domingo, 8 de janeiro de 2012

[Castle Fic] Rise Again - Cap. 7


Nota da autora: Demorei para postar esse cap, basicamente por alguns contratempos e também por se tratar de Kill Shot. Ainda acho que não ficou a altura do episódio mas prometo me redimir no próximo. Infelizmente, é bem difícil para mim escrever sobre esse epi, ele me afeta!




Cap. 7


Dois dias depois...



Beckett estava sentada em frente ao computador esperando ele chegar. Ainda não se falaram desde o jantar na casa de Castle, desde o momento íntimo que compartilharam. Ela ainda sentia os efeitos do beijo apenas por pensar nele. Ela pensara bastante sobre o que o seu terapeuta oferecera a ela, opções e tempo. Afinal, qual era o seu tempo? Beckett estava mais confiante agora. Ela ainda não derrubara todas as suas barreiras mas abrir-se com Castle da maneira que ela fez na última noite tinha a confortado. Ela conseguia ver que havia uma chance dela se render e deixar todos os murros se desfazerem por ele, no seu devido tempo.

Ela pressentiu a aproximação dele bem como o cheiro do café. Mostrando-se de jeito casual, ela pegou uma pasta de informações, fingiu lê-la.

- Bom dia, Detetive Beckett! Como você está?

- Precisando de cafeína, Castle. Tem algo a me oferecer?

- É claro que sim.

E estendeu o copo para ela. Beckett sorveu um primeiro gole do líquido quente que deslizou prazerosamente pela sua garganta. Ela fechou os olhos e um gemido de satisfação escapou pelos seus lábios deixando Castle boquiaberto. Era como se naquele instante ela fizesse amor com o copo de café.

- Bom dia, Castle!

E abriu um lindo sorriso que não ajudou em nada a cara de espanto que Castle estampava. Ela observou-o com olhar divertido.

- Não vai sentar, Castle?

- Ah , é sim, claro!

- Vou logo avisando que não temos nenhum caso por enquanto, só papelada. Quer me ajudar?

Ele deixou escapar um muxoxo e entortou a boca.

- Tá, do que você precisa?

- Separe todas as fotos e fichas dos envolvidos no caso para serem arquivados devidamente nas suas pastas enquanto eu redijo o meu relatório.

Ele pegou o material e começou vagarosamente a separar o que ela pedira. Só Beckett mesmo para fazê-lo aceitar essa atividade chata. Ele sabia que ela não iria comentar o que aconteceu entre eles, mas ele sempre gostava de manter a esperança. Observava a concentração presente no rosto dela ao olhar para o computador. O olhar sereno mas atento à tela. Era algo que Richard Castle não se importava de fazer, admirá-la. Adorava suas reações por mais simples que fossem.

Ele fingia estar atento ao que fazia porém, na verdade, sua atenção estava voltada 100% a ela. Sua mente lembrava-se de cada segundo vivido por eles depois daquele dia fatídico do assalto ao banco. Castle acreditava que o fato de ter corrido risco de vida, ajudou a amansar o coração de Beckett. Não que ela seja uma pessoa fria, de jeito nenhum. Beckett se veste e pinta a si mesma como uma pessoa racional, lógica e cética a muitas coisas mas no fundo ela é emotiva, passional e Castle desconfiava, extremamente romântica. Com a abertura que ela mostrou ao beijá-lo e ao compartilhar informações pessoais com ela, Castle sabia que eram apenas uma questão de tempo até ele achar o momento certo de repetir aquelas palavras a ela. Ele faria com que ela estivesse realmente escutando o que ele diria na próxima vez.

Beckett vez por hora o observava com o rabo do olho. Estava estranhando ele estar tão calado ao seu lado. Afinal, não era novidade para ninguém que além de detestar papelada, Castle sempre queria conversar, era impossivel ficar calado por muito tempo a menos que estivesse pensativo, com algum problema. Ela resolveu mexer com ele, aquele silêncio todo já começava a irrita-la.

- O gato comeu sua lingua, Castle?

Ele se fez de surto por um instante a fim de saber o que ela faria.

- Hey, Castle... estou falando com você. Terra para Castle...

Ela tocou-o gentilmente no braço. Ele levantou o rosto para encará-la.

- Está tudo bem?

- Sim.

- Tem certeza? Algum problema com Alexis?

- Não, nenhum.

Beckett olhou para ele desconfiada. Resolveu não insistir. Levantou-se e isso chamou a atenção dele completamente.

- Onde você vai?

- Atrás de café e de uma conversa. Seu silêncio está me entediando Castle.

- Ah, não...espera! Também vou.

Ela já caminhava na frente rindo. Ao chegarem na copa, ele foi mais rápido e já começara a pilotar a máquina de café, o que Beckett agradecia de bom grado. Ela e esse máquina não se entendiam mesmo.

- Tá, acho que você acertou. Estou de certa forma preocupado com Alexis. Ela terminou com o Ashley.

- Ah, entendo.

No fundo ela esperava que ele fosse comentar algo sobre eles dois.

- Talvez, você não deva se meter muito agora, fim de relacionamentos não te deixam bem de uma hora pra outra, dê tempo a ela. Ofereça ajuda mas não a sufoque. Lembre-se você a lembra do namorado.

Ele entregou a caneca de café fumegando para ela. Beckett tomou um longo gole.

- Mas eu não sou o Ashley, sou o pai dela. Quero apoia-la.

- E deve mas você é homem. Ofereça conforto se ela não quiser não insista. As vezes é melhor ficar sozinha ou com as amigas.

- É, acho que vou seguir seu conselho. Você é melhor nessas coisas que eu.

- Somente sou um pouco mais experiente por ter passado por isso, Castle. Não sou uma boa referência também apenas já vivi o que Alexis está vivendo hoje.

Ela tornou a tomar o café. Ele sorriu.

- As vezes seus conselhos são melhores que os meus.

- Que isso Castle, sei que você cuida bem dela só precisa não exagerar de vez em quanto afinal ela é uma adolescente normal.

- É acho que tem razão, tem certas coisas que me disponho a conversar, tento ser o cool dad mas sei que tem assuntos que ela ficaria muito mais confortável conversando com uma mulher, ela precisa da figura feminina e minha mãe não é referencia.

Beckett sorriu. tocando-lhe o braço ela olhou pra ele com um certo ar de ternura e compreensão.

- Você faz muito mais por Alexis que muitos outros pais. Porque não vai para casa? Fica um pouco ao lado dela. Sei que não sou um bom exemplo mas se ela quiser conversar, pode me procurar.

- Obrigado, Beckett. Vou mesmo para casa.

Ele inclinou-se e deu um beijo na bochecha. Kate ficou observando ele sumir pelo corredor ainda com o café na mão. Assim que terminou voltou para sua mesa a fim de terminar o relatório.

Castle estava a caminho de casa. Gostara muito da conversa com Beckett. Apesar de não estar tão preocupado com Alexis assim, o tópico acabou surtindo um efeito positivo. Saber que ela estava disposta a ajudá-lo significava muito para ele.

Quando chegou em casa, nem sinal de Alexis e Castle se contentou em passar um tempo escrevendo.


XXXXXXXX


Dor. Gritos. Morte. Ela não sabia onde estava. Não conseguia respirar. Um rosto e dor novamente. Ela estava correndo, as mãos ensanguentadas, a blusa manchada com seu próprio sangue. Fora atingida mas precisava fugir do atirador. Onde estava Castle?

- Castle...

A respiração ficava mais pesada. Suas pernas não a obedeciam. Ela viu um riffle apontado para si. Medo. Ela procurou a sua arma. Não deu tempo. O tiro ecoou e ela caiu gritando.

Nãoooooooo!!!


Beckett acordara ofegante. O suor escorria pelo seu pescoço. Desde a explosão do banco, ela começara a ter pesadelos à noite, relembrava o terror que passara quando fora atingida pelo sniper. Ela odiava isso, sentir-se vulnerável. Viu suas mãos tremendo sobre as suas coxas.


Respirou fundo.

Levantou e foi até a cozinha, serviu-se de um copo d’água. Mais calma, voltou para cama. Suspirando, procurou desviar a mente das imagens pertubadoras do pesadelo. Involuntáriamente, ela trouxe Castle a sua mente. Sorrindo, adormeceu.

Cedo Castle encontrou Alexis de pijamas lendo “Orgulho e Preconceito” de Jane Austen. Sim, isso era um sinal de que ela estava mesmo sentindo o fim do relacionamento. Apesar de ela justificar que não tinha relação e a escola estivesse de recesso hoje, ela admitiu que ainda tinha dúvidas se devia ter terminado com ele. Castle sentiu-se um pouco aliviado por ter conversado com Beckett sobre isso. Ele brincou um pouco com ela e sugeriu fazerem algo juntos, quando ela não se mostrou interessada na companhia dele, ele apelou para as amigas como Beckett comentara. Pareceu surtir algum efeito com ela. Até que seu celular tocou e claro, era Beckett. Provavelmente tinham um assassinato.

Ao chegar na cena do crime, soube que o morto em questão era Sam Siegel, fundador do hotel e cassino Safira. Beckett verificou o carro da vítima e achou um endereço em Manhattan. Após checar , Ryan informou que Siegel visitou a ex-esposa e que não fora nada amistosa. Trouxeram-na para interrogatório. Descobriram que ele estava encrencado. Ofereceu a ex a venda de uma propriedade no Queens. 1,5 milhões. Bem mais do que ela valia.

Gates já estava preocupada com a investigação pois o prefeito de Atlantic City já a contactara e a noticia da morte de Siegel estava nos jornais. Ryan descobriu que Sam não deixou Atlantic city sozinho. Um motorista Ralf Marino com uma ficha extensa. Estava desaparecido desde ontem.

- Significa que ou flutua no Hudson...

- Ou está envolvido.

- O que sabemos sobre o Sr. Marino?

- Não era escoteiro, com certeza. Fichado por extorsão e acusação por agressão.

- Emitam um alerta para Ralf Marino, pedirei para em Atlantic City fazer o mesmo. Vocês irão a Atlantic City no cassino de Seigel. Falem com os amigos e colegas de Marino, vejam se alguém pode ajudar com sua localização. Enquanto isso, Beckett, você controla daqui, coloque patrulhas procurando Marino e descubra por que Seigel estava desesperado para ter controle da propriedade no Queens.

- Sim, senhora. Venha, Castle.

- A capitã disse para irmos para Atlantic City.

- Acho que não falava de você.

- Na verdade, falava. Você vai com eles. Alem do mais, detetive, estou ansiosa para ver o que pode fazer sem ele.

Ótimo! Era tudo que ela precisava. Gates a testando. Tudo bem, ela é uma boa detetive, excelente segundo Castle. Ia se virar e mostrar seu valor à nova Capitã.

No caminho para Atlantic City, Castle tinha outra idéia além de resolver o assassinato. Queria aproveitar o hotel. Infelizmente, Ryan revela que Esposito não poderia ser seu padrinho mas isso não impede Castle de improvisar uma despedida de solteiro enquanto eles estivessem lá. O que poderia ser uma péssima idéia.

Castle parecia estar em casa no cassino. Esposito estava tendencioso a entrar na de Castle. Já Ryan não estava gostando nada disso.

De volta a Nova York, Gates tornava a questionar Beckett.

-Então?

-Nada com Marino. ACPD disse que não está no apartamento dele, nada apareceu na investigação.

-E o prédio no Queens?

-A pesquisa on-line diz que não há penhora ou processos, então parece que não há nada incomum com ele.

- Continue pesquisando.

Gates a olhou por um instante.

- Detetive... sei que deve achar que está aqui como uma forma de punição. Você é uma boa policial, mas acho que pode ser melhor se minimizar as distrações.

É tá certo. Beckett nem se daria ao trabalho de responder. Distração. Que droga! Castle não era uma distração, ele era seu parceiro e por mais que Beckett evitasse admitir, em alguns casos ele era fundamental para achar o assassino.

No cassino em Atlantic City, a entrevista com Charles, sócio de Sam, revelou alguns elementos interessantes Marino e Sam brigaram a uma semana por causa de mulher e Ryan descobriu que Marino tinha um primo em NY. Avisou Beckett que conseguiu pega-lo e leva-lo para interrogatório. Gates observou não só a entrevista como a forma que Beckett tentava colocar as peças desse quebra-cabeça juntas e ela acabou descobrindo que Sam estava desviando dinheiro do cassino.

Novamente Beckett e Gates trabalhavam juntas trocando teorias e informações.

- Os rapazes checaram as gravações e disseram que Charlie esteve no cassino a noite toda.

- Ele pode ter pago alguém.

- Mas por que matar Sam antes de pegar o dinheiro? E se Sam realmente roubou algo, por que não estava voando para Barbados? Por que perder tempo vindo à Nova Iorque?

- E como tudo isso está conectado à propriedade no Queens?

- Não estamos vendo algo. Há uma peça desse quebra-cabeças que fará as ações do Sam terem sentido. Na verdade, Castle é muito bom nisso. Olhar o que temos e ajudar a achar essa peça.

Ao ver a cara de Gates, Beckett se amaldiçoou por ter dito isso.

- O Sr. Castle gosta apenas de inventar loucas teorias. Detetives de verdade não têm esse luxo. Nosso trabalho é verificar os fatos.

Beckett engoliu seco.

- Registros do banco mostram que Sam moveu o dinheiro às 9h47 em uma transferência eletrônica no site deles. Se descobrirmos com quem Sam falou ou se encontrou antes disso, talvez possamos descobrir o que houve.

- 9h47?

- Isso.

- Segundo a assistente do Sam, ele estava...em uma massagem.

E eles acharam a conexão que faltava. Nadine, a concierge roubou os 10 milhões de dolares em nome de Sam. Quando conversaram com o sócio dele, Charles, a coisa não saiu como eles imaginavam e foram expulsos do casino. Beckett descobriu que Nadine tinha um parceiro Daniel Sulllivan, o cara da segurança. O único problema era que eles não podiam voltar ao cassino então foi a hora que Beckett decidiu ir a Atlantic City. Mas Castle não ia ficar parado do lado de fora e descolou uma fantasia de Elvis para cada um. Eles voltaram ao cassino e conseguiram falar com Daniel que confirmou não só ser o parceiro mas também o namorado de Nadine. Eles decidiram roubar Sam porque ele perseguia Nadine e a ultima cartada dele fora comprar o prédio onde os pais dela tinham seu negócio. Porém, Sam alertou que eles roubaram a pessoa errada e quando o verdadeiro dono descobrisse, todos acabariam mortos.

Os capangas de Charlie pegaram Castle mas após uma conversa franca, Charlie acabou contando que eles emprestaram dinheiro da máfia e agora corriam risco. Quando Beckett chegou na frente do cassino, Ryan e Esposito tentaram explicar o porque de estarem vestidos daquele jeito e Castle conseguiu o que eles precisavam. Eles tinham um nome Tom Moretti. Então eles armaram um esquema para prende-lo no Safira porém, Beckett descobriu que não era um crime da máfia e sim passional.

Beckett voltou a sua mesa. Gates aproximou-se e sentou na cadeira cativa de Castle.

- Pedi à promotoria para amenizar as circunstâncias. Levarão em conta a situação dela, no momento da defesa.

- Obrigada por ajudar nessa.

- Gosto de apreciar a vista das trincheiras, às vezes.

- Ajuda ser cercada por uma boa equipe.

- Quer dizer por Castle.

- Você quem disse, não eu.

Beckett sorriu.

- Ele não é policial.

- É isso que o faz tão bom.

Ela nem acredito que estava elogiando Castle para Gates que aparentemente aceitou o comentário.

- Falando nele, onde estão?

- Dei a tarde de folga para eles. Ryan terá um menor de idade como padrinho, então está rolando uma despedida de solteiro não oficial.

- Espero que edite a parte deles da investigação no relatório.

Ela voltou para sua sala e Beckett para o computador. Se Castle sonhasse que ela estava elogiando-o ia ficar de ego inchado mais que o normal. Terminado o relatório, Beckett foi para casa.


Apartamento de Beckett

Jantou sozinha e serviu-se de uma boa taça de vinho. Relaxada, adormeceu.

Um tiro. Castle a segurava. Chorava. Montgomery. Gritos. Porque o mataram? Porque? Todos estavam mortos. Sua mãe, os suspeitos, o Capitão. Todos se foram. O medo percorria sua espinha. Mais um disparo. Dor. Castle. Era ele, a segurava. Estava fraca, ele dizia algo. Tudo apagou.

Dor. Tubos. I love you.

Castle.

Escuridão. Medo. A arma. Estava apontada para ele. O disparo e um grito. Explosão. BUM!

- Castleeeee....


Ela tinha o coração disparado. A boca seca. Pesadelos novamente. Porque eles não a deixavam em paz? Odiava isso. A sensação de impotência diante dos seus próprios sonhos. Precisa fazer isso parar. Queria mandar o medo embora. Não sabia como. Consultou o relógio na cabeceira da cama. 3 da manhã.

Precisava voltar a dormir, tinha que trabalhar pela manhã. Porém, estava muito agitada para isso. Beckett sabia que precisaria dominar esse medo, acabar com ele. Consultaria o terapeuta sobre o assunto amanhã mesmo dependendo de como estivesse o movimento no distrito. Se ela queria realmente estar pronta para seguir em frente e ter um relacionamento com Castle precisava deixar tudo o que a incomodava para trás.

Castle.

No seu pesadelo ela temia por ele. O viu morrendo. Ele levava um tiro. Nada podia acontecer com ele. Nem com seu pai. Eram tudo o que restara a ela. Todos se foram. Castle era tudo que tinha. Uma urgência de ligar para ele tomou conta de si. Pegou o celular. O número dele estava na tela, bastava um toque.

Não seja idiota, Kate! São mais de três da manhã!

Deixou o telefone de lado e tornou a se deitar. Depois de muito rebolar na cama, acabou adormecendo.

Acordara sobressaltada com um telefonema. Mais um corpo. Checou o relógio. 8:30. Estava atrasada. Levantou, tomou um banho e sentiu-se bem melhor. Ela avisara que ia se atrasar pelo menos meia hora. A caminho da cena do crime, ela decidiu que ia fazer algo para melhorar seu astral hoje. Uns bons exercícios com o seu fisioterapeuta iam fazer a diferença. Ligou para ele e combinou confirmar seu encontro mais tarde. Satisfeita, começara a trabalhar.

Ao ver Esposito recitar o que tinha acontecido com a moça, Beckett viu as lembranças voltarem. Um tiro único no peito. Involuntariamente, ela tocou o lugar do seu ferimento por sobre a camisa. Voltaram para o distrito e contactaram o noivo que não tinha a mínima idéia de quem quisesse matá-la. Ele lembrava apenas de um cara que ela mencionara mas nem sabia o nome.

Esposito telefonou para Beckett com novidades que Lanie achara. Ela foi para o necrotério com Castle.

- A bala que matou Sarah Vasquez é uma .308, especificamente uma 168 Grain Sierra Matchking.

- Uma bala de rifle.

-É a munição preferida dos...Atiradores de longa distância.

Todos olharam cautelosos para Beckett.

- Ela foi alvejada à distância?

- Baseado no ferimento e a penetração na porta, diria que a bala foi atirada entre 180 e 270m de distância.

-180 metros? Temos alguma idéia onde, exatamente?

- Estamos pesquisando. O mais perto que chegamos... O suspeito atirou de um destes prédios, algum lugar entre o 10º e 15º andar.

Ela resolveu colocar os pingos nos is mesmo que a situação fosse desconfortável para ela.

- Pessoal, não têm que evitar usar a palavra por minha causa.

-Que palavra?

-Sniper.

-Até eu notei.

-Não estamos evitando nada.

-Foi idéia dela. Ela...

-Gente, sou bem crescidinha. Vamos direto ao ponto. Quão bom ele é?

- Tão bom quanto qualquer atirador... sniper da minha unidade. Derrubou um alvo em movimento a 402m de distância.

- Ela sentiu?

- Não. Morreu instantaneamente.

- Então acho que a pergunta é por que ela era o alvo?

- Alguma pista do cara que a estava seguindo?

- Ninguém se lembra de vê-lo, e ela não o mencionou a ninguém, exceto ao noivo.

- Talvez ele não teve nada com isso.

-Como assim?

-Achamos nossos assassinos ao conhecer as vítimas, achando um motivo. Mas e se não há nenhum? E se foi um tiro aleatório? Como o encontraremos?


XXXXX


De volta para casa, Beckett refletia sobre o que vira hoje. Tirou a camisa e se colocou na frente do espelho. Observou o corte na lateral do corpo até virar-se e tocar suavemente a marca do tiro entre os seios. Ela podia ouvir o tiro e os gritos.

- Beckett foi atingida!

E ela reviveu tudo de novo. Ela temia que esse caso despertasse o medo novamente, aumentasse os pesadelos. Um sniper. Seria o mesmo que a atingira? Melhor não pensar sobre isso, de nada adiantaria. Suspirando, ela foi para o seu quarto torcendo para não ter pesadelos novamente. Infelizmente, não fora assim que aconteceu.

Por mais uma noite ela se viu em meio ao desespero por se salvar, perdida na escuridão procurando por Castle envolta no medo constante de perdê-lo ou ser morta. Dessa vez, ele fora atingido pela bala qie era destinada para ela. Acordou aos prantos com a imagem de Castle morto em seus braços. Isso não podia continuar. Ela percebeu o quanto seus amigos ficaram pisando em ovos ao se referirem ao sniper. Ela não podia deixar isso abalar sua investigação, não podia perder o foco.

Resignada, ela foi até a sala e serviu-se de uma dose de vodka. Sentindo-se mais calma voltou para a cama, por mais uma madrugada a insônia lhe fez companhia deixando Kate alerta e levanto muito tempo para adormecer.

No dia seguinte, mais uma vítima. Morta aparentemente da mesma forma que Sara no meio da rua.

-Mesmo atirador?

-Parece que sim.

- Alguém viu ou ouviu algo?

- Nada, assim como antes. Mirou na cabeça desta vez.

-Está ficando confiante.

Uma porta de carro bateu bem próximo a Beckett, o som parecia mais alto que o normal fazendo-a se assustar. Ela estava sensível, não dormira direito e a pressão das lembranças lhe tiravam o foco.

-Outra vitima e mesmo horário. Pode ser o atirador de Washington de novo.

- Lanie, é o projétil?

- É, ele esmagou no asfalto, mas parece o mesmo calibre. O ângulo de entrada é mais inclinado.

- Ele atirou em Wyatt mais do alto.

Ela olhou para o alto dos prédios. Buzinas, sirenes, barulhos gerais da rua amplificavam-se. Ela gia o corpo atônita procurando por algo, visivelmente abalada.

- Vê algo?

Castle que olhava apenas para cima, só ao encontrar os olhos dela foi que percebeu.

- Beckett, você está bem?

Ela tentou se acalmar e justificar seu comportamento.

- Só estou tentando entender por que essas vítimas... e por que atirar aqui?

- As vítimas podem ser aleatórias, mas o local não é. Um profissional faz reconhecimento antes. Se vai matar algo de longe, não é só mirar e atirar. Deve considerar todas as condições, como a distância do alvo... o ângulo de tiro... e a resistência do ar.

- O que é isso?

- Essa bandeira... é a melhor forma de saber de tudo isso.

- Não pode ser coincidência.

- Certo. Então se subirmos lá, talvez tenhamos a mesma visão. Devemos vasculhar a área atrás de câmeras...

E então uma sirene soou e instintivamente Beckett se jogou no chão com medo. Todos olhavam para ela e isso a deixava ainda mais vulnerável. A respiração ofegante.


De volta ao distrito, eles continuavam procurando alguma pista que os levasse ao atirador. Gates insistia em pistas enquanto Beckett mal ouvia o que se passava ao seu redor. O rosto tenso, os olhos alertas demonstrando apreensão. Castle percebeu que Beckett não estava totalmente focada como ela sempre permanecia numa investigação. Ele viu a reação dela na rua. Ele a conhecia bem para saber que esse caso trouxera lembranças ruins à tona e que ela faria o possível para disfarçar o que estava sentindo. Como ele deveria agir? Devo puxar o assunto ou deixar quieto? Oferecer minha ajuda, caso ela queira conversar? Nem Castle parecia saber direito o que fazer.

Ela também mostrava-se aérea. Tentando digerir os detalhes do caso e o acontecido no meio da rua. Visivelmente abalada com tudo aquilo. As vozes se ouviam ao longe.

- Esposito, sabemos de onde vieram os tiros? Temos equipes vasculhando os prédios próximos aos crimes e, até agora, não temos nada.

- Precisamos encontrar nosso atirador...

Castle se aproximou dela. Falou baixinho.

- Foi só um reflexo. Podia acontecer com qualquer um.

-Não sou qualquer um.

-Só falei...

- Não fale.

- Detetive Beckett, como estamos com Henry Wyatt e Sarah Vasquez?

-Como disse?

-As conexões entre as vítimas?

- Ainda estamos verificando, mas não moram nem trabalham na mesma área. Não parece que tenham alguém em comum. Na verdade, ainda não achamos nenhuma conexão entre os dois.

-Continuem procurando.

Ela tentava se concentrar porém todos falando ao mesmo tempo sobre tiros, alvos em potencial, sniper e armas não estavam ajudando em nada. Ela não podia ceder. Tinha que estar focada para resolver o caso. As lembranças da noite encheram sua mente de novo. Droga! Preciso achar uma forma! E ela decidiu pedir ajuda a única pessoa que talvez a entendesse naquele momento.

Saiu caminhando apressada quando Castle a abordou.

-Espere. Aonde você vai?

-Tenho que fazer algo.

Ela já ia desaparecer quando Ryan a deteve por uma informação.

- Beckett, acharam uma câmera que pega onde a bandeira estava. A gravação já está a caminho.

Porém, ela não deu a mínima e saiu. Ryan olhou para Castle espantado com a atitude dela.

- Ela está bem?

Castle sabia que não mas limitou-se a ficar calado.

Na sala do terapeuta, uma Beckett nervosa andava de um lado a outro enquanto falava.

- Não. Você não entende. Preciso estar bem.

- Isso nem sempre é uma escolha, Kate. O que descreve, a insônia, é um sintoma clássico de estresse pós-traumático.

-Não tenho TEPT.

- Você levou um tiro de um sniper. Acho justo dizer que este caso te trará problemas, problemas que ainda não lidou.

Visivelmente irritada ela retrucou.

-Tudo bem. Lidarei com eles. Mas agora preciso descobrir como acabar com isto.

- Não vai acabar, não sem tempo e tratamento. O trauma psicológico é tão real quanto o trauma físico.

Ela se sentou ainda muito tensa.

- Pessoas estão morrendo. Não tenho tempo de chorar por algumas cicatrizes.

- Certo. Então qual é a alternativa... andar por aí sentindo que há um alvo em suas costas, pensando que cada brilho nas janelas é a mira de um sniper?

-Deve haver algum comprimido. Algo para acalmar.

- Medicação pode ajudar... mas não imediatamente.

-Então o quê?

- Por exemplo, acho que deveria considerar afastar-se do caso.

- Acha que não posso lidar com isso?

Pronto. Sentia-se desafiada. A sua leitura era que o terapeuta a chamara de incompetente.

- Só estou dizendo que não precisa. Não é a única policial na cidade, Kate.

Ela sentia-se pressionada. Passou as mãos no rosto e na cabeça. Tinha que achar uma saída para tudo isso.

- Certo. Quer saber? Estou bem. Obrigada.

E deixou o consultório.

No distrito, Castle estava preocupado com ela.

- Quão preocupado deveria estar com Beckett? Ela nunca me cortou assim antes. Falo sério.

- Foi ruim para mim quando voltei, e nunca levei um tiro.

-Ao menos ela não se lembra.

-Ou não quer lembrar.

As palavras de Esposito acenderam uma lâmpada de dúvida na cabeça de Castle.

- Coisas assim é mais fácil manter em uma caixa. Mas este caso pode ter aberto a caixa.

- O que posso fazer?

- Prender o atirador.

- Ele está certo. É o melhor para todos, incluindo a Beckett. Enquanto isso, dê espaço e não tome como pessoal.

Esposito recebeu a confirmação do local de onde o tiro fora disparado. Castle foi com ele até lá. Eles encontraram uma boneca de papel e a cápsula da arma. Enquanto isso, Beckett estava no elevador. Tentava se acalmar mas a respiração a traía. Ofegante. As mãos tremiam. O elevador soou e assim que saiu trombou com policiais apressados. O barulho dominava seus ouvidos, ela andava meio sem direção. Esbarrou em outra policial que passava correndo. A vista turva até ela ouvir ao longe Esposito e Castle a chamando. Eles explicaram o que acharam e tinham um nome. Ford. Kate mal registrava o que Esposito falava. Quando ele a chamou para ir buscar o cara, Beckett congelou. Castle percebendo o medo que a paralisara, saiu com a desculpa de ficarem e se prepararem para o interrogatório.


Na sala de interrogatório, algo além do talento de policial guiava Beckett.

- Nossos policiais encontraram um arsenal no seu estande, Sr. Ford.

-Da última vez que chequei, tinha o direito de ter armas.

- É, deveria saber que a balística está testando seus rifles.

-Vá em frente. Não atirei em ninguém.

Isso não é, exatamente, a verdade, é? De acordo com seu histórico militar, matou 92 confirmadamente.

-E?

- Está tentando arredondar para 100? Como é olhar pela mira, fingir que é Deus?

A raiva tomava conta dela.

- Como se sente quando puxa o gatilho e destrói a vida de alguém?

- Não é da sua conta, é isso que sinto.

Ele bateu na mesa. Isso apenas serviu para ela endurecer ainda mais nas palavras.

- Sabe o que acho? Acho que você deveria ficar do outro lado do gatilho.

-É uma ameaça? Está me ameaçando?

-O que são essas pessoas? São só alvos de papel? Você pensa na dor que causou, nas famílias que deixa para atrás?

- Toda vida que tirei, salvou um de vocês!

- Para o inferno que salvou! – ela gritou - Sabe o que acho? Acho que você gostou. Acho que não podia esperar para matar de novo.

-Está louca, moça.

E estava mesmo. Castle decidiu intervir.

- Achamos sua digital na cápsula deixada pelo atirador.

-É impossível.

- Isso é mentira – ela gritou de novo.

- Não tenho mais nada a dizer. Conheço meus direitos.

E realmente não fora ele. Os álibis para ambos os casos checavam, o que deixara Beckett ainda mais irritada. Gates exigiu que eles voltassem lá e arrancassem algo de Ford.

- Não vai querer nos ajudar depois de como o tratamos.

- O que está falando, que estraguei tudo?

Visivelmente irritada. Esposito amenizou.

-Não...

-Acho que o que está dizendo é que você foi o tira mau. E conseguiremos mais do Ford se eu bancar o tira bom.

- Certo, tudo bem.

E afastou-se deles ainda no auge da raiva. Ela estava sentada à sua mesa, procurando se acalmar. Olhou para o quadro de evidência dos assassinatos. A foto das vítimas, as capsulas e de repente, ela ouvia tudo novamente. Os gritos, o tiro, o medo.

Castle interrompeu seus pensamentos.

- Beckett.

Ela olhou para ele ainda assustada.

- Café?

- Não, obrigada.

Beckett rejeitando café. Algo estava muito errado. Ele insistiu.

- É descafeinado. Veja...

- Castle, estou bem.

-Certo, mas...

-Sério. Estou bem. O que há na pasta?

- O relatório da perícia sobre o boneco. Não foi feito por uma criança. Foi cortado com precisão com uma faca profissional.

- Cortada de onde? Uma revista?

- Não, o papel é muito espesso e como não há imagens na parte de trás, deve ser de algum desses livros chiques decorativos. Meu palpite: um livro de pinturas. Se olhar de perto, pode perceber pinceladas. Acho que ele as deixou de propósito.

-Por que ele faria isso?

-Isso eu já não sei.

Nada parecia se encaixar até o momento que Ryan encontrou o local de onde o sniper atirou para matar Sarah. Acharam mais uma boneca de papel, além disso um algodão que poderia conter DNA. Castle e Beckett ficaram sozinhos. Ela olhava para janela tentando imaginar o que acontecera.

- Foi aqui onde tudo começou. Ele puxou o gatilho nesta sala. Em um segundo, Sarah Vasquez estava viva e sonhando com o casamento perfeito, e depois não estava mais...

- Kate...

- Sabia que ele viu o rosto dela quando a matou? Sempre acham que os atiradores são alheios a seus alvos. Mas ele, não. Estava na distância que estamos, olhando por aquela mira.

-Pegaremos esse cara.

- É, como pegamos o cara que atirou em mim.

Na voz dela, Castle pode notar o sentimento. Deboche e frustração. Mais uma para o caminhão de culpa que Beckett insistia em carregar.

Ela encerrou o dia ali. Voltou ao seu apartamento. Precisava extravasar toda a tensão do dia, queria apagar cada minuto mas as memórias eram mais fortes que ela. Beckett sucumbiu à bebida, perdera a conta de quantos copos tomara. Ela chorou, bebeu e reviveu cada minuto. Ao som do tiro na sua mente, ela instintivamente se abaixou, quebrou o copo e derrubou a mesinha de centro. O chão repleto de cacos de vidro.

Sangue. Dor. Medo.

De olhos esbugalhados, ela procurava em vão pelo seu atirador. Onde ela olhava parecia que sentia os olhos dele nela. Estava transtornada. Precisava da sua arma. Jogou-se no chão para pegá-la e nem se importou com os cacos de vidro que a cortaram. Ela gritou.

- Porque eu?

Sentindo o sangue escorrer pelo pulso, ela não se importou. Estava mais preocupada com a possibilidade de ser atingida novamente. Por mais uma noite o medo e a insônia foram seus companheiros.

Ela sentiu-se mal. Zonza. Correu cambaleando para o banheiro. Botou a bebida pra fora até sentir a bile deixar o estômago. Ficou estirada no chão do banheiro tentando recuperar suas forças e chorou copiosamente por quase uma hora. Exausta, arrastou-se para a cama e lutou para dormir nem que fosse uma hora.

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Castle também não dormira. Ele estava muito preocupado com Beckett para perder tempo. Precisava descobrir o que cada boneco significava. A sanidade de Beckett e outras vidas dependiam disso. Alexis se propôs a ajudar. E ele soube o que procurava.

Beckett levantou-se com apenas uma hora de sono. Ao apoiar-se no pulso, a dor se fez presente. Ainda havia vestígios de sangue. Ela levantou-se tomou um banho e lavou o ferimento. O corte era profundo e voltara a sangrar ainda quando ela o limpava. Disfarçou as olheiras com maquiagem e seguiu para o distrito com um curativo improvisado.


12th Distrito


Enquanto estava sentada vendo o vídeo do tiroteio, ela sentia-se desconfortável com algumas cenas. Ao usar o mouse, uma fisgada no pulso trouxe de volta a dor. A manga da jaqueta subiu e ela percebeu que o corte voltara a sangrar. Ela não ia lidar com isso agora. Puxou a roupa escondendo o ferimento.

Ryan não trouxera boas notícias para ela. Felizmente, Castle entrou no distrito disposto a dar uma guinada no caso.

- Sei o que os bonecos significam.

- Sr. Castle, não é hora para suas encenações.

- Capitã, escute. Os bonecos são um aviso. São cortados de pinturas que nos dizem a localização do próximo ataque. O que achamos no primeiro tiroteio veio de uma pintura chamada "A Perseguição dos Reis".

-Wyatt foi morto na Rua Rei.

-Exato. O do segundo tiroteio é da pintura "A Queda da Graça".

- Há uma Avenida Graça no Bronx.

- A Igreja da Graça é na... 10ª Rua com a 4ª Avenida.

- E há outras dúzias de possibilidades. Se conseguirmos reluzi-las podemos impedi-lo de...

E então todos os telefones do distrito começaram a tocar ao mesmo tempo. O que significava isso? Houvera outro assassinato. Eles rumaram para o prédio onde o tiroteio acontecera. Mais uma vez, exposta as sirenes e confusão, Beckett parecia atordoada. Perdida novamente no seu próprio pânico até ouvir uma voz familiar. A voz de Castle chamando por ela.

- Beckett.

- Beckett! "Graça".

- Não sei de onde veio.

- Por aqui! Vão!

-Há quantos mortos?

-Nenhum.

-Graças a Deus.

-O atirador abriu fogo através da janela de uma sala no 15º.

-Há mais alguém ferido?

-Não, apenas ela. O nome dela é Emily Reese, ele só atirou nela.

- Emily, meu nome é detetive Kate Beckett. Preciso que me diga o que aconteceu.

A voz saiu tensa.

- Por que eu? O que fiz?

As palavras de Emily trouxeram os sentimentos de medo de Beckett à tona. O rosto da detetive começava a demonstrar sinais de apreensão

- Por que alguém está tentando me matar?

- Emily, notou alguém te observando recentemente?

- Não. Não sei.

-Preciso levá-la ao hospital.

-Não! Não deixem me levarem para fora. Ele ainda está lá.

A moça agarrou o braço de Kate com força e no desespero. Pronto. Beckett viu seu mundo girar e perdendo o foco e a objetividade, ela lutava para permanecer ali.

- Você ficará bem, Emily.

- Por favor, não faça isso. Ele está lá fora. Ele me matará.

Matar. Beckett sucumbiu ao pânico uma vez mais.

-Tire-a daqui. Agora. Vai!

-Por favor. Não!

Ela saiu correndo.

- Beckett. Kate!

Ela não deu ouvidos a Castle. Entrou por uma porta de emergência do prédio. O desespero a consumindo. Chorando, ela se livrou do casaco, jogou o distintivo sobre ele. Ela não conseguia se controlar. As lágrimas a dominavam e Kate deixou o peso do corpo desfalecer ajoelhando-se no chão.

- Não consigo...

Sua voz era puro medo.

XXXXX

Castle visivelmente preocupado conversava com Esposito no distrito.

- Ela está perdendo o controle. Não está conseguindo lidar com isso. Ela não deveria estar neste caso.

- Ela não irá simplesmente se afastar.

- Não, ela vai acabar se afundando. É o único que tem idéia do que ela está passando. O que te ajudou?

Ambos repararam Beckett andando cabisbaixa pelo distrito.

Esposito estava com Beckett em uma sala da polícia.

- Espo, o que estamos fazendo aqui?

- Quero te mostrar algo.

-O que é isso?

-O rifle... que atirou em você.

Ao ver a arma, novamente a sensação de pânico batia a sua porta, a voz saiu rouca, trêmula.

- Você passou dos limites.

A expressão de Beckett era de dor.

- Apenas olhe para ele.

-Não. O que está fazendo?

- Já estive onde está. Sei pelo que está passando.

-Javi, estou bem.

Negação.

-Não está, não. Está tentando fingir que está bem. Isto é só uma ferramenta. Um pedaço de aço. Não tem poderes mágicos. E a pessoa que o disparou não é um deus todo poderoso. É só um cara com uma arma. Como o que procuramos agora. E como todo bandido, ele é cheio de problemas.

- Assim como eu.

- Isso mesmo. E tudo bem. Acha que é uma fraqueza? Transforme em força. É parte de você. Então use isto.

Ele estendeu o riffle para ela. Beckett chorando aproximou-se devagar e o tocou. Os olhos encheram-se d’água não conseguindo evitar o choro. Ela mordeu os lábios e fez sinal para Esposito indicando que queria ficar sozinha. Com a arma na mão, ela se aproximou da janela e segurou o rifle na posição de combate. Os olhos na mira da arma e Beckett começou a se questionar sobre o atirador.

- Por que você atiraria daqui, se o telhado te dá uma visão mais clara?

Ela decidiu checar o telhado. Ao tentar subir pela escada, a força trouxe a dor do corte de volta. Ao observar o telhado, algo clareou na sua mente.

Enquanto isso, Castle e Ryan acharam uma conexão com uma cafeteria. Porém Castle foi um pouco mais longe. Não era o café que os unia e sim seus sucessos que despertavam a ira do atirador. Uma vítima do mundo. Solitário paranóico.

- Vem aqui tomar café e ouve como todos estão se dando bem, seus sonhos se realizando, enquanto os dele não estão.

- Isso o faz se sentir invisível. Faz se sentir bravo. Então escolhe um deles e o faz pagar.

- Mesmo se estiver certo, isso não nos ajuda a pegá-lo.

Beckett apareceu exatamente nesse momento, um brilho diferente no olhar.

- Mas pode, se fizermos a pergunta certa.

Dá um pequeno sorriso para Esposito.

- Ele não atirou do telhado porque não conseguia subir a escada. Se virem no vídeo, ele manca um pouco. Acho que tem uma incapacidade física.

- Robert. Veja se isso ajuda: um cara mancando ou com a perna machucada.

- Há um sem-teto por aqui nas últimas semanas. Acho que ele tem uma perna protética.

- Precisamos de uma descrição.

Eliminando todos os possíveis suspeitos, eles chegaram a um nome. Lee Travis. Ex-marine. Tinha uma irmã. Na visita a ela, comprovaram que ele era um cara fracassado e perturbado. Quando estavam conversando com ela, Beckett recebe a informação do lugar de onde ele atirara em Emily. Foi com Castle para lá.

Caminhando por um corredor deserto, os dois procuravam por pistas.

- Como ele encontra esses lugares?

- Da mesma forma que escolhe suas vítimas. Ele escuta. É sem-teto, assim ninguém repara nele.

- Quando encontra um edifício para o tiro, ele procura o melhor ponto de observação.

- Castle... precisamos encontrar o boneco de papel, saber onde ele atacará da próxima vez.

- Encontrei.

-Meu Deus.

-Identifica a próxima vítima?

- Não a vítima.- ele mostra vários bonequinhos - As vítimas.

Pesquisando o boneco que encontraram, chegaram a uma conclusão nada agradável. O quadro em questão dessa vez era “Leões no pasto”, em Nova York só existia um lugar onde se encontravam leões, no zoológico do Central Park. Gates dava as instruções.

- Beckett, pegue quantos puder e vá para o parque. Esteja pronta para agir quando resolvermos isso.

- Ryan, ligue para o Parque. Descubra qual a programação desta manhã.

Beckett olhou para Castle procurando apoio. Mas ele sabia que seria melhor não estar lá naquele momento, Esposito seria melhor companhia agora.

- Castle, você vem?

- Sou mais útil ajudando Ryan a descobrir quem são os alvos.

Ele olhou para ela querendo passar toda a confiança que podia.

- Você consegue.

Ela assentiu com a cabeça.

Depois de muitas pesquisas, Castle, Ryan e Gates acharam o alvo. Um ônibus com várias crianças, Ryan tentava comunicar-se com o motorista sem sucesso. Avaliando a área, Beckett e Esposito identificaram dois prédios que seriam ideais para o atirador. Eles dividiram-se e entraram em prédios separados cada um com uma equipe de vários policiais. Beckett separou-se deles e encontrou uma porta aberta decidindo por entrar e checar, comunicou a eles. Com cuidado, ela adentrava o ambiente procurando. E lá estava ele.

- Polícia! Parado!

E ele a atingiu derrubando-a e afastando a arma dela.

- Abaixe a arma, Lee.

-Tenho um trabalho a fazer.

- Por que não fala o que é de verdade? Você atira nas pessoas a sangue frio.

- Elas merecem o que estão recebendo. Deus os abençoou. Ele deu a eles e tirou de mim... minha perna, minha vida. Como isso é justo? Como isso é certo?

Beckett estava ofegante. O momento era muito difícil para ela mas tinha que seguir e fazer seu trabalho.

- Essas pessoas que culpa não são diferentes de você.

- Só está dizendo isso porque é um deles.

- Acha que minha vida é uma festa?

E ela arriscou abrindo a ferida que a incomodava tanto. Baixou a blusa e mostrou a marca da bala.

- Sei como é estar na mira, sentir a bala queimar através de meu peito. Sei como é sentir a vida deixando meu corpo. E acho que sabe também. Por isso que deixa os bonecos de papel, porque está à procura de alguém que te ajude a encontrar outro caminho.

- Não há outro caminho.

-Não mais. É muito tarde.

-Não, não. Há sempre outro caminho. Eu quero te ajudar. Sei que está sofrendo e podemos te ajudar a acabar com ela.

-Abaixe a arma.

-Vire-se.

-Não.

-Não me olhe. Vire-se.

-Vire-se!

-Não. Se atirará em mim, irá me olhar nos olhos, está bem? E olhe direito, porque não sou sua inimiga. Não posso ser. Você e eu temos muito em comum.

- Não, não temos. Tenho um trabalho a fazer.

Ele apontou a arma para ela, o dedo no gatilho. Beckett não esboçara reação.

- Desculpe.

Quando ele ia puxar o gatilho, outro tiro cortou o ar derrubando-o no chão. Assustada, Beckett foi até ele e checou o seu estado. Ao olhar para cima, viu Esposito no alto do outro prédio. Ele a salvara.

De volta ao distrito, ela viu Castle sentado à sua mesa, esperando. Ela viu preocupação nos seus olhos e então viu alívio.

-Oi.

-Oi.

Sentou-se em sua mesa. O semblante sério porém sereno.

- O que está fazendo?

-Esperando minha parceira. Talvez a tenha visto. Moça bonita, acha que pode saltar de altos edifícios em um pulo, carrega o peso do mundo sobre os ombros e ainda... consegue rir de algumas das minhas piadas.

-Ela parece ser durona.

-Nem me fale.

De qualquer forma... se a vir, diga que ela me deve uma centena de cafés.

Ele se levantou para ir embora.

- Castle.

-Obrigada.

-Pelo quê?

- Por não me pressionar e me dar espaço para passar por isso.

- Always.

Ela o viu ir embora. Sem perguntas, sem cobranças. E também sem saber o quanto aquelas palavras foram importantes para ela. Depois de tudo isso, Beckett decidiu que precisava voltar ao terapeuta.

Sentada no consultório dele, ela brincava distraidamente com uma pequena estátua enquanto tentava ordernar seus pensamentos. O assunto era muito delicado. Sua mãe, seu trauma, como Castle dissera, seu peso que carregava nas costas.

- Como se sente agora que Lee Travis está morto?

- Pensei que vencê-lo fosse resolver as coisas, mas... continuam lá.

- Porque não superou totalmente o que aconteceu com você.

- Não. Sentia isso antes de ser baleada. Acho que sempre esteve lá, no fundo, desde aquela noite.

- A noite em que sua mãe foi morta. Fui definida por isso, guiada. Isso me fez quem sou. Mas agora...

- Mas agora?

- Eu quero ser mais do que sou. Mas acho que não sei fazer isso sem decepcionar minha mãe.
A voz embargada, os olhos cheios de lágrimas.

- Ela está morta, Kate. Não pode decepcioná-la. A única pessoa que pode decepcionar é a você mesma.

Beckett limpa o canto dos olhos evitando a lágrima de seguir seu curso.

- A morte dela é parte de você.

E terá que conviver com isso, da mesma forma que convive com as cicatrizes do tiro. Mas não tem que te limitar.

Dessa vez, a lágrima escapou.

-Como posso superar?

-Eu posso te ajudar. Mas a questão é: você está pronta?

- Sim, acho que estou pronta.

Ele abriu um sorriso singelo. Agora poderia apertar os outros botões.

- Ótimo. Sendo assim, o que você acha que precisa para deixar isso tudo para trás? O que precisa fazer para ser mais do que é?

- Preciso vencer a barreira, vencer o medo. Só não sei como.

- Sim, você precisa apenas guiar seu cérebro e fazer o que manda seu coração. Pense dessa maneira e você se livrará do medo e do pânico.

- Não é assim tão simples como diz. Hoje naquele prédio, eu deixei o medo e o trauma me vencer. Quando eu comecei a falar com Lee, pretendia persuadir-lo a não cometer mais uma atrocidade, porém ao ver aquela arma apontada para mim de maneira tão aberta, me deixei sucumbir, dei o jogo por vencido. Se Esposito não tivesse lá eu – ela engoliu seco - ... eu estaria...

- Não você não estaria morta. Se Esposito não estivesse lá, você teria arrumado uma maneira de detê-lo porque se tem uma coisa que eu aprendi sobre Kate Beckett é que você não é uma desertora, você não desiste das coisas facilmente. O assassinato da sua mãe é prova disso.

Ela olhava para ele com um olhar analítico, procurando captar tudo o que ele dizia.

- Quem me garante que não vou fraquejar novamente? Em algum outro caso? Como saber que me livrei do pânico causado por essa ferida de anos?

- Kate, porque você acha que ficou aterrorizada e veio a minha procura quando o pânico a consumiu? Você se fecha. Por isso sofre tanto quando algo ruim acontece a você. O segredo para afastar o medo e o pânico de vez da sua vida é falar sobre isso, conversar e dizer exatamente como isso te afeta a alguém que confie e que possa entender o que você passou.

- Como vou chegar para o Esposito e simplesmente desembuchar todos os medos de uma vez? Acha que isso é certo? Justo? Aliás, não é exatamente o que estou fazendo aqui com você?

- Sou um profissional designado para conversar e ajudar mas não sou um amigo. Você precisa dividir isso com um amigo, alguém muito próximo.

- Não sei como conversar isso com ele, Esposito me ajudou a encontrar o caminho de volta nesse caso mas daí a falar tudo, eu não sei...

- Você sabe que eu não estou falando do Esposito, Kate.

Ela brincava com as próprias mãos, sinal clássico de ansiedade pelo assunto que iria vir a seguir.

- Ah, ótimo! Então você está sugerindo que saia daqui e me jogue nos braços de Castle e tudo vai ficar bem? Basta eu ficar com ele e tudo desaparecerá, é isso?

- Não, quem disse isso foi você. Estou apenas colocando a necessidade de se abrir com um amigo que nesse instante é o Castle. Ninguém conhece tanto os detalhes da morte da sua mãe como ele, ninguém sofreu mais do que ele quando você levou aquele tiro. Ele me parece a melhor escolha.

Ela ficou calada e mordeu os lábios. O terapeuta voltou a pressioná-la.

- Olha, Kate. Eu já tratei de muitos oficiais de policia, detetives, capitães com problemas iguais ou maiores que o seu. Tenho uma certa experiência no assunto para afirmar que o seu caso não é tão complexo. Você está ciente de tudo o que te causa esse medo, você sabe que precisa vencê-lo e admitiu que está disposta a fazê-lo. Eu prevejo grandes feitos no seu futuro como profissional e como pessoa, Kate. Alcançá-los depende exclusivamente de você.

Ele parou de falar um momento para observá-la. O semblante dela parecia mais calmo mas sabia que a ansiedade ainda estava lá.

- Converse com Castle, conte a ele como se sentiu nesse caso. Como isso a afetou. Peça para ele ajudá-la, mostre que precisa dele e ele será tudo o que você precisa que ele seja. Não precisa se declarar porque você ainda não está pronta para isso, apenas deixe ele saber que você não é uma ilha, que você precisa dele para superar tudo isso. Eu não vou dizer a você como agir porque você sabe.

Ela passou as mãos pelos cabelos. Suspirou profundamente e olhou séria para ele.

- Preciso mesmo fazer isso, não?

- Precisa. Como eu disse, Kate Beckett não é uma desistente. É uma lutadora. Use a mesma coragem que usou quando o salvou da morte. Dessa forma você encontrará o caminho e as palavras certas. Acho que acabamos por hoje.

- Sim. Obrigada.

Beckett deixou o distrito quando ainda tinha sol. Comprou um café e foi caminhar um pouco pelas ruas de Nova York para pensar no que iria fazer em seguida. Ela já tinha tomado a decisão de seguir o conselho do terapeuta, apenas precisava escolher qual a melhor forma de fazer isso.



Continua....

4 comentários:

Reading and Writing for life disse...

Fic maravilhosa!! É impressionante como você descreve os sentimentos de cada personagens!!
Continuaa....

Eliane Lucélia disse...

Uau, que sofrimento, a fic ficou muito mais angustiante que o epi. gostei muito do ponto de ligação de um acaso ao outro, os pesadelos de Beckett, ela já estava tensa antes do Sniper aparecer, aí "pirou" de vez, é estranho ver o Castle sério sem piadinhas nem teorias malucas que estamos acostumados a ver, mas essa seriedade dele ajudou muito a parceira, o terapeuta tem razão quando diz que ela pode buscar apoio em Castle, pq ele sabe exatamente o momento certo e onde poe o pé, sabe desviar de todas as minas e nesse ponto é o amor do homem amigo quem fala mais alto. ficou muito bom mesmo, li e fiquei angustiada até a última palavra e, com a sensação de que ela não acabou, que eu apenas dei um pause, enfim, na espera do próximo, bjosss.

val disse...

Nossa fica tão melhor com o seu ponto de vista vc realmente nos entende e nos dar o que realmente queremos...

brigadin por escrever tão bem.

Unknown disse...

NOSSA É INCRIVEL como essa fic fica cada vez mais interessante, a forma como ela me prende na história é simplesmente extraordinaria!! PARABÉNS fic está linda!!! quero continuação ok??? e rápido por favorrrrrr!