domingo, 24 de agosto de 2014

[Castle Fic] There's Always Tomorrow - Cap.20


Nota da Autora: Antes de falar sobre esse capítulo, uma pequena observação a respeito do último. Amei o fato de várias pessoas notarem a referência feita a Nadine, personagem da série mortal de JD Robb (aka Nora Roberts). Escolhi o nome porque pensei, independente da entrevista, Kate como Eve merece a melhor. Voltando ao capítulo a seguir: é fofo, engraçado e leve. Hora de celebrar. Isso não quer dizer que acabou o angst... 
Uma última observação: choquei ao ver que Castle escreveu algo bem parecido a minha dedicatória e a uma frase que verão nesse capitulo em seu livro Raging Heat... nossa! Juro que não tenho acesso a Marlowe e Cia! Bem, vamos ler! Enjoy! 


Cap.20


- Oh, meu Deus! – Kate gritava quando uma nova contração a atingia – Castle...anda... ai...- ela fechava os olhos e mordia os lábios – Castle! – ao olhar para o marido, percebeu que ele estava grudado ao volante de olhos vidrados, goticulas de suor escorriam pela testa – ah, não... isso não é hora de pânico. Ela se ajeitou na cadeira virando o rosto dele pra si, segurando com as duas mãos. Mantendo o olhar fixo ao dele, falou.

- Castle, olha pra mim. Eu estou com dor. Nosso filho nascerá a qualquer momento e definitivamente não quero que seja nesse carro. Você pode fazer isso, precisamos chegar ao hospital a tempo. Eu esperei por você porque não podia fazer isso sozinha. Dirija agora ou será que vou ter que te ameaçar com uma arma? – violência definitivamente não ia ajudar, acariciando o rosto dele com as pontas do polegar mudou de tática – Cas... a dor está demais, só você pode fazer isso parar, por favor, esse é o momento mais importante da minha ... Deus! – ela prendeu a respiração e fez careta para aguentar a contração que a tomava, respirou fundo – lembra daquela vez que você salvou New York de uma bomba? Considere que sou essa bomba prestes a explodir – mordiscou os lábios tentando driblar o resto da dor ainda em seu corpo – se você me ama, pise já nesse acelerador! Castle... eu disse já! – ela apertou o ombro dele tão forte que isso o fez despertar do transe.

- Certo...hospital....acelerador...certo – as palavras ainda não haviam encontrado seu melhor discurso, mas pelo menos ele conseguira focar na direção e saíram da garagem rodando apressados pelas ruas da cidade, o coração estava a mil. Ele e Beckett iam ter um bebê! Um sorriso escapou aos lábios. De todas as coisas mais desejadas, uma criança não passara por sua mente, um filho com a mulher fantástica ao seu lado, virou o rosto para observa-la, tinha os olhos fechados e respirava forte e pausadamente. Esticou a mão para toca-la buscando a dela. O pensamento o fez acalmar-se – está tudo bem. Estamos quase lá, Kate - Seus olhos se encontraram demosntrando a confiança mútua – vai ficar tudo bem - repetiu.

Castle estacionou na entrada da emergência do hospital. Com pressa, desceu do carro e já foi gritando.

- Minha esposa vai ter um bebê. Está em trasbalho de parto. Rápido! – ele já abria a porta do passageiro para ajuda-la. Um enfermeiro se colocou ao lado dela com uma cadeira de rodas. Devidamente acomodada, ele empurrou a cadeira atraves da porta passando pelo corredor da recepção.

- Mulher em trabalho de parto, bipem a doutora Robbins. Ela está de plantão hoje. Senhor – virou-se para Castle – precisa dar entrada na recepção. Nome, doumentos, plano de saúde. Precisamos da liberação caso tenhamos que leva-la a sala de cirurgia. Esperarei aqui.  

- Certo, recepção – Castle correu até uma moça novinha que parecia ter menos idade que Alexis. Entregando os documentos e respondendo a uma série de perguntas, finalmente após quinze minutos, ela conseguiu terminar o registro. Ao chegar quase sem folego ao lado do enfermeiro, o mesmo definiu os próximos passos.

- Vamos para o terceiro andar, obstetricia. A doutora está nos esperando – tomaram o elevador. À medida que o tempo passava, Kate ficava mais calma, Castle mais nervoso. Assim que chegaram à recepção do andar determinado, uma moça, enfermeira, já esperava por Kate a fim de envia-la até a sala de exames para que a médica checasse o estágio do parto e se as condições determinariam a necessidade de uma cesaria. Com toda a simpatia, pediu a Castle que esperasse no hall de espera enquanto a sua esposa era atendida. Prometeu que retornaria para lhe dar notícias.

- Você não vai leva-la para a sala de cirurgia agora? Eu quero estar junto, quero ver meu filho nascer – percebeu que estava ansioso e nervoso. Kate também atentou para o fato. Deslizando sua mão na dele apertou-a com carinho buscando acalma-lo e falou.

- Hey... não vou ter esse bebê sem você ao meu lado, babe. Não esperei seis meses para fazer isso sozinha. Você vai comigo quando for a hora.

- Isso, a médica quer ter certeza da condição da paciente, papai. Depois que terá como dizer quando o seu bebê vai nascer. Fique aqui comportado que voltarei logo com noticias.

- É Castle, prometo que não vai ficar sozinho por muito tempo, por que não aproveita para avisar Alexis e sua mãe? E por favor, ligue para Lanie.

- Tudo bem. Vou fazer isso – se abaixa e fala com a barriga dela – aguenta firme, garotão! Logo você estará nos braços do papai e vai conhecer a mim e a sua mãe. Não conte a ela que te disse isso mas, ela é linda, você vai ver – ao levantar, beijou-lhe os lábios – não demore muito, amor.

- Prometo... – a enfermeira esperou que os dois se afastassem e seguiu empurrando a cadeira de rodas para o local de exame. Castle se ocupou na sala de espera fazendo ligações para a filha, a mãe e os amigos. Cerca de meia hora se passou, Martha e Lanie foram as primeiras a chegar.  Ao vê-las, sentiu um certo alivio por ter companhia.

- Onde ela está, Castle? – perguntou Lanie – e as contrações?

- Fazendo consulta e exames com a doutora. Nem adianta me perguntar detalhes, Lanie porque não sei. Aliás, nem Kate sabia dizer... por que está demorando tanto? Ela já está lá pra dentro a mais de meia hora. Será que tem algo errado? Estão me escondendo algo? – começou a andar de um lado para o outro, ansioso e inquieto – não gosto dessa espera. O bebê estava saudável, a gravidez foi boa apesar de tudo então o que pode dar errado? – Lanie se aproximou dele colocando a mão sobre o ombro, obrigando-o a sentar no sofá.

- Castle, tenho certeza que estão apenas fazendo checks de rotina. Quando a mulher começa a sentir contrações, não quer dizer que o bebê nascerá logo em seguida. Tem mulheres que após o estouro da bolsa, levam até 24 horas para ter a criança. Tudo isso é normal, você precisa se acalmar ou não irá ajudar a Kate.

- Richard, eu não entendo – disse Martha sentando-se ao lado dele – por que está tão nervoso? Não é marinheiro de primeira viagem, já fez isso antes. Lanie está certa. Você não irá ser útil para Katherine se ficar ansioso desse jeito.

- Mãe, sei que não deveria estar tão nervoso. Mas de certa forma, essa é sim a minha primeira vez. É meu primeiro filho com Kate, com a pessoa que eu amo. Estou nervoso porque é diferente. Criar Alexis foi maravilhoso e num momento interessante da minha vida quando muito se resumiu a diversão e brincadeira, o fato dela também não ter a mãe ao seu lado por boa parte da sua vida, fez o meu papel ser diferente. Com Kate, tenho a chance de criar o meu filho com uma boa base familiar. Aprendi muito com Alexis e com Kate nesses últimos anos, amadureci. Kate será uma ótima mãe, ela ainda não sabe. Tem medo de falhar, é por isso que preciso estar ao lado dela, para dizer que ela pode e será incrível. Não pode me culpar por estar nervoso diante disso.

- Concordo com você, Castle. Mais um motivo para estar calmo e pronto. Respire fundo e pausado, concentre-se. Vai se sentir melhor. Assim o fez, fechou os olhos e procurou imaginar tudo que estava por vir quando o seu filho nascesse. As alegrias, os sorrisos, a maratona de fraldas, as noites mal dormidas. Isso poderia causar agonia e medo na maioria dos pais. Para ele era apenas uma etapa sabendo que cada segundo valia a pena. As memórias construídas, os momentos registrados. O amor. Incondicional. Puro. Foi assim que a enfermeira voltou ao encontro dele. Estava sentado com a cabeça apoiada nas mãos.

- Sr. Castle? – ele deu um pulo ao ouvir o chamado.

- O que foi? Ela está bem? O bebê nasceu? – parecia meio atordoado, respirou fundo procurando clareza – diga enfermeira.

- Ela está esperando por você, enfermaria 4. Biombo 7.

- 4.7. Certo, Lanie você vem comigo?

- Deve ser somente o senhor, não permitimos muitas pessoas na enfermaria – mas Lanie interrompeu puxando uma identificação.

- Sou médica. Irei somente para explicar e acalmar uma amiga, não devo demorar. Autorizando, a enfermeira pediu para a seguirem. Castle tirou o celular do bolso e entregou a mãe.

- Mãe, ligue para o Jim novamente. A ligação caiu na caixa postal da primeira vez. Ele precisa saber que será avô logo. Alexis deve chegar também – virando-se para acompanhar a enfermeira, deixou Martha já tentando falar com o pai de Beckett.  

Chegando à enfermaria, Castle logo avistou Kate deitada numa das camas. Estava serena olhando para frente e acariciando a barriga. Podia ser somente aparência, ela sabia desfarçar muito bem. Estaria sentindo muita dor? Não percebera que havia parado no meio do salão para observa-la. Foi Lanie quem o puxou para voltar a andar até onde Kate estava. Ao vê-lo, sorriu.

- Castle... finalmente. Hey, Lanie!

- E aí garota? Pronta para deixar a detetive de lado um pouquinho e assumir o papel de mãe? Como está se sentindo? Muitas contrações?

- A frequência está normal. Segundo a doutora acredita que em três horas estarei pronta para dar a luz. Normal. Não tem porque fazer cesaria. Que dor é essa? Insuportável! Nem um tiro dói tanto.

- É assim mesmo. Pense pelo lado positivo, assim que o bebê nascer, a dor passa. Você precisa de alguma coisa? Pode pedir.

- Não, amiga. Está tudo bem. Se tiver que trabalhar, pode ir. Castle vai ficar comigo – pegou a mão dele na sua e sorriu – enfrentamos bandidos, assassinos, bombas. Como não podemos aguentar algumas horas de um parto? – Lanie riu da observação da amiga.

- Tá bom. Avise quando meu afilhado nascer.

- Afilhado? – Castle perguntou.

- Já vi que está desinformado. Isso que dá dormir por seis meses.

Assim que Lanie saiu de perto, Castle inclinou-se beijando-lhe a testa. Colocou uma mão sobre a barriga. Viu Kate fechar os olhos formando uma expressão de dor. Devia estar sentindo mais uma contração ao sentir a força com que apertava os dedos dele. Passando a sensação, respirou fundo abrindo os olhos. Percebeu a preocupação no seu rosto.

- Tudo bem, Cas? Conseguiu falar com Alexis, sua mãe?

- Sim, mamãe está na sala de espera. Alexis está a caminho. O telefone de seu pai caiu na caixa postal, minha mãe está tentando novamente. Deixei o celular com ela.

- Certo, mas você não respondeu porque está com esse semblante preocupado...

- Não aguentava ficar mais longe de você. Essa espera me deixa angustiado. Não vejo a hora de ter meu filho nos braços. Kate, você tem ideia do quanto estou ansioso e feliz ao mesmo tempo?  Quando te conheci, sabia que era especial. O seu jeito de encarar o mundo, sua sagacidade, a paixão por justiça. Tudo me fez admirar a policial e com o passar do tempo, a mulher. Não foi por capricho que coloquei ficar com você na minha bucket list. Você me conquistou pelo caráter, pelo jeito singular de lutar, pelo fato de ser mandona, pelo amor. Querer te fazer feliz é meu objetivo de vida. Começamos brigando e olha onde chegamos? Estamos casados, prestes a começar nossa familia. Kate Beckett não é mais apenas a musa inspiradora de Nikki. É a musa inspiradora da minha vida.

- Castle, por que isso agora? – já estava com olhos mareados.

- Estou falando o que estou sentindo, de verdade no meu coração. Fiquei muito tempo calado, sem dizer o que você significa para mim. É importante dizer ao outro o quanto o amamos. E eu te amo, Kate. E amo o que você fez por mim, pelo filho que me deu, por lutar comigo e vibrar comigo. Ontem, hoje e espero, para o resto de nossas vidas.

- Eu também te amo, Castle. Always – dizendo isso, ela sentiu mais uma contração – ai, Deus! Quanto mais disso?

- Você tomou remédio? Deve ter tomado algo para dor, não?

- Não, achei que – viu o esforço para não gritar ao morder os lábios – precisava....Cas... não posso. Chama a ... enfermeira. Preciso de – deu mais um grito – doí... – felizmente a enfermeira estava por perto para ver o desespero dela. Calmamente, pegou uma seringa e injetou no corpo de Kate – o-obrigada... – viu que a moça checava sua pulsação e seus sinais vitais, além da dilatação.

- Parece estar mais próximo que imaginamos. Se continuar assim, em pouco mais de duas horas teremos um menininho por perto.  

- Essa droga vai ajuda-la? Vai diminuir a dor?

- Sim, além de relaxa-la. Pode falar coisas boas ou ruins depende muito do que estavam conversando. Ele se sentou ao lado dela entrelaçando a mão com a de Kate. Levou até os lábios para beija-la. Percebera que a respiração dela voltava a se acalmar, mantinha os olhos fechados. A ruga de dor sumia de sua testa, reparou. Começara a relaxar. Resolveu puxar conversa para evitar o silêncio e que ela ficasse muito sonolenta, afinal não sabia que tipo de reação o medicamento teria no corpo e na mente dela.

- Amor, como você está se sentindo? Melhorou a dor?

- Flutuando... a dor melhorou. Cas, cadê minha arma? Devia estar perto de mim porque se a dor voltar eu posso atirar nela. Quero minha arma, sou uma detetive – abrindo os olhos fitou-o por um momento sorrindo – você continua ao meu lado, sempre.

- Sim, sou apaixonado por você. Fiz uma promessa ou você esqueceu?

- Não... – olhava com uma cara encantada para o homem a sua frente – você é tão lindo... realmente charmoso e bonitão. Quero que nosso filho tenha seus olhos. Azuis... adoro esse azul profundo, me deixa com vontade de fazer besteiras. Quer fazer coisinhas, Rick? – acariciava o rosto dele mordiscando o lábio inferior com cara de sapeca.

- Nossa! Esse remédio é bom. Acho que vou fazer alguns testes. Kate, se você encontra um fantasma o que faz?

- Chamo os caça-fantasmas...Ghostbusters! – erguia a mão com o indicador apontando para o teto. A cara de espanto de Castle foi impagável. Era bom demais para ser verdade. Tentou algo mais. 

- E quanto a zumbis, o que se deve fazer?

- Segundo você, arrancar-lhes a cabeça. Castle não quero ter meu cérebro devorado por zumbi. Pode mata-los para mim, babe?  - ela sorriu dando uma gargalhada, em seguida tornou a falar quase cantar – babe, babe, babe.... adoro você, babe...

- Oh meu Deus! Isso está ficando excelente. Por que fui entregar meu telefone para minha mãe. Devia estar gravando isso! O último teste, o homem do futuro disse que teríamos três filhos, esse é o primeiro. Quando devemos ter os demais, Kate?

- Se você quiser três filhos, vai ter que se virar sozinho. O problema é seu. Eu não quero mais. A dor é minha, o corpo também. Você que fique grávido.

- Não diga isso amor, podemos ter filhos lindos. Meninos e uma menina correndo pela casa, jogando lasertag, ela andando de sapato alto imitando a mãe – sorria ao imaginar a cena – consigo ver sua cara de brava querendo controla-los como me controla. Oh! Preciso alerta-los sobre o olhar. Muito importante e.... 

- Castle.... – ela respirou fundo pressentia a onda de dor querendo se aproximar.

- Diga amor?

- Cala a boca! - de repente, fechou os olhos novamente e apertou-lhe a mão. Uma nova contração se formava. Depois de um grito forte, tornou a fita-lo – diz que isso está acabando, Castle. Não quero mais. Por favor...

- Hey, gorgeous... procure relaxar. Logo estaremos com o nosso bebê nos braços. Feche os olhos e respire fundo – inclinou-se e beijou-lhe os lábios. Aos poucos, ela acalmou-se e balbuciou pequenas conversas ao lado dele. Quase cinquenta minutos depois, as contrações começaram a ocorrer em intervalos menores, sinalizando que a hora do parto estava próxima. A enfermeira checou o tempo das contrações, o interno confirmou a dilatação indicando que chegara a hora de ter o bebê. Chamou a médica e começou a prepara-la para ir a uma sala de cirurgia onde teriam mais conforto e privacidade para realizar o nascimento. A ansiedade de Castle que até ali estivera controlada, atingiu um outro nível de nervosismo. Começou a suar frio nas mãos ficando meio perdido. Queria filmar o parto, mas será que conseguiria? Retirou da bolsa de Kate a filmadora. Antes de entrar na sala com ela, preciasva avisar a mãe e Alexis que já enviara várias mensagens perguntando se o irmão já nascera. Como não poderia sair do lado dela pediu à enfermeira para avisar a sua familia que já estavam indo para a sala de parto.

O interno da obstetricia e a enfermeira levavam junto com Castle a maca para a sala de cirurgia. Ela reclamava de dor apertando fortemente a mão dele. O rosto vermelho continha pequenas gotas de suor. Castle murmurava palavras que julgava serem de consolo, porém mal conseguia ouvi-las. A dor a dominava fazendo sua cabeça pesar, seus ouvidos se desconectarem do mundo ao redor. Queria muito ter seu filho nos braços, queria principalmente que esse sofrimento acabasse. A enfermeira proibiu Castle de seguir adiante. Precisava se higienizar e vestir-se apropriadamente antes de acompanha-la. Ouviu Kate gritando seu nome ao perceber que ele se afastara largando sua mão.

- Castle, cadê você? - O interno a acalmou dizendo que ele já voltava – Castleeee... você prometeu...

- Ele já volta, foi se preparar para a cirurgia.  

- Não quero você – agarrou pela camisa do uniforme trazendo-o para perto de si - quero o meu marido! Castle! – outra contração a atingiu no instante em que a doutora entrava na sala.

- Ora, ora, alguém está com pressa para vir ao mundo. E aparentemente a mamãe também. Como estamos Kate? Pronta pra ser finalmente mãe? Mark, faça o que a paciente está pedindo, vá buscar o marido dela, sabe lá se o homem não caiu de nervoso em algum lugar – virou-se para Kate – calma mamãe, falta pouco agora. Vamos checar a situação da dilatação. Respire normalmente e se quiser gritar não se acanhe.

Castle estava pronto. Lavava apenas as mãos para poder se juntar a ela. A cabeça fervilhava pensando em muitas coisas. O quanto queria seu filho, o que iria fazer e experimentar nessa fase, as noites que passaria em claro cuidando dele. Estava louco para ver Kate no papel de mãe, vê-la amamentar, viver essa nova etapa. Terminando a higiene, suspirou fundo. Chegou a hora, pensou. O interno acabara de surgir na porta.

- Senhor? Sua esposa está chamando. Melhor vir comigo, a doutora já deve estar começando o procedimento.

- Claro!

Assim que entrou na sala com a câmera em uma das mãos, Castle seguiu para o lado dela. Ao trocarem o primeiro olhar, era como se todo o nervosismo de Kate desaparecesse. Mesmo que Castle estivesse morrendo de medo, nervoso ou ansioso, o simples fato de olhar para ele a deixava tranquila.

- Como você está,gorgeous? Será que podemos ver nosso filho em breve?

- Se tem a intenção de filmar, Sr. Castle, melhor ficar ao meu lado. Parece que esse rapazinho não quer ficar muito tempo no aconchego do útero da mãe. Para isso acontecer Kate, preciso da sua cooperação – vendo Castle se afastar da mesa, reclamou. 

- Você vai sair do meu lado? – perguntou Kate com uma cara de quem precisava de apoio.

- Vou filmar nosso menininho. Vamos lá, Kate. Sei que isso é bem mais simples que enfrentar assassinos.

- Também pensava assim, mas acho que me enganei – sentiu mais uma contração e gritou. Ao ver que Castle estava com a filmadora apontada para o meio de suas pernas, ralhou – Castle, é para filmar o parto não o meio das minhas pernas! Cuidado com o que você filma. Se eu sonhar que você gravou qualquer coisa indecente, eu te esfolo.

- E acabou a fase meiga... – a médica riu – sério, a senhora não pode aplicar mais um pouco dessa droga nela? Ajudaria muito. Não tem ideia do quanto sofro nas mãos dela. Quando disse que me esfola, faz mesmo. Sugiro a senhora ter cuidado, principalmente com o olhar... o olhar é ... pior que uma facada no estomago, bem pior – a cara que ele fazia demonstrava medo e seriedade, como se realmente quisesse evitar o que dizia. Kate não podia deixar de reagir aos comnetários de Castle.

- Castle... – chamou.

- Sim, amor?

- Cala a boca! – a médica tornou a rir quando viu o homem gesticulando para ela como quem diz “está vendo?”.

- Sr. Castle, sua esposa tem razão. É melhor se calar porque chegou a hora de se concentrar para empurrar. Você está pronta,Kate? – meneou a cabeça afirmando – certo, então ao meu sinal, você irá fazer força empurrando o máximo que conseguir. Vamos lá, um , dois, três, empurre! – Kate procurou buscar toda a força que tinha – isso, muito bom. Mais uma vez, um, dois e força! – ao se esforçar dessa vez, Castle viu o rosto ficar vermelho e as gotas de suor escorrerem. Respirava fortemente, quase ofegando.

- Meu Deus.... – o olhar encontrou os olhos azuis, Castle entendeu. Era um pedido silencioso, quase uma súplica. Virou-se para o interno e ordenou.

- Segure essa câmera. Basta focalizar o que a doutora está fazendo e quando o meu bebê aparecer trate de filma-lo por completo, entendeu?

- Sr. Castle, essa sala de cirurgia é minha, portanto quem manda aqui sou eu.

- Ah, é...certo. eu pensei que como ele não está fazendo nada....

- Pensou, mas não tem autoridade aqui. Acho que começo a entender o modo como sua esposa lhe trata. Porém, dessa vez vou abrir uma exceção. Pegue a câmera, Mark. Acho que esse nascimento vai ser mais rápido que imaginava. Kate, pode empurrar de novo? No três – viu que Castle estava agora segurando as costas dela após dar um beijo no topo da sua cabeça – um, dois, três – o grito de Kate ecoou pela sala – muito bom, já vejo a cabeça – Castle correu para o lado da doutora, o sorriso em seu rosto acalmou o coração de Kate, estavam quase terminando - Vamos pequeno, só mais um pouquinho. Ajude a mamãe.

- Estou vendo, Kate. Ele está saindo – Castle dizia empolgado voltando para ajuda-la.

- Mais um, Kate. Um , dois... três. Empurre! – buscando forças que não julgava mais possuir, ela empurrou aos gritos e fechando os olhos para se concentrar. Segundos se passaram até que ela pudesse ouvir o choro de uma criança. Era o seu filho gritando.

- Nasceu, meu Deus. Um menino, nosso menininho. Oh... – Castle deixara as lágrimas caíram enquanto ouvia o próprio show que seu filho dava, ao lado da médica novamente, pediu – posso checar se está tudo aí? – a médica riu – dez dedinhos nas mãos, dez nos pés. Saco, ah o pintinho  – virou-se para Kate – sem o terceiro olho na testa, é bem humano. Dois olhos lindos e... vou deixar que você veja – ela ria – Kate, ele é perfeito! Exausta, Kate se deixou cair na mesa de cirurgia tentando acalmar sua respiração e os batimentos. Os sons na sala eram similares a uma orquestra, melhor, tinha a mesma sensação ao ouvir Contraine.

A médica embrulhou o bebê numa manta entregando à enfermeira para fazer a limpeza e checar os sinais vitais. Trabalhava na sepcia do parto. Terminado o procedimento, a própria médica pegou o bebê no colo ainda enrolado na manta e aproximou-se da mãe. Castle pegara a filmadora das mãos do interno focando no rosto de Kate. Estava muito empolgado e ansioso para ver a reação dela. Ficou ao seu lado quando a médica estendeu o filho a ela. 

- Kate, eis aqui o seu bebê. Parabéns, é um menino lindo e super saudável. Aproveitem o momento, tenho outro bebê me esperando. Voltaremos a nos ver ainda hoje, Kate – saiu da sala.  

Ao segurar o filho nos braços, suspirou. Levou-o até os lábios e beijou-lhe a testa. Com a ponta do polegar, acariciava a pele vermelha e macia do recém-nascido em seu colo. Castle não perdia um ângulo sequer, vendo o deslumbramento da mulher a sua frente com a criança. Kate falava sozinha interagindo com o tesouro que tinha em suas mãos.

- Hey, bebê... sou sua mamãe. Estava louca para te colocar no colo. Meu lindo bebê – os dedos tocaram a mãozinha miúda, perfeita com dedinhos tão pequenos. Agora você vai conhecer as pessoas que mais te amam nesse mundo eu e seu pai – olhou para Castle fazendo sinal para que ele se juntasse a ela – esse aqui é o seu pai de quem tanto falei quando estávamos sozinhos. Ele é meu outro tesouro. Diga: oi, papai... – Castle acariciava os cabelos ralos do bebê enquanto seus olhos fitavam os de Kate para em seguida voltarem-se para o bebê – definitivamente o papai tem concorrência. Você é muito charmoso.

- Como eu, aliás, você reparou que ele é a minha cara? – disse Castle todo convencido.

- Não dá pra dizer ainda. Bebês quando nascem demoram algum tempo para formar feições verdadeiramente suas. Ainda temos que esperar para saber.

- Não vou discutir com você porque acabou de dar a luz ao nosso filho maravilhoso, mas ele tem meus olhos.

- São cinza, Castle não azuis. Como eu disse, devem mudar só que nesse caso torço para que sejam como os seus. Parece que fizemos tudo certo, não? Chame de DNA, de benção divina, ciência, eu prefiro dizer que ele é fruto do amor, nosso amor babe. Eu não poderia estar mais feliz – fitou o rosto dele sorrindo – eu te amo, Rick Castle.

- Eu também te amo, Kate. E te amarei, always... e ao nosso filho, nossa família.      

- Você está chorando, Castle? – ele disfarçou tentando esconder a lágrima que limpava do rosto.  

- Não, caiu um cisco no meu olho. Acho que é o ambiente dessa sala. Não devíamos estar no quarto? – Kate riu do jeito dele, mas não falou nada. A enfermeira prontamente se aproximou para pegar o bebê.

- O papai tem razão. Vou levar o filhote de vocês para uma higienização completa, fazer a ficha dele enquanto você vai ser instalada no seu quarto. Depois, sua primeira amamentação. Você tem uma roupinha para eu vestir nele? E vou precisar do nome ou terei que colocar o da mãe para identifica-lo.

- Castle pode pegar o macacão azul claro? O branco é para quando sairmos do hospital. Não esqueça o gorro.

- Você não vai deixar que vista as roupas compradas por mim? – falou com carinha pidona e chateada.

- Claro que sim, Castle.  Só não no hospital – virou-se para enfermeira e perguntou – vou demorar a ter alta?

- Normalmente as mamães ficam apenas uma noite por precaução no hospital. Amanhã você irá para casa com certeza. Você não disse o nome que dará a ele...

- Por enquanto apenas identifique-o com o meu.

- Quanto mistério! Precisa me dizer qual será o nome do meu filho alguma hora, Kate. As pessoas também irão perguntar.

- Assim que ele for para o quarto conosco. Prometo que acabo com a sua curiosidade.

- Assim espero.

- Vou indo, já trago o seu príncipe de volta. Ah! A doutora deve ir vê-la nas próximas horas. Mark, leve Kate para o seu quarto. Tenha certeza que está pronto para recebê-la.

Castle pegou a mão de Kate, levou aos lábios beijando-a. Depois se aproximou e sorveu-lhe os lábios por uns longos segundos. Ao separar-se dela, acariciou-lhe o rosto e ajeitou os cabelos dela para trás da orelha.

- Conseguimos Kate. Venci o coma, você resistiu aos nove meses, escreveu um Best-seller e começamos a nossa família, de certa forma, aumentamos a família Castle. Não poderia estar mais orgulhoso de você, de nós. E pensar que você queria me prender por atrapalhar sua investigação... já pensou se eu não tivesse pedido ao prefeito para me apoiar e pedir a Montgomery para eu segui-la no distrito? Talvez não tivéssemos aqui hoje.

- Talvez... você continuaria autografando peitos, namorando modelos sem cerebro e eu correndo atrás de assassinos porém sem ter descoberto o real culpado pela morte da minha mãe. Devo grande parte desse feito a você, babe. Provavelmente eu estaria namorando casualmente ou passando os sábados à noite sozinha, em casa. Definitivamente, não gosto nem um pouco da ideia. 

- Quer saber? Eu muito menos – voltaram a se beijar quando o interno arranhou a garganta várias vezes até ser ouvido – ao quebrarem o beijo, Kate escondeu o rosto por trás de Castle, um pouco envergonhada.  

- Desculpe, preciso levar a paciente para o quarto.  

- Claro – beijou a testa dela novamente – vou aproveitar para dar as notícias para Alexis e minha mãe. Devem estar aflitas.

- É bom, Castle posso pedir uma coisa? Você pode atrasa-las um pouco? Queria ficar um pouco mais de tempo com você e nosso filho. Ainda tenho que dizer como nós iremos chama-lo, tudo bem?

- Claro que faço isso. Vou dizer que você apenas saiu da cirurgia agora e vai demorar pelo menos uma hora para estar instalada adequadamente para receber visitas. Para qual quarto que você irá leva-la? – perguntou ao interno.

- Quarto 407.

- Certo, vejo você em alguns minutos.

Castle saiu da sala rumo ao local onde os seus amigos e família deveriam estar esperando. Ao avistar o pai, Alexis correu ao seu encontro, porém antes mesmo de perguntar qualquer coisa, viu em seu rosto o clima de felicidade. Então, não resistindo o abraçou. Ainda com a filha nos braços, ele falava.

- Ele é lindo. Um menininho perfeito. Kate está bem, correu tudo bem – separou-se da filha para receber o abraço da mãe – mãe! Acho que teremos um mini Castle entre nós.

- Vamos torcer para que ele tenha o gênio e o juízo da mãe – Alexis riu com a vó assim como Lanie. Castle sequer tinha notado que os rapazes estavam lá também. Vieram cumprimenta-lo sorridentes. Todos compartilhavam da alegria dos dois. Se tinham pessoas que mereciam um momento mágico e feliz, eram Castle e Beckett. Ryan mencionou que Jenny queria ter vindo, mas não tinha com quem deixar o Patrick e não era bom traze-lo ao hospital. Visitaria sem falta a eles no loft.

- Sábias palavras, Martha – disse Lanie beijando e abraçando Castle – e quanto a minha amiga? Como ela está?         

- Está ótima. O parto foi bom. Sabe, acho que ainda não tinha visto Kate tão feliz, exceto no dia do nosso casamento.

- Sei o quanto você pode ser convencido, Castle. Porém, dessa vez, acredito que esteja falando a verdade. Podemos vê-la?

- Ainda não. A médica estava terminando um procedimento nela, levará pelo menos uma hora para que esteja no quarto e receba visitas. O bebê está sendo preparado, essas coisas de médico que não entendo direito. Lamento, terão que esperar. Eu preciso voltar, a doutora pediu minha presença para saber algumas informações do meu histórico médico. Prometo que aviso quando ela estiver apta para receber visitas. Mando chamar – beijou a filha na testa e acenou para os demais enquanto seguia pelo corredor. Conseguira despista-los por mais alguns minutos. A porta do quarto estava aberta, Kate sentara-se na cama. Estava olhando pela janela. Castle notou que ela havia penteado os cabelos, certamente lavado o rosto, o que colocou um pouco de cor na sua face. Nem sinal da enfermeira ou do intermo, muito menos do bebê. Adentrou o quarto e se colocou ao lado dela. Beijou-lhe a testa e os lábios.

- Hey... vejo que teve algum tempo para se preparar. Não que você precise disso, já que tem uma beleza natural. O parto realmente tirou suas forças, não?

- Sim, a dor e a adrenalina podem acabar com a resistência de uma pessoa. Estou melhor agora. Não vou negar, com muita fome.

- Eles devem lhe dar algo para comer. Afinal, você terá que alimentar nosso filho.

- Sim, Mark falou que devo comer depois da primeira amamentação do bebê. Acho que ele está um pouco receoso conosco, Castle. Talvez sejamos bem diferentes dos pais que costuma ver. Parece um pouco assustado. Pelo menos não terá que lidar conosco por muito tempo. Amanhã estaremos em casa, não? E sua mãe, Alexis, comentaram algo?

- Sim, estão radiantes. Lanie está ansiosa para saber como você está, os rapazes também estão esperando para conhecer o mini Castle... isso está ficando esquisito. Quando vou poder chama-lo pelo nome? – viu a frustração no rosto dele e sorriu.

- Que tal agora? – Kate fez um sinal indicando que a enfermeira estava de volta com o filho deles todo arrumadinho. O bebê era calmo, estava acordado e possivelmente com fome, pensou Kate.

- Com licença, papai e mamãe. Finalmente cheguei – aproximou-se da mamãe e colocou o bebê gentilmente em seu colo – vou deixar vocês a sós por um tempo. Porém, fiquem atentos. Ele deve querer comer logo, logo. Basta chamar e eu venho ajuda-la – antes de sair, virou-se – ia esquecendo. O pessoal do terceiro andar tem um presentinho para o seu filho. Disseram que só vão entregar se souberem o nome dele. Todos se consideram tios e tias dele, até o Dr. Matthews.

- Ah... isso é maravilhoso – olhou sorrindo para Castle e depois para a enfermeira – quando eu a chamar para me ajudar, você saberá seu nome. Nem bem a enfermeira saiu, Castle virou-se para fita-la. Kate ficava ainda mais bela com o bebê nos braços. Uma imagem que não precisava ser descrita em palavras, apenas admirada. Sentou-se ao lado dela e começou a falar com a criança enquanto acariciava a cabecinha tão pequena.

- Então, a mamãe vem fazendo um suspense danado com relação ao seu nome, filho. Será que agora ela conta para nós? Papai já está curioso, parece que ela quer fazer uma surpresa, mas conhecendo sua mãe, ela não daria um nome do tipo Bruce Wayne ou Malcolm ou mesmo Tony Stark para você. Isso seria admitir que eu tenho a última palavra e que eu acabo convencendo-a a fazer certas loucuras. O que mais tarde você irá descobrir ser verdade mesmo que ela lhe diga o contrário – as mãozinhas e a boquinha do bebê mexiam como se quisesse fazer parte da conversa. Kate soltou uma risada gostosa diante do discurso de Castle.

- Ah, você é tão bobo, Castle. Sim, filhote. Papai é um bobão. O bobo que a mamãe ama. Tudo bem, você se lembra do caso de anos atrás, aquele com a morte da vidente?

- Sim, você passou o tempo todo dizendo que tinha uma explicação racional para tudo aquilo e que ela era uma charlatã.

- E quem diria, eu estava certa – olhando cinicamente para ele.

- Hahaha, e o que isso tem a ver com o nosso filho?

- A filha de Vivien veio me procurar, disse algo que considerava importante para mim, para minha vida. Naquela época achei que era apenas bobagem de uma filha desesperada muito fiel às regras do exoterismo. Havia esquecido essa história até alguns meses atrás numa noite no hospital. Foi logo depois que Alexis me pediu desculpas. Como eu não sabia o sexo, pensar em nomes era algo tão distante, tão sem sentido. Afinal, tudo o que queria era te ver acordar. Era uma daquelas inúmeras noites de reflexão, essa história me veio à mente. Eu escolhi o nome do nosso filho baseado em algo que me foi dito anos atrás – Kate virou o bebê em seus braços de forma a ficar de frente para Castle – papai, conheça Alexander Beckett Castle. Podemos chama-lo de Alex.

- É o meu nome do meio. Dado pela minha mãe. Eu me lembro de você ter mencionado algo a respeito. Foi quando lhe contei.

- Já que você optou por troca-lo, decidi mante-lo em nossa família. Tem um significado especial e também é uma homenagem.

- Você não me disse qual foi a mensagem na época...

- A filha de Vivien, Penny, contou que teve um sonho comigo. A mensagem que ela me deu era para ficar alerta. Alexander, ela disse. Você irá conhecer um Alexander e ele será muito importante para você, ele pode salvar sua vida. Quando me disse que seu nome do meio era originalmente esse, parecia mesmo uma coincidência. Exceto que não acredito em coincidências. Não preciso lembrar que você salvou minha vida algumas vezes, assim como eu também fiz com você, diria que essa é a homenagem. No fim, durante todas aquelas noites de solidão eu percebi que não somente meu amor por você, mas sobretudo o nosso filho me salvou e me salvaria mesmo que você não... - apesar de sorrir, Kate tinha lagrimas nos olhos, parou de falar para controla-las – hey, aqui estamos casados e com nosso pequeno Alexander. Ele me salvou, Castle. Na verdade, a nós dois.

Castle olhava fixamente para Kate. Os olhos azuis profundamente intensos sobressaiam mesmo com a névoa de lágrimas ali presente. Não resistindo, ele sussurrou “eu te amo” inclinando-se para beijando-lhe os lábios. Sentiu a inquietação do bebê na mesma hora, ao quebrar o beijo, falou acariciando a mãozinha do filho.

- Hey! Nada de ciúmes por aqui. Saiba que cheguei primeiro, Alex e teremos que dividir a atenção da sua mãe ou nada feito – rindo Kate discordou.

- Não acredito que seja ciúmes, Castle. É possível que seja fome – ele se afastou dos dois e o menino pareceu se acalmar ao sentir os lábios da mãe na testa. Os pequenos olhos ainda num tom de cinza olhavam para ela, atentos – ops! Acho que é ciúmes mesmo. Por que não vai chamar sua mãe e Alexis? Devem estar aflitas para conhecê-lo.

- Tem razão, mas antes deixe-me segura-lo.

- Pensei que não ia pedir. Achei que estava com medo de carrega-lo - Kate entregou o filho com cuidado para Castle.

- Claro que não, sou treinado. Já fiz isso, lembra?  É como andar de bicicleta. Não se esquece – maravilhado, tocava os dedinhos do filho levando-os aos lábios – Alexander, você realmente é meu filho. Bonitão como seu pai. Acho que a mamãe morre de ciúmes porque você é uma cópia minha, ela disfarça mas eu a conheço bem. Tem um monte de gente querendo conhecer você Alex. Sua vó, sua irmã. Nossos amigos. Tenho certeza que todos vão concordar comigo. Sua mãe é a mulher mais incrível que você podia ter escolhido. E seu pai? O mais legal do mundo!

- Certo, chega de elogios. Dá pra chamar sua mãe, super dad?

Dez minutos depois, Alexis e Martha estavam no quarto com eles. A família reunida. Era um ambiente de festa e de alegria. Kate estava certa que essa criança, seu filho Alex, seria muito paparicado e mimado. Quando Martha soube da escolha do nome, foi até Kate e beijou-a.

- Não podia ter escolhido melhor, Katherine. Richard, deixe-me segurar o Alexander – quase tirou o menino à força dos braços de Castle. Alexis não parava de tirar foto um minuto sequer. Após olha-lo calmamente pela primeira vez, tornou a falar – você é lindo. Um herdeiro digno da família Castle. Parece que terá os olhos do seu pai, mas é cedo para dizer. De uma coisa eu tenho certeza, a boca e o nariz são da mãe.

- Como você diz isso? O menino é a minha cara! – ficou meio aborrecido com o comentário. 

- Bebês mudam com o passar dos dias, as feições. Expliquei isso a ele, não podemos ter certeza. A julgar pelo que sua mãe diz, Castle. Ele é uma mistura de nós dois – ele suspirou não convencido ainda – o que importa é que ele é lindo e saudável.

- Sim, mas a vovó tem razão. O nariz é da Kate – pegou o bebê do colo de Martha – oh, meu Deus... você é muito fofo, Alex. Meu irmãozinho. Hey... esperei muito pra te conhecer... – cheirou a cabeça dele – tire uma foto nossa, pai. Quero registrar cada momento com ele – Castle fez a vontade da filha, mas lembrou-a de algo importante.

- Alexis, tirei a foto mas quero que não divulge ainda. Eu e Kate queremos um pouco de privacidade para curtir e cuidar de Alex antes de oficializar o seu nascimento para a mídia.

- Tudo bem, posso conviver com isso certo, bro? Alexis e Alex, soa muito bacana – levou o pezinho dele até o nariz cheirando, ao olhar para seu irmão novamente, a ficha caiu – o macacão! Você escolheu um nome que é perfeito... fez isso de propósito, Kate?

- Não, na verdade foi por outro motivo. Apenas percebi quando estava arrumando as coisas para trazer ao hospital – o bebê começou a se agitar no colo de Alexis e um chorinho encheu o ar – acho que ele deve estar com fome – Alexis concluiu entregando a criança novamente para a mãe.

- Você sabe do que as duas estão falando? – perguntou Martha.

- Não tenho nenhuma ideia – respondeu Castle.

Kate já havia tocado o botão para chamar a enfermeira. Quando entrou no quarto, a conversa corria solta. Era bom ver todos sorrindo. Haviam contado a historia dos dois, as dificuldades que passaram nos últimos meses. Esse realmente era um momento para celebrar.

- Parece que esse homenzinho está com fome. Muito bem, vou pedir para que todos se retirem por um tempo, esse é um momento da mamãe e do bebê. Como é sua primeira amamentação, nada mais justo que tenha um pouco de privacidade.

- Tudo bem, vamos Alexis. Você vai ficar internada hoje?

- Sim, ela só terá alta amanhã – disse a enfermeira – Sr. Castle, também estava falando com você. Precisa se retirar, ao menos essa vez.

- Vamos esperar seu pai chegar, Katherine. Então vamos para casa. Ele está a caminho – saiu puxando o filho consigo.

- Obrigada, Martha.

- Agora somos eu, você e o ...

- Alexander , pode chama-lo de Alex.

- Lindo nome. Vou lhe ensinar o básico da rotina ao amamentar. A primeira coisa que você deve fazer... – enquanto a enfermeira falava, Kate ouvia atenciosamente suas orientações. Do lado de fora do quarto, Castle ia sendo arrastado pelo corredor por Alexis e Martha, sempre olhando para trás. Ao chegarem à sala de espera, Jim já estava por lá. Assim, trataram de dar as últimas noticias ao novo avô.

No quarto, após as devidas explicações, Kate estava pronta para colocar o pequeno Alex para mamar. Cuidadosamente ofereceu-lhe o seio farto. Ele tentou abocanhar e ao primeiro movimento errou. Em seguida, abocanhou o mamilo da mãe e não largou mais. Enquanto a pele era sugada, Kate fechou os olhos. Era uma sensação tão diferente, tão nova. Um misto de dor e prazer inigualável. Uma conexão estranhamente deliciosa. Ao abrir os olhos viu a mãozinha dele sobre o seu seio. A boquinha trabalhava avidamente. Kate sorriu. Guloso como o pai. Então, outro pensamento lhe veio à mente. Johanna. Sua mãe iria amar ter um netinho para cuidar. A partir de agora, ela seria mãe.

- Mãe... olha o que aconteceu com a minha vida. Casada e mãe. Ah, dona Johanna quem diria. Queria tanto que pudesse curtir seu neto. Sei que onde quer que esteja, está feliz por ver o que aconteceu comigo. Eu quero que veja minha felicidade. E Alex, eu prometo ser a melhor mãe para você, talvez não chegue a ser como sua vó Johanna, mas isso não me impede de tentar.

Conversou durante toda a amamentação. A enfermeira voltou a ensina-la o que fazer depois. Assim que passou o tempo de digestão, Alex dormiu profundamente no pequeno bercinho de hospital ao lado dela. Tendo certeza que estava tudo bem, deixou o quarto dizendo que traria o marido de volta. Castle aparecera acompanhado de seu pai. Jim não sabia como agir ainda bobo com a novidade. Ficou um bom tempo contemplando o neto e conversou muito com a filha e o genro. Depois dele, Kate ainda recebeu Lanie, Esposito e Ryan. Todos muito empolgados, até mesmo Espo que nessas horas tende a ser o machão, dessa vez se deixou levar pelos encantos do pequeno Alex.               

Estava um clima muito amigável e descontraído quando a médica chegou. Educadamente, ela pediu para que as visitas deixassem o quarto. Em seguida, conversou muito com Kate e Castle sobre os cuidados que deveriam ter com o bebê, a alimentação, ambientes limpos. Examinou a mamãe e o bebê para se certificar que tudo estava bem. Garantiu que amanhã teria alta, essa noite era apenas precaução.

- Você vai passar a noite com ela, papai?

- Sim. Não tem problema.

- Certo, sempre é bom um apoio. Tentem reduzir o número de visitas ao mínimo, mesmo quando estiverem em casa. Há uma nova rotina de adaptação para vocês. É importante dedicar-se a ela, Kate. E você, papai, trate de ajuda-la no que precisar. Acreditem, o primeiro mês de um bebê não é um passeio no parque. Precisa de trabalho em equipe. Muito importante, quando o bebê dorme, a mamãe dorme. É seu momento de descanso.

- Sim, sabemos disso. E não se preocupe, seguiremos seus conselhos. Obrigado.

- Por nada e parabéns. O pequeno Alexander é um bebê adorável. Te vejo amanhã, Kate. Procure dormir entre as mamadas – o conselho, sabia, não seria seguido. Nenhuma mãe conseguia pregar os olhos nas primeiras noites, por que com Kate seria diferente?

E não foi, realmente. Kate passara a noite em claro seja amamentando ou velando o sono de Alex. Castle a acompanhou, porém acabou sucumbindo a alguns minutos de sono na madrugada. Pela manhã, Kate fez sua refeição antes do bebê, a médica veio lhe ver e assinou a alta para o meio-dia. Kate já conseguia ficar de pé mesmo que andando devagar. Com a ajuda da enfermeira, trocou a roupinha do filho colocando o macacãozinho presente de Alexis. Castle babou ao ver o filho.

- Era disso que Alexis falava? ABC?

- Sim, Alexander Beckett Castle. Perfeito, não? – disse Kate.

- Sim, como deveria ser.

- Com licença? – uma moça estava à porta com um embrulho – posso entrar? Serei breve. Kate a reconheceu da lanchonete.

- Oi, Sarah! Pode sim.

- Eu apenas vim entregar uma lembrança nossa para seu filho. Sabemos do tempo que ficou no hospital, as noites e de tudo que aconteceu. Nós do terceiro andar já nos sentimos meio que tias e tios do pequeno Alexander. Aqui – estendeu o embrulho – é simples, mas o que importa é o gesto. Kate abriu o presente. Era um ursinho vestindo uma camiseta com o logo de “I S2 New York” com o nome Alexander bordado nela.

- É lindo, obrigada.

- E Kate? Arrasou em Heat Blows!

- Você leu?

- Sim, adorei – Sara olhou para Castle – tão boa quanto você. Parabéns pelo filhote.

- Você tem razão, obrigado.

- Preciso ir. Tenho aula na faculdade. Foi um prazer conhecer vocês. Espero que se mantenham longe de hospitais por um bom tempo.  

- Nós também – eles riram.

Próximo ao meio-dia, eles deixaram o hospital. Alex foi devidamente protegido contra o sol e a mudança brusca de temperatura. Castle dirigia o carro com Kate no banco de trás. Ia devagar para que não irritasse o bebê. Depois de alguns minutos a mais na ida para casa, finalmente chegaram. De frente para a porta do loft, Castle sorriu para Beckett.

- É bom voltar para casa – disse Castle.

- Sim, muito bom – esperou Castle abrir a porta, na sala havia uma faixa com os dizeres “It’s a boy!” pendurada e vários balões azuis. Certamente, trabalho de Alexis. A casa estava silenciosa, o que era um ótimo sinal. Adentrando o espaço, Kate aproximou-se do filho e sorriu dizendo.

- Bem-vindo ao lar, Alexander. Essa é a sua casa. Você será muito feliz aqui, nós prometemos assim como um dia seu pai também me disse que eu seria muito feliz – sentiu as mãos de Castle em seus ombros, ele beijou-lhe o topo da cabeça e o pescoço, Kate olhou para o marido sorrindo – e estava certo, nunca estive tão feliz na vida, Rick Castle.


- Nem eu, Kate. E esse é apenas o começo. 


Continua....

4 comentários:

Pâmela Bueno disse...

Lindo Lindo Lindo!!! hahaha AMEI achei muito fofa a reação da Kate vendo Castle em pânico haha pareceu super real,bemm detalhado todo o cap,amei isso… Kate reagindo ao remédio - rachei - e ela amamentando também super fofa! Adorei o cap! ansiosa pelo próximo para ver como eles vão lidar com o bebe

Luciana Carvalho disse...

Owwwwwwww que família mais linda!!! Amei o cap e cada detalhe dele!!! Ansiosa p ver como será esses dois cuidando de um bebê!!
Ahhh, adorei a idéia do nome Alexander Beckett Castle

cleotavares disse...

Ownt! Muito fofo. Quero vê com esses dois lidaram com o dia-a-dia do bebê.

Marlene Caskett Stanatic disse...

Ñ sei bem por onde começar....
Ele em choque,ela e eu tbm o cara travou que isso????
Um ñ querendo deixar o outro foi tão lindo,tivemos uma linda sequência Lanie e o 4.7. Como lidar????
Atirar na dor,ghost,zumbie e futuros babys...Ri tando que cheguei a lagrimar,claro ñ esauecendo do charmoso,bonitão e os lindos olhos azuis.Ô vontade de dá nele por ñ ter filmado esse momento tão raro em se tratando de Kate Beckett.Quem ñ tem nada a ver sofre nessa hora coitado do interno kkkkkkkkkkkkkkk
"E acabou a fase meiga....o olhar",coitado kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
imaginei a dor que ela sentiu caraca!!!!
"Dez dedinhos nas mãos,dez dedinhos nos pés,saco ah! o pintinho"
kkkkkkkkkkkkkkkk pqp,me abraça amiga pq ñ tô bem.(no bom sentido)
L.A.C.R.O.U.
"Ele é minha cara" ai chega a Martha e samba de salto 15 na cara do filho,amo essa diva (adiantei esse coments,ñ resisti),voltando....autografando peitos...sabados a noite sozinha ainda bem que um salvou o outro.Thx God!
"gênii e juizo da mãe" essa Martha só aparece pra sambar mesmo kkkkkkkkkkkkkkk e katie cim juizo agora né?!Ñ vamos citar suas aventurar encima de uma moto na adolescência certo?! ;)
Alexander Beckett Castle (ABC),vc Ká L.A.C.R.O.U. part.2 APPLAUSE!!!!
de pé por sinal.
Kate amamentado que lindo,eu foi maravilhoso e lembrou da vó Joh pronto!
Zerou vida,lindo,perfeito,incrivel...Amei de s2 amei e deu im aperto no peito.E agora vem o desafio,cuidar do Alex,mal posso esperar!
Ps:Juro que resumi,mas mesmo assim ficou grande.Cap. perfeito dá nisso.
U.u