segunda-feira, 7 de julho de 2014

[Stanathan] Kiss and Don't Tell - Cap.25


Nota da Autora: Nossa! Faz tempo! Leitoras, não me odeiem mas tive alguns percalços ruins e bons nesse período e nào consegui postar para vcs #ashamed... de qq forma está aí um capitulo emotivo. Não sei quando virá o próximo pois estou viajando na sexta mas prometo que farei o possível para adiantar mais um capitulo dessa fic. Certo mesmo só após o dia 21... enjoy! 

PS.: Estava com saudades de escrever.... #winkwink


Cap.25          
  
Ele deixou-a receber o impacto das lágrimas e o sentimento que as acompanhava. Precisava que Stana estravasasse o que a aflingia seja por palavras ou choro. Enquanto ela mantinha o rosto entre as próprias mãos, ele acariciava de leve seu ombro demonstrando que mesmo diante da suposta angústia que a tomava, não a abandonaria. Respirava profundamente pensando na melhor forma de aborda-la uma vez que se sentisse apta para isso. Não a forçaria a nada, seriam suas escolhas não dele. em algum momento, ela teria a necessidade de falar ou de carinho. Não importava, continuaria ali, esperando.

Nathan tinha razão. Tão logo o arrepio e a emoção causados pelo misto de medo e aceitação começaram a diminuir, Stana aproximou seu corpo do dele, buscando conforto, carinho e ao seu modo, o perdão. Detestava parecer fraca diante dele como se fosse uma menina indefesa e dependente. Mesmo sabendo que ele não a veria dessa forma, vulnerabilidade era uma carapuça que não combinava com a sua personalidade. A culpa era do sentimento avassalador que a dominava por dentro provocando reações fisicas e emocionais que a faziam perder o controle. Assim como o coração batia descompassado no peito sempre que ele a beijava ou tomava-a nos braços, o sangue corria firme e quente através das veias sob a pele que arrepiava instantaneamente após o toque. Sua mente entrava num conflito entre racionalizar ou apagar de vez. Seu sentimento por Nathan fazia a mente parecer dopada, como se a habilidade de pensar lhe fosse tirada e o que restara era apenas uma sensação de leveza que a fazia flutuar em meio a um único pensamento. O amor que a inundava e sua vontade de se entregar completamente.

Por isso o medo a atacara. Quando o viu decidindo e fazendo planos pelos dois, sua mente interpretou como se fosse a rendição. Não havia mais o que pensar, o que ponderar. Tudo parecia acontecer muito depressa. E se a rapidez a levasse ao extremo fazendo com que a relação perdesse o sentido? Ou pior, fazendo-o perder o interesse por estarem juntos? Não, não e não! – ela gritava mentalmente para seu cerebro diante de tanta besteira. Não poderia sabotar o que construiram até ali, não era justo. Ainda com o rosto molhado das lágrimas, fitou-o e não conseguiu decifrar o que se passava nos olhos azuis tão profundos. Será que o magoara? Isso a quebraria por dentro pois era a última coisa que pretendia fazer com Nathan.

- Hey... Nate...e-eu sinto muito. Desculpe.

- Você já disse isso e não há nada que precise de desculpas – acariciou o rosto dela limpando parte das lagrimas – melhor?  

- Sim, eu não devia ter desabado na sua frente. Não podia. Tem ideia do quão importante tudo isso é para mim? Do quanto pode me cegar? Nós demoramos tanto tempo para chegar até aqui, pensar que alguns meses longe um do outro pode destruir a nossa historia me apavora. A ideia de você, por aí, solto no mundo em meio a fãs, amigos e outras oportunidades me deixa insegura. Detesto admitir isso, mas estar com você me causa esse sentimento. Não me arrisco em relaçòes, não me entrego facilmente. Talvez seja o fato de estar tão apaixonada por você que me assusta dessa maneira. Muitas vezes me sinto sufocada por esse sentimento, Nate. Ele parece ser maior do que eu posso suportar... – percebeu a serenidade do rosto dele ser transformada em aflição – de uma forma boa, devo dizer, mas ainda assim capaz de me tirar o chão, de me puxar para uma espécie de penhasco onde a minha vida está por um fio entre o medo e o amor. Isso faz o mínimo de sentido para você? É claro que não, parece o devaneio de uma louca.

- Não diga isso. Você nem de longe poderia ser considerada louca. Como disse antes, não existe motivo para desculpas. Por que acha que suas preocupações são diferentes das minhas? Por que assume que nada dessa insegurança me afeta? Pois para seu governo, me consome. Não é fácil para mim estar com você. Uma mulher deslumbrante que chama a atenção por onde passa. Você some no mundo e como fico? Já pensou nisso? Eu não estou pressionando e muito menos desistindo de nós. Por trás do cara com um monte de amigos está o mesmo garoto tímido e geek da escola, sabe o que é auto defesa, Stana? É o meu nome do meio. Se você é insegura, o que dizer de mim? – ao segurar o rosto dela com ambas as mãos, ele beijou-lhe os lábios delicadamente – adoro sentir essas misturas de sentimentos, elas oscilam entre a felicidade extrema e o medo avassalador. Tudo por causa de você. Desde que começamos esse relacionamento eu posso afirmar que vivo em uma montanha-russa. Dúvidas, paixão, futuro, amor. São palavras que definem um pouco do que se passa pela minha mente todos os dias. Você transformou minha vida de farras e futilidades em algo bom, real e possivel. Em meio a tudo isso, você me mantém apaixonado, vivo. Sabe uma palavra que não faz parte do meu vocabulário depois que começamos a nossa relação? Arrependimento. Eu ficaria bastante chocado se você ao menos considerasse isso quando o medo a atinge.

Ela já se distanciara dele, mantinha-se de costas como se o fato de não encara-lo a fizesse digerir melhor a tensão existente naquele ambiente. Nathan queria respostas, no fundo as tinham, porém esperava ouvir diretamente dela, sem qualquer sombra de dúvida ou defesa aparente. Para isso, ele a instigaria até o fim.   

- É isso que você quer dizer ao expor a sensação conflitante que a domina? Por que apenas você deve sentir medo? Aliás, por que você insiste em fazer papel da vítima? Odeio essa ideia constante que você tem de querer se sabotar. Isso em psicologia refere-se ao perfil do “coitadinho de mim”. Eu sei que essa não é você, não é a mulher que eu amo. Pelo menos não poderia ser tão cego a ponto de me deixar ludibriar por uma pessoa assim. O que mais eu preciso provar? Quem te feriu tanto a ponto de fazer com que enxergue sempre o lado ruim das coisas? – ele começara a andar de um lado a outro, o nervosismo aflorava nesse momento. Não podia deixar-se vencer por ele, pela timidez – Olhe para mim, Stana e me diga. Seja sincera.  

Stana sabia que isso era uma pergunta apesar de não ser direta. Ele estava pedindo um resposta. Continuariam ou não esse relacionamento. Ou era assim que interpretava tudo o que ele dissera nos últimos minutos. Por mais chocante que parecesse, agora ela não sentia a força do medo dentro de si. Não haviam sentimentos conflitantes. Sentia um pouco de raiva por deixar com que ele a cutucasse tão profundamente com suas afirmações. Sabia o que queria. Antes, contudo, precisava mostrar não através de gestos, toques ou ação. Para que ele acreditasse nela, teria que ver a sinceridade em seu olhar. Virou-se novamene para fita-lo. Ao fazê-lo, engoliu em seco. Mantinha os olhos fechados por mais alguns instantes, tempo suficiente para organizar seus pensamentos.

- Nate... – abriu os olhos – eu te amo. Ser vítima, agir por impulso ou tentar sabotar a minha felicidade são atitudes erradas, mecanismos de defesa. Você mais do que ninguém sabe a quanto tempo estou sozinha. Fui magoada no passado, sofri. Isso é natural, afinal somos seres humanos. Meu passado não deveria ser referencia para meu futuro, não negativamente quero dizer. Mesmo assim, meu cerebro parece querer sobrepor o meu coração. É exatamente nessas horas que o medo aparece, quando a minha razão luta pra vencer a emoção de te amar. Isso não deveria me afetar, porém aqui estamos nós. Em meio a uma briga sem sentido pleo simples fato da minha mente permanecer raciocinando sobre algo que não tem lógica ou explicação. Bastava sentir. Não existe amor com lógica. Amor é amor. Fim de papo.

Ele percebia a verdade daquelas palavras assim que ela as começou a dizer. Era capaz de sentir a ansiedade presente na voz, nos gestos inquietos que fazia. Era quase como se implorasse para que acreditasse nela. No fundo, ele não precisava ouvir nada mais. Aquele “eu te amo” já continha toda a sinceridade que ele pretendia ouvir dela. Caminhou lentamente até estarem frente a frente, separados por menos de um palmo de distância. Stana pode perceber a intensidade daqueles olhos azuis que pareciam despi-la numa sensação estranhamente boa como se lesse sua alma.

- Amor. Somos duas pessoas bem estranhas quanto a esse sentimento,não? Um é fútil o bastante para se esconder atrás do papel de palhaço da turma para driblar a timidez até o ponto em que finalmente aceite a rendição ao sentimento. O outro, prende-se a sentimentos passados que em nada ajudam a construir o futuro. Dois teimosos, isso é o que somos. Quanto a isso não há dúvidas.

- Sim, dois teimosos apaixonados – ela completou sorrindo – será que agora podemos tratar realmente do que nos interessa?

- Claro, mas continuo insistindo na viagem para Nova York.

- Pensei que meu aniversário fosse prioridade...

- E é, minha agenda está bloqueada para você, Staninha.

Eles conversaram um pouco mais sobre compromissos e agendas naquela noite antes de dormir. Havia pouca coisa a acertar. Stana confidenciou a ele que estava avaliando um projeto de um filme independente que deveria ser filmado na Italia durante o mês de junho, se realmente fechasse o contrato, ficariam distantes um do outro de qualquer forma. Nathan também estava cheio de compromissos, a maioria eventos de ficção – comic cons – ela não se importava com isso. Já se acostumara com o jeito geek do namorado por apreciar o gênero. Continuariam os acertos depois, ele estava feliz por saber que Stana estava prestes a se render a Nova York.               

O dia seguinte no estúdo prometia manter a vibe romantica e em clima de festa da semana anterior, ou era assim que Stana pensava sem saber que Marlowe estava prestes a provar-lhe o contrário. Tinham algumas cenas com Eddie e Kate deveria se dedicar a prova do vestidos para ajustes. Deveria passar a tarde toda com Luke. Pelo script e também por uma breve explicação de Terri, ela soube que usaria algo novo e não a roupa do episódio “Dressed to kill”. Stana não poderia estar mais satisfeita com a troca mesmo sem conhecer o seu novo vestido. Diante da reação positiva, Terri achou por bem revelar o que vinha pela frente apenas ao final do dia. Após o almoço, Luke a recebeu em seu estudio para a primeira prova de um Alberta Ferretti. Estava empolgada.

- Ok, Stana. Parece que os escritores realmente concordaram com você ao decidirem queimar o vestido. Acredito que você vai amar o modelo de Alberta que escolhi para sua personagem usar. É clássico, belo e digno de Kate Beckett e porque não dizer, digno de Stana. Preparada?

- Mostra logo isso, Luke! Para que tanto suspense? Estou ansiosa!

- Tudo bem, cherrie. Vou busca-lo – Luke desapareceu por uma porta voltando em dois minutos com um daqueles sacos de proteção especial. Pendurou-o no cabide acessório e abriu o fecho. Assim que o vestido armou, ela arregalou os olhos. Era lindo demais.

- Oh, Luke... é tão mais bonito que o outro. Não, é lindo, um arraso – não sabia explicar mas seus olhos começavam a encher de lágrimas.

- É maravilhoso e não aguento mais esperar para vê-la vestida. Vamos, Stana mate minha curiosidade. Tenho certeza que será a noiva mais linda que já vi.    

Ela pegou o vestido e se dirigiu a uma pequena área destinada a trocas na sala. Luke esperava ansiosamente para desfrutar desse momento. Sabia que ela ficaria linda, Alberta parecia ter desenhado esse modelo exclusivamente para Stana de tão perfeito que ficara. Ele tinha razão. Ao sair do trocador, ela caminhava lentamente com uma graça que apenas uma mulher da estirpe dela possuía. Luke suspirou e percebeu o quanto ela estava encantada por ser uma noiva. Estendeu a mão para ela se aproximar do espelho.

- Divina.... veja você mesma – e apontou o espelho a sua frente. Stana se imaginava vestida de noiva algumas vezes na vida, especialmente quando ainda namorava o seu ex. Chegou a sonhar com o casamento. Porém, nada lhe preparara para aquele momento singular. Esse era o segundo vestido que provava no set de Castle, gostava do primeiro mas nem de longe ele provocou o que sentia nesse instante. De repente, ao ver sua imagem refletida no espelho, não se sentiu uma atriz ou a personagem. A projeção era de si mesma. A emoção aflorara na pele fazendo-a arrepiar-se. Um calor reconfortante envolvia seu coração trazendo lágrimas aos olhos. Estava feliz por poder ao menos representar na tela algo que não tinha certeza de conseguir na sua vida real. Seus pensamentos se voltaram para Nathan. O simbolismo nisso tudo chegava a ser um tanto assustador. Através da pequena lente de uma camêra, ela se casaria com seu namorado na vida real de modo fictício. Em que ponto sua vida alcançara o mesmo rumo de sua personagem? Como Nate reagiria ao vê-la de noiva a sua frente?

De uma coisa, Stana tinha certeza. Ela jamais esqueceria o dia do casamento de Kate Beckett pois ele seria o seu, pelo menos em sua imaginação. Engoliu em seco e olhou para Luke prestes a chorar.

- Pode chorar, querida. Não conheço uma noiva que não se emocione diante do espelho ainda mais com um vestido deslumbrante de Alberta. Você nasceu para esse vestido. Vou chamar Dara para ver. Espere um minuto – sumiu pela porta sem dar a ela a chance de protestar. Não reclamou, seria bom ficar sozinha por alguns minutos.

As mãos tocavam os detalhes preciosos da frente do vestido seguindo pela cintura contemplando a saia fofa. Balançava o corpo de uma lado a outro como se fosse uma menina quando colocava um daqueles vestidos de princesa. Exceto que não era princesa alguma, ela era a rainha do Castelo. Gostava do título, pensou sorrindo. A futura Mrs. Castle intimamente se perguntava por que não a Mrs. Fillion? Definitivamente, esse clima de casamento estava subindo-lhe à cabeça, fazendo-a misturar seus dois mundos mesmo que nào pudesse negar o fato de que ambos colidiram em certo ponto do caminho. Suspirou. Limpou em seguida as lágrimas que escaparam-lhe aos olhos exatamente no momento que Dara chegara na sala.

- Wow! – foi a primeira reação da amiga – você está extraordinária, divina! Oh, Stana... – aproximou-se e percebeu que os olhos ainda tinha resquicios de lágrimas, ela se emocionara. Quem poderia culpa-la? Dara sabia exatamente o que deveria estar passando na cabeça dela diante daquele espelho ou ao menos tinha uma ideia – nem sei o que dizer, ficou melhor do que imaginei. O que faremos no cabelo?

- Prenderemos em um penteado, assim evitamos os apliques. E como acessório, teremos a mesma pulseira que Beckett usou no aniversário de Castle. Para todos os efeitos, na minha cabeça foi ele quem lhe deu a jóia. Você já tem a cena do vestido?

- Não – Dara respondeu antes dela – vai receber hoje à tarde, amanhã iremos filma-la. Resolvemos colocar um espaço no cronograma de gravações para pequenos ajustes, pelo que estou vendo nem precisava. Vou ter quer falar para Marlowe liberar logo essas cenas – vendo que Luke estava distraido com outras coisas, Dara cochichou ao ouvido da amiga – daria tudo para ver a cara de Nathan quando a visse nesse vestido.... – as duas riram, Stana também estava curiosa.

Saindo do pequeno espaço entitulado de atelier por Luke, Dara foi direto a sala dos escritores em busca de Marlowe e Terri. De alguma forma, eles deviam mudar seus planos de hoje. Pelo que presenciara naquela sala, era melhor preparar o espírito de Stana para receber o novo script com as próximas cenas.

- Hey, acredito que temos um problema. Acabei de vir do atelier de Luke onde Stana provou o vestido.

- Alguma coisa errada com ele? Precisa de mais tempo para ajustes? – perguntou Terri – tinha certeza que ficaria bom para Stana.

- Não, o vestido está perfeito. Caiu como uma luva, lembra até a história do sapatinho de cristal da Cinderella.O problema é outro. Quando entrei na sala, ela estava a frente do espelho contemplando a própria imagem. Percebi que estava emotiva, tenho certeza que chorou. O ponto é que se você pretendia contar qual o final desse episódio para eles hoje, sugiro mudar seus planos. Devemos aproveitar a emoção dela para a cena com Susan.

- Dara se mudar o cronograma teremos problemas, lembre-se que devemos filmar na fazenda para ideia dos Hamptons. E está esquecendo outro ponto importante. E quanto ao book que prometemos fazer da Stana vestida de noiva na própria fazenda para Alberta Ferretti? Você ao menos contou que contatamos Mark para produzi-lo?

- Não, quis falar primeiramente com vocês diante do que presenciei.

- Stana é uma atriz, muito competente por sinal. Tenho certeza que ela conseguirá reproduzir as emoções necessárias às cenas quando chegar a hora – Marlowe afirmou e ainda retrucou – não entendo essa sua preocupação exagerada com a ordem das coisas. Dara olhava desesperadamente para Terri em busca de apoio.

- Acredito que entendo a preocupação da Dara. Você sabe o quanto a Stana é shipper, o quanto ela sonhou com a união de suas personagens, o casamento. Convenhamos, acredito que não apenas os fãs mas todos nós queríamos esse momento. Claro que Stana é uma profissional porém, isso não a impedirá de pensar diferente de você. A emoção de agora, com a prova do vestido, certamente não será a mesma de quando formos filmar as passagens dos Hamptons. É apenas uma questão de timing.

- É Marlowe, mas a decisão final é sua – disse Dara.

- Não podemos alterar nossa programação, lembra que temos a agenda de Mark fechada para nós no periodo. Essa é uma notícia que Stana irá adorar. Sendo assim, por precaução, estarei usando-a para comunicar juntamente com a outra notícia de hoje. Ainda acho que vocês estão exagerando.

- Bem, veremos. Eu penso que você a está subestimando.

Por volta das sete da noite, Nathan a encontra já saindo de seu camarim pronta para ir para casa.

- Onde pensa que vai?

- Para casa oras! Amanhã tem mais – disse Stana.

- Não tão rápido. Marlowe está nos chamando na sala deles.

- Ah, deve ser a entrega dos scripts.

Quando chegaram na sala, estavam Marlowe, Terri, Dara e Rob aguardando-os.

- Sentem-se e fiquem à vontade. Preferi chama-los aqui depois das filmagens para que mantivessemos nosso cronograma em linha. Estamos apertados nas gravações se quisermos fechar tudo dia 11 – Stana reparou que ele tinha blocos de papel na mão, os prováveis scripts. Viu quando se levantou aproximando-se do quadro onde estava plotado toda a ação do episódio de uma forma macro. Um magnético de cor vermelha sinalizava a entrega dos scripts como em atraso, enquanto que as filmagens das cenas estava em amarelo. Em verde, apenas os figurinos – como podem ver, acabei atrasando o texto, porém há uma explicação plausível. Preciso conversar com vocês sobre as cenas finais dessa season finale, o nosso cliffhanger. Soube por Dara que você gostou e aprovou o novo vestido, Stana.

- Sim, é lindo. Nem se compara ao anterior, esse tem mais a cara de Beckett.

- Concordo. E tenho mais uma surpresa para você...

- Vamos mostrar a lua de mel? – ela já parecia empolgada.

- Não, tão rápido – ele sorriu – estou falando do vestido ainda. Quando Alberta cedeu o vestido sabendo que era para você, exigiu que fizessemos uma sessão de fotos com o mesmo para divulgar o trabalho. Claro que aceitamos. Depois de conversar com Terri e Dara chegamos a conclusão de quem deveria ser o fotógrafo. Na quarta partiremos para as filmagens na fazenda e Mark nos acompanhará.

- Mark? – foi Nathan quem perguntou.

- Sim, Mark Polish, amigo de Stana e fotógrafo maravilhoso. Tenho certeza que Alberta gostará do resultado – Marlowe percebeu o sorriso de alegria no rosto da atriz, realmente a pegara de surpresa.

- Nossa! Mark! Que notícia excelente! Adorei Marlowe – ela não conseguia conter o sorriso – Kate Beckett será a noiva mais linda do ano. Mas, de que fazenda você está falando?

- Ops! Soltei um spoiler antes do tempo. Vocês não poderão usar a igreja. O casamento será transferido para os Hamptons conforme o roteiro que irei entrega-los agora.

- Isso está ficando muito bom. Sempre quis o casamento deles nos Hamptons – afirmou Stana trocando um olhar significativo com Nathan que sorriu retribuindo a visivel alegria da mulher ao seu lado. O momento era tão bom que ela não percebeu a troca de olhares entre Marlowe e Terri que sinalizava exatamente o problema que estava se desenhando à frente deles, quase uma espécie de “eu te disse”.

- Parece que iremos ter uma season finale em grande estilo mesmo – disse Nathan.

- Então, sobre esse assunto... – ele viu o semblante de Marlowe mudar ao dizer essas palavras – preciso que vocês entendam sobre o que conversaremos agora. O cliffhanger da série deve ficar em segredo absoluto apenas entre nós. Se vazarmos, o impacto e a repercussão podem ser catastróficos para a audiência. As personagens de vocês vão passar por outro momento complicado.

- E quando que a relação de Castle e Beckett foi simples? – retrucou Nathan.

- É verdade, mas será uma mudança grande. Seu alterego, Nathan, irá sofrer um acidente deixando dúvidas de sobrevivência. E será Kate a primeira pessoa contatada – ele pode ver a mudança no semblante de Stana, o sorriso desaparecera e o rosto sério juntamente com a típica mordiscada nos lábios já antecipava que ela não estava certa do que aquilo poderia representar.

- Quando acontecerá isso? Logo após a lua de mel ou após o casamento? Não que eu concorde em trazer mais sofrimento para esses dois, mas precisamos de um incentivo para trazer os nossos telespectadores de volta, certo? – ela disse e complementou – se bem que são tão viciados que voltam de qualquer forma. Marlowe viu nas palavras dela a oportunidade de vender sua ideia sem maiores problemas.

- Stana, não haverá casamento.

Um silêncio mortal caiu sobre a sala. O escritor pode vivenciar a reação que a notícia causara nela. Stana arregalara os olhos e abriu a boca em choque. Nada a preparara para ouvir essa frase. Diante daquelas palavras, teve certeza que entendera errado a colocação de Marlowe. Sentiu o estomago embrulhar. Dara observava a cena e já tinha ideia do que aconteceria a seguir. Nathan segurou a mão dela por impulso.

- Não o que? Não... – ela repetia com o olhar fixo em Marlowe. Precisava ter certeza de que não estava delirando.

- Não haverá casamento, Stana. Kate receberá a noticia do acidente quando estiver esperando Castle para a cerimônia. Não tem casamento Caskett, pelo menos nessa season – ele respirou fundo – olha, eu sei que essa talvez não fosse a noticia que você esperava, mas a continuação da série precisa de uma nova storyline para substituir a de Johanna e, puxa! Nathan mesmo já falou que as coisas são dificeis para eles, uma possivel morte de Castle gera um novo angulo para a sétima temporada. Eu sei que você queria o casamento, sei como se sente e....

- Sabe? Tem certeza? – ela se levantou de supetão apontando o dedo na cara de seu chefe – não! Você não sabe! Depois de tudo o que eles enfrentaram nesse episódio? Toda a preparação e todo o sofrimento que foi enterrado com a prisão de Bracken? Agora quando finalmente Kate iria aproveitar a felicidade por completo... como você pode fazer isso com ela? Comigo? – os olhos de Stana já estavam mareados e seu rosto vermelho. Marlowe foi pego de surpresa pela reação da atriz. Nathan a puxava pelo braço tentando acalma-la, dessa vez sem efeito. Ela desvencilhou-se do toque e continuou fitando Marlowe – como você acha que os fãs irão reagir? Isso vai... isso... – não conseguiu completar a frase. Tornou a sentar respirando fundo. Não sabia o que pensar, era como se tirassem algo dela. Uma sensação de derrota. Sentiu quando a mão de Nathan tocou-lhe o ombro massageando-o procurando assim diminuir a tensão que era visível, tinha os musculos duros como pedra.

- Stana eu sei que você como nossa shipper queen reagiria assim. Nossos fãs também distribuirão ofensas a mim, não duvido. O que não entendo é essa raiva súbita parece algo pessoal. Kate é uma personagem, querida e você, uma atriz.

- Pra que um vestido tão lindo? Toda a preparação... desculpa, Andrew. É pessoal sim. São seis anos esperando. Uma ova que não é pessoal! – ela respirou fundo, engoliu a seco. Precisava colocar a cabeça no lugar. Deixou completamente a emoção domina-la, um sentimento que saiu pelos seus poros sem explicação para aqueles que estavam à sua frente. Fechou os olhos por uns segundos tornando a abri-los em seguida – desculpe, Marlowe. Eu não devia ter me excedido, agi mal. Você tem razão, sou uma atriz e desempenho um papel, nada mais – o tom era seco e frio - O que você espera de nós para esse episódio afinal?

Nathan sabia que o nervosismo ainda persistia, quando saíssem dali, ele seria o responsável por coloca-la novamente nos eixos. Centrada e pronta para o restante das filmagens. Seria uma missão árdua mas faria por ela. Andrew seguiu explicando o que deveria acontecer de acordo com o cronograma existente. As cenas foram distribuidas nos números de dias ainda disponiveis naquela semana. Terminada as explicações, ele perguntou se havia alguma dúvida. Ambos disseram que não. Dara se manifestou alertando-os sobre a presença deles amanhã no estúdio para as últimas gravações em L.A. antes de irem para a  fazenda. Antes de dispensa-los, Marlowe agradeceu.

- Obrigado aos dois pela dedicação nessa reta final. E Stana, sua paixão pelo trabalho é incrível. Bom descanso e vejo vocês amanhã cedo.

Assim que os dois saíram pela porta, Marlowe virou-se para as escritoras um pouco constrangido. De qualquer forma, tinha que perguntar.

- O que deu nela?

- Para um cara que escreve uma história de amor tão linda, você às vezes é bem perdido, não? – disse Terri – Stana é passional, especialmente quando se trata de Beckett e Castle. Esse casamento é importante para ela, Andrew.

- Tudo bem, sei da devoção por isso a elogiei mas Kate Beckett é uma personagem. Do jeito que ela falou comigo, cheguei a pensar que o casamento era dela.

- E quem disse que não era, de certa forma? – retrucou Dara – não se preocupe, Stana dará o seu melhor. Não se trata de profissionalismo e sim de coração. Você terá o que deseja da atuação dela – pegou a bolsa e despediu-se – vou nessa, até amanhã. Saiu jogando beijinhos aos companheiros de escrita.

Nathan sequer perguntou se ela queria carona. Automaticamente a conduziu até seu carro e rumou para casa. Permanecendo calada por todo o trajeto, recostou sua cabeça no encosto do banco e fechou os olhos. Estava com a mente a mil, depositara muita expectativa nesse casamento da ficção. Para ela era a chance de sentir o gostinho de passar por uma situação tão desejada com o homem que amava. Quantas vezes na vida teria uma oportunidade assim? Depositava no casamento Caskett suas próprias esperanças e seu real sentimento. Ansiava por observar o comportamento de Nathan, suas reações e percepções. Iria além, esperava que a sensação de protagonizar o matrimônio entre duas personagens apaixonadas provocasse nele a vontade de fazer o mesmo na vida real. A quem você está enganando, Stana? – dizia a si mesma mentalmente – ele não está pronto, mal se abalara com a proposta de Marlowe.
Sentiu a cabeça latejar, o estomago embrulhar. Como poderia se deixar atingir tanto por algo ficcional? Exceto que não era, ao menos para ela. Viu que Nathan já estacionara o carro na garagem, sequer notara que estava na casa dele. Devagar, saiu do carro e ele a conduziu até a porta guiando-a com a mão sobre a parte inferior das costas. Subiu as escadas sem dizer uma única palavra, observando que ele ia atrás dela. Tirou os sapatos, desabotoou a blusa para finalmente se pronunciar.

- Preciso de um banho, minha cabeça está explodindo.

- Tudo bem, fique à vontade. Ele a viu entrando no banheiro. Aproveitou para deitar na cama. Ela precisava de espaço e estava disposto a dar um tempo para que se acalmasse. Arrancaria o que rondava sua mente no tempo certo, a conhecia o suficiente para saber que cederia a essa pressão que comprimia sua mente e o peito. Ainda não terminara de expor seus sentimentos pois não o faria na frente de Marlowe. Decidiu descer e preparar leve algo para o jantar, estaria com fome logo que deixasse o banheiro.

A água morna descia pela pele, as gotas atingiam os musculos como pequenas agulhas numa dança capaz de afastar a dor que tomava conta da região do pescoço e ombros. A dor de cabeça era tanta que precisava da batida constante do jato para tentar afasta-la. Após relaxar, tinha consciência de que teria que encarar Nathan. Não que ele já não desconfiasse dos motivos daquele pequeno show. Mesmo assim, devia-lhe uma explicação. Enxugou parcialmente o corpo vestindo o robe de seda preta retirado do armário sob a pia. Arrumou os cabelos com os dedos rapidamente e calçou um chinelo. Ao não vê-lo no quarto, deduziu que estaria pela cozinha comendo. De repente, percebeu que estava com fome.

Assim que desceu as escadas o viu mexendo em algumas vasilhas. O cheiro do alho e azeite encheu sua boca d’água. Sorrindo pela primeira vez desde a cena com Marlowe, ela caminhou até onde ele estava e abraçou-o por trás beijando-lhe o ombro.

- O que você está fazendo?

- Um creme leve de aspargos – ele a fitou – é bom ver um sorriso no seu rosto novamente. Sente-se, estou quase terminando. Melhor, coloque a mesa para jantarmos. Se quiser, tem um vinho branco na geladeira. Sirva para nós.

Ela obedeceu enchendo as taças para ambos. Com a sua nas mãos, ela dirigiu-se a mesa e começou a arrumar o jogo americano seguido de pratos e talheres. Nathan se concentrava em dar sabor ao creme. Viu quando pegou a peça de queijo parmesão e a ralou em grandes filetes, depois foi a vez das cebolinhas e coentro. Satisfeito, desligou o fogão e despejou o creme numa tigela de vidro própria para sopa. Trouxe para mesa enquanto Stana se preocupou em pegar o vinho e a taça dele. Com tudo devidamente em seu lugar, ele sentou-se na cabeceira.

- Vamos lá, pode se servir. Stana fez o que ele pediu e também quis servi-lo. espalhando um pouco do queijo ralado sobre o creme, ela pegou a colher e provou – e então? Dá pra comer?

- Está uma delicia. Pode provar.

- Hum, eu sou bom mesmo – disse apenas para implicar e ver o sorriso no rosto dela. Levantou-se rapidamente da mesa e correu até a cozinha voltando em um minuto com o pacote de pão italiano e uma faca. Cortou varias fatias – tinha esquecido. Quer azeite? – não esperou ela responder e despejou uma boa quantidade em um prato de sobremesa. Em resposta, ela pegou uma das fatias de pão e molhou-a no liquido levando aos lábios.

- Está perfeito – ela disse. Por alguns minutos apenas saborearam o jantar sem qualquer conversa. Terminaram de comer e estavam saboreando o vinho. De repente, ele se deu conta de que Stana não deveria estar bebendo se estava com dores de cabeça. Levantou-se da cadeira e foi até um armario da cozinha. Pegou um comprimido de anti-inflamatório.

- Você não deveria estar bebendo. Como está a dor de cabeça? – estendeu o comprimido na palma da mão. Serivu um copo com água para que tomasse o remédio. Virando a pilula na boca e bebendo o liquido, sequer contestou a observação dele respondendo em seguida.

- Melhorou mas ainda não passou totalmente. Obrigada – afastou a taça de vinho da sua frente. Segurou sua mão e a levou para a sala. Sentados no sofá, deixou-a apoiar no ombro dele fechando os olhos. A palma da mão deslizava sobre o peito dele acariciando-o de leve e sentiu o nariz dela inspirar seu cheiro.

Julgando que havia dado bastante tempo a ela para recompor as ideias, decidiu puxar o assunto que ficara suspenso desde a saída da sala dos escritores – creio que podemos conversar sobre a cena de discussão durante a reunião de hoje. Olha Stana, eu sei que você não gostou, entendo parte de sua frustração e da raiva pelo simples fato de conhecer seu lado shipper muito bem. Fui pego de surpresa tal como você e posso dizer que fiquei sem ação diante da notícia. Puxa! Castle vai “morrer” no dia do casamento? Também sei que haverá um burburinho muito grande na nossa base de fãs porém, alguma coisa me diz que não foi só o impacto da notícia que mexeu com você. Pode falar.

- Nate, eu estourei com Marlowe, reconheço. Como não poderia? Me senti enganada. Seis anos esperando. Seis anos querendo isso. Kate não merecia isso, sofreu demais. Ela está pronta para abraçar sua felicidade, uma nova etapa da sua vida com você como Castle a seu lado. Não consigo esconder minha frustração. Nem comemorei o fato de ter um photoshop para fazer com o Mark. Para mim é mais que umas cenas, mais que ficção. Eu... – suspirou – eu me via nela. Na minha cabeça, essa festa, o casamento é meu também. Sempre imaginei que ao me casar como Kate, estaria realizando um sonho também mesmo pela personagem. Era um momento meu, íntimo e pessoal – ele percebeu as lágrimas nos olhos, a emoção voltou a domina-la. Stana se afastou um pouco dele para fita-lo nos olhos, ainda segurava a mão dele mantendo os dedos entrelaçados – você talvez não entenda por completo. Não sabe o quanto eu fantasiei sobre isso.

- Eu entendo mais do que você imagina. Como havia comentado antes, sua reação foi além do que gostaria para a personagem. Por que tenho a impressão de que quando fala de Kate, está no fundo falando de você? É exatamente esse o sentimento que toma sua mente e seu coração, não Staninha? Vejo isso nos seus olhos – ela pensou em abrir a boca para contesta-lo porém sabia ser em vão – infelizmente, quando menos esperamos somos surpreendidos pela vida. Esse é um desses momentos. Precisamos nos adaptar a essa nova realidade e fazer nosso trabalho. Estar borbulhando emoções pode ajudar apenas tenha cuidado para não transparecer aquilo que não gostaria. E quer um conselho? Peça desculpas a Marlowe. Assim, ele não chega a desconfiar do que há entre nós.

- Você acredita realmente que ele não saiba? – perguntou enquanto deslizava a ponta dos dedos no maxilar dele.

- Pela expressão que vi hoje em seu rosto quando você estourou? Não. Ele não sabe, pode desconfiar sem a real certeza – levou a mão dela até os lábios beijando-a e mordiscando as juntas dos dedos – suba, vá deitar a fim de descansar para as gravações amanhã. Vamos precisar, especialmente você.

- Por que não vem comigo?

- Vou arrumar as coisas aqui na cozinha. Subo em dez minutos. Ela beijou-o nos lábios. Não era um beijo qualquer de namorados que podia significar “te vejo daqui a pouco. Não, era um pedido de agradecimento, um misto de emoções e gratidão, diferente e tão igual a ela. Nathan não pode evitar o sorriso.

Dez minutos depois, encontrou-a deitada na cama com o script em mãos. Estava concentrada lendo suas falas. Após ir ao banheiro, deitou-se ao lado dela. Stana permanecia com os olhos fixos no papel, provavelmente analisando diálogos e decorando suas falas. Escorou-se em seu cotovelo, beijou-lhe a cabeça e permaneceu contemplando-a por uns segundos antes de falar.

- Como está sua dor de cabeça?

- Bem melhor. Você já leu o roteiro? Teremos poucas cenas para filmar ainda, uma bem emotiva. Não vi mais cenas com você na fazenda, será que vão dispensa-lo? – Nathan percebeu no olhar a preocupação dela, se estivesse certa, significaria que despediriam-se mais cedo.

- Não, vi amor. Independente de precisarmos gravar juntos ou não na fazenda, irei com você. Deixe-me pegar o meu texto – ele se ergueu da cama e voltou com o bloco de papel que recebera mais cedo, folheou alcançando direto as últimas paginas. Havia a sequencia da cena do acidente e realmente não mencionava a participação dela – pelo que posso ver aqui, nossa última cena juntos é a do telefonema.

- Seu script não tem todas as cenas? – ela perguntou surpresa.

- Tem sim, porém está sinalizado o que devo gravar. Pelo menos é o que imagino por conta do nome de Castle estar em negrito. Novamente, não se preocupe. Estarei com você – folheou as páginas e encontrou a cena deles que Stana considerou emotiva, ao lê-la comentou – hum, teremos uma cena bonita... Castle e suas palavras ou seriam minhas? – sorriu e pode constatar o mesmo sorriso transbordando de amor no rosto dela – sei que temos trabalho pela frente, decorar falas especialmente você mas precisamos descansar, Staninha – retirou das suas mãos o script colocando-o sobre a mesa de cabeceira, acariciou seu rosto ajeitando os cabelos desalinhados - E quer saber? Acho que conheço um remédio perfeito para acabar de vez com essa sua dor de cabeça.

Nathan colocou o corpo sobre o dela e tomou-lhe os lábios com avidez. O beijo apaixonado era sedutor, as mãos desciam pela lateral do corpo provocando sensações que deixavam em alerta todos os sentidos de Stana. Os poros arrepiavam-se fazendo o desejo escapar até a superficie. Stana afagou os cabelos negros com os dedos trazendo-o para ainda mais perto dela, se é que isso fosse possível, buscando por fôlego, ele quebrou o beijo.

Em questão de segundos, passou a viajar pelo corpo dela. Colo, seios, pele. Beijava-lhe suavemente o estomago e as mãos massageavam os seios arrancando suspiros e gemidos. Stana fechara os olhos entregando-se a uma onda de caricias e prazer que a tomava de maneira sorrateira e crescia aceleradamente desanuviando-lhe a mente, relaxando-a por completo. Cabeça, corpo e coração. Foi de maneira delicada que Nathan a penetrou e a preencheu cobrindo-lhe o corpo de carinhos até leva-la ao climax total. Queria afastar todo o aborrecimento que sofrera através do afeto. Satisfeito, se acomodou junto ao corpo dela ainda quente e suado pelo efeito do sexo, beijou-lhe o rosto e adormeceu em seguida.

Ela demorou-se um pouco mais. Refletia sobre os acontecimentos do dia. Deixara transparecer a irritação frente a Marlowe, um sentimento pessoal simplesmente porque era exatamente assim que encarava o momento. Até ali, não demontrara abertamente para Nathan a sua necessidade com relação a casamento, ainda tinha dúvidas se ele percebera. O fato de afirmar que estaria com ela durante as cenas era um sinal de compreensão, o que não explicava seu real entendimento da situação. Não seriam como um passeio no parque esses últimos dias de gravação e a presença dele a confortava. A emoção que julgara estar presente existiria porém de maneira diferente. As cenas finais seriam marcadas por sentimentos complementares onde a dor se sobressairia. Claro que independente de gostar ou não do resultado, agiria como profissional, certa de que o seu lado pessoal atravessaria a linha e se misturaria mesmo assim, caso contrário estaria negando a importância de Kate Beckett na sua vida.                          

Raleigh Studios
9am

Stana já refizera alguns diálogos por solicitação do diretor quando Dara se aproximou dela para avisar que a van de transporte para a cena externa sairia dali a meia hora. Fariam uma cena com os motoqueiros e outra somente dele e Nathan, logo soube que se tratava da cena que lera ontem. Depois das tratativas formais, Dara se permitiu fazer um comentário sobre o comportamento de Stana no dia anterior.

- Você está mais calma? Eu tinha certeza que os rumos do episódio não a agradariam, disse isso a Marlowe. Acredito que ele não entendeu.

- Não se trata de agradar afinal, ele é o escritor e criador da história. O problema foi acreditar que finalmente iria ver o que gostaria desde a primeira temporada. Não sou a única a pensar assim. Talvez ele não compreenda a implicação ou a importância disso na minha vida. Não se preocupe, Dara. Vou entregar o melhor de Kate Beckett.

- Nunca duvidei disso – sorriu apertando de leve o braço da amiga em sinal de compreensão.

As externas correram bem. Faltava apenas a cena entre ela e Nathan sobre o desabafo e os sinais sobre o casamento. Ensaiaram umas duas vezes antes de gravar a cena final discutindo o melhor angulo, luz e principalmente seu posicionamento e o modo como poderiam atuar juntos. Sentindo-se preparada, Stana sinalizou estar pronta para filmar. E o resultado saiu melhor que o esperado, foram as palavras do diretor. De fato, não podia ser diferente. No entanto, durante a cena, Stana envolveu-se de maneira tão intensa que seus próprios sentimentos afloraram, não houve como não se emocionar ao ouvir Nathan recitar as palavras de Castle para ela e repreender o que sentia. Naquele momento, a frase dele entrava pelos seus ouvidos e tocava seu coração. Em sua mente, era Nathan quem falava para Stana.

Precisou respirar fundo, tomar uma garrafinha d’água para acalmar o coração que tamborilava dentro do peito. Ele percebeu como ficara mexida e constatou o quão difícil seria vê-la se entregar para as cenas finais onde teria que encarar a suposta morte de seu noivo na ficção. Acariciou a parte inferior das suas costas, sussurrando aos ouvidos dela assim que percebeu estarem sozinhos.

- Eu realmente disse. Cada uma daquelas palavras para você. Eram minhas, não do Castle. Lembre-se disso – pode sentir o suspiro de satisfação expirado por ela.

Eram seis da tarde quando retornaram ao estúdio. Foram recebidos por Terri que já os conduziu a sala dos escritores para falarem rapidamente das filmagens do dia seguinte. Ao lado de Marlowe, estava Mark escrevia alguns detalhes no quadro branco ao lado de fotos que Nathan deduziu serem da fazenda. Conversavam animados sem dar atenção ao que acontecia em volta deles. Ao vê-lo, Nathan não pode deixar de sentir uma fisgada no estomago. A relação de amizade de Stana com o fotógrafo era forte e do ponto de vista dele, íntima. Precisaria de auto-controle para não imaginar ou enxergar algo que não existia. Obviamente fora bem transparente pois logo em seguida, ela bateu de leve o cotovelo no braço dele como quem diz “relaxa, eu amo você” e piscou com um pequeno sorriso formado nos lábios.

- Esse é o moço da confeitaria francesa da esquina? – brincou para chamar a atenção do amigo. Mark virou-se sorrindo ao ouvir a voz dela.

- Ma Petit! Não reconhece mais um velho amigo? – ele aproximou-se dela e abraçou-a. Em seguida, beijou-lhe o rosto segurando a mão dela na sua – pronta para trabalhar comigo mais uma vez? Tenho certeza que você ficará linda de noiva – percebeu o jeito embaraçado de Nathan e se antecipou estendendo a mão – como vai Nathan? – perguntou em um arrastado sotaque francês.

- Muito bem, obrigado. Seja bem-vindo ao set de Castle – Stana soltou a mão de Mark ficando ao lado de Nathan para não criar qualquer ideia errada. Marlowe tomou a frente da conversa para falarem de trabalho porém, foi interrompido antes mesmo de trocar a primeira sugestão de horários com seu elenco.

- Marlowe, será que você poderia vir aqui comigo um instante? – era Rob – preciso te mostrar uma filmagem. Sua aprovação é importante.

- Claro – virou-se um instante para os demais – volto já. Prometo que serei breve. Saiu da sala o que proporcionou a chance de Nathan pegar café a fim de deixar Stana e seu amigo mais à vontade e de certa forma, tirar um pouco da sensação estranha que se instalou no local com a chegada deles. Educadamente perguntou.

- Aceita café, Mark? Nem vou perguntar para você, Stana. Já sei a resposta.

- Não, obrigado. Se puder me trazer uma garrafa d’água...

- Tudo bem – saiu em direção à mini copa. Retornou antes mesmo de Marlowe com dois copos de café e a água. As coisas pareciam melhores agora. Quando pensou em puxar conversa, o chefe entrou na sala.

- Muito bem, vamos discutir a programação de amanhã. Conforme a avaliação de Mark quanto a luminosidade e a previsão do tempo... – continuou falando e apresentando as propostas sobre as gravações na fazenda. Tanto Nathan quanto Stana deram suas contribuições e sugestões. A tomada referente ao acidente deveria acontecer durante uma tarde toda, o diretor ainda cogitava a possibilidade de dedicar uma manhã para ajustes se necessário pois queria filmar de vários angulos e Nathan seria primordial para refazer qualquer take. Nesse intervalo, Stana faria o photoshoot com Mark além das cenas com Susan, Tamala e Molly. Apenas na quinta, eles filmariam a cena do telefonema entre ela e Nathan para então na sexta finalizarem as cenas com Stana. Após uma hora, Marlowe terminou a reunião e dispensou a todos.

- Que tal um happy hour? – sugeriu Rob.

- Para você cobrar da gente amanhã quando estivermos caindo de sono? Sem chance – disse Stana arrancando risadas de todos.

- Eu concordo com Stana – disse Mark – preciso de uma boa noite de sono. Cheguei da Europa hoje de manhã e ainda estou na onda do jetlag, para fazer as fotos tenho que estar de mente limpa. Melhor descansar.

Despediram-se informalmente e combinaram de estar no estúdio às sete da manhã. Como viera de carona com Nathan até a esquina pela manhã, Stana tinha em mente pegar o metro para casa. Nathan já estava no estacionamento. Entraria no carro e dirigiria até o cruzamento. Enviou uma mensagem a ela avisando que a esperava. Enrolou o quanto pode para que Mark deixa-se o estúdio antes dela. Queria falar com Marlowe sozinha.

- Marlowe, tem um minuto? – perguntou.

- Pode falar, Stana – ela olhou para Terri, a única pessoa na sala além deles, que compreendeu. Dando uma desculpa, saiu da sala.

- Eu gostaria de pedir desculpas pelo meu comportamento de ontem. Despejei minha frustração e raiva sobre você. Não estava raciocinando porque fiquei extremamente irritada mesmo que isso não justifique. Acima de tudo, você é meu chefe e a última palavra deve ser sua. É o seu show e merecia respeito. Darei o melhor de mim.

- Nossa! Quanta formalidade! Está tudo bem. Você me deu uma amostra do que devo enfrentar nos próximos dias após o episódio ir ao ar. Apenas uma correção, o show é nosso. Sem você ou Nathan, Castle não seria o sucesso que é. Vem aqui, minha shipper queen, dá um abraço – agarrou a sua pupila pelo braço beijou-a na face – você é muito especial. Vá pra casa que hoje seu descanso é importante. Está quase terminando. Você terá suas merecidas férias e quanto a sua atuação, nunca tive dúvidas, a filmagem de hoje prova isso. Maravilhosa como sempre. Minha detetive favorita – beijou-lhe a testa.

- Também você a criou – rindo com ele – vou nessa! Amanhã?

- Amanhã. Em dez minutos, ela entrava no carro de Nathan.

Já preparados para dormir, eles passaram o texto e namoraram um pouco. Aproveitando o momento de relaxamento, ele resolveu puxar um assunto que estava esquecido por eles. O que fariam no hiatus. Nathan tinha um plano e estava determinado a cumpri-lo.

- Hey, gorgeous... já parou para pensar que temos apenas dois dias de filmagens pela frente? Por acaso já pensou no que faremos nesse período de férias? Minha agenda está lotada, voou sexta de madrigada para Utah, percorrerei algumas cidades em eventos de comic con porém, não abro mão de uma coisa. O dia 26 está bloqueado na minha agenda. Estarei em L.A. para ficar com você. Já lhe disse isso antes.Não abro mão disso – acariciou os cabelos dela esparramados sobre o seu peito – vai realmente viajar?

- Tenho que ir, quero passar um tempo com a minha familia.

- Então viaje depois do seu aniversário. Melhor ainda, viaje após passar uns dias em New York comigo. Será difícil aguentar estar longe de você até julho. Eu irei para o Canada fazer eventos e rever familia também. Não vou te pressionar quanto a isso. Fechou aquele trabalho na Italia?

- Estou analisando a proposta. Acho que aceitarei.

- Você ainda não me respondeu – beijou-lhe as pontas dos dedos – vai para New York comigo? Façamos dessa maneira: vou pedir apenas para você me esperar no dia 26 em sua casa. Passo por volta das dez da manhã. Esteja pronta com pelo menos uma valise de mão, vista-se casualmente e ponha pelo menos um vestido de noite para jantarmos. Não direi onde iremos. Quando nos encontrarmos novamente, você me dá a resposta de New York.

- Hum... surpresa? Você está querendo ser misterioso... tudo bem. Promete que vai se comportar nessas festinhas de geek?

- Não são festinhas, são eventos importantes. E por que não me comportaria? Só tenho olhos para você, Staninha.

- E pensa que me convence com esse seu charme? Não sou tão fácil assim de ser dobrada, exijo o mínimo de esforço – ela já olhava com uma cara sapeca e um sorriso malicioso.

- É mesmo? – puxou-a em direção de seus lábios – que tal ser convencida assim? – beijou-a intensamente enquanto suas mãos vagavam pelas costas dela até lhe apertar o bumbum. Em menos de dez segundos perdera o short que usava. Gemeu entre seus lábios antes de provoca-lo mordiscando como adorava fazer. Ergueu-se ficando sobre a cintura dele, voltando a beija-lo para seguir provando todo o corpo dele. As mãos se desfizeram do boxer com agilidade e sorriu ao constatar que ele já estava mais que pronto para satisfaze-la. Movendo o próprio corpo com a destreza de sempre, deslizou sobre o membro permitindo desfrutar de todo a sensação de prazer que o contato lhe proporcionava. Ele gemeu ao sentir-se pressionado pelos movimentos que ela fazia. Juntos, passaram a realizar um balé pessoal. Inundada por desejo e libido, sabia que não era capaz de sentir o que sentia com ele com ninguém mais.

Novamente procurou os lábios deliciosos e sentiu Nathan aprofundar-se ainda mais dentro dela. Os corpos falavam a mesma linguagem, instintivamente diziam o que almejavam. Minutos depois, perdiam-se na explosão do orgasmo sem reservas.

XXXXXXXXX

No caminho para a fazenda, todos se mostravam animados. Nathan inclusive conversava naturalmente com Mark, o que pegou Stana de surpresa. Dara estava bem falante também e quando deram por si, já chegavam no local. Durante as checagens e preparação de equipamentos, Stana batia o texto com Tamala e Susan. Luke a chamara para a maquiagem. A preparação para as próximas cenas e as fotos exigiriam muito dele e da equipe. Uma vez que ela colocasse o vestido de noiva permaneceria com ele pelo menos o resto do dia. Nathan aproximou-se dela chamando-a para um canto antes de Luke a roubar de vez.

- Preciso filmar os angulos do acidente antes de contracenar com você. Nada de gracinhas com aquele cara metido a francês.

- Ele não é francês, Nate.

- Não importa. Acho que não verei você com o vestido, dá azar ver a noiva antes do casamento – disse sorrindo.

- A mesma regra vale para ficção? – ela brincou.

- Acho que a pergunta é: quanto de ficção há nisso? – piscou para ela – bom trabalho. Caminhou sorrateiramente sobre o olhar dela de encontro a Rob. Ao ouvir seu nome, Stana suspirou e seguiu Luke até a casa da fazenda onde se vestiria.

Transformar Kate Beckett em uma noiva levou cerca de duas horas. Maquiagem, cabelo, provas de joias. Stana teve que passar produtos de hidratação no corpo e protetor solar já que fotografaria em ambientes externos. Finalmente pronta, pode se olhar no espelho. Ver sua imagem transformada a vez engolir em seco. O estomago agitado, borboletas. Suspirou profundamente. Por mais que tentasse manter a calma e agir profissionalmente, a imagem a sua frente a traia. Não tinha como ficar alheia ao significado daquilo. Era a emoção de Kate que ultrapassava a barreira da ficção provocando respostas antes não experimentadas por Stana.

Susan foi a primeira pessoa a vê-la após Luke. A reação no semblante dela comprovou que não seria apenas Stana quem se maravilharia com o clima do set. Por decisão do diretor, ela filmaria com Tamala e depois com Susan. As cenas ocorreram de forma tão natural que mais parecia momentos da vida real. Quando Stana colocou os brincos dados por Martha à sua personagem, não pode deixar de imaginar a delicadeza do momento. Ao fitar-se no espelho e ver o reflexo de Martha, no papel de Kate sabia estar vendo a falecida mãe, Johanna. Ali, a atriz enxergava Rada. Teria um momento desses com sua mãe? Foi difícil segurar as lágrimas, fizera um esforço quase sobre-humano. Assim que o tefefone tocou em cena e Stana recitou sua fala, o diretor gritou “corta”. Recebeu a chuva de elogios. Pediu licença para ir ao banheiro.

Sozinha, sentiu-se mais segura para lidar com as emoções. Fechou os olhos e respirou profundamente. Com o corpo tremendo, ela cedeu às emoções ao lembrar-se que o belo momento seria adiado um pouco mais. Ela sonhou com o momento de cruzar seus olhares com os de Nathan enquanto caminhava rumo ao altar. Muitos considerariam esse pensamento uma loucura. Stana não se importava com o que outros pensariam, desde que conhecera Nathan naquele teste onde pediu a ele sem nenhuma cerimônia para cortar a blusa que vestia, depois de always sonhara em viver na tela, com ele, o casamento de Kate e Castle. Antes de estarem juntos, ela acreditava que ao menos na série teria a chance de se ver ao lado dele, como casal.

Recompondo-se, ela limpou a marca das lágrimas do rosto. Voltou a área de maquiagem para retoca-la e preparar-se para a sessão de fotos com Mark. O fotógrafo já esperava para discutir com ela sobre algumas paisagens que julgou interessante para compor o ensaio.

- Quero muito sua opinião sobre esses possíveis takes. Não sei se já teve a oportunidade de andar pela fazenda. Há locais muito interessantes, paisagens belas com o mar por trás. Inclusive caminhos verdes preciosos. Tirei algumas fotos para você ver – estendeu as fotos para Stana que concordou, a fazenda era muito bonita.

- Gostei de todos os lugares que você selecionou. Não tenho nada a acrescentar. Quando começamos?

- Por que não agora?

Eles sairam caminhando até o carrinho de golfe que os levaria para dar uma volta na propriedade parando em cada um dos locais que lhes fossem convenientes e propícios para fotografar. Conversavam sobre muitos assuntos que tinham em comum pelo percurso e mesmo antes de tirar as fotos. Mark, porém, notou que ela estava um pouco reservada, introspectiva. Ficou pensando se devia perguntar o porque de estar agindo assim, acabou por deduzir que se tratava apenas de concentração por causa das gravações do dia.

Durante as próximas horas, os dois fizeram cerca de vinte fotos diferentes, além de momentos onde ele capturou sem que ela percebesse, provavelmente algumas das melhores fotos por serem espontaneas. Quando o sol já começava a se por no horizonte, ele a fotografou de frente para o oceano registrando o brilho do sol refletido em seu vestido. Para sua própria apreciação, tirou várias fotos do por do sol naquele belo lugar. Satisfeitos, retornaram para onde o resto da equipe de filmagem estava.

Passava das sete da noite quando reuniram toda a equipe para retornar ao estúdio em Los Angeles.Stana vestia a mesma roupa da manhã e logo avistou Nathan vinfo em sua direção. Também estava à vontade, nada de terno de casamento. Sentiu um quê de desapontamento porque tinha um desejo íntimo de vê-lo arrumado como noivo. Não seria dessa vez. Sorrindo, ela perguntou - Como foi seu dia?

- Muito puxado. Morrer dar trabalho – respondeu fazendo caretas cheio de graça como somente ele sabia fazer.

- Assim como ficar pendurada em telhados... – riram juntos. Dara logo avisou-os que precisavam ir. Retornaram ao estúdio quando já eram quase nove da noite. Repassaram rapidamente o cronograma do dia seguinte que parecia estender-se além do horário de hoje. Para sexta, a cena mais importante era a de Stana de encontro ao carro explodido de Castle. Filmariam a última cena deles amanhã também. Despediram-se dos demais e confirmaram a presença no estúdio às sete da manhã a fim de seguirem para a fazendo logo em seguida. Devido ao dia puxado, Stana optou por ir para sua casa. Estava cansada e precisava se preparar para a cena final que exigiria muito dela. Nathan não contestou. Ficou zanzando pelo estúdio com a equipe técnica  aguardando um momento para falar com Dara. Finalmente ao vê-la sozinha se aproximando da sala de edição, a interceptou.

- Hey, Dara... tem um minuto para mim?

- Nathan pensei que já tivesse ido faz tempo. Pode falar.

- Sexta é o nosso último dia de trabalho e como ainda faltam dias para o aniversário de Stana sei que não desconfiará se fizermos ao menos um bolo. Trago o champagne. Será que pode me ajudar a organizar assim tão rápido?

- Você achava que iamos deixar passar em branco? Sem chance! Já encomendei um bolo e alguns sanduiches. Adoro a ideia do champagne, ela precisará dele.

- Excelente, Dara. Pode contar comigo.

Na quinta gravaram a última cena entre eles apesar de estarem em lugares diferentes da fazenda. O dialogo combinou perfeitamente com o momento que eles viviam, o que parecia ser um exemplo de boa atuação para o diretor, para Stana e Nathan era real especialmente o “eu te amo”. Nathan filmou novamente a sequencia do acidente, já tinham sido seis tomadas quando ele parou de contar. Encerraram por volta das seis da tarde quando o sol já se escondia. Conforme acordara com Rob, estaria na sexta no set da fazenda caso precisasse refazer alguma gravação. Isso era apenas a desculpa para observar e apoiar Stana.

Sexta-feira

Stana chegara muito cedo na fazenda indo direto para a maquiagem. Teria o mesmo processo do dia anterior até se tornar a noiva Kate Beckett. Nathan viera com ela e a equipe para o set onde participava de algumas verificações de cena com os cameras e Rob. Mark também os acompanhara. Apesar de já ter apresentado o trabalho para Marlowe, garantindo sua aprovação, quis voltar a fazenda para aproveitar a luz do dia e fazer mais fotos das paisagens.

Completamente pronta, Stana esperava o ambiente ser ajustado para a última cena onde chegaria de carro e constataria a inesperada tragedia. Sentada na cadeira de cabeça baixa com o texto no colo, ela concentrava-se relendo sua cena. A visão de Rob era capturar duas cenas em uma. Tudo começaria com o telefonema sendo filmado em sequencia sem parada até que Kate chegasse ao local onde supostamente o carro de Castle estaria destruído. Após a ligação recebida, não havia falas, seria apenas interpretação e emoção. Não percebeu que Mark estava próximo clicando na direção dela.

A alguns metros dali, Nathan terminava oficialmente a sua participação na temporada. Agradecendo os rapazes da equipe técnica, rumou para o local onde Stana deveria estar. No caminho foi interceptado por Dara que tinha novidades sobre a pequena surpresa que fariam para sua colega de trabalho e amiga logo mais. Ao chegar onde as câmeras já estavam dispostas próximo ao carro acidentado, estranhou a ausência dela. Perguntou a um dos assistentes de cena e foi informado que ela acabava de entrar na casa da fazenda pois as gravações iniciariam internamente. A uns três metros, avistou Mark ainda com sua máquina nas mãos. Aproximou-se perguntando.

- Mark, você já terminou os trabalhos para o photoshoot?

- Bem, com Stana sim. Estou coletando algumas paisagens desse local para inserir no trabalho ou mesmo para levar a minha vida profissional. Não terei outra oportunidade,

- Entendo. Mark vendo o olhar de Nathan dirigir-se até a casa por várias vezes em sinal de ansiedade, falou.

- Está linda. De noiva. Vi você olhando para a casa. Ainda não teve a oportunidade de ver Stana arrumada. Deslumbrante.  Parece outra pessoa, notei quando fotografei. Acho que é aquilo que vocês atores dizem sobre vestir a personagem. Já devem estar filmando – ele olhou para Nathan deixando a camera de lado – se fosse você, ia até lá só para dar uma olhadinha. Garanto que não irá se arrepender – vendo o jeito relutante dele, insistiu – vamos, cara. Não é todo dia que se tem a chance de ver alguem como ela em um belo vestido de noiva. O que você está esperando?

Nathan sorriu acatando a sugestão e dirigiu-se a casa da fazenda. Torcia muito para que ela não estivesse filmando ainda, assim teria como lhe desejar sorte. Ao passar pela porta principal, ouviu vozes no salão anexo. Susan e Tamala conversavam animadamente, sorriam ao vê-lo.

- Olá, noivo. Wow Nathan! Como você pode ficar ainda mais charmoso? – disse Tamala – normalmente eu te expulsaria daqui pois nenhum noivo deve ver a noiva antes do casamento mas devido as circunstâncias que estão por vir... ela está no quarto se preparando. Segunda porta à direira no corredor, será que é uma boa ideia você atrapalha-la agora? Ah quem sou eu!

Nesse instante, uma das maquiadoras entre na sala, seu rosto denotava preocupação. Logo em seguida, Dara aparece, a cara também não era das melhores.

- O que foi que aconteceu, Cindy? Você parece nervosa – disse Tamala.

- É a Stana. Ela teve uma crise de choro incontrolável. Me tirou do quarto, e-eu não sei o que fazer. Chamei a Dara e...

- Ela não quer falar comigo. Bem que eu avisei Marlowe sobre isso... Nathan! Que bom você estar aqui. Talvez você seja o único que ela realmente escute. Achei que ela estava se concentrando mas de repente começou a chorar copiosamente, segundo Cindy sequer me deixou entrar no quarto. Nathan...   

- Já entendi. Vou tentar acalma-la – ele beijou Susan e Tamala no rosto antes de seguir adiante. Já de frente para a porta, respirou fundo. Bateu – Stana? Sou eu, gorgeous. Posso entrar? – nenhuma resposta – Staninha... por favor.


- Entra... – ouviu-a dizer entre soluços. Nathan fechou a porta atrás de si. A primeira visão que teve dela foi de costas,suficiente para causar-lhe palpitações ao vê-la vestida de noiva. Respirou fundo antes de dar o próximo passo. Então, ela virou-se para fita-lo e Nathan mal teve tempo de assimilar o que acontecera recebendo o peso do corpo dela sobre o seu e vendo-a desabar em lágrimas abraçada a ele. 


Continua....

3 comentários:

TITÍ disse...

ADOREI, como sempre mais um capitulo maravilhoso, as suas fics são surpreendentes.....

Marlene Caskett Stanatic disse...

NÃOOOOOOOOOO CREIO NO QUE LI!!!!!!
Vai ser dificil achar palavras certas para descrever o que senti,existe mais da Beckett na Stana do que imaginamos,as duvidas os medos nossa!
O que dizer do modo com que o Nathan lida com isso,sempre mostrando a ela que também tem seus medos mas que juntos podem achar uma saida para os obstaculos.
Mark..super desnecessario na minha vida,mas até que na fic eu consegui suportar ele.Ah ñ esquecendo que a reação da Stana fui igual a minha"COMO ASSIM SEM CASAMENTO???COMO ASSIM O CARRO DELE EXPLODE????"
E por fim o ataque de choro dela e a chegada dele,nossa que lindo!
Aguardo por mais!!!!

cleotavares disse...

Devidos aos últimos acontecimentos estava ansiosa por este capítulo. Capítulo lindo. OMG! o que há com a nossa diva, por que chora tanto?