segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

[Stanathan] Kiss and Don´t Tell - Cap.61


Nota da Autora: E chega mais um capitulo de SN, aqui estou usando minha fic para ser um pouco fangirl, alguns de voces sabem do meu amor pela Sara. Essa parte da história é descontraida e abrirá caminhos para os próximos assuntos a serem abordados começando por algo um pouco complicado... de qualquer forma, com o lenga lenga da renovação só me resta abrir possibilidades e curtir no nosso mundo da fantasia onde Stanathan é real! Enjoy! 

PS.: Esse é o ultimo capitulo que posto antes de viajar dessa fic, paciencia dears! Preciso me divertir também!(Não que isso não aconteça escrevendo... kkkkkk) Não fiquem zangadas, a NC vai chegar... 


Cap.61

A chegada a Nova York é bem tranquila. Ela e Gigi pegam um taxi e vão direto para o hotel onde Nathan reservara dois quartos bem no coração da Times Square. O Carnegie Hall ficava a dois quarteirões de onde estavam hospedados. Stana estivera apenas uma vez há muitos anos atrás no Carnegie Hall para uma apresentação da orquestra sinfônica russa acompanhada de bailarinos do Bolshoi ballet.

Estava empolgada e ansiosa para ver o show de Sara. Gigi tagarelava sobre as lojas e que deviam aproveitar para dar uma volta no Soho, pois tinha ótimas boutiques e não poderiam deixar de ir na Saks da 5ª avenida.

- Gigi, não vim aqui para fazer compras.

- Eu sei, mas isso não impede de aproveitarmos a chance.

- Você se divirta. Eu vou focar no show e em ficar com Nathan.

- Claro! Se eu estivesse acompanhada não ia querer saber de lojas – falou meio debochando.

Elas já estavam no lobby do hotel, a reserva estava no nome de Gigi para não levantar suspeitas. Mesmo assim, ela colocou a peruca loira por precaução. Tudo certo. Já no quarto, Stana pode relaxar enquanto esperava por Nathan.

O show era apenas na noite seguinte, o que lhes dava o dia livre para aproveitar Nova York. O celular tocou rompendo sua linha de pensamento.

- Hey, gorgeous. Estou no 17º andar, quarto 1704 pode vir se juntar a mim agora.

- Tá bom, vou pegar minhas coisas e avisar Gigi.

- Agradeça a ela novamente por mim e diga para aproveitar a cidade.

- Ah, não tenho dúvidas de que ela fará isso – ela desligou virando-se para a irmã que acabara de sair do banheiro – Nate chegou. Estaremos no quarto 1704. Você não vai ficar chateada por estar sozinha, vai?

- Stana, estou em Nova York. Como alguém fica chateado nessa cidade? – elas riram. Pegando sua pequena mala, Stana caminhou até a porta – juízo vocês dois, boa noite.

- Boa noite, sis.

Stana subiu dois andares no elevador. Caminhando para a esquerda no corredor, ela rapidamente encontrou o quarto que procurava. Apenas para mexer com Nathan, ela colocou a peruca loira novamente tocando a campainha. Alguns segundos se passaram até que ele abrisse a porta, Stana reparou que ele estava usando o roupão do hotel.

- Serviço de quarto, senhor.   

- Hum, estranho... tinha certeza de ter pedido uma morena de olhos amendoados. Por que me mandaram a loira? – ela o empurrou entrando no quarto ainda atuando. As mãos dela pousaram no peito dele, os dedos ágeis puxaram a corda do roupão derrubando o item no chão em segundos – você tem certeza que quer a morena?

- Não tenho dúvidas – ele puxou a peruca dela vendo os cabelos de Stana caírem sobre o ombro. Nathan a envolveu pela cintura e beijou-lhe os lábios. O toque foi longo e sutil, como uma provocação – bom te ver de novo, Staninha. Está a fim de testar a cama do hotel?

- Acho que essa pode ser nossa primeira aventura em Nova York. Temos tão poucas coisas para fazer nessa cidade e ficar com você é de longe a minha preferida – ela o empurrou na cama já se inclinando sobre ele, em questão de segundos eles tiravam a roupa um do outro se engajando em um novo momento de prazer.

Uma hora depois ainda enrolados nas cobertas, Stana se espreguiça e reclama de fome. Ao checar o relógio, Nathan entendeu o porquê. Eram sete da noite, dez em Los Angeles.

- Você quer sair para jantar ou se contenta em pedir no quarto?

- Estou cansada. Deixamos o jantar para amanhã ou na sexta. Você vai querer ir ao Le Cirque, não?

- Com certeza. Vou pegar o cardápio para nós – ele fez menção de se levantar da cama, mas ela o impediu.

- Eu já sei o que quero. Um steak a la Nova York malpassado com purê e cogumelos.

- Nossa! E você sabe se eles têm isso para oferecer?

- Eu olhei o menu quando estava no outro quarto com Gigi.

- Sendo assim, pedirei dois. Alguma sobremesa?

- O que você acha?

- Claro. New York cheesecake. Entendi, vou providenciar junto com uma garrafa de vinho tinto – o resto da noite foi normal, jantaram, namoraram e dormiram aconchegados nos braços um do outro.

Na manhã seguinte, eles acordaram por volta das nove o que fez Nathan preferir pedir o café no quarto. Mesmo sabendo das preferências de Stana por coisas naturais, ele optou por nada do gênero exceto por suco de laranja. Brioches, ovos, bacon, hashbrowns, salsinhas e o café obviamente já que esse era o primeiro item que ela pediria.

Ao sair do banheiro, ela se deparou com a mesa de guloseimas. De repente, percebeu o quanto estava com fome. Indo ao encontro dele, ela o beijou carinhosamente apertando-lhe o bumbum de leve.

- Bom dia, Nate... vejo que não economizou nas frituras para o café da manhã. Algo saudável nem pensar nas suas regras, hum?

- Ovos são saudáveis, Staninha. Fonte de proteína e suco de laranja, sem açúcar. Mas eu sei que você está mesmo desejando isso aqui – sorrindo, ele estendeu uma caneca com café para ela – com a cafeína no seu corpo, vai querer provar tudo que tem nessa mesa.

- Você e suas artimanhas. O pior é que eu sempre cedo. Tudo bem, estamos em Nova York curtindo uns dias de folga, irei ver Sara Bareilles. Meu organismo pode aguentar um certo exagero. Além do mais, podemos caminhar bastante pela cidade.

- Caminhar?

- Claro! Você não vai querer ficar andando de taxi de um lado para o outro. Usaremos o metro e caminharemos. Azar seu que se casou com uma das fundadoras do ATP. Nada de carro – ele revirou os olhos – você já pensou onde vamos hoje? Gigi deu sinal de vida?

- Não sei para as duas perguntas. Por que não checa seu celular para ver se tem alguma mensagem? – ele entregou o telefone a ela – estava pensando. Já é quase o meio do mês, deveríamos estar fazendo as compras de natal. Que tal irmos até a FAO comprar um presente para Anne? Sei que provavelmente não passaremos juntos, porém gostaria de mandar um presente nosso por você.

- É, tínhamos que conversar sobre isso... o natal passaremos separados, pois Gigi já me contou que a mamãe nos intimou. Vou para o Canada mesmo. Gostaria de passar a virada do ano com você, só não tenho a mínima ideia de onde. Quanto a Anne, gostei da sugestão. Podemos procurar algo na FAO, e eu adoro aquela loja.

- Hum... Canada será. Pensarei em algo para o ano novo. Vou me arrumar.

- Ah, não se preocupe com Gigi, ela já saiu para as lojas. Disse que mais tarde se comunica e estará no hotel por volta das seis para se arrumar para o show.

- Ótimo! Depois saberemos o que ela gostou nas lojas e podemos comprar algo para ela também.

Eles saíram uma hora depois. Por precaução, Stana saiu primeiro e tinha a peruca na bolsa. Nathan veio logo depois. Desconfiada, ela olhava em todas as direções. Estava de chapéu e óculos escuros mesmo assim não considerava um disfarce realmente bom. Ao chegarem na FAO, ela optou por colocar a peruca uma vez que precisaria tirar os óculos e o chapéu. Ela tinha uma ideia do que comprar para Anne, sua cunhada havia comentado o que caíra no gosto da filha por esses tempos. É claro que Anne não era a única criança que Stana tinha que se preocupar naquela loja.

Nathan parecia um menino grande. Maravilhado com os brinquedos, os olhos azuis brilhavam de um lado para o outro da loja não querendo perder nenhum detalhe. Ela sabia que teria que controlá-lo ou ele faria um verdadeiro estrago com o cartão de credito.

Ela o encontrou babando nos produtos de Star Wars. Sorrindo, lembrou-se que precisava tirar sua atenção dos brinquedos de menino e procurar os produtos para Anne.

- Hey... pensei que tivéssemos vindo aqui para comprar um presente para a nossa sobrinha. Não tem nada que ela queira aí nessa prateleira.

- Staninha, aproveite o momento. Vem dizer que essas coisas não te deixam com vontade de escrever para o papai noel de novo? Olha essa Millenium Falcon! Incrível! E o novo androide, BB-8, é uma gracinha.

- Ok, admito que gosto de ver as coisas de Star Wars, mas será que podemos nos concentrar no que viemos fazer aqui? Ainda quero passear por Nova York. Sei que Anne está querendo muito ganhar coisas de Journey Girls, são umas bonecas que tem roupas, moveis, essas coisas...

- Que nem Barbie?

- Diferente. Vem comigo que te mostro. Ela gosta da Dana e da Keisey, segundo ela parece comigo – ela o puxou pela mão. Se não fizesse isso, não conseguiria comprar o presente de Anne. Stana procurou as tais bonecas e seus acessórios. Nathan não parecia muito satisfeito em comprar somente a tal Dana e dois sets de roupa, então sugeriu um jogo de tabuleiro. Stana concordou. Acabaram escolhendo Clue que tinha tudo a ver com o gosto da menina, para completar o presente, ela queria escolher dois livros na Barnes & Noble que foi a próxima parada do casal.

Depois das compras, eles passearam pela cidade. Evitaram lugares com multidões, preferiram pequenos mercados, parques, lugares onde podiam curtir um tempo juntos e namorar sem levantar suspeitas. Por volta das cinco da tarde, seguiram para o hotel. Stana estava ansiosa o suficiente para não aproveitar nada mais da cidade. Sua mente estava voltada para o show de logo mais.

Eles tinham que estar no Carnegie Hall antes das oito.  Ela foi a primeira a ficar pronta. Nathan evitava comentar sobre a hora ou os pequenos ajustes que ela insistia em fazer seja na maquiagem, seja no cabelo. Tudo parte da ansiedade. Não sabia que Stana era tão fã de Sara Bareilles assim. Não se contendo, ela ligou para aperrear a irmã, conhecendo Gigi ela podia se atrasar muito facilmente.

Enquanto ele a observava, sorria. Ela nem imaginava o quanto a noite seria especial. De repente, Stana vira-se para ele e pergunta.

- Você acha que corremos risco indo juntos a esse show? E se houverem repórteres? A mídia sempre cobre esses eventos. Não podemos dar bandeira. Será melhor eu levar minha peruca.

- Com certeza não poderemos entrar nem sair juntos. Mesmo não sendo a noite de estreia do show, é bem melhor não arriscar. Se acontecer de algum repórter reconhece-la, para todos os efeitos você veio com sua irmã ver o show porque é uma grande admiradora de Sara, o que não deixa de ser verdade.

- Você realmente esteve com Sara alguns meses atrás?

- Estive. Ela é adorável. Ama o que faz e leva suas pesquisas bem a sério. Também respeita muito os fãs. Ela me lembra você em vários aspectos, amor – ele consultou o relógio – se vamos caminhando, melhor sairmos agora. Gigi está pronta?

- Espero que sim! Vou ligar de novo. Provavelmente terei que arrastá-la. Te encontro no lobby?

- Tudo bem.

Felizmente, Gigi estava pronta quando Stana bateu a sua porta. Desceram ao encontro de Nathan e seguiram para o seu destino. Separaram-se na esquina para manter o disfarce. As duas iam na frente, ele esperaria dez minutos e seguiria para encontra-las apenas no camarote onde assistiriam o show.

Nada estranho na chegada delas ao Carnegie Hall. Tiraram uma foto no cartaz do show decidindo não passar muito tempo zanzando pelo saguão para não levantar suspeitas. Antes de se dirigirem aos seus lugares, Stana foi ao toilete para colocar a peruca loira. Caso alguém fotografasse seu camarote, não pensariam nela como a companhia de Nathan para a noite.

Faltavam cinco minutos para o início do show quando Nathan chegou ao camarote. Sorrindo, beijou-lhe o rosto e sentou-se ao seu lado.

- Já estava preocupada. Por que demorou tanto?

- Estava providenciando umas bebidas para nós e encontrei um conhecido no saguão – ao ver o olhar arregalado, ele tratou de acalma-la – relaxe, Stana. Ninguém do nosso meio ou da mídia, um canadense que estudou comigo. Nada demais – ele a viu suspirar aliviada. A desculpa era uma mentira, ele estivera fazendo outra coisa importante. Um garçom apareceu carregando uma bandeja com uma garrafa de champagne e três taças. As luzes do teatro mudaram e um locutor anunciou a entrada de Sara. O show estava começando.

Como Stana imaginara, o show era incrível. Sara era extremamente carismática, simpática e adorava interagir com o seu público. O repertorio do show contava com suas últimas músicas do álbum “The Blessed Unrest” e músicas da trilha de Waitress, além de grandes sucessos. Enfim, diversão para todos.

Ao final do show, Stana sorria feito boba. O convite de Nathan fora realmente especial. Estava feliz. Na saída do teatro, eles tornaram a se separar. Ele pediu para ela o encontrar na esquina oposta de onde vieram. Stana não contestou. Bem na saída, foi reconhecida.

- Stana Katic? Sou Judy Myers. Trabalho para o NY Ledger. É um prazer e uma feliz coincidência encontra-la aqui. Nem imaginava que estava na cidade. Não estão gravando Castle?

- Estamos sim, no ritmo acelerado para o intervalo das festas de final de ano. Mas tem certas coisas que precisamos fazer.

- Como vir a Nova York assistir ao show da Sara Bareilles. Aliás que produção para a noite! De quem é o vestido?

- Salvatore Ferragamo. Adoro as coleções dele. Esse é um exclusivo feito para mim sob medida. E sim, Sara é a razão de eu estar em Nova York com a minha irmã. Sou super fã da Sara e não estava em Los Angeles quando a turnê dela passou por lá. Não podia perder uma segunda chance.

- Com certeza! Aposto que adorou o show, eu amei. É interessante ver você agindo como uma fangirl. Geralmente os outros fazem isso com você.

- Também tenho direito. E sim, o show foi incrível.

- Uma última pergunta. Você veio com Nathan?

- Nathan? Do que você está falando?

- Alguém disse que viu o Nathan no saguão. É no mínimo estranho encontrar vocês dois no mesmo lugar.

- Não sabia que ele estava aqui. Você tem certeza que era ele? Pelo que disse no set ia para a sua casa em Malibu nesse fim de semana. Não pretendia sair de Los Angeles.

- Acho que alguém se enganou... bem, foi bom te ver. Sucesso com Castle.

- Obrigada – ela se virou para o lado indicado por Nathan. Enrolou bastante conversando com Gigi para despistar a repórter. O rumor de Nathan em Nova York foi logo abafado por uma foto no instagram de jantar com Alan em um dos restaurantes da área de Malibu. Tudo forjado e planejado para se livrar da imprensa. Depois de um tempo, eles se encontraram na esquina.

- Livrou-se deles?

- Finalmente. O que faremos agora? De volta para o hotel? Acho que não podemos correr o risco de sermos vistos em outro lugar.  

- É o plano depois que fizermos uma última coisa aqui. Podem me seguir? Gigi espero que não se importe, porém eu seria um péssimo marido se não atendesse ao desejo da minha esposa – ele abriu uma porta lateral pedindo para que elas entrassem – Staninha, considere seu presente de natal antecipado – ela olhou intrigada para ele e continuou seguindo-o por um corredor passando pelo palco e as coxias do teatro. De repente a ficha começou a cair.

- Nate, você não está... – não pode completar a frase. Nathan batia na porta do camarim, um rapaz abriu a porta, era um dos assistentes de Sara. Sorrindo, ele se afastou dando passagem para eles.

- Podemos invadir seu descanso um pouquinho?

- Claro! Que surpresa vê-lo aqui! Achei que não poderia vir a Nova York. Você não está filmando?

- Conseguimos um pequeno intervalo, uma folga – ela se aproximou e deu-lhe um beijo no rosto. Nathan resolveu partir para o que vieram fazer ali. Ao virar-se para falar de Stana, ele percebeu o quanto ela estava surpresa, pálida diante do susto ou da ideia de ver Sara de supetão – então, Sara, acredito que conhece minha costar Stana Katic. Eu a trouxe comigo porque descobri que ela é sua fã.

- Lógico que conheço. Uma das mulheres mais lindas da televisão. É um prazer conhece-la – Sara estendeu a mão para cumprimentar Stana. A atriz retribuiu o gesto timidamente, mas Sara inclinou-se para beija-la no rosto.

- Desculpe, eu não sabia que Nathan faria isso. Pareço uma boba. Ele tem razão, sou sua fã e adorei o show. Você como sempre perfeita.

- Obrigada! Já que está aqui, por que não tiramos uma foto todos juntos? – eles se entreolharam pensando em como iam responder sem ofender a cantora.

- Adoraríamos Sara, porém temos um problema. Não podemos aparecer em fotos juntos, somente quando estamos promovendo a série, seria violação de contrato. Sinto muito. Mas Stana adoraria um autógrafo. Você entende, não?

- Perfeitamente. Sei como esses contratos podem ser perigosos em Hollywood. Terei o maior prazer em lhe dar um autógrafo, Stana e quero um seu também. E quanto a você? – ela disse olhando para Gigi – quer também? Pelo rosto sei que é parente dela, irmã?

- Acertou. Gigi. E esses dois são uns mal-educados. E adoraria um autógrafo também.

- Esse não foi o único motivo que trouxe você aqui, Stana. Há cerca de um mês atrás, talvez menos, Stana me desafiou para cantar para ela, a verdade era uma serenata. Eu não fujo de desafios, mas gostaria da sua ajuda Sara para pagar o que devo. Você me ajuda tocando?

- Nathan, você não vai...

- Claro que vou! Você pediu, não? Ou melhor, apostou... – o sorriso no rosto de Stana era lindo de se ver, bem ali sem qualquer intervenção de estranhos, ele iria cantar para ela com uma de suas cantoras preferidas. Não sabia o que dizer.

- Que música você prefere? – ela já pegou o violão.

- Ah, uma especial. Não sei se vai ficar boa no meu tom de voz, mas qualquer coisa você me ajuda – ele falou algo no ouvido da cantora, Gigi observava a cara sonhadora da irmã. Mesmo que tentasse, ela não conseguia disfarçar a felicidade que sentia, tanto que acabaria dando bandeira. Se bem que Nathan não parecia preocupado com isso. Ao som dos primeiros acordes, ela entendeu o porquê. Ele escolhera “I choose you”, mais romântica impossível. Se eles estavam de boa, quem era ela para se preocupar. Iria apreciar o pequeno show.

Nathan começou a cantar a música ao lado de Sara. No refrão passou a desafinar e a cantora o ajudou, nada disso foi um problema para Stana que continuava feliz ao ouvir a declaração de amor que ele se esforçava em entregar para ela. O coração acelerava a cada nota tocada. Ao terminar, ela não resistiu e correu para abraça-lo, fez mais que isso, o beijou. Quando se separaram, Sara tinha cara de interrogação.

- Eu perdi alguma coisa?

- Não, não é que Stana prometeu que se ele pagasse a aposta ela lhe daria um beijo. Não ligue, eles fazem isso o tempo todo no set – disse Gigi.

- Isso não foi um beijo de uma aposta, muito menos técnico como eles poderiam fazer no set – disse Sara vendo o quão vermelha Stana ficara. Nathan, mesmo envergonhado, resolveu dar uma desculpa.

- Não ligue! Stana tende a ficar emotiva com demonstrações de afeto. Muito passional... – ele dá um sorriso amarelo. Sara não se convence e como boa observadora alfinetou.

- Isso pode até explicar o beijo, mas não a escolha da canção que é extremamente romântica, eu já fiz até proposta de casamento com ela ou a aliança em seu dedo – ela apontou para a mão esquerda de Nathan – aliás, Stana também tem uma.

- Aliança? – ele se faz de desentendido a princípio – ah, esqueci de tirar esse troço de novo!  

- Conveniente já que ambos estão em Nova York, a milhas do local de filmagem e usando as alianças de suas personagens. Vai ter que me dizer algo melhor que isso. Ok, Nathan, o que realmente está acontecendo?

- Na verdade, estamos filmando em algumas locações de Nova York para o próximo episódio. Não queremos muita publicidade sobre isso ainda. Ninguém consegue replicar um lugar como o museu Guggenheim, muitos detalhes e...

- Oh, Deus! Que burra! – ela bateu na própria testa com a mão - Vocês estão juntos? Por isso a história da foto. A mídia não sabe! – Nathan e Stana trocaram um olhar de pânico. A besteira estava feita.

- Ah, tudo bem. Estamos juntos, mas você não pode falar isso para ninguém. Nossas carreiras estarão em risco.

- Minha boca é um túmulo! Eu acho perfeito, vocês formam um casal lindo. Fico feliz de proporcionar esse momento para vocês.

- Obrigada você – disse Stana – aposto que está cansada e louca para sair daqui e relaxar. Melhor irmos andando, Nate.

- Não antes de tirarmos uma foto. E prometo que não farei nada com ela. Apenas preciso registrar esse momento singular que me aconteceu – Gigi tirou uma foto com o celular de Sara e outra com o de Nathan, satisfeitos eles sabiam que deveriam ir – acho que esse é um daqueles encontros que acontecem uma vez na vida.

- Verdade. Foi um prazer imenso, Sara. Tenha certeza que estaremos de volta para a estreia do musical.

- Eu agradeço a chance de proporcionar esse momento para vocês. Espero um dia poder repetir esse encontro.  

Eles saíram do teatro, Stana ainda meio perdida diante de todas as emoções que sentira ali dentro de um pequeno camarim. O coração ainda batia acelerado.  

- Você é um péssimo mentiroso, Nathan. Que história mais boba! – disse Gigi – e você, sis, não sabe disfarçar, estava babando pelo seu maridinho. Impossível a Sara não notar! Que dupla, hein! Isso porque são atores.

- Hahaha! Como se você tivesse ajudado muito se metendo – alfinetou Stana – não importa, eu adorei babe – ela beijou o rosto dele.

- Que bom, considere seu presente de natal antecipado.

- Mesmo? Adorei! – o sorriso enorme tornou a aparecer no rosto. Ao chegarem na rua, Nathan as arrastou para uma limusine estacionada na mesma esquina para leva-las a um restaurante. Iriam jantar em um lugar reservado, longe do burburinho nova-iorquino.

O resto da noite foi ótimo. Ao voltarem para o hotel, ela tornou a comentar da noite.

- Ainda não acredito que você fez aquilo por mim. Foi um gesto lindo e romântico, Nate. Fiquei muito feliz, mesmo que tenha pisado na bola. Acho que não teremos que nos preocupar com Sara.

- Também acho. E você mereceu, Staninha.

- Sério, não sei como retribuirei esse presente. Vai ser bem difícil! Estou pensando em algo para começar... que tal um belo banho de espuma. Aquela banheira parece bem espaçosa, se você me entende...

- Ah, alto e claro, Staninha... – eles saíram correndo já trocando beijos em direção ao banheiro. Pelo caminho, as roupas foram sendo deixadas ao leu sobre o piso. Nua, ela entrou na banheira com agua quente chamando-o para acompanha-la. Entre beijos e abraços não demorou muito para encontrarem o ritmo que os levaria ao ápice do prazer.

De volta a Los Angeles, eles tiveram que se concentrar em fazer as gravações do último episódio antes de fazerem a parada para as festas de fim de ano. Stana tinha um problema para resolver. Ela queria retribuir o presente de Nathan em Nova York com um tão bom quanto. Tinha uma ideia, porém precisaria de ajuda para conseguir executa-la. Obviamente tinha um plano B.

Em um dos intervalos de suas cenas, ela foi procurar Rob Kyker encontrando-o em seu escritório.

- Rob, posso roubar uns minutinhos de você?

- Claro, Stana. Entra aí e fique à vontade – ela começou rondando o espaço olhando a prateleira dele. Percebeu que estava cheia de material que ele usara em LOST, o que era excelente para iniciar a conversa em busca de seu propósito.

- Nossa, você guarda todos esses itens de LOST, o que será que vai guardar de Castle depois que terminar?

- A sua placa de Capitã por exemplo. Eu gosto, me apego a essas coisas e LOST foi especial. Em que posso ajuda-la, Stana?

- Está um pouco relacionado com esse assunto. Meu irmão Marko é fã de JJ Abrams e Star Wars então eu estive pensando, você o conhece, já trabalhou com ele e mantém uma relação de amizade. Acha que é possível conseguir que ele autografe um roteiro de Star Wars: the force awakens para dar a ele no natal?

- Esse é um pedido muito particular. Especialmente se tratando de Star Wars, não sei se JJ se sentiria a vontade para fazer isso, mas como é para você vou tentar convence-lo.

- Prometo que meu irmão vai manter isso em segredo por um bom tempo. Eu ficaria te devendo muito se conseguisse isso.

- Não prometo nada, porém vou tentar. Vou enviar uma mensagem agora para ver quando ele está disponível para falar comigo. Eu aviso se conseguir algo, não tenho muito tempo já que paramos de filmar no dia 22, quatro dias. Só você mesmo para pedir essas coisas, Stana.

- Ah, Rob, eu o amo e adoraria fazer uma surpresa como essa para ele.

- Tudo bem – ela deu um beijo no amigo.

- Obrigada, agora deixa eu correr para a minha próxima cena por causa do natal nem sei que horas sairei daqui hoje.

- Ossos do ofício! – ele piscou para ela.

Dois dias depois, Stana deixa o estúdio por volta das quatro da tarde milagrosamente após trabalhar quase 20 horas nos dias anteriores. Na verdade, esse pequeno intervalo no meio da tarde tinha um objetivo. Ela marcara a tal consulta com a sua ginecologista e deveria retornar por volta das oito da noite para gravar mais três cenas no loft com Nathan. Ele continuava em estúdio e não sabia da saída dela. Assim que entrou em seu carro, ela ligou para a irmã querendo saber se já estava a caminho. Seria uma conversa difícil, porém ter Gigi a seu lado tornava menos aterrorizante.

Elas chegaram ao consultório praticamente juntas. Por ser hora marcada, Stana não corria risco de ser assediada por fãs exceto pela assistente da médica que era uma grande admiradora da atriz e da série. Stana a cumprimentou e foi logo direcionada para a consulta. Ao entrar na sala, a médica lhe recebeu com um sorriso.

- Stana... não a vejo há alguns meses. Cinco para ser mais exata quando fez seu último preventivo. O que a traz aqui?

- Algumas dúvidas e acontecimentos. Estou pensando no futuro.

- Sente-se, vamos elaborar um pouco mais isso. Está namorando alguém sério? Pensando em família? Aposto que sim! Quem é o sortudo?

- Dr. Roberts, eu agradeceria se pudéssemos manter a discrição. Eu confio no sigilo médico paciente, mas sua assistente é fã do meu trabalho e quero evitar fofocas. Contarei tudo que preciso sem revelar o nome de quem está envolvido na questão, tudo bem?

- Sempre misteriosa, claro Stana, eu respeito isso. Está no seu direito. Se está pensando em engravidar, quais são exatamente suas dúvidas?

- Eu acredito que tenho problemas para engravidar. Tenho razões para isso. Nos últimos anos, eu tive dois episódios de alarme falsos de gravidez naquelas situações que não há como negar, sabe? Sexo sem proteção, bem no período fértil. Não estava tentando engravidar na ocasião, mas o simples fato de ter o resultado negativo acendeu um sinal vermelho em minha mente. Tem algo errado com meu corpo?

- Bem, pelo que você disse, não necessariamente. As vezes acreditamos que por não usar proteção durante o sexo, a primeira coisa que vai acontecer é uma gravidez. Isso gera um outro fenômeno a gravidez psicológica.

- Mas eu senti todos os sintomas, os enjoos...

- Psicologicamente.

- Eu disse a ela que isso tudo é bobagem da cabeça dela. Minha mãe tem seis filhos, nós somos parideiras.

- Gigi, de novo essa história? Doutora, tem outro fato que pode ajudá-la a entender o motivo da minha desconfiança. Antes dessas duas suspeitas sem fundamento eu tive um aborto espontâneo – na mesma hora, Gigi arregala os olhos surpresa com a revelação – depois desse fato, sinto que não consigo engravidar. Eu preciso saber se tenho problemas. Preciso estar preparada para enfrenta-los. Eu não sou tão nova assim. Tenho 37 anos, meu relógio biológico está sendo pressionado. Não tenho muito tempo.

- Entendo sua preocupação apesar que hoje em dia as condições para ter uma gravidez aos 40 são bem diferentes, especialmente em pessoas saudáveis como você. Estou avaliando seus últimos exames e nada parece estranho. De qualquer forma, vou passar alguns exames específicos para investigarmos se existe a possibilidade de infertilidade ou gravidez difícil, o que realmente não acredito no seu caso.

- Tomara que esteja certa, eu quero acabar com essa suspeita.

- O que significa que pretende engravidar em pouco tempo... esse cara deve ser especial.

- É uma possibilidade já que ambos queremos ter filhos - a médica terminou de prescrever o que precisava e entregou os papeis para Stana.

- Você sabe que pode fazer todos esses exames aqui mesmo. Porém, eles precisam de algum preparo. Quer marcar para amanhã? O resultado das análises nesse caso demoram duas semanas. Posso agendar seu retorno para a primeira semana de janeiro.

- Melhor considerar a segunda semana por precaução, dia 12 já devo estar de volta à ativa e será fácil me organizar. Farei os exames amanhã cedo – ela se levantou e estendeu a mão para a médica – obrigada, Dr. Roberts. 

- Estou à disposição, Stana.

Saindo do consultório, ela já esperava que Gigi fosse começar com milhares de perguntas ou somente iria reclamar da revelação que fizera para a médica. Assim que entraram no carro, a irmã começou o sermão.

- Muito bonito! Como você esconde um assunto desses de mim, Stana? Um aborto espontâneo! Nathan sabe disso?

- Claro que sim, Gigi.

- Então, por que não me contou? Pensei que não tivéssemos segredos... – Stana percebe que ela está visivelmente chateada. Suspirando, ela para o carro no acostamento e fita a irmã.

- Sabe porque não falo sobre o assunto? É simples explicar. Não gosto de lembrar do que aconteceu, doeu e dói ainda. Não sei explicar. Plagiando minha personagem, algumas coisas são melhores serem esquecidas.

- Eu sinto muito, sis. Tudo bem, não irei lhe perguntar sobre isso. Temos o natal pela frente e já que vocês estarão separados não devo deixa-la triste esses dias. Nathan vai para a casa da mãe, você também, ambos no Canada e ainda assim separados.

- Eu não disse que Nate ia para o Canada nem para a casa da mãe dele.

- Jeff mencionou outro dia...

- Espera, você anda falando com Jeff? – agora quem estava surpresa era ela.

- Sim, por que? Algum problema? Pelo que me consta somos da mesma família e já que temos mais em comum que irmãos casados, trocamos telefones naquele dia. É bom ter alguém para conversar abertamente quando se guarda segredos, você tem que concordar que há certos assuntos que não posso falar com Anne.

- Assuntos? – os olhos de Stana se arregalaram – Gigi, o que você anda conversando com Jeff? Não está falando da minha vida sexual com Nathan, certo? Já basta o embaraço que passei da primeira vez com o irmão dele. Deus! Nem gosto de lembrar...

- Relaxa, sis. Isso é assunto nosso, entre mulheres. Não se preocupe. Ele é bacana, divertido. Não é o irmão, mas gostei bastante de conhece-lo. Mas Jeff não é o tópico aqui. Você já parou para pensar que após fazer todos esses exames e descobrir que não tem problema, talvez precise avisar Nathan para que ele seja avaliado?

- Por que faria isso?

- Ora, se você quer engravidar e está tudo bem com você, ele pode ser o problema. Melhor checar afinal Nathan é mais velho que você, sempre foi mulherengo e você não se questiona porque até hoje nenhuma das ex-namoradas engravidou dele?

- Isso só demonstra que ele é cuidadoso. Ele sempre quis ser pai e... – Gigi ergue a sobrancelha como quem diz “entendeu, agora?” – Ai, Gigi! Por que você faz isso? Agora vou ficar com mais interrogações na minha cabeça! – a irmã riu.

- Desculpa, não pense agora. Deixe para resolver isso depois que souber do resultado.

Naquela noite ela trabalhou até duas da madrugada, mas isso não a impediu de fazer os exames na manhã seguinte. Nathan não desconfiou pois sabia do ritmo louco de gravações que ambos estavam tendo, mal tinham tempo para conversar. Ele queria acertar detalhes da viagem para passar o natal e falar do ano novo com Stana e estava difícil estarem no mesmo horário disponíveis. Quando acontecia, um ou outro estava extremamente cansado para conseguir falar ou acordar o parceiro.

Finalmente na sexta-feira, eles se encontraram. Stana trabalhara até a meia-noite e Nathan fora para a première de Star Wars. Coincidentemente, chegaram quase juntos em casa. Ela já estava trocando de roupa quando ele chegou no quarto.

- Hey, babe... – ela disse aproximando-se para beija-lo – senti saudades. Ultimamente não temos tido tempo para nós e logo estaremos viajando – ela fez carinha de choro, ele a abraçou retribuindo o carinho com um novo beijo – como foi o filme?

- Incrível! JJ Abrams realmente sabe o que faz. Ele criou uma continuação ideal para a história de Lucas, os novos integrantes são ótimos e ah! Ver Harrison Ford como Hans Solo novamente foi surreal, tem uma cena que... – Stana colocou o dedo sobre os lábios dele.

- Nada de spoilers. Eu quero assistir – sorria pensando em como ele adoraria o presente dele de natal, esperava que pudesse entregar o principal - Falando em viagem, para quando é sua passagem?

- Dia 22 que nem você, correto?

- Sim, vou junto com Gigi. Você pensou em algum lugar para o ano novo? Nada de grandes festas, precisamos de isolamento. Cheguei a pensar em ir para a Croácia, mas talvez não seja bom se alguém da minha família sonhar que estou lá não vai dar certo. Só quero ficar junto de você.

- Eu sei, estava querendo me lembrar de alguém que tivesse uma propriedade no campo, longe das cidades... não consegui.

- Temos três dias juntos e mais o período do natal para encontrar uma solução. No pior dos casos, ficamos aqui mesmo.

Na segunda, no meio da tarde Stana tem vinte minutos de intervalo até sua próxima cena. Ela encaminhou-se para seu trailer a fim de descansar as pernas e provavelmente precisaria retocar a maquiagem. Também estava com fome e guardara alguns muffins no armário. Assim que sentou-se com o muffin de blueberry a sua frente, o celular tocou. Sorriu ao ver o nome de Dara.

- Dara! Que surpresa boa!

- Hey, Stana. Soube que você está trabalhando duro nesses últimos dias. Tudo pelo hiatus que se aproxima, não? Animada para as festas com Nathan?

- Como, Dara? Passaremos o natal separados e nem sabemos o que faremos no ano novo! Essa nossa vida clandestina tem dessas coisas – elas riram.

- Por isso que estou ligando. Nathan deixou escapar algo do gênero para Chad na semana passada. Nós estamos pegando a estrada amanhã para o Colorado. Passaremos o natal com a família de Chad e pensamos que talvez vocês precisassem de um refúgio para curtir a passagem de ano. Nós temos uma propriedade aos arredores de Boulder. Como estamos com as crianças preferimos ficar na casa da mãe dele e vocês poderiam curtir a vida do campo. O que acha? Muito radical para vocês essa mudança?

- Não, Dara. É perfeito. Sexta mesmo estávamos falando sobre isso, um lugar calmo, longe de tudo e de todos onde pudéssemos ser nós mesmos sem medo de sermos pegos por câmeras e repórteres. Tem certeza que não vai atrapalhar seus planos com Chad?

- Que nada! Quando se tem filhos, nossas vontades ficam sempre em segundo plano. Você quer discutir com Nathan ou posso contar com vocês? Podemos até fazer um jantar de boas-vindas somente para adultos.

- Claro! Vamos adorar. Pode contar conosco, Nathan vai gostar da ideia. Obrigada, Dara. Você sempre agindo como fada madrinha, mesmo longe de nós.

- Com prazer. Tudo para ajudar os amigos. Mandarei o endereço para vocês depois. Sugiro que venham de carro, assim ficam mais tempo juntos. 

- Concordo. Nos veremos no Colorado, então – Stana desligou com um sorriso no rosto, não via a hora de contar para Nathan. Terminou de comer e retornou ao set. Estava retocando a maquiagem com sua fiel escudeira quando Rob Kyker apareceu.

- Hey, Lisa quando terminar se importa de me emprestar Stana um pouquinho? Quero mostrar uns objetos de cena que ela terá que usar amanhã.

- Claro, só mais cinco minutos e ela será toda sua – Stana seguiu Rob até sua sala já imaginando que ele teria uma resposta para o seu pedido da semana passada. De repente, sentiu-se ansiosa. Ela queria muito surpreender Nathan com um presente à altura do que ele fizera para ela. A foto com Sara estava em um porta-retratos no escritório da casa deles.

- Então, boas notícias? – ela perguntou assim que ele fechou a porta da sala.

- Sim, eu falei com JJ. Eu já imaginava que ele não ia sentir-se muito confortável em ceder uma cópia do script do filme, porém ele decidiu porque é para mim, entregar uma sequência de diálogo entre Hans Solo e Leia com sua assinatura, claro. Vou recebe-la amanhã. Ah, outra condição foi a de não usar o nome do seu irmão. Tudo bem?

- Claro! Oh, Rob! Nem sei como te agradecer. Estou muito feliz – ela o abraça e beija seu rosto várias vezes como uma moleca – ele vai ficar nas nuvens!

- Fico feliz em ajudar! – como uma criança que acabara de ganhar o presente de aniversário, ela saiu saltitante pelos corredores do estúdio. Quem a via em tal euforia, se perguntava o porquê da alegria. Um dos rapazes se arriscou.

- Hey, Stana! Feliz com o hiatus ou com todas as cenas que ainda vai filmar hoje e amanhã pela madrugada? – perguntou Erik.

- Ah, é natal! Não vejo a hora de terminar as gravações e encontrar minha família!

- Então, vamos trabalhar! Assim você pode encontra-los mais cedo.

- Eu gosto da ideia – seguiu no mesmo embalo até o set, agora com Erik ao seu lado. Ao vê-la sorridente, Nathan quis saber o que estava acontecendo.

- Perdi alguma coisa ou ela exagerou no açúcar de novo, Erik? – ele riu da brincadeira do ator.

- Nada! Está feliz porque vai trabalhar até duas da madrugada hoje e tem que estar aqui as seis no dia seguinte. Tudo para entrar logo de folga.

- Ah, é natal! Vamos ensaiar a próxima cena, Nathan? Temos dez minutos – ela se afastou com ele para um canto. Sentindo-se seguro, ele perguntou.

- Vai me contar o motivo de tanta alegria?

- Já temos um lugar para passar o ano novo. Dara nos convidou para ficar na casa deles no Colorado. Exatamente como queríamos, Nate. Não é perfeito?

- Talvez, apenas nós dois ou Dara e a família?

- A casa é nossa. Ela vai até preparar um jantar somente para os adultos. Acho que está louca por umas horas longe das crianças. Eles vão ficar na casa da mãe de Chad.

- Ah... aí sim, será perfeito! – ele virou-se e gritou para Erik – eu disse que era culpa do açúcar, ela devorou um daqueles muffins gigantes – Erik riu dos dois, adorava trabalhar com eles.

Mais rápido do que pensaram, eles terminaram todas as cenas dos dias seguintes. Antes de deixar o estúdio no dia 21, o seu último, Stana procurou por Rob. Claro que pegou o tal script prometido escondendo dentro de sua bolsa grande propositalmente escolhida por causa disso. Novamente agradeceu ao amigo com beijos e saiu satisfeita.

Na manhã seguinte, ela despediu-se de Nathan fazendo várias recomendações.

- Você se comporte e não adianta revirar a casa em busca de seu presente de natal que não vai encontrar. Você irá recebe-lo quando eu voltar, antes de irmos para o Colorado. Eu tenho planos de falar com você no dia de natal, mas preciso discutir algumas coisas com Gigi. Não exagere na comida e na bebida, viu? Dê um abraço em Jeff por mim. Te vejo no dia 27 – enroscando seus braços na cintura dele, ela sorveu os lábios de Nathan com vontade. Sentiu as mãos dele vagando por suas costas já provocando sensações que claramente precisava evitar naquele momento.

Ainda bem que Gigi chegara fazendo barulho. O clima foi embora e eles conseguira se afastar antes que o fogo se acendesse por completo.

- Está esperando o que, sis? Nosso voo sai em duas horas, temos que ir. Despeça-se de seu marido adequadamente, lembre-se que há outras pessoas no recinto...

- Ai, Gigi! – ela deu um novo beijo em Nathan, dessa vez mais comportado – ligo quando chegar.

- Dá um beijo em Anne por mim, depois me diz se ela gostou do presente. Boa viagem, Gigi – ele beijou a cunhada – cuide bem dela por mim.

- Pode deixar. Vou tentar evitar que ela dê bandeira na frente da dona Rada. Sabe como é... ela é péssima quando o assunto é você. Ser atriz não serve de nada nessas horas.

- Gigi! – ambos falaram e caíram na risada após o fato.

- Isso, podem brigar comigo, sabem que tenho razão e você – disse apontando para Nathan – dê um beijo em Jeff por mim.

- Não vou beijar meu irmão!


- Que seja! Você entendeu. Boa viagem, Nathan! Vamos, Stana! – saiu puxando a irmã sem cerimônias obrigando-a a jogar beijos no ar para o marido que ria da doidinha da cunhada. Ele adorava sua nova família.


Continua... 

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

[Caskett Fic] One Night Only !!! - Cap.41


Nota da Autora: E agora a continuação de Knockout e o começo de Rise. Sei que as pessoas perguntam sobre angst, sim... esse capítulo e o que seguirá será nesse nivel. Faz parte do que a série se propos a contar, porém com algo a mais. Lembram dos 3 meses que Castle e Beckett ficaram separados sem se falar... hum, eu irei abordar o que aconteceu! Portanto, aproveitem a viagem e nem preciso dizer que Dana terá um papel fundamental nesses capitulos. 

PS.: Adoro ser escritora e poder decidir o que fazer com quem não gosto (aka Josh!), mas acho que fui boazinha ...kkkkk.... Enjoy! 



Cap.41


Montgomery começou a contar a história de um tempo obscuro da sua vida. Revelando alguns detalhes, omitindo outros, ele pediu a Castle para que independente do que acontecesse cuidasse de Kate e garantisse que ela estivesse segura e longe dessa investigação no futuro. O arquivo que tinha em mãos e enviaria para alguém de sua inteira confiança iria salva-la desde que Castle cumprisse sua parte – fui claro, Castle?

- Sim, capitão. Entendi perfeitamente – Dana olhava ansiosa para o escritor querendo captar algo a mais. O motivo da conversa era óbvio. Kate Beckett. Será que algo acontecera com ela? A terapeuta estava nervosa por não saber o que se passava. Não queria que nada acontecesse com a amiga. Do outro lado da linha, a conversa continuava.

- Preste atenção no que vou fazer. Irei telefonar para Beckett e dizer que tenho uma pista... – e assim, Montgomery explicou o que pretendia fazer. Atrair Lockwood e seus capangas. Extremamente arriscado. Castle compreendeu que o capitão iria sacrificar sua vida por ela, somente esperava que valesse a pena pois em se tratando de Lockwood, as chances dele e de Kate também eram pequenas. Mais de uma pessoa sairia morta naquele confronto. Ele lutaria o quanto pudesse para que não fosse Kate.

Ao desligar o telefone, viu a cara angustiada de Dana. Não devia ter sido fácil ficar de frente para ele sabendo que algo muito sério estava sendo discutido e estar alheio a tudo.

- O que aconteceu? Pegaram a Kate? Deus! Ela está ferida?

- Não, Dana. Montgomery tem um plano para tentar salva-la. É tudo que posso dizer agora. Eu preciso ir. Quero estar na minha casa quando ela ou ele me procurarem novamente. Eu agradeço por sua ajuda, de verdade. Você é uma boa amiga para Kate. Se algo acontecer conosco, comigo, peço que não a abandone. Sinto que ela precisará muito de um de nós daqui para frente.

- Castle, o que você não está me contando? Por favor não vá fazer nenhuma loucura. Não vá se jogar na frente do inimigo querendo bancar o herói e acabar com uma bala no peito. Lembre-se do pesadelo de Kate. Ela o vira morrer com um tiro no coração todas as noites. Se isso de fato acontecer, irá devasta-la.

- Dana, eu a amo. Chegarei a esse extremo se for preciso. Não quero, obviamente. Porém, não posso prever o que irá acontecer. Apenas peço que cuide dela – ele levantou-se do divã caminhando para a porta do consultório. Dana se pôs de pé seguindo-o. Antes que ele chegasse na saída, ela segurou-lhe o braço fazendo-o virar-se para fita-la.

- Tome cuidado, Castle. Ainda quero ver os dois sãos e salvos longe desse pesadelo – ela o abraçou – boa sorte e, por favor, me mantenha informada.

- Eu irei. Obrigado mais uma vez – Castle deixou o consultório rumo ao loft.    

XXXXX

Montgomery suspirou ao desligar o celular. Focado no que precisava fazer, ele reuniu todos os papeis e informações que precisava colocou-as em um envelope, selou-o endereçando a única pessoa em que poderia confiar aquele material para obter alguma proteção adicional para a sua detetive. Ele torcia para que não fosse tarde demais. Em seguida, carregou a sua arma com balas novas, estava pronto para a batalha. Era hora do próximo passo. 

Beckett estava no distrito revirando cada papel referente ao caso em busca de provas quando o seu celular tocou. Castle. Ele vinha ligando para ela a manhã toda. No total, já somava 23 ligações perdidas, ela recusou novamente. Não queria encara-lo, não queria falar com ele. A sua última conversa, os deixou machucados, irritados e por mais que o sentimento ainda estivesse presente, ela não sabia como lidar com isso nesse momento. Não podia parar a sua investigação para fazer DR com Castle. Acabou, ou era assim que ela tentava se enganar.

Os rapazes trabalhavam avidamente no mesmo caso. Eles queriam ajudá-la a deixar todo esse peso para trás. Assim como Castle, entendiam o que o caso representava para Beckett e não queriam vê-la se afundar com ele. Ryan recebe um telefonema com uma pista bem interessante. De comum acordo, os rapazes decidem averiguar antes de contar o que descobriram para Beckett.

Novamente, o celular toca. Irritada, ela pega o aparelho disposta a desliga-lo quando vê quem estava ligando. Montgomery.

- Senhor.

- Beckett, temos uma pista.

- O que encontrou?

- Encontre-me no hangar onde encontramos o helicóptero roubado. Explico tudo quando chegar lá.

- Certo. Estou a caminho.

Enquanto isso, Ryan e Esposito estavam no bar de um ex-policial, Mike Yanavich. Ele trabalhou nos registros do 12th distrito além de ter graduado na academia junto com Raglan e McCallister. Eles perguntam se os dois policiais costumavam andar com outro policial. Mike confirma que sim, um novato negro e melhor do que descreve-lo, Mike mostra uma foto antiga dos três. Ao ver a foto de Montgomery sorrindo, Esposito rasga o papel e sai com raiva.

A primeira reação dele é desacreditar. Quando Ryan fala em voz alta que Montgomery é o terceiro policial e que ele vem mentindo para eles todo esse tempo. Esposito movido pela raiva começa a brigar com o parceiro. Após alguns socos, a verdade os atinge como um raio. Foram traídos e precisavam avisar Beckett.

Do outro lado da cidade, Kate Beckett chegava ao hangar para encontrar seu superior. Ela não tinha ideia do que estava prestes a descobrir e a presenciar. O lugar estava silencioso. Ela chamou por ele.

- Capitão? Capitão?

- Aqui – Beckett o viu sair por uma porta no instante em que o celular recebe uma mensagem de Ryan “Montgomery é o terceiro policial”. Ela olha para o seu superior desconfiada e novamente para o visor. Vê que ele está de arma em punho. Ela guarda o celular, já alcançando a própria arma, diz.

- Abaixe a arma, Roy.

- Kate, eu não vou para a prisão por isso. Não posso arriscar minha família.

- Por que?

- Eu era um novato quando aconteceu, Kate. McCallister e Raglan eram heróis para mim, eu acreditava no que eles estavam fazendo. Estávamos indo pega Pulgatti naquela noite. Bob Armen não deveria estar lá. Armen pegou minha arma, foi quando eu ouvi o tiro. Eu nem sabia que era a minha arma que disparou até Armen cair. Então, McCallister me puxou para dentro da van. Lembro-me dele dizendo, ok, garoto não é sua culpa. Acontece nessa cidade todos os dias. McCallister e Raglan tentaram abafar, mas eu não. Me entreguei ao trabalho. Eu me tornei o melhor policial que pude. Quando você chegou na delegacia, senti a mão de Deus. Sabia que ele estava me dando outra chance e pensei se pudesse te proteger do jeito que deveria tê-la protegido...

- Você matou minha mãe? – a voz demonstra medo da resposta.

- Não, isso foi anos depois. Mas ela morreu por causa do que fizemos naquela noite.

- Então, quem a matou?

- Não sei como, mas ele descobriu o que fizemos e poderia ter nos delatado. Mas, ao invés disso, pediu o dinheiro do resgate. Ele usou aquele dinheiro para se transformar no que é. Deve ter sido meu pior pecado.

- Me dê um nome. Você me deve isso, Roy.

- Ok, se eu falar irá atrás dele. Seria melhor atirar em você.

- Por isso me trouxe aqui, para me matar?

- Não, eu a trouxe aqui para atrai-los.

- Armou uma cilada para eles?

- Agora eles estão vindo. Preciso que saia daqui, eles estão vindo para te matar e eu não vou deixar, vou pôr um fim nisso.

- Não vou a lugar nenhum, senhor.

- Vai, sim – afirmou Roy – Castle! Tire-a daqui – ela virou para trás e o viu parado ali. Após escutar toda a história, Castle também não tinha certeza que sair dali com ela fosse o melhor.

- Capitão... – mas Montgomery não o deixou continuar.

- Te chamei para isso. Tire-a daqui, agora!

- Capitão, por favor... você não tem que fazer isso...

- Kate... – Castle tentava chamar sua atenção.

- Não, por favor... Senhor, eu te perdoo. Eu te perdoo.

- Esse é o meu fardo, Kate. É aqui que devo ficar.

- Não... – ela já estava quase chorando. Seu emocional interferindo na razão, Montgomery chamou Castle mais uma vez.

- Castle.

- Não, senhor – ela insistia – por favor, me escute, você não precisa fazer isso – um carro se aproximava.

- Castle, tire-a daqui agora! – Castle a agarrou pela cintura erguendo-a.

- Não, Castle...

- Kate, Kate... – ele não sabia o que mais dizer.

- Não, Castle me solta! Me solta! – mas ele não soltou. Ele a carregou para fora do hangar enquanto Kate chorava e esperneava querendo se livrar dos braços firmes dele. Do lado de fora, ela chorava e pedia por favor, por favor... aquilo partia o coração de Castle, porém sua obrigação naquele momento era salva-la. Não deixaria que aqueles homens imundos a matassem, Montgomery estava se sacrificando por ela. Então, não podia falhar com ele. Castle a apoiou em um dos carros.

- Eu sinto muito, sinto muito – ajeitou os cabelos dela, manteve-se o mais próximo que podia para garantir que ela não escapasse de seus braços. Conforme Roy previra, os bandidos vieram ansiando por encontrá-la. Ao se depararem com Montgomery dizendo que eles não a teriam, a batalha começou. Fora Montgomery quem dera os primeiros tiros. Matou os dois comparsas de Lockwood, mas já estava ferido. Procurando pelo inimigo, eles entraram num jogo de gato e rato. E como todo rato, Lockwood jogou sujo e acertou um tiro no capitão vindo por trás.

- Você está acabado, Roy. Sabe que eu a acharei.

- Você não vai matá-la, nem ele. Você está acabado, Lockwood. Nós dois estamos – e então Montgomery dá o último tiro matando seu inimigo. Ao ouvir o estrondo, Kate sai dos braços de Castle e começa a correr de volta ao hangar. Castle sabe que é o fim, Roy cumpriu sua promessa. Correndo, ela chega até onde o capitão está deitado. A poça de sangue no chão. Kate se ajoelha ao seu lado, acariciando seu rosto e desata a chorar. Ela sabe que Montgomery dera sua vida por ela. Seu capitão seria para sempre seu herói na NYPD.

Castle deixou que ela tivesse seu momento com o superior. Na verdade, nunca vira Kate tão arrasada antes. Exceto quando estava com muito medo nas crises de pânico e quando o assunto era o caso da mãe. Ele permaneceu ali de pé até o momento que ela julgou ser suficiente para dar o próximo passo. Sentada ao lado do corpo de Roy, ela olhou para Castle com o rosto marcado de lágrimas e os olhos tristes. Kate não precisou dizer nada. Ele pegou o telefone e ligou para 911. Em seguida, ligou para Esposito.

As providências para o enterro foram tomadas. Castle e os rapazes se encarregaram de tudo. Beckett ainda se recuperava, era tão difícil para elas como era para a família dele. Beckett fez questão de conversar com os rapazes para fazê-los entender que Montgomery era um herói e ninguém além dessa pequena família que incluía Castle saberia da verdade.

A sós, Castle decide perguntar como ela está apesar de saber a resposta. Queria apenas abrir um contato com ela, estabelecer uma conexão.

- Hey, como você está se sentindo, Kate?

- Castle, esse não é o melhor momento para uma conversa dessas. Temos muito o que fazer para o enterro do capitão.

- É uma pergunta simples, apenas responda e não adianta dizer “Estou bem” porque essa é a resposta errada – ela o fita com raiva.

- O que você acha, Castle? Nada está bem! Meu capitão acabou de falecer por minha causa, para me defender, então bem é o último nível de sentimento que me encontro agora.

- Kate, não é sua culpa. Montgomery fez o que achou certo fazer. Esse peso não é seu para carregar – ela o olhou por uns instantes e suspirou virando-se de costas e saindo de perto dele. Castle já poderia prever que por um bom tempo isso martelaria em sua cabeça.  

Como capitão da NYPD, Roy Montgomery teria um enterro de herói, com todas as honras. Beckett usando sua farda de gala, era a pessoa que discursaria pelos policiais que ele ajudara a formar e a se desenvolver.

- Roy Montgomery me ensinou o que significa ser um policial. Me ensinou que somos moldados por nossas escolhas. E que somos maiores que nossos erros. Capitão Montgomery uma vez me disse que, para nós, a vitória não existe. Existem apenas as batalhas. E no final, devemos ter esperança de encontrar um lugar para deixarmos nossa marca. E se tivermos muita sorte, encontraremos alguém disposto a nos apoiar sempre – nesse instante ela olha para Castle – nosso capitão iria gostar que continuássemos na luta...

De repente, Castle se deu conta que poderia dizer o quanto a amava naquele instante, ele também percebeu um brilho estranho refletindo o sol bem a sua frente. Algo estava errado. Ela continuava discursando sem saber que estava sobre a mira de uma arma. Então, ouviu-se o tiro e Castle gritou por ela.

- Kate! – ele correu se jogando com ela no chão, rapidamente os presentes entraram em pânico. Ele tentara salva-la, mas tinha medo que fosse tarde demais. Ela tinha sido atingida. Com o corpo sobre o dela, ele procurava deixa-la acordada. Ele precisava que ela aguentasse – não, não Kate. Por favor, fique comigo, Kate. Não me deixe, por favor. Fica comigo, está bem? – ela o olhava, percebia que chorava. A mente começava a enevoar, estava cansada, a voz de Castle ecoava em seus ouvidos, pedindo, suplicando – Kate... eu te amo. Eu te amo, Kate – e após essas palavras, Kate fechara os olhos desmaiando por fim.

Desesperado, Castle envolveu-a nos braços. Lanie se aproximou junto com os paramédicos. Tudo aconteceu muito rápido. Por alguns instantes o mundo parou. Ele ficou estático diante da fisionomia pálida e sem vida de sua amada. Com cuidado, Lanie afastou-o de Kate dando vez aos paramédicos. Ele insistiu em ir com a médica na ambulância. No caminho, Castle viu sua namorada, sim mesmo que ela tivesse dito que eles terminaram nada mudara, ser entubada. Pegou o telefone e ligou para Dana. Sabia que ambos precisariam dela.     

A chegada no hospital foi tensa. Castle se sentia desnorteado ao ver a detetive sendo levada para a sala de cirurgia. Não sabia exatamente o que fazer. A cena repetia-se a cada minuto em sua mente. Até aquele momento, Castle não tinha reparado que o que acontecera com Kate era exatamente o pesadelo que ela tinha com ele.

Castle estava andando de um lado para outro. Não havia nada que pudesse fazer naquele lugar. Sentia-se inútil. Sua filha e a mãe estavam lá, queriam conforta-lo, porem tudo que ele queria era saber de Kate. Ele não suportaria perde-la. Logo agora que revelara o que sentia de verdade? Não, a história deles não podia terminar assim.

Dana chegou correndo pelo corredor até onde Castle estava.

- Como ela está? Meu Deus! Como isso foi acontecer?

- Eu não sei, ninguém diz nada! Não era para ter levado aquele tiro, Montgomery me garantiu que ela ficaria segura. Dana, eu disse a ela... eu disse que a amo. E agora, se ela não sobreviver... eu não vou...

- Pare, Castle. Kate vai ficar bem. Ela é uma lutadora, uma guerreira. Não desistirá fácil. Você vai ver, logo o médico que está operando-a irá aparecer e dizer que a cirurgia foi um sucesso e que ela está se recuperando muito bem – ela acariciou o braço dele e puxou-o num abraço para conforta-lo. A confiança que Dana tentava passar para ele, era algo que ela também pretendia acreditar, mas temia pela vida da amiga.

O que aconteceu depois não foi bem o que Dana descrevera. Eles estavam no saguão. A terapeuta havia ido até a cafeteria do hospital pegar um café para Castle. Voltara no exato momento que ninguém menos que Josh aparecera. Ele caminhava na direção de Castle com o punho fechado acertando um soco na cara dele.

- Seu idiota! Ela foi ferida por sua causa! Se ela morrer, eu mato você – Castle tentou revidar e Dana empurrou o médico gritando.

- Saia da minha frente ou te denuncio agora! Você vai preso ou se esqueceu da ordem de restrição? – o segurança do hospital chegou no mesmo instante que o chefe de Josh. Segurou o médico a força – você é testemunha como todos aqui que ele atacou Castle. Eu posso denuncia-lo por agressão! Vai querer que eu faça isso? Se não, tire-o agora do hospital. Não quero vê-lo perto de Castle e Beckett, entendeu?

- Claro, perfeitamente. Vamos, Josh. Você não deveria estar aqui – o médico saiu lutando com o segurança resmungando e culpando Castle.

- Você vai se arrepender. Vai carregar a culpa por ela ter sido baleada – ele escapou dos braços do segurança e avançou novamente em Castle. Dessa vez, acertou o lábio e o fez sangrar. O escritor revidou com um soco no estomago e outro no olho. O segurança agarrou-o outra vez.

- Chega! Cadê a minha filha? Cadê a Katie? – Jim olhava sério para os dois marmanjos. Dana foi até a direção dele procurando acalma-lo. Virou-se para o superior de Josh e falou.

- Isso não ficará assim. Castle irá fazer um exame de corpo delito e vou denuncia-lo para a polícia e se eu sonhar que ele chegou pelo menos a um quilometro de Kate, a junta médica será meu próximo passo – virando-se para Jim, ela continuou – venha comigo Sr. Beckett, sente-se aqui. Ainda estamos aguardando os médicos, ela continua em cirurgia. Castle, eu preciso cuidar dos seus ferimentos. Terei que fazer um relatório para entregar ao juiz.

- Eu posso ficar com ele – disse Martha – vá cuidar de Richard.

- Eu não vou sair daqui sem notícias de Kate, pode esquecer Dana.

- Você está sangrando, pai.

- Já disse, nada é mais importante que saber como ela está – uma enfermeira aparece no saguão. Ainda vestia as roupas cirúrgicas.

- Vocês são os parentes de Kate Beckett?

- Eu sou o pai dela. Como ela está?

- Ainda em cirurgia. Ela teve duas paradas cardíacas quando os médicos tentavam remover a bala. Ela perdeu bastante sangue. Eles conseguiram estabiliza-la e irão remover a bala do coração. Imagino que mais uma hora até que deixe a sala. Assim que tiver mais notícias, eu aviso.

- Com licença – disse Dana – você pode me dizer onde fica a área de curativos? Preciso tratar de Castle. Sou psicóloga e será meu dever fazer com que esse homem faça um exame de corpo delito. Ele foi agredido e iremos prestar queixa.

- Você pode me acompanhar. Mostro o caminho. Eu volto com notícias – Dana e Castle saíram seguindo a enfermeira até uma pequena sala. Lá foram apresentados a outra moça chamada Jane. Enquanto Dana explicava o que pretendia, Castle ouvia sem dar muita atenção. Seus pensamentos estavam em Kate. Duas paradas cardíacas, como isso fora acontecer? Tudo isso era muito grave. Ela teria que ficar um tempo afastada do trabalho. Pensou no medo e no ataque de pânico. Será que eles estariam de volta? Ele queria vê-la bem.

- Dana, você acha que Kate pode sofrer novamente do ataque de pânico?

- Tudo é possível, mas nesses casos temos que esperar. Normalmente, as pessoas desenvolvem o que chamamos de PTSD. Kate é forte, Castle. Ela resistirá a isso.

- Duas paradas, Dana. Eu trocaria de lugar com ela...

- Não, você não pode pensar assim. Precisa estar bem para ajudá-la depois que isso acabar. A bala e a cirurgia foram apenas o começo. Kate precisará de muito apoio para não sucumbir por causa do caso de sua mãe. Nós somos as pessoas mais importante na vida dela agora, será nosso dever evitar que ela se destrua.

- Eu faço tudo por ela, Dana. Eu a amo.

- Eu sei – ela passou o chumaço de algodão limpando o resto de sangue dos lábios e colocando um pequeno curativo no lugar – pronto, tenho tudo o que preciso para o juiz. Josh irá pagar pelo que fez.

- Pai? – Alexis apareceu na porta da enfermaria – eles terminaram a cirurgia. Manterão Kate na UTI em coma induzido até amanhã para que ela se recupere mais rapidamente. O médico deixou apenas o pai dela entrar. Visitas só poderão ser feitas amanhã após o meio-dia. Não temos nada mais para fazer aqui.

- Você deveria ir para casa, Castle. Precisará estar descansado amanhã para falar com ela.    

- Eu preciso vê-la, Dana – ele olhava para a terapeuta quase suplicando – eu tenho que saber se ela está bem.

- Eu sei, querido. Mas, são ordens médicas. E você não é parente ou família. Terá que esperar até amanhã. Você quer conversar? Precisa de mim?

- Não. Eu não tenho cabeça para isso hoje. Mesmo assim, obrigado.

- Não agradeça, faço isso por vocês dois. Vá para casa com sua filha, Rick. Eu vou cuidar disso aqui – disse mostrando as evidências que pretendia levar para o juiz – cuide dele.

Resignado, Castle aceitou ser levado por sua filha até o saguão. Lá, ele viu o pai de Kate esperando para vê-la. O médico voltou para busca-lo e Castle teve sua chance de perguntar.

- Ela vai ficar bem, doutor? Diga a verdade, por favor.

- Como já disse, ela sofreu um ataque cardíaco durante a cirurgia. Precisará ser monitorada de perto. Ela é uma lutadora. As próximas 48 horas são cruciais. Sugiro que vá para casa. Todos vocês.

- Não irei para casa enquanto esse filho da puta estiver a solta – disse Esposito.

- Estou com você, bro – confirmou Ryan. Castle olhou para sua mãe que entendeu o que ele faria em seguida. Deu sua benção e deixou-o manter a mente ocupada. Ela entendia o quanto seria importante para o filho naquele momento.  

XXXXX

Como bem avisara a Dana, ele não conseguira dormir naquela noite. Sentado na sua cadeira cativa, ele se pegava pensando no que poderia ter dado errado. Cada vez que fechava os olhos, revia a cena do tiro. A mesma dor era sentida, a impotência e a falta de respostas. Castle havia entendido que Montgomery iria agir e se sacrificar para que isso não acontecesse. Então, por que ela fora baleada? Lockwood estava morto, quem era o seu novo inimigo?

Ryan trouxe a arma usada pelo sniper. Nada de digitais, estavam procurando DNA. Não havia pistas. A arma pertencia a um oficial morto a sete anos em combate. Havia alguém grande por trás de toda essa conspiração.

Em algum lugar em Nova York, um sujeito desconhecido recebe um pacote importante enviado por Roy Montgomery. Ao ver o nome do remetente, soube que precisava agir rapidamente ou a detetive não sairia do hospital.

Castle acordou com o celular tocando. Ele cochilara sobre a mesa de Beckett no 12th. Ainda zonzo e sem noção de onde estava, ele demorou para atender a ligação. Felizmente, era algo bom. Kate havia acordado e poderia receber visitas. Ele deixou o distrito a mil. Correu para casa a fim de tomar um banho e voltar ao hospital. Comprou um belo buque de flores. Antes de entrar no quarto dela, ele parou. Respirou fundo, olhou-se em um pequeno vidro ajeitando o cabelo e abriu a porta.

No quarto, o pai dela estava sentado conversando com a filha.

- Hey, Castle... – o pai ergueu-se beijando-lhe a testa.

- Vou deixar vocês conversarem um pouco. Vou pegar um café para mim – Castle sorriu de leve não conseguia parar de encara-la.

- Você está me encarando, eu devo estar horrível – ela tentava ajeitar os cabelos.

- Não, eu apenas pensei que não a veria novamente. Eu ouvi que está abrindo uma floricultura, então pensei em trazer mais essa.

- Estavam todas aqui quando eu acordei, devem ser da delegacia. Acho que não precisarei me despedir, Castle.

- Provavelmente, não.

- Soube que tentou me salvar... – ela sorriu.

- É, eu... espere você soube? Você não se lembra de mim te amparando?

- Não, eu não me lembro de muita coisa. Eu me lembro que estava no púlpito, e eu me lembro de ter ficado tudo preto.

- Você não se lembra... – ele não podia dizer o que queria – do tiro?

- Não. Dizem que há certas coisas que é melhor não serem lembradas – essa frase atingiu como uma flecha o coração de Castle. Ela não se lembrava das palavras dele e aparentemente não faria qualquer esforço para reverter isso.

- Eu continuo vendo o rosto dele, Castle. Todas as vezes que fecho meus olhos, eu vejo Montgomery deitado no chão daquele hangar. Devia ter me deixado entrar lá.

- Eles a teriam matado.

- Você não sabe disso.

- Kate, eu sei. Toda vez que fecho meus olhos eu a vejo caindo sem vida na grama, em meus braços. Não faria nada diferente. Eu...

- Castle, eu estou muito cansada agora.

- É claro. Claro, nos falamos amanhã.

- Você se importa se não falarmos? Só preciso de um pouco de tempo – ele olhou para ela surpreso. Mas, tinha que reconhecer que não era fácil para ela reviver esse momento e não precisar respirar um pouco.

- Claro, quanto tempo?

- Eu ligo para você, certo? – ele assentiu. Abriu a porta do quarto e olhou uma vez mais para ela. Suspirou e saiu fechando a porta atrás de si. Kate baixou a cabeça após vê-lo sair.

Castle andou pelos corredores do hospital sentindo-se sozinho e perdido. Ela não se lembrava. Nem do tiro, nem do que ele dissera antes dela desmaiar. Fora tudo em vão? O semblante dela indicava que ela não estava bem. Ela sofrera bem mais do que ele esperava o baque. Por conhece-la muito bem, Castle sabia que ela estava querendo distância dele por imaginar que ele iria persuadi-la a falar, se tratar e talvez esquecer o que acontecera. Sendo assim, ele poderia estar longe, mas tinha alguém que ficaria por perto pelos dois.

Ele pegou o telefone e ligou para Dana.

- Castle, queria mesmo falar com você. Estou de saída para ir ao escritório do juiz entregar o que tenho sobre Josh. Provavelmente ele irá querer uma declaração sua. Se importa em vir comigo?

- Dana, acredito que temos problemas maiores que Josh. Eu acabei de ver Kate no hospital. Ela não se lembra de nada. Não lembra do tiro e não lembra que eu... que tentei salva-la e...

- Não lembra que você disse que a ama. Eu temia que isso pudesse acontecer. Castle, esse tipo de comportamento é comum em pessoas que sofrem grandes traumas. Kate viu seu mentor ser morto para salva-la e logo em seguida levou um tiro que a colocou a beira da morte. Isso é reflexo do stress. Chamamos de síndrome de estresse pós-traumático. 

- Dana, eu não estou interessado no significado médico ou técnico disso. Ela não se lembra! E para piorar, ela praticamente me expulsou do quarto, disse que estava cansada e quando falei que falávamos amanhã, ela pediu um tempo. Disse que me ligava.

- O que você queria, Castle? Que ela esquecesse tudo e caísse em seus braços? Você pensa que é fácil para ela estar revivendo tudo o que ela passou? Nós dois sabemos que Kate é uma pessoa complicada e confusa quanto a sentimentos e relacionamentos. Ela acaba de perder mais uma batalha para os inimigos, perdeu mais alguém querido para os mesmos homens que tiraram sua mãe. Coloque-se em seu lugar.

- Dana, eu sei que é difícil. Eu só quero ajuda-la! Eu estive ao lado dela durante todo o caso, eu quase morri ao vê-la sem vida naquela grama!

- Eu sei! E exatamente por isso que você deve respeitar a vontade dela. Dê esse tempo para Kate. Ela irá se recuperar e contatar você novamente.

- Dana, pelo que conheço de Kate, ela precisará de alguém ao lado dela durante esse caminho de volta, ou ela poderá se esconder na toca do coelho mais uma vez. Por isso liguei para você. Se Kate não me quer ao seu lado, eu aceito. Desde que você esteja lá por nós dois. Eu preciso que seja meus olhos e meus ouvidos agora, preciso de você, Dana. Por favor... ela precisa de você.

- Tudo bem, Castle. Você tem razão. Eu vou até o escritório do juiz e depois vou visita-la no hospital. Mas quero que se lembre do meu papel nessa história. Sou a terapeuta dela. Qualquer confissão ou declaração que Kate faça estará protegida sob a confidencialidade de médico-paciente.

- Eu entendo. Apenas preciso saber notícias dela, se ela ficará bem. É tudo que peço nesse momento. 

- Combinado. Imagino que ela não voltará a trabalhar logo se é isso que você espera. As condições do tiroteio requerem acompanhamento físico e psicológico até que ela esteja apta a usar seu distintivo e sua arma outra vez. Ficará um tempo longe do 12th. Talvez por isso tenha dito que precisava de um tempo. Não quis dizer que estaria afastada para não parecer fraca a sua frente.

- Ela não é fraca.

- Você sabe e eu sei, mas na cabeça de Kate Beckett quando ela precisa de apoio sente-se covarde e ela detesta passar por covarde ou coitadinha. Eu mantenho você informado.

- Obrigado, Dana – desligou o telefone e voltou para a delegacia. Tinham um caso para investigar.

Na parte da tarde, Dana chegou ao hospital para ver a amiga. Encontrou com o pai dela na saída do quarto. Jim revelara que a filha iria com ele para a sua cabana que ficava a quatro horas de Nova York. Ambos concordaram com o médico de que Kate precisava de repouso e de um tempo longe da cidade. Era primordial para sua recuperação.

Dana assentiu, porém algo lhe dizia que havia mais nessa história que a simples recuperação de Kate. Conhecia a detetive o suficiente para saber que seu primeiro desejo seria investigar seu tiroteio e caçar o culpado com as próprias mãos. Não via a hora de colocá-lo atrás das grades. Essa definitivamente não era uma atitude de Beckett e Dana iria descobrir o que estava por trás da submissão dela.

- Hey... não é todo o dia que se ressurge dos mortos para receber tantas flores! Bom te ver, Kate. Você está com uma cara péssima.

- Obrigada. Pelo menos alguém foi sincero comigo. Oi, Dana – a amiga sentou-se ao lado dela.

- Como você está?

- Ainda zonza. Perdida. Não consigo pensar direito.

- O que você queria? Deixa eu ver, a morte de seu mentor, um funeral, um tiroteio seguido de quatro horas de cirurgia lutando por sua vida, duas paradas cardíacas e um ataque cardíaco. Realmente, nada comparado a um passeio no parque! Você pulou uma super fogueira, Kate. Está viva!

- Você faz parecer tanto quando fala e ao mesmo tempo tão pouco.

- Não se iluda, é bem mais que a maioria das pessoas tem que enfrentar na vida. O jeito como se sente é totalmente aceitável. Seu pai me disse que vai com ele para longe da cidade, para a cabana.

- Ordens médicas. Preciso de repouso absoluto para me recuperar.

- Hum, eu sei. Mas, por outro lado, isso não combina com você. Está fugindo, Kate?

- Fugindo? De onde você tirou essa ideia?

- Kate, nós duas sabemos que numa situação dessa o comportamento da detetive Beckett seria correr do hospital diretamente para o 12th distrito e cavar tudo o que pudesse desse atirador que quase a matou. Ficaria obcecada com o caso e não sossegaria enquanto não encontrasse nada. Sendo assim, sua reação somente me indica uma coisa. Você está com medo ou há outra razão para sair da cidade – Kate desviou o olhar da médica, Dana já entendera que havia mais do que a amiga estava contando. Ela pegou a mão de Kate na sua.

- Kate, em uma situação dessas é natural que o paciente desenvolva PTSD. Você já passou por uma fase de síndrome do pânico. Não me surpreende se apresentar sintomas de PTSD. Não há nada do que se envergonhar. Por causa disso, eu farei questão de acompanhar sua recuperação. Não somente como sua terapeuta, o que você irá precisar para voltar ao serviço, mas principalmente como sua amiga. Irei visita-la duas ou três vezes na semana dependendo do seu progresso. Quero que saiba que qualquer assunto abordado será parte do nosso acordo de confidencialidade, portanto não precisa temer, pode falar tudo o que está sentindo. Será apenas entre eu e você. Nem seu pai saberá.   

- Eu não tenho PTSD. Eu só preciso de um tempo. Eu quase morri, Dana...

- Eu sei. Entendo mais do que você imagina. Você falou com Castle?

- Ele esteve aqui mais cedo. Parecia que estava vendo um fantasma.

- Bem, diante de tudo é compreensível. Ele se culpa pelo que aconteceu.

- Eu percebi. Disse que precisava de um tempo.

- Você estava se referindo a sua recuperação ou ao relacionamento de vocês? – Dana não podia deixar de cutucar a ferida.

- Não temos um relacionamento. Ele acabou antes disso tudo acontecer. Eu não quero falar sobre isso agora.

- Tudo bem. Mas do ponto de vista de quem acompanhou as quatro horas em que você lutava para permanecer viva, não me pareceu que ele tivesse desistido de você. O relacionamento não acabou para Castle, achei que você deveria saber. O resto, eu contarei mais tarde.

- Que resto?

- Mais tarde, Kate. Procure descansar. Eu estarei na sua cabana daqui a três dias. Terá tempo para descansar e pensar sobre os assuntos que irá conversar comigo. Por volta das três da tarde. Teremos muito o que explorar nesses dias – ela se levantou deu um beijo na amiga e seguiu para a porta, antes de sair virou-se para fita-la – ah, mais uma coisa. Não esqueça de levar seu caderninho vermelho para a cabana. Tenho certeza que precisaremos dele. Vejo você em breve, Kate – fechou a porta atrás de si. Fitando o nada, Kate mordiscou os lábios. Odiava admitir o fato de que Dana a conhecia tão bem. Tinha razão, em outros tempos ela estaria no distrito caçando seu algoz. Não agora. Sua vida acabara de ser revirada de ponta cabeça. Ela precisava organizar seus pensamentos, entender o que estava sentindo para de fato dar o próximo passo. Se pudesse, ela tiraria um tempo dela mesma.

Naquela noite, Castle deixara o 12th por volta das oito. Não havia feito grande progresso na investigação. Amanhã será um novo dia, foram suas palavras para os rapazes. Os três estavam determinados a encontrar respostas e precisaria ser rápido. Logo a 1PP nomearia um novo chefe para o 12th distrito e Castle sabia que seus dias naquele lugar estavam se esgotando.

Ele bebia um copo de whisky enquanto olhava para uma foto de Kate sobre sua mesa no escritório. Era a foto do arquivo que abriram em seu nome para investigar o tiroteio no funeral de Montgomery. Tudo bem, tiroteio era o nome errado para aquilo. Claramente, sabiam que era uma execução, queima de arquivo se preferir o termo. Felizmente, a vítima era alguém que não se entregava tão facilmente. Kate Beckett sobrevivera para que pudessem fazer justiça e era exatamente isso que buscavam.

O celular tocou. Respirou fundo ao ver o nome de Dana.

- Dana. Finalmente. Diga que tem boas notícias.

- Não sei se boas, mas definitivamente notícias. Estive com ela hoje. Como eu imaginei, ela está abalada e sofrendo com tudo, Castle. Precisa de um refúgio e isso é exatamente o que conseguiu. Kate irá para a cabana do pai, fica a quatro horas da cidade. Ela me disse que foram ordens médicas, o que eu e você sabemos ser a verdade parcial. Kate precisa fugir nesse momento. Está confusa e embora não queira admitir, ela sofre de PTSD. Eu praticamente a obriguei a me aceitar por três dias na semana. Precisa de acompanhamento e de alguém que a faça enxergar o que de fato significou todo o acontecimento.

- Ela lhe disse que não se lembra de nada?

- Não chegamos a conversar sobre isso. Perguntei se ela tinha lhe visto. Ela disse que sim. Também não mencionei o ocorrido com Josh, mas pretendo. Ele deverá ser preso amanhã. Castle, eu sei que é difícil para você aceitar apenas a minha palavra quando digo que é imprescindível que ela se afaste de tudo e de todos, isso inclui você.

- Eu posso visita-la, Dana.

- Não, você não pode e não deve. Kate irá entrar em um momento de reflexão, de descoberta e deve fazer isso sozinha. Não se preocupe, eu estarei lá para garantir que ela entenda e enxergue o quadro completo. Kate pode estar com os pensamentos confusos e embaralhados. Pode não se lembrar do que aconteceu naquele cemitério ainda, porém eu pude ver em seus olhos que o sentimento que ela tem por você permanece o mesmo. Essa será a maior batalha que ela enfrentará e eu estarei ao lado dela guiando-a, pode contar comigo. Não vou fazê-la esquecer você, Castle. Tem minha palavra.

- E o que devo fazer agora?

- Faça o que sempre fez. Investigue, ache pistas e continue esperando. Ela disse que ligaria, então aguarde o celular tocar. Não apresse as coisas. E se precisar conversar, estou aqui.

- Isso é frustrante!

- Sei que sim, mas está fazendo isso pela mulher que ama. Isso deve bastar para convence-lo – ele suspirou.

- Eu sei. Obrigado novamente, Dana.

- Boa noite, Castle.   

Seguindo o conselho de Dana, Castle voltou a delegacia no dia seguinte para continuar o trabalho com os rapazes. Havia algumas pistas e vários becos sem saída. A investigação era lenta e frustrante. Estavam correndo contra o tempo. Havia rumores que o substituto de Montgomery estaria na delegacia ao final daquela semana, o que significava depois de amanhã.

Quando o celular de Castle tocou naquela quinta-feira, ele olhou esperançoso para o visor querendo que fosse Kate. Não era. Quem ligara era o juiz do seu caso intimando-o a comparecer no tribunal em uma hora para prestar depoimento quanto a agressão do Dr. Josh Davidson. Ele avisou os rapazes que precisava sair.

No tribunal, encontrou com Dana. Juntos, eles contaram tudo o que acontecera no saguão do hospital e havia também duas enfermeiras e o chefe de Josh como testemunha. Não havia como negar. O médico teria duas opções: embarcar em um voo para a África naquela noite para continuar a trabalhar com o programa “Médicos sem fronteira” sem previsão de retorno aos Estados Unidos nos próximos cinco anos, ou três anos de reclusão e uma multa de duzentos mil dólares. É claro que Josh escolheu a África.

Ao saírem do tribunal, Dana confirmou que pegaria a estrada para visitar Kate no dia seguinte. Castle contou a ela sobre a investigação e seu medo de que pudesse ser afastado do distrito com o nosso superior. Estava praticamente de mãos atadas.

Ao voltar para o distrito, Gina ligara em seu celular. Heat Rises, o terceiro livro da série Heat estaria nas livrarias dali a duas semanas e Castle precisava atender a reuniões na editora e começar o tour pelo país. Com raiva, ele brigou com Gina.

- Será que você é insensível? Não lê jornais? Não soube o que aconteceu com Kate? Não posso pensar no meu livro ou em campanha de marketing agora. Quero prender o responsável por quase tirar a vida dela!

- Richard, sei muito bem o que você está passando. Sinto muito pelo que aconteceu com Kate, mas a investigação é trabalho da NYPD, não seu. Você está muito envolvido, precisa se afastar. Fazer essas viagens irá ajudá-lo.

- Como quer que pense em livro e fãs quando o assassino da mulher que eu amo está a solta e pode ataca-la novamente?

- Certo e por isso você vai jogar tudo para o alto e sair numa caçada para pega-lo? Ele é um assassino, já pensou que pode mata-lo também? Um pouco de bom senso não faz mal a ninguém, Richard. Pense na sua filha. Vou esperar sua ligação.

Castle desligou o telefone com raiva. Sua vontade era jogar o aparelho na parede. O pior de tudo era que Gina tinha razão. Essa investigação tinha tudo para ser abafada, era perigosa demais. E sabe lá se o próximo capitão irá querer mexer em casa de marimbondo? Ele teria suas respostas no dia seguinte.

Naquela sexta-feira, Victoria Gates, a nova capitão do 12th distrito reuniu seus funcionários para apresentar-se e salda-los. Também prestou sua homenagem e suas condolências pela morte de Montgomery e tratou de dizer como a banda iria tocar a partir daquele instante. Após dispensa-los, Gates chamou Ryan e Esposito em sua sala, Castle os acompanhou.

Gates pediu para ouvir seus relatos quanto ao tiroteio contra a detetive Beckett. Esposito contou a capitã tudo que descobriram. Ryan mostrou as evidencias e os relatórios da arma, balística e DNA. Ela examinou com cuidado o que tinha a sua frente.

- Detetives, vocês sabem o quanto entendo que querem achar o culpado por atirar na detetive Beckett não apenas como parceiros, mas por serem amigos. Também sei que a perda de seu superior os motiva a isso. Infelizmente, como aprendemos na academia e ao longo dos anos. O fator tempo em uma investigação é crucial para encontrarmos o caminho que nos leva ao culpado. Nesse caso, a sua trilha já esfriou a um bom tempo. Não há novas pistas ou fatos para serem checados e por esse motivo eu declaro esse caso encerrado.

- Não pode fazer isso, senhora. Estamos verificando a conta bancaria que Castle descobriu. Tivemos um monte de respostas falsas, porem será questão de tempo até chegarmos a certa. E...

- Detetive Ryan, eu já disse que o caso está encerrado. O que me leva a um outro assunto. Mr. Castle, eu não vou tolerar ninguém brincando de detetive no meu distrito. Não sei como Montgomery costumava a gerir esse lugar, mas agora as regras são minhas. Pouco me importa sua ligação com o prefeito. Não permitirei que nenhum civil se arrisque ou ponha em risco e evidência a vida de meus policiais, portanto considere-se dispensado do 12th.

- Capitã, a senhora não pode fazer isso. Castle nos ajudou em muitas investigações, ele é importante para o distrito e para a NYPD e...

- Detetive Ryan, acredito que o Sr. Castle não precisa de um advogado de defesa. E, a propósito, dirija-se a mim como sir.

- Sim, desculpe sir.

- A capitã tem razão. Não preciso de um advogado. Aliás, com o fechamento dessa investigação não há nada importante que me prenda a esse lugar. Passar bem, espero que tenha uma boa jornada na frente do 12th distrito. Sinto muito, rapazes – sem pensar duas vezes, ele saiu pela porta. Ryan e Esposito se entreolharam sem saber o que fazer. Não precisaram descobrir.

- Estão dispensados.

Ao saírem da sala da capitã, Ryan comentou.

- Beckett irá odiar Gates. Só quero ver a cara dela quando o prefeito a obrigar a aceitar Castle de volta.

- Bro, não ouviu? Castle não voltará aqui enquanto Beckett estiver fora. Não interessa o que o prefeito ache. E quanto ao caso, eu não vou deixar ele esfriar. Devo isso a Beckett.

- Javi, eu te entendo, mas se Gates sonhar que estamos remexendo nisso...

- Eu não quero saber. Estou pouco me lixando para o que a capitã acha.

Castle estava de pé na calçada olhando para o prédio do 12th distrito. Era estranho deixar aquele lugar sabendo que não voltaria por um tempo. Se Kate o chamasse, ele estaria ali. Seriam tempos difíceis para os rapazes com a nossa capitã. Ele olhou para o celular. Resignado, ele apertou a tecla para retornar a ligação de Gina. Não havia outra coisa a fazer a não ser voltar a sua vida normal de escritor.

XXXXXX

Dana dirigiu por longas três horas até chegar na cabana onde Kate se refugiara. Durante o caminho, ela pensara em como abordaria a amiga em primeiro lugar. Tomara uma decisão. Evitaria perguntar sobre o tiro. Esse assunto viria à tona quando Kate se sentisse à vontade para falar dele. Agora, concentraria seus esforços em entender como ela estava, seus pensamentos e seus sentimentos com a perda de outra pessoa querida.

Antes de sair do carro, ela precisou de um minuto para se preparar. Esperava que a amiga estivesse bem e pronta para falar. Saiu do carro, caminhando para a casa. Avistou Kate na varanda sentada numa cadeira com uma caneca na mão. Dana sabia que era café. O rosto estava mais fino, pálido. As olheiras demonstravam que não vinha dormindo bem. Pesadelos, sintomas característicos de PTSD. Suspirou e abriu o sorriso se aproximando.


- Olá, Kate. Espero que esteja feliz em me ver.


Continua...