terça-feira, 7 de junho de 2016

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.55


Nota da Autora: Conforme prometido. Segue a segunda parte do episódio duplo e a continuação do novo plot para ser discutido nos proximos capitulos. Dana quase ganhou o papel de protagonista para os proximos capitulos. Hahahaha! Preparem-se para o angst psicologico e não matem a escritora. Estou apenas tentando desenvolver a neurose de Kate que aparentemente não entende que está em um relacionamento com Castle ha algum tempo... ops! Parceria com beneficios! Enjoy! 

PS.: Muito obrigada pelos comentários! Adoro todos!


Cap.55  
Segundos podem definir o destino de alguém. Salvar uma vida, morrer, desistir. Foi exatamente um desses pensamentos que se passou na mente de Kate Beckett naquele instante. Acabou. Vamos morrer.
O carro deslizava rio abaixo, afundando-se a cada instante. Não! Não poderia morrer! Movida pela adrenalina e o desespero, Beckett começou a brigar com o cinto de segurança, não conseguia abri-lo. As  portas também não abriam.
- Ajude-me a achar minha arma, ela deve ter caído em algum lugar – disse Beckett.
- Talvez tenhamos que quebrar o vidro – respondeu Castle. Enquanto ela brigava com o cinto, Castle já se libertara e procurava a arma. A agua avançava sobre eles lentamente, logo ficariam submersos.
- Estou presa.
- Como assim, está presa?
- Meu cinto está quebrado e meu assento não se mexe – ele tentou abrir o cinto dela sem sucesso.
- E quanto a uma faca, você tem uma?
- Sim, no porta-malas – eles viam a agua adentrar o carro à medida que afundavam – estamos ficando sem tempo. Preciso que você encontre a minha arma para poder atirar no cinto – ele usava as mãos procurando algo em suas pernas.
- Não consigo acha-la – pegou a lanterna – fique aqui – ele mergulhou com a lanterna, as mãos vasculhavam o chão do carro, uma delas segurava o volante para lhe dar segurança, quando emergiu falou – eu encontrei – tomando folego, ele mergulhou outra vez, não antes de ver o olhar de pânico no rosto de Beckett. A arma estava presa em umas fiações do carro, ele usava toda a força que tinha para tentar arranca-la, mas não estava conseguindo ser bem-sucedido na tarefa. Estava lutando contra seu próprio folego. De repente, tudo fica muito calmo. A agua que se movimentava por causa dele estava estática. O pavor nos olhos de Beckett cresceu.
- Castle? – chamou por ele. Ela usava a mão esticando-a debaixo d´agua tentando toca-lo. Nada - Castle? – seu grito era urgente agora. A luz vinda da lanterna focava em um único ponto o que demonstrava não estar em movimento. A agua tomava o carro. Estava na metade das janelas. Ela não tinha muito tempo. Onde ele estava? Será que... não ousou completar o pensamento. Não podia. Tendo a agua quase cobrindo seu rosto, ela voltou a lutar. Usava toda a sua força para tentar arrebentar o cinto. Ele não poderia ter se afogado, não poderia... ela começou a bater no vidro. O carro estava completamente tomado por agua. A respiração era ínfima e Beckett sentiu seus pulmões arderem, as mãos que antes agarravam o volante com força, agora o soltavam. Era o fim.
O carro continuava a afundar no rio. Então, vários clarões surgiam de dentro do carro até que o vidro traseiro se espatifasse. Ele conseguira alcançar a arma, carregara a detetive e com muito esforço conseguira nadar de volta a margem do píer. Kate permanecia desacordada quando chegaram em terra firme. Havia engolido muita agua. Alguém já havia chamado uma ambulância. O próprio Castle ligara para a NYPD. Após um rápido procedimento de ressuscitação, Beckett colocou a agua para fora dos pulmões e recuperou a consciência. Um dos paramédicos lhe dera seu agasalho. Enquanto esperava Castle ser checado pelos médicos, ela fitava o rio. Já era noite.
Como isso foi acontecer? Parecia que ela e Castle sempre se metiam nos piores casos. Outra vez estivera perto da morte, escapara graças a ele. Seu parceiro. A ideia de ter que reviver e pensar sobre o significado disso lhe deixava nervosa, embrulhava seu estomago. Medo. Esse sentimento novamente. Até quando? Involuntariamente, ela se lembrou das perguntas de Dana. Só então percebeu que quase morrera e ainda não era capaz de responder à pergunta de Dana. Entendeu porquê. Estava emocionalmente envolvida. Era isso. Talvez tivesse que olhar tudo sob uma nova perspectiva, a de espectadora.
Seus pensamentos foram interrompidos quando Castle surgiu atrás dela falando.
- Acho que uma das coisas boas de se ter uma filha na cena do crime é que ela pode te trazer roupas secas – ele entregou um copo de café para ela. Segurava um para si.
- Obrigada e obrigada – referindo-se obviamente ao fato de que ele salvara sua vida outra vez.
- Você faria o mesmo por mim.
- É, talvez – ela provocou fazendo-o olhar intrigado para ela até ver o sorriso – estou feliz por ter achado minha arma.
- Esse lance de naufrágio de carro é bem mais legal no cinema do que na vida real.
- Prefiro assistir filmes de espião a estar em um deles – eles foram interrompidos por Esposito que queria saber exatamente como tudo aquilo acontecera, mas Beckett pediu desculpas e informou que era confidencial. Minutos depois, Sophia Turner aparece no local com cara de poucos amigos. Castle foi o primeiro a se aproximar queria explicar, porém Sophia não estava a fim de escuta-lo. Ordenou que entrassem no carro.
De volta ao quartel general da CIA, ela quis dar um showzinho.
- Que diachos pensam que estão fazendo?
- O que você queria, achando Blakely.
- Você descobriu o código e nem pensou em me avisar?
- Em defesa do Castle, era um tiro no escuro e ele não queria que perdesse tempo se estivesse errado. E o estávamos trazendo...
- Quando ele foi morto na sua custodia.
- O que estavam fazendo nas docas? – o colega de Sophia perguntou.
- Ele nos pediu para leva-lo lá.
- Por que?
- Nós não sabemos – Beckett respondeu.
- Descobriram alguma coisa? – perguntou Sophia.
- Sim, ele foi contratado para analisar as vulnerabilidades dos Estados Unidos. Disse que encontrou um ponto fraco em nossa economia, um estopim inesperado que se alguém descobrisse, começaria o efeito dominó.
- Levando a que?
- Ao fim do nosso país como o conhecemos – disse Beckett.
- Então, qual é o nosso próximo passo? – perguntou Castle. Sophia com raiva respondeu.
- Não há próximo passo. Pelo menos para vocês dois. Foi um erro envolve-los. Eu realmente pensei que você tivesse mudado. Você é o mesmo imbecil imprudente, imaturo e egocêntrico que sempre foi e colocou essa investigação em risco – nossa! Ela pegara pesado, pensou Beckett.
- Eu sinto muito...
- Sente muito? Estamos perto do próximo 11 de setembro ou pior. Isso não é um dos seus livros, Rick. É a vida real – Beckett mordia os lábios, estava sendo difícil de escutar tudo isso, penoso – e quando as coisas dão errado, você não pode reescrever o final como fez conosco. Tire-os daqui.
Já no elevador do 12th distrito, ambos se mantinham calados. Na verdade, não trocaram uma só palavra desde que deixaram o quartel general. Beckett estava se sentindo muito mal por ele, porém também tinha perguntas e diante da raiva de Sophia, ela entendera bem o que rolara entre eles e terminara muito mal. Resolveu começar uma conversa.
- Então, você dormiu com ela.
- É, eu dormi com ela – a cara de Castle, embora Beckett não pudesse ver já que estava atrás dele era desoladora. Não pela Sophia, pelas circunstancias. Eles quase morreram e tudo parecia ter sido em vão.
- Teve outras? – droga, Beckett, será que você não pode se controlar? Brigava consigo mesma.
- Mulheres? – Castle se fingiu de tolo. Sabia ao que ela se referia.
- Musas.
- Não, por que?
- Só queria saber o tamanho do clube – droga! Seu ciúme está aparecendo agora... ela se repreendia.
- Não tem um clube e nós não temos uma investigação.
- Eu tenho uma investigação de homicídio. Gage matou três pessoas, uma delas sob minha custódia, nos trancou no porta-malas e jogou meu carro no rio. Vou descobrir no que Blakely trabalhava, achar o estopim e então acharei Gage.
Os rapazes a atualizaram sobre o que acontecera e sobre o que encontraram sobre Blakely. Havia outro par de digitais nele. Se passava por outra pessoa, mas a família nunca o vira. Então, Castle sugeriu um parceiro de xadrez.
- Pensei que estivesse fora do caso – ela provocou. Ele usando as palavras de Sophia sobre si mesmo completou que se ela era teimosa o bastante para continuar, ele era idiota o suficiente para ir com ela. Beckett mandou os rapazes procurarem pelos parques da cidade algum oponente de Blakely. Beckett recebe a notícia de que o corpo de sua vítima não chegou ao necrotério, fora interceptado no caminho e apenas enviaram a ordem judicial.
- Como? Isso é impossível! – disse Castle.
- Talvez devesse perguntar a sua namorada! – Beckett deixou escapar.
- Namorada? – Lanie já se interessara apenas de ver a reação de Beckett.
- Sim, eu dormi com ela. Faz anos. Qual o problema?
- Não tem um problema. Pode dormir com quem quiser. Quanto mais, melhor – sim, ela estava irritada e deixara transparecer não se importando com ninguém ali, nem mesmo com a filha dele. Ao ver Alexis, Beckett queria um buraco para se enterrar. Isso não podia ficar mais estranho. Durante todo o trajeto para casa, Alexis tentava descobrir mais sobre a mulher misteriosa que Beckett falava que já deduzira era a mesma das docas. Castle visivelmente irritado mandou-a dormir. Ao chegar em seu quarto, ele toma um susto. Ninguém menos que Sophia Turner estava sentada em sua cama.
Usando de seu charme, jogando com ele, Sophia encontrou um meio de se fazer de vítima. Castle não percebeu a jogada. Ela inclusive usou o arquivo pessoal que ele mantem de Beckett sobre o atentado para provoca-lo. Por fim, ela entregou uma lista de contas correntes domésticas que não podia investigar. Disse que eles continuavam na investigação desde que a mantivesse informada dessa vez. Naquele momento, ele não percebera a real jogada de Sophia, iria descobrir bem mais tarde.
Na manhã seguinte, ele surgiu no distrito entregando como sempre o copo de café a ela. Ao ver o gesto outra vez, Beckett se sentiu desconfortável ainda pela cena que fizera ontem no necrotério. Estava difícil encara-lo. Ele fez uma brincadeira com ela que a fez engolir em seco. Suas palavras exatas foram “não me faça atirar em você”. Então, Castle revelou que se ela atirasse não poderia investigar a pista que conseguira. Ao perguntar como e onde, ele revelou que Sophia esteve em sua casa ontem à noite. Ao ver a reação de Beckett, ele tratou de corrigi-la.
- Não desse jeito.
- Claro que não. E o que aconteceu com o “imbecil imprudente, imaturo e egocêntrico”?
- Ela estava posando para os seus colegas. Beckett, é uma pista. Ela nos quer no caso – ainda pouco convencida da veracidade de Sophia, Beckett aceitou pesquisar porque estava encurralada em seu próprio caso. Encontrou 2 milhões de dólares em seis contas diferentes, nenhuma diretamente no nome de Blakely, mas era claramente o financiamento para a operação pandora. O problema era que os pagamentos oriundos do exterior não possuíam mais a conta aberta. Era um beco sem saída. Por sorte, os rapazes acabaram encontrando o parceiro de Blakely e não por coincidência ele era professor de economia renomado e membro do FMI.
Ao traze-lo para interrogatório, descobriram que era obcecado por teoria econômica especialmente em relação a economia dos Estados Unidos. Felizmente, ele suspeitava de onde Blakely morava. Beckett e Castle foram até o local. Precisavam achar algo que o ligasse a pandora, ou mesmo um sinal do estopim. O apartamento parecia um lugar comum, sem nada fora do normal. Até Castle abrir uma porta.
Em uma sala, um emaranhado louco de informações formava uma espécie de cama de gato. Post-its, fotos, anotações. Em um dos cartazes havia uma anotação fim do estopim: a terceira guerra mundial. O fim ou o começo da trilha de fios vermelhos levava a um mural, mais especificamente a foto de uma garota. Ela era o estopim. Castle disse que tinha que avisar a CIA. Ao pegar o celular, ouviram uma voz.
- Largue o telefone – a arma engatilhada, Beckett se virou para fita-lo.
- Gage?
- Agora corram... corram! – nesse instante uma granada é jogada na sala. Havia atiradores de elite mirando o local. Beckett e Castle saem correndo levando consigo a foto da menina enquanto Gage tenta protege-los. Descobrem que ele não é realmente o bandido. Gage diz para virem com ele. No carro, ele os manda manterem-se abaixados. Obviamente, eram alvos fáceis agora que estavam com ele.
A sós em uma garagem qualquer, Gage conta que estão armando para ele. Tentado transforma-lo em um bandido para que Pandora se realize. Ele era a distração e a real operação além de financiada pela Europa ocidental precisava de autorização interna, ele precisava saber quem era o alvo. Beckett já estava convencida de que ele falava a verdade, porém, antes que pudesse continuar a conversa foram surpreendidos por atiradores e carros. Sophia Turner outra vez.
De volta ao quartel general, Sophia fez questão de dizer que estavam sendo ludibriados por Gage. Ela tentou arrancar informações dele sem sucesso. Ele insistia que era alguém de dentro. Usando a tecnologia da CIA, eles rastrearam o contato que apontou diretamente para o parceiro de Sophia. Ele se negou a baixar a arma e dizia-se leal. Infelizmente, rodaram a foto da garota por toda a base de dados e não descobriram quem ela é. Estavam em um beco sem saída até que Castle deu uma ideia. Olhar para a topografia, as montanhas a fim de saber onde a foto foi tirada e reduzir a área de busca. Beckett foi obrigada a ouvir Sophia dizendo que ele era um gênio com direito a beijo no rosto. Droga, ela tinha razão. Quantas vezes esses insights de Castle a ajudara a resolver casos?
Durante a pesquisa, Castle se afastou das duas para pegar café. Era a primeira chance de Beckett conversar a sós com Sophia. Não podia perder a chance. Precisava saber.
- Você gosta dele.
- Gostei. Uma vez.
- O que aconteceu? Se não se importa em responder.
- Você já encontrou alguém e teve aquela atração intensa? Sabe, aquela tensão? Brigamos por meses por ela, então não conseguimos mantê-la mais. Mas depois parecia que toda aquela tensão era tudo o que realmente tínhamos, e sem ela, tudo que nos restava eram as coisas que nos deixavam loucos – Beckett teve quer rir, sabia exatamente do que ela falava - Você sabe como ele pode ser.
- Sim, eu sei.
- Às vezes, eu desejo que nós nunca tivéssemos dormido juntos. Prolongado aquilo – elas trocaram um olhar. Na verdade, tudo o que Sophia dizia fazia sentido para Beckett, a mesma história, a mesma tensão. Exceto por um detalhe. Ela dormira com ele, várias vezes. E até agora, isso não estragara a relação de parceria e amizade que construíram. Sim, ele a deixava irritada com pequenas coisas, mas também sabia deixa-la nas nuvens com outras. A história com a musa se repetiria afinal?
Ele voltou entregando as canecas de café para as duas. Beckett manteve-se calada. Estava perdida em seus próprios pensamentos avaliando sua vida e a relação com Castle. As palavras de Sophia apenas serviram como complemento para tudo que vinha avaliando nos últimos dias. Desde a última consulta com Dana.
Finalmente acharam algo. A menina é filha de um megaempresário chinês amigo do secretário da fazenda dos Estados Unidos, conhecido como suposto financiador das dívidas do país. Se a filha dele morrer, ele poderia exigir o dinheiro de volta, mas esse pais vive de déficits e não teria como pagar. O mundo entraria em colapso economicamente, um dominó após outro cairia levando-os a terceira guerra mundial como fora previsto por Blakely. A outra notícia era que ele acabara de pousar em Nova York e a filha estava com ele.               
Sophia saiu com Castle e Beckett para intercepta-los e tentar salvar o momento e impedir pandora de acontecer, ou assim eles pensavam. Quando chegaram em uma espécie de salão abandonado, Sophia apontou a arma na direção de Beckett que fez o mesmo para ela. Infelizmente, o outro agente manteve uma arma na cabeça da detetive.
- Desculpe – Beckett perdeu a arma.
- O que você está fazendo? – a ficha de Castle ainda não caíra. Já a de Beckett...
- Damberg não era o traidor. Você é... – disse a detetive. Ela ordenou ao parceiro para matar a garota enquanto cuidava deles. Castle não conseguia acreditar que era ela esse tempo todo. Sophia confirmou. Ela revelou que os trouxera para dentro porque protegia a operação simplesmente porque os dois não paravam. Eles nunca estavam satisfeitos com as respostas. Ela armara para Gage. Tudo por dinheiro. Dar a China o direito de dominar o mundo. Castle não estava convencido. Não acreditava que ela, a Sophia que o inspirou, faria isso. Ela os ordenou a ficar de joelhos.
- Você nunca se safará dessa – disse Beckett.
- Claro que sim, direi que tentamos tudo e vocês foram mortos no processo pelo traidor, claro. Será heroico. Seu pai ficará muito orgulhoso – Castle trocou um olhar com Beckett.
- Meu pai?
- Você não acha que ganhou acesso especial a CIA naquele tempo por causa do seu charme – Beckett não sabia o que pensar, Castle muito menos – você realmente não sabe, não? Acho que nunca saberá – engatilhando a arma na cabeça de Castle, ela se preparou para atirar.
- Não! – foi o grito de Beckett, mas o tiro não veio da arma de Sophia. Ela caíra morta ao seu lado. Damberg os salvara. Beckett se levantou, seu senso de justiça falara mais alto. Saíra correndo atrás do agente. Castle ainda olhava para o corpo de Sophia, de joelhos, incrédulo.
No saguão, o parceiro de Sophia se aproximava de arma em punho. Procurava uma visão clara para atirar. Seguia a menina. Quando ele a colocou sobre a mira foi empurrado por uma furiosa Kate Beckett. Ela salvara o dia.
Mais tarde no distrito, agente Damberg conversava com eles sobre o final da operação, agradecendo por sua ajuda. Castle ainda estava intrigado com o último comentário de Sophia.
- Sophia disse algo sobre meu pai ser da CIA. Você sabe algo sobre isso? – Beckett apenas observava, ele ficara mexido com a revelação. Até ali, Castle nunca mencionara ou se importara com o pai.
- Nunca ouvi nada sobre isso – ele devolveu a chave do carro para Beckett agradecendo por todo o apoio e deixou a sala. Ela esperou um momento, não queria tocar no assunto. Via como ele estava pensativo. Fora Castle quem primeiro falou.
- Acha que ela estava falando a verdade sobre o meu pai? Isso explicaria porque ele desapareceu completamente.
- Eu... – como colocar isso de uma maneira que não o ferisse? Beckett pensou – eu acho que Sophia contou um monte de mentiras. Deve ser difícil descobrir que ela era uma traidora, especialmente depois de inspirar Clara Strike nela.
- Bem, Clara começou com Sophia, mas terminou mais como você, inteligente, feroz e gentil. Acho que foi uma das razoes para ter escolhido você como musa – ela sorriu, o pensamento dele esquentara seu coração, se debatia se devia abraça-lo ou não, ele parecia precisar de um. Havia uma certa decepção em seus olhos. Mas Castle continuou falando – você acha que o Dr.Blakely estava certo? Sobre o estopim? Acha que realmente salvamos o mundo? – o pequeno sorriso no rosto dele tornava tudo melhor, aos poucos ele voltaria a ser o velho Castle.
- Eu acho que salvamos a vida de uma menininha e isso é o bastante para mim – ela se levantou sorrindo, ele retribuiu o sorriso. Deixando a sala da capitã, eles caminhavam lado a lado como fizeram tantas vezes. Ela não dera o abraço por fim, mas usara o próprio corpo para tocar em seu ombro, um gesto que tornara-se outra marca registrada deles.
Ao chegarem na mini copa, Castle serviu outra caneca de café para eles. Beckett o fitava. Nesses últimos dias tinha descoberto um pouco mais do passado de Castle e tudo isso a fazia questionar-se sobre seus próximos passos. Kate necessitava de tempo para pensar, para escolher seu próximo movimento no tabuleiro de xadrez. Havia duas perguntas críticas para responder. Somente conseguiria fazer isso excluindo as emoções dos últimos momentos que vivera ao lado dele. Ou assim ela pensava.
- Vá para casa, Castle. Foi um longo caso com muitas descobertas. Devia aproveitar para descansar e relaxar um pouco.
- Você deveria fazer o mesmo. Também esteve nas mesmas circunstancias que eu.
- Eu vou. Afinal, esse caso não tem papelada. É confidencial – ela sorriu – te vejo por aí?
- Até amanhã, detetive. É sempre um prazer tentar salvar o mundo ao seu lado. Derrick Storm adoraria conhecer Kate Beckett.
- Acho que ele..., meio que, conhece... – isso fez Castle sorrir. Debruçando-se na direção dela, Castle beijou-lhe o rosto.
- Se cuide, Beckett – deixou a sala. Ela se escorou na parede fechando os olhos. Era demais para digerir. Com tudo acontecendo, ele ainda arranjava uma forma de provar como era fofo. Suspirando, Beckett mordeu os lábios. Pegou suas coisas e deixou o distrito.
Em casa, ela se sentara no sofá com um copo de vinho. As imagens de sua irritação, seu comportamento, Sophia, Castle. Todas faziam parte de sua pequena reflexão. Talvez Beckett já soubesse o que esperava, o que deveria fazer. Porém, de alguma forma, ela precisava dividir seus pensamentos com alguém. Conhecer Sophia a fez imaginar ideias de futuro, em um deles nada de bom acontecia, perdia a magia, o encanto. No outro, ela tinha o que precisava, suas respostas. Cada um deles dependia de uma escolha. Qual decisão tomar? Que caminho seguir? Dana. Ela precisava da terapeuta.
Pegando o telefone, ela ligou para a amiga. Explicou que precisava antecipar sua consulta, queria muito conversar. Obviamente, Dana perguntou o que havia acontecido e Beckett negou-se a antecipar qualquer assunto ou comentário. Teriam bastante tempo amanhã, fora a sua resposta.

Consultório de Dana

Kate Beckett chegara meia hora antes do que combinaram. A secretaria avisou que ela ainda estava com um outro paciente. Não se importou. Esperaria. Não tinha para onde ir. O dia no 12th estava muito calmo, nenhum novo caso, nenhum relatório. Consegui tirar um dia de folga. A mente fervilhava. Tinha muito o que discutir com Dana hoje. Se bem que discutir era uma palavra inadequada para usar em um consultório de terapia. A última coisa que a terapeuta fazia era inflamar uma discussão. Quanto a colocar ideias e interrogações em sua mente, nisso Dana era mestra. A porta do consultório se abriu e após cumprimentar um rapaz que saíra de lá com cara de poucos amigos, a terapeuta virou-se para encara-la.
- Sua vez, Kate – virando-se para a secretaria, perguntou – você bloqueou o resto da minha agenda para o dia?
- Sim, senhora.
- Ótimo! – ela deixou Kate entrar antes dela no consultório. Vendo a sua amiga e paciente ir diretamente se sentar no divã podia apostar que a conversa seria longa e porque não dizer difícil. Para quebrar o gelo, ela preparou dois cafés. Sentou-se em sua cadeira e entregou a caneca a Kate que agradeceu.
- Então, Kate. Você pediu por essa conversa. Antecipou sua consulta. Isso somente indica que você tem algum problema, algo te incomoda ou tomou uma decisão que pode ter grandes consequências para a sua vida. E algo me diz que não tem relação com a nossa última sessão. O que aconteceu?
- Nossa! Se vivêssemos nos tempos medievais, lá pelo século dezoito, você seria uma bruxa. Iria morrer enforcada.
- Ouch! Eu poderia encarar como um elogio, mas você praticamente desejou a minha morte... – isso fez Kate sorrir, bom, quebraram o clima pesado.
- É um pouco de tudo isso. Você lembra que comentei na última sessão sobre a minha vida, a minha parceria com Castle estar se tornando doméstica demais e que isso estava começando a atrapalhar meu julgamento. Então, eu andei pensando sobre várias coisas. E durante essa semana, algo aconteceu que acabou me fazendo refletir melhor sobre o que quero de agora em diante.
- Você está se referindo as perguntas que lhe fiz?
- Também, mas antes eu preciso te contar o que aconteceu – suspirando, Kate tomou coragem para contar a Dana as suas últimas aventuras e dolorosas descobertas. Falou de Sophia, do encanto de Castle, do lance da musa. E dos ciúmes. Detalhou cada momento que achou significativo. A terapeuta ouvia com cautela, fazia algumas anotações. Não queria perguntar nada, Kate estava livre para ordenar seus pensamentos e colocar suas dúvidas para fora.
- Não se trata de uma demonstração de ciúmes propriamente dita. Não era como no caso de Serena. A conotação é diferente. Meu Deus! Eu dei um pequeno show no necrotério e para piorar a filha dele ouviu tudo! Desde aquele momento, eu fiquei envergonhada. Era estranho encara-lo, mas minha curiosidade foi maior, fiz perguntas, quis ouvir a história, entende?
Ela se levantou. Começou a andar de um lado para o outro na sala. Tentava escolher as palavras para falar de Sophia.
- Ela não era apenas uma conquista dele. Ela foi sua musa, como eu. Sophia inspirou Clara Strike uma personagem que eu mesma admiro. Independente dela ter mudado de lado, Castle a conheceu antes. Quando Sophia me contou que tudo era um jogo de poder e sedução, não podia deixar de comparar com a minha própria experiência com Castle. É isso que fazemos todos os dias, essa dança. Então, quando ficaram juntos para valer. O clima, a faísca, se fora. Ouvi-la dizer que gostaria que nunca tivessem dormido juntos para preservar a magia me fez pensar no que temos. Em resumo, o que ela quis dizer foi que ao cruzarem a linha, tudo desmoronou. Será esse o meu destino também? Tornar-me uma mera conquista? Eu não quero isso.
- Se me permite interromper, acho que você está esquecendo de alguns detalhes importantes que fazem diferença entre a sua história e a de Sophia. Apesar de vocês duas terem servido de musas para o escritor, não tem o mesmo tratamento e não são vistas sob a mesma ótica por ele. Quando Castle teve contato com Sophia, ele queria a inspiração, as informações da CIA, no fundo queria acesso por pura curiosidade e usou de seu charme para consegui-lo. Flertou, jogou e funcionou. Acabou com as informações e na cama com a sua suposta musa. Na sua história, porém, tem dois fatores que a colocam em outro patamar comparada a Sophia.
- Será que dá para você ser mais clara? – Dana sorriu.
- Kate, quando Castle a escolheu como sua musa, ele ficou fascinado por quem você era. Sua personalidade, seus mistérios. Ele decidiu contar a sua história. Também me lembro de que naquela época, ele era um playboy milionário acostumado a ter tudo que queria. Castle não é mais esse homem. Ele amadureceu. E ao contrário de Sophia, apesar de existir joguinhos de prazer e poder entre vocês dois, você já dormiu com ele. Já esteve em seus braços muitas vezes. Isso mudou o modo de agir, a dinâmica de vocês como parceiros? Foi ruim dormir com Castle?
- Não, você sabe que não. Acho que encontramos um ritmo.
- Viu a diferença entre vocês duas? E tem outro detalhe muito importante. Castle te ama.
- Eu sei, Dana. Pode ser diferente, mas o que estou querendo explicar é que a parceira com benefícios, esse ataque de ciúmes, eles prejudicam minha visão do todo, meu tratamento. Eu preciso focar na minha terapia, nas perguntas que você me fez. Já imaginou se a cada mulher que apareça com algum interesse em Castle eu dê esse piti? E não é só isso, o desgraçado sabe como me deixar confusa. É só ver o que ele falou de Clara Strike depois para mim. As vezes tenho vontade de soca-lo! – ela sentou-se outra vez no sofá, Dana estava rindo do desabafo dela. Era muito interessante ver Kate lutando contra seus próprios sentimentos. 
- Diante de toda essa explicação e de sua própria analise, o que você quer fazer?
- Vou procura-lo. Vou contar para Castle que preciso acabar com a nossa parceria com benefícios. Continuamos parceiros, investigando, mas irei dizer que preciso focar no meu tratamento.
- E você acha que ele vai aceitar isso numa boa? Sem maiores explicações?
- Terá que aceitar.
- Acho que não funciona assim tão fácil, mas respeito a sua decisão.
- Ainda bem que respeita porque eu preciso focar em responder as perguntas que fez para mim. Só então poderei seguir em frente.
- Certo. Quando pretende conversar com ele?
- Amanhã.
- Não tem medo de como ele possa reagir? E se não gostar da sua decisão? Já pensou nisso? Castle pode simplesmente dizer que se não houver benefícios, não haverá parceria.
- Ele não pode fazer isso. Não vai – de repente ela ficou preocupada. Dana podia ter razão? Castle podia se irritar e ir embora? – quer dizer, não tem como. Ele não iria embora. Não depois de tudo.
- Por que você acha que ele não iria embora?
- Porque ele tem um compromisso. Ele está escrevendo livros baseados em mim. Não pode abandonar isso.
- Kate, não é esse o motivo de Castle ficar. Ele tem experiência e talento suficiente para escrever dez livros usando Nikki Heat, não precisa estar lhe seguindo para isso. Ele é o rei dos best-sellers de mistério. Qual o verdadeiro motivo por Castle possivelmente ou hipoteticamente não ir embora do seu distrito, da sua vida?
Ela fitou a terapeuta calada. Claro que sabia a resposta. Dana também, porém queria que ela dissesse.
- Porque ele me ama...
- Exato! Ele está esperando você dizer o mesmo. Talvez essa seja a única razão de Castle não abandoná-la. Porém, você precisa ter cuidado. Castle pode surpreender até a mim.
- Por que você faz isso? Fica me dando argumentos para pensar o pior, para ficar confusa?
- Não quero lhe deixar confusa. Estou tentando faze-la enxergar todos os fatos. Você disse há algumas sessões atrás que estava preocupada com a parceria de vocês porque ela estava se tornando domestica demais, vocês estavam convivendo quase como um casal. Até aí é compreensível sua preocupação, afinal você não quer que Castle pense que está pronta para um relacionamento de verdade. Então, eu leio o seu caderno. A forma como escreveu sobre as coisas. Os momentos. Há ternura ali. Até aqui você está me acompanhando?
- Sim.
- Ótimo. Por conta da sua análise, eu lhe explico como espero ver seu tratamento terminado e lhe formulo duas perguntas. Ao responde-las corretamente saberei que você está pronta para encerrar o tratamento. Isso meio que a apavorou. É perceptível pela sua escrita, seu desabafo, contudo compreensível. Responder as perguntas e encarar seus medos. O futuro. O desconhecido. De repente, uma nova variável é adicionada ao seu cotidiano. Uma outra musa. Sophia Turner. E os ciúmes aparecem, e como é de lei o sentimento a faz reagir de maneira irracional, dando show e perturbando seu próprio julgamento de tudo. Exatamente por esse último acontecimento você decide recuar sua parceria com Castle. Resumi bem, não?
- Sim.
- Diante de tudo o que contei, você consegue perceber o que há de errado na história?
- Nada.
- Kate... – ela suspirou. Dana era terrível!
- O fato de eu tomar a decisão de recuar com a parceria de cabeça quente, baseada em momentos de puro ciúme?
- Está vendo? Você disse, não eu.
- Você me induziu a fazer isso, Dana.
- Não mesmo! Você tirou suas conclusões. A verdade é que se analisar esse pequeno resumo que fiz, você poderá ser capaz de responder ou pelo menos começar a achar o caminho para a resposta de uma das perguntas que eu lhe fiz. Sabe, Kate, você é uma mulher admirável. Ler suas próprias reflexões, suas palavras, me fez perceber porque Castle se encantou por você, o quanto você o fascina. Kate Beckett é uma caixinha de surpresas. Não o culpo por ter se apaixonado.
- Eu sei o que você está fazendo, Dana. Não vai funcionar. Você está dizendo todas essas palavras bonitas sobre mim, falando do modo como Castle se sente envolvido comigo apenas para que eu desista de ir adiante com a minha proposta para Castle. Desista! Não voltarei atrás.
- A escolha, como sempre disse, é sua. Você faz sua jornada.      
- Ok, Dana. Por que não diz na minha cara com todas as palavras que estou tomando a decisão errada?
- Você acha que está? – Kate grunhiu na frente da terapeuta.
- Às vezes tenho vontade de socar sua cara com essas respostas evasivas.
- O sentimento é reciproco quanto a sua teimosia – Dana sorriu fazendo a detetive sorrir também – devíamos tentar algum dia. Nos livrarmos do estresse no tatame.
A clássica rodada de olhos. Dana continuou.
- Kate, não existe decisão errada. Cada decisão tem suas consequências, elas levam a diferentes caminhos. Isso não significa que não devem ser tomadas. Você muda o curso da sua vida cada vez que faz uma escolha. É assim que funciona. Ação e reação. Causa e consequência. Isso existe desde que o mundo é mundo.
- Mas você mesma disse que existe respostas certas para as perguntas que me fez.
- Sim, elas existem simplesmente porque suas respostas definirão onde quer chegar no fim do caminho, o que quer para o seu futuro e a sua vida – Kate soltou um longo suspiro.
- Eu não consigo mais pensar sobre as tais respostas, por isso mesmo vou terminar a parceria com benefícios com Castle.
- Tudo bem. Sua decisão. Na próxima sessão você me conta como tudo terminou. Boa sorte, apenas tenha cuidado com a velha Kate – ela balançou a cabeça e deu um sorriso para a amiga antes de deixar o consultório. Dana sabia que era o medo que a dominava porque percebera o quanto estava envolvida e próxima de admitir seus sentimentos em relação a Castle. Como terapeuta, Dana não podia dizer a ela o que fazer, seu papel era de guia. Nesse instante, torcia para que Castle não fizesse uma interpretação errada das intenções de Kate. Caso contrário, meses de terapia seriam perdidos.                 
Na manhã seguinte, Castle apareceu no distrito para acompanhar uma nova investigação que começara. Passaram parte da manhã na cena do crime e depois na delegacia montado o quadro de evidências. Uma novidade aqui, outra ali, as peças do quebra-cabeça começavam a se encaixar. Ryan conseguiu uma informação com os peritos que os levou até o suspeito. Ou pelo menos eles pensaram. Pista errada. Ao final do dia, sem muita direção para continuar a investigação, Beckett decidiu encerrar o dia de trabalho. Começariam de cabeça fresca cedo pela manhã. Após dispensar os rapazes, virou-se para Castle e perguntou.
- Será que você pode vir até a sala de interrogatório comigo? Preciso conversar com você e não gostaria de fazer isso no meio da delegacia.
- Não prefere um terreno mais neutro? É uma conversa difícil? Podemos ir para o loft.
- Não é uma conversa difícil, mas é importante. Talvez você tenha razão. Precisamos de um lugar neutro. Já sei, vou te dar uma carona para casa. Quando estacionar, eu explico.
- Funciona para mim – ela pegou a bolsa, vestiu o casaco, a chave do carro e seguiram para o elevador – você não quer adiantar o assunto? Tem a ver com Sophia? Sei que eu fiquei de responder mais perguntas sobre ela e acabamos nos enrolando com o caso e...
- Não vou começar a falar agora. E não tem a ver com Sophia, trata-se de mim. Consequentemente, de nós.
- Tudo bem – Castle agora estava realmente intrigado. Que mistério era esse, afinal? Ao parar o carro na frente do loft, Beckett desligou o motor. Deixou a chave na ignição. Ajeitando-se no banco, virou-se para ele a fim de fita-lo. Era o tipo de conversa que se deve olhar nos olhos do outro – aqui estamos. O que tem para me falar, Kate?
- Eu andei pensando bastante nos últimos dias e após conversar na minha sessão de terapia, eu cheguei à conclusão que precisamos conversar sobre a nossa parceria.
- O que tem ela? Estamos bem, não?
- Sim, mas eu preciso que recue. Não posso mais continuar com a nossa parceria com benefícios, Castle.
Sem saber se ouvira corretamente, ele olhou intrigado para a detetive e franziu o cenho.
- Desculpe, não entendi. Você disse o que mesmo? – ele não estava surdo, somente não queria acreditar que aquelas palavras saíram da boca de Kate Beckett.
- Eu preciso parar com a nossa parceria com benefícios.

- Eu não acredito nisso... – e ainda assim, ele sabia que ela estava falando sério.

Continua.... 

quinta-feira, 2 de junho de 2016

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.54


Nota da Autora: Demorou, mas a fic está de volta. Já vou aproveitar para avisa-las que a partir de agora, vocês verão a história tomar uma conotação diferente do que vimos na temporada. Estamos entrando em um terreno perigoso, de analises psicologicas e propício angst que se desencadeará pela frente trazendo Dana como uma personagem mais presente. Todos sabem o que acontece no 47 segundos, porém na minha fic, eu ainda vou apresentar outro plot antes de entrar naquele momento crítico da S4. Esse é o episódio duplo, a primeira parte dele. Enjoy! (E não odeiem a escritora...)


Cap.54

No dia seguinte, ela reparou que tinha uma ligação perdida de Dana. Nem se preocupou em retornar porque sabia que a terapeuta ia cobrar dela o motivo por não ter isso a sessão. Poderia aguentar mais uns dias. Na delegacia, um novo caso surgira. O mais interessante era que ela ainda se pegava pensando no último. Como tinha o relatório para fazer, pediu para Esposito e Ryan assumirem a investigação e a chamassem se precisassem de um par de olhos mais tarde.
Sentada a sua mesa, ela começava a redigir o texto. Lembrando da história do diário, ela se viu folheando o caderno em busca do conto que Castle transformara em algo tão interessante quanto um enredo de filme noir. Ela podia ver porque o escritor chegou a usa-los como personagens principais. Ele certamente poderia transformar isso em um best-seller. Outra lembrança veio a sua mente. A noite anterior. Não somente os beijos de Castle, mas principalmente o que ele dissera sobre o whisky. Agora entendera quanto mal fizera a ele ao pedir que se afastasse. As vezes não entendia porque ele continuava ao seu lado.
Sorriu. Não seja idiota, Kate. Ela dizia para si mesma. Está ao seu lado pelo mesmo motivo que bebeu. Amor. Será que a próxima vez que bebessem aquele whisky seria celebrando a vida como fizeram ou o amor?
Não sabia. E a cada dia que passava, ela estava ficando mais confusa quanto ao seu relacionamento com Castle. A tal parceria com benefícios. Isso de certa forma estava mexendo com sua terapia, seu tratamento, podia sentir isso. As vezes tinha raiva de sua mente. Ela era capaz de trai-la muito facilmente. Em um momento, estava pensando na confusão que sua relação com Castle estava lhe causando e no momento seguinte, ela estava pensando nele. Mais precisamente na canção que ele assobiava quando voltavam para casa.
Foi assim que Castle a encontrou. Com o olhar sonhador e perdido fitando o diário de Joe recordando a cena da noite anterior.
- Ora, ora se não é a detetive Beckett se deliciando com a história do detetive particular... rendeu-se ao diário? – ela não respondeu – hey, terra para Beckett... – ele colocou o copo de café na frente de seus olhos. Ela ergueu a cabeça.
- Oi, Castle. Bom dia.
- Por favor, me diga que você estava viajando na história de Joe, imaginando os cenários....
- Não, estou fazendo meu relatório – bebericou o café.
- Parecia mais no mundo da lua para mim, não temos um caso? – ele a viu levantar a sobrancelha – para investigar, detetive.
- Esposito e Ryan tem um caso, eu tenho papelada. Vai ficar do lado de quem agora?
- Beckett, você sabe o quanto eu valorizo nossa parceria, quanto ela é importante para mim. Por esse motivo, eu irei ajudar os rapazes porque se ficar aqui, apenas irei lhe atrapalhar, não sou bom com burocracia. Você entende, não? De verdade, você continua sendo minha parceira, eu só preciso ajudar os meninos. Eles não irão conseguir resolver esse caso sem uma de nossas mentes brilhantes – ela estava rindo.
- Vai, Castle. Vai antes que eu me arrependa.
- Obrigado. E se me permite acrescentar, você estava muito bonita com aquele olhar sonhador, detetive – satisfeito pelo elogio que fizera a ela, Castle foi se juntar aos meninos deixando Beckett sozinha com seu relatório e seus pensamentos.

Alguns dias depois...

Beckett chegara ao consultório de Dana com o caderninho azul nas mãos. Durante a noite anterior e todo o dia ponderou sobre o assunto que queria conversar com a terapeuta. Obviamente, ela ia perguntar da ausência da quinta passada. Talvez usasse esse tópico para iniciar a conversa que queria ter. Ela já ia encontrar parte disso no caderno mesmo. A secretaria fez sinal para que ela entrasse.
- Olá, Dana.  
- Olha só! Quem é vivo sempre aparece. Por onde você andava Kate? Correndo atrás de bandidos não era.
- Dana, por favor, faltei um dia de terapia. Não é o fim do mundo.
- Não se durante a noite você estava fazendo algo que pudesse ajudar no seu tratamento. O que você fez? – ela ignorou a pergunta.
- Tome. Trouxe o caderno. Está completo agora. Todo seu. Pode me avaliar a vontade.
- Obrigada. Vou lê-lo e te dou um feedback nas sessões posteriores. Podemos começar? Você tem algum ponto especifico que queira comentar ou posso escolher o que discutiremos hoje?
- Na verdade, eu tenho sim. Ainda está relacionado com aquela nossa última conversa sobre a parceria com Castle estar se tornando doméstica. Aconteceram algumas coisas que somente provam o que estava contando a você.
- Como o que? – agora ela iria contar o que estava fazendo.
- Continuamos domésticos. Quer dizer, tivemos dois casos bem significativos. Um estivemos prisioneiros juntos ameaçados de virar comida de tigre – Dana arregalou os olhos – é, não estou mentindo. Depois do caso, eu não sei o que aconteceu comigo, talvez a culpa fosse da adrenalina, do medo de quase ter sido mordida por um animal selvagem – ela contou a maioria dos detalhes do caso para Dana - O fato era que eu não conseguia dormir. Eu fechava meus olhos e não via outra coisa além do tigre. E-eu fui até o apartamento dele. Pedi para dormir lá.
- Você foi até o loft porque não conseguia dormir. Por que eu acho que está faltando um pedaço da história? Você tinha outra intenção, não? O que era? Seja franca, Kate. Posso ver nos seus olhos que não está sendo totalmente sincera.
- Tudo bem. Eu, bem, fazia algum tempo que nós não... a parceria e você mesmo falou, necessidade básica e...
- Você arranjou uma desculpa para dormir com Castle?
- Não! – ela olhou chateada levantando-se do divã só pelo comentário da terapeuta – não foi uma desculpa! Aquele tigre, ele me assustou. Eu estava com medo de sonhar com aquilo e ainda tinha o lance da PTSD e...
- Kate Beckett! Você continua mentindo! Você só queria ficar com Castle!
- Não! Sim! Quer dizer, não foi isso... – ela suspirou e tornou a sentar-se – olhe, não estou mentindo quanto ao tigre, a parte que não estava contando era que eu também queria aproveitar um tempo com Castle. Eu meio que prometi uma segunda tentativa com as algemas... mas, uma vez lá as coisas se moldaram, era como se tivéssemos tendo uma noite normal de casal, comemos e fomos para a cama. Dormir. E eu tive pesadelos! Com o tigre e com Castle morrendo de novo como acontece devido a PTSD. Nós dormimos abraçados, eu fiz café para ele. Quando vi, estávamos agindo como se aquilo tudo fosse rotina. Até quando eu tentei mudar o foco para a tal parceria com benefícios, nós tivemos alguns problemas...
- Mas conseguiram fazer sexo?
- Sim, conseguimos.
- Então, vocês não se tornaram um casal casado a vinte anos que faz sexo uma vez por mês. Não entendo qual a sua preocupação, Kate.
- Não consegue mesmo enxergar, Dana? Vou lhe dar o outro exemplo – ela contou do caso da Borboleta Azul. Dana ria imaginando Castle pensando neles como as personagens de 47. Isso daria um ótimo livro – então ele me levou para o escritório e começou a falar sobre momentos especiais, o whisky... não percebe? Dana, quando ele me falou de como eu o magoei... mesmo assim, ele ainda gosta de mim, pensa em dividir aquelas garrafas de bebida rara comigo. Não é apenas doméstico, sinto como se tivéssemos cruzando uma linha, um limite. Não estamos mais vivendo a parceria com benefícios, para Castle nós somos um casal.  
- Para Castle ou para você?
- Isso importa?
- Levando em consideração que estamos aqui para a sua terapia e curar seus traumas, claro que sim – Dana mexeu-se na poltrona, estava prestes a jogar uma pequena bomba no colo de Kate. Sabia que ia deixa-la ainda mais confusa, porém precisava que ela começasse a aceitar que ela mesma cruzara a linha – certo, Kate. Eu vou lhe explicar exatamente o que eu vejo como sua terapeuta e o que precisamos para que você de fato conclua o tratamento.
Dana ergueu o caderno azul sacodindo na frente de Kate.
- Eu vou ler esse pequeno tesouro e voltarei a falar dele depois. Talvez você tenha alguma razão no que você esteja sentindo. No que você descreve como doméstico. A verdade é que você e Castle tem uma interação tão boa que mesmo a investigação de um caso pode ser intitulada como algo trivial, rotineiro. Para mim, tem outro nome. A parceria de vocês está tomando um outro rumo, sim continua tendo benefícios, porém está a cada dia se moldando mais para um relacionamento. Por que você acha que isso está acontecendo? Você chegou a ponto de pedir para dormir na cama dele, abraçados? Definitivamente não é sexo casual ou amizade colorida...
- Está vendo? É exatamente disso que estou falando. Não posso continuar isso. Era para ser algo sem significado, necessidade apenas. Sexo por sexo.
- Kate, nós duas sabemos que isso não funciona assim com Castle e você.
- Exatamente por esse motivo eu preciso pôr um fim nisso. Meu foco deve ser em curar meus traumas, consertar meus problemas. Só isso. E não passar duas horas de terapia falando de Castle.
- Sei... voltarei nesse ponto mais tarde. Conforme eu havia dito, existem alguns meios de saber como evoluímos em relação a terapia. No seu caso, basta responder a duas perguntas. Decidi que está na hora de você conhece-las. Preparada?
- Espera, você está dizendo que se responder essas perguntas o tratamento acaba?
- Se você as responder corretamente, sim, seria o fim do seu tratamento e eu saberia que posso deixa-la seguir em frente com sua vida – Kate suspirou. Em sua mente, ela estava inclinada a achar que isso era mais um dos joguinhos de Dana.
- Certo, e quais são as perguntas? Talvez essa seja nossa última sessão, afinal – Dana riu. A terapeuta tinha certeza que não.
- A primeira pergunta que você deve estar apta a responder é: você está pronta para contar a verdade sobre o seu atentado para Castle? – ao ouvir a pergunta, Kate não pode evitar ficar boquiaberta por uns instantes, Dana prosseguiu – a segunda pergunta é: Se eu aparecesse hoje falando que tenho uma nova pista no caso do seu atirador que consequentemente a levaria ao caso da morte de sua mãe e seu potencial assassino, o que faria? Perseguiria a pista mesmo sabendo que isso poderia lhe custar a vida?
- Você... não... você está jogando! Não pode me pressionar assim!
- Não estou lhe pressionando, Kate. Apenas revelei duas perguntas que você deve estar apta a responder corretamente para que eu declare seu tratamento como concluído. Vale dizer que não existe apenas uma resposta correta.
- Não é justo... são perguntas difíceis.
- Eu sei, não espero que tenha respostas agora. Mas, você pode pensar sobre elas. Dependendo de como me responda, posso ter uma ideia de onde estamos em seu tratamento. Relaxe, não vá perder o sono com isso. Trata-se do método que escolhi para trabalhar com você. O que me leva de volta ao assunto que você levantou um pouco antes. Você disse que não devia vir aqui e passar duas horas falando de Castle. Está errada. Uma de suas perguntas está diretamente atrelada a ele. Falar de Castle irá ajudá-la a responder à pergunta. Não está perdendo tempo com isso, está se ajudando a descobrir o lado pessoal e afetivo de Kate Beckett.
- Você me manda relaxar... acabou de jogar um quilo de dinamite em cima de mim...
- Não falei nada do que já não houvéssemos discutido antes. Você mesma entendeu que seu tratamento é baseado em si descobrir e deixar o peso do assassinato da sua mãe para trás. Estou apenas mostrando o caminho para você alcançar a sua meta. Disse que precisa focar, eu concordo. Precisa focar especialmente em seu interior, no que você quer, no que seu coração está lhe dizendo.
Kate passou as mãos pelo cabelo soltando um longo suspiro.
- Acho que terminamos por hoje. Muita informação para ambos os lados. Prometo que na próxima sessão tentarei algo mais leve. Também lhe darei uma resposta sobre o caderno, se é que já não fiz isso hoje. Vá para casa, Kate. Descanse.
- Vou precisar de um analgésico. Minha cabeça está latejando.
- Conheço um ótimo – disse a terapeuta sorrindo. Beckett a olhou erguendo a sobrancelha – ora, detetive, não é porque está confusa ou cansada do lado doméstico que não pode usufruir dos seus benefícios! Não leve a vida tão a sério, Kate... esse conselho sempre é bom e não é de minha autoria.
- Tchau, Dana. O único encontro que quero hoje é com a minha cama – Beckett deixou o consultório. Dana ainda sorria. Talvez tivesse forçado a mão, pressionado demais. Kate não gosta de decidir na pressão. Caramba! Ela está totalmente entregue aos encantos de Castle, como não consegue admitir que o ama? Muros, ela pensava que eram de concreto. Estão parecendo de aço!
Mais tarde em sua cama, Kate rolava de um lado para o outro pensando nas palavras de Dana. Aquelas perguntas eram quase impossíveis de responder. De certa forma, ela estava pedindo para que respondesse ignorando tudo que vivera até aqui, especialmente na NYPD. Sim, porque poderia apostar que a resposta correta deveria ser esquecer, deixar para trás. Então, ela não tinha direito de saber o que aconteceu?
E Castle... ela mesma não estava tornando nada fácil para os dois. Seus últimos encontros eram provas concretas disso. Ele estava mais do que envolvido, pensando no futuro deles como algo certo. Não podia negar a si mesma que a cada dia percebia o quanto a proximidade entre eles crescia. Não conseguia explicar como duas pessoas tão diferentes poderiam ter tanta conexão, tanta cumplicidade. Isso é um problema. Quanto mais insistisse nessa parceria com benefícios, mais forte seria essa ligação e em sua mente, não ajudava a responder à pergunta de Dana. Por que ela fez isso?
Kate jogava o travesseiro contra o rosto resmungando. Queria bater na terapeuta. Com custo, ela adormeceu. 

Três dias depois...  

Castle foi surpreendido numa cena de crime. Não pela morte em si, pela presença de sua filha fazendo estágio com Lanie. Aquilo mexeu com o escritor. Era quase que uma violação de seu território sagrado. Beckett ficou surpresa com a declaração de seu parceiro.
- Meus mundos estão colidindo.
- Você quer dizer por causa de Alexis? – Beckett perguntou concentrada em analisar algo no chão.
- Você sabia?
- Você vivia dizendo que gostaria de passar mais tempo com Alexis, é a sua chance.
- Não assim. Isso é coisa minha. Coisa nossa. É como misturar religião e política – Beckett olhou para ele surpresa – isso seria igual eu aparecer na escola dela para dar aulas.
- Acho que você está exagerando – disse ela sorrindo, estava gostando do rumo da conversa.
- E se eu não estiver? E se isso atrapalhar a delicada sinergia de nossa parceria? E se acabar com a coesão da nossa união? Viu, grande problema – na verdade, ela acabara de encontrar a pista que estava procurando, porém as palavras de Castle não passaram desapercebidas por ela. Novamente, a sensação de limite voltou a sua mente. Era disso que falava com Dana. Melhor se concentrar no caso.
Seguindo o rastro de sangue, acabaram encontrando o suposto assassino por uma câmera de transito. Prendê-lo foi relativamente fácil. E estava com uma refém aparentemente. Chamava-se Thomas Gage. Na verdade, o cara não existia e nem o morto segundo Lanie, para piorar o corpo sumiu do necrotério. A vítima do sequestro confirmou que ele realmente matara o cara. Havia algo muito estranho acontecendo e Beckett não sabia explicar o que era. E nem poderia perguntar a Gage já que ele sumira do distrito. Uma pilha de corpos estava sendo deixada por Gage ainda sem um motivo concreto para Beckett.
Ao tentarem evitar mais uma morte, chegaram tarde demais. Encontraram apenas o corpo. Ao vasculhar a casa, Beckett percebeu que havia algo errado. Uma caneca de café ainda quente estava sobre o balcão da cozinha. Tinha mais alguém ali. De arma em punho, ela retornou para a sala onde deixara Castle encontrando-o com um saco preto no rosto. Sentiu o cano da arma apontando para sua cabeça. Colocaram-lhe um saco também.
Quando retiraram os sacos de suas cabeças, repararam que estavam em um elevador com uma espécie de segurança. Desciam muitos níveis abaixo do solo. As portas finalmente se abriram e os dois foram escoltados para uma sala muito parecido com um quartel general. Telões, computadores e vários outros equipamentos de comunicação e rastreamento além de muitas pessoas trabalhando.
- Rick Castle sem palavras. Deve ser a primeira vez – disse a mulher sorrindo ao encontro deles. Beckett olhou desconfiada. Quem era essa mulher?
- Sophia Turner...
- Olá, Rick! Bem-vindo a CIA. – sim, definitivamente Beckett perdera alguma coisa. Ela os deixou esperando numa espécie de sala. Castle estava maravilhado com tudo. Ele na CIA! Tanto que nem sequer prestara atenção na pergunta que Beckett fizera. Visivelmente chateada por não ter o controle e por ser a pessoa com menos informação, ela insistiu.
- Castle, você está evitando a pergunta. Quem é Sophia Turner? Como a conhece?
- É uma longa história.
- Posso ouvir o resumo.
- Deixe-me contar a você – disse a mulher entrando na sala com dois copos de café – faz quanto tempo? 12 anos?
- 11 e meio – a cara de Beckett não podia ser mais feia. Ele lembrava do tempo?
- Rick e eu nos conhecemos quando ele estava fazendo pesquisa para seu primeiro livro de Storm. Ele queria ter uma visão mais próxima e pessoal da vida de agente da CIA. Então eu mostrei a ele – Castle bebia o café, não queria falar nada. Obviamente, Beckett estava um tanto surpresa e irritada naquele momento. Era interessante observar as reações dela.
- Você é Clara Strike, a Clara Strike dos livros de Derrick Storm?
- Eu não diria que sou Clara Strike, mas gosto de pensar que inspirei Rick de alguma forma – ela estava perplexa, Castle sorria e definitivamente Beckett não sabia o que pensar, quer dizer, era incrível. Ela admirava Clara Strike, mas daí a conhecer a mulher que a inspirou? Havia um conflito interno no momento. Seu lado de fã colidia com seu lado de musa. Sim, Sophia era uma das musas de Castle. O que claramente indicava que ela não era a única.
- Isso é fascinante – Beckett usou um tom irônico para a frase. Os dois pareciam ter esquecido que ela estava na sala por alguns instantes. A irritação da detetive aumentou. Precisava agir – certo, odeio interromper esse encontro, mas estamos sendo ilegalmente detidos, pelo menos eu estou.
- Isso não é uma detenção. É uma inquirição aprovada pela NYPD. Pode ligar para Ted McQuinn.
- O chefe dos detetives?
- Ele me garantiu que você nos daria cooperação total. Preciso saber tudo sobre Thomas Gage.
- Não até você me dizer o que está acontecendo aqui – sim, não ia ceder fácil a essa mulher. Viu o jeito como ela olhou para Castle, estava querendo debochar dela? Beckett não sabia.
- Tudo bem. Só que estaremos falando de informação privilegiada e confidencial relacionada com a segurança nacional. Se revelar a alguém será tido como crime de traição contra os estados unidos, punido por morte. Então, ainda quer saber? – aquela mulher estava lhe provocando, pensou Beckett. Não daria o gostinho a ela.
Sophia contou a história de Gage e Beckett conheceu sua vítima, um agente da CIA, por isso não existia. Gage estava querendo iniciar uma ameaça catastrófica ao país, esse era o motivo que deviam detê-lo. Nada disso realmente importava para Beckett. Não apenas o fato de não ter o comando da situação a chateava, mas principalmente a presença de Sophia e a forma como se sentia afetada por uma mulher do passado de Castle.
Ao receber uma ligação de Espo, Beckett teve que atender no vivavoz. Não havia muita novidade exceto o nome pandora que apareceu na agenda da outra vítima. Sophia explicou que esse era o codinome da operação de Gage. Supondo que agora todos estavam na mesma página, ela pediu a ajuda de Beckett para encontrar Gage. Como ele era um mercenário, não gostaria de usar o FBI. A NYPD seria mais fácil. Eles se reportariam apenas a ela. Seus telefones foram conectados a uma linha direta. Antes que pudesse responder à pergunta de Sophia, Castle se antecipou respondendo pelos dois. Aquilo apenas serviu para deixar Beckett mais irritada.
De volta ao seu carro, enquanto dirigiam de volta para o distrito, Castle não parava de se empolgar com tudo que estava acontecendo.
- Você percebe o que isso significa? Somos espiões. Estou me sentindo em um filme de Bourne exceto que ele é o vilão e a CIA são os mocinhos.
- Seria a primeira vez.
- Espere aí. Preciso ver o programa de ligação direta que colocaram em nossos telefones – ele pegou os dois celulares – ei, por que o meu é um botão do pânico?
- Acho que ela realmente te conhece bem – pela primeira vez, ele percebeu que ela estava chateada. Apenas pelo tom de voz.
- Certo. Você está chateada.
- Não estou chateada – negou rapidamente.
- Então, está o que?
- Estou um pouco desconfortável com a nova estrutura de comando. Não gosto de guardar segredos do meu pessoal.
- Certeza que não é por causa de Sophia?
- Não! Por que seria?
- Ah, eu não sei. Talvez porque baseei uma personagem nela.
- Não se ache, Castle. Não é uma honra tão grande – queria morder a língua por falar uma bobagem dessa, é claro que esse era um dos motivos que a chateavam. Isso e a suposta história entre eles. Porque ficara bem claro que havia um passado para Beckett.
- Ótimo, porque ela está do nosso lado. Estamos no mesmo time.
- E isso não te preocupa? Não acha que isso afetará a coesão da nossa união? – ela não resistiu em usar as palavras dele.
- Deixarei essa passar em nome da segurança nacional.
- Acho que eu também – mas ela não conseguia disfarçar completamente a ameaça iminente que Sophia representava nesse momento. A grande pergunta que rondava sua mente era: por que? Não podia ser ciúmes, podia? Não aguentou ficar calada – eu posso ter sido pega de surpresa pelo fato de que você já pesquisou com outra pessoa.
Ah, então ele tinha entendido o que se passava. Ela estava com ciúmes, embora não admitisse, Sophia a deixava inquieta. Cabia a ele mostrar que estava preocupada à toa.
- Nunca foi do jeito que é com você e eu. Apenas andei com ela por um tempo para dar autenticidade a Clara Strike. Foi por um curto período, muito tempo atrás. E Nikki Heat? É uma personagem muito mais complexa e ampla – ela olhou para ele como quem não queria acreditar – ela é – isso fez Beckett sorrir, ele estava tentando agrada-la, o que era bonitinho - E sou um escritor mais experiente, mais maduro – o olhar dela dizia claramente “sério? ”, ele sorriu – uma das duas coisas.
A curiosidade atiçava demais a detetive naquele momento.
- E quanto tempo durou? – agora Castle parecia desconfortável. Beckett não deixou passar enquanto entravam no 12th – um ano? Essa é sua ideia de curto tempo?
- Eu era jovem e ela tinha muito a me ensinar – certo, isso não soara bem. Podia saber pela reação de Beckett que sorria irônica.
- É aposto que tinha.
- Sobre o mundo obscuro da espionagem – ele frisou. Ela virou-se para ele. Tinha que saber.
- Deixe-me perguntar isso, quantas mulheres você semi-perseguiu em nome da pesquisa?
- É uma armadilha?
- Pensando bem, eu nem quero saber – Beckett realmente se odiava por estar tão afetada por essa história. O problema era que sua raiva de Castle era como ondas chegando a praia. Em um momento estava no ápice, em outro ela curtia estar ao lado dele como no momento que se negaram a contar para Gates o que estava acontecendo. Castle estava empolgado por dizer que era confidencial seja para ela ou para os rapazes. Beckett ria diante da situação. Esse jeito de moleque dele era encantador.
Decidiram voltar a cena do crime da outra vítima de Gage para tentar descobrir algo mais sobre Pandora. Descobriram que o carro dela era um Pontiac GTO e ficava estacionado próximo ao aeroporto de Newark. Castle e Beckett foram até lá conferir se havia alguma ligação com Gage através do carro.
Eles encontram o carro e Castle fica impressionado com o conhecimento de Beckett sobre carros antigos. Ninguém dirigia aquele veículo há algum tempo, mas claramente abriram seu porta-malas. Havia marcas de dedos ali. Com a chave, Beckett abriu e se deparou com uma maleta. Quando estava prestes a abrir, Castle queria impedi-la dizendo que não sabiam o que tinha ali.
- Só há um jeito de descobrir.
- Não, estou falando que pode ser pandora. Como a caixa de pandora. Abri-la pode liberar uma obra do mal eterna.
- Castle, isso é um mito.
- Estou falando metaforicamente. Gage planeja um evento catastrófico, não? E se há uma máquina do juízo final na mala que será ativada quando abri-la?
- E o marco zero é uma garagem em Nova Jersey? Duvido.
- Eu só... – mas a teimosia de Beckett era maior e abriu a mala. Dentro, havia uma espécie de telefone militar e criptografado. Castle reconheceu o objeto. É equipamento de espião.
- Tracy veio aqui para fazer uma ligação e aposto que o último número que ela discou ainda está no telefone.
- Fechem a mala e virem-se. Mãos erguidas – eles obedeceram. Sabiam quem era.
- Gage.
- Armas e telefones no chão – Beckett não estava a fim de cooperar. Ao apontar a arma para ele, Gage a surpreendeu tirando-a de sua mão em um piscar de olhos – celulares no chão – ele destruiu os telefones com os pés – receio que não gostarão do que acontecerá agora – não iam mesmo. Gage os prendeu no porta-malas do carro.
Tentando fazer algo para libera-los, Beckett conseguiu alcançar sua lanterna. Ligou-a e chamou por ele.
- Castle – ele estava fazendo careta de olhos fechados tentando se colocar a frente dela – Castle, o que está fazendo?
- Preparando para te proteger de uma rajada de balas.
- Isso é muito nobre, mas já pode parar. Acho que ele já foi.
- Minha vida estava passando diante dos meus olhos. Acho que perdi a noção do tempo.
- O que você sabe sobre travas de porta-malas? – afinal, ele parecia ser dedicado a arte de brincar com cadeados como ela descobrira ao estarem presos com o tigre.
- Bem, a má notícia é que esse não foi feito para abrir por dentro.
- E a boa notícia?
- Dessa vez não estamos algemados um ao outro – então ele também estava pensando sobre o mesmo assunto – é surpreendentemente espaçoso aqui.
- Não tão espaçoso. Mais cedo ou mais tarde ficaremos sem ar. Precisamos sair daqui.
- Talvez alguém nos encontre.
- Castle, estamos presos em um porta-malas em um estacionamento de longo prazo. Levará horas até notarem que sumimos. Quem você acha que vai nos encontrar?
- Só acho que, em situações como essa, é importante ter fé – então ela entendeu.
- Você apertou o botão do pânico, não é?
- Se houve uma hora para pânico, foi essa.
- Eu estou...
- Você deveria me agradecer.
- Não! Eu não serei resgatada pela sua namorada. Mexa-se, Castle.
- O que você está fazendo?
- Preciso chegar lá embaixo – ela se debatia toda, empurrando-se contra ele até pegar uma das ferramentas para a troca de pneus do carro, ao vê-la segurando o metal, ele se assustou, pensou que ela bateria nele porque sabia que ela estava com raiva.
- O que você está fazendo? – quando ela passou o metal rente a sua cabeça se debruçando sobre ele querendo alcançar a área da fechadura.
- Estou perto?
- Mais para a esquerda... – Beckett continuava mexendo o metal até ouvir um clique. O porta-malas se abriu – legal! – do lado de fora, alguém já esperava por eles com capuzes. Novamente, foram levados até o quartel da CIA. Quando Sophia se encontrou com eles, entregou a arma a Beckett. Havia sido encontrada no estacionamento.
- Ótimo trabalho achando o carro. Pode ser a pista que precisávamos – Sophia agradecia a Castle, ignorando a presença de Beckett. Sorrindo, ele respondeu.
- Não posso levar todo o credito.
- Especialmente porque foi o detetive Ryan quem o descobriu.
- O telefone é obviamente importante, senão Gage não o teria pego.
- Tracy McGrath usou-o no dia que morreu. Talvez ela ligou para alguém conectado a pandora – disse Castle.
- E Gage a eliminou e pegou o telefone para eliminar as pontas soltas – bem ali, diante de seus olhos, Beckett viu a mesma interação que ela tinha com Castle quando discutiam casos. Isso a quebrou um pouco, sentia-se excluída, porém não estava disposta a ceder. Interferiu.
- O que ainda não explica onde Gage está agora ou para quem Tracy ligou.
- Descobriremos quando rastrearmos a ligação – disse Sophia com um ar presunçoso.
- Mas Gage levou o telefone – disse Castle – como rastrear sem saber o número discado nem o dela?
- Usando os melhores brinquedos – ela definitivamente atiçara a imaginação do escritor, deixando novamente Beckett no vácuo. Observando a magia da tecnologia agir em favor não somente da investigação, mas também de Sophia, Kate sentia-se mais desconfortável a cada minuto enquanto Castle mais hipnotizado. Tudo isso gerou uma nova perspectiva a investigação. Um cara que supostamente deveria estar morto. Dr. Nelson Blakely. Ele criara modelos capazes de mudar a geopolítica usando sua teoria motriz. Encontrar um acontecimento trivial que desencadearia algo maior. Bastava derrubar o domino certo que o resto cairia. Conseguiram leitura labial.
- Me encontre na quinta as cinco da tarde. Bispo A-5, bispo C-4, peão E-3.
- Movimentos de xadrez? – Castle estranhou, mas o agente revelou que ele era um jogador de xadrez renomado. Seria um código. Sophia delicadamente indicou que não podiam estar ali. Aproximando-se de Castle, tocou seu casaco quase como num gesto de carinho.
- Muito obrigada pela ajuda. O agente Jones mostrará a saída – Beckett observava a cena. Já não era desconforto ou irritação, era um incomodo. Não apenas em relação a Castle, mas também quanto ao seu próprio senso de justiça.
- Espere um momento. E quanto a Gage?
- Precisamos achar Blakely, ele é o elo frágil.
- Certo, mas se souber algo sobre Gage, avise.
- Claro, estamos juntas nessa – Beckett dificilmente acreditava naquelas palavras. No elevador, Castle quebrou o silêncio estranho que pairava sobre eles.
- Sabe o que eu acho? Que deveríamos desvendar aquele código de xadrez.
- A CIA resolverá, Castle.
- Com o histórico deles? Não tenho tanta certeza – olhou para o agente atrás deles – só estou dizendo. Se decifrarmos o código, podemos salvar o país de um acontecimento catastrófico sem igual.
- Se quiser ir atrás de Blakely, vá em frente. Sou uma detetive de homicídios. Preciso encontrar Thomas Gage e não posso fazer isso obedecendo a Sophia.
- Como assim?
- Ele matou duas pessoas, Castle. Acha que ela se importa? Não. Ela tem outros planos.
- Sim, como salvar o mundo. Estamos no mesmo time.
- Não – era isso, não aguentava mais – você está no time dela. Porque do jeito que olha para ela, com certeza não está no meu – o agente não deixou que eles continuassem a discussão ordenando que colocassem o capuz outra vez. Castle resolveu não continuar a conversa com Beckett. Sabia que ela estava em um nível de irritação que poderia ser prejudicial a ambos. Inventando a desculpa que precisava passar em casa, se separou dela prometendo encontra-la mais tarde no distrito.
Claramente, Beckett entendeu a mensagem como a deixa para que ele continuasse sua própria pesquisa sobre Blakely para ajudar Sophia Turner. Ela não sabia dizer se isso a irritava ou se a deixava triste. O que dizer de sua parceria agora? Ela chegou a comentar com Lanie o quanto ele ficou chato nesse caso e que eles se desentenderam, tudo sem revelar o real motivo. Claro que a história chegou aos ouvidos da mãe através de Alexis o que deixou Castle ainda mais chateado.
Beckett procurava se concentrar no caso de assassinato, porém usou o nome de Blakely pedindo para Esposito pesquisar qualquer ligação com Tracy. E ele achou uma. Ela sabia da morte forjada. Quando decidia qual deveria ser seu próximo passo, percebeu que não conseguia pensar realmente. A ausência de Castle no distrito começava a perturba-la. Se ele foi fazer sua própria pesquisa, será que escolhera contar também para Sophia? Estava com ela nesse momento? Chateada, pegou a caneca vazia e saiu pisando forte.
Beckett se isolou na minicopa. Precisava de um tempo para si. Com uma caneca de café nas mãos, ela andava de um lado para o outro bebericando a bebida claramente chateada. A linguagem corporal indicava nervosismo e ansiedade. Não podia negar, fora pega pelo bichinho do ciúme. O encontro com Sophia Turner e a maneira como ela e Castle interagiram mostrou que a agente da CIA não era uma pessoa qualquer na vida de Castle.

- Hey, você vai acabar fazendo um buraco no assoalho. O que está te deixando tão agitada? Seria o caso ou Sophia Turner?

- Por que a CIA tem que se envolver no meu caso?

- Talvez porque estamos falando de ameaça para o pais?

- Não, Gage é um assassino. É um caso de homicídio. Por que a CIA?

- Gage era um deles. Segurança nacional.

- Você tem resposta para tudo? - perguntou visivelmente irritada.

- Ok... entendi. Acho que isso não tem a ver com o caso. Sua raiva é porque foi impedida de investigar seu homicídio e ainda é obrigada a não discutir o trabalho com a CIA com o seu pessoal. Na verdade, estou começando a me questionar se isso tudo tem realmente a ver com o caso.
- O caso já acabou. Tenho um homicídio para resolver.
- E por que está irritada se a CIA já lhe liberou? Isso não tem nada a ver com o caso. Você não gostou de ter que obedecer a agente e manter o sigilo, a confidencialidade para o seu pessoal ou no fundo, você não gostou de me ver trabalhando com Sophia? É esse o problema? Você está com ciúmes da agente?
- Quem falou em ciúmes? Não é nada disso! Não estou com ciúmes de você – mas estava e não era pouco, especialmente pelo lance da musa.
- Certo, não vai admitir. Posso conviver com isso... – ele tinha um sorrisinho maroto no canto dos lábios. Finalmente, Beckett parou de andar e o fitou. A pequena veia na testa sobressaltada. Ela ficava linda com raiva.  
- O que você faz aqui? – Beckett perguntou.
- Encontrei algo. É sobre Blakely.
- Não devia contar para a Sophia? – ela virou-se de costas para ele, deixando a minicopa de volta ao salão. Escorou-se em sua mesa para fitar o quadro de evidências. Claro que ainda estava chateada sem saber como lidar com tudo isso. Castle não se deixou intimidar com a pergunta agressiva.
- Ela não é minha parceira. Você é – ela o fitou. Sentou-se em sua cadeira. Os olhares fixos procuravam se entender. Usando de seu cavalheirismo, ele perguntou - posso? – ela assentiu. Sentando-se em sua cadeira cativa, ele colocou o tabuleiro de xadrez sobre a mesa de Beckett e começou a explicar sua teoria – Bispo, bispo, peão. Sabemos que Blakely era um renomado jogador de xadrez. Tracy também. Ela tinha um relógio de xadrez. Mas esse posicionamento não faz sentido tático.
- Suponho que tenha uma teoria? – ela olhava para ele quase sorrindo. Fora atingida pela baixa da onda outra vez.
- Não acho que as peças tenham a ver com o jogo. Acho que Blakely deixou uma mensagem codificada para Tracy dizendo onde encontra-lo. Talvez um lugar onde jogavam xadrez.
- Certo, pessoas jogam xadrez em parques. Central Park, Washington Square Park… seriam bons lugares para encontrar alguém sem chamar atenção.
- Exato. E se cada peça significar a primeira letra de uma palavra? Bispo para B, peão para P.
- Ok, B e mais sete espaços pode ser Brooklin. E Blakely ligou do Brooklin. BBP... Brooklin Bridge Park?
- O encontro é as cinco. Isso é em meia hora. Se Blakely aparecer, poderemos saber o que é Pandora e acharmos Gage. O que me diz? – obviamente, ela topou. Atravessaram a ponte e se colocaram em um lugar estratégico do parque, diante de um tabuleiro de xadrez, frente a frente, para esperar o tal professor.
- Blakely deveria estar por aqui agora. Talvez ele saiba que Tracy está morta ou talvez Gage já o tenha matado.
- Escolho a audácia da esperança – disse Castle – digo que ele estará aqui.
- Então não deveria ligar para Sophia? – ela provocou.
- E parece um imbecil se eu estiver errado?
- Tenho que admitir que estou surpresa por você nunca tê-la mencionado antes – porque ela continuava insistindo nesse assunto que só a fazia ficar mais confusa? Droga de curiosidade!
- Não era permitido. Ela é uma agente ativa da CIA.
- Sei.
- Se você quiser, responderei qualquer questão que tiver sobre ela... qualquer coisa – sim, o olhar de Beckett mudou. Por mais que quisesse saber, ela se fazia de durona. O simples fato de ele estar aberto a falar sobre o assunto já era uma espécie de consolo. Educadamente agradeceu.
- Não, obrigada.
- Tem certeza? – ele também sabia cutuca-la porque aos seus olhos estava bem óbvio o que estava rolando na cabeça da detetive.
- Tenho, não é da minha conta – e ainda assim... queria tanto saber. Tanto.
- Certo, então encerramos o assunto.
- Ótimo – ela sequer olhava para ele com medo de demonstrar o quanto estava sendo difícil concordar em não saber. Então, Castle pareceu entretido no tabuleiro de xadrez. Ela tirou aquele momento para olha-lo. Talvez se odiasse pelo que estava prestes a fazer, mas era mais forte que ela. Mordendo os lábios, deixou a coragem falar por si.
- Então, quão próximos vocês eram? Exatamente – ele olhou na direção dela, exceto que não estava realmente olhando para Beckett.
- Ele está aqui.
- Vamos Castle, você disse que poderia perguntar.
- Não, sério. Ele está aqui – Castle se levantou. Ela fez o mesmo. Aproximou-se do homem carregando um tabuleiro de xadrez.
- Dr. Blakely.
- Acho que me confundiram com outra pessoa.
- Não, não há engano – disse ela mostrando o distintivo.
- Como me acharam?
- Através de Tracy. Ela está morta.
- Se eles a pegaram, podem me pegar. Precisamos sair daqui agora.
No carro de Beckett, Blakely conversava praticamente sozinho. Beckett resolveu questiona-lo sobre Pandora. Ele pediu para que ela o levasse ao píer 32. Insistia nisso. Prometeu que estando lá contaria o que sabia. Castle queria saber porque ele fingira a própria morte. Ele contou que brincou de Deus usando a agencia. Mas sua teoria motriz não considera o custo humano. Por isso, morrera para renascer. Ele fizera boas coisas com a ajuda de Tracy. Queria saber quem a matara. Beckett revelou que foi o mesmo homem que tentava pegar Pandora. Tudo que disse era que isso era pior do que pensara deixando Castle e Beckett no escuro. Ao chegarem no píer 32, Beckett desligou o carro e o obrigou a falar.          
Era o nome de um livro branco que ele escrevera. Fora contratado para desvendar pontos fracos na segurança americana, assim poderiam ser amparados, protegidos. Ele achar uma enorme vulnerabilidade, uma teoria motriz atrelada a economia que poderia causar crise e devastação além de tudo que já vimos. O efeito domino nunca terminaria segundo ele. Queria saber quem o contratara, mas Tracy pesquisou e disse ser um beco sem saída. Quem quer que seja tem o mapa para destruir o seu país agora.
- Dr. Blakely, quem é o motriz? – perguntou Castle ainda alarmado com tudo o que ouvira. De repente, o homem enlouqueceu e saiu do carro. Beckett gritava para esperar e voltar. Tarde demais. No minuto que estava na frente do carro foi atingido. No segundo seguinte, uma SUV bateu na traseira do carro de Beckett. Ela ligou o carro tentando guia-lo. O carro os empurrava na direção do rio. Ela tentava fazer de tudo para escapar, virar a direção.
- Segure-se, Castle! Segure-se!
- Beckett, não! Freie!
- Segure-se! – estavam na beira do píer. Tarde demais para voltar – Castle! – e o carro caiu na agua.  


Continua....