sábado, 18 de junho de 2016

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.56


Nota da Autora: Sei que muitas leitoras estão imaginando uma linha de pensamento para o que virá a seguir. Eu tenho a minha própria, a que é fiel a essencia das personagens. Não posso mudar isso. O capitulo não é tão grande, porém contém discussões interessantes... espero que gostem! 


Cap.56

- Você pode me explicar por que decidiu que não quer nossa parceria? Sim, porque há algumas semanas estava tudo bem, até jantar você me obrigou a fazer dizendo que era parte das regras e de repente, não está mais interessada?
- Não é questão de interesse. É questão de foco. Castle, eu já expliquei para você que estou fazendo terapia, que meu tratamento exige concentração. Quero evoluir, tentar encontrar uma forma de abraçar a vida sem medo. Tenho tanto o que entender sobre mim mesma. Lembra-se dos muros que falei para você? Ainda estão lá. E não estou completamente curada da PTSD.
- E o que a nossa parceria com benefícios tem a ver com isso? Eu pensei que a estava ajudando. Fazendo você relaxar, abraçar a vida como disse. Não faz parte da sua terapia também? Buscar se soltar, se abrir? – ele estava irritado, ela notara apenas pelo tom de voz.
- Não estou dizendo que é ruim, mas isso me tira o foco. Esse clima doméstico...
- Ah, certo, o clima doméstico. Sentir-se relaxada...sabe, você pode tentar quantas vezes quiser, não vai me convencer. Essa história tem outro motivo.
- Castle, eu não estou acabando com a nossa parceria. Você ainda trabalhará ao meu lado, investigaremos juntos. Estou recuando com relação aos benefícios. Você vai estar ao meu lado no distrito, quero que esteja. Somente não teremos jantares, saídas e sexo. Beijos também estão fora do acordo – ele riu diante da colocação dela. Tinha vontade de gargalhar, por dentro, porém o que sentia era frustração. Sabia o porquê disso agora, ou ao menos suspeitava.
- Beckett, não duvido que você queira focar em seu tratamento, mas esse não é nem de longe o motivo pelo qual você quer acabar com a nossa parceria com benefícios. Não percebe o quanto está se contradizendo? Essa sua recaída é por causa de Sophia. Desde que ela apareceu você está estranha, bolada. Teve uma crise de ciúmes e nem adianta negar porque até minha filha foi testemunha. Ela mexeu com você. O fato dela ter sido minha fonte de informação e inspiração para Clara Strike mexeu com a sua cabeça. Por isso está querendo acabar com algo interessante. Porque sentiu-se intimidada por Sophia.
- Isso não tem nada a ver com ciúmes ou Sophia.
- Não? Você não gostou de saber que houve outra musa, ficou até preocupada se existiam mais. Também não sei o que Sophia possa ter falado a você para faze-la recuar desse jeito. Acredito que já sabe agora que ela não é confiável. O que quer que seja, deveria pensar bem, afinal nem tudo o que ela disse foram verdades – ele praticamente cotara a detetive quando ela respondera ao perguntar do seu pai.
- Por que está insistindo em dizer que isso tem relação com Sophia? Por acaso não sou capaz de tomar decisões que digam respeito a minha vida?
- Não, Beckett, você é totalmente capaz de tomar decisões. Contudo, eu a conheço o suficiente para saber que algo na minha história com Sophia mexeu com a sua cabeça. Sabe o que é mais interessante? Ela não foi minha musa. Ela foi a pessoa que me deu acesso a vida na CIA. Você sequer entendeu que o perfil de Clara não é o da Sophia, ao contrário de Nikki que além da personalidade, tem a história. Eu só tenho uma musa.
Ela ficou calada por um instante. Já imaginava que ele pudesse trazer o nome de Sophia para essa discussão. Ele estava certo, parcialmente. E a ênfase a palavra “uma” não passou despercebida a Beckett.
- Você não vai admitir que sentiu ciúmes como aconteceu com Serena?
- Não tenho que admitir nada – ela estava emburrada. Ele realmente sabia como cutucar a ferida.
- Beckett...  
- Está bem! – ela elevou a voz - Quer que eu diga o que eu acho? Se eu não posso ser a musa de dois escritores, você como escritor não pode ter duas musas. E isso não muda o que propus a você. Estou fazendo apenas uma colocação – ele ria. Beckett fora buscar uma história antiga para criar um argumento, porque é tão teimosa que só consegue ouvir o que quer – por que está rindo? Está tirando sarro da minha cara? – ela já estava irritada, começava a pensar sinceramente em bater nele – quer que eu atire em você, Castle? Ou esqueceu que tenho uma arma? – ela estava vermelha.    
- Você ouviu o que eu disse? Ou sua teimosia te deixa surda também? Eu só tenho uma musa. Você! – ele respirou fundo, não queria perder a paciência com ela, não queria gritar – Estávamos bem, nos entendendo. Seu tratamento não sofreu nenhuma retração, pelo contrário achei que estava ajudando-a. E olha para nós! Discutindo como em um relacionamento! Porque a parceria, mesmo que profissional, detetive é um relacionamento – ele queria esmurrar o carro, mas suspirou para manter o autocontrole - E quanto a sua proposta, bem – ele riu, o tom de sarcasmo na risada, não conseguia evitar mesmo sabendo que aquilo podia piorar as coisas entre eles - quem sou eu? Nem pensei que iria mudar afinal é sua, você tem que ter a primeira palavra, mandar em tudo... ter o controle – ao ver o jeito como ele falara, Beckett se pegou pensando se não fora longe demais. E se ele disser que não quer apenas investigar?
Ele ficou por uns bons instantes fitando o nada. Calado. Ele sinceramente pensava em dar um gelo nela, sumir por uns tempos, faze-la perceber que precisava dele, sentiria sua falta. Consequências, não? O problema é que Castle sabia que ela vinha numa crescente, evoluindo. Quase pensou que Kate pudesse declarar-se para ele em pouco tempo. Virar as costas não era a solução. Não se quisesse ajuda-la. Um passo para frente, três para trás. Essa era a dança que executavam. Teria que encontrar outro jeito de mostrar o que realmente significava a parceria com benefícios. Precisava descobrir o que apavorara tanto a detetive que se deixou agir como a velha Kate.
O silêncio entre eles começava a deixa-la preocupada. Castle estava pensando em desistir? Sair daquele carro de uma vez, para sempre, de sua vida? De repente, a ideia lhe causou náuseas. Sentiu as palmas das mãos começarem a suar. Por que ele não falava nada?
Castle fechou os olhos por uns instantes. Tinha certeza que ela estava agoniada esperando uma resposta. Ele abriu a porta do carro e saiu. Beckett arregalou os olhos na mesma hora. A porta foi batida com força. Raiva. Ele estava com raiva. Por impulso, ela saiu do carro correndo até a calçada, puxando-o pelo braço.
- Castle... por favor, diga alguma coisa. Qualquer coisa, me xingue, grite. Mas fale! – ele virou o rosto para fita-la. 
- Apesar de eu achar que você está cometendo um erro, algo que poderá se arrepender depois, tudo bem. Apenas parceiros, então – ele viu o alívio nos olhos dela, isso apenas confirmou que havia uma história por trás da decisão - E quando você achar que está melhor, que as palavras ditas por Sophia não façam mais efeito, voltaremos a falar sobre a parte dos benefícios se ainda for viável.
- Por que insiste em achar que Sophia me disse algo?
- Como já disse antes. Eu a conheço, Beckett. Até amanhã, parceira – Castle abriu a porta do prédio e entrou fechando-a em seguida sem olhar para trás. Kate fechou os olhos e suspirou. Esperava que não se arrependesse do que acabara de fazer.
Castle chegou em casa chateado. Serviu-se de uma dose de whisky e fitando sua estante pensava no que aquela mudança significaria em termos de relacionamento para eles. Quando achava que estavam evoluindo, se acertando, algo a fazia travar. Será que havia dedo de Dana nessa decisão? Será que a terapeuta propôs isso a ela? Não, essa atitude era toda de Beckett. Não parecia algo que Dana faria a menos que estivesse tentando provar algum ponto a detetive. Ainda assim lhe soava estranho.
Sem encontrar as respostas para os seus questionamentos, ele decidiu dormir. Fizera uma promessa a si mesmo. Se Beckett acreditava que poderia ficar longe de alguns benefícios, ele faria questão de mostrar o quão difícil seria. Ação e reação. Causa e efeito. Castle reconhecia que teria que agir com cautela, para isso precisava se unir a terapeuta. Amanhã conversaria com a única pessoa capaz de esclarecer essa mudança de comportamento de Beckett.

Consultório de Dana

Ela abriu a porta afastando-se para que ele entrasse. Castle sentou-se no divã.
- Devo confessar que estranhei o telefonema essa manhã, então me lembrei que talvez tenha uma ideia do porquê você está aqui.
- Tudo bem, não quero rodeios. Kate veio me propor para recuarmos com a nossa parceria com benefícios. Eu preciso saber, tem dedo seu nisso? Você propôs algum teste ou estudo para ela? De onde você tirou que a nossa parceria com benefícios estava sendo prejudicial ao desenvolvimento do tratamento?
- Não. Ela disse isso?
- Não... – ele suspirou escorando a cabeça na almofada – eu pensei que, de repente, sei lá! Queria achar uma explicação para ela querer parar agora. Nós estávamos tão bem. Ela estava sorrindo mais, relaxada. Cheia de joguinhos. Por que?
- Ela não te deu uma explicação?
- Disse que precisava focar em seu tratamento. Que era sua prioridade.
- Ela não mentiu. Foi o que disse para mim também.
- Mas, Dana, ela estava bem. Você sabe que a tal parceria com benefícios fez bem a ela, ajudou-a. Por que não a convenceu que estava errada?
- Eu tentei. Eu expliquei, mas você conhece Kate. A teimosia é maior que a razão algumas vezes. Ela tomou a decisão. Nem devia te dizer isso. Ela botou na cabeça que estava errado fazer o que faziam porque se apavorou com a história de Sophia, de outra musa e do quanto doméstico, como ela mesma disse, vocês estavam se tornando. Nesses casos, o melhor é deixar a paciente tomar a decisão achando que estava certa e depois ajudá-la a perceber que fora por um caminho ruim. Na verdade, o encontro com Sophia foi o estopim.
- Chega a ser irônico você dizendo isso. Estopim – Castle sorriu frustrado – eu sabia que o motivo era Sophia.  
- A parceria fez Beckett evoluir, ela se abriu, derrubou algumas barreiras. Isso não será perdido. Você a ajudou.
- E se ela se fechar outra vez?
- Isso não vai acontecer. Veja só, Kate se redescobriu nesses pequenos gestos. Ela gostou da experiência, se divertiu. Ao fazer isso, ela se questionou se era correto continuar assim. Foi aí que o medo e a velha Kate apareceram para bagunçar a cabeça dela. Só que como ela disse para você, tem uma prioridade. Ela quer melhorar, evoluir. É por isso que ela não irá se fechar outra vez. Eu a pressionei de certa forma quanto ao tratamento, coloquei-a em uma posição que exige foco e principalmente escutar o coração. Por que você acha que ela decidiu parar com a parceria? Porque na mente racional de Kate, isso lhe rouba a capacidade de análise, porque a distrai, a deixa leve. Kate acha que as respostas que precisa encontrar dependem de investigação, quando no fim, são respostas do coração. Se ela compreender isso, ela estará livre para ser quem realmente quer. E essa nova pessoa, essa nova Kate, inclui você na vida dela.
- Por que ela tem que ser tão complicada?
- Eu me pergunto isso todas as vezes que ela deixa meu consultório. A vida a deixou assim. Por muito tempo, Kate viveu só. Ela e suas sombras. Não está acostumada a confiar, a ter pessoas que realmente se preocupem com ela. Acredite, você já fez muito. Você a mudou, ainda está provocando a mudança nela. Sei que muitas vezes, como agora, chega a ser frustrante. É até injusto pedir a você paciência. Ninguém tem mais do que você, Castle. Porém, eu tenho certeza que irei conseguir faze-la enxergar o que precisa. Mais importante é a resposta que dará a ela. Peço que pondere bem os seus próximos passos, se decidir se afastar agora poderá colocar tudo a perder, se a pressionar para voltar a parceria como antes, pode faze-la fugir. Estamos em um momento crucial. Você já deu sua resposta a ela?
- Já.
- E posso saber qual foi?
- Eu aceitei, Dana. Isso demonstra o quão trouxa eu sou, não? – ele sorriu resignado – já entendi, o que me resta é esperar. A conclusão pura e simples. É tudo que tenho feito desde que ela levou aquele maldito tiro, desde que começaram as crises de PTSD, desde que eu disse... – ele engoliu em seco -... que a amava – Dana sorriu pegando a mão dele na sua fitando os olhos azuis.
- Você não é trouxa. Você a ama. Fazemos tudo por quem amamos, até prolongar uma espera ou sofrer um pouco mais do que planejamos. Trouxa? Não. Talvez um bobo apaixonado. E acredite, é lindo de ver. Não desista – ela apertou a mão do escritor, sorriu - Aliás, você não deveria estar no distrito?
- Deveria. Obrigado, Dana. E se não for pedir muito, tente apressar o fim desse tratamento, por favor.
- Farei o possível – ela riu.
- Kate tem sorte de ter você como sua terapeuta. São poucas pessoas que conseguem a atenção dela, se fazer ouvir por Beckett. Conto nos dedos de uma mão.
- É verdade, e adivinha? Você é uma delas. Talvez a mais importante. Agora suma daqui, vá levar café a sua parceira. Ela deve estar esperando... – eles riram e Castle falou outra vez.
- Dana, os benefícios estão fora de questão, porém estaria fazendo mal a ela se a provocasse de vez em quando?
- Nem um pouco. Esse é um dos pequenos detalhes que podem fazer toda a diferença para eu mostrar a Kate que tomou o caminho errado. Brinque, atice. Uma hora, ela cai em si e cede – ele assentiu com a cabeça e deixou o consultório.
Duas semanas se passaram e a parceria parecia ter continuado bem. O ritmo de investigações era o mesmo. Castle teorizava daqui Beckett refutava de lá. As vezes pensavam no mesmo motivo ou arma, sincronizavam pensamentos. Não tinham do que reclamar. Exceto no fim de semana.
Beckett acabou descobrindo que a parceria com benefícios tinha a vantagem da companhia. Ela tentou arrumar o apartamento, ler livros, assistir filmes, o que eram boas diversões que costumava ter antes de Castle, porém descobriu que hoje essas mesmas atividades não lhe enchiam os olhos como antes. Para ela faltava o complemento, ter alguém ao lado para comentar, discutir detalhes, rir de uma piada boa ou de um comentário sarcástico. Pela primeira vez em um bom tempo, ela se sentiu solitária.     
Na segunda seguinte, tinham um novo caso e o mesmo ritual aconteceu. Dessa vez era um caso que envolvia personagens de contos de fadas. Duas pessoas já tinham sido mortas. Uma chapeuzinho vermelho e uma Branca de neve. Tudo indicava que tinham um potencial serial killer a caminho, um fã perturbado dos irmãos Grimm.
Enquanto isso, na vida pessoal de Castle, Martha estava atrapalhando qualquer chance do escritor escrever porque ela se apossou do seu escritório para escrever a dramatização de sua própria vida. E isso não era tudo. Ela queria fazer uma sessão de leitura. Algo que lhe custaria uma noite de puro embaraço. E o pior ainda estava por vir. Martha informara que convidara Beckett e ainda sugerira que eles podiam transformar essa oportunidade em uma espécie de encontro.
Ótimo! Tudo que ele precisava a essa altura. Especialmente agora que não era mais parceiros naquele outro nível. Teria que falar com Beckett, tentar evitar que ela presenciasse seu próprio embaraço. No dia seguinte, ele a abordou na delegacia.
- Você vai?
- O que você queria? Que dissesse não?
- É!
- Por que você é tão contra a interpretação de sua mãe, a peça dela?
- Porque ela está reescrevendo a história, minha história. Acredite, eu vivi isso. Ela estava fazendo soar como seu próprio conto de fadas.
- Oh, então você não gosta quando alguém escreve a sua própria versão da sua vida. Interessante – ela sorria.
- Certo, você está se referindo aos livros de Nikki Heat? Porque isso é completamente diferente.
- Diferente como? – Beckett ergue as sobrancelhas e faz uma cara de intrigada. Essa conversa estava bem interessante.
- Primeiro, não digo que o que eu escrevo é verdade.
- Eu não acho que ela também. Qual é, Castle você mesmo disse todos precisam de um conto de fadas, o que a de errado em sua mãe ter o dela?
- Certo, vamos mudar o assunto para um menos provável de me dar uma ulcera – e Castle mudou para a investigação.
Felizmente conseguiram uma pista com as fantasias e isso os levou a suposta terceira vítima. Elas estavam envolvidas em um outro crime sete anos atrás. Um homicídio. Jovens e com medo, elas fizeram um pacto e não contaram nada a polícia, até a chantagem começar a acontecer. Seguindo pistas, chegaram a um suspeito. Parecia que o caso estava encerrado e Beckett lembrou Castle de sua pequena reunião.
- Acho que ambos podemos ir à apresentação de sua mãe.
- Sério? Você quer se aventurar pela floresta assustadora?
- Não se preocupe, Castle. Eu tenho uma arma. Eu o protegerei do grande lobo mau – ela disse sorrindo pegando seu casaco.
- Você usaria sua arma na minha mãe? – ele perguntou. Beckett o olhou assustada, isso saíra totalmente errado, porém Castle interpretou de outra forma – estou tão comovido que seria capaz de beija-la agora – o olhar dele fitava diretamente os lábios de Kate, provocando, continuou – mas está fora de questão – o comentário surtiu o efeito desejado, ela estava vermelha - Obrigado – ele acrescentou, não estava se referindo ao gesto e sim ao fato de saber que ela ficaria pensando sobre o beijo. Ela suspirou.
 Chegaram ao loft juntos, o que era para ser uma pequena reunião acabara de se transformar em um evento. Receberam as taças de champagne logo na entrada.
- Ah, Castle... isso é uma boa apresentação.
- É, tendemos a pensar grande. É de família. Saúde – eles brindaram. Apesar de não estarem fazendo a segunda parte de sua parceria, Castle ficou feliz por ela não o abandonar nesse momento. Porém, ao ficar alguns minutos com sua mãe, ele teve um insight e percebeu que prenderam o homem errado. Eles deixaram o loft de volta a delegacia para amarar as pontas soltas do caso, só então seguiram para o hospital. No fim, a terceira vítima era na verdade, a assassina. A vilã perfeita dos contos de fadas.
- Falando em contos de fadas, minha mãe está pronta para a sua dramatização privada para nós.  
- De volta a floresta então? – disse Beckett.
- Ainda tem sua arma? – ela sorriu – hey, eu queria agradecer. Você realmente não precisava fazer isso. Quer dizer, somos parceiros, nossos momentos juntos agora resumem-se a investigar casos no 12th.
- Você mesmo disse, Castle. Somos parceiros. E de alguma forma, somos amigos. Sem a parte dos benefícios. Isso vale também, não? – ele apenas sorriu.
De volta ao loft, após cumprimentar Martha e receber suas bebidas, foram convidados a sentarem-se para que pudessem dar início a sessão de leitura. Com toda a desenvoltura de uma diva, Martha começou a sua viagem dramática de seu próprio conto de fadas. Beckett prestava bastante atenção a história e a performance da mulher a sua frente. Ela era boa.
- Era a oportunidade da minha vida, a chance de interpretar a Wicked Witch na Broadway. Mas isso significaria eu estar longe de casa seis noites por semana, duas matinês. O que eu deveria fazer?
- Percebe que nada disso aconteceu? – Castle sussurrou para Beckett.
- Francis Bacon escreveu uma vez: “aquele que tem filhos, entregou-se como reféns ao destino”. Bem, se eu era uma refém, então meu filho, Richard, foi meu captor, meu feitor – Beckett já sorria baixando a cabeça, podia imaginar o que viria a seguir.
- Eu estou bem aqui.
- Eu recusei o papel, virei as costas ao destino. E foi a melhor decisão de carreira que eu já tomei para um papel ainda maior que surgiu em meu caminho. Um papel, talvez o maior que já interpretei... – Kate estava cada vez mais engajada na história – o papel de mãe – Beckett olhou para Castle tocando-lhe carinhosamente a coxa.
- Isso é lindo.
- Tem razão, é lindo – ele estava surpreso. Mas ainda não terminara.
- Agora, se Richard tivesse abraçado o papel de filho com o mesmo nível de comprometimento – e Beckett já estava rindo outra vez, algo lhe dizia que a história acabara de achar um culpado, um vilão.
- E lá vamos nós para a floresta...- Castle comentou e Beckett segurou a mão dele na sua mostrando seu suporte. A dramatização continuou e ainda rendera algumas boas risadas a Beckett. No final, ela aplaudiu e cumprimentou a mãe de Castle com um abraço.
- Isso foi muito bom, Martha. Emocionante. E divertido, além de curiosos fatos sobre Castle – ela olhava para o escritor visivelmente chateado por ter sido o alvo da noite.
- Oh, Katherine. É bom ver pessoas que admirem a pura arte. Obrigada – ela se afastou indo para o lado de Castle que a entregou uma nova taça de champagne.
- Você sabe que 99% do que ela falou é mentira, certo?
- Mesmo? E o que seria o 1%, Castle?
- O fato dela ser minha mãe, eu seu filho e termos talento para as artes.
- Não sei, algo me diz que ela não estava mentindo sobre o fato de você ficar horas perambulando pelos camarins se fantasiando com as roupas dos atores e atrizes. Além do lance do piano, você tocava para elas como também já tocou para mim. Será que foi por causa dessa época que você começou a dar autógrafos em peitos? Foi nas atrizes amigas de sua mãe que começou a praticar? Estou curiosa...
- Beckett, por favor, não comece. Pensei que tinha vindo aqui para me apoiar, não para se juntar a minha mãe e atiçar seus devaneios – ela riu – se continuar insistindo, vou precisar de uma dose bem mais forte de whisky, champagne não tem o efeito necessário...
- Relaxa, Castle. Está tarde. Eu deveria ir andando. Alguns de nós precisam acordar cedo para trabalhar de manhã. Vou me despedir de sua mãe – ela ficou uns cinco minutos conversando com Martha em meio a sorrisos e abraços, finalmente voltou-se na direção dele – certo, estou pronta para ir para casa – ele acompanhou-a até a porta.
- Obrigado por vir, Beckett. Apesar da vergonha que passei, foi bom ter alguém ao meu lado para segurar minha mão e me confortar na floresta.
- É o que parceiros fazem não? Boa noite, Castle e por favor, nada de sonhar com o lobo mau.
- Até amanhã, detetive – se inclinou e beijou-lhe o rosto. Beckett sorriu e caminhou em direção ao elevador. Ele observou-a até as portas se fecharem para então também fechar a porta do loft e dirigir-se para o seu quarto.
Em seu apartamento, já na cama para dormir, Kate relembrava a pequena reunião no loft. As histórias de Martha e sua interação ajudando Castle naquela noite. Era um exemplo perfeito de que poderiam conviver somente na parceria, sem os tais benefícios, não? Podia dizer isso a Dana, porém ela não se convencera totalmente da mudança. Afinal, sofrera no último domingo sozinha. Não, Kate, pare! Repreendia a si mesma. É por uma boa causa.
Então, por que se sentia estranha com a sua própria decisão? Castle aceitou, não? Será que se dissesse isso para Dana ela jogaria na sua cara que errara em desistir da parceria? Talvez sim, talvez não. A terapeuta podia ser bem evasiva as vezes. Gostava de deixa-la encucada com seus próprios pensamentos. Só havia uma forma de descobrir.      
Era dia de outra consulta com Dana, novamente Kate se preparava para ser pressionada pela terapeuta. Tinha certeza que ela iria querer saber o resultado de sua conversa com Castle e também como eles estavam levando o trabalho agora que não havia mais benefícios envolvidos.
Ao entrar no consultório, Dana a cumprimentou com um beijo. Preparou café para as duas e sentou-se na sua poltrona cativa enquanto Kate ficava de frente para ela no divã.
- Como você está, Kate? Faz duas semanas que não aparece aqui. Muitos casos para resolver ou você estava me evitando por conta das nossas últimas conversas?
- Não é nada disso. Estava ocupada no 12th distrito.
- Ótimo! Agora que está aqui, quero saber como anda sua nova fase profissional, seu momento pós-Sophia.
- Momento pós-Sophia? De onde veio isso?
- Ora, Kate, foi logo depois que essa ex-namorada de Castle apareceu na jogada que você passou a ter ideias diferentes sobre sua vida e a parceria com o escritor. Não foi ela um dos supostos motivos para você romper a parceria com benefícios?
- Sophia não foi motivo de nada, meu tratamento foi.
- Desculpe, me expressei mal. A conversa com Sophia a ajudou a tomar algumas decisões.
- Eu sabia que você ia tocar nesse assunto.
- Faz parte do seu tratamento, é para isso que estamos aqui, não?
- Tudo bem. Ao contrário do que você deve estar especulando, eu e Castle continuamos trabalhando juntos e muito bem com a nossa parceria. Investigado juntos, teorizando. Nada mudou em nosso relacionamento profissional.
- Isso é bom. Porém, não acredito que Castle aceitou de boa a mudança. Como ele reagiu?
- Ele... entendeu...
- Kate...
- Tudo bem, ele não gostou. Ele me questionou, me acusou de ter agido assim por causa de Sophia. Ele me acusou de ciúmes. Nós discutimos.
- Era o que eu esperava. Sejamos honestas, Kate. Você ficou louca de ciúmes com a presença de Sophia, ela colocou ideias em sua cabeça. E a velha Kate tomou as palavras como verdade. Castle está certo sobre tudo e você sabe disso. Não estou dizendo que você tomou a decisão errada, eu quero que você busque nessa fraqueza a força para compreender a si mesma e ver o que a vida tem a lhe oferecer. Aceitar que chegará um momento em sua vida que encontrará o caminho da sua felicidade, aceitará que sua parceria com Castle, é mais do que investigar casos.
- Às vezes eu não acredito que ele ainda está lá.
- Por que você acha que ele está ainda?
- Ambas sabemos a resposta, Dana. Porque ele me ama. Castle mudou muito ao longo dos anos. Cresceu, tornou-se um homem melhor. Não consigo evitar a pergunta: será que pode ter uma recaída, voltar a ser quem era quando nos conhecemos? O fanfarrão mulherengo?
- Quando pensa nisso, o que vem a sua mente?
- Nada. Na verdade, eu não sei a resposta. Minha decisão sobre a nossa parceria poderia ocasionar isso? Fazê-lo voltar a ser o Castle de quatro anos atrás?  
- Tenho que concordar que considerando o histórico de Castle, sua mudança foi um feito incrível. Apesar das dificuldades, ele está lá.
- Foi por ver o que aconteceu, que todos podemos enfrentar nossas batalhas e mudar que quis me desafiar, ser mais do que já sou. Me vi, de certa forma, inspirada pela mudança que ele sofreu. Eu preciso derrubar esses muros, vencer as barreiras. Deixar o passado para trás. Ai sim, voltarei a pensar em Castle.
- Após a sua proposta, você duvidou que ele ficasse, Kate?
- Na verdade, não. Porém, tinha um certo receio com tudo que já acontecera. Ainda tenho, não sei, algo me incomoda. Sei que ele ficou chateado, quis argumentar. Não vou mentir. Fiquei com muito medo dele dizer que acabara porque eu não tinha uma resposta a dar para ele, não naquele momento, não ainda.
- Ele ainda está lá porque a ama. Você é a única mulher que importa para ele, mas é preciso ficar atenta.
- Estamos bem. Investigando, rindo, continuamos parceiros. Eu estou pronta para continuar meu tratamento, mergulhar fundo na busca, me conhecer e então talvez encontre as respostas que procuro. Espera, o que você quis dizer com ficar atenta?
- Exatamente o que significa – Kate fez cara de poucos amigos.
- Dá para ser mais clara?
- Certo, seu medo sobre uma recaída de Castle. Na minha humilde opinião, ele somente terá uma recaída voltando a ser o velho Castle se algo muito sério acontecer. Se ele descobrir que foi enganado, ou se ouvir algo que não esperava de você. Kate, se decepcioná-lo, talvez volte a ser o mulherengo despreocupado de antes.
- Resumindo, Dana. Se eu tomar a decisão errada, estrago tudo. Serei a culpada, não importa as circunstâncias.
- Não disse isso. Pedi para ficar atenta. Eu sequer irei retomar o assunto das perguntas hoje. Já que estamos falando de autoconhecimento, da busca de si mesma. Deixe-me dizer algo sobre essa busca, sobre o tempo e sua influência diante da decisão que tomou. Preste atenção as minhas palavras – Dana limpou a garganta, Kate percebeu que tinha o semblante sério embora a voz saísse suave – a estrada da vida por mais que queiramos não é uma linha reta e plana. Nela encontramos buracos, curvas, bifurcações que nos obrigam a escolher e mudar o rumo. Você já passou por vários deles. Sobreviveu a obstáculos imensos. Agora estava diante de outro. Teve que escolher abrir mão de sua parceria com benefícios com Castle para que a terapia e o tratamento fossem seu foco. É uma atitude corajosa e louvável, desde que esteja fazendo isso para realmente não fugir dele.
Vendo que Kate não se manifestara, continuou.
- A sua terapia acaba, Kate, quando for capaz de responder as duas perguntas de maneira correta. Poderia ter a resposta para as duas ou apenas uma delas. O tempo do tratamento é determinado por isso. E tudo bem se não tiver as respostas, você está evoluindo e eu estou aqui para ajudá-la a encontrar uma maneira de responde-las. O problema é que essas mesmas perguntas podem ser formuladas pela própria vida, amanhã, dali a um mês ou quem sabe anos... não conseguimos prever. Quando acontecem durante um determinado momento da vida, nos cobram ação e decisão. Não se pode pausar. Acabar a consulta e responder na próxima semana. São imediatas. Eu sinceramente espero que seja capaz de responde-las antes de se deparar com qualquer uma delas numa encruzilhada da vida.
- Dana, você está me pressionando?
- Claro que não. Seria uma péssima terapeuta se fizesse isso. Estou aqui para auxilia-la. Quero apenas que entenda que ao expurgar o lado doméstico, os benefícios com sua parceria com Castle, está quebrando um vínculo. Sabe porque ele acertou o lance do ciúme, Kate? Porque ele a conhece. Aos poucos, você está deixando-o entrar, ele raspa cada pedacinho desse muro na esperança que se dissolva com o tempo. Já está acontecendo. Por isso sua presença é importante. Não preciso que admita com palavras porque você sabe que estou certa, porque você sabe o que sente. Mais uma vez reafirmo que acato sua decisão. Se tê-lo apenas presente em seu lado profissional é o melhor para você no momento, posso trabalhar com isso.
- Claro que é o melhor. Por tudo o que você falou, eu preciso focar na terapia. Quanto antes me descobrir, melhor e mais fácil será para me livrar dos muros. Estamos bem, Dana.  
- Eu sei que estão. Trabalham bem juntos. A dúvida é saber se você resistirá em ficar longe de Castle, quero dizer, intimamente – Dana sorriu.
- O que você está sugerindo com isso?
- Nada. Apenas lembro que por muito menos já te vi irritadíssima quando não o tinha disponível para...você sabe... se conseguir resistir... – ela atiçou.
- Essa é a imagem que faz do meu relacionamento com Castle? De mim?
- Não, Kate. O que estou dizendo é que você já estava se acostumando principalmente aos pequenos gestos. As coisas domésticas. Tem que ser forte para manter a cabeça erguida e seguir em frente – a forma como Kate reagiu disse tudo a Dana. Sua amiga baixara a cabeça evitando o contato visual, soltou um pequeno suspiro – já aconteceu, não? Você já se viu numa situação onde sentiu a falta dele.
- Sim, no último fim de semana. Foi difícil passar sozinha. Tentei me distrai, funcionou por um tempo, não o suficiente.
- Vai ter que reaprender. Pelo menos até o seu tratamento chegar ao fim.
- Eu sei.
- Acho que já explorei bastante você por hoje. Podemos encerrar por aqui, a menos que tenha algo a acrescentar ou algum outro ponto para conversar.
- Tudo bem... – Kate se levantou do divã. Ia se dirigindo a porta quando parou e virou a cabeça para dirigir-se a terapeuta - Castle disse que Sophia nunca foi uma musa – o sorriso no rosto de Dana foi genuíno.
- Tenho certeza que não, Kate. Te vejo daqui a três dias – Dana sorria.
Com a caneta batendo discretamente no papel, ela escreveu “a paciente se recusa a ver o que está diante de seus olhos. A teimosia a cega. Está perdidamente apaixonada pelo parceiro, porém insiste em não assumir a relação, em revelar sua vontade e seus sentimentos. Kate não está pronta, a própria descoberta, seu momento de autoconhecimento, dependia especificamente de um assunto delicado. Enquanto não encarasse de maneira diferente o assassinato da mãe e a representação desse ato em sua vida, não conseguiria seguir em frente. A paciente precisa de um choque de realidade. Preparar o experimento para a próxima sessão. “

Fechando a pasta, Dana se levantou de sua poltrona, pegou o casaco, a bolsa e saiu. Encerrara suas atividades por hoje. Precisava desesperadamente de um drinque e quem sabe de alguns benefícios. Bem que Richard Castle podia ter um irmão. Rindo, ela descia as escadas rumo a rua.  

Continua...

7 comentários:

cleotavares disse...

"Preparar o experimento para a próxima sessão." Eita! o que será que a Dana está aprontando?
Gostei muito do capítulo, Sei que ficamos pressionando para a Kate se resolver, mas sei dos seus problemas e dificuldades pessoais. Quero eles juntos, quero pegação, mas é muito prazeroso lê os detalhes da luta da Kate para descobrir seus medos e resolvê-los. Vamos lá Kate, até quando vai resistir.

Parabéns Kah!

alessandra silva rodrigues disse...

Kkkk bem q Castle podia ter um irmão 😂😂😂 parabens viu ninca li uma Fic tao maravilhosamente escrita

Luciana Carvalho disse...

É mt amor devotado a esta mulher complicada!!!
Kate cai na real mulher, pelo visto vc só vai acordar qd ver seu homem lindo com outra!! Jacinda tá chegando e Las Vegas tb!!!

Vanessa Belarmino disse...

Eu amo a Kate Broken. Tenho vontade de pegar ela no colo... Confesso que tenho vontade de dar uns tapas na complikated hahaha
Amei a reação do Castle, serio. Ele falou mesmo. Ela negou, confessou o que dava e ficou nervosa com a reação dele... Eu adorei quando ele saiu batendo a porta ahhaha
Amei o fato dele pensar nela e no tratamento e isso só mostra o quanto ele cresceu. Castle e Dana o que dizer? Foi tao maravilhoso. Eu to curiosa com esse caderninho azul haha. Gente a Dana é bruxa mesmo já ta prevendo uma Jacinda e a Kate nem percebeu... Ela acha q ele vai esperar ate quando? Para tudo que a Dana querendo um parceiro com benefícios, um amigo do Castle hahaha Eu TB quero! Hahahaha
Ai Kah, eu amo a forma que vc mantem a essência deles... E expõe de um jeito bem mais intenso que na serie... Kate é um exemplo disso... Um capitulo e tantas emoções diferentes... Eu não to preparada para 47 seconds! Só pra avisar mesmo hahaha

marta santos disse...

“a paciente se recusa a ver o que está diante de seus olhos. A teimosia a cega. Está perdidamente apaixonada pelo parceiro, porém insiste em não assumir a relação, em revelar sua vontade e seus sentimentos.
CARA EU CLARAMENTE AMO A DANA !!! SIM AGORA QUE LI .
Kah é sério que não foi vc que os criou ? está escondendo o jogo ?
Você realmente entende CASKETT de uma forma assustadora e magnífica .
Kate é Broken , porém eu a entendo , não adianta ficar com Castle com todos os muros atrapalhando a visão , ela quer se dar por inteira e não apenas as migalhas . Castle é um homem sem igual , intenso , apaixonante e único ...Assim como Caskett !
Thx Kah , ALWAYS .

Mah ...

rita disse...

Muito bom, mais não vejo a hora de verem que estão apaixonados e os benefícios voltarem! Abraços.

Silma disse...

Ela é cheia de neurose e deixa a gente que nem ela,credo!😂😂 Amo a minha menina complicada,porém se ela NÃOOOO tomar um rumo na vida dela,vai sofrer as consequências,quer dizer Castle a ama e todo mundo sabe disso,não restam dúvidas porém um dia ele vai se cansar e vai bastante doloroso! 😓
Tia Dana meu amor 😂😂😍 "Bem que Richard Castle podia ter um irmão" ô se podia 😏

Parabéns Ká 😍🎉