quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

[Castle Fic] One Night Only!! - Cap.42


Nota da Autora: Esse é o capitulo que posto antes de viajar. O próximo irá demorar. Li alguns comentários sobre vontades e especulações dos próximos então, antes que as minhas leitoras criem expectativas, já vou avisando que não haverá uma visita de Castle a cabana, isso porque quero ser fiel ao Rise. Amo vê-lo com raiva de Kate após trës meses e quero explorar isso. Mas, a cabana existe para vários propósitos especialmete para fazer Kate pensar sobre o que irá fazer com relação a sua parceria com o escritor. E Dana sempre ajudando esses dois! Enjoy!  


Cap.42     

Kate olhou para a terapeuta e amiga com um sorriso fraco. Indicou a cadeira a sua frente para que ela sentasse.

- Você aceita um café? Não é tão bom quanto aqueles que tomamos em Nova York, mas dá para o gasto.

- Eu vou aceitar desde que você renove o seu também porque eu trouxe algo para acompanhar. Passei na Dean & Deluca antes de vir. Sei que você gosta das guloseimas de lá. Sabe como é, pensei em trazer um pouco de Manhattan para você e isso inclui donuts.

- Obrigada, Dana – agora o sorriso estava bem melhor – que tal entrarmos? Será mais fácil comer na mesa da cozinha.

- Você tem descansado, Kate? Faz três dias que saiu do hospital para a cabana, porém seu rosto ainda demonstra cansaço. Está com olheiras. Tem dormido a noite? Ou anda tendo pesadelos? – Kate não precisou responder para que Dana entendesse. As crises de PTSD se instalaram.

- Eu mal saí do hospital, Dana. Ainda não tive todo o descanso que precisava – ela serviu o café fresco enquanto a terapeuta abria as embalagens que trouxera – as noites não são fáceis, esquecer o que aconteceu é quase impossível. Eu penso em Montgomery todas as vezes que fecho meus olhos, eu o vejo deitado naquele chão, o sangue, o sacrifício e não tenho como não pensar que tudo o que aconteceu não é minha culpa. Eu sou a responsável pela família dele perder o pai, o marido. E para que? Eu quase me tornei uma vítima de homicídio. A escolha dele não pode ter sido em vão.

- Kate, claro que a escolha de Montgomery não foi em vão! Você está viva, se recuperando, não admito que se culpe porque é o oposto do que seu capitão gostaria de ver. Ele a salvou porque tinha uma dívida com você, porque sabia a detetive apaixonada e motivada por justiça que é, ele se sacrificou para que você desse a voltar por cima e eventualmente, um dia, prenda toda a corja de assassinos que ainda estão impunes em Nova York. Não vou aceitar você se fazer de culpada ou acovardar-se. Essa não é a Kate Beckett que eu conheço.

- Sou humana, Dana. Não essa supermulher que você teima em me descrever, que outros teimam em me lembrar...

- Eu sei quem você é. Mas, você também é valente, guerreira. E se por outros você está sutilmente se referindo a Castle. Ele está certo – ela viu Kate mordiscar os lábios ao ouvir o nome de Castle, não era o momento de tocar nesse assunto, sabiamente Dana mudou o foco – mesmo que queira negar, eu sei que está tendo pesadelos e sofrendo com a PTSD. Natural após o trauma que sofreu. Viu seu mentor e chefe ser morto, levou um tiro no peito e quase se juntou a ele, os seus inimigos continuam soltos... é muito para lidar e digerir. Posso lhe dar um conselho? A melhor coisa que poderia fazer nesse momento além de falar sobre o que está sentindo, é tomar um remédio. A exemplo do que fiz quando você apresentou as crises de pânico, posso receitar algo que vai ajudá-la a se recuperar, voltar a dormir e tirar essa ansiedade e inquietude que está apresentando agora.

Rapidamente, Kate parou de balançar a perna e apertar uma mão na outra.

- Não adianta disfarçar, eu já venho reparando desde que cheguei. Se você quiser, trago os comprimidos na minha próxima visita.

- Eu vou pensar a respeito. Não acho que esteja precisando. Não é como antes.

- Não, tende a ser pior, mas vou deixar você pensar. Quero chamar sua atenção para algo importante. A relação entre o que aconteceu no funeral de Montgomery e seus pesadelos nas crises de pânico. Mas antes, o que você se lembra daquele dia? – Kate suspirou.

- Eu não sei, não muito. Está tudo muito embaralhado na minha mente. Eu não me lembro do tiro. Sei que estava no púlpito discursando, lembro de ter trocado um olhar com Castle e então tudo começou a ficar escuro, a minha visão desapareceu e eu acordei no hospital.

- Não se lembra de levar um tiro, de ser amparada por Castle na grama, dele falando com você?

- Não, eu não me lembro de nada – Dana a fitava desconfiada. Podia entender a confusão, os pedaços faltantes do quadro, mas algo no olhar de Kate sugeria algo mais. Optou por continuar em sua linha de raciocínio – Kate, você se recorda do tipo de pesadelo que tinha nas crises? Você sonhava que Castle era baleado no peito bem na sua frente. Ele caia e você implorava chorando para que ele continuasse com você. Acordava gritando como se ele tivesse morrido em seus braços. Já parou para pensar que o que aconteceu com você foi tal qual o seu sonho somente mudando a vítima? É muita coincidência, não? É quase como se você estivesse prevendo que algo ruim iria acontecer a vocês.    

- Dana, coincidências não existem. Fatos e evidências sim. Meu sonho não tem nada a ver com isso. Não sou vidente. Isso parece coisa que o Castle diria, não uma médica como você – ela riu.

- Tudo bem, mas faz você pensar que o seu maior pesadelo acabou se tornando realidade. De qualquer forma, a perda de memória pode ser passageira, faz parte do momento de recuperação. Com as sessões de terapia, o descanso, vai voltar a sua mente. O remédio ajuda também – Dana checa o relógio – acho que já falamos bastante por hoje. Preciso voltar para a cidade. Voltarei em três dias.

Ela se levantou deu um abraço na amiga e sorriu. Estava quase no carro quando lembrou-se.

- Ah, quase deixo de perguntar. Você trouxe seu caderno?

- Dana, eu...

- Trouxe ou não?

- Trouxe. Mas eu... – a amiga a interrompeu.

- Ótimo! Da próxima vez, vou falar sobre ele. Descanse e se acalme. Não se deixe vencer pelos pesadelos, Kate.

Por duas semanas, Dana continuou voltando. Conversava sobre a recuperação de Kate, voltava no assunto do tiro. A memória da detetive continuava bloqueada. Falavam sobre Montgomery, sobre a mãe e nunca sobre Castle. Dana estava disposta a mudar isso na sua próxima visita, mesmo que fosse ela quem falasse sobre o assunto. Também não pedira o caderno e Kate finalmente aceitara o remédio. No dia seguinte, ela abordaria o outro lado da história.

Castle passara as últimas duas semanas trabalhando e discutindo o marketing e a turnê de seu livro com a editora. Ele quase levou Gina a loucura quando disse que queria mudar a dedicatória de Heat Rises há dez dias atrás.

- Enlouqueceu? Eu já tenho cinco mil cópias do seu livro prontas para o lançamento em Nova York e mais vinte mil sendo impressas para distribuir no resto do país. Não posso jogar tudo no lixo porque você teve um súbito ataque de estrelismo e quer mudar uma página!

- Não é ataque de estrelismo! Aquele livro traz uma mensagem sobre a polícia e a ética. Capitão Montgomery acaba de falecer sacrificando-se pela justiça. Dedicar meu livro a ele é o mínimo que posso fazer. Se o problema é dinheiro, eu cubro os custos. Tire dos meus lucros, mas eu quero uma nova dedicatória e está decidido.

- Argh! Richard, eu quero matá-lo!

- Não, você não quer. Precisa de mim. Aliás, eu começarei a turnê na costa oeste na quinta conforme discutimos. Seguirei todas as suas recomendações, satisfeita?

- Você não faz mais do que sua obrigação. E para sua informação, continuo com raiva de você por esse retrabalho louco que está fazendo eu gerenciar. Me dê logo esse texto.

- Está no seu email, querida. Também é um prazer trabalhar com você. Mande os detalhes da minha passagem para Los Angeles assim que puder. Te vejo na quinta no JFK, sei que vai querer se despedir e me dar aquelas recomendações entediantes.

- Vá para casa, Rick.

Ao sair do prédio da editora, Castle fez uma ligação em seu celular. Precisava de notícias antes de viajar. Ao terceiro toque, Dana atendeu.

- Como ela está?

- Boa noite para você também, Castle.

- Desculpe, Dana. Eu acabei de sair da editora e de uma pequena discussão com Gina. Apenas preciso de notícias.

- Entendo. Olha, Castle, Kate está progredindo devagar. Conversamos sobre os casos, ela já aceita que não foi por sua culpa que o capitão morreu, está tomando remédio para a PTSD...

- Dana, ela ainda não se lembra do que aconteceu. Seja direta.

- Não – a terapeuta confirmou – ela não se lembra, porém é um processo demorado. Nós estamos conversando apenas por duas semanas. Ela está se esforçando. Está bem melhor fisicamente, ainda tem pesadelos e...

- Não fala sobre mim. Sequer se interessa sobre como estou – ela sentiu tristeza e amargura no tom da voz.

- É um longo processo, não estamos entrando no campo relacionamento. Amanhã eu perguntarei sobre a memória da cena novamente e se a resposta ainda for negativa, eu abordarei o outro lado da história, o seu lado, Castle.

- Por que ela está fazendo questão de me afastar de sua vida? Parece que ela quer me esquecer completamente!

- Não, Castle. Você continua lá. Posso ver nos olhos dela. Eu prometi a você que não deixaria que ela o tirasse de seu pensamento, isso é exatamente o que estou buscando. Acredite em mim. Kate irá lhe procurar mais cedo ou mais tarde.

- Eu estarei viajando na quinta para fazer minha turnê. Meus horários ficarão complicados. Sinceramente, não sei se quero saber do progresso dela, mas meu coração fica apertado sem notícias. Você pode me enviar mensagens se algo acontecer, se ela lembrar...

- Farei isso. Você tem um trabalho a fazer, Castle. Foque nele. Quanto tempo ficará longe de Nova York?

- Um mês.

- Manterei você informado. Boa sorte na turnê, Castle.

- Obrigado, Dana. Por tudo.

- É para isso que servem os amigos.

XXXXXXXXX

No dia seguinte, Dana chega na cabana para a sua sessão com Kate por volta das quatro da tarde. Fica satisfeita ao encontrar a amiga na cozinha fazendo um bolo. A aparência dela está bem melhor e por um instante, o coração de Dana se encheu de esperança ao ver a cena. Será que ela se recordara? Estaria pensando em Castle? Infelizmente, ela não receberia a resposta que gostaria.

- Hum, o que está cheirando nessa cozinha?

- Nosso jantar. Empadão de frango e estou fazendo um bolo de chocolate amargo.

- Já estou sentindo meu estomago agradecer. Você parece bem melhor, tem dormido bem?

- Um pouco melhor, mas não como gostaria.

- Os pesadelos continuam diários?

- Não. Estão mais espaçados. Acho que não tem uma razão ou ordem para invadir minha mente.

- Você que pensa – ela sentou-se de frente para Kate admirando-a bater a massa – então, faz três dias que não venho lhe ver. Algo novo? Se lembrou de algo?

- Não... – Kate suspirou. Porém, o brilho no olhar continuava intrigando a terapeuta.

- Certo, pensei em fazer algo diferente então. Já que sua memória parece estar congelada, decidi contar a você o que aconteceu enquanto você estava desacordada. Está na hora de saber o outro lado da história, Kate. A dor pelos olhos do outro. Sim, estou falando de Castle – ela viu Kate mordiscar o lábio sentando-se na cadeira a frente da terapeuta concentrando-se para escutar.

- Logo após você ser baleada, não posso dizer o que aconteceu entre sua ida para o hospital e minha chegada. Castle me ligou da ambulância. Quando o vi naquele corredor, meu coração doeu. Ele estava arrasado, inquieto, queria notícias e ninguém parecia tê-las. Tentei acalma-lo, ofereci meu abraço então algo inusitado aconteceu. Lembra-se de Josh? O médico simplesmente apareceu do nada gritando e culpando Castle por você ter levado o tiro. Mais que isso, ele o agrediu, Castle se defendeu e eu tive que interceder e ameaçar prendê-lo mencionando a ordem de restrição. Devo acrescentar que aquele cara é perturbado. Ele se desvencilhou do segurança e atingiu Castle novamente.

Dana parou por um momento para beber um pouco do vinho que Kate havia lhe servido e observar as reações dela. Sabia que ela queria perguntar, mas não tinha coragem. O choque estava presente em seu rosto.  

- Para sua informação, ele se feriu, porém sequer queria cuidar do ferimento tive que levá-lo a força. Somente queria saber como você estava. Ficou todo o momento falando não suportaria perde-la, que se culpava por você ter levado aquele tiro. Concordou que Josh estava certo, se não fosse por sua teimosia, você não teria mexido novamente no caso de sua mãe. Ele estava desesperado, sofrendo de verdade.

- Pare Dana! Eu sei muito bem o que você está pretendendo com essa conversa e não vai funcionar. Você quer me lembrar do relacionamento e não estou à vontade para falar disso. Castle queria que eu desistisse do caso. Ele esqueceu o que o caso da minha mãe significa para mim?

- Kate, você sabe que ele queria te proteger. Queria evitar que algo como seu tiro acontecesse. De certa forma, ele tinha razão. Sempre foi perigoso. Você pode negar por teimosia, mas no fundo sabe que estou dizendo a verdade. Quanto ao relacionamento, sei que você está chateada, confusa, precisa do tempo que pediu a ele. Tem ideia de quanto ele ficou arrasado quando você quase o expulsou do quarto? Dizer que irá ligar quando quiser... foi um pouco de exagero, quase cruel, não? Ele me contou, por isso sei que está sofrendo como você.

- Dana, esse assunto é complicado. Você quer discutir um relacionamento que nem sei se existe. Não quero mais falar sobre esse assunto, por favor... podemos jantar e falar sobre outra coisa?

- Tudo bem, vamos nos concentrar em fazer uma refeição agradável. Quer minha ajuda em algo?

- Coloque as coisas na mesa – assim, elas se dividiram nas tarefas, sentaram juntas a mesa e saborearam uma deliciosa refeição regada a um bom vinho e conversas animadas. Dana contava as últimas de Nova York e algumas fofocas. Comeram a sobremesa e Dana ajudou-a a limpar tudo. Ao se dar conta do horário, percebeu que era muito tarde para pegar a estrada sozinha.  Pediu para Kate para passar a noite na cabana com ela.

Kate prontamente arrumou o outro quarto para a amiga. Fez um café e assistiram a um pouco de televisão antes de se recolherem aos seus aposentos. Deitada em sua cama, Kate matutava as palavras de Dana. Castle estava sofrendo. E quanto a ela? Não tinha direito de se afastar? Fora ela quem quase perdera a vida. Como estava confusa! Será que fora muito rude ao pedir um tempo para ele? Não... achava que não. Com esses pensamentos e a imagem de um Castle triste e preocupado, ela adormeceu.

No meio da noite, Dana acorda assustada com um barulho seguido de vozes. Alguém estava sofrendo. Kate. Ela estava tendo um pesadelo. Levantou-se correndo indo ao quarto ao lado. Kate se debatia e pedia angustiada. De repente, um grito e Dana a ouviu chamando por Castle.

- Castle... eu não posso morrer... não, Castle! Não! Por favor...

Ela acorda assustada, inquieta e suada. O coração disparado, olhava desesperada para todos os lados como se estivesse sendo perseguida, sintomas típicos da PTSD. Dana se aproxima dela tentando acalma-la. Sentada a seu lado na cama, ela acalenta a amiga. Vendo que ela está um pouco melhor, Dana vai até a cozinha e volta com agua, uma dosagem do remédio e um calmante.

- Tome isso. Você irá dormir melhor.

- Você vai me dopar?

- Não. Você irá relaxar e evitar de ter novos pesadelos – Kate tomou os comprimidos e bebeu um pouco da agua. Voltou a deitar na cama, Dana a cobriu – feche os olhos. Respire devagar e profundamente, limpe sua mente de qualquer pensamento. Foque no sono, você está com sono e precisa dormir. Relaxe – cinco minutos depois, ela percebeu a mudança na respiração. Dormira. Ela ainda ficou um tempo ao lado dela para certificar-se de que ficaria bem. Só então voltou para a cama.

Na manhã seguinte, Dana acorda primeiro e começa a preparar o café da manhã. Kate levanta-se quinze minutos depois ainda sonolenta observa a amiga fritando os ovos. Na mesa, frutas, leite e cereais para que ela se servisse. Os pães estavam na torradeira.

- Hum, você caprichou. Posso ligar a cafeteira?

- Claro. Aproveite para comer enquanto está tudo quente. Dormiu melhor?

- Sim, o remédio surtiu efeito. Obrigada – ela começou a servir-se e Dana deixou que começasse a refeição antes de comentar o que ocorrera na madrugada. Estavam no meio do café quando ela falou.

- Você teve outro pesadelo. Era o mesmo de sempre?

- Uma versão dele.

- Kate, eu vi você pedindo por sua vida, chamando por Castle e dizendo que não podia morrer. Você está com medo e sofrendo. Era o tiroteio?

- Era – ela engole em seco.

- E mesmo angustiada no sonho, mesmo estando clamando por Castle, você insiste que não há relacionamento. Por que nega seus sentimentos, Kate? Eles não mudaram. Está no seu olhar. Ele podia estar aqui te ajudando, cuidando de você. Por que prefere se punir?

- Punir? Você acha que tenho pesadelos porque quero? Acha que eu sou um robô, que aperta um botão e tudo está bem de novo, só pode! Insiste em falar de relacionamento, Dana. Eu já disse que estou cansada, confusa e não quero discutir isso – sim, Kate estava irritada – pensa que é fácil simplesmente pedir para Castle vir aqui cuidar de mim, não é. Eu não sei... – frustrada, ela passa a mão nos cabelos, olha para a caneca de café empurrando-a para o lado – esse café é uma droga!

- Sim, eu admito, sinto falta das pequenas coisas como o café que ele trazia para mim todas as manhãs, do jeito que eu gosto. Você falou que ele está triste, não consigo imaginar Castle sem o sorriso... – ela suspirou – isso não quer dizer que eu queira discutir relacionamento ou que esteja preparada para ouvir o que ele tem a dizer ou as perguntas que provavelmente irá fazer.

- Certo. Prometo que não toco no assunto até que você esteja pronta para falar. Enquanto isso, peço que não abandone o assunto. Você precisa pensar nele para entender o que está sentindo. Você não deixou de gostar dele, Kate.

Por alguns instantes ela ficou calada. Tinha algo que estava incomodando-a. Queria perguntar, mas não sabia como deveria abordar o assunto. Resolveu ser direta.

- Dana, por que Josh estava no hospital e o que aconteceu com ele?

- Não sei porque estava em Nova York, mas eu mesma fiz questão de fazer o exame de corpo delito em Castle e unir as evidências para denuncia-lo ao juiz. Tivemos uma audiência e ele teve uma escolha a prisão ou voltar para a África por três anos.  Ele escolheu a África. Não se preocupe com ele, não tem como fazer mal a vocês. Ele é perturbado, sinceramente como pode ser médico?

- Ele é obcecado por mim, Dana. Você mais do que ninguém deveria saber disso. Quanto ruim foi a briga, Castle está ferido ainda?

- Socos, roxos e lábio cortado. Sim, eu sei que é obsessão. Mas a atitude é totalmente errada – ela se levantou – vou me arrumar. Preciso voltar a cidade.

Quando apareceu pronta na sala, Dana tornou a tocar em outro assunto que poderia deixar a amiga irritada, não deu outra.

- Kate, antes de eu ir poderia me entregar seu caderno de anotações? Quero leva-lo para analisar. Dependendo do que encontre, posso usar alguns tópicos para a nossa próxima conversa.

- Mostrar meu caderno a você? Não mesmo! – a irritação estava de volta – são anotações pessoais, íntimas. Pode esquecer.

- Esquecer? Kate, esse caderno é parte da sua terapia. É objeto de estudo e não pode se recusar em me entregar. Não tem argumentos. Entregue o caderno vermelho.

Suspirando irritada, ela sabia que não podia discutir. Dana deixara claro na terapia que usaria as informações do caderno. Sem escolha, ela foi até o seu quarto voltando com o caderno e entregando para Dana.

- Obrigada. Espero encontrar nessas páginas algumas explicações para o que tenho em mente. Vou analisar com cuidado. Se cuide, Kate – ela se aproximou dando um abraço e um beijo na amiga – eu volto logo que puder.  Não esqueça de tomar o remédio e se precisar conversar ou tiver pesadelos não hesite em ligar – Kate observou a amiga entrar no carro e dirigir rumo a estrada. Ela virou-se e entrou na cabana indo direto para o seu quarto. Enroscou-se nas cobertas e fechou os olhos. Em vez de Montgomery caído, a imagem que apareceu fora de Richard Castle sorrindo para ela. Um sussurro escapou de seus lábios antes de dormir novamente.

- Castle...

XXXXXXXXX

Dana queria muito ler o que Kate escrevera, porém naquele momento tinha que dar atenção aos seus outros pacientes. Esteve tanto tempo focada em Kate que esquecera suas obrigações no consultório. Dessa forma, Dana se dedicou durante toda a semana em fazer seu trabalho.

Mais de um mês havia se passado e a terapeuta julgou que Kate não estava pronta para falar de Castle. Reduziu suas visitas para uma vez por semana propositalmente. Queria deixar Kate confortável o bastante para falar de relacionamento. Ligara para ela e soube que os pesadelos diminuíram. De certa forma, a detetive ficou aliviada por Dana lhe dar um pouco de espaço, porém sentia falta de conversar com alguém.

Quanto ao caderno, Dana usou-o como sua leitura preferida de cabeceira. Todas as noites, ela entrava na mente de Kate Beckett. Ficou satisfeita com o resultado do exercício. Kate realmente expusera suas dúvidas, seus medos no papel. Será que Dana acabara descobrindo que sua amiga se expressava melhor escrevendo que falando em uma sessão de terapia? Havia um ponto na escrita que incomodava Dana. Dois, em realidade.

O primeiro era o fato de que ao falar de seu relacionamento com Castle abordando o que ela proporcionara para ele, Kate escolhia falar de si mesma de modo insignificante. Era como se menosprezasse a sua importância para Castle afirmando que não tinha nada a oferecer em retorno ao escritor diante do que ele proporcionara para a sua vida.

A personalidade de Kate Beckett era forte, sempre fora decidida e firme em suas convicções e posições especialmente ao se analisar a profissão. No âmbito pessoal, contudo, essa falta de confiança ou autoestima era ridícula na visão de Dana, mas compreensível pela dificuldade que ela tem em se abrir e demonstrar seus sentimentos. Precisava corrigir isso com urgência. Será que era tão difícil para ela perceber o impacto que causara na vida de Rick Castle? A terapeuta já decidira que esse seria o tópico de sua próxima conversa.

Quanto ao segundo, Dana notara sutilmente a dificuldade de Kate para não escrever sobre amor no caderno. O contexto de amar Castle estava lá embora não de maneira explícita. Ela tomou cuidado escolhendo minunciosamente suas palavras. Esse tema teria que esperar até que ela estivesse pronta para discutir a relação com sua terapeuta.

No dia seguinte, Dana recebeu uma ligação inusitada. Tudo bem, sabia que isso poderia acontecer eventualmente mesmo assim, estranhou.

- Hey, Dana! Ainda se lembra da sua paciente?

- Olá, Kate! Está com saudades das sessões de análise? Wow! Essa é nova!

- Hahaha! Estou quase caindo da cadeira de tão engraçada que você é. Não estou falando de terapia, só estranhei que você sumiu. Há uma semana atrás disse ao telefone que viria me ver, já faz oito dias...resolvi ligar.

- Desculpe, Kate. As coisas ficaram um pouco enroladas aqui na cidade. Tive imprevistos e compromissos – ela está entediada, pensou Dana – você está realmente com saudades de mim! Isso é tão bonitinho. Eu também senti falta da minha paciente favorita.

- Mentirosa – Kate calou-se por uns segundos – você... leu o caderno? Quer dizer, era isso que você queria, não? – a terapeuta sorriu, ela estava preocupada com a opinião e os questionamentos que surgiriam. Isso estava ficando bom.

- Li umas três páginas, estou ocupada. Prometo que termino nesse fim de semana e devo visita-la na terça. Para quem não queria entregar o caderno, você parece bem interessada na minha opinião.

- Não estou, mas não é como se eu pudesse fugir disso então por que não acabar logo com tudo?

- Sei, sei. Tudo bem, conversaremos mais no próximo encontro. Vejo você na terça.

- Ótimo! Faz um favor para mim? Traga uma New York cheesecake do Le Cirque, estou morrendo de vontade.

- Le Cirque... esse não é o restaurante preferido de Castle?

- Não sei o que você quer dizer com isso... só pela graça, passe no Remy´s e me traga um bacon burguer e um milk-shake de morango.

- Sim, madame. Algo mais? Talvez um vestido da Carolina Herrera ou um casaco da Burberry?

- Para que ia querer isso?

- Sei lá, talvez seja o tipo de coisa que Castle daria a você.

- Ok, a brincadeira acabou. Vou voltar para a varanda e ouvir o canto dos pássaros, estou quase cantando a música completa de tanto que os escuto cantar.

- Você pode fazer outras coisas... está entediada, Kate.

- Você também ficaria, nem me exercitar posso ainda, segundo o médico somente em duas semanas quando completo dois meses de cirurgia.

- Pense em algo. Preciso ir. Até depois.

Kate desligou o telefone. Suspirou profundamente. Dana tinha razão. Aquele lugar e a ideia de não fazer nada a deixava entediada. O que poderia fazer? Foi então que ela percebeu que não era somente o ato de conversar, ela sentia falta da companhia. Especificamente da companhia de Castle porque sabia que mesmo no meio do nada, ele saberia o que fazer ou dizer para mantê-la ocupada e entretida. Mas Castle não estava em sua vida, ela o afastou por várias razões. Ele não era uma opção.

Calada e fitando as árvores a sua frente, ela chegou a outra conclusão. A pessoa de Castle não era uma opção, mas seus livros sim.

Ela entrou em casa procurando por uma das malas que trouxera para a cabana. Sim, ela trouxera seus exemplares autografados de Heat Wave e Naked Heat. Serviu-se de vinho, sentou-se no sofá. Acariciou a capa de sua cópia de Heat Wave repetindo o gesto com a página da dedicatória e começou a ler entrando no mundo de fantasia de Rick Castle. Agora não sentiria mais sozinha, estava acompanhada da detetive Nikki Heat e do sagaz jornalista Jameson Rook.

Castle voltara da sua turnê na costa oeste no sábado. Estava cansado. A filha o abraçou com carinho e quis saber detalhes da viagem. Sem muita vontade de falar no assunto, ele procurou ser o mais direto possível comentando o que acontecera nas cidades por onde passou. Alexis percebeu que o pai estava cansado, porém havia outra coisa incomodando-o. Havia tristeza em seus olhos.

- Está tudo bem, pai?

- Claro, filha. Só estou cansado da viagem. Venho acumulando horas de sono, nada que uma noite para relaxar em minha própria cama não resolva.

- Está com fome, quer que eu prepare um sanduiche ou quem sabe uma omelete?

- Não, quero tomar um banho e me jogar na cama – ele deu um outro abraço na filha, beijou-lhe o rosto – boa noite, Alexis. Conversamos amanhã.

- Boa noite, pai.

Castle seguiu para o seu quarto. Jogou a mala no canto e começou a tirar o casaco, o paletó e a blusa. Sentou-se na cama. A posição em que se colocara parecia de alguém que carregava o mundo nas costas. Entretanto, não era o jetlag ou a falta de sono que o deixaram assim. Ele estava triste porque no caminho de volta para Nova York, se pegara pensando em Kate. Dois meses sem notícias, sem um telefonema dela. O pouco que sabia era por Dana, ainda assim eram migalhas.

Toda essa situação o deixava frustrado e irritado. Será que os últimos três anos juntos não significaram nada para ela? Mesmo que não quisesse continuar um relacionamento íntimo, seria tão difícil pegar um telefone e dizer “oi, Castle! Só queria que soubesse que estou bem. ” Esfregou os olhos com as mãos, terminou de tirar a roupa e foi tomar uma ducha. Vinte minutos depois, ele estava de pijamas com uma taça de vinho na cabeceira da cama. Bebeu-a e deitou-se para dormir.

O esgotamento o fez adormecer muito rápido, porém por apenas três horas. Ele acordou e sua mente tornou a pensar em Kate. Ele chegou a pegar o telefone e passar pelo menos uns cinco minutos fitando a tela tentando decidir se ligava ou não para ela. Quase três da madrugada não era um bom momento para isso. Desistindo, forçou-se a dormir.

Na manhã seguinte, ele acordou por volta das nove sentindo-se bem melhor. Encontrou a cozinha vazia, nem sombra de Alexis ou de sua mãe. Isso era um bom sinal. Poderia desfrutar de alguns momentos sozinho com seus pensamentos. A noite de sono acabou fazendo Castle refletir sobre qual seria seu próximo passo. Sua volta a Nova York tinha dias contados. Gina já avisara que ele deveria começar a turnê na costa leste dali a quatro dias. Só havia uma forma dele desistir dessas viagens. Kate. Se ela ligasse para ele ou pedisse para encontra-lo, ele desistiria de tudo por ela.

Porém, estava cada vez mais claro que essa possibilidade era quase nula de acontecer. Ele preparou seu café, fez alguns ovos e esquentou pão. Após comer, encheu a caneca com café novamente e foi para o seu escritório. Estava na hora de falar com Dana e acabar com suas dúvidas de uma vez. Dois toques e a terapeuta atendeu.

- Olá, Dana. Ainda se lembra de mim? – hum, parece que essa pergunta estava virando moda aos ouvidos de Dana, ela pensou.

- Castle... está de volta a Manhattan?

- Sim, a turnê da costa oeste acabou. Falta a da costa leste. Estou querendo saber de outra pessoa. Como ela está? Você me prometeu notícias, mas já faz algum tempo que não faz isso. Está me escondendo alguma coisa?

- Não, Castle. Não estou escondendo nada de você. Seus horários não ajudavam nossa comunicação. Além do mais, não há muito o que contar. Kate está melhor, física e psicologicamente. Ainda não é a pessoa que ambos esperamos, mas está evoluindo aos poucos. Ela continua afirmando não se lembrar do que aconteceu no funeral de Montgomery, o que significa que não tem ideia da sua declaração. Quanto ao seu relacionamento, aos poucos estou tentando faze-la falar. Kate insiste que não existem uma relação com você, porém posso ver em seus olhos que isso não é verdade.

- Eu não entendo, Dana. Isso é normal? Ela deveria se lembrar com o tempo, não?

- A mente humana não funciona com um manual de instruções. Cada pessoa age diferente em determinada situação. O tempo de recuperação é relativo. No caso de Kate, o trauma criado sobrepôs outro já existente. Há pouco tempo atrás, ela sofria crises de pânico. Agora está com PTSD. Ninguém me contou, eu vi como ela ficou após um pesadelo com meus próprios olhos. Está tomando remédios, está melhorando.

- Por que ela faz questão de me ignorar? Ela disse que ligava, mas já faz dois meses! Por que faz isso? Sou tão insignificante assim que ela não pode ao menos pegar o telefone e apenas dizer “hey, Castle. Estou bem e fique longe de mim, seu idiota...”

- Castle, você está exagerando. Tente se colocar no lugar dela. Estou afirmando para você que o sentimento de Kate não mudou. Ela está com saudades. Outro dia falou sobre isso, são pequenas coisas. Ela comentou que sente falta de tomar o café que você trazia para ela, algumas vezes fica entediada, mas ainda está em recuperação. Você precisa entender que irá demorar mais um pouco.

- Se sente falta do café, eu posso leva-lo até ela, fazer uma visita. Preciso vê-la, Dana.   

- Não é assim que funciona, Castle. Ela continua confusa e tem um certo receio de me deixar cavar sua mente e pressiona-la com relação ao relacionamento de vocês. Se aparecer lá, sem ela o ter chamado, pode comprometer o que já alcançamos e pior, fazer com que ela perca a confiança em mim. Se isso acontecer, perdemos muito e será bem mais difícil para que Kate o veja do jeito que deseja.

- E eu, Dana? O que devo fazer? Esperar pela eternidade? Eu tenho sentimentos também, estou com saudades dela. Preciso ao menos vê-la e ter certeza que o tal do “estou bem” não é da boca para fora como já ouvi milhares de vezes. Eu passei um mês longe da cidade, aparentemente nada mudou exceto que eu estou cada vez mais irritado, cansado de não ter a chance de me pronunciar ou ajudar nessa situação. Meus sentimentos estão sendo jogados na lata do lixo, como se não fossem importantes. Como quer que me sinta?

- Não pense que eu não sei o que está passando. Reconheço que é frustrante, gostaria que existisse outra maneira, mas qualquer decisão que tomemos nesse momento, se o levar para vê-la, iremos arruinar tudo.

- Dana, eu deixarei a cidade novamente daqui a quatro dias. Passarei mais um mês viajando, se você está me dizendo que não poderei me encontrar com Kate, então talvez seja melhor eu esquecer tudo isso e focar na minha turnê. Se um dia Kate quiser falar comigo, pode me procurar. Só não garanto estar disposto a recebe-la. Estou cansado de ser aquele que sempre deve abrir mão do que quer, entender ou correr atrás. Acredito que sou eu quem precisa de um tempo de tudo isso agora.

Ouvir aquelas palavras de Castle cortava o coração de Dana. Sabia o quanto ele a amava e o quanto já sacrificara por ela. Para quem olhava de fora, Kate parecia a vilã da história. Infelizmente, com todo o sofrimento de Castle, essa não era a verdade.

- Eu sinto muito, Castle. Como terapeuta é meu dever proteger a continuidade da minha paciente. Eu não desisti do que prometi a você. Eu farei Kate enxergar que não pode ficar sem você. Se serve de consolo, ela chamava por você no pesadelo. Acordou chorando.

- Isso não diz muito para mim nesse momento. Também sinto muito, Dana. Sei que tem que fazer seu trabalho e nunca duvidei que quer o melhor para Kate. Está na hora de focar nas minhas outras prioridades. Obrigado pelo que vem fazendo, significa muito para mim.

- Castle, qual o café preferido de Kate?

- Grande skim latte two pumps sugarfree vanilla, por que?

- Além da curiosidade, estou pensando em fazer algo... ainda quer que eu dê notícias dela?

- Melhor não, assim consigo seguir em frente. A menos que... – ele calou-se por uns segundos – somente se Kate lembrar do que disse a ela no funeral.

- Tudo bem. Eu entendo. Boa viagem, Castle. Eu vou esperar você voltar a Nova York para autografar minha cópia de Heat Rises.

Ele desligou o telefone. O peso em seus ombros voltara, mas era hora de voltar para sua realidade. Castle iniciou uma nova ligação em seu celular.

- Gina, é sou eu – ele ouviu um pouco o que a editora dizia – sim, a viagem de volta foi boa. Cansativa, mas isso faz parte. Eu estava pensando, você me falou que deveria começar a turnê da costa leste na próxima quinta. Você acha que pode antecipar para terça? – novamente ela resmungava do outro lado da linha – eu sei que não é tão fácil, que tem que verificar com os eventos, hotel, estou fazendo um pedido apenas e não me importo de trabalhar um dia a mais – Gina falou algo mais – obrigado por tentar. Eu espero sua ligação.

Terça

Castle abraçava a filha. Alexis não acreditava que mal o pai ficara quatro dias com ela e já ia passar mais um mês longe dela. Dando um beijo na bochecha, ele pegou a mala e saiu pela porta. Seu voo para Atlanta era dali a duas horas e com sorte chegaria a tempo no JFK. Gina conseguira uma nova tarde de autógrafos para ele em outra livraria da cidade e isso o manteria ocupado na quarta. Quinta, sua agenda iniciara conforme o planejamento feito pela editora.

Dana pegara a estrada por volta das sete da manhã. Deveria chegar na cabana quase na hora do almoço. Tinha um plano para executar e talvez conseguir algo mais concreto de Kate em relação a Castle. Quando chegara perto da cabana, ela fez um pequeno desvio parando na última área de descanso antes da cabana. Com o seu copo térmico, ela desceu do carro.

Ao chegar na cabana, encontrou a varanda vazia. Checou o relógio. 11:45. Ela devia estar terminando o almoço. Entrando na casa, sentiu o cheiro gostoso que devia estar saindo da panela. Kate estava sentada no sofá com seu livro Naked Heat aberto no colo, olhos atentos as páginas.

- Kate?

- Oi, Dana... – ela fechou o livro rapidamente dando a impressão a terapeuta que se pudesse esconderia o que tinha em mãos – pensei que você viria somente a tarde.

- Se viesse iria acabar ficando por aqui e preciso voltar a Nova York. Fico feliz que esteja lendo suas aventuras. Saudades do escritor?

- Não tinha o que fazer e acabei achando esses livros entre as minhas coisas e... – ela viu o olhar de reprovação da amiga – o que foi?

- Como você tem coragem de mentir para mim? Você está entediada sim, porém não foi por isso que pegou exatamente os livros que Castle escreveu sobre você para ler. Está com saudades dele. Está na sua cara. Eu vi como devorava as páginas quando entrei. Sequer percebeu que tinha outra pessoa aqui. Não tente negar. Na verdade, foi bom eu ter chegado aqui e visto você tentando encontrar uma forma de manter Castle na sua vida. Fico feliz com isso. Pena que ele não possa ver.

- Como assim?

- Eu falei com ele alguns dias atrás quando voltou a Nova York da sua turnê da costa oeste. Lógico que ele perguntou por você. Aliás foi a primeira coisa que quis saber. Como você estava. Ele também sente saudades, Kate. Infelizmente com a promoção de Heat Rises, tempo tornou-se um artigo de luxo para Castle. Ele mal chegou e já viajou novamente – Dana pode perceber a mudança na linguagem corporal da amiga, ela estava quase desapontada com o último comentário – isso aqui é para você, ele pediu para entregar sem dizer que tinha sido ele, só que não concordo em omitir quem foi o dono da ação – ela entregou o copo térmico para Kate.

- Você falou do café para ele. Não devia, Dana – mas o semblante de Kate já amenizara começando a despontar um sorriso ao sentir o calor e o aroma do café nas suas mãos.

- Não falei, ele que pediu. Disse que talvez fizesse bem a você – uma pequena mentira não faria mal a essa altura. E Dana tinha razão. Ao levar o copo aos lábios e sentir o gosto da bebida pela primeira vez, um sorriso genuíno despontou em seus lábios. Kate fechou os olhos e saboreou literalmente o momento. Tanto que sequer percebeu que Dana sorria e tirava fotos dela. Tornou a beber o café e deixou um sussurro escapar.

- Oh, Castle... – ficou entretida com o café durante pelo menos o tempo necessário para beber metade do copo, quando Dana a interrompeu.

- Está se sentindo bem melhor, não? Esse café faz maravilhas a você. Castle sabe das coisas.

- É muito bom e o gesto também.

- Que bom que gostou e isso te colocou de bom humor porque temos que conversar sobre seu caderno hoje. Mas antes, posso usar seu banheiro?

- Claro, você sabe onde é. Vá em frente – Dana a deixou com o café. A ida ao banheiro era outra desculpa. Ela queria muito dividir esse momento com Castle. Vendo as fotos que tirara, inclusive uma do livro que Kate lia, anexou-as em uma mensagem para o escritor que dizia “ esse sorriso é por sua causa, café e você, Castle”. Sorrindo, ela esperava que essa imagem servisse para deixar o coração do escritor mais leve. Voltando a sala, ela encontrou Kate mexendo na panela.

- O almoço está pronto. Carne com batatas e gengibre. Quer provar?

- Por que não? – elas sentaram à mesa e fizeram a refeição. Uma hora depois, segurando um copo com agua nas mãos, Kate sentou-se no sofá. Dana ficou de frente para a amiga.


- Então, pronta para ouvir o que achei do seu caderno?


Continua....

2 comentários:

cleotavares disse...

E agora D. Kate? Vai abrir o jogo, digo o coração?

Luciana Carvalho disse...

Aiiii deusss, acaba logo com essa tortura!!! Oowww Kate complicada!!!
Quero vê-la atrás dele, pedindo perdão igual a always!!! kkkkkkkkkkk