segunda-feira, 6 de março de 2017

[Castle Fic] A (Im)Perfect Love Story - Cap.9



Nota da Autora: Estamos de volta! Esse capitulo não é tao grande quanto os outros, mas prometo que está divertido. A grande dúvida aqui é se o casal GrayShall (sim, deram esse nome ao ship) ou o casal Grey's Anatomy, como um certo alguém gosta de falar, vai se acertar... façam suas apostas! Btw, posso dizer que amo quando vocês aceitam meus personagens originais? Obrigada! E como já expliquei antes, aqui e ali aparece uma referência a nossa série amada. Vem muito mais por ai...Enjoy! 


Cap.9 

Quinta-feira
Paul estava tendo um dia muito complicado. Era apenas meio-dia e ele já enfrentara duas cirurgias. Pensava consigo mesmo: como queria que aquele dia terminasse. Estava de folga na sexta. Andava tão ocupado que nem vira Johanna. Sabia que estava trabalhando porque vira seu nome no quadro de cirurgia. Seu residente se aproximou. 
— Dr. Gray, eu acabei de ser avisado. Tem uma ambulância a caminho. O quadro é complicado. Tiros, parece que foi briga de gangues. 
— Qual o tempo estimado para a chegada da ambulância? 
— Dez minutos. 
— Tudo bem, eu vou ao banheiro - lá se fora sua chance de tomar um café descente, teria que se contentar com o “chafé" do conforto. Ralo e extremamente doce, horroroso era uma boa definição. Ele foi bastante rápido, estava virando o último gole do café quando saia da sala e deu de cara com Johanna. 
— Hey, estranho… nem parece que trabalhamos no mesmo hospital. Não vejo você desde sábado. Terça te vi de relance. 
— Andamos ocupados, não? O dia hoje não está fácil. Falando nisso, tenho que ir, tem uma ambulância chegando. Até que horas você ficará por aqui? 
— Seis - ele se distanciou dela, Johanna segurou seu braço - está tudo bem, Paul? 
— Sim - ele sorriu cansado - pelo menos estou de folga amanhã. Vejo você depois - apressou o passo, alguém precisava de sua ajuda. 
Infelizmente, apesar de todos os esforços, ele não foi capaz de salvar o rapaz. O paciente de 32 anos tinha levado dois tiros. Um no pulmão, outro no coração. Tivera duas paradas na ambulância. Estava no lugar errado, na hora errada segundo os policiais que o socorreram. O médico-legista veio buscar o corpo, chamou por Paul e entregou uma sacola com os pertences do rapaz. O Dr. Gray tinha a difícil missão de comunicar o falecimento à família. 
Encontrou uma mulher na faixa de uns vinte e poucos anos esperando aflita por notícias. A enfermeira alertou-o que era a irmã. O ritual era o mesmo, frustrante, triste e incômodo para quem dava a noticia e quem recebia. Ao entregar a pequena sacola plástica com os pertences do irmão, viu os olhos dela se arregalarem. A moça retirou uma caixa azul de dentro da sacola. 
— Meu Deus - exclamou ao abrir a caixa - ele finalmente criara coragem. Mariah vai sofrer tanto! Ele ia pedi-la em casamento. 
— A namorada? 
— Não, quer dizer, também. A melhor amiga. Eles foram namorados no colégio, decidiram se separar e continuar amigos então os anos passaram, eles namoraram outras pessoas. Nada dava certo. Acho que finalmente ele resolveu arriscar. Deus! - ela olhou para o médico que parecia intrigado com a historia - desculpe, doutor, eu despejando tudo isso na sua frente. Obrigada por tentar salvar meu irmão. Se ao menos ele tivesse tomado essa atitude algum tempo atrás. Podia ter sido feliz. 
— E se morresse do mesmo jeito? - perguntou Paul. 
— Melhor alguns meses de felicidade do que uma vida se privando de amar - limpando as lágrimas, a moça virou as costas para ele e saiu. Paul esfregou os olhos. Visivelmente cansado. Ele consultou o relógio. Quatro da tarde. Ele precisava de um café decente. Já ia se virar para deixar o hospital rumo ao café da esquina quando a recepcionista o chamou. 
— Fale, Cindy. Não me diga que tenho outro paciente. 
— O senhor está cansado. Não é um paciente, acabaram de entregar um pacote para o senhor. Acho que veio em boa hora. Está precisando de uma boa dose de café - ela entregou o pacote. Era um copo de café quente da cafeteria em frente. 
— Quem deixou isso? 
— O barista ai da frente. Disse que se o senhor questionasse era para dizer que foi um amigo. E garantiu que não está envenenado, ele mesmo preparou - como estava desejando um café, ele deu de ombros e tomou o primeiro gole. 
— Obrigado, Cindy - ele seguiu pelos corredores bebericando a bebida que agia como um bálsamo. Voltou ao conforto. Ainda saboreava o café quando notou uma frase escrita com pincel preto no copo “Algumas vezes as coisas mais difíceis na vida são também as que mais valem a pena. Pense nisso”. Não havia assinatura. Paul encostou a cabeça na almofada e fechou os olhos. 
Sentiu uma mão em seu ombro. 
— Paul, hey… está dormindo? Paul… - Johanna se sentava ao lado dele. Abriu os olhos - você cochilou aqui? - ele sorriu. 
— E-eu acho que sim. Que horas são? 
— Para mim, hora de ir para casa. Seis e quinze. Acabei de passar o plantão. Falei dos seus pacientes também - ele a olhava de modo diferente. 
— Está com pressa? 
— Não, por que? 
— Eu não como há horas. Se importa de me acompanhar para um café? E-eu perdi um paciente hoje. 
— Claro. Isso foi antes ou depois que falou comigo? Eu percebi que não estava bem. 
— Depois. Vou apenas ao banheiro, trocar de roupa. Espere aqui - ele se levantou, Johanna viu o copo sobre a mesa. Pegou para jogar no lixo. Reparou na frase, ficou intrigada. Ela dissera essa frase outro dia. Mas para quem? 
Quinze minutos depois, eles deixavam o hospital lado a lado atravessaram a rua e entraram na cafeteria. 
Havia um carro parado na outra esquina. 
— Viu o que disse? E você reclamando de ficar de tocaia! Ele a convidou para um café, Beckett. Estou sempre certo. 
— Quem disse que foi ele que convidou? - ela roubara o binóculos das mãos dele - a que ponto cheguei de tocaia numa cafeteria mexericando o encontro dos outros. 
— Não é um encontro ainda. E não menospreze a minha missão, Beckett. Você veio pedir minha ajuda. Hora da fase 2. Induzir Paul a convidar Johanna para um encontro amanhã no Le Cirque. 
— É minha missão também. A ideia foi minha, espertinho. 
— Certo. A ideia pode ter sido sua, mas você veio atrás do mestre para executa-la. Deixe-me trabalhar. Vou ligar para o nosso contato - ela revirou os olhos ao ver o marido recitar códigos no telefone - atenção, a águia pousou. Ativar missão 2. Roger - ela não podia reclamar de rotina no seu casamento. Se divertia com Castle.  
Paul e Johanna sentaram-se na mesma mesa que ela e Kate usaram no outro dia. Ele pegou café para os dois e acabou cedendo a insistência de Johanna para comer um sanduíche. Bebericavam o café quando ela perguntou. 
— Vai me contar como foi o seu dia? 
— Você quer mesmo ouvir? - ela tocou o braço dele com carinho. 
— Todos nós passamos por isso, Paul. Se você quiser falar, eu estou aqui. Seria uma péssima amiga se não lhe oferece consolo nesse momento. 
— Você está longe de ser uma péssima amiga, Joh - ele apertou a mão dela, não soltou - não havia muito o que fazer com o meu paciente. Ele já tinha passado por duas paradas. O tiro no peito praticamente o matou. Não tinha nada a ver com a confusão. Era um inocente que acabou uma vitima de gangues. Não podemos ganhar todos os dias. 
— Não, as perdas também ensinam. Algumas vezes mais que os ganhos. 
— Podemos não falar mais sobre isso? - ele notou o livro na bolsa ao lado da cadeira - você está lendo outro livro dele? 
— É o último, Kate me deu. 
— Então vocês continuam se falando. 
— Eles viajam no sábado. Vão cruzar o país de moto. Acredita? 
— Eles são mais doidos que eu pensava. Castle tudo bem, mas ela é uma policial, capitã. 
— Estão vivendo, Paul. Acredito que eles não querem mais perder tempo. A vida já provou a eles o que pode acontecer em um piscar de olhos. 
— É, você tem razão. Presenciei um pouco disso hoje. Além dos livros, o que você gosta de fazer no seu tempo livre? E não fale cuidar da sua filha. Nós nos conhecemos há três anos, nos damos bem, sei da profissional maravilhosa que é, mas fora isso… precisei que seu escritor favorito virasse meu paciente para descobrir que gosta de livros de mistérios. 
— Eu gosto de ir ao cinema, grande fã de Star Wars. Gosto de ver séries, especialmente as médicas. Uma boa caminhada, viajar, vinhos, queijos. Quem não gosta de comer? - ele riu. 
— Star Wars, interessante. Algum esporte? 
— Baseball. Yankees sempre - ele soltou a mão dela para comer o sanduíche. Ela pediu um brownie para acompanha-lo. A conversa enveredou para comida. Um território neutro que acabou fazendo-os darem boas risadas - sério! Eu tinha que provar, estava na China. Não ia perder a chance de comer gafanhoto frito. É gostoso. 
— Você está me surpreendendo. 
— Não é porque eu tive uma filha que a minha vida parou. Minhas férias são sagradas. 
— Pode me dar licença, vou ao banheiro. 
Do lado de fora a saga continuava. 
— O que está acontecendo? Eles estavam rindo. Para onde ele foi? - Beckett puxou os binóculos outra vez. 
— Prepare-se para a segunda parte do plano. Ele deve ter ido ao banheiro. 
— Eu vou fazer alguma coisa - ela pegou o celular, os dedos ágeis escreviam algo - pronto. 
— Você vai estragar meu plano! 
— Cala a boca, Castle. Ela está pegando o celular. 
Johanna ouviu o celular vibrar. Uma mensagem de Kate. Destravou o teclado e leu. Era uma foto de uma moto linda, a legenda dizia “Gostou? Ansiosa pela aventura, qualquer que seja. Carpe Diem. XKB”. Ela sorriu. Estava empolgada. 
Paul lavava as mãos na pia. Ao virar-se para pegar o papel, deparou-se com um cartaz do Le Cirque. Ficou olhando pensativo. Pegou o celular e tirou uma foto. Retornou ao salão. 
— Perdi alguma coisa? - ele se sentou ao lado dela. Johanna olhou para o amigo erguendo uma sobrancelha, mas não questionou. Podia sentir o cheiro do perfume masculino. Hugo Boss. Era o cheiro dele. 
— Essa é a moto de Kate. Essa viagem vai render bons momentos aos dois. 
— É bonita - de repente, os olhos se encontraram. Johanna não percebeu o que acontecera. Apenas sentiu os lábios de Paul nos seus. Ele a puxou e aprofundou o beijo. Rendendo-se ao momento, ela sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo. Ao se afastarem, ela o olhava confusa.
— Paul? O que foi isso? O que estamos fazendo? 
— Recomeçando. 
— E o nosso trabalho? Nossas vidas? 
— O trabalho continuará o mesmo. Somos profissionais. A nossa vida? Espero que possa mudar. Acho que já lutamos bastante, não? Eu posso afirmar muito bem por mim. Eu a admiro tanto, Joh. Sua força, sua dedicação. Sua beleza. 
— Por que agora? 
— Acho que esse último mês em especial. E uma frase que li em um copo de café hoje “Algumas vezes as coisas mais difíceis na vida são também as que mais valem a pena.” 
— Está me chamando de difícil, Paul? 
— Não, Joh - ele riu acariciando o rosto dela - não. Lembra do meu paciente? Ele ia pedir a melhor amiga em casamento, eles já tinham sido namorados antes terminaram e ficaram na amizade por serem teimosos. E agora ele perdera sua chance. 
— Paul, você não costuma se impressionar com histórias de pacientes. 
— Não é questão de me impressionar. Eu não quero mais perder tempo. Não somos tão jovens assim, eu farei 50 anos no ano que vem. A vida que levamos é difícil, solitária, especialmente se não tivermos alguém que compreenda o que fazemos todos os dias. Essa frase… 
— Uma frase… - então ela se lembrou para quem dissera. Kate. Será? Não… 
— Joh? 
— Você está muito bem para a sua idade - ele riu. Dessa vez, os dois buscaram os lábios em um novo beijo. Mais demorado, mais travesso. Johanna sentiu as mãos dele vagando pela lateral de seu corpo. Ela deixou as mãos descansarem sobre o peito dele. Foi Paul quem se afastou - eu preciso ir para casa. Audrey. 
— Eu sei - ele se levantou, ofereceu a mão para ela. Com a bolsa no ombro, caminharam até a porta - quero um encontro. Amanhã. Le Cirque, afinal você gosta do steak de lá, não? Pego você às oito - ele beijou a testa dela, deu um selinho rápido nos lábios. Caminharam em direção contraria. Ele para o carro, ela para a estação de metro. De longe, Castle e Beckett observavam os dois e sorriam. 
— Funcionou! 
— Eles se beijaram, não sabemos se irão jantar. Ele sequer se ofereceu para leva-la em casa, Castle. 
— Detalhes… 
— Não são detalhes, ele podia ser um cavalheiro. Acho que irão devagar. 
— Quer parar? Não estrague a minha história com sua lógica. Vamos para casa - ela o fitou antes de dar partida ao carro. Inclinou-se e beijou-lhe os lábios. 
— Obrigada por fazer isso para mim. 
— Não fiz só por você, fiz por eles. 
— Nós fizemos ou você não reparou que ele a beijou depois que Johanna mostrou minha foto? 
— Por que insiste em ganhar sempre? 
— Porque sou eu que tenho a arma, esqueceu? 
— Está me ameaçando, Capitã Beckett? Dirija. Eu vou provar quem pode ameaçar quem quando chegarmos em casa - rindo, ela ligou o carro.    
Duas horas depois, Beckett estava deitada na cama checando as noticias na tv com uma taça de vinho na mão. O edredom escondia o corpo nu. Castle saiu do banheiro vestindo um roupão. 
— Finalmente! Pensei que ia dormir no banheiro. 
— Eu convidei você para tomar banho… isso é modo de agradecer seu marido pela demonstração que dei a você meia hora atrás? Pelo que me lembre eu só ouvia “Castle, oh…sim, Castle” - levou um soco no peito ao sentar-se ao lado dela na cama - Beckett, você precisa parar com essas demonstrações de violência doméstica. Não cai bem no seu currículo e com a reputação de capitã. 
— Você estava com saudades de me irritar, não? - ela olhava profundamente para o marido. 
— Somente para ter o prazer de ver sua carinha. Fica tão linda… - ela entregou a taça de vinho para Castle, jogou o edredom nele e seguiu para o banheiro desfilando nua. Rindo, Castle se encostou na cabeceira da cama e sorveu o vinho. Não tinha se passado nem cinco minutos que Beckett entrara no banho quando o celular dela começou a vibrar. Ele pegou o aparelho. Sorriu. Sabia que não podia atender, mas a tentação era maior. 
— Celular da Capitã Castle - Beckett o mataria se ouvisse isso. 
— Castle? É você? 
— Sim, quem está falando? 
— Johanna. Dr. Marshall. 
— Olá, Johanna. Como você está? Curtiu a cena do elevador em Driving Heat? Não negue, você é igual a Beckett, uma vez com o livro em mãos não consegue resistir em ler - ele ouviu o riso nervoso da médica do outro lado. 
— Foi bem interessante… 
— Se por interessante você quer dizer estimulante, excitante… somente posso agradecer. 
— Castle, a Kate está por perto? 
— Está no banho. 
— Ela deixa você atender o telefone dela? 
— Ah sim. Não temos segredos… - ele olhava atento para a porta do closet, nem em um milhão de anos queria correr o risco dela o pegar falando com Johanna - está tudo bem? 
— Sim, está. 
— Tudo bem. Quer que eu diga que ligou? Ela pode retornar a ligação. Não vai demorar. 
— Deixa que eu ligo mais tarde. 
— Certo. Foi um prazer falar com você, Johanna. Quero que saiba que aprecio muito essa nova amizade com Kate. Sei o quanto ela é reservada e difícil para se relacionar com as pessoas. É parte de quem ela se tornou, mas está mudando. Se cuide. Não trabalhe muito. Um beijo do seu escritor favorito. 
— Tchau, Castle. 
Ele desligou colocando o celular do lado da cabeceira onde ela deixara. Ria sozinho. Minutos depois, Beckett sai do banheiro vestindo apenas uma camiseta da NYPD e calcinha. Os cabelos presos em um coque. Deita-se ao lado dele aconchegando-se no peito de Castle. 
— Hum, está cheirosa. Assim vou ficar com vontade de… - ela colocou o indicador nos lábios dele, beijou o pescoço, mordiscou o lóbulo da orelha e por ultimo sorveu os lábios.
— Contente-se por hoje. Lembre-se que sábado você tem que estar preparado para sentar na moto e dirigir muitos quilômetros. Nem acredito que vou fazer isso. É minha vontade desde quando estava na academia - beijou o peito dele outra vez - e terminar em Vegas. Ainda não escolhemos o hotel que iremos ficar por lá. 
— Temos tempo. Antes você ainda precisa terminar sua missão. Johanna ligou - ela se sentou na cama alcançou o celular.
— Não tem nenhuma ligação perdida - ela olhou boquiaberta para ele - você atendeu? Castle, o que você disse para Johanna? 
— Nada que comprometa a missão, mas vou logo avisando que está nas suas mãos. Ela está nervosa, vai ligar de novo. Vê se não dá uma de Kate Beckett das antigas e a convença a ir ao encontro. 
— Como você sabe que tem um encontro? Ela disse alguma coisa? 
— Eu apenas sei. Meus sentidos de Aranha. Por que outra razão ela ligaria para você depois das nove da noite? Certamente não é para falar do beijo. Jogue direito, Kate. Use suas técnicas de interrogatório… espera onde você vai? - perguntou vendo-a levantar da cama com o celular nas mãos. 
— Preciso de privacidade. É uma conversa particular, Castle. 
— Mas eu quero saber! Coloque no vivavoz enquanto fala com ela - a cara de ansioso do marido a fez rir. 
— Depois! Melhor, por que não usa seus sentidos de Aranha? - ela saiu do quarto deixando um Castle emburrado para trás. 
Kate sentou-se no sofá da sala, não queria correr o risco de fazer a ligação no escritório porque conhecia muito bem o marido que tinha. Estava curiosa, porém precisava parecer surpresa com tudo que Johanna ia lhe contar. Ela atendeu a chamada no segundo toque. 
— Kate…
— Johanna, Castle me disse que ligou. Algum problema? 
— Talvez, eu não sei. Não tenho outra pessoa para conversar e… não quero tomar uma decisão errada. 
— Do que você está falando? 
— Paul. Ele… ele estava diferente hoje, teve um dia difícil e acabou… ele perdeu um paciente. Então me convidou para um café, estava tão cansado. De repente, estávamos conversando sobre hobbies, o pouco que ele me conhece mesmo sendo amigos há três anos e eu não sei o que deu nele. Paul me beijou… 
— E isso é algo ruim? 
— Não! Quer dizer, eu não sei. Trabalhamos juntos e estamos acostumados a apoiar um ao outro como amigos, companheiros de profissão, sempre rolou um carinho entre a gente, mais da minha parte do que da dele. E-eu fiquei confusa e agora…
— O que tem agora? 
— Ele me convidou para um encontro. Um jantar de verdade no Le Cirque! De onde ele tirou essa ideia? - Beckett sorria, Castle tinha razão e acertara de novo. 
— Johanna, vamos por partes. Antes de te convidar para um encontro, ele falou alguma coisa? Deu alguma explicação para agir assim depois de tanto tempo? 
— Acho que teve relação com o paciente dele. Disse que não queria perder mais tempo, que não era tão novo assim. 
— Não era o que você queria? Uma chance? Você gosta dele, está apaixonada. Vá jantar com ele. Pense que são duas pessoas que gostam da companhia um do outro aproveitando uma boa refeição. 
— Kate, ele me beijou! Duas vezes… se o jantar for um desastre? Como conseguimos voltar atrás, continuar amigos depois de um beijo? 
— Vocês conseguem, acredite - disse lembrando de sua própria experiência, seu primeiro beijo com Castle - pelo menos por um tempo… 
— Então tudo fica estranho e amizade acaba. 
— Ou você decide que não consegue ficar mais sem ele. Você vai conseguir disfarçar por um tempo até perceber que ele é tudo o que você quer. 
— Hum, Kate? Você não está mais falando de mim e Paul, certo? - Beckett riu, foi obrigada a admitir que seu pensamento fora longe. 
— Desculpe, de repente eu me vi voltando no tempo o que me lembra exatamente do meu ponto. Você precisa ir a esse jantar, Johanna. Se não for, Paul vai duvidar dos seus sentimentos, dos dele. Irá achar que errou e não sei, pode até se fechar. Eu não o conheço realmente, mas se Castle diz que ele lembra a mim, você não vai querer decepciona-lo. Escolha um vestido bem bonito, algo que mexa com a imaginação dele - outra vez ela se lembrava do motivo da escolha do Herver Leger - desfrute da companhia, não foque a conversa nas coisas do hospital. Desligue e se divirta. 
— Para quem se dizia péssima em conselhos amorosos, você está se saindo muito bem. 
— Eu ainda sou péssima, apenas aprendi que evitar as oportunidades pode ser prejudicial, você não vai querer ter arrependimentos. Se Paul a convidou, se arriscou, é porque gosta de você, Johanna. Isso não é um encontro às escuras ou uma noite de prazer apenas. Ele está cortejando-a, não era o que queria?  
— Kate, teve uma coisa que me incomodou nessa história. Lembra daquela frase que disse para você no hospital? Sobre as coisas mais difíceis da vida? 
— Sim, o que tem ela? - terreno perigoso, Beckett pensou. 
— Achei muita coincidência Paul ter tomado um café que tinha essa frase escrita no copo. Você não teve nada a ver com isso, teve? 
— Foi Castle quem disse essa frase para mim, se ele souber que andam distribuindo seus pensamentos em copos de café vai querer azucrinar o barista para ele mesmo escrever. Não, Johanna. Não tenho ideia do que você está falando. 
— Tudo bem - ela não pareceu muito convencida - eu vou ao encontro. 
— Que bom. Pena que eu não vou saber como foi até voltar de viagem. 
— O que você está dizendo? 
— Um jantar, beijos, duas pessoas apaixonadas… não precisa ser nenhum gênio para imaginar o que pode acontecer. Apenas esteja preparada, algo me diz que a noite será interessante. 
— Quem está falando agora: a Kate ou a Nikki? 
— Talvez uma mistura das duas. Vá em frente, Johanna e divirta-se. 
— Obrigada, Kate - ela desligou o celular. Sorria. Isso era algo completamente novo para Kate Beckett, dar conselhos e ajudar alguém a ser feliz. Estava convivendo demais com Castle. 
— Funcionou? - ela deu um pulo no sofá. 
— Castle! Você me assustou! - ele olhava para a esposa com uma cara sacana - ela acreditou. Vai ao encontro. 
— Somos uma dupla imbatível - ela riu, de mãos dadas foram para o quarto. 
Na sexta-feira, Alexis estava sentada em um dos bancos do balcão tomando café. Esperava para se despedir do pai. Tinha um dia cheio e dormiria no apartamento de Hayley para ajuda-la com a mudança o que incluía parte de suas coisas. Castle surgiu na cozinha esfregando os olhos. Beckett viera logo atrás. 
— Pensei que iam acordar ao meio-dia. 
— Bom dia, filha. Estamos de férias - ele voltou sua atenção para a cafeteira, Beckett estava em busca do pão para fazer torradas francesas. 
— Eu tenho que ir daqui a uma hora. Muitas coisas para fazer. Se continuar assim com essa disposição toda, vão chegar em Vegas ano que vem. 
— Não se preocupe, ele vai entrar no ritmo. Nem que seja à força. Além do mais, se fossemos direto provavelmente estaríamos na costa oeste em quatro dias. Temos tempo para curtir uma boa viagem de estrada. Quero ir a Chicago, Boston, Tennessee, Texas, California definitivamente fazer a costa oeste pela US-1 e por fim, Vegas. Estimo um pouco mais de um mês se quisermos curtir de verdade. 
— E todo tempo de moto? 
— Já disse ao seu pai que se ele amarelar, podemos alugar uma van e seguir de carro do Texas até a California. 
— Quem disse que eu vou amarelar? - as duas trocaram um olhar. É claro que ia. 
— Voltam de moto também? 
— Dependerá do tempo de viagem, talvez de avião mesmo. 
— E depois eu que sou o preguiçoso… 
— Castle isso já estava no nosso roteiro - Alexis se levantou, aproximou-se de Kate, a abraçou. 
— Boa viagem, Kate. Fique de olho nele. 
— Pode deixar - em seguida ela se jogou em Castle abraçando o pai com vontade. Demorou-se ali. Beijou o rosto dele. 
— Boa viagem, pai. Comporte-se. Eu te amo. Eu mando noticias de Londres - pegou suas coisas e trocou mais um olhar com o pai antes de sair. Sua garotinha estava ganhando o mundo. Beckett o abraçou. 
— Tudo bem? 
— Sim, eu sempre soube que esse momento ia chegar. Quando acontece, me faz lembrar das vezes que os risos dela enchiam essa casa. Os brinquedos, os desenhos. Está tudo muito silencioso nesse lugar ultimamente - Kate beijou-lhe o ombro. Sorriu. Ela entendia ao que ele se referia embora nenhum dos dois quisesse dizer a palavra em voz alta ou conversar sobre o assunto - vou preparar seu café. Ainda tenho que ligar para o maitre do Le Cirque. Prepara-lo para hoje à noite. 
— Nós não vamos ficar de tocaia hoje, Castle - ao ver o que se passava na mente dele - e nem iremos jantar no Le Cirque. Eles precisam de privacidade. 
— Estraga-prazeres. 

Le Cirque

Paul estacionava o carro no edifício garagem há um quarteirão do restaurante. Ele a pegara na hora combinada. Johanna estava com os cabelos soltos, uma maquiagem leve realçando os olhos cor de mel ou seria amêndoa, ele nunca sabia dizer. A boca coberta por um batom vermelho que o tentava. Mas eles não trocaram mais que um beijo no rosto. Ela usava um casaco mantendo o mistério do que vestia. 
Johanna também reparara no homem ao seu lado. Vestia um paletó azul marinho, calças do mesmo tom e apesar do casaco preto, ela podia ver a camisa em um tom de azul mais claro. O cheiro característico do perfume Hugo Boss. Suspirou. Caminhavam lado a lado até a entrada do restaurante. Antes de entrarem, Paul olhou para a mulher que o acompanhara. Sua mão buscou a dela. Johanna sorriu. Entraram. Após comunicar sua reserva, foram levados para a mesa que era a preferida de Castle. 
Quando tirou o casaco, Paul deixou escapar um gemido baixinho. O vestido em um tom de amarelo queimado, possuía um decote em V que ia até quase o meio dos seios, deixando parte do colo e as sardas que tanto adorava expostas. A saia ia até os joelhos. O garçom perguntou o que gostariam de beber. Paul selecionou um merlot da carta de vinhos. Johanna provou e aprovou a bebida. Pediram mais uns minutos para decidirem o jantar. 
— Eu sei o que irá pedir. O mesmo filé que comeu com Castle, não? 
— Sugiro você pedir o mesmo, podemos dividir. Não sei se consigo comer sozinha. 
— Que tal uma entrada primeiro? 
— Escolha - com os pedidos devidamente feitos, eles voltaram a atenção um ao outro. Johanna quem começou a conversa - como foi seu dia hoje? 
— Descansei bastante. Dormi até às dez, depois sai para correr por uma hora - a ideia de Paul correndo, suado, os músculos, mexeu com a mente da médica. Chegou a prender a respiração antes de tomar um pouco mais do vinho - então vieram as obrigações. A geladeira estava vazia - eles riram - a verdade é que não conseguia pensar em outra coisa além de você e dessa noite, Joh - ele esticou a mão para toca-la. Ela sorriu - e você? Aposto que trabalhou demais. 
— Não, o plantão hoje foi tranquilo - os aperitivos chegaram, o que Johanna agradeceu porque tudo o que passava em sua mente era beija-lo. Ele estava se comportando como um perfeito cavalheiro - não vamos falar de trabalho. 
Paul comentou sobre um colega em comum que saíra de férias e ia fazer um cruzeiro nas ilhas gregas. Tinha fascinação por mitologia. O tópico de viagens serviu para tirar um pouco da tensão da noite. Aos poucos, eles sorriam, conversavam, trocavam pequenos toques evoluíram para gargalhadas. Quando o steak chegou, Paul deu o braço a torcer afirmando que Castle tinha razão, era um excelente prato. Os assuntos da conversa foram muitos. Johanna não se lembrava da última vez que se divertira tanto. Ao terminarem o jantar, eles também estavam finalizando a segunda garrafa de vinho. Paul encheu sua taça mais uma vez e comentou algo que fez Johanna gargalhar. Sorrindo, ele a fitou longamente.
— É bom te ver gargalhando. Gosto do som - ele pegou a mão dela outra vez, puxou sua cadeira para ficar mais próximo a ela. Johanna retribuiu o olhar. Ele inclinou-se e beijou os lábios vermelhos vagarosamente - estava desejando fazer isso desde que você entrou no meu carro. 
— Faça de novo - dessa vez, ela tocou o rosto dele guiando-o para seus lábios. O beijo não fora tão comportado. Os lábios se exploravam, provavam, a língua fez contato, sentiu a mão de Paul em sua cintura. Ele quebrou o contato das bocas para beijar seu pescoço, o sinal que tanto gostava então tornou a olhar para ela. 
Johanna podia ver o brilho e o desejo nos olhos verdes. 
— Preciso confessar uma coisa. Eu amo esse sinal no seu pescoço - sorriu, ela tinha que perguntar. 
— Por que agora? Por que demorou tanto? - ele riu. 
— Porque sou um tolo? Penso demais? 
— Não, você não é - ela segurou a mão dele entrelaçando os dedos - Estamos recomeçando? 
— O que voce quiser, Joh.
— Gosto quando me chama de Joh. Não vai poder fazer isso no trabalho. Pelo menos não na frente dos outros. 
— Prometo me controlar ou tentar - eles riram - sabe que eu sou apaixonado por você, não?  
— A ponto de admitir que sentiu ciúmes de Castle?
— Você não vai deixar isso de lado? Quer sobremesa?   
— Paul, você está evitando a minha pergunta. 
— Tudo bem, fiquei. Satisfeita? 
— Sim - ela sorriu fitando novamente os olhos verdes - estamos mesmo fazendo isso? 
— Sua definição de isso é um encontro, o recomeço ou o inicio de um relacionamento? 
— Todas as respostas? - ele deu um selinho nela. Beijou as juntas das mãos delicadas e firmes. Mãos de cirurgiã - acho que aceito a sobremesa agora, Paul - ele fez sinal para o garçom pedindo o cardápio de sobremesas. Não tinham ideia da surpresa que viria a seguir. O garçom voltou com uma bandeja trazendo um pedaço de uma cheesecake com molho de frutas vermelhas, duas doses de licor, duas xícaras de café com corações desenhados. Ele entrega um cartão para Johanna. 
Surpresa, ela olha para Paul. Pensava que ele havia feito isso, mas seu semblante estava tão intrigado quanto o dela. Abriu o cartão. Sorriu. Em voz alta, recitou as palavras. 
— Essa é a melhor sobremesa do restaurante. A conta está paga. Relaxem e divirtam-se. Paul,  Johanna, por favor, levem a relação à sério e deixem a teimosia de lado. Tudo começou com um café. Castle e Beckett - ela ria - danada! Eu sabia que tinha dedo dela. 
— Como ele conseguiu fazer isso? Como ele…O que você está dizendo? 
— A frase no copo de café. Eu a disse para Kate. 
— Eles armaram para nós? - Paul estava surpreso. 
— Armar talvez seja uma palavra muito forte, digamos que deram um empurrão… - ele balançava a cabeça e ria - arrependido? 
— Não. Claro que não. Exceto que terei que te levar para jantar outra vez. Escolherei o restaurante, não admito levar uma mulher tão especial para jantar e não pagar a conta. Sou um cavalheiro. 
— Eu aceito um novo jantar, mas antes que tal acabarmos esse? - eles saborearam a cheesecake, o café, o licor. Deixaram o restaurante abraçados. 
No sábado pela manhã, Beckett fechava seu saco de viagem. Acabara de colocar sua necessaire com os produtos de higiene e beleza. Estava pronta. Castle descera para amarrar o outro saco na moto. Ela vestia a jaqueta quando o marido surgiu. 
— Pode levar esse também, babe - ela virou-se para encara-lo. Castle sorria feito bobo. Por trás do jeito abobalhado, ela podia ver o desejo nos olhos azuis. 
— Beckett, você realmente quer me fazer sofrer por quilômetros, não? - ele se aproximou dela, beijou-lhe os lábios - está irresistível com essa calça de couro - ela beliscou o traseiro dele - isso quer dizer que podemos perder uns minutos ali no quarto? 
— Isso quer dizer que você vai terminar o que começou. Pegue o meu saco de viagem e vá concluir seu trabalho… - ela se afastou dele rindo. 
— Você me paga, na primeira cidade que pararmos. Ah, se me paga! - puxando o saco de viagem, saiu resmungando pela porta. Ela voltou ao quarto para pegar seu celular e a mochila que levaria nas costas ainda aberta sobre a cama. A caixinha com seu anticoncepcional ainda estava sobre a cabeceira. Reparou que tinha uma mensagem. Johanna. Deslizou o dedo na tela para lê-la. 
“Sobre ontem à noite…Steamy… Thx” - havia um emoticon levado na mensagem e uma chama. Beckett riu. Pegou a caixa com suas pílulas, foi até o banheiro. Jogou todas no vaso, puxou a descarga. Saiu do quarto com um lindo sorriso no rosto. Ao vê-la, Castle ergueu a sobrancelha. 
— Funcionou, babe. Johanna e Paul. Nosso plano deu certo. 
— Eu disse que daria. Pronta? 

— Sim, mais do que pronta para a nossa nova aventura. Tenho um ótimo pressentimento de que será memorável - ela o beijou. Despediram-se de Martha e finalmente colocaram os pés na estrada.  


Continua....

sexta-feira, 3 de março de 2017

[Stanathan] Kiss and Don't Tell - Cap.107


Nota da Autora: E eles estão de volta! Sei que já estavam com saudades dos 4 personagens mais louquinhos das fics. Nesse capitulo tem família, lua de mel, preparação para o futuro... sim, começo a falar de Absentia e como vocês já sabem, nessa fic, a serie não obedece a TL da Stana e também não se passa na Bulgaria por razoes obvias! Temos que pensar em Kate! Para os fãs de Giff, divirtam-se!  


Cap.107 

Dois dias depois, Nathan estava sentado no sofá com o iPad nas mãos. Checava umas informações sobre um voo. Iria para São Francisco participar de mais um evento na próxima semana. Stana sentada sobre os joelhos ao seu lado, estudava um script de Absentia enquanto dona Rada preparava um café para o lanche da tarde. Petar lia o jornal. Era um daqueles raros momentos em que Katherine dormia e ela podia dar atenção a outros assuntos. Isso se a mãe não a atrapalhasse. 
— Stana, sua irmã deu noticias? 
— Não, mãe. Ela mal chegou no Mexico, deve estar aproveitando a lua de mel. Deixe Gigi quieta. Quando ela achar que deve ligar, ela liga. 
— Isso, Rada. Deixe a minha filhota aproveitar, não que eu queira saber o que ela anda fazendo.  
— Se duvidar nem saíram do quarto - sussurrou Nathan no ouvido da esposa levando uma tapa de leve - o que? Acha que perderam tempo? Começaram aqui mesmo. Devem estar se esbaldando, o mano então! Serão dez dias de muita curtição para aquele safado.
— Nathan, por acaso você está com ciúmes do seu irmão? Está reclamando porque queria estar no lugar dele? - Stana olhava intrigada para o marido.
— Não, amor. Claro que não. É apenas modo de falar - a conversa entre eles foi interrompida por outro questionamento de Rada. 
— E seus pais, Nathan? Quando viajam? 
— Quarta-feira. 
— Estava pensando em fazer um jantar para os dois antes de irem. Teria que ser amanhã, para retribuir o almoço da outra vez. O que acha? 
— Tenho certeza que irão gostar, dona Rada - ele disse trocando um olhar impressionado com Stana - quer que ligue para eles? 
— Por que não? Se você não se incomodar de dominar sua cozinha…
— Fique à vontade. 
— Eu aprovo a ideia também. Assim posso conversar um pouco mais com o Bob. Seu pai é um cara muito bacana, divertido, brincalhão. Está sempre sorrindo. O jeito que ele fala de Gigi, nossa! Ele adora a minha filhota - Petar falou com orgulho - fez vários elogios a ela. 
— É verdade, não foi à toa que ele recebeu o apelido de fã #2 dela, Jeff sendo o #1 por razões óbvias. Mas quem resiste ao jeito doidinho de Gigi? Ela é uma caixinha de surpresa até para mim, as vezes acho que ela nem percebe o que fala. Não tem filtro algum, é engraçado. 
— Acho que a Gigi tem um fã #3… - disse Stana implicando com o marido - mas a minha irmã é muito especial. 
— É sim, minha filhota merece tudo de bom. Seu irmão que se cuide se fizer mal a ela. 
— Não se preocupe, conheço meu irmão. Não faz mal a ninguém, sempre apaziguador. Puxou a mamãe. Ele seria incapaz de magoar Gigi. Eu nunca vi o mano tão feliz, tão deslumbrado com alguém. 
— E você ao seu pai - disse Petar. 
— Acho que alguém acabou de ganhar um elogio, bolha - Stana sussurrou no ouvido do marido. 
— O fruto não cai muito longe da arvore - disse Nathan - quer que eu ligue, dona Rada? 
— Por favor - Nathan pegou o celular. Dois toques depois, a mãe atendeu.
— Oi, mãe. Como vão as coisas? Ha! Estranhando o silêncio. É Gigi é barulhenta. Fala que nem uma vitrola velha - ele ficou calado - eu não sou assim! - Stana ria - liguei porque dona Rada está convidando aos dois para um jantar amanhã aqui em casa. A senhora pode ficar babando na sua neta, se despedir e o pai aproveita para conversar conosco e com o Sr. Katic. Que tal? - ele ouviu a confirmação - ótimo! E podem vir mais cedo assim podem curtir sua neta, quer que vá busca-los? Passo ai às quatro. Beijo, mãe - desligou - tudo certo. Com ela aqui você pode ter mais tempo para trabalhar, amor. 
— Venham tomar o café antes que esfrie. 
À noite, quando estavam na cama, Stana esperou o marido vir se juntar a ela. Estava encucada com o comentário dele mais cedo. Bastou Nathan se deitar ao seu lado que ela deixou o texto de lado e o encarou. 
— Nathan, posso fazer uma pergunta? - apenas por tê-lo chamado desse jeito, ele sabia que algo a estava incomodando. Sentou-se na cama ficando de frente para a esposa. 
— Fale, amor. 
— Você está cansado de mim? Da nossa rotina? Eu sei que nós não podemos fazer muito com… - ele a interrompeu. 
— Claro que não! De onde você tirou isso? 
— Você estava falando de Jeff parecia com inveja e ciúmes, está entediado? É isso? 
— Oh, amor… - ele a puxou envolvendo seus braços na cintura dela, os rostos quase colados - como pode pensar algo assim? Eu te amo, Stana. Sim, estou feliz por eles, não é inveja. Você não pode duvidar do quanto significa para mim, não use a nossa filha porque Katherine não atrapalha em nada a nossa relação. Esqueceu o que eu te disse há alguns dias? Quero renovar meus votos com você. Faria isso se estivesse cansado ou entediado com o que temos? 
— E-eu acho que…
— Não ache. Nossa relação é diferente dos nossos irmãos, para eles tudo é novidade, estão um pouco deslumbrados. São nove anos de convivência, amor. Acha que estaria aqui se não a amasse? 
— Não. Desculpe, e-eu não sei o que deu em mim - ele a beijou. 
— Já que estamos falando de relacionamento, confidências. Também tenho uma pergunta. Seu pai claramente é louco por Gigi, a caçula é sua preferida. Esse é um dos motivos por dona Rada implicar com ela? E se ele adora a filha por que não a defendia quando sua mãe a atacava? 
— É um pouco mais complicado, babe. Ele é louco pela Gigi, mas o pai passou a maior parte do tempo no mar enquanto crescíamos. Não presenciou metade das confusões e quando estava em terra, ele queria curtir os filhos e Gigi não desgrudava dele, o que ajudava porque mamãe não implicava ou brigava com ela. O pai, sempre que pode, defendeu a sis da mamãe. 
— Entendo. Posso te pedir um favor? 
— Claro! 
— Eu sei que parece bobagem e você acha engraçado, mas poderia não me chamar de bolha? É que somente meu pai me chama assim, é uma espécie de código secreto entre nós. Essa simples palavra significa muito mais do que parece para nós dois, Staninha. 
— Não é bobagem. É uma forma de vocês dizerem que se amam e que se orgulham um do outro não? 
— É, você nunca me decepciona. 
Stana tinha razão. Desde que colocaram os pés no Mexico Jeff e Gigi não perderam tempo. Na segunda pela manhã já se mandaram para a praia. Após um passeio de mãos dadas pela orla, eles curtiram o primeiro banho de mar. Claro que comeram petiscos, beberam drinques maravilhosos à base de tequila e namoraram muito. Como todo o casal recém-casados acabavam atraindo cuidados das pessoas no hotel querendo agrada-los. Gigi estava adorando a mordomia. Eles haviam combinado de ficar na praia até umas três da tarde e depois iriam conhecer a cidade. Gigi se levantou da cadeira de sol dizendo que ia dar um ultimo mergulho antes de ir. Jeff observava a sua esposa caminhar na areia em direção ao mar. Linda. 
Gigi usava um biquini azul, a pele alva começava a ficar vermelha do sol. Jeff sorria. Ela abriu os braços tombando a cabeça para trás como quem quer receber toda a energia do sol. A imagem mexeu com ele que não resistiu indo ao encontro dela. Ele a agarrou por trás fazendo-a gritar para depois gargalhar quando ele a ergueu do chão carregando-a nos braços e jogando-a no mar. Gigi se recuperou e avançou nele sorvendo seus lábios. Jeff a envolveu colando seu corpo ao dela. Usava uma daquelas bermudas de surfistas o que na opinião da esposa não beneficiava o traseiro dele. 
— Você fica muito sexy com esse biquini, sabia? Difícil de resistir. 
— Vai ter que resistir, essas aguas do Mexico são muito claras, não dá para a gente aprontar nelas sem as pessoas saberem o que estamos fazendo. 
— Meu Deus! Nem pense nisso, sua louca. 
— Jeff, tem alguma praia deserta no nosso roteiro do cruzeiro? Talvez uma ilha? 
— Não que eu saiba… 
— Hum, terei que pensar em outra coisa então - ele olhou para a esposa intrigado. 
— Devo ficar com medo, minha esposa? 
— Não, deve ficar curioso e comparecer quando requisitado, meu marido. Vamos explorar o Mexico como bons turistas? Acho que podemos aproveitar depois do jantar para ir a um barzinho, tomar uns shots de tequila. A noite é uma criança, meu Jeff. 
— A ideia é tentadora, mas amanhã vamos mergulhar. Nada de tequila. Prometo que quando pegarmos o navio faremos algo assim. 
— Tudo bem. Quantos dias vamos passar nesse navio? 
— Saímos sexta e retornamos na terça. Teremos três paradas, uma delas Cozumel onde pretendo mergulhar de novo. A primeira noite no navio temos o jantar com o comandante. Temos muito para fazer a bordo. Prometo que não vai ficar entediada de estar no mar, Gi. 
— Como ficaria entediada com você do meu lado? Vamos aproveitar cada canto daquele navio, Jeff. Pode anotar. 
No dia seguinte, eles mergulharam e curtiram um ótimo dia na piscina. Gigi sentia o corpo moído pelas aventuras no mar, na agua e principalmente na cama. Antes de irem jantar, ela comentou que deviam ligar para os irmãos. Jeff concordou assim que eles estivessem prontos. 

XXXXXXXX

Na casa de Nathan e Stana, a pequena reunião de família acontecia de maneira civilizada. Cookie aproveitou para chamegar com a neta. Andava pela área externa com a pequena nos braços. Petar, Bob e Nathan estavam numa conversa animada a base de cerveja. Stana ajudava a mãe nos últimos detalhes do jantar. Checou o relógio. Estava na hora de Katherine mamar novamente. Ela começava a pensar em diminuir a freqüência das mamadas no peito a partir de julho porque não poderia estar disponível para alimenta-la quando as filmagens de Absentia começassem. Tinha reuniões de pré-produção com o elenco logo na primeira semana de julho, assim que Nathan voltasse de Sao Francisco. 
Encontrou a sogra cantando para a neta enquanto andava pela grama verde. 
— Hey, Katie… curtindo a vovó? - ela beijou a cabecinha da filha - ela gosta do seu colo. 
— Vou ficar com saudades. Eu estou morrendo de saudades da sua irmã! Aquela casa não é a mesma sem eles e amanhã estaremos de volta ao nosso canto. Bob provavelmente vai se enfiar no mato e me resta os afazeres domésticos e a leitura. 
— Nada a impede de voltar. Tenho certeza que Nate não pensaria duas vezes em tirar uma passagem para a senhora. Que a mamãe não me ouça, mas podia vir passar um tempo conosco. Com Katherine e quem sabe não convence a sis a lhe dar outro neto. 
— Você está confiante que aqueles dois vão ter um bebê. 
— Alguém tem que estar - elas riram. 
— Eles deram sinal de vida? Aposto que não. Estão muito ocupados. Deixem os dois aproveitarem essa farra. Fiquei muito feliz de ver que seu pai gostou do meu marido, eles se entendem. Parecem amigos de longa data. 
— É verdade. O pai ficou empolgado com a possibilidade de encontra-lo hoje. 
— Acho que cabe a mim melhorar a relação com sua mãe, não? 
— Oh, minha sogra. Não se preocupe com isso. É totalmente aceitável do jeito que está. 
— Que mãe e sogra eu seria se não tentasse? Segure sua pequena, ela está com fome. Já está fazendo biquinho. Vou me juntar aos demais - Stana ficou observando a sogra caminhar até entrar em casa. Sentou-se numa cadeira da varanda e ofereceu o peito para sua menina. Um pensamento lhe ocorreu. Dona Cookie era uma mulher de fibra, doce, muito especial, capaz de ajudar a todos. Um exemplo de pessoa. Ela se perguntava se a mãe era a razão que Nathan muitas vezes declarara que não era um homem para casar. Ao faze-lo, será que enxergara nela parte da força e do jeito da própria mãe? Suspirou. 
Quando estava de volta a casa, Katherine estava alimentada e acordada. Viu a sogra conversando com o pai enquanto ajudava a colocar a comida na mesa. Ouviu sua mãe fazendo um comentário e a sogra rindo. Era real? Cookie conseguira criar a harmonia entre as duas? Se aproximou de Nathan. Ele beijou o rosto dela e cheirou a cabecinha da filha. 
— O que aconteceu aqui, Nate? Mamãe está rindo e conversando com a minha sogra. 
— Dona Cookie aconteceu, amor. Lembra o que falei de Jeff? Ela tem seu jeitinho de arrumar as coisas. 
— Incrível! 
— Não é? - o celular de Nathan tocou. Jeff. Atendeu via FaceTime - pensei que tinha sido tragado pelas ondas do Mexico ou você sequer está saindo do quarto, bro? 
— Deixa de ser chato, Nathan! - era Gigi - nós estamos curtindo o Mexico, não é só sexo. Fomos à praia, mergulhamos em um lugar incrível e daqui a pouco vamos jantar e aproveitar um luau na praia. Muita salsa. 
— Bem feito, agora ela fez inveja para você, bolha! - Bob deu um safanão no filho. 
— Sogrinho! Vocês estão por ai, visitando minha fofinha? Cadê a sis com a Katherine, quero vê-las - Nathan virou o celular para Stana e a filha - hey, sis. Saudades dessa pequena. O que vocês estão fazendo? 
— Mamãe ofereceu um jantar para nossos sogros. Estávamos prestes a sentar na mesa quando vocês ligaram. Nossa! Você já está vermelha! 
— O sol é maravilhoso aqui. Tenho que estar passando protetor em mim e no meu Jeff todo o tempo. Mexe esse telefone para a gente falar com todo mundo - a medida que Stana virava o celular, Jeff e Gigi conversavam um pouco com todos. Ele comunicou que ficariam sem dar noticias a partir de sexta porque não tinham como saber como funcionava o lance de sinal no navio, mas não deviam ficar incomunicáveis. 
— Relaxe, filho. Tem mais é que aproveitar sua lua de mel ao lado dessa mulher incrível. 
— Ah, sogrinho… está sendo uma maravilha. 
— Ela já aprontou muito, marujo? - era o pai. 
— Não, ela está ótima. 
— Baba, deixa que com o meu Jeff eu me entendo - piscou para o pai. 
— Isso, filha. Aproveite todos os instantes com seu marido - Cookie nem percebera que chamara Gigi de filha - você merece. 
— Mereço mesmo, sogrinha. Vamos andando, não Jeff? Quero curtir esse luau com muita tequila… 
— Ai meu Deus, sis! Jeff, cuida dela. 
— Pode deixar, Stana. Ela tem se comportado até aqui - após um adeus coletivo e desejo de boa viagem aos pais, eles desligaram. 
— Eles realmente estão se divertindo. Que tal a gente comer? - sugeriu Nathan. 

XXXXXX

Jeff e Gigi embarcaram no cruzeiro. A cabine deles tinha vista para o mar. Era delicioso ficar observando aquela imensidão azul pela manhã pelo amplo vidro de frente para a cama. Na primeira noite, eles se divertiram no jantar do comandante. Gigi vestia um longo vermelho que deixara o marido babando. Eles comeram, brindaram, riram. Depois do jantar, seguiram para uma das boates do navio e se esbaldaram dançando e bebendo. O fim de noite foi entre lençóis. 
Na manhã ainda com destino a Cozumel, eles aproveitaram a piscina no ultimo andar do navio. A visão de oceano, o sol, dava uma sensação de paz, de infinito. Gigi estava sentada na beira da piscina com as pernas dentro d’agua. Jeff mergulhava. Ela admirava o marido se aproximar segurando em suas pernas. Dessa vez, ela podia apreciar a vista como gostava. Ele usava um calção de banho que realçava o bumbum. 
— Hey… você não vem para a agua? 
— A vista daqui de cima é privilegiada.
— Mas na agua você pode desfrutar, não apenas olhar - ela riu. 
— Não dá ideia, gostoso… - mas Gigi já pulara na agua ao encontro dele. Agarrou-o pela cintura e não perdeu a oportunidade de beliscar o traseiro do marido - estava com saudades? Ficou solitário na agua? - ela o beijou. 
— Gosto da sua companhia. Amanhã chegaremos a Cozumel. Quero mergulhar. Depois passeamos pela cidade, comemos. Vai querer fazer compras? 
— Não sei, talvez. Nesse instante eu só quero um beijo e um daqueles drinques maravilhosos que aquele cara traz naquela bandeja. 
— Só um beijo? 
— Multiplique por dez? - ele gargalhou sorvendo os lábios da esposa. 
O passeio por Cozumel foi muito interessante. Aproveitaram a praia. Gigi adorou poder ver cada detalhe do fundo do mar devido à agua transparente. Mergulhou mais uma vez com o marido embora não fosse seu passatempo preferido fazia para agrada-lo. Provaram novos coquetéis, a culinária da cidade e andaram de mãos dadas pelas ruas, namorando, implicando um com o outro. Amassos mais quentes rolaram nos becos que encontravam. Acabou comprando uns vestidos e bebida para levar para o cunhado. De volta ao navio, ela escolheu um dos vestidos de verão que comprara naquela tarde para usar durante o programa da noite. Havia uma peça de teatro rolando e uma festa com uma banda segundo as informações do pessoal a bordo. 
A mente de Gigi maquinava algo diferente para aquela noite quando saíram de sua cabine. Jeff nem tinha ideia de como sua noite terminaria. 
Abraçados, eles deixaram o teatro em direção a um dos bares para começar a curtir a noite. O vestido de Gigi era de um tom laranja, as alças se uniam no pescoço deixando um decote perigoso nos seios. Da cintura, uma saia leve e ligeiramente solta descia até os joelhos. Usava uma sandália alta ficando na mesma altura de Jeff. 
Eles bebiam alguns drinques a base de tequila, porém Jeff controlava as doses. Ela acariciava a coxa do marido e roubava beijinhos apenas para atiça-lo. Ele perguntou se ela realmente queria ir a tal festa porque ele já estava animado para outro tipo de festa. 
— Está animado é, amor? Isso é bom, mas guarde para mais tarde. Garanto que vai precisar. Vamos, quero dançar coladinho com você. 
— E como isso pode me ajudar a afastar os pensamentos que estou tendo, Gi? 
— Pode ajuda-lo a melhora-los, gostoso. Confie em mim… 
Ambos ficaram pasmos ao ver qual a banda que estava tocando. Era Ryan. Uma total surpresa. Eles dançaram as primeiras músicas e seguiram no pequeno intervalo para cumprimentar o amigo. 
— Quais as chances, não? Aproveitando a lua de mel, Gigi? 
— Demais, Ryan. Cada dia é uma aventura. Vou ficar desacostumada quando voltar para casa. 
— Posso ver que o meu amigo está muito bem. Aproveitem o show. 
Eles voltaram para a pista. Dançaram mais uma musica quando Ryan anunciou ao microfone. 
— Essa é um pouco fora do nosso repertório, mas é especialmente para um casal maravilhoso que está curtindo a lua de mel nesse navio. Vamos lá - os acordes de “Nobody but me” encheram o salão. Gigi gargalhou, porém ela não deixaria de dançar com o seu maridinho a musica deles. Jeff a conduzia pelo salão, rindo e cantando em seu ouvido. Gigi começava a ficar louca para realmente levar a festa para um outro nível quando o marido começou a devorar seu pescoço durante a dança. Ao terminar a canção, ela disse que ia ao toalete. Jeff tinha uma ideia do motivo, ela estava excitada. Contudo, o que ele não imaginara era o que se passava na mente da esposa. 
Cinco minutos depois, ela volta puxando-o pela mão e jogando-o contra a parede para um beijo sedutor. Deixou a mão deslizar tocando o meio das pernas fazendo-o gemer. Afastou-se mantendo distância com uma das mãos no peito dele. A outra estava fechada segurando algo. Sorrateiramente, ela desliza os dedos pelo bolso da calça de Jeff colocando algo dentro e sussurra ao ouvido dele que precisa de ar. Sai puxando o marido pelos corredores até o elevador. Apertou o botão do penúltimo andar. Jeff sabia que era um dos locais para observação mais reservados por possuir o restaurante onde o café da manhã era servido e os salões da academia. Às onze da noite ele duvidava que alguém estivesse usando as instalações. 
Saíram do elevador. O vento era refrescante. Gigi se apoiou na grade e respirou fundo. Os cabelos e a saia do vestido esvoaçados com a brisa. Ela olhou para o homem ao seu lado sorrindo. Ele ainda não se dera conta do que tinha no bolso. 
— Agora sim. Bem melhor. A noite está linda, não? 
— Está mesmo. O que foi aquele beijo, Gi? Conheço você. Correu para o banheiro porque não se aguentava - ele a enlaçou pela cintura pressionando-a contra a grade. 
— A culpa é toda sua de ficar cantando e devorando meu pescoço… 
— Assim… - ele tornou a beijar o pescoço dela, roçava os dentes na curva da mandíbula. Uma das mãos tocava seu seio sobre o vestido. Ela gemeu. Virou o rosto dele para tomar-lhe a boca. Suas línguas faziam uma dança sensual. Ela podia sentir a umidade crescendo em seu centro assim como o membro de Jeff contra sua coxa. Ele se afastou, era perigoso continuar a brincadeira ali. Fingindo-se frustrada, ela fez bico para reclamar. 
— Por que parou, gostoso? 
— Não podemos, minha Gi. É perigoso. Aqui é aberto. Podemos não nos conter… você mexe demais comigo. Vamos para o quarto, eu não aguento mais. 
— Você me quer, Jeff? - ela olhava-o com malícia. Mordiscava os lábios e passava a mão pelo meio dos seios. 
— Deus! Não faz isso, mulher! Você vai me matar… 
— Hum… mulher. Sou sua mulher, Jeff e se for mata-lo, que seja de amor. Você quer ir para o quarto? - ela pegou a mão dele, saiu puxando-o para perto das salas de ginástica. Havia um pequeno corredor dando acesso as escadas de emergencia. 
— Não vamos pelo elevador? 
— Tenho uma ideia melhor - ela parou na frente dele, o vento levantara sua saia revelando parte da coxa - cheque seu bolso, Jeff - totalmente perdido e deslumbrado com a provocação que ela decidira fazer, ele enviou a mão. Boquiaberto, segurava a peça em suas mãos. A única coisa que conseguiu dizer foi o nome dela - Gi… 
— Sim, eu estou sem calcinha desde que sai do banheiro. Desfilando por ai, com o vento desafiando minha saia. Quem pode garantir que algum espertinho não aproveitaria para passar a mão no que você diz ser seu? O que você vai fazer, Jeff? Porque eu tenho uma ideia bem melhor do que ir para o quarto agora. Na verdade, não aguento mais esperar. 
— O que você está fazendo, sua louca? - ele não teve tempo de pensar. Gigi o empurrou contra a parede. A calcinha se perdeu pelo chão quando ela agarrou-o e sorveu seus lábios com vontade. As mãos abriram o zíper da calça dele trazendo o membro rijo para fora. Então Jeff não conseguiu mais se conter. Segurando-a pela cintura ergueu-a do chão colocado-a de costas para a parede. Gigi enroscou as pernas nele, mordiscava a orelha. 
— Por favor, Jeff. Seja meu… agora - ele a penetrou de uma vez. Ela se agarrava nas costas, os lábios dele em seu pescoço. A respiração quente enquanto movimentava-se dentro dela. Gigi gemia chamando por ele. Segurou o rosto dele com as mãos trazendo os lábios para prova-los. Um beijo intenso, sensual e apaixonado. Os braços envolta do pescoço dele. Completamente pressionada na parede, sentiu a mão de Jeff apertando os seios dela. 
— Jeff! Oh, Jeff…meu… - ele continuava afundando-se nela. Gigi sentia que não resistiria por muito tempo. Seu corpo tremia entre o dele e a estrutura de alumínio gelada. Jeff sabia que ela estava próxima de se render. Tornou a beija-la. 
— Vem…Gi.. - ele fez um último movimento afundando-se nela e sufocou o grito com seus lábios. Ambos entregaram-se ao prazer. Jeff deixou as pernas delas deslizarem tocando o chão. Fraca, ela se segurava nele. Zonza pelo orgasmo. A cabeça dele no meio de seus seios. Quando finalmente conseguiu fita-la, passou o polegar nos lábios onde o batom vermelho estava borrado. Sorriu. 
— Louca… minha louca. Você vai me matar… eu te amo, minha Gi - ela gargalhou.  
— Não morra ainda, gostoso… quero fazer amor com você. Vem… - ela o puxou pela mão em direção ao elevador. Ele ajeitava as calças. Percebendo que estavam sozinhos quando entraram, ela tornou a beija-lo. Sentiu as mãos dele nas coxas dela indo em direção ao seu centro. De repente, a porta se abre. Ela se põe na frente dele obrigando-o a parar o que fazia. Não restando outra alternativa, ele colocou uma das mãos na cintura dela sorrindo para o casal que entrara no elevador. Gigi se movia de um lado a outro atiçando o membro dele. Vermelho, ele olhava para o teto tentando manter um pouco da sanidade. Finalmente, a porta abriu no andar deles. Saíram com pressa, quase correndo pelo corredor. Jeff pegou o cartão abrindo o quarto numa urgência sem tamanho. Bateu a porta atrás de si, puxando-a não para a cama e sim para a parede próxima ao vidro da varanda. Gigi desfazia os botões da camisa do marido, mas foi obrigada a parar quando ele a pegou de surpresa. 
— Onde eu parei mesmo? - enfiou a mão por baixo do vestido apertando a coxa dela para finalmente fazer contato com o centro úmido que ansiava pelo toque dele - pode sentir, Gi? 
— Jeff… - foi tudo que ela conseguiu dizer. Ele abaixou-se para prova-la. Gigi espalmava a mão no vidro procurando algo para se segurar. A outra apertava o ombro dele. Gritou quando sentiu o corpo começar a experimentar a urgência do desejo que a consumia, então Jeff jogou-a na cama. Livrou-se das calças. Nu, deitou-se sobre o corpo dela erguendo o vestido. Beijou-a apaixonadamente. 
Gigi atracou as pernas nele sendo mais rápida. Trocou de posição ficando por cima. Segurando a saia do vestido, ela tirou-o com facilidade pela cabeça. Não podia perder mais nenhum segundo, queria senti-lo dentro de si novamente. Deslizou sobre o membro sentindo as mãos de Jeff em sua cintura ajudando-a. Sorriu. Ele ergueu-se do colchão para provar os seios. Gigi movia-se devagar deixando o momento a envolve-la. Jeff sorveu seus lábios devorando-a com a língua. Ela o empurrou de volta à cama e aumentou os movimentos. Nenhum dos dois aguentou segurar o desejo que os arrebatou. Chegaram ao clímax muito rápido. Gigi jogou-se sobre o corpo do marido. Buscando forças, ela beijou o peito dele. 
— Meu… todo meu… - suspirou - eu te amo, meu gostoso. 
— Também amo você… muito! Minha louca… 
Pelos três últimos dias de lua de mel, eles se esbaldaram. Gigi trocou shots de tequila por beijos colocando Jeff com as pernas bambas. Felizmente, nenhum dos dois ficaram de ressaca. Aproveitaram a praia no último dia. Gigi passava protetor nas costas do seu marido aproveitando para trocar carinhos. Ambos estavam bastante bronzeados. Ele achava incrível que não importava a roupa ou onde estivesse, ela não tirava o pingente do pescoço. 
Na última noite antes do navio atracar no porto do Miami, eles estavam nus na cama após outra rodada de prazer. Gigi estava deitada sobre os travesseiros. A gota no meio dos seus seios. Jeff inclinou-se e beijou o local antes de se levantar para pegar mais um pouco de vinho para os dois. Entregou a taça dela, brindou. 
— À nós! 
— A melhor lua de mel. 
— Vamos nos divertir muito ainda, Gi. isso aqui foi só o começo - ela terminou a bebida, deu o copo para que ele colocasse no balde na cabeceira. Jeff fez o mesmo com o dele. 
— Promete que vamos ter noites quentes como essas? Faremos loucuras de vez em quando? 
— Já fazíamos antes de casar, não? - ela riu - Prometo, amor - ela pegou a mão dele brincava com a aliança, beijou a palma. Então, colocou sua mão também com a aliança sobre a dele. 
— Estou tão feliz… tudo por causa de você. Continue tirando meu chão, Jeff… 
— Será sempre um prazer… - ele beijou os lábios dela, Gigi entrelaçou seus dedos nos dele. As alianças se tocando. Com a outra mão acariciou o rosto dele. 
— Deus! - ela suspirou - eu amo você, Jeff Fillion, meu marido. 
— Eu também te amo, Kristina - o coração pulou no peito ao ouvir a sinceridade das palavras.   
— Não me chame de Kristina - e beijou-o apaixonada. 

XXXXXX

Após as horas de voo de Miami a Los Angeles, eles finalmente chegaram em casa. Jeff retirava as malas do carro encarregando-se de abrir a porta de casa enquanto Gigi pegava as sacolas de mão com as bebidas que compraram na duty free e sua bolsa. Ficou impressionada ao ver o quanto ele fora rápido com as malas. Esperava-a na porta de casa. 
— O que foi? 
— Me dê as sacolas primeiro - ele tirou-as da mão da esposa. Colocou na parede do lado de dentro - enfim em casa. Nossa casa, Gigi - ele a suspendeu nos braços entrando com sua mulher pela primeira vez após casarem até o meio da sala - queria fazer isso direito - colocou-a no chão outra vez. Gigi sorria. Envolveu os braços no pescoço dele. 
— Você é cheio de surpresas, não? 
— É um momento especial. A primeira noite em nossa casa oficialmente como marido e mulher. Você não concorda? 
— Sim, especialmente se a primeira noite incluir fazer amor na nossa cama king size, Afinal, já descansamos demais naquele avião. O que me diz, gostoso? Pronto para iniciar oficialmente suas obrigações conjugais para com sua esposa? 
— Não poderia pensar em melhor maneira de celebrar nossa volta para casa, Sra. Fillion - beijou-lhe os lábios e saiu puxando-a subindo as escadas para mais uma doce loucura.  

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Nathan embarcara para São Francisco há dois dias. Voltava essa noite. Stana estava morrendo de saudades. Também atribuía seu comportamento a toda a carga de ansiedade que experimentara nos últimos dias com a proximidade da sua primeira reunião de Absentia. Ela não se dera conta do quanto sentira falta de ter a chance de fazer algo significativo outra vez. 
A verdade era que adorava atuar e todos os roteiros que lera até o momento, apenas reafirmavam que fizera a escolha certa ao aceitar o papel de Emily. Era a primeira vez que ela sentia-se realmente empolgada desde Castle. Claro que não tinha o mesmo significado também. Ela estava começando um novo trabalho na tv sem o marido. Sem Nathan Fillion. Era estranho porque se acostumara a tê-lo no estúdio por longos oito anos. 
Era diferente. Precisava ser. Um novo capitulo em sua vida profissional. Esperava sinceramente que não afetasse sua vida pessoal. 
Ao vê-lo aparecer na porta do quarto, ela sorriu. 
— Nem ouvi você chegar - tinha a filha nos braços - saudades de você…- beijou-o. 
— Foram só dois dias, amor - ele sorriu beijando a cabeça da filha - como está nossa Katie? 
— Linda e maravilhosa como sempre. Acho que ela está engordando bem. Vê as preguinhas na coxa. Eu comecei a dar a mamadeira hoje. Ela estranhou um pouco o bico, mas comeu. Espero que se acostume. A ultima coisa que preciso agora é vê-la rejeitando comida porque só quer meu leite. 
— Ela vai se adaptar, Stana. Não se preocupe. 
— Como foi a viagem? Tudo bem na convenção? 
— Sim, tudo ótimo. Encontrei um amigo meu e de Ryan da época da faculdade. Ele é diretor. Estava me comentando sobre seus projetos futuros. Trocamos telefone, quem sabe não peça para fazer o filme de Con Man? Eu ainda não descartei a ideia. E o podcast que gravei? Acho incrível que as pessoas realmente ganhem dinheiro com isso. Todos me perguntam qual os planos futuros, se vou voltar para a televisão, fazer filmes. 
— Planos para o futuro, não? 
— Sim, eu entendo. Não querem me ver longe da mídia. O que eles não sabem é que estou adorando esse período, viajando pouco, fazendo Con Man, me divertindo com vocês. 
— Eles não sabem que você tem mulher e filha, babe - ele acariciou a cabeça da filha - vai ter que voltar em algum momento, não? 
— Eu sei. Alguns meses talvez, vamos ver o que a vida nos traz.  
— Vou colocar a Katie no berço. Sugiro você se livrar dessas roupas - ela piscou para o marido. Cinco minutos depois, ela retornou ao quarto encontrando Nathan apenas de boxer sentado na cama zapeando os canais de tv. Ao vê-la, perguntou. 
— O mano deu noticias? Não falei com ele desde que voltaram da lua de mel. Gigi ligou para você? Aposto que está curiosa para saber sobre a viagem. 
— Não, devem estar cansados e se adaptando a rotina. Voltaram a dois dias - ela ficou de joelhos na cama, colocou as mãos sobre os ombros dele - no momento não estou interessada nas peripécias da minha irmã, quero saber se meu marido está disposto a fazer amor comigo… - de frente para ele tirou a blusa que usava - porque eu estou morrendo de vontade de beijar sua boca e senti-lo dentro de mim, babe… 
— Adoro esse tipo de recepção, Staninha - ele a jogou no colchão arrancando uma gargalhada dela.     
Na manhã da sexta-feira, ela acordara ansiosa. Cuidou da alimentação da filha e seguiu para a cozinha a fim de preparar o café qualquer coisa que a mantivesse ocupada até a hora de sua reunião às duas da tarde. Nathan descera em seguida. Mexera com a filha no bebê conforto e observara a esposa fritando ovos na frente do fogão. Era um dia importante para Stana, por esse motivo, ele dissera a Alan que não iria gravar. Revisou seu cronograma. Ficaria com a filha e estaria ali caso precisasse de apoio. 
— Hum, está cheirando. Tem bacon também? 
— Sim. Você precisa sair hoje? 
— Não, amor. Vou ficar com a Katherine. Disse que não precisava se preocupar. Vamos nos divertir, não princesa? Vou ligar para o mano. Podemos fazer um almoço domingo. Ele está fugindo de mim, aquele safado - ela riu. 
— Parece estar muito curioso com a viagem deles… 
— E você não? Ele também ficou de trazer umas bebidas para mim. 
— Não disfarça, Nate - ela colocou o prato sobre a mesa sentando-se do seu lado para comer. Com um pedaço de brioche nas mãos, ela se distraiu comendo os ovos. Nathan observava a pequena ruga formada na testa, claramente indicando preocupação. 
— Stana, vai dar tudo certo - ela ergueu os olhos para fita-lo - sua reunião, sua nova série. Vai ficar tudo bem. Não se preocupe. 
— Sou tão transparente assim? 
— Para mim? É sim. 
— É uma sensação estranha. Estou empolgada, ao mesmo tempo, começar tudo outra vez. Pisar em um estúdio de tv. 
— Você é uma atriz, é o que você faz. Vai brilhar, Staninha. Não há outra maneira de você fazer isso do que brilhando. E sobre pisar em um estúdio, talvez isso ainda não aconteça hoje, é pré-produção, conhecer o elenco, os criadores - ele tinha que anima-la. Faze-la entender que essa era a sua virada de pagina literalmente. Compreendia o sentimento que a tomava. Ele mesmo se perguntava se passaria por isso outra vez. 
— Você tem muita confiança em mim. 
— Eu a vi brilhar por oito anos, não é suficiente? - ela sorriu. Terminaram o café.    
Antes dela deixar a casa, ganhou um beijo do marido. 

— Boa sorte, amor. Mostre quem é a badass do pedaço - rindo, ela entrou no carro. Estava empolgada novamente. Graças a ele.   


Continua...