quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

[Castle Fic] The Mistletoe




The Mistletoe
Autora: Karen Jobim
Classificação: NC-17
Gênero: AU
Advertências: Sexo, Romance – Em algum lugar depois de 3x22 e antes da SF.
Capítulos: One-shot
Completa: [x ] Sim [ ] Não

Resumo: É tempo de natal e mesmo o 12º distrito deve comemorar, qual será o presente que Papai Noel reserva para Beckett?


Nota da Autora: Uma fic rápida, meu presente de natal para vocês. Apenas para diversão. E claro, NC-17!!! Be aware!!!



Feliz Natal!



The Mistletoe


Inverno em New York. Dezembro. Ruas molhadas pela neve que teimava em cair de tempos em tempos deixando as calçadas brancas por alguns minutos e depois sujando-as. Beckett tinha pena dos funcionários da limpeza de ruas. Eles nunca tinham folga durante o inverno. Com os milhares de turistas que viajavam para a cidade para passar o natal e o ano-novo, o prefeito queria ter certeza que eles não decepcionariam.

Beckett andava pela calçada. Calça jeans, uma blusa de gola alta vermelha e o sobretudo preto combinando com o par de botas que ela calçava. Para fechar a vestimenta, uma pashemina vermelha. As luzes de natal estavam em todos os lugares bem como seus enfeites. Ela achava muito bonito todas as decorações das vitrines, as árvores de natal e os bonecos de neve no Central Park. Porém, esse ano ela não tinha muito o que comemorar, aliás a alguns anos ela não apreciava o feriado. Seu pai já ligara chamando-a para passar a data com ele mas Beckett não estava muito a fim de visita-lo.

Um carro passou em alta velocidade espirrando água derretida de neve bem na altura de sua calça molhando também seu sobretudo apesar do esforço de desviar-se e quase escorregar na calçada o que seria bem pior.

O dia não começava nada bem para a detetive Beckett.

Ao chegar na sua mesa, notou que Castle ainda não aparecera por lá. Ótimo, pensou. Ela não estava de bom humor mas precisava de café. Isso significava que precisava de Castle.

Como um passe de mágica, ela o viu saindo da pequena copa do distrito com uma caneca de café e uma sacola bem grande. Ela franziu o cenho.

- Comprou toda a cafeteria hoje, Castle?

- Bom dia, Detetive. Café?

Ele colocou a caneca fumegando sobre a mesa dela. Em seguida, ele sentou-se na sua cadeira cativa e abriu a sacola. Tirou de dentro dela uma pequena arvore de natal toda enfeitada com luzes e colocou na mesa dela.

- O que você está fazendo Castle?

- Trazendo um pouco do espírito de natal para o distrito e especialmente para você. Afinal já passamos da quinzena, menos de dez dias para o natal.

- Porque você insiste em fazer as coisas sem minha permissão?

- Porque você não aprovaria.

- Com certeza não iria!

- Ah, come on Beckett, é natal! Na verdade estava conversando com os rapazes e que tal fazermos um amigo secreto? Vocês não fazem confraternizações por aqui?

- Não.

Ela fechou a cara e virou-se para o computador.

- Não acredito em você por isso vou conversar com o Capitão.

Ela revirou os olhos claramente mostrando para ele que estava incomodada. Quando Castle virou-se para procurar Montgomery, ela deixou um sorriso escapar. Ela não ia admitir mas achou o gesto muito fofo. Exceto pela idéia dele de amigo secreto, porque ele sempre parecia estar de volta ao colégio?

Kate passou o dia todo organizando papeladas do ultimo caso. Ela sabia o quanto Castle detestava papelada e deveria ser esse o motivo pelo qual ele sumiu o dia inteiro. Beckett se espreguiçou na cadeira alongando os braços sobre a cabeça e movendo o pescoço de olhos fechados justamente quando Castle voltava a aparecer na frente dela.

- Oh, detetive... continue o alongamento.

Um sorriso malicioso formou-se nos lábios dele. Beckett assustou-se com a voz e tentou se recompor rapidamente.

- Onde você esteve Castle? Escrevendo o quanto Nikki Heat odeia cuidar da papelada?

- Não, eu estava resolvendo uns últimos detalhes da nossa festa de natal. Bloqueie sua agenda Detetive Beckett. Dia 22, às 7 da noite na minha casa. Que tal? Ah, e amanhã teremos o sorteio do amigo secreto.

- Como você faz tudo isso? Você não deveria estar escrevendo outro livro de Nikki Heat?

- Porque essa preocupação toda com meus livros? Ah, Beckett vamos aproveitar o natal. Estou torcendo para você ser minha amiga secreta. Bem, vou indo até amanhã.

- Boa noite, Castle.

Ela olhava para o monitor com olhos perdidos. Como ele conseguira convencer o Capitão a isso? Agora ela não podia cair fora. Festa de natal na casa de Castle. Isso não era uma boa idéia. Desde aquela noite em LA ela se pegara pensando no que aconteceria se ela tivesse encontrado ele ainda naquele sofá.

Ela mordeu os lábios.

Kate sabia o que aconteceria. Ela estava disposta a ceder. Talvez eles tivessem se beijado, dado alguns amassos e bem, provavelmente transado. E depois se arrependeria, diria que fora apenas sexo e continuaria a trabalhar com ele como se nada de mais tivesse acontecido. Não mesmo! Para ela, não seria tão simples, não seria apenas sexo.

Ela gostava de Castle. Ele não seria apenas one-night stand. Beckett colocava sua armadura e a máscara para evitar qualquer vacilo. Não queria transparecer que gostava dele, muito. Ela até se surpreendeu com o tanto de sentimentos que ela nutria por ele. Tentava esconder mas aparentemente todos parecia saber, mesmo Mike deixara claro na última carta que escrevera para ela.

O único alheio a tudo era o próprio sujeito em questão. Castle nesse ponto era demais desligado. Será que fazia isso de propósito ou era parte da sua personalidade? Sempre que uma mulher se colocava entre os dois, ela morria de ciúmes e ele nem percebia sua irritação.

Ora, Kate você é a principal culpada por isso. Você se fechou. Não tem o direito de reclamar ou questionar o comportamento de Castle. Sabia que ele gostava dela mas o quanto? Era apenas amizade ou teria algo mais? Gostava de pensar que sim, que Castle apenas precisava de uma chance para demonstrar o quanto ela era importante para ele. Contudo, estaria ela pronta para passar por isso?

Então, um pensamento contraditório surgiu em sua mente. O que ela estava fazendo? Ela tinha namorado! Como poderia estar pensando em outro homem? Um namorado que raramente estava presente, que a trocava constantemente por viagens ao redor do mundo para salvar vidas, um gesto muito bonito para o mundo só que não agregava em nada a sua vida. Poderia até ser uma atitude egoísta mas para que estar namorando apenas para dizer que não estava sozinha se era exatamente assim que se sentia na maior parte do tempo?

Ela salvou o documento que estava escrevendo e desligou o computador. Pegando seu sobretudo, foi para casa.

No dia seguinte, ela chegava com um certo atraso. Ontem tivera uma discussão com Josh e o inevitável acontecera. Eles terminaram. Castle já estava sentado ao lado da mesa dela esperando. Tirou o sobretudo e pendurou na costa da cadeira.

- Olá, Detetive! Café?

- Sim, nossa que frio faz lá fora.

- Assim que terminar de se esquentar com esse delicioso expresso, sua presença está sendo esperada na sala do Capitão.

- Temos um caso?

- Não, sorteio do amigo secreto.

Ela olhou para ele não acreditando.

- Sério? De verdade?

- Hum hum...

- Ninguem trabalha mais nesse lugar?

- Jingle Bell, jingle Bell...

- Vamos logo acabar com isso.

Ela se levantou e Castle foi atrás dela. Ao chegar na sala, viu que os rapazes conversavam animadamente com o Capitão.

- You better watch out, you better not cry, you better not shout I tell you why… Santa Claus is coming to town…

- Está animado hein, Castle?

- Adoro a época de natal.

- Não podia ser diferente, ou vocês ainda não repararam que ele não cresceu?

- Ouch! Essa doeu! Oh, Beckett dá um desconto vamos curtir a época festiva.

- Até você Esposito?

Ela sorriu. Castle pegou um gorro de papai Noel e colocou sobre a mesa. Numa folha A4, escreveu o nome de todos que participariam da brincadeira. Mostrou ao grupo e tornou a falar.

- Todos os nomes estão aqui inclusive o de Jenny e Lanie que vocês devem jurar que não abrirão, é pra elas se não a brincadeira perde a graça. O valor do presente é variável, vai da imaginação de cada um.

- Espere, não vamos estabelecer um limite?

- Não. Fica a critério de cada um.

Castle colocou os papéis dobrados no gorro. Balançou o saco e ofereceu a Beckett em seguida, ele passou o gorro para Esposito.

- Espere um instante, como vamos garantir que Lanie ou Jenny não tiraram a si mesmas?

- Pra isso eu chamei alguém imparcial.

- Hey, pessoal!

- Alexis?

- Olá Detetive Beckett!

Eles continuaram a tirar o papel e Castle foi o último a por a mão no saco.

- Então, alguém se tirou?

As respostas todas foram negativas.

- Ótimo! Então boas compras e vejo vocês depois de amanhã.

Beckett saiu da sala um pouco aliviada. Tirara Esposito restava apenas torcer para que ele não tivesse sorteado a ela. Sabe lá o que ele lhe daria de presente?!


Apartamento de Castle
7: 30 pm


Ele verificava se tudo estava em ordem. Bebidas, iluminação, aperitivos e o jantar. A árvore de natal estava iluminada e bem decorada. O som tocava canções de natal clássicas. O Capitão Montgomery foi o primeiro a chegar, seguido por Esposito e Lanie. Ryan e Jenny apareceram quinze minutos depois com uma garrafa de vinho. Castle estava nervoso, onde estava Beckett?

Kate Beckett relutou por várias vezes se deveria vestir-se de maneira casual ou se deveria realmente se arrumar. Depois de avaliar seu guarda-roupa, ela optou por um vestido preto, clássico com um decote nos seios e na altura do joelho. Maquiou-se, arrumou o cabelo e botou perfume. Satisfeita ao olhar-se no espelho, ela sorriu e pegou sua bolsa e o presente. Jurou para si mesma que ia aproveitar a noite afinal essa seria provavelmente a única festa de natal que iria. Desceu para pegar um táxi.


XXXXXXX

Estavam todos bebendo e conversando quando a campainha tocou. O coração de Castle quase saiu pela boca ao vê-la a sua porta. Estava linda. Ele abriu um sorriso e não pode deixar de comentar.

- Deslumbrante, Kate...

Ela sorriu ao perceber que ele ficara meio lerdo ao vê-la assim. Ponto pra ela que acertara no visual. Cumprimentou a todos e sentou-se ao lado de Lanie que sussurrou.

- Se seu objetivo era matar Castle do coração, conseguiu. Olha como ele virou o copo de whisky.

Castle estava tentando se recuperar da entrada monumental de Beckett em sua casa. Foi até a geladeira e serviu uma taça de vinho branco para ela. Beckett agradeceu e tomou um gole. Enquanto os outros conversavam e apreciavam os petiscos, Castle estava literalmente vidrado nela. Não conseguia tirar os olhos da bela mulher à sua frente. Ele a admirava trabalhando, interrogando suspeitos, efetuando prisões e agora tivera a chance de admira-la mais uma vez apenas sendo feminina. Tudo que ele gostaria era poder ficar a sós com ela e dizer o que ele vinha protelando a algum tempo e apenas se intensificou após aquele beijo e à ameaça de morrerem congelados.

Foi Ryan quem o tirou de seus devaneios ao questionar.

- Quando vamos começar a brincadeira, Castle?

Nada.

- Castle?

Foi Beckett quem deu o grito.

- Hey, Castle!

- Ahn? O que?!

- O amigo secreto, quando vamos começar?

Alexis ria sozinha do jeito do pai. Ele era um desastre em se tratando de disfarce.

- Depende de vocês, preferem agora ou depois do jantar?

- Agora!

- É, agora para comermos com calma.

- Ok, coloquem os presentes na mesinha de centro. Quem deve começar? Quer escolher Beckett?

- Acho que o Capitão pode ser uma boa escolha...

Castle soltou um gemido em protesto, queria que ela começasse. Estava curioso para saber quem ela tirara. Montgomery se levantou com uma caixa pequena nas mãos. Não faria rodeios para dizer quem tirara.

- Bem, o meu amigo secreto é especial. Firme, determinada e me orgulho de trabalhar com ela todos os dias. A melhor detetive da NYPD, Kate é você!

Beckett se levantou sorrindo. Agradeceu ao capitão, abraçou-o e beijou-o desejando feliz natal e já ia pegar seu presente quando Castle chamou sua atenção.

- Você tem que abrir o presente para todos verem!

Ela virou a cabeça e sorriu pra ele. Não contrariou-o e abriu a caixinha. Era um par de brincos muito delicados. Ela agradeceu novamente o capitão.

- Agora é minha vez. O meu amigo secreto é uma pessoa persistente, trabalho com ele a alguns anos e ele também tornou-se meu amigo. Conhecido por falar algumas verdades por meio de indiretas.

Castle sorria já se sentindo o dono do presente.

- E ainda é um cara bonito e presença.

- Ah, Beckett você me tirou?

Ela olhou pra Castle e arregalou os olhos para logo depois revira-los.

- Não Castle, meu amigo secreto é o Esposito.

O sorriso desapareceu da cara de Castle dando lugar à decepção. As trocas de presente continuaram e Castle havia tirado o Montgomery , Lanie o tirara. Ao terminar a brincadeira, todos estavam satisfeitos com os presentes. Ele foi checar o jantar e em alguns minutos consultou se estava tudo em ordem. Voltando a sala encontrou todos conversavam com animação inclusive Alexis que se envolvera num papo bem entusiasmado com Beckett arrancando gargalhadas dela. Castle adora aquela gargalhada. Ele tocou um sino e chamou:

- O jantar está servido! Vamos sentar à mesa.

Eles se locomoveram para a mesa e Castle puxou a cadeira a sua direita para que Beckett sentasse. Ao inclinar-se até ela, sussurrou.

- Você deveria sorrir e gargalhar mais vezes, além de ficar linda, o som é incrível.

Beckett sentiu o estomago revirar por conta das palavras de elogio. O que ela temia acontecer, já começara. Castle estava disposto a elogiar, flertar e sabe lá o que mais. Ela procurou o copo de bebida mas o mesmo estava vazio.

- Hey, Castle! Acabou a bebida?

- Não Beckett, é hora do brinde. Encham seus copos com o vinho ou whisky para que possamos brindar. Tenho algumas palavras a dizer.

- Discurso, pai?

- Apenas algumas palavras.

Todos viraram-se para observá-lo. Castle ergueu o copo e começou.

- Apenas gostaria de agradecer a presença de vocês na minha casa. Nesses três anos que estou convivendo com cada um de vocês, aprendi muito. Considero todos meus amigos pessoais, minha segunda família. Quem diria que um imitador barato dos meus romances poderia trazer tantas coisas boas à minha vida? Tudo bem que já quase a perdi algumas vezes e apesar de alguns desentendimentos no trabalho certo Beckett? Eu adoro investigar junto com vocês.

Ele olhou diretamente para Beckett.

- Pra encerrar, tenho um agradecimento especial a você Kate, por ser minha musa e ainda depois de três anos me surpreende com sua força, determinação e sua preocupação pelas vitimas. É uma honra ser seu parceiro, Kate. Feliz Natal pessoal!

Todos aplaudiram e Esposito começou a assobiar e mexer com a detetive. Beckett ficou sem graça e virou o copo para disfarçar a vermelhidão que invadia seu rosto. Ele sentou ao lado dela e começaram a comer. Depois de alguns minutos, ele roçava propositalmente seu braço no de Kate, esbarrando, mantendo contato. Por alguns instantes, ela pode sentir o perfume masculino dele e chegou a suspirar e fechar os olhos.

Lá se ia mais uma taça de vinho. Laney tirou sua atenção ao perguntar do jantar.

- Quem fez o jantar Castle? Está tudo maravilhoso!

- O peru encomendei mas as batatas e os complementos foi eu com a ajuda da Alexis. A sobremesa também é por conta dela.

- Nossa, não sabia desses seus dotes. Você é um ótimo partido – olhando para Beckett- se soubesse disso antes teria investido já que aparentemente ninguém quer...

Beckett engoliu em seco e deu aquele olhar matador para a amiga. Castle apenas sorriu. Gostava da indireta da amiga para ela.

Terminado o jantar, ele convidou a todos para continuarem bebendo na sala e também apreciarem a sobremesa e o café. Beckett sentiu a cabeça leve ao levantar-se da mesa. Decidiu por parar de beber. Precisava de doce. Castle colocou um CD de natal para tocar. A melodia suave de canções clássicas como Let it Snow invadiram a sala. Ele mesmo começou a cantar:

Oh the weather outside is frightful
But the fire is so delightful
And since we've no place to go
let it snow, let it show, let it snow

Empolgando-se ele puxou Beckett para dançar e continuou cantando. Ela se assustou à princípio e começou a rir. Entrou na dele e rodopiavam na sala. Ela começou a cantar também.


It doesn't show signs of stopping
And I've bought some us corn for popping
The lights are turned way down low
let it snow, let it snow, let it snow


Os outros batiam palmas e incentivavam. Com uma pequena repreensão de Laney, eles acabaram por se entreter e deixaram os dois curtirem o momento. Castle cantou olhando para ela intensamente.


When we finally kiss goodnight
How I'll hate going out in the storm
But if you'll really hold me tight
All the way home I'll be warm


Kate deu um sorriso tímido para ele. A forma como ele a abraçava em seus braços era tão envolvente, gostosa. Sentiu o arrepio percorrer a espinha quando ele a puxou para mais perto sussurrando a canção no seu ouvido.


The fire is slowly dying
And, my dear, we're still goodbying
But as long as you love me so
let it snow, let it snow, let it snow


A música foi silenciando e eles permaneceram no embalo, absortos no momento. Alexis anunciou a sobremesa e isso os fez sair daquele momento íntimo. Tentando se recompor, Beckett foi logo pegar o doce. Calada, devorou a tigela mas percebeu que os olhos dele não saiam dela. Aquele momento fora tão intimo e sutil. Ela podia continuar dançando com ele a noite toda. Servindo-se de café, ela percebeu o momento que a amiga sentou ao lado dela.

- Foi bem interessante esse jantar não acha, Kate? Castle realmente tem jeito para essas coisas e um jeito todo especial quando se trata de você.

- Laney, por favor...

- Ah, Kate por favor digo eu! Olha pra ele, a noite toda te paparicando, te agradando, te olhando.... eu tinha dito que ele era divertido uma vez para você, só que ele é mais que isso. Muito mais, garota. Se dê uma chance...

Ela terminou o café e ofereceu-se para ajudar Alexis a levar os pratinhos de sobremesa para a cozinha.

- Vou levar esses aqui e aproveito para pegar o chantilly para o café conhecendo o Castle duvido que ele não tenha isso na geladeira.

- Você disse chantilly? É claro que tenho.

Ele se levantou. Queria apenas um motivo para estar perto de Beckett naquela noite. Ela estava colocando as louças sobre o balcão e Alexis a entregou o chantilly. Por impulso, Beckett espirrou um pouco nas costas da mão e lambeu calmamente o creme.

Ao ver aquela imagem, Castle ficou paralisado. A forma como ela gentilmente tirava o creme da mão com a ponta da língua o fez gemer baixinho. Ela ouviu e um pequeno sorriso formou-se no canto dos lábios. Instigando, ela espirrou um pouco mais e repetiu o gesto. Dessa vez, se demorou apenas para observar o jeito dele.

Castle mordia os lábios e sentiu a fisgada na virilha. Sua mente pensou um monte de besteiras ao ver Beckett agindo daquela forma na sua frente. Será que ele não vai ter a chance de desfrutar disso?

- Delícia... vai ficar ótimo com o café expresso.

Ele ainda estava de boca aberta na frente dela. Fez um esforço para falar.

- Vejo que ...você já ... o chantilly...

- Algum problema Castle?

Alexis estava segurando o riso. Seu pai tinha ficado mesmo em uma situação bem delicada. Ao ver Beckett caminhar ao encontro dele reparou no enfeite pendurado sobre a cabeça deles.

- Mistletoe!

Castle olhou para a filha e depois para Beckett que segurava o creme nas mãos. Ela assustou-se e foi conferir o que a menina dissera. Acima de sua cabeça estava lá o galhinho. Beckett já sabia o que viria a seguir.

- É tradição, detetive Beckett. Você está debaixo do mistletoe com alguém. Deve beijá-lo.

- Isso mesmo – era Martha quem falava – tradição de natal e trás sorte.

Castle olhava para ela ansioso para saber o que faria. Se ela fosse contra, a beijaria na marra. Porém, o que ele viu nos olhos de Beckett foi um reflexo de desejo. Sorrindo ela inclinou o rosto para ele e Castle envolveu seus lábios com os dela. Sentiu a nuca ser pressionada pela mão de Beckett.

O beijo fora de poucos segundos, era verdade, porém suficiente para despertar o desejo de ambos. Quando ela separou-se dele, mantinha o olhar fixo nos lábios dele e passou a língua automaticamente sobre os seus.

- Feliz Natal, Kate...

Ela voltou a fitá-lo. Abriu um sorriso.

- Feliz Natal, Rick.

Disfarçando com o chantilly, ela desviou o olhar dos demais presentes. Seus amigos foram discretos o bastante para não comentar o que acabara de acontecer. Castle resolveu oferecer um licor a Montgomery a fim de desviar o foco da última cena. Contudo, ele não conseguia esquecer o gosto dos lábios dela, café e chantilly.

Beckett serviu-se de mais um pouco de café e adicionou o chantilly. Martha observava de longe o jeito dela e comentou para Alexis.

- Dessa vez acho que a policial se rende.

- Tem certeza, vó?

- Ah Alexis, Beckett é durona mas não é de ferro. Ela gosta do seu pai e o clima de natal pode ajudar a esses dois de uma vez. Sugiro você sair ou dormir fora de casa hoje. Não podemos atrapalhar.

- Eu vou ligar para o Ashley, pegar um cinema depois vejo se dá pra dormir na casa da Tracy.

- Faça isso, vou pegar minha bolsa e me despedir do pessoal também.

Beckett estava aérea, pensando no beijo. Era a segunda vez que eles se beijavam por motivos alheios aos sentimentos dos dois. Mesmo assim, o gesto mexia com ela, com seus sentimentos que estavam latentes quase expostos talvez pela data, pelo clima. Kate não sabia dizer, apenas sentia-se diferente.

- Terra para Kate...

- Hey....

- Eu e Laney já vamos. Te vejo amanhã.

- Até amanhã, Esposito.

- E Kate, aproveite a noite amiga. Ela é uma criança.

Ela apenas sorriu para a amiga. Em seguida, Alexis desceu com uma mochila nas costas, despediu-se de todos e disse ao pai que ia sair com o namorado e sussurrou ao seu ouvido que ia dormir fora. Ryan aproveitou a deixa para ir embora. Martha desceu já com a bolsa nas mãos, beijou o filho e saiu. Montgomery tomou a última dose do licor e despediu-se também.

Quando Castle voltou à sala, encontrou Beckett pensativa no sofá enrolando a ponta dos cabelos entre os dedos. Como ela era linda... as músicas de natal continuavam ao fundo. Ele foi até o bar e serviu mais uma taça de vinho para ela e uma dose de whisky para ele. Sentou-se ao lado dela entregando-lhe a bebida que ela agradeceu.

Agora só estavam os dois ali e Castle não queria que ela fosse embora, assim resolveu puxar conversa com ela.

- Acho que nossa confraternização foi um sucesso. Adorei ter vocês aqui.

- É, você é um bom anfitrião Castle disso não tinha dúvida. Eu quase não vinha.

Ela tomou outro gole do vinho e levantou-se tentando disfarçar indo rumo à janela. Ele foi atrás.

- Não gosto dessa época. Me sinto estranha.

- Com estranha você quer dizer triste, Kate?

Ela deu um meio sorriso. Reparou que começava a nevar. Ele a observava atentamente, colocou a mão na parte de baixo das costas dela fazendo pequenos círculos sobre o tecido de modo apaixonado e pronto para apoiá-la se ela fraquejasse.

- Eu gostei muito dessa noite, Castle. Foi quase uma viagem ao natal de alguns anos atrás. Vinhos, amigos reunidos, nozes, canções de natal, peru e agora neve. Sim, parece natal para mim.

Castle reparou que ela tinha os olhos rasos d’água. Sabia que ela estava pensando na mãe. Não queria vê-la chorar então improvisou. Enquanto ela fitava a janela lutando para controlar as lágrimas, ele pegou o controle remoto e acionou uma canção.

- Do jeito que você falou, quase descreveu uma das minhas canções de natal preferida, só esqueceu do mistletoe. Vamos dançar...

Ele a puxou pela mão e levou-a até o centro da sala. A música lenta ajudou-o a mantê-la com o corpo colado ao dele. Beckett achou o gesto tão simples e meigo que nem questionou. Posou a cabeça no ombro dele e se deixou levar pelo ritmo.


Chestnuts roasting on an open fire
Jack Frost nipping at your nose
Yuletide carols being sung by a choir
And folks dressed up like Eskimos
Everybody knows that turkey and some mistletoe
Can help to make the season bright
Tiny tots with their eyes all a-glow
Will find it hard to sleep tonight


Kate fechara os olhos e embalava o corpo junto a Castle. Lembranças da sua mãe vieram à mente. Sentiu a lágrima escorrer pelo rosto então seu pensamento voou para o beijo. Ela estava emotiva naquela noite, a música parecia deixá-la ainda mais sensível. Porém, Kate sabia que não se tratava apenas de emoções baratas da estação, era o homem que agora envolvia sua cintura quem provocava essa reação nela.


And so, I'm offering this simple phrase
To kids from one to ninety-two
Although it's been said many times, many ways
Merry Christmas to you


Castle aproveitava aquele momento raro de tê-la em seus braços assim tão vulnerável. Queria que esse momento durasse para sempre. Beckett ergueu a cabeça do ombro dele e suspirou.

- Eu sinto muito a falta dela nessa época, Rick...

E mais uma lágrima caiu pelo rosto.

- Eu sei, Kate.

Ele limpou a marca da lágrima do rosto dela.

- Qual a sua música de natal preferida Kate?

- Ah, Castle não quero mais dançar...

- Não é pra dançar, me diga.

- Have yourself a merry little xmas.

- Ótimo! Vem comigo.

Ele acionou o som e puxou-a até o pé da árvore de natal com vários presentes abaixo dela. Castle pegou um embrulho retangular e entregou a ela. Beckett parecia surpresa.

- Você não achou que eu ia deixar de comprar um presente para você mesmo não sendo minha amiga secreta...

- Castle não devia ter feito isso...

Ela abriu o presente rapidamente. Não acreditou no que ele fizera. Era um Box completo de Temptation Lane. Ele não tinha...

- Castle isso é...

- Sei o quanto você adora isso, para mim pareceu um ótimo presente.

- Oh, Castle. Obrigada! Eu não comprei nada para você.

- Calma, ainda não acabou. Esse presente foi para a detetive geek que trabalha comigo mas esse – ele entregou a ela uma caixinha menor – é para a minha musa.

Kate não sabia o que dizer. Não esperava por isso. Ao abrir a caixa, encontrou um par de brincos lindos de strass com um pequeno brilhante na ponta.

- Castle eu.... nossa! É lindo! Não sei o que dizer...

- Não precisa dizer nada, Kate. O que fiz foi de livre e espontânea vontade, apenas para te agradar e retribuir tudo o que você vem fazendo por mim nesses três anos.

- Mas eu não fiz nada por você, Castle...

- Eu podia dizer que você me deixou mais rico mas estaria sendo fútil e vazio. Você me trouxe o mistério de volta, me deu a oportunidade de conhecer uma mulher forte e destemida que ama o que faz e mesmo vivendo num mundo de homens nem por isso é perde a feminilidade, a sensualidade. Você me intriga, Kate apenas por ser quem você é.

Beckett respirou fundo. As palavras dele fizeram o seu coração disparar. Ele é muito bom com as palavras. Ela ficou tocada com a declaração. Queria retribuir de alguma forma e naquele momento ela via apenas um jeito, entregando as suas emoções.

- Castle, Rick... eu só posso te oferecer uma coisa.

Dizendo isso, ela inclinou os lábios em direção aos dele e beijou-o. Surpreso apenas por um segundo, ele puxou-a pela nuca e aprofundou o contato. As mãos de Kate deslizavam pelo corpo dele envolvendo as costas dele diminuindo a distância entre eles. A intensidade e o ritmo era ditado pelas línguas se explorando, se conhecendo. Ela mordiscou os lábios dele e sentiu a boca de Castle deslizar pelo seu rosto mordiscando o lóbulo da orelha dela. Fechou os olhos por um momento. Esse era um beijo verdadeiro, sem disfarces, sem medo, consciente. E ela queria mais.

Empurrando ele do seu pescoço, ela segurou o rosto dele com as duas mãos e passou a língua sobre os lábios dele. Depois de instigá-lo com os lábios numa dança de selinhos e mordidas, ela voltou a beijá-lo apaixonadamente. Agora era a vez de Castle explorar as curvas do corpo dela. Ombros, cintura e subindo para tocar-lhe os seios de leve sobre a roupa. Kate gemeu.

Castle quebrou o beijo e levou-a até o sofá. Deslizou os lábios pela garganta dela fazendo Beckett jogar a cabeça para trás dando a ele mais acesso. Os beijos continuaram pelo pescoço, colo e ombros. Quando ele chegou ao decote entre os seios, ela gemeu e sentiu não só as mãos dele acariciando suas pernas sob o vestido como a umidade se formar em seu centro. Ela estava excitada.

Passava a mão pelo peito dele quando sentiu a boca ser tomada mais uma vez. Ele a puxou consigo e colocou-a sentada com as pernas separadas sobre ele. Beckett continuava a beijá-lo e deslizar uma mão pelo cabelo dele e outra no peito já desabotoando a camisa. Pode sentir que ele também estava excitado. Quebrando o beijo, sussurrou ao ouvido dele.

- Onde é seu quarto Castle?

Ele sorriu.

- Lá em cima.

Ela pos-se de pé e chutou os sapatos. Puxou-o pela mão fazendo Castle se levantar. Ele a envolveu com os braços e guiou-a pelas escadas até o andar de cima. Mal chegaram no quarto, Kate o empurrou contra a porta fechada e voltou a beijá-lo. Dessa vez, o distraía com os lábios enquanto desabotoava a camisa expondo o peito dele. Castle sentiu os dedos dela passeando sobre a pele. A pontada na virilha induziu ainda mais a ereção que já se formava. Ele encontrou o fecho do vestido dela e puxou-o devagar. Delicadamente, ele deixou o tecido sobre os ombros dela deslizarem até que todo o vestido alcançou o chão.

Ali estava sua musa, vestindo apenas uma calcinha e um soutian, linda. Bem a sua frente. Castle não podia deixar de admirar o corpo perfeito, a mulher enigmática agora exposta ali apenas para ele. O sorriso no rosto dela apenas fazia do quadro algo ainda mais perfeito.

Ela aproximou-se dele e jogou a camisa no chão. Abriu a calça e em segundos ele estava de boxer. Ela podia ver o membro duro despontando sob o tecido. Ele voltou a deslizar as mãos sobre a pele dela. Kate sentia o calor das mãos sobre sua própria pele quando a boca passou levemente sobre o soutian. Gemeu e sentiu que ele a guiava até a cama. Deitou-a gentilmente e se colocou sobre ela. Ele começou lentamente a explorar cada parte do corpo dela. Os lábios percorriam pescoço, colo, seios. Ele parou particularmente ali para provocá-la com a língua e os lábios beijando e sugando ainda sobre o tecido da peça intima arrancando gemidos dela. Seguiu beijando-lhe o estômago, roçando a língua na pele fina por baixo do elástico da calcinha fazendo ela chamar por ele na tortura que passava.

- Oh,Castle...

Ele voltou a fazer o mesmo caminho por onde viera porém sorria dessa vez. As mãos dele estavam ocupadas tirando a calcinha dela. A boca beijava o abdômen liso. Ele passou pelos seios e mordiscando-lhe a garganta chegou para tomar os lábios dela novamente nos seus.

Com um movimento rápido, Beckett inverteu as posições. Era a vez dela de torturá-lo. Beckett não queria perder um minuto. Explorar era preciso. Queria se sentir excitada, emocionada. Ela usava os dedos para tocá-lo e a boca para prová-lo. As mãos livraram-se do boxer expondo o membro já pronto para recebê-la. Com uma das mãos ela o tocou massageando o membro e fazendo-o gemer. Sorriu maliciosa ao ver o desejo estampado nos olhos dele. Tomou a iniciativa de livrar-se do soutian e assim que o fez, Castle tocou os seios com as mãos. Tornou a beijá-lo e novamente inverteram as posições.

Agora sim, ele sabia que poderia levá-la à loucura e fez exatamente isso. Beijou-lhe os seios um a um e abocanhou-o enquanto beliscava o mamilo do outro. Beckett se contorcia sob ele. Sentia a umidade no seu centro aumentar. A respiração tornara-se mais pesada. Ele tocou-a com os dedos percebendo o quanto ela já estava excitada. O toque dele era rápido e preciso. Em pouco tempo, ela arqueava o corpo sentindo a primeira explosão do orgasmo a invadir. Os dedos não pararam o que faziam. A boca sugava-lhe o seio quando sentiu as unhas dela apertando o ombro dele. Retirou a mão que a tocava para acariciar o seio pequeno e perfeito. Ela ainda sentia espasmos do orgasmo quando Castle a penetrou.

Ela gritou de prazer e ele roubou mais um beijo para então começar a movimentar-se dentro dela. o ritmo era rápido mas capaz de provocar as mais diversas sensações para ela. Já tomada pelo forte desejo, ela cravou as unhas nas costas dele e mordiscou a orelha. Estimulado pela reação dela, ele intensificou os movimentos e Kate sentiu o corpo tremer novamente por baixo do dele. Sabia que ela estava prestes a gozar de novo e por isso acariciou o rosto dela e a beijou apaixonadamente.

- Se entregue, Kate...

E ela sucumbiu gemendo. Ele continuava a movimentar-se dentro dela segurando o próprio gozo por mais um momento até que seu corpo não agüentou mais e ele esvaziou-se. Ela ainda sentia as ondas indo e vindo por baixo da sua pele quando ele caiu sobre ela. Suados, tentavam recuperar o compasso da respiração. Ele virou-se saindo de cima dela. Ainda respirava com dificuldade e sentia seu coração em ritmo acelerado mas ela virou-se para deitar a cabeça sobre o peito dele.

Castle acariciava os cabelos dela, calado. Ela fazia pequenos círculos na pele dele com a ponta dos dedos distraída. Foi ele que rompeu o silêncio.

- Hey...

- Hey...

- Tudo bem?

- Hum hum... mais do que bem.

Ela sorriu e apoiando-se nele aproximou seu rosto do dele ficando quase colados. Acariciou o rosto dele e beijou-o levemente nos lábios.

- Lembra quando estávamos em LA? Na noite que você me disse que eu era um mistério que você nunca ia solucionar?

- Claro.

- Naquela noite você me deixou muito confusa.

- Porque?

Ela mordeu os lábios, um pouco nervosa pelo que ia revelar em seguida.

- Eu voltei à sala, estava disposta a fazer uma loucura só que você não estava mais lá.

- Isso que aconteceu hoje também é uma loucura para você?

- Uma doce loucura, gostosa. É mais que isso, Castle.

- Kate, eu amo você. Quero vê-la feliz e se eu puder ser parte dessa felicidade serei ainda mais feliz por estar com você.

- Castle eu, você sabe que não me sinto preparada pra cair de cabeça num relacionamento.

- Iremos devagar, a seu tempo. Sou um homem paciente, Kate. Acho que você já demonstrou onde seu coração está.

- Obrigada, Castle. Como você pode ser tão doce?

- Isso foi um elogio Detetive Beckett?

Ela riu e beijou-o rapidamente nos lábios.

- Uma observação.

Apoiando-se no cotovelo e vendo-o sorrir, ela olhava para ele fixamente. Ele acariciou-lhe o rosto.

- O que você quer de natal, Castle?

- Você, somente você.

Ele sentou-se na cama e puxou-a para si beijando-a apaixonadamente. Quebrando o contato, ele sorriu.

- Feliz Natal, Kate.

- Castle... que tal desfrutar um pouco mais do seu presente?

- Será um prazer detetive Beckett com uma condição.

- E qual seria?

Ele levantou-se e sumiu por alguns segundos, voltou com uma lata na mão.

- Você terá que me deixar enfeitar meu presente....

Ele balançou a lata de chantilly e sorriu maliciosamente.

- Oh, Castle...

Ele espirrou o creme nos dedos e passou nos lábios dela e a gargalhada ecoou no quarto enquanto Castle a empurrava de volta a cama selando os lábios em um beijo intenso.


The End

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

[Castle Fic] Rise Again - Cap. 4



Nota da autora: Continuo seguindo a idéia da temporada paralela mas nesse capítulo vocês irão reparar que não explorei o 4x04 porque o julguei irrelevante para a história. Espero que gostem! A propósito ainda não sei se conseguirei postar outro cap essa semana. Acredito que somente após o natal.



Cap. 4



Beckett acabava de chegar do distrito e ansiava por um longo banho e cama. Assim que jogou sua bolsa e casaco no sofá, seu celular tocou.

- Por favor, que não seja um novo caso...

Ao olhar o visor sorriu.

- Hey, Dad!

- Oi, filha. Como você está?

- Estou bem.

- Katie, você sabe que essa frase não funciona comigo. Você anda trabalhando muito?

- Não, o de sempre.

- Ainda não sei porque devolveram sua arma e seu distintivo. Sério, você acabou de sair de uma situação de risco. Devia tirar uma licença.

- Dad, já fazem quatro meses. E não temos muitos casos difíceis por aqui. Não preciso ficar afastada, isso é pior para mim. Sou uma garota da cidade.

- Percebi pela maneira que você deixou a cabana. Ainda sente dores, Kate?

- Não, nada de dor.

- E pesadelos?

Kate mordeu o lábio inferior. Ela não contaria para o pai que de vez em quando ela sonhava com o tiroteio, com a morte de Montgomery e com a sua mãe. Seu pai não devia se preocupar com isso. Ela era uma policial podia se virar.


- Não.

- Olha, filha eu realmente falo sério quando sugiro você tirar um recesso, férias. Uma boa viagem, você gostou tanto de passar um tempo na Europa porque não fazer isso de novo? Você precisa se divertir. Trabalha o tempo todo com dor, corpos, morte. Precisa clarear sua mente às vezes.

- Obrigada pai mas acontece que eu gosto do meu trabalho e apesar do modo pesado como você relatou eu até que tenho meus momentos de diversão.

- Mesmo? Quando foi a ultima vez que foi ao cinema, Kate?

Beckett ficou calada.

- Já imaginava. Você está saindo com alguém? Aquele novelista o ...

- Castle. Eu não estou saindo com ele. Nem com ninguém.

- Estranho. Do jeito que você brigou com aquele médico e o defendeu eu podia jurar que você estava apaixonada por ele.

- Eu? Apaixonada pelo Castle? Não.

- Aliás, lá no hospital eu percebi o quanto ele se importa com você, o quanto ele gosta de você. Sou seu pai, Katie e apesar de estar falando por telefone nesse exato momento, eu sei que você está batendo as unhas nervosamente na mesa e mordendo os lábios.

Droga! Ele realmente a conhecia.

- Pai eu...

- Katie, sweetie me escute. Eu sei que a vida não tem sido fácil para você especialmente nos últimos meses porém acho que está na hora de você se reerguer, você precisa de diversão na sua vida, amar alguém, ser feliz, Katie. Eu estou envelhecendo e quero pelo menos saber que você está feliz. Apenas prometa que vai pensar a respeito, ok? E lembre-se, não estou cobrando nada. Essa é a sua vida, suas decisões. Se você estiver feliz, então eu estou feliz filha.

- Obrigada, pai. Foi muito bom falar com você.

- Digo o mesmo Katie e mais uma coisa: Se fosse você, daria uma chance a Castle. Talvez ele a surpreenda.

- Boa noite, daddy.

- Boa noite, sweetie. Love you.

- Love you too.

Ela desligou e suspirou. Porque todos pareciam querer dar conselhos a ela? Será que ela não sabia tomar suas próprias decisões? Ok, admitia que tinha receios mas quando ela julgasse ser a melhor hora ela saberia o que fazer. Pelo menos gostava de pensar assim. Exausta, dirigiu-se ao banheiro para uma boa chuveirada.


Três dias depois...


Eles estavam trabalhando em um caso tenso que remetia a um passado próximo. O caso do 3X onde Ryan perdeu sua arma e Castle foi prisioneiro, descobriu a identidade dele e não pode ajudar a prende-lo. Agora pessoas estavam aparecendo mortas e a arma usada era a de Ryan.

Por mais que todos quisessem ajudar, Beckett pediu um certo espaço a sua equipe. Por Ryan. E de certa forma, isso funcionou. Mesmo Castle soube manter uma certa distância já que ele próprio sentia-se um pouco vulnerável nesse caso.

No fim, tudo acabou bem para Ryan. Já tarde da noite no distrito, Castle percebeu o cansaço no rosto de Beckett. Ela precisava de um drink.

- Hey, Beckett. Que tal irmos ao Old Haunt para um drink. Você tá com cara de quem precisa...

- Obrigada, Castle eu aprecio o convite mas estou cansada e tudo o que quero agora é um bom banho e horas de sono.

- Ah, Beckett, só uma dose de vodka...

Ela olhou para ele, pensando. Pode ser que um drink não faça mal. E ajudaria ela a relaxar também.

- Ok, Castle. Um drink e vou para casa.

- Ok, Detetive. Um drink.

Ele sorriu apenas pelo fato dela aceitar. Dando o braço a ela, deixaram o distrito.

O bar continuava aconchegante. Desde que adquirira o local, Castle fez o possível para conservar sua aparência original. The Old Haunt era um lugar perfeito para um happy hour com boas doses de bebida e música de boa qualidade como jazz e blues.

Castle como sempre fazia uma festa ao entrar no bar. Falava com todos, fazia piadas, sorria. Definitivamente, Castle era um homem divertido. Ele a levou até uma mesa de canto que ele mesmo reservara. Chamou um dos garçons e antes de pedir, olhou para ela.

- Você vai de vodka mesmo?

- Sim, pura.

- Você ouvia a moça, uma dose de vodka e uma de whisky para mim. E traga um couvert.

Ele virou-se para ela.

- Estou feliz que tudo tenha terminado bem no caso para o Ryan.

- Yeah, eu também. Nós todos temos nossos casos difíceis Castle só temos que saber lidar com eles.

- Como o caso da sua mãe?

O semblante dela mudou. O sorriso desaparecera. Ele percebeu na mesma hora.

- Desculpe, não pretendia tocar no assunto. Esqueça.

- Tudo bem, Castle. Esse foi certamente o caso mais difícil da minha vida.

- Não precisamos falar disso. Vamos mudar de assnto. Já que estamos aqui, eu estou tento um certo problema para escrever uma cena de crime no meu novo livro de Nikki Heat, quer me ajudar?

- Não sei...

- Ah vai ser simples, escuta só...

Eles continuaram conversando por mais meia hora. Então, Kate se despediu.

- Obrigada pela companhia, Castle. Te vejo amanhã?

- Onde tiver um corpo assassinado, eu estarei lá Beckett.

Balançando a cabeça e sorrindo, ela deixou o bar.

Quando Beckett chegou para trabalhar no dia seguinte, ela não tinha idéia de que o caso que teria que investigar ia se tornar uma dor de cabeça para ela, pessoalmente. Depois da boa noite que tivera e da companhia agradável de Castle, ela não imaginava que ia sofrer com algumas atitudes dele.

O caso em questão foi um homicídio ocorrido num museu onde uma exposição beneficiente era o evento da noite anterior. Além do homicídio, uma peça valiosa fora roubada. O punho do capitalismo. Kate não contava em absoluto com a nova entrante no caso. Ela e Castle conversavam com a assistente do morto.

- Espere. Está dizendo que ele tinha medo de alguém roubar o Punho?

- Desde que chegou aqui. Até reviu as câmeras do Punho de duas semanas atrás e então o deixamos na tela. Achei que ele estava ficando paranóico. Acho que ele sabia de algo que eu não sabia.

- US$ 50 milhões? Por isso ele estava fora do jantar.

- Ele veio ver o Punho. Mas o ladrão já estava de saída. Passou pela galeria e cruzou no caminho com o Sr. Hayes. Eles brigaram, rolaram

- E Hayes foi pras estacas.

- E, nessa hora, o ladrão vira assassino.

- Um com acesso ao museu para o jantar.

- Não é provável. A chegada dos convidados era apontada em duas telas e eram recebidos por alguém que os conhecia pessoalmente. Tudo aponta que o ladrão veio pelo telhado, pela ventilação, provavelmente, e aí desativou os alarmes.

- Desculpe, quem é você?

- Serena Kaye, a responsável pela segurança do museu.

- Se ele entrou pela ventilação, como saiu?

- Pela área de carregamento. Os guardas veem quem entra, mas não quem sai. E nessa área havia vans do bufê. Ele poderia ter alguém esperando-o e se disfarçou.

- Ela é boa.

- Na teoria, e as provas?

- Não preciso delas para saber que estou certa. É meu trabalho e... posso te ajudar com o seu.

- Como?

- Fico com 1% da taxa de recuperação de perdas. Eu quero o Pulso. Você, o seu assassino. Temos objetivos comuns. Poderia prestar consultoria e dar minha opinião.

- É uma ideia interessante.

Beckett se irritou ao ver o jeito de Castle para com a tal Serena.

- Não, obrigada. Não será necessário.

Ela olhou com um sorriso debochado para Castle.

- Não pode me culpar por tentar. Sr. Castle, detetive Beckett.

Castle se aproximou de Beckett ainda insistindo.

- Ela poderia ser útil. Ela tem pontos válidos.

O olhar de fuzilamento que Beckett fixou nele o fez responder rapidamente.

- Não desse tipo.

- Castle, ela só cruzou nosso caminho.

- Sério? E se ela estiver por dentro?

Beckett pensou por dois segundos e pegou o celular.

- Ryan, verifique se as vans estão contadas e entreviste os funcionários do bufê. Veja se alguém viu algo incomum no carregamento.

Ao desligar, Castle sorria a seu lado.

- Foi tão difícil?

Beckett estava se roendo por dentro. Detestava quando alguém se metia em seu trabalho principalmente outra mulher e detestava ainda mais que Castle logo se deixasse levar por qualquer pessoa. A irritação não diminui ao saber na Central que a mesma Serena havia oferecido seus serviços a Gates e sendo assim, ela fora obrigada a engolir a nova consultora.

E assim num clima hostil, Serena infiltrou-se na investigação de Beckett concentrando toda a atenção de sua equipe, o que só deixava Beckett ainda mais contrariada. Rapidamente, Serena apontou um suspeito, Falco o maior ladrão de artes da Europa. Sem sobrenome, fotos, o cara era invisível para o sistema. E não foi isso o que mais irritou Beckett.

- Nada como US$50 milhões para te tirar da aposentadoria.

- Agora com um rumo, consigo umas pistas.

- Ótimo. Vamos.

- Você não pode vir.

A surpresa estava estampada no rosto de Beckett.

- Desculpe. Deve ter entendido mal a palavra "consultora". Este caso é meu.

- Essas pessoas não falarão com policiais, mas falarão comigo.

Ela franziu o cenho ao perceber que Castle já virara as costas para ela pronto para seguir Serena.

- Aonde está indo?

- Também não sou policial. Então...

- Tudo bem.

Mas não estava nada bem, Castle conseguira irritá-la ainda mais que Serena.

- Ela está conosco?

- Vamos falar com a Interpol. Quero descobrir tudo sobre o Falco.

Quando estava com raiva, Beckett conseguia render muito mais no trabalho. Achou referências a Falco, entrevistou a responsável do museu sobre o punho e interrogou inclusive o marido dela. Nada. Serena voltara com novidades da rua e Esposito também encontrou suspeitas que apontavam Hayes, o morto, como o contato de Falco.


- Então Hayes estava no roubo?

- Contratou Falco para roubar o Punho.

-E Falco decidiu ficar com ele.

- Então matou Hayes.

- Se Hayes era cúmplice, podemos chegar em Falco. Vamos olhar as finanças...

- O de sempre.

- Isso.

- Investigarei outras fontes para achar alguma pista.

- Outro passeio pelo lado obscuro de Manhattan? Castle já estava todo empolgado - Conte comigo.

- Desculpe, não é necessário acompanhante. Só farei telefonemas,coisas chatas. Nos encontramos depois?

Beckett revirou os olhos, estava odiando esse papo meloso. Tinha que sair de perto.

- Encontre-me sempre que quiser.

Ele olhava todo sorridente observando Serena sair. Ele virou com a cara mais desligada do mundo à procura de Beckett mas ela não estava sequer por perto, deixou-o no vácuo.

- Kate...

Beckett saiu às pressas do distrito. Aquela situação estava tirando-a do sério, influenciando no seu humor e interferindo no seu trabalho. Ela não podia deixar isso acontecer. Quando chegou no consultório do terapeuta, o bom senso já fora para o espaço a muito tempo. Ela sequer pediu permissão para entrar. O terapeuta apenas observava o jeito dela, agitado, em luta consigo mesma. Esperou que ela lhe contasse o que a aflingia. E ela contou.

- Não posso trabalhar assim! Uma especialista em seguros! E como consultora! Odeio quando alguém se mete na minha investigação. A Capitã não tinha nada que impor isso a mim. É a minha investigação! É o meu território!

Kate passava as mãos nos cabelos. Nervosa. Visivelmente afetada.

- E Castle ainda acha que ela é útil! Fica seguindo-a como um cachorrinho...

- Ela é tão ruim assim?

- Ela é egoísta, arrogante, teimosa e sabichona.

- Mas é boa no que faz?

- Castle acha que sim.

Ela continuava de pé, andando de um lado para o outro.

- E isso te incomoda.

- Claro que me incomoda.

- Por quê?

Ela parou e fitou o terapeuta com olhos cheios de lágrimas.

- Porque ele deveria ser...

As palavras verdadeiras não sairam, ficaram entaladas como um nó na garganta. Deus, porque isso estava acontecendo com ela agora?

- Ser o quê?

O terapeuta instigou-a. A resposta saiu quase um sussurro.

- Meu parceiro.

E voltou a tomar forças com a raiva transparecendo um pouco mais.

- Deveria ser da minha equipe. Não ser tão impressionável.

Ela sentou-se. Com a cabeça entre as mãos, ela tentava ordenar os pensamentos. Não podia lidar com isso agora, no meio de um caso. A voz do terapeuta tirou-a da sua análise pessoal.

- Pelo que posso ver essa moça não está mexendo com você apenas profissionalmente, ela realmente a atingiu pessoalmente. Mexeu com seu ponto fraco. Castle. O que não entendo é se você não gostou das atitudes dele porque não disse? Porque não o chamou em particular e disse o que está te incomodando?

- É complicado.

- Por que é complicado?

- Sabe o porquê.

- Só sei o que você me conta.

Ela suspirou fundo. A raiva dissipou-se dando lugar a eterna confusão de sentimentos. Ela sabia que ele a forçaria a tocar no assunto de seu relacionamento com Castle e invariavelmente ela teria que pensar na mãe. Ela não queria. Não agora no meio de um caso. Ele a surpreendeu com as palavras.

- Kate...do que, realmente, tem medo? De que ele não espere por você... ou de que espere?

Ela fechou os olhos. Não tinha resposta.

- Tenho que ir, quando acabar esse caso falamos nesse assunto ok? Preciso achar um assassino.

- Por hora vou aceitar, mas você terá que me prometer, nas próximas sessões, falaremos exatamente sobre isso.

- Tudo bem. Nas próximas sessões...depois desse caso.

Ela deixou o consultório, ligou para o Esposito para se atualizar e avisou que estava indo para casa.

No seu apartamento, ela já de camisola para dormir surfava pelos canais da TV. Porém, nada ali chamava sua atenção. Ela estava frustrada com o caso, com o seu comportamento, com Castle e consigo mesma. Ela não pode evitar as lágrimas de cair. Sentia-se vulnerável. Entre lágrimas, ela adormeceu.

Beckett chegou ao distrito cedo. Ainda remoia o assunto de ontem mas estava um pouco mais centrada. Queria respostas. Castle entra sorrateiramente no salão.

- Oi.

- Oi, pensei que estivesse com Serena.

- Não, teve reunião com os chefes esta manhã.

Beckett tentava manter a compostura antes de falar.

- Então já a viu esta manhã.

- Não, ela me mandou mensagem.

Beckett estava constrangida com a conversa, a última coisa que ela precisava agora era trocar conselhos amorosos com Castle.

-Achou que estivéssemos...

-É...

Engolindo o próprio orgulho, ela continuou.

- Está na cara que ela gosta de você, então...

- Está?

Droga, Castle! Porque você não se toca?!

- Acha que devo... investir?

- Fique à vontade.

Dizer essas palavras foi como sentir uma pontada no coração. Felizmente foram interrompidos por Ryan e Esposito forçando Beckett a se manter focada nas informações que receberam e a dica era quente e pela primeira vez ela se sentiu com muita vontade de investigar o caso a fundo. Eles descobriram que não só Serena encontrou-se com Haynes como também era uma suposta ladra de artes. Gates queria presa para interrogatório o mais rápido possível.

- Onde ela está agora?

- No hotel dela.

Beckett encarou Castle.

- Ela me chamou para beber algo.

- Chamou?

- Parece sem pressa para sair da cidade.

- Bom...

- Usemos nossa única vantagem. Ela não sabe que suspeitamos dela, iremos investigá-la sem que ela saiba.

- E como faremos isso?

- É simples. Castle a convida para um encontro.

- Convido?

Beckett sentiu uma pequena satisfação ao sugerir isso.

- É o que você queria, não é?

- Tudo o que precisa fazer é mantê-la fora do quarto dela. Leve-a ao restaurante do hotel. Então... a entretenha.Enquanto a mantém ocupada...entramos no quarto dela.

- O que faço nesse encontro? Tento fazê-la... cometer um deslize, confessar?

- Não, apenas enrole,faça piadas. Conversa fiada. O importante é mantê-la fora do quarto dela para que possamos vasculhá-lo. O que me diz, Castle? Acha que consegue seduzi-la por uma hora?

- Está falando sério?

E eles se dirigiram para o hotel. Castle seguiu o que Beckett dissera e ficou surpreso ao saber que Serena ia convidá-lo para um encontro de qualquer forma. Enquanto isso, Beckett e os rapazes continuavam a vasculhar o quarto em busca de algo comprometedor. Nada parecia apontar para Serena, até o momento que Beckett começou a vasculhar o computador.


Infelizmente, foi na mesma hora que a própria Serena resolveu voltar para o quarto. Castle não pode conte-la e enviou uma mensagem para Beckett que distraída pelo que achara no computador bem como pelo equipamento que Esposito também achara.

Eles finalmente iam saindo do quarto no exato momento que Castle e Serena estavam de frente para a porta então Castle fez a única coisa que veio a sua mente, empurrou Serena contra parede e a beijou. Ao ver a cena, Beckett ficou estática por um momento vendo aquilo, até gritar. Muito chateada deu voz de prisão a Serena e levou-a ao distrito. Bufando, ela começou a discutir com Castle.

- Agora está dizendo que não acha que ela está envolvida?

- Por que ela me revelaria que é uma ladra?

- Ela está te dando o suficiente da verdade para ser mais fácil engolir as mentiras.

- Não acho que foi ela.

Ela cruzou os braços, obviamente irritada com toda a situação. A vontade que tinha era de se jogar no pescoço dele e torcer.

- Está pensando com o órgão errado.

- Foi só um beijo. Estava fazendo o que mandou, mantê-la ocupada. Estava tentando te dar tempo para vasculhar o quarto.

A voz de Beckett se alterou.

- O quarto onde encontramos a maleta e o e-mail, ambos evidências contra ela agora.

- Só acho que deveríamos dar a ela a chance de explicar.

- Nós? Não iremos ao interrogatório juntos.

A raiva e o ciúme eram visíveis apenas Castle não percebia o motivo da reação dela.

-Fala sério!

-Desculpe, Castle, mas, com base nessa conversa e no seu comportamento no hotel, é óbvio que você foi comprometido.

Ela bateu a porta com força.

- Eu só fiz... o que você pediu.

Beckett procurou se acalmar para não interferir na investigação de maneira errada. À medida que ia fazendo as perguntas a Serena, o quebra-cabeça ia se montando e ela percebeu que ela não parecia mesmo incomodada. Na avaliação de Beckett, a pessoa a sua frente não era uma assassina mas ela simplesmente não conseguia parar de pressioná-la e por isso foi Serena quem a encurralou.

- Sei que é uma policial esperta, metódica, com ótimos instintos. E esses instintos estão te dizendo que sou inocente. Por algum motivo, está ignorando-os. Por que está fazendo isso?
Beckett teve que se controlar para não transparecer o que sentia.

- Srt.ª Kaye, seu trabalho é recuperação, como denominou. Meu trabalho é resolver este homicídio.

- Então por que não coloca de lado suas questões pessoais e pede meu álibi, para a investigação continuar? Para constar, estava em uma reunião com um de meus chefes quando fui chamada. Se quiser verificar.

Aquilo foi um soco no estômago.

- Se está dizendo a verdade, por que tem agido pelas nossas costas?

- Porque, por experiência, sei que a polícia só atrapalha. Então prometo, daqui em diante, sem segredos.

- Não será necessário. Não trabalharemos mais juntas.

- Mudaria de idéia se te dissesse que sei quem é Falco?

E Beckett cedera mais uma vez. Por sorte, Serena acabou sendo muito proveitosa na investigação e descobriu detalhes interessantes sobre o possível assassino, ou melhor, assassina. Eles voltaram juntos ao museu e descobriram que o punho nunca saiu de lá. Após o fechamento do caso, Beckett foi surpreendida novamente por Serena.

- Quero te agradecer. Não conseguiria sem você. Estou muito grata.

- Ganharei parte do dinheiro da recompensa?

- Não tão grata assim.

- Bom, eu... acho que todos terminaram com o que queriam.

Beckett deu uma olhada para Castle.

-É.

-Quero que saiba...o encontro com Castle...

-Foi mais uma emboscada.

- Ele nunca achou que estivesse envolvida. Ele acreditou em você quando eu não acreditei.

- Por que está me dizendo isso?

- Precisa saber com que tipo de pessoa está se envolvendo.

Nesse instante, Castle chega com canecas de café.

- Aqui está, senhoritas.

-Obrigada.

-Obrigada.

Ele sentiu os olhares entre as duas.

-Algo errado?

-Não, eu tenho que...Preciso arquivar algumas coisas.

Beckett saiu às pressas.

- E eu preciso voltar ao meu hotel. Convidaria você, mas, como já disse, não roubo nada que pertença a outra pessoa.

Beckett voltou ao salão e ficou surpresa ao vê-lo ali.

-Não saíram juntos?

-Não.

-Por quê?

-Porque não posso pagar. O museu mandou a conta da obra que quebrei.

-Nossa!

-Eu sei! Achei que me safaria por ajudar a resolver o caso.

Beckett sentiu-se subitamente feliz e por conta disso resolveu que era a sua vez de aproveitar-se um pouco da companhia.

- O mínimo que a NYPD deve fazer é te pagar um sanduíche.

- Eu aceito.

- Então vamos.

Saíram do distrito conversando sobre o dinheiro. Castle notou que Beckett estava mais leve, mais sorridente agora. Será que toda aquela raiva era por causa de Serena? Seriam ciúmes?

Beckett devorava um hambúrguer acompanhado de um milk-shake de chocolate. Era o mínimo que ela merecia por ter passado por tudo aquilo esses últimos dias. E ela ainda teria que ver o terapeuta nos próximos dias não amanhã, pensou. Castle resolveu instigar.

- Vejo que está bem mais relaxada detetive. Tudo isso era por causa do caso?

- É, sim. Tensão da profissão.

- Certo, entendo porque por um minuto achei que a detetive durona estava com ciúmes da Serena.

- Ciúmes? De uma ex-ladra? Ah Castle, por favor!

Beckett tentou ser o mais casual possível e sabia que precisava achar outro assunto para impedir ele de continuar lembrando o que ela não queria.

- Na verdade, Beckett não acredito que o ciúme era por causa da profissão da Serena... nem pela sua aparência.

- E porque seria? Kate franziu o cenho mas no fundo sentiu o estomago revirar, ele não teria coragem...teria?

- Ora, por minha causa. Uma mulher interessante, independente e bonita entra na sua investigação, atrai a atenção do seu parceiro e te põe em cheque. Assuma, você ficou com ciúmes de mim e por isso descontou aquela raiva toda em mim.

- O que? Por acaso esse é uma das cenas no seu livro? Porque exige muita imaginação...

- Sei, Beckett sei...

- Ah, cala a boca Castle!

- Ok, ok trégua. Não quero brigar com você.

Ele aproveitou para beber um pouco do suco. Beckett mordiscava o canudo, queria muito dizer umas verdades para ele, porém sabia que ao fazer isso se comprometeria. Kate não soube explicar o que apertou o botão. De repente, se viu falando indiretas e diretas para Castle.

- Não é questão de brigar. Essa não é a primeira vez que você se envolve com uma mulher durante um caso, uma provável suspeita. Se você não leva à sério o trabalho do distrito, outros levam. Lá é onde eu ganho o meu salário, ralo pra conseguir colocar criminosos na cadeia. Aquilo não é brincadeira para mim Castle, não admito que você fique de flerte na minha frente.

- Beckett eu...

- Você deveria ser meu parceiro, droga! Me ajudar na investigação e não ficar correndo e babando atrás de uma ladra, esperava um pouco mais de respeito de você.

- Kate...eu... me desculpe! Achei que você estivesse tranqüila com o fato de eu talvez sair com ela, não imaginei que isso pudesse magoá-la.

- Eu não estou magoada, se quiser se atracar com ela vá adiante! Estou chateada com o seu comportamento.

Mas Castle entendeu muito bem o que ela queria dizer com aquelas palavras. Ele viu por um curto instante a tão determinada Kate Beckett demonstrar o quanto isso a afetara e sim, ela estava com ciúmes dele. Castle esticou a mão tocando a dela.

- Hey.... me desculpe, Kate. De verdade, não vai acontecer de novo.

- Castle, não faça promessas que você não possa cumprir.

Ela deu um meio sorriso e voltou a tomar o milk-shake. Castle decidiu não pressioná-la mais, sabia que ainda não estava 100% perdoado e, a seu modo, teria que achar um meio de se redimir.

No dia seguinte, Kate não voltou ao consultório do terapeuta. Ela decidiu adiar aquela conversa principalmente depois de sua atitude de ontem. Ela deixara uma pequena parte, mínima, da barreira ruir e quase se arrependera por isso.

Castle chegou de fininho, com as mãos para trás. Por alguns segundos, ele ficou observando a figura pensativa sentada à mesa. Nessas horas ele desejava poder ler mentes só assim saberia o que se passava na mente misteriosa da mulher e da detetive mais intrigante que já conhecera.

- Bom dia, Detetive Beckett.

- Bom dia, Castle.

Ela reparou que ele escondia algo atrás de si e continuava parado a alguns metros de distância.

- Vai ficar aí parado?

Ele deu alguns passos sem mudar a posição das mãos.

- O que você vai fazer hoje, Beckett? Mais tarde?

- Ah eu não sei, Castle... talvez eu aceite jantar com o George Clooney ele não para de me ligar...

- George? Ele ligou para você?

Ela entortou a boca e Castle percebeu que caíra na conversa. Balançando a cabeça, ele abriu a boca mas Beckett foi mais rápida. Se levantou.

- O que você está escondendo aí atrás?

Ele deu dois passos para trás e falou.

- Espera! Eu perguntei o que você ia fazer hoje porque tenho um convite para você. Tenho uma noite de autógrafos do quadrinho de Derrick Storm na Barnes & Noble. Sei que você não é fã do gênero mas em homenagem aos livros que você leu dele pensei que gostaria de me acompanhar, o que acha?

- E o que eu iria fazer lá? Ver você se exibir?

- Não, você iria comigo, como minha acompanhante e também para me vigiar sabe? Evitar que eu faça besteira... depois teremos um coquetel.

Ela ficou calada por uns instantes. Ele sorriu.

- Eu adoraria que você fosse, Kate.

E então mostrou o pequeno buquê que escondera com um envelope. O convite da noite de autógrafos. Beckett pegou as flores da mão dele e sorriu. Ao abrir o cartão, viu alem do convite um pequeno recado.

“Ainda estou tentando me redimir das besteiras. Adoraria ter minha musa ao meu lado hoje à noite. Por favor, diga sim.

Seu parceiro,

Castle. “

- Então?! Aceita?

- É, aceito afinal não é todo dia que você me pede “por favor”.

- Ótimo! Te pego às 7 da noite ok?

E ele já virou as costas rumo à saída.

- Hey, Castle! E o trabalho?

- Desculpe, Beckett. Hoje eu sou o escritor de Best-seller. Até mais tarde.

Ela começou a rir. Não podia esperar nada mais de Castle mesmo.




Continua.....

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

[Castle Fic] Rise Again - Cap.3


Nota da autora: Nesse capítulo coloquei algumas infos pessoais de Beckett, existem nomes fictícios e alguns já falados na série. Peço desculpas se cometi algum erro...mas isso é ficção, certo? Então, tá valendo!



Cap.3


Sexta-feira



Kate Beckett caminhava pensativa para sua próxima sessão de terapia.


Muitos tiras abandonam as sessões de apoio logo após a primeira consulta ou ao receber sua avaliação para voltar ao trabalho. Ela porém, achava que essas sessões de uma hora duas vezes na semana eram proveitosas. Não apenas pelo acontecimento de meses atrás. Beckett via nessas consultas a possibilidade de tocar em assuntos difíceis para ela, reconhecia porém, que ainda falava muito pouco. O que ela esperava era que com o tempo ganhasse confiança e quebrasse a barreira que impusera a si mesma.

Ela cumprimentou o terapeuta e sentou-se de frente para ele.

- Como você está Kate?

- Estou bem.

- Estou perguntando de verdade, você sabe que conheço esse seu jargão portanto ele não vale para mim. Quero saber como está e sobre o que você quer falar hoje.

- De verdade, estou bem. Minha semana foi tranqüila.

- E há algo de novo que queira me contar?

- Castle voltou ao distrito. Eu fui procurá-lo. Fiquei sabendo do que ele fez, trabalhou junto aos rapazes buscando por pistas. Foi por isso que contei na minha última sessão que lembrava de tudo. Do tiro, do desepero de Castle e das palavras dele. Ainda não sei como lidar com isso. Desde a morte da minha mãe, eu me tornei uma outra pessoa, forcei a mim mesma a ser a melhor policial de NY e jurei que colocaria o assassino da minha mãe na cadeia.

- Mas isso ainda não aconteceu...

- Sim, eu passei três anos da minha vida profissional buscando respostas. Fiquei tão obcecada com aquilo que quase entrei em parafuso, coloquei meu emprego em risco e por pouco não fui afastada da força. Decidi então mudar. Resolvi focar na minha carreira e tracei um objetivo claro para mim: ser a melhor detetive do meu distrito. Entenda que isso era algo bem desafiador afinal não é fácil vencer num mundo de homens.

- Só que você venceu. Tem uma das melhores carreiras na polícia de New York, ficha impecável e com um futuro muito promissor, Kate. Aposto porém, que tudo isso ainda não é o bastante para você. O caso mais importante da sua vida você não resolveu.

- Sim, durante todo esse tempo eu tive medo. Medo de sucumbir aquele período negro que vivi caso encontrasse uma nova prova. Eu me vi fraquejar a dois anos atrás quando Castle e eu encontramos algo capaz de ajudar as investigações. Eu acabei atirando no único homem que poderia me dar respostas. Meses atrás, eu quase sucumbi ao desespero novamente. Ver o Capitão morrer por minha causa, levar um tiro e quase morrer apenas indica que estive muito próximo. Não quero recuar, não posso!

- Não pode... sei. Você acabou de comentar que tem medo de entrar em desespero como no início da sua carreira. Compreendo que você se sente responsável, que deve isso a sua mãe Kate mas você já parou para pensar que talvez esse se torne um caso antigo sem conclusão? Partindo da premissa que isso seja verdade, quanto da sua vida você está disposta a perder? Vale a pena privar-se da vida sendo ela tão curta? Você mais do que ninguém deveria celebrar-la todos os dias.

- Em outras palavras, você está me dizendo que me fechei para a vida.

- Exato. E os dias e as oportunidades de felicidade passam por você sem serem agarradas, desfrutadas. Olha, Kate estou aqui para te ajudar. Fazer você perceber que é jovem, bonita e tem uma vida maravilhosa à sua frente. Só que para tudo isso acontecer, você precisa querer mudar, precisa estar disposta a se arriscar.

Ele consultou o relógio. A sessão acabara. Ele decidiu dar uma tarefa a ela.

- Nossa hora acabou. Porém, quero deixar um assunto para você pensar até a nossa próxima sessão. Você concentrou seus comentários no nível profissional. Quero que você avalie a sua vida pessoal. O que impede Kate Beckett de crescer na mesma proporção pessoalmente que profissionalmente? O que falta para você mudar e aceitar ser feliz?

Beckett ouviu atentamente as palavras dele. Assentiu com a cabeça. Levantou-se e despediu-se dele. Voltaria ali na próxima terça, caso não tivesse enrolada em alguma investigação de homicídio.


Segunda-feira


Beckett chegou cedo ao distrito estava na sua mesa quando recebeu a ligação de Lanie sobre um homicídio. Quando ela ia pegar o telefone para ligar para Castle, ele apareceu trazendo consigo seu café.

- Bom dia, Detetive Beckett!

- Bom dia, Castle.

Ela sorveu um pouco do café. Agora sim poderia começar a trabalhar.

- Já ia ligar para você, temos um homicídio. Vamos?

- A semana começou agitada não?

Ele sorriu. Deixaram o distrito rumo a cena do crime. Enquanto se aproximavam do local, Castle contava a Beckett sobre a noticia que abalara Alexis essa manhã. Beckett ouvira sendo solidária com ele. Sabia que ele precisava falar desse assunto com alguém.

Na cena do crime encontraram Lanie coletando um pouco do sangue no cimento. Esse era um caso bem diferente. Não havia corpo. Como investigar um homicídio sem corpo? Seguindo uma pista, eles acabaram numa espécie de armazém e para aumentar ainda mais a dificuldade do caso, eles se depararam com corpos congelados. Criogenia. E esse era apenas o começo. Explicar para Gates que eles estavam de mãos atadas para conseguir o corpo não seria fácil.

E não foi. Beckett teve que se controlar para não estourar com a sua chefa. Após entrevistar a mulher de Hamilton, ela acabou descobrindo que um dos investidores da pesquisa do cientista era Beau Randolph, o cara por trás de “Universitárias Enlouquecidas”, um magnata da pornografia. E eles não poderiam deixar de fazer uma visitinha a ele.

Beckett e Castle caminhavam pelo prédio do magnata. Várias moças transitavam no lugar com roupas mínimas. Eles conversavam.

- O projeto Ambrosia…parece um romance de Robert Ludlum onde o playboy milionário mata um pesquisador para ter a fórmula secreta da vida eterna.

- É, mas 10 anos não é a vida eterna.

- Você faria? Colocaria os implantes?

Beckett desviou o olhar para seus seios.

- Não acho que eu precise. Não é?

Castle olhou sem jeito para ela que interpretara a pergunta da maneira errada por influência do ambiente.

- Digo os... implantes farmacêuticos. Para viver 100 ao invés de 90 anos?

- Não, eu passo.

- E se pudesse ficar do mesmo jeito pelos próximos 10 anos?

- Não quero ficar igual.

- Como pode não querer 10 anos extras?

Castle olhava surpreso para ela.

- Uma coisa que aprendi é que nunca se sabe quanto tempo você tem. E se achasse que teria mais, poderia acabar desperdiçando.

Beckett lembrou-se das palavras do terapeuta. Percebeu que reconhecia estar desperdiçando sua vida e mesmo assim ainda não tomava uma atitude diferente.

- É, vai precisar daqueles implantes, do contrário vai envelhecer e, daqui a 10 anos, estarei exatamente o mesmo.

- Não é assim que estaria de qualquer forma?

Castle não comentou mas será que Beckett acabara de elogiá-lo? Afinal dizer que ele não mudaria era sinal de que ele aparentava ser uma pessoa jovem, conservada não?

- Detetive Beckett. O Sr. Randolph já vai sair.

- Ótimo. Obrigada.

- Alguém tem que dar a essas garotas roupas feitas de pano de verdade.

- Quando ficou tão crítico sobre mulheres semi-nuas?

- Desde que minha filha chegou nessa idade.

Beckett sorriu. O relacionamento dele com a filha e sua preocupação era uma das características que mais admirava em Castle.

- E aí está ele...o deflorador de colegiais.

- Detetive Beckett. Sou Beau Randolph. Certeza que não veio para o teste da série "Doutores Brincam de Médico"?

- Tenho.

- Então como posso te ajudar?

- Pode responder umas perguntas sobre Lester Hamilton.

- Como... por que você o matou?

E acabaram levando-o para interrogatório. Infelizmente, após varias perguntas e acusações Beau lhes deu um álibi estranho mas eles teriam que checar. Depois de muita briga conseguiram o corpo apenas, a cabeça lhes fora negada devido ao contrato de Hamilton de criogenia. Lanie acabou por confirmar que a arma que matou o cientista não era de Beau, ele realmente era inocente e voltaram ao distrito para tentar buscar algo para recomeçar.

O barulho de mensagem no celular chamou a atenção de Castle.

- ONDE VOCÊ ESTÁ, PAI?

- Alexis?

- É. Ela está frustrada. Ela sempre conseguiu o que queria. Se importa se eu...

- Não, não. Deveria ficar com ela.

- Tem certeza?

- Tenho, Castle. Posso ficar sem você por algumas horas.

- Certo. Não fique tão feliz por isso.

E não ficaria mesmo mas respeitava a dedicação dele a filha e à família. A investigação continuava morosa mas felizmente Ryan e Esposito conseguiram uma nova pista que os levou a um quarto de hotel barato que Hamilton usava para fazer experiências.

Quando Castle voltou para o distrito no dia seguinte, Beckett fez questão de perguntar sobre a menina. Preocupado ele trocou algumas palavras com Beckett.

- Só queria dar a ela a infância que eu não tive. Acho que a superprotegi.

- Deu uma ótima infância, Castle.

-Não é uma coisa ruim. Não sabe lidar com rejeição. Todos sofremos decepções. Dê um pouco de tempo a ela. Irá se reerguer.

Castle sorriu para ela. Antes de voltar a investigação, ela acabou oferecendo ajuda.

- Olha, se quiser que eu converse com ela é só avisar. Alexis é uma menina inteligente, ela achará seu caminho.

Virando-se para o quadro, Beckett não reparou na cara de admiração e no olhar apaixonado que Castle lançara para ela.

E mais uma reviravolta no caso apontou para a cabeça do sujeito que agora estava sumida. Várias suposições e perguntas depois, Castle e Beckett finalmente ligaram a esposa ao assassinato já que o amigo tinha álibi e proveu a ressonância provando os tumores no cérebro de Hamilton. Beckett a prendeu.

- Então, detetive, consideraria isso um crime passional?

- Eu consideraria como um crime de amor.

- Legal. Mas isso depende se Cynthia Hamilton estava amando ou louca.

- Às vezes, há uma linha tênue entre os dois.

Castle ergueu a sobrancelha. Tai algo que ele não estava acostumado a ver em Beckett. Ela falar de sentimentos, especialmente de amor.

Quando estavam liberando os papeis do pesquisador da criogenia, receberam um aviso de que alguém falecera naquele prédio. Beckett saiu correndo porque já imaginava o que poderia ter acontecido. Cynthia estava morta, se matara ingerindo uma pílula de cianureto. Beckett demonstrava uma tristeza singular naquele momento. Eles acompanharam o Dr.Weiss na remoção do corpo. Ao ver Cynthia já congelada no tanque, Castle não resistiu em falar.

- Não seria ótimo se eles se reencontrassem daqui a cem, até mil anos?

- Tudo é possível.

Novamente, Castle estava surpreso com a resposta de Beckett.

- Acredita mesmo nisso?

- Sobre isso que são as grandes histórias de amor, não? Superar as barreiras.

- Espero que consigam.

- Eu também.

Castle ficou calado ao lado dela absorvendo o que escutara. Ele não tinha Beckett como uma pessoa romântica. Será que nunca reparara nisso ou ela começava a transparecer isso somente agora? Perdido em pensamentos, ele não reparou o risinho bobo nos lábios dela. Beckett queria acreditar que aquela história de amor era possível. Ela consultou o relógio e percebeu que estava muito tarde para conseguir uma hora com o terapeuta. Marcaria para amanhã cedo, quinta.

Despediu-se de Castle e foi para casa.


Apartamento de Beckett


Ela já estava deitada na cama porém nem sinal de sono. Beckett se pegou revivendo momentos do último caso e de certa forma se sentiu um pouco surpresa por ter encarado tudo aquilo como uma história de amor, estranha e macabra, mas ainda assim um romance. Lembrou-se então do que o terapeuta falara para ela, o que ela estava esperando para se arriscar na sua vida pessoal?

Olhando pro teto do seu quarto, Beckett se pos a pensar na sua vida pessoal. Quando mais nova, ela fora uma pessoa renegada durante os anos da high school. Magrela e sem grandes atrativos, ela tivera que se contentar com o clube de leitura e as amizades com os geeks. Apenas no seu ultimo ano do seu Junior year, ela começou a namorar um cara do time de basquete da escola. E com o primeiro beijo, veio também a sua primeira vez. E não fora nada do que Beckett imaginara. Viajou para a Europa, Kiev onde fez intercambio e aprendeu russo. Ali sim ela aproveitara. Sua juventude teve muita festa, bebidas e diversão. Seu maior tesouro foi a compra de uma moto que ela pagou como modelo aos 17 anos.

Entrou para a faculdade aos 18 anos e no eu primeiro semestre conheceu Brian. Ele sim fora sua primeira paixão. Namoraram por dois anos quando Kate sentiu que a magia acabara. Porém, no seu terceiro ano sua mãe fora assassinada e sua vida virou de cabeça para baixo. Decidiu se tornar policial para que outras pessoas não sofressem o que ela sofreu, negligência.

Durante sua vida como policial, tivera seus relacionamentos: Will, Mike, Tom, Josh. O que todos eles tinham em comum? Apenas o fato de seus relacionamentos não durarem mais que seis meses. Tudo porque ela escolhera fechar-se para o mundo. Sabia que brincava de proteger-se, não se permitia apaixonar-se, ter um relacionamento duradouro. Até explicara isso a Castle que ela não conseguiria seguir em frente antes de fazer justiça à mãe. Mas seria mesmo isso? Essa pergunta certamente seria feita pelo seu terapeuta. E o que ela responderia?

Cansada de remoer o assunto, adormeceu.

Na manhã segunte já no consultório, ele a fitava com tranqüilidade. Esse ato a deixava nervosa.

- Então, Kate o que você tem a me dizer sobre sua vida pessoal?

- Pensei muito a respeito da sua pergunta e a única resposta que fui capaz de achar é que eu não consigo me dedicar aos meus relacionamentos por causa da morte da minha mãe. Por isso eles são tão curtos, não ultrapassam seis meses.

- O que a morte da sua mãe teria a ver com o ato de se apaixonar, se entregar a alguém e amar?

Ela ficou calada por alguns segundos. O próprio terapeuta respondeu.

- Nada, Kate. Absolutamente nada. O motivo pelo qual você não consegue seguir em frente e se deixar apaixonar ou arriscar é um bloqueio que você mesma criou em sua mente. Uma barreira tão reforçada que ninguém ousava transpor. Ninguém a não ser Castle. Ele consegue ver além desses muros que você construiu. Essa é a verdade. E como você se sente com isso, Kate?

- Com medo.

- Porque medo?

Beckett mordeu os lábios. Era difícil para ela admitir.

- Medo de me entregar e perder a pessoa que amo da mesma maneira que perdi minha mãe.

- Nem tudo acontece da mesma forma, nem todos partem tão cedo das nossas vidas.

- Mas o assassinato da minha mãe já matou muitos. Quase me levou e se...e se levarem ele também?

- Ele você quer dizer Castle?

- Sim...

Ela enxugou uma lágrima teimosa que escapara molhando o rosto.

- Vamos analisar isso por outro ângulo: digamos que hipoteticamente Castle morra, e com ele a sua chance de amar, que ele morresse sem saber o que você sente por ele, sem idéia de que você sabia do amor dele. Você se preocupa se algo acontecer com ele mas diante dessa situação você estaria pronta a aceitar que desperdiçara sua chance por medo? Você não quer uma vida de “e se’s” Kate. Você só tem que estar pronta para seguir em frente.


- Castle me disse que eu me escondo atrás do assassinato da minha mãe porque tenho medo de ser feliz.

- Acredito que ambos concordamos com ele não?

Ele percebeu o nervosismo que ela demonstrava, as mãos não paravam quietas.

- Diga-me Kate. Foi tão difícil pensar na sua vida pessoal?

- Um pouco. Pra falar a verdade, o caso que trabalhei essa semana acabou me ajudando. Vi que histórias de amor ainda são possíveis no mundo real mesmo que terminem de maneira trágica.

- Você reparou nas suas palavras, Kate?

- Sim, creio que estou num grande dilema entre razão e coração. Não sei como proceder, como vou saber se estou pronta?

- É por isso que estou aqui. Quero que você esteja pronta mas preciso que você também queira a mesma coisa. Não irei pressioná-la. Iremos devagar. Baby steps, Kate.

- Obrigada.

Com um longo suspiro, Kate deixou o consultório. Duas palavras martelavam na sua cabeça.


If Only....




Continua....