quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

[Stanathan] Kiss and Don't Tell - Cap.39


Nota da Autora: Curiosos pra saber o que aconteceu? Está aí o resultado. Tem uma pequena sugestão para o futuro que será abordada mais tarde.... e aguentem as pontas porque no próximo capítulo nossa pequena estará de volta :) Enjoy! 

Pitadas de NC17... (light!)


Cap.39

A cara de pânico com a qual Stana fitava Nathan causou-lhe somente uma reação. Ao virar-se para ela, explodiu em gargalhadas. Vendo a cena, ela franziu o cenho sem entender. Ele não parava de rir. Caminhou até ele, o que não fez qualquer diferença, era quase impossível controlar o riso a ponto de formar lágrimas em seus olhos. Ela o esmurrou no braço.

- Por que está rindo? – havia desespero em sua voz – pare de rir, Nathan! Isso é sério! – ela estava vermelha, Nathan podia ver a tensão em sua testa. Tentou controlar-se, mas assim que lembrava, começava tudo novamente – não é engraçado! Por que está gargalhando? Nós estamos presos aqui. Como vamos sair do estúdio? Não podemos... para de rir! – ela o fitou quase chorando. Nathan respirou fundo buscando um pouco de alto controle.

- É engraçado.... viu onde seu lado de tarada nos levou? Foi querer comemorar o prêmio, realizar suas – riu mais um pouco – fantasias... vem cá, amor – ele tentou segurar-lhe o braço, Stana desvencilhou-se com sucesso.

- Não, você está debochando de mim e isso é sério. Estamos presos, Nathan. Por que fomos fazer isso, porque não pudemos esperar e....

- Nós? Foi você quem armou tudo aquilo. Eu não fiz nada.

- Não fez nada? Nada? Então quem transou e gemeu comigo no seu camarim? – ele viu que a provocara do jeito que queria.

- Quem mais? Castle! – e tornou a rir da situação.

- Agora a culpa é minha? Por que quis fazer uma surpresa para você... é isso? Sou motivo de piada? Pare de rir! – ela gritou. Nathan foi ao seu encontro agarrando-a pela cintura terrivelmente sério. Ela prendeu a respiração ao estar cara a cara com seu marido. Então, ele a beijou intensamente. Ela queria recuar, tentou empurra-lo, porém sua vontade de sentir aqueles lábios parecia bem maior. Ao quebrar o beijo, ela perguntou – o que você pensa que está fazendo?

- Aproveitando. Deus! Você fica ainda mais linda quando está brava. Lembro-me de quando encarnava Beckett brigando comigo, tão sexy! Não poderia resistir em beija-la agora que posso. Só Deus sabe o quanto quis fazer várias vezes isso quando estávamos em cena... Staninha, cadê o sorriso? Estamos sozinhos, ninguém para nos espionar, presos no estúdio onde trabalhamos até amanhã, talvez? Relaxe, é engraçado.

- Não é engraçado... – porém dessa vez falou sem raiva, um pouco relutante – eu só queria uma noite especial...

- E foi! Aliás, está sendo.

- Você me chamou de tarada, estamos presos aqui porque não consigo controlar o desejo que sinto por você.

- Você é tarada, minha safadinha. Eu amo que você seja assim – ela deixou a cabeça pender no peito dele, rindo baixinho.

- Seria cômico se não fosse trágico. Estamos presos, Nate. O que vamos fazer?

- Vamos dar um jeito de sair. Estamos em um estúdio de filmagens, tenho certeza que haverá alguma ferramenta capaz de abrir esse cadeado.

- É, você pode ter razão. Só tem um problema. Caso não tenha notado, há poucas luzes de emergência aqui, os demais corredores estão um breu. A chave geral está desligada e não tenho a mínima ideia de onde fica o quadro desse lugar. Como conseguiremos nos virar no escuro?

- Querida, não seja tão simplória. Temos nossos iphones. Usaremos a lanterna deles para achar um alicate para quebrar esse cadeado. Não deve ser tão difícil, estamos no lugar certo, temos todo o tipo de objeto aqui.

- Mesmo? E por acaso tem bateria no seu telefone? Você se lembrou de coloca-lo para carregar quando chegou de madrugada? – não, ele não colocara. Checando o aparelho que estava em seu bolso ele contatou que Stana tinha razão. Sem bateria. Droga! – ah, não! Eu realmente esperava que estivesse errada – o semblante dela voltou a franzir-se.

- E quanto ao seu? – perguntou Nathan. Ela buscou o telefone na bolsa. Checou a bateria. 10%.

- O que podemos fazer com 10%?

- Podemos procurar a ferramenta.

- Não, Nathan. Se fizermos isso, vamos ficar sem nada. Como faremos para sair daqui? Não podemos passar a noite. Já imaginou o que acontecerá se nos encontrarem aqui sozinhos? Nosso segredo já era. Ninguém vai acreditar que ficamos presos aqui inocentemente. Eu e você sozinhos nesse estúdio. Não soa nada suspeito, certo? Estamos perdidos! – ela se deixou sentar no chão, desolada. Viu que ele examinava o cadeado na luz parca que refletia da lâmpada mais próxima – o que está fazendo? – ele não respondeu, saiu andando de volta na direção dos camarins – hey! Onde você vai, Nathan?

Cinco minutos depois, ele volta segurando alguma coisa. Curiosa, ela levantou-se e foi atrás dele. Nathan mexia com um canivete suíço no cadeado, parecia não estar dando muito certo. Ela o viu guardar o instrumento no bolso e pegar um punhado de grampos de cabelo e chave de algemas.

- Você acha que isso vai funcionar? Olha o tamanho desse cadeado.

- Funcionou para Castle e Beckett quando eles estavam presos, não?

- Nate aquilo era ficção! Isso é vida real ou você seriamente acredita que abriu aquele cadeado?

- Para sua informação, Stana. Abri sim. Eu realmente estudei a técnica de abrir cadeados com grampos. Pratiquei em muitos inclusive os lá de casa.

- É sério? – ela parecia não acreditar na palavra dele – você espera que eu acredite que vai abrir esse cadeado com meros grampos de cabelo?

- Tem uma ideia melhor? – ela entortou a boca e sentou-se para observa-lo trabalhar. Nathan passou quase meia hora tentando abrir o cadeado sem sucesso. Suado e cansado, ele desistiu sentando-se ao lado dela – não funcionou – reparou que ela ia abrir a boca para certamente dizer “eu te avisei”, portanto se antecipou – nem pense em dizer que já sabia.

- Eu ia dizer que estou com fome. Acho que foi todo o nervosismo.

- Podemos usar a lanterna do telefone para ir até a minicopa. Tenho certeza que encontraremos algo para comer lá. Ou podemos nos entreter de outra forma. Já pensou em testar a cama de Castle e Beckett?

- Nathan! Como pode pensar em sexo agora? Estamos presos, seremos pegos e você está pensando em sexo? Quem é o tarado agora? – então foi a vez dela desatar a rir. De simples risadas a gargalhadas, ela não conseguia se controlar. Ria tanto que chegara a perder o fôlego. Nathan não aguentou ver a cena e passou a rir abraçando-a também. Ele adorava o som da gargalhada de Stana. Era deliciosa. Quando seus olhos se encontraram, o riso cessou. Era como se um clique desligasse um interruptor de alegria e ligasse o de desejo.

Stana segurou o rosto dele com as duas mãos alcançando os lábios em um beijo urgente. Nathan a puxou contra o seu corpo deitando-se no chão com o peso dela confortando-o. As mãos deslizavam pelas costas levantando a blusa que usava, sentindo a pele quente e suada com seus dedos. O sinal de alerta fora enviado ao seu cérebro pela virilha. Começara a se animar com a possibildade de possui-la novamente. Girou o corpo mudando de posição deixando-a contra o chão. Vagarosamente deslizava pelo colo, seios e estomago fazendo a viagem de volta ouvindo os gemidos dela. A princípio, não os entendia. Porém, percebeu que ela chamava seu nome. Forçando seu peso contra ela, buscou os lábios em um novo beijo. Stana aceitou o carinho retribuindo o gesto de igual maneira. Assim que ele afastou-se, ela finalmente falou.

- Nate, precisamos parar... temos que ir...

- Parar por que? – ele sussurrou já se entretendo com seus seios, abrira os botões da blusa e sorvia os mamilos com os lábios.

- Nate... pare... por favor... – ela tentava empurra-lo – Nate, pare... – mas quando sentiu o centro úmido, a onda de orgasmo envolver-lhe a pele, ela se entregou a ele. Nathan desfez a calça, abaixo a lingerie que ela usava e a provou levando Stana a um orgasmo delicioso capaz de fazê-la contorcer-se constantemente sob seu corpo.

Ao sentir o corpo acalmar-se embaixo do seu, Nathan deitou-se ao lado dela no chão. Stana ergueu-se sentando para olhar o estado que se encontrava. A blusa branca que usava estava aberta e amassada. Suada e, podia apostar, negra do chão em que estivera deitada. Olhou para o lado. Ele estava de olhos fechados aproveitando o momento ou teria dormido por conta do cansaço. Não isso não podia acontecer.

- Nate, hey...Nate... está dormindo? – ela deu um empurrão no ombro dele – Nate!

- Hummm.... – ele gemeu.

- Você não pode dormir. Já sei como sairemos daqui – isso chamou sua atenção, sentou-se para fita-la e ouvir – ficamos tão loucos e nervosos que nem pensamos direito – ele pensou em corrigi-la afinal quem estava à beira do surto era ela, mas resolveu não dizer nada.

- Como? Você teve uma ideia?

- Ainda temos 8% de bateria. Podemos ligar para Dara. Tenho certeza que ela tem a chave daqui, ou sabe de quem pedir.

- Stana, ela não consegue abrir essa porta porque o cadeado está por dentro. Teria que arromba-la.

- Não, Nathan, tem que ser a nossa saída. Somente Dara poderia ajudar-nos sem que arrisquemos nosso segredo. E se ela trouxer um chaveiro?

- Não adiantaria – ele viu o pânico reaparecer no rosto dela – a menos que... – ele estava adorando o clima de suspense. Ela ficava mais ansiosa e linda assim.

- A menos que? Fala, Nathan!

- A menos que Dara tenha a chave do portão principal.

- E Chad deve saber onde fica o quadro de eletricidade! – completou Stana – podem nos achar fácil...

- Basta trazer lanternas – ele disse

- E o nosso segredo estaria seguro – afirmou Stana.

- O que você esta esperando? Liga para Dara logo antes que a bateria atinja 3%! – ela pegou o celular, tinha o número de Dara nos favoritos. Discou. Ao quinto toque uma voz sonolenta atendeu.

- O que é? – Stana acionou o vivavoz.

- Graças a Deus, Dara! – só então ela reconheceu a voz.

- Stana? O que aconteceu? Que horas são? – checando o celular, ela percebeu ser de madrugada – três da manhã? Você não dorme?

- Dara, por favor, preciso da sua ajuda. Eu e o Nathan, nós... estamos presos.
- Presos? Como assim? A polícia pegou vocês? – aquilo acordou completamente a escritora – meu Deus! Vocês estavam dirigindo alcoolizados ou fizeram algo mais, não! Vocês não cometeram atentado ao pudor, cometeram? E agora, estamos ferrados!

- Dara... Dara! Você precisa me ouvir! Não tenho muita bateria. Estamos presos no estúdio. Fomos trancados aqui. Precisamos de você para abrir as portas ou todos vão chegar para trabalhar e nos encontrar aqui. Por favor, diz para mim que você tem essa chave, eu estou implorando!

- Onde vocês estão?

- Estudio D.

- Mas esse estúdio é fechado com um cadeado por dentro.

- E você acha que não sabemos disso agora? – foi Nathan quem falou – eu bem que tentei quebra-lo. Você tem a chave principal não? Ou pelo menos me diga que Chad tem.

- Nós temos sim. Da entrada principal. Não saiam daí, estaremos no estúdio por volta de vinte minutos.

- Como se tivéssemos para onde fugir... – ironizou Nathan. Ao desligar o celular, Stana respirou aliviada. Ainda tinham 5% de bateria e felizmente estavam prestes a sair dali. Olhando para ela, Nathan sorria – você teve uma ótima ideia.

- Só um pouco tarde... – ela abriu um lindo sorriso, por fim. Ele se aproximou dela, acariciando o rosto oferecendo os lábios para um beijo rápido – acho que consertei minha própria besteira.

- Não fique tão aliviada, Dara vai nos lembrar disso por longas semanas. Sabe o que percebi? Estávamos falando que nem Beckett e Castle quando estão resolvendo um caso.

- Acho que eles estão mesmo dentro de nós, não?

- Concordo. Tanto que acho melhor você se vestir antes que o “Castle” tenha mais algumas ideias e decida repetir a dose, se é que me entende – Stana olhou-se até ali ela não percebera que estava com a calcinha no joelho, a blusa aberta e o sutiã desabotoado. Riu da constatação. Ele também ajeitava a própria camisa, rindo também.

Em seguida, sentaram-se um ao lado do outro para esperar por Dara.

- Quão loucos nós somos? – Nathan perguntou.

- Muito.... além da conta – ela respondeu apoiando a cabeça no ombro dele, enquanto Nathan enroscava seus dedos nos dela.

Vinte minutos depois, uma luz muito forte os assustou. Tinham cochilado escorados um no outro. Ao abrir os olhos vagarosamente, lutando contra a luminosidade, Nathan viu Dara com as mãos na cintura sorrindo a sua frente. Reparou que a iluminação era da lâmpada principal do estúdio. Então, ela ligara a chave geral.

- Oi, Dara! É muito bom vê-la.

- Dara! – exclamou Stana – você veio...

- O que vocês dois andaram aprontando para ficar presos aqui? – Stana enterrou o rosto entre as mãos – foi você então! Prometo tira-los daqui, mas exijo saber o que faziam.

- O que você acha? – Nathan perguntou – minha esposa querendo me agradar não conseguiu deixar o fogo dela quieto e preparou uma festinha de comemoração em meu camarim. Nós nos empolgamos e....

- No seu camarim? Stana! Você está me saindo bem safadinha, não? – Dara a olhava surpresa – que horas foi isso?

- Por volta da meia-noite íamos sair pelo estúdio D quando descobrimos que estávamos trancados aqui – contou Nathan.

- No camarim? Sério? – Dara exclamou tentando imaginar a cena, não parava de repetir o que a surpreendera – no camarim... aposto que não foi o único lugar. Olha o estado de vocês... – Stana e Nathan se entreolharam, a culpa claramente em seus rostos. De repente, ela começou a rir muito. Gargalhar.

- Ah, não! De novo? – disse Stana.

- Eu disse a você que isso aconteceria. Ria também, amor. É engraçado... – ele acariciou o rosto dela sorrindo. Stana cedeu rindo também.

- Vocês são dois loucos! – disse Dara – vamos, são já passam das quatro da manhã. Chega de maluquices por hoje – eles caminharam juntos até a entrada principal do estúdio. Nathan tinha suas mãos na cintura de Stana. Dara fechou a porta e olhou uma vez mais para o casal – tenho que reconhecer, vocês dois sabem como apimentar a relação, não? Da próxima vez que pensarem em fazer isso, por favor, escolham um lugar diferente de onde se ganha o pão, ok?

- Meio estranho pensar nisso agora, se não fosse por esse lugar talvez não estivéssemos juntos hoje – disse Nathan.

- Tem razão – Dara sorriu – essa regra não pode se aplicar a vocês, Nathan. Vamos considera-los uma exceção. Vão dormir, louquinhos.

- Obrigada, Dara. Se você não atendesse aquele telefone eu nem sei... – Stana abraçou a amiga.

- Que isso, Stana. Se não tivesse atendido, tenho certeza que a criatividade do Nathan encontraria uma explicação apropriada, ou vocês teriam que implorar para mim novamente. Estou feliz por não estarem presos de verdade. Isso sim seria um escândalo – todos riram.

- Stana tem razão, devemos mais uma a você, fada madrinha. Obrigado.

- Boa noite. Vejo vocês amanhã e não se preocupem. Não contarei a ninguém.

Em casa, eles subiram as escadas exaustos. A blusa branca de Stana tinha uma lista negra nas costas foram outras manchas de poeira. Livrando-se da roupa, entrou no banheiro. Nathan aproveitou para livrar-se dos sapatos, das roupas e entrou no chuveiro com ela. Abraçando-a por trás, beijou-lhe a nuca.

- Apesar de tudo, as coisas deram muito certo não ,amor? Além do mais, amei a surpresa. E ficar preso com você no estúdio, foi bem divertido – ele beijou-lhe os ombros – você está sempre me surpreendendo, amor. Gosto tanto quando você faz essas loucuras...

- Nate, você fala como se apenas eu tivesse esse dom, quantas vezes você me paparicou? É somente uma demonstração de amor em retribuição a como me trata – ela virou-se para fita-lo, deixou as mãos deslizarem do peito até o bumbum dele apertando-o – eu te amo, mas você já sabe disso.

- É mesmo? Sei? – ele a beijou – mas é sempre bom ouvir novamente. Eu também te amo, Staninha – voltou a beija-la.

Na cama, enroscados um no outro, eles namoravam trocando beijos e caricias. Mesmo com todo o cansaço dos últimos dias, ficar com Stana era revigorante para Nathan. Ela se ofereceu para fazer uma massagem nele. Deitando-o de bruços, Stana acariciava as costas e os ombros dele com um dos seus óleos de amêndoas. Ao chegar na altura da lombar, caprichou no movimento das mãos até o cóccix. Nathan gemia agradecido pelo carinho. Quando sentiu os lábios dela em seus ombros, sabia que a massagem havia terminado. Virou-se e agradeceu-a com um beijo. Stana acomodou-se em seus braços, ainda passando seus dedos pelo bíceps dele.

- O duro será aguentar as tiradas de Dara.

- E você acha que ela vai nos instigar? Dependendo do que fale, nos entrega – disse Nathan – ela deve brincar conosco apenas.

- Tomara que você tenha razão.

Na manhã seguinte, Stana acordou por volta das nove da manhã. Estava sozinha na cama. Espreguiçando-se, ela espantou a fadiga decidindo sair da cama para ver onde ele estava. Descendo as escadas, encontrou-o na cozinha preparando panquecas. O cheiro do expresso era de dar água na boca. Encostando-se no balcão, Stana roubou um pedaço de morango levando-o à boca.

- Bom dia, babe...

- Bom dia, amor! – ele virou uma panqueca na frigideira - mais uns cinco minutos e está tudo pronto para tomarmos nosso café.

- Você não precisava fazer isso, Nate. Devia ter dormido mais um pouco. Está cansado.

- Dormir está nos meus planos depois que nos alimentarmos. Não comemos nada ontem. Sente-se. Saboreamos as panquecas, umas frutas e nosso amado café. Então poderemos voltar para a cama. Acredito que não teremos problemas se chegarmos ao estúdio às duas da tarde. Você quer ovos?

- Não amor, as panquecas já são suficientes – ela sentou-se à mesa servindo-se de frutas e iogurte com um pouco de granola. Nathan se juntou a ela colocando o prato de panquecas bem à frente deles. Encheu a caneca de Stana com o café quentinho que acabara de fazer, também serviu a si. Tirando um pedaço de brioche e queijo, satisfez seu estomago por um momento. Em seguida, atacou o prato de panquecas.

Comeram até não conseguir mais. O maior movimento que conseguiram fazer depois do exagero de comida foi deitar-se no sofá. Stana sentou-se em um canto enquanto Nathan deitou-se sobre o colo dela. Acariciando seus cabelos, ele acabou cochilando com os carinhos. Ela deixou-o descansar por cerca de vinte minutos até sentir suas pernas doerem. Acordou-o e arrastou-o até a cama onde permaneceram agarrados e dormindo nos braços de morfeu até pouco mais de meio-dia.


Railegh Studios


Quando eles chegaram ao estúdio àquela tarde, foram saudados por alguns colegas da equipe técnica. Muitos ainda não tinham parabenizado os dois pelo prêmio do PCA. Stana agradeceuu a cada um deles que a cumprimentavam, Nathan já ficou de papo com alguns dos assistentes de câmera enquanto ela caminhava para a sala dos escritores.

- Boa tarde!

- Olá, Stana. Descansou? – perguntou Dara com uma cara suspeita.

- Sim, bem mais disposta. Vamos filmar algo hoje?

- Só reunião sobre o próximo episódio, um bem interessante para Castle e porque não dizer Nathan? Ele é geek mesmo – disse David – falar nisso, cadê ele?

- Eu o vi no corredor conversando com um dos rapazes da técnica – disse Rob entrando na sala – aliás, parabéns Stana pelo seu PCA.

- Obrigada, Rob.

- Boa tarde, pessoal! – Nathan entrou sorrindo para todos.

- Olha o nosso galã aí. Agora com a equipe completa podemos começar a reunião do próximo episódio. Nathan, preparado? Nós vamos para Marte! – disse David.

- Wow!

- Como assim? Beckett não tem jurisdição no espaço – replicou Stana.

- Sentem-se, vou explicar. A reunião durou quase quatro horas. O plot explicado era bem interessante e pelo script seria um episódio leve e com boas risadas exceto por um momento de mudança na vida dos Castles.

Em casa, enquanto Nathan folheava seu roteiro, Stana preparava uma refeição leve para comerem. Um sanduiche caprichado. O cheiro do bacon já mexia com o estomago dele que se levantou para tentar surrupiar alguma coisa para beliscar. Chegando sorrateiramente por trás dela estando no fogão, fez algo para distrai-la. Beijou seu pescoço, seu ombro.

- Está cheirando, amor – quando ele esticou a mão para tentar pegar um pedaço de bacon, ela bateu na mão dele – ouch! Poxa, para que essa violência? Estou com fome.

- Espere alguns minutos, amor – ele resolveu se servir de vinho para acalmar a fome, colocou uma taça ao lado dela – obrigada.

- Esse episóio que vamos filmar a partir de segunda vai ser bem bacana. Tem beijo, vou ter que te levantar... isso significa que...

- Nathan! Você já está pensando em maneiras de sabotar as cenas para que nós possamos ter outras oportunidades? – ela ria – nada disso.

- Hum, você fala como se não tivesse gostado de cada vez que enrolamos...

- É claro que sim. Adorei – tomou um pouco do vinho e esticou-se para beija-lo – vamos esfomeado, está pronto para comer.


Segunda-feira


As gravações do próximo episódio começaram pelas cenas do loft e aquelas que não exigiam o uso do traje de astronauta. Uma das discussões trazidas pela história era a situação da vida a dois que se transformara numa vida a quatro. Não que Beckett ou Castle reclamassem disso, porém abordar isso era bem interessante, afinal a vida de casal estava sempre ligada ao movimento do apartamento.

Quase ao final da tarde, Stana servia-se de café na minicopa. Havia duas cenas para serem gravadas antes de encerrar o dia. Dara entrou na copa e pegou um café também. Estava curiosa para saber como tinha sido a noite dos dois depois de resgatados por ela e o que realmente Stana tinha aprontado no camarim. Sentou-se de frente para ela na mesa.

- Então, você vai me deixar na curiosidade? E não se faça de desesntendida. Quero saber o que você aprontou nesse estúdio que rendeu a vocês quase uma noite presos aqui.

- Ah, Dara...

- Nada disso, o que fez?

- Eu só me escondi no camarim dele depois que a última gravação terminou. Queria entregar o prêmio para Nathan, só isso. Ele tomou um susto ao me ver ali, mas logo tudo ficou bem. Muito bem. Quando pensamos em ir embora, nos deparamos com a porta trancada. Daí foi somente pânico, não vou mentir. Eu só pensava em ficar aqui e ser encontrada por algum de nossos colegas de trabalho e ter que explicar como eu e ele ficamos presos. Ele acabou me acalmando. Nathan ria, me deixando agoniada. Fiquei tão nervosa que a minha cabeça sequer lembrara de usar o celular antes para me comunicar com você.

- E foi só isso mesmo? Uma transa no camarim? – Stana abaixou a cabeça fugindo do contato cara a cara com Dara – teve mais... vocês fizeram onde?

- No chão... perto da porta – confessou.

- Eu sabia! Por isso as roupas sujaas e bagunçadas. Vocês não prestam, parecem dois adolescentes cheios de hormônios! Meu Deus, que fogo é esse? Arriscaram muito. E se eu não ouvisse o celular?

- Íamos dar um jeito – David entra na minicopa.

- O diretor está chamando por você, Stana – ela virou o resto do liquido quente. Levantou-se e sorriu deixando o lugar rumo ao set.

- A conversa não terminou, viu? – disse Dara. Stana se aproximou do seu ouvido, para ela não tinha mais o que conversar.

- Terminou sim, como disse, Nathan daria um jeito, ele sempre dá.

As gravações continuaram normalmente em um ritmo interessante pelos próximos dias. O último take da quarta foi rodado com os trajes de astronautas dentro da nave para conversarem com os tribulantes. Stana estava morrendo de calor com aquelas roupas. Quando pensou em ir para casa, David acabara de decidir que gravariam mais uma cena. Justamente a sequencia no escuro que lembrava muito cenas do filme Alien. Naquela cena, Nathan deveria erguê-la por um túnel. Questionado sobre a necessidade de um dublê, ele recusou. Estava acostumado a carrega-la, não que as pessoas devessem saber disso. Andando pelo set com a câmera focada neles, Stana e Nathan desempenharam suas atuações numa boa.

Ao erguê-la do chão, Nathan se aproveitou de sua chance para beliscar e apertar o bumbum dela enquanto a segurava. Além disso, colocou a mão estrategicamente no seu centro de vez em quando, provocando-a. Isso obrigou Stana a se controlar bastante para segurar a voz e as falas naquela situação. Ela realmente agradeceu quando na sequencia ele a soltou.

Terminada a cena, Stana trocou um olhar com Nathan ainda sobre as parcas luzes do set. Ele conhecia aquele olhar. Desejo despertado. Ele teve que rir. Finalmente, foram liberados para irem para casa.

À noite, após o jantar, eles estavam na cama. Nathan prestava atenção às notícias do jornal. Stana lia o roteiro, ou tentava. Estava pensativa sobre as pequenas pistas que encontrara naquelas palavras. Deixando o texto sobre suas pernas, tomou coragem para perguntar o que queria a Nathan.

- Amor, estava pensando... eles estão insistindo muito nos pensamentos de Beckett com bebês. Será que até o final da temporada ela fica grávida? Ainda mais com essa saída da Martha do loft.

- Acredito que sim, não foi você que falou em ter bebê na sétima temporada? Algum problema com isso?

- Não, nenhum. Na minha opinião, seria bem interessante. Beckett grávida, Castle babando e aprontando todo o tipo de loucura por cuidado extremo. A dinâmica do trabalho. Se tratarem assim vai ser muito legal – de repente ela parou de falar e ficou pensando sobre a possibilidade da vida real, Nathan conhecia aquele olhar sonhador.

- O que mais você não está me dizendo? – ele perguntou.

- Nada. Eu sempre achei que quando isso acontecesse, o fim da série estaria próximo, mesmo que eu não quisesse, mesmo que soubesse que existem muitas histórias para contar. E temos que negociar com o estúdio nossos contratos. Sinto uma espécie de nostalgia, não sei se estou preparada para deixar Kate Beckett.

- Eu entendo, amor. Mas precisamos pensar em nós, no futuro. Castle seria sucesso absoluto por dez temporadas, não há dúvida. Porém, temos que avaliar o que queremos, o que buscamos. É uma decisão difícil, cautelosa. Melhor não pensar sobre isso por um tempo.

- É, temos um pouco de tempo – ela fitou-o com carinho - Amanhã tem beijo no set, não? Vamos aproveitar... – mordiscando o queixo dele, Stana sentiu a mão puxa-la para os lábios.  

- Falando nisso, achei estranho a Dara não ter feito piadinha, você imagina por que?

- Ela poupou você, fez um interrogatório na minicopa. Acredito que não vá arriscar levantar suspeitas.

- Sendo assim que tal treinarmos um pouco para o beijo de amanhã? – ele a acomodou sobre seu corpo perdendo-se nos lábios dela.


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De volta aos trabalhos no estúdio, eles avançavam na segunda semana de gravações. Faltava apenas dois dias para concluírem o episódio, então os convidados especiais já deixariam o local hoje. Como sempre acontecia, eles pediam para tirar fotos com o elenco especialmente com ela e Nathan.

Vendo que estavam todos a postos para a foto, ela se escondeu por trás para aprontar. Fazer umas das brincadeiras preferidas de Nathan. Abrindo um sorriso engraçado, ela se esticou para aparecer. “Photobombing” como ele adorava fazer. Ao conferir as fotos no celular a atriz não parava de rir.

- Olha a Stana aprontando! – Dara que estava ao lado de Dilshad, falou.

- Ela aprendeu direitinho com você – vendo Stana se acabar de rir – vai querer tirar outra? – Dilshad logo replicou.

- Claro que não! Ficou ótima, olha Nathan! – ele riu ao ver a cara de Stana.

- Alguém realmente aprendeu direitinho – disse ele.

- Você sabe que não pode publicar essas fotos em lugar algum antes do episodio ir ao ar, certo? É regra de contrato – lembrou Dara.

- Sim, não se preocupe. Essas saem apenas depois do episódio. Nathan, Stana, foi um prazer indescritível conhece-los e trabalhar em Castle – disse Dilshad para em seguida cumprimenta-los uma última vez. Depois, os dois voltaram para as gravações.

Ao final da tarde, finalmente gravaram a cena do beijo. Dessa vez, contaram com a ajuda de Molly que errara o tempo de abrir a porta proporcionando um segundo take sem qualquer esforço. Era sempre bom repetir beijos. Não tinham do que reclamar. Querendo aumentar as suas chances, Nathan fez que esquecera a fala, três bons beijos eram melhor que um. E o diretor parecia não se importar muito.

Felizmente as gravações estavam bem moderadas depois das maratonas que tiveram do duplo. Conseguiram finalizar em oito dias, o que animou David para já iniciar o próximo episódio. Estavam jogando conversa fora na sala dos escritores quando o celular de Stana tocou. O sorriso se abriu ao ver o nome.

- Olá, docinho!

- Tia Stana! Saudades! Tudo bem com você?

- Sim, meu amor. Estou no trabalho. E você? Está em casa?

- Anne está indo para casa, Anne ficou de castigo na escola.

- Como é que é? Castigo? O que você aprontou, menina? – Nathan continuava a conversa com David, porém estava de ouvido atento para a conversa de Stana ao telefone.

- Eu bati num menino bobo. Matt é um idiota!

- Anne não fale assim! Cadê sua mãe? Quero falar com ela, depois volto a conversar com você – a menina entregou o celular para a mãe que explicou o que acontecera na escola. O real motivo da discussão fora por causa de brincadeiras, mas ela desconfiava que Anne escondia algo mais. Conhecia sua filha, ela não era de se irritar por nada, mesmo que o garoto fosse um daqueles “osso duro de roer”. Sugeriu que ela conversasse com a menina para tentar extrair mais informações dela – tudo bem, você irá coloca-la de castigo por isso? Se não, posso pega-la no sábado para conversar, quem sabe não descubro o resto da história? - A cunhada concordou – passe o telefone para Anne.

- Oi, tia. Está zangada com Anne?

- Ainda não sei. Preciso entender porque você bateu no seu coleguinha, então decido se você merece um castigo meu também. Sábado irei pega-la para essa conversa. Nada de farras, entendido? Repita para sua mãe não desconfiar – Stana orientou.

- Tá bom, tia. Nada de farra ou sorvete. A tia quer conversar sério. Anne não quer a tia com raiva. Vou esperar. Um beijo, tia. Não! Dois beijos, um pra cada bochecha. Ai a tia dá mais dois beijos também no moço bonito daí, tá?

- Tudo bem. Tchau, princesa – assim que ela desligou, Nathan quis saber o que acontecera.

- Problemas, Stana?

- Acredita que minha sobrinha bateu em um menino na escola? Seus filhos fazem isso, Dara? Que menina atrevida! Quero saber dessa história direitinho.

- São crianças e quando tem personalidade forte, não levam desaforo para casa – disse Dara – o meu mais velho já fez isso. E sua sobrinha é bem esperta, aposto que tem um bom motivo.

- Veremos!

No caminho para casa, Stana explicou a Nathan o que acontecera, o motivo da briga fora uma brincadeira, mas nem a mãe nem ela compravam a história.

- Acho que tem algo mais aí, pretendo descobrir sábado. Você não se importa que eu leve Anne para casa, certo?

- Claro que não, estamos devendo um final de semana a ela. Confesso que estou curioso para saber o que a pequena aprontou. Só que hoje ainda é quarta! Vou ter que esperar até sábado para saber.

- Nathan, às vezes você é pior que Anne! – disse rindo da expressão formada no rosto do marido.


Continua...

sábado, 21 de fevereiro de 2015

[Stanathan] Kiss and Don't Tell - Cap.38



Nota da Autora: Desculpem a demora, porém precisava de material para escrever. Hora de comentar o PCA... ou melhor, comemorar. Além de outras coisas mais....Enjoy! 

Atenção... NC17! 

Cap.38            

   
De volta aos estúdios, foram direcionados muito cedo para uma reunião de produção. Apesar de terem começado as filmagens do episodio quatorze, o primeiro do duplo, eram apenas cenas de momentos esporádicos. A parte principal e mais trabalhosa ficara para ser gravada agora. A ideia de David era estimular a atuação e as emoções das cenas e personagens. Teriam cenas de ação e bem dramáticas.

Discutiram a sequencia e os horários das filmagens. Trabalhariam todas as noites invadindo a madrugada. Isso seria bem pesado, mas a preocupação de Stana estava voltada para outra coisa. Ela deveria estar livre na quarta para o evento do PCA. Nathan também era esperado no evento, porém tudo indicava que ele não poderia participar. Resolveu se pronunciar.

- Entendo que teremos um trabalho pesado pela frente, mas e quanto ao PCA? Quarta é a noite do evento.

- Não nos esquecemos do evento, exatamente por isso – David apontou para o quadro – você vê seu nome no cronograma das gravações? – ele mesmo respondeu – é porque você irá representando a todos. Nathan precisará trabalhar muito nesses três dias. Prepare seu vestido e faça bonito na cerimônia. Ah! E lembre-se na maquiagem, porque terça sairemos daqui de madrugada.

Não muito satisfeita em saber que não poderia contar com Nathan para um momento de festa no qual poderiam aproveitar juntos, Stana acabou tendo que acatar as ordens de David e mudar também seus planos para um outro tipo de comemoração possível caso eles ganhassem o prêmio.

Antes de começarem realmente os trabalhos daquele dia, ela entrou em contato com sua agencia confirmando a presença no evento da quarta e pedindo para enviarem o vestido para o estúdio já que praticamente viraria as madrugadas ali mesmo. Então, o trabalho dominou as horas de seu dia. Ela estava sobre uma carga emocional muito grande diante da atuação que era obrigada a entregar. Deram uma parada umas sete da noite para comer algo e descansar um pouco antes de continuarem outras cenas internas.

Stana seguiu direto para o banheiro. Precisava jogar uma água no rosto. Depois, encontrou Nathan na minicopa abrindo uma sacola de delivery. Ela caminhou até a maquina de café, serviu-se numa caneca sentando-se de frente para ele.

- Pedi Thai. Não temos muito tempo para comer, então... aqui, os pauzinhos – entregou o hashi para Stana, notando que ela estava incomodada com alguma coisa, não era cansaço puro e simples – o que foi, amor? Estou vendo em seu semblante que está chateada com algo.

- Não é nada, besteira.

- Não pode ser besteira – ele deixou a mão escorregar encontrando a dela, dando um leve aperto – conte.

- Tudo bem – ela suspirou – é só que eu estava contando com a nossa ida ao evento juntos. Quer dizer, juntos disfarçadamente. Tinha planos para a noite. Para comemorar, para nós. Fiquei um pouco chateada. É isso.

- Tinha planos? Certo... se forem os tipos de plano que estou imaginando, do tipo que envolve a nós dois nus e muito exercicio, podemos faze-los sem problema. Conte comigo.

- Bobo! Você estará exausto. Ou esqueceu que trabalhará a madrugada?

- Não, sei que tenho muito trabalho pela frente, mas sempre terei um tempo para você. Especialmente quando sua intenção é meu tipo de brincadeira preferida – ela riu colocando mais um pouco dos noodles na boca.

- Tarado – ela murmurou rindo – queria tanto te beijar...

- Infelizmente não tem nada disso no script de hoje, ou algo que você possa improvisar nesse sentido. Lembra-se da última vez? No cenário do escritório? A sua improvisação que quase me deixa em maus lençóis?

- Eu não faço essas coisas – ela replicou com um sorriso safado – tudo que faço é por amor à arte, vi uma possibilidade de melhorar a cena, torna-la mais real. E você gostou – confirmou com os olhos fitando a região baixa dele - Preciso voltar para a maquiagem, eu lavei meu rosto. Vejo você no set – Stana levantou-se, roubou um biscoito da mão dele e saiu rumo ao camarim.

Nathan observou-a sair. Sorrindo, ele recordou a cena em questão.

Ele lera a cena, memorizara suas falas e sabia exatamente em qual posição estariam no set. Ele sentado em sua cadeira de PI, ela apoiada na mesa dele, sentada. Conversariam sobre largar o escritório de investigador profissional, ela o pediria para esperar um pouco mais, então viria o beijo. Stana deveria se aproximar, beijar-lhe a testa enquanto ele se inclinaria para encontrar seus lábios. Era isso. Fim da cena. A filmagem ficara bem diferente do que eles ensaiaram. Entretanto, não tinha do que reclamar.

A cena corria tal qual ensaiada até o momento que Stana recitara sua frase.

- Você trabalhou muito para conseguir sua licença como PI, não tome qualquer decisão precipitada. Talvez devesse dormir e esperar até amanhã.  

- É, eu deveria dormir ou talvez devesse “cochilar“ a respeito .... – ele toma um gole de seu suposto whisky, olhando cinicamente para ela.  

- Chochilos são bons, sou uma grande defensora dos “cochilos” – nesse momento, Stana se levantou para beija-lo. Ao invés de fazer como estava no roteiro e encostar os lábios em sua testa, ela sentou-se sobre o colo dele, Nathan gemeu no momento que ela, inclinando a cabeça para o lado, buscou seus lábios. Ele ainda segurava o copo de bebida mas diante do ocorrido, livrou-se dele logo em seguida. Os gemidos continuaram simplesmente porque Stana não apenas brincava com a lingua e os lábios como também movia-se sobre o colo dele, instigando-o. As mãos de Nathan estavam nas costas dela e naquele momento, ele sentiu a pontada na virilha. O contato dela movimentando-se discretamente estava levando-o à loucura.

Ao ouvir o corta, o diretor comentou que gostara da improvisação e deixaria no episódio. Ela ainda permaneceu no colo dele. Sentia que ele estava excitado. Tiveram que agir naturalmente, somente ele sabia quanto autocontrole foi preciso. Louca, ele se casara com uma louquinha e adorava isso.

- Nathan.... hey, Nathan! – ouviu baterrem palma perto dele – finalmente! Você estava em transe? Já chamei-o várias vezes. E pela cara era um dos bons.

- Dara... era mesmo.

- Só pode ser algo envolvendo uma certa mulher de cabelos castanhos e olhos amendoados.... – ele riu – esqueça isso, PI, estão chamando você no set.

- Você adora cortar meu barato... – ele brincou passando por ela dando um encontrão leve – especialmente quando preciso me concentrar para longas horas de trabalho.

- E pensar em sexo, ajuda?

- Quem disse que era sexo, Dara?

- Sua cara. O que mais podia ser em se tratando de Stana? – Dara riu enquanto Nathan fazia uma careta sumindo em direção ao estúdio de gravação.

A noite foi longa. Eles gravaram até três da manhã. Exaustos, sabiam que deveriam retornar ao estúdio às sete horas. Praticamente desabaram na cama. O dia seguinte não fora muito diferente. Exceto pela companhia dos convidados especiais, o trabalho exigiu bastante deles.                         

Uma entrega fora feita em nome de Stana levada diretamente ao seu camarim. Ela ainda não tivera tempo de olhar o vestido que usaria para o PCA. Hoje tinha que gravar suas cenas com a doutora Nieman. A atriz, Annie, era super simpática, em nada parecia com a personagem. Elas conversavam muito sobre diversas coisas. Como a maioria das cenas dela nesse episódio eram sem Nathan, Stana teve que se contentar com apenas rápidos encontros na minicopa. Contudo, ela não desistiu da surpresa que faria caso ganhasse o prêmio, havia feito umas adaptações.

Em um dos intervalos, Stana ligou para a sobrinha. Sempre tinha tempo para a pequena especialmente depois que casara e Anne passara por um momento crítico de depressão, se é que esse seria o termo correto. Depois de passar quase meia hora com a menina, rindo das novidades que ela contava sobre as férias com as amiguinhas, ela pediu a tia para vê-la. Estava com saudades dela e do tio.

- Docinho, também estou com saudades. Mas, essa semana está complicada. Filmamos até tarde, tenho evento e nem quero pensar no seu tio, está mais atarefado que eu. Talvez daqui a uns dez dias consiga fazer alguma coisa. Eu aviso você, tudo bem?

- Tá tia, e eu sei que vai ganhar o PCA. Anne votou na tia, muito!

- Obrigada! Tenho que desligar, amor. Eu te amo, Anne.

- Também te amo, tia. Um beijo no tio.

Ela teria que agendar algum programa com a sobrinha logo, de preferência com Nathan.

Deixara o estúdio por volta das três da madrugada de quarta. Ela terminara suas filmagens há uma hora, porém ficou enrolando no camarim checando seu vestido para o evento e esperando Nathan, claro. O vestido escolhido pela sua agente era deslumbrante. Adorou a delicadeza de Carolina Herrera, fora que era sexy. Também aproveitou o tempo para pensar na surpresa que faria para o marido na quinta. Ela viera de carro, pois não arriscaria ficar usando metro de madrugada. Quando soube que as gravações estavam terminando, ela decidiu ir para casa.

Vinte minutos depois que ela chegou em casa, ele apareceu. Stana já estava deitada. Deixara o vestido no camarim, teria que sair de lá mesmo. Ao vê-lo entrar no quarto, pode perceber a cara de cansado.

- Hey....

- Hey.... – ele se inclinou para dar um beijo nela – vou tomar um banho. Já volto – ele surgiu já de pijamas, dez minutos depois. Puxou as cobertas e acomodou-se na cama ao lado dela. Stana se virou para fita-lo. Acariciou o rosto beijando-o várias vezes. Ele adorava os carinhos dela.

- Você está cansado...

- Estou, não sou tão novo como você, Staninha.

- Idade é só um número. Continua sendo perfeito para mim. E a sua idade não atrapalha em nada nossas brincadeiras – beijou-lhe os lábios – mas hoje nada de exercícios. Precisamos descansar. Anne mandou um beijo para você. Está com saudades. Disse para ela que essa semana estava impossível.

- Teremos que fazer algo depois.

- É, mas agora vamos dormir – aconchegando-se nos braços dele, adormeceram.


PCA – 7 de janeiro


Stana gravara até às quatro horas da tarde. Terminaria suas sequencias de cenas no dia seguinte. Como tinha pouco tempo restante para o evento, trancou-se em seu camarim para arrumar-se para o PCA. Decidiu que se arrumar na casa de Nathan era arriscado, portanto usaria a própria equipe da série para fazer seu cabelo e maquiagem. Era uma corrida contra o tempo, a limusine que iria leva-la até o teatro chegaria às seis e meia. O tapete vermelho começaria às sete horas onde provavelmente ela receberia os prêmios já que a CBS evitava mostrar que a maioria vencedora era de emissoras concorrentes.

Dessa vez, Stana pouco se importava se ia receber o troféu lá fora ou no palco. Também não apresentaria nenhuma categoria esse ano, portanto para ela o mais importante era o reconhecimento dos fãs. Quando ganhou ano passado, fora muito emocionante. Achava difícil repetir a dose, porém os fãs de Castle são mesmo surpreendentes. Eles investem nas competições, nos ídolos, no show e levam bem a sério. Realmente gostaria de se despedir de Nathan antes de ir, infelizmente não seria possível porque sabia que no instante que ele olhasse para ela, iria dar bandeira.

A limusine fora pontual. Cindy ajudou-a com o vestido e fez uns últimos retoques na maquiagem.

- Wow! Você está divina. Aposto que será a bela da festa.

- Esse vestido é lindo mesmo, não? Adorei como ele se ajustou ao meu corpo.

- Sim, está perfeito. A limusine está na saída D do estúdio. Fica mais perto. Dara mandou o motorista espera-la lá. Sugiro você ir logo porque não é legal se atrasar.

- Você tem razão. Obrigada, Cindy.

Stana atravessou uma parte do estúdio e avistou a limusine esperando por ela. Acabou se arrependendo de não convidar Gigi para o evento. Mas, como poderia adivinhar que Nathan iria ficar trabalhando até tarde? Se tivessem voltado antes podiam saber mais do cronograma. Ah, tudo bem. Haverá outras oportunidades.

Chegou ao teatro na hora marcada. Bem pontual. Já havia uma fila de limusines esperando o momento de abrir suas portas e revelar as estrelas tão aguardadas por uma bateria de fãs. Stana não gostava muito desse lado de glamour hollywoodiano. Para ela, eventos como esse eram verdadeiros desfiles de moda e disputas da beleza em pleno tapete vermelho. Viraram uma competição acirrada, algumas vezes maior que o próprio prêmio. Nesse ponto, ela era bem parecida com a sua personagem Kate Beckett.

Porém, Stana sabia que precisava de publicidade. Depois que trocou de agente, ela tinha vários eventos para atender. Disse que era preciso fazer seu rosto ser conhecido, torna-lo visível além dos fãs de Castle. Assim, aprendia aos poucos como circular apropriadamente. Ela dizia que Stana merecia atuar em grandes produções do cinema.

Certo. Hora de enfrentar o tapete vermelho.

Quando pisara na suposta passarela do People’s Choice, Stana não imaginava que faria tanto sucesso. Na sua simpatia de sempre e exibindo o sorriso maravilhoso com os lábios cobertos por um baton vermelho exuberante, ela conquistou simplesmente todos os fotógrafos do evento. Não sabia dizer quantos flashes foram disparados em sua direção. Nem quantas entrevistas dera naquela noite.

Pode ver de longe o seu eterno favorito George Clooney acompanhado da esposa. Não pode deixar de sorrir ao lembrar-se de Nathan. Se ele estivesse ali certamente faria alguma piadinha do tipo “você perdeu sua chance e olha com quem acabou”. Era bem a cara dele. Suspirou. Deus, ela sentia falta dele.

Stana ficou impressionada em ver que havia até TV chinesa no local, não apenas isso, mas eles conheciam Castle. Às vezes esquecia a proporção de alcance de uma série. A internet é uma ferramenta fabulosa de divulgação. Não deixaria de dar uma entrevista a eles. Além de muitos elogios quanto a sua roupa, aparência e seu trabalho, o que Stana não contava era com a pergunta capciosa do repórter. 

- O escritor é mesmo seu tipo? Na vida real?

- Oh... – foi a única coisa que ela conseguiu dizer, depois disso foram sons sem qualquer sentido e para piorar, ela estava ficando vermelha. Que saia justa, pensou. O próprio repórter comentou que era melhor parar, pois ela estava envergonhada. Mesmo falando de sua personagem logo depois, Stana estava desconfortável com a situação. Terminada a entrevista com muitos agradecimentos e novamente elogiada, ela resolveu caminhar até um cantinho. Precisava se recompor, respirar.

Por que ela continuava se metendo nessas enrascadas? Toda vez que alguém perguntava algo sobre Nathan ela dava bandeira, para o bem ou para o mal. Mesmo estando casada com ele, escondendo sua relação de tantas pessoas até dos amigos, ela não conseguia disfarçar a menção ao nome dele e que tipo de relação eles tinham. 

Sentindo-se melhor, checou o celular. Estava próximo de começar o evento. Assim que se dirigiu a entrada do teatro, um dos representantes da emissora abordou-a. Eles queriam entregar os prêmios de Castle a ela. Sim, prêmios. Novamente, Castle levou como melhor “crime drama”, Nathan ganhou mais um e claro, ela levou pela segunda vez o de melhor atriz em “crime drama”.

Ela estava feliz. Muito feliz. Seus fãs realmente eram maravilhosos, na verdade, todos os fãs de Castle. Marlowe ia ficar muito satisfeito. Era a quarta vez que eles ganhavam a estatueta como série. Ela agradeceu imensamente a pessoa que entregou-lhe os prêmios e começou a gravar vários agradecimentos para o público, os leais telespectadores do show. Castle realmente mudara sua vida, pessoal e profissional.

A noite estava excelente, para ser perfeita apenas faltava Nathan ao seu lado. Com o ritmo das gravações, ela imaginava que nem tempo para checar o twitter ele tivera. Conhecendo os fãs, devia estar uma loucura. Após as obrigações com a emissora e a organização do premio, ela entrou no teatro para curtir o resto da premiação.

Stana chegou em casa por volta de uma da madrugada. Nem sinal de Nathan. Ele deveria chegar exausto. Cuidadosamente, ela tirou o vestido, pendurou no seu lado do closet. Depois, ficou na frente do espelho e tratou de remover toda a maquiagem. Lavou o rosto com bastante sabonete facial para em seguida passar um creme noturno.

Sabendo que teria que levar os prêmios pela manhã para o estúdio, ela guardou apenas a sua estatueta no escritório de Nathan e as outras colocou em seu carro. Podia deixar o de Nathan em casa, para facilitar, mas ela tinha outros planos para essa entrega especial. Sorrindo, ela se enfiou debaixo das cobertas, desligou as luzes e tentou dormir.

Nathan chegou por volta das três, ela devia estar dormindo por apenas meia hora, contudo manteve o silêncio. Ele tirou a roupa, desapareceu no banheiro e voltou pouco depois já de pijamas. Deitou-se ao lado dela.  Encostando seu corpo no de Stana, ele beijou-lhe o pescoço envolvendo-a em seu abraço. Ela tocou a mão dele com a sua.

- Acordei você?

- Tudo bem, eu o vi chegar. Você deve estar muito cansado – ela virou-se para fita-lo sorrindo elevou o rosto para beija-lo – suas olheiras dizem tudo.

- Eu tive uma cena bem complicada e emocional.

- Por minha causa?

- Não, por causa de Beckett – disse com o sorriso tipicamente implicante – me inspirei em você.

- Como assim?

- Tentei entender a perspectiva de Castle usando a nossa relação. Não sabia que ia ser tão difícil.

- Dificil pensar em nós, comparar-nos com eles? – Stana parecia surpresa.

- Não, amor. Difícil imaginar como seria se algo terrível acontecesse conosco. Se eu tivesse que vivenciar a dor de Castle com você. Nunca pensei que ia me sentir tão afetado com um episódio. Acredito que é porque não se trata da Beckett ali, é tudo sobre você.

- Nate.... – ela pode perceber que ele estava muito mexido com tudo isso. Falava sério sobre o sentimento.

- Eu nunca me perdoaria se algo acontecesse com você por minha culpa. Acho que você me afetou com esse seu lado shipper passional.

- Babe – ela acariciou o rosto dele – nada vai acontecer comigo. Estamos bem – avançou para os lábios trocando um beijo carinhoso – gostei de saber que pude influencia-lo. Estou orgulhosa de você e curiosa para ver essa cena.

- E a sua noite? Como foi?

- Nós ganhamos. Eu, você e a série. Foi uma festa muito boa considerando o padrão e o tratamento da CBS, só que não é a mesma coisa sem você. Eu realmente queria que tivéssemos na premiação juntos. Clooney estava lá com a esposa. 

- Mesmo? Aposto que você ficou pensando que perdeu sua chance e agora tem que aturar o seu marido geek, moleque e charmoso – ela desatou a rir.

- Eu sabia que esse seria seu comentário. Oh, Nathan! Não trocaria você nem por dez George Clooneys. Bobo! – beijou-o novamente – vamos dormir, temos um longo dia pela frente.

Stana tinha razão. Havia muito que flmar naquela quinta-feira. Sua primeira missão foi entregar o premio de Castle na sala dos escritores. Marlowe, David e Terri estavam lá.

- Olha quem chegou! A bela do baile! – disse Terri – Stana, você estava encantadora ontem. Está em todos os sites de moda como a mais bem vestida em vários deles. Não apenas nos Estados Unidos, mas no Brasil, Espanha, Itália. Estou orgulhosa de você, garota! Era um vestido fabuloso.

- Obrigada, Terri.

- Então, nós ganhamos – disse Marlowe.

- Sim, pela quarta vez – ela entregou o premio a ele – parabéns para nós.

- Parabens para você também, querida. Seu segundo PCA. Isso diz muito sobre o seu trabalho. Eu tirei na loteria quando escolhi você e Nathan para trabalhar comigo.

- Podemos dizer o mesmo, sem sombra de dúvida. Castle é um sonho para mim, vocês sabem disso. Ser reconhecida pelos fãs é o melhor presente que podemos receber.

- Excelente, de verdade. Eu já até escrevi para o nosso fandom no twitter agradecendo. Cadê o Nathan? – Andrew perguntou.

- Eu o vi passar para a maquiagem. Ele parece cansado. Que horas vocês encerraram ontem? – perguntou Stana para disfarçar.

- Quase três. Ele foi espetacular ontem – disse David – o que me lembra que é a sua vez... temos as últimas cenas para gravar inclusive a que você é encontrada.

- Tem razão. É melhor eu ir para a maquiagem me preparar. Vejo vocês depois. Estúdio D, David?

- Isso mesmo.

Stana fez o que deveria fazer. Rumou para o seu camarim, tirou da bolsa o prêmio de Nathan, deixou-o sobre o balcão. Mais tarde ele serviria ao seu propósito. Colocou o figurino da próxima cena na qual voltaria ao mesmo cenário com a maca e a doutora, apenas dessa vez ela estará morta. Passou pela maquiagem, deu uma rápida olhada no texto da cena seguinte e partiu para encontrar o diretor.

Sabia que Nathan estava filmando em outra parte do estúdio, sendo assim, ela não encontraria com ele até dali a uns quinze minutos. A cena que ia filmar agora era pesada. Apesar de não ter uma fala sequer, exigia uma carga emocional muito grande. Ela caminhou pelo set, buscando se envolver na atmosfera pesada. Lembrou-se do que Nathan dissera antes deles dormirem na noite anterior. Pensativa, ela decidiu se colocar no lugar de Castle.

O que ela faria se descobrisse que Nathan estava correndo um grave perigo? Como ela reagiria se soubesse que estavam prestes a dilacerar seu rosto, traumatiza-lo para vida e até mata-lo? Seu mundo desabaria, sua vida acabaria. Ao pensar nisso, sentiu o coração apertar. Porém, sabia que o sofrimento, a dor seria muito maior do que um simples aperto no peito. Decidida a entendê-lo completamente, Stana procurou o diretor.

- Oi, Rob. Tem um minuto para discutir essa cena comigo?

- Claro, Stana. Você tem alguma dúvida, sugestão?

- Não, na verdade eu estou tentando entrar no clima. É um momento crucial na vida de Beckett. Ela precisa matar para salvar a própria vida. O problema é que não se trata de um gesto de uma detetive, essa decisão afeta a pessoa, a detetive e claro a Castle. O clima é tenso.

- Acho que você não precisa de ajuda, entendeu exatamente o que a cena significa.

- Entender sim, mas preciso vivencia-la corretamente. Nathan já deve ter gravado a cena onde supostamente encontra Beckett morta, não?

- Sim, gravamos ontem. Por que?

- Estava pensando se assistisse a cena, talvez possa captar a ideia do sofrimento. Você poderia mostra-la para mim?

- Stana, temos cerca de dez minutos e não podemos atrasar as gravações, o episódio deve fechar hoje.

- Por favor, Rob..... quero ter certeza que farei a melhor atuação possível, esse episódio é muito esperado pelos fãs, quebra essa – a verdade é que ninguém consegue dizer não a Stana. Ele balançou a cabeça, cedendo.

- Tudo bem, tudo bem. Você se importa de assistir aqui mesmo na câmera? Ainda não tivemos qualquer trabalho de edição.

- Isso não é problema – disse Stana.

Rob organizou a câmera para o ponto do filme onde a cena em questão começava. Stana veria todo o desespero de Castle antes de encontra-la supostamente morta. Com os olhos vidrados na telinha da câmera, ela ouvia e percebia cada detalhe da atuação de Nathan, cada gesto, cada lágrima. Vê-lo sofrendo por ela, arrancou lágrimas de Stana, não somente isso, seu corpo tremia, o peito doía.

Ele ficou surpreso de ver a reação dela diante da cena. Nathan havia arrasado na cena. Apenas ela sabia que grande parte daquilo não era encenação. Rob se aproximou quando ela enxugava as lágrimas.

- Nossa! A cena pegou você de jeito não?

- Foi perfeito para o que queria. Obrigada – viu que Nathan entrara no set de gravação naquele momento. Um pequeno sorriso se formou no canto de seus lábios. Ele a fitou e viu os olhos vermelhos. Na mesma hora, ficou preocupado. Aproximou-se deles.

- O que está acontecendo aqui? Tudo bem? – dirigindo-se diretamente a ela.

- Tudo ótimo. Preparação para cena. Podemos filmar, Stana?

- Por mim, tudo pronto – disse Stana vendo que Nathan ainda tinha um ar preocupado – vamos matar a Annie, sem ofensa – piscou para a outra atriz que estava ali perto.

- Em seus lugares – pediu Rob.

A cena tensa foi gravada de primeira. Stana representou o papel da detetive destemida de maneira excelente. O xemblante frio diante da descoberta que fora capaz de matar para salvar a própria vida e o reencontro ainda em choque com Castle foram feitos com maestria. Ao ouvir o corta, Stana suspirou. Os câmeras bateram palmas e Nathan acabou apertando a mão dela em sinal de reconhecimento.

- Foi brilhante – ele percebeu que o semblante dela ainda estava carregado – está tudo bem mesmo? – ela deu um sorrisinho tímido.

- Está sim, tudo ótimo – ela respondeu.

- Ok, pessoal. Dez minutos de intervalo e a próxima cena no distrito – disse o diretor. Michael e Annie esperavam os dois para se despedirem. Seu trabalho em Castle estava terminado. Michael foi quem primeiro falou.

- Acho que acabou, não? Stana, Nathan foi um prazer trabalhar com vocês todas às vezes. Sou grande fã do show e do trabalho de vocês.

- O prazer foi nosso – disse Nathan – especialmente agora que você está morto realmente. Você está, não?
- Dessa vez sim, quer dizer, acho que a única pessoa que pode responder essa pergunta é Marlowe – eles riram.

- Stana, é sempre um prazer. Sabe, Kelly Neiman tinha razão. Muitos matariam por um rosto como o seu.

- Nathan, é melhor a gente sumir. Acabei de ser ameaça – novas gargalhadas – vem cá, me dá um abraço – após as devidas despedidas, um pouco mais de conversa e risos, Stana percebeu que ia sentir falta da história do serial killer.

- Vocês estão dispensados, nós ainda temos trabalho a fazer. Vemos vocês por aí. Boa sorte!   

Eles voltaram conforme o diretor solicitara. A cena do distrito foi engraçada ao ver Castle abraçando Gates com muita vontade. Ele realmente recebera um presente por poder voltar ao 12th. Uma história com final feliz. Nathan não entendeu o abraço tão apertado que recebera dela, menos ainda quando ela sussurrara ao seu ouvido um “obrigada”.

Fizeram a última cena no loft por volta das dez da noite. O diálogo falando de dúvidas e sentimentos foi interpretado muito bem. Ter mais uma oportunidade de ouvi-lo dizer “always” novamente, mexeu com o coração de Stana. Ao deitar sobre o peito dele naquele instante e fechar os olhos, assim como Beckett ela sentiu o quanto era bom voltar para casa. Não o lugar, a pessoa.

- E acabamos – foram as palavras de Rob – excelente trabalho pessoal. Esse filme ainda vai para a edição, mas não tenho dúvida alguma de que tudo ficará perfeito. Stana e especialmente Nathan, vocês merecem umas boas horas de descanso. Podem chegar amanhã ao estúdio depois do meio-dia, ok?

- Obrigado – disse Nathan – a palavra descanso soa como música aos meus ouvidos.

- Que bom, mas antes de ficar empolgado, preciso de cinco minutos mais. Stana pode ir.

- Certo. Boa noite, Rob.

- Boa noite, querida. Ah! Antes que eu me esqueça, saia pelo estúdio D mesmo. Só estamos nós aqui e todas as outras saídas estão fechadas.

- Obrigada, tchau Nathan. Bom descanso – ela sorriu para ele não deixando claro se já ia embora ou esperaria.

É claro que Stana já tinha todo um plano em sua mente. Em direção ao seu camarim, ela envia uma mensagem para o celular de Nathan avisando que estava de carro e o encontraria em casa. Entrando em seu camarim, trocou de roupa, pegou sua bolsa e o premio dele que trouxera.

Quinze minutos depois, Nathan entrava em seu camarim louco para trocar de roupa e se mandar para casa. Ao acender as luzes, deu dois passos para trás surpreendido por algo inusitado. Stana estava sentada sobre o balcão vestindo apenas uma calcinha preta, uma gravata vermelha parte do figurino de Castle e o prêmio do PCA nas mãos cobrindo parte dos seios. O olhar malicioso era completado pelo lindo batom vermelho nos lábios.

- Parabéns pelo seu PCA, amor.

- Meu Deus... – ele tentava se recuperar do susto, mas a imagem dela o atraia como um imã. Ela estava divina, sentiu a calça de moleton alargar-se – Stana, o que você está fazendo?

- O que parece? Quero comemorar seu prêmio, ou melhor nosso prêmio com você!

- Mas esse é o meu camarim, estamos no estúdio. Alguém a viu entrar aqui?

- Não, você não ouviu o Rob? Não há ninguém aqui. Podemos fazer quantas loucuras quisermos – ela brincava com a gravata insinuando-se para ele.

- Você é louca... – ele disse se aproximando colocando as mãos sobre as coxas dela.

- Por você... – entregou o prêmio nas mãos dele puxando-o pelo pescoço envolvendo-o em um beijo gostoso. Ele estava entre as pernas dela. Deixou a estatueta de lado usando as mãos para acariciar a lateral do corpo de Stana, ele aprofundou o beijo. Ela ergueu a camisa dele tirando-a completamente pelo pescoço. Nathan deslizou os lábios em busca dos seios dela. Contornou um deles com a língua, apertou o mamilo, beijou-o até abocanha-lo completamente. Stana enroscou uma das pernas na cintura dele. Apoiou o corpo para trás dando mais espaço para ele trabalhar.

Deus! Como adorava o toque dele. Sentia a mão acariciar o interior da sua coxa até chegar à calcinha. Ele a instigava, fazendo-a gemer com o toque elaborado dos dedos em seu centro ainda escondido pelo tecido.

- Nate... por favor...

Ele continuava distraído com os seios dela, sabia que ela estava excitada, querendo mais. Muito mais. Os lábios deslizaram pelo estomago, afastando as pernas, beijou-a intimamente mesmo sobre o tecido, Stana arqueou o corpo recebendo uma onda de calor, envolvendo-a. Em segundos, ela sentiu um novo beijo. Dessa vez, em seu centro sem qualquer obstáculo. Gemia baixinho. Enquanto Nathan trabalhava, ela deixava o desejo a levar. O orgasmo fora inevitável. Ela se segurou na beira do balcão para contorcer-se completamente para ele.

Vendo-o se afastar um pouco para admira-la, Stana se ajeitou no balcão tocando-se primeiramente nos seios deslizando a mão na barriga.

- Nate, quero você...

Ele desfez-se das calças mostrando que o membro já estava excitado. Não a torturou por muito tempo mesmo porque estava louco para sentir-se dentro dela. No memento que deslizou sobre ela, ouviu um gemido satisfeito escapar dos lábios de Stana. Colando seu corpo ao dele, eles movimentaram-se até seus sentidos serem invadidos pela explosão de prazer mutuamente.

Após fazerem amor, Stama beijava a linha do ombro dele deixando as mãos acariciarem as costas para cima e para baixo. Ele beijou-lhe a orelha, o rosto e afastou-a para olhar seu rosto.

- Valeu mesmo não ter ido ao evento, esse momento com você foi bem mais interessante – rindo ele se afastou mais para que ela pudesse descer do balcão. Ela escorregou ficando de pé na frente dele. Roubou-lhe mais um beijo – agora podemos ir para casa, não Staninha? Essa injeção de animo foi revigorante, mas eu ainda estou muito cansado.

- Tudo bem, vou me trocar – na porta, ela voltou e tirou a gravata que vestia – Ops! Essa gravata é sua, do seu camarim. Não podemos deixar as provas do crime espalhadas por aí, esse é o nosso segredo – ela jogou a peça de roupa que Nathan apanhou com as mãos – sabe, ainda tenho uma fantasia a realizar nesse estúdio... – Stana disse olhando-o maliciosa.

- Tenho medo de perguntar qual é...

- Transar na cama de Castle e Beckett – ela respondeu com a maior naturalidade.

- E eu jurava que era fazer sexo na sala de interrogatório... essa é a minha.  

- Quem sabe, Nate... uma madrugada qualquer?

Cinco minutos depois, os dois seguiam para o portão D conforme Rob os alertara. De mãos dadas, eles não tinham pressa. Passava da meia-noite. Caminhando pelos extensos corredores do estúdio iluminados apenas por luzes de emergência, Nathan resolveu perguntar sobre algo que estava incomodando-o.   

- Stana, por que estava chorando antes de gravar? Conheço você, aquilo não era parte de uma encenação. Quer me contar o que houve? – eles pararam bem em frente ao portão de saída, Stana pegou as mãos dele nas suas, fitou-o carinhosamente.

- Eu vi a gravação da sua cena quando você encontra a Kate morta... aquilo foi... espetacular. Eu compreendi o que me disse antes, eu senti. Era tão real... percebi que se fosse você ali, eu não suportaria. Não era a Kate naquela cena com o bisturi na mão defendendo sua vida, era eu, Stana, imaginando que essa seria minha reação se algum dia estivesse prestes a perder você.

Ele segurou o rosto dela com as duas mãos, beijou-a apaixonadamente.

- Também não era o Castle ali. Imagino que o seu “obrigada” no abraço da outra cena tinha a ver com isso.

- Sim... – ela acariciou o rosto dele – vamos para casa, babe.

Quando Nathan tentou abrir a maçaneta da porta, ela não cedia.  Repetiu o gesto, nada. Começou a sacudi-la.

- Nate... a porta...

- Eu sei, acho que está emperrada. Um pouco de jeito ou força resolve – disse forçando a maçaneta de novo.


- Não, tem um cadeado – ela apontou aonde, viu quando Nathan realmente encontrou o cadeado enorme. Ele virou-se para fita-la, o pânico tomava conta do rosto de Stana – estamos presos, Nathan! Oh Deus... o que nós fizemos?


Continua...