sexta-feira, 7 de novembro de 2014

[Castle Fic] There's Always Tomorrow - Cap.26


Nota da Autora: Esse capitulo não tem fortes reviravoltas, é uma preparação para as próximas etapas. Mas tem momentos bacanas também. Espero que eu tenha forças para escrever um novo cap na outra semana dps de tantas emoções que estão por vir.... divirtam-se! 


Cap.26


Foram quase quatro horas de julgamento. O advogado de defesa começou com toda a pompa e segurança retaliando, questionando e protestando o quanto pudesse. Chegou a achar que ganharia a causa pelo seu cliente facilmente, até o momento que a principal testemunha de acusação sentou no banco. A promotora deu um show graças as argumentações montadas por Beckett. Ao deixar o fórum, ela estava cansada, com fome e desejando um café. Satisfeita com o resultado e os cumprimentos da Dr. Robbins, seguiu pela rua em busca de uma cafeteria. Na fila, ligou para Castle.

- Onde você está?

- Hey... pelo menos diga algo como “olá, meu amor, tudo bem?” eu estou ótimo, obrigado por perguntar. E respondendo a sua pergunta, estou em casa.

- Desculpe, estou com fome e sem café.

- Como foi o julgamento? Ganhamos?

- Sim, mais um criminoso atrás das grades. Nadine me ligou queria que me encontrasse com Jeff hoje, só podemos depois do expediente. Você pode ir para o distrito assim seguimos juntos.

- Farei melhor. Levarei um bom almoço e café para você. Também tenho boas notícias, a nova aventura de Derrick Storm foi aprovada. Entrará em produção na próxima semana. Gina quer lança-lo em, no máximo,  dois meses o que dá um certo fôlego para nossa aventura de Heat.

- Isso é bom. Se Jeff provar ser tudo o que imaginamos, nosso dia terá sido um sucesso. Vou esperar meu almoço. Promete que não demora?

- Prometo.

Vinte minutos depois, Beckett estava comendo na mini copa. Castle trouxera comida chinesa e um latte especial do jeitinho que ela gostava com essência de baunilha caprichada. Ele a observava degustar um dos seus pratos favoritos com prazer. Tomando um pouco do café, ela fechou os olhos para contemplar o sabor delicioso. Ao abri-los sorriu.

- Acho que te devo muito mais do que desculpas. Pode me cobrar mais tarde.

- Bom saber – ele estendeu a mão para toca-la – você está ansiosa, é perceptível. Precisamos nos ocupar com algo e esquecer por algumas horas o que teremos pela frente.

- É, eu sei. Está tão claro assim? – perguntou Beckett quebrando o biscoitinho da sorte – “A vida tratá coisas boas se tiveres paciência”. Bem apropriado, não acha?

- Para mim que conheço cada gesto seu, sim. Tome cuidado para que outros não desconfiem. Esses chineses devem ser bruxos se você pensar bem isso já aconteceu conosco. Precisei de muita paciência para finalmente ter você. Para sua informação, valeu cada minuto – foi a vez dela apertar a mão do homem a sua frente – vamos ver se encontro algo produtivo para fazer antes de encontrarmos Nadine. Quando chegou a sua mesa, porém, Gates vem ao seu encontro.

- Lieutenant Beckett, pode vir à minha sala um minuto?

- Claro, senhora – respondeu trocando um olhar com Castle que entendeu a deixa para arrumar o que fazer. Resolveu perturbar os rapazes. 

À portas fechadas, Gates fez sinal para ela se sentar. Beckett já imaginava qual o assunto dessa conversa. Provavelmente, a capitã queria ouvir o relato sobre o julgamento ocorrido mais cedo e o ponto de vista dela.

- Recebi a ligação da Dr. Robbins sobre o resultado da manhã de hoje. Vencenos o caso, o que é muito bom para a NYPD e nossas estatísticas afinal, se o Comandante está feliz, eu estou feliz o que torna nosso trabalho muito mais fácil. Tenho certeza que você concorda comigo tenente. Independente do julgamento positivo, quero ouvir suas impressões. Como foi trabalhar nessa argumentação?

- Senhora não vou negar que cansativo embora estimulante. Algumas vezes tropecei, mas com apenas dois dias posso dizer que o resultado foi muito bom. O caso em si não deixava dúvidas, não havia brechas. E a forma como a promotora conduziu a acusação ficou muito claro qual seria o posicionamento do juiz.

- Reconheço que foi pouco tempo. O que apenas reforça o que vou dizer a você, Kate. Excelente trabalho. Claro, não é a primeira vez que falo isso. estou me sentindo inclusive repetitiva por isso dessa vez vou direto ao ponto. Em poucos meses como tenente, você já provou o quanto merecia essa promoção. As suas assessorias à promotoria foram recebidas com muito entusiasmo, sua competência reconhecida por pessoas de fora desse distrito e mais importante, sem deixar de atuar nas investigações e manter o nível de casos soluciados em linha. O que quero dizer, Kate, sem rodeios é que sua carreira na NYPD será, se assim desejar, meteórica. Você tem as habilidades, a inteligência e sagacidade. Minha última descoberta foi a veia do Direito. Ela está em você. Tem noção disso?

- Cresci numa família de advogados, senhora. É difícil não possuir uma noção de como tudo funciona.

- É exatamente nesse ponto que quero focar. Você pode fazer carreira na polícia e fora dela se quiser. Pelo seu currículo, sei que fez pre-law então sugiro que você volte à faculdade de Direito. Isso pode lhe abrir portas. Eu venho de uma família de policiais, tenente. Gosto do que faço, está no sangue. Talvez esse seja o motivo de enxergar um pouco além. Você é uma das melhores investigadoras que já tive prazer em trabalhar, quando reconheço é porque há algo de especial. Faça a faculdade, invista em você. Quero que pense em mim como alguém disposta a apoia-la. Sei reconhecer meus iguais, Kate. Porém, hoje posso dizer que encontrei alguém que me superou.

- Senhora, eu não sei o que dizer, ou melhor, obrigada. Sinto-me lisonjeada por suas palavras.

- No entanto... – Gates replicou.

- Capitã, desde a primeira vez que a senhora mencionou a possibilidade de voltar a cursar Direito, eu encarei como um conselho. À medida que fui desenvolvendo esses trabalhos junto a promotoria percebi que tenho aptidão para trabalhar as leis em prol da justiça, não que prefira isso às investigações de assassinato. Pensei bastante sobre o caso e a conclusão que cheguei é que não é o momento. Voltar à faculdade agora é mais complicado com um bebê e Castle. Tenho outras prioridades.

- Kate tenho certeza que o Sr.Castle a apoiaria.

- Eu também, mas não é somente por ele, é por mim e Alex. Ele ainda nem anda. Entenda que não estou contra a sua ideia, apenas preciso de mais tempo. Quando Alex for para a creche ou escola, eu voltaria a estudar. Seria o melhor momento.

- Entendo você.  Como mãe, sei perfeitamente o que a preocupa. Você é uma mulher inteligente e de palavra, sei que vai levar isso adiante. De qualquer forma, estou muito satisfeita com seu desempenho e posso lhe garantir que a vejo sentando nessa cadeira, como minha sucessora bem antes do que você imagina. Excelente trabalho, Lieutenant Beckett. Pode ir.

- Obrigada, senhora.

Ao chegar em sua mesa, Kate Beckett estava pensativa, pela primeira vez ela realmente considerava a sugestão da sua Capitã. Das outras vezes, apenas fazia o jogo de concordância porém, dessa vez era diferente. Não que ela quisesse o lugar de Gates, pensava em sua carreira e na sua mãe, uma excelente advogada. Castle estava sentado em sua cadeira cativa mexendo no celular.

- O que a Capitã queria?

- Falar sobre o caso do tribunal, saber minha opinião.

- Como assim? Você não me disse que ganharam a causa? Então por que quer sua opinião?

- Apenas para saber a minha visão quanto ao resultado, nada demais - em algum momento apropriado falaria desse assunto como ele merecia ser tratado com Castle – vou ligar para Nadine. Falta apenas meia hora para sairmos daqui e algo me diz que ela irá nos levar em algum lugar bem escondido. Essa fonte dela parece ser alguém um pouco paranóico.

- Por que diz isso?

- Sei lá, tive essa impressão principalmente quando ela me ligou hoje de manhã, como se eu precisasse me dispor ao horário do cara, como se ele desse as cartas. Espero estar errada e tudo não passar de uma precaução exagerada – o celular de Nadine tocou umas três vezes antes dela atender – Nadine, é Kate. Está tudo certo para daqui a pouco? – a conversa com a jornalista fluiu numa boa. Castle ficara de pé encostando seu ouvido ao celular de Beckett para prestar atenção a conversa já que a mesma não podia ser feita em viva voz. Após desligar, ela olhou para Castle – é isso. Resta-nos esperar. Quer café? Vou buscar e então arrumamos as coisas para sair.

- Vou com você até a copa.

Terminado o café, Beckett voltou à sua mesa. Estava arrumando seus pertences quando reparou na foto isolada no quadro branco. Era uma página retirada de uma revista, nela Castle e Beckett de mãos dadas deixavam o teatro e na outra eles estavam se beijando. A legenda abaixo dizia: “Mr. and Mrs. Castle enjoying Broadway. Looks like things heat up for the writer and his muse”. Só podia ser obra dos rapazes.

- Espo? Pare de bancar o engraçadinho porque a piada, como pode ver, não fez efeito. Não estou rindo. Quer fazer o favor de retirar isso do quadro. A foto não é assunto da NYPD, muito menos prova de algum assassinato que estejamos investigando.

- Quem disse que fui eu? Isso veio de revista de fofocas. O tipo de leitura do Ryan – Castle que se aproximava naquele instante olhou para o quadro e sorriu. Ryan vinha atrás dele.

- Nossa, como ficamos bem. Excelente noite, não gorgeous? E as coisas realmente esquentaram naquela noite – o sorrisinho maroto dele e os olhares de deboche trocados entre Esposito e Ryan a fez revirar os olhos.

- Cala a boca, Castle. E vocês dois, tratem de sumir com isso.

- Sério, Beckett como foi o musical? Estou querendo levar Jenny para assistir mas é muito difícil conseguir lugares bons. Tem que estar sempre de olho.

- Não disse que era coisa do Ryan? Revistas de fofocas e musicais só ele mesmo – zombou Espo.

- Hey! Eu apenas mostrei a foto, foi você que a arrancou e colocou no quadro.

- Como se eu não soubesse – porém, foi Castle quem tirou a foto do quadro e entregou a Ryan – chega por hoje. Boa noite para vocês. Vamos, Castle – juntos caminharam em direção ao elevador deixando os rapazes rindo da reação dela. Nadine combinara de encontrar com eles no café da esquina do distrito por volta das sete da noite. Eles estavam meia hora adiantados,. Kate ligou para casa pedindo a Amy que ficasse por mais algumas horas, mas Alexis estava em casa e se ofereceu para cuidar do irmão. Dois copos de café depois e nada da jornalista chegar. Kate já estava ficando impaciente.

- Cadê a Nadine?

- Deve estar a caminho. Ainda faltam cinco minutos da hora acordada, estamos adiantados, Kate. Tenha um pouco de paciência – ele tocava a mão dela sobre a mesa, depois trouxe-a até seus lábios – sei que está ansiosa, logo saberemos a dimensão do que teremos em mãos com as informações coletadas por Nadine e seu informante, o tal do Jeff – mal terminara de falar, ela surge na porta do café. Avistou de cara os dois e aproximou-se.

- Olá, Kate, Castle. Consegui fugir do engarrafamento. Estou louca por um café gelado. Preciso somente de uns minutinhos – largou a bolsa na cadeira ao lado de Kate apenas com a carteira na mão, seguiu para o balcão. Eles entreolharam-se e        Castle deu de ombros. Nadine retornou para junto deles. Sentou-se ao lado de Kate e sorveu o café cheio de chantilly – finalmente. Passei a tarde desejando um bom frappuccino.

- Para onde vamos? – perguntou Kate.

- Vamos para o East side, Low Manhattan. Vocês vão comigo e depois os deixo em casa. O seu carro pode ficar no distrito não?

- Pode, mas por que não seguimos você?

- Evitamos transito e torna tudo mais fácil. Jeff conhece meu carro – sugando o canudo uma última vez, ela largou o copo – vamos?

Eles deixaram o café e seguiram Nadine até o carro. Dirigiram por cerca de meia hora até chegar ao East side devido ao tráfego. Kate reparou que Nadine entrava e saía de várias ruas, a sensação era de que estavam em um labirinto. Será que ela estava querendo despistar quanto ao local onde Jeff se escondia? Logo obteve sua resposta. Nadine parou o seu carro em frente a um portão negro. A casa tinha um muro muito alto e do lado de fora via-se apenas um interfone com um display de sete polegadas.

- Chegamos – disse Nadine abrindo a porta do carro – vou avisa-lo que estamos aqui – pegou o celular e começou a digitar.

- Pensei que ia usar o interfone – disse Castle.

- Jeff e eu temos nosso método. É mais fácil. Viu? A porta já está aberta podemos entrar – Kate empurrou a porta que se abriu diante deles mostrando uma escada lateral a uns dez metros, Nadine tomou a frente guiando os demais. Após subir, um homem moreno, careca de óculos e grandes olhos verdes esperava por eles. Tinha um sorriso fácil,bonito. Kate reparou que ele era esbelto e definido além de possuir tatuagens nos braços. Pelo olhar que trocara com Nadine, ela apostava seu distintivo se a jornalista não desse uns amassos de vez em quando nele, seria uma espécie de companheiro casual, mas deixaria para questiona-la quando estivessem sozinhas.

- Olá, Nad... – Castle e Beckett se entreolharam. Definitivamente se pegavam, pensou Kate.

- Oi, Jeff. Aqui estamos, conheça Rick Castle o escritor e parceiro da Lieutenant Kate Beckett. Não se preocupe, eles são pessoas completamente confiáveis. 

- Você é o escritor de Storm – Jeff esticou a mão para cumprimenta-lo – gosto muito dos seus livros. Ah! Nadine eu pensei que não íamos envolver a polícia, combinamos isso – virou-se para fitar a tenente relutante.

- Beckett é uma das melhores da NYPD porém, está aqui como uma cidadã comum buscando justiça. Baixe a guarda, Jeff. Ele afastou-se um pouco para dar espaço para adentrarem e sentarem-se. Passava as mãos nos cabelos avaliando a situação. Resolveu abrir o jogo.

- Tenente, vou ser direto. Meu passado e minhas atividades não são bem vistas aos olhos da lei. Não gosto de polícia. Temos muitos oficiais bitolados que não entendem a real necessidade de solucionar crimes e prender bandidos. Sou um hacker, ganho a vida invadindo a internet, quebrando códigos e sites porque acredito em expor a verdade. Antes de me formar, recebi um convite para ir cursar a academia do FBI. Eles me queriam no laboratório para trabalhar com segurança. Não aceitei. Acho que os federais são boçais, acreditam que tem o mundo ao seus pés mas muitas vezes não são capazes de resolver um crime sem a ajuda de um bom detetive ou do geek da informática. Prefiro trabalhar por conta própria com jornalistas e fazendo meus games – sentou-se na frente de Beckett antes de continuar – qualquer policial que investigasse meu passado encontraria crimes, hoje nãso mais porque sei me esconder. Preciso saber se estou entrando numa fria e posso acabar atrás das grades. Em caso positivo, acabamos por aqui. Do contrário, estou disposto a fornecer meu cerebro e minhas mãos pela justiça desde que com imunidade.

- Jeff, eu trabalhei para o FBI sei exatamente do que você está falando. Não quero lhe obrigar a nada. Não irei indicia-lo por crimes passados ou novos. Se vamos trabalhar juntos, eu mesma serei a primeira a pedir para que invada sites e quebre barreiras cibernéticas. Viemos aqui buscar um acordo para trabalharmos juntos a fim de colocar um bandido muito perigoso atrás das grades. Sim, você está entrando numa fria e pode acabar morto. Todos corremos o mesmo risco. Pode ficar tranquilo que não serei eu quem vai leva-lo para a prisão. Eu confio em Nadine, gosto da forma como ela trabalha. Se ela confia em você, isso me basta por enquanto – os dois ficaram em silêncio por uns instantes – então, Jeff? Temos um acordo?

- Vamos colocar esse safado na cadeia – respondeu por fim, sorrindo e estendendo a mão para Beckett – gostei de você, durona, determinada. Acho que vamos nos dar bem. Por onde querem começar?

- Não sei o quanto Nadine explicou a você sobre o porque do meu envolvimento e de Castle nisso tudo. Então, vou lhe dar a minha versão da história além das razões para buscarmos justiça – Beckett explana para o hacker a história conhecida de Bracken até ali, as parcerias, o dinheiro sujo para campanhas, os assassinatos e o seu último caso no FBI, ele a escutava atentamente. Ao final, Beckett sentiu-se na obrigação, como a boa policial que era, de perguntar por evidências – após saber disso tudo, imagino que não tenha mudado de ideia – Jeff balançou a cabeça concordando – Jeff, sou uma detetive acima de tudo e nesse momento, eu preciso de provas. Nadine mencionou que você conseguiu o registro de transferencias de laranjas para a campanha de Bracken, dinheiro cedido por Vulcan Simmons. Posso ver esses papéis?

- Claro. Posso mostra-los como também providenciar uma cópia para você. Pode me acompanhar até o computador? – Jeff trocou de cadeira ficando a frente de um monitor de 21” da apple. Após digitar alguns comandos, a tela se abriu à frente deles. Ele digitava freneticamente no teclado e as pastas e arquivos surgiam na tela. Mostrou alguns para Kate que atestou sua veracidade facilmente. Não foi difícil constatar tudo o que Nadine contara através das informações que pipocavam na tela. Jeff colocou um microchip em um pequeno dispositivo lateral. Em questão de minutos, todas as descobertas do hacker estavam naquele pequeno objeto que seria entregue a ela.

- Ainda está buscando alguma informação adicional, Jeff? – era Castle quem perguntava.

- Sim, uma vez que começo a procurar por algúem, eu não paro. Ainda estou brigando com a fonte da última conta que achei de Bracken. Por que? Quer que eu procure algo específico?

- Não nesse momento. Na verdade, estou intrigado. Como pode ter certeza que suas invasões não são percebidas? Como garantir que seu próprio equipamento seja hackeado, quer dizer, há outros como você e com tantos arquivos perigosos tem certeza que não é vigiado? CIA, FBI, NSA, todos são bem paranóicos com segurança.

- Sr. Castle, claro que conheço a preocupação do governo americano com segurança. Aliás, desde o onze de setembro temos visto um rigor quase anormal das autoridades nesse quesito. Eu conheço bastante da arquitetura de segurança desses orgãos porque tão logo saí da faculdade, participei do desenvolvimento de alguns deles. Cerca de três anos atrás, um amigo do FBI me contatou para criar um bloqueador mais potente para a agência e também conheço o desenvolvedor do sistema da CIA. Acredite, meu computador é uma fortaleza.

- Fico tranquilo diante dessa informação e ainda mais curioso para saber como tudo funciona – disse Castle.

- Esse microchip que entregarei a tenente, terá todas as proteções necessárias para caso alguém invada seu computador, não consiga saber o que há no dispositivo – Beckett que prestava atenção a conversa dos dois ficou satisfeita em saber do conhecimento de sistemas de Jeff, seria fundamental nos próximos passos da investigação. Ela estava contente com o que ouvira, porém ainda tinha algo incomodando-a. O suposto arquivo do caso de sua mãe.

- Jeff, acredito que estamos falando a mesma língua a partir de agora. Essa investigação não será nada fácil. Precisamos amarrar datas, álibis, rastro do dinheiro e os assassinatos. Levaremos alguns meses levantando tudo para montar um caso consistente que possa ser apresentado à procuradoria geral do estado. Nadine mencionou um arquivo sobre o caso de assassinato. Você pode mostra-lo e onde exatamente você o encontrou?

- Claro, vou colocar no microchip e lhe dar uma cópia impressa. Eu sinto muito, tenente. Não deve ter sido fácil descobrir a verdade e não poder efetuar uma prisão. O arquivo que encontrei estava em um link da NYPD como confidencial. Estava lacrado, nada que eu não pudesse quebrar. Só que investiguei um pouco mais. O caminho era falso. Um endereço fantasma mantido por várias camadas de firewall supostamente na rede da NYPD, a verdade é que o original era de um IP pertencente a um tal de Knoxx, você o investigou não?

- Sim, investiguei e lutei com ele. Está morto. Uma explosão. Quero esse arquivo.

- Vou copia-lo para você. Nadine que se mantivera calada apenas observando a conversa dos três, pronunciou-se.

- Agora que já nos conhecemos melhor, estamos alinhados, qual será o próximo passo, Kate?

- Temos que fazer a primeira reunião, colocar todos sobre a mesma perspectiva, informações e conhecimentos. Montaremos uma linha do tempo com os fatos mais relevantes. Hoje eu conheço muito da história de Bracken, Castle também. Não somos os únicos, McQuinn conhece pouco mas assim que eu o colocar a par de tudo, tenho certeza que achara caminhos para nos prover novidades e Tory conhece a figura pública e um pouco do envolvimento do distrito. Minha pista mais recente veio dela. Castle, podemos agendar para a próxima semana? Você consegue arrumar o espaço da forma que precisamos?

- Consigo. Podemos fazer na quinta mesmo.

- Se me permitem, gostaria de instalar a proteção desses equipamentos. Vocês se sentiriam mais seguros, eu também.

- Não vejo problema. Castle deixo essa parte ao seu comando. Compre o que achar necessario apenas não esqueça do meu quadro branco. Nadine, tudo bem pra você?

- Sim, já estou ansiosa por começar.

- Ótimo. Falarei com os demais. Minha dúvida é apenas McQuinn que pode não conseguir estar por aqui no dia, nada que não possa ser feito via conferência. Jeff nem preciso dizer o quanto esse projeto é confidencial. Vidas estão em risco aqui, inclusive a sua.

- Está claro. Nadine me comentou sobre você, sua história. É bem parecida com ela. Dura na queda, determinada. E se Nadine diz que você é a melhor, quem sou eu para duvidar. A coisa mais difícil do mundo é ela reconhecer alguém. Nem precisei pesquisar, podia ter feito. Dessa vez apostei na confiança – estendeu a mão para a tenente entregando o microchip. Pegou uma pasta e enviou uma boa quantidade de papel. Por fim estendeu a mão e Beckett a apertou.

- Obrigada, gostei muito de conhece-lo. Vejo vocês no The Old Haunt. Quinta às sete da noite. Se houver mudanças, Nadine avisará você.        
Ao sairem da casa acompanhados por Nadine, não mencionaram nada porém trocavam olhares significativos. Não havia mais volta. A bola estava em jogo. A jornalista tagarelou todo o caminho, um pouco sobre Jeff, depois sobre o transito e ao parar na frente do prédio de Castle, finalmente fitou aos dois.

- Então, vocês estão muito calados desde que saímos da casa de Jeff. O que foi? Tem algo que não gostaram e querem dividir? Não gosto de vê-los em silêncio trocando esse bando de olhares, especialmente Castle. O seu silêncio indica que algo não está certo.

- Não é nada disso. Estamos apenas pensativos - disse Kate - De repente a ficha caiu. Nós realmente estamos fazendo isso. investigando e montando um caso contra o senador escondidos. Você não sente um frio na barriga? Um perigo iminente?

- Claro, é daí que parte toda a vontade e a inspiração para coloca-lo atrás das grades.

- Tomara que o objetivo final seja alcançado – Kate deixou escapar.

- Será, Kate. Faremos com que seja – respondeu Nadine – vejo vocês semana que vem e Kate? Vamos preparar uma nova reportagem, precisamos manter a audiência boa com a tenente no ar.

- Pensaremos em algo. Desceram do carro após agradecer Nadine e subiram imediatamente para o loft. Kate correu para o banheiro a fim de lavar as mãos e verificar o filho. Alex estava sentado no berço com alguns brinquedos. A irmã adulava-o para dormir sem sucesso. Ao ver a mãe chegando, o menino apontou na direção de Kate e abriu um sorriso.

- Mamamama...

- Kate... que bom que vocês já estão em casa. Alex não quer dormir. Já tentei de tudo!

- Ele comeu?

- Sim, jantou e está com a fralda trocada.

- Tudo bem, Alexis. Deixa eu resolver isso. Oi, meu amor! Estava com saudades da mamãe? – Kate pega o pequeno no colo e já sente as mãozinhas em seu rosto, procurando beija-la – oh, beijo bom. Você vai ser igual seu pai quando crescer. Metido a conquistador – ela se sentou na cadeira cativa e arrumou o menino no seu colo – chega de brincadeira por hoje, está na hora de dormir. Alexis viu a criança se aconchegar no peito da mãe, fechando os olhinhos e apoiando a mãozinha no peito de Kate. Parecia outra criança. Estava mesmo era sentindo falta da mãe. Kate começou a cantar uma canção de ninar e Alexis entendeu que era sua deixa. Quinze minutos depois, Kate apareceu na sala. Castle e Alexis estavam remexendo vasilhas no balcão da cozinha americana.

- Ele já dormiu. Era manha, Alexis.

- Queria mesmo era você. Vem, Kate sente-se conosco. Estamos fazendo omelete. Juntos jantaram conversando um pouco sobre a faculdade de Alexis. Um papo bem diferente do que acontecera mais cedo, mesmo que Castle ainda pudesse notar as rugas de preocupação no rosto da amada. Conhecia muito bem a pessoa com quem vivia e sabia que seu pensamento estava voltado para um certo arquivo no microchip que tinha em seu bolso. Ao se recolherem após limpar a cozinha, Kate levou consigo o notebook de Castle e o envelope que Jeff a entregara. Não podia esperar para ver os dados e remexer os papéis do caso.

- Castle enquanto você liga o notebook, vou verificar os documentos do envelope. Preciso saber o que contem esse arquivo.

- Kate – ele segurou a mão dela na sua – vá com calma. Você conhece tudo sobre o assassinato da sua mãe, duvido que haja qualquer pista referente a Bracken ou evidência capaz de incrimina-lo. Você está tensa. Devagar, ok? – ela respirou fundo. 

- Ok. Vamos fazer isso juntos. Kate tirou os papéis do envelope colocando a pasta do caso em seu colo. Ao abrir, sentiu o coração disparar. Não era uma pasta qualquer usada costumeiramente pela NYPD, tratava-se de uma espécie de diário. A pasta reunia algumas evidências reunidas por Kate Beckett durante seus anos de investigação daquele caso em particular. Claro que nem se comparava ao acervo de informações que ela mantinha em casa. Continha todo o seu conhecimento sobre a investigação. Nomes e lugares investigados. Dick Coonan, sua morte no salão do 12th distrito, Lockward, Reaglan. O encontro no hangar e a morte de Montgomery. O homem das sombras mais conhecido como Smith e a queima de arquivo. Essa parecia ser a última entrada na pasta. Era como se Knoxx mantivesse um registro pessoal dos passos dela. Cada nova descoberta. Ver aquilo escancarado a sua frente, a deixara impressionada e irritada.

- Todo esse tempo, Castle. Eles me vigiavam, sabiam meus passos. Parece que eu nunca tive chance com eles.

- Não, Kate. Você sabe muito sobre esse caso, coisas que não estão listadas aí. Para mim, esse arquivo deixou de ter importância quando Knoxx morreu. Nós já vivemos muitas coisas após isso. Talvez esse arquivo nem seja relevante. Sabemos o que atacar e focar. Temos que achar evidências para desmascarar o esquema de Bracken para evitar que ele se torne presidente.

- E quanto ao assassinato? Vamos esquecer, Castle? – ele notou o tom de voz ressentido. A raiva começava a diminuir deixando-a triste.

- Não, claro que não. Deve haver algumas coisas entre Vulcan e ele que nos direcione a pistas concretas. Aposto que Vulcan sabe como tudo ocorreu. Pegamos o cara e forçamos a contar-nos.

- Castle, você não se lembra do que aconteceu da última vez que eu estive numa sala de interrogatório com esse homem? Esqueceu que ele me torturou? Não será ele a pessoa a me dar respostas.

- Não esqueci nada. Bracken deixou-a viver ali. Sim, para depois tentar acabar com você no hospital. Na cabeça dele, enquanto ele controlar seus passos, não precisa mata-la. Foi exatamente o que ele fez ao sequestrar você. Usou o seu ponto fraco, eu e nosso filho. Você saiu do FBI, voltou para NYPD porque ele a ameaçou. Nesse momento, ele acredita ter completo domínio sobre você e sua família. Vamos deixar que pense assim. Vamos alimentar isso pagando de bons pais, amantes e trabalhando juntos resolvendo assassinatos. Ele baixará a guarda, sentirá que você se acomodou. Então será a nossa vez – ele acariciou o rosto dela antes de continuar – temos boas chances. Gostei de Jeff, ele tem curiosidade, é cuidadoso e meio rebelde. Os equipamentos dele são de primeira e Nadine é um caso a parte. Ela comprou a briga como se fosse dela.

- Sei que temos uma ótima equipe. Também reconhecço que estão dispostos a entrar de cabeça. A excitação, a adrenalina. Durante a viagem para casa, o que não contei à jornalista, conto a você, estou com outra espécie de sensação, a do medo real. Nadine estava empolgada e quem poderia culpa-la? Estava agindo como a boa jornalista atrás de justiça e de história. Ela não sabe o que é ficar cara a cara com Bracken e seus capangas. Vou enfrenta-los conforme já fiz outras vezes, mas isso não me impede de sentir medo, ele me faz ultrapassar meus limites, ser forte. Sem o medo, não há a renovação da coragem – Kate puxou a camiseta que vestia mostrando a cicatriz no meio dos seios – olhar para essa marca todos os dias, me lembra do quanto eu já lutei. Sou uma sobrevivente, usei meu medo para superar e ser feliz. Não sei o que aconteceria se eu não levasse esse tiro. Porém, o fato de ter sido vítima de um atentado me proporcionou momentos ruins e bons. Numa balança, o saldo é positivo e não vou deixar que Bracken mude isso. Vou lutar por nós.  

- Meu Deus, isso me faz ama-la muito mais. Você não irá lutar sozinha, Kate. Lutaremos juntos, talvez esse seja o nosso segredo. Sempre enfrentamos os problemas, os inimigos assim. Teremos a nossa justiça e a da sua mãe também – ele a abraçou beijando-lhe os lábios rapidamente. Kate se aconchegou ao peito dele e fechou os olhos.

- Gosto do seu otimismo apesar de não acreditar que podemos fazer justiça para minha mãe, não vou deixar de lutar para colocar esse monstro na cadeia – Castle ergueu o rosto dela para fita-lo, o olhar azul profundo mostrava compaixão e cumplicidade de sentimentos. Porém, havia algo que estava disposto a propor.

- Kate, tem algo que gostaria de perguntar sobre o caso da sua mãe. Você realmente já explorou tudo o que podia? Sei que já revirou o caso de cima abaixo conhece cada nuance dele, os nomes, locais, horários das mortes, causa da morte, tudo. E quanto às informações da sua mãe? Reviramos as anotações dela no passado, logo antes de Montgomery falecer. Será que não deixamos passar nada?

- Castle nós já estressamos isso. eu já li e reli cada página daqueles diários. Não tem mais nada lá. Os registros... – ele a interrompeu. 

- Kate, espera... você os viu e releu algum tempo atrás. Hoje possuimos mais informações do que antes e talvez tenhamos acesso a muitas outras com a investigação. É tudo uma questão de contexto. Pense a respeito, não precisa decidir agora sobre isso. Caso acredite que não vale a pena, poderia ao menos deixar que eu olhe? – ela ficou em silêncio por alguns instantes, ele não estava pedindo nada impossível ou estranho. Era uma maneira de certificar-se de que não deixaram nada passar.

- Tudo bem, vou pensar a respeito – então inclinou a cabeça para o lado e admirando-o sorria – sabe, você realmente é um excelente parceiro, em todos os sentidos devo ressaltar.

- Oh, Lieutenant Beckett... isso que é um elogio – fechou a pasta com os documentos – vamos tirar isso da cama e tratar de dormir – ele empurrou a pasta para o chão, colocou o notebook na cabeceira da cama e puxou-a para si. O corpo de Beckett ficou sobre o seu, as bocas alinhadas, próximas, os lábios ansiando pelo toque. Segurando-a pela nuca, Castle beijou-a intensamente, as mãos vagaram pelas costas dela indo se fixar sobre o bumbum. Ela já podia sentir o volume da ereção contra si.

- Pensei que íamos dormir... – ela comentou após quebrar o beijo sorrindo para ele.

- E vamos... – disse mordiscando a orelha dela – depois...

Os dias da semana passavam com uma certa normalidade para todos. Kate havia contatado os envolvidos e tinha a confirmação de todos. McQuinn usaria um dia de folga para vir a New York. Contou a ela que por conta própria, começou a procurar casos que envolvam a equipe ou tenham jurisdição em Manhattan com a cooperação do FBI, dessa forma haveria a possibilidade dele ficar alguns dias na cidade e realizar trabalhos com a equipe de Beckett. Castle recebeu uma ligação de Gina na terça informando que a arte do próximo livro de Storm estava pronta, enviara amostras para sua análise e gostaria de discuti-la com ele na quinta juntamente com a festa de lançamento. Sugeriu que ele levasse Kate para a reunião, mesmo sabendo que ela não colaborara com essa obra. Castle porém, antecipou-se a qualquer outro comentário que ela pudesse fazer dizendo que eles não poderiam se encontrar na data estipulada por Gina. A desculpa utilizada foi que estavam no meio de um caso complicado e ele não deixaria Kate sozinha. Sua contra-proposta foi de se reunirem na próxima semana, logo na segunda-feira. Contrariada, Gina cedeu.

Castle recebeu a arte em casa naquela noite. Alex já estava dormido e eles estavam na sala vendo o resto do noticiário das nove na ABC esperando pela reportagem da semana de Nadine. Ele comunicou sua decisão e mudança de agenda abrindo assim o tópico para pedir a opinião dela.

- isso não quer dizer que podemos fugir de avaliar as sugestões de capa que ela nos enviou – puxou um envelope amarelo retirando de dentro duas amostras entregando-as nas mãos de Kate – então, o que você acha?

- As cores são bonitas. Tanto o amarelo como o vermelho-alaranjado caem bem no contexto da capa. Eu não sei, pelo que li e também pensando em chamar a atenção, ficaria com a vermelha, essa mistura lembra fogo, tensão. E você, tem uma preferida?

- Só posso dizer que você tem toda a razão. Aparentemente, temos o mesmo gosto pelas coisas bonitas.

- É mesmo? – ela brincou.

- Sim, do contrário como explica estarmos casados?

- E quem disse que isso tem a ver com beleza? No fundo me acostumei a ter você me levando café todos os dias. E os livros. Nem todos tem a sorte de casar com seu escritor favorito.

- Mentirosa! Se bem que o lance do escritor você tem razão – colocando os braços ao redor do pescoço dele, Kate retribuiu a brincadeira com um beijo. Mais tarde, por volta das três da manhã, o choro de Alex quebra o silêncio do quarto. Ela espreguiçou na cama sonolenta, não queria levantar. Esticou a mão para toca-lo. Castle ainda dormia alheio ao barulho provocado pelo filho. Batia de leve no peito dele.

- Cas...acorda... Castle....- repetia o gesto de batidas repetitivas no estomago dele até que se mexesse – Castle...o Alex...

- Hum... o que foi... – mal abrira os olhos quando ouviu mesmo que baixo o som da criança – Kate...é o Alex?

- Sim...vai lá, sua vez....por favor...

- Eu....já vou – sentou-se na cama ainda com os olhos fechados, esfregou-os e levantou da cama tateando no escuro até o quarto do filho. Alex estava acordado e chorando muito. Castle se aproximou do berço acariciando a criança com as mãos. Ergueu-o cuidadosamente no colo aninhando a cabecinha em seu ombro. Começou a balança-lo buscando acalmar o choro.

- O que aconteceu, Alex? Será que é a fralda? – Castle cheirou o bumbum do menino e constatou que estava limpo – está com fome? – saiu com o filho nos braços indo até a cozinha para pegar uma das mamadeiras já preparadas para essas emergências. Alex ainda chorava. Ao oferecer o leite, o menino recusou empurrando a mamadeira continuando a choramingar – será que foi um pedadelo? – retornou ao quarto sentando-se na cadeira para nina-lo. Mesmo com o balanço e as conversas baixinhas, o choro ainda persistia, menos que antes, era verdade mas, os gemidos não deixavam de ser ouvidos. Ele estava ficando preocupado.

No quarto, Kate que antes dormia não conseguia mais pregar o olho. Ouvir a constância do choro. Aquilo a deixou angustiada. Será que Alex estava sentindo dor? Por que Castle não conseguia acalma-lo? Preocupada, ela fazia menção de se levantar da cama quando Castle entrou no quarto trazendo o filho nos braços choroso.

- Por que ele não para de chorar? – Castle estava agoniado diante da situação. Kate virou-se ainda sentada na cama e acomodou-se para pegar o filho nos braços. Alex ainda chorava ao sentir o corpo da mãe junto ao seu. Ela acariciava os cabelos dele procurando acalma-lo. O chorinho fino persistia. Checou o estomago apertando-o como Martha ensinara antes para certificar-se que não era cólica, de certa forma ficou aliviada por perceber que não havia nada de errado com Alex nesse sentido. Restava aninha-lo e esperar que se acalmasse. Vendo a forma como o menino se colocava agarrado ao seu corpo, ela viu uma possibilidade.

Ela se acomodou para oferecer o seio a ele. Alex percebeu e abocanhou-o quase instantaneamente. Sugou o leite por uns cinco minutos. Kate já não amamentava com frequencia, parara quando ele fizera seis meses introduzindo a mamadeira. Uma vez ou outra ela fazia um mimo para o filho a fim de aproxima-los, para curtir um momento só deles. Diante do choro, essa foi a única ideia que lhe ocorreu. Aliviada por ver o filho responder, suspirou e fechou os olhos por um segundo. Ao virar, viu Castle observando-a quase hipnotizado pela imagem a sua frente. Ela esticou a mão em direção a dele, apertando-a. Assim que se sentiu satisfeito, Alex fechou os olhos e cochilou.

Cautelosamente, Kate tirou-o do peito e acomodou-o na cama ao seu lado. No momento que fez isso, ele reclamou começando a chorar. Suspeitando do que poderia ser o problema, ela retornou o menino deitado-o sobre seu corpo. Rapidamente, ele se acalmou.

- Por que ele está assim? – sussurrou Castle.

- Acho que teve um pesadelo ou apenas sentiu-se sozinho. Deixe-o aqui. Ele vai dormir agora.

- E você? Vai ficar toda doída, cansada.

- Tudo bem, Castle é somente até ele cair em sono profundo, depois o levarei de volta ao berço. Volte a dormir – ele se ajeitou na cama, mas não conseguia se concentrar para retomar o sono. Infelizmente, foi vencido pelo cansaço e cochilou por uma hora. Acordou assustado e ao virar-se para o lado viu que Kate dormia com o filho ainda sobre o seu corpo. Provavelmente fora traída pelo sono e nem sequer conseguiu levar o menino para o berço. Ele tirou o filho de cima dela e com cuidado o colocou deitado no colchão entre os dois. Cobriu-o com o lençol e permaneceu velando o sono dele até ter certeza que não acordaria mais, para então dormir.

Na manhã seguinte ao acordar, Kate se depara com o filho deitado sobre a barriga de Castle que certamente não estava ciente disso. Como esse menino fora parar ali? Viu quando Alex acordou e engatinhando sobre o corpo do pai, acomodou-se de forma a brincar com o rosto dele. As mãozinhas espalmadas nas bochechas de Castle. O dedinho indicador alcançou o nariz apertando-o. Depois seguiu para os olhos. 
Kate viu que Castle começava a se mexer, ela estava adorando tudo aquilo. A cena era de um encanto tão puro, tão lindo.

Castle abriu os olhos achando que era Kate quem mexia consigo. Ao ver o filho, esfregando a pequena mão em seu rosto sorriu.

- Dadadadada... – apesar de não falar a palavra ainda, Castle já considerava que Alex chamara “dad” e não tinha quem mudasse isso. Para ele, mama e dada eram a forma carinhosa do filho se dirigir aos dois. Claro que Kate sabia ser isso apenas uma forma de reconhecimento e expressão. Bebês especialmente do sexo masculino demoravam a falar suas primeiras palavras. Geralmente ocorriam por volta de pouco mais de um ano, o que era bem diferente com meninas. Ela mesma começara a falar aos dez meses e também cantava. 

- Olá, Alex! Foi sua mãe que mandou você me acordar? Aposto que sim – pegou o filho beijando seu rosto, tornando a coloca-lo sobre seu estomago – ela nem percebeu que tirei você do colo dela para a cama. Dormiu e esqueceu de você.

- Então, por que ele acordou sobre você ao invés do colchão?

- Você apagou, amor. Acomodei Alex na cama porque estava com pena de você. Ele pesa – Kate pegou o filho em seu colo beijando-lhe a cabeça – afinal, ele só queria mesmo seu colo e o leite materno ontem?

- Não, aposto que ele teve um pesadelo ou se assustou dormindo. O leite foi uma forma de proteção ao estar perto de mim. Acredito que os bebês sentem muito a falta da mãe à medida que crescem, é uma forma de pedir colo e proteção como eles tinham no útero.

- Onde você aprendeu tudo isso? – ele parecia impressionado.

- Lendo. Se quiser podemos perguntar para a pediatra dele na próxima consulta.

- Não estou duvidando de você, pelo contrário, achei a explicação plausível e fiquei surpreso de uma maneira boa com o seu conhecimento. Confessa que se tornou uma mãezona – Castle a viu sorrir e inclinou-se para beija-la porém, foi impedido por Alex ao colocar as pequenas mãozinhas no rosto dele como quem quisesse empurra-lo – ciúmes, Alex? Não quer que eu beije a mamãe? Sinto muito, campeão. Eu cheguei primeiro – tirou o menino dos braços de Kate acomodando-o em seu colo e por fim beijou a esposa.

- Como você é bobo, Castle... vamos tomar café. Não podemos chegar atrasados.


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Tory foi a primeira a chegar depois deles. Como não os encontrou, mandou uma mensagem para Beckett. Ela resolveu voltar ao bar para encontrar a técnica. Assim que a cumprimentou, McQuinn liga para seu celular dizendo que irá chegar em meia hora. Checando o relógio, percebeu que era antes do combinado. Parece que todos estavam mesmo a fim de começar essa investigação. Sentou-se ao lado de Tory para dar uma pequeno resumo a ela do que pretendiam fazer ali. De todos, ela era a que tinha menos informação e contato com a história. Tomavam um drinque quando Castle surgiu quase no mesmo instante que McQuinn aparecia.

- Lieutenant Beckett, que prazer em vê-la! – ele a abraçou - Rick Castle! – estendeu a mão para cumprimentar o escritor.

- Nada de patentes aqui. Vocês devem me chamar pelo nome. Essa é Tory, ela trabalha conosco no 12th distrito lidando com a parte eletrônica e a informatica dos casos, mas está aqui sem qualquer ligação com a NYPD, da mesma forma que McQuinn. Nada de FBI. Somos apenas investigadores.

- É um prazer, Tory – disse estendendo a mão que Tory retribuiu e sorriu – como está o herdeiro? Aposto que puxou para a mãe.

- Errou, tem meus olhos – Castle puxa o celular orgulhoso para mostrar algumas fotos do filho – e certamene meu charme – Kate revirou os olhos se preparando para retrucar mas o colega foi mais rápido.

- Só os olhos, o resto todo é da mãe e aposto que a inteligência. Se bem que uma mistura de qualidade dos dois o faria muito difícil de superar – Castle já ia estender o comentário quando Kate viu Nadine e Jeff entrando no bar e impediu Castle de falar. Trocaram um olhar significativo ao ver os dois. Definitivamente se pegavam, era o que se passava na mente dos dois.

- Boa noite, pessoal.

- Olá, Nadine. Jeff. Conheçam Tory e McQuinn que farão parte da nossa equipe – disse Kate e deixou que eles se introsassem fazendo sinal para Castle providenciar bebidas. Era necessário um momento de distração antes de mergulharem na investigação. Conversaram sobre o que faziam, suas experiências e para a surpresa dela, estavam se dando muito bem. Nadine disse que ia ao toilette e foi a deixa para que Castle puxasse Jeff para acompanha-lo até o escritório onde ele iria setar a rede de segurança.

Vinte minutos depois, Kate e os demais se juntaram aos dois no escritório do bar. McQuinn estava empolgado com o local. Jeff já havia iniciado todos os notebooks e testado o sistema. Tudo funcionando devidamente. Sentaram-se ao redor da mesa esperando por Kate. Era ela quem iria falar do trabalho que tinham pela frente.

- Bem, não preciso entrar em detalhes do motivo que nos reuniu e do perigo que essa investigação representa para todos nós. Quero agradecer por estarem aqui apoiando essa causa que além de buscar justiça para o nosso país, acaba por ser uma busca pessoal para mim. A história vem de longe, vinte anos atrás e a injustiça e as fraudes continuam acontecendo até hoje. O senador William Bracken quer se tornar presidente dos Estados Unidos a custa de crimes e dinheiro sujo. O nosso objetivo aqui é encontrar provas, evidências de tudo o que ele fez nesses anos e montar um caso sólido, sem erros ou margens para argumentação sobre ele. Se falharmos, ele será eleito. Não será um trabalho fácil e rápido, por isso conto com vocês experts em informática para ajudar a mim, Castle e Nadine a desmascarar esse monstro. Sim, ele é um monstro e vou mostrar porque.

As duas horas seguintes, Kate passou explicando todo o dossiê que tinha montado sobre Bracken. Havia uma cópia para cada e sua explanação cobria desde os crimes envolvendo Vulcan e drogas até a fraude na receita federal. Não deixou de mencionar o assassinato de sua mãe e os futuros planos do senador para sumir de vez com qualquer possibilidade de incrimina-lo, tornando-o dessa maneira, o homem mais poderoso dos Estados Unidos.

Ao concluir, a sala estava em silêncio. Nadine foi a segunda pessoa a falar já colocando os demais a par do que ela descobrira. Cada um fazia suas anotações ao seu jeito. Enquanto a jornalista vagava pelos seus pontos, Kate e Castle aproveitavam para atualizar o quadro branco com as informações relevantes e fotos já coletadas, parte do arquivo pessoal de Kate, parte do que Jeff lhe dera.

À medida que Nadine avançava nas explicações, os demais contribuíam tecendo comentários ou adicionando parte da história que conheciam. Perguntas e dúvidas pertinentes e indispensáveis para a continuação da investigação iam surgindo e eram devidamente coletadas por Jeff que montava uma espécie de quadro branco virtual a exemplo do que Castle fazia com seus livros.

Passava de onze da noite quando Kate decidiu dar a reunião por encerrada. Havia feito muito progresso. O quadro branco e o arquivo virtual mostrado em um telão colocado por Castle, continham informações ricas de ambos os casos. A fraude do FBI, no qual o senador Denver perdeu o mandato e a relação do passado com as drogas e Vulcan Simmons que incluia o assassinato de sua mãe. Antes de dispensa-los, ela fez resumo do que conseguiram até agora e qual deveriam ser os próximos passos.

- Acredito que McQuinn e Tory devem analisar a conta e o dinheiro trnasferido para a conta que Tory identificou como de Bracken. Sugiro que olhem as demais contas previamente identificadas por Jeff. Descubram quem são os laranjas e se seu passado nos trás mais informações que enriqueçam nossa investigação. Apesar dele estar a par da nossa descoberta, quero que avaliem se podem existir outros recentes como esse e uma maneira de passar desapercebido para a vigilância do senador. Jeff é possível encontrar alguma pista ou informação sobre esse sistema que Bracken afirma querer implementar nos orgãos do governo?

- Sim, eu conheço o sistema que a Nasa usa hoje porque ajudei a desenvolver uma parte dele. Tenho alguns contatos e acredito que eles podem me fornecer uma ideia de que plataforma será usada e quem sabe até um demo do programa.

- Tem um cara que estudou comigo na faculdade e trabalha para a CIA. Ele é fera. Posso tentar conseguir algo com ele. Sondar quais são as novidades em termos de programação. Nunca se sabe.

- Ótimo, Tory. Faça isso mas lembre-se, cuidado com as conversas.

- Nadine, você e eu iremos analisar a linha do tempo e procurar mais coisas sobre o passado de Bracken. Castle estará conosco. Tem mais um ponto. Vocês acham ser possível fazermos uma varredura no sistema de segurança do senador, na época do atentado a mim e Castle? Estou me referindo ao sistema de câmeras da casa dele. 

- Se hackearmos, sim. Não pode ser por meios oficiais – disse McQuinn – você não está pensando na hipótese de ele usar...

- É exatamente isso. Que lugar melhor para testar seu nome programa que sua residência. Além do mais, temos a chance de descobrir se Denver e ele mantiveram contato na época dos atentados.   

- Vou atrás disso – disse Jeff.

- Tudo bem, mesmo horário na próxima semana? McQuinn telefonaremos para você.

- Sem problema. Vou organizar minha agenda para acomodar algumas viagens a New York. 

- Esse aqui será nosso quartel general. É o lugar mais seguro para fazer qualquer pesquisa, com exceção da fortaleza de Jeff, claro. Castle deixará avisado que vocês terão passe livre para trabalharem aqui se quiserem. Dirijam-se sempre ao gerente do bar. Muito obrigada pela ajuda.

Despediram-se também agradecendo a Castle e Beckett pela oportunidade. Tory e McQuinn optaram por ficar um tempo no bar enquanto combinavam como a comunicação se daria entre eles para a relaização do trabalho. Jeff aguardava Nadine que ainda trocava algumas ideias com Kate.

- Eu ligo para você amanhã, Kate. Acertamos o que podemos fazer no nosso próximo programa e segunda está excelente para mim se quiser dar continuidade a nossa investigação.

- Segunda não podemos, temos uma reunião com a editora sobre o meu próximo livro – disse Castle olhando para Kate - Você não esqueceu, certo?

- Não, amor. Terça, Nadine?

- Tudo bem. Novo livro? Já vão lançar a continuação de Heat Blows? Como vocês não me avisam! Quero uma exclusiva.

- Não é uma aventura de Nikki Heat, é Storm. Para acalmar os fãs que esperam pela continuação. Kate e eu ainda não finalizamos o outro romance.

- Hum... mas pode ser um bom tópico a explorar para o nosso próximo programa. Vou pensar a respeito. A gente se vê. Vamos, Jeff? Kate observou os dois deixarem o bar. Castle se aproximou abraçando-a por trás. Beijou-lhe o rosto.

- Parece que foi um sucesso. Todos estão determinados a nos ajudar. Você não acha?

- Sim, correu tudo bem.

- E afinal? Qual é a desses dois? Eles se pegam de verdade ou só é joguinho de sedução e provocação como você fazia comigo?

- Ah, isso é sexo puro e para sua informação eu não fazia joguinhos com você – mas o sorrisinho sacana estava presente no canto dos lábios – você que tinha mania de ver provocação em tudo.

- Oh, Katherine Beckett Castle, eu nunca pensei que você pagaria de inocente. Lembro vividamente você aqui mesmo nesse bar, ajeitando os cabelos, desabotoando a blusa e comendo cerejas de um jeito extremamente sensual e não era para seduzir o barman, fazia de propósito para chamar a atenção dele e me deixar louco ao vê-la. Não negue, é muito feio...

- Eu estava disfarçada resolvendo uma investigação, sua mente viu o que quis e deturpou toda a situação – ela olhou fixamente para Castle e sugeriu – quee que eu faça uma demonstração novamente para provar que estava tudo na sua mente poluída?


- Ah, adoraria que provasse que estava errado... vodca? – ela caiu na gargalhada. 


Continua......

Um comentário:

Marlene Caskett Stanatic disse...

Preciso dizer que...MAL POSSO ESPERAR PARA O ATAQUE COMRÇAR!!
Claro que tô com o coração na mão ñ quero que nimguém se machuque,mas quero ve-los derrubando esse desgraçado.Sobre Nadine e Jeff,também saquei a deles e se pegam é a palavra mais pura que posso colocar aqui =p
E o Alex,que cutie dá muita vontade de morder fiquei agoniada quando ele não parou de chorar mas ele queria colinho de mãe sempre é bom não importa a idade e eles 3 na cama foi tão lindo.
Aguardo o proximo cap.