quarta-feira, 22 de junho de 2016

[Stanathan] Kiss and Don´t Tell - Cap.77


Nota da Autora: Esse capitulo é particularmente grande. Muitas coisas acontecendo e pensei até em quebrar e estender a situação por mais tempo, porém não seria fiel a minha timeline da fic. Além do mais, temos uma situação complicada se desenhando, então... divirtam-se!  


Cap.77


As gravações continuavam. Estavam no sétimo dia. Dessa vez, a season finale teria dez dias de gravação. O ritmo era intenso e havia muitas cenas puxadas. Depois de uma longa bateria, eles finalmente pararam para almoçar naquela sexta por volta de três da tarde. A noite prometia varar a madrugada do sábado. Já saudosa por ter que passar o fim de semana longe do marido devido a compromissos dele na Emerald Com, ela mandou uma mensagem para ele vir até seu trailer trazer seu almoço. O pretexto era outro.

Nathan riu das ideias da esposa. Ela não perdia a chance de provocar. Ao passar por Lizbeth, como quem não quer nada, ele agindo como inocente perguntou.

- Você sabe da Stana? Pediram para entregar o almoço dela. Por acaso a viu por aí?

- Acabei de sair do trailer dela, está lá.

- Ah, tudo bem. Deixa eu ir, ela deve estar com fome – caminhou com rapidez, bateu na porta e ouviu um “entre”. Ele obedeceu. Ao observar o interior do trailer, viu a esposa deitada sobre a cama de solteiro. Havia uma bela colcha branca nela – alguém pediu almoço?

- Hey, babe...

- O que você está fazendo deitada tão à vontade nessa cama, Staninha?

- Estou pensando em tirar um cochilo...

- Ao estilo Castle e Beckett?

- Talvez...

- Não provoque... você sabe que não posso demorar aqui dentro. Alguém pode desconfiar.

- Podemos ser rápidos, mas antes tira uma foto minha – ela entregou o celular para o marido, fez uma pose a vontade, rindo tirou a foto – ótimo – ela deu uma mexida rápida no celular e voltou sua atenção para ele que já estava sentado ao lado dela praticamente a beijando – falando em rapidez... – ele sorveu os lábios dela com vontade, as mãos deslizavam direto para os seios dela fazendo Stana gemer durante o beijo. Tinha razão, eles podiam ser rápidos, porém era muito arriscado. Lembrando-se disso, Nathan quebrou o beijo e levantou-se da cama tentando ele mesmo recuperar-se do pequeno incêndio que começaram em poucos minutos.

- O que você está fazendo?

- Indo embora. Está maluca? Por mais tentador que seja, qualquer um pode entrar por aquela porta.

- Mas você vai viajar...

- Meu voo sai as nove da manhã. Tenho certeza que arranjaremos um tempo para dar uma “rapidinha”. Comporte-se e resolvemos isso mais tarde, aproveite seu almoço. Vejo você no set – ele saiu deixando-a frustrada, morrendo de vontade de concluir o que começaram.   

Eles trabalharam bastante naquela sexta. Por volta de seis horas, Alexi os procurou perguntando se podiam filmar mais algumas horas. Queriam acabar uma sequência de cenas. Assim aconteceu. Excepcionalmente, foram escalados para adentrar o sábado trabalhando. Devido ao compromisso de Nathan na Emerald Com em Seattle, eles deram prioridades a cenas deles. Acabaram de filmar por volta de uma da manhã.   

Alexi os agradeceu e comentou que receberiam o resto do script na segunda.

- Está tudo muito estranho – disse Stana ao dirigir-se ao estacionamento acompanhada de Nathan – Alexi está muito misterioso sobre esse final. Acha que ele sabe de algo que nós não sabemos? Será que ele sabe o destino da série?

- Não sei. Talvez sim, daí todo esse mistério com o script. Ficaremos sabendo na segunda, teoricamente o último dia de gravações da temporada. Você recebeu algum retorno da ABC sobre a sua proposta?

- Não ainda. Talvez estejam esperando para finalizarmos o trabalho e então negociar. Eles só irão divulgar o destino de Castle em maio mesmo. Não sei, estou com um pressentimento estranho.

- Esquece isso um pouco, tudo bem? Vamos para casa. Alguém ficou me devendo uma rodada de sexo ou melhor uma “rapidinha” antes de eu embarcar para Seattle.

- Devia te deixar era sem nada, só pela provocação de hoje à tarde. Porém, ouvir dizer que você arrebentou na última cena, estavam todos os câmeras comentando. Fiquei curiosa, por isso vou abrir uma exceção – rindo, ela se dirigiu ao seu carro. Logo estariam em casa.

Claro que fizeram amor, namoraram, cochilaram nos braços um do outro até o momento que ele precisava se arrumar para ir ao aeroporto. Stana insistiu em leva-lo e acabou acompanhando-o até o estacionamento do aeroporto. Dentro do carro, uma última conversa e a despedida.

- Você vai ficar bem, não? Esse lance de gravar a última cena na segunda não vai ficar colocando caraminholas na sua cabeça, vai amor? Volto domingo à noite.

- Vou ficar bem. Com saudades, mas bem. Aproveite a Con e não exagere. Quero você inteiro para filmar essas últimas cenas comigo sejam lá quais forem – eles trocaram um beijo e Nathan seguiu para pegar seu voo.

Durante o fim de semana, Stana tirou o tempo para reler o script, digerir o que estava sendo proposto. Tinha uma noção do que pretendiam fazer com a sua personagem e conforme a informação de Alexi, filmariam mais de um final. Ela sabia que existia a possibilidade da série continuar sem um de seus protagonistas, na verdade, tinha quase 100% de certeza que seria sem ela. Não apenas pelo que escrevera em seu acordo, mas porque não era de hoje que vinham colocando-a para escanteio.

Sentada na cama, ela resolveu verificar o que rolava no twitter. Haviam várias fotos de fãs de Nathan com ele, fotos das mercadorias, dos painéis que ele participava e obviamente fotos dele com os amigos bebendo para comemorar o sucesso do evento. Dentre eles, estavam Lana Parrilla e seu marido. Stana sabia que Nathan a conhecia há algum tempo e gostava muito dela. Parecia estar bem, só esperava que não exagerasse.

Duas horas depois, ela vê outras fotos. Fim de festa. Tiradas na rua por fãs que ainda estavam por lá. Nathan aparecia bem bêbado caminhando pela rua. Depois outra mostrava Lana e o marido tentando ajuda-lo e por fim entrando em um taxi deixando-o sozinho caminhando na rua. Meu Deus! Era fim de noite no domingo. Ele estava bem chapado. Conhecia muito bem a cara do marido quando bebia. Será que perdera o avião? Instintivamente, ligou para ele. A chamada indicou que o celular estava fora da área ou desligado. Embarcara ou caíra bêbado na cama e esqueceu-se do mundo ficando sem bateria?

A raiva começou a se apossar de Stana. O que ele estava pensando? Por que bebera tanto? Vai chegar um trapo de Seattle e terá que trabalhar amanhã. Sequer sabiam o nível de dificuldades das cenas. E se exigisse algo mais físico? Essa season finale estava cheia de cenas assim. Como ele filmaria de ressaca? Droga, Nathan! Por que enchera a cara? Irritada, ela já se preparava para recebe-lo com uma bela de uma discussão. Não tinha o direito de fazer isso com ela. Amanhã podia ser seu último dia naquele estúdio. Lidar com um homem com ressaca não estava em seus planos.

Sim, os nervos de Stana estavam a flor da pele. Ela queria muito ter um dia tranquilo amanhã, queria contar com o apoio do marido naquele momento tão importante mesmo porque não sabia o que a esperava. E se tivesse que gravar uma cena de morte, dele ou dela? Não sabia se estaria psicologicamente preparada para isso.

Duas horas depois, ela ouve o barulho nas escadas. Senta-se na cama e espera ansiosa. Uns dez minutos se passam até que Nathan surja na porta do quarto cambaleando ainda. Ele tirou o casaco e Stana percebeu que estava com a mesma camisa que vira na foto.

- Nathan, você pode me explicar porque está chegando nesse estado, completamente bêbado? – ele apenas olha para ela, está vendo com dificuldade e pisca várias vezes – por que você bebeu na comic, Nathan? Poxa! Hoje é domingo, amanhã é o nosso último dia de filmagens, nem sabemos o que nos espera. Eu ainda queria conversar com você e olha só! Mal se aguenta em pé! Como vai gravar de ressaca?

Ele já tirara a camisa jogando-a no chão, desabotoara as calças e as fazia escorregar pelas pernas. Tornou a olhar para a esposa que obviamente estava muito irritada com tudo. Ele esfregou os olhos e com dificuldade levantou indo até o banheiro. Lavou o rosto e colocou um pouco de pasta de dente na boca bochechando. Voltou para cama e por pouco ao tropeçar não caiu de cara no chão. Na verdade, ele se segurou as pernas dela. Então, avançou para beija-la segurando em sua cintura. Queria um beijo de boas-vindas, mas claramente não soube pedir porque só a agarrou. Stana empurrou-o para a cama.

- Sai, Nathan...

- Mas achei que você... - Com o corpo pesado, ele se deixou cair na cama.

- Nathan, você não ouviu o que disse? Estava falando com você!

- Stana, se não quer... me beijar...eu...preciso dormir... trabalho amanhã...

- Eu sei! Por que você acha que estou reclamando do seu estado?

- Shhh...não fale tão alto...minha cabeça... – emburrada, ela se ajeitou na cama e cutucou-o.

- Nathan...hey, Nathan...- tarde demais, ele capotara começando a roncar. Bufando, Stana virou-se para o outro lado da cama, cobriu-se e tentou dormir. Seus planos eram de expulsa-lo do quarto, faze-lo dormir no quarto de Anne, mas ele fora mais rápido. Chateada, ela tenta se concentrar em dormir, porém seus pensamentos estavam nele. Não tinha nenhuma ideia do porque ele bebera tanto em Seattle. Será que era por causa dela? Do possível fim da série? Talvez ela o tenha abalado quando afirmou que queria deixar Castle. Ou não era nada de importante e ele aproveitou para encher a cara com os amigos.

Mesmo irritada, ficou preocupada com o marido. Ele podia passar mal durante a noite. Ou podia ter álcool suficiente em seu sangue para entrar em coma alcoólico enquanto dormia. Sim, começara a pensar besteira porque mesmo com raiva o amava. Ela não conseguia esquecer dele, precisava saber se estava bem. Ela se aproximou colocando a mão abaixo do nariz dele. Percebeu a respiração. Em seguida, tomou seu pulso. Estava forte e firme. Relaxou um pouco mais com isso. Droga! Ela amava esse idiota bêbado. Sua irritação não durava muito porque logo queria cuidar dele, zelar por ele. Isso demonstrava o quanto era boba quando o assunto era Nathan. O dia seguinte seria duro, não apenas pela carga emocional pois agora teria que lidar com a ressaca e a raiva que sentia do marido.

De manhã bem cedo, ela levantou-se sem se preocupar com ele. Arrumou-se, tomou café e foi para o estúdio bem antes. Sem ao menos avisa-lo. Quando Nathan acordou, reparou no lado vazio da cama, procurou-a pela casa, chamou seu nome e por fim deduziu que ela optara por não espera-lo nem sequer tomar café em sua companhia. Tentando lembrar dos acontecimentos da noite anterior, ele sentiu a cabeça latejar. Sim, sabia que bebera na Con e ao chegar em casa ela parecia estar brigando com ele. Mas não gravou nenhuma de suas palavras. Tinha sido um erro beber ainda mais com o trabalho. Precisaria de muita agua e café para enfrentar aquele dia.

Ao chegar no estúdio, após cumprimentar quem aparecia em sua frente, a próxima pergunta que fizera era sobre Stana. Ela, por sua vez, chegara de óculos escuros e sem muita vontade de papear. Ficara meia hora trancada no seu trailer tentando se convencer que precisava melhorar a sua cara. Não podia misturar o profissional com o pessoal.

Lizbeth foi a primeira a conversar com Stana. Notou um certo mal humor. Se perguntava se isso devia-se ao fato de ser fim de temporada, talvez estivesse se sentindo cansada, triste. Esse lance da ABC de manter a renovação de Castle em suspense por tanto tempo acabara por afetar a todos. Assim que termina a maquiagem, ela agradece a Lisa que pergunta se está tudo bem. Stana garante que sim, dando um sorriso para a maquiadora.

Ainda irritada por dentro, mas colocando a máscara para não deixar as demais pessoas perceberem. Ela pegou seu celular e começou a pensar sobre algumas coisas. Acabou tendo a ideia de expressar o que sentia através de uma foto, um recado. Para bom entendedor...

Saiu do trailer indo direto a sala dos escritores. Ficou surpresa ao ver que Nathan já estava lá e caracterizado como Castle.

- Bom dia...

- Bom dia, Stana – disse Nathan em meio a um sorriso que ela ignorou completamente. Porém, Alexi não os deixou interagir muito. Mandou-os sentar.

- Certo, pessoal. Essa é a hora da verdade. Iremos ser bem sinceros com vocês. Não sabemos o destino de Castle. A emissora não se pronunciou e imagino que também não os contatou para conversar sobre renovações de contrato. Porém, temos um cronograma a cumprir. Duas semanas atrás, eu e Terence tivemos uma reunião com a executiva da programação e questionamos o que deveríamos esperar, pois as nossas gravações chegariam ao fim na próxima semana. Após algumas discussões, ela nos pediu para revisar algo com outros membros do conselho da emissora e voltou com o pedido da ABC no dia seguinte.

- Imagino que continuamos no escuro – disse Nathan.

- Sim, a emissora pediu que filmássemos dois finais. Um que seria o nosso cliffhanger para uma possível nona temporada e outro que seria usado no caso do cancelamento que indicaria o término. O problema era como encaixar esse final no nosso roteiro original. Apenas para vocês entenderem, o script que tem nas mãos está finalizado não entregamos as últimas cenas para vocês porque queríamos conversar antes. Mas, ainda temos que falar da outra cena. Tivemos muito pouco tempo para pensar em algo e menos ainda para contratar o elenco que precisávamos. Só temos hoje para filmar, portanto a cena será a mais simples possível, não terá falas, visto que o final original já é complicado o bastante.

Stana e Nathan se entreolharam, aquilo parecia muito estranho aos olhos deles. Uma cena final sem falas? O que Alexi tinha em mente? Logo descobririam. O produtor entregou as páginas finais do script nas mãos deles.

- Esse é o final original. Leiam antes que eu possa comentar – ele deu um tempo aos dois. A medida que corria os olhos nas páginas, Stana entendia o que estava por trás daquele pedido da emissora. Com um final como esse tudo era possível numa nona temporada inclusive sua ausência. Após terminar, ela olhou sorrateiramente para Nathan, apesar de estar com raiva dele, esse era um momento sério para as suas carreiras, seu futuro. Ele foi quem primeiro falou.

- Alexi, em resumo você está querendo nos dizer que se houver uma nova temporada, um de nós poderá estar fora. Castle ou Beckett.

- Não, Nathan. Essa não é a única interpretação – mas ambos perceberam que o escritor ficou surpreso pela abordagem do ator, eles sacaram muito rápido a possibilidade que a emissora pedira em segredo para ele – ambos podem sobreviver, deixaremos no ar. É um ótimo cliffhanger.

- Acho que vocês não têm noção do que estão fazendo. Se tem coisas ou segredos que não podem comentar conosco, tudo bem, mas não desafie a nossa inteligência.

- Sim, está claro que um dos dois pode morrer – disse Stana – e se tivesse que apostar seria em Beckett.

- Não, gente! Vocês estão levando isso para um outro lado... e Terence, você pode me ajudar aqui? – Porém, Stana não deixou Terence se pronunciar ainda. Continuou sua teoria.

- Alexi, vamos falar hipoteticamente. Digamos que esse final vá ao ar dia 16 de maio. O fandom verá Castle e Beckett feridos no chão do loft e terá que esperar até setembro para ver o que acontece. O problema é que nossos fãs sabem que tanto eu quanto Nathan teremos que renovar nossos contratos para a próxima temporada, caso aconteça. Você já pensou na repercussão caso um de nós não assine? Você realmente acredita que a mesma base de fãs irá assistir a um show sem um dos dois protagonistas? Porque se sua resposta for sim, definitivamente você não entende nada de Castle.

- Stana, eu... – Alexi estava encurralado.

- Ela tem razão, Alexi. Castle não se sustenta com um dos protagonistas. A série é sobre o casal. Beckett sem Castle é uma policial como outra qualquer. Castle sozinho é uma bagunça porque ser PI apesar de inteligente para a resolução de crimes não o faz um super detetive. É ridícula a ideia – disse Nathan.

- Por que vocês insistem em dizer que não haverá um dos protagonistas na nova temporada?

- Porque é isso que vem sendo jogado nas telas durante toda essa temporada. Vocês minimizaram a participação de Beckett a quase nada. Ela é uma mera supervisora. Reduziram as cenas Casketts mesmo depois de verem o desastre na audiência por separa-los. A teimosia de vocês vai custar caro – completou Stana. Terence finalmente resolveu se pronunciar.

- Entendemos o ponto de vista de vocês. Também confirmo que tentamos explorar algumas coisas novas nessa temporada e você tem razão, Stana, não deu certo – apenas pela olhada que Alexi deu em Terence, Nathan sabia que as suas suspeitas eram coerentes – o problema é que precisamos de dois finais. E o script que vocês têm nas mãos é um deles. Podemos falar do outro?

- Por que vocês insistem em não entender? Esse final tira um de nós da nona temporada. Nós sabemos disso, vocês sabem disso. Parem de joguinhos – até Stana não entendia porque Nathan estava forçando tanto uma resposta – quer saber? Vamos filmar logo. Qualquer que seja o teatro que a ABC esteja planejando, vocês já escreveram torto e não é de agora.

- Nathan, por que está tão irritado? – Terence perguntou. Ele respirou fundo. Além do efeito da ressaca, de não ter conversado direito com a esposa, ele também conseguia ver o que podia se desenhar dali para frente com clareza, estava odiando tudo. 

- Desculpe – ele sentiu a mão dela apertar a sua por breves segundos, depois Stana virou o rosto - Qual é o outro final?

- Seria o tal término. O final feliz do casal como os fãs sempre quiseram – Nathan e Stana riram, as palavras de Terence soavam tolas e o riso dos dois fora de deboche – algo que sempre pediram – Terence entrega a outra cena no papel. Eles leem a ação. Stana balança a cabeça. Não dava para acreditar.

- É isso? Seu final feliz depois de oito anos se resume a isso? – ela olhou para Nathan que também não parecia nada satisfeito – o que posso dizer, vamos acabar logo com isso.

- Você não gostou... – disse Alexi.

- Ah, eu adoraria esse final se tivesse uma preparação adequada para ele. E Alexi quem julga não sou eu, são os fãs. Reze para a ABC renovar nossos contratos – ela se levantou da cadeira - Vou me arrumar para a cena original. Gravaremos primeiro, não?

- Sim, mas espere. Quero falar sobre as crianças e o nosso planejamento de gravação – ela tornou a sentar-se – gravaremos a cena original primeiro. Após isso, vocês farão uma pausa e conhecerão as crianças. A ideia é filmarmos a cena adicional entre três e seis da tarde. Não queremos irritar as crianças, especialmente os gêmeos. Sugiro vocês conversarem com eles durante o almoço, ganharem sua confiança. A menina não será um problema. Os meninos são bastante ativos. Vocês conhecerão os pais também. Eles devem chegar por volta das duas da tarde, hora que espero já termos concluído a cena final. Alguma pergunta adicional? – Alexi tinha medo do que poderia vir.

- Não. Está tudo resolvido – disse Stana.

- É, tenho que concordar. Está bem claro – falou Nathan com um tom sarcástico na voz.

- Vou me arrumar – Stana se levantou deixando a sala. Olhando para Nathan, Alexi perguntou.

- Por que ela está tão irritada hoje? Você sabe?

- Final de temporada, as coisas não estão muito claras e agora isso. Dava para imaginar sua reação, não? – disse Nathan embora soubesse que parte de sua raiva ainda era com a situação do dia anterior, mesmo assim os últimos minutos apenas serviram para piora-la – vou para o set esperar para gravarmos – no caminho, porém, tentou alcançá-la. Tocando seu braço, ele perguntou – hey, posso falar com você? – ela puxou o braço.

- Não, Nathan. Estamos em um cronograma apertado, não dá para conversar agora. Preciso me arrumar – saiu apressada. Ele bufou. Estava odiando esse clima. Era o pior momento para estarem brigados. Ele sentou-se no sofá com o telefone nas mãos. Ao checar as redes sociais, ele percebeu que ela postara uma foto bem intrigante. “Não tenho medo de amar um homem, também não tenho medo de atirar nele”. Isso fora diretamente para Nathan, ele sabia, estava com muita raiva. Se apenas ela o escutasse... não poderiam gravar com raiva, especialmente a cena alternativa. Precisavam estar bem.

Ela apareceu no set já tinha colocado as almofadas com sangue falso. Kris também chegara no set. Ela ficara conversando com ele embora não muito a fim de falar enquanto Nathan abria a camisa para colocarem o artificio de sangue. Mesmo de longe, ele podia perceber que o papo com o ator também não estava muito interessante. O diretor chamou os três para conversarem sobre o posicionamento e as ações em cena. A conversa não foi muito longa. Fizeram um pequeno ensaio antes de filmar para valer. Stana errou seu posicionamento ao cair no chão baleada, estava quase em cima de Nathan. Tentaram outra vez. Agora pareceu melhor. Rob decidiu fazer um primeiro take.

A entrada no loft fora boa, o diálogo, porém ela errou o tempo de vir para a cozinha. Ele gritou corta e lembrou-a de olhar o sinal que ela receberia no chão do quarto. Quando Stana se desculpou, Kris aproximou-se de Nathan e perguntou.

- O que aconteceu com ela? Está assim pelo final das gravações ou é outra coisa?

- Sim, ela está no limite com o fim dessa temporada. Vou ter que conversar com ela caso contrário a outra cena que teremos que gravar não irá funcionar.

- Eu estranhei. Ela é sempre tão risonha, alegre e carinhosa.

- Carinhosa? Sei... – Nathan não gostou do comentário – deixe que eu resolvo isso, Kris. Melhor não se meter ou perguntar. Você não estava na nossa reunião com Alexi.

- Ah... tudo bem – ele podia jurar que sentiu uma ponta de ciúmes por parte de Nathan naquele comentário.

Retomaram a cena e não houve problemas. Ela acertou o passo, porém o pequeno saco de sangue não funcionou como deveria. Teriam que regravar. A terceira vez, tudo saíra como planejado. Ao gritar corta, Rob parecia satisfeito. Pediu que aguardassem um minuto para que checasse a gravação. Stana resolveu fazer uma pergunta para Rob.

- Hey, por que não acrescentamos algo nessa cena? Ao invés de Beckett rastejar e apenas ficar de mãos dadas com Castle, devia se deitar junto dele, sobre ele, eu digo. Ficaria mais interessante, mais poético porque claramente a ideia de vocês é passar um lance meio Romeu e Julieta, não?

- É interessante sua ideia, mas talvez não tenhamos tempo de executar isso. Especialmente se tivermos que colocar a outra cena no final.

- São apenas uns segundos... ou vocês poderiam cortar essa cena de tiro se o outro final fosse ao ar.

- Mas ficará sem pé nem cabeça – disse Rob.

- Já está, Rob – ela afirmou.

- Posso checar com Alexi.

- Não perca seu tempo. Deixa para lá. Terminamos aqui? – Kris trocou um olhar com Nathan. Ele nada disse.

- Sim, terminamos. Vejo vocês mais tarde para a próxima cena – Pohana se aproximou dela. Sorriu.

- Bem, é o fim da linha para mim, Stana. Espero poder trabalhar com você em outra oportunidade. Foi um prazer fazer parte desse time de Castle. Mereço um abraço? – ela sorriu e abraçou o ator. Nathan observava de longe não querendo se meter e definitivamente chateado por estar se deixando dominar por ciúmes. Viu que Kris falara algo no ouvido de Stana, ele sussurrara – Stana, sei que é difícil, mas ficar irritada ou triste só torna as coisas piores. Ponha um sorriso nesse belo rosto – ela afastou-se dele. Sorriu.

- Obrigada, Kris. Foi um prazer trabalhar com você. Se precisar de mim em qualquer outra campanha, pode me chamar – ela deu um beijo no rosto dele. Nathan prendeu a respiração ao gesto. Quando o ator veio lhe cumprimentar, agradeceu por tudo e apertou a mão dele. Pohana arregalou os olhos ao sentir a força do aperto de mão de Nathan.

- Wow! Isso que é um aperto de mão, cara. Tenho pena de quem for seu inimigo ou tentar uma queda de braço com você – eles riram enquanto Stana o olhou curiosa ao ver Kris balançando a mão, aparentemente o aperto de mão foi mais do que ele podia aguentar. Assim que o ator saiu do set, ela decidiu voltar ao seu trailer. Não queria ficar perto de Nathan, iria se limpar e trocar de roupa para almoçar com as crianças.

Era óbvio que estava menos chateada com o marido pelo que ele dissera na reunião com Alexi, porém, ainda não a deixava completamente de boa com ele. O problema era que sua irritação transparecia muito em sua face e seus gestos. Todos notavam que ela não estava bem hoje. Droga, Nathan! Parte da culpa é sua, pensou, a outra parte era de Alexi por apresentar ideias tão idiotas para o final da temporada. Stana trocou de roupa e resolveu ir até a minicopa tomar um café estava precisando se manter alerta, dormira apenas três horas graças ao ronco de Nathan e sua própria raiva.

Nathan já trocara de roupa para gravar a próxima cena. Ele se surpreendera quando Luke lhe dissera para colocar as roupas que viera trabalhar hoje. A cena seria bem mais doméstica do que esperava. Era como se fossem ele e Stana na vida real, gostava de imaginar algo assim, mas nada iria funcionar se ela ainda estivesse com raiva dele. Conhecendo a esposa, ele optou por ir até a minicopa para preparar um café para ela.

Não deu outra. Quando ele terminara de fazer o latte, ela surgiu na cozinha indo direto para a máquina de café. Ao vê-lo, já pensou em recuar e dar meia volta. Ele não deixou. Ofereceu o café e quando a viu balançar a cabeça e virando-se para ir embora, ele segurou-a pelo braço.

- Não, você não vai a lugar nenhum. Vai sentar, tomar o café porque sei que está precisando e irá conversar comigo. Esse é o nosso último dia nesse set, último dia que estaremos gravando nossas personagens porque depois do que ouvi hoje sabemos que as próximas negociações não serão nada fáceis. Não podemos simplesmente passar esse dia nos evitando e fingir que podemos filmar tudo numa boa, porque claramente não podemos.

- Devia ter pensado nisso antes de encher a cara em Seattle. Eu vi as fotos, ninguém me contou. Estava lá bebendo com seus amigos, Lana, o marido, Alan, todos seus amigos. E depois, ainda quis bancar o machão recusando a ajuda da sua amiguinha.

- Stana, não admito que fale assim da Lana. Ela é minha amiga e como você mesma disse, estava querendo me ajudar. Sente-se, precisamos conversar. Quero contar o que aconteceu – ela obedeceu ainda de cara amarrada. Ele respirou fundo – eu fui para Seattle trabalhar. Estava feliz com o sucesso de Con Man, satisfeito com as respostas dos fãs. Assinei DVDs, tirei fotos, aí o sábado terminou. Fomos nos reunir no bar para comemorar o sucesso da con. Já havia falado com Lana mais cedo e ela me convidara para nos reunirmos. O painel da série dela tinha sido bem movimentado. Ela estava radiante. No bar conversamos sobre o evento, bebemos e de repente, todos começaram a se dispersar. Eu não queria voltar para ficar sozinho em um quarto de hotel. Infelizmente, ficar no bar estava sendo pior. Ao ver Lana e Fred aos beijos sem cerimônia me senti mal, me senti só, Stana. Triste e miserável você pode acrescentar. Estava sozinho. Pensando em você. E comecei a descer um copo atrás do outro.

Ele tomou um pouco do café. Suspirou.

- Sim, eu bebi para tentar acabar com a sensação incômoda no meu peito. Estava com saudades, Stana. Ver Lana e o marido se divertindo, namorando abertamente sem se preocupar em serem vistos ou filmados, eu senti inveja. Lembrei que não podemos fazer isso, não tão cedo. Também não ajudava querer tê-la em meus braços. O pior foi alguns deles me mostrando mulheres solteiras no bar. O que você preferia? Que fosse conversar com desconhecidas ou bebesse? – o olhar dela era frio – foi o que pensei. Dei graças a Deus quando Lana decidiu ir embora. Também voltei ao hotel. Capotei na cama. Nem consegui ligar para você, eu tentei.

- Sei, e se tinha sido tão ruim, por que foi fazer a mesma coisa no domingo sabendo que tinha um avião para pegar?

- Porque não queria ficar sozinho! Porque depois da noite de sábado, a primeira coisa que Lana fez foi me procurar. Queria saber se eu estava bem. Ela foi até o meu quarto e...

- Ela foi até o seu quarto? – Stana ficava vermelha de raiva, era o bicho do ciúme se apossando outra vez dela.

- Foi. Já disse que ela queria saber se eu estava bem.

- Ah, claro! Tão preocupada. Você de ressaca ou ainda bêbado e uma outra mulher em seu quarto de hotel, quando isso não significa uma tragédia?

- Stana, você está exagerando. Lana é minha amiga e caso você tenha esquecido é casada e muito feliz com o marido, assim como eu também, ou pelo menos acho que sou. Quer parar de dar ataque de ciúmes agora?

- Não é ciúmes... – emburrada ela cruzou os braços. Ele riu.

- Certo, não é ciúmes. Olha para você, está vermelha e desfaça esse bico. Ela estava lá preocupada comigo. Você sequer me ligou.

- Eu liguei, no domingo depois de ver seu estado na rua. Achei que podia ter perdido o avião. Eu....eu não liguei no sábado porque... ah que droga! Eu estava com raiva!

- Pelo menos admite. Já é alguma coisa.

- Se ela estava preocupada com você, porque o levou para um bar outra vez?

- Ela não levou. Alan foi quem me arrastou. Ela nos encontrou no meio do caminho e convenceu o marido a nos acompanhar. Por preocupação – ele viu os olhos dela suavizarem com as últimas palavras, a expressão do rosto também começava a ceder. A veia da testa desaparecera. Ela iria ceder finalmente, ele pensou e acabou soltando um suspiro de alivio – eles tentaram me persuadir a não beber, ela queria saber porque eu parecia desatento até cabisbaixo, Lana está acostumada a ver meu lado cômico. Não podia dizer o porquê, apenas comentei que estava com alguns problemas e não podia conversar mesmo sabendo que ela queria me ajudar.

- Você não tem ideia de como queria estar ali com você. Poder beija-la. Fiquei ainda mais arrasado quando cheguei e você não quis saber de mim, rejeitou meu beijo.

- Você estava bêbado, mal se aguentava em pé, Nathan. Droga! Eu estava morrendo de preocupação porque tínhamos as gravações hoje e como imaginei não seriam fáceis. Não, deixe-me corrigir, estão sendo e a nossa situação não ajuda em nada – ela passou a mão no rosto – Deus! Por que é tão difícil?

- Quem disse que seria fácil, Staninha? São oito anos. Muitas histórias. Algumas que pertencem apenas a nós dois e mesmo não parecendo ainda o fim, depois do que escutamos hoje, nossos pressentimentos estavam corretos. É por isso que não podemos passar esse dia brigados, precisamos estar bem – ele estendeu a mão para toca-la, apertou os dedos dela suavemente – me perdoa por ter feito você se preocupar, por ter agido como um babaca. Podia culpar o álcool, mesmo assim não seria justo com você.

Ela fitava os olhos azuis que a observavam intensamente com uma ternura tão doce. Esse era o homem que ela amava, a pessoa que escolhera para passar o resto de sua vida, o futuro pai de seus filhos na realidade e na ficção.

- Pode me perdoar para que possamos aproveitar esse dia como deveríamos? Fazendo uma cena que tem apenas alegrias? Será que podemos ter ao menos a sensação de dever cumprindo juntos? Vamos aproveitar essas três horas para nos lembrarmos porque tudo isso é tão importante para nós. Por favor?

- Tudo bem. Você está certo. Desculpa pela minha demonstração ridícula de ciúmes. Mas parece que eu não fui a única. O que foi aquele aperto de mão em Kris?

- Você provocou. O que ele estava falando em seu ouvido?

- Disse para eu sorrir. Ele tinha razão – ela sorria apertando a mão dele.

- Estamos bem? – ele perguntou.

- Estamos – ela mordiscou os lábios e sorriu – pronto para conhecer nossos filhos da ficção? Confesso que estou um pouco nervosa. E se não gostar deles? Se não tivermos química?

- Você não gostar de crianças, Stana? Em que mundo? Vamos lá, sei que está ansiosa – eles se levantaram da mesa e seguiram para a cantina do estúdio onde os atores mirins já deveriam estar. Ao chegarem no local, Stana viu de longe um casal segurando a mão de dois meninos. Estavam de costas para eles e havia uma outra mulher com uma garotinha de cabelo curto como a Kate usava na primeira temporada. Ela engoliu em seco. Respirou fundo. Sim, ele tinha razão. Ela estava nervosa e ansiosa.  A diretora de elenco virou-se mediante aos passos e sorriu.

- Olha quem está aqui. Nathan, Stana, conheçam Rainey, Tyler e Brady – as crianças viraram para encara-los. A menina tinha um lindo sorriso no rosto. Stana ficou boquiaberta ao vê-la diante da semelhança, foi Nathan quem comentou.

- Meu Deus, Stana! Ela é a sua cara na primeira temporada! Incrível... olá, princesa! Prazer em conhece-la, posso ganhar um beijo? – sorridente a menina se aproximou ao ver Nathan se agachar e beijou-o no rosto.

- Você é mais bonito que na tv. E você... – a menina olhava encantada para Stana – é perfeita. Parece uma princesa – Stana se agachou ao lado de Nathan e cumprimentou a menina. Ele respondeu.

- Na verdade, ela é a rainha do castelo o que faz de você a princesa. Entendeu?

- Você é uma gracinha. Muito parecida comigo mesmo – Stana brincou com o indicador no nariz dela e deu uma bitoca nele – e quem são esses garotos fofos? – os meninos se apressaram para ficarem de frente para os dois. O primeiro, e obviamente o mais danado, já esticou o braço para cumprimenta-los.

- Sou Tyler – o irmão imitou.

- Sou Brady!

- Mas vocês são muito iguais! – Stana cumprimentou cada um deles e completou – mas eu quero beijos também – Tyler se atracou logo no pescoço da mãe postiça beijando-lhe a bochecha, Brady sorriu e beijou o outro lado.

- Somos gêmeos.

- Ah! Entendido!

- Hey! E quanto a mim? Não ganho nem um abraço? – os meninos se voltaram para Nathan e obedeceram o que o ator pedira, depois ele ainda completou – que tal um hi-five? – eles adoraram o jeito que Nathan ria com eles.

- Isso, vão se inteirando porque eles são seus filhos em cena. De Castle e Beckett. E esses são os pais verdadeiros. Vocês fiquem à vontade para conversar com os pais, as crianças e se familiarizarem com tudo.

- Certo – disse Nathan – por que não sentamos todos juntos nessa mesa? Podemos almoçar, conhecer vocês e ouvir seus pais. Por favor, sentando – todos se reuniram na mesa. A mãe serviu os gêmeos enquanto a própria Stana ajudava Rainey a se servir enquanto conversava com a menina. Depois, enquanto as crianças comiam sob os olhos vigilantes dos pais, eles ouviam atentos sobre a pequena atriz e os gêmeos. Stana soubera de cara quem era o mais danado e a mãe confirmou ser Tyler. Mas disse para não se iludir, quando juntos podem ser uma loucura. Acredite, dizia ela, cuidar de gêmeos não é fácil. Também comentou que as filhas mais velhas ajudavam, além do marido. Eles tinham três anos, porém sempre foram despachados daí a mãe levou-os em um teste para um comercial, depois que eles fizeram o primeiro com sucesso decidiram continuar apostando na carreira. Era uma forma de juntar dinheiro para os estudos deles no futuro.

Tyler se aproximou de Stana sentando-se no colo dela. As mãozinhas gorduchas acariciavam o rosto dela olhando quase hipnotizado.

- Gostou dela, filho? – perguntou o pai – ela é a sua mãe na ficção. Nesse pequeno filme que vão fazer.

- Muito linda – ele roçou o narizinho no dela fazendo o coração de Stana encher-se de alegria. Ela estava adorando esse momento com os filhos falsos. Os gêmeos lembravam demais Nathan com exceção dos olhos que eram amendoados. Mas o rosto gordinho, o corte de cabelo, ela podia vê-los como filhos do Nathan. Ela virou-se para fita-lo e encontrou Nathan olhando com cara de bobo para ela com o menino. Tudo o que passava na mente dele era que brevemente essa cena poderia ser real, Stana poderia estar segurando o filho ou a filha dos dois.

- Eles parecem com você. Exceto pelos olhos, mas olha o cabelo. Não dá para negar que são filhos de Castle.

- Sim, acho que foram muito bem escolhidos. Eu volto já – Nathan sumiu pelo corredor deixando Stana se divertindo com os meninos. Ao retornar, trouxe um chocolate para cada um. As crianças amaram. Também perguntou qual era o super-herói favorito de cada um deles. Quando responderam capitão américa e spider man, Nathan riu sozinho virando-se para Stana e falando empolgado – eles definitivamente são filhos de Castle, podiam ser meus.

- Ué, e o que aconteceu com Batman? Bruce Wayne não é o herói do Castle, quem ele queria ser?

- Claro que é, mas eles são muito novos para curtirem Batman, honey... – Stana tomou um susto com a naturalidade que ele a chamara de honey, mas ninguém exceto ela pareceu notar o que acontecera. Nathan já estava entrando no clima de Castle, ou já estava imaginando-se no futuro. Nesse momento, ela não sabia dizer o que acontecia com ele.

Rob se aproximou deles dizendo que era a hora de começarem a estudar a cena e o posicionamento. Stana se surpreendeu quando retornou ao cenário do loft. Em menos de duas horas, os rapazes da técnica encheram o local de brinquedos, colocaram uma mesa de café enorme com suco, leite, pães, muffins. Um verdadeiro banquete. Ela conseguia sentir o clima doméstico no loft, o ambiente familiar.   

Eles ficaram lado a lado observando o trabalho de Rob e da diretora de elenco junto com os pais para fazerem as crianças entenderem como deveriam atuar. Ali, ela começava a ter uma vaga ideia do que poderia se tornar a casa deles. Aquele monte de brinquedos, era a cara e o exagero de Castle, porém ela sabia que nesse quesito, Nathan não ficava atrás.

- Você já parou para pensar que daqui a alguns anos essa cena poderá acontecer na nossa casa? Em um domingo qualquer, Stana? – ele falava baixinho para não serem ouvidos – brinquedos espalhados pela casa, nós preparando o café da manhã, os gritinhos de alegria, as risadas... consegue imaginar as cenas?

- Sim... demais. Por favor, pare de falar assim porque já está me dando vontade de chorar. Não era para acontecer assim, com um pulo no tempo. Era para curtirmos esse tempo.

- É triste, concordo. Mas faremos isso na vida real, Stana... nossos momentos, nossos filhos – ele a fitou e viu os olhos cheios de lágrimas – queria tanto poder te abraçar agora, não chore por favor.

- Estou tentando... – de repente, Tyler corre como um furacão até as pernas de Stana agarrando-a e gritando “mamãe” com um sorriso lindo. A verdadeira mãe chega logo em seguida rindo.

- Não, Tyler. Você não precisa chama-la de mãe, lembra o que o tio falou ali? Não precisa falar se não quiser – então ela olhou para Stana e viu que ela chorava. A atriz tentava limpar a lágrima teimosa que caíra, o coração de Nathan estava apertado. A esposa estava emocionada com tudo aquilo – você está bem?

- Sim, sim. Desculpa, não é nada com eles.

- Sim, ela está emotiva por causa das cenas, é nosso último dia hoje. Vai ficar tudo bem – a mãe dos gêmeos apenas sorria. Nathan passava a mão nas costas de Stana para cima e para baixo tentando acalma-la. Lizbeth se aproximou dos dois.

- Hey, Rob disse para você se vestir e eu preparar a maquiagem, vão filmar em vinte minutos. Você está bem, Stana? – ela balançou a cabeça – muita emoção para um dia só? Relaxa, as coisas vão se acertar – as duas saíram caminhando para os camarins. Nathan suspirou. Seria um longo dia e uma longa noite. Sua esposa estava muito mexida com tudo o que acontecia e Alexi não facilitou em nada a situação para os dois. Por hora, restava aos dois aproveitarem a cena, o momento.

Quando Stana voltou estava melhor sorria ao ver os meninos examinando os cenários já prontos com as roupas que iriam filmar. A pequena Lily, nome que recebera a filha de Caskett, estava sentada numa das cadeiras admirando os gêmeos. Stana se sentou ao lado dela.

- Então, o que você acha desse trabalho?

- Eu gosto de atuar. Quero ser uma grande atriz um dia. E também gosto da série. Pena que só participei no final. Adoro a Beckett, ela é uma super detetive.

- Obrigada, não estava brincando quando disse que você se parece comigo do início.

- Eu sei, vi umas fotos comparando que os fãs postaram no twitter. Parece mesmo. Eles já estão dizendo que sou filha de vocês, mas acham que você vai morrer.

- Sabe, depois de oito anos, tudo o que os fãs de Castle e Beckett querem é ver os dois felizes e com bebês.

- Mas não tem nenhum bebê aqui, pelo que sei não terá.

- É verdade, eles terão que se contentar com a passagem do tempo, assim espero – Stana sorriu.

- Eles adoram a série, não? E você. Amam a Beckett.

- Também adoram Castle, na verdade eles amam o casal. Porque essa sempre foi a essência da série. Quando você estiver maior, se assistir Castle completo, vai entender o que quero dizer – Stana desviou o olhar para se deparar com uma cena inusitada. Nathan sentado no chão no meio dos meninos com carros e helicópteros brincando. Abriu um sorriso lindo. Esse era o futuro pai de seu bebê, o olhar apaixonado dela encontrou o dele. Nathan retribuiu o sorriso. Nesse instante, ele murmurou algo com os lábios “quer brincar de casinha? ”. Ela mordiscou o lábio “mais tarde? ”.

O diretor chamou aos dois. Rob conversou com Nathan e Stana explicando como a cena seria filmada. A ideia era deixar as coisas acontecerem naturalmente. Iriam filmar pelos menos quatro takes similares e tudo o que eles, como atores principais, deveriam fazer era seguir o roteiro e agir como imaginariam que suas personagens fariam nessa situação. Não havia pressão.

- Não se preocupem com palavras que as crianças disserem ou os gritinhos. Iremos limpar na edição para incluir as frases de vocês que estão no script, nem precisarão regravar o áudio. Querem andar um pouco no espaço, se ambientarem antes de gravarem? Não é mais o lugar que conheciam bem. Fiquem à vontade, explorem por uns dez minutos os objetos de cena para entender como agirão e quando se sentirem prontos, avisem e começamos a gravar.

Nathan e Stana começaram a andar pelo cenário. Ao ver o que eles faziam, as três crianças foram atrás. Caminhavam observando os supostos pais. Ela estudou a mesa, os lugares. Era claro onde eles sentariam e onde as crianças ficariam. Stana tomou noção de espaço. Sabia que viriam do escritório, os filhos na frente, eles atrás. Olhou para Nathan que estava admirando a mesa com um sorriso. Ela sabia que ele estava pensando no futuro. Manhãs de domingo como falara. Um dia, ela pensou. Um dia qualquer.

Stana virou-se para encara-lo. Ao encontrar os olhos azuis, ela meneou a cabeça. Ele concordou.

- Tudo bem, estamos prontos. Vamos gravar? – as crianças responderam com gritinhos de excitação. Ela teve que sorrir feito boba. Crianças sempre tornavam tudo mais fácil. Eles se colocaram em suas posições e esperaram o sinal do diretor. Ao gritar ação a câmera fazia a panorâmica da sala do loft parando na ligação entre o escritório esperando pelos atores para darem vida a cena.

Rainey foi a primeira a aparecer seguida dos gêmeos que correram cada um numa direção. Stana entrara sorrindo observando o jeito das crianças e Nathan vinha logo em seguida. A entrada fora praticamente a mesma exceto pela terceira vez que Tyler tropeça logo na entrada da sala fazendo Stana se assustar com a queda e soltar um “oh, meu Deus!” rindo e correndo atrás dele que já escapava para o outro lado da sala. Em cena, eles trocaram os papeis durante as quatro vezes que filmaram. Umas vezes, Nathan servia os meninos, outra vez Stana tinha o suco de laranja nas mãos, em outra cena ela abaixava quase fazendo um carinho nos supostos filhos.

Da mesma forma, ao sentarem-se fizeram diferentes gestos, seja um brinde com mamadeiras ou de suas próprias xicaras e todas terminavam em sorrisos e olhares com os dedos entrelaçados de Castle e Beckett. Era como se Nathan a perguntasse com o olhar se ela queria isso, e Stana confirmasse com o sorriso. A dinâmica dos dois era perfeita como se fizessem isso há anos. Na verdade, faziam isso há oito anos, o clima doméstico era novidade, ao menos dessa forma em cena. Satisfeito, o diretor gritou corta.

- Excelente. Bom trabalho, pessoal. Tenho imagens suficientes para escolher e usar na edição. Vocês foram ótimos. Stana, Nathan, como sempre foi um prazer dirigi-los ainda fico impressionado com o jeito como vocês conseguem ser tão perfeitos juntos, tanta sincronia. Vocês são um caso a ser estudado – ele deu um abraço em Nathan e Stana. Depois, os dois ficaram olhando as crianças.

- Foi uma bela cena, Stana. Quase uma imagem do nosso próprio futuro. Parece que acabamos aqui, devemos nos despedir das crianças e ir embora? Afinal nosso trabalho terminou.

- Nathan, teremos que falar com o Alexi. Não tem jeito. Vamos, quero falar com as crianças, tirar fotos e então olhar para a cara do Alexi. Acho que será mais uma questão de educação. Depois podemos ir para a nossa casa.

- Você está esquecendo de um ponto importante. Essa pode ser a nossa última vez aqui. Não vai querer se despedir dos cenários, dos ambientes que fizeram a nossa vida nesses últimos oito anos? – ela olhou para o marido, fechou os olhos e tornou a abri-los devagar.

- Vou, eu só não sei se consigo fazer tudo isso hoje. Talvez tenha que voltar amanhã. Vamos, quero apertar essas coisas fofas.

Stana correu para perto dos meninos. Pegou um deles pela cintura e ergueu-o devorando sua barriga fazendo cocegas. De repente, ela se viu no chão abraçando-os brincando com os dois. Para Nathan, aquele momento era um presente, talvez o único instante em que viu Stana feliz durante todo esse dia foi com as crianças. Parece que as escolhas, mesmo que tortas ou forçadas, estavam mostrando o caminho ideal para os dois.

Ele se juntou a ela, bateu as fotos, riu um pouco mais com os meninos e deixou Stana puxar a pequena para o lado a fim de conversar um pouco, dando conselhos. Viu quando ela acariciou o rosto da menina a exemplo de como fazia com Anne. Naquele momento, o coração de Nathan falou mais alto. Torcia para que o primeiro bebê fosse realmente uma menina. Após as despedidas, eles seguiram caminhando pelo cenário.

No quarto do loft, lugar de tantas cenas juntos e inclusive brincadeiras entre os dois, Stana aproveitou que estavam sozinhos e entrelaçou os dedos na mão de Nathan.

- Castle e Beckett foram felizes aqui, não?

- Sim, muito felizes, por anos e anos – ele respondeu. Ela passava a mão pelas prateleiras da estante do escritório, contemplando os livros de Castle. Todos ali. Sorriu. Seguiu para a cozinha. Acariciou o balcão – boas lembranças, não? Castle sabe cozinhar. Vou sentir falta dos chomeletes. Acho que tentarei fazer em casa, aperfeiçoar a receita.

- Nem quero ver isso – ela caminhou até a saída – vamos fechar a porta? – caminhando até onde ela estava, ele puxou a maçaneta. Stana contemplou a peça. A cena de Always fora gravada bem ali. O beijo que mudara completamente suas vidas. Ela deu um outra espiada geral e disse – adeus, loft – Nathan estava parado no canto observando tudo como quem quer gravar uma fotografia na memória. Suspirou.

- Vamos... – deixou ela passar e fechou a porta atrás de si. Não tiveram coragem de fazer o mesmo processo no set da delegacia. Stana apenas queria ir embora. Passaram na sala dos escritores e encontraram Alexi e Terence.

- É isso. Terminamos mais uma etapa, não? Bom trabalho pessoal, Rob elogiou muito aos dois. E vamos cruzar os dedos, tenho certeza que estaremos de volta em julho para filmar novas aventuras.

- Você está bem confiante, não Alexi? – comentou Nathan.

- Tenho que estar. A ABC quer o show. Voltaremos aqui. Não quero usar o final que gravamos, o alternativo. Quero gravar outras cenas aqui. Aproveitem o hiatus e vejo vocês logo mais – Nathan acenou com a mão e Stana balançou a cabeça. Havia um nó na garganta dela a impedindo de fazer qualquer coisa além de lutar para manter a concentração. Ao chegar no estacionamento, lembrou-se que viera de bicicleta. Não tinha forças para voltar pedalando. Entrou no carro com Nathan, quando passaram pela guarita, ela falou para o guarda.

- Deixei minha bicicleta aí. Amanhã venho busca-la, tudo bem?

- Claro, sem problemas.


Quando Nathan virou a esquina, ambos deram uma última olhada para o estúdio. Suas fotos expostas nos cartazes do lado de fora. O aperto que Stana sentia no peito começava a ficar insuportável. Não podendo mais conter a emoção, ela desabou chorando ao lado de Nathan que dirigia. Com carinho, ele colocou a mão sobre a coxa dela em sinal de compreensão. Isso era apenas o começo para os dois. 


Continua...

7 comentários:

cleotavares disse...

Ai! A cada capítulo postado, sinto que está perto do fim. Tão lindos interagindo com as crianças. Quero deixar meu voto registrado que se na fic eles tiverem um filho, que seja menino, kkkk.

"Vocês são um caso a ser estudado" Nem a NASA explicaria.

Camila Lorrane disse...

Por Ka não faz isso 😢😭 fico per como sempre Ka Me fazendo chora de novo 😭😭

Pâmela Bueno disse...

Ai meu coração... só quero expressar aqui que mesmo acabando a série não quero que essa fic acabe, ainda tem muita história para rolar não? espero que sim!! Ainda quero quero ver passo a passo uma gravidez da Stana e o Nathan babando! AH deixando uma sugestão também kkk sou team Nathan em relação ao sexo do filho deles kkk quero uma menina assim como o Nathan quer hahahahah

alessandra silva rodrigues disse...

😢😢😭😭 fico super emotiva depois de calitulos como esse

rita disse...

Excelente capítulo! Triste porque sabemos como será o final. Parabéns e obrigada Karen. Beijos mil no seu coração.

Silma disse...

Chorando feito criança!!Você mexe com meu psicológico a cada capítulo.

Vanessa Belarmino disse...

EU achei q seria pior, mas como foi só uma introdução da pior parte,nem falo nada...
Eu amei ela estar brava com ele pela bebedeira... Usou bem a postagem dela do instagram. Aliás adoro isso, eles te dão migalhas e vc vai e transforma em algo grande.
Adoro como vc desabafa e a gente embarca junto. Usando N ou S pra falar o q a gente sente... Sem falar do seu amor pelo Alexi kkkkk

Essa interação com as crianças e pensando no futuro, foi tao lindo. Amei!
Terminar com ela chorando...Aí! Em pensar que é só o começo. Acho bom tanto Stananinha qto nós, irmos tomando bastante água para nos hidratarmos bem... Pq não vai ser fácil. Confio em vc!
P.S Prefiro um spin off de Giff que um de Castle hahaha I Love Giff! 💕💕💕
(Eu sei que o foco é SN, mas sonhar é free ne?) kkkk
Esperando o próximo.