quarta-feira, 13 de agosto de 2014

[Castle Fic] There's Always Tomorrow - Cap.19


Nota da Autora: E tem mais um capitulo Caskett. A alguns posts atrás tinha falado que teriam no máximo uns quatro capitulos mais e a fic se encerraria. Hum, parece que ainda não. Ainda tenho um pouco mais de história pra contar. Ainda não sei o quantos vem por aí, então um passo de cada vez. Espero que gostem desse capítulo. Enjoy! 


Cap.19        


- Castle... – repetia o nome dele entre lágrimas. Seu primeiro impulso foi levantar-se da cadeira e beijar-lhe os lábios apaixonadamente. Voltou a sentar-se mantendo a mão dele na sua. Não conseguia falar ainda. Ele percebeu a emoção domina-la de uma forma não tão comum a Kate. Ainda estava aéreo e não entendia o que estava acontecendo ao seu redor. Kate lia uma crítica de um livro que ela escreveu de Nikki Heat. Não fazia sentido, ele escrevera aquela dedicatória mas por que não conseguia se lembrar de escrever o livro?

- Kate, o que aconteceu? Por que você disse que escreveu meu livro?

- Você não se lembra? Não sabe quanto tempo se passou? – ele a olhava desconfiado e assustado – qual a última coisa que se lembra, babe? – ele levou a mão até a testa esfregando-a como se tentasse buscar na memória a cena, fechou os olhos começando a relatar.

- Lembro de pegar a Ferrari para ir busca-la no aeroporto. No caminho, falamos ao celular. Você queria saber se ia encontra-la. Estava com tanta saudade, Kate... – sorria ao recordar o que exatamente queria falar com ela – ia me contar algo novo sobre o caso mas não era o que eu queria à principio, se é que me entende... então, o que aconteceu depois? Acho que fiquei imaginando algumas besteiras. Tinha um sinal, sim! Um sinal na esquina, estava aberto para eu cruzar. Espere... uma van. Veio chutada na minha direção e – ele calou-se voltando a abrir os olhos segundos depois – um acidente. Sofri um acidente? Por isso estou no hospital? Kate, por quanto tempo estou aqui? Mordeu os lábios, suspirando antes de responder.

- Seis meses, Rick. Os mais longos e difíceis da minha vida – pegou a mão dele e beijou-a diversas vezes, repetiu os beijos no rosto e lábios apertando seus braços para ter certeza de que o que acontecia era real, viu a cara de dor – desculpe, esqueço que preciso ir com calma. Meu Deus! Não sabia se você ia acordar. Eu pedia para que voltasse para mim. Nunca precisei tanto de você, amor – ela não conseguia parar de falar – foram tantas provações pessoais e profissionais. Lidar com família, com um futuro incerto, Alexis! Preciso avisa-la... e Martha eu... tenho que chamar o médico e – mas Castle conseguiu colocar os dedos sobre os lábios dela.

- Hey... calma. Respire um pouco, Kate. Faça uma coisa de cada vez. Esperaram seis meses, podem esperar mais um pouco. Deve ter água por aqui. Estou com sede aproveite sirva-se de um pouco e comece do principio. Conte-me o que aconteceu depois que entrei nesse hospital – ela suspirou, devia se acalmar.

- Tem razão, desculpe. Vou tentar contar o que aconteceu a você – serviu um pouco de água no copo, vagarosamente molhando os lábios dele enquanto continuava - Eles o trouxeram para cá. Eu não sabia o que havia acontecido até ver Ryan e Espo no JFK. Desmaiei. Foram eles que me trouxeram para o hospital. Você passou por uma cirurgia de horas, quando saiu não acordou mais do coma. O médico disse que sua recuperação era difícil de prever. Disse que você poderia acordar em dias, semanas, meses, até anos. Consegue imaginar meu desespero? Como isso foi acontecer logo naquele momento? As coisas no caso estavam confusas, eu estava sendo monitorada de perto por estar mexendo em casa de maribondo e sem meu parceiro. Não bastando isso, tive que ouvir desaforos, assumir a culpa pelo que aconteceu a você. Toda essa pressão, o medo e a tensão eram avassaladoras. Eu fiquei perdida, Cas. Mas nada me apavorou tanto como o fato de ficar sozinha, não ter você ao meu lado no momento que mais precisava de sua ajuda. A incerteza é um dos piores sentimentos que podem dominar uma pessoa. Eu passei noites e noites aqui ao seu lado, esperando por ver seus olhos se abrirem para que eu pudesse ter meu porto seguro de volta, a pessoa que sempre esteve ao meu lado. Nunca me senti tão sozinha.

- Kate, mas e minha mãe? Os rapazes? O seu trabalho no FBI? Eles não eram uma forma de ter apoio?

- Pedi uma licença do FBI para ficar com você. De uma maneira estranha, foi o melhor a fazer pela condição do caso. Castle, a razão de estar aqui não foi um acidente, foi uma tentativa de assassinato para me atingir. Eu meti os pés pelas mãos quando descobri isso e quase morri. Essa parte da história não interessa agora. Desculpe, não devia estar despejando um caminhão de problemas e frustrações em você. Não é sua culpa – passou a mão no rosto, limpando as marcas das lágrimas, sorriu – estou tão feliz que esteja bem, por voltar para mim.

- Seis meses... muito pode mudar em seis meses.

- Você não tem ideia... – ela estava criando coragem, preparando terreno para contar a noticia mais importante de todas.

- É impressão minha ou você está com o rosto mais cheinho? Não sabia que comida de hospital era tão boa a ponto de engordar – ela beliscou as pernas dele – aiii, isso dói. Nem a cinco minutos atrás, você estava chorando dizendo que precisava de mim e agora já está usando de violência comigo.

- Bom saber que tudo está funcionando normalmente – precisava falar, pensou – Castle, uma das coisas que mais me apavorou nesses seis meses era a dúvida quanto a sua saúde. Eu temia que você tivesse sequelas, perdesse a capacidade de andar ou falar, durante muitos dias os médicos realizaram testes porém, não confirmavam a existência de sequelas. Isso me angustiava. Foi um alívio saber que não havia dano cerebral. Mas o medo me rondava dia e noite. Ficava pensando como eu faria tudo sozinha, como seria o futuro. Eu não sei nem por onde começar, dizia, Castle é melhor nisso do que eu.

- Kate, não entendo você sempre foi independente, forte e mandona, eu ...

- Deixe-me terminar, Castle. O que você disse é verdade. Eu me lembrei dessas palavras, da forma que você sempre me descrevia. Foi quando decidir encarar aquilo que a vida colocara em meu caminho. Porém, isso não afastou o maior medo que tive até alguns minutos atrás. Houveram brigas e reconciliações, riscos altos e momentos de profunda tristeza. Venci todos para poder abraçar essa nova fase da minha vida. Estava determinada a fazer o impossível para nunca apagar sua memória. Se ia fazer isso sozinha, precisava recriar você em mim. Uma pergunta sempre martelava na minha cabeça. Como vou contar a ele que o motivo de não estar conosco era por me amar demais, por fazer tudo por mim? Eu perdi minha mãe ainda cedo, na minha opinião, você havia crescido sem seu pai. Será que a história iria se repetir? Queria uma família completa e estava disposta a recria-lo para que nosso bebê nunca esquecesse... – a voz embargou – quem era seu pai – Kate se ergueu da cadeira exibindo o barrigão acariciando com carinho – eu soube que estava grávida no mesmo dia que você entrou em coma e meu mundo virou de cabeça para baixo.

- Oh, Kate... nosso bebê...Deus! – sorria – sou pai novamente! É um menino? Você disse bebê...

- Eu não sei. Prometi que saberia o sexo somente quando estivesse com você. No fundo, sempre tive esperanças de que acordasse antes do parto. Como disse, não podia fazer isso sozinha – pegou a mão dele e levou até a barriga para que ele pudesse sentir a criança – hey, bebê... olha quem acordou. O papai. Diga oi para ele – quando a pele dela mexeu com um possível empurrão de pernas ou braços, ela abriu um sorriso e encontrou os olhos azuis envoltos em lágrimas.

- Hey, o que a sua mãe andou falando de mim? Saiba que se for coisas como mau comportamento, implicância ou infantilidades é tudo mentira. Adora dizer que eu estou errado quando sempre estou certo. Mas no fim, me ama tanto que a ideia de ficar sem a minha companhia a faz chorar, sim a durona Kate Beckett também chora.

- Ele já sabe de tudo isso. Acompanhou minha agonia todos esses meses e ao contrário do que você pensa, só falei coisas boas de você mesmo quando comentei sobre as ruins porque foram elas, pelo menos algumas, que me fizeram amar você.

- Estamos em um hospital, por que não fazemos logo a ultrasom para descobrir sobre o sexo? – perguntou Castle ansioso.

- Podemos fazer isso, mas antes, preciso chamar o médico, a enfermeira. Ou você acha que vai simplesmente escapar de uma bateria de exames e sair andando pela rua? Você é a minha prioridade agora – apertou o botão para chamar a enfermeira – sua vida é preciosa demais para que eu o deixe fazer qualquer loucura.

A enfermeira entrou no quarto. Ao visualizar a cena, não pode conter o sorriso. Principalmente, por ver a alegria e o alívio de volta aos olhos de Kate como a meses não percebia.

- Ora,ora finalmente resolveu dar o ar da graça? Cansou de dormir e deixar sua mulher apreensiva? É bom vê-lo acordado. Bem-vindo, querido. Vou bipar o Dr. Matthews para vir examina-lo mas, primeiro tenho que checar seus sinais vitais e verificar a intravenosa do seu braço.

- Vou aproveitar para avisar Martha e Alexis. Não demoro – disse apertando a mão dele. Assim que saiu a enfermeira se aproximou dele para fazer seu trabalho, não pode deixar de comentar o que sentia e vira durante esses seis meses naquele quarto de hospital.

- Como se sente, Sr. Castle?

- Um pouco aéreo, o corpo doído mas aliviado e feliz após ver Kate e saber que serei pai novamente.

- Isso é bom. As dores no corpo são normais visto que passou muito tempo deitado assim como a sensação de cabeça zonza. Terá que fazer uma bateria de exames para verificarmos se tudo está bem. Tenho que dizer, trabalho em hospitais há vinte anos, já vi muitas coisas, alguns mistérios que entitulamos milagres, não espalhe. Médicos não gostam de usar essas palavras, dizem que ofendem a ciência. Vi casos bem difíceis, o seu era um deles. O que me chamou a atenção foi a forma como seu caso se transformou em algo especial. Poucas vezes vi tamanha dedicação de uma esposa. Você não tem ideia das noites mal dormidas, dos choros, das longas conversas em monólogo entre você e ela, ou com a criança que espera. Ela não sabe que eu a observava. Passou por maus bocados, dava para perceber na aflição dela. Quando sumiu por uns dias, achei que tinha desistido. Mas você e eu sabemos que sua esposa não é uma desistente, é uma lutadora. Soube depois que ela esteve internada entre a vida e a morte. Por você – parou um instante para ouvir os bastimentos dele e a pressão arterial – a razão porque estou contando isso, é para você saber quem esteve ao seu lado e o quanto ela o ama. Nunca se esqueça disso.

- É impossível esquecer, ela é minha vida. A mulher mais incrível que já conheci.

- Faça um favor a ela, então. Comporte-se, fique longe de problemas e cuide dela. Agora é sua vez de retribuir tudo o que ela fez nesses seis meses. 

- Vou me lembrar disso – respondeu vendo um rapaz novo de jaleco entrar no quarto em companhia de Kate.

- O belo adormecido acordou! Já não era sem tempo. Vamos já descobrir como se sente e colocá-lo para trabalhar. Vou fazer um exame preliminar de reflexos, checar como andam os monitores e chamarei o meu residente para prepara-lo para uma tomografia e ressonância. Entendi que há uma sessão de fisioterapia agendada... – disse observando o prontuário dele – talvez tenhamos que transferi-la para amanhã. Quero ter um quadro geral da sua saúde, Sr. Castle.

Enquanto fazia seu exame prévio, perguntava algumas coisas a Castle para avaliar suas condições. Indicou a enfermeira a suspensão do medicamento e do soro até que tenha verdadeira noção do estado dele. Com cuidado, sugeriu a Castle após checar seus reflexos, absolutamente normais, que tentasse ficar em pé. Devagar, ajudou-o a apoiar-se na cama para sentar. Kate observava o médico ansiosa por ver se conseguiria estar de pé. Colocou a escada de apoio na frente dele.

- Consegue firmar os pés? – o médico perguntou – não tenha pressa. Você esteve deitado por muito tempo, é natural o corpo estar relaxado e não reagir de imediato ao contato com o chão firme. Vai se sentir fraco. Vamos – ergueu a mão para ajuda-lo. No instante que pisou no chão, sentiu o choque nos pés além da sensação de fraqueza nas pernas – devagar, melhore a postura – os joelhos tremiam e as costas doíam pelo fato de se esticar – e então?

- As pernas doem, não estão firmes. Meus joelhos... – respirou fundo procurando se concentrar para eliminar a dor presente em várias partes do corpo – me sinto fraco... – o médico tornou a puxa-lo de volta à cama.

- Venha. Apoie seus braços para lhe dar impulso e subir na cama. A fraqueza é resultado da falta de locomoção combinada com a falta de nutrientes. Você está se alimentando de fluidos por muiito tempo. Vou preparar uma dieta especial para sua adequação e correndo tudo bem, logo estará comendo o que gosta, mais rápido do que imagina. Permaneça sentado na cama, vou pedir uma cadeira mais confortável. Já chega de ficar deitado em berço esplêndido. Já dormiu demais – virou-se para Kate – mantenha-o sentado, dê um pouco d´agua, devagar. Meu residente deve estar logo por aqui para leva-lo para os exames. Enfermeira, venha comigo.

Kate esperou o médico sair para se aproximar dele novamente. Aproveitando que ele estava sentado, ela o abraçou com cuidado, descansando a sua cabeça no ombro dele. Castle retribuiu o gesto. Ficaram alguns minutos assim, até ouvirem um limpar de garganta educado. Era o interno.

- Com licença, vim pegar o senhor Castle para exames – trazia a cadeira de rodas com ele.

- Tudo bem, entre – virou-se para Castle – babe, vou agendar um ultrasom para mais tarde enquanto você faz o exame. Martha me confirmou que deve aparecer daqui a umas duas horas, está esperando Alexis voltar de Columbia.

Castle seguiu com o interno para fazer a tomografia e um eletroencefalograma. O médico agendou também uma ressonância magnética para amanhã. Somente depois desse resultado, diria algo sobre sua alta e a nova rotina que já começava a planejar com a enfermeira. Infelizmente, Kate não conseguiu um horário para o dia de hoje e a tão esperada consulta para que Castle finalmente conhecesse o bebê ficara para a tarde seguinte.

Quando voltou ao quarto, encontrou a mãe e a filha esperando por ele. Entre sorriso e abraços, as lágrimas fora poucas. Kate decidiu dar um pouco de privacidade para que a familia pudesse se entender. Martha a repreendeu por isso afinal ela também era parte incontestável da família Castle. Alexis comunicou ao pai que precisaria se ausentar por conta da faculdade e pediu desculpas. Castle não viu isso como um problema, porém pediu para falar à sós com a filha. Kate convidou a sogra para um café. Sentada ao lado dele, na cadeira muitas vezes ocupada por Kate, adorou a chance de ter uma conversa sozinha com o pai. Castle foi bem direto.

- Alexis, sei que foram meses bem traumáticos para todas vocês. Além disso, temos uma nova pessoa chegando em nosso convívio. Vou ser bem claro no que quero saber: como você está após esses meses e o que pensa sobre ter um irmão ou irmã?

- Pai, não posso esconder de você o que senti. Quando descobri que você estava em coma, eu literalmente surtei. Você nunca imagina que algo assim possa acontecer com alguém próximo, que dirá com a pessoa mais importante da sua vida. Eu não aceitei bem. Eu me revoltei, briguei e magoei muito a Kate. Não me orgulho disso. Não fiz questão de saber o quanto ela estava sofrendo, tudo o que ela queria era me ajudar e nos unir, mas eu fui egoísta. Somente depois de saber que ela quase morreu por você foi que finalmente entendi – vendo o semblente sério e preocupado do pai complementou - Está tudo bem entre nós, não tem com o que se preocupar. Estamos decorando o quarto do bebê juntas. E vai ser ótimo ter uma criança para paparicar. Posso não ter muito tempo para ajudar como babysitter mas estragar um bebê é tudo que eu adoraria fazer. Vou mima-lo bastante.

- Fico feliz em saber que superou todas as dificuldades desse período, Alexis.

- É pai, eu sempre soube do seu amor e admiração por Kate. Também gosto dela como mulher e profissional. Nem todas fariam o que ela fez por você. Nem mesmo a mamãe, principalmente ela – eles riram – tenho que admitir, deixei a raiva me cegar quanto a acusei pelo que houve com você. Ela nunca desistiu, pai. Nem um segundo, mesmo à beira da morte. Hoje sei que ela te ama tanto quanto eu.

Castle suspirou ao ouvir as palavras da filha. Tinha lágrimas nos olhos. Alexis se aproximou e beijou-lhe o rosto.

- Preciso ir. Vou pegar o trem para Columbia. Prometo que no sábado estou de volta. Eu te amo, pai.

- Também te amo, filha. Sorrindo, Alexis deixou o quarto.

Por volta das sete da noite, Martha e Kate se despediram dele. Por orientações do médico e um pouco da insistência de Castle, ele deveria descansar assim como Kate. O dia seria agirado logo pela manhã.

E foi exatamente o que aconteceu. Entre exames e consultas, perguntas e refeições balanceadas e programadas, Castle teve uma mamhã bastante ocupada. Por pedido do médico e da própria Kate, combinaram que não comentariam nada com os amigos, o que deixava a novidade longe da imprensa. As demais visitas deveriam ser feitas já em casa. À tarde, teve sua primeira sessão de fisioterapia participativa e passou as duas horas reclamando. Kate que o observava apenas sorria. Nunca diria isso em alto e bom som, mas sentira falta do jeito resmungão dele.

Ao final da tarde próximo ao horário da consulta com a ginecologista, o Dr. Matthews veio ao quarto para comunica-los dos resultados dos exames. Sentou-se à beira da cama para fitá-los.

- Então, chegou o momento da verdade. Examinei sua tomografia e sua ressonância. Parabéns! Não há qualquer sequela do acidente ou do coma – Kate apertou a mão dele na sua, sorrindo – quanto ao cérebro, os testes confirmaram a nossa suspeita de antes. Nenhum dano.

- O senhor quer dizer nenhum dano além dos existentes anteriormente, porque Castle nunca foi uma pessoa normal – isso fez o médico rir e Castle revirar os olhos.

- Isso é amor, doutor – replicou.

- Você está certa. Nada mudou com relação ao homem antes do acidente. Mas...

- Não gosto de “mas” ... – disse Castle – nada de bom vem após um mas.

- Bom ou ruim, depende do ponto de vista. Você está com resistência baixa não apenas pela condição do coma, seu coração está sofrendo um pouco. Precisa recuperar a força, fazer exercicios regulares, cuidar da alimentação. Você tem um bebê a caminho e precisará estar em forma para ajudar Kate nessa nova etapa.

- Doutor, isso pode, quer dizer, afeta o meu desempenho? Não posso fazer sexo?

- Castle! – ela arregalou os olhos dando-lhe um beliscão.

- Aiii! É uma pergunta legítima. E importante – o médico riu da cara de dor que ele fazia.

- Tem razão. A pergunta é importante. Pode interferir um pouco mas se você recuperar a resistência não vejo problemas exceto que sua esposa estará de resguardo.

- Oh! Eu meio que esqueci isso – Kate se escondia com vergonha por trás do ombro dele – vai ser um novo recorde.

- Desculpe, doutor. Aposto que agora entende o que quis dizer com problemas cerebrais. E quanto à alta? Quando Castle pode deixar o hospital?

- Diante de tudo isso, amanhã ele passa com a nutricionista e depois comigo para assinar a sua liberação. Não pense que se livrou de tudo. Deverá seguir com a fisioterapia e exercícios três vezes na semana por um mês, faremos uma nova reavaliação para decidir se será necessário algo mais. Tudo claro? Alguma outra pergunta?

- Não. Tudo certo – disse Kate.

- Será um mês de agonia, doutor você não conhece essa mulher. Vai me fazer suar.

- Que bom. A sua saúde agradece.

- Temos que ir ao terceiro andar para a consulta, Castle. Chegou a hora da verdade.

Sentados na sala de espera do consultório, havia apenas mais um casal esperando. Kate não parava de beija-lo ou fazer carinhos, seja com as mãos ou a ponta do nariz. Queria recuperar boa parte do tempo perdido. Castle estava adorando o tratamento e retribuia acariciando a barriga dela. Estava ansioso e quando isso acontecia, simplesmente botava para falar.

- Qual a sua preferência quanto ao sexo do nosso bebê?

- Ah, Castle. Tanto faz, o importante é que venha com saúde.

- Não sei, sempre há uma preferência. Talvez seja algo inerente ao pensamento. Diz Kate, o que prefere?

- Bem, como você já tem uma filha acredito que não me importaria de ter um mini Castle rondando pela casa, especialmente se tiver seus olhos. Apesar de que se for menino, nem quero pensar em ter que controlar duas crianças ao mesmo tempo. Conhecendo você, aquele loft vai viver desarrumado com brinquedos, armas e sei lá mais o que espalhado.

- Ah, eu não tinha pensado nisso. Poderemos ver filmes de ficção científica, brincar com helicópteros de controle remoto, videogame. Oh! Lasertag!

- Pelo menos não precisaríamos gastar tanto com brinquedos, ele herdaria os seus – a cara de pânico que Castle fez a surpreendeu.

- Nem sonhando ele vai tocar nos meus carrinhos e nos meus bonecos e... – o olhar típico de Kate Beckett o calou. Revirou os olhos e falou.

- Muito maduro da sua parte, é assim que vai criar o nosso bebê? Se trocando com ele?

- Tá, tudo bem. Eu não pensei no que falei. Mas, sabe que apesar de já ter uma menina, iria adora uma pequena Kate Beckett mandona atazanando você e minha mãe. Seria a vingança perfeita. Só assim você entenderia o que eu passo – implicou.

- Jura? Uma menina? Minha cópia... e quando ela crescesse se passasse pela mesma fase rebelde que eu passei, conseguiria aguentar Castle? Os namorados, as festas, as tatuagens...

- Meu Deus! Kate, desse jeito vou ter pesadelos! – ela gargalhou do pavor no rosto dele – melhor mudarmos de assunto. Nomes. Isso! Você já pensou em algum?

- Sim, pensei. Para menino e para menina, mas é segredo. Você saberá na hora certa.

- Espera, não vou ter direito de escolher? Você não fez essa criança sozinha. Tenho direito também.

- Por que? Você não confia no meu gosto? Além disso, você já tem uma filha.

- Bem, ainda não acho justo mas devo concordar que você tem um gosto muito refinado – Kate revirou os olhos.

- Estava sentindo falta desse seu jeito metido e modesto – deu-lhe um beijo nos lábios. Nesse instante, a assistente da médica surgiu na sala chamando por Kate. Os dois entraram no consultório. A doutora sorriu para sua paciente e se assustou positivamente ao ver Castle ao lado dela.

- Kate, que bom recebe-la e finalmente conhecer o papai do seu bebê. Sr. Castle, é um prazer. Aposto que está ansioso para saber sobre sua criança. Prometo contar tudo a você e finalmente poderemos conhecer o sexo, não?

- Muito ansioso.

- Kate foi fiel à promessa que fez. Vamos começar com a pesagem e as medições habituais? Depois iremos para a sala ao lado fazer o ultrasom. Castle observava a conversa entre médica e paciente. Ao mesmo tempo, se admirava. Estava em um consultório de obstetrícia prestes a descobrir o sexo de seu bebê. Taí algo que não julgara ser possível novamente. Sua filha era uma mulher feita e em poucos dias, começaria uma nova jornada como pai. Não era segredo que chegara a cogitar a possibilidade de ter filhos com Kate mas quando tiveram a oportunidade de discutir o assunto durante o caso com o bebê que carinhosamente chamou de Cosmo, viu o receio dela quanto a ser mãe. A surpresa acabara sendo em boa hora. Reconhecia, não podia estar mais feliz.

- Muito bem, vamos ao ultrasom? – disse a médica conduzindo-o à sala ao lado. Ajudou Kate a subir na mesa preparando-a para receber o gel sobre a barriga agora de provavelmente nove meses. Ao passar o sensor sobre a pele dela, as primeiras imagens apareceram na tela. Como parte do suspense, a médica deixou o aparelho com o áudio bloqueado. Enquanto analisava a imagem, falava – vamos conferir. Peso do bebê, muito bom. Comprimento, normal. Você está com 33 semanas o que significa a qualquer momento poderá entrar em trabalho de parto. A data estimada é entre 20 e 25 de junho, podendo antecipar. Pronto para ouvir o coração, papai?

- Sim, mais do que pronto – segurava a mão de Kate na sua. A médica liberou o áudio e Castle sentiu o próprio coração disparar ao escutar o som forte e ritmado – nossa! É tão alto assim?

- É sinal de boa saúde. Apesar de todas as preocupações e dificuldades de Kate no periodo de gestação, o bebê de vocês resistiu e sempre se mostrou forte. Então, chegou a hora da verdade. Preparados? – os dois se entreolharam sorrindo.

- Sim – falaram juntos. Sorrindo a própria médica se divertiu com o casal. Remexeu o sensor na barriga de Kate procurando o melhor ângulo. Quando achou, perguntou aos dois.

- Então, o que veem? Está fácil demais. Castle engoliu em seco tentado segurar o choro. Kate sorria ao olhar para a imagem.

- Um mini Castle... ah, Deus! Acho que alguém acaba de deixar de ser o bendito fruto entre as suas mulheres. Um menininho, Rick – ele inclinou-se até Kate e beijou-a. Manteve a testa colada a dela. Estava transbordando de felicidade. Sequer repararam quando a médica disse que ia deixa-los sozinhos para curtir um pouco o momento. Castle não conseguia achar as palavras, não cabia em si – ele precisa ter seus olhos, babe. Esses olhos azuis que me fascinam. Percebeu que as lágrimas venceram escorrendo pelo rosto dele.

- Eu te amo tanto, Kate. Você me fez o homem mais feliz do mundo com essa notícia. Obrigado, por tudo.

- Always, always, always... – e perdeu-se nos lábios dele.


Dia seguinte – à tarde


Kate caminhava com ele ao seu lado. Mantinha o ritmo devagar para não força-lo a exceder demais. Ao se deparar com o seu apartamento, sorriu. Foi levado diretamente para o sofá. Kate seguiria as recomendações à risca do fisioterapeuta. Em seguida, foi buscar água para os dois. Também queria sentar-se pois os pés estavam em brasa. Ainda precisava conversar muito com ele, contar-lhe as escolhas que fizera e o quanto isso impactaria sua vida dali para frente. Aproveitou porém, para saber como ele gostaria de endereçar a sua volta. Contou sobre o evento no domingo querendo saber qual seria o próximo passo. Pensativo, achou por bem tornar público através de Gina pois somente ela saberia lidar corretamente com a imprensa. Antes deveriam informar aos amigos do 12th, não seria justo descobrirem pelos jornais. Concordando, Kate pegou o telefone discando para os amigos, Lanie e para a capitã.

Durante dois dias, eles receberam visitas dos amigos no loft. Riram, brincaram tirando sarro de Castle e falando da gravidez que ele adorava gritar aos quatro ventos o fato de ser um menino. Todos comemoraram a novidade. Quando telefonou para Alexis contando, viu a filha gritar de excitação do outro lado da linha. Até surpreendeu-se com a visita de Gates, todos sabiam que a antiga chefe de Beckett não morria de amores pelo escritor, porém Kate explicou após a sua saída que a Capitã foi uma das pessoas que mais a apoiaram quando teve que enfrentar o FBI. Gina foi a última a vir vê-lo. Era só elogios para Kate e seu livro que continuava entre os mais vendidos do New York Times. Quando questionou sobre o evento, sugeriu que Castle acompanhasse a esposa. Seria uma forma de mostrar que estava de volta e bem.                        

Durante os próximos dias, Castle fazia a fisioterapia três vezes por semana. Estava se sentindo bem melhor. Tanto insistiu que Kate concordou em sair com ele para comprar coisas de bebê. Não podia negar isso à essa altura. Estava na reta final da gravidez e tinha pouco tempo para curtir com o marido. Voltaram com várias sacolas da FAO Schwartz e da babies r us. Castle reclamou da decoração do quarto, precisavam enfeitá-lo com jeito de menino. Kate contou que ela e Alexis estavam preparando a decoração ideal mas, só poderiam ver o resultado no sábado quando a filha retornasse da faculdade. Mal terminou de contar, Castle ligou para filha e passou a implicar enchendo-a de perguntas a fim de descobrir do que se tratava. Felizmente, resistiu bravamente aos assédios do pai, deixando-o ainda mais curioso.

Kate não se importava de ver a empolgação de Castle com o bebê. Ela também entrara no clima. Essa era uma forma de curtir essa fase maravilhosa aproveitando para deixar de lado os demais assuntos pendentes. Sabia que apenas adiava a conversa, teria que falar em algum momento. Não agora. Apenas uma vez demonstrou curiosidade quanto ao assunto mencionado por Kate. Sobre Gates tê-la ajudado com o FBI. Desconversou trazendo outro assunto, o livro. Sugeriu que ele lesse a obra para que não passasse como desinformado na frente de seus fãs durante a tarde de autógrafos do domingo. Aproveitando a vinda de Alexis, Martha decidiu fazer um jantar chamando também Jim.


Sábado – três da tarde


Alexis chegou repleta de sacolas e tubos de decoração. Ao ver o pai, abraçou-o com vontade. Beijou a barriga de Kate cumprimentando o irmão e ficou de papo com a vó por um tempo, o que quase levou Castle à loucura. Queria saber porque as duas faziam tanto mistério sobre o quarto do bebê. Vencida pela ladainha propiciada pelo pai, sentaram-se à mesa do escritório onde Alexis abriu o projeto. Castle não acreditava no que via. Estava simplesmente lindo.

- Como vocês fizeram isso? Esse é o melhor tema de todos!

- Agradeça a Kate. A ideia do espaço foi dela.

- Mesmo? Mas você vivia reclamando do meu gosto por naves e alienígenas. E deixe-me registrar: recusou-se a casar comigo no espaço.

- Eu gosto do tema, nunca escondi ser fã de ficção. Pedi a opinião da Alexis porque como não sabia o sexo, queria saber se podíamos considerar o tema para menina. A julgar pela infância dela, vimos que seria normal.

- Ah, minhas duas mulheres. Perfeitas como sempre. Estou louco para ver como vai ficar ao final.

- Alguns itens já trouxe comigo mas teremos que chamar alguns especialistas para colocar o papel de parede, as luminárias. Na verdade, gostaria de organizar isso com você, Kate.

- Claro! Castle, por que não vai continuar a ler Heat Blows?

- É assim? Vocês estão me colocando para escanteio? Ascabei de elogiar vocês!

- Babe, vamos fazer trabalhos burocráticos. Você não gosta disso – beijou-lhe os lábios para convence-lo.

- Tudo bem.... fico feliz em saber que não serei mais minoria nessa casa – saiu resmungando rumo ao quarto fazendo as dua cairem na risada.

O jantar foi uma verdadeira reunião em família. Fazia tempo em que não se via tanta harmonia na casa dos Castle. Jim aproveitara para paparicar a filha e o futuro neto. Conversou um bom tempo com o genro e acabou falando um pouco do período difícil que ela enfrentara, especialmente quando tentara fazer justiça sozinha por ele. Castle confessou que não haviam conversado ainda sobre isso. Kate achara melhor usar o tempo para curtir os últimos minutos da gravidez. Naquela noite, quando já estavam deitados,Castle lia Heat Blows vidrado na história enquanto Kate passava hidratante no corpo, especialmente na barriga.

- Não... você... não... – deixou o livro cair em seu estomago virando-se para fitar a esposa – você deixou um cliffhanger! Por que não encerrou o caso?

- Eu encerrei, mas não completamente.

- Nossa! Adorei a trama no clímax, nem tinha pensado em escrever dessa forma. Ficou muito bom, bem parecido com o meu jeito de escrever. Realmente... – então ele parou de falar avaliando um pensamento que lhe passou pela cabeça – espere, você também não encerrou o caso no FBI? Essa obra de ficção, ela teve o desfecho do caso real?

- O caso real da máfia foi fechado com louvor pelo FBI. O senador Denver foi destituído do cargo e a justiça feita. Congelamos as contas dele e ressarcimos grande parte do ele roubara do país. Hoje ele está preso pagando pelos seus crimes, inclusive a sua tentativa de assassinato e a minha. Caso encerrado.

- Falando nisso, você ainda não me contou o que realmente aconteceu com você em Washington. Você não me esconderia nada, certo Kate?

- Não, babe. Esse é um assunto delicado, tenso e que eu não gosto de lembrar. Irei contar a você tudo o que aconteceu mas não nesse momento. Nosso filho está para nascer e ficamos tanto tempo sem poder conversar, sem curtir toda a novidade. Quando as coisas acalmarem após o seu nascimento, prometo que falaremos sobre isso.

- Tudo bem. Somente porque quero paparicar esse menino muito, muito e muito – Castle beijava a barriga dela repetidas vezes, ao fitar Kate reparou o sorriso solto no rosto – e também a mãe dele – repetiu a chuva de beijos no rosto dela até selar sua boca com os lábios ávidos por prova-la.    


Barnes & Noble    


Estava tudo preparado. Gina reservara um lugar de destaque na livraria para Kate autografar os livros. Também se preocupou em deixar um lugar reservado para Castle estar ao lado dela. A notícia de sua recuperação tinha sido divulgada ontem para a mídia e certamente haveria mais fãs que o normal na livraria hoje apenas para vê-lo e saber se ele estava bem. Os trabalhos começariam dali a quinze minutos. Alexis já sumira das vistas deles para a sessão de livros universitários. Castle pegou um exemplar da pilha de livros para vender e ficou com ele nas mãos. Gina aproximou-se deles perguntando.

- Por que está com esse livro nas mãos? Na esperança de autografa-lo também? – ele fez uma careta para ela – olha isso pode acontecer mas quem dá as cartas hoje é Kate. Quero saber uma coisa de vocês. A imprensa estará aqui logo, vão dar entrevistas ou fica a meu critério lidar com eles?

- Eu passo – disse Kate.

- Eu posso dar uma entrevista rápida, acalmar meus fãs. E pare de querer reduzir minha participação no evento, Gina. Sei que Kate escreveu o livro, com maestria posso acrescentar, mas o autor de best-sellers ainda sou eu. E você quer saber por que tenho um exemplar nas mãos? Simples. Também quero um autógrafo da minha mulher. Você assina para mim, gorgeous?

- Claro – disse Kate pegando o livro das mãos dele e abrindo na folha da dedicatória. Escreveu alguams palavras, assinou e encheu de corações devolvendo-o nas mãos dele. Ao checar o que ela rabiscara, sorriu. Riscara o girl com um “X” e escrevera abaixo da deidcatória “always, always,always your muse. ILY” assinou o nome e um coração ao lado.

O evento começou e a fila para ter um livro autografado por Kate Beckett estava enorme. As pessoas pediam para ela assinar com o sobrenome dele também. Vários fãs pararam para cumprimenta-lo demosntrando a alegria de vê-lo de volta. Castle agradeceu o carinho deles e também assinou alguns exemplares. Deixando Kate com a missão de usar a caneta, dedicou-se ao pessoal da mídia. Com toda desenvoltura que lhe era peculiar, dominou as perguntas e satisfez algumas das curiosidades dos repórteres. Quando perguntado se Heat Blows teria uma continuação escrita pela esposa, Castle não descartou a possibilidade alegando que pelo desfecho ter sido dela, nada mais justo que retomar a parceria entre os dois, porém isso não era algo certo já que ambos teriam outras prioridades nos próximos meses, referindo-se ao filho.

Kate fez duas pausas durante o evento para ir ao banheiro e esticar as pernas que doíam com câimbras. O carinho dos fãs de Castle, agora seus também, era muito interessante. Alguns queriam ficar conversando por muito tempo, discutir detalhes do livro, saber da gravidez. Não podia dar atenção a todos. As horas passaram rápido e agradeceu por Castle ter vindo, cuidando da imprensa ajudou-a bastante. Gina agradeceu a presença de todos encerrando a tarde. Virou-se para Kate exclamando sua alegria com o sucesso do evento.

- Mais um sucesso. Ah, Rick você não tem apenas uma musa, tem uma parceira para escrever e ouso a ir além, uma possível concorrente – viu o reflexo não muito bom no rosto do escritor – mas quem é rei nunca perde a majestade. Você brilhou entre seus reporteres e fotógrafos. Tenho que reconhecer, você faz o papel de relações públicas melhor do que eu.

- Obrigado, Gina. Sei que sou o máximo – brincou fazendo as duas revirarem os olhos.

- Ok, senhor Fantástico. Antes de deixar vocês irem embora, quero fechar o próximo compromisso com Kate. Terça está confirmado a visita da equipe da Vanity Fair? Prometo que seremos rápidos. Cuidarei pessoalmente disso.

- Vanity Fair? – Castle perguntou surpreso – ninguém me informou dessa entrevista.

- É porque não será com você, bonitão. A estrela aqui é a Kate. Não leve para o lado pessoal, ela concordou fazer isso quando você ainda estava em coma no hospital. Todos querem saber um pouco mais sobre Kate Beckett. Se serve de consolo, convencê-la foi bem difícil – voltou a fitar a esposa – então, nove horas está bem para você?

- Tudo bem. Nove horas.


Apartamento de Castle - Terça    


Eram quase nove da manhã quando Kate e Castle terminaram o café. Ele optara por sair não apenas por um pedido dela para não se sentir pressionada ou nervosa como também para não se passar como o dono da situação. Escolheu aquela manhã para fazer compras. Sem Kate para dosar ou tolir suas vontades, poderia comprar roupas e brinquedos para o seu filho como desejasse. Quando pensasse em reclamar seria tarde demais para voltar atrás.

Pontualmente Gina chegou ao loft com um câmera, uma fotógrafa e uma repórter. Após as apresentações formais, Nadine, a repórter perspicaz da revista, explicou a Kate como funcionaria a entrevista. Basicamente iriram se concentrar na nova fase de Kate, a escritora e a mãe sem esquecer de seu papel mais importante e pelo qual ficara famosa, a detetive da NYPD. Faria perguntas que seriam gravadas para facilitar a edição de palavras para a reportagem. Tirariam fotos e ficaria a critério de Kate a escolha das melhores para publicação. Também mencionou que escreveria uma introdução à entrevista contando um pouco sobre quem era Kate Beckett e na sequencia, teriam as dez perguntas.

“Às vésperas de começar uma nova fase na sua vida, Katherine Beckett, eternizada como musa inspiradora através de seu alterego Nikki Heat, acrescentou mais uma estrela de destaque em seu currículo pessoal. Competente detetive da NYPD com uma passagem brilhante em um dos casos bombas do FBI desse ano, a então Sr. Castle decidiu substituir o marido em seu novo livro “Heat Blows” que chegou às livrarias no mês passado e alcançou a lista dos 10 best sellers do New York Times na primeira semana. A Vanity Fair veio até o loft do casal para saber mais sobre essa história. Afinal, de onde vem tanto talento?”

- Kate Beckett, de musa a esposa. Como isso aconteceu?

- Eu não sei! (risos) às vezes eu olho para ele e me pergunto: como fui casar com Rick Castle? No bom sentido, claro. Começou por obrigação à cidade de New York, deu muito trabalho cuidar de uma criança grande. Acreditem, fazer trabalho de policial e babá ao mesmo tempo não é fácil. Castle é bastante persuasivo e persistente. Falando sério, acredito que seja uma daquelas coisas inesperadas da vida. Surpresas. Não aconteceu do dia para a noite. Lidar com a morte e a injustiça todos os dias endurece as pessoas. A realidade das ruas é dura o bastante para obrigar a todos nós, especialmente policiais, a nos fecharmos para o mundo. Castle chegou invadindo meu espaço, querendo se mostrar expert no assunto, mas a vida real é bem diferente dos livros de ficção. Não se trata de destino, mas de cativar, entender, criar laços, da irritação ao companherismo depois amizade e parceria...o amor tornou-se inevitável. Acredito em relacionamentos duradoros desde que a base seja a confiança. E não se enganem, obstáculos não faltaram para testar e impedir nossa união. Nem tudo são flores.  

- E agora você está grávida?

- Sim, de um menino e muito feliz.

- Nem preciso dizer que ao decidir escrever Heat Blows, você se tornou o centro das atenções no mundo literário do último mês. De quem foi a ideia de terminar o livro, como tudo aconteceu?

- Não foi uma decisão programada. Nos últimos meses quando Castle esteve no hospital tive muito o que me preocupar. Um bebê a caminho, um futuro incerto, a pressão do trabalho. Cheguei a achar impossível sair desse furacão. Lembro que estava avaliando provas de um caso que trabalhava e fazendo uma reflexão quando me deparei com as anotações de Castle. Aquilo me trouxe lembranças e simplesmente decidi terminar a história, no fundo, era uma homenagem ao meu escritor preferido. A próxima coisa que fiz foi procurar Gina para ver se ela comprava a ideia, o resto você já sabe.

- Sim, aproveitando a oportunidade. Há planos para uma nova parceria entre a musa e o escritor? Uma nova história? Os leitores sentiram um brecha na forma que o livro terminou.

- É cedo para dizer. Eu sou uma detetive. Fazer justiça e colocar assassinos atrás das grades é o que faço de melhor. É minha identidade. A de Castle é escrever. Minha experiência acabou proporcionando conhecimento para descrever crimes, talvez por isso o livro tenha dado certo. Não posso afirmar se haverá outro livro de Nikki escrito em parceria com seu criador. Não pensamos sobre isso. Temos outra prioridade no momento.

- Nem sim nem não?

- Vamos deixar por conta do futuro. Fico satisfeita com a possibilidade.

- Muito justo. Nadine continuou fazendo outras perguntas que Kate respondia educadamente. De alguma forma, a repórter atraíra a empatia, deixando Kate bem à vontade. Estavam prestes a encerrar a entrevista e a pergunta final era uma curiosidade da própria reporter.

- Para encerrar, por que os livros de Nikki fazem tanto sucesso? O que a torna tão querida e admirada frente aos leitores?

- Já me fiz essa pergunta algumas vezes e chego sempre a mesma conclusão. Uma história de ficção quando bem escrita prende o leitor da primeira a última página, porém nada disso importa se não houver uma conexão. Um elo. Geralmente, esse é o papel da personagem. No mundo de hoje, as pessoas buscam por válvulas de escape que as tirem da realidade dura e excessiva, da violência, buscando por esperança em um hobby, um novo herói, qualquer coisa que as aliviem do peso da incerteza. Talvez o sucesso de Nikki esteja em algo diferente de um Peter Pan ou de Julieta. Ao contrário deles, Nikki é inspirada em uma pessoa real. Com defeitos, virtudes. Alguém que erra buscando acertar, cai e tem coragem para se erguer e seguir em frente. Nikki vive em prol da justiça e o faz de maneira inteligente e apaixonante. Isso motiva as pessoas, as fazem acreditar que mesmo em adversidades é possível desfrutar de momentos de alegria e júbilo. Acredite sempre em você mas lembre-se ninguém é uma ilha. Até mesmo a melhor detetive da NYPD precisa de um parceiro e um amigo. É isso que Nikki quer ensinar aos leitores a cada história.

- Nossa! Diante dessa declaração só me resta encerrar a entrevista desejando todo o sucesso para a familia Castle, muita saúde para o novo herdeiro que chega e vida longa a série Heat.

- Obrigada.

- Não posso perder a oportunidade, pode autografar meu livro?

Elas cairam na gargalhada. Nadine agradeceu pela entrevista e o autógrafo. Então, foi a vez da fotógrafa fazer seu trabalho. Umas vinte fotos depois, o trabalho chegara ao fim. Kate estava exausta e faminta. Segundo Gina, essa entrevista deveria ser publicada na edição da quinzena de junho, ou seja, na próxima semana. Assim que saíram, ela ligou para Castle. Dez toques depois, a chamada caiu na caixa de mensagem. Demorou cerca de vinte minutos para que ele retornasse a ligação.

- Hey, gorgeous.

- Castle, onde você se meteu? Liguei a quase meia hora – o tom usado por Kate devido a fome, provocou outra reação no homem do outro lado da linha.

- Oh meu Deus! A bolsa estourou? Já foi para o hospital? – a voz urgente e aflita – você está bem? Respire, Kate, respire!

- Castle, acalme-se! Está tudo bem.

- Não está em trabalho de parto? – perguntou ainda nervoso.

- Não. Estava ligando para saber onde estava e se vem almoçar em casa. Estou faminta.

- Assim você me assusta, Kate. Eu pensei...

- Sei o que pensou e que fique registrado, se você demorar tudo isso para me responder quando for realmente a hora, vou ter esse bebê sem você.

- Ouch! Vou demorar um pouco, pode almoçar sem mim. Daqui a meia hora devo estar por aí.

- Tudo bem, nem vou perguntar o que anda aprontando porque sei que não valerá a pena saber.

- Surpresa, amor. Surpresa.

- É disso que tenho medo. Não demore.

A meia hora de Castle transformou-se em duas horas. Quando Kate o viu surgir na sala do loft com duas sacolas enormes da Babies r us e Toys r us, sabia que ele exagerara. O sorriso do marido porém, apagou qualquer possibilidade de irritação com o que ele pudesse ter aprontado. Castle beijou a barriga dela e em seguida os lábios. Puxando-a pela mão para o sofá, ele parecia um menino feliz com os presentes no dia de natal.

- Espera até você ver o que comprei para o nosso filho. Sente-se e já vou avisando: nada de reclamar ou de ciúmes, Kate Beckett. Basicamente, comprei roupas e alguns acessórios de decoração além de brinquedos.

- Castle, já temos roupas demais para o bebê. Por que...

- Nah! Comentário errado. Sei que você, minha mãe e Alexis cuidaram de tudo mas é meu filho também, portanto tenho o direito de mima-lo tanto quanto vocês. Devo acrescentar que provavelmente nenhuma de vocês comprou as roupas especiais que escolhi.

- Castle, por favor não me diga que comprou uma roupa de zumbi para o nosso filho.

- Infelizmente, não – sorriu maliciosamente ao ver o desespero no olhar dela – esses estilistas de bebês não tem muita imaginação. Pensando nisso, eu produzi minhas ideias – puxou a primeira roupinha do saco – o que você acha? Bem apropriado, não? – o body azul marinho da NYPD era lindo, a reação de Kate não podia ser diferente.

- Que lindo...

- Sabia que ia gostar. E que tal essa? Comprei um body branco e mandei escrever. Perfeito, não? – a frase ouvida algumas vezes dele mesmo era quase um jargão personalizado “I really am ruggedly handsome, aren´t I? Just like Dad!” – Kate balançou a cabeça rindo das maluquices. Pouco a pouco, ele foi retirando várias roupinhas lindas da sacola, alguns brinquedos e teve que admitir, adorara suas escolhas. Já estava quase na metade do segundo saco quando puxou um belo conjunto de lençóis no tema do espaço.

- Castle, esse lençol é perfeito para a decoração do quarto. Eu e Alexis procuramos tanto por algo assim. Onde conseguiu isso?

- Ah, poderia te deixar na curiosidade mas não seria justo. Mandei fazer por encomenda. Diz se não foi uma tacada de mestre?

- É, não tinha pensado nisso.

- E para fechar a decoração de um quarto no espaço não poderiam faltar o extraterrestre e o astronauta – tirou do saco um boneco do Buzz Lightyear e um alien de pelúcia do Pizza Planet.

- Um Buzz...

- Dois. Um boneco e um de pelúcia para dentro do berço. E agora, o momento final. As duas melhores criações de Castle. Uma fantasia de batman, por favor, deixe ele sair do hospital com ela, por favor? E – tirou o último objeto da sacola, desfez o embrulho cuidadosamente colocando o pequeno body na frente de seu peito – criação de gênio não? – Kate simplesmente não acreditou no que via a sua frente. Boquiaberta, fitava a roupa que gritava Castle a milhas de distância. Tomando como base o colete da polícia, mandara confeccionar uma réplica do seu com um detalhe a mais. Ao invés de “WRITER” escreveu “WRITER´S SON”.

- Oh meu Deus! – foi tudo que conseguiu dizer antes de beija-lo – você não existe, Cas.

- Consegui te surpreender, não? Posso aceitar que o vista com ela em vez da fantasia.

- Castle, apesar de ter adorado cada um dos presentes que comprou para o nosso filho. Eu prometi a Alexis que o irmão dela sairia do hospital com a roupa dada por ela.

- Mas não deve ser nem de longe melhor que essa – ele já começava a fazer biquinho – ele ia arrasar com o colete...

- Concordo, mas prometi a sua filha. Não posso voltar atrás.

- E se eu a convencer? – um fio de esperança surgiu no rosto dele.

- Castle...

- Tá, entendi – encostou os lábios na barriga de Kate para falar – é bom você sair logo daí parceiro, precisamos urgentemente acabar com essa hegemonia das mulheres.

- Bobo! – disse puxando o rosto dele para junto do seu e beijando-o carinhosamente.

Quando a revista Vanity Fair chegou às bancas e livrarias de todo o país foi um sucesso instantâneo. Lanie ligara para a amiga a fim de elogia-la quanto à entrevista e às fotos. Enquanto a amiga comentava cada pedaço do material publicado, Kate tapou o receptor do telefone para falar com ele que estava quase morrendo ao seu lado de tanta curiosidade.

- É a Lanie... – claro que a mesma escutou do outro lado da linha.

- Kate, coloque no viva-voz – ela obedeceu – olá, Castle! Sua esposa está fazendo muito sucesso não? Pode até largar a carreira de agente da lei para escrever.

- Se ela quiser pode escrever comigo... não me oponho.

- Como você se sente não sendo o centro das atenções? Deve ser difícil para você... ficar por trás dos holofotes e flashes, disputar a sua mulher com vários paparazzis, sem esquecer que logo mais não será o único homem na vida dela.

- Me avise quando devo rir, Lanie – ele retrucou

- Daria tudo para ver sua cara nesse momento, deve estar emburrado. Qual o tamanho do bico, Kate?

- Haha, estou rolando no chão de tanto rir – ele disse em tom de deboche fazendo Kate cair na gargalhada.

- Você é muito bobo, Castle. Sabe que adoro implicar com você. Não seja rabugento. Aliás, não é pra qualquer um receber uma declaração como a que Kate fez na midia. Ansioso para a chegada do seu filhote?

- Demais! Não sei por que ele está demorando tanto para vir ao mundo. Já conversei com ele sobre isso.

- Vai ver puxou ao pai – replicou Kate – preguiçoso...

- Kate Beckett deixe de ser mentirosa... quem quer ficar na cama até tarde é você.

- Assim que ele resolver sair, já avisei a Kate que pode me ligar. Estou aqui para ajudar. Beijos para você, escritor. E amiga, espero o próximo livro!

Rindo, ela desligou.

Na semana seguinte, para conter a ansiedade que parecia lhe tirar o juízo, Castle decidiu fazer faxina no escritório. Isso porque foi quase expulso por Kate do quarto. Remexendo em seus papéis da gaveta ao seu lado, encontrou os rascunhos que fizera na época em que estava em Washington começando a investigar o caso. Sorriu ao constatar que ela aproveitara grande parte das notas que escrevera. Curioso, lembrou-se das palavras de Kate sobre a conclusão do caso. Por que não começar a elaborar a história do próximo livro a partir do cliffhanger deixado por ela? Decidido, ligou o computador para checar detalhes do caso investigado pelo FBI.

Castle devorava as matérias da condenação e anotava alguns detalhes. Gostou de ver como a mídia destacou mais o trabalho da NYPD do que da agência federal além da repercussão da cerimônia ocorrida em DC onde Kate recebeu uma medalha de Honra ao Mérito. Por que ela ainda não lhe contara essa história completa? Deixando as pompas da mídia de lado, começou a comparar os detalhes da investigação com a que fizera antes do acidente. Apesar da explicação exposta na mídia e da condenação e perda do cargo de senador de Robert Denver, alguma coisa nessa história parecia estar faltando.

Estava tão absorto lendo e fazendo suas devidas anotações que não percebeu a voz de Kate chamando seu nome. A cada nova conexão, se perguntava quanto à efetividade do fechamento das pontas soltas que elencara em seu arquivo de investigação primário ou, como gostava de dizer, seu quadro online. O celular começou a tocar insistentemente ao seu lado. Ao olhar o visor, viu a foto de Kate. Estranhou, por que ela estaria ligando se estava em casa?

- Kate?

- Castle...você é – soltou um grito – surdo? Eu preciso...a bolsa...

- Kate? Você... – então caiu em si – o bebê está chegando, bolsa... o hospital. Saiu feito um raio ao encontro dela. Kate já estava pronta com sua maleta para o hospital ao seu lado. Procurava respirar pausadamente para aliviar a dor. Castle segurou a mão dela e apoiou-a com seu corpo – como estão as contrações? Qual o intervalo?

- Eu não sei! – gritou – nunca fiz isso antes... aaahhhh – apertou a mão dele sem dó. Mordeu os lábios e fez careta para não gritar junto com ela – vai nascer... rápido...

Eles saíram do elevador na frente do carro de Castle. Após acomoda-la no banco do passageiro, correu para o lugar do motorista. Sentou e colocou a chave na ignição. Virou-se para Kate procurando acalmá-la.


- Respire fundo e procure relaxar. Vamos chegar em – consultou o aplicativo do celular para definir o melhor caminho a fim de chegar ao mesmo hospital onde passara os últimos seis meses – dez minutos. Ao colocar as mãos no volante, porém, a realização do que estava acontecendo o atingiu – Meu Deus, vamos ter um bebê! – e congelou ficando totalmente sem ação diante do fato. 


Continua....

5 comentários:

Maria DA PENHA disse...

Perfeito ... Maravilhoso ... Kate e Rick finalmente juntos depois de tantas angustias ... Li várias vezes para acreditar que ele havia acordado rsrsrsr ...

cleotavares disse...

Fofo, fofo esse capítulo e Castle, corre criatura, ou tu vais querer fazer o parto? kk

Luciana Carvalho disse...

Owwwwww.. ainda bem q tudo se resolveu e ele finalmente acordou!!! N aguentava mais tanto sofrimento! Tomara q a partir de agora venham momentos mais felizes!!!

Pâmela Bueno disse...

Aaahh que emoção!!! nem acredito no que eu acabei de ler… to super feliz e rindo pq até que parece mesmo um tipo de reação que o castle teria ahhaha super ansiosa!!

Marlene Caskett Stanatic disse...

VOMITANDO ARCO-IRIS!!!!!
Nossa,cap. TOTALMENTE MAIS QUE DEMAIS...A emoção de vê-lo acordar foi maravilhoso,todos fazendo obs. de como kate se dedicou a ele me senti orgulhosa dela serio.Castle sendo Castle,falando que ela estava mais cheinha e na parte do "comprometer o desempenho" ri,feliz em saber que NADA mudou.
Eles juntos ao evento do livro,coisa mais linda e fofa tô amando Gina ganha meu respeito.VC ARRASOU NA ESCOLHA DO NOME DA REPORTE NADINE...APPLAUSEEEEE!!!!
Realmente vi a nossa amada reporter ali,adoooooooorei.Sobre o Castle fazendo compras para o NABY BOY,PQP BABY BOOOOOOOY....COITADA DA KATE MAS...É UM BOY MOCIONEI.(drixei pra surtar aqui por um motivo)...Sendo um super pai desde agora e coisa mais lindinha foi o
“WRITER´S SON”.ME ABRAÇA POR FAVOR!!!!!!
E o fim do cap. com K-Bex em trabalho de parto,mal posso esperar pelo proximo para ver o que acontecera nesse momento tão importante para Caskett e claro o nome do baby ;)