segunda-feira, 25 de abril de 2016

[Stanathan] Kiss and Don´t Tell - Cap.71


Nota da Autora: Reviravoltas e mais reviravoltas... as surpresas não param e dona Rada está disposta a arrancar a verdade a qualquer custo sobre a vida de Stana. Cômico, fofo e com um belo momento entre irmãs, essa confusão está longe de acabar...  enjoy! 


Cap.71    

Na manhã seguinte, eles tomavam café sentados à mesa. Stana roubava um pedaço de bacon do prato de Nathan.

- Hey! Coma seu próprio bacon.

- Eu não tenho bacon no meu prato. Estou te ajudando a não comer tanta gordura. Faz bem para sua saúde.

- Esbelto, saudável e sem as melhores coisas da vida? Eu passo. Posso queimar essas calorias com sexo. Acho que demonstrei que tenho ótimas chances ontem, não? Afinal, não fui eu quem reclamou de dores antes de dormir.

- Haha, engraçadinho. Não foi você que teve que se equilibrar em uma única perna e contra a parede molhada e escorregadia do banheiro, mas valeu cada segundo – deu-lhe um beijo rápido – aliás, ao contrário do que diz, eu percebi que você está mais magro, o peito mais definido, menos barriga. Isso tudo é saudades de mim? Como você consegue ficar ainda mais gostoso? Não me importaria nem um pouco se você perambulasse pela casa sem camisa...

- Se fizesse isso, correria o risco de ser atacado a cada minuto, não que eu achasse ruim... – ele a beijou outra vez – mas conhecendo a minha mulher, não faríamos mais nada na vida, além do mais, tenho que estar atento a minha competição, não é fácil, Jeff, Kris, sabe lá quem mais... estão querendo me sabotar – ela jogou o guardanapo no rosto dele, rindo.

- Babe, precisamos conversar sobre o que faremos a respeito da visita da minha mãe ao set, aliás, Anne já se candidatou para ir junto. O que não acho ruim, pode ser uma distração.

- Stana, eu já disse a você que não me importo de receber sua mãe no estúdio. Acredito que seria bem mais fácil para enrola-la se não tentássemos mostrar algo que não existe.

- Você fala assim porque não viu o quanto ela já pressionou a Gigi e como está empenhada em te transformar em meu namorado. É sério. O que você irá dizer se ela perguntar o porquê de estar mais magro, mais feliz? E confie em mim, ela vai dizer que é por causa de mulher.

- Vou dizer que resolvi fazer uma dieta, exercícios para um papel em um filme que farei depois das gravações de Castle. Que tal, convincente o bastante?

- Talvez. E quando ela perguntar sobre a nossa relação, o que acha de mim... essas coisas podem ser muito traiçoeiras. Mamãe tem um dom para enrolar as pessoas e conseguir arrancar tudo que quer saber.

- Hum, vou falar de trabalho. Respeito. Não tem como me enrolar com isso.

- Ah, babe, eu não teria tanta certeza. Mas se insiste em encontrar sua sogra, tudo bem para mim. Vamos enfrentar a fera no ambiente de Castle e Beckett. Talvez possamos usar a sala de interrogatório – ele riu. Inclinando-se para beija-la outra vez – será que minha irmã está se divertindo tanto como nós?

- Aposto que sim, Staninha... por falar em diversão, que tal um mergulho na piscina? Ajuda a queimar calorias especialmente se você combinar o nado com sexo. Pode aproveitar para admirar meu peitoral.

- Preciso testar essa teoria... – ele a puxou pela mão levando-a para o quintal. Queria aproveitar cada minuto com ela antes de se despedir dela outra vez.

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Gigi chegou em casa depois de Stana. O sorriso no rosto era a prova de que se divertira muito no fim de semana. Ambas estavam leves e os olhares trocados foram suficientes para despertar a curiosidade de dona Rada. Marko a deixara em casa após falar com Stana para ter certeza de que a irmã estaria lá. Estavam jantando. Stana mordiscava um pedaço de pão italiano com uma pasta de alho. A mãe fizera questão de trazer um pouco da sopa que preparara na casa do irmão para as filhas.

- Vocês curtiram bem o fim de semana sem a mamãe? Tem um clima de relaxamento no ar. Gostaram de ficar sem mim por perto? Aproveitaram para se reunirem com seus amigos secretos?

- Mãe, deixe de besteira. Claro que sentimos sua falta.

- Filha, não engane sua mãe. Olha a cara de perdida da Gigi. Ela nem parece estar nos escutando – tinha razão, a irmã parecia estar em outro planeta. Totalmente perdida em seus próprios pensamentos. Isso não era bom para o disfarce que precisavam manter.

- Gigi, você quer mais sopa? Gigi... – nada – viu? Completamente surda... Kristina! – ela gritou fazendo Gigi pular da cadeira.

- Mãe! Que escândalo! Tomei um susto. Não quero mais sopa.

- Em que planeta você está, menina?

- Na terra. E já disse que não quero sopa... sis, acho que vou me deitar. Estou cansada. Fui inventar de correr na praia, exagerei. O sol estava muito quente, extremamente quente.

- É verdade, sis – Stana concordou segurando o riso diante da comparação do namorado ao sol – acho até que peguei uma insolação. E não posso ficar doente. Tenho muitas cenas para gravar. Aliás, mãe sua visita será na quinta-feira – ela se levantou da mesa vendo a alegria estampada no rosto da mãe pela notícia – também vou me deitar. Boa noite, mãe.

- Boa noite, meninas. Mal posso esperar para ver o seu costar – Stana bem imaginava que não. Só de pensar nisso, ela tremia. O que não sabia era que ainda teria muita agua para passar por baixo dessa ponte antes do encontro da mãe com Nathan.

Na terça-feira, quando Gigi retornava do trabalho por volta das quatro da tarde, ela foi pega de surpresa na porta de casa. Jeff escondera-se na lateral da casa, seu carro também estava estacionado lá. Quando ele a surpreendeu com um beijo, ela quase gritou.

- O que você está fazendo aqui? Ficou doido? Mamãe está em casa – ela sussurrava.

- Só se for por você. Ah, queria te dar um beijo de boa noite, Gi. Essa história de namorado de fim de semana não é para mim. Enche o saco. Estou mal-acostumado. Principalmente depois de domingo, eu amei aquela surpresinha no café da manhã. Podemos repetir de novo?

- Hum...gostou é? – ela voltou a beija-lo quase esquecendo onde estavam, a lembrança a fez empurra-lo – não, Jeff. É arriscado demais para nós, para Stana. Não podemos estragar tudo agora. Mamãe está desconfiada. Não podemos dar bandeira, por favor. Ela está encucada com a Stana.

- Tudo bem, vou ceder de novo... é só mais uma semana, não?

- Sim, só mais uma – ele puxou-a novamente em um beijo apaixonado. Nessa hora, a porta se abre e a luz da entrada é acesa. Gigi tenta empurrar Jeff para a lateral da casa, mas é tarde demais. Dona Rada está na frente deles. Por sorte, tinham uma certa distância entre eles.  

- O que está acontecendo aqui, Gigi?

- Nada, mãe. É um amigo trabalho. Já vou entrar – só que dona Rada ouvira parte da conversa e por dedução, tirou suas próprias conclusões.

- Gigi, suas tentativas de acobertar por sua irmã não vão funcionar. Não nasci ontem e ouvi a conversa de vocês. Jeff, não? Não sei porque sua irmã fica inventando essas histórias.

- Quanto você ouviu, mãe? – Gigi estava apavorada. Era hoje que Stana a matava.

- O suficiente para saber que você e sua irmã estão fazendo o impossível para esconder esse belo homem de mim. Suas tentativas acabaram. Quero ser apresentada formalmente ao namorado da minha filha, mesmo que ela não me apresente.

- Mãe... por favor.. eu não queria que...

- Gigi, tenha modos e apresente logo o namorado de sua irmã. Stana não está aqui mesmo! – Gigi fez uma careta. Jeff ficou sem graça e para piorar uma Gigi boquiaberta não sabia como reagir. E agora contava a verdade ou deixava a mãe se enganar. Que situação eles foram se meter!

- Esse... – ela olhou para Jeff apavorada pedindo ajuda...

- Jeff Grande. Encantado – ele pegou a mão de dona Rada e beijou-a como um perfeito cavalheiro – e você, me permite chama-la de você? – ela sorriu balançando a cabeça positivamente – deve ser Rada. Muito jovem para ter duas filhas adultas.       

- Oh, obrigada. É um prazer finalmente conhecer o namorado misterioso da minha filha. Não sei porque Stana insiste em esconde-lo da família e do público. Ela é meio paranoica com esse lance de privacidade – era muito pior do que pensara. A confusão estava prestes a começar. Teria que contar a verdade.

- Não, mãe, na verdade Jeff é meu namorado.

- Ah, Gigi, já chega. Uma coisa é sua irmã esconder a história e pedir sua ajuda, outra coisa é você mentir descaradamente. Por favor, Jeff, vamos entrar. Fiz uma torta de amoras deliciosa e tem carne assada para o jantar. Entre, por favor – Gigi beliscou o namorado para que ele inventasse algo.

- Mãe, eu não estou mentindo... conta para ela, Jeff. Não temos escolha.

- E-eu realmente não deveria estar aqui dona Rada. Deus! A Stana vai me matar... – olhou para Gigi – nos matar.

- Vai nada! Agora que já sei quem é você, ela vai se conformar – saiu puxando Jeff pelo braço, ele olhava desesperado para Gigi pedindo ajuda. Ela também estava sem saber como agir. Deveria avisar a irmã ou iria piorar as coisas?

- Quero saber de tudo, como você conheceu a minha filha? Vou colocar a mesa para jantarmos. Infelizmente, Stana vai chegar tarde hoje. Você não sabia disso?

- E-eu sabia, mas... – ele não continuou.

- Ah, que meigo, está com saudades dela, não? Aposto que ela o proibiu de aparecer aqui enquanto eu estivesse em Los Angeles – Jeff meneava a cabeça, sem coragem para abrir a boca. Gigi andava de um lado para o outro agitada pensando no que poderia fazer para reverter isso sem entregar a verdade sobre a irmã – aqui está, coma a carne assada e os legumes. E aproveite para me contar como se conheceram.

Sem alternativa, Jeff começou a contar de sua experiência com Gigi. Era a única coisa que poderia fazer.

- Conheci sua filha em um jantar na casa de Nathan.

- Nathan Fillion, o costar dela no show? Você o conhece?

- Sim, ele mesmo. Somos da mesma cidade no Canada – ok, isso ficava pior a cada minuto na visão de Gigi e melhor a cada segundo na visão de dona Rada.

- Ah! Vocês são amigos, então?

- Melhores amigos – Gigi percebeu que a mãe ficara um pouco decepcionada.

- E ele apresentou-os, pessoalmente? Já tinha falado da minha filha para você antes, como um interesse amoroso?

- Ele sempre falava dela, Acho que é normal pela convivência. Conversamos, nos divertimos e vi que tínhamos interesses em comum. Trocamos telefones. Convidei-a para um café. Três encontros depois...

- E Nathan? Gostou? Quer dizer aprovou? – oh, Deus! Ela realmente estava decepcionada por não ser Nathan? Era isso mesmo que Gigi estava vendo? Ela tinha que interceder.

- Jeff, pare! Nenhuma palavra mais. Deus, como chegamos a esse ponto?

- Gigi, olhe os modos com o namorado de sua irmã. Por que está tão alterada?

- Mãe, chega de teatrinho. Jeff não é namorado de Stana. Ele é meu namorado. Meu – ela puxou Jeff e tascou um beijo nos lábios dele – satisfeita, agora?

- Gigi! Eu sei o quanto quer ajudar sua irmã, mas isso foi baixo demais. Você não pode sair por aí beijando o namorado das outras – ela grunhiu. Que pesadelo!

- Jeff, por favor, sai daqui. Eu vou tentar explicar a verdade para a minha mãe.

- Sim, a-amor. E dona Rada, tudo o que falei era verdade, mas Stana, e-ela não é minha namorada. Gigi é – ela saiu empurrando o namorado pela porta fechando-a atrás de si. Rada apenas revirava os olhos, não conseguia entender a cabeça de suas filhas. Para que complicar tanto? Gigi foi até o carro com Jeff. Estava quase chorando. Estava tudo perdido.

- Vai embora, Jeff. Nem sei como vou consertar isso. Preciso avisar Stana.

- Gigi, desculpe, eu não devia ter vindo. Diz que está tudo bem entre nós, por favor. Se quiser eu mesmo falo com Stana e...- ela deu um beijo rápido nele.

- Está tudo bem com a gente. Agora vai... preciso enfrentar a fera – Jeff entrou no carro. Ela pegou o celular e mandou uma mensagem para a irmã. “911. Mamãe sabe do Jeff. Me liga”. Ela ainda enrolou um tempo lá fora tentando esfriar a cabeça para encarar a mãe, também na esperança que a irmã a respondesse. Nada. Resignada, decidiu entrar em casa. Dona Rada estava com os braços cruzados esperando pela filha. Nem bem Gigi entrou em casa, ela foi logo passando o sermão.

- Que papelão, Gigi. Expulsou o namorado da sua irmã, não me deixou conversar com ele, mentiu e ainda fez o pobre concordar com sua mentira. O que deu em você? O que tem na cabeça, menina? Por acaso isso é ciúmes da sua irmã? Por que ela está namorando e você não? – ela revirou os olhos, ia ser uma longa noite. Suspirando, respondeu.

- Mãe, eu realmente preciso de um tempo, tudo bem? A senhora deixa ao menos eu entrar em casa, tomar um banho e depois nós conversamos? Tive um dia cheio e essa não era mesmo a forma que esperava terminar a minha noite - Mesmo com o beijo de Jeff, pensou. A mãe percebeu o semblante em agonia da filha. Cedeu.

- Tudo bem. Vá tomar seu banho e desça para jantar. Conversamos depois, mas não pense que irá escapar.

Gigi não se preocupou em responder, seguiu para o seu quarto na esperança de ganhar tempo e receber uma resposta da irmã. Tomaria banho e se Stana não desse sinal de vida, ela ligaria para a irmã. Não sabia o resultado da conversa com a mãe, porém Stana tinha que se preparar para o pior.

Raleigh Studios

Nathan já acabara suas filmagens por hoje. Tinha deixado o estúdio há vinte minutos atrás. Stana ainda tinha dois interrogatórios e uma cena com Seamus para fazer. Ela estava retocando a maquiagem e o cabelo quando ouviu seu celular vibrar. Incapacitada no momento de olhar o que seria, esperou até que Lisa terminasse o serviço. Dez minutos depois, ela decidiu checar o celular. Talvez tivesse sido um erro.

Ao ver a mensagem deixada por Gigi, ela ficou pálida. Lisa notou e perguntou.

- Stana? Está tudo bem? Você está branca.

- Es-está. É uma mensagem... da minha irmã. Preciso retornar. Você avisa...a Rob...eu preciso... no banheiro... – ela já saia quase correndo. Lisa entendera perfeitamente e foi atrás do diretor dando um tempo a ela.

Stana chegou ao banheiro trancando-se em uma das cabines. Assustada, ela tentava controlar respiração escrevendo de volta para a irmã. Não sabia o que acontecera nem se era seguro ligar. Respondeu: “Como assim? O que houve? Posso ligar? ”. Ela não esperou nem um minuto pela resposta. “Ferrou. Ligue”. O celular tocou apenas uma vez.

- Que diabos está acontecendo, Gigi?

- Sis, eu sinto muito. De verdade. A casa cai. Sério, eu cheguei aqui e Jeff estava me esperando. Ele estava com saudades, me deu um beijo e eu... eu pedi para ele ir embora por sua causa...

- Você e Jeff estavam se agarrando em frente de casa?

- Não, sis, não foi bem assim. Eu pedi para ir embora, disse que mamãe estava desconfiada. Pedi que fosse para não complicar as coisas para você, mas a mamãe, ela ouviu parte da conversa e Stana... ela nos flagrou não como namorados. Não viu nada. Ela pensa que Jeff é seu namorado.

- O que?

- Sim! Ela levou-o para dentro de casa, serviu comida e queria saber como vocês se conheceram. O pobre do Jeff não sabia o que fazer, eu disse que ele era meu namorado e ela mandou eu parar de lhe acobertar. Jeff contou como nós nos conhecemos sem mencionar nomes. Ele falou de Nathan, que eram amigos. Foi apresentado por ele. Stana parecia a história perfeita, mas sei lá, mamãe estava gostando só que ao mesmo tempo ela parecia um pouco decepcionada por seu namorado não ser o Nathan. Ela chegou a perguntar se Nathan aprovava o namoro. Foi quando eu intercedi antes que ficasse pior. Disse que era meu namorado e o beijei na frente dela.

- Ai, Gigi. Isso não está acontecendo.

- Sis, isso não foi o pior. Ela não acreditou! Ela brigou comigo por beija-lo. Tive que expulsar Jeff de casa e antes que ela continuasse com o sermão pedi um tempo para tomar banho. Estou trancada no banheiro, o chuveiro ligado porque precisava falar com você. Ela está me esperando lá na cozinha para conversar. Disse que não vou escapar. Eu não sei o que fazer, Stana.

- Isso é um pesadelo! Um desastre.

- Eu sei! Quero contar a verdade sobre mim e Jeff, prometo não falar nada sobre você e Nathan, porém se continuarmos iludindo-a com Jeff, a situação pode ficar pior. E acredite, ela daria um jeito de traze-lo aqui de volta e você teria que beijar meu namorado. Eu certamente não aprovo isso. Tenho que dar um basta.

- Ah, Gigi. Eu nem sei o que dizer, como sairemos dessa? Eu concordo que contar a verdade é o melhor a fazer, mas isso não vai impedi-la de questionar-me sobre Jeff e sobre o meu namorado misterioso. Pior, que pode questionar sobre Nathan por causa da história. Que bagunça! E para sua informação, eu nunca beijaria seu namorado.

- Ai, sis! Eu não sei o que esperar. Claro que prefiro contar a verdade, inclusive sobre como nos conhecemos só que não sei como ela vai reagir. Não acreditou em mim até agora. E sei que temos o problema de expor Nathan nisso também.

- Meu Deus! Eu nem sei como falar para ele. Se é que devo falar. Para piorar amanhã ele está filmando externas e eu no estúdio. Não sei se devo ligar para ele, preocupa-lo.

- Não sei o que aconselha-la, uma hora ele precisará saber, porém também acho que está melhor ficando no escuro. Pelo menos até ter contato com dona Rada.

- Definitivamente não vou deixar ele encontrar a mamãe. Não, isso pode tomar proporções gigantes. Gigi, melhor você desligar. Ela vai ficar desconfiada. Conte a verdade e vamos ver como as coisas se ajeitam a partir daí. Capaz dela ficar acordada me esperando apenas para repetir o interrogatório e confirmar tudo. Boa sorte, sis.

- É, nem sei se vale alguma coisa desejar sorte...- suspirou -  juro que estou me sentindo indo para a forca. Tenho que encarar, não? Quem mandou se apaixonar? Tchau, sis. Qualquer coisa eu volto a mandar mensagem para prepara-la.

- Ok, vai com calma, Gigi.

Desligando o telefone. Gigi fechou o chuveiro, jogou a toalha no chão e vestiu seu pijama. Ela já tinha tomado banho enquanto esperava pela resposta de Stana. Procurando manter a calma, ela ia a passos de tartaruga para a cozinha. A mãe estava sentada a mesa terminando de decorar a torta de amoras. Ao vê-la, sorriu.

- Venha comer, Gigi. Acabei de esquentar quando ouvi você desligar o chuveiro. Banho longo esse seu. Teve um dia difícil no trabalho?

- Cansativo – ela não estava com um pingo de fome, porém sabia que se não mantivesse a boca ocupada nem que fosse por alguns minutos, a conversa tomaria forma mais cedo do que gostaria. Forçou-se a comer algumas garfadas do prato. Fingindo estar saboreando – está bom, mãe – continuava comendo, ou melhor, enrolando com a comida na boca por um bom tempo.   

- Tudo bem, Gigi. Será que agora podemos conversar sério, sem mentiras, sem tentar fazer da história mais do que ela é?

- Sim, mãe. Contanto que a senhora não duvide de mim e escute tudo que tenho a dizer antes de questionar qualquer parte da história. Pode fazer isso?

- Claro que sim, serei silenciosa. Fique à vontade para começar – ela fez o gesto de quem passa um zíper na boca sinalizando com a mão para seguir em frente. Gigi respirou fundo, afastou o prato de sua frente e tomou um longo gole da agua, preparando-se para contar a verdade a mãe. Que o destino esteja do seu lado.

- Mãe, você conheceu o Jeff. Sim. Ele faz parte de nossas vidas e tudo o que ele contou para a senhora é verdade. Exceto pela parte da Stana. Nós nos conhecemos através do Nathan, em um jantar por interesses comuns. Antes que me pergunte, a minha irmã me convidou para acompanha-la. Era uma noite sem pretensões, um simples jantar. Nathan me tratou muito bem, ele é um ótimo anfitrião, brincalhão e simpático. Entendo sua fascinação pelo ator, ele é encantador – viu o sorriso no rosto da mãe – então ele me apresentou a Jeff Grande, canadense como ele, da mesma cidade e o melhor amigo de Nathan. Sem sombra de dúvidas, eles parecem eu e Stana – claro que não revelaria que eram irmãos.

Gigi tomou mais um pouco da agua. Não satisfeita, levantou-se para servir-se de vinho, essa conversa pedia álcool. De volta a mesa com a taça de vinho nas mãos, continuou.

- Nós conversamos, nos divertimos. Stana também gostou de conversar com ele e disse que podia ver como ele e Nathan eram tão próximos. Nós trocamos telefone. Não esperava nada apesar de acha-lo supersimpático e charmoso, nunca pensei que ia dar em algo. Foi uma daquelas coisas que você faz por fazer. Nem contei para Stana. Dois dias depois, ele me ligou convidando para tomar um café. Não vi nada de estranho no convite e fui encontra-lo. Conversamos por quase três horas. Marcamos outro café. Ele teve que viajar a trabalho, quando voltou o café virou jantar e eu acabei cedendo e ficando com ele. A senhora pode culpar a tequila.

Dona Rada estava ouvindo atentamente, ávida para perguntar. Ergueu a mão pedindo permissão.

- Posso fazer só uma pergunta?

- Uma.

- Onde entra sua irmã na história?

- Stana soube logo depois que eu dormi com ele a primeira vez. Por aí... bem foi estranho quando ela descobriu. Eu mesma ainda achava que isso era um erro, não sabia o que deveria fazer, se isso funcionaria, se era só pegação ou se podia virar algo melhor. Stana não concordava. Disse que fui rápida demais, que isso não deveria estar acontecendo. Eu mal o conhecia, o que era verdade. Podia ser muito complicado, mas eu acabei não ouvindo e... eu me apaixonei, mãe. Ela relutou em aceitar, porém agora reconhece que estou feliz.

Gigi passou a mão nos cabelos, o rosto mostrava a vergonha por estar contando que estava apaixonada para a mãe. Sorriu.

- Então dona Rada, o que a senhora tanto queria para sua filha aconteceu. Estou apaixonada por Jeff, adoro estar com ele e estou sofrendo muito por ter que esconder isso por duas longas semanas. Essa é a história. Pode falar à vontade, mãe, o que quiser, não me importo.

Rada olhava para a filha por alguns segundos. Gigi não conseguia decifrar o que aquele olhar significava, o que a mãe estava pensando naquele instante. Estava triste? Decepcionada? Viu que havia um brilho em seus olhos, mas por que?

Ela levantou-se da cadeira onde estava, se aproximou da filha e a abraçou. Gigi sentiu-se aliviada, até o momento que a mãe olhou para ela visivelmente emocionada e falou.

- Eu devo ter feito alguma coisa certa na vida porque eu nunca imaginei ver algo assim. Como mãe, estou orgulhosa de ter criado meninas tão lindas e tão doces. Esse amor de vocês é um sentimento tão lindo, um exemplo de amor fraternal raro de se ver. Você e Stana, tem um laço de amizade e cumplicidade que ainda não vi igual. E ser capaz de fazer tudo isso por ela, mentir por ela, faz de você uma pessoa maravilhosa, Gigi.

A cara de espanto de Gigi não podia ser maior. Sua mãe não acreditara nela. Depois de ter aberto seu coração, ela ainda pensava que estava acobertando a história de Stana. Será que mesmo sendo sincera ela era ruim? Uma mãe deveria notar essas coisas, não? E agora? O que deveria fazer? Se a verdade não convenceu dona Rada, devia apoiar a ilusão que criara em sua mente? Antes de tomar partido, precisaria entender o que se passava na cabeça da mãe.

- Mãe? – ela fez Rada olha-la – a senhora não acreditou em nada do que eu disse?

- Oh, querida, acreditei. O único problema é que a história não é sua, mas tudo bem. Entendo o que você pretendia fazer ao me contar sob seu ponto de vista. Queria despistar minha atenção para o relacionamento da sua irmã.

- A senhora percebeu tudo isso através da minha história?

- Sim, sou bem esperta. E sabe o que denuncia a sua mentira? Algo que percebi logo quando conheci o Jeff. Aquilo ficou na minha cabeça martelando por boa parte da noite. É tão obvio que cega a sua irmã.

- O que é, mãe? – Gigi estava curiosa porque não tinha ideia do que a mãe falava.

- Jeff é extremamente parecido com Nathan, podiam ser irmãos – Gigi quase engasgou com o vinho ao ouvir isso – por isso digo que sua irmã é cega. Ela namora alguém que a lembra de seu co-star. E pelo que você falou não apenas em físico, mas também em personalidade.

Gigi não acreditava no que ouvia. Sua mãe criara toda uma fantasia em sua mente e o pior de tudo era que podia convencer qualquer pessoa de que aquilo era verdade. Porque se ela mesma não conhecesse toda a verdade, também concordaria com a história inventada. Mas a mãe ainda não parara.

- Eles têm os mesmos belos olhos azuis, o sorriso encantador, até os narizes são parecidos. Ambos charmosos, galanteadores, Jeff está um pouquinho mais cheinho, porém isso não o desvaloriza. Sua irmã nunca se importou com isso. Incrível ver a forma como o nosso subconsciente age a nosso favor, em busca do que desejamos. Acho que sua irmã está em negação. Não estou dizendo que ela não goste dele, estou afirmando que não é quem ela queria. Nossa! Se fosse mais nova, faria psicologia.

- Mãe, a senhora está dizendo que Jeff é um substituto para Nathan? – isso estava ficando mais confuso a cada momento.

- É tão obvio de perceber, Gigi. Ele é o espelho do que ela realmente quer. Se tem uma coisa que uma mãe entende é a forma como seus filhos pensam e reagem as coisas.

- Aparentemente não se aplica a mim... – Gigi falou baixinho.

- O que você disse?

- Estava pensando, como fica essa história?

- O jeito de consertar é fazer sua irmã enxergar que está se enganando, vai acabar partindo o coração de Jeff por causa do que quer. E o pobrezinho não merece isso. Ele é um ótimo rapaz, bom partido – isso fez Gigi sorrir, ponto para ela – mas não é para sua irmã. Ela não pode ser feliz com o espelho, Jeff não pode ser o substituto da imagem real.

- A senhora obviamente tem alguma ideia de como consertar isso, imagino...

- Ah, sim! Algumas. O caminho é através de Nathan. Gigi, me diga, como ele vê o relacionamento dos dois? – estava encurralada. Não sabia como responder, se sobre o seu relacionamento ou o falso da irmã.

- Não sei, mãe. Honestamente. Acho que gosta. O melhor amigo está feliz. Terá que perguntar a ele – certo, jogara o cunhado no fogo, mas pelo menos Stana tinha como evitar a situação e o encontro entre os dois, não?

- É o que vou fazer quando encontra-lo. Não vou falar nada para sua irmã porque se eu conheço bem minha filha, ela vai dizer que eu entendi tudo errado e que não tem nada com o Jeff, que você é a namorada dele, enfim continuará a mentira de vocês. Nem vale a pena. Se tiver que consertar essa história, será através de Nathan.

- E quanto a Jeff? Acha que será justo com ele se você instigar seu amigo? Cuidado, mãe, pode estar se metendo em casa de marimbondo – Gigi tentava de tudo para desencorajar a mãe.

- Jeff... é talvez não seja justo com ele. Mas desde quando a vida é justa, Gigi? E não vou chegar intimando o outro a trair o amigo. Aliás, se são realmente amigos, Jeff deve saber que Nathan gosta de sua irmã. Ele tenta disfarçar, mas está estampado no jeito que olha para ela, que fala dela.

- Mãe, não confunda as coisas – mas Gigi sorria. Era bem óbvio mesmo. Como atores, eram péssimos em disfarçar seu próprio relacionamento.

- Não estou confundindo sua irmã com a personagem. Você deveria vir conosco na visita ao estúdio. Entenderia do que estou falando na hora.

- Não, posso – recusou imediatamente – tenho que trabalhar. Falando nisso, eu vou me deitar. Tenho uma reunião importante amanhã cedo.

- Você não vai comer um pedaço da torta? – Gigi olhou para o doce, parecia apetitoso.

- Tudo bem, um pedaço, mas me promete que também vai dormir. Descanse um pouco, mãe. Esqueça um pouco essa vida de doméstica. Prometo que vou arranjar um tempo para passearmos em Santa Monica. Vou leva-la para ver o pôr do sol amanhã, tudo bem?

- Eu adoraria, Gigi – ela apertou a mão da filha com carinho. Gigi terminou a torta e recolheu-se para seu quarto. A mãe seguiu seu conselho deixando as louças na pia e indo para o banheiro.

Assim que se viu sozinha no seu quarto, Gigi respirou fundo. A conversa com a mãe fora pesada e apenas naquele momento ela pode relaxar. Chorou. Sua mãe dissera coisas lindas sobre a amizade dela e de Stana, mas não acreditou que era ela quem estava apaixonada. Tudo bem, ambas estavam. A única razão que não ia se chatear com isso era porque no fundo, a mãe estava certa sobre os sentimentos de Stana, mesmo que de um jeito torto. E essa fora sua missão ao vir para Los Angeles, não? Desmascarar o namorado de Stana.

Mais calma, ela pegou o celular e mandou uma mensagem para a irmã.

“Terminei a conversa. Ela não acreditou. Você e Jeff são um casal, mas vai sobrar para o Nathan. Conversamos em casa. ”

Não demorou para Stana responder. A irmã colocou um pequeno emoji de pânico e escreveu “no caminho XS”. Gigi decidiu verificar se a mãe já estava dormindo. Já saíra do banheiro, estava no quarto. Melhor assim, teriam a oportunidade de conversar sossegadas. Ela voltou a cozinha e serviu-se de vinho novamente. Estava na segunda taça quando ouviu a irmã entrando em casa.

- Hey, sis... dia puxado?

- Nem me fale, contudo não foi igual ao seu. Que maluquice é essa da mãe? – ela pegou uma taça, colocou o vinho e sentou-se no sofá esperando pela irmã.

- Acho que é mais seguro conversar no quarto ou lá fora, na varanda, apenas por precaução – Gigi pegou a garrafa de vinho e levou consigo. Stana a seguiu. Sentadas na poltrona que imitava uma namoradeira, Gigi colocou os pés na pequena mesinha de centro e perguntou – você quer a versão curta ou longa?

- A que for melhor para você – viu a irmã desviar o olhar e suspirar. Olhava para o céu quando começara a contar a história.

- Eu contei a verdade para a mamãe, sobre o Jeff. Como nos conhecemos, como rolou, falei de Nathan, disse que eram melhores amigos. Eu disse a ela que estava apaixonada, sis. Abri meu coração e – ela engasgou, tomou um gole do vinho, Stana viu as lágrimas molhando o rosto. Ela estava triste, algo raro para Gigi – ela disse as palavras mais lindas sobre nós, sis, mas não acreditou em mim. Por que? Sou tão despachada que sou incapaz de despertar amor em alguém? Ela pensa que sou incapaz de amar e ser amada? Sei que ela está meio cega com toda essa história de namorado secreto, porém... – ela olhou finalmente para a irmã, os olhos encharcados de lágrimas – foi difícil ver que ela não entendeu que estava falando de mim, dos meus sentimentos, abrindo meu coração. Enxergava somente você...e eu?

Stana acariciou o rosto da irmã limpando as lágrimas e abraçou forte. Ficaram assim por um bom tempo. Ela se afastou para fitar a irmã.

- Você é a melhor irmã, a melhor amiga que eu poderia ter. Gigi, eu não consigo imaginar o peso da minha própria vida, do meu segredo em suas costas. Você demonstra que ama e é capaz de amar todos os dias. E Jeff, ele é um homem afortunado por ter alguém como você. Ele a ama de verdade, eu vejo isso. Eu te peço desculpas por estar te colocando nessa situação, por impedi-la de fazer o que gostaria para me proteger. Eu não sei como poderia agradecer por tudo isso. Eu não quero te ver triste, chorando. E você está e isso é minha culpa. Minha e de Nathan.

- Não é culpa de ninguém, sis. Eu sabia onde estava me metendo quando topei ajudar. Se não fosse vocês, eu não estaria com Jeff... – ela fungou limpando o rosto – eu não estou triste. Estou com saudades dele e decepcionada comigo mesma por não ser capaz de convencer minha própria mãe sobre estar apaixonada.

- Gigi, você conhece a cabeça dura da mamãe. Ela só enxerga o que quer.

- É, você tem a quem puxar – elas riram – não nesse extremo – tomou mais um gole de vinho – ela vai azucrinar o Nathan. O que faremos?

- Eu queria evitar o encontro dos dois, mas ele insiste em falar com a sogra. Vou ter que avisa-lo de tudo o que aconteceu. Ele não estará no estúdio amanhã. Terei que ligar para conversar.

- Sis, não seria melhor contar a verdade? Talvez tenhamos chegado em um ponto que não adianta mais esconder dela. Fico pensando o que ela pode dizer para Nathan, envolver ele e Jeff em algo louco e ainda tem você. Porque mesmo que tenha dito que não irá questiona-la, você vai estar no estúdio. Vai ouvir as ideias malucas.

- É, eu estava pensando sobre isso hoje. Até que ponto vale a pena levar esse disfarce adiante para a mamãe? Estamos fazendo mais mal do que bem? Nos privando de momentos agradáveis com as pessoas que amamos e para que? Por outro lado, há o risco da empolgação ser maior do que queremos e nosso segredo vazar. Não estamos em um bom momento para isso acontecer. Falo de trabalho. Essas mudanças na ABC, ainda não temos ideia do que pode acontecer com Castle, com o futuro.

- Essa decisão não é minha. É sua, sis. Sua e de Nathan.

- Eu sei. Terei que conversar com ele. Agora...independente do que aconteça, você já foi punida demais nessa história. Por que amanhã não falta o trabalho ou faça tudo que tem para fazer e vai ficar com Jeff a noite? Você está merecendo.

- Eu meio que prometi levar a mamãe para ver o pôr do sol no píer. Tudo bem, sis, nós daremos um jeito – Stana virou o resto da garrafa de vinho na sua taça e na da irmã. Brindou com ela – a melhor irmã do mundo. Amo você, Gigi – ela sorria ganhando um beijo estalado na bochecha e um lindo sorriso.

- Amo você também, sis. Que gay! – gargalhou – melhor pararmos com o álcool – e sua irmã estava de volta, a boa e velha Gigi. Juntas, elas foram para seus quartos, estava mais do que na hora de encerrar esse dia louco.

Amanhã Stana tinha um desafio grande pela frente. Ela e Nathan precisavam chegar a uma decisão sobre o que fazer com Rada.

No dia seguinte, em meio as filmagens, ela perguntou a Jon se Nathan viria filmar em estúdio. Ele comentou que tudo indicava que não, estava filmando externas com Seamus até o fim da tarde. Ela checou o relógio, queria saber qual seria a melhor hora para conversar com o marido. Teria que usar o telefone embora o assunto exigisse uma conversa franca, cara a cara. Três horas. Talvez estivesse almoçando. Mandou uma mensagem “Pode falar? Me liga. XS”. Cinco minutos depois, seu celular tocava. Stana distanciou-se rumo ao seu camarim para atender.

- Espere um minuto – ela trancou-se no trailer para ficar à vontade e segura – pronto, pode falar.

- Hey, gorgeous. Tudo bem? Estou com saudades.

- Na medida do possível. Nate, precisamos conversar. 

- Nossa, o assunto é sério então. Sua mãe?

- Mamãe, Gigi, nós. Acho que estamos chegando no limite. Droga! Esse é o tipo de conversa que não é boa por telefone.

- Está com dúvidas sobre o que estamos fazendo? Ou você está apreensiva por causa da visita da sua mãe amanhã ao estúdio?

- Tem relação com isso também, a verdade é que mamãe criou uma história em sua cabeça, um mundo só dela que está afetando a todos nós. Ela conheceu Jeff.

- É, estou sabendo. Ele me contou – ela sorriu.

- Às vezes esqueço que você e seu irmão são como eu e Gigi.

- Quer ir lá em casa? Podemos conversar mais à vontade. Ou posso ir até o estúdio quando terminar aqui. Até que horas você vai gravar hoje? Você escolhe.

- Filmo até as oito horas. Talvez conseguíssemos um tempo na sala dos escritores. Será apenas uma conversa. Se for para casa eu não vou me contentar em ficar somente algumas horas. Eu espero você aqui. Tudo bem?

- Claro. Sei que está preocupada. Está no tom da sua voz, amor. Vamos resolver isso. Até mais tarde.

Raleigh Studios

Stana acabava de filmar uma cena de interrogatório com o Jon quando ele chegou. Ficou observando a esposa atuar de longe. Quando o diretor disse “corta”, Jon foi o primeiro a sair do set e avista-lo. Estendendo a mão, ele o cumprimentou perguntando.

- Hey, bro. Pensei que não vinha por aqui. Não está filmando externas com Seamus e Tonks?

- Terminamos. Acho que deixei meu headphone aqui ontem. Preciso dele para jogar. Aliás, quando vamos fazer uma competição de novo, Jon? Adoraria arrasar com você outra vez.

- Haha! Só porque era Halo... se jogarmos Call of Duty você vai chorar..

- Vamos marcar. Ache um espaço na sua agenda.

- Falou, vou verificar e te digo – Stana se aproximou dos dois.

- Hey, Nathan, já que está aqui poderia conversar comigo uns minutos? É sobre um leilão de caridade. Estou querendo oferecer algumas coisas de Castle. Posso te contar da causa?

- Claro. É o mesmo projeto do Pohana? Seu desenho é um sucesso.

- Obrigada, esse é o ponto. Só é um sucesso porque envolve os nossos fãs e Castle. Vamos para a sala dos escritores? Pedi um tempo de Jessica se não se importa, Jon.

- Claro que não. Vou aproveitar para comer alguma coisa – a forma como conversaram fora tão natural que não levantou qualquer suspeita do colega de elenco nem dos membros da equipe técnica. Ao chegarem na sala, ela apertou a mão dele. Sabia que não havia ninguém ali, por isso sugeriu o lugar. O jeito como o fitava era tão meigo, ela brincava com os dedos dele, as unhas. Apenas por um instante. Sentaram-se tentando manter uma certa distância. Ela usou uns papeis sobre a mesa para fingir que faziam parte da conversa.

- O que está lhe incomodando, Staninha? Pode falar.

- Nathan, você acha que levamos essa história do segredo longe demais? Quer dizer, minha mãe está determinada a provar que não só tenho um namorado, Jeff, mas também que estou com a pessoa errada. No meio de tudo isso, tem minha irmã. Ela contou toda a verdade para a mamãe ontem e dona Rada simplesmente achou que ela estava mentindo por mim. Ela vai usar você para me atingir, Nate. Quanto mais tentamos, mais erros cometemos.

- Conte tudo o que aconteceu – e Stana o fez. Falou tudo inclusive e principalmente da tristeza da irmã. Ele escutou tudo procurando entender o ponto de vista de cada um – eu entendo que todos estão sobre pressão. Gigi mais do que ninguém. Ela tem sido nossa aliada desde o início, as vezes me sinto como você, nada do que façamos por ela será suficiente para retribuir. Quanto a sua mãe, realmente estou impressionado com a determinação e a teimosia. Você tem a quem puxar, amor.

- Hey! – eles riram.

- Falando sério, você realmente se sente à vontade de contar toda a verdade? Não quer esperar pela visita, me deixe ficar frente a frente com ela.

- Eu não sei, as vezes acho que deveríamos acabar logo com esse disfarce para ela, ver a tristeza nos olhos de Gigi me partiu o coração, por outro lado é um risco. Por isso queria conversar com você, não quero decidir sozinha. Isso diz respeito a nós dois – ela mostrou a aliança.

- Estou vendo que aprendeu direitinho com o meu último discurso – ele sorriu – você tem razão. A decisão é nossa. Mas se eu concordar em não estar aqui amanhã, não estaríamos fugindo da verdade? Não estaríamos dando mais motivos para sua mãe desconfiar? Por que não fazemos assim. Ela vem ao estúdio, eu converso com ela, vejo o que sugerirá sobre você e Jeff, faço minha parte e se as coisas realmente parecerem fora de controle, eu a convido para jantar lá em casa e abrimos o jogo de vez. Que tal?

- Você acha que pode convencer minha mãe sobre Jeff e eu ou você vai entrar no jogo dando munição demonstrando que gosta de mim?

- Isso ainda não sei. Vai depender de sua mãe. Isso é um sim? Você concorda com a minha proposta?

- Não é uma questão de concordar. Mas acho que é o coerente a fazer. Se ela não o vir pode insinuar coisas bem piores sobre seus sentimentos em relação a mim.

- E ela estaria coberta de razão, Staninha – ela suspirou.

- Eu queria tanto beijar você agora...

- Hum...eu conheço essa fala, mas não estou nem um pouco a fim de um aperto de mão. Espere um segundo – ele se levantou da cadeira, foi até a porta e observou o movimento lá fora. Baixou a persiana e fechou a sala. Stana estava de pé olhando o que ele fazia. Nathan se aproximou dela, puxando-a pela cintura, ele colou os lábios sentindo todo o amor da mulher a sua frente. Um beijo apaixonado. Ao se afastar ela sorria.

- Melhor que aperto de mão, Nate.

- Te vejo amanhã, amor. Boa sorte para nós e mande um beijo para Gigi, agradeça por tudo – ela observou-o deixando a sala. Aproveitou o momento para admirar aquela imagem maravilhosa de costas. Ele estava de calça jeans. Ela sentia falta dele. De tudo. Demais.


Esperou uns minutos após sua saída para finalmente deixar a sala e se dirigir ao set novamente. Ainda precisava trabalhar. 

Continua.... 

7 comentários:

justsmile disse...

Que confusão hahahha
Dona Rada achando que o Jeff é namorado da S, muita pena da Gigi tadinha...
Sera que eles vão contar pra mamae Rada que estão juntos ou ela vai descobrir no susto, igual a S descobriu a Gigi e o Jeff? hahaha
Posta mais, ta muito bom :)

Camila Lorrane disse...

Dona Rada e foda kkkkkkkk tadinha da Gigi sera que Stana e Nathan vao consegui covencer dona Rada que eles estao juntos e deixa Gigi e Jeff em paz. Ka como sempre ahazando nas Fic mal posso espera pelo proximo capitilo 😍

cleotavares disse...

Ansiosa pelo próximo capítulo. Eu acho que 02 minutinhos de conversa de D. Rada com o Nathan e ela descobre tudo. Ele é um bobo, fofo, apaixonado.

Totalmente Abravanel disse...

Dona rada, dona rada...fiquei com tanta pena da Gigi, se fosse eu e minha irmã na situação eu já tinha largado mão de tudo e contado para minha mãe kkkk eu tbm acho q o Nathan vai dar bandeira, bem q esse jantarzinho da vdd poderia acontecer. Ta na hora de mais pessoas da família saberem, imagina se a anne estivesse junto kkkk

rita disse...

Espero que você consiga desfazer todos esses nós com a mãe da Stana e Gigi. Adorei toda essa confusão. Eita mulher para ter imginação. Abraços. Obrigada por continuar com as fics!!

Silma disse...

Não têm como não as coisas que dona Rada fala,Kkkkkk.
Que dó da Gigi,GENTE ela tá amando Sim,dona Rada olha pra filha e vejo o amor estampado no resto,brigada,de nada!
Stana e Nate e as aventuras no sexo(amo)!

Marlene Brandão disse...

Coitada da Gigi,deu mô peninha quando ela chorou, poxa dona Rada da um desconto!
Jeff,achou que conseguiria rir na cara do perigo e deu no que deu. Seu danado!!!!
Agora é partir para o próximo e ver o que vai rolar :*