terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.2


Nota da Autora: Eu disse que precisava de continuação, então transformei a oneshot em long. O episódio escolhido foi "Hell Hath No Fury"apenas para ganhar contexto na história, não necessaariamente abordarei um episodio por capitulo e sim, cenas e situações ocorridas ao longo da série. Enjoy! 


Cap.2


Kate Beckett arrumara um grande problema nas últimas semanas. Desde que caíra na besteira de ceder a um impulso e dormir com Rick Castle. Se ela soubesse que uma específica noite de prazer iria rendê-la não apenas uma sombra, mas uma situação complicada no trabalho, não teria feito. Castle usou sua influência com o prefeito e agora dizia estar escrevendo um novo livro baseado nela.

Era bem difícil lidar com isso. Não apenas pelo comportamento de Castle, especialmente porque depois de “conhecê-lo” em outros sentidos, a tentação estava sempre próxima. Beckett fazia o possível em seu poder para esquecer esse detalhe. Uma coisa ela tinha que admitir, ele podia ser irritante, porém suas análises e teorias acabaram ajudando nas últimas investigações. De fato, as suas discussões, as ideias similares, as sacadas a colocavam em uma posição comprometedora, como se pisasse em ovos.

Criara uma certa admiração por ele à medida que trabalhavam em casos. Havia uma sincronia interessante, por mais que tentasse negar. Essa realização não chegaria ao conhecimento dele, porém isso a fazia se lembrar da primeira noite deles juntos e do quanto gostaria de repetir a dose mesmo sabendo que significaria brincar com fogo, quase que literalmente. Em vez de levantar suspeitas, ela interpretava seu papel muito bem. Mantinha a figura de desinteressada e mandona sendo sempre a pessoa chata responsável por acabar com as brincadeiras ou qualquer possibilidade de insinuações e cantadas.

Esse acabava por ser o principal motivo de enfrentar o dia a dia. Cada vez que olhava para aqueles olhos azuis, lembrava-se dos momentos que passaram juntos. Era somente uma noite o que tinha em mente. Em um piscar de olhos, tornou-se uma sombra em sua vida. Há quem diga que a vida nos prega peças, zomba de nós ao nos colocar diante de uma determinada situação. Fora exatamente o que acontecera a Kate Beckett. O que mais a incomodava? Estar começando a gostar da experiência, da troca. Exceto pelos momentos nos quais ele insistira em lembra-la das horas que passaram juntos mesmo que não tão explicitamente.

Eles haviam encerrado um caso ontem à noite. Portanto, a tarefa de hoje era cuidar da papelada, o que para Castle significava trabalho extremamente chato, ainda assim ele estava lá. Deveria ter um bom motivo.         

- Meu Deus. Este é provavelmente o pior café que já bebi. De qualquer modo é fascinante. O sabor é como...como mijo de macaco com ácido de bateria – enquanto ele reclamava, Beckett não conseguia evitar de revirar os olhos. Tagarelar enquanto fazia um relatório era a pior estratégia que sua mais nova companhia podia ter arrumado.

- Seu livro não sai hoje? – ela estava sempre antenada. Podia estar trabalhando com ele, não queria dizer que deixara de ser fã.

- Sim e daí?

- Você está me vendo realizar trabalho burocrático. Dá medo. Não tem outro lugar para ir?

- Gosto daqui.

- Oh, meu Deus. Entendi. Está se escondendo. Seu livro sai hoje e você se esconde.

- Não. Se esconder seria construir uma fortaleza e me servir de whisky, mas isso não é saudável.

- Achei que não se importava com que os outros pensam.

- Não me importo. Muito – o telefone toca. Um novo homicídio. Ao chegarem à cena do crime, ouviu murmurinhos. Aparentemente a fofoca corria nos corredores da NYPD sobre o escritor que estava seguindo-a para basear seu novo livro na detetive. Sempre que possível, alguém queria confirmar se era verdade ou rumor. 

- Inspirou-se na detetive para o novo personagem? – o policial perguntou.

- Todo artista tem uma musa – Castle adorava dizer isso. Beckett o puxou para o lado e falou bem séria.

- Se me chamar de musa de novo e quebro suas duas pernas, ok?

- Detective Beckett. Jack Lyford e Hal Morrison. Durante a mudança eles viram um tapete em uma lixeira. Acharam que era o dia de sorte. Trouxeram para casa e encontraram um prêmio. Um cadáver embrulhado no tapete. Naturalmente pensamos em você. Calibre 38 a curta distância. Morreu instantaneamente.

- Identificação?

- Bolsos vazios. Sem carteira, chaves ou jóias. Presumimos um roubo que deu errado.

- Não foi um roubo – ambos disseram em sincronia, o que fez Beckett o olhar intrigada.

- Se roubasse alguém, não me preocuparia em embrulhar o corpo e jogar fora – disse Castle.

- Respingos indicam que estava parado perto do tapete quando foi alvejado.

- Onde encontraram?

- A oeste da 3ª Av..

- Vamos ver o que a perícia diz sobre o tapete, fibras, sangue. Envie uma equipe para checar a lixeira e ver se há algo. Identifique a vítima – ordenou Beckett.

- Certo.

- Não se incomode. Sei quem é – disse Castle.

A vítima era Jeff Horn, 48, duas vezes membro do Conselho Municipal. Tentava a reeleição. Beckett pretendia avisar a família antes que a imprensa deixasse escapar. No apartamento que o casal dividia, ela comunicou a esposa. Isso sempre era difícil de fazer, informar a um ente querido que alguém próximo tivera sua vida interrompida. Para completar, precisava fazer perguntas para entender o que acontecia e se alguém teria motivo para mata-lo. Infelizmente, a esposa não podia revelar muita coisa. A rotina dele era trabalhar na campanha e quando não vinha para casa, ela não estranhava porque costumava dormir no comitê. Frank Nesbit, o coordenador de sua campanha geralmente estava com ele.

Momentos como aqueles em que uma pessoa se questionava porque alguém fora morto, eram duros. Especialmente quando não se encontra uma justificativa plausível para tal fato. Abalam famílias. Castle não pode deixar de perceber a mudança no semblante de Beckett. Ela não apreciava essa parte do trabalho, notara. Era bastante pessoal.

-Está bem? – ele perguntou quando estavam no carro, de volta às ruas. 

-Sim, por quê?

- Não deve ser fácil dar esse tipo de notícias.

- Sim, bem... Obrigada por não fazer piada.

- Sou sarcástico, não imbecil.

- Não sabia que havia diferença – ela alfinetou.

- Qual é o próximo passo? Último a vê-lo vivo? Linha do Tempo? Comprar um donut? Mais daquele café horrível? – vendo que ele procurava criar um clima para interagir no caso, Beckett se perguntara o quão realmente ele pretendia retratar do seu trabalho na policia, de sua personalidade no suposto livro que escreveria. Resolveu arriscar-se e perguntar.

- Esse personagem seu. Exatamente quanto foi baseada em mim?

- Não é tão brilhante e é meio safadinha.

- Está sendo sarcástico ou imbecil?

- Imbecil. Não decidi ainda. Você não tem de se envergonhar de nada. Ela vai ser vai ser muito inteligente. Muito esperta, espantosamente linda, e muito boa no seu trabalho – vendo que ela parecia ter aceitado, completou - E um pouco safadinha.

- Castle – o telefone atrapalhando a conversa entre eles. Era sua mãe. Pelo teor da conversa, pode captar que estava preocupada por ninguém estar comprando seu livro. Mesmo desconversando os argumentos da mãe, ela notou um certo ar preocupado no semblante do escritor. Principalmente por comentários como “Derrick Storm não é Harry Potter” ou “Ninguém comprou um?”. Ao desligar, ela perguntou.

-Tudo bem?

-Sim.

Antes de partir para sua próxima visita, Beckett pediu para Esposito monitorar as chamadas da vítima para ver se falou com alguém além da esposa.Encontraram a carteira sem dinheiros ou cartões onde provavelmente o mataram. Nada veio da vizinhança, porém estava claro que fora um crime premeditado. Entrando no comitê, ela apresentou-se e pediu para falar com Frank Nesbit. O colega parecia abalado, na verdade Beckett ouviu que eram amigos. Para ela, era importante confirmar o álibi e alguns passos da vítima antes do assassinato.

- Estava com ele noite passada?

- Sim, até as 11:00. Sugeri pegar táxi, mas ele queria caminhar.

- Onde foi a arrecadação de fundos?

- No Marconi's, na 83 com a Broadway. Doze quarteirões daqui.

- O corpo do Sr. Horn foi encontrado no centro. Ele tinha inimigos?

- Era um político.

- E seu adversário?

- Acho difícil Jason Bollinger fazer isso. Ele tem oito pontos de vantagem nas pesquisas.

- Horn recebeu ameaças na campanha recentemente?

- Somente os loucos habituais. Nada especial. Sem contar as cartas de ódio de Calvin Creason.

- Creason, dono de hotéis e clubes noturnos? Dono do Axium e do Soho Majestic. Administrou o Tasty Clube uma vez. Houve um tempo... – mas Castle percebeu a irrelevância do comentário - História para depois. Por que? Ele brigou com os traficantes?

- Creason comprou o antigo açougue na Lower East Side. Queria transformar em moda. 300 lugares, bar, discoteca. Os vizinhos não queriam um monte de bêbados em Manhattan. Então Horn convenceu o comitê.

- Deixando Creason com milhões de dólares investidos em uma propriedade sem valor – disse Castle.

- Creason tinha brigas com Horn. Não quer dizer que o matou.

- Tampouco que não matou – replicou Beckett - Com licença – deixaram o comitê direto para um dos empreendimentos de Creason. O empresário foi bem direto quanto a sua percepção da morte de Horn.

- O que fiz quando soube que ele morreu? Pedi uma garrafa de vinho Cristal, e brindei a beleza do universo, certo?

- É muito insensível da sua parte Sr. Creason – frisou Beckett.

- Sim, mas o que importa? Que me interessa? Aquilo foi um disparate, como se a construção do hotel fosse o fim do mundo. Tem ideia do efeito dos meus imóveis na economia local? Deveriam me pagar, não proibir.

- Então acho que podemos dizer que tem motivo.

- Quem é você? Polícia?

- Gostaria de prendê-lo – disse Castle para logo ser repreendido por Beckett.

- Castle!

- Por favor! Não tem nada. Se tivesse que matar a todos que entram no meu caminho, haveria corpos por todo o Chrysler. Não tenho que matar ninguém para enterrar.

- Onde estava na noite passada?

- Em casa – referindo-se ao seu clube.

- Alguém viu?

- Detetive, quando estou em casa, todo mundo me vê.

- Obrigada, Sr. Creason – enquanto saiam do cluble Castle perguntou.

- E agora?

- Verificar o álibi.

- Na verdade, não será necessário – falou Castle.

- Por que não? – viu que ele tomou a liderança caminhando como alguém que sabe exatamente o que procura - Castle, o que está fazendo?

-Prometa não me odiar.

-Já odeio - retrucou.

- Justo. Esta manhã, com o corpo.Tirei umas fotos.

- Na minha cena de crime? – começou a ficar irritada.

- Não fique com raiva, as enviei para uma amiga.

- Enviou a uma amiga – definitivamente, ele só piorava a cada comentário.

- Não exatamente. Era minha decoradora, transamos e agora não sei como defini-la. O que estava pensando? Trabalha junto, acha que será legal mas sempre é estranho. É uma fábula real – de alguma forma, isso a atingiu. Do jeito que falava da decoradora podia falar dela, não?

- Estou falando sobre as fotos. Do corpo.

- Que? Não enviei as fotos do corpo. E sim do tapete. Pensei que ela poderia nos dizer de onde vinha. E adivinhe: ela disse – ele apontou para um dos cômodos onde uma arrumadeira passava aspirador.

- É o tapete – Beckett não podia acreditar - O mesmo tapete – ele formou um sorrisinho no canto dos lábios - Não se ache! Não é atraente!

- Agora podemos prendê-lo? – foi o que Beckett fez, porém enquanto ele esperava, ela checou o álibi. Não chegou na boate até depois da meia-noite.

- E agora? Esperamos seu advogado?

- Seguimos outras pistas. Algo que chamamos trabalho.

- Outras pistas? Bom! – disse Castle - Sabemos que não foi ele.

- O que o faz pensar que não foi ele?

- Não é óbvio? Tudo aponta pra ele.

- E isso o faz inocente?

- Ele é um falso culpado.

- Um falso culpado?

- Um personagem inocente que parece culpado.

- Sei o que é. É uma figura literária da literatura. Na vida real não dispensamos um suspeito porque parece culpado. Pensei que queria prendê-lo.

- Porque é um idiota, não porque é culpado. É milionário. Não é tão burro pra enrolar um corpo no próprio tapete.

- Não importa. Esses tapetes foram customizados para seus hotéis. Sabemos que está conectado – de repente, ela gritou - Esposito! Veja o que encontra sobre o tapete. Se algum sumiu, de que quarto era ou quem teve acesso. Obrigada – Castle não perdeu de comentar, o que para Beckett deveria ser um elogio, soou como também parte de uma cantada.

- Você é muito boa sendo mandona. Reparei.

Quando Beckett entrou na sala de interrogatório com Creason, porém, descobriu que apesar do álibi não necessariamente conferir, o que ela julgara como motivo e oportunidade foi desbancado pelo simples comentário de que Creason não precisava mata-lo, apenas esperar o resultado das eleições dando a ela motivos para fazer uma visita ao oponente de Horn.

Após comentar o nome de Creason para o filho do oponente de Horn, Beckett e Castle acabam por descobrir que eles tinham algo comprometedor o bastante para certificar-se que Horn não ganharia a eleição. Fotos comprometedoras dele com uma acompanhante de luxo, nome chique para prostitutas esses dias. Castle, obviamente, estava amando tudo aquilo. Na viagem de carro de volta ao distrito, ele continuava examinando as fotos comentando coisas nada agradáveis.

- Devo aplaudir o conselheiro safadão ele é incrivelmente flexível pra idade que tem. Olhe isso. Já fez isso? – como ele podia estar perguntado isso para ela? 

- Pode guardar isso?

- Só estou dizendo que deve fazer Yoga ou Pilates.

- Por que são os caras de família que sempre são pegos sem as calças? – ela estava chateada com a história.

- Porque o universo adora ironia. E porque a maioria das pessoas é hipócrita.

- A garota achava que ele ia deixar a família por ela? – disse Beckett.

- Isso é tão sexista! – exclamou Castle.

- Sexista por quê?

- Supõe só porque ela é uma mulher, buscava uma relação? Não pensou que podia querer só sexo? – ele foi além – especialmente considerando que há algum tempo atrás você também... – viu o olhar frio dirigido a ele mediante o comentário.

- Nem pense em completar esse pensamento ou jogo você na rua em dois tempos, sem remorso. Não brinque comigo – suspirando, Beckett tentou voltar a pensar no caso e nas fotos - Pensei – infelizmente Castle a fez recordar a noite de sexo com o comentário. Esqueça isso, conclua a ideia de antes, ralhou consigo - Então vi ele.

- O que te esfriou? O fato dele estar vestindo um tapete? Muito cedo? – ao ver o olhar fuzilando-o.

- Espero que o investigador possa nos ajudar – e Beckett estava certa, além de ajuda-la, pode ouvir alguém falando mal do trabalho de Castle, não que concordasse, porém era bom ver que havia pessoas que poderiam ter uma outra opinião sobre o trabalho dele. De qualquer modo, a prostituta contratada era profissional conseguida através de um website.

No distrito, os marmanjos babavam nas fotos do site enquanto procuravam pela prostituta do conselheiro. Estavam empolgados, especialmente Ryan. Beckett estava a fim de acabar com a farra, detestava esse tipo de coisa.

- Olhe pra ela. Se tivesse seu dinheiro – disse Ryan.

- Não é Disk-sexo, Ryan. Não paga pelos 2 minutos que usa – implicou Beckett - Têm 800 números registrados em um servidor fora do estado. Devemos rastrear o IP pra ver onde está hospedado.

- E se o IP for de fora do estado também? – perguntou Castle.

- Contatamos a polícia local – disse Esposito - Se quiserem colaborar.

- Os sites querem escapar de autoridades. Pegaremos. Só leva tempo – confirmou Beckett sem perceber que ele já discava algo no celular.

-Faremos do jeito fácil. V.I.P Liasons.

- O que está fazendo? – Beckett não acreditava no que via.

- Oi, me chamo Richard! Sou um homem generoso, querendo marcar um encontro especial com Tiffany – ele saiu correndo pelo salão com ela atrás querendo escapar para terminar a ligação - Ligue. Meu telefone é 3475552079. Obrigado.

- Não pode ligar e marcar um encontro com uma prostituta!

- Por que não?

- Porque somos da Polícia.

- Não. Você é da Polícia. Sou só um rico solitário procurando um encontro – ela não estava nada satisfeita - Aposto que a encontro antes.

- Algum Rick Castle aqui?

- Bem aqui!

- Onde quer, chefe? – o cara da entrega tinha uma caixa enorme consigo.

- Coloque ali.

- Castle.

- Gostará disso – ele sai empurrando-a.

- Tenho certeza que não.

- Rapazes! Coloque ali. Perfeito! Use os joelhos. Espere um segundo, ok? Porque têm sido tão hospitaleiros comigo, resolvi retribuir. E porque o café é uma merda, comprei pra vocês uma máquina de café expresso. Não é legal?

- Acho que meu telefone tá tocando – Beckett disfarçou para sair dali. Havia uma espécie de quebra de regras ali.

Castle foi para casa sem maiores pistas do caso. Enquanto conversava com sua filha, Alexis,foi questionado sobre seu relacionamento com a detetive Beckett.

- Falando na condição humana, como anda com Det. Beckett?

- O que quer dizer? – ele estava ganhando tempo, sabia exatamente o que a filha estava pensando.

- Está criando um personagem baseado nela. E sempre diz que tem que amar suas personagens.

- É uma personagem. Mas só pesquisa, nada mais – em sua mente, ele já tinha ideia do que era “amar” a personagem como a filha se referia. As imagens estavam vividas a todo momento. Não bastando isso, sua mãe resolveu ler uma critica ruim de Derrick Storm. Ela parecia se esmerar para coloca-lo para baixo. Então, seu celular tocou. Era Tiffany. Parece que finalmente conseguiriam continuar a investigação. 


XXXXXXXX


Beckett não conseguia evoluir no caso, não havia retorno dos acessos ao site e sinceramente não era o que tinha em mente naquele momento. Ela estava irritada. Não com Castle, bem, talvez um pouco com ele. O problema estava realmente com ela. Sentiu-se incomodada. Ao trazer aquela maquina de café, podia estar querendo fazer um gesto bacana para o distrito, contudo isso também significa uma forma de marcação de território como quem diz “hey, estou aqui para ficar!”. Limites estavam se quebrando, o que provava para Beckett que sua presença se estenderia ao seu lado. A quem queria enganar? Sua irritação devia-se ao fato dele ter ligado para uma prostituta. Ele seria capaz de dormir com a mulher, não? Afinal, dormira com ela uma noite.

Passou as mãos pelos cabelos. Estava perdendo o foco. Por que isso a incomodava tanto? Ela mesma exigiu que Castle esquecesse a noite de sexo. Então, porque estava tão irritada? Por que ela não podia esquecer? A resposta era algo que Beckett não gostaria de admitir. Sentia-se suja, isso a igualava à prostituta, não? Porém, o pior era estar se sentindo com ciúmes. Por que? A sensação de troca? Devia estar maluca! Daria tudo para conversar com alguém. Lanie, provavelmente a amiga entenderia suas frustrações bastava não contar que a relação entre Castle e ela não era tão profissional assim. Pegando seu casaco, foi até o necrotério.   

- Droga garota, me assustou!

- Lanie, você está rodeada de cadáveres!

- Não espero os vivos depois das 7h.

- Engraçadinha. Nem eu.

- Sou médica forense. Qual a sua desculpa?

- Não seja má.

- Você merece. Prefere ir beber comigo, a ir pra cama com o escritor?

- Ele é irritante, egocêntrico, egoísta e completamente...

- Divertido? Confie em mim, amiga, precisa se divertir. Não pode ser tão ruim, não é? – oh, Lanie! Se você soubesse o quanto é bom... definitivamente não poderia levar a conversa adiante sem comprometer-se. Foi o pensamento dela antes do celular tocar.

- Beckett.

- Adivinha quem tem um encontro com uma prostituta? – ótimo! Simplesmente ótimo, pensou. Ela passou na casa dele e seguiram para um restaurante. Castle esperava por Tiffany ainda mantendo o disfarce, Beckett observava de longe.

- Richard? Sou Tiffany.

- É um prazer conhecê-la Tiffany. Por favor – puxou a cadeira para que ela sentasse.

- Um cavalheiro.

- Somos uma espécie em extinção – metido e galanteador, Beckett observava. Odiava que isso não fosse com ela. 

- Tenho sorte em encontrá-lo.

- Na verdade, temos sorte em encontrar você.

- Dt. Kate Beckett. Temos que perguntar sobre sua relação com o vereador Jeff Horn.

- Era um regular. Juro que não tive nada a ver com sua morte.

- Com que frequência o via?

- Uma ou duas vezes por semana. No início, só queria conversar.

- Claro, ele pagava só para conversar – Beckett ironizou.

- A maioria dos homens me procuram por se sentirem solitários. Porque as pessoas em suas vidas não os escutam mais. Sexo é só um meio para se sentirem conectado.

- Quando foi a última vez que vocês se conectaram?

- Há algumas semanas. Ele me procurou, histérico. Disse que não podia mais me ver.

- O que houve? A mulher dele descobriu?

- Não, outra pessoa. Disse que o estavam chantageando. Alguém tinha fotos nossas.

- Quem?

- Ele não sabia. Primeiro, pensou que fosse eu. Ficou chateado e entrou em pânico. Achou que havia contado aos meus amigos.

- E contou?

- Posso surpreendê-la, mas tenho sonhos próprios. Isso só paga as contas. Se essa relação virasse pública, ele não era o único que estaria arruinado.

- Disse que ele entrou em pânico.

- Queria descobrir quem o chantageava. Queria um acordo. Não podia continuar a fazer pagamentos sem que o pessoal da sua campanha descobrisse.

De volta ao carro, Castle estava amando tudo aquilo e fazia questão de ressaltar. Beckett sabia que precisavam achar o chantagista. Voltaram a falar com Jason no comitê de seu oponente. Ele não acreditava que tivesse pegado as fotos para chantagear Horn. Ele mesmo não pensava nisso e agora não teria qualquer utilidade já que a mulher dele resolveu assumir a campanha. Mesmo assim, Beckett pediu pela lista de pessoas, queria seguir a trilha de dinheiro. Em seguida, revelou a chantagem ao chefe da campanha de Horn também querendo saber das finanças do comitê. De volta ao distrito, colocou Ryan e Esposito atrás de verificar para quem o vereador desviava o dinheiro. 

Beckett continuava evitando a maquina de expresso. Era questão de honra para não ceder, demonstrando que gostara do gesto. Enquanto se servia de café da garrafa, Castle preparava o leite para um expresso vaporizado.

- Tem algo contra leite integral?

- Tenho, me irrita.

A investigação deu resultado. Os rapazes conseguiram ligar os depósitos ao chantagista. Ninguém menos que o próprio investigador que fez as fotos. Bruce Kirby. Beckett ordenou que o trouxesse para interrogatório. Apesar de estar chantageando a vítima com suas fotos, ele jurava que não o matara especialmente porque sugeriu receber 250 mil dólares para sumir com as ameaças de vez,o que o político topou. Na noite em que morreu estava indo encontra-lo para entregar o dinheiro. Isso fez Beckett pensar, onde estaria o dinheiro e mais importante de onde viria uma grana tão alta? A sugestão de Castle sobre os patrocinadores acendeu uma luzinha de alerta na mente dela. Voltaram a falar com o organizador da campanha que dessa vez, mostrou-se desinteressado em cooperar para proteger seus patrocinadores. Beckett não podia obriga-lo. Com o caso parado, Castle acabou deixando o distrito esperando conseguir descobrir algo após uma boa relaxada em casa.

Beckett, ao contrario dele, resolveu ficar pelo distrito. Após remexer em vários arquivos e papéis relacionados com o caso sem qualquer nova pista, acabou deparando-se com uma crítica do The Ledger sobre o novo livro de Castle. Como boa fã, dedicou-se a ler as repercussões da obra, particularmente, ela gostara bastante.    

"O desfecho emocionante de Richard Castle nos lembra sobre o que é a boa ficção. Queremos um mundo beirando à imperfeição no qual poderíamos voar, e nos tornar os heróis que sempre imaginamos ser".

Sorriu. Estava entediada e precisando de um café. Ao se dar conta de que nenhum dos rapazes estava por perto, pegou sua caneca, desejando provar o expresso da máquina. O aroma era fenomenal. Estava curtindo cada momento da preparação da bebida quando foi surpreendida por ele.

- Oi – o susto a fez derramar o café que acabara de preparar, disfarçando sua raiva respondeu.

- Oi.

- Preciso mostrar algo a você.

Pelo menos a interrupção valera a pena, conforme algumas informações que levantara, Castle descobriu que a esposa poderia ser a fonte do dinheiro provando que não apenas sabia do envolvimento do marido com a prostituta como também providenciou o dinheiro para pagar a chantagem, afinal ela sempre fora rica.

Quando interrogada, a esposa alegou não ter contado porque tinha a família, como expor as filhas a tanta degradação? Sabia de tudo e entre a humilhação pública e a chantagem, escolhera a chantagem. A última vez que falara com ele, estava a caminho do encontro com o chantagista. Beckett poderia ter encerrado a conversa ali, mas faltava uma boa explicação nessa história.

- Assegura que tinha o dinheiro.

- Sim, por quê?

- Porque encontramos em sua casa.

- Minha casa?

- O mandado foi liberado essa manhã. Sua governanta colaborou muito. Se o seu marido tinha o dinheiro como foi parar na sua casa?

- Foi mais por que, não? Sentiu-se traída – instigou Beckett - Não só a traição, a humilhação. Descobriu que todos saberiam e resolveu fazer desaparecer.

- Estas esposas que vê em conferências de imprensa, Paradas como pedra junto dos maridos. Você pensa: Como conseguem? Como ainda estão de pé? Como podem ser estrelas, na hora que seu mundo está envergonhado? Foi assim que o matou.

-Não. Eu estava em casa com minhas filhas.

- Chamou seu marido às 11h – então a viúva contou toda a armação feita para matar o marido, ela apenas fizera uma ligação, apenas isso. Quando Beckett insistiu em um nome, uma frase explicou tudo. Acompanhada dos rapazes e Castle voltaram ao comitê para prender Frank Nesbit. Vasculhando seu apartamento encontraram a arma. Caso encerrado. De volta ao distrito, conversaram sobre as circunstâncias do caso com o Capitão. Os dois iriam presos deixando as filhas com uma tia.

O celular de Castle tocou, era Alexis lembrando-o do evento de leitura que estava agendado para aquele horário. Saiu voando do distrito. Aquela informação dera uma ideia para Beckett.


Evento de leitura


Kate Beckett estava escondida por trás dos fãs que ouviam compenetrados a leitura dramatizada de Rick Castle.

"Ela estava de pé, junto a ele, enquanto a luz desbotava seus olhos. Pega em sua mão, pela última vez, e sente que seu coração parou de bater e nesse momento, sabia que ele havia partido. A escuridão cai sobre a cidade e assim também o pecado. Bom, imagino...Enquanto vento envolve o cabelo.Ninguém...- Castle ficou sem palavras por um breve momento. A sua frente, ninguém menos que Kate Beckett apareceu livrando-se de seu casaco revelando a bela silhueta em um vestido curto que realçava suas pernas, no rosto um olhar enigmático - Verá minhas lágrimas." – terminou a leitura ainda abobado com a imagem em meio a uma salva de palmas incluindo as dela acompanhadas de um sorrisinho malicioso e implicante,que naquele instante, pouco importavam.

Cumprindo com as obrigações de sua editora, Castle ainda teve que esperar para abordar a bela policial ou Gina era capaz de esfola-lo. Vendo-a de conversa com um homem, tratou de interrompê-la. Estava curioso para saber o que a trouxera até ali, seu lado fã ou a curiosidade de vê-lo em ação. Existia uma terceira opção, mas ele preferia guarda-la apenas para si a fim de não arruinar as coisas entre eles antes mesmo de cumprimenta-la.  

- Detetive Beckett. A que devo o prazer da sua inesperada presença?

- Já que é chato no meu trabalho, deveria fazer o mesmo com o seu. Foi uma bonita leitura. Muito, comovente.

- Está zombando de mim?

- "Bom, ela pensou o vento envolve meu cabelo. Ninguém verá minhas lágrimas." – ela imitava-o - Como o vento envolve seu cabelo? Estou curiosa.

- Quer fazer o meu trabalho.

- Irritante, não é verdade? – perguntou Beckett, porém antes dele responder, sua mãe e Alexis aproximaram-se. Martha gostou de ver a bela detetive toda arrumada.

- Ai está você. Denise, do Ledger disse que será o número um esta semana. Estão todos comprando seu livro! Não se sente estúpido por acreditar nas críticas?

- Sim, eu me sinto.

- Só esperamos que "Nikki Heat" faça isso.

- Nikki Heat? – Beckett parecia intrigada.

- A personagem inspirada em você.

- Nikki Heat? – ela não estava acreditando - Podemos falar um instante? – distanciou-se dele indicando claramente que precisavam de privacidade. Martha percebeu que não ia ser boa coisa.

- É claro.

- Mas que tipo de nome é "Nikki Heat"?

- Um nome de polícial.

- É um nome de stripper.

- Falei que era safadinha.

- Mude Castle – ela ordenou.

- Espere. Pense no título. "Summer Heat", "Heat Wave" "In Heat".

- Mude o nome – insistiu já começando a se irritar.

-Não – ele se esquivava dela, pegou um banner seu em tamanho real para se proteger.

-Sim – ela começou a andar para confronta-lo.

- Não.

- Mude, Castle.

- Não digo que... tenho integridade artística.

- Integridade? Mude Castle! Hoje!

- Desculpe, e se não mudar? – o jogo entre gato e rato continuava até Castle adentrar por um dos corredores da livraria. Estavam sozinhos longe da grande quantidade de gente que rondava a livraria. Um lugar praticamente deserto considerando o evento que ocorria – você não tem autoridade sobre minhas obras. Até onde sei, Nikki Heat é uma personagem de ficção supostamente baseada em você, vamos lá, Beckett. O nome é atraente, gera curiosidade. É inspirado em você, principalmente o sobrenome – ele a encurralou entre seu corpo e a estante de livros - Heat! Você sabe muito bem de onde tirei o nome... impossível esquecer o poder daquela vela, do fogo que você me expos. Minha memória é algo impecável e pode não parecer, mas um escritor trabalha 24 horas por dia.

- Eu disse para você não mencionar aquilo, nunca mais! – o rosto dele estava bem próximo ao dela.

- Não tem ninguém por aqui que possa ouvir, detetive...

- Castle, eu o avisei. Sem comentários.

- Certo, eu prometi. Nada de falar sobre isso, Kate... – sentiu os lábios tocarem os seus sensualmente. Uma das mãos segurava-lhe a nuca para aprofundar o contato. Tombando na estante atrás de si, ela se deixou levar pelo contato, o beijo a distraia criando uma atmosfera de calor e desejo. Castle a envolveu pela cintura colando-a em seu corpo. O movimento brusco fez alguns livros virem ao chão tirando Beckett de uma espécie de transe.

- Não... – o som era um sussurro – não podemos... – os olhos amendoados fitavam-no lutando contra a própria vontade de retomar o contato com aqueles lábios tão convidativos.

- Correção, Kate. Nós podemos, não devemos. Era isso que você ia dizer?

- Isso é errado, terrivelmente errado em tantos níveis.

- Não seja uma moralista, detetive. Podemos considerar como pesquisa. Para tornar sua personagem confiável, afinal você mesma já provou que o calor existe... – ele mantinha o braço apoiado na estante para o caso dela querer escapar da confrontação, do inevitável.

- Você está louco? Estamos no meio de um evento no qual você é a estrela principal. Irão nos ver, repórteres. Como fica minha integridade? Não... – porém, o complemento dessa afirmação não saiu da maneira desejada, a voz de Kate tremera em excitação ao toque dos dedos em seu decote, no meio de seus seios - isso não pode acontecer...  

- Pode ou deve? É uma questão de uso correto da linguagem e seu significado. Eu quero, você quer, por que lutar contra o óbvio? Sexo faz bem, detetive... mesmo lugar?

- Isso é loucura – ela fechou os olhos sentindo novamente a boca de Castle cobrir a sua por inteiro roubando-lhe todos os argumentos para contestar o que ele pedia.

- Doce loucura, Kate... – ele se afastou dela sem quebrar o contato do olhar – uma hora, na frente do Four Seasons...- Castle desapareceu de sua vista, não antes dela poder apreciar o belo traseiro se distanciando. Suspirou, passando as mãos nos cabelos, Kate procurava entender o que tudo aquilo significava. Era errado e tão tentador... o que estava acontecendo com ela? Quando sexo e desejo transformaram-se em desculpas para esquecer todo o resto? Responsabilidade, dever... Oh droga! Que se dane! Ele queria sua Nikki Heat? Então, Castle a teria.

Determinada, caminhava a passos largos de volta ao salão principal da livraria.

Uma hora depois, ao revisitarem o mesmo quarto no Four Seasons não houve racionalização, análise ou culpa. Por duas longas e excitantes horas, apenas o desejo acompanhado de gemidos, gritos e orgasmos compunham a trilha sonora daquele segundo encontro casual entre Castle e Beckett. Deitados na cama com uma garrafa de champagne vazia no chão a seu lado, Kate tentava se convencer que essa noite fora uma simples fraqueza, a satisfação de uma necessidade básica tão primitiva de qualquer ser humano. O último de seus “rendez-vous” com o escritor. Sexo puro e casual. Fim de papo. Se Rick Castle quisesse incrementar sua Nikki Heat teria que usar sua própria imaginação e experiência. Nada disso se repetiria.


Kate Beckett não demoraria a constatar que estava equivocada novamente. Ainda descobriria que o poder de sua mente podia ser facilmente seduzido e enganado por um belo par de olhos azuis.                


Continua....

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

[Stanathan] Kiss and Don't Tell - Cap.37


Nota da Autora: Sei que prometi abordar o PCA nesse capítulo, mas acabei escrevendo sobre outros momentos, um pouco da relação familiar. Como isso é uma obra de ficção, mudei algumas coisas sobre a personagem da Gigi. Nada que possa ferir a história. Espero que gostem... enjoy! 

Atenção...NC17!


Cap. 37

Na segunda-feira, Stana e sua irmã Gigi embarcavam para o Canadá a fim de passar as festas com os pais e irmãos. Ela ainda estava embalada pelo clima dos últimos momentos que curtiu ao lado de Nathan. Tirou a aliança e pendurou no cordão que usava. Devido às roupas de frio altamente necessárias no Canadá, ninguém em sua família veria a joia para fazer perguntas. Gigi tagarelou o trajeto todo até aterrisarem o que a manteve ocupada e divertindo-se com as ideias bem malucas e ecléticas da irmã.

O pai foi busca-las no aeroporto acompanhado de Anne. Quando viu a tia, correu para os seus braços enchendo-a de beijos. Vendo o jeito da neta, o pai de Stana riu. Adorava aquela menina e o carinho que ela nutria por sua filha. Gigi foi a primeira a cumprimenta-lo com um beijo estalado no rosto e um abraço.

- Cadê a Dona Rada?

- Em casa, preparando comida para um batalhão. Oi, filha!

- Oi, pai – Stana o abraçou – estava com saudades.   

- Vamos para casa, a mãe de vocês está louca para vê-las. Preparem-se, está fazendo -3 graus e tem previsão de neve para o natal.

- Sim, tia! Podemos brincar na neve! – disse Anne empolgada. Stana apenas sorriu, ter a companhia da sobrinha poderia ajudar a passar o tempo e não faze-la pensar tanto em Nathan. Conversaram animadamente durante a viagem até a casa dos pais. Ele contava as novas invenções da mãe e o exagero de sempre para recebe-las. Perguntou como estavam as coisas em Los Angeles e no trabalho. Apesar de ser louco pela filha e um fã apaixonado e de carteirinha, o pai não era tão observador quanto à mãe, além do que dona Rada já acompanhara a filha bem mais de perto para conhecer certos comportamentos de Stana e por isso, ela se preparava para atuar o quanto pudesse. Não podia levantar qualquer suspeita sobre sua nova situação. Esperava que Gigi e Anne a ajudassem nisso.

Foram recebidas com festa pelo irmão e pela mãe. Claro que já havia uma mesa cheia de guloseimas para as duas. O chamado “chá da tarde”. Stana abraçou e beijou a mãe demonstrando o quão feliz estava em vê-la. Dona Rada achou a filha muito animada, de semblante limpo e nada de stress apesar de umas olheiras que Stana explicou serem resultados dos últimos dias de filmagem. Sorria muito, o que revelou-se uma grata surpresa para a mãe.

- Você parece estar muito bem, filha. Muito feliz. Tudo certo por L.A?

- Sim, mãe. Tudo como deveria estar – ela conhecia aquele olhar, por trás do sorriso amável havia um ar pesquisador, investigador que Stana tratou de escapar pois não se sentia preparada para responder perguntas capciosas – as filmagens terminaram bem, fui indicada a um novo PCA pelos meus fãs, ou seja, já tenho eventos para ir assim que voltar para LA e estou gostando muito do trabalho da minha nova agência. Estou ficando com uma agenda cheia.

- Precisando de companhia para as festas, estou à disposição – disse Gigi – tenho que aproveitar as vantagens de ter uma irmã em Hollywood.

- Você sabe que não sou de Hollywood – Stana se serviu de um copo de eggnog para relaxar – não tenha uma imagem errada de mim, Gigi.

- Eu sei, sis. Você é meu orgulho em todos os sentidos – a cara de safada de Gigi não escapou à mãe que aproveitou o momento para pesquisar o que estava acontecendo na vida da filha, afinal coração de mãe não se engana facilmente. Aquela imagem relaxada da filha devia ter alguma explicação.

- Outro PCA, hein? Seus fãs realmente a adoram. Também quem pode culpa-los. Sua personagem é um exemplo para muitas adolescente e mulheres mundo afora, trabalha com uma equipe de escritores e pessoas fantásticas e depois que juntaram sua personagem e de Nathan em um relacionamento sério, com direito a casamento e tudo, a série ficou bem interessante contrariando os invejosos de plantão. Aliás, parece que a sua atuação ao lado de seu parceiro de cena está cada vez melhor. Mande meus parabéns a Terri pelo belo episódio do casamento.

- Nossa! Olha a dona Rada sendo fanzoca! – brincou Gigi. Anne que prestava atenção às conversas, acabou fazendo o seu comentário.

- É, eu achei lindo o casamento. O moço tava mais bonito que antes. Ele gosta muito muitão da policial, né tia? Não! Ele ama a policial.

- É, Anne, ele ama – Stana respondeu sorrindo instintivamente levando os dedos da mão a procurar a aliança na mão esquerda para lembrar-se que não estava usando-a. Rada insistiu.

- Sério, gostei muito da situação que criaram. Acredita que me pararam no mercado para perguntar se você e Nathan eram namorados? As pessoas se impressionam com o jeito de vocês na câmera – Stana nada disse, apenas suspirando – você ouve isso todo tempo, não? Falando em amor, como anda esse coração, filha? – perguntou a mãe reparando no jeito que ela ficara ao ouvir falar de Nathan além da forma como olhara para Anne após o comentário da sobrinha.

- Mãe, a senhora sabe como são os fãs de Castle. Eles costumam achar que o relacionamento de nossas personagens transcedem as telas. Não é nada além de uma boa atuação e muitas horas de dedicação pela cena perfeita. Uma das últimas cenas que gravamos dos dois levou nada menos que seis horas, ainda vai ao ar – claro que Stana não ia contar para a mãe que demorou esse tanto por pura diversão dos dois – então não é algo automático. Exige muito trabalho e horas na madrugada – ela fingiu não prestar atenção na outra pergunta da mãe. Esse era um terreno perigoso, apesar de atriz, o assunto Nathan era muito escorregadio para ela ainda, especialmente em se tratando de dona Rada. 

- Ah, mas não é assim um sacrifício muito grande estar ao lado de um homem charmoso como ele... só posso dizer que você, sis, é uma garota de sorte.

- Gigi, você sempre tende a ver o lado pervertido da coisa! Eu, hein menina! Não sei para quem você puxou! – disse a mãe sorrindo.

- A senhora fala como se Stana fosse uma santa! Ela é igual ou pior que eu!

- Tia Gigi tem razão, Anne também gostaria de ficar muito tempo do lado do moço bonito... Anne gosta dele, é divertido. Mas Anne não pode namorar o moço porque ele é velho e já tem dona – Stana olha para a sobrinha surpresa com o comentário, assim sua mãe ia ficar ainda mais intrigada. Tratou de corrigir esse mal entendido. Rada estava abismada com o que Anne dissera.

- Anne! De onde veio isso? – a avó perguntou.

- Olha só, você está falando besteira próximo da menina, Gigi – disse Stana ralhando – isso não é assunto para crianças.

- Meu amor, por que disse isso do rapaz? – quis saber a vó.

- Porque ele já tem dona, vó. E ela ama muito o moço. A policial, oras! – disse revirando os olhos o que arrancou os risos de todas. Stana aproveitou a deixa para escapar daquela conversa. Anne a salvara. Garota esperta! Deu um beijo em seu rosto e levantou-se.

- Vou aproveitar e tomar um banho. Quer ajuda mais tarde com o jantar, mãe?

- Não, filha. Está tudo sob controle. Fiz o jantar cedo, será só esquentar. E você está aqui para descansar.

- Ah tia, você podia fazer uma torta para o natal... – Anne olhava para ela com cara de cachorro pidão – uma de chocolate e creme... – Stana entendeu o recado.

- Vou pensar, isso se sua vó não tiver feito um milhão de sobremesas para a ceia de natal.

- Não, estava pensando em fazê-las amanhã.

- Por favorzinho, tia Stana... – a súplica nos olhos de Anne a fez rir.

- Vou pensar... agora deixa eu subir. Gigi, vou deixar a porta fechada – elas estavam dividindo o velho quarto que dormiam quando crianças. Subiu as escadas. A vó aproveitou para ralhar com a neta.

- Não aperreie sua tia. Ela precisa descansar enquanto estiver aqui, Anne, se quiser faço a torta para você.

- A da tia é mais gostosa.... – vendo a cara da avó, a menina tratou de corrigir seu erro – mas Anne adora o poutine da vovo, faz para mim?

- Ah, moleca! Você não tem jeito! Vai procurar algo para brincar! – a menina saiu correndo, subindo as escadas como um furacão chamando pelo pai.

Stana tomou um banho refrescante com água bem quente. Secou os cabelos vestindo calça de moleton e um suéter pretendia se proteger do frio mesmo com o aquecedor dentro de casa, a última coisa que queria era ficar doente. Relembrando a conversa de antes, sabia que escapara bem do primeiro interrogatório, mas devia ficar atenta, pois dona Rada não era boba. Anne a salvara mais uma vez, apenas por isso ganharia sua torta.

Sentada em sua cama, Stana levou a mão inconscientemente ao cordão puxando-o e brincando com a aliança entre seus dedos. Será que já estava no Canadá? Queria noticias dele. Pegou o celular e mandou uma mensagem “hey, babe, miss you. XS”. Ficou olhando para a tela esperando uma resposta que não veio. Ele deveria estar em trânsito. Gigi entrou no quarto quase uma hora depois.

- O que você está fazendo olhando para esse celular? Desse jeito vai dar bandeira, sis – sentou-se ao pé da cama onde Stana estava deitada.

- Gigi, você precisa ter cuidado com o que fala. Por que fica instigando a mamãe falando de Nathan? Daqui a pouco ela vai me perguntar se estamos juntos já começaram as especulações...

- Eu estou tentando te ajudar. Se eu ficar falando um monte de besteira, ela não vai levar a sério. Confie em mim. Só que o disfarce não depende somente de mim. Eu reparei na forma como brincou com o seu dedo, esperava encontrar a aliança ali, não? Esse tipo de coisa pode ser fatal se a dona Rada perceber, acho que ela já está um pouco desconfiada que você tem alguém.

- Nem me fale! Não estou a fim de passar por outros interrogatórios especialmente na frente de toda a família.

- Eu entendo. Não se preocupe, o que eu puder fazer para desviar a atenção desse assunto, eu farei. Conte comigo.

- Obrigada, Gigi – ela apertou a mão da irmã num gesto de cumplicidade – o que acha da gente se embebedar depois do jantar? Podemos ir ao Joe’s, ficar umas horas sozinhas, longe da muvuca. Só nós duas.

- E quanto à torta de Anne? Você sabe que não vai conseguir escapar...

- Faço amanhã.

- Tudo bem então, mas se tiver muito cheio por lá, voltamos para casa e nos embebedamos na varanda mesmo – as duas riram dos planos.   
 O jantar na casa dos Katics foi tudo menos tranquilo. A barulhada diante da mesa faria qualquer pessoa que passasse na rua achar que estavam se matando ou que se tratava da casa de italianos. Todos falavam alto, gargalhavam e faziam uma bagunça sentados à mesa de jantar. Os quitutes da dona Rada apenas serviam para colaborar com o clima maravilhoso em família. Felizmente, eram tantos assuntos que Stana escapou de qualquer questionamento quanto a sua vida amorosa. Ela adorava esse clima, sentia falta algumas vezes. Não era à toa que adorava a muvuca do set de Castle, ali também formavam uma grande família.

Terminado o jantar, Stana ajudou a recolher os pratos junto com a cunhada, queria diminuir o trabalho para a mãe apesar da insistência dela de que não ia perder seu tempo arrumando a cozinha porque Rose viria no dia seguinte para ajuda-la com a casa e a ceia de natal. Chamando Gigi, elas subiram trocaram de roupa e pegaram o carro do pai emprestado para ir até o pub no outro quarteirão. O local não estava tão cheio quanto Gigi imaginava, o que acabou sendo bem apropriado para as irmãs. Ficaram um tempo conversando com o dono para depois se instalarem em uma mesa de fundo onde poderiam conversar e beber tranquilas.

Optaram por vinho tinto para amenizar o frio negativo que fazia lá fora. As conversas com a irmã eram sempre divertidas e estimulantes. Dessa vez, Stana fez questão que Gigi contasse um pouco sobre sua vida, já que das últimas vezes ela tinha sido o centro das atenções. Gigi era design de interiores, apesar de não estar em um relacionameto no momento, a profissão sempre rendia a ela boas experiências com futuros clientes. Inclusive seu último namorado fora um potencial cliente e ficaram juntos por dez meses. A irmã contara de uma visita técnica que fizera a um potencial cliente para reformular um escritório.

- O cara era lindo! Advogado. Sarado, cabelos pretos, olhos verdes e que boca! Desenhada para o pecado, sis! Comecei dando uma ideia para clarear o ambiente, os moveis eram pesados porque o tal espaço pertencia a um tio dele, precisava ser modernizado. Sugeri várias mudanças que deixariam o lugar bem convidativo, bom de trabalhar e mantendo o lado profissional. Tinha um sofá que definitivamente não combinava ali, mas ele adorava porque era deliciosamente macio. Ele me fez sentar para experimentar. E foi assim, bastou eu sentar ali e de repente estávamos nos agarrando e tirando as roupas.

- Gigi! Não! Você não fez isso! Ele era seu cliente, sua louca! – Stana ria da audácia da irmã, às vezes esquecia o quanto eram parecidas.

- Foi ele quem começou e você não queria que eu resistisse com aquela boca divina querendo ser beijada. Mas, não perdi o cliente. Terminei o projeto, ganhei meu dinheiro e ainda pude comemorar o resultado com uma noite de sexo muito estimulante. E não se preocupe, ele não era casado. Ah! Espera, tenho uma foto dele aqui – ela remexeu o celular e mostrou o advogado para a irmã. Ele era realmente charmoso e Gigi acertara em chamar aquela boca de divina.

- Nossa! Acho que não posso culpa-la por fim...  – Stana pediu mais uma taça de vinho, tinha certeza que já derrubara uma garrafa na companhia da irmã. Assim que tomou um novo gole da bebida, o celular vibrou. Mensagem de Nathan. Sorrindo, ela leu. “Hi, gorgeous, não tive muito tempo ainda, cheguei há uma hora atrás. Posso ligar agora? Espero não ter acordado você.” Stana checou o relógio, duas e quinze da manhã. Ficou feliz por saber que ele já estava no Canadá, porém não ia deixar a irmã falando sozinha, respondeu “oh, tudo bem. Vá dormir, falo com você amanhã. ILY”, recebeu uma mensagem cheia de beijos e corações.

- Era o Nathan, não?

- Sim, chegou há pouco. Amanhã falo com ele direito, deve estar cansado. E estou bem acompanhada.

- Sendo assim, que tal pararmos de falar das minhas aventuras e começarmos a falar do seu pedaço de mau caminho. Conte logo para mim, o que o Sr. Fillion tem que virou a cabecinha da minha irmã mais velha?

- Ai, Gigi! De novo esse papo?  

- Claro! Você não me contou nada ainda e não se esqueça que sou sua confidente. Vamos, Stana, abre o jogo...

- Gigi, acho que você já bebeu demais por hoje.

- Não vem com desculpas, oh sis, só um pouco. Satisfaz minha curiosidade... – Stana tomou mais um pouco do vinho e sorriu, teria que contar algo a ela. Suspirando para criar coragem, ela sugeriu.

- Tudo bem, vou comentar algumas coisas com você, porém tem que me prometer que ficará quieta e não contará a mais ninguém. E vamos sair daqui, esse é o tipo de conversa que deveremos ter sozinhas, talvez até em nosso quarto. Vou pedir a conta e ver se Joe pode me vender uma garrafa desse vinho para levarmos. Dez minutos depois, elas entravam no carro do pai rumo a casa. Procurando fazer o mínimo de barulho possível, Gigi passou na cozinha pegou duas taças e subiram para o quarto. Sentadas na cama, Stana começou.

- Primeiro, não vou comentar muitos detalhes da minha intimidade porque não gosto disso. Contudo, vou revelar o suficiente para você ficar com água na boca, inclusive um plano que estou maquinando caso eu e ele ganhemos o PCA. Nathan não me conquistou apenas pelos beijos ou sexo, ele é muito mais do que isso. É romântico, apaixonado, daqueles que entram de cabeça em um relacionamento. Mas, eu estaria mentindo se dissesse que não foi o beijo dele e sua pegada que acenderam o sinal vermelho de perigo para mim. Não fora o nosso primeiro beijo em cena, que tinha sido uma ótima experiência, mas aquela pegada em Always ficou gravada em minha mente. Eu não vou mentir, fui com sede ao pote. Só não esperava que ele fosse também. Nate me pegou de surpresa, os beijos, os toques e...

- Espera, você está dizendo que estão juntos desde ali?

- Não, não! Foi quase um ano de tortura, eu não queria acreditar que precisasse tanto dele. Comecei a prestar mais atenção, só não sabia que aquilo o estava incomodando também. A nossa primeira vez foi incrível. O homem tem pegada e um toque simplesmente surreal. Tive que me render. Há muito mais além daqueles olhos azuis. 

- Você quase não revelou nada e eu estou aqui, quase infartando. Aposto que já transaram em lugares bem bacanas, fogem muito para namorar?

- Bem pouco. Nossa rotina é complicada. Já estivemos em vinhedos, Nova York, mas isso não é um problema para nós. Temos imaginação. Sempre arrumamos algo novo para experimentar. Variar não importa muito porque o que ele faz com os lábios e a língua é – ela fechou os olhos mordando os lábios – nossa! Muito bom!

- Definitivamente esse papo está me deixando deprimida. Então, aquela química na tela é real?

- Real. Temos que nos policiar para não fazer loucuras. Quero surpreende-lo no PCA, acho que ele vai ficar meio agoniado no começo, mas depois...

- Fala logo o que tá pensando em fazer! – pediu Gigi não se aguentando de ansiedade. Stana riu da irmã e contou sua ideia. Foram dormir umas quatro da manhã, para Stana a conversa foi um incentivo para sonhar com Nathan e a certeza que estava morrendo de saudades dele.

A previsão do tempo não foi contrariada. Por volta das dez da manhã, a neve começou a cair bem no quintal da casa dos Katics. Vendo a quantidade de neve e o tapete branco e liso que se formava na frente da casa, Anne não sossegou até a tia concordar em sair para brincar na neve. Da janela da cozinha, a mãe observava o jeito da filha e sobrinha. Faziam um boneco de neve em meio à cantoria e gargalhadas. Aquela cena acalmou seu coração, Stana parecia mesmo feliz.

Depois do jantar, ela pediu para tomar conta da cozinha. Queria fazer a torta de Anne. A mãe pediu pelo menos uma hora para arrumar tudo e terminar de fazer a marinada do peru. Stana aproveitou para trancar-se no quarto e ligar para Nathan. O sorriso se abriu ao ouvir sua voz.

- Hey, gorgeous. Saudades!

- Hey, babe. Como estão as coisas por ai? Sonhei com você.

- Excelente, sinal de que não sou o único com saudades. Tudo bem por aqui. Anne está te consumindo muito?

- Um pouco. Pelo menos é bom para que ela continue sabendo que estou aqui e posso ter você e ela na minha vida. Não pensei que fosse sentir tanto sua falta depois do sonho de ontem. Será que tem um tempinho de madrugada para conversarmos mais à vontade?

- Depois dessa sugestão... arranjo o tempo que for preciso. Duas da manhã, está bom para você?

- Sim, é um encontro então. Um beijo, Nate.

- Ah, Staninha... só você. Beijo – ela desligou já ansiosa pelo telefonema de logo mais, desceu as escadas e se preparou para fazer a torta de Anne.

A véspera de natal foi uma loucura. Stana e Gigi se dividiam para ajudar a mãe na cozinha. Foi uma correria gostosa que se estendeu até a hora da ceia. A temperatura lá fora estava abaixo de zero, já o clima dentro de casa estava quente e aconchegante. Muito eggnog, comida e vinho. Passava da meia-noite quando chegara a hora de trocar os presentes cada um com seu prato cheio de doces. Anne devorara dois pedaços enormes da torta de chocolate que a tia preparara. A festa em família não poderia ter sido melhor, pensou Rada. Talvez a única que discordasse um pouquinho era Stana, queria que Nathan estivesse com ela, porém não deixaria ninguém perceber isso.

Ela falou com o esposo no dia 25. Passara pelo menos umas duas horas no celular via facetime enquanto Gigi a acobertava dizendo que estava dormindo porque bebera demais. Nesse ponto, Stana teve que reconhecer. Contar seu segredo para a irmã além de lhe proporcionar alguns minutos de folga com Nathan também acabara gerando uma companhia e uma aliada com quem podia conversar sobre seu relacionamento sabendo que não seria julgada e teria seus conselhos, mesmo que um pouco loucos.

Três dias depois, a neve voltara a cair na cidade. Passada as primeiras excitações do natal, Stana começara a querer voltar para sua casa, para Los Angeles. Ainda tinha quase uma semana pela frente, portanto teria que se ocupar. Ela passara muito tempo com o celular ou no quarto com um livro, tudo para que sentisse as horas do dia caminharem mais depressa, não estava tendo muita sorte. Anne bateu à porta do quarto.

- Tia, você quer brincar na neve com Anne? Papai disse que vai fazer uma guerra de neve. Falou que você é campeã nisso. Por isso vim aqui. Vamos brincar, tia? Por favor... eu quero tanto – a menina sentou-se na cama ao lado de Stana, acariciou o cabelo dela e colocou a mãozinha sobre seu rosto – a tia tá com saudade do tio Nathan, né? Anne sabe – Stana fechou os olhos por uns segundos tornando-os a abri-los para fitar a menina. Puxou-a em um abraço beijando-lhe o topo da cabeça.

- Estou sim, docinho, não vou mentir para você – para não deixa-la preocupada, mudou logo o tom da conversa – porém, sabe o que seria bem legal agora?

- Ele aparecer aqui e encher a tia de beijo? – Stana riu.

- Isso também, mas não. Estava pensando em arrasar seu pai nessa guerra de neve até ele ficar bem branquinho de tanta bolada. O que acha? Quer tentar fazer isso comigo? – os olhos da menina brilharam.

- Sim!

- Ótimo! Deixe eu me vestir. Seu pai não perde por esperar...

Rada estava na cozinha preparando o jantar daquele dia. Gigi acabou se metendo a fazer um bolo para a sobremesa. Da janela da cozinha, elas podiam observar as travessuras de Stana e Anne correndo para acertar o irmão numa brincadeira bem divertida. Sorrir era inevitável diante da cena na qual Stana ensinava Anne a fazer o arremesso perfeito acertando o pai, ou o zelo da tia com a pequena. Beijos, abraços. Quem olhasse de longe pensaria que eram mãe e filha, além de serem parecidas. Então, Rada começou a falar em voz alta.

- Olhe para elas. São perfeitas juntas. Ficou mais aliviada de ver Stana sorrindo novamente. Desde o natal achei que ela anda meio cabisbaixa, bem diferente da pessoa que chegou aqui – Gigi sabia que a mãe estava querendo pescar alguma coisa, optou por continuar calada, focada na receita que fazia - vendo o jeito dela com Anne, me pergunto porque ainda não é mãe. Acho que meu sonho de ter netas ou netos vindos das minhas meninas vai ter que ser esquecido. Nem você, nem ela. E pensar que Stana está pronta para ser mãe. Nem casar vocês conseguiram!  

- Mãe! Não fale assim!

- Mas é verdade. Nada contra vocês serem mulheres modernas, com carreiras, Deus sabe que agradeço todos os dias pelo que sua irmã e você conseguiram. Minha filha é uma celebridade além de maravilhosa.

- Eita, mamãe coruja, Dona Rada! Sei o quanto ama sua filhota. E quer saber, não devia se preocupar tanto. Ela está bem. Passei esses últimos meses com minha irmã, posso afirmar que não há motivo para achar que ela está triste. Convenhamos, não tem muito o que fazer nessa cidade.

- Não vejo Stana saindo com ninguém a um bom tempo. Bonita no meio de tantos artistas? Deve ter alguma coisa errada.

- Não tem nada demais acontecendo, mãe. A mana está bem, está feliz – de repente, sentiu que falara demais. Esperava que a mãe não percebesse piorando o interrogatório. Doce ilusão.

- Você sabe de alguma coisa, ela está namorando, não? Percebi algo diferente no semblante dela quando chegou, coração de mãe não se engana, na verdade, venho observando seu trabalho. Até atuando ela está diferente, eu sei.

- Não viaja, mãe. Acho que Anne não é a única a misturar ficção e vida real. Stana não é a Beckett. Cadê sua forma de bolo? – Gigi queria mudar de assunto a qualquer custo.

- No armário do canto, em cima. Não sou criança, Gigi. Sei muito bem o que é realidade e ficção. Também conheço minha filha, afirmo que ela está agindo diferente. Algo me diz que você sabe mais do que está me contado.

- Lá vem a senhora! Não posso falar nada que dona Rada dá um jeito de encontrar pelo em ovo.

- Gigi, mas você não acha no mínimo estranho que sua irmã trabalha há quase sete anos com a mesma pessoa, um homem charmoso, educado, galanteador e não tenha acontecido nada entre eles? Ainda mais agora que são obrigados pelo trabalho a atuar como um casal? Eu se tivesse no lugar dela, já tinha experimentado de verdade. Eu sei que minha filha não é lésbica, então qual é o problema?

- Meu Deus! Está até usando a carta de lésbica, não esconda o jogo mãe. Se está tão desconfiada, pergunte para ela – disse Gigi querendo colocar um fim naquela conversa.

- Não vou fazer isso porque irá chatea-la. Você sabe como sua irmã é reservada.

- Exato, agora a senhora disse tudo. Stana é reservada, não quer dizer que não tenha uma vida e não beije muito na boca além de outras coisas. A senhora já ouviu falar na expressão “Kiss and Don’t Tell”? Eu diria que essa é a filosofia de vida da minha irmã, faz ela muito bem principalmente considerando o meio que vive – Gigi empurrou a forma no forno. Era só esperar o bolo ficar pronto – deixe Stana viver a vida dela, e não seja tão pessimista. Quem sabe não ganha netinhos daqui a um tempo?

- Como assim?

- Posso fazer uma produção independente, que tal? – beijando-a na bochecha, saiu rindo após despejar essa bomba no colo da mãe.

- Deixa de ser maluca, menina! – a mãe gritou, porém em se tratando de Gigi, não adianta se estressar. Rindo, concentrou-se na massa que preparava para a torta do jantar. O lance dos netos era em parte da boca para fora. Criara muito bem suas meninas e para uma mãe não há nada mais precioso do que ver suas filhas realizadas, felizes e unidas. Gigi, apesar de toda a brincadeira, era louca pela irmã, fazia tudo por Stana e esse amor fraternal era capaz de defendê-la com unhas e dentes. Mesmo da mãe. Algo acontecia na vida de Stana, Gigi sabia, mas seria incapaz de trair a confiança da irmã para contar à mãe.

Escapar do interrogatório dera um pouco de trabalho, mas valera a pena. Tinha que concordar com a mãe. Sua irmã não estava no mesmo humor de quando chegara no Canadá. Gigi sabia o motivo. Sentia falta de Nathan. Nessa madrugada, ela acordou por uns minutos e pode ouvir a irmã conversando com o marido ao telefone. Na varanda, ela escorava-se para observar um pouco da brincadeira na neve. Tirando os momentos com Anne, Stana permanecia mais na dela, calada. O nome disso era saudade. Queria poder fazer algo pela irmã. Ouvindo os gritos da pequena, Gigi pos-se a maquinar um plano.

No dia trinta, Stana estava deitada na cama tentando ler um pouco. Gigi entrou no quarto disposta a interrompê-la por um bom motivo. Sentou-se na cama de frente para ela e puxou o livro das mãos.

- Hey! Eu estava lendo.

- Isso, estava. Passado. Temos que pensar no futuro. Sabia que a Dona Rada fez um super interrogatório comigo? Ela está desconfiada que alguma coisa está acontecendo na sua vida. Agindo desse jeito, se trancando no quarto não vai ajudar muito. Não queira deixa-la ainda mais desconfiada. Acredita que ela falou até do Nathan?

- Sério? Você não disse nada, disse?

- Claro que não, mandei ela sossegar e deixar você em paz. Só que isso não está certo e nem resolverá seu problema. Eu sei que você está com saudades dele. Sofrendo porque queria estar passando esses dias ao lado dele. Eu a ouvi ao telefone, sis. Por isso tomei uma decisão. Quero que você ligue para o Nathan, diga para ele comprar uma passagem para Toronto. Vocês vão ficar juntos nesse reveion. Vamos ligue para ele!
- Gigi, o que você fez? Não posso sair daqui de supetão dizendo que vou passar a virada do ano em Toronto com sabe lá quem. Não vou contar para a mamãe que estou casada.

- E pensa que não sei disso? Eu comprei uma passagem para você ir a Toronto usando o meu cartão, reservei o hotel cinco estrelas à beira de um lago com direito a ceia e fogos. Pode me agradecer depois. A desculpa para a dona Rada é simples. Eu e você iremos para uma festa, você viaja e eu vou passar a virada com a Meg, não contarei nada, pode deixar.  Portanto, o que está esperando? Liga logo pro Nathan!

- Gigi, eu nem sei... – abraçou a Irmã com carinho – obrigada!

- Considere meu presente de casamento atrasado para vocês. Enquanto você fala com ele, vou preparar o espírito da mamãe.

O humor de Stana mudou. Depois que falou com Nathan, o sorriso e a ansiedade voltaram a tomar conta do seu rosto. Nathan adorou a ideia da cunhada providenciando na mesma hora sua passagem aérea. Ela preparou apenas uma valise, poucas roupas, maquiagem e objetos pessoais. Havia trazido um vestido branco longo bem simples e por conta do frio ia precisar de seu casaco vermelho.

Às seis da manhã do dia seguinte, elas se despediram da mãe dizendo que voltavam no dia 02. No dia quatro voltaria a Los Angeles, pois as filmagens retornavam na segunda. Rada viu que a alegria retornara ao rosto da filha. Imaginava que Gigi tinha algo a ver com isso, mas sabia que não estava no seu direito de perguntar, se Stana quisesse contar algo ou conversar, bastava chama-la.

- Juizo vocês duas! Voltem inteiras, nada de exageros.

- Mãe, somos bem grandinhas – disse Gigi.

- Isso não que dizer que devo parar de me preocupar – retrucou Rada recebendo um beijo de Stana.

- Deixa que cuido da Gigi, mãe. Vamos, pai. O voo sai em uma hora – dando um beijo gostoso em Anne, elas rumaram para o aeroporto. Elas se despediram conseguindo enganar o pai para que Gigi pudesse ficar por um período no aeroporto até sentir que era seguro pegar um taxi e ir até a casa de Meg, uma amiga de infância das duas. Antes da irmã embarcar, elas se abraçaram e Stana agradeceu novamente o gesto da irmã.

- Deixa de ser boba, sis. Você merece. Sei que está louca para agarrar o seu marido, não posso culpa-la. Aproveita bem, só não vai me arranjar um sobrinho. Vocês acabaram de casar!

- Gigi! – desatou a rir da doidice da irmã – tenho que embarcar, não se preocupe quanto a isso, sou prevenida.


Toronto – três horas depois                              


Stana chegava ao hotel reservado pela irmã. Era deslumbrante. O espaço na beira do lago estava sendo preparado para a festa de logo mais. Balões, caixas de sons, a decoração em dourado e vermelho chamava a atenção. Uma mesa enorme estava montada no restaurante que dava para o lago. Ia ser uma ótima festa. Aproximando-se da recepção, Stana fez o check-in, solicitando duas chaves. Dispensou o serviço do mensageiro pegando o elevador levando sua valise.

O quarto era uma suíte standard muito bem trabalhada, uma cama Queen size, um banheiro razoável com um belo chuveiro que era possível aproveitarem se tivesse vontade, mesa como uma espécie de escritório, bem adequado para o propósito de dormir. Ela enviou uma mensagem para Nathan querendo saber se já tinham chegado. Respondeu que estava a caminho do hotel. Ficou zanzando pelo saguão quando viu o taxi encostar à porta. Nathan desceu carregando uma mala pequena. “Estou vendo você, já estou com a chave. Vá direto para o elevador.”

Sorrateiramente, ela desfilou pelo saguão querendo mostrar-se interessada na decoração parando próximo a uma moça para perguntar sobre a festa de logo mais. Vendo que ele já conseguira chegar até o elevador, agradeceu as informações, dizendo que era melhor começar a se preparar para a festa e rumou em direção aos elevadores. Apertou o botão fingindo não conhecer o homem a seu lado. Assim que as portas se abriram, eles entraram juntos. Stana inseriu o cartão no painel do elevador e apertou o quarto andar. Somente quando o elevador começou a subir foi que olhou para ele, sorrindo. Precisavam ainda agir discretamente. Abriu a porta do quarto e viu quando Nathan jogou a mala no chão e virou-se para encara-la.

Stana o agarrou no momento em que seus olhares se encontraram. A saudade de dias fora representada em um beijo profundo e cheio de paixão. As mãos passeavam pelo corpo de ambos, sentindo, tocando querendo tornar cada vez mais real esse encontro. Quebrando o beijo para devorar a orelha dela, Stana deixou escapar um gemido.

- Deus! Como senti sua falta!

- Nem me fale, Stanninha, nem me fale... – ele abriu o casaco, tirou-o vendo que ela usava um suéter e uma calça jeans. Ela tratou de se livrar das botas quando Nathan arrancou seu suéter pela cabeça. Deitou sobre a cama colocando o peso de seu corpo já sem a camisa sobre o dela. Devorava seu pescoço querendo provar a pele macia que tanto povoava seus sonhos. Desceu pelo colo, seios, estomago até esbarrar na calça que ela vestia. Abriu o botão e puxou a peça enquanto seus lábios avançavam pela calcinha.

Estava nua sobre o colchão. Ergueu as pernas abrindo-as sugerindo que estava esperando por ele. Nathan livrou-se da calça e do boxer. O membro já despontava ereto para penetra-la.

- Vem, Nate, não demore, por favor... quero você....

Não podia deixar de atender um pedido tão ansioso da bela mulher à sua frente. Porém, ao invés de partir para a ação propriamente dita, ele queria faze-la ansiar um pouco mais por esse contato completo da união de seus corpos. Ele inclinou-se, beijou-lhe seu centro e provou-a com vontade. Aconteceu exatamente como ela imaginara no sonho erótico que tivera algumas noites atrás. Ele habilmente usava a língua com uma maestria capaz de fazer Stana gemer initerruptamente enfiando as mãos em seus cabelos para incentiva-lo a não parar. Queria sentir o corpo vibrar com aquele toque, queria poder explodir em seus braços. Seu desejo foi atendido. Arqueando o corpo contra ele, sentiu o corpo tremer para receber um orgasmo explosivo que a tirou de orbita, se é que isso era possível.

Mas Nathan ainda não acabara, o orgasmo se multiplicava à medida que ele a incitava com a ponta da língua. Agora, ele  rumava para os seios dela. Circulando seus mamilos, roçando-os com os dentes até abocanha-los completamente em sua boca. Stana continuava a inclinar o corpo em sua direção. Uma das mãos de Nathan tocava seus lábios que sugavam seus dedos. Colocando-se sobre ela, ele a beijou com paixão apenas para distrai-la e introduzir-se dentro dela perdendo-se na sensação de acomodar-se lá dentro.

No segundo seguinte, ambos moviam-se em sincronia para juntos alcançarem um novo momento de prazer, queriam um novo orgasmo. Não demorou muito para atingirem o objetivo desejado, deixando-se cair sobre Stana, sentiu as unhas dela cravando seus ombros.

Levaram algum tempo para se recuperarem do momento vivido em plena tarde. Nathan escorregou para o lado respirando pesadamente. Stana aninhou-se novamente no peito dele.

- Isso que chamo de matar as saudades... – disse Nathan.

- Isso, espero ser só o começo, ainda temos dois dias pela frente....

- Nossa – ele disse ao beijar-lhe a testa – como minha esposa é insaciável.... – Stana riu da observação dele. Inclinou-se para beija-lo mais uma vez.

- Não pense que por isso vou querer pular a festa no lago. Quero brindar ao ano novo ao seu lado, amor.

- Claro que sim, a noite é sua.

Depois de mais uns bons amassos na cama, ela finalmente levantou-se da cama para se arrrumar para a noite. Ficou um bom tempo no banheiro. Quando saiu já havia secado o cabelo e cheirava maravilhosamente. Nathan estava enrolado em um roupão assistindo ao noticiário de Toronto que mostrava os festejos de ano novo por todo o mundo.  Ela se aproximou acariciando seus cabelos, recebendo um beijo carinhoso dele.

- Como você está cheirosa, Staninha... dá vontade de devorar sua pele toda novamente.

- Não ainda, Nate. Melhor ir se arrumar, já são oito da noite.

Uma hora depois, eles desciam no elevador para o ambiente do restaurante à beira do lago. Foram recebidos cordialmente pela bela moça na entrada do local e direcionados a uma mesa para dois. Eles traziam seus casacos no braço para que mais tarde pudessem assistir a queima de fogos na frente do lago na área externa.

Nathan escolheu um dos vinhos que estavam disponíveis na carta. Sabia da preferência de Stana pelo tinto. Os aperitivos foram servidos logo em seguida, a noite tinha tudo para ser muito agradável mesmo com a temperatura lá fora estando em torno de 3 graus. Era o seu primeiro ano novo celebrado como casados. Esse fato por si só tornava a ocasião especial.

Devido ao inverno, a ceia fora servida às dez da noite para que os convidados pudessem jantar tranquilamente para então admirar a queima de fogos. Duas garrafas de vinho depois e uma ceia de fazer inveja a muitos, o casal aproveitava o momento para namorar um pouco. Faltando quinze minutos para a meia-noite, Nathan ajudou-a a vestir seu sobretudo vermelho, ajeitou o seu próprio e com a mão nas costas dela, a guiou para perto do lago.

O clima de Toronto não os permitia curtir o momento de admiração do lago e consequentemente a bela queima de fogos prometida sem que eles se mantivessem agasalhados e abraçadinhos. Garçons circulavam entre os presentes à beira do lago entregando-lhes taças de champagne para o brinde da meia-noite.

- É um sonho estar aqui ao seu lado – disse Stana – se alguém tivesse me dito que isso aconteceria a cerca de duas semanas atrás, eu não teria acreditado. Estou muito feliz por saudar o ano de 2015 junto com meu marido – ele tomou a mão esquerda na sua levando-a aos lábios beijando o lugar onde se encontrava a aliança. Stana fizera questão de usa-la no dedo naquela noite.

- Somos afortumados, Staninha.

Quando a contagem regressiva começou, eles fitavam um ao outro segurando as taças nas mãos.

- 10...9...8...7...6...5...4...3...2...1 – sorrindo, ele acariciou o rosto dela – Feliz Ano Novo, Mrs. Fillion!

- Feliz Ano Novo, Mr. Fillion. Eu te amo muito, Nate – a resposta dele foi simples. Um beijo apaixonado nos lábios da pessoa amada. Brindaram, beberam o champagne e voltaram a perder-se nos lábios um do outro.

- O que você acha de fugirmos para o quarto? – propôs Nathan.

- Pensei que nunca ia sugerir...

De volta às quatro paredes que os separavam do mundo lá fora, Stana pode se livrar do casaco deixando Nathan apreciar o belo vestido branco que usara. Ele percebera que por baixo, não usara absolutamente nada, o que fez seu corpo reagir de imediato pela descoberta. Stana o fez perder o paletó, a gravata e desabotoou a camisa vermelha que usava. Ele encontrou o fecho do vestido e o desfez observando o pano escorregar leve pelo corpo dela até atingir o chão. Lá estava sua mulher completamente nua a sua frente.

Nathan deu alguns passos para trás a fim de admira-la por algum tempo. Instintivamente, sentindo a pontada na virilha aumentar e o desconforto pressionar contra suas calças, ele as tirou. Foi a vez de Stana aproximar-se segurando o membro dele com uma das mãos enquanto os lábios sorviam os dele, colocando-o sentado sobre a cama posicionando-se sobre o membro dele mantendo-se de costas para ele. Nathan a segurava pela cintura, acomodando-a, sentindo-a mover-se para conseguir o encaixe perfeito.

As mãos dele foram parar diretamente em seus seios, apertando-os, puxando os mamilos para provocar reações imediatas no corpo dela por completo. Os lábios voltaram a se encontrar em um beijo provocante e enquanto Nathan devorava-lhe a nuca mantendo as mãos ocupadas sobre os seios dela, Stana começou a mover-se com ele. Deslizando uma das mãos, ele alcançou seu clitóris, massageando e antecipando o momento de prazer.

O corpo todo vibrava diante dos tremores do orgasmo que a dominou minutos depois. Nathan a deitou de lado na cama continuando a mover-se proporcionando ainda mais prazer. Repetiram o ato de fazer amor três vezes naquela madrugada, todas às vezes alcançando explosões de orgasmos que chegaram em ondas para percorrer seus corpos transformando-os em um só.

Os dois dias que seguiram, foram recheados de momentos românticos e muito prazer. Antes de deixar o hotel rumo ao aeroporto, eles tomaram banho juntos desfrutando de mais um momento intimo no chuveiro. Despediram-se no portão de embarque com um beijo apaixonado.

- Vejo você domingo, gorgeous.

- Sim, chegarei à noite, babe.

- Agradeca a Gigi mais uma vez por mim, Staninha.

- Pode deixar – jogando mais um beijo no ar para ele, entrou de vez para embarcar de volta para a casa da mãe. Duas horas depois, ela encontrara a Irmã esperando-a no saguão, louca para saber as novidades. Stana não aguentou e abraçou Gigi com muito carinho.

- Obrigada, obrigada, obrigada. Feliz ano novo, sis. Nathan e eu nem sabemos como agradecer esse presente. Significou muito para nós. De verdade.

- Eu sei, não há exemplo melhor que sua carinha de felicidade, sis. Vamos, vou ligar para o papai. Nossas férias no Canadá estão chegando ao fim.

- Sim, mas valeram muito a pena.

- Quer um conselho, sis? Tente disfarçar um pouco mais sua felicidade ou dona Rada vai ficar ainda mais desconfiada do que está acontecendo em sua vida.

- Gigi, isso é uma missão impossível. Não consigo parar de sorrir.

Claro que quando chegaram em casa, como era de se esperar, a mãe notou como Stana estava radiante. Resolveu não comentar nada, mas sua curiosidade estava cada vez mais aguçada. Felizmente, ela havia se lembrado de voltar a colocar a aliança no cordão, escondendo-a da mãe.

Em seus últimos dias ali, Stana evitou o quarto ficando sempre pela sala, seja brincando com a sobrinha, seja conversando com os irmãos animadamente. Na noite anterior a sua viagem, arrumou suas malas e fez seu último jantar com a família toda reunida. Antes de deixar a casa da mãe no domingo, ela se despediu apropriadamente de cada um deixando a mãe por último.

- Obrigada por tudo, Dona Rada. Vou sentir saudades...

- Tudo da boca para fora. Uma vez que você se mete naqueles estúdios se esquece do mundo. Mas, você está certa. Ama o que faz e tem que aproveitar ao máximo as oportunidades que a vida está lhe oferecendo. Filha – ela relutou antes de falar acariciando o rosto de Stana – eu não sei o que anda acontecendo em sua vida, apenas que está fazendo muito bem a você. O que quer que seja o motivo dessa felicidade, lhe faz muito bem. Nunca a vi tão linda e feliz. Não irei pedir para me contar, seu silêncio é uma escolha sua. Só quero que saiba que estou vibrando por vê-la assim.

- Oh, mãe. Obrigada. Eu te amo – entrou no carro após beijar a mãe. Gigi a observava calada. Parece que conseguiram sobreviver a dez dias no Canadá sem ter que revelar o segredo que escondiam. Bom para Stana que podia voltar tranquila para os braços de seu marido com o segredo que viviam a salvo.

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Cinco horas depois, ela entrava em casa. Deixou as malas na sala sem se preocupar com a arrumação. Subiu as escadas rumo ao quarto. Abrindo a porta encontrou-o sentado na cama lendo o novo script que chegara.

- Hey, gorgeous...

- Hey... pensei que não fosse mais aparecer. Tem um jantar gostoso esperando por você. Está com fome? – Nathan largou os textos sobre o colchão levantando-se para ir ao encontro dela. Beijou-a vagarosamente nos lábios.

- Um pouco – abraçou-o envolvendo seus braços no pescoço de Nathan. Sorrindo, ela acariciou o peito dele – é bom estar de volta. Lar doce lar.


De mãos dadas, eles desceram às escadas rumo à cozinha.


Continua....