Nota da Autora: Bem, sei que esse episodio não agradou a muitos. Eu gostei. Pensando nos fans, tenho duas observações: não tem NC, apenas alguns momentos cutes e manerei no angst após ver aquela promo do 513 porque vou precisar dele daqui a dois capitulos. Não se preocupem, no proximo capitulo tem uma surpresinha pra vocês.
Cap.11
Apartamento de Beckett
Castle ainda dormia sereno quando Kate se levantou rumo ao banheiro.
Checou as horas no celular.
7:30 am.
Ainda sonolenta ela entrou no chuveiro. Após um banho morno para
manter-se aquecida e enfrentar o frio da cidade, ela maquiava-se no espelho.
Assim que arrumou os cabelos, ela suspirou e olhou-se no espelho. As dúvidas
permaneciam em sua mente e ela ainda não havia se decidido sobre como iria
averiguar algumas informações importantes do passado de Castle. Deveria
aborda-lo? Incluir algum tópico ou comentário durante conversas? Sondar Martha?
Ou fazer aquilo que ela sabia de melhor: investigar?
Estava no meio de seu brainstorm pessoal quando o ouviu o celular tocar
e em seguida a voz de Castle falando com alguém. Deixou o banheiro.
- Bom dia! Temos um caso.
- Bom dia, Castle e desde quando você pode atender meu celular? E se
fosse a Gates?
- Não ia atender. Quando eu vi que era Lanie, sabia que era seguro. Além
do mais, ela atrapalhou meu sono e me deu uma bronca assim como você.
- Ah, tadinha da bela adormecida... mova esse seu traseiro lindo porque
já são quase 9h e precisamos trabalhar ou pelo menos eu preciso.
- Ah Detetive...adoro essa sua maneira tão meiga de me acordar de
manhã... perdoarei apenas pelo elogio. Eu realmente tenho um traseiro lindo o
que apenas prova que tenho bom gosto para namoradas.
Ela revirou os olhos e beijou-o quando ele se aproximou. Dando um
tapinha no bumbum dele, ela sorriu e disse:
- Se apresse, não podemos dar motivos aos outros. Você tem quinze
minutos.
- Sim, senhora.
No carro a caminho da cena do crime, Castle resolve puxar uma conversa a
seu favor.
- Dependendo de como esse caso prossiga quero lembra-la que a próxima
noite de filme sou eu quem vai escolher.
- Não mesmo! Você disse para mim que tinha direito a escolher cinco
filmes seguidos, esse foi o acordo.
- Realmente esse era o acordo se você não tivesse escolhido um filme tão
ruim na noite passada. Sendo assim, a outra regra se aplica. Filme ruim, você
perdeu, minha vez de escolher.
- Outra regra? Você está inventando isso! Ela desce do carro ainda
discutindo com ele.
- Isso é ridículo, eu nunca perco.
- Está brincando? Essa é a regra. Você perdeu a sua vez. Pergunte a ele.
- Perguntar-me o quê? – disse Espo.
- Em um relacionamento, se você escolhe um filme e você escolhe muito, muito
mal, você não perde a sua vez?
-Quão mal?
- "Dia dos namorados" – Kate falou.
-Deveria perder 2 vezes.
-O quê?
-É, só estou dizendo.
-Essas são as regras – reforçou Castle.
-São as regras – Espo concordou.
-Isso é ridículo – ela reclamou dando um cascudo no amigo.
- O corpo foi encontrado naquela caçamba por um sem teto que procurava
latinhas. Foi enrolado nesta lona.
- Causa da morte?
- Ferimento à bala. Pelo que vejo, foi baleada à queima roupa. Pouco
sangue, infiltração e falta de respingos sugere que ela foi morta em outro
lugar e depois jogada aqui. Alguém esperava que o corpo fosse levado daqui pela manhã, desaparecendo
em um aterro.
- Alguma ideia de quem ela seja?
- De acordo com a identidade, o nome dela é Holly Rhodes, mas no cartão de
visita está DJ Beat. Liguei para o número e seu agente disse que ela foi tocar
ontem à noite na festa de lançamento do álbum de Regina Cane.
-O quê? – Espo começou a divagar. Cara, você lembra do vídeo onde ela
estava vestida como uma escoteira sexy? Eu nem ligaria para o custo dos
bolinhos, venderia minha... – e parou após o olhar fulminante que recebeu de
Lanie.
- Enfim, ela foi reservada na festa até 1h.
-1h?
-Sim, por quê?
- Estimamos a hora da morte entre 23h e meia noite.
- Seja lá o que houve, aconteceu na festa – disse Castle.
- Esta tinta parece fresca – Beckett notou os números na mão da vítima.
-É um número desconhecido. Verifiquei com a empresa de telefonia.
- Certo, verifiquem se houve testemunhas. Castle e eu iremos até a Soho,
ver o que aconteceu ontem à noite.
Ao chegar no endereço, ficava claro que a festa tinha sido do arromba,
os sinais estavam espalhados por todos os cantos.
- Bom dia.
- Foi uma baita festa.
- Parece que Regina foi com tudo para promover seu novo álbum.
- Lembro-me quando Alexis colocava o grande sucesso, "Me chame de
louco", sem parar. Quem ficou louco fui eu. Claro que não era o "Dia
dos namorados." – implicou Castle.
- Com licença, somos da polícia. Onde está a anfitriã?
-Esqueça a anfitriã. Onde estão suas calças? – Castle ria - Estou certo?
Não, já estive nessa. Procure na piscina.
No quarto, Beckett tentava conversar com Regina que ainda estava grogue
e sob os efeitos da noite anterior.
-Espere, você é o quê?
- Polícia, detetive na verdade. Estamos aqui pela Holly Rhodes.
-Quem é Holly Rhodes?
-DJ Beat. Ela era a DJ da sua festa.
- Aquela safada! A cadela quase arruinou minha festa inteira. Quando saí
para me preparar para minha performance, ela deveria manter a multidão ocupada.
Em vez disso, a música parou e ela foi embora. Ela nem voltou para pegar o
equipamento.
- Está dizendo que ela saiu mais cedo?
- Sim. Por volta das 23h, depois de deixar uma lista de reprodução. Eu
não paguei por uma lista de reprodução. Se a vir, diga que quero meu dinheiro
de volta.
- Pode ser um pouco difícil, já que ela está morta. Ela foi morta logo
após sair da festa.
- Ótimo, agora me sinto mal por reclamar.
- Notou algum comportamento incomum? Ela estava tendo problemas com
algum convidado?
- Não, mas eu estava ocupada fazendo minhas rondas.
- Certo, precisarei da lista de convidados junto com os nomes de quem
trabalhou ontem à noite.
- Sem problema – e colocou a venda nos olhos novamente deitando-se na
cama - Vou pedir para meu publicitário te enviar.
Beckett olhou para Castle como quem diz. Sério?!
De volta ao distrito, Ryan atualizou-os.
Então, falei com vários outros convidados da festa e confirmaram a
história de Regina. Aparentemente, Holly saiu da festa.
- No meio da apresentação, por quê?
- Respondemos isso, achamos o motivo da morte. Alguém viu aonde ela foi?
-Sem câmeras de segurança. Estou vendo se consigo as filmagens da rua.
-Algum parente próximo?
-Não tinha ninguém.
- Holly era uma criança sozinha. Ficou em um orfanato até completar 18
anos.
- Não foi uma infância fácil.
- Talvez porque os hobbies na adolescência incluem assaltos e furtos –
disse Ryan -Em seguida, ela passou para grandes roubos.
-Algo mais recente?
-Não nos últimos 7 anos. Deve ter limpado o histórico depois que decidiu
ser DJ. Veja só, os policiais que foram ao apartamento da Holly encontraram um
vizinho que viu um homem bater na porta da Holly há alguns dias.
-Do que se tratava?
-O vizinho o ouviu gritar: "Não vai se safar com isso". Ela
não estava ou não atendeu a porta, então o cara foi embora. O vizinho está
fazendo um retrato falado.
- Consegui algo do telefone da mão da vítima –disse Espo - Pertence a
Tyrese Wilton. Parece que é um grande produtor de música.
- Ele está na lista, estava na festa – disse Castle.
- Vão ver o que ele sabe – Beckett checou o celular - Castle, Lanie
descobriu onde a vítima foi morta.
No necrotério...
- Percebi enquanto cortava as roupas, algumas manchas. O laboratório
identificou como óleo de amendoim com alta concentração de tempero.
- Significando o quê, estava comendo comida chinesa e derramou um pouco na
roupa?
- Exceto que verifiquei o conteúdo do estômago, nada chinês, e não
serviram na festa também. Então chequei com a perícia, disseram que não tinha traço
disso na caçamba. Mas sim sobre a lona, significando...
- Ela foi morta perto ou em um restaurante chinês.
- Levando-nos a todos os bairros de Manhattan – emendou Castle sentindo
um olhar reprovador de Lanie pela piada.
- E a arma?
- Parece ser uma 380, mas não há confirmação da balística no sistema. Quando
a perícia verificou a lona e as roupas, também encontraram isto... fibras
sintéticas.Também não vieram da caçamba, mas o laboratório ainda está
realizando testes. Te manterei informada.
- Se Tyrese é tão famoso, por que a entrada do estúdio é em um beco?
- Porque celebridades não querem paparazzi tirando fotos o
tempo todo. Fez o lance do cabelo?
-Que lance? – disfarçou Ryan.
- Toda vez que vai conhecer uma celebridade ou uma garota, passa a mão
no cabelo.
- TMZ disse que Tyrese estava na festa com Josie Lang. Ele está
produzindo o novo álbum dela.
- Ela não é Regina – disse Espo.
- Entendo que a imagem dela como escoteira está gravada em sua memória, mas
Josie canta muito.
- A qual a base de fãs consiste em garotas de 12 anos e você – implicou
Esposito. Enquanto ele interrogava o produtor Ryan decidiu dar uma de fanboy
pro lado de Josie.
- Desculpe, isso é loucura. Não acredito que ela está morta.
- Como você conheceu Holly, Tyrese?
- A conheci pela primeira vez na festa. Estava lá com Josie porque
estamos trabalhando no álbum dela e eu era o produtor de Regina, antes.
- Pode nos dizer por que seu número estava escrito na mão da vítima?
- Aquilo? Dei meu número para uma reunião.
- Sobre o quê?
- Sou bom em encontrar talentos. Seus remixes e batidas eram melhores
que a maioria dos artistas atualmente, me surpreendeu. Eu disse que queria
levá-la ao próximo nível.
- Como ela reagiu?
- Ficou emocionada. Disse que esperava uma oportunidade assim. Ela
deveria me ligar hoje.
- Sabe por que ela saiu cedo da festa?
- Não, mas deve ter tido algo a ver com a briga.
- Que briga?
-Já ouviu MC Matador?
- MC Matador? Sim, o rapper. Foi baleado 7 vezes, certo?
-Esse mesmo. Na primeira oportunidade, ele foi até o estande, começou a
falar bravo com ela. Pude ver que ela estava irritada, tentando afastá-lo.
Depois ele a agarrou e disse: "Da próxima vez terminará diferente".
Então ele me viu chegando e saiu. Eu ia conversar com ela sobre isso, mas...
Fiquei conversando com uns amigos e quando percebi, ela já tinha saído.
- Esse MC Matador, você o viu na festa depois que Holly saiu?
- Não, na verdade não o vi pelo resto da noite.
Esposito agradeceu e já no corredor de saída encontrou Ryan pegando um
autógrafo.
- Se puder escrever para Jenny e Kev. É uma abreviação para Kevin.
- Fanboy, vamos nessa.
-Muito obrigado. Ela vai morrer quando vir isso. Obrigado, foi um prazer
te conhecer.
De volta ao distrito, a primeira coisa que Esposito fez foi levantar a
ficha do Mc Matador.
- MC Matador...também conhecido como Darius Carson. Sua ficha criminal
inclui assalto a mão armada e tentativa de homicídio e isso somente nos prêmios
deste ano.
- Como Holly acabou se envolvendo com um cara desses?
- Seja o que for que aconteceu entre eles aconteceu antes da festa. O
cara que bateu na porta da Holly, ameaçando-a? O retrato falado do vizinho está
pronto. Parece familiar? – perguntou Ryan.
- Darius Carson...
- Ninguém me chama de Darius a não ser que seja minha mãe e, pela
aparência do corpo, você não é.
- Sim, tenho certeza que sua mãe está orgulhosa.
- Está.
- Então, Darius, de acordo com o planejador da festa de Regina, você não
estava na lista de convidados até fazer uma ligação de última hora para entrar.
- Sou fã da música dela, isso é um crime?
- Não, mas assassinato é – disse Castle.
-Eu sei que não é policial com essa camisa esquisita e esse cabelo
fofinho.
- Ele pode não ser, mas eu sou. Tem certeza que foi à festa ver Regina?
- Sim, tenho certeza. Por quê?
- Sabemos que visitou a casa da DJ Beat antes da festa. Sabemos que
brigou com ela aquela noite e então ela apareceu morta.
- Não tive nada a ver com isso.
- Mas teve algo com ela.
- Eu queria o bracelete da minha garota de volta.
- Quem estava com o bracelete?
- Dei uma festa semana passada. Contratei a DJ Beat e, no dia seguinte,
minha garota Dakota viu que a pulseira de diamante havia sumido. Aquela vadia e
o assistente desgraçado dela são os únicos que não poderiam roubar.
- A vadia tinha um assistente? – perguntou Castle querendo mostrar ser
bom no interrogatório.
- Sim, um doido que trabalha para ela.
- Então você a seguiu até a festa e quando ela correu, você a seguiu e a
matou.
- Não, eu disse que ela tinha um dia para devolver, se não...
- Senão o quê?
- "Senão" normalmente é o suficiente.
- Onde estava entre às 23h e meia noite?
- No andar de cima, com a minha garota.
- Dakota?
- Outra garota. Kaiya.
- Terei que te segurar aqui enquanto checamos isso.
- Ótimo. Aumentará minha moral nas ruas. Tirarão fotos para me fichar,certo?
Porque eu trouxe o meu maquiador.
Beckett confirmou o álibi do Mc Matador e também que ele registrou
ocorrência sobre o sumiço do bracelete. Ryan informou que verificou a lista das
festas que Holly trabalhara e de cerca de 50 eventos, foram registrados sete
furtos normalmente joias quase meio milhão de dólares. Todas furtadas durante
as festas em residências de luxo. Ela sempre levava o assistente, Paul Travers.
Trabalhavam juntos o que indicava que ele era suspeito. Beckett pediu para
acha-lo.
Ao interrogar Paul Travers, Beckett e Castle descobriram que ele não
estava na festa na noite passada e o motivo de seu nome aparecer na fatura era
porque sempre que ela ligava em cima da hora para cancelar, sentia-se culpada e
o pagava de qualquer forma. Ao informar quais festas isso aconteceu não por uma
coincidência, foram todas onde houve o registro de furto. Pela investigação dos
rapazes a única informação que sabiam sobre o cara que arrumara o equipamento
de Holly era que usava um capuz. Estavam checando algo mais com os outros
convidados. Também não houvera até o momento nenhuma notificação de roubo na
festa. Nada no apartamento dela ou nas finanças sugeriam que ela estivesse
lucrando com isso. Tudo levava ao assistente e Castle já formulava uma teoria.
- E se esse assistente misterioso é quem está por trás de tudo? Pensem
bem, ele força Holly a deixá-lo entrar nas festas. Enquanto ela está ocupada,
ele está livre para circular pelos apartamentos. E como foi contratado, ninguém
presta atenção nele. É moleza.
- E quando MC Matador enfrenta Holly, ela se apavora e ameaça dedurar o
assistente – diz Esposito.
- Isso lhe daria motivo para matá-la – concordou Beckett.
- Com Paul na fatura, não há registro. Como o achamos? Era a pergunta de
Ryan que Castle prontamente respondeu.
- Ele ajudou com o equipamento, não foi? Há impressões digitais lá.
- Mande a perícia – ordenou Beckett.
Cansada, ela decidiu encerrar a noite. Pegou seu casaco e a bolsa.
- Bem, para mim já chega.
- Vamos para casa? – perguntou Castle já animado para relembra-la da
sessão de filme que eles poderiam fazer.
- Vou pro meu apartamento.
- Ouch! Você está me expulsando da sua casa apenas porque disse que sou
eu quem escolhe o filme da noite?
- Não disse nada sobre você não ir comigo para casa, mas deixemos o
filme para outra noite, estou cansada.
- Tudo bem, comida chinesa?
- Lendo pensamentos, Castle? E sorriu para ele caminhando juntos até o
elevador.
Compraram comida e Castle ficou com ela por mais duas horas depois de
jantarem. Beckett pediu arrego para deitar-se e vendo que ela estava realmente
cansada, ele pensou em voltar para o seu apartamento. Porém, ao informar isso a
ela, ouviu protestos.
- Ah, Castle estou cansada mas isso não quer dizer que você não possa
dormir aqui. Com esse frio todo que faz lá fora, ter alguém para me aquecer não
seria nada mal.
- Diante desse pedido...
Pela manhã, Castle avisou que passaria primeiro no seu apartamento para
resolver algumas coisas e depois encontrava com ela no distrito. Deram um
selinho e ele saiu.
12th Distrito
Quando Castle chegou no distrito com os cafés, reparou que Beckett
estava fazendo um trabalho investigativo nada interessante. Checava registros
telefônicos, coisa que os rapazes podiam fazer sinal de que o caso estava
parado.
- Trabalho chato. Volto depois.
- Desde que você deixe o café – ela tomou o copo das mãos dele e bebeu
um bom gole com vontade não apenas estava desejando o café como também era uma
forma de driblar o frio que insistia em persegui-la.
-O que achou?
-O registro telefônico de Holly. Ela recebeu ligações de um telefone
pago em Washington Heights nos dias em que trabalhou nas festas onde os furtos
ocorreram.
- Talvez fosse o assistente, ligando por informações – sugeriu Castle.
- Holly cresceu em Heights, talvez seja alguém de lá, mas não nos deixa mais
perto de encontrá-lo. mas Esposito interrompeu a conversa dos dois com
novidades.
- Não é preciso. A perícia achou impressões no equipamento. São de um
Joey Malone, conhecido como "Monstro". Ele tem uma longa lista de
antecedentes. Foi preso em Washington Heights. Ele está ali. Venham ver.
- Monstro? Soa como o tipo de bandido que atiraria para matar e jogaria
seu corpo no lixo – Castle começou a divagar - Um tipo meio homem, meio
montanha, cheio de tatuagens feitas na cadeia. Ou...ele é calmamente perigoso?
Como Javier Bardem, nos filmes em que tem o cabelo estranho.
- Olhem vocês mesmos. Cuidado. Eis o Monstro – e a decepção de Castle
fora justificada ao ver que o Monstro não passava de um garoto.
- Parece mais um monstrinho.
- O que sabemos sobre o garoto?
- Não tem parentesco com Holly. O pai morreu de overdose quando ele
tinha 7 anos. A mãe cometeu suicídio há alguns anos. O tio, Martin Decker, é
quem tem a guarda.
- Onde ele está?
-Não está em casa. Notifiquei o serviço social. Talvez saibam como
achá-lo.
-E ele tem antecedentes?
-Tem.
- Foi preso por invasão, furto, resistência à prisão.
- Agora ele avançou para novas bases.
- Então, qual é o plano?
- Entrarei sozinha para que não fique intimidado. Vejamos o que tem a
oferecer.
- Tem 14 anos. Difícil acreditar que seja capaz de algo assim. Comentou
Castle.
- Não no mundo dele.
Beckett entrou na sala de interrogatório.
- Oi, Joey. Sou a detetive Kate Beckett.
- A maior gostosa é o que você é.
- Agora que já estamos esclarecidos, preciso te fazer umas
perguntas.
- Precisa da permissão do meu responsável. Pelo que eu saiba, sou menor.
- Estamos nos esforçando para contatar seu tio. Enquanto isso, tenho
permissão para falar com você.
- Então fale.
E Beckett tentou várias abordagens com o garoto, ele evitada falar, era
quase monossilábico. Falou dos roubos, da contratação para ajudar a vitima e
seu suposto sumiço no meio da festa não obteve sucesso apenas a negação de Joey
sobre o assassinato e um possível álibi. Quando Beckett o pressionou para
explicar porque deixara a festa na metade e todo o equipamento, ele se negou a
responder.
Discutindo o caso com Castle e os rapazes, Beckett não acreditava que
Joey era o assassino. Havia uma mente por trás dos roubos planejando cada passo
e todos suspeitavam que o rapaz conhecia essa pessoa. Além disso, o álibi dele
foi confirmado. O gerente do local as vezes deixava ele jogar videogame lá e
durante a morte de Holly era exatamente ali que ele se encontrava. Quem quer
que fosse o cabeça da operação, Joey o conhecia então Esposito se ofereceu para
tentar quebrar o garoto e descobrir algo mais. Assim que entrou na sala onde o
garoto estava detido e colocou uma lata de coca-cola na mesa, ele logo
perguntou por Beckett.
- Cadê a detetive gostosa?
- Está olhando para o gostoso. Não ria. Já saí no calendário da polícia.
- Aposto que vendeu muito. Então, você deve ser o policial bonzinho.
- Não sei disso. Mas posso ser a chave para você sair dessa.
- Sério? Como isso funciona?
- Sabemos que não matou Holly. Só roubou várias joias.
-Não...
-Poupe-me. Não ligo para as joias. Podemos esquecer essas acusações. Só
queremos o nome do cara que te meteu nesta.
- Nem sei do que está falando.
- Joey, fala sério. Dei o bilhete premiado a você. O certo é aceitar e
não rasgá-lo.
- Aposto que essa é a parte em que você fala que não sei a gravidade da
minha situação. Que, a menos que diga o que sei, você não pode me ajudar. Então
vai se aproximar, como se ligasse para mim e fosse meu amigo, e fará promessas
que nunca cumprirá.
- Cumpro todas minhas promessas, irmão.
- É o que todos dizem.
- Essa oferta tem prazo de validade.
- Não estou interessado.
- Está bem. Dê uma olhada nisto – Esposito mostrou as fotos da cena do
crime - Foi como Holly acabou. Baleada, jogado no lixo. Acha que ela merecia
isso? – percebeu que o garoto estava intrigado - O quê? Não vai dar uma
resposta espertinha agora? Você trabalhou com essa mulher. Você a conhecia. O
mesma cara que te pôs para roubar joias fez isso com a Holly. Ele usa garotos
como você. E consegue escapar enquanto você é interrogado. Sabe o que você é para
ele agora? Você é uma ponta solta. Então dê uma boa olhada porque é o seu
futuro. Esse é você.
- Você está errado. Ele não vai me machucar – mas estava pensativo e
Espo viu nisso sua oportunidade.
- Não vai, se o impedirmos. Só preciso do nome dele, Joey.
- Ainda não sei de quem você está falando – mas Joey não se rendeu.
A assistente social chegara ao distrito e conversava com Beckett e
Esposito. Apesar de não ser uma criança fácil ela não acreditava que ele fosse
capaz de matar. Também informou que não havia localizado o tio de Joey e sendo
assim, caso a policia não fosse indicia-lo pelos roubos, ela iria encaminha-lo
ao lar temporário, um abrigo. Sabendo da sua importância para o caso, Esposito se
ofereceu para tomar conta dele. A assistente social concordou por apenas uma
noite e reafirmou que a responsabilidade era totalmente dele. Apesar de ser
surpreendida a principio, Beckett concordou em dar esse voto de confiança ao
amigo. Esposito levou o garoto para seu apartamento.
- Prefiro uma festa do pijama com uma policial.
- Parece que perdi no "zerinho ou um". Literalmente.
- Cara, não me espanta que seja solteiro. Nenhuma mulher ficaria aqui a
não ser contra sua vontade.
- É, e você, Martha Stewart? E sua casa? É luxuosa e chique? Com ênfase
no luxuosa?
- É um buraco, mas não é minha culpa. Meu tio prefere gastar todo seu
dinheiro nas mesas.
- Por isso ele é tão ocupado para nos ligar.
- Não espere ao lado do telefone. Só se preocupa em me declarar como
dependente.
- Meus pais se separaram quando tinha 5 anos. Cara, tire os pés da minha
mesa – espo continuou - Papai se mudou para Flórida com a nova mulher. Depois
disso, o que tive foi um telefonema ou um cartão.
-Cartão?
-É.
-Quantos anos você tem?
-Sou velho, mas... jovem o suficiente para me lembrar como é. Você deve
sentir falta dos seus pais.
- Depois que meu pai morreu, minha mãe seguiu em frente. Tentou fingir
que ainda éramos uma família normal. Ela fez o melhor para tomar conta de mim, até...
que ela não pôde mais.
-Agora, toma conta de si mesmo.
-É. Olhe, cara, sei que você não precisava fazer isso. Ficar comigo, eu
me refiro. Então, obrigado.
- Vou pegar um cobertor e um travesseiro – Esposito se levantou e
deixou-o na sala.
- Pelo menos, não economizou no audiovisual.
- Está certo. E eu tenho Assassin's Creed III. Vá em frente e jogue. Coloque
para duas pessoas para que possa te ensinar.
- Aposto US$ 20 que não passa do nível 1.
- O quê? Maluco. E pra surpresa de Esposito, o garoto fugira pela
janela.
Em outro canto da cidade, Kate Beckett estava deitada na cama ao lado de
Castle que dormia serenamente. Ao contrario dela que se pegou pensando nas
palavras de Esposito sobre Joey: o garoto nunca teve um pai, precisa de
atenção. Quando ouviu isso, ela lembrou-se imediatamente de Castle. Desde a sua
conversa com Meredith, ela vinha remoendo essa situação na sua mente. Sabia
pouco sobre essa história da vida de Castle. Ele nunca comentava. Ela podia
inclusive dizer que ao avaliar a relação dele com Alexis, podia afirmar que
Martha fez um ótimo trabalho como mãe e pai. O homem criado por ela era o
oposto do que poderia ter se tornado. A falta da figura paterna não contribuiu
negativamente para a formação do homem.
Castle era especial. Mesmo assim, será que ele não se arrepende de não
saber a verdade? De não conhecer o pai? Sua origem? Precisava encontrar um meio
ou esse assunto ficará martelando na sua cabeça por muito tempo. A exemplo do
caso da sua mãe, esse era um assunto delicado para ele e consequentemente para
ela. Kate lembrava-se como ficara possessa com Castle quando ele investigou por
conta própria algo tão importante para ela. Qualquer passo em falso afetaria
demais seu relacionamento com ele e isso era algo que certamente não estava
disposta a arriscar. Kate suspirou e aconchegou-se ao corpo quente ao seu lado
e fechou os olhos buscando pelo sono antes da chegada da nova manhã.
XXXXXXXXX
Na manhã seguinte no distrito, Esposito chega com o garoto algemado a
ele.
- Sente-se.
- Pode explicar? Perguntou Ryan.
- O quê? As algemas?
- Não, não. O seu sapato estiloso – debochou Ryan - É, as algemas.
- O Júnior aqui deu uma de Houdini essa noite.
-Quem diabos é Houdini?
-Cale-se.
-Pela janela?
-Foi.
- Desceu pela saída de emergência?
- Foi. Depois pegou um caminhão de lixo. Depois, de skate por 5
quarteirões até alcançar o trem.
-Como o pegou?
-Não pegou – retrucou o garoto.
- Cale-se – Espo viu ele mexendo nas suas coisas - O que... Dê-me isso. Confisquei
a bicicleta de um cara. E ele me despistou no metrô. Mas eu o peguei na estação
seguinte. O garoto é esperto. Mas eu sou mais.
- Igual a Operação França. Enquanto isso, a perícia identificou aquelas
fibras encontradas na lona que envolvia Holly.
-De onde são?
-Alemanha. Baseado na composição química e na cor, são de um carpete usado
por um fabricante de automóveis de luxo europeu no porta-malas de sua linha.
- Agora sabemos como o corpo acabou naquela construção.
- A perícia reduziu ao modelo BMW X5/2010-12. Vou pesquisar perto do
canteiro de obras, se alguém viu um carro desse tipo rodando o lixo.
Nesse momento, Beckett e Castle aparecem carregando umas pastas que
continham informações de Joey. Como Esposito não conseguiu nenhum progresso com
o garoto, eles sentaram-se numa sala e começaram a vasculhar os documentos. O
histórico do rapaz era expressivo e começara cedo. Em meio as fianças e
prisões, Esposito identificou um nome Shane Winters. Beckett achou outro link,
Holly também escapou de uma prisão pela mesma pessoa. Isso não era coincidência.
Ao puxar o histórico dele a lista tinha todo tipo de atividades, tráfico,
furto, assalto com arma e certamente usara Holly para isso. Depois que Holly se
reabilitou, Shane passou a usar Joey especialmente ao saber o poderia tirar de
proveito. Outra descoberta importante: Shane dirige um BMW X52010. Infelizmente
ao mandar oficiais no ultimo endereço dele não o encontraram.
Esposito ficou realmente irritado. Voltou a procurar Joey e o pressionou
para entregar Shane. Mais uma vez, o rapaz se manteve fiel e não dedurou seu
suposto protetor. Indignado, Esposito se sentiu impotente. Mesmo com o aviso
que eles distribuíram pela cidade, nenhuma pista positiva chegara até ele. Felizmente,
Ryan conseguiu uma possível pista do seu paradeiro com um outro colega. Esposito
tomou a frente da busca.
Esposito entrou num bar e logo percebeu a presença de Shane. A garçonete
ficou perguntando o qie ele queria beber. O segurança de Shane quis logo impor
moral porém o detetive não se intimidou. Pediu um saco de gelo e acertou em
cheio uma joelhada nas partes baixas do segurança levando-o ao chão. Agora
frente a frente com Shane, Espo descobriu que Joey havia alertado o
companheiro. Por mais que Espo quisesse uma resistência a prisão, Shane apenas
colocou as algemas e se deixou ser escoltado para o distrito.
Durante o interrogatório, Esposito e Ryan forçaram tudo o que podiam em
sua teoria sobre a exploração dos jovens, a oportunidade de usar Holly para
abrir passagem nos roubos e a possível não aceitação da moça que o levou a
matá-la. Shane negou tudo e ainda desafiou aos dois que não podiam provar.
Quando Ryan comentou que as fibras encontradas no corpo de Holly eram do tapete
do carro dele, Shane contou aos detetives sobre um “acidente” que acontecera
pela manhã. Ele esqueceu um cigarro na BMW que incendiou todo o carro não
deixando nada para ser avaliado pela policia e debochou mais uma vez deles
dizendo que não tinham prova. Satisfeito com seu depoimento, ele pediu o
advogado.
Esposito deixou a sala e foi novamente falar com Joey. Ele sentou-se de
frente para o garoto.
- Você avisou o Shane. Depois de fugir ontem, você ligou para ele. Avisou
que ele era suspeito, o que lhe deu a chance de queimar seu carro, encobrir seu
papel na morte da Holly. Parabéns, Joey. Você o ajudou a se livrar de um
assassinato. Eu te encheria de porrada por ser tão burro, se fosse mudar algo. Mas
não vai, porque... você é tão leal. Vamos ver como Shane retribui o favor.
E Esposito mostra a gravação da última conversa do interrogatório de
Shane dentre todas as acusações que poderiam acontecer a Joey o que fora
enfatizado era o fato do promotor querer julga-lo com adulto. As palavras de
Shane foram bem diretas: se o garoto cometeu o crime, ele tem de cumprir a
pena.
- Já viu o bastante? Ainda quer protegê-lo? Aquilo finalmente parecia
ter despertado a cooperação de Joey.
- Olhe... Foi como você falou. Eu entrava com Holly, roubava joias
caras. Quanto mais, melhor. Mas, dessa vez, foi diferente.
-Por quê?
- Shane disse que meu alvo era um produtor musical, Tyrese...
-Tyrese Wilton.
- É, ele. Foi estranho. Eu deveria pegar seu celular.
-Por que seu celular?
-Sei lá, mas o peguei.
- Certo, e aí?
- Holly acabou descobrindo e pirou. Ela foi pra cima de mim e mandou eu
devolver o telefone. Fiquei com medo, pois sabia que andava armada, mas já
havia passado o telefone para Shane. Então eu me mandei de lá, foi a última vez
que a vi. Eu não sabia que ela acabaria morta. Não sabia que Shane a mataria.
Não há dúvidas de que alguém como Shane a mataria, mas parece que não
matou. Ele tem um álibi. E com o carro queimado não tem como testar para as
fibras. Ryan verificou que a arma de Holly era uma .380 o que indicava que ela
havia sido morta com a própria arma. Castle estava intrigado com o elemento de
roubo.
- Algo não faz sentido... O celular de Tyrese Wilton. Por que Shane
mandaria Joey roubar um celular que vale algumas centenas de dólares? Ainda
mais quando deveria ter tanta prata na festa.
- Cara, ninguém mais fala "prata". Tente "brilho".
- Algo mais não faz sentido – disse Ryan - Perguntamos aos convidados se
havia sumido algum bem. Todos negaram, então...
- Por que Tyrese Wilton não disse que seu celular sumiu? Com essa
dúvida, Beckett mandou Ryan e Esposito atrás dele.
Em frente ao Studio de Tyrese, eles notaram um restaurante chinês quando
um funcionário saiu carregando um saco de lixo para despeja-lo na lixeira. Ryan
checou o conteúdo da lixeira e Esposito notou os respingos de sangue na parede.
Aquela era a cena do crime.
Eles entraram no Studio de Tyrese para conversar com ele.
- Está dizendo que Holly foi morta em frente ao meu estúdio?
- Isso mesmo. Então por que não nos diz o que ela fazia aqui?
- Como eu vou saber?
- Então nos diga o que você fazia entre 23h e 0h na noite da festa.
- Eu estava na festa. Fiquei lá até depois de 1h. Podem verificar.
- Foi perguntado a você se algo seu sumiu naquela noite. Não mencionou
seu celular.
- Porque ele não sumiu.
- Não precisa mentir, Tyrese.Falei com quem o roubou.
- Quero dizer, ele sumiu por umas horas, mas depois apareceu. Estão
vendo? Achei no banheiro no final da noite.
- Se Joey o roubou, como ele voltou para a festa? Perguntou Ryan.
- Quem o devolveu não queria que sentissem sua falta. Shane queria algo
de valor, que pudesse vender. Tyrese, o que tem nesse telefone? Informações
bancárias, fotos, dados de valor?
- A única coisa importante é que o uso como E-key.
- E-key?
- Uma chave eletrônica. Ela abre o estúdio.
- Holly sabia disso?
- Sabia. Mencionei quando dei pela falta dele. Ia mandar meu número por
SMS, mas tive que escrevê-lo em sua mão.
- Por isso Holly veio aqui. Ela percebeu que Shane roubou o celular, pois
ia roubar o estúdio.
- Ela não permitiria isso, pois Tyrese lhe daria sua grande chance.
- Ela vem confrontar Shane, impedi-lo de te roubar.
- Parece que conseguiu, pois não nada sumiu.
-Tem certeza?
- Absoluta. Há mais de US$ 2 milhões em equipamentos e nada... Meu Deus.
- O quê? Tyrese se virou para o computador procurando por algo.
- As gravações. Se alguém pusesse as mãos em um álbum não
lançado...Valeria uma fortuna. Sem falar que afundaria as vendas, se vazasse on-line.
Essa não. O álbum de Josie Lang foi acessado às 23h45 na noite da festa. Alguém
copiou os originais.
- Shane.
De volta ao distrito, apesar da insistência de Esposito em incriminar
Shane, Beckett reafirmou que ele tinha um álibi sólido o que deixou o
companheiro ainda mais irritado. Ryan sugeriu revisarem os faots, faltava algo.
- Sabemos que Joey deu o telefone a Shane cerca de 23h e que o álbum de
Josie Lang foi copiado às 23h45. Holly foi morta entre 23h e 0h.
- Espere aí! – disse Castle - A chave para tudo isso é o telefone. Assumimos
que foi Shane quem o usou no estúdio. Pois Joey deu o telefone a ele.
-Certo.
- Mas testemunhas o colocam no bar entre 23h30 e 0h. O álbum foi copiado
do estúdio às 23h45. Foi outra pessoa.
-Quem? Ryan perguntou.
- Tem que ser alguém da festa – e Castle olhou para Beckett que
corroborou a ideia.
- Então, quem entrou no estúdio, deve ter devolvido o telefone durante a
festa, para que Tyrese nem notasse que havia sumido.
- Só temos que descobrir qual dos convidados tem algo a ganhar em roubar
o álbum de Josie.
E eles fizeram a lição de casa. Dessa forma, Beckett e Castle foram
procurar a pessoa que tinha todos os motivos do mundo para cometer aquele
crime. Regina estava ensaiando quando eles chegaram ao Studio.
- Oi! Não receberam a lista de convidados que enviamos?
- Recebemos. Precisamos fazer umas perguntas sobre seu cronograma na
noite da festa.
- Sim, claro.
- Segundo o planejador da festa, você se retirou às 23h para mudar o
traje para uma performance de uma música de seu novo álbum. Correto?
- Parece estar certo. Só vou aonde me dizem para ir, sabem?
- Mas, segundo o planejador, você insistiu em levar uma hora.
Já tentou colocar calças justas de couro? Demora séculos. Por quê? O que
tem isso?
- Essa hora te deu tempo o suficiente para ir ao estúdio de Tyrese
Wilton, copiar o novo álbum de Josie e voltar à festa para a apresentação –
disse Beckett.
- Estão loucos? Por que eu faria isso?
- Porque a venda dos seus álbuns está caindo há anos. Se o novo não
melhorasse, sua gravadora te deixaria.
- Estou com a Harmonia 360 há 10 anos. Eles me amam.
- Não é segredo que Josie roubou seu foco.
- Fala sério! Ela chegou há 2 segundos. Daqui a um ano, nem lembrarão o
nome dela.
- Não importa. Os álbuns das duas saem semana que vem e ela acabaria com
você – disse Castle.
- A não ser que alguém, misteriosamente, vazasse o novo álbum da Josie
on-line – completou Beckett.
- Seu plano foi simples. Contratar Shane para roubar o telefone e você
poder entrar no estúdio.
- Mas Holly não fazia parte do plano. Ela apareceu e te flagrou saindo
do estúdio. Não podia arriscar ela te entregar.
- Vocês brigaram, ela pegou a arma para se proteger, mas foi você quem a
usou nela.
- Ligou para Shane e o fez se livrar do corpo.
- Estão de brincadeira? Isso é especulação.
- Mas não é especulação que contratou a DJ Beat. Como soube sobre ela?
- Boca a boca.
- Ou seu guarda-costas cresceu com Shane Winters. Shane te fez contratar
a DJ Beat para que Joey pudesse entrar e roubar o telefone.
- Sabe o que mais é um fato? – disse Castle - O mandado para seu
provedor de Internet.
- Ele revelou a conta de e-mail que você criou para comunicação com o
hacker que vazaria o novo álbum de Josie on-line. São fatos o suficiente para
você?
- Minhas vendas podem estar baixas, mas ainda posso pagar um ótimo
advogado – ela disse não se dando por vencida.
Apesar do caso estar resolvido, Esposito voltou ao bar onde teve mais
uma conversa com Shane. Ele definitivamente ameaçou o cara caso ele
importunasse Joey ou qualquer outra criança, se isso acontecesse Esposito iria criar
uma cena onde seria baleado e por legitima defesa mataria Shane. Isso foi o
bastante para ele entender o recado.
No fim do dia, Esposito deu uma carona a Joey. Ao parar o carro, ele
ordenou.
- Pegue aquela pasta ali atrás.
- Acha que sou sua secretária?
- Pegue logo. O garoto obedeceu.
- Não foi o bastante eu resolver o caso por você?
- Leia-a.
- Registro do menor... Javier Esposito.
- É. Os velhos tempos.
- Agressão, resistência à prisão, posse ilegal...
- É...
- Você era um desastre.
- Pois é. Era tudo o que eu sabia fazer. Pai foi embora, mãe trabalhando
em 2 empregos... No meu bairro, você fazia o que precisava para sobreviver. Nem
todos conseguiram.
- É agora que você me diz que preciso ser homem e tomar rumo, como você
fez?
- Não funciona assim. Precisa de ajuda. Comigo, foi um de meus
professores. Ele viu um futuro para mim... que eu mesmo não via. Mas fui eu
quem precisou fazer a escolha. Decidir qual caminho seguir. Vi sua orientadora
escolar.
-O quê?
- Ela me ligará se você continuar matando aula.
- Fala sério, cara.
- E eu vou te ligar uma vez por semana. Para ver como está.
- Vou à aula. Se você concordar em trocar seus móveis. Não transará
regularmente com aquele lixo que você tem. Só estou pensando no seu bem – e deu
um tapinha nas costas de Espo.
- Aqui – Espo estendeu o cartão - Se precisar de algo, sendo dia ou
noite, ligue para mim nesse número.
- Está certo. Você até que é legal. Para um policial.
- Eu sei. Agora saia daqui.
Assim que Joey desceu, Esposito dirigiu rumo a sua casa. No caminho, ele
pensava nas palavras do garoto. Devo trocar meus móveis, quem esse moleque
pensa que é? – ele riu - Eu consigo garotas, me dou bem, tenho sex appeal e...
– de repente ele lembrou que durante o natal fora praticamente esquecido pelos
amigos. Tudo bem, essa não era a palavra certa mas todos eles tinham algo a
fazer, até Beckett mudou a sua rotina por causa do relacionamento com Castle.
Kevin pretendia começar uma família, e ele?
Esposito lembrou de Lanie. Ela também o dispensara no natal mas deixara
a porta aberta para procura-la se quisesse, a pergunta era Espo queria? Quer
dizer, quando os dois estavam juntos era muito bom, gostava de Lanie, de estar
com ela. Era divertido, era fácil e o sexo era realmente fantástico porém, ele
estava pronto para entrar em um relacionamento sério? Não deveria explorar as
possibilidades lá fora? Afinal, estava em New York, as chances eram enormes.
Somente ao entrar em casa e se deparar com o silencio de uma noite fria foi que
Espo se deu conta que a vida de solteiro poderia já não ser tão boa assim.
Apartamento de Castle
Eles acabaram de jantar e estavam jogados no sofá. Castle procurava
algum programa interessante na TV caso contrário ele já havia separado um filme
para eles se divertirem. Kate se aproximou dele e acariciando o braço dele, ela
fez uma carinha manhosa e falou.
- Castle, estou com vontade de tomar sorvete...você pega para mim?
- Sorvete? Kate está -9 graus lá fora! A última coisa que deveríamos
comer agora era isso. Não prefere um café?
- Qual o problema, Castle? Estamos em casa, aquecidos, seria
perfeitamente normal tomar uma taça de sorvete com cobertura a menos que... –
então ela se lembrou de algo – ah, não! Eu não acredito que você está me
negando sorvete! Seu egoísta!
- Egoista? Eu não disse nada!
- Castle, caso você ainda não tenha percebido você é um viciado em
sorvete! E se me diz isso, é porque ou deve ter pouco sorvete no seu freezer ou
não quer dividir.
- Eu não sou egoísta e nem viciado em sorvete! Você está enganada.
- Estou? Fim de semana passado eu comprei um litro de sorvete na sexta à
noite, no domingo não tinha nem uma colher e eu apenas comi duas taças. Me
explique como um sorvete acaba assim tão rapidamente se não for vício? Em menos
de três dias com somente duas pessoas em casa?
- Já pensou que eu precisava repor as energias que você me tirou e o
sorvete era a única coisa disponível na sua geladeira? – ele implicou sabendo
que estava errado, queria despertar a fera.
- Como você pode falar isso? Mentiroso! Tinham muitas opções na minha
geladeira mas um viciado como você só enxergaria o sorvete...
– ótimo! Não quer
me dar o sorvete, azar o seu – ela afastou o corpo dele cortando o contato,
Castle sabia exatamente o que ela queria dizer. Passaram um minuto calados
quando Castle resolveu fazer as pazes. Ele se levantou e sumiu rumo à cozinha.
Um sorriso maroto apareceu no rosto de Kate enquanto ela pensava funciona todas
às vezes. Castle voltou com uma taça de sorvete caprichada e claro com
cobertura, exatamente como ela queria.
- Obrigada.
- Percebeu que a gente estava brigando por uma besteira?
- Culpa sua por se comportar como um menino mimado. Tudo que você
deveria fazer era dividir o seu sorvete comigo.
Castle sentou ao lado dela. Beijou-lhe o rosto. Ainda tinha esperança de
tomar um pouco daquele sorvete. Kate se deliciava com a taça a sua frente. Ela
sabia que Castle queria um pouco mas ela queria implicar com ele. Gostava
disso. Ela já estava na metade da taça quando finalmente ele criou coragem para
pedir.
- Hey, Kate você não vai me deixar provar nem uma colher?
- Não – ele fez logo um bico - tenho uma ideia melhor.
Ela deixou a taça sobre a mesa, levou mais uma colher do sorvete à boca
fazendo com que o liquido e a calda melassem bem os seus lábios, então virou-se
para Castle e o empurrou no sofá. Seus lábios encontraram os deles e ela os
movia vagarosamente proporcionando a Castle a chance de sentir o gosto do
sorvete. Os lábios moviam-se continuamente provocando arrepios na pele dela.
Kate invadiu os lábios dele com a sua língua buscando por um contato mais
profundo. Castle podia sorver o gosto da calda de chocolate em sua boca e a
puxou contra si prendendo-a completamente em seus braços chegando exatamente
onde Kate queria quando toda essa história começou.
Ele a empurrou contra o sofá e com os dedos ágeis já abriu todos os
botões da blusa dela. Kate alinhou as pernas ao redor da cintura dele,
apertando-o fazendo-o sentir ainda mais desejo por ela. As bocas não se
deixavam nem por um segundo e Kate sentiu a mão dele deslizar e abrir o botão
da calça dela. Kate já estava muito excitada e por isso abriu a camisa de
Castle rapidamente, ela queria o calor da pele dele junto a sua.
Os beijos tornaram-se ainda mais intensos e Castle começava a arrancar
gemidos dela ao brincar com os seios mesmo sobre o tecido do soutian. Ele
acariciava-os e apertava os mamilos de leve, provocando. A temperatura lá fora
poderia estar a baixo de zero mas ali naquela sala, ela subia a cada minuto. Estavam
absortos um no outro que nada nem ninguém seria notado. Estavam num mundo
somente deles.
A porta do apartamento se abriu e a voz ecoou no ar.
- Hey, Richard...cheguei você não vai acreditar no que eu...OMG!
Kate tomou um susto tão grande que se desequilibrou e os dois foram ao
chão batendo na taça de sorvete espalhando o resto do liquido no chão.
Automaticamente, Kate tentou se cobrir com a blusa, a vergonha exposta em seu
rosto.
- Martha...
- Mãe! O que você está fazendo aqui?
Kate não sabia onde enviar o rosto morta de vergonha. Sentia-se com 15
anos novamente e tudo que queria era um buraco para se enterrar.
- Relaxem crianças! Não há nada de novo no que vocês estão fazendo. E
Kate querida não precisa ficar envergonhada. Você é a namorada dele e já basta
o fato de você ter se escondido no closet da outra vez.
Kate virou-se para Castle e de olhos arregalados perguntou: - O que? Ela
sabe sobre o closet? Castle!
- Kate, sou mãe. Sei de tudo. Agora se componham e voltem a sua
diversão. Eu vou subir para o meu quarto. Finjam que não estou aqui.
E Kate se deixou cair no sofá com as mãos na cabeça.
- Que vergonha!
- Hey, está tudo bem. Minha mãe é descolada.
- Não está tudo bem. Como você não me contou que ela sabia do meu
momento de vergonha alheia?
Ele se aproximou dela e a abraçou. Beijou-lhe a testa e sorriu para ela
que enfiava a cabeça no peito dele como uma menina acanhada.
- Taí algo que nunca pensei ver sobre Kate Beckett... não sabia que você
era uma mulher envergonhada, sempre me pareceu o contrário.
- E você está certo, não sou mas é a sua mãe. É diferente!
- Não é nada diferente. Na verdade, você vai ver que logo estarão dando
boas risadas sobre isso. Ok, façamos assim. Você sobe as escadas, relaxa, toma
um banho enquanto eu limpo isso aqui. Já
subo e podemos continuar a nos aquecer.
Ela suspirou levantando-se do sofá.
- Eu não sei... acho que não consigo...
- Consegue sim... – ele ergueu-se do sofá e fez Kate virar o rosto para
ele. Beijou-a carinhosamente – vá. Prometo que vou recompesá-la muito bem por
tudo isso.
Ela sorriu para ele e mantendo a blusa fechada, ela começou a subir as
escadas. Mesmo diante da vergonha que passara, ela sabia que Castle tinha
razão. Daqui a uns dias ela e Martha estariam rindo dessa situação. Aliás,
ultimamente ela vinha achando que Castle tinha razão sobre muitas coisas.
Jogando-se na cama, Kate se deixou rir.
- Acho que estou muito sentimental... culpa dele.
Ela se deixou divagar fechando os olhos. Kate já estivera apaixonada
antes mas sentia que dessa vez era muito diferente e que baixara quase todas as
suas defesas para Castle e mesmo sabendo que isso a deixava mortificadamente
apavorada algumas vezes, ela adorava a sensação de poder se entregar a ele
quando tinha vontade. Era por esse motivo que se preocupava em saber se Castle
estava pronto para cair de cabeça naquele relacionamento com ela. Eles já
provaram que arriscariam a vida um pelo outro mas Castle estava pronto para
revelar a ela seus mais obscuros medos e segredos?
Ela sentiu o toque quente sobre a pele e sorriu. Ao abrir os olhos, o
viu debruçado na cama ao seu lado.
- Você tem ideia de quão linda fica assim? Deitada nessa cama de olhos
fechados? Ela sorriu.
Castle colocou o corpo sobre o dela e beijou-a.
Naquele instante como um passe de mágica, ela esqueceu de todas as suas dúvidas
e se entregou aos carinhos do seu escritor favorito.
Continua.....