terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.2


Nota da Autora: Eu disse que precisava de continuação, então transformei a oneshot em long. O episódio escolhido foi "Hell Hath No Fury"apenas para ganhar contexto na história, não necessaariamente abordarei um episodio por capitulo e sim, cenas e situações ocorridas ao longo da série. Enjoy! 


Cap.2


Kate Beckett arrumara um grande problema nas últimas semanas. Desde que caíra na besteira de ceder a um impulso e dormir com Rick Castle. Se ela soubesse que uma específica noite de prazer iria rendê-la não apenas uma sombra, mas uma situação complicada no trabalho, não teria feito. Castle usou sua influência com o prefeito e agora dizia estar escrevendo um novo livro baseado nela.

Era bem difícil lidar com isso. Não apenas pelo comportamento de Castle, especialmente porque depois de “conhecê-lo” em outros sentidos, a tentação estava sempre próxima. Beckett fazia o possível em seu poder para esquecer esse detalhe. Uma coisa ela tinha que admitir, ele podia ser irritante, porém suas análises e teorias acabaram ajudando nas últimas investigações. De fato, as suas discussões, as ideias similares, as sacadas a colocavam em uma posição comprometedora, como se pisasse em ovos.

Criara uma certa admiração por ele à medida que trabalhavam em casos. Havia uma sincronia interessante, por mais que tentasse negar. Essa realização não chegaria ao conhecimento dele, porém isso a fazia se lembrar da primeira noite deles juntos e do quanto gostaria de repetir a dose mesmo sabendo que significaria brincar com fogo, quase que literalmente. Em vez de levantar suspeitas, ela interpretava seu papel muito bem. Mantinha a figura de desinteressada e mandona sendo sempre a pessoa chata responsável por acabar com as brincadeiras ou qualquer possibilidade de insinuações e cantadas.

Esse acabava por ser o principal motivo de enfrentar o dia a dia. Cada vez que olhava para aqueles olhos azuis, lembrava-se dos momentos que passaram juntos. Era somente uma noite o que tinha em mente. Em um piscar de olhos, tornou-se uma sombra em sua vida. Há quem diga que a vida nos prega peças, zomba de nós ao nos colocar diante de uma determinada situação. Fora exatamente o que acontecera a Kate Beckett. O que mais a incomodava? Estar começando a gostar da experiência, da troca. Exceto pelos momentos nos quais ele insistira em lembra-la das horas que passaram juntos mesmo que não tão explicitamente.

Eles haviam encerrado um caso ontem à noite. Portanto, a tarefa de hoje era cuidar da papelada, o que para Castle significava trabalho extremamente chato, ainda assim ele estava lá. Deveria ter um bom motivo.         

- Meu Deus. Este é provavelmente o pior café que já bebi. De qualquer modo é fascinante. O sabor é como...como mijo de macaco com ácido de bateria – enquanto ele reclamava, Beckett não conseguia evitar de revirar os olhos. Tagarelar enquanto fazia um relatório era a pior estratégia que sua mais nova companhia podia ter arrumado.

- Seu livro não sai hoje? – ela estava sempre antenada. Podia estar trabalhando com ele, não queria dizer que deixara de ser fã.

- Sim e daí?

- Você está me vendo realizar trabalho burocrático. Dá medo. Não tem outro lugar para ir?

- Gosto daqui.

- Oh, meu Deus. Entendi. Está se escondendo. Seu livro sai hoje e você se esconde.

- Não. Se esconder seria construir uma fortaleza e me servir de whisky, mas isso não é saudável.

- Achei que não se importava com que os outros pensam.

- Não me importo. Muito – o telefone toca. Um novo homicídio. Ao chegarem à cena do crime, ouviu murmurinhos. Aparentemente a fofoca corria nos corredores da NYPD sobre o escritor que estava seguindo-a para basear seu novo livro na detetive. Sempre que possível, alguém queria confirmar se era verdade ou rumor. 

- Inspirou-se na detetive para o novo personagem? – o policial perguntou.

- Todo artista tem uma musa – Castle adorava dizer isso. Beckett o puxou para o lado e falou bem séria.

- Se me chamar de musa de novo e quebro suas duas pernas, ok?

- Detective Beckett. Jack Lyford e Hal Morrison. Durante a mudança eles viram um tapete em uma lixeira. Acharam que era o dia de sorte. Trouxeram para casa e encontraram um prêmio. Um cadáver embrulhado no tapete. Naturalmente pensamos em você. Calibre 38 a curta distância. Morreu instantaneamente.

- Identificação?

- Bolsos vazios. Sem carteira, chaves ou jóias. Presumimos um roubo que deu errado.

- Não foi um roubo – ambos disseram em sincronia, o que fez Beckett o olhar intrigada.

- Se roubasse alguém, não me preocuparia em embrulhar o corpo e jogar fora – disse Castle.

- Respingos indicam que estava parado perto do tapete quando foi alvejado.

- Onde encontraram?

- A oeste da 3ª Av..

- Vamos ver o que a perícia diz sobre o tapete, fibras, sangue. Envie uma equipe para checar a lixeira e ver se há algo. Identifique a vítima – ordenou Beckett.

- Certo.

- Não se incomode. Sei quem é – disse Castle.

A vítima era Jeff Horn, 48, duas vezes membro do Conselho Municipal. Tentava a reeleição. Beckett pretendia avisar a família antes que a imprensa deixasse escapar. No apartamento que o casal dividia, ela comunicou a esposa. Isso sempre era difícil de fazer, informar a um ente querido que alguém próximo tivera sua vida interrompida. Para completar, precisava fazer perguntas para entender o que acontecia e se alguém teria motivo para mata-lo. Infelizmente, a esposa não podia revelar muita coisa. A rotina dele era trabalhar na campanha e quando não vinha para casa, ela não estranhava porque costumava dormir no comitê. Frank Nesbit, o coordenador de sua campanha geralmente estava com ele.

Momentos como aqueles em que uma pessoa se questionava porque alguém fora morto, eram duros. Especialmente quando não se encontra uma justificativa plausível para tal fato. Abalam famílias. Castle não pode deixar de perceber a mudança no semblante de Beckett. Ela não apreciava essa parte do trabalho, notara. Era bastante pessoal.

-Está bem? – ele perguntou quando estavam no carro, de volta às ruas. 

-Sim, por quê?

- Não deve ser fácil dar esse tipo de notícias.

- Sim, bem... Obrigada por não fazer piada.

- Sou sarcástico, não imbecil.

- Não sabia que havia diferença – ela alfinetou.

- Qual é o próximo passo? Último a vê-lo vivo? Linha do Tempo? Comprar um donut? Mais daquele café horrível? – vendo que ele procurava criar um clima para interagir no caso, Beckett se perguntara o quão realmente ele pretendia retratar do seu trabalho na policia, de sua personalidade no suposto livro que escreveria. Resolveu arriscar-se e perguntar.

- Esse personagem seu. Exatamente quanto foi baseada em mim?

- Não é tão brilhante e é meio safadinha.

- Está sendo sarcástico ou imbecil?

- Imbecil. Não decidi ainda. Você não tem de se envergonhar de nada. Ela vai ser vai ser muito inteligente. Muito esperta, espantosamente linda, e muito boa no seu trabalho – vendo que ela parecia ter aceitado, completou - E um pouco safadinha.

- Castle – o telefone atrapalhando a conversa entre eles. Era sua mãe. Pelo teor da conversa, pode captar que estava preocupada por ninguém estar comprando seu livro. Mesmo desconversando os argumentos da mãe, ela notou um certo ar preocupado no semblante do escritor. Principalmente por comentários como “Derrick Storm não é Harry Potter” ou “Ninguém comprou um?”. Ao desligar, ela perguntou.

-Tudo bem?

-Sim.

Antes de partir para sua próxima visita, Beckett pediu para Esposito monitorar as chamadas da vítima para ver se falou com alguém além da esposa.Encontraram a carteira sem dinheiros ou cartões onde provavelmente o mataram. Nada veio da vizinhança, porém estava claro que fora um crime premeditado. Entrando no comitê, ela apresentou-se e pediu para falar com Frank Nesbit. O colega parecia abalado, na verdade Beckett ouviu que eram amigos. Para ela, era importante confirmar o álibi e alguns passos da vítima antes do assassinato.

- Estava com ele noite passada?

- Sim, até as 11:00. Sugeri pegar táxi, mas ele queria caminhar.

- Onde foi a arrecadação de fundos?

- No Marconi's, na 83 com a Broadway. Doze quarteirões daqui.

- O corpo do Sr. Horn foi encontrado no centro. Ele tinha inimigos?

- Era um político.

- E seu adversário?

- Acho difícil Jason Bollinger fazer isso. Ele tem oito pontos de vantagem nas pesquisas.

- Horn recebeu ameaças na campanha recentemente?

- Somente os loucos habituais. Nada especial. Sem contar as cartas de ódio de Calvin Creason.

- Creason, dono de hotéis e clubes noturnos? Dono do Axium e do Soho Majestic. Administrou o Tasty Clube uma vez. Houve um tempo... – mas Castle percebeu a irrelevância do comentário - História para depois. Por que? Ele brigou com os traficantes?

- Creason comprou o antigo açougue na Lower East Side. Queria transformar em moda. 300 lugares, bar, discoteca. Os vizinhos não queriam um monte de bêbados em Manhattan. Então Horn convenceu o comitê.

- Deixando Creason com milhões de dólares investidos em uma propriedade sem valor – disse Castle.

- Creason tinha brigas com Horn. Não quer dizer que o matou.

- Tampouco que não matou – replicou Beckett - Com licença – deixaram o comitê direto para um dos empreendimentos de Creason. O empresário foi bem direto quanto a sua percepção da morte de Horn.

- O que fiz quando soube que ele morreu? Pedi uma garrafa de vinho Cristal, e brindei a beleza do universo, certo?

- É muito insensível da sua parte Sr. Creason – frisou Beckett.

- Sim, mas o que importa? Que me interessa? Aquilo foi um disparate, como se a construção do hotel fosse o fim do mundo. Tem ideia do efeito dos meus imóveis na economia local? Deveriam me pagar, não proibir.

- Então acho que podemos dizer que tem motivo.

- Quem é você? Polícia?

- Gostaria de prendê-lo – disse Castle para logo ser repreendido por Beckett.

- Castle!

- Por favor! Não tem nada. Se tivesse que matar a todos que entram no meu caminho, haveria corpos por todo o Chrysler. Não tenho que matar ninguém para enterrar.

- Onde estava na noite passada?

- Em casa – referindo-se ao seu clube.

- Alguém viu?

- Detetive, quando estou em casa, todo mundo me vê.

- Obrigada, Sr. Creason – enquanto saiam do cluble Castle perguntou.

- E agora?

- Verificar o álibi.

- Na verdade, não será necessário – falou Castle.

- Por que não? – viu que ele tomou a liderança caminhando como alguém que sabe exatamente o que procura - Castle, o que está fazendo?

-Prometa não me odiar.

-Já odeio - retrucou.

- Justo. Esta manhã, com o corpo.Tirei umas fotos.

- Na minha cena de crime? – começou a ficar irritada.

- Não fique com raiva, as enviei para uma amiga.

- Enviou a uma amiga – definitivamente, ele só piorava a cada comentário.

- Não exatamente. Era minha decoradora, transamos e agora não sei como defini-la. O que estava pensando? Trabalha junto, acha que será legal mas sempre é estranho. É uma fábula real – de alguma forma, isso a atingiu. Do jeito que falava da decoradora podia falar dela, não?

- Estou falando sobre as fotos. Do corpo.

- Que? Não enviei as fotos do corpo. E sim do tapete. Pensei que ela poderia nos dizer de onde vinha. E adivinhe: ela disse – ele apontou para um dos cômodos onde uma arrumadeira passava aspirador.

- É o tapete – Beckett não podia acreditar - O mesmo tapete – ele formou um sorrisinho no canto dos lábios - Não se ache! Não é atraente!

- Agora podemos prendê-lo? – foi o que Beckett fez, porém enquanto ele esperava, ela checou o álibi. Não chegou na boate até depois da meia-noite.

- E agora? Esperamos seu advogado?

- Seguimos outras pistas. Algo que chamamos trabalho.

- Outras pistas? Bom! – disse Castle - Sabemos que não foi ele.

- O que o faz pensar que não foi ele?

- Não é óbvio? Tudo aponta pra ele.

- E isso o faz inocente?

- Ele é um falso culpado.

- Um falso culpado?

- Um personagem inocente que parece culpado.

- Sei o que é. É uma figura literária da literatura. Na vida real não dispensamos um suspeito porque parece culpado. Pensei que queria prendê-lo.

- Porque é um idiota, não porque é culpado. É milionário. Não é tão burro pra enrolar um corpo no próprio tapete.

- Não importa. Esses tapetes foram customizados para seus hotéis. Sabemos que está conectado – de repente, ela gritou - Esposito! Veja o que encontra sobre o tapete. Se algum sumiu, de que quarto era ou quem teve acesso. Obrigada – Castle não perdeu de comentar, o que para Beckett deveria ser um elogio, soou como também parte de uma cantada.

- Você é muito boa sendo mandona. Reparei.

Quando Beckett entrou na sala de interrogatório com Creason, porém, descobriu que apesar do álibi não necessariamente conferir, o que ela julgara como motivo e oportunidade foi desbancado pelo simples comentário de que Creason não precisava mata-lo, apenas esperar o resultado das eleições dando a ela motivos para fazer uma visita ao oponente de Horn.

Após comentar o nome de Creason para o filho do oponente de Horn, Beckett e Castle acabam por descobrir que eles tinham algo comprometedor o bastante para certificar-se que Horn não ganharia a eleição. Fotos comprometedoras dele com uma acompanhante de luxo, nome chique para prostitutas esses dias. Castle, obviamente, estava amando tudo aquilo. Na viagem de carro de volta ao distrito, ele continuava examinando as fotos comentando coisas nada agradáveis.

- Devo aplaudir o conselheiro safadão ele é incrivelmente flexível pra idade que tem. Olhe isso. Já fez isso? – como ele podia estar perguntado isso para ela? 

- Pode guardar isso?

- Só estou dizendo que deve fazer Yoga ou Pilates.

- Por que são os caras de família que sempre são pegos sem as calças? – ela estava chateada com a história.

- Porque o universo adora ironia. E porque a maioria das pessoas é hipócrita.

- A garota achava que ele ia deixar a família por ela? – disse Beckett.

- Isso é tão sexista! – exclamou Castle.

- Sexista por quê?

- Supõe só porque ela é uma mulher, buscava uma relação? Não pensou que podia querer só sexo? – ele foi além – especialmente considerando que há algum tempo atrás você também... – viu o olhar frio dirigido a ele mediante o comentário.

- Nem pense em completar esse pensamento ou jogo você na rua em dois tempos, sem remorso. Não brinque comigo – suspirando, Beckett tentou voltar a pensar no caso e nas fotos - Pensei – infelizmente Castle a fez recordar a noite de sexo com o comentário. Esqueça isso, conclua a ideia de antes, ralhou consigo - Então vi ele.

- O que te esfriou? O fato dele estar vestindo um tapete? Muito cedo? – ao ver o olhar fuzilando-o.

- Espero que o investigador possa nos ajudar – e Beckett estava certa, além de ajuda-la, pode ouvir alguém falando mal do trabalho de Castle, não que concordasse, porém era bom ver que havia pessoas que poderiam ter uma outra opinião sobre o trabalho dele. De qualquer modo, a prostituta contratada era profissional conseguida através de um website.

No distrito, os marmanjos babavam nas fotos do site enquanto procuravam pela prostituta do conselheiro. Estavam empolgados, especialmente Ryan. Beckett estava a fim de acabar com a farra, detestava esse tipo de coisa.

- Olhe pra ela. Se tivesse seu dinheiro – disse Ryan.

- Não é Disk-sexo, Ryan. Não paga pelos 2 minutos que usa – implicou Beckett - Têm 800 números registrados em um servidor fora do estado. Devemos rastrear o IP pra ver onde está hospedado.

- E se o IP for de fora do estado também? – perguntou Castle.

- Contatamos a polícia local – disse Esposito - Se quiserem colaborar.

- Os sites querem escapar de autoridades. Pegaremos. Só leva tempo – confirmou Beckett sem perceber que ele já discava algo no celular.

-Faremos do jeito fácil. V.I.P Liasons.

- O que está fazendo? – Beckett não acreditava no que via.

- Oi, me chamo Richard! Sou um homem generoso, querendo marcar um encontro especial com Tiffany – ele saiu correndo pelo salão com ela atrás querendo escapar para terminar a ligação - Ligue. Meu telefone é 3475552079. Obrigado.

- Não pode ligar e marcar um encontro com uma prostituta!

- Por que não?

- Porque somos da Polícia.

- Não. Você é da Polícia. Sou só um rico solitário procurando um encontro – ela não estava nada satisfeita - Aposto que a encontro antes.

- Algum Rick Castle aqui?

- Bem aqui!

- Onde quer, chefe? – o cara da entrega tinha uma caixa enorme consigo.

- Coloque ali.

- Castle.

- Gostará disso – ele sai empurrando-a.

- Tenho certeza que não.

- Rapazes! Coloque ali. Perfeito! Use os joelhos. Espere um segundo, ok? Porque têm sido tão hospitaleiros comigo, resolvi retribuir. E porque o café é uma merda, comprei pra vocês uma máquina de café expresso. Não é legal?

- Acho que meu telefone tá tocando – Beckett disfarçou para sair dali. Havia uma espécie de quebra de regras ali.

Castle foi para casa sem maiores pistas do caso. Enquanto conversava com sua filha, Alexis,foi questionado sobre seu relacionamento com a detetive Beckett.

- Falando na condição humana, como anda com Det. Beckett?

- O que quer dizer? – ele estava ganhando tempo, sabia exatamente o que a filha estava pensando.

- Está criando um personagem baseado nela. E sempre diz que tem que amar suas personagens.

- É uma personagem. Mas só pesquisa, nada mais – em sua mente, ele já tinha ideia do que era “amar” a personagem como a filha se referia. As imagens estavam vividas a todo momento. Não bastando isso, sua mãe resolveu ler uma critica ruim de Derrick Storm. Ela parecia se esmerar para coloca-lo para baixo. Então, seu celular tocou. Era Tiffany. Parece que finalmente conseguiriam continuar a investigação. 


XXXXXXXX


Beckett não conseguia evoluir no caso, não havia retorno dos acessos ao site e sinceramente não era o que tinha em mente naquele momento. Ela estava irritada. Não com Castle, bem, talvez um pouco com ele. O problema estava realmente com ela. Sentiu-se incomodada. Ao trazer aquela maquina de café, podia estar querendo fazer um gesto bacana para o distrito, contudo isso também significa uma forma de marcação de território como quem diz “hey, estou aqui para ficar!”. Limites estavam se quebrando, o que provava para Beckett que sua presença se estenderia ao seu lado. A quem queria enganar? Sua irritação devia-se ao fato dele ter ligado para uma prostituta. Ele seria capaz de dormir com a mulher, não? Afinal, dormira com ela uma noite.

Passou as mãos pelos cabelos. Estava perdendo o foco. Por que isso a incomodava tanto? Ela mesma exigiu que Castle esquecesse a noite de sexo. Então, porque estava tão irritada? Por que ela não podia esquecer? A resposta era algo que Beckett não gostaria de admitir. Sentia-se suja, isso a igualava à prostituta, não? Porém, o pior era estar se sentindo com ciúmes. Por que? A sensação de troca? Devia estar maluca! Daria tudo para conversar com alguém. Lanie, provavelmente a amiga entenderia suas frustrações bastava não contar que a relação entre Castle e ela não era tão profissional assim. Pegando seu casaco, foi até o necrotério.   

- Droga garota, me assustou!

- Lanie, você está rodeada de cadáveres!

- Não espero os vivos depois das 7h.

- Engraçadinha. Nem eu.

- Sou médica forense. Qual a sua desculpa?

- Não seja má.

- Você merece. Prefere ir beber comigo, a ir pra cama com o escritor?

- Ele é irritante, egocêntrico, egoísta e completamente...

- Divertido? Confie em mim, amiga, precisa se divertir. Não pode ser tão ruim, não é? – oh, Lanie! Se você soubesse o quanto é bom... definitivamente não poderia levar a conversa adiante sem comprometer-se. Foi o pensamento dela antes do celular tocar.

- Beckett.

- Adivinha quem tem um encontro com uma prostituta? – ótimo! Simplesmente ótimo, pensou. Ela passou na casa dele e seguiram para um restaurante. Castle esperava por Tiffany ainda mantendo o disfarce, Beckett observava de longe.

- Richard? Sou Tiffany.

- É um prazer conhecê-la Tiffany. Por favor – puxou a cadeira para que ela sentasse.

- Um cavalheiro.

- Somos uma espécie em extinção – metido e galanteador, Beckett observava. Odiava que isso não fosse com ela. 

- Tenho sorte em encontrá-lo.

- Na verdade, temos sorte em encontrar você.

- Dt. Kate Beckett. Temos que perguntar sobre sua relação com o vereador Jeff Horn.

- Era um regular. Juro que não tive nada a ver com sua morte.

- Com que frequência o via?

- Uma ou duas vezes por semana. No início, só queria conversar.

- Claro, ele pagava só para conversar – Beckett ironizou.

- A maioria dos homens me procuram por se sentirem solitários. Porque as pessoas em suas vidas não os escutam mais. Sexo é só um meio para se sentirem conectado.

- Quando foi a última vez que vocês se conectaram?

- Há algumas semanas. Ele me procurou, histérico. Disse que não podia mais me ver.

- O que houve? A mulher dele descobriu?

- Não, outra pessoa. Disse que o estavam chantageando. Alguém tinha fotos nossas.

- Quem?

- Ele não sabia. Primeiro, pensou que fosse eu. Ficou chateado e entrou em pânico. Achou que havia contado aos meus amigos.

- E contou?

- Posso surpreendê-la, mas tenho sonhos próprios. Isso só paga as contas. Se essa relação virasse pública, ele não era o único que estaria arruinado.

- Disse que ele entrou em pânico.

- Queria descobrir quem o chantageava. Queria um acordo. Não podia continuar a fazer pagamentos sem que o pessoal da sua campanha descobrisse.

De volta ao carro, Castle estava amando tudo aquilo e fazia questão de ressaltar. Beckett sabia que precisavam achar o chantagista. Voltaram a falar com Jason no comitê de seu oponente. Ele não acreditava que tivesse pegado as fotos para chantagear Horn. Ele mesmo não pensava nisso e agora não teria qualquer utilidade já que a mulher dele resolveu assumir a campanha. Mesmo assim, Beckett pediu pela lista de pessoas, queria seguir a trilha de dinheiro. Em seguida, revelou a chantagem ao chefe da campanha de Horn também querendo saber das finanças do comitê. De volta ao distrito, colocou Ryan e Esposito atrás de verificar para quem o vereador desviava o dinheiro. 

Beckett continuava evitando a maquina de expresso. Era questão de honra para não ceder, demonstrando que gostara do gesto. Enquanto se servia de café da garrafa, Castle preparava o leite para um expresso vaporizado.

- Tem algo contra leite integral?

- Tenho, me irrita.

A investigação deu resultado. Os rapazes conseguiram ligar os depósitos ao chantagista. Ninguém menos que o próprio investigador que fez as fotos. Bruce Kirby. Beckett ordenou que o trouxesse para interrogatório. Apesar de estar chantageando a vítima com suas fotos, ele jurava que não o matara especialmente porque sugeriu receber 250 mil dólares para sumir com as ameaças de vez,o que o político topou. Na noite em que morreu estava indo encontra-lo para entregar o dinheiro. Isso fez Beckett pensar, onde estaria o dinheiro e mais importante de onde viria uma grana tão alta? A sugestão de Castle sobre os patrocinadores acendeu uma luzinha de alerta na mente dela. Voltaram a falar com o organizador da campanha que dessa vez, mostrou-se desinteressado em cooperar para proteger seus patrocinadores. Beckett não podia obriga-lo. Com o caso parado, Castle acabou deixando o distrito esperando conseguir descobrir algo após uma boa relaxada em casa.

Beckett, ao contrario dele, resolveu ficar pelo distrito. Após remexer em vários arquivos e papéis relacionados com o caso sem qualquer nova pista, acabou deparando-se com uma crítica do The Ledger sobre o novo livro de Castle. Como boa fã, dedicou-se a ler as repercussões da obra, particularmente, ela gostara bastante.    

"O desfecho emocionante de Richard Castle nos lembra sobre o que é a boa ficção. Queremos um mundo beirando à imperfeição no qual poderíamos voar, e nos tornar os heróis que sempre imaginamos ser".

Sorriu. Estava entediada e precisando de um café. Ao se dar conta de que nenhum dos rapazes estava por perto, pegou sua caneca, desejando provar o expresso da máquina. O aroma era fenomenal. Estava curtindo cada momento da preparação da bebida quando foi surpreendida por ele.

- Oi – o susto a fez derramar o café que acabara de preparar, disfarçando sua raiva respondeu.

- Oi.

- Preciso mostrar algo a você.

Pelo menos a interrupção valera a pena, conforme algumas informações que levantara, Castle descobriu que a esposa poderia ser a fonte do dinheiro provando que não apenas sabia do envolvimento do marido com a prostituta como também providenciou o dinheiro para pagar a chantagem, afinal ela sempre fora rica.

Quando interrogada, a esposa alegou não ter contado porque tinha a família, como expor as filhas a tanta degradação? Sabia de tudo e entre a humilhação pública e a chantagem, escolhera a chantagem. A última vez que falara com ele, estava a caminho do encontro com o chantagista. Beckett poderia ter encerrado a conversa ali, mas faltava uma boa explicação nessa história.

- Assegura que tinha o dinheiro.

- Sim, por quê?

- Porque encontramos em sua casa.

- Minha casa?

- O mandado foi liberado essa manhã. Sua governanta colaborou muito. Se o seu marido tinha o dinheiro como foi parar na sua casa?

- Foi mais por que, não? Sentiu-se traída – instigou Beckett - Não só a traição, a humilhação. Descobriu que todos saberiam e resolveu fazer desaparecer.

- Estas esposas que vê em conferências de imprensa, Paradas como pedra junto dos maridos. Você pensa: Como conseguem? Como ainda estão de pé? Como podem ser estrelas, na hora que seu mundo está envergonhado? Foi assim que o matou.

-Não. Eu estava em casa com minhas filhas.

- Chamou seu marido às 11h – então a viúva contou toda a armação feita para matar o marido, ela apenas fizera uma ligação, apenas isso. Quando Beckett insistiu em um nome, uma frase explicou tudo. Acompanhada dos rapazes e Castle voltaram ao comitê para prender Frank Nesbit. Vasculhando seu apartamento encontraram a arma. Caso encerrado. De volta ao distrito, conversaram sobre as circunstâncias do caso com o Capitão. Os dois iriam presos deixando as filhas com uma tia.

O celular de Castle tocou, era Alexis lembrando-o do evento de leitura que estava agendado para aquele horário. Saiu voando do distrito. Aquela informação dera uma ideia para Beckett.


Evento de leitura


Kate Beckett estava escondida por trás dos fãs que ouviam compenetrados a leitura dramatizada de Rick Castle.

"Ela estava de pé, junto a ele, enquanto a luz desbotava seus olhos. Pega em sua mão, pela última vez, e sente que seu coração parou de bater e nesse momento, sabia que ele havia partido. A escuridão cai sobre a cidade e assim também o pecado. Bom, imagino...Enquanto vento envolve o cabelo.Ninguém...- Castle ficou sem palavras por um breve momento. A sua frente, ninguém menos que Kate Beckett apareceu livrando-se de seu casaco revelando a bela silhueta em um vestido curto que realçava suas pernas, no rosto um olhar enigmático - Verá minhas lágrimas." – terminou a leitura ainda abobado com a imagem em meio a uma salva de palmas incluindo as dela acompanhadas de um sorrisinho malicioso e implicante,que naquele instante, pouco importavam.

Cumprindo com as obrigações de sua editora, Castle ainda teve que esperar para abordar a bela policial ou Gina era capaz de esfola-lo. Vendo-a de conversa com um homem, tratou de interrompê-la. Estava curioso para saber o que a trouxera até ali, seu lado fã ou a curiosidade de vê-lo em ação. Existia uma terceira opção, mas ele preferia guarda-la apenas para si a fim de não arruinar as coisas entre eles antes mesmo de cumprimenta-la.  

- Detetive Beckett. A que devo o prazer da sua inesperada presença?

- Já que é chato no meu trabalho, deveria fazer o mesmo com o seu. Foi uma bonita leitura. Muito, comovente.

- Está zombando de mim?

- "Bom, ela pensou o vento envolve meu cabelo. Ninguém verá minhas lágrimas." – ela imitava-o - Como o vento envolve seu cabelo? Estou curiosa.

- Quer fazer o meu trabalho.

- Irritante, não é verdade? – perguntou Beckett, porém antes dele responder, sua mãe e Alexis aproximaram-se. Martha gostou de ver a bela detetive toda arrumada.

- Ai está você. Denise, do Ledger disse que será o número um esta semana. Estão todos comprando seu livro! Não se sente estúpido por acreditar nas críticas?

- Sim, eu me sinto.

- Só esperamos que "Nikki Heat" faça isso.

- Nikki Heat? – Beckett parecia intrigada.

- A personagem inspirada em você.

- Nikki Heat? – ela não estava acreditando - Podemos falar um instante? – distanciou-se dele indicando claramente que precisavam de privacidade. Martha percebeu que não ia ser boa coisa.

- É claro.

- Mas que tipo de nome é "Nikki Heat"?

- Um nome de polícial.

- É um nome de stripper.

- Falei que era safadinha.

- Mude Castle – ela ordenou.

- Espere. Pense no título. "Summer Heat", "Heat Wave" "In Heat".

- Mude o nome – insistiu já começando a se irritar.

-Não – ele se esquivava dela, pegou um banner seu em tamanho real para se proteger.

-Sim – ela começou a andar para confronta-lo.

- Não.

- Mude, Castle.

- Não digo que... tenho integridade artística.

- Integridade? Mude Castle! Hoje!

- Desculpe, e se não mudar? – o jogo entre gato e rato continuava até Castle adentrar por um dos corredores da livraria. Estavam sozinhos longe da grande quantidade de gente que rondava a livraria. Um lugar praticamente deserto considerando o evento que ocorria – você não tem autoridade sobre minhas obras. Até onde sei, Nikki Heat é uma personagem de ficção supostamente baseada em você, vamos lá, Beckett. O nome é atraente, gera curiosidade. É inspirado em você, principalmente o sobrenome – ele a encurralou entre seu corpo e a estante de livros - Heat! Você sabe muito bem de onde tirei o nome... impossível esquecer o poder daquela vela, do fogo que você me expos. Minha memória é algo impecável e pode não parecer, mas um escritor trabalha 24 horas por dia.

- Eu disse para você não mencionar aquilo, nunca mais! – o rosto dele estava bem próximo ao dela.

- Não tem ninguém por aqui que possa ouvir, detetive...

- Castle, eu o avisei. Sem comentários.

- Certo, eu prometi. Nada de falar sobre isso, Kate... – sentiu os lábios tocarem os seus sensualmente. Uma das mãos segurava-lhe a nuca para aprofundar o contato. Tombando na estante atrás de si, ela se deixou levar pelo contato, o beijo a distraia criando uma atmosfera de calor e desejo. Castle a envolveu pela cintura colando-a em seu corpo. O movimento brusco fez alguns livros virem ao chão tirando Beckett de uma espécie de transe.

- Não... – o som era um sussurro – não podemos... – os olhos amendoados fitavam-no lutando contra a própria vontade de retomar o contato com aqueles lábios tão convidativos.

- Correção, Kate. Nós podemos, não devemos. Era isso que você ia dizer?

- Isso é errado, terrivelmente errado em tantos níveis.

- Não seja uma moralista, detetive. Podemos considerar como pesquisa. Para tornar sua personagem confiável, afinal você mesma já provou que o calor existe... – ele mantinha o braço apoiado na estante para o caso dela querer escapar da confrontação, do inevitável.

- Você está louco? Estamos no meio de um evento no qual você é a estrela principal. Irão nos ver, repórteres. Como fica minha integridade? Não... – porém, o complemento dessa afirmação não saiu da maneira desejada, a voz de Kate tremera em excitação ao toque dos dedos em seu decote, no meio de seus seios - isso não pode acontecer...  

- Pode ou deve? É uma questão de uso correto da linguagem e seu significado. Eu quero, você quer, por que lutar contra o óbvio? Sexo faz bem, detetive... mesmo lugar?

- Isso é loucura – ela fechou os olhos sentindo novamente a boca de Castle cobrir a sua por inteiro roubando-lhe todos os argumentos para contestar o que ele pedia.

- Doce loucura, Kate... – ele se afastou dela sem quebrar o contato do olhar – uma hora, na frente do Four Seasons...- Castle desapareceu de sua vista, não antes dela poder apreciar o belo traseiro se distanciando. Suspirou, passando as mãos nos cabelos, Kate procurava entender o que tudo aquilo significava. Era errado e tão tentador... o que estava acontecendo com ela? Quando sexo e desejo transformaram-se em desculpas para esquecer todo o resto? Responsabilidade, dever... Oh droga! Que se dane! Ele queria sua Nikki Heat? Então, Castle a teria.

Determinada, caminhava a passos largos de volta ao salão principal da livraria.

Uma hora depois, ao revisitarem o mesmo quarto no Four Seasons não houve racionalização, análise ou culpa. Por duas longas e excitantes horas, apenas o desejo acompanhado de gemidos, gritos e orgasmos compunham a trilha sonora daquele segundo encontro casual entre Castle e Beckett. Deitados na cama com uma garrafa de champagne vazia no chão a seu lado, Kate tentava se convencer que essa noite fora uma simples fraqueza, a satisfação de uma necessidade básica tão primitiva de qualquer ser humano. O último de seus “rendez-vous” com o escritor. Sexo puro e casual. Fim de papo. Se Rick Castle quisesse incrementar sua Nikki Heat teria que usar sua própria imaginação e experiência. Nada disso se repetiria.


Kate Beckett não demoraria a constatar que estava equivocada novamente. Ainda descobriria que o poder de sua mente podia ser facilmente seduzido e enganado por um belo par de olhos azuis.                


Continua....

3 comentários:

Marlene Caskett Stanatic disse...

ADIVINHA QUEM TA ADORANDO ESSA NOVA LONGFIC??! !!
\Õ/\Õ/\Õ/
Senti ciúmes no ar Rick e a Prostituta, será que a pequena amostra de Nikki Heat realmente vai parar por ai hein Kate Beckett?? ?!!!! ... Aaah SQNUMCA

cleotavares disse...

Hehehe Kate Beckett, a durona, foi fisgada.

Silma disse...

Que capítulo maravilhoso!!