domingo, 8 de fevereiro de 2015

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.3


Nota da Autora: Esse capitulo aborda várias cenas da 1a temporada de casos diferentes até chegar ao último episodio... e já vamos rumo a 2a no próximo. Particularmente, faltou algo nesse capitulo. Espero que tenham outra visão dele. Enjoy! 



Cap.3


Por mais estranho que pudesse parecer, Beckett continuava trabalhando com Castle a tiracolo. O caso atual tratava-se de uma mulher morta há cinco anos atrás dada como desaparecida, após suspeitar do marido acabaram por descobrir que ele também foi assassinado quatro anos depois, o que tornou o caso mais difícil. Ao revirar o passado com o investigador, Beckett ficou irritada com o descaso do detetive. Ele não checara pontos importantes. Sentiu-se irritada e não pode deixar de expressar sua raiva. Era um trabalho porco de polícia, como acontecera no caso de sua mãe que Beckett ainda não mencionara a ele. Castle, porém como bom observador, sabia que a raiva expressada era de cunho pessoal. Então, quis saber mais.

- Foi isso que aconteceu com o seu pai? Eu percebi seu relógio. É do seu pai, não? É por isso que o usa? – antes dela ter a chance de responder, o celular tocou. Salva pelo gongo, pensou. Não estava pronta para discutir assuntos pessoais com ele. A investigação tornava-se mais complicada. As pistas pareciam leva-los para um ângulo bem diferente do imaginado. Após o desaparecimento da esposa, soube-se que o marido tinha uma amante revelada pelo melhor amigo. O que mais intrigava e chateava a detetive era o fato de todos os envolvidos não se importarem com o desfecho do caso. Mas ela não era assim, precisava saber o motivo, o culpado e encerrar esse caso apropriadamente.

Passara boas horas da tarde e da noite analisando o quadro de evidências, sozinha no distrito não conseguia ligar os pontos. Por mais que tentasse sua mente tinha um bloqueio. Estava sem ideias. Contra sua própria vontade, ela chegou à conclusão de que precisava ouvir um novo ângulo, precisava debater o caso com Castle. Saiu do distrito rumo ao loft onde ele morava. Ao tocar a campainha, ela o encontrou vestido com colete de lasertag. Após os cumprimentos apropriados, Beckett não deixar de admirar a beleza do lugar. Castle a conduziu até o escritório.

- Nossa! Eu me sinto como Alfred na batcaverna pela primeira vez – não conseguia parar de observar cada detalhe.

- Hum, fã de Batman. Personalidade. A perda de um parente querido dedicando a vida na luta contra o crime.

- Você é o multimilionário que combate o crime – ela reparou no telão com várias anotações e quadros, sua foto estava bem ao meio – curiosa ela observava o nível de detalhes descritos ali.

- É como eu escrevo meus livros.

- Engraçado, é como um dos nossos quadros de evidência – disse tocando a tela revelando informações adicionais.

- Exceto que o meu é falso – ele percebeu que ela estava agoniada, quer dizer deveria ter uma razão para a detetive Beckett bater em sua porta essa hora da noite – algo errado?

- Sim, não consigo achar. A resposta.

- Foi o Sam.

- É, mas sem prova é só uma teoria. E aquela família, aquelas crianças, precisavam mais do que teoria, eles precisam saber, eu preciso saber.

- Você tem seu fim. Você tem o assassino, o que precisa é voltar a historia, monta-la até o final juntando os fatos – e lá estava o que ela precisava. A sincronia deles, a troca de ideias. Percepções. Em um instante estavam dialogando em busca da melhor explicação. Aquilo era bom, ela gostava de divagar com ele. Bem, exceto quando ele acabava por falar de suas conquistas. Sua visita valera a pena, Castle não apenas ajudara como dera a ideia do que fazer depois. Visitar o apartamento, a verdadeira cena do crime para entrar na mente do assassino e encarar seus problemas.

Foram juntos ao apartamento. Enquanto caminhavam pela sala ouvindo as reclamações do morador, Castle fez uma proposta.

- Ok, então você e eu somos casados.

- Nós não somos casados.

- Relaxe, estamos fingindo.

- Eu não quero fingir.

- Por que? Tem medo de gostar? – ele provocou.

- Ok, se somos casados. Eu quero o divórcio – Beckett replicou.

- Vocês são assim todo o tempo? – o proprietário perguntou achando muito interessante o jeito dos dois.

- Sim – responderam ao mesmo tempo sem nem desviar o olhar um do outro.

- Tá, não somos casados – cedeu Castle – mas eles eram. Então, digamos que Melanie chegou em casa às quatro horas como disse o porteiro – e a interação recomeçou. Juntos, trabalharam na reconstrução da cena do crime fazendo suposições, completando a ideia um do outro, parecia algo mágico. Quando chegaram a conclusão de que poderia haver um registro de saída do prédio do freezer onde o corpo estava, Beckett sentiu-se revigorada. Sua vontade era de pular em cima de Castle e beija-lo, certamente se eles estivessem sozinhos ela o faria. O pensamento fez causou-lhe um arrepio na espinha. Ela não teria evoluído no caso sem a ajuda dele. Foco. Tinha uma pista a seguir.

Continuaram a pesquisar a história, chegaram ao amigo e descobriram que ele pagava pelo aluguel onde o freezer ficava. Ele parou de pagar depois que o amigo morreu. Mas havia mais na história do que a morte da vítima pelo marido. Uma peça do quebra-cabeça faltava. O assassino de Sam, o marido. Infelizmente, a descoberta de Beckett tornara-se muito difícil. Castle acompanhou a luta interna que ela travara para fazer o que era certo. Devia estar imaginando-se no lugar da família, era um novo ângulo que ele começava a descobrir sobre a detetive.

Mesmo após ver todo o sofrimento daquele pai, da raiva por não saber o que acontecera à sua filha, era triste. Podia se colocar no lugar dele. Ainda assim, teria que fazer o seu trabalho e prendê-lo.

Beckett ficou pensando em si por um momento. Depois de ver o comportamento de Castle durante esse caso, ela sentiu-se segura para revelar o que ele já desconfiara desde a primeira vez que elencou o motivo dela estar ali bem como o perfil da detetive. Ao vê-lo falando ao telefone carinhosamente com a filha, teve segurança em dividir sua dor com ele. Castle reparou que um ar de tristeza rondava seus olhos.

- A propósito, foi minha mãe, não meu pai – Castle permaneceu calado vendo-a mexer nervosamente as mãos para conseguir contar a história – jantaríamos fora, minha mãe, meu pai e eu. Ela nos encontraria no restaurante, mas não apareceu. Duas horas depois, fomos para casa. Havia um detetive nos esperando. Detetive Raglan. Encontraram seu corpo. Foi esfaqueada.

- Roubo? – ele perguntou.

- Não, ela estava com o dinheiro, a bolsa e as joias. Também não foi estupro. Atribuíram à violência de gangue. Um evento isolado qualquer. Como no caso de Melanie trataram de embrulha-lo e fecha-lo. O assassino nunca foi pego.

- Por que usa o relógio?

- Meu pai ficou muito mal com a sua morte. Agora está sóbrio. Cinco anos, então – ela apontou para o relógio no pulso – isso é pela vida que salvei – retirando um cordão de dentro da blusa, Beckett revela um solitário – e isso é pela que perdi. Acho que sua Nikki Heat tem uma história, Castle – ele a olhava admirado. Sorrindo, brincou.

- Eu não sei, gosto da ideia prostituta de dia, policial à noite – o comentário a fez sorrir – mas um ponto de vista emocional forte também funciona.

- Bem, não confunda sua audiência com a minha essência – ela fez menção de levantar, ele segurou sua mão, deu um leve aperto. Beckett disfarçou, porém gostou do gesto. De pé, arrumou o casaco evitando olhar para Castle. Seu emocional estava muito abalado para responder pelos seus gestos naquele momento.

- Até amanhã, detetive.

- Você não pode dizer simplesmente boa noite.

- Sou um escritor, boa noite é chato. Até amanhã é mais otimista.

- Bem, sou uma policial então boa noite – foi embora.

Naquela noite, a detetive Beckett confidenciara-lhe um segredo importante. Ela o desafiara a criar uma história que se mostrasse interessante para o leitor sem adentrar completamente em sua intimidade. Devia isso a ela. Porém, não se tratava apenas da história para o livro. Um caso esquecido, nunca solucionado em anos com pontas soltas era no mínimo estranho. Tentado a descobrir mais sobre o caso da mãe de Beckett, pede ajuda a Esposito para ler o arquivo. Era seu mais novo segredo, um mistério perdido no tempo. Talvez aqueles relatórios revelassem algo mais. Não iria até ela caso não tivesse certeza.

Uma mulher de fibra,pensou. Beckett tinha um dom, fazer justiça, honrar os mortos, o fazia com maestria por ter sido uma vítima das circunstâncias, por isso era tão brilhante. Porque era capaz de se colocar no lugar do outro. A cada dia que passava, ele admirava ainda mais aquela bela mulher.

Kate fora dormir com a mãe em seu pensamento. Sentia falta dela. Fizera uma nova descoberta sobre Rick Castle naquele dia. Ele não era um riquinho idiota. A sua sensibilidade fora sincera quando contou seu segredo. Parece que ele não era o homem tão superficial afinal. Essa simpatia durou até uma descoberta capaz de tira-la do sério.

Tudo começou quando Castle recebeu uma visita inesperada. Estavam diante da cena de um novo crime e durante as discussões habituais ele estava calado, no mundo da lua. Ela estranhou.

- Hey, você está bem?

- Eu fiz sexo com a minha ex-mulher essa manhã. Minha ex-mulher, Meredith, mãe de Alexis. Ela está voltando para Nova York. Sabe o que significa para mim? Um inferno, na verdade o inferno do bolinho recheado frito. Aquele que você é tentado a ter,  mas em excesso, todo o dia...

- Castle! Um corpo, assassinato. Cena de crime. Tenha um pouco de respeito.

- Eu não acho que ele possa me ouvir.

- Então, um pouco de amor próprio – ela ralhara com ele, mas por dentro não pode deixar de sentir-se chateada. Ele transara novamente e com a ex-mulher. O que a detetive começava a sentir era ciúmes de alguém que nem bem conhecia. Resolveu voltar sua atenção ao corpo. Castle aparentemente também. Descreveu uma boa parte do que vira ali, um ritual vudu. Segundo ele, pesquisara bastante para um dos seus livros de Derrick Storm. Beckett perguntou se ele ainda tinha a pesquisa.

Foi assim que fora parar no loft. No escritório dele, Castle lia para Beckett parte do que escrevera em seu livro. O momento poderia até ser bem proveitoso se ela não estivesse sem paciência por conta da noticia sobre a ex. Aquilo não saia da sua cabeça. Ela não tinha o direito de estar irritada, não estava com ciúmes repetia mentalmente para si mesma.

- Você me arrastou até aqui para ler seu próprio livro?

- Tem muita coisa boa aqui. Muitas são fatos – ela se levantou já colocando o cachecol e o casaco.

- Eu tenho um assassinato para resolver.

- Pensei que era isso que estávamos fazendo. Não, tudo bem eu estava brincando – ele se levantou pretendendo impedi-la de deixar o apartamento - Eu tenho outra fonte – então ela não resistiu e deixou escapar o que a estava incomodando.

- Você chamou sua ex-mulher de bolinho recheado frito – sabe lá do que ele a chamaria.

- Confie em mim, por mais intrometido e irritante que eu seja, ela é pior.

- E quanto a Alexis? Talvez ela sinta falta da mãe. Talvez seja uma boa ideia tê-la de volta a cidade – ele a seguiu pela sala contando as loucuras de Meredith ao levar Alexis para almoçar em Paris.

- Ela é a mulher drogada do século! Louca.

- Se ela é tão ruim, por que dormiu com ela essa manhã? – Beckett se arrependeu no minuto que terminara a frase. Droga! Ele vai sacar.

- Deixe-me explicar uma coisa sobre pessoas malucas. O sexo é incrível!

- Quão superficial você é? – ainda mais irritada.

- Muito – mas Castle era esperto e sacou logo o que a irritava.

- Acho que já devia saber disso, afinal dormi com você – ela resmungou se maldizendo por deixar sua raiva falar mais alto – eu não tenho tempo para isso. Porém, quando se virou, ele a agarrou pelo braço puxando-a ao seu encontro.

- Então, por que não fazemos algo proveitoso? É impressão minha ou você acaba de elogiar minha performance na cama e de quebra está com ciúmes de Meredith?

- Dá pra me soltar, Castle! Não estou com ciúmes. Você é louco? Por mim, você pode transar com a sua ex o quanto quiser até seus olhos saltarem para fora. Não me importo. Você não é nada meu e não estou com – ele a beijou de supetão, não dando espaço ou tempo para que ela recuasse. Novamente, Kate se perdeu naqueles lábios até criar coragem para se distanciar dele – me larga! Por que você fez isso?

- Porque era o que queria. Está se roendo de ciúmes, morrendo de medo que eu também coloque um apelido em você. Adivinha? Você é Nikki Heat! Se ao menos admitisse que está louca para repetir a dose em vez de ficar irritadinha e pisando forte por onde passa, podíamos resolver o problema.

- Vai pro inferno, Castle! – ela virou-se bufando abrindo a porta para dar de cara com a tal fonte que ele mencionara. Beckett suspirou fundo considerando o fato de que teria que engolir seu orgulho e fingir que aquela cena não acontecera para poder ouvir o que fosse pertinente ao caso.

Ela comia para conter a irritação e a súbita vontade de bater em Castle. Precisava focar nas perguntas certas para avançar nas investigações. Ela agradeceu quando seu celular tocou indicando que tinham uma nova vitima. Tudo para que ela pudesse esquecer a discussão e diminuir a raiva que sentia. À medida que o caso progredia, Beckett conseguiu agir de maneira civilizada perto dele. Isso não queria dizer que a raiva passara, principalmente porque ela ainda teria outras surpresas naquele dia. Conhecer o bolinho recheado em pessoa. Aterrorizado, Castle manteve a educação apresentando os rapazes e claro, a detetive.

- Essa é a detetive Kate Beckett.

- Sim, sua nova musa. Alexis me contou tudo a respeito então tive que vir conferir. Eu fui a musa dele uma vez, ainda sou de tempos em tempos. Certo, gatinho? – Beckett virou-se para ele com um ar de satisfação no rosto.

- Gatinho?

- Tive um sonho uma vez só que estava nu e muito menos envergonhado.

Acabou que Meredith os levou ao próximo ponto da investigação. Não antes de Castle passar por outra crise com sua mãe. O que havia de errado com essas mulheres? Hormônios! Só podia ser culpa deles. Mais tarde, eles descobririam que os assassinatos eram devido a passaportes falsos para que o irmão do suspeito viesse para os Estados Unidos. Eles descobrem uma espécie de barracão onde Baylor, o criminoso, se escondia. Infelizmente, Castle estraga parte da operação ao receber um telefonema de Meredith. Isso dá o direito a Beckett de tortura-lo um pouco mais chamando-o de gatinho. Mesmo assim, acham a câmera e descobrem quem é a pessoa que será a próxima vitima.

Batendo em seu apartamento, Beckett e Castle conseguiram encontrar a moça viva constatando o que desconfiavam, o passaporte estava escondido na costura da bolsa. Beckett tentava explicar a situação para a mulher quando Castle notou a presença de Baylor de arma em punho. Ele não hesitou em jogar-se sobre ela protegendo-a do tiro que seria certeiro. Começara um jogo de gato e rato movido a balas. Castle pode ver a detetive em ação. Como era boa! Infelizmente, seu oponente também. Ela precisava de um tiro certo. Ele teve a ideia de criar uma distração usando uma garrafa de champagne. Funcionou. Beckett conseguiu atirar no cara. Ela não iria negar, ficara bem satisfeita com a ajuda. Após despachar o cara, ela o encontrou no corredor ainda tomando a champagne.

Castle notara que parte da irritação sumira. Isso era um bom sinal.

- Você está bem, Castle? – ela disse encostada na parede observando-o.

- Meu primeiro tiroteio.

- Seu último tiroteio.

- Não seja tão pessimista. Acho que fui muito bem.

- Sim, provavelmente salvou minha vida – disse sorrindo.

- Provavelmente? Definitivamente, eu salvei a sua vida. Sabe o que isso significa, não? Significa que você me deve.

- Devo o quê? – ela perguntou já imaginando que tipo de favores ele poderia pedir, torcendo, apesar de todo o seu bom senso para que fosse outra noite de prazer.

- O que eu quiser. E você sabe exatamente o que eu quero, não? – disse se aproximando dela, provocando ao olha-la de maneira sensual – sabe o que realmente, realmente quero que faça? – ela sentiu o cheiro do álcool nas palavras dele e uma excitação arrepiar-lhe a pele. Sussurrando em seu ouvido, ele disse – nunca, nunca mais me chame de gatinho... – saiu caminhando pelo corredor. Diante da revelação, Beckett sorriu escorando-se na parede. Um pouco frustrada, era verdade, mas aliviada por não se dispor a uma nova loucura. Porém, nem tudo fora esquecido.

- Detetive? – ela o fitou esperando qual seria o próximo comentário – ainda bem que está viva e mais calma. Se quiser conversar, sabe onde me encontrar.

- Eu passo. Algo me diz que tem um bolinho recheado frito te esperando – ela ironizou.

- Sua perda... – Beckett mordeu os lábios. Não queria revisitar aquela cena, ao mesmo tempo, também não queria deixar uma imagem de mulher fraca, mesquinha e com um mínimo de dependência dele. Somente esperou uns dois minutos. Saiu atrás dele. Encontrou-o já virando a esquina para entrar na estação do metrô.

- Castle... espere! – ela deu uma carreira até onde ele estava. O propósito ao falar com ele era retirar aquela má impressão deixada na sala do loft, contudo ao olhar para aquele homem a sua frente, admitiu que gostaria de observa-lo um pouco mais e agradecer – olhe, sobre o que aconteceu na sua casa, foi errado. Eu me excedi sem motivo. O que faz da sua vida, diz respeito apenas a você, ninguém mais. Desculpe por ter gritado e lhe chamado de superficial. Devemos esquecer tudo aquilo. Acho que... o que quero dizer é...

- Fale, Beckett... – a voz saiu como um sussurro, estavam próximos.

- Obrigada por salvar minha vida.

- Eu tive sorte, além disso, se fosse o contrário, você faria o mesmo.

- O que o faz ter tanta certeza? Afinal, você é irritante.

- É quem você é – ele se inclinou beijando-a no rosto – vou esperar pela próxima vez. Para sua informação, você fica linda irritada – desceu as escadas rapidamente, não dando chance dela rebater o comentário. Beckett levou o polegar à boca mordiscando-o sorrindo. Definitivamente, aquele homem estava mexendo com sua cabeça. Isso podia ser bom ou letal.


Apartamento de Beckett - 3 da manhã


Ela se contorcia gemendo ao toque. As mãos deslizavam com uma precisão impressionante causando sensações responsáveis pelo calor que a consumia. Podia sentir os lábios dançando em meio aos seus seios. Sugando-os, provando-os. Kate arqueava o corpo pedindo mais. Como ele podia saber exatamente onde toca-la, como podia em pouco tempo fazer com que o desejo escapasse pelos poros, tomasse-lhe a mente, deixasse-a úmida em questão de segundos?

O beijo era provocante. Um prelúdio para o prazer que estava prestes a ser experimentado ao sentir o membro penetrar-lhe devagar. O peso do corpo dele se movimentando sobre o dela, fazia Kate gemer entre os lábios. Ela erguia as pernas para melhorar o contato.

- Meu Deus, Castle... mais, por favor, mais... – ele obedecia fazendo o corpo de Kate receber carícias que apenas aumentava o desejo de deixar-se consumir completamente por ele. Com a última estocada, ela sentiu o início do orgasmo invadi-la.  Deu um grito mais alto e se assustou.

Sentada na cama, Kate ofegava. O que foi isso? Passou as mãos nos cabelos tentando se acalmar. Loucura, só poderia ser essa a explicação para o que acontecera. Como poderia ter acontecido isso? O corpo suado, a mente ainda dominada pela sensação e as imagens de desejo que a pouco a faziam gritar.

Fora tão envolvente, tão real. Não, o que acontecera era ilusão. Um sonho erótico, tentador. Kate não se lembrava de ter passado por uma experiência assim há muito tempo. Era como se sua mente não conseguisse se desligar das lembranças das noites de prazer que tivera ao lado de Castle.  Era errado, dizia ao pensar racionalmente. Era delicioso, a resposta que seu corpo exibia após o momento de prazer.

Levantou-se da cama seguindo para o banheiro. Lavou o rosto com água gelada, fitando seu reflexo no espelho. Não podia se deixar consumir por esses pensamentos impróprios, como iria encara-lo desse jeito? Não era um problema de controle, o que a deixava bolada era saber o porquê de estar agindo dessa forma. Por que Castle mexia com os seus cinco sentidos, por que entrava na sua mente da maneira mais pervertida possível? Ela sentira ciúmes da ex-mulher dele, fizera papel de boba. Precisava esquecer essa história, o que acontecera entre eles, a recaída, o beijo. Virar a página, esquecer.

Porém, a pergunta continuava: como faria isso se ele estava todos os dias em seu encalço? Exibindo aquele bumbum delicioso e os olhos azuis encantadores? Ter Castle a seu lado a fazia se lembrar da escolha inconsequente que fizera alguns meses atrás.              

Voltou para a cama. O relógio marcava três e meia da madrugada. O celular estava na cabeceira, silencioso. Agradeceu por não haver um homicídio inesperado. Deitou-se na cama procurando retornar o sono. Descansar e afastar sua cabeça de pensamentos impuros. Gostaria de dividir sua situação com alguém, porém sabia que não era sensato. Lanie, por exemplo, apenas daria mais corda para que ela aproveitasse. Iria agir de encontro ao que Kate buscava, o esquecimento. Remoendo a ideia de deixar o passado para trás, trancando aqueles pensamentos em um subconsciente não acessível, ela acabou adormecendo.

No dia seguinte na delegacia, ela estava sentada em sua mesa quando ele apareceu. Trazia em mãos dois copos de café do Java. Não foi apenas no café que ela se ligou. Kate o observava da cabeça aos pés. Vestia uma camisa azul, aliás a cor combinava muito bem com ele. Os olhos estavam com um tom bem mais claro que o normal, o sorriso, ah! Era um sorriso discreto daqueles que instigam o pensamento a querer descobrir o que ele estava pensando ao torcer aqueles lábios fazendo um pequeno biquinho.

Quando se deu conta do que fazia, rapidamente Beckett virou a cara voltando sua concentração à tela do computador como se algo muito interessante prendesse sua atenção a ponto de não se importar com a chegada dele. O monitor exibia uma página em branco do editor de texto.     

Sorridente, ele sentou-se na sua cadeira cativa entregando a bebida para Kate.

- Bom dia, detetive Beckett! Está um lindo dia para caçar assassinos hoje, não? – aquela alegria súbita fez o estomago de Beckett revirar, dormira novamente com a ex-mulher? Se esse era o motivo da sua felicidade, ela não queria saber. Certo, ela era uma péssima mentirosa. Queria saber.

- Noite agitada, Castle?

- Sim, muito. Recebi a melhor notícia ontem. Meredith foi embora. Não irá morar aqui em Nova York.

- Deve ter sido uma super despedida para você estar tão animado – provocou demonstrando um pouco de irritação, por dentro, o danado do ciúme começava a mostrar suas garras – felizmente ninguém aqui está interessado em suas aventuras conjugais.

- Claro que não – ele continuou ignorando o comentário dela – apenas nos despedimos. Sei que você não está interessada nessa informação, mas não dormi novamente com ela – a menção disso fez Beckett beber um gole do café a fim de apertar os lábios segurando um sorriso - Estou aliviado, de verdade. Meredith é uma tempestade avassaladora para ser permanente – sim, ela também por mais estranho que isso pudesse parecer – então, qual o nosso caso de hoje? Máfia, conspiração? Fantasma!

- Ah, sim. O fantasma da papelada. Sem casos hoje, ainda.

- Ah, mas sempre existe a esperança de um namoro não resolvido, dinheiro roubado, traição... anime-se detetive Beckett, um cadáver pode surgir quando menos se espera.      


Um mês depois...


Castle estava analisando o arquivo da mãe de Beckett na noite anterior a procura de respostas. Porém, sentiu-se parado. Sem qualquer alternativa para continuar. Foi assim que teve a ideia de usar um especialista. Contatou o amigo e consultor médico de sua confiança para uma última tentativa. Martha percebeu o que ele estava aprontando e o alertou quanto ao perigo de fazer isso sem o consentimento da detetive.   

No distrito, Beckett recebe um chamado para um novo caso. Um cirurgião plástico morto com um saco na cabeça com marcas de tortura nas mãos. A noiva parecia não saber de nada ilícito que pudesse ter levado a sua morte. Restava investigar. Castle ficara pensando sobre as palavras da mãe daquela manhã. Ponderava se deveria conversar sobre esse assunto com ela. Após as ordens dadas aos rapazes e o indicativo de que iam sair para ir ao consultório, achou que seria um bom momento para perguntar.

- Posso te perguntar algo?

- Desde quando você pede permissão para perguntar algo? – ela ia andando pelo corredor. 

- É sobre o caso da sua mãe. Já pensou em reabri-lo? – ela parou para fita-lo, a simples menção do assunto já a colocou em estado de alerta.

- O que você está fazendo?

- Nada. Só pensei que se trabalharmos juntos...

- Não!

- Tenho recursos.

- Castle se tocar no caso da minha mãe, estamos terminados. Entendeu?

- Ok – ela continuou andando, Castle percebeu que estava pisando em terreno perigoso. Mesmo assim, precisava entender porque parecia evitar o assunto – por que não quer investiga-lo? – ela parou novamente no corredor. Estava desconfortável pelas perguntas dele, não gostava de falar sobre isso e ainda assim, conhecia o escritor o bastante para saber que caso não contasse a verdade e encerrasse o assunto, ele insistiria até falar.

- Pela mesma razão que um alcoólatra em recuperação não bebe. Você não acha que já fiz isso? Que não memorizei cada linha daquele arquivo? Meus três primeiros anos na polícia,passei cada momento de folga procurando por algo que alguém deixou escapar. Precisei de um ano de terapia para perceber que se não deixasse para lá, iria me destruir. Então, deixei para lá – ela entrou no elevador mantendo a postura, mas completamente mexida por dentro. Ele a acompanha.

- Desculpe, eu não sabia.

- Agora sabe – não conversaram por todo o caminho. Ela evitando o assunto e ele muito absorto nos seus pensamentos com relação ao caso da mãe dela. Chegando no consultório, eles são interceptados antes de entrarem por uma loira de seios enormes. Beckett reparou no olhar abobalhado de Castle, não resistindo perguntou.

- O que é isso com homens e peitos?

- É biológico, não podemos evitar.

- Mas não te incomoda em saber que não são reais?

- Papai Noel não é real e nós amamos abrir os presentes – foi a resposta sagaz do escritor. Os olhos dele fitaram os seios de Beckett por uns segundos, voltaram a encontrar o rosto dela – não se preocupe, para sua informação, os seus estão ótimos – espantada pelo comentário, ela pisou no pé dele e o acotovelou com força acertando as costelas antes de entrar no consultório. Podia ouvir os gemidos dele.

- Ouch! Foi um elogio! Por que você fez isso?

- Porque você falou – foi a resposta simples e sincera que dera para Castle. Por dentro, ela ria.  

Conversaram com a equipe, descobrindo que o cirurgião fazia operações plásticas em um hospital onde não envolvia a sua equipe principal. Investigando os casos não registrados, os detetives descobriram que ele recebera pagamentos do ministério público. Por conta disso, Beckett deduziu que o médico poderia estar atendendo alguém que precisasse de uma nova identidade, alguém no programa de proteção à testemunha, isso justificaria ele ter sido torturado. Alguém estava muito interessado em saber onde a tal pessoa estava. Beckett decidiu abordar a responsável pelo programa de proteção à testemunha para descobrir a relação do médico e avançar na investigação de sua morte.

Castle não estava apenas investigando o caso ao lado de Beckett. Ele também estava às voltas com o primeiro baile de Alexis e seu suposto primeiro encontro sério. Queria muito torturar o tal do Owen.

Após usar todos os argumentos com a advogada do programa, Beckett não foi bem sucedida. Sendo assim, a investigação ficara suspensa até terem uma outra pista. Em se tratando de crime organizado, Castle sugeriu perguntarem para o outro lado afinal eles já estavam à procura do suposto protegido. Ela não acredita no que ouve.

- Você está sugerindo que eu pergunte da máfia quem eles querem matar?

- Sim, sabemos que eles estão procurando. Eu conheço um cara.

- Você conhece um cara? – perguntou Beckett indignada.

- Sim, dos velhos tempos de Derrick Storm. A informação de Castle através dos seus amigos da máfia fora valiosa. Ele conseguiu o nome da testemunha. Jimmy “o rato” Moran. Agora, tudo o que precisariam era de um encontro para descobrir quem poderia querer assassinar o cirurgião que o operou. Beckett sabia a quem pedir o favor.

Algumas semanas atrás, ela reencontrou um antigo namorado que trabalhava para o FBI. Na época, a presença de Will Sorenson incomodou e causou ciúmes em Castle que tentara a todo custo provar que o agente não era bom para Beckett. De qualquer forma, era o melhor que podia esperar. Felizmente, Sorenson arranjou um encontro com Jimmy, mas Castle e Beckett acabaram sendo seguidos. Depois da conversa, o carro com o agente e a testemunha foi atacado levando os dois feridos para o hospital. O ocorrido o assustou tanto a ponto de fazê-lo desistir de testemunhar.

Beckett foi acompanhada de Castle até o hospital. Ela não conseguia se livrar da culpa. Sentia-se responsável pelo que acontecera. Sua investigação complicara um caso da máfia importantíssimo para o FBI. O pior era saber que ainda não encontrara um suspeito para a morte do médico. Todo o risco parecia ter sido em vão. Castle detestava vê-la culpando-se pelo que acontecera. Estava estampado em seu rosto. Servindo-se de café, Beckett tentava se acalmar. Não queria imaginar a possibilidade de Will não sair dessa.

- Quer conversar? – Castle perguntou querendo de alguma forma fazê-la falar.

- Não há nada pra conversar. Eu que forcei tudo isso e envolvi Will.

- Não tinha como saber que isso ia acontecer.

- Tem certeza? Porque o carro deles foi atacado depois do nosso encontro.

- E?

- E daí que fomos seguidos. Alguém que sabia da investigação descobriu do encontro. Levamos os até o Moran. Então, sim, eu devia saber. E se eu fosse uma policial melhor, saberia – Beckett se afastou sentando no banco ali perto. Com a cabeça baixa, procurava não pensar no pior. Não queria ser responsável pela morte de um homem. Castle sentou-se ao seu lado. Ainda não desistira de tirar esse ar de culpa de seu rosto.

- Você acha que é culpa sua? Você correu atrás disso sim. Não porque é seu trabalho, mas porque se importa. A maioria desiste quando encontra um obstáculo. Você não. Você não desiste. Não recua. É o que te faz extraordinária – Beckett fitou-o por um instante. Havia sinceridade nas palavras e nos olhos azuis. Ele estava ali lutando para fazê-la acreditar que não tinha culpa em nada. Quando ela ia responder, Esposito e Ryan aproximaram-se deles.

- Ele vai sair dessa. Vai ficar bem o alivio a fez suspirar finalmente perdendo um pouco da tensão. Fechou os olhos, vagarosamente tornou a tomar o café. Castle e Beckett estavam sozinhos novamente quando ele anunciou que ia para casa esperar por Alexis. Inclinou-se até ela beijando-lhe o topo da cabeça, depois pegou sua mão na sua, repetindo o gesto.

- Cuide-se, Kate. E não fique aqui a noite toda.

Com a notícia de que Will ficaria bem, Beckett ainda permaneceu uma boa parte da noite no hospital. Observando Will naquela cama, ela reconhecia que gostava dele, não para um relacionamento, ela já passara dessa fase, mas por tudo que significara aquela parte de sua vida.
Então, ali naquele hospital, Beckett lembrou-se de Castle. Ele fora muito atencioso com ela. Mais importante, recordara-se de suas palavras. Não recua. Não desiste. Ela se perguntava o que estava fazendo errado nesse caso? Por que não conseguia identificar o suspeito? Inclinada a resolver esse mistério, ela deixou o hospital rumo ao distrito. Desde então, estava de frente para o quadro de evidências. Fazia anotações, fitava as informações, analisando e mantinha-se acordada com muitas doses de café.

Quando Castle chegou ao distrito, a encontrou exatamente assim. Os rapazes contaram que viera até ali às quatro da manhã e estava na frente do quadro desde então. Já tomara nove expressos duplos. Preocupado, Castle aproximou-se.

- Tem lido na internet sobre esta nova coisa chamada "dormir"? Suponho que seja muito bom pra você. Quando tivemos aquela pequena conversa na noite passada, não quis que embarcasse de cabeça numa de "Uma Mente Brilhante".

- Shhh... Não havia ninguém no escritório do promotor. Não precisam de nós para encontrá-lo. Então, tem que ser alguém com o qual falamos – ela estava com a mente fervilhando, Castle percebeu. Parecia que esperava por ele para trocar as ideias.

- Acha que foi o meu contato junto à máfia?

- Se está numa família rival, vão querer Moran vivo para depor, porque, se os federais prendem os Spolanos, outras famílias poderão assumir os territórios. Não, procuramos quem teve acesso ao doutor antes que tivéssemos o caso.

- Assim sobra a noiva e seu pessoal.

- Sim, exceto que a noiva está limpa, com álibi para a noite passada. As ligações não indicam chamadas para números desconhecidos.

-Achei que já tinha repassado – comentou Castle.

-Nós fizemos, não teve registros que ligasse ao crime organizado – disse Esposito.

-E sobre a noite passada? – questionou Beckett relembrando as informações do álibi de cada um. Suas suspeitas recaíram primeiramente sobre Mario, decidiu voltar à clínica. Quando começavam a conversar com Mario, Beckett recebe um telefonema dos rapazes. A suspeita era Maggie. Observando o cartão do cirurgião, Castle notou que fazia referência ao mesmo hospital onde Sorenson e Jimmy estavam. Se ela tinha acesso, podia terminar o serviço.

Não dera em outra. Maggie fora pega em flagrante. Recebendo uma ligação, Castle avisou que precisava ir para casa resolver um problema. O telefonema era importante. O médico, seu amigo, tinha novidades sobre o caso de Johanna. No distrito, Beckett repassava o resumo da investigação para seu capitão e faz uma revelação.

- Bom trabalho detetive. Muito bom trabalho.

- Obrigada. Sabe senhor, nunca pensei que diria isto, mas...acho que não o teria feito sem o Castle.

- E onde está Castle?

- Disse que tinha algo para resolver em casa.

No loft, Castle estava sentado na sala ouvindo os detalhes descobertos pelo seu amigo médico.

- O relatório original diz que as feridas de apunhaladas foram aleatórias. Agora, o assassino teve sorte, vê essa ferida? Está em ângulo abaixo do rim. O tamanho da ferida indica que a arma foi torcida. Seu corpo entra imediatamente em estado de choque.

- E sobre estes?

- Demonstram que os ângulos foram deliberados após ser imobilizado no solo. Eles são apenas para encenação. Essa é a que a matou.

- Isso soa menos aleatório e mais para um crime com objetivos – disse Castle.

- E tem mais. Por puro palpite chequei os arquivos do IML para ver se ele era um incidente isolado e achei outros três esfaqueamentos nesse mesmo tempo que o IML trabalhou, descartando os casos como... aleatórios.

- Estavam relacionados?

- Tem certeza que quer saber? – perguntou o médico. Após a conversa, Castle estava sozinho e pensativo em seu escritório observando a chuva que caia lá fora. A nova descoberta era importante e podia reabrir o caso, porém significava remexer no passado, isso poderia acabar com ela. Ele estava dividido.

- Você tem que contar, você sabe – sua mãe comentou.

- Sabe o que isto vai fazer?

- Tem informações que podem levar ao assassino da mãe dela. Não pode esconder isso.

- Eu sei. Disse que se abrisse o arquivo, terminaríamos.

- Não importa. Ela tem que saber – afirmou Martha. Castle ponderou por mais um tempo. Ela ia ficar com muita raiva dele. Certamente o expulsaria do seu distrito se pudesse. Ele não queria magoa-la, gostava dela. Estava prestes a entrar numa briga feia com Beckett capaz de machuca-los, porém precisava ser honesto com ela.

Beckett estava visitando Will no hospital. Riam implicando um com outro quando Castle bateu à porta. Depois de uma rápida conversa sobre o estado de Will, Castle perguntou.

- Tem um segundo?

- Tenha cuidado, Kate. Ele gosta de você – disse Will enquanto eles saiam do quarto.

- Você terá que perdoa-lo, está fortemente medicado – notando que ele não fizera uma piada sobre isso, Beckett observou o semblante dele - Está muito sério. Está tudo bem?

- Sente.

- O quê?

- Sente-se – ele insistiu.

- Castle, o que está acontecendo?

- É sobre a sua mãe - o semblante de Beckett mudou. Ela sentou-se vagarosamente no banco. Não era a primeira reação que Castle esperava. Acreditava que ela gritaria e o expulsaria dali. Como isso não aconteceu, ele explicou calmamente todas as descobertas referente ao caso da mãe dela. A cada novo comentário, ele via o rosto de Kate tornar-se mais sério. Quando terminou, não se moveu. Manteve-se exatamente onde estava, de frente para ela, calado. Não sabia o que aconteceria a seguir. Beckett levantou-se de supetão, saiu caminhando a largas e firmes passadas para a porta do hospital. Ele a seguiu.

Do lado de fora, longe do movimento e do clima silencioso de um hospital, Beckett virou-se para fita-lo.

- Como pode fazer isso? A única coisa que pedi para não fazer? Quem você pensa que é?

- Beckett, eu sei que você não quer remexer nisso. Mas, é diferente! Acabei de descobrir que o assassinato da sua mãe não foi aleatório e não foi o único com a mesma causa de morte. Podia ter escondido de você, pensei que era importante, quisesse saber mais a respeito...

- Respeito, taí uma palavra que você não conhece. Você não deveria ter investigado para início de conversa! O que você está querendo, Castle? Quer me ver fracassar?

- Fracassar? Claro que não! Eu não sabia que você tinha passado por terapia ou que tinha atingido o fundo do poço quando pedi para meu amigo médico analisar o arquivo. Não sabia – ele fica de costas para ela por uns segundos apenas para voltar a fita-la continuando sua argumentação – Beckett eu vejo como você trata as vítimas, como se dói por suas famílias. Observei o quanto você sofria no caso da mãe daquela moça, lutou desesperadamente por justiça. Você não irá fracassar porque você se importa, faz seu trabalho com o coração. Como posso vê-la fazer justiça colocando criminosos na cadeia sabendo que não conseguiu isso com o caso que a fez entrar para a polícia? Você não quis olhar porque já sofreu demais no passado, não a recrimino por isso. Às vezes, uma perspectiva diferente muda toda a história.

- História... – ela fingia rir erguendo a cabeça para o céu lutando com as lágrimas que teimavam para cair – é só isso que interessa, não? História. E quanto à personagem, Rick? Eu já me conformei em não ter a justiça. Eu a faço todos os dias quando coloco criminosos atrás das grades. Se ceder, será um caminho sem volta. Estarei arruinada, você ficará sem personagem e ... – ela passou a mão nos cabelos - eu nem sei porque estou discutindo isso com você, Castle. Você me traiu fazendo exatamente o que não queria.

- Não, Kate. Eu a teria traído se escondesse o que descobri de você. Eu vim aqui contar sobre isso mesmo sabendo que poderia significar o fim de nossa parceria. O fim para nós.

- Não existe nós, Castle. O que existe é uma obrigação de tê-lo ao meu lado porque meu superior assim determinou – foi como uma facada precisa nas costas. Ela o magoara, parabéns Beckett, ela pensou.  

- Isso é o que você diz para se enganar todos os dias. Simplesmente porque não é capaz de admitir que gosta de trabalhar comigo, que minha presença a agrada e a ajuda nas investigações. Minha visão foi fundamental para resolver casos.  Só que eu não acredito nisso. Você é incapaz de aceitar porque se julga todo o tempo por ter cedido e dormido comigo. Não estou aqui para me exibir. Eu me preocupo com você. Corremos perigos juntos. Eu entenderei se não me quiser ao seu lado no distrito. Você também sabe que não tem autoridade para me expulsar. Mesmo assim, estou disposto a desistir de segui-la, se esse é o preço que tenho que pagar por contar a você sobre sua mãe. É a sua vida, eu sei. Sua decisão. 

Eles ficaram em silêncio por uns instantes. Castle queria abraça-la. Via a dor e a tristeza em seus olhos. Queria conforta-la, tê-la em seus braços como das vezes anteriores.

- Você está certo. Minha vida, minha decisão. Eu não sei que mentira você vai inventar, use seus poderes de escritor. Apenas suma da minha frente. E do meu distrito. Não consigo pensar sobre isso, olhar para você. Por favor...

Resignado, Castle suspirou sabendo que não poderia insistir. Caminhou até ela que mantinha a cabeça baixa, evitando o seu olhar. Não conseguiria ir embora assim. Com a mão ergueu seu rosto obrigando-a a fita-lo. Acariciava o queixo dela levemente com o polegar. Kate pôde ver a tristeza presente no belo azul.


- Uma pena, Kate. Eu realmente adorei estar ao seu lado – roçando os lábios nos dela, roubou-lhe um potencial último beijo. Castle faria o que ela pediu, porém não saberia se conseguiria esquecer a bela detetive. Na verdade, não esqueceria. Ela seria imortalizada em seu livro. Quando ele finalmente sumiu de suas vistas, Kate deixou-se sentar no chão e chorar.           


Continua....

2 comentários:

Marlene Stanatic Caskett disse...

Meredith sempre chega pra causar,ai esta uma coisa que adoro nela hahahaha tbm gosto do Will cara gente boa mas agora Kate está em outra ou melhor outro.
Mexer no caso de Joh é pisar em campo minado senti mo dó dela e dele tbm a mulher expulsou o coitado,ele foi só que deu um beijo de leve gostei da atitude do rapaz.

cleotavares disse...

Ai ai ai Castelinho, e agora?