domingo, 10 de abril de 2016

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.49


Nota da Autora: Ainda estamos nos momentos angst de Kill Shot. Beckett precisa encarar a PTSD e resolver o caso. Além disso, precisava tomar algumas decisões em sua vida. Capítulo pequeno, espero que gostem. Prometo dar uma amenizada nos próximos. 


Cap.49

Quando Kate Beckett acordou naquela manhã, sentiu a cabeça rodar. Confusa, tentava entender onde estava e porque tinha dores nas têmporas e no braço. Viu o curativo. Aos poucos, os fragmentos das lembranças começavam a formar uma imagem em sua mente. Tivera uma nova crise. Não, talvez tivesse sido sua pior crise. Bebera muito. Estava apavorada. Chegou a não reconhecer quem era.
Castle. Ela lembrava-se dele ali. Também se recordava de uma arma. Alguém atirara nele. O sonho, não... isso não podia estar acontecendo.  
Deus! O que estava acontecendo com ela? Quando isso ia parar?
Assustada, checou o relógio. Nove da manhã. Ela deveria estar na delegacia. O caso. Pessoas estavam morrendo. Era seu dever salva-las prendendo o atirador que as perseguia. Ela poderia ser uma vítima também. Já havia sido marcada uma vez.
Castle não estava no quarto. Levantou-se da cama. A cabeça girou e latejou. Ainda estava um pouco zonza. Precisava de um banho e café. Muito café. Olhou para o curativo em seu braço. Resultado do momento de insanidade que vivera horas atrás. Ela caminhou pelo quarto. Chamou por ele.
- Castle...- repetidas vezes - Castle? – estivera sonhando outra vez? Não. Ele estivera ali. Ele... ele a ajudara. Podia ter perdido sua vida. Tirou a roupa, a gaze e entrou no chuveiro. A água gelada a fizera despertar. Inspirava, expirava procurando manter a calma.
Após o banho, ela fitou sua imagem no espelho. No rosto, a fadiga e as olheiras eram o resultado do triste episódio da noite anterior. Checou o antebraço. O corte fora próximo do pulso, por pouco não pegou uma das veias principais. O local estava vermelho e inchado, porém limpo. Ela não saberia dizer qual teria sido o desfecho da noite caso Castle não tivesse aparecido. Aliás, ainda não entendera como ele chegara até o seu apartamento. Intuição ou ela o chamara?
Não, definitivamente não tinha condições de tê-lo chamado. Seu orgulho idiota não permitiria tal feito, mesmo estando bêbada. Ela refez o curativo de maneira desleixada, tomou uma caneca de café puro. Seus olhos correram a sala. Não havia sinal de luta, sangue, bebida ou vidros. Nada. Nenhuma evidência do que fora a crise. Estava tudo impecável. Castle. Ele fizera isso para ela, talvez querendo evitar uma nova exposição a cena deplorável da noite anterior. Poupa-la de uma possível recaída. Pobre Castle. Ela sabia que as coisas não funcionavam assim com a PTSD. Mesmo assim, estava agradecida pelo seu esforço. Terminando o café, seguiu para o distrito. Incerta sobre o que viria a seguir. Ainda não sabia o que esperar do dia que iniciava.  
Em outro lugar de Manhattan, as lembranças difusas daquela noite eram assunto para duas pessoas preocupadas. Dana entregou uma caneca de café para Castle que estava sentado em seu divã. Sua aparência estava horrível devido à noite perdida. Ele estava mais sério que o normal. Sentando-se de frente para ele, perguntou.
- Sobre o que exatamente você quer conversar, Castle?
- Dana, você conhece Kate tanto quanto eu. Ela precisa de ajuda, embora se recuse a pedi-la para mim. Ela está nervosa, em crise. Dessa vez não é o pânico. O tiro. Ela está sofrendo de PTSD. Eu sei que está, já pesquisei sobre os sintomas, vi com meus próprios olhos, mas ela se recusa a falar comigo.
- Castle, você sabe que ela é minha paciente. Não posso discutir seu prognóstico com você. Sigilo médico-paciente.
- Eu sei. Não estou aqui pedindo para você me dizer o que ela tem ou o que está se passando na mente complicada de Kate. Eu vim pedir, não, eu estou quase implorando para que fale com ela, Dana. Ontem eu deixei a delegacia muito preocupado. Conheço-a a ponto de saber que não estava bem. Desde que esse caso apareceu, ela apenas piora. Ela está perdendo a noção entre o que é real e o que é truque de sua mente. Pela primeira vez, após vê-la agachar-se perto daquela lixeira em plena rua, eu liguei os fatos. Isso não começou agora. Há uma semana atrás, ela teve um pesadelo. Na época não pensei que pudesse ser algo relacionado com o atentado. Agora, faz todo o sentido.
Dana continuava observando-o. Castle tomou um pouco mais do café.
- Quando a ligação errada apareceu em meu celular, sabia que corria perigo. Eu já havia feito pelo menos dez ligações, esperava que não me retornasse por causa da maldita teimosia. Involuntariamente, ela acabou me acionando. Isso salvou a sua vida. Talvez Kate nunca admita, porém eu vi. Seu estado era deplorável, eu estava tão assustado diante da mulher indefesa e transtornada que apontava a arma para mim. Meu coração disparou, o medo me dominou por uns instantes. Não pela possibilidade de levar um tiro e sim pela triste constatação de que sem qualquer autocontrole, Kate poderia ferir não apenas a mim, mas principalmente a si mesma. Bêbada, ferida e... – a voz embargou, lutava para não derramar lágrimas - com um olhar de pavor que não consigo descrever. Aquela não era a minha Kate...era um espectro de tudo o que ela não pode se tornar.
Ele baixou a cabeça tentando conter a emoção. Respirou fundo.
- Se eu não tivesse chegado... não quero pensar o pior. Entretanto, a realidade me leva a isso. Ela vai acabar se matando, Dana. Você precisa ajuda-la. Por favor...  
Dana levantou-se comovida pela dor e a sinceridade do homem a sua frente. Sentando-se ao seu lado, ela pegou sua mão. Sorriu.
- Nossa menina é teimosa. Complicada. Você sabe que ela muitas vezes não me ouve ou apenas finge que não está ouvindo. A mente de Kate trabalha de maneira diferente. Ela guarda o que dizemos numa pequena caixa. Depois de um tempo, quando se sente confiante o bastante, ela abre a caixa e começa a processar a importância das palavras. Tem sido assim desde o atentado. Sei que você é paciente, Castle. Vai precisar ser ainda mais. Eu vou falar com ela. Torça para que dessa vez ela esteja disposta a ouvir.
- E o que eu faço agora? Qual o meu papel em tudo isso?
- O mesmo de sempre. Esteja ao lado dela, porém dê o espaço que ela necessita. Não tente dizer a Kate o que fazer. Apoie suas decisões, seja o parceiro que ela confia. Será suficiente.  
- Obrigado. A minha relação com Kate é complicada. Não posso conversar com meus amigos ou minha família sobre isso. Você é a única pessoa que consegue compreender o nível de relacionamento que temos.
- Parceiros com benefícios? – ele olhou-a surpreso – sim, devo dizer que foi uma jogada de mestre. Está funcionando, em doses mínimas de progresso, mas está – ela sorriu – agora saia daqui, compre um café para Kate e acompanhe seus passos. É minha vez de interceder.
- Ela recusou café ontem...
- Duvido muito que o fará novamente – ele levantou-se e surpreendeu-se com o abraço que recebeu de Dana – você é um bom homem, Castle. Obrigada por cuidar da minha amiga.
- É um prazer, Dana. E sempre será.
Castle deixou o consultório rumo ao distrito. Tinha uma importante pista para entregar aos detetives, graças a sua filha, ele descobriu o significado dos bonecos de papel. E seguindo o conselho de Dana, ele seria não o cara extremamente preocupado com ela e sim, o escritor envolvido 100% na investigação, dessa forma faria Beckett sentir-se à vontade.
A última pista sobre o algodão não dera em nada. Beckett estava pensativa em sua mesa tentando colocar a cabeça em ordem. Sentia dores no braço, o curativo mal feito estava deixando o sangue escapar. Ela ajeitou a manga da jaqueta para que ninguém visse. Foi quando ele apareceu afirmando saber o que os bonecos de papel significavam. O local onde o ataque acontecia. De acordo com o último recado, seria em uma rua chamada Grace. Antes que pudessem fazer alguma coisa, os telefones do 12th começaram a tocar insistentemente. Tarde demais, Beckett olhou assustada, o novo ataque já acontecera.
Ela corria até o local onde o atentado se dera, porém no meio do caminho perdeu-se novamente ouvindo vozes tendo sua atenção desviada para o alto dos prédios como se procurasse pela próxima bala, aquela que em sua mente a acertaria. Castle gritava seu nome. Pelo menos três vezes antes dela conseguir sair do transe e acompanha-lo.
Dessa vez, a vítima sobrevivera. Fora atingida, mas não fatalmente. Disseram que atiraram do 15º andar. Beckett precisava ouvir detalhes da vítima. Resolveu manter um diálogo.
- Emily, meu nome é detetive Kate Beckett. Preciso que me diga o que aconteceu.
- Por que eu? O que foi que eu fiz? Por que alguém está tentando me matar? – as palavras dela mexeram com os brios de Kate fazendo-a recordar-se da noite anterior. Foco. Dizia para si mesma embora a voz começasse a fraquejar. Quase implorou.
- Emily, notou alguém te observando recentemente?
- Não sei, não sei – ela chorava. Precisavam leva-la para o hospital. Isso tudo apenas aumentava a ansiedade de Beckett.
- Não deixe me levarem lá para fora – ela agarrou no braço ferido de Beckett - Por favor, não faça isso, ele está lá fora. Vai me matar – o pavor na voz de Emily foi suficiente para tirar a detetive de seu equilíbrio. A respiração começava a ficar difícil, sentia a mão tremer. Um aperto grande no peito. Uma nova crise começara. Ordenou rapidamente que a levassem e saiu correndo, afastando-se deles. Em desespero. Castle ainda gritou por ela. Não adiantou.
Beckett entrou em uma porta de uso exclusivo de funcionários. Respirava com dificuldade. Sozinha em um corredor, ela tirou a jaqueta que parecia sufoca-la, livrou-se da arma, do distintivo. Apoiada na parede, ela chorava, ofegava. Sucumbia ao desespero. Deixou seu corpo deslizar contra a parede. Cedera ao seu inimigo, a PTSD. O eco dos sons, os flashes das cenas refletidas pedaço por pedaço em sua mente. Não poderia suportar. Murmurava para se mesma “não consigo, não...”
Castle não sabia o que fazer. Dana o pedira para dar espaço a Beckett, porém ele percebia que aos poucos ela perdia o controle, se deixava vencer pelo medo, pavor. Se Kate desistisse de tentar superar a crise, talvez cometesse uma loucura. Ele vira o bastante na noite passada para temer que isso acontecesse. Sem alternativa, ele voltou para o distrito e resolveu falar com Esposito. Ele fora um sniper, sofrera um ataque, talvez pudesse faze-la enxergar a situação com outros olhos. Antes, ele mandou uma mensagem para Dana informando sobre a nova recaída, pedindo para interceder.
No 12th, ele conversava com Esposito.
- Ela está perdendo o controle. Não está conseguindo lidar com isso. Ela não deveria estar nesse caso – a porta do elevador se abriu. Beckett surgira. Castle pode perceber que apesar de parecer recomposta, seu olhar ainda estava agitado. Tenso.
- Ela não irá simplesmente se afastar – disse Esposito.
- Não, ela vai acabar se afundando. É o único que tem ideia do que ela está passando. O que te ajudou? Por favor, ajude-a – Esposito olhou sério para Castle. Sabia o que fazer.
Beckett perambulava desconfiada pelo distrito. Não queria fitar os amigos. Castle. Não queria que ele a visse novamente tão vulnerável, não depois de ontem. O celular tocou. Dana. Ela pensou em não atender, porém talvez ouvir a terapeuta nesse momento fosse algo bom. Atendendo a ligação, ela dirigiu-se ao banheiro. Não queria que ouvissem a conversa.
- Hey, Kate. Como você está?
- Por que está me ligando Dana? Não temos consulta hoje e estou trabalhando.
- Nossa! Obrigada amiga por ligar, também me preocupo com você. Ainda o caso do sniper? Você é teimosa como uma mula, não?
- Desculpe, Dana. Não estou a fim de papear. Especialmente se vai dizer que deveria largar o caso. Isso não vai me ajudar.
- Sei que não. Você está querendo provar para mim, para seus amigos detetives, para Castle e para você mesma que pode cuidar dessa investigação. Só que está fazendo tudo errado. Você está cedendo ao seu medo, Kate. Somente pelo jeito brusco que falou comigo sei que está apavorada. Quer conversar?
- Dana, não...
- Pode te fazer sentir melhor.
- Não há o que conversar. Tem um louco atirando em pessoas. Preciso detê-lo e isso é tudo.
- Se não quer falar, vai me ouvir. Você não vai detê-lo desse jeito.
- Dana, não tenho tempo para isso. Tenho que achar uma pista. 
- Não se trata de achar pista. Trata-se de se encontrar, Kate. Sabe o que eu acho? Você precisa recuperar a sua verdadeira imagem. Aquela detetive Beckett, poderosa, fera em interrogatórios, que enfrenta bandidos com coragem e sem pestanejar. A mulher que já esteve em situações graves, à beira da morte e entendeu que precisava continuar lutando. Mostre-me aquela mulher que não fraqueja, que não cede, que luta pela justiça mesmo sob a mira de um rifle. A musa que inspirou Rick Castle está em algum lugar aí dentro, Kate. Deixe-a ter o controle da sua mente, do seu coração. O medo deveria nos intimidar somente para nos incentivar a vencê-lo. Precisa ser maior que ele. Pare de sentir medo. Use-o. E seja a verdadeira Kate Beckett. A melhor detetive da NYPD. Você pode.
O silêncio pairava do outro lado da linha. Um longo suspiro.
- Obrigada, Dana – desligou. Ela lavou o rosto na pia do banheiro, respirou fundo e voltou para o salão. Castle não estava por perto, o que achou bom e ruim. Bom, porque não faria perguntas, ruim porque ele sabia que ela estava sofrendo, olhar para ele a acalmava mais do que gostava de admitir. Esposito esperava por ela.
- Posso falar com você? Tem algo que quero lhe mostrar.
- Tudo bem – ela o seguiu e ao perceber onde iam, ela teve uma ideia do que o amigo pretendia. Novamente o aperto no peito apareceu. Era a sala onde guardavam evidências de casos antigos – Espo, o que estamos fazendo aqui?
- Quero te mostrar algo – havia uma mesa no meio da sala, puxou uma arma, um rifle para ser mais exato. Colocou sobre a mesa. Ela engoliu em seco. Tinha uma ideia do que poderia ser aquilo.
- O que é isso? – não, ela sabia exatamente o que era.
- O rifle... que atirou em você.
- Você passou dos limites – as mãos tremeram, ela as escondeu atrás das costas.
- Apenas olhe para ele – o pavor voltara aos seus olhos.
- Não. O que está fazendo? – ela começou a se afastar dele. No rosto, a agonia, o medo, não podia chorar de novo, mas ele estava lhe provocando.
- Já estive onde está. Sei pelo que está passando – ela tentava manter a calma, usar o discurso furado.
- Javi, estou bem... – a voz a traia. O choro rolava.  
- Você não está bem. Está tentando fingir que está – ela queria abrir a boca para argumentar, não conseguia - Isso é só uma ferramenta. Um pedaço de aço. Não tem poderes mágicos. E a pessoa que o disparou não é um deus todo poderoso. É só um cara com uma arma. Como o que procuramos agora. E como todo bandido, ele é cheio de problemas.
- Assim como eu – ela falou engolindo um pouco do choro.  
- Isso mesmo. E tudo bem. Acha que é uma fraqueza? Transforme em força. É parte de você. Então use isso – ele ofereceu o rifle para que ela o tocasse. Primeiro, relutou, depois aproximou-se devagar. O rosto marcado pelas lágrimas. Ela o segurou com as duas mãos. Era como se sentisse toda a maldade que aquela ferramenta podia causar. Estremeceu. Os olhos enchiam-se de lágrimas. Fez sinal para Esposito se afastar. Ele a deixou sozinha.
Ainda segurando a arma, conseguia ouvir a voz de Dana em sua mente “Pare de sentir medo. E seja a verdadeira Kate Beckett. A melhor detetive da NYPD. Você pode. A musa que inspirou Rick Castle está em algum lugar aí dentro, Kate. Deixe-a ter o controle da sua mente, do seu coração”. Então ouvia a voz de Castle, ele dissera “você não cede, não recua e isso te faz extraordinária”. 
Ali naquela sala, aos poucos ela trazia a detetive de volta. Tomou uma decisão. Com o rifle nas mãos, ela deixou o distrito para o prédio de onde o penúltimo atentado ocorrera. Ela colocou o rifle em posição, analisando, transportando-se para a visão do atirador. Acho estranho não ter uma imagem clara. Por que não atirara do telhado? Decidida a checar, ela foi até a escada de emergência que dava acesso ao telhado. Ao tentar subir, ela gritou de dor ao apoiar o peso de seu corpo no braço ferido. Sentiu-se fraca. Era quase insuportável. Mas não ia desistir. Então, ela teve um insight.
A investigação também avançou. Ryan, Esposito e Castle estavam em um café especifico onde aparentemente o atirador escolhia suas vítimas. Um dos atendentes reconheceu todas as vítimas como clientes. Infelizmente a imagem que tinham do atirador não era suficiente para que ele o identificasse.
Castle observava o comportamento das pessoas no café. Foi assim que descobriu o motivo do crime. Não era o local.
- As vítimas estão conectadas, mas não pelo café. Sara acabara de ficar noiva, Henry tornou-se sócio da firma que trabalhava. Emily comprou um apartamento. Êxitos recentes. De acordo com o perfil, nosso sniper é um solitário paranoico. Ele se sente alienado, vítima do mundo. Vem aqui tomar café e ouve sobre o sucesso de todos. Seus sonhos se realizando, enquanto os dele não estão. Isso o faz sentir invisível. Bravo. Então ele escolhe um deles e os faz pagar.
- Mesmo que esteja certo, não nos deixa perto de pegar esse cara.
- Talvez sim – Beckett surgira ao lado de Castle, deu um sorriso tímido para Esposito – se fizermos a pergunta certa. Ele não atirou do telhado porque não conseguia subir a escada. Se olhar no vídeo, ele manca um pouco, acho que ele tem uma incapacidade física.
Diante da informação de Beckett, Castle perguntou ao cara do café e este confirmou que havia um sem teto rondando o café a algumas semanas. Pediram um retrato falado. Usando as informações cruzadas no banco de dados da polícia, reduziram a lista de suspeitos para três pessoas. Um deles batia quase que perfeitamente com o desenho. Lee Travis. Perdera a perna direita após o primeiro ano na marinha. Teve uma dispensa honrosa e entrou em depressão logo em seguida. Voltou sua raiva contra o mundo. Nada na sua vida dera muito certo. Empregos fúteis, sem carreira, admirador de pinturas. Gates decidiu colocar sua foto e perfil na mídia. Tinha uma irmã. Precisavam falar com ela.
Infelizmente, a irmã não pareceu surpresa. Seu irmão tinha muitos problemas, desde o acidente. Ela o dera seu carro. Beckett pegara a informação. Recebera a confirmação de que os peritos descobriram o local de onde ele atirara em Emily.
Eles precisavam encontrar o boneco de papel. Era talvez a única forma de impedir outra tragédia. Tinham que saber quem supostamente era sua próxima vítima. Castle encontrou, contudo ambos realmente ficaram impactados com a descoberta. Não seria uma vítima, seriam varias.
Identificar a pintura era uma corrida contra o tempo. Ela deixara essa atividade nas mãos de Castle. De volta ao distrito, ela informava Gates de que o carro de Lee Travis fora encontrado, nele, munições especificas para rifles. Gates acabara de fazer um anuncio para a sua equipe sobre o pouco tempo quando Castle surgiu carregando um livro de arte.
O nome da pintura era “leões no pasto” e só havia um lugar em Nova York que fizesse referência a isso. O Central Park.  A exemplo dos outros, ele deveria estar procurando por um grupo especifico. Gates ordenou que Beckett pegasse uma equipe e fosse para o parque. Pediu a Ryan que tentasse descobrir eventos ou quem seriam as potenciais vítimas. Ao rumar para o elevador, Beckett perguntou.
- Castle, você vem?
- Não. Sou mais útil ajudando Ryan a identificar as vítimas. Você consegue – ele trocou um último olhar com ela torcendo para que estivesse certo. A porta do elevador se fechou.
Castle estudava o mapa ao redor do Central Park para identificar a melhor posição para o ataque. Teria que ser ao sul. Ao perguntar de Ryan que eventos estavam acontecendo nessa área, descobriram que havia uma comemoração de um colégio Western eles acabaram de ganhar o campeonato de corrida. Seu time se chamava “Os leões”. Ele ia matar adolescentes. Um ônibus os levaria ao parque, eles precisavam pará-lo.
Gates avisou Beckett das chances e onde procurar. Tinham dois prédios. Lee certamente já estava a postos apenas esperando o ônibus encostar. Infelizmente, ainda não conseguiram contatar o motorista do ônibus. Provavelmente pela algazarra que os estudantes faziam. Tudo dependia da equipe de Beckett agora. Tinham dez minutos para vasculhar todos os andares acima do vigésimo que davam melhor ângulo para o atirador.
Beckett parecia ter recuperado toda a sua confiança. Ela vasculhava o prédio, queria encontra-lo. Precisava impedir essa tragédia. Viu uma porta entreaberta, avisando seu time, ela entrou para verificar o local.
Lee já estava com o ônibus na mira do rifle. Pronto para atirar.
Então, ela viu o reflexo da arma e a foto do ônibus na janela. Invadiu o cômodo de arma em punho, gritando. Ele deve ter percebido o movimento, pois estava esperando para derruba-la atrás da porta. Ela caiu e soltou a arma. Ele chutou-a para longe. Mantinha a sua apontada para Beckett.
Ali no chão, sob a mira de uma arma, ela precisou encarar o seu medo. Beckett tinha uma única chance. Era a hora de voltar a ser a detetive extraordinária, exercer o total controle de sua mente.
- Abaixe a arma, Lee.
- Tenho um trabalho a fazer.
- Por que não fala a verdade, você atira nas pessoas a sangue frio.
- Aquelas pessoas merecem o que recebem. Deus as abençoou. Ele deu a eles e tirou de mim... – certo, ele era mais louco do que ela pensara – minha perna, minha vida. Como isso é justo? Como isso é certo? – a respiração dela estava rápida, quase ofegante. Ninguém poderia culpa-la por isso. Precisava tentar.
- Essas pessoas que você culpa não são diferentes de você.
- Só está dizendo isso porque é um deles.
- Acha que minha vida é uma festa? – ela baixou a blusa expondo a cicatriz, ele arregalou os olhos, Kate deixou a emoção falar por ela – sei como é estar na mira, sentir a bala queimar através do meu peito. Sei como é sentir a vida deixando meu corpo. E eu acho que sabe também. É por isso que você deixa os bonecos de papel, porque está à procura de alguém que o ajude a encontrar outro caminho – ele parecia perturbado com as palavras de Beckett. Ela o afetara, apenas não sabia dizer se positiva ou negativamente.
- Não há outro caminho. Não mais. É muito tarde – ele estava nervoso, ela também, mesmo assim, continuava tentando convence-lo.
- Não, não. Há sempre outro caminho. Eu quero te ajudar. Eu sei que está sofrendo e podemos te ajudar a acabar com ele. Com o sofrimento, a dor. Só abaixe a arma.
- Não me olhe, vire-se. Vire-se!
- Não! – ela gritou – se vai atirar em mim irá me olhar nos olhos, está bem? E olhe direito, porque eu não sou sua inimiga. Não posso ser. Você e eu temos muito em comum – ela o viu baixar a arma lentamente, teria o convencido afinal? Descobriu que não.
- Não, não temos. Tenho um trabalho a fazer. Desculpe – ele ergueu a arma na direção dela novamente. O dedo no gatilho. Então, um tiro atravessou a janela acertando Lee, o derrubando. Beckett tinha o coração acelerado. Erguendo-se do chão, olhou de onde viera o tiro. Esposito estava no telhado do prédio da frente. Um sorriso tímido de alivio se formou em seu rosto. Acabou. Fim de caso. Respirou fundo e saiu dali. Deixou que os peritos fizessem seu trabalho.
Em meio ao Central Park, Beckett se dera alguns minutos de reflexão. De frente para a estátua de Alice, ela se perguntava de onde viera a coragem para sobrepor o medo que sentira naqueles longos minutos que estivera com Lee. Talvez de uma combinação de fatores.
As palavras de Dana, a ajuda de Esposito. As atitudes e o carinho de Castle. Proteger e servir. O senso de justiça falara mais alto, a razão pela qual usava um distintivo. O motivo que a fez ser quem é. Sua PTSD não estava relacionada apenas ao seu atentado. O seu trauma era bem maior. Pela primeira vez, ela conseguia enxergar isso. Ela percebera ao estar sob a mira de outra arma.
Quebrada era o termo que costumava usar para definir sua fraqueza, sua incapacidade de se abrir, de se relacionar. Termo que Dana detestava. Talvez tivesse na hora de troca-lo. Ela tinha problemas, traumas. Isso não desapareceria de sua vida em um piscar de olhos, em um passe de mágica.
Havia muito o que explorar, aceitar. Mas não hoje.
Hoje, ela cumprira seu papel como detetive da NYPD. Um assassino fora capturado. Uma nova tragédia evitada. Quanto ao resto, Beckett sentia-se melhor, porém reconhecia que ainda tinha um caminho complicado a percorrer. A PTSD lhe dera uma trégua, embora ela não acreditasse que estava terminada. Dana mesmo dissera, levava tempo e tratamento. Suspirou. Com um último olhar para o céu azul, ela levou a mão ao peito certificando-se que sua cicatriz continuava ali, bem como o solitário da mãe.
XXXXXXXX
Castle ligara para Dana. Contara que Kate recuperara-se e conforme ouvira de Esposito, voltara a agir como a detetive. Precisava agradece-la. Suas palavras surtiram efeito nela. Ele decidira esperar para vê-la, queria certificar-se de que o pesadelo da noite anterior não voltaria a acontecer. Necessitava olhar em seus olhos para aceitar que sua parceira tinha forças para continuar lutando contra a PTSD, que não se perderia novamente.
De volta ao distrito, ela encontrou Castle sentado em seu lugar de costume. Estava feliz por vê-lo. Ele não desistira dela um só minuto. Sorrindo, sentou-se em sua cadeira.
- Hey...
- Hey... o que está fazendo? – ela perguntou.
- Só esperando pela minha parceira, talvez a tenha visto. Moça bonita, acha que pode saltar de edifícios altos em um pulo, carrega o peso do mundo sobre os ombros e ainda consegue rir de algumas das minhas piadas – aquele discurso a pegou de surpresa.
- Ela parece ser durona.
- Nem me fale! De qualquer forma, se você a vir, diga que me deve uma centena de cafés – ele se levantou para ir embora. Ali estava. Sua verdadeira detetive. Um pouco machucada, mas a essência estava lá. A sensação de alívio o fez sentir seu coração mais leve. Tocada pelas suas palavras, ela o chamou.
- Castle... – ele virou para fita-la – obrigada.
- Pelo que? – sim, dessa vez não tinha ideia ao que Beckett se referia.
- Por não me pressionar e me dar espaço para passar por isso – ele admirou a sinceridade que vira em suas palavras.
- Always – ele seguiu em direção ao elevador. Beckett o acompanhava pensativa. Assim que a porta se fechou, ela levantou-se abruptamente da cadeira. Correu até as escadas descendo-a com uma pressa incrível.
Quando a porta do elevador se abriu no térreo, Castle ficou surpreso por encontra-la ali esperando por ele.
- Como você chegou aqui tão depressa? – ela não respondeu, puxou-o pela mão levando-o para a saída de emergência, a porta fechou-se atrás deles – você veio pelas escadas? – então, Kate o jogou contra a parede sorvendo-o seus lábios em um beijo intenso. As mãos dela envolta do seu pescoço, o corpo o mantinha preso a parede de concreto. Castle cedeu ao beijo, não sabendo ao certo o que o gesto significava. Ela afastou-se por fim, os olhos amendoados fitavam o azul profundo dos dele. Os dedos acariciavam o rosto de leve, o polegar roçou-lhe os lábios e um sorriso formou-se no rosto de Kate ao ver o semblante intrigado do homem a sua frente.
- Acho que isso paga pela centena de cafés.
- Hum, então é sobre isso que estamos falando. Devo discordar detetive. Talvez pague uns vinte apenas – ele a beijou novamente – conte quarenta agora. Tinha certeza que minha parceira não me abandonaria. É bom ver que minha detetive está por perto. Devo assumir que está melhor?
- Sim, estou melhor. Não, 100%. Mas, chegarei lá – ele aproveitou que Beckett baixara a guarda para trocar de posição com ela. De costas para a parede, ela esperava pelo próximo movimento dele – apenas achei que precisava agradece-lo adequadamente. A boa e mandona Kate Beckett, sua parceira, está de volta.  
- A mesma que briga comigo, puxa minha orelha e me ameaça com o olhar? – ela anuiu – eu gosto dela. Fico feliz em saber. E aprecio o gesto, detetive. Apesar de achar que podemos levar esse agradecimento a um outro nível de excitação – ele deslizava os dedos do pescoço até a blusa dela na altura dos seios, subindo e descendo, provocando-a. Beckett sentia o corpo responder ao estimulo. Ele inclinou-se esfregando o nariz em seu rosto, no pescoço – consegue imaginar de que estou falando, Beckett? Sabe o que me deixa realmente excitado de ver? – a voz era rouca e sensual.
- Sim, diga... ou pode me mostrar... irmos para o... – ela sentiu os lábios sugando o lóbulo da sua orelha -loft, me mostre...
- O que me deixa excitado de verdade, é ver minha parceira... – ele mordiscou o queixo dela, Kate gemeu – agir como uma tigresa... - ele se afastou, mudou o tom de voz para casual – na sala de interrogatório – ele piscou, sorriu e saiu fechando a porta de emergência atrás de si deixando Beckett boquiaberta diante do gesto. Então, ela abriu o sorriso, passou a mão no pescoço e na blusa querendo afastar o calor que sentia.
Ia ficar tudo bem.
De volta ao seu apartamento, ela tirou da bolsa o pequeno caderno azul. Sentada na mesa da sala, Kate decidiu colocar no papel seus pensamentos, suas reflexões sobre as descobertas que fizera durante esse caso. Precisava criar um mecanismo racional para entender como tudo a afetara. Ficou pelo menos três horas debruçada sobre o caderno, avaliando, divagando, procrastinando.
Quando finalmente sentiu-se satisfeita, sabia que estava pronta para enfrentar o próximo passo.
Falar com Dana.     

Amanhã.   

Continua....

6 comentários:

Géssica Nascimento disse...

Só tenho uma coisa para dizer: Que homem é esse??

rita disse...

Cada vez melhor!! Esperando o próximo.Abraços.

marta santos disse...

Uauuu !!! Execelente,Ansiosa pelo próximo.
Beijos , Marta 😘😘😘😘

Mônica Ellias disse...

Que isso heim, foi demais.
Louca pelo próximo

Mônica Ellias disse...

Que isso heim, foi demais.
Louca pelo próximo

Silma disse...

Sem palavras pra esse capítulo 😍 Castle tão fofo como sempre!!!