segunda-feira, 25 de abril de 2016

[Stanathan] Kiss and Don´t Tell - Cap.71


Nota da Autora: Reviravoltas e mais reviravoltas... as surpresas não param e dona Rada está disposta a arrancar a verdade a qualquer custo sobre a vida de Stana. Cômico, fofo e com um belo momento entre irmãs, essa confusão está longe de acabar...  enjoy! 


Cap.71    

Na manhã seguinte, eles tomavam café sentados à mesa. Stana roubava um pedaço de bacon do prato de Nathan.

- Hey! Coma seu próprio bacon.

- Eu não tenho bacon no meu prato. Estou te ajudando a não comer tanta gordura. Faz bem para sua saúde.

- Esbelto, saudável e sem as melhores coisas da vida? Eu passo. Posso queimar essas calorias com sexo. Acho que demonstrei que tenho ótimas chances ontem, não? Afinal, não fui eu quem reclamou de dores antes de dormir.

- Haha, engraçadinho. Não foi você que teve que se equilibrar em uma única perna e contra a parede molhada e escorregadia do banheiro, mas valeu cada segundo – deu-lhe um beijo rápido – aliás, ao contrário do que diz, eu percebi que você está mais magro, o peito mais definido, menos barriga. Isso tudo é saudades de mim? Como você consegue ficar ainda mais gostoso? Não me importaria nem um pouco se você perambulasse pela casa sem camisa...

- Se fizesse isso, correria o risco de ser atacado a cada minuto, não que eu achasse ruim... – ele a beijou outra vez – mas conhecendo a minha mulher, não faríamos mais nada na vida, além do mais, tenho que estar atento a minha competição, não é fácil, Jeff, Kris, sabe lá quem mais... estão querendo me sabotar – ela jogou o guardanapo no rosto dele, rindo.

- Babe, precisamos conversar sobre o que faremos a respeito da visita da minha mãe ao set, aliás, Anne já se candidatou para ir junto. O que não acho ruim, pode ser uma distração.

- Stana, eu já disse a você que não me importo de receber sua mãe no estúdio. Acredito que seria bem mais fácil para enrola-la se não tentássemos mostrar algo que não existe.

- Você fala assim porque não viu o quanto ela já pressionou a Gigi e como está empenhada em te transformar em meu namorado. É sério. O que você irá dizer se ela perguntar o porquê de estar mais magro, mais feliz? E confie em mim, ela vai dizer que é por causa de mulher.

- Vou dizer que resolvi fazer uma dieta, exercícios para um papel em um filme que farei depois das gravações de Castle. Que tal, convincente o bastante?

- Talvez. E quando ela perguntar sobre a nossa relação, o que acha de mim... essas coisas podem ser muito traiçoeiras. Mamãe tem um dom para enrolar as pessoas e conseguir arrancar tudo que quer saber.

- Hum, vou falar de trabalho. Respeito. Não tem como me enrolar com isso.

- Ah, babe, eu não teria tanta certeza. Mas se insiste em encontrar sua sogra, tudo bem para mim. Vamos enfrentar a fera no ambiente de Castle e Beckett. Talvez possamos usar a sala de interrogatório – ele riu. Inclinando-se para beija-la outra vez – será que minha irmã está se divertindo tanto como nós?

- Aposto que sim, Staninha... por falar em diversão, que tal um mergulho na piscina? Ajuda a queimar calorias especialmente se você combinar o nado com sexo. Pode aproveitar para admirar meu peitoral.

- Preciso testar essa teoria... – ele a puxou pela mão levando-a para o quintal. Queria aproveitar cada minuto com ela antes de se despedir dela outra vez.

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Gigi chegou em casa depois de Stana. O sorriso no rosto era a prova de que se divertira muito no fim de semana. Ambas estavam leves e os olhares trocados foram suficientes para despertar a curiosidade de dona Rada. Marko a deixara em casa após falar com Stana para ter certeza de que a irmã estaria lá. Estavam jantando. Stana mordiscava um pedaço de pão italiano com uma pasta de alho. A mãe fizera questão de trazer um pouco da sopa que preparara na casa do irmão para as filhas.

- Vocês curtiram bem o fim de semana sem a mamãe? Tem um clima de relaxamento no ar. Gostaram de ficar sem mim por perto? Aproveitaram para se reunirem com seus amigos secretos?

- Mãe, deixe de besteira. Claro que sentimos sua falta.

- Filha, não engane sua mãe. Olha a cara de perdida da Gigi. Ela nem parece estar nos escutando – tinha razão, a irmã parecia estar em outro planeta. Totalmente perdida em seus próprios pensamentos. Isso não era bom para o disfarce que precisavam manter.

- Gigi, você quer mais sopa? Gigi... – nada – viu? Completamente surda... Kristina! – ela gritou fazendo Gigi pular da cadeira.

- Mãe! Que escândalo! Tomei um susto. Não quero mais sopa.

- Em que planeta você está, menina?

- Na terra. E já disse que não quero sopa... sis, acho que vou me deitar. Estou cansada. Fui inventar de correr na praia, exagerei. O sol estava muito quente, extremamente quente.

- É verdade, sis – Stana concordou segurando o riso diante da comparação do namorado ao sol – acho até que peguei uma insolação. E não posso ficar doente. Tenho muitas cenas para gravar. Aliás, mãe sua visita será na quinta-feira – ela se levantou da mesa vendo a alegria estampada no rosto da mãe pela notícia – também vou me deitar. Boa noite, mãe.

- Boa noite, meninas. Mal posso esperar para ver o seu costar – Stana bem imaginava que não. Só de pensar nisso, ela tremia. O que não sabia era que ainda teria muita agua para passar por baixo dessa ponte antes do encontro da mãe com Nathan.

Na terça-feira, quando Gigi retornava do trabalho por volta das quatro da tarde, ela foi pega de surpresa na porta de casa. Jeff escondera-se na lateral da casa, seu carro também estava estacionado lá. Quando ele a surpreendeu com um beijo, ela quase gritou.

- O que você está fazendo aqui? Ficou doido? Mamãe está em casa – ela sussurrava.

- Só se for por você. Ah, queria te dar um beijo de boa noite, Gi. Essa história de namorado de fim de semana não é para mim. Enche o saco. Estou mal-acostumado. Principalmente depois de domingo, eu amei aquela surpresinha no café da manhã. Podemos repetir de novo?

- Hum...gostou é? – ela voltou a beija-lo quase esquecendo onde estavam, a lembrança a fez empurra-lo – não, Jeff. É arriscado demais para nós, para Stana. Não podemos estragar tudo agora. Mamãe está desconfiada. Não podemos dar bandeira, por favor. Ela está encucada com a Stana.

- Tudo bem, vou ceder de novo... é só mais uma semana, não?

- Sim, só mais uma – ele puxou-a novamente em um beijo apaixonado. Nessa hora, a porta se abre e a luz da entrada é acesa. Gigi tenta empurrar Jeff para a lateral da casa, mas é tarde demais. Dona Rada está na frente deles. Por sorte, tinham uma certa distância entre eles.  

- O que está acontecendo aqui, Gigi?

- Nada, mãe. É um amigo trabalho. Já vou entrar – só que dona Rada ouvira parte da conversa e por dedução, tirou suas próprias conclusões.

- Gigi, suas tentativas de acobertar por sua irmã não vão funcionar. Não nasci ontem e ouvi a conversa de vocês. Jeff, não? Não sei porque sua irmã fica inventando essas histórias.

- Quanto você ouviu, mãe? – Gigi estava apavorada. Era hoje que Stana a matava.

- O suficiente para saber que você e sua irmã estão fazendo o impossível para esconder esse belo homem de mim. Suas tentativas acabaram. Quero ser apresentada formalmente ao namorado da minha filha, mesmo que ela não me apresente.

- Mãe... por favor.. eu não queria que...

- Gigi, tenha modos e apresente logo o namorado de sua irmã. Stana não está aqui mesmo! – Gigi fez uma careta. Jeff ficou sem graça e para piorar uma Gigi boquiaberta não sabia como reagir. E agora contava a verdade ou deixava a mãe se enganar. Que situação eles foram se meter!

- Esse... – ela olhou para Jeff apavorada pedindo ajuda...

- Jeff Grande. Encantado – ele pegou a mão de dona Rada e beijou-a como um perfeito cavalheiro – e você, me permite chama-la de você? – ela sorriu balançando a cabeça positivamente – deve ser Rada. Muito jovem para ter duas filhas adultas.       

- Oh, obrigada. É um prazer finalmente conhecer o namorado misterioso da minha filha. Não sei porque Stana insiste em esconde-lo da família e do público. Ela é meio paranoica com esse lance de privacidade – era muito pior do que pensara. A confusão estava prestes a começar. Teria que contar a verdade.

- Não, mãe, na verdade Jeff é meu namorado.

- Ah, Gigi, já chega. Uma coisa é sua irmã esconder a história e pedir sua ajuda, outra coisa é você mentir descaradamente. Por favor, Jeff, vamos entrar. Fiz uma torta de amoras deliciosa e tem carne assada para o jantar. Entre, por favor – Gigi beliscou o namorado para que ele inventasse algo.

- Mãe, eu não estou mentindo... conta para ela, Jeff. Não temos escolha.

- E-eu realmente não deveria estar aqui dona Rada. Deus! A Stana vai me matar... – olhou para Gigi – nos matar.

- Vai nada! Agora que já sei quem é você, ela vai se conformar – saiu puxando Jeff pelo braço, ele olhava desesperado para Gigi pedindo ajuda. Ela também estava sem saber como agir. Deveria avisar a irmã ou iria piorar as coisas?

- Quero saber de tudo, como você conheceu a minha filha? Vou colocar a mesa para jantarmos. Infelizmente, Stana vai chegar tarde hoje. Você não sabia disso?

- E-eu sabia, mas... – ele não continuou.

- Ah, que meigo, está com saudades dela, não? Aposto que ela o proibiu de aparecer aqui enquanto eu estivesse em Los Angeles – Jeff meneava a cabeça, sem coragem para abrir a boca. Gigi andava de um lado para o outro agitada pensando no que poderia fazer para reverter isso sem entregar a verdade sobre a irmã – aqui está, coma a carne assada e os legumes. E aproveite para me contar como se conheceram.

Sem alternativa, Jeff começou a contar de sua experiência com Gigi. Era a única coisa que poderia fazer.

- Conheci sua filha em um jantar na casa de Nathan.

- Nathan Fillion, o costar dela no show? Você o conhece?

- Sim, ele mesmo. Somos da mesma cidade no Canada – ok, isso ficava pior a cada minuto na visão de Gigi e melhor a cada segundo na visão de dona Rada.

- Ah! Vocês são amigos, então?

- Melhores amigos – Gigi percebeu que a mãe ficara um pouco decepcionada.

- E ele apresentou-os, pessoalmente? Já tinha falado da minha filha para você antes, como um interesse amoroso?

- Ele sempre falava dela, Acho que é normal pela convivência. Conversamos, nos divertimos e vi que tínhamos interesses em comum. Trocamos telefones. Convidei-a para um café. Três encontros depois...

- E Nathan? Gostou? Quer dizer aprovou? – oh, Deus! Ela realmente estava decepcionada por não ser Nathan? Era isso mesmo que Gigi estava vendo? Ela tinha que interceder.

- Jeff, pare! Nenhuma palavra mais. Deus, como chegamos a esse ponto?

- Gigi, olhe os modos com o namorado de sua irmã. Por que está tão alterada?

- Mãe, chega de teatrinho. Jeff não é namorado de Stana. Ele é meu namorado. Meu – ela puxou Jeff e tascou um beijo nos lábios dele – satisfeita, agora?

- Gigi! Eu sei o quanto quer ajudar sua irmã, mas isso foi baixo demais. Você não pode sair por aí beijando o namorado das outras – ela grunhiu. Que pesadelo!

- Jeff, por favor, sai daqui. Eu vou tentar explicar a verdade para a minha mãe.

- Sim, a-amor. E dona Rada, tudo o que falei era verdade, mas Stana, e-ela não é minha namorada. Gigi é – ela saiu empurrando o namorado pela porta fechando-a atrás de si. Rada apenas revirava os olhos, não conseguia entender a cabeça de suas filhas. Para que complicar tanto? Gigi foi até o carro com Jeff. Estava quase chorando. Estava tudo perdido.

- Vai embora, Jeff. Nem sei como vou consertar isso. Preciso avisar Stana.

- Gigi, desculpe, eu não devia ter vindo. Diz que está tudo bem entre nós, por favor. Se quiser eu mesmo falo com Stana e...- ela deu um beijo rápido nele.

- Está tudo bem com a gente. Agora vai... preciso enfrentar a fera – Jeff entrou no carro. Ela pegou o celular e mandou uma mensagem para a irmã. “911. Mamãe sabe do Jeff. Me liga”. Ela ainda enrolou um tempo lá fora tentando esfriar a cabeça para encarar a mãe, também na esperança que a irmã a respondesse. Nada. Resignada, decidiu entrar em casa. Dona Rada estava com os braços cruzados esperando pela filha. Nem bem Gigi entrou em casa, ela foi logo passando o sermão.

- Que papelão, Gigi. Expulsou o namorado da sua irmã, não me deixou conversar com ele, mentiu e ainda fez o pobre concordar com sua mentira. O que deu em você? O que tem na cabeça, menina? Por acaso isso é ciúmes da sua irmã? Por que ela está namorando e você não? – ela revirou os olhos, ia ser uma longa noite. Suspirando, respondeu.

- Mãe, eu realmente preciso de um tempo, tudo bem? A senhora deixa ao menos eu entrar em casa, tomar um banho e depois nós conversamos? Tive um dia cheio e essa não era mesmo a forma que esperava terminar a minha noite - Mesmo com o beijo de Jeff, pensou. A mãe percebeu o semblante em agonia da filha. Cedeu.

- Tudo bem. Vá tomar seu banho e desça para jantar. Conversamos depois, mas não pense que irá escapar.

Gigi não se preocupou em responder, seguiu para o seu quarto na esperança de ganhar tempo e receber uma resposta da irmã. Tomaria banho e se Stana não desse sinal de vida, ela ligaria para a irmã. Não sabia o resultado da conversa com a mãe, porém Stana tinha que se preparar para o pior.

Raleigh Studios

Nathan já acabara suas filmagens por hoje. Tinha deixado o estúdio há vinte minutos atrás. Stana ainda tinha dois interrogatórios e uma cena com Seamus para fazer. Ela estava retocando a maquiagem e o cabelo quando ouviu seu celular vibrar. Incapacitada no momento de olhar o que seria, esperou até que Lisa terminasse o serviço. Dez minutos depois, ela decidiu checar o celular. Talvez tivesse sido um erro.

Ao ver a mensagem deixada por Gigi, ela ficou pálida. Lisa notou e perguntou.

- Stana? Está tudo bem? Você está branca.

- Es-está. É uma mensagem... da minha irmã. Preciso retornar. Você avisa...a Rob...eu preciso... no banheiro... – ela já saia quase correndo. Lisa entendera perfeitamente e foi atrás do diretor dando um tempo a ela.

Stana chegou ao banheiro trancando-se em uma das cabines. Assustada, ela tentava controlar respiração escrevendo de volta para a irmã. Não sabia o que acontecera nem se era seguro ligar. Respondeu: “Como assim? O que houve? Posso ligar? ”. Ela não esperou nem um minuto pela resposta. “Ferrou. Ligue”. O celular tocou apenas uma vez.

- Que diabos está acontecendo, Gigi?

- Sis, eu sinto muito. De verdade. A casa cai. Sério, eu cheguei aqui e Jeff estava me esperando. Ele estava com saudades, me deu um beijo e eu... eu pedi para ele ir embora por sua causa...

- Você e Jeff estavam se agarrando em frente de casa?

- Não, sis, não foi bem assim. Eu pedi para ir embora, disse que mamãe estava desconfiada. Pedi que fosse para não complicar as coisas para você, mas a mamãe, ela ouviu parte da conversa e Stana... ela nos flagrou não como namorados. Não viu nada. Ela pensa que Jeff é seu namorado.

- O que?

- Sim! Ela levou-o para dentro de casa, serviu comida e queria saber como vocês se conheceram. O pobre do Jeff não sabia o que fazer, eu disse que ele era meu namorado e ela mandou eu parar de lhe acobertar. Jeff contou como nós nos conhecemos sem mencionar nomes. Ele falou de Nathan, que eram amigos. Foi apresentado por ele. Stana parecia a história perfeita, mas sei lá, mamãe estava gostando só que ao mesmo tempo ela parecia um pouco decepcionada por seu namorado não ser o Nathan. Ela chegou a perguntar se Nathan aprovava o namoro. Foi quando eu intercedi antes que ficasse pior. Disse que era meu namorado e o beijei na frente dela.

- Ai, Gigi. Isso não está acontecendo.

- Sis, isso não foi o pior. Ela não acreditou! Ela brigou comigo por beija-lo. Tive que expulsar Jeff de casa e antes que ela continuasse com o sermão pedi um tempo para tomar banho. Estou trancada no banheiro, o chuveiro ligado porque precisava falar com você. Ela está me esperando lá na cozinha para conversar. Disse que não vou escapar. Eu não sei o que fazer, Stana.

- Isso é um pesadelo! Um desastre.

- Eu sei! Quero contar a verdade sobre mim e Jeff, prometo não falar nada sobre você e Nathan, porém se continuarmos iludindo-a com Jeff, a situação pode ficar pior. E acredite, ela daria um jeito de traze-lo aqui de volta e você teria que beijar meu namorado. Eu certamente não aprovo isso. Tenho que dar um basta.

- Ah, Gigi. Eu nem sei o que dizer, como sairemos dessa? Eu concordo que contar a verdade é o melhor a fazer, mas isso não vai impedi-la de questionar-me sobre Jeff e sobre o meu namorado misterioso. Pior, que pode questionar sobre Nathan por causa da história. Que bagunça! E para sua informação, eu nunca beijaria seu namorado.

- Ai, sis! Eu não sei o que esperar. Claro que prefiro contar a verdade, inclusive sobre como nos conhecemos só que não sei como ela vai reagir. Não acreditou em mim até agora. E sei que temos o problema de expor Nathan nisso também.

- Meu Deus! Eu nem sei como falar para ele. Se é que devo falar. Para piorar amanhã ele está filmando externas e eu no estúdio. Não sei se devo ligar para ele, preocupa-lo.

- Não sei o que aconselha-la, uma hora ele precisará saber, porém também acho que está melhor ficando no escuro. Pelo menos até ter contato com dona Rada.

- Definitivamente não vou deixar ele encontrar a mamãe. Não, isso pode tomar proporções gigantes. Gigi, melhor você desligar. Ela vai ficar desconfiada. Conte a verdade e vamos ver como as coisas se ajeitam a partir daí. Capaz dela ficar acordada me esperando apenas para repetir o interrogatório e confirmar tudo. Boa sorte, sis.

- É, nem sei se vale alguma coisa desejar sorte...- suspirou -  juro que estou me sentindo indo para a forca. Tenho que encarar, não? Quem mandou se apaixonar? Tchau, sis. Qualquer coisa eu volto a mandar mensagem para prepara-la.

- Ok, vai com calma, Gigi.

Desligando o telefone. Gigi fechou o chuveiro, jogou a toalha no chão e vestiu seu pijama. Ela já tinha tomado banho enquanto esperava pela resposta de Stana. Procurando manter a calma, ela ia a passos de tartaruga para a cozinha. A mãe estava sentada a mesa terminando de decorar a torta de amoras. Ao vê-la, sorriu.

- Venha comer, Gigi. Acabei de esquentar quando ouvi você desligar o chuveiro. Banho longo esse seu. Teve um dia difícil no trabalho?

- Cansativo – ela não estava com um pingo de fome, porém sabia que se não mantivesse a boca ocupada nem que fosse por alguns minutos, a conversa tomaria forma mais cedo do que gostaria. Forçou-se a comer algumas garfadas do prato. Fingindo estar saboreando – está bom, mãe – continuava comendo, ou melhor, enrolando com a comida na boca por um bom tempo.   

- Tudo bem, Gigi. Será que agora podemos conversar sério, sem mentiras, sem tentar fazer da história mais do que ela é?

- Sim, mãe. Contanto que a senhora não duvide de mim e escute tudo que tenho a dizer antes de questionar qualquer parte da história. Pode fazer isso?

- Claro que sim, serei silenciosa. Fique à vontade para começar – ela fez o gesto de quem passa um zíper na boca sinalizando com a mão para seguir em frente. Gigi respirou fundo, afastou o prato de sua frente e tomou um longo gole da agua, preparando-se para contar a verdade a mãe. Que o destino esteja do seu lado.

- Mãe, você conheceu o Jeff. Sim. Ele faz parte de nossas vidas e tudo o que ele contou para a senhora é verdade. Exceto pela parte da Stana. Nós nos conhecemos através do Nathan, em um jantar por interesses comuns. Antes que me pergunte, a minha irmã me convidou para acompanha-la. Era uma noite sem pretensões, um simples jantar. Nathan me tratou muito bem, ele é um ótimo anfitrião, brincalhão e simpático. Entendo sua fascinação pelo ator, ele é encantador – viu o sorriso no rosto da mãe – então ele me apresentou a Jeff Grande, canadense como ele, da mesma cidade e o melhor amigo de Nathan. Sem sombra de dúvidas, eles parecem eu e Stana – claro que não revelaria que eram irmãos.

Gigi tomou mais um pouco da agua. Não satisfeita, levantou-se para servir-se de vinho, essa conversa pedia álcool. De volta a mesa com a taça de vinho nas mãos, continuou.

- Nós conversamos, nos divertimos. Stana também gostou de conversar com ele e disse que podia ver como ele e Nathan eram tão próximos. Nós trocamos telefone. Não esperava nada apesar de acha-lo supersimpático e charmoso, nunca pensei que ia dar em algo. Foi uma daquelas coisas que você faz por fazer. Nem contei para Stana. Dois dias depois, ele me ligou convidando para tomar um café. Não vi nada de estranho no convite e fui encontra-lo. Conversamos por quase três horas. Marcamos outro café. Ele teve que viajar a trabalho, quando voltou o café virou jantar e eu acabei cedendo e ficando com ele. A senhora pode culpar a tequila.

Dona Rada estava ouvindo atentamente, ávida para perguntar. Ergueu a mão pedindo permissão.

- Posso fazer só uma pergunta?

- Uma.

- Onde entra sua irmã na história?

- Stana soube logo depois que eu dormi com ele a primeira vez. Por aí... bem foi estranho quando ela descobriu. Eu mesma ainda achava que isso era um erro, não sabia o que deveria fazer, se isso funcionaria, se era só pegação ou se podia virar algo melhor. Stana não concordava. Disse que fui rápida demais, que isso não deveria estar acontecendo. Eu mal o conhecia, o que era verdade. Podia ser muito complicado, mas eu acabei não ouvindo e... eu me apaixonei, mãe. Ela relutou em aceitar, porém agora reconhece que estou feliz.

Gigi passou a mão nos cabelos, o rosto mostrava a vergonha por estar contando que estava apaixonada para a mãe. Sorriu.

- Então dona Rada, o que a senhora tanto queria para sua filha aconteceu. Estou apaixonada por Jeff, adoro estar com ele e estou sofrendo muito por ter que esconder isso por duas longas semanas. Essa é a história. Pode falar à vontade, mãe, o que quiser, não me importo.

Rada olhava para a filha por alguns segundos. Gigi não conseguia decifrar o que aquele olhar significava, o que a mãe estava pensando naquele instante. Estava triste? Decepcionada? Viu que havia um brilho em seus olhos, mas por que?

Ela levantou-se da cadeira onde estava, se aproximou da filha e a abraçou. Gigi sentiu-se aliviada, até o momento que a mãe olhou para ela visivelmente emocionada e falou.

- Eu devo ter feito alguma coisa certa na vida porque eu nunca imaginei ver algo assim. Como mãe, estou orgulhosa de ter criado meninas tão lindas e tão doces. Esse amor de vocês é um sentimento tão lindo, um exemplo de amor fraternal raro de se ver. Você e Stana, tem um laço de amizade e cumplicidade que ainda não vi igual. E ser capaz de fazer tudo isso por ela, mentir por ela, faz de você uma pessoa maravilhosa, Gigi.

A cara de espanto de Gigi não podia ser maior. Sua mãe não acreditara nela. Depois de ter aberto seu coração, ela ainda pensava que estava acobertando a história de Stana. Será que mesmo sendo sincera ela era ruim? Uma mãe deveria notar essas coisas, não? E agora? O que deveria fazer? Se a verdade não convenceu dona Rada, devia apoiar a ilusão que criara em sua mente? Antes de tomar partido, precisaria entender o que se passava na cabeça da mãe.

- Mãe? – ela fez Rada olha-la – a senhora não acreditou em nada do que eu disse?

- Oh, querida, acreditei. O único problema é que a história não é sua, mas tudo bem. Entendo o que você pretendia fazer ao me contar sob seu ponto de vista. Queria despistar minha atenção para o relacionamento da sua irmã.

- A senhora percebeu tudo isso através da minha história?

- Sim, sou bem esperta. E sabe o que denuncia a sua mentira? Algo que percebi logo quando conheci o Jeff. Aquilo ficou na minha cabeça martelando por boa parte da noite. É tão obvio que cega a sua irmã.

- O que é, mãe? – Gigi estava curiosa porque não tinha ideia do que a mãe falava.

- Jeff é extremamente parecido com Nathan, podiam ser irmãos – Gigi quase engasgou com o vinho ao ouvir isso – por isso digo que sua irmã é cega. Ela namora alguém que a lembra de seu co-star. E pelo que você falou não apenas em físico, mas também em personalidade.

Gigi não acreditava no que ouvia. Sua mãe criara toda uma fantasia em sua mente e o pior de tudo era que podia convencer qualquer pessoa de que aquilo era verdade. Porque se ela mesma não conhecesse toda a verdade, também concordaria com a história inventada. Mas a mãe ainda não parara.

- Eles têm os mesmos belos olhos azuis, o sorriso encantador, até os narizes são parecidos. Ambos charmosos, galanteadores, Jeff está um pouquinho mais cheinho, porém isso não o desvaloriza. Sua irmã nunca se importou com isso. Incrível ver a forma como o nosso subconsciente age a nosso favor, em busca do que desejamos. Acho que sua irmã está em negação. Não estou dizendo que ela não goste dele, estou afirmando que não é quem ela queria. Nossa! Se fosse mais nova, faria psicologia.

- Mãe, a senhora está dizendo que Jeff é um substituto para Nathan? – isso estava ficando mais confuso a cada momento.

- É tão obvio de perceber, Gigi. Ele é o espelho do que ela realmente quer. Se tem uma coisa que uma mãe entende é a forma como seus filhos pensam e reagem as coisas.

- Aparentemente não se aplica a mim... – Gigi falou baixinho.

- O que você disse?

- Estava pensando, como fica essa história?

- O jeito de consertar é fazer sua irmã enxergar que está se enganando, vai acabar partindo o coração de Jeff por causa do que quer. E o pobrezinho não merece isso. Ele é um ótimo rapaz, bom partido – isso fez Gigi sorrir, ponto para ela – mas não é para sua irmã. Ela não pode ser feliz com o espelho, Jeff não pode ser o substituto da imagem real.

- A senhora obviamente tem alguma ideia de como consertar isso, imagino...

- Ah, sim! Algumas. O caminho é através de Nathan. Gigi, me diga, como ele vê o relacionamento dos dois? – estava encurralada. Não sabia como responder, se sobre o seu relacionamento ou o falso da irmã.

- Não sei, mãe. Honestamente. Acho que gosta. O melhor amigo está feliz. Terá que perguntar a ele – certo, jogara o cunhado no fogo, mas pelo menos Stana tinha como evitar a situação e o encontro entre os dois, não?

- É o que vou fazer quando encontra-lo. Não vou falar nada para sua irmã porque se eu conheço bem minha filha, ela vai dizer que eu entendi tudo errado e que não tem nada com o Jeff, que você é a namorada dele, enfim continuará a mentira de vocês. Nem vale a pena. Se tiver que consertar essa história, será através de Nathan.

- E quanto a Jeff? Acha que será justo com ele se você instigar seu amigo? Cuidado, mãe, pode estar se metendo em casa de marimbondo – Gigi tentava de tudo para desencorajar a mãe.

- Jeff... é talvez não seja justo com ele. Mas desde quando a vida é justa, Gigi? E não vou chegar intimando o outro a trair o amigo. Aliás, se são realmente amigos, Jeff deve saber que Nathan gosta de sua irmã. Ele tenta disfarçar, mas está estampado no jeito que olha para ela, que fala dela.

- Mãe, não confunda as coisas – mas Gigi sorria. Era bem óbvio mesmo. Como atores, eram péssimos em disfarçar seu próprio relacionamento.

- Não estou confundindo sua irmã com a personagem. Você deveria vir conosco na visita ao estúdio. Entenderia do que estou falando na hora.

- Não, posso – recusou imediatamente – tenho que trabalhar. Falando nisso, eu vou me deitar. Tenho uma reunião importante amanhã cedo.

- Você não vai comer um pedaço da torta? – Gigi olhou para o doce, parecia apetitoso.

- Tudo bem, um pedaço, mas me promete que também vai dormir. Descanse um pouco, mãe. Esqueça um pouco essa vida de doméstica. Prometo que vou arranjar um tempo para passearmos em Santa Monica. Vou leva-la para ver o pôr do sol amanhã, tudo bem?

- Eu adoraria, Gigi – ela apertou a mão da filha com carinho. Gigi terminou a torta e recolheu-se para seu quarto. A mãe seguiu seu conselho deixando as louças na pia e indo para o banheiro.

Assim que se viu sozinha no seu quarto, Gigi respirou fundo. A conversa com a mãe fora pesada e apenas naquele momento ela pode relaxar. Chorou. Sua mãe dissera coisas lindas sobre a amizade dela e de Stana, mas não acreditou que era ela quem estava apaixonada. Tudo bem, ambas estavam. A única razão que não ia se chatear com isso era porque no fundo, a mãe estava certa sobre os sentimentos de Stana, mesmo que de um jeito torto. E essa fora sua missão ao vir para Los Angeles, não? Desmascarar o namorado de Stana.

Mais calma, ela pegou o celular e mandou uma mensagem para a irmã.

“Terminei a conversa. Ela não acreditou. Você e Jeff são um casal, mas vai sobrar para o Nathan. Conversamos em casa. ”

Não demorou para Stana responder. A irmã colocou um pequeno emoji de pânico e escreveu “no caminho XS”. Gigi decidiu verificar se a mãe já estava dormindo. Já saíra do banheiro, estava no quarto. Melhor assim, teriam a oportunidade de conversar sossegadas. Ela voltou a cozinha e serviu-se de vinho novamente. Estava na segunda taça quando ouviu a irmã entrando em casa.

- Hey, sis... dia puxado?

- Nem me fale, contudo não foi igual ao seu. Que maluquice é essa da mãe? – ela pegou uma taça, colocou o vinho e sentou-se no sofá esperando pela irmã.

- Acho que é mais seguro conversar no quarto ou lá fora, na varanda, apenas por precaução – Gigi pegou a garrafa de vinho e levou consigo. Stana a seguiu. Sentadas na poltrona que imitava uma namoradeira, Gigi colocou os pés na pequena mesinha de centro e perguntou – você quer a versão curta ou longa?

- A que for melhor para você – viu a irmã desviar o olhar e suspirar. Olhava para o céu quando começara a contar a história.

- Eu contei a verdade para a mamãe, sobre o Jeff. Como nos conhecemos, como rolou, falei de Nathan, disse que eram melhores amigos. Eu disse a ela que estava apaixonada, sis. Abri meu coração e – ela engasgou, tomou um gole do vinho, Stana viu as lágrimas molhando o rosto. Ela estava triste, algo raro para Gigi – ela disse as palavras mais lindas sobre nós, sis, mas não acreditou em mim. Por que? Sou tão despachada que sou incapaz de despertar amor em alguém? Ela pensa que sou incapaz de amar e ser amada? Sei que ela está meio cega com toda essa história de namorado secreto, porém... – ela olhou finalmente para a irmã, os olhos encharcados de lágrimas – foi difícil ver que ela não entendeu que estava falando de mim, dos meus sentimentos, abrindo meu coração. Enxergava somente você...e eu?

Stana acariciou o rosto da irmã limpando as lágrimas e abraçou forte. Ficaram assim por um bom tempo. Ela se afastou para fitar a irmã.

- Você é a melhor irmã, a melhor amiga que eu poderia ter. Gigi, eu não consigo imaginar o peso da minha própria vida, do meu segredo em suas costas. Você demonstra que ama e é capaz de amar todos os dias. E Jeff, ele é um homem afortunado por ter alguém como você. Ele a ama de verdade, eu vejo isso. Eu te peço desculpas por estar te colocando nessa situação, por impedi-la de fazer o que gostaria para me proteger. Eu não sei como poderia agradecer por tudo isso. Eu não quero te ver triste, chorando. E você está e isso é minha culpa. Minha e de Nathan.

- Não é culpa de ninguém, sis. Eu sabia onde estava me metendo quando topei ajudar. Se não fosse vocês, eu não estaria com Jeff... – ela fungou limpando o rosto – eu não estou triste. Estou com saudades dele e decepcionada comigo mesma por não ser capaz de convencer minha própria mãe sobre estar apaixonada.

- Gigi, você conhece a cabeça dura da mamãe. Ela só enxerga o que quer.

- É, você tem a quem puxar – elas riram – não nesse extremo – tomou mais um gole de vinho – ela vai azucrinar o Nathan. O que faremos?

- Eu queria evitar o encontro dos dois, mas ele insiste em falar com a sogra. Vou ter que avisa-lo de tudo o que aconteceu. Ele não estará no estúdio amanhã. Terei que ligar para conversar.

- Sis, não seria melhor contar a verdade? Talvez tenhamos chegado em um ponto que não adianta mais esconder dela. Fico pensando o que ela pode dizer para Nathan, envolver ele e Jeff em algo louco e ainda tem você. Porque mesmo que tenha dito que não irá questiona-la, você vai estar no estúdio. Vai ouvir as ideias malucas.

- É, eu estava pensando sobre isso hoje. Até que ponto vale a pena levar esse disfarce adiante para a mamãe? Estamos fazendo mais mal do que bem? Nos privando de momentos agradáveis com as pessoas que amamos e para que? Por outro lado, há o risco da empolgação ser maior do que queremos e nosso segredo vazar. Não estamos em um bom momento para isso acontecer. Falo de trabalho. Essas mudanças na ABC, ainda não temos ideia do que pode acontecer com Castle, com o futuro.

- Essa decisão não é minha. É sua, sis. Sua e de Nathan.

- Eu sei. Terei que conversar com ele. Agora...independente do que aconteça, você já foi punida demais nessa história. Por que amanhã não falta o trabalho ou faça tudo que tem para fazer e vai ficar com Jeff a noite? Você está merecendo.

- Eu meio que prometi levar a mamãe para ver o pôr do sol no píer. Tudo bem, sis, nós daremos um jeito – Stana virou o resto da garrafa de vinho na sua taça e na da irmã. Brindou com ela – a melhor irmã do mundo. Amo você, Gigi – ela sorria ganhando um beijo estalado na bochecha e um lindo sorriso.

- Amo você também, sis. Que gay! – gargalhou – melhor pararmos com o álcool – e sua irmã estava de volta, a boa e velha Gigi. Juntas, elas foram para seus quartos, estava mais do que na hora de encerrar esse dia louco.

Amanhã Stana tinha um desafio grande pela frente. Ela e Nathan precisavam chegar a uma decisão sobre o que fazer com Rada.

No dia seguinte, em meio as filmagens, ela perguntou a Jon se Nathan viria filmar em estúdio. Ele comentou que tudo indicava que não, estava filmando externas com Seamus até o fim da tarde. Ela checou o relógio, queria saber qual seria a melhor hora para conversar com o marido. Teria que usar o telefone embora o assunto exigisse uma conversa franca, cara a cara. Três horas. Talvez estivesse almoçando. Mandou uma mensagem “Pode falar? Me liga. XS”. Cinco minutos depois, seu celular tocava. Stana distanciou-se rumo ao seu camarim para atender.

- Espere um minuto – ela trancou-se no trailer para ficar à vontade e segura – pronto, pode falar.

- Hey, gorgeous. Tudo bem? Estou com saudades.

- Na medida do possível. Nate, precisamos conversar. 

- Nossa, o assunto é sério então. Sua mãe?

- Mamãe, Gigi, nós. Acho que estamos chegando no limite. Droga! Esse é o tipo de conversa que não é boa por telefone.

- Está com dúvidas sobre o que estamos fazendo? Ou você está apreensiva por causa da visita da sua mãe amanhã ao estúdio?

- Tem relação com isso também, a verdade é que mamãe criou uma história em sua cabeça, um mundo só dela que está afetando a todos nós. Ela conheceu Jeff.

- É, estou sabendo. Ele me contou – ela sorriu.

- Às vezes esqueço que você e seu irmão são como eu e Gigi.

- Quer ir lá em casa? Podemos conversar mais à vontade. Ou posso ir até o estúdio quando terminar aqui. Até que horas você vai gravar hoje? Você escolhe.

- Filmo até as oito horas. Talvez conseguíssemos um tempo na sala dos escritores. Será apenas uma conversa. Se for para casa eu não vou me contentar em ficar somente algumas horas. Eu espero você aqui. Tudo bem?

- Claro. Sei que está preocupada. Está no tom da sua voz, amor. Vamos resolver isso. Até mais tarde.

Raleigh Studios

Stana acabava de filmar uma cena de interrogatório com o Jon quando ele chegou. Ficou observando a esposa atuar de longe. Quando o diretor disse “corta”, Jon foi o primeiro a sair do set e avista-lo. Estendendo a mão, ele o cumprimentou perguntando.

- Hey, bro. Pensei que não vinha por aqui. Não está filmando externas com Seamus e Tonks?

- Terminamos. Acho que deixei meu headphone aqui ontem. Preciso dele para jogar. Aliás, quando vamos fazer uma competição de novo, Jon? Adoraria arrasar com você outra vez.

- Haha! Só porque era Halo... se jogarmos Call of Duty você vai chorar..

- Vamos marcar. Ache um espaço na sua agenda.

- Falou, vou verificar e te digo – Stana se aproximou dos dois.

- Hey, Nathan, já que está aqui poderia conversar comigo uns minutos? É sobre um leilão de caridade. Estou querendo oferecer algumas coisas de Castle. Posso te contar da causa?

- Claro. É o mesmo projeto do Pohana? Seu desenho é um sucesso.

- Obrigada, esse é o ponto. Só é um sucesso porque envolve os nossos fãs e Castle. Vamos para a sala dos escritores? Pedi um tempo de Jessica se não se importa, Jon.

- Claro que não. Vou aproveitar para comer alguma coisa – a forma como conversaram fora tão natural que não levantou qualquer suspeita do colega de elenco nem dos membros da equipe técnica. Ao chegarem na sala, ela apertou a mão dele. Sabia que não havia ninguém ali, por isso sugeriu o lugar. O jeito como o fitava era tão meigo, ela brincava com os dedos dele, as unhas. Apenas por um instante. Sentaram-se tentando manter uma certa distância. Ela usou uns papeis sobre a mesa para fingir que faziam parte da conversa.

- O que está lhe incomodando, Staninha? Pode falar.

- Nathan, você acha que levamos essa história do segredo longe demais? Quer dizer, minha mãe está determinada a provar que não só tenho um namorado, Jeff, mas também que estou com a pessoa errada. No meio de tudo isso, tem minha irmã. Ela contou toda a verdade para a mamãe ontem e dona Rada simplesmente achou que ela estava mentindo por mim. Ela vai usar você para me atingir, Nate. Quanto mais tentamos, mais erros cometemos.

- Conte tudo o que aconteceu – e Stana o fez. Falou tudo inclusive e principalmente da tristeza da irmã. Ele escutou tudo procurando entender o ponto de vista de cada um – eu entendo que todos estão sobre pressão. Gigi mais do que ninguém. Ela tem sido nossa aliada desde o início, as vezes me sinto como você, nada do que façamos por ela será suficiente para retribuir. Quanto a sua mãe, realmente estou impressionado com a determinação e a teimosia. Você tem a quem puxar, amor.

- Hey! – eles riram.

- Falando sério, você realmente se sente à vontade de contar toda a verdade? Não quer esperar pela visita, me deixe ficar frente a frente com ela.

- Eu não sei, as vezes acho que deveríamos acabar logo com esse disfarce para ela, ver a tristeza nos olhos de Gigi me partiu o coração, por outro lado é um risco. Por isso queria conversar com você, não quero decidir sozinha. Isso diz respeito a nós dois – ela mostrou a aliança.

- Estou vendo que aprendeu direitinho com o meu último discurso – ele sorriu – você tem razão. A decisão é nossa. Mas se eu concordar em não estar aqui amanhã, não estaríamos fugindo da verdade? Não estaríamos dando mais motivos para sua mãe desconfiar? Por que não fazemos assim. Ela vem ao estúdio, eu converso com ela, vejo o que sugerirá sobre você e Jeff, faço minha parte e se as coisas realmente parecerem fora de controle, eu a convido para jantar lá em casa e abrimos o jogo de vez. Que tal?

- Você acha que pode convencer minha mãe sobre Jeff e eu ou você vai entrar no jogo dando munição demonstrando que gosta de mim?

- Isso ainda não sei. Vai depender de sua mãe. Isso é um sim? Você concorda com a minha proposta?

- Não é uma questão de concordar. Mas acho que é o coerente a fazer. Se ela não o vir pode insinuar coisas bem piores sobre seus sentimentos em relação a mim.

- E ela estaria coberta de razão, Staninha – ela suspirou.

- Eu queria tanto beijar você agora...

- Hum...eu conheço essa fala, mas não estou nem um pouco a fim de um aperto de mão. Espere um segundo – ele se levantou da cadeira, foi até a porta e observou o movimento lá fora. Baixou a persiana e fechou a sala. Stana estava de pé olhando o que ele fazia. Nathan se aproximou dela, puxando-a pela cintura, ele colou os lábios sentindo todo o amor da mulher a sua frente. Um beijo apaixonado. Ao se afastar ela sorria.

- Melhor que aperto de mão, Nate.

- Te vejo amanhã, amor. Boa sorte para nós e mande um beijo para Gigi, agradeça por tudo – ela observou-o deixando a sala. Aproveitou o momento para admirar aquela imagem maravilhosa de costas. Ele estava de calça jeans. Ela sentia falta dele. De tudo. Demais.


Esperou uns minutos após sua saída para finalmente deixar a sala e se dirigir ao set novamente. Ainda precisava trabalhar. 

Continua.... 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

[Castle Fic] Up in the Air




Up In the air

Autora: Karen Jobim
Classificação: NC17 – Romance
Histórias: Parte do projeto – Guilty Pleasures 
Quando: S5 – depois de Still
Disclaimer: Castle e Beckett não me pertencem...são da ABC yada yada yada... conteúdo criado para diversão, todos os direitos da autora reservados!
Castle e Beckett estão namorando. Continuam enfrentando vários bandidos, colocando criminosos atrás das grades. Após o último momento tenso quando uma bomba ameaçava a vida de Kate, Castle descobriu que não apenas ganhara o mundo como tinha a melhor namorada. Kate ainda não agradecera o suficiente por estar ao lado dela, porém o tempo jogava contra os dois.

Nota da Autora: Quinta história do projeto – Guilty Pleasures. Finalmente, uma nova sugestão, veio da Lee (Leticia Pedrosa) e eu escrevi essa ideia. Lugares, lugares... combinam com Castle e Beckett. Esse não poderia ser diferente... obrigada, Lee! Acho que ambas estávamos com as cabeças nas nuvens em abril (isso antes das notícias!). E não é a primeira vez que escrevo uma cena assim...

O próximo desafio de maio. Botem a cabeça para funcionar! Ajudem a manter a chama viva. Desejo ou fantasia de Castle e Beckett, ok? Lugares... de preferências lugares públicos ou difíceis (não impossíveis, por favor!), cenários, roleplay... Que venha Maio!    

Lembrem-se é TOP15 a situação tem que ser boa! Deixem as ideias no post oficial do projeto.





Up In the Air

Castle e Beckett estão numa boa com sua relação.

Na verdade, para Castle os últimos acontecimentos demonstraram que eles tinham futuro. Após a ameaça de bomba que quase tirou Kate de sua vida, eles retornaram a vida normal. Uma coisa sempre se destacou para o escritor quando pensava sobre seu relacionamento. Nos momentos mais tensos ou drásticos, eles sempre encontravam um ao outro. Eram nessas horas que a importância de seus sentimentos vinha à tona, falava mais alto.

Daquela vez não fora diferente. Apenas significara o mundo para ele. Castle ainda se lembrava da cena com carinho. O policial responsável pedira para que evacuassem o prédio. Ele fora o último, não queria deixá–la. Kate olhou para ele, os olhos cheios de lágrimas e disse as palavras que ele ansiava ouvir há algum tempo. E disse chamando-o pelo primeiro nome, o que tornava tudo ainda mais especial.

– Rick...I love You

É claro que respondera e naquele instante decidira que não poderia abandoná-la. Não o fez. E graças ao que faziam de melhor, investigar crimes juntos, eles conseguiram desarmar a bomba. O caso estava encerrado, o crime resolvido e podiam relaxar. Aliás, era o que Kate estava fazendo agora. Dormia ao seu lado. O semblante sereno. Descanso mais que merecido após o susto. Estava assim por cerca de três horas. Checou o relógio, quase hora de jantar. Ele decidiu preparar algo para comerem e só então a acordaria.

Não precisou realmente. Perto das oito da noite, ela apareceu na cozinha. Castle estava abrindo uma garrafa de vinho. A mesa posta para duas pessoas. Definitivamente, ele estava esperando por ela.

– Acordou bela adormecida. Pelo menos descansou bastante.

– É, eu até estranhei. Pensei que você ia me acordar... na verdade, estava contando com isso – ela se aproximou do balcão inclinando–se para beija-lo, porém ao invés dos lábios, sentiu o polegar roçando. Ela o segurou com os dentes para dar uma sugadinha. Ele riu. Então tirou o dedo da boca de Kate e a beijou.

– Queria que eu a acordasse... era o que pretendia. Você se antecipou – Ele a abraçou, desde que ela saiu de cima daquela bomba, ele fazia isso. Era como se ainda precisasse protege-la, como um escudo, ou simplesmente para saber que ela estava ali. – Fiz o jantar, nada demais. Bolo de carne e legumes ao vapor. E comprei uma torta de morango de sobremesa. Sei que você gosta.

– Está me mimando, babe? Vou ficar mal-acostumada. Tudo isso por causa da bomba? – ela esfregou o nariz na abertura da camiseta dele – ou perdi alguma coisa – ela o fitou. Foi a declaração. E ainda tinha sido pouco diante do que ele fizera para ela – acho que demorei muito para dizer eu te amo, não?

– Não, seu tempo foi perfeito. De verdade.

– Fala isso porque estou aqui agora, se o resultado tivesse sido diferente...

– Nunca seria diferente Kate, nós precisamos ficar juntos. Ainda não escrevemos nem um terço da nossa história. Você mesma reconhece com os beijos. Sequer começamos –  ela esticou todo o corpo para beija-lo – falando em beijos... – ela sorriu – vamos comer.

Depois daquela experiência, Kate ficou pensando em como poderia retribuir aquelas horas e dedicação de Castle para com ela. Tudo bem, era seu namorado, ele a amava. Porém, não era a primeira vez que fazia isso. Sempre esteve ao seu lado. Ela chegara perto do nível que ele merecia quando preparou a festa surpresa de aniversário. Ele dissera que fora um dos melhores momentos de sua vida. Kate sabia que podia mais. E demonstrou quando usou o truque dos cubos de gelo. O que ele esperava? Castle a surpreendera outra vez ao saber que ela era a número 1 em sua bucket list. Não tinha problema, ia pensar em algo para comemorarem adequadamente.

– Por que está calada, Kate? Ainda pensando no caso? Esquece isso, amor.

– Não, estava pensando em como tenho sorte. E que depois de comer essa sobremesa especial, eu quero curtir outro tipo de explosão com o meu namorado.

– Estou começando a gostar de bombas... –  ela o encarou – muito cedo?

– Você aceita um morango, Castle? – ela pegou um dos morangos da torta e levou aos lábios chupando a fruta para provoca-lo. Ele a olhava boquiaberto. De proposito, ela mordiscou o morango deixando o suco escorrer pelo canto da boca rumo ao queixo. Aquilo foi o suficiente para a acender a faísca entre eles. Castle a puxou para si apertando–a contra seu corpo enquanto lambia o suco da fruta até tomar-lhe os lábios. As mãos de Kate já foram se livrando da camisa.

O peito nu a sua frente era convidativo. Ela pegou mais um morango e saiu levando-o para o quarto. De frente para a cama, ela olhou com cara safada.

– Mais morango? – pressionou a fruta no peito dele e usou os lábios e a língua para prova-lo. Ouvindo-o gemer, sabia que estava no caminho certo. Assim começaram as brincadeiras daquela noite que terminaram com um belo orgasmo. Mas não era suficiente. Na mente de Beckett, ainda não servira para justificar a o que ele fizera e dissera para ela durante aquele dia, mantendo-a calma, desviando o foco de sua quase morte. Não, precisava de algo mais. Esse fora o último pensamento dela antes de adormecer naquela noite.


12th distrito


Beckett tem um novo caso. Como Castle mesmo falou, era a rebelião das máquinas. Porém, isso não era a única coisa atrapalhando o casal de passar um tempo sozinho. Infelizmente, Gina estava no pé do escritor devido ao seu atraso com o seu livro de Nikki, Deadly Heat.

Quando não estava no distrito ajudando–a, ele ficava perambulando pela casa ao invés de escrever. Sabia disso porque Martha fofocava para ela e as vezes, ela mesmo via. Perdia tempo com jogos e brinquedos. Como ele mesmo dizia, não apresse o mestre. Por causa disso, estava enrolado, evitando o encontro com a editora. Ele mesmo já a impedira de atender o telefone várias vezes.

Estava sentada em sua mesa analisando um e-mail enviado pela equipe de peritos quando ele chegou trazendo café.

– Boa tarde, Castle. Pensei que não ia aparecer por aqui hoje. Não estava escrevendo?

– Beckett você também? Alexis e minha mãe já me deram sermão por conta disso. Alexis fez pior, ligou para Gina e disse que ela se certificaria que eu não viria até a delegacia trabalhar com você, minha prioridade era o livro.

– Então, o que você está fazendo aqui?

– Alexis teve que sair. Grupo de estudo.

– Castle isso é feio. Sua filha está cuidando da sua carreira. Devia estar em casa escrevendo.

– Isso significa que você não quer o café? – ele afastou o copo da direção dela, porém Beckett foi mais rápida e quase derrubou o copo, sorte que ele tinha bom reflexo.

– Não! – o grito saiu mais alto do que esperava. As pessoas na delegacia olhavam para ela. Fuzilando-o com o olhar, ela tomou o primeiro gole do café.

– Que vexame, detetive.

– Cala a boca, Castle.

– Você está mesmo me expulsando?

– Não, babe, só não quero que se prejudique.

– Beckett, Frozen Heat ainda está sendo lançado em alguns lugares do mundo. As pessoas ainda estão curtindo o mistério do livro. Não entendo essa pressa de Gina. Deixe as pessoas comentarem mais um pouco. Especularem.

– Por acaso você não sabe o que fazer com a história depois daquele cliffhanger? – ela o encarava não como a detetive e namorada, mas como a leitora número um.

– É claro que sei! – a cara não soou muito convincente – só acho interessante saber que teorias as pessoas criariam.

– Não vou discutir com você – nesse exato momento, o celular dele toca. Gina – vai atender?

– Não, mas vou conversar com os meus amigos Ryan e Esposito sobre o caso e depois vou para casa escrever. Passar bem, detetive Beckett – ela revirou os olhos e balançou a cabeça. Esse era Castle, uma verdadeira criança birrenta.

Na verdade, estava feliz por ele a deixar em paz. Queria ter tempo para pesquisar sobre suas opções para a surpresa de comemoração que gostaria de preparar para eles. Pensara em se vestir de alguma coisa diferente, talvez uma lingerie sexy ou uma outra fantasia. Tinha que pesquisar.

Expulsando Castle era isso que pretendia fazer. Infelizmente ficou apenas na vontade. Nem bem ele saiu, Gates a chamou em sua sala. Tinha um novo assassinato, algo mais sigiloso que a capitã queria que ela assumisse. Apenas Beckett teria os arquivos e daria seu parecer diretamente para a capitã. Era o chamado código cinco. Além disso, Gates a escolheu para ir até o tribunal ajudar a promotoria em dois casos que investigaram há três meses atrás. Sem alternativa, seu plano de pesquisa fora por agua abaixo.

Beckett chegou no loft por volta de onze da noite. O silêncio chegava a ser incomodo. Será que Castle estava dormindo? Doce ilusão. Ele estava no escritório, o que era surpreendente. Escrevendo? Finalmente ouvira a ela e a Alexis? Ele não percebeu a entrada dela. Usava fones de ouvido. Então, Kate entendeu porquê.

– Castle, você está jogando? – ela deu uma tapinha no ombro dele que o assustou e o fez levar um tiro no jogo.

– Ah, não! – ele choramingou – vou ter que começar essa fase toda de novo.

– Não. De jeito nenhum. Você deveria estar escrevendo.

– Beckett, você já chegou do trabalho? Saiu cedo hoje.

– Cedo? Que horas você pensa que são? Onze da noite, Castle. Estou morta. Vou tomar um banho e dormir. Se quiser ficar jogando, faça por sua conta e risco.

Ela não queria brigar com ele. Porém, Castle não facilitava. Se era para ficar emburrado que seja. Assim tinha tempo de ficar sozinha e ler o caso que Gates lhe dera. Não queria fazer o trabalho na delegacia para evitar comentários especialmente dos rapazes. Ela estava distraída fazendo anotações que sequer reparou que ele seguira para o banheiro. Assustou–se com a voz dele ao seu lado.

– Essa linha do tempo está errada.

– Castle... que susto!

– Esse não é o caso do drone, você tem outro assassinato para investigar e nem me avisa? Você já foi melhor detetive. Nem depois de eu ficar ao seu lado, correndo o risco de ser morto, explodido por uma bomba para ser mais exato você não me considera... – ele se fazia de vítima.

– É claro que eu o considero, tanto que disse que te amo. Isso aqui não diz respeito a você. É confidencial. Somente posso responder a Gates. Nem os rapazes sabem.

– Eu não sou os rapazes. Sou seu namorado e não sou membro oficial da NYPD e continuo afirmando. A linha do tempo está errada.

– Castle, eu não posso, se Gates descobrir...

– Ela só irá saber se você contar – ela ficou tentada. Sabia que não deveria ceder, mas ele vira algo no caso apenas com a primeira olhada. Também reconhecia que Castle interpretava dados como ninguém e não ia contar para Gates.

– Tudo bem. Mas se Gates sonhar que estou fazendo isso posso perder meu emprego.

– Não vai – ela abriu o arquivo sobre a cama espalhou os papeis e mostrou suas anotações inclusive a linha do tempo.

– Certo, o que está errado? – juntos, eles discutiram os detalhes do caso, fizeram considerações e arrumaram a cronologia do assassinato. Três possíveis motivos e dois prováveis suspeitos. O restante ela teria que pesquisar na delegacia. Quando se deram conta, eram quase quatro da manhã – precisamos dormir. Obrigada, babe, pela ajuda.

– É o que parceiros fazem – aconchegando–a em seus braços, ele fechou os olhos. Kate ainda pensava sobre a tentativa frustrada de preparar algo especial para ele. Amanhã arranjaria tempo. Afinal, ela já adiantara 60% do caso com a ajuda de Castle.

Na manhã seguinte quando saiu para a delegacia Castle ainda dormia. No caminho, sua mente ia pensando em todas as possibilidades que poderia utilizar para fazer a surpresa para seu escritor favorito. Algo temático? Vestir–se de enfermeira? Nah... talvez algo mais singelo. Intimista. Chegou ainda distraída. Sentou–se em seu computador e começou a checar os e–mails. Gates se aproximou de sua mesa.

– Bom dia, detetive Beckett. Vejo que está atrasada em seus relatórios, eu pedi uma atualização diária.

– Desculpe, capitã, porém tenho um bom motivo. Ontem, enquanto estava analisando o arquivo percebi um erro na linha do tempo. Por isso que o álibi e as filmagens não combinavam. Eu revi a linha e tenho dois prováveis suspeitos e alguns motivos. Se a senhora me der tempo agora, eu quero procura–los no sistema e verificar seus álibis. Terá meu relatório ao fim do dia.

– Tudo bem, apenas porque você fez mais progresso do que aqueles bobocas da 34th. Estarei aguardando.

Beckett respirou aliviada. Em menos de três horas, ela checara os suspeitos e fechara seus álibis. Um deles deveria ser o criminoso. Ainda tinha pelo menos seis horas pela frente e seu relatório estava pronto. Então, por que não tirar vantagem disso para fazer sua pesquisa pessoal? Sorrindo, ela abriu o navegador da internet.

Passara duas horas fazendo pesquisa, anotações e gravando telefones em seu celular. Montara o cenário perfeito. Seria em seu apartamento. Assim evitariam qualquer intromissão. Achava ser suficiente intimista para agrada–lo. Depois de amanhã. Era o tempo necessário para se livrar do caso de Gates e estar com tudo pronto para surpreende–lo. Sorrindo, ela decidiu enviar o relatório para a capitã. Não se passaram nem quinze minutos e Gates veio a procura dela na mini copa.

– Detetive Beckett, devo dizer que estou impressionada. Você fez um bom trabalho e rápido nesse caso. Acha que conseguimos entrevistar o suspeito amanhã?

– Senhora, eu pensei que isso seria de responsabilidade do 1PP agora.

– Sim, é. Mas eu vou falar com o comandante. Tenho certeza de que ele não irá se opor a nossa presença no interrogatório, nem que seja para observar. Será bom para você detetive, conta pontos para sua carreira se um dia quiser o posto de capitã – ela não iria escapar dessa, pensou.

– Claro, senhora. Eu teria muito interesse em participar.

– Ótimo!

Mais tarde, Gates confirmou para Beckett que deveria ir direto para a 1PP amanhã para auxiliar no interrogatório. A capitã estaria por lá também. Que droga! Ela pensou. Tenho menos tempo para preparar o encontro para Castle. Decidida, ela seguiu para casa nem pensou em passar no loft.

O dia fora corrido. O trabalho na 1PP se desdobrou em mais. Pelo menos, ela conseguira arrumar tudo para amanhã. Não apenas isso, ainda recebera elogios do comandante. O caso estava praticamente encerrado. Saindo da central de polícia, ela pensou em ir direto para o loft comunicar de seu convite especial para o namorado.

Quando chegou ao loft, encontrou Castle discutindo muito contrariado ao telefone.

– Não, tudo é muito fácil para você. Acha que controla a minha vida. Pode simplesmente sair por aí aceitando tudo por causa de dinheiro. É só o que você pensa, ganhar dinheiro. As pessoas têm vida, compromissos. Eu tenho uma pessoa que precisa ser comunicada, tenho um trabalho... – ele se calou por um tempo – não, eu não sou apenas escritor. E meu trabalho na NYPD é sério, Gina. Se não tem como voltar atrás, eu vou. Mas que fique claro que essa será a última vez que cedo as suas exigências... – ele ficou ouvindo por mais um tempo – atender o telefone? Ah, agora vai usar a desculpa que porque não atendi o telefone não pude me programar? As vezes que você telefonou perguntou sobre o livro para Alexis e nunca falou de tour – ele olhou para Kate, fez sinal para que ela se dirigisse a cozinha – tudo bem, Gina não quero falar mais sobre isso. Eu já disse que vou. Esteja com o jatinho pronto as três da tarde.

Desligou.

– Problemas?

– Gina é inacreditável!

– O livro de novo?

– Não. Ela simplesmente me arranjou uma turnê para Frozen Heat por uma semana na costa oeste. Seattle, Oregon, Nevada e Califórnia. E tenho que viajar amanhã.

– Amanhã? Ah, não! – Kate ficou extremamente chateada. Isso estragaria seus planos – por que amanhã? Podia ter avisado antes.

– Exatamente meu ponto. Quer que eu esteja à disposição dela sempre. Acho que ela pensa que ainda manda em mim – ele percebeu o semblante chateado de Kate – espera, você está chateada, o que aconteceu? Você está com algum problema? Precisa de mim amanhã?

– Não... quer dizer, talvez. Ah, droga Castle! Era para ser uma surpresa!

– O que era para ser surpresa? – ele não estava entendendo.

– Eu queria fazer algo diferente para nós. Desde o caso da bomba venho pensando nisso. É uma forma de agradecer por tudo, mas sobretudo de celebrarmos a nossa vida. Nós. Eu planejei tudo. Vim aqui para te fazer o convite e agora... terei que cancelar – ele podia ver a decepção nos olhos amendoados.

– Eu posso cancelar. Vou ligar para Gina.

– Não – ela avançou tirando o celular de suas mãos – não quero que me use para atrapalhar seu trabalho. Não é justo. Todas as vezes que eu precisei no meu, você esteve lá, me apoiou. Eu só terei que fazer algumas ligações, nada demais.

Era óbvio para Castle que não era nada demais. Era muito importante para ela, para eles. Sentiu–se culpado. Ao que parecia ela tinha se programado, planejado. Como poderia compensar?

– Hey... por que não vem comigo para Seattle? Depois teremos Vegas e Los Angeles. Podemos aproveitar para curtir umas férias de uma semana assim o tour não será tão entediante e você não terá perdido completamente a oportunidade de me agradar com o que quer que estivesse planejando.

– Ah, sabe que é uma ótima ideia? Preciso checar se tenho dias disponíveis porque você se lembra que eu fiquei afastada por três meses depois do tiro e cumpri um mês de suspensão depois do caso de Maddoxx ah, droga! Ainda teve os Hamptons... acho que não tenho uma semana, babe.

– Cheque. Será que Gates não pode dar um tempinho a você? Quase perdeu a vida em seu último caso. Vamos, Kate... seria muito bom ter você ao meu lado.

– Acho que capitã Gates me dar dias está fora de questão. Lembra do caso que estava investigando? O confidencial? Nós estávamos certos. Eu eliminei os suspeitos e chegamos ao culpado. Participei do interrogatório na 1PP hoje. O comandante veio me agradecer pessoalmente. Eles me querem no tribunal.

– Isso é excelente, Beckett. Parabéns!

– É, não me dê os parabéns ainda. Não conclui a história. Por seu um código cinco, eles farão um julgamento de emergência. Começa na sexta. Gates nunca irá me liberar mesmo que tivesse um mês de férias. Ela está inclinada a me usar nisso para ajudar, segundo ela, nossas carreiras na NYPD. Disse isso outra vez hoje pela manhã.

– Continua sendo uma boa notícia. Pode ser a chance que você está esperando para lhe abrir as portas, talvez na 1PP ou mesmo chefiando seu próprio distrito – porém ele estava um pouco chateado – não será a última turnê que terei, Kate embora adoraria ter sua companhia. Você não vai ao menos tentar argumentar com ela?

– Argumentar que preciso acompanhar meu namorado escritor numa turnê na costa oeste? Em que mundo ela concordaria com isso, Castle? Isso seria dar um tiro no pé em minha carreira e em tudo que nós conquistamos com Gates até aqui. Você se lembra do jeito que ela cedeu depois do caso da bomba. De qualquer forma, vou checar minha disponibilidade. Se tiver uma semana, vou tentar negociar para encontra-lo nem que seja no fim de semana. Só que não posso prometer nada.

– Tudo bem, já é alguma coisa – ele se aproximou abraçando-a – vai me contar o que pretendia com a surpresa?

– Não. Talvez possa usar em outra ocasião. Estou com fome. O que tem para comer?

– Além de você? – ela beliscou o bumbum dele – tem umas sobras de lasanha na geladeira. Posso esquentar para você. Se prefere esse tipo de comida...

– Engraçadinho. Esquente. Vou tomar um banho e trocar de roupa – ela beijou-o rapidamente nos lábios – já volto.

Kate seguiu para o quarto. Antes de entrar no chuveiro, ela fez várias ligações para cancelar as coisas que havia contratado para o dia seguinte. Estava chateada por não poder seguir adiante com seu plano, porém não podia faze-lo viver em função dela, não era justo. Ele tinha um trabalho também. Isso não era mesmo como esperava que essa visita terminasse. Pior como a semana terminasse. Castle ia ficar longe dela por sete dias, encontrando fãs, ouvindo elogios, assinando livros e... peitos.

De repente, Kate se sente com raiva. Não, ciúmes. Ela não podia deixa-lo viajar sem uma lembrança dela porque estava indo para o antro das loucas. As fãs malucas que o amavam. Oh, Deus! Quando ela ficara tão insegura assim? Ter ciúmes de mulheres que nem conhecia? O que fazer com Gates? Tinha que pensar em alguma coisa.

Saiu do banho, secou-se e foi até a cozinha vestindo uma das camisetas de super-heróis de Castle e um roupão. Ele a esperava com o jantar quente e uma taça de vinho. Adorava seu namorado perfeito.

– Hum... o cheiro está bom – ela pegou o copo de vinho e tomou. Sentou-se à mesa com Castle ao seu lado – não vai me acompanhar? Nem bebendo?

– Tudo bem. Posso me servir de uma taça de vinho. Acho que você vai gostar da lasanha. Foi Alexis que fez. Eu vou esperar para dividir a sobremesa com você. Um bolo de chocolate, bem cheio de cobertura – ela riu.

– Está bom mesmo – ela disse provando o primeiro pedaço – Castle, que horas é seu voo amanhã?

– Três da tarde. Vou no jato particular da editora. Pelo menos não tenho que me preocupar com check-in e malas, essas chatices de aeroporto. Por que pergunta?

– Curiosidade. Não vou poder nem ir me despedir. Isso é tão injusto...

– Acredite, ninguém está mais chateado do que eu com essa situação – não, Beckett estava bem mais – talvez possa fazer a surpresa na minha volta, que tal?

– É, vou pensar – ele viu que ela estava triste... – não gosto da ideia de você passar uma semana rodeado de outras mulheres. Promete que vai evitar de assinar nos peitos delas?

– Beckett, você está com ciúmes das minhas fãs?

– Não posso? Sou sua fã também. A número um caso tenha se esquecido. E você não respondeu minha pergunta.

– Claro que não esqueci que você é a fã mais hardcore de Rick Castle. E quanto aos autógrafos, eu não posso evitar... você quer que eu diga, desculpe mas não posso assinar seu peito porque minha namorada me proibiu? Não seria muito profissional para minha reputação.

– Castle, isso nem é profissional – ela o fitou por uns instantes – poderia dizer que eu tenho uma arma e que te ameacei... – a cara de Beckett o fez rir.

– Oh, amor... você ainda acha que eu vou querer saber de alguma outra mulher depois de ter um avião desses em casa? – ele a beijou outra vez – mas adorei saber que você sente ciúmes de minhas fãs, suas rivais. Isso quer dizer que me acompanhar está fora de questão?

– Ainda não sei. Pode me passar o meu Ipad? Posso entrar no sistema para verificar se tenho os dias para conversar com Gates.

– É para já – Castle se levantou retornando em menos de cinco minutos do escritório com o ipad dela nas mãos. Kate já terminara de comer e colocava o prato na pia – ainda bem que você deixou–o aqui. Pelo menos está carregado. Aqui – deixou-o sobre a mesa – vou servir a sobremesa.

Beckett deu espaço para ele na cozinha pegando o dispositivo para entrar no aplicativo da NYPD. Tentou sua senha. Erro. Estranho. Tentou novamente sabendo que tinha apenas três chances para acertar ou seu login era travado. Novamente erro.

– Castle, por acaso você trocou minha senha? Quantas vezes já disse para não ficar adivinhando minhas senhas e mexendo no meu sistema? Vou ter que levar esse ipad daqui.

– Ah, troquei. Fiz a atualização do aplicativo, amor. A senha é “Caskett47”.

– Sério? E você se acha criativo.

– Só pensei em algo que você se lembrasse de nós. Além do mais, sei o quanto é metódica. Era KBeckett46 esse mês, então só dei uma melhorada – ela revirou os olhos, definitivamente iria levar o dispositivo do loft – Aqui está o bolo. Pronta para provar essa maravilha? – ele serviu uma garfada oferecendo-a na boca de Kate. O chocolate envolto com a cauda amarga estava uma delícia.

– Muito bom. Posso até te perdoar por ter trocado minha senha se me der mais um pouquinho disso aí – ele sorriu e atendeu o pedido dela – estou entrando no sistema – ela esperou até que a tela carregasse para a decepção ser estampada em seu rosto. Castle logo entendeu que ela não possuía dias livres.

– Nada, certo? Sinto muito, Kate.

– Só tenho um dia. Isso é tão injusto.

– Tudo bem, não vou ficar chateado. Faz parte das nossas vidas, nossas rotinas. Coma mais um pouco do bolo. Chocolate é ótimo nessas horas – ela comeu mais um pouco. A fatia desaparecera. Precisava deitar. Ela tinha um dia pesado pela frente. Encostou seu corpo no dele. Havia um pouco de cobertura no canto da boca de Castle. Ela lambeu devagar para depois beija–lo. O contato das línguas foi instantâneo causando um arrepio em seu corpo. O beijo tinha sabor de chocolate. Ficava ainda mais delicioso saborear os lábios dele assim.

Ela se dirigiu ao quarto, puxando–o consigo. Os lábios dele em sua nuca devorando-a. E sim, eles puderam aproveitar um outro tipo de sobremesa naquela noite.

Pela manhã, ela se despediu dele com um beijo desejando boa viagem e pedindo para ligar para ela assim que chegasse em Seattle. Ele também desejou boa sorte para ela em seu caso na 1PP. Com um último beijo que parecia não acabar nunca, ela finalmente saiu pela porta do loft rumo ao distrito.


12th Distrito


Beckett estava organizando a papelada do caso para entregar ao promotor em duas horas. Depois disso, era sua vez de se preparar para servir de testemunha no caso da 1PP. Ela checou o relógio quando acabou o relatório e enviou para Gates. 11 da manhã. O julgamento estava marcado para onze horas do dia seguinte. O calendário a sua frente parecia lhe desafiar mostrando a quantidade de dias que ficaria longe de Castle. Aquilo começava a irrita-la. Três horas. O que significava que tinha exatas quatro horas para fazer algo um pouco louco e arriscado. A mente dela começou a trabalhar nas possibilidades.

Seus pensamentos foram interrompidos por Gates.

– Detetive, fiquei bastante impressionada com a qualidade de seu relatório para a promotoria e quão rápido você juntou todas as informações. Está se preparando para o seu depoimento no banco como testemunha?

– Sobre isso, senhora. Eu gostaria de solicitar um tempo. Vi no sistema que tenho um dia livre de folga.

– Beckett, o julgamento é amanhã.

– Eu sei, por isso mesmo estou pedindo sua ajuda. Quero me preparar bem, mas não posso fazer isso aqui na delegacia. Há sempre algum detetive ou oficial pedindo ajuda para analisar alguma prova, ver uma gravação. Preciso de concentração. Ficaria mais segura se pudesse me preparar em casa. Sei o quanto esse caso é importante. Não quero cometer erros.

– Ora, Beckett você pode se preparar comigo, na minha sala.

– Com todo o respeito, capitã, não é disso que estou falando. Eu tenho um ritual que aprendi com meu pai. Ele é advogado, sabe. Ensinou-me truques. Eu preciso estar sozinha. Eu entenderei se não quiser ceder, mas...– Beckett jogava rezando para que Gates caísse em sua conversa. Caso contrário, seu outro plano iria por agua abaixo, o que seria irritante se acontecesse outra vez.

– Não sabia que levava seus depoimentos no tribunal tão a sério, Beckett.

– Levo, senhora e não é qualquer tribunal. É um júri especial de emergência para a 1PP.

– Entendo – Gates olhava para sua detetive, sabia o quanto ela era comprometida com o trabalho da mesma forma que conhecia suas habilidades e sua ambição – quer saber? Tudo bem. Você está liberada para trabalhar de casa, não vou descontar seu dia de folga com uma condição. Você entrará naquele banco e não deixará uma dúvida sequer de que Jordan é culpado.

– Claro, senhora. Pode contar com isso, não irei decepciona-la. Estarei na 1PP as onze em ponto. Muito obrigada, Capitã.

– Deixe-me orgulhosa, Beckett.

Ela sequer esperou a capitã dispensa-la. Com o casaco nas mãos, a bolsa pendente no ombro, ela deixou o distrito como um furacão. O tempo era seu inimigo agora. No caminho para casa, ela fez uma ligação no celular.

– Editora Hyperion.

– Sim, por favor, preciso falar com Gina Cowell. É urgente – ela esperou um pouco – em reunião? Diga para ela que se trata da NYPD. Beckett, ela reconhecerá o nome – nova espera, a secretária disse que ela atenderia em alguns minutos – ótimo, eu aguardo – Kate checava o relógio, meio-dia – vamos... – ela começava a morder os lábios em sinal de apreensão. Finalmente, quando entrava em seu apartamento, uma voz surgiu.

– Kate Beckett, por favor não me diga que Rick está usando–a para escapar da turnê? Isso seria patético até mesmo para ele.

– Gina, não é bem isso. Eu preciso de um favor – então, Beckett começou a conversar com a ex-mulher de seu namorado. Por mais estranho que parecesse para as demais pessoas, Gina gostava dela e concordou em ajuda-la.

Por volta das três da tarde, Castle chegou no terminal destinado a jatos particulares do La Guardia. Trazia uma pequena mala e uma bolsa com seu notebook. Não que esperasse escrever alguma coisa durante a turnê, era para jogar e falar com Kate via Skype. Entregou a bagagem para o rapaz encarregado da carga e checou o relógio. Não exatamente em ponto, mas parece que Gina também estava atrasada. A menos que estivesse dentro do avião.

De repente, o pânico tomou sua face. Não, esperava que a ex-mulher não inventasse de acompanha-lo nessa viagem. Já bastava toda a raiva que ele sentira. Não. O co-piloto cumprimentou–o.

– Olá, Mr. Castle. Seja bem-vindo a bordo. O piloto pediu para que ficasse à vontade. Ele deve atrasar nossa partida em uns vinte minutos. Está liberando a papelada para a viagem, sabe como é, voo de última hora.

– Nem me fale! Não gosto de lembrar da surpresa desagradável. Posso subir?

– Claro – o co-piloto indicou a escada – ah! Antes que esqueça. A senhora Cowell disse para avisa–lo que encontrará alguns materiais promocionais em seu quarto no hotel de Seattle para autografar.

– Ela não veio por aqui?

– Passou rapidamente. Tinha umas reuniões na editora.

– Ah! Acho que essa foi a melhor notícia do dia, rapaz. Obrigado – ele começou a subir as escadas, parou no meio virando–se para perguntar – alguma chance de me servir uma bebida enquanto esperamos o piloto?

– Sinto muito, Mr. Castle. Qualquer bebida ou comida teremos que esperar pela liberação do voo. Faz parte do procedimento.

– Tudo bem. Eu posso esperar – já sabia o que faria antes de embarcar – sei como ocupar meu tempo – ele sentou–se na confortável poltrona de couro. O bom de jatinhos é que sempre você se sente na primeira classe. Lugar espaçoso, bom serviço, wifi, comida e bebida à vontade. Pegou o telefone e chamou por ela.

– Hey, gorgeous... trabalhando?

– Hey, babe. Sim, o caso da 1PP. Gates não admitirá erros. Tem que ser perfeito ou não largará do meu pé por um bom tempo. E você, não deveria ter embarcado já?

– Estou esperando no avião. O piloto está correndo atrás da liberação, Gina esquece que o mundo não gira ao redor dela. As pessoas têm procedimentos. Protocolos.

– Olha você falando de regras... está mesmo chateado com essa turnê, talvez até um pouco entediado, não?

– Estou chateado por você não estar aqui comigo.

– Tudo bem, ossos do oficio. Não desconte em Gina, ela só está fazendo o seu trabalho, que é deixa-lo rico e famoso, devo acrescentar.

– Você está defendendo a mulher que me mandou para longe de você, encontrar minhas fãs? Acabou a crise de ciúmes?

– Não, mas não tenho muita escolha. Tenho?

– É verdade. Desculpe, amor – o piloto apareceu cumprimentando–o.

– Boa tarde, Mr. Castle. Estamos prontos para partir. O senhor pode desligar o celular? Assim que estabilizarmos no ar, terá sua bebida e poderá escolher o que prefere das nossas opções de cardápio – ele sorriu.

– Tenho que desligar, Kate. Vou morrer de saudades. Ligo assim que chegar em Seattle. Um beijo. Eu te amo.

– Também te amo – desligou. Castle apertou o cinto de segurança. Desligou o celular. Fechou os olhos. Ossos do oficio como Beckett dissera. Como sentiria falta dela nessa semana.

Quinze minutos depois, ele se sentia quase cochilando quando alguém falou perto dele.

– Mr. Castle, o que gostaria de beber? Mr. Castle? – ele abriu os olhos vagarosamente. Arregalando–os automaticamente no segundo seguinte. Ele piscava tentando entender se não estava dormindo, talvez sonhando. A sua frente, em um uniforme vermelho de comissária de bordo impecavelmente maquiada, com os cabelos presos em um rabo de cavalo, estava Kate Beckett. Sorrindo para ele.

– Kate? É você mesmo? Não estou sonhando?

– Definitivamente, você não está sonhando... – ela inclinou–se para beija–lo.

– Mas o que você...? O caso? E Gates? – ela sorriu diante da confusão que via em seu rosto.

– Lembra que eu tinha um dia de folga? Decidi usá-lo bem. Esquece Gates agora. Eu tenho exatamente as horas até Seattle para passar com você e não podemos perder muito tempo. Tenho que voltar a Nova York ainda essa noite. Amanhã tenho um grande julgamento pela frente. Então, vai escolher o que beber ou posso fazer por nós dois?

– Esqueça a bebida, Kate. Quero você – ele a puxou colocando–a sentada em seu colo, sorvendo os lábios em destaque pelo batom vermelho. Ela se afastou primeiro.

– Não tão rápido, cowboy. Tive que me desdobrar para estar aqui. Temos seis horas até Seattle. Vamos aproveita-los adequadamente – ela se levantou sumindo pelo corredor do jato. Voltou com uma bandeja trazendo champagne e duas taças. Colocou na pequena mesa de apoio em frente dele. Certificando-se que as portas estavam devidamente fechadas, sentou–se ao seu lado. Castle serviu a bebida para os dois.

– Que surpresa. Você me enganou direitinho ao telefone. Espera, você está me enganando desde ontem?

– Não. Eu realmente tinha algo diferente para hoje. Sua viagem mudou meus planos. A verdade é que eu apenas pensei nisso hoje de manhã. E não reclame de sua ex-mulher. Foi ela que me ajudou a estar aqui. Não havia nada errado com a papelada, eles estavam enrolando para que eu conseguisse estar a bordo apropriadamente – apontou para o uniforme.

– Você está linda nesse uniforme. Acho que é a comissária de bordo mais linda que já conheci. Se essa não era sua surpresa, eu posso dizer que funcionou perfeitamente para mim. Então, comissária Beckett, o que temos na nossa programação de entretenimento de voo?

– Bem, podemos começar com drinques – ela bateu a taça de champagne na dele tomando um gole – depois temos beijos, amassos na poltrona reclinável e você já usou o banheiro desse jatinho para outros fins, Castle? Ou pelo menos usou outros nesse sentido?

– Você já? – o sorriso enigmático dissera tudo. Meu Deus! Sua namorada era uma caixinha de surpresas – oh, Katherine Beckett, o que mais anda escondendo de mim?

– Tantas coisas, Castle, tantas coisas... – ela se inclinou para beija-lo, os lábios deslizavam calmamente a procura dos dele. As mãos em seus cabelos. Jogou a taça vazia de lado. Ele apertou o botão fazendo a poltrona reclinar. O movimento fez Kate cair diretamente sobre seu peito, não se importou. Ela continuava explorando sua boca enquanto as mãos de Castle estavam em suas pernas entrando por debaixo da saia. Ela já sentia a animação vindo do meio das pernas dele. Gemeu ao sentir os dedos dele roçando sua calcinha. Isso seria muito bom.

Afastando os lábios da boca, ela começou a beijar o pescoço dele ao mesmo tempo que desabotoava a camisa que usava. Ficando de joelhos na cadeira, ela retirou a peça deixando o peito nu a amostra. A boca deslizou provando a pele dele. Dava pequenas mordidinhas por onde passava enquanto sentia as mãos dele chegando até o seu centro. Castle gemeu ao perceber que ela estava sem calcinha. A ereção pressionada contra o tecido da calça apenas crescia.

Ele acariciava seu clitóris enquanto ela se perdia entre o peito dele, brincando com os parcos pelos e os mamilos. Castle a estimulava penetrando–a com os dedos fazendo–a gemer e perder a concentração do que fazia por alguns instantes. Sentiu as unhas dela agarrando seu ombro. Continuou. O corpo de Beckett respondia ao toque dele muito rápido. Tornou a sorver seus lábios, dessa vez mordiscando-os tamanho era o desejo que já a dominava.

– Tire essa calça, Castle...

– Não... tire você – e continuava estimulando–a. Deus! Isso era bom demais. A roupa que ela usava era um conjunto de saia e blusa. Ele queria arranca-lo, mas não queria parar de provoca-la. Esperaria um pouco mais. Ela estava quase sem forças. Começava a tremer ainda tentando desabotoar a calça dele sem sucesso. Castle a segurou temendo que caísse da poltrona quando o orgasmo a atingiu. Ela não se deixou intimidar, porém precisava de ar. Deslizou para a poltrona ao lado dele. Foram poucos minutos para que se recuperasse.

Então, Kate se colocou de pé. De frente para a poltrona onde ele permanecia calmamente deitado observando–a com o membro empinado contra o tecido da calça. Ela desfez o botão, abriu o zíper e desceu um pouco a calça. Segurando o membro dele para fora, ela sorriu massageando a cabecinha. O olhar malicioso dela dizia tudo, estava curtindo a brincadeira. Ele a admirava por isso. E não previra seu próximo movimento.

Beckett se ajoelhou na frente dele. Apoiou–se em suas coxas e olhou para Castle antes de toma-lo na boca.

– Oh, meu Deus...Kate... – foi tudo que ele conseguiu dizer ao sentir a língua dela circulando a cabeça de seu pênis.

Kate usava a língua para provar toda a extensão do membro, voltava para a cabeça e dava uma pequena chupadinha. Usava as mãos para excita-lo também. Repetiu a brincadeira da chupada para provoca-lo umas três vezes até decidir–se por prova-lo por inteiro. Ao toma-lo dentro da boca podia ouvir os gemidos de prazer que provocava nele. Os lábios trabalhavam os movimentos, uma das mãos acariciava suas bolas apertando–as uma vez ou outra.

Reparou que ele se sentara ereto na poltrona. Ele tinha uma das mãos em sua nuca, empurrando–a contra o membro querendo mais. Quando sentiu a pressão no pescoço diminuir e ele deslizar de volta para a poltrona, sabia que deveria parar. Ela o tirou da boca, lambeu uma última vez a cabecinha e olhou para ele. Castle estava quase em transe, perdido. Com uma chupadinha, ela se ergueu do chão. Levantou a saia e se pôs sobre o membro dele.

Deslizou com cuidado, devagar, sentindo–se preencher–se completamente pelo membro dele. Castle tinha suas mãos em sua cintura, estava muito próximo de ceder ao prazer. Não podia, por ela, não podia. Ele buscou os lábios dela outra vez. Sugava–os agora com tesão, em um beijo ardente. Kate deixava as mãos se perderem nos cabelos dele enquanto as línguas se saboreavam. Fazia pequenos movimentos sentada sobre o membro dele.

Castle abriu o zíper do uniforme que ela usava. A blusa afrouxou–se de seu corpo, porém ela não queria ficar sem roupa não... ela sabia o que ele pretendia. Sim, as mãos apertaram seus seios querendo senti–los. Mordiscava sua orelha. Kate se deixou levar. Jogou o pescoço para trás. Sentiu os dentes dele em sua garganta. Então, Castle começou a bombar dentro dela. Uma, duas, três vezes. Ele queria toca-la, mas o ritmo acelerado que imprimiam, não tornou a experiência possível. Kate fechou os olhos jogando o corpo contra ele quando a explosão a atingiu. Ele apenas se deixou levar pelo prazer. Ambos entorpecidos demais para pensar em qualquer coisa.

Ficaram por vários minutos quietos. Sem forças para se mexerem. Beckett tomou a iniciativa. Acariciou o rosto dele com as mãos. Ainda podia ver desejo naqueles belos olhos azuis. Tirando as gotas de suor que escorriam em sua testa, Kate tornou a beija-lo com carinho. Ele sorria ao quebrar o beijo.

– Hey...

– Hey...

Ele não queria conversar. Estava inebriado pela audácia e a beleza daquela mulher. Ela era muito mais do que sonhou, do que desejou. A cada dia ele se perdia mais por Kate Beckett. Ela se levantou com cuidado do colo dele. Reparou que o membro dele já estava relaxado. Podia dar um jeito nisso facilmente.

De pé, ela estendeu a mão indicando que ainda não terminaram o que ela pretendia. Castle ergueu–se da poltrona, segurou a mão dela e esperou seu próximo passo. Kate começou a andar pelo pequeno corredor, ele se perguntava se ela estava indo em direção ao banheiro. A resposta veio logo em seguida. Parou na frente do cubículo, olhando para o namorado com as calças arriadas. Sorriu.

– Você já tentou aqui antes? – ele perguntou embora soubesse a resposta. 

– Uma vez. Não foi uma experiência prazerosa. Existe um truque para usar o espaço e acredito que somos altos demais.

– Acho que sei como podemos resolver isso... se você quiser tentar – ela mordiscou os lábios. Isso decididamente era um sim – vem comigo – ele entrou primeiro. O lugar era apertado como todos os banheiros de avião. Ele puxou–a contra o seu corpo para fechar a porta. Tirou a blusa dela enrolou a saia na cintura. Abriu o sutiã. Ergueu–a sentando no canto da pia de maneira a ficar a uma distância suficiente para que ele pudesse alcança-la.  Kate ainda não sabia o que ele pretendia. Ele afastou as pernas dela. Viu os mamilos enrijecerem devido ao ar frio que vinha da pequena abertura no teto da pia.

Castle sentou–se sobre o vaso e afastou as pernas dela o máximo que pode, inclinando–se para frente, primeiro tocou–a com os dedos, circulando o centro dela, atiçando, provocando. O polegar em seu clitóris. Pode ouvir os primeiros gemidos de Kate.

– Cas... não pare...

Ele obedeceu. Dessa vez usando a língua. O solavanco que ela deu a fez bater a cabeça na parede do banheiro. Ela não se importava. Ele provava–a vagarosamente, apoiando–se em suas pernas para ter a posição correta naquele pequeno espaço. Sugou–a com os lábios. Uma, duas, três vezes, tornou a usar a língua. Ele alternava os movimentos. Kate, mesmo magra, tentava se equilibrar na ponta da pia. Agarrou–se aos cabelos dele, forçando–o contra si. A outra mão procurava segurar na torneira. Ele a estava levando a loucura.

Castle não parava. Não queria ser vencido por um simples cubículo. Continuou beijando, sugando, lambendo. Pressa não estava lhe incomodando. Queria vê–la sucumbir a ele, fazer dessa experiência algo memorável. Faze-la esquecer a ruim.

– Castle.... eu... por...favor... – isso era um convite para continuar. Ele tornou a brincar com o clitóris dela, sabendo que o limite estava próximo. Uma das mãos buscou seus seios. Apertou–os. Puxava o mamilo. Ela gritou. E ele sentiu. Ela estava experimentando outro orgasmo. Seu membro já estava outra vez em ponto de bala. Queria penetra-la. Levou a mão dos seios aos lábios dela, Kate sugou o polegar. Ele se distanciou dela. O peito arfava. Vermelha, suada e linda. Totalmente sem resistência.
Ele levantou-se contemplando-a. Envolvendo-a pela cintura, a colocou de pé, de frente para si.

Os olhos se encontraram, o amendoado quase sumira. Ele a beijou vagarosamente saboreando aquela boca. Ela podia sentir a língua dele invadir sua boca assim como sentira a ereção dele em seu estomago. Castle ainda pensava no que fazer em seguida quando Kate ergueu uma das pernas e a colocou sobre o vaso. Era um convite. Só podia ser.

– Quero você... dentro de mim, Rick...

Não precisava pedir duas vezes. Ele a penetrou de uma vez. Segurava sua cintura, os corpos colados. Em pé, eles começaram a mover–se, devagar. Os lábios trocaram um novo beijo. A mão livre dele estava na lateral do seu corpo roçando o polegar sobre o seio dela. Kate deixou a cabeça encaixar–se entre o pescoço e o ombro dele usava os lábios para beija-lo ali, mordisca-lo, o nariz roçava em parte do cabelo. Ela sussurrava.

– Mais...

– Agora?

– Sim... – ela friccionou a vagina no membro dele fazendo–o gemer. Entendendo o recado, ele passou a imprimir mais ritmo. Abraçou–a contra o seu corpo inclinando-se para apoiar-se na parede contraria. As pernas dela começavam a fraquejar. Não tinham muito como se movimentar ali dentro. Mesmo assim, eles seguiam buscando o ápice do prazer. Minutos depois, eles conseguiram.

Suados, cansados e doloridos pela louca ginastica, se apoiaram um no outro. Castle sentou–se no vaso. Ela sentou-se em seu colo. Enroscou–se no pescoço dele e ficaram ali. Esperando recuperar a respiração. As forças. O ânimo para se levantarem e deixar o local. Como sempre, ela se recuperava primeiro. Juntando a roupa do chão, baixou a saia para o lugar. Limpou as pernas. Vestiu a blusa. Jogou agua no colo e no rosto. Suspirando, ela voltou a olha–lo. Castle tinha o olhar sereno. Sabia que ele a observava, admirando–a.

– Estarei lá fora – saiu.

Dez minutos depois, ele saiu do banheiro bem mais apresentável com o peito nu a amostra. A camisa havia ficado na poltrona. Ela sorriu ao vê-lo também sorrindo. Kate esperou ele chegar mais perto. Passou a mão no peito dele como gostava de fazer sobre a camisa deixando–as deslizar até o bumbum. Então o beijou carinhosamente. Ele retribuiu o carinho. Ao se afastar, ela entregou-lhe a camisa.

– Está com fome? Sente-se. Vou pegar o jantar para nós. Ainda temos duas horas de voo – quando ela fez menção de virar–se, ele a puxou novamente dando–lhe um novo beijo acariciando–lhe a bochecha.

– Você é incrível. Eu te amo...

– Eu sei. Para as duas coisas... – sorriu e piscou para ele.

– Depois eu que tenho um ego grande...sei, detetive.

Ela voltou com uma bandeja. Havia dois filés, arroz e legumes. Colocou a comida na frente dele e pegou a mesma garrafa de champagne que bebiam antes. Estava pela metade. Devidamente vestidos e sentados um ao lado do outro, quem os visse jamais imaginaria o que acabara de acontecer alguns minutos antes. Saborearam a comida, conversaram sobre o caso que ela trabalhava, as suas opiniões para o julgamento. Depois, ela recolheu os pratos. Ao voltar com um pote de sorvete e duas colheres, viu o sorriso de menino no rosto dele.

– Potato chips chocolate fudge?

– Sua filha me disse que era seu preferido – ela sentou-se na poltrona ao lado dele. Ofereceu a colher e abriu o pote – pode avançar.

– Não, ainda. Quero saber se conseguimos apagar a sua experiência ruim em aviões.

– Completamente – ela sorria.

– Acho que é minha vez de agradecer, então. Não sei qual era sua outra surpresa, o que pretendia. Isso aqui foi mais do que eu podia sonhar. Você, detetive Beckett vestida de comissária de bordo especialmente para mim. Eu podendo proporcionar uma experiência em pleno ar para nós dois. Me faz ama-la ainda mais por achar que eu merecia isso. Eu apenas amo você, não peço nada em retorno a não ser seu amor. Kate.

– Eu sei. Por isso era tão importante. Você já fez muito por mim, mesmo quando nem pensávamos em ficar juntos. Precisava expressar meu amor também.

– Ambos fizemos muitas loucuras juntos, enfrentando perigos. Fizemos por amor, Kate, você sabe disso – ela acariciou o rosto dele com as duas mãos. Beijou–o com carinho.

– É exatamente por isso que preciso agradecer. Por você ser você – ela se ajeitou na poltrona – agora vamos comer esse sorvete. Temos meia hora antes de pousarmos em Seattle.

Meia hora depois, o avião tocava o solo da cidade. Eles estavam prestes a se despedir. Uma semana longe do outro. Podia ser encarado como tortura, para Kate era uma promessa. Tinha algo para se lembrar. Ele pegou sua bolsa com o notebook. Ela ajeitou a gola da camisa que ele usava.

– De volta a Nova York?

– Sim, de volta. Seis horas outra vez.

– Vou sentir falta de você, amor.

– Eu também. Pelo menos tenho algo para pensar no voo de volta. Meu depoimento.

– Boa sorte amanhã com o julgamento. Ligue quando chegar em casa.

– Tudo bem. Não abuse na turnê, Castle.

– Nada de autógrafos em peitos, prometo. Te vejo em uma semana – ele deu-lhe um beijo apaixonado 

– Essa vai entrar para a lista.

– Lista?

– Das melhores vezes que fizemos amor – ela sorriu vendo aproximar-se da escada pronto para deixar o avião – aliás... tenho que riscar algo na minha bucket list. Nunca fiz isso em um avião.

– O que? – ele desceu as escadas rindo. Sabia que ela ficaria pensando nisso por um bom tempo. Ainda ouviu a voz dela gritando.

– Mentiroso.... eu te amo.

Sentada na poltrona, ela ria. A porta do jato fora fechada novamente. O piloto sorriu para ela.

– Não vamos demorar muito Srta. Beckett. Partimos assim que acabar de abastecer.

– Tudo bem, não tenho pressa alguma – esticando-se na poltrona, ela estava outra vez com um sorriso bobo nos lábios. Cada dia ela descobria o que era namorar Rick Castle. Uma montanha-russa de emoções e muitas, muitas risadas. Ela gargalhava sozinha lembrando da loucura em pleno ar.


THE END