sexta-feira, 19 de junho de 2015

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.22


Nota da Autora: Demorou, mas saiu. Esse capitulo aborda um episodio muito importante do caso da mãe de Beckett e porque não dizer para Caskett? Ninguém esquece o primeiro beijo, apesar de nessa história ele não ser o #1. O capítulo ficou grande tanto que tive que cortar uma cena e deixa-la para o próximo. Novamente, esqueçam detalhes do caso, foquem no que é importante. Os pontos de vista de Castle e Beckett. O angst está presente nesse capítulo, não poderia ser diferente... - enjoy! 

PS.: No capítulo anterior citei Bryan Adams. É clichê, mas adoro as músicas dele. Deixo aqui o link de uma delas citadas abaixo. Depois quero que me digam se não tenho razão por usa-la. Detalhe: viajei no tempo... de verdade! Momentos muito bons de um tempo que não volta mais...

"Please, forgive me"  - Bryan Adams.


Cap.22


Kate estava em casa aproveitando a folga para se exercitar. Pretendia ainda fazer uma hora de ioga e dar uma corrida no parque perto ao seu apartamento. A tarde pretendia dar um crédito a Dana com relação a sua música. Planos que completariam seu dia até a hora do jantar quando combinou de encontrar com Dana para conversarem. A terapeuta ficou muito empolgada com a perspectiva que ouvira da amiga. Faria tudo o que estivesse ao seu alcance para joga-la nos braços de Castle. Era sua nova missão de vida.  

Passava das duas da tarde quando Kate terminara de almoçar ia deitar-se na cama para ouvir a tal canção de Bryan Adams. Ainda não acreditava que cedera a essa sandice da terapeuta. O celular começou a tocar. Quem diria! Era a própria, no mínimo curiosa para saber se ela já fizera a tal lição.

- Hey, Dana!

- Kate, tudo certo para o nosso jantar hoje à noite? Estava pensando em começarmos com um happy hour, vários drinques e depois comemos. Que tal?

- Parece bom. Já sabe aonde vamos?

- Pensei na região do Meatpacking, tem ótimos barzinhos por lá e depois jantamos no Pastis. Ah, tem mais uma coisa, estive pensando sobre a tarefa que dei a você.

- Está pensando em me liberar dessa besteira? Voltou ao seu juízo finalmente? Diga que sim!

- Nem tanto. Você não irá se livrar da tarefa. Eu andei analisando a canção que passei para você. A pergunta sobre estar apaixonada continua valendo, mas a música deveria ser outra.

- Não mais Bryan Adams, certo? É ser piegas demais!

- Estar apaixonada, amar, será sempre piegas. Quando você sabe que está apaixonada?

- Todas as canções fazem sentido.

- Exato! A música que pode ajuda-la é “Please, forgive me”. Quero que reflita sobre a letra e responda a pergunta. Não será difícil, Kate. Você vai perceber que tenho razão. Fará sentido. Pode confiar. Você ainda irá me agradecer por isso. Vejo você às sete da noite.

- Dana, por favor... essas terapias são tão idiotas... desculpe, elas são.

- Escute a música ou leia, Kate. Verá que mesmo idiotas, dão resultado. É clichê, mas terei razão.

Por que Dana a mandara ler uma letra que falava basicamente de perdão? Em nenhum momento ela fizera algo para Castle que a obrigasse a pedir perdão, certo? Porém, Kate estava errada. A letra da música não falava do perdão propriamente dito. Era uma canção de amor, de alguém apaixonado. Quando começava a ler a primeira estrofe, seu celular voltou a tocar. E naquele momento, Kate saberia que seus planos acabavam de mudar.

- Beckett.

- Detetive Beckett, é John Raglan – o corpo de Beckett retensou - Era o investigador no homicídio da sua mãe há 12 anos.

- Me lembro de você, detetive Raglan.

- Ouça, eu...Precisamos conversar sobre o caso de sua mãe. Há algo que você não sabe – um arrepio percorreu a espinha de Kate, ela procurou manter a calma - Há uma cafeteria na 4ª com a Principal. Me encontre lá em uma hora. Apenas você. Sem policiais.

Desligou o celular deixando-se cair no sofá. As mãos dela tremiam. Doze anos. Por que esse homem a procurara agora? O que estava acontecendo? Não sabia se estava pronta para abrir essa porta novamente e enfrentar o desconhecido. Deveria encontra-lo sozinha. Kate não poderia. Conhecia o que sua obsessão era capaz de fazer com ela uma vez que lhe desse abertura. Medo era seu maior inimigo juntamente com a impulsividade. O assassinato da mãe sempre a fazia agir precipitadamente. Só existia uma pessoa que poderia ajuda-la nessa missão. A questão era estaria disposto a tal?

Criando coragem, ela se vestiu receosa pelo que poderia surgir nesse encontro. Antes, precisava convencer ao seu parceiro a entrar nessa empreitada com ela, mesmo que não fosse um caso. Respirou fundo e bateu na porta dele.  

- Beckett.

- Oi.

- Entre – ele percebeu o semblante preocupado. Algo estava incomodando a detetive. A próxima pergunta não deixou dúvidas.

- Podemos conversar por um segundo?

Castle a guiou até o sofá. Após sentar-se, ele ofereceu um café. Devido ao nervosismo, ela achou por bem aceitar. Ele não queria entrar no assunto ou parecer tão intrometido. Kate era reservada por um motivo, o comportamento era parte de sua personalidade moldada após o trauma sofrido pela morte da mãe. Não gostava de ser pressionada. Precisava de seu próprio tempo. Ele tornou a sentar-se ao lado dela estendendo a caneca com a bebida fumegante.

Kate inalou o aroma do café antes de bebê-lo. Seus olhos procurava se manter longe dos de Castle, pois sabia que estava sendo observada. Ele era bom em ler linguagem corporal, era melhor em ler suas próprias atitudes como se conseguisse penetrar por debaixo de sua pele. Ali a sua frente, Kate sentiu-se fraquejar. Já tinha um tempo que ela deixara o assunto para trás, sequer pensava na possibilidade de encontrar novas provas. A ligação de Raglan poderia abrir feridas esquecidas, libertar pensamentos guardados a sete chaves e colocar sua vida e de outros em perigo.

- Então, Kate vai me dizer o que está acontecendo? Você não veio até a minha casa porque temos um novo caso. O assunto que a trás aqui é pessoal e sério – quando seus olhos finalmente se encontraram, ele percebeu um sinal de medo no olhar. Kate suspirou antes de falar.

- Eu recebi uma ligação. John Raglan.

- O detetive responsável pelo caso de sua mãe – então era isso. Que outro assunto era capaz de tornar Kate Beckett tão vulnerável quanto o assassinato da mãe?

- Sim, ele quer me encontrar. Disse que tem informações importantes que foram omitidas durante todos esses anos. Fez também uma exigência, sem polícia, apenas eu – ela fitou a caneca que tinha em mãos novamente, concentrando sua mente no café, ela continuou - Castle, eu não posso fazer isso sozinha. Tenho medo da minha reação, do que poderia fazer. Eu não sei o que ele quer me contar e se eu perder compostura? – colocou a caneca sobre a mesa de centro preparando-se para encara-lo.

- Não quero voltar ao período negro da minha vida, não quero fazer isso sozinha, não conseguirei – ela tomou as mãos dele nas suas, fixou o olhar – Castle, você pode vir comigo? Talvez você seja o único capaz de compreender o que tudo isso significa, o único que pode me dar segurança e me ajudar caso eu perca a razão.

- Raglan, ele não te deu detalhes do que queria contar? Nenhuma pista? Quer dizer, depois de doze anos ele simplesmente reaparece do nada com informações? Pode ser uma armadilha, Kate.

- Eu... eu não pensei nisso. De verdade. A possibilidade de descobrir algo falou mais alto. É por isso que não confio em mim sozinha. Por favor, Castle, eu não pediria se não fosse importante. Você pode ser meu parceiro mais uma vez?

- Tudo bem, com uma condição. Não sabemos ao certo com quem estamos lidando ou o que esse detetive quer de você. Se qualquer coisa sair errada, você pedirá reforços.

- Castle, você sabe que podemos estar correndo perigo de vida.

- Exatamente por isso que imponho a condição. Não vou deixa-la encarar esse encontro sozinha, Kate. Você pode me dar cinco minutos?

A cafeteria era simples e discreta. Um ambiente capaz de passar despercebido, longe de qualquer suspeita. Mesmo assim, os olhos e ouvidos de Castle e Beckett estavam atentos. Avistaram o detetive numa das cabines tomando um café. Cautelosamente, Kate se aproximou dele.

- É ele – sussurrou apertando levemente a mão de Castle.

- Moça, qual parte de "sem policiais" você não entendeu?

- Ele não é policial.

- Então quem é ele?

- Alguém em quem confio.

- Mais café?

- Obrigado.

- Me diga o que não sei sobre o assassinato de minha mãe.

- Todos bebem seus cafés em copos de papelão hoje em dia, ou nessas canecas de plástico para viagem. Mas há... há algo na forma como a cerâmica aquece suas mãos que... É estranho! As coisas que você repara. O médico acabou de me ver com o rosto triste. Linfoma. 6 meses.

- Sinto muito em saber disso – então era por esse motivo que ele a procurara. Queria se livrar dos pecados que acumulara durante sua vida. Estava a beira da morte.

- Todo ano, na época dos feriados, passam esse "Conto de Natal" na TV local. Quando eu era criança...lembro que Jacob Marley me assustou um bocado. Forçado a arrastar... aquela corrente pelo próximo mundo. "Uso as correntes que forjei em vida." "A fiz elo por elo." – chega de enrolação, pensou Castle - Escondi muitos pecados atrás de meu distintivo. E agora tenho que carregá-los. Mas o caso da sua mãe... Esse pesa uma tonelada.

- Por quê? Porque o reportou como violência casual de gangue quando sabia que não era isso? – a voz de Kate demonstrava ansiedade. Queria respostas mais rapidamente.

- Fiz o que mandaram. E fiquei quieto porque estava com medo. Há um ano, houve um impasse com reféns na sua delegacia. Matou um assassino chamado Dick Coonan. Houve grande repercussão nos jornais. As pessoas notaram.

- Quem contratou Coonan para matar minha mãe?

- Precisa saber de algumas coisas. Isso começou há cerca de 19 anos, antes de eu saber quem era Johanna Beckett. Há 19 anos, eu... cometi um grande erro. E isso iniciou a queda dos dominós. E, um deles, foi sua mãe... – de repente, um tiro varou a janela. A caneca de café espatifou-se sobre a mesa. Por instinto e preservação, ela ordenou gritando.

- Todos no chão. Agora! Se afastem das janelas! Longe das janelas!

Raglan estava no chão. Castle apavorado viu sangue na roupa dela.

- Foi atingida – ele disse preocupado já se aproximando dela que tinha as mãos sobre o corpo de Raglan.

- Estou bem, o sangue não é meu – rapidamente ela deu o alerta pelo radio sobre os tiros e divulgou o endereço onde estavam – solicito reforço e uma ambulância – ainda espantada, ela voltou-se para o velho policial constatando o indesejável. Seus olhos buscaram o de Castle – Castle? – e bastou isso.

Engolindo em seco. Frustrada, ela viu as mãos de Castle ensanguentadas e a desilusão no olhar dele enquanto balançava a cabeça confirmando com pesar o que ela temia. Passou um novo rádio – 1 Lincoln 40, informamos que agora é um homicídio.

Montgomery estava em cena. Por se tornar de um policial aposentado, ele teria que se reportar a imprensa. Ao questiona-la sobre estar ali sozinha, os rapazes a cobriram dizendo que estavam de tocaia. Claro que o capitão não acreditou.

- O que vou fazer com você?

- Vai me deixar ficar nesse caso.

- Está muito próxima. Está na sua cara. Está pensando "o que Raglan ia dizer antes de morrer", quando deveria pensar em pegar o assassino.

- Senhor, Raglan foi morto porque ia me dizer algo sobre o caso de minha mãe.

- Ninguém sabe mais disso que eu. Mas eu te conheço. Vai querer pegar essa tesoura e correr pela casa com ela, mas te digo agora, vá com calma. Vá aonde as evidências te levem, não para o outro lado. Entendido?

- Sim, senhor – Beckett retornou à cena do crime. Uma bala calibre .338 foi encontrada no banco. Segundo a trajetória foi disparada do quarto andar do prédio do outro lado da rua. Ela ordenou que o lacrassem e entrevistassem que estivesse no local. Após encaminhar todas as pontas da investigação, ela voltou-se para Castle. Percebia que ele estava abalado, ainda passando um papel toalha nas mãos.

- Parece que consegui tirar tudo das minhas mãos.

- É diferente quando acontece bem na sua frente. Você fica perto o suficiente para ver as luzes se apagarem.

- É... Ao ver o sangue em você, achei que havia sido baleada – ao ver a preocupação nos olhos azuis, teve vontade de abraça-lo. Foi um momento estranho para os dois.  

- Vou para a delegacia. Que tal eu te deixar na sua casa?

- Sem chance.

- Tudo bem – ela não precisava dizer que estava grata por isso. Ainda precisava dele a seu lado, agora mais que nunca.  

No 12th distrito, as pistas não ajudavam em muita coisa. O possível atirador estava de carro. Ryan entrevistou toda a vizinhança. Raglan era um solitário, não tinha parentes e o único amigo que costumava visita-lo era um ex-policial Gary McCallister, amigo de academia. Beckett pediu para chama-lo. ela ainda estava intrigada por Raglan ter lhe contado que tudo começara há dezenove anos atrás enquanto sua mãe morrera há doze. Algo não fazia sentido.

O encontro com McCallister foi difícil, porém bem providencial. Beckett descobriu que Raglan tinha problemas com jogos de azar, apostava nos pôneis e acabou ficando sem dinheiro, até que não havia mais problemas financeiros. Ele passou a trabalhar na homicídios e se afiliou a Vulcan Simmons, um grande traficante da cidade de Nova York conhecido por matar muitos em seu caminho. Talvez acoberta-lo fosse a forma de Raglan pagar sua parte do acordo.

A ficha de Vulcan Simmons era extensa. Agressão, tentativa de homicídio, extorsão, posse e intenção de distribuir, intimidação de testemunhas. De repente, diminuia,não era fichado há anos. O que significa que ficara esperto e cuidadoso. Foi então que Ryan comentou que evoluíra bastante desde Washington Heights. Então, Beckett entendeu.

- Minha mãe e alguns colegas montaram uma campanha chamada "Recupere o Bairro". Estavam tentando tirar os traficantes das ruas em Washington Heights. Com Simmons controlando o tráfico no bairro, a campanha iria atrapalhá-lo. Aquele homem, Coonan, fazia parte disso. Talvez foi assim que Simmons o contatou.

- Então Simmons manda Coonan matar todo mundo, incluindo sua mãe, e paga seu velho amigo Raglan para esconder os homicídios dizendo ser guerra de gangues. Não haveria como culpá-lo – concluiu Castle.

- Até Raglan ameaçar revelar seu papel na conspiração e Simmons silenciá-lo – disse Beckett. Nem precisou mandar, Esposito já saiu atrás de trazer Simmons para interrogatório. Quando Beckett o viu sentado na sala de entrevistas, suspirou. Seria um momento muito difícil. O cara era alto, negro e aparentava boa pinta. Começou a conversa já falando de Beckett, instigando. Sabia exatamente quem ela era.

- Você colocou maquiagem desde a última vez que eu estive aqui. Deveria ter cerca de 16 anos, brincando com algum garoto atrás do carro de seu pai. Pensando se ia ou não dar para ele.

- Já chega – disse Castle cortando a conversa que obviamente deixava Beckett desconfortável. Mexia com ela. 

- Ele se faz de fofo por você. Se sente corajoso – provocou Simmons.

- Qual foi sua associação com o detetive John Raglan?

- Raglan? – fingia buscar a informação pela memória - Raglan...Policial ambicioso, certo? Não conseguiu um vencedor para salvar a vida dele? Detetive, a nossa associação, como você diz, já prescreveu há muito tempo.

- Não há lei sobre prescrição de homicídio.

- E aqui começa o que é conhecido como confronto inicial. Nessa fase do interrogatório, o interrogador pode invadir o espaço pessoal do suspeito e provocar desconforto. Você quer invadir meu espaço pessoal.

- Olhe para mim – ordenou Beckett quando Simmons queria claramente manter a provocação ligada a Castle - Há 12 anos, Johanna Beckett levantou uma campanha no bairro. Em Washington Heights.

- Isso deve ter te irritado – disse Castle querendo intimidar o homem que não se deixava cair nessa, pelo contrario, mantinha a calma e a provocação.

- E esse seria o desenvolvimento do tema. Apresentando o crime através dos olhos do suspeito.

- Johanna Beckett foi assassinada, assim como dois de seus colegas. Foram assassinados por ordens suas e você usou John Raglan para acobertar isso. Olhe para seu rosto – ela estendeu uma foto da mãe na cena do crime -Me diga que não se lembra dela.

- Sabe, detetive Beckett... acho que me lembro dela. Sangrando em um beco como lixo.

- Sr. Simmons, é melhor tomar cuidado – Beckett avisou, o sangue já começava a ferver de raiva.

- Vadia rica do centro em Heights. Alguém deveria ter avisado a ela para não alimentar ou importunar os animais. Se tivessem, ela não teria sido devorada – ele se levantou abotoando o paletó, um ar de deboche em seu rosto - Pelo que ouvi, ela era muito gostosa.

Então aconteceu. Como uma bala, Beckett avançou na direção de Simmons agarrando-o pelo paletó empurrando-o contra a parede de vidro rachando o painel devido a força. 

- Beckett! – Castle chamou por ela já se levantando para tentar separa-la, mas a detetive estava descontrolada.

- Sai fora, Castle! – ela gritou -  Lembre de sua antiga vida... aproveite enquanto pode. Porque vou acabar com ela.

-Afaste-se.

-Beckett, já chega – eram Ryan e Esposito que entraram na sala e a  afastaram dele. Castle estava com muita raiva por ver aquele homem fingido provoca-la e ainda rir na cara dela. Quando o encarou, Vulcan instigou-o. 

- Você também quer? Vamos lá! – mas Castle deixou a sala e Beckett foi levada direto a sala de Montgomery. O capitão estava muito irritado. Seria obrigado a soltar o filho da mãe.

-Senhor, você ouviu. Ele confessou o assassinato.

-Qual é, ele está jogando! E você deu a vantagem, agindo como novata. Nada o liga ao assassinato de Raglan ou de sua mãe. Você está fora do caso!

- Senhor, não pode fazer isso. Não agora – o pavor tomou conta de Beckett. Isso não era verdade.

- Eu já fiz.

- Não – isso não estava acontecendo. As palavras de Montgomery apenas fazia o sangue dela pulsar mais forte nas veias. Uma raiva imensa dominava cada pedaço do seu corpo. Ela estava à beira de lágrimas.

-Já fiz. Vá para casa – como um furacão, Beckett saiu da sala de Montgomery com um sentimento intenso de ódio, pegou sua jaqueta e rumou para o elevador sem dar ouvidos a Castle que chamava por ela.

- Beckett? Kate? – da mesma forma, o capitão o expulsou do distrito e entregou o caso aos rapazes.

Castle deixou o 12th cabisbaixo. Sabia que não adiantava ir atrás dela naquele momento. Conhecia a detetive. Ela precisava de um momento sozinha, com seus próprios pensamentos e frustrações. Ela provavelmente gritaria, derramaria lagrimas, talvez chutasse algumas latas ou portas para finalmente se acalmar. Deus sabia o quanto lhe doía dar esse espaço a Kate. Gostaria de estar ao lado dela, ajudando-a, acalmando-a. queria abraça-la e dizer que tudo iria se resolver, mesmo que fosse da boca para fora. Porém, nesse instante ele também precisava organizar as ideias, diminuir o ritmo. Somente assim seria capaz de estar ao lado dela oferecendo-se para o que ela precisasse. De repente, tudo o que desejava era um copo de whisky.

Sentado no sofá da sala com uma segunda dose nas mãos, ele estava recordando os últimos acontecimentos do dia. A preocupação era visível em seu rosto. Temia por Kate. Exatamente por tudo o que ela lhe contara, por saber o quanto esse caso mexia com seus brios, a tirava do sério. Fora a primeira vez que vira Beckett fora do eixo, quase desesperada. Não era à toa que tinha medo de voltar a viver uma investigação do assassinato de Johanna. A toca do coelho. Ele não a deixaria se perder novamente.

E parece que não era o único preocupado. Castle acabou por escutar um belo sermão de sua mãe devido à morte de Raglan. Ela temia por sua segurança afinal acontecera a centímetros dele. Não era disso que precisava naquele momento. Queria paz, mas Martha não iria se calar.

- Tem ganho, na maior parte de sua vida, por sua inteligência e charme e bastante talento. Mas isto é o mundo real e seu charme não pode desviar uma bala.

- Acha que eu deveria desistir?

- Acho que deveria ser honesto consigo do porquê está fazendo isso. Você escreveu 22 romances antes de conhecê-la. Não precisou passar todo dia em uma delegacia para finalizá-los.

- Não se trata mais dos livros – Castle confessou a mãe. Já sabia disso a um bom tempo. Era amor. Fazia tudo por Kate.  E virou o resto da bebida de uma só vez.


XXXXXXX


Kate não foi direto para casa. Vagou pelas ruas de Nova York um bom tempo sem qualquer rumo. Inconscientemente, suas pernas a levaram ao parque que estivera com Castle quando ele aceitou voltar a trabalhar ao seu lado. Sentada no balanço, Kate se permitiu chorar, queria arrancar do peito aquela dor que quase a sufocava. Era o caso da sua vida, era de sua mãe que estavam falando. Sentia-se impotente como em muito tempo. A raiva do momento começava a se dissipar, ainda estava angustiada porque no instante que se acalmasse, o medo e a insegurança voltariam a bater a sua porta.

Kate Beckett era uma detetive de homicídios muito corajosa. Enfrenta bandidos e assassinos sem pensar duas vezes, exatamente como fizera hoje com Simmons. Errara, deixara suas emoções dominarem suas habilidades. Atirava para matar se fosse preciso para salvar uma vida, mas Kate tinha medo de sucumbir à obsessão. Ela não poderia fraquejar e se entregar ao medo, não queria voltar à toca do coelho.

Enxugando as lágrimas, ela levantou-se do balanço e rumou para o seu apartamento. Não tinha vontade de fazer nada. Não comera e antes de se jogar no sofá, viu no visor do celular as cinco ligações perdidas de Dana. Jogou o aparelho sobre a mesa e aconchegou-se entre as almofadas. Fitava o nada. Um novo aperto no coração tornara a trazer lágrimas ao seu rosto. Ela não sabia quanto tempo se passara até ouvir as batidas na porta. Enxugou as lágrimas e abriu a porta. Não sabia explicar, porém vê-lo ali a sua frente provocou-lhe um sentimento de alívio e sorriu pela primeira vez desde que tudo acontecera.

-Oi, Castle.

- Oi. Te trouxe umas...- mostrou o buque de flores - Só pensei que, depois de tudo, talvez gostaria... – entregou a ela - Aqui.

- Obrigada. Isso é muito fofo. Quer entrar? – ela estava precisando de um mimo e de companhia, Castle acertara novamente.

- Claro – fazia um bom tempo que ele não entrava naquele apartamento, ela fizera um ótimo trabalho de decoração - Estava pensando no caminho até aqui. Todos os melhores policiais...Dirty Harry, Cobra, o cara da "Loucademia de Polícia" que faz o barulho de helicóptero...Todos têm algo em comum.

- Um parceiro corajoso? – perguntou Beckett.

- Isso, e fazem seu trabalho bem melhor depois de serem tirados de um caso.

- Veio aqui para me dizer isso? – ela realmente sorria, admirada pela vontade de Castle em anima-la. Era disso que se tratava aquela conversa, não?

- Montgomery nos tirou do assassinato de Raglan. Mas não disse nada sobre o caso de sua mãe, disse? – não era para anima-la, ele queria ajuda-la - Meu plano...ir à delegacia na surdina. Montgomery toma café 15 minutos após cada hora cheia. Pego os arquivos de sua mãe indo pé ante pé. A entrada sul tem... – mas ele percebeu que ela estava sorrindo de cabeça baixa - O que foi?

- Vem aqui, Castle. Tenho que mostrar uma coisa – ela se aproximou de uma janela e a abriu. Ali, estavam reunidas todas as pistas que tinha encontrado nesses doze anos de investigação. Seu próprio quadro de evidências do caso da mãe. Ele estava impressionado.

- Às vezes esqueço que você vive com isto todos os dias. Alguém mais sabe disso?

- Não – ainda tinha um sorriso no rosto, ela não revelaria essa parte de sua obsessão a ninguém mais. Ele era o único capaz de compreendê-la.

- Quando começou?

- No verão, quando você estava em Hamptons, depois de nós brigarmos...

-Sei...E quão longe chegou?

-Além de minha mãe, teve Diane Cavanaugh, Jennifer Stewart. Eram voluntárias, eventualmente, para a Iniciativa de Justiça. A quarta vítima foi Scott Murray. Era um escrivão no tribunal. Castle, até hoje, penso que foram mortos por causa de um processo que trabalhavam. Minha mãe pediu um arquivo, antes de ser assassinada, e o arquivo sumiu.

- Sua mãe devia ter documentos pessoais, uma agenda, algo que poderia te dizer em que ela trabalhava antes de morrer.

- Chequei tudo há 9 anos. Não há nada.

- Sim, mas muito aconteceu desde então. Talvez algo passou despercebido.

E assim, Beckett buscou as caixas que tinha com os pertences pessoais que guardara da mãe. Entre as agendas e outras informações, Castle encontrou uma série de fotografias de Kate e sua mãe. Não tinha como não curtir o momento de uma jovem e linda Kate.

- Não há nada na agenda dela. Nada que eu entenda, pelo menos. Ela tinha seu próprio sistema. Meu pai e eu nunca conseguimos entender.

- Você era adorável! – mostrando uma foto na qual Kate estava de patins - Sua mãe que tirou?

- Foi, umas três semanas antes de morrer.

- Não vou ver você em ação? – ele disse brincando.

- Acredite, Castle – disse rindo - Não era bonito.  

- Preciso ver isso – mas ela pareceu não intimidar o escritor. Castle pegou os negativos relativos às fotos em busca de momentos de Kate patinando ou caindo, se tivesse sorte. Ele se deparou com outra informação estranha. Ele franziu a testa e tornou a examinar os negativos na luz.

- O quê?

- Há 24 poses neste rolo, mas apenas 20 fotos.

- O que é?

- Uma rua deserta? – ela pegou os negativos fez um upload para seu computador pessoal e constatou algo novo.

- Castle, é onde minha mãe foi morta. Não entendo. Essas fotos foram tiradas uma semana antes que a matassem.

- Por que ela tiraria fotos daquele beco?

- Não sei. Sempre achei que fosse um lugar conveniente. Estava escuro, era isolado...

- E se houver mais do que isso? E se ela estivesse atrás de algo que aconteceu naquele beco quando a mataram? – sugeriu Castle

- Eu teria que olhar arquivos e relatórios antigos e o capitão não deixará que eu volte à delegacia agora.

- Eu vou – Castle se levantou pronto para agir. Kate fez o mesmo, contudo ao invés de ir em direção a porta, ela se colocou em frente à janela, seu quadro de investigação pessoal. Ele pode ver a angustia e a preocupação no rosto dela. Beckett lhe parecia acuada. Montgomery errara deixando-a longe desse caso. Sozinha, ela era capaz de enveredar-se por caminhos perigosos.

Sem pensar duas vezes, ele se aproximou dela. Tocou-lhe o braço roçando o polegar levemente na pele dela, como um carinho.

- Hey, não pense demais. Nós vamos achar as pistas que precisamos. Não importa o tempo que levarmos, Kate. Vamos pegar o culpado pela morte da sua mãe. Terei o prazer de vê-la algema-lo e manda-lo para a prisão. Eu preciso ir. Aproveite esse tempo para descansar um pouco. Dependendo do que acharmos, você deverá estar descansada. Você é quem tem a arma, eu vou precisar da melhor detetive de Nova York ao meu lado, 100% preparada para lutar – viu um leve sorriso esboçado no rosto dela. Satisfeito, deixou o apartamento.

Kate voltou até o computador. Engoliu em seco para conter as lágrimas. Ainda ficou contemplando as imagens a sua frente para digerir aquela nova informação. Havia algo grande por trás da morte da sua mãe, seu instinto policial não a enganava. Levantou-se para fazer um café. Ao ver o celular sobre a mesa, resolveu passar uma mensagem para Dana falando de um imprevisto e que precisava trabalhar. Depois se falavam. Claro que essa era a maneira de Beckett dizer “fique longe disso” porque a essa altura todos sabiam do homicídio e da sua presença naquela cafeteria.

Com a caneca de café nas mãos, seus pensamentos se voltaram para Castle. Novamente, por sua insistência ela conseguira encontrar um fio de evidência, uma possibilidade de seguir adiante. O mesmo Castle que a trouxera flores, fazia piadas, lhe dava café, estava ao seu lado disposto a arriscar-se apenas por ela. Essa luta não era sua, porém no fundo, Kate estava agradecida por querer trava-la com ela. Queria tê-lo consigo se um dia desvendasse o crime. 

Duas horas se passaram sem nenhum sinal de Castle. Ele deveria ter ligado. Estava prestes a pegar o celular quando bateram na porta. Só podia ser ele. Ao abrir já pronta para dar uma bronca, deparou-se com o seu capitão. Ela o deixou entrar. Tinha informações importantes para lhe dar.

- Ryan e Esposito rastrearam seu atirador até uma suíte corporativa em Midtown. Estão atrás de você desde o assassinato de Raglan – mostrou as fotos tiradas dela e de Castle em diferentes momentos - Não é só um louco com uma espingarda e uma cópia de "O Apanhador no Campo de Centeio." Esse cara é profissional, altamente treinado e financiado.Talvez parte de um grupo.

-Temos que avisar Castle.

- Ele sabe. Está no Distrito. Achei-o no banheiro masculino fuçando relatórios antigos. Quer me dizer algo a respeito?

- Quer mesmo saber?

- Terei que colocar vigilância em você. Mas preciso que fique em casa.

- Se ele está atrás de mim, o lugar mais seguro da cidade é a delegacia. Tem que me dar isso, Roy. Deixe-me voltar e trabalhar no caso de minha mãe.

- Não, sinto muito.Absolutamente não.   

Ela não tinha como brigar com o capitão. Prisioneira em sua própria casa, Beckett tinha que pensar em seus próximos passos. Castle. Ela não podia mantê-lo na mira do perigo. Seria egoísta. Ele tem mãe e filha. Não poderia arriscar a sua vida por sua causa pessoal. Sim, porque já decidira que faria sua investigação pessoal como fizera anos atrás. Corria o mesmo perigo, sua vida estava ameaçada, isso era parte de ser policial. O que não era o mesmo para Castle. Quanto ao medo de sucumbir a sua obsessão, teria que lidar com suas neuroses sozinha. Como na primeira vez.  

Engoliu em seco. As batidas na porta agora indicavam perigo. Pegou a arma na cabeceira e dirigiu-se à porta. Abriu a porta dando de cara com Castle. Ele percebeu a arma.

-Falou com Montgomery?

-Falei – ela afastou-se da porta deixando-o entrar. Somente ao vê-lo Kate descobriu o quanto seria difícil pedir o que precisava a ele - Castle, há algo que preciso que faça.

-Manda.

-Vá para casa.

- Esqueça. O medo não existe aqui.

- Aceitei as condições quando peguei meu distintivo. Você, não. Não é sua briga.

-É claro que é. Não ando atrás de você só para irritá-la. Não vou a cenas de crimes no meio da noite para satisfazer uma curiosidade mórbida. Se fosse só isso, teria ido embora há tempos.

- Então por que continua voltando, Rick? – ela sabia a resposta. Tudo ou nada. Embora não admitisse sabia que ele estava ali por ela, porque se importava. 

- Você sabe a resposta dessa pergunta, Kate – ele ficou calado por alguns segundos - Posso não ter um distintivo, a não ser que conte aquele de chocolate que Alexis me deu de aniversário. Mas digo uma coisa. Goste ou não, sou seu ajudante corajoso.

- Ajudantes sempre são mortos – ela não ia convencê-lo a ir embora. Intimamente, estava grata por Castle ser tão teimoso.

- Seu parceiro então.

- Tudo bem. O que encontrou?

- Lembra o que Raglan disse, na cafeteria, sobre o que aconteceu há 19 anos? Antes de sua mãe houve outro assassinato nesse beco, que era entrada do fundo de um clube chamado “Sons of the Palermo”. Era ponto de encontro da máfia.

- Não sabia que era um clube – ela disse analisando as fotos e o arquivo.

- Foi fechado anos antes de sua mãe ser morta, depois que um agente do FBI, Bob Armen, foi morto nesse beco.

- Aqui diz que Armen trabalhava disfarçado na máfia – Beckett lia o arquivo.

- De algum jeito, descobriram sobre Armen, e usaram o remédio da família.

-Execução.

- A polícia de NY prendeu um mandante na morte de Armen. Um cara chamado Joe Pulgatti.Depois se declarou culpado. E adivinha quem o prendeu?

- Oficial John Raglan – disse Kate.

- Sua mãe era advogada de direitos civis. Ela mencionou a morte de Armen ou a condenação de Pulgatti?

- Não, mas deve haver uma conexão em algum lugar.

- Acho que Pulgatti pode nos dar uma luz – eles saíram do apartamento direto para a prisão onde Pulgatti estava preso. A primeira frase dele era de que não havia matado Bobby Armen.

- Então por que se declarou culpado? – perguntou Castle.

- Porque não gosto de agulhas.

- O detetive Raglan o coloca no beco na hora da morte – disse Beckett.

-É, eu estava lá com Bobby. Fui a única testemunha de sua morte, mas não foi execução. Foi um sequestro que deu errado. Três caras, com máscaras, apareceram em uma van. Disseram que queriam me levar para passear. Bobby tentou pará-los, pegar a arma de um deles, e acabou mal.

- Eles eram de uma família rival?

- Não mesmo. Tivemos uma trégua porque havia um grupo fantasma, sequestradores profissionais indo atrás de membros das 5 famílias. Eu estava naquele beco com Bobby. Mas mais ninguém poderia saber disso. Era um beco sem saída. E quem estava lá quando Bobby foi baleado eram as pessoas que atiraram nele. Então me diga, detetive. Como Raglan sabia que eu estava lá?

- Está dizendo que Raglan era um dos sequestradores? – perguntou Castle. Pulgatti apenas o olhou como quem diz, o que você acha?

- Havia...uma advogada chamada Johanna Beckett. Soa familiar? Foi assassinada no beco cerca de sete anos após sua condenação.

- Você se parece muito com ela, sabia? Quando entrou aqui... parecia que eu estava vendo um fantasma. O jeito que ela falava de você, deveria saber que se tornaria policial. Mandei cartas para todos os advogados que pude encontrar. E sua mãe foi a única que escreveu de volta, a única disposta a me ajudar. Ela não ligou por eu ser um bandido.

- Ela se importava com a verdade – disse Beckett com um meio sorriso. O único pensamento que veio a mente de Castle era “tal mãe, tal filha”

- Veio me visitar aqui e disse que olhou meu caso. Mais tarde, descobri que foi morta. Não se mate perseguindo essa coisa. Acredite em mim. Não há nada mais perigoso que um assassino com distintivo.

Castle observava as reações de Beckett ao ouvir Pulgatti falar de sua mãe. Podia perceber um certo orgulho no olhar da detetive. Através das palavras do condenado, ele pode visualizar o quanto elas eram parecidas. Beckett também se importava com a verdade, era o que fazia dela a melhor detetive da NYPD, infelizmente também era a sua fraqueza, lutar pela verdade podia custar-lhe a vida um dia como aconteceu com a mãe.

Quando saíram da prisão, Castle segurou em seu braço.

- Você está bem?

- Sim... – dois oficiais se aproximaram informando que o capitão Montgomery ordenava sua presença no distrito. Ela sabia que isso podia acontecer no instante que saísse de casa, estava sob vigilância, mas não se preocupou. Fazia parte do risco. Trancados na sala dele, o capitão quis saber tudo o que Castle e ela descobriram. Então, ela relatou todos os fatos.

- Pulgatti disse que havia 3 sequestradores na van. Significa que há dois conspiradores por aí – concluiu Beckett.

- Um, já sabemos quem é. O amigo dele, Gary McCallister – disse Ryan.

- Como sabe?

- Olhei os registros arquivados. Havia uma viatura de reforço quando Raglan prendeu Pulgatti. Reforço de um homem só. Oficial Gary McCallister.

- Peguem esse filho da mãe – ordenou Montgomery. McCallister estava na sala de interrogatório e Beckett estava louca para derruba-lo.   

A entrevista apesar de todos os esforços de Beckett não fora tão promissora quanto ela gostaria. McCallister apenas lhe deu um aviso. Ela acordara o Dragão, um codinome usado para o poderoso que chefiava toda a operação, ela era agora um alvo. Ele contara sobre a operação de sequestros e da condenação de Pulgatti. Não demonstrava arrependimento algum, nem tão pouco revelava quem os ordenara a fazer aquilo. Da mesma forma que dizia não ter envolvimento com a morte da sua mãe e de Raglan. Beckett sabia que não ia falar mais nada, porém tinha muito medo e não era de alguém na policial.

Quando saiu do interrogatório, Ryan informou que tinham uma pista. Algo que conseguiram através de outra ponta que investigavam. A tal Jolene que comprara os comprimidos achados na suíte de Lockwood. Tinham duas que batiam com a descrição deles, uma Anders e a outra Granger. Beckett mandou-os checar a Anders, ela e Castle checariam a outra.

Ao entrarem na casa de Jolene Granger, encontraram-na morta. Beckett avisou para Esposito vir encontra-los. Porém, quando saiam do prédio uma explosão aconteceu. Ela ouviu. Parecia uma granada. Lockwood os pegara e checando os celulares descobriram que foram descartados. Não queria ser rastreado. Castle lembrou que não encontraram o celular de Jolene também provavelmente porque havia ligações entre ela e Lockwood. Então, ele começou a procurar por uma conta. Se tivessem o número poderiam checar as ligações e talvez chegar a Lockwood.

Sentado no computador da vitima, conforme o site da companhia telefônica, você precisava da conta e de uma informação para recuperar a senha. Teriam que tentar. Castle digitou o numero da conta e falou para ela que precisavam do nome do meio da mãe de Jolene. Beckett pediu todas as informações sobre a vitima. Minutos depois, ele digitava algo na tela.

- Consegui. 917-555-0176.

- Preciso de um rastreamento.

- Castle, conseguiu de novo – ele mesmo se congratulava satisfeito por ajuda-la.  

Eles conseguiram um endereço. Sabiam que os rapazes estavam sendo mantidos ali como prisioneiros. Claro que havia vigilância e da pesada. Escondidos no carro estacionado casualmente, Beckett revisava suas opções que não eram muitas.  

- Aquele cara consegue ver a SWAT a uma quadra de distância e avisar ao Lockwood. Se chamarmos reforços, eles morrem. Aceito ideias idiotas.

- Que bom. Porque tenho uma – Castle contou a ela o que pretendia. Era simples e óbvia, talvez fossem pegos logo de cara, contudo ela mesma não tinha nada em mente para usar. Desceram do carro rindo, Beckett fingia tropeçar nas próprias pernas enquanto os braços de Castle a envolviam. Para todos os efeitos, eles tentavam se passar por um casal de namorados que beberam demais, se divertiam e mal conseguiam ficar de pé.

Ao se aproximarem do capanga de tocaia, Beckett percebeu que ele já estava alerta. Não parecia estar comprando a ideia do casal. Rindo, ela avisou a Castle.

- Ele não está caindo, Castle – ela continuava rindo agarrada a ele, mas estavam bem perto do capanga e Beckett estava disposta a sacar sua arma. Percebendo o que ela pretendia, Castle tomou uma decisão rápida. Segurou a mão dela impedindo que tirasse a arma do coldre. Com a outra mão no pescoço dela, ele a puxou para um beijo. Só que não era um beijo qualquer. Castle ansiava por tocar aqueles lábios a bastante tempo, a saudade do toque era grande.

Kate foi pega de surpresa. Ao sentir os lábios de Castle nos seus, o corpo reagiu de imediato. A boca aceitou o carinho e por alguns segundos, ela esqueceu o que realmente estava em jogo. A sensação dos lábios de Castle depois de tanto tempo, era diferente. O coração disparou e uma emoção tomou conta de seu corpo. No instante que se separaram, ela percebeu o óbvio. Beija-lo era como voltar para casa. Foi domada por um sentimento de plenitude que até ali não sentira. Era como mágica. Então, Kate não resistiu. Jogou-se novamente contra o corpo de Castle sorvendo os lábios dessa vez com urgência e a necessidade de saciar um desejo primitivo. As mãos, os braços e lábios incendiaram aquele pequeno momento íntimo entre eles.

Gostaria de ficar assim por muito mais tempo, porém com o rabo de olho, ela notou a aproximação do capanga e sua distração. Percebendo o bom momento, ela afastou-se dos lábios de Castle aplicando um golpe certeiro com a perna nocauteando o cara que tombou no chão.
Castle olhou impressionado para a cena que acontecera bem a sua frente em questão de segundos. Ainda abobado e impressionado, ele deixou escapar.

- Isso foi incrível – ao ver Kate olhando para ele, completou – quero dizer, o modo como você o derrubou... – ele não estava se referindo apenas ao golpe. Castle sentiu a vontade e o desejo dela através daquele beijo. Precisava de foco, tinham um assassino para prender.

- Vamos! – Beckett caminhava resoluta para o esconderijo de Lockwood. Seu corpo ainda estava refletindo as reações causadas pelo beijo. Respirou fundo antes de penetrar no covil do inimigo esgueirando-se pelas paredes com a arma em punho. Castle vinha atrás dela deixando Beckett tomar uma certa distância dele. Ambos podiam ver os rapazes sendo submetidos à tortura com gelo. Resistiam bravamente discutindo com o bandido. Ela percebeu que Ryan já tinha parte da pele do rosto vermelho, começava a ter dificuldade para respirar.

Esposito percebeu a presença de Castle e Beckett. Para ajuda-los, disse que os tiras já sabiam de tudo e que ele chegara tarde. Ele estava apenas desviando a atenção de Lockwood para que Beckett pudesse se posicionar e derrubar os capangas que estavam tomando conta da sua retaguarda.

Quando Beckett atirou sem parar derrubando os companheiros de Lockwood, ele esqueceu os rapazes e começou uma sucessão de tiros com a detetive. Ela não media esforços. Queria acerta-lo de qualquer jeito. Uma força vingativa fazia Beckett despejar a saraivada de balas em busca de seu alvo. Destemida, ela o enfrentava. Castle observava preocupado com um possível revés dessa situação. Temia por Kate, sabia o quanto ela gostaria de derrubar aquele assassino.

Por alguns segundos, o silêncio tomou o local. Castle sabia que Beckett estava escondida atrás de uma coluna trocando o pente de balas. Ele não tirava os olhos de Lockwood. Era até covardia ver Kate com uma arma tão pequena enquanto ele carregava algo tão monstruoso como a arma de um sniper. De repente, viu que a mira dele estava apontada para a cabeça dela. Bastava um tiro e ela seria apagada. Sem pestanejar e por puro instinto de proteção, Castle se jogou sobre Lockwood derrubando-o, afastando o perigo de Kate ser baleada. Sobre o corpo do assassino, ele descarregou toda a sua raiva na cara do sujeito socando várias vezes o rosto quebrando-lhe o nariz.

Nem tinha percebido que Beckett estava de pé a sua frente. Ao erguer a cabeça, deparou-se com o olhar preocupado.

- Você está bem? – ela perguntou vendo a mão dele toda ensanguentada.

- Nunca estive melhor – e falava sinceramente. Fizera aquilo por ela. Beckett chamou reforços e ambulâncias para atender aos rapazes e a Castle. Solicitou que os oficiais recolhessem todas as evidências, ficharem o assassino e tomou todas as providências que estavam em sua responsabilidade. Após atualizar seu capitão, checar os rapazes, ela decidiu dar um tempo a si mesma. Queria saber como Castle estava.

O paramédico acabara de fazer um curativo na mão ferida dele. Kate entrou na ambulância sentando-se na frente dele. Vendo desenrolar a gaze que acabara de ser colocada para cobrir a mão machucada. Ela o impediu de continuar oferecendo-se para fazer isso.

- Olá, Chuck Norris. Como está a mão? – perguntou sorrindo.

- Dor dilacerante – mas estava adorando o zelo que Kate demonstrava nesse instante - Como estão Ryan e Esposito?

- Hipotermia leve. Orgulho ferido. Adivinha qual sara primeiro? – ela concluiu o curativo. Seus olhos se encontraram com os dele em sinal de cumplicidade. Novamente, Castle salvara sua vida, estivera ao seu lado.

- Obrigada. Por ter me dado cobertura lá.

- Always – ela mordiscou os lábios. Sem perder o contato, ela acariciou de leve o rosto dele, deixou o polegar tocar-lhe os lábios. Inclinou-se na direção dele e beijou-lhe carinhosamente o rosto. Ao se afastar, ainda sorria.

- Vá para casa, Castle. Você precisa descansar. Ainda tenho que supervisionar a ida de Lockwood para o presídio e encaminhar as informações para o promotor. Não quero correr o risco de deixa-lo fora de uma prisão de segurança máxima nem uma noite. Se cuida – ela desceu da ambulância seguindo na direção dos oficiais.

Beckett cuidou de tudo. Não queria perder tempo. Aliás, a primeira conversa com o assassino seria dela. Sua primeira visita. A probabilidade de conseguir qualquer informação era mínima. Lockwood ou qualquer que fosse seu nome, não estava disposto a cooperar com a inimiga, afinal ela era seu alvo.

Ela aproximou-se da mesa. Lockwood estava sentado olhando sem qualquer interesse para a mulher a sua frente, como se fosse invisível. Tudo que Beckett queria era um nome. Para quem não conhecia a história certamente acharia ser algo bem simples de se conseguir. Ilusão. Beckett tinha convicção de não conseguiria a resposta, nem hoje, nem amanhã. A verdade era que talvez nunca soubesse através daquele homem. Porém, isso não a impediria de tentar. Seria persistente.

- Te fichamos como John Doe. Com certeza seu nome não é Hal Lockwood. Quem te contratou? – ele continuava calado, como se não existisse ninguém a sua frente – Coloquei muitas pessoas aqui. Algumas querem me matar. Outras nunca foram tratadas tão justamente na vida. Então elas criam essa conexão comigo. Como se eu fosse a professora favorita. Algumas dessas pessoas talvez te visitem enquanto está aqui... Como os fantasmas que visitam Scrooge. Depois de passar um tempo com eles, talvez se considere um homem modificado. Então voltarei aqui, semana após semana, para perguntar quem te contratou...até que o milagre ocorra. 

Quando saiu do presídio, ela estava arrasada. Aquele lugar era um símbolo, o resultado de seu trabalho, da sua busca pela justiça estava ali dentro. Dessa vez, a sensação era diferente. Impotência. Parecia sina. Todas as vezes que pensava estar próximo de resolver o caso do assassinato da sua mãe, levava uma rasteira. Era uma história complicada, como uma pedra no caminho para sua felicidade. Um passo para frente, dois para trás.

Felicidade. Por que essa palavra viera a sua mente agora? A frente do volante, Beckett fechou os olhos antes de dar partida ao carro. Respirou fundo e seus pensamentos voltaram-se para o beijo. Os lábios de Castle nos seus, as mãos deles nos seus cabelos, um gemido escapou-lhe aos lábios, os pelos arrepiaram-se. Kate relembrou a sensação maravilhosa de seus beijos. Tinha saudades do toque e do sabor daquela boca roçando sua pele, o que aconteceu no meio da rua entre os dois foi mais do que um beijo disfarçado para despistar um capanga, aquilo fora um reencontro.

Para Kate, aquele beijo foi diferente. Pela primeira vez, tinha sabor novo. Além da faísca usual do contato, ela sentiu algo instantâneo que invadira seu corpo e sua mente como um relâmpago, num piscar de olhos. Não, essa definitivamente não era a melhor definição. Aquele reencontro era como mágica.

Ela apoiou a cabeça sobre o volante, abriu os olhos e decidiu ir para casa. Durante todo o caminho sua mente não tinha outro pensamento além de Castle. Cansada, optou por um banho longo. Perdera a noção do tempo, sequer sabia que horas eram. Enrolada no roupão de seda, ela checou o celular. Não havia ligações, apenas uma mensagem de Dana pedindo noticias. Kate não estava a fim de conversar com ninguém. Seu corpo doía devido ao estresse que sofrera nas últimas horas.

Não querendo ser interrompida por ninguém, ela respondeu a mensagem “estou bem, apenas cansada. Conversamos amanhã.” Deixou o celular sobre a cabeceira, deitou-se na cama fitando o teto. Meia hora depois, ela nem conseguia dormir. O pensamento era fixo naqueles olhos azuis. Ela lembrou-se da pergunta de Dana.

Você já esteve apaixonada? Claro que sim! Ela se apaixonara por seu primeiro amor, não? Todos se apaixonam. E por Will, ela estava apaixonada quando ele a deixou para ir a Washington... ela o amara? Não. Era uma relação boa e acomodada, o que a levou a considerar e admitir que queria viver com ele. De repente, ela mudou o teor da pergunta. O que era estar apaixonada? Na versão de Kate Beckett, era querer estar ao lado da pessoa especial todo o tempo, era rir de suas bobagens, era derreter-se quando envolvida nos braços fortes, suspirar com seus beijos, era confiar e proteger. Todas as canções fazem sentido.

- Droga, Dana! – ela se deu conta que tudo o que a terapeuta lhe falara começava a penetrar fundo em sua mente. Situações  extremas. Ela sempre ficava mexida quando havia perigo. Dana a acusara de pensar em seus sentimentos apenas quando estava à beira da morte, ou diante de perigo real. Ela insinuara que talvez se Castle fosse ferido ou morresse, finalmente pensaria em admitir o que sentia. Só que ele não estava morrendo, nem ela. Nenhum dos dois corria perigo agora. Mesmo assim, o sentimento parecia estar prestes a aflorar. Lembrou-se da música. Kate pegou o celular para ler a tal letra. E a cada linha, ficava cada vez mais claro que tinha razão. Atingiu-a em cheio. Ali, ela conseguira encontrar sua história através da música.  Não havia motivos para lutar contra o que se mostrava claramente a sua frente. Precisava admitir.

Kate Beckett estava apaixonada pela primeira vez na vida. Seu nome? Rick Castle.

Não se preocupou com a hora. Já perdera tempo demais. Diferente das outras vezes que batera na porta de Castle, não demonstrava medo ou dúvidas. Sabia exatamente o que viera fazer ali, estava decidida a não deixar sua vida parar, cansara de ficar ouvindo apenas o passo do relógio, tic tac. Com essa coragem, ela bateu levemente na porta. Esperou por uns dois minutos. Sem resposta, ela pegou o celular e acionou o nome de Castle. Após o terceiro toque, ele atendeu um pouco sonolento.

- Beckett? Aconteceu alguma coisa? – a preocupação o despertou lembrando-se dos últimos acontecimentos – você está em casa, segura?

- Calma, Castle. Eu estou… na verdade, eu estou na porta do seu loft.

- Aqui?

- Sim, vai abrir a porta para mim?

- Claro, me dê um minuto – ele desligou apressando-se rumo ao banheiro. Lavou rapidamente o rosto, escovou os dentes e vestiu o roupão. Todas as vezes que Kate batera em sua porta na madrugada, não foram momentos tranquilos. A tensão e assuntos complicados faziam sempre parte desse cardápio. O que seria agora? Algo desandara na prisão de Lockwood? Ela descobrira algo novo no caso? Talvez estivesse com dificuldades para dormir por conta de reviver todo o pesadelo do caso da mãe. Suspirou. Seja o que for, ele estaria disposto a ajuda-la. Ficaria do lado dela.

Ao abrir a porta, encontrou Beckett escorada na soleira da porta. Ao vê-lo, sorriu.

- Parece que vir ao meu apartamento de madrugada está virando um habito, detetive. Entre – ele brincou já querendo prever uma forma de quebrar o clima ruim. Porém, não foi o que ele viu no rosto dela. Não havia sinais de preocupação ou medo no semblante de Kate. Ela estava serena – quer sentar-se? Aceita um café ou uma bebida?

- Apesar da hora, eu realmente preciso de um café.

- Será um prazer. Volto num instante – ele não demorou dois minutos, entregou a caneca fumegando com a bebida preferida de Kate, exatamente do jeito que ela gostava.  

- Obrigada – ela amava esse café, pensou tomando um bom gole.

- Então, Beckett. O que a trás aqui na madrugada? Descobriu algo errado no arquivo do caso? Surgiu alguma pista nova? Lockwood está no presídio, certo?

- Sim, ele está preso. Não vai a lugar nenhum por um bom tempo, assim espero – Kate tomou mais um pouco do café – não estou aqui por causa de um caso. Quero que me escute, Castle.

- Estou passando por um momento de deja vu? Porque certamente já vivi uma cena como essa antes, Kate.

- Eu sei. Eu quero lhe contar sobre o que aconteceu na prisão e depois que sai de lá. Eu queria tanto que ele me dissesse um nome. Apenas um nome. Era pedir demais a um assassino tão frio. Castle, quando eu deixei aquele lugar me senti frustrada, impotente. Cansada. É uma luta perdida. Coloquei mais um ponto nessa historia, espero que seja um continuo. Não estou preparada para um ponto final.

- Não será, Kate. Já disse a você que terei o prazer de vê-la prender esse assassino.

- Não esqueci, Castle. Mas essa não é a questão. Quando eu estava arrasada, um outro pensamento me confortou – ela colocou a caneca sobre a mesa de centro, pegou a mão dele na sua antes de continuar – você. Naquele momento, meus pensamentos se voltaram a você, Castle. Ao homem que você é, ao parceiro que me defendeu novamente, ao escritor cheio de histórias e riso fácil. Então eu percebi o quanto fui cega e burra. O quanto lutei contra o que era importante. Negando a mim mesma o direito de viver. Hoje tivemos sorte, estamos vivos, porém as coisas podiam ter sido diferentes, você ou eu estaríamos mortos e depois? Não haveria mais nada. Não quero pensar que por teimosia ou medo perdi a chance de fazer o que meu coração me pedia há tanto tempo.

Castle a olhava intensamente. Diante dos seus olhos, ele via uma mulher decidida e diferente. Ainda era sua Kate Beckett, mas algo havia mudado sua perspectiva de vida. Kate se levantou do sofá, precisava andar para ordenar os pensamentos. Ele era a pessoa boa com as palavras. Instintivamente, ele se ergueu ficando no meio da sala apenas observando.

- Castle, eu cansei de ser a certinha, a racional que analisa todos os prós e contras de cada possível problema ou acontecimento. Não sou uma pessoa fácil, você já tem uma ideia sobre isso. Tenho problemas, traumas ainda não superados. Mesmo assim, sou tida como modelo para tantos, algumas vezes colocada em um pedestal inclusive por você. Fico lisonjeada com o gesto, embora algumas vezes isso me iniba. Estou cansada de ser a referência. Pelo menos uma vez, quero esquecer essa imagem que formaram de mim. Quero me dar ao luxo de ser louca, inconsequente. Quero me deixar levar pelos meus sentimentos, ouvir meu coração bater descompassado apenas por imaginar seus lábios nos meus. Não quero me esconder das minhas vontades. Eu cansei. Eu preciso admitir que estou apaixonada por você. Não suporto mais negar o que eu sinto.

Ela se aproximou dele. Acariciou-lhe o rosto em meio a um sorriso. O polegar roçava os lábios.

- Eu estou apaixonada, Castle. Preciso de você, seu toque, seus beijos, eu sinto a sua falta, não tinha percebido o quanto até poder te beijar novamente... não quero brigar contra o que estou sentindo. Eu quero você. Aceito o tudo, Castle. E você?

A resposta veio como deveria. Castle a puxou pela nuca beijando-a intensamente. As mãos de Kate passeavam pelas costas dele se firmando em volta do pescoço. Inclinava seu corpo na direção dele, não queria nenhum espaço entre eles. Desejava o calor do seu corpo, sentir sua pele. Kate se entregou ao beijo de maneira avassaladora. Mordiscava-lhe os lábios, explorava o interior da boca, roçava sua língua na dele. A boca de Castle seguia nesse instante pelo pescoço, as mãos desciam pela lateral do corpo acariciando-lhe os seios sobre o tecido das roupas que usava. Os lábios deslizavam até o decote da blusa. Ele desamarrou o casaco levando-o ao chão. Ela fez o mesmo com o roupão dele.

Os olhos azuis estavam brilhando. O sorriso no rosto de Kate era um presente. Castle fez menção de retirar mais uma peça de roupa, mas foi interrompido quando as duas mãos dela seguraram seu rosto sorvendo os lábios novamente em um novo beijo, dessa vez em um ritmo mais brando, um tom sedutor. Vagarosamente explorava os lábios do homem a sua frente. Os dedos acariciavam a pele do pescoço insinuando-se pela abertura da camisa do pijama que usava. O toque delicado fazia o sangue de Castle ferver. Ela sentiu com a ponta dos dedos, o pomo de adão subir e descer como reação ao gesto de engolir em seco. O desejo começava a aflorar pelos poros.

Kate passou a língua mais uma vez nos lábios dele antes de afastar-se. Com a testa colada na dele, ela brincava com o tecido da camisa. As mãos deslizaram pelo peito dele e finalmente ela o fitou. Seus olhos estavam extremamente verdes.

- Faça amor comigo, Castle…

- Será um prazer – enroscando seus dedos nos dela, Castle a guiou até seu quarto. De frente para ela, desfez cada um dos botões da blusa que usava. A peça encontrou o chão. Em seguida, foi a vez da calça. Ele ajoelhou-se diante dela ajudando-a a se livrar da calça. Sem nenhuma pressa, ele acariciou as pernas dela com as mãos e com os lábios. Beijou-lhe o estomago, o ventre, enquanto os dedos ágeis puxavam a calcinha. Kate estava com a pele toda arrepiada. Sentiu as mãos dela nos seus cabelos. Castle continuava sua viagem pelo corpo da mulher a sua frente. A exploração continuava mesmo com ele se erguendo do chão, os lábios agora estavam no meio dos seios. As mãos na lateral do corpo tocando-lhe os seios fazendo-a gemer.

Quando finalmente estava de pé, ele tornou a beija-la. Sentiu as mãos dela por baixo da sua camisa tocando-lhe a pele quente em contraste com os dedos frios. Gemeu entre os lábios. Kate retirou a camisa jogando ao seu lado. Imediatamente, as mãos dela percorreram o peito nu de Castle. Usou os lábios para provar o gosto da pele. Como sentira saudades daquele cheiro masculino, uma mistura de suor e perfume tão característico dele.

Ele aproveitou que Kate estava inclinada sobre seu peito para desfazer o fecho do sutiã e livrar-se da última peça de roupa que escondia o belo corpo de Kate. Os lábios dela já estavam na nuca em busca da orelha brincando e deixando-o ainda mais excitado. Sim, ela já sentia a ereção dele contra sua perna. Castle enlaçou a cintura dela beijando-a com vontade até coloca-la lentamente sobre o colchão.

Tombando seu corpo sobre ela, Castle continuava saboreando aqueles lábios prensando-a na cama. As mãos se perdiam em cada pedacinho do corpo de Kate. Ele não tinha pressa, esperara muito para tê-la em seus braços outra vez, portanto cada segundo, cada toque, cada pedaço de pele seria devidamente apreciado. Ele adorava aquele corpo. Adorava o rosto, os olhos, a boca. Castle afastou-se um pouco para contempla-la, Kate o olhava intensamente com um sorriso nos lábios. O desejo tomava conta dos olhos verdes. Ela se deixou ser tocada pela boca e pelos dedos de Castle.

E ele a tocou, beijou, sugou seus seios com destreza fazendo o corpo de Kate arquear pelo contato. A reação foi imediata. Sentia a umidade entre as pernas ansiando pelo toque e Castle não decepcionou. Após beijar o centro dela, ele enfiou os dedos arrancando gemidos dela. Com destreza, ele a provava, instigava e ouvia cada gemido, Kate segurava seus cabelos incentivando-o a continuar. Os mamilos rijos, a pele eriçada e uma fraqueza acompanhada de tremores anunciavam o primeiro orgasmo da noite. Vendo que ela já se perdia no prazer, ele sufocou seus gemidos com um beijo forte, rápido enquanto uma das mãos apertava os mamilos levando-a à loucura.

Quando conseguiu recuperar uma parte do fôlego, ela abriu os olhos para fita-lo. Mordiscou o queixo dele e o empurrou na cama ficando sobre ele. As mãos espalmadas sobre o peito de Castle, sentiam a pele quente do homem de belos olhos azuis que pareciam consumi-la a cada instante que a fitava. A ereção pronta para recebê-la, porém antes de suprir o vazio do meio de suas pernas, ela precisava explorar aquele corpo.

Roçando os dentes e beijando toda a extensão do peito de Castle, ela se deliciava. Entre beijos e mordidas, ela deixava-o marcado, ao voltar para os lábios sedentos de Castle gemia prazerosamente. Finalmente, ela se preparou para recebê-lo. Ao deslizar sobre o membro dele, Kate sentiu o próprio corpo vibrar ao tê-lo dentro de si, a sensação deliciosa de estar completa que ela não experimentava há algum tempo a fez suspirar e gemer baixinho. Apoiando-se ao peito dele e com a ajuda das mãos de Castle firmes em sua cintura, eles começaram a se movimentar.

Em sincronia, cada movimento era apreciado, degustado, vivido. Castle ergueu o corpo do colchão indo ao encontro dela, sorvendo seus lábios, remexendo seus cabelos sem perder um instante de ligação e intimidade com ela. Minutos depois, o corpo de Kate tremia quase incontrolavelmente sendo arrebatada por uma onde de prazer maravilhosa. Abraçando-a completamente, ele continuou os movimentos até não aguentar mais e se entregar ao orgasmo puxando-a consigo para o colchão.

Permaneceram assim, calados e estáticos por um bom tempo. Kate espreguiçou-se procurando se ajeitar sobre o corpo de Castle. Deslizava a ponta dos dedos de leve acariciando o peito dele. Às vezes, deixava um beijo ou outro na pele. A respiração começava a voltar a sua normalidade. Apoiando o queixo em uma das mãos, ela olhava para Castle. Ele sorriu e segurou a outra mão levando-a aos lábios beijando-a para depois entrelaçar na sua.

- Tudo bem?

- Melhor estraga…. – ela viu o machucado na mão dele – ainda dói?

- Um pouco, nada que me impeça de tocar você.

- Estou cansada. Esse caso e tudo o que aconteceu... preciso dormir – ela se esticou para beija-lo – estou feliz de poder dormir nos seus braços depois de tudo isso. Não me dei conta de quanto perdi sendo teimosa.

- Que bom que mudou de ideia. Kate Beckett está apaixonada. Quem diria! A mulher tão racional sucumbindo às emoções. Parece…

- Mágica? – Kate completou.  

- É, a palavra combina com o que eu queria dizer. Só não sei se combina com você.

- Eu encontrei minha mágica com você, Castle. Apenas demorei para entender o que ela significava. Desculpa por fazê-lo sofrer tanto.

- Você precisava de tempo, um pouco mais do que eu. Podíamos ter evitado algumas coisas, não vou mentir. Agora não importa mais, estamos aqui. Juntos – trocaram um novo beijo e Kate acomodou-se no peito dele adormecendo em seguida. Castle também fechou os olhos esboçando um sorriso bobo no rosto quando o relógio de cabeceira já marcava quatro horas da madrugada.



Continua.....

5 comentários:

Géssica Nascimento disse...

PELOAMORDEDEUS!!!
Adoro essa história! Você é 10!!!

Luciana Carvalho disse...

Meninaaaaaa, assim vc nos mata do coração!!! Nem imaginava que teríamos essa surpresa logo nesse cap, realmente vc me surpreendeu. Nenhum spoiler no início!! kkkkkkkkkk
Ameiiiiiiiiiii ver a kate batendo na porta dele de madrugada p se declarar. Finalmente detetive Beckett, vc demorou mt p assumir q tá apaixonada, mas valeu a pena, Castelinho que o diga!! kkkkkkkkkkkkkkkkk
Só n gostei de saber q vc vai demorar p postar o próximo... :(

cleotavares disse...

Uau! Muito bom. Que bom que a Kate resolveu assumir que está apaixonada pelo Castle. E essa pegação toda, uhuu maravilha. Ficou inspirada na foto não é?kkkkkkkkk

Thais Ildefonso Pasquinio disse...

Não esperava por essa. Me pegou de calça curta com esse final hahaha
Finalmente né Kate Beckett. Forninho despencou!!
Ela se declarando <3
Foi maravilhoso, tudo!
Ansiosa para ela contar a Dana. Quero só ver a felicidade da terapeuta que foi de grande ajuda, quase que um cupido huahuahua
Ai cara foi lindo, foi intenso, amei!!!
Até o próximo!

Silma disse...

Mais que capítulo tenso e instigante 😏 Dona Kate Beckett você me surpreendendo a cada capítulo.Só tenho uma coisa pra dizer "Já estava passando do tempo de termos esse capítulo maravilhoso,mas tudo com seu tempo."
Tão feliz com esses orgasmos 😌