deixou o consultório. Dana ainda sorria. Talvez tivesse forçado a mão, pressionado demais. Kate não gosta de decidir na pressão. Caramba! Ela está totalmente entregue aos encantos de Castle, como não consegue admitir que o ama? Muros, ela pensava que eram de concreto. Estão parecendo de aço!
Mais tarde em sua cama, Kate rolava de um lado para o outro pensando nas palavras de Dana. Aquelas perguntas eram quase impossíveis de responder. De certa forma, ela estava pedindo para que respondesse ignorando tudo que vivera até aqui, especialmente na NYPD. Sim, porque poderia apostar que a resposta correta deveria ser esquecer, deixar para trás. Então, ela não tinha direito de saber o que aconteceu?
E Castle... ela mesma não estava tornando nada fácil para os dois. Seus últimos encontros eram provas concretas disso. Ele estava mais do que envolvido, pensando no futuro deles como algo certo. Não podia negar a si mesma que a cada dia percebia o quanto a proximidade entre eles crescia. Não conseguia explicar como duas pessoas tão diferentes poderiam ter tanta conexão, tanta cumplicidade. Isso é um problema. Quanto mais insistisse nessa parceria com benefícios, mais forte seria essa ligação e em sua mente, não ajudava a responder à pergunta de Dana. Por que ela fez isso?
Kate jogava o travesseiro contra o rosto resmungando. Queria bater na terapeuta. Com custo, ela adormeceu. 

Três dias depois...  

Castle foi surpreendido numa cena de crime. Não pela morte em si, pela presença de sua filha fazendo estágio com Lanie. Aquilo mexeu com o escritor. Era quase que uma violação de seu território sagrado. Beckett ficou surpresa com a declaração de seu parceiro.
- Meus mundos estão colidindo.
- Você quer dizer por causa de Alexis? – Beckett perguntou concentrada em analisar algo no chão.
- Você sabia?
- Você vivia dizendo que gostaria de passar mais tempo com Alexis, é a sua chance.
- Não assim. Isso é coisa minha. Coisa nossa. É como misturar religião e política – Beckett olhou para ele surpresa – isso seria igual eu aparecer na escola dela para dar aulas.
- Acho que você está exagerando – disse ela sorrindo, estava gostando do rumo da conversa.
- E se eu não estiver? E se isso atrapalhar a delicada sinergia de nossa parceria? E se acabar com a coesão da nossa união? Viu, grande problema – na verdade, ela acabara de encontrar a pista que estava procurando, porém as palavras de Castle não passaram desapercebidas por ela. Novamente, a sensação de limite voltou a sua mente. Era disso que falava com Dana. Melhor se concentrar no caso.
Seguindo o rastro de sangue, acabaram encontrando o suposto assassino por uma câmera de transito. Prendê-lo foi relativamente fácil. E estava com uma refém aparentemente. Chamava-se Thomas Gage. Na verdade, o cara não existia e nem o morto segundo Lanie, para piorar o corpo sumiu do necrotério. A vítima do sequestro confirmou que ele realmente matara o cara. Havia algo muito estranho acontecendo e Beckett não sabia explicar o que era. E nem poderia perguntar a Gage já que ele sumira do distrito. Uma pilha de corpos estava sendo deixada por Gage ainda sem um motivo concreto para Beckett.
Ao tentarem evitar mais uma morte, chegaram tarde demais. Encontraram apenas o corpo. Ao vasculhar a casa, Beckett percebeu que havia algo errado. Uma caneca de café ainda quente estava sobre o balcão da cozinha. Tinha mais alguém ali. De arma em punho, ela retornou para a sala onde deixara Castle encontrando-o com um saco preto no rosto. Sentiu o cano da arma apontando para sua cabeça. Colocaram-lhe um saco também.
Quando retiraram os sacos de suas cabeças, repararam que estavam em um elevador com uma espécie de segurança. Desciam muitos níveis abaixo do solo. As portas finalmente se abriram e os dois foram escoltados para uma sala muito parecido com um quartel general. Telões, computadores e vários outros equipamentos de comunicação e rastreamento além de muitas pessoas trabalhando.
- Rick Castle sem palavras. Deve ser a primeira vez – disse a mulher sorrindo ao encontro deles. Beckett olhou desconfiada. Quem era essa mulher?
- Sophia Turner...
- Olá, Rick! Bem-vindo a CIA. – sim, definitivamente Beckett perdera alguma coisa. Ela os deixou esperando numa espécie de sala. Castle estava maravilhado com tudo. Ele na CIA! Tanto que nem sequer prestara atenção na pergunta que Beckett fizera. Visivelmente chateada por não ter o controle e por ser a pessoa com menos informação, ela insistiu.
- Castle, você está evitando a pergunta. Quem é Sophia Turner? Como a conhece?
- É uma longa história.
- Posso ouvir o resumo.
- Deixe-me contar a você – disse a mulher entrando na sala com dois copos de café – faz quanto tempo? 12 anos?
- 11 e meio – a cara de Beckett não podia ser mais feia. Ele lembrava do tempo?
- Rick e eu nos conhecemos quando ele estava fazendo pesquisa para seu primeiro livro de Storm. Ele queria ter uma visão mais próxima e pessoal da vida de agente da CIA. Então eu mostrei a ele – Castle bebia o café, não queria falar nada. Obviamente, Beckett estava um tanto surpresa e irritada naquele momento. Era interessante observar as reações dela.
- Você é Clara Strike, a Clara Strike dos livros de Derrick Storm?
- Eu não diria que sou Clara Strike, mas gosto de pensar que inspirei Rick de alguma forma – ela estava perplexa, Castle sorria e definitivamente Beckett não sabia o que pensar, quer dizer, era incrível. Ela admirava Clara Strike, mas daí a conhecer a mulher que a inspirou? Havia um conflito interno no momento. Seu lado de fã colidia com seu lado de musa. Sim, Sophia era uma das musas de Castle. O que claramente indicava que ela não era a única.
- Isso é fascinante – Beckett usou um tom irônico para a frase. Os dois pareciam ter esquecido que ela estava na sala por alguns instantes. A irritação da detetive aumentou. Precisava agir – certo, odeio interromper esse encontro, mas estamos sendo ilegalmente detidos, pelo menos eu estou.
- Isso não é uma detenção. É uma inquirição aprovada pela NYPD. Pode ligar para Ted McQuinn.
- O chefe dos detetives?
- Ele me garantiu que você nos daria cooperação total. Preciso saber tudo sobre Thomas Gage.
- Não até você me dizer o que está acontecendo aqui – sim, não ia ceder fácil a essa mulher. Viu o jeito como ela olhou para Castle, estava querendo debochar dela? Beckett não sabia.
- Tudo bem. Só que estaremos falando de informação privilegiada e confidencial relacionada com a segurança nacional. Se revelar a alguém será tido como crime de traição contra os estados unidos, punido por morte. Então, ainda quer saber? – aquela mulher estava lhe provocando, pensou Beckett. Não daria o gostinho a ela.
Sophia contou a história de Gage e Beckett conheceu sua vítima, um agente da CIA, por isso não existia. Gage estava querendo iniciar uma ameaça catastrófica ao país, esse era o motivo que deviam detê-lo. Nada disso realmente importava para Beckett. Não apenas o fato de não ter o comando da situação a chateava, mas principalmente a presença de Sophia e a forma como se sentia afetada por uma mulher do passado de Castle.
Ao receber uma ligação de Espo, Beckett teve que atender no vivavoz. Não havia muita novidade exceto o nome pandora que apareceu na agenda da outra vítima. Sophia explicou que esse era o codinome da operação de Gage. Supondo que agora todos estavam na mesma página, ela pediu a ajuda de Beckett para encontrar Gage. Como ele era um mercenário, não gostaria de usar o FBI. A NYPD seria mais fácil. Eles se reportariam apenas a ela. Seus telefones foram conectados a uma linha direta. Antes que pudesse responder à pergunta de Sophia, Castle se antecipou respondendo pelos dois. Aquilo apenas serviu para deixar Beckett mais irritada.
De volta ao seu carro, enquanto dirigiam de volta para o distrito, Castle não parava de se empolgar com tudo que estava acontecendo.
- Você percebe o que isso significa? Somos espiões. Estou me sentindo em um filme de Bourne exceto que ele é o vilão e a CIA são os mocinhos.
- Seria a primeira vez.
- Espere aí. Preciso ver o programa de ligação direta que colocaram em nossos telefones – ele pegou os dois celulares – ei, por que o meu é um botão do pânico?
- Acho que ela realmente te conhece bem – pela primeira vez, ele percebeu que ela estava chateada. Apenas pelo tom de voz.
- Certo. Você está chateada.
- Não estou chateada – negou rapidamente.
- Então, está o que?
- Estou um pouco desconfortável com a nova estrutura de comando. Não gosto de guardar segredos do meu pessoal.
- Certeza que não é por causa de Sophia?
- Não! Por que seria?
- Ah, eu não sei. Talvez porque baseei uma personagem nela.
- Não se ache, Castle. Não é uma honra tão grande – queria morder a língua por falar uma bobagem dessa, é claro que esse era um dos motivos que a chateavam. Isso e a suposta história entre eles. Porque ficara bem claro que havia um passado para Beckett.
- Ótimo, porque ela está do nosso lado. Estamos no mesmo time.
- E isso não te preocupa? Não acha que isso afetará a coesão da nossa união? – ela não resistiu em usar as palavras dele.
- Deixarei essa passar em nome da segurança nacional.
- Acho que eu também – mas ela não conseguia disfarçar completamente a ameaça iminente que Sophia representava nesse momento. A grande pergunta que rondava sua mente era: por que? Não podia ser ciúmes, podia? Não aguentou ficar calada – eu posso ter sido pega de surpresa pelo fato de que você já pesquisou com outra pessoa.
Ah, então ele tinha entendido o que se passava. Ela estava com ciúmes, embora não admitisse, Sophia a deixava inquieta. Cabia a ele mostrar que estava preocupada à toa.
- Nunca foi do jeito que é com você e eu. Apenas andei com ela por um tempo para dar autenticidade a Clara Strike. Foi por um curto período, muito tempo atrás. E Nikki Heat? É uma personagem muito mais complexa e ampla – ela olhou para ele como quem não queria acreditar – ela é – isso fez Beckett sorrir, ele estava tentando agrada-la, o que era bonitinho - E sou um escritor mais experiente, mais maduro – o olhar dela dizia claramente “sério? ”, ele sorriu – uma das duas coisas.
A curiosidade atiçava demais a detetive naquele momento.
- E quanto tempo durou? – agora Castle parecia desconfortável. Beckett não deixou passar enquanto entravam no 12th – um ano? Essa é sua ideia de curto tempo?
- Eu era jovem e ela tinha muito a me ensinar – certo, isso não soara bem. Podia saber pela reação de Beckett que sorria irônica.
- É aposto que tinha.
- Sobre o mundo obscuro da espionagem – ele frisou. Ela virou-se para ele. Tinha que saber.
- Deixe-me perguntar isso, quantas mulheres você semi-perseguiu em nome da pesquisa?
- É uma armadilha?
- Pensando bem, eu nem quero saber – Beckett realmente se odiava por estar tão afetada por essa história. O problema era que sua raiva de Castle era como ondas chegando a praia. Em um momento estava no ápice, em outro ela curtia estar ao lado dele como no momento que se negaram a contar para Gates o que estava acontecendo. Castle estava empolgado por dizer que era confidencial seja para ela ou para os rapazes. Beckett ria diante da situação. Esse jeito de moleque dele era encantador.
Decidiram voltar a cena do crime da outra vítima de Gage para tentar descobrir algo mais sobre Pandora. Descobriram que o carro dela era um Pontiac GTO e ficava estacionado próximo ao aeroporto de Newark. Castle e Beckett foram até lá conferir se havia alguma ligação com Gage através do carro.
Eles encontram o carro e Castle fica impressionado com o conhecimento de Beckett sobre carros antigos. Ninguém dirigia aquele veículo há algum tempo, mas claramente abriram seu porta-malas. Havia marcas de dedos ali. Com a chave, Beckett abriu e se deparou com uma maleta. Quando estava prestes a abrir, Castle queria impedi-la dizendo que não sabiam o que tinha ali.
- Só há um jeito de descobrir.
- Não, estou falando que pode ser pandora. Como a caixa de pandora. Abri-la pode liberar uma obra do mal eterna.
- Castle, isso é um mito.
- Estou falando metaforicamente. Gage planeja um evento catastrófico, não? E se há uma máquina do juízo final na mala que será ativada quando abri-la?
- E o marco zero é uma garagem em Nova Jersey? Duvido.
- Eu só... – mas a teimosia de Beckett era maior e abriu a mala. Dentro, havia uma espécie de telefone militar e criptografado. Castle reconheceu o objeto. É equipamento de espião.
- Tracy veio aqui para fazer uma ligação e aposto que o último número que ela discou ainda está no telefone.
- Fechem a mala e virem-se. Mãos erguidas – eles obedeceram. Sabiam quem era.
- Gage.
- Armas e telefones no chão – Beckett não estava a fim de cooperar. Ao apontar a arma para ele, Gage a surpreendeu tirando-a de sua mão em um piscar de olhos – celulares no chão – ele destruiu os telefones com os pés – receio que não gostarão do que acontecerá agora – não iam mesmo. Gage os prendeu no porta-malas do carro.
Tentando fazer algo para libera-los, Beckett conseguiu alcançar sua lanterna. Ligou-a e chamou por ele.
- Castle – ele estava fazendo careta de olhos fechados tentando se colocar a frente dela – Castle, o que está fazendo?
- Preparando para te proteger de uma rajada de balas.
- Isso é muito nobre, mas já pode parar. Acho que ele já foi.
- Minha vida estava passando diante dos meus olhos. Acho que perdi a noção do tempo.
- O que você sabe sobre travas de porta-malas? – afinal, ele parecia ser dedicado a arte de brincar com cadeados como ela descobrira ao estarem presos com o tigre.
- Bem, a má notícia é que esse não foi feito para abrir por dentro.
- E a boa notícia?
- Dessa vez não estamos algemados um ao outro – então ele também estava pensando sobre o mesmo assunto – é surpreendentemente espaçoso aqui.
- Não tão espaçoso. Mais cedo ou mais tarde ficaremos sem ar. Precisamos sair daqui.
- Talvez alguém nos encontre.
- Castle, estamos presos em um porta-malas em um estacionamento de longo prazo. Levará horas até notarem que sumimos. Quem você acha que vai nos encontrar?
- Só acho que, em situações como essa, é importante ter fé – então ela entendeu.
- Você apertou o botão do pânico, não é?
- Se houve uma hora para pânico, foi essa.
- Eu estou...
- Você deveria me agradecer.
- Não! Eu não serei resgatada pela sua namorada. Mexa-se, Castle.
- O que você está fazendo?
- Preciso chegar lá embaixo – ela se debatia toda, empurrando-se contra ele até pegar uma das ferramentas para a troca de pneus do carro, ao vê-la segurando o metal, ele se assustou, pensou que ela bateria nele porque sabia que ela estava com raiva.
- O que você está fazendo? – quando ela passou o metal rente a sua cabeça se debruçando sobre ele querendo alcançar a área da fechadura.
- Estou perto?
- Mais para a esquerda... – Beckett continuava mexendo o metal até ouvir um clique. O porta-malas se abriu – legal! – do lado de fora, alguém já esperava por eles com capuzes. Novamente, foram levados até o quartel da CIA. Quando Sophia se encontrou com eles, entregou a arma a Beckett. Havia sido encontrada no estacionamento.
- Ótimo trabalho achando o carro. Pode ser a pista que precisávamos – Sophia agradecia a Castle, ignorando a presença de Beckett. Sorrindo, ele respondeu.
- Não posso levar todo o credito.
- Especialmente porque foi o detetive Ryan quem o descobriu.
- O telefone é obviamente importante, senão Gage não o teria pego.
- Tracy McGrath usou-o no dia que morreu. Talvez ela ligou para alguém conectado a pandora – disse Castle.
- E Gage a eliminou e pegou o telefone para eliminar as pontas soltas – bem ali, diante de seus olhos, Beckett viu a mesma interação que ela tinha com Castle quando discutiam casos. Isso a quebrou um pouco, sentia-se excluída, porém não estava disposta a ceder. Interferiu.
- O que ainda não explica onde Gage está agora ou para quem Tracy ligou.
- Descobriremos quando rastrearmos a ligação – disse Sophia com um ar presunçoso.
- Mas Gage levou o telefone – disse Castle – como rastrear sem saber o número discado nem o dela?
- Usando os melhores brinquedos – ela definitivamente atiçara a imaginação do escritor, deixando novamente Beckett no vácuo. Observando a magia da tecnologia agir em favor não somente da investigação, mas também de Sophia, Kate sentia-se mais desconfortável a cada minuto enquanto Castle mais hipnotizado. Tudo isso gerou uma nova perspectiva a investigação. Um cara que supostamente deveria estar morto. Dr. Nelson Blakely. Ele criara modelos capazes de mudar a geopolítica usando sua teoria motriz. Encontrar um acontecimento trivial que desencadearia algo maior. Bastava derrubar o domino certo que o resto cairia. Conseguiram leitura labial.
- Me encontre na quinta as cinco da tarde. Bispo A-5, bispo C-4, peão E-3.
- Movimentos de xadrez? – Castle estranhou, mas o agente revelou que ele era um jogador de xadrez renomado. Seria um código. Sophia delicadamente indicou que não podiam estar ali. Aproximando-se de Castle, tocou seu casaco quase como num gesto de carinho.
- Muito obrigada pela ajuda. O agente Jones mostrará a saída – Beckett observava a cena. Já não era desconforto ou irritação, era um incomodo. Não apenas em relação a Castle, mas também quanto ao seu próprio senso de justiça.
- Espere um momento. E quanto a Gage?
- Precisamos achar Blakely, ele é o elo frágil.
- Certo, mas se souber algo sobre Gage, avise.
- Claro, estamos juntas nessa – Beckett dificilmente acreditava naquelas palavras. No elevador, Castle quebrou o silêncio estranho que pairava sobre eles.
- Sabe o que eu acho? Que deveríamos desvendar aquele código de xadrez.
- A CIA resolverá, Castle.
- Com o histórico deles? Não tenho tanta certeza – olhou para o agente atrás deles – só estou dizendo. Se decifrarmos o código, podemos salvar o país de um acontecimento catastrófico sem igual.
- Se quiser ir atrás de Blakely, vá em frente. Sou uma detetive de homicídios. Preciso encontrar Thomas Gage e não posso fazer isso obedecendo a Sophia.
- Como assim?
- Ele matou duas pessoas, Castle. Acha que ela se importa? Não. Ela tem outros planos.
- Sim, como salvar o mundo. Estamos no mesmo time.
- Não – era isso, não aguentava mais – você está no time dela. Porque do jeito que olha para ela, com certeza não está no meu – o agente não deixou que eles continuassem a discussão ordenando que colocassem o capuz outra vez. Castle resolveu não continuar a conversa com Beckett. Sabia que ela estava em um nível de irritação que poderia ser prejudicial a ambos. Inventando a desculpa que precisava passar em casa, se separou dela prometendo encontra-la mais tarde no distrito.
Claramente, Beckett entendeu a mensagem como a deixa para que ele continuasse sua própria pesquisa sobre Blakely para ajudar Sophia Turner. Ela não sabia dizer se isso a irritava ou se a deixava triste. O que dizer de sua parceria agora? Ela chegou a comentar com Lanie o quanto ele ficou chato nesse caso e que eles se desentenderam, tudo sem revelar o real motivo. Claro que a história chegou aos ouvidos da mãe através de Alexis o que deixou Castle ainda mais chateado.
Beckett procurava se concentrar no caso de assassinato, porém usou o nome de Blakely pedindo para Esposito pesquisar qualquer ligação com Tracy. E ele achou uma. Ela sabia da morte forjada. Quando decidia qual deveria ser seu próximo passo, percebeu que não conseguia pensar realmente. A ausência de Castle no distrito começava a perturba-la. Se ele foi fazer sua própria pesquisa, será que escolhera contar também para Sophia? Estava com ela nesse momento? Chateada, pegou a caneca vazia e saiu pisando forte.
Beckett se isolou na minicopa. Precisava de um tempo para si. Com uma caneca de café nas mãos, ela andava de um lado para o outro bebericando a bebida claramente chateada. A linguagem corporal indicava nervosismo e ansiedade. Não podia negar, fora pega pelo bichinho do ciúme. O encontro com Sophia Turner e a maneira como ela e Castle interagiram mostrou que a agente da CIA não era uma pessoa qualquer na vida de Castle.

- Hey, você vai acabar fazendo um buraco no assoalho. O que está te deixando tão agitada? Seria o caso ou Sophia Turner?

- Por que a CIA tem que se envolver no meu caso?

- Talvez porque estamos falando de ameaça para o pais?

- Não, Gage é um assassino. É um caso de homicídio. Por que a CIA?

- Gage era um deles. Segurança nacional.

- Você tem resposta para tudo? - perguntou visivelmente irritada.

- Ok... entendi. Acho que isso não tem a ver com o caso. Sua raiva é porque foi impedida de investigar seu homicídio e ainda é obrigada a não discutir o trabalho com a CIA com o seu pessoal. Na verdade, estou começando a me questionar se isso tudo tem realmente a ver com o caso.
- O caso já acabou. Tenho um homicídio para resolver.
- E por que está irritada se a CIA já lhe liberou? Isso não tem nada a ver com o caso. Você não gostou de ter que obedecer a agente e manter o sigilo, a confidencialidade para o seu pessoal ou no fundo, você não gostou de me ver trabalhando com Sophia? É esse o problema? Você está com ciúmes da agente?
- Quem falou em ciúmes? Não é nada disso! Não estou com ciúmes de você – mas estava e não era pouco, especialmente pelo lance da musa.
- Certo, não vai admitir. Posso conviver com isso... – ele tinha um sorrisinho maroto no canto dos lábios. Finalmente, Beckett parou de andar e o fitou. A pequena veia na testa sobressaltada. Ela ficava linda com raiva.  
- O que você faz aqui? – Beckett perguntou.
- Encontrei algo. É sobre Blakely.
- Não devia contar para a Sophia? – ela virou-se de costas para ele, deixando a minicopa de volta ao salão. Escorou-se em sua mesa para fitar o quadro de evidências. Claro que ainda estava chateada sem saber como lidar com tudo isso. Castle não se deixou intimidar com a pergunta agressiva.
- Ela não é minha parceira. Você é – ela o fitou. Sentou-se em sua cadeira. Os olhares fixos procuravam se entender. Usando de seu cavalheirismo, ele perguntou - posso? – ela assentiu. Sentando-se em sua cadeira cativa, ele colocou o tabuleiro de xadrez sobre a mesa de Beckett e começou a explicar sua teoria – Bispo, bispo, peão. Sabemos que Blakely era um renomado jogador de xadrez. Tracy também. Ela tinha um relógio de xadrez. Mas esse posicionamento não faz sentido tático.
- Suponho que tenha uma teoria? – ela olhava para ele quase sorrindo. Fora atingida pela baixa da onda outra vez.
- Não acho que as peças tenham a ver com o jogo. Acho que Blakely deixou uma mensagem codificada para Tracy dizendo onde encontra-lo. Talvez um lugar onde jogavam xadrez.
- Certo, pessoas jogam xadrez em parques. Central Park, Washington Square Park… seriam bons lugares para encontrar alguém sem chamar atenção.
- Exato. E se cada peça significar a primeira letra de uma palavra? Bispo para B, peão para P.
- Ok, B e mais sete espaços pode ser Brooklin. E Blakely ligou do Brooklin. BBP... Brooklin Bridge Park?
- O encontro é as cinco. Isso é em meia hora. Se Blakely aparecer, poderemos saber o que é Pandora e acharmos Gage. O que me diz? – obviamente, ela topou. Atravessaram a ponte e se colocaram em um lugar estratégico do parque, diante de um tabuleiro de xadrez, frente a frente, para esperar o tal professor.
- Blakely deveria estar por aqui agora. Talvez ele saiba que Tracy está morta ou talvez Gage já o tenha matado.
- Escolho a audácia da esperança – disse Castle – digo que ele estará aqui.
- Então não deveria ligar para Sophia? – ela provocou.
- E parece um imbecil se eu estiver errado?
- Tenho que admitir que estou surpresa por você nunca tê-la mencionado antes – porque ela continuava insistindo nesse assunto que só a fazia ficar mais confusa? Droga de curiosidade!
- Não era permitido. Ela é uma agente ativa da CIA.
- Sei.
- Se você quiser, responderei qualquer questão que tiver sobre ela... qualquer coisa – sim, o olhar de Beckett mudou. Por mais que quisesse saber, ela se fazia de durona. O simples fato de ele estar aberto a falar sobre o assunto já era uma espécie de consolo. Educadamente agradeceu.
- Não, obrigada.
- Tem certeza? – ele também sabia cutuca-la porque aos seus olhos estava bem óbvio o que estava rolando na cabeça da detetive.
- Tenho, não é da minha conta – e ainda assim... queria tanto saber. Tanto.
- Certo, então encerramos o assunto.
- Ótimo – ela sequer olhava para ele com medo de demonstrar o quanto estava sendo difícil concordar em não saber. Então, Castle pareceu entretido no tabuleiro de xadrez. Ela tirou aquele momento para olha-lo. Talvez se odiasse pelo que estava prestes a fazer, mas era mais forte que ela. Mordendo os lábios, deixou a coragem falar por si.
- Então, quão próximos vocês eram? Exatamente – ele olhou na direção dela, exceto que não estava realmente olhando para Beckett.
- Ele está aqui.
- Vamos Castle, você disse que poderia perguntar.
- Não, sério. Ele está aqui – Castle se levantou. Ela fez o mesmo. Aproximou-se do homem carregando um tabuleiro de xadrez.
- Dr. Blakely.
- Acho que me confundiram com outra pessoa.
- Não, não há engano – disse ela mostrando o distintivo.
- Como me acharam?
- Através de Tracy. Ela está morta.
- Se eles a pegaram, podem me pegar. Precisamos sair daqui agora.
No carro de Beckett, Blakely conversava praticamente sozinho. Beckett resolveu questiona-lo sobre Pandora. Ele pediu para que ela o levasse ao píer 32. Insistia nisso. Prometeu que estando lá contaria o que sabia. Castle queria saber porque ele fingira a própria morte. Ele contou que brincou de Deus usando a agencia. Mas sua teoria motriz não considera o custo humano. Por isso, morrera para renascer. Ele fizera boas coisas com a ajuda de Tracy. Queria saber quem a matara. Beckett revelou que foi o mesmo homem que tentava pegar Pandora. Tudo que disse era que isso era pior do que pensara deixando Castle e Beckett no escuro. Ao chegarem no píer 32, Beckett desligou o carro e o obrigou a falar.          
Era o nome de um livro branco que ele escrevera. Fora contratado para desvendar pontos fracos na segurança americana, assim poderiam ser amparados, protegidos. Ele achar uma enorme vulnerabilidade, uma teoria motriz atrelada a economia que poderia causar crise e devastação além de tudo que já vimos. O efeito domino nunca terminaria segundo ele. Queria saber quem o contratara, mas Tracy pesquisou e disse ser um beco sem saída. Quem quer que seja tem o mapa para destruir o seu país agora.
- Dr. Blakely, quem é o motriz? – perguntou Castle ainda alarmado com tudo o que ouvira. De repente, o homem enlouqueceu e saiu do carro. Beckett gritava para esperar e voltar. Tarde demais. No minuto que estava na frente do carro foi atingido. No segundo seguinte, uma SUV bateu na traseira do carro de Beckett. Ela ligou o carro tentando guia-lo. O carro os empurrava na direção do rio. Ela tentava fazer de tudo para escapar, virar a direção.
- Segure-se, Castle! Segure-se!
- Beckett, não! Freie!
- Segure-se! – estavam na beira do píer. Tarde demais para voltar – Castle! – e o carro caiu na agua.  


Continua....

3 comentários:

Camila Lorrane disse...

Beckett com ciúmes e tao linda Kkkkkkkkkkk amei Ka como sempre nos surpreendendo parabéns miga cada dia que passa vc melhora as Fica já quero o próximo capítulo 😉

cleotavares disse...

Hahahahaha! Amo a Beckett com ciúmes.

Silma disse...

Ela com ciúmes é tão amorzinho dels 😍 Preocupada com o que é dela,sim Castle é inteiramente dela e ela sabe disso só não quer admitir!