quinta-feira, 20 de novembro de 2014

[Castle Fic] What If ...



What If...
Autora: Karen Jobim
Classificação: NC-17
Gênero: AU 
Advertências: Drama, Romance – Partes do S706. 
Capítulos: One-shot
Completa: [ x ] Sim [   ] Não


Resumo: Ao se deparar com a presença de Richard Castle em seu distrito, a Capitã Kate Beckett não consegue tirar da mente o fato de que mesmo não conhecendo o homem, algo em sua memória parecia querer provar o contrário. Como explicar uma certa simpatia quase imediata com um desconhecido? Por que aquele homem estava ali?

Nota da Autora: Tive essa ideia no momento que vi o episódio pela enésima vez. Ok, não quero que considere todos os elementos do 706, algumas partes foram transcritas mas o importante era criar uma história dentro da realidade alternativa. Ah, e não esperem o casamento. A perfeição seria apenas reproduzida palavra a palavra. É só uma brincadeira para divertir. Enjoy!     

Atenção...NC17

What If...


Cela do 12th distrito


Castle estava cansado de argumentar que tudo estava errado naquele lugar retrucava ao outro meliante, sua companhia temporária naquela cela do 12th. De alguma forma ele foi capaz de convencer Beckett, a atual capitã do 12th distrito a deixa-lo participar do caso como um observador, para fins de pesquisa. Essa era a ideia que ele pretendia vender e aparentemente conseguira. O problema era que nunca conseguia não interferir numa investigação, fora assim desde o princípio. Infelizmente, ela não se recordava de absolutamente nada. Isso estava corroendo-o por dentro.

Naquela manhã sua vida virara de ponta a cabeça. Em um piscar de olhos, ele não era mais o famoso escritor de Best-seller, era um fracassado que vivia às custas da mãe, agora uma diva da Broadway. Seu loft não parecia seu, Alexis pintou o cabelo de negro e morava com a mãe em Los Angeles. E o pior de tudo, ele nunca conhecera Kate Beckett. Nessa realidade tosca, eles não eram namorados ou noivos. Eram dois estranhos. Como ele poderia mudar isso? Como capitã, ela pelo menos lhe pareceu mais receptiva. Sabia que era uma fã de Derrick Storm. E, Deus, continuava linda!

Arrependia-se profundamente por pensar apenas por um breve segundo que Kate estaria melhor sem ele. Que estúpido, Castle! Ralhava mentalmente consigo mesmo. Você pensou que talvez nem deveria casar-se com ela justamente no momento que segurava aquele artefato. Amarga ironia. Ele que sempre se imaginou viajando por universos paralelos, começava a detesta-los. Não havia nada de divertido em uma realidade onde ninguém o conhece. Era frustrante olhar para amigos, familiares e perceber que não se encaixava ali, sentir-se um verdadeiro peixe fora d’água.   

O medo estava presente. O caso do artefato não parecia nada bom. E se ele não conseguisse voltar ao seu verdadeiro mundo? O que faria? Ele precisava mostrar a Beckett que eles são importantes, que precisam ficar juntos. Não suportaria viver em uma realidade onde Kate Beckett não fosse sua musa, onde não houvesse Nikki Heat e principalmente onde ela não o amasse. Castle jamais se perdoaria caso não conseguisse reverter essa situação.

Tinha que haver uma forma, nem que fosse começar do zero. Seu arquivo na polícia não documentava seu primeiro encontro, seu primeiro caso com a detetive. Então, apenas dessa vez optou por fazer as coisas diferentes. Castle iria conquista-la, procuraria intriga-la, a única certeza que tinha era que não poderia viver sem Kate seja qual fosse a sua realidade. Somente precisava achar o caminho certo.


Sala da Capitã


Beckett estava reclusa em sua sala.

Desde que aquele homem aparecera em seu distrito alegando conhecê-la, algo parecia não fazer sentido. Castle não parava de insistir que fazia parte de tudo ali. Conhecia detalhes do caso que ela mesma não conseguia entender como ele conseguira. Dizia que se conheciam há seis anos através de um caso no estilo copycat que ele ajudou-a a solucionar, porém sua ficha na polícia dizia outra coisa totalmente diferente. Se isso era verdade, por que ela não se lembrava? Havia uma sensação estranha, uma espécie de deja vu às avessas. Não sabia como explicar.

Não fora de todo honesta ao dizer que não o conhecia. Certo, não mentira porque realmente não conhecia o homem Richard Castle e sim o escritor. Ele era seu escritor favorito. Beckett lera todas as suas obras, tinha uma predileção pelas obras de Derrick Storm, inclusive tinha o seu último exemplar da saga em seu escritório. Ele mesmo a pegara lendo e ao questiona-la por ser uma fã, ela desmentiu mesmo não sabendo porque fizera aquilo. Ainda não entendera porque matara Derrick Storm. 

Porém, não eram apenas os livros que a deixavam intrigada. Do seu jeito, Castle parecia ser mais que um escritor excêntrico e ávido por teorias malucas, havia algo nele que chamava sua atenção.

Acabara de prendê-lo novamente. Ele estava na cela que ficava abaixo do distrito. Não havia uma razão propriamente dita para mantê-lo ali, era uma questão de disciplina por mau comportamento. Uma maneira de irrita-lo, talvez. Kate não conseguia explicar porque estava tentada em ir até lá para vê-lo, queria conversar com ele. Podia se convencer achando ser seu lado tiete falando mais alto, porém no fundo essa era uma tentativa de enganar a si mesma.

Ele era bonito, charmoso e de sorriso fácil. Mexia com ela mais do que Beckett gostaria de admitir. O que realmente a cativou foi o olhar. Os belos e intensos olhos azuis transmitiam a ela uma sensação de verdade, cumplicidade. Já convivera demais com pessoas boas e más para conseguir distinguir sinceridade em um olhar. E isso Richard Castle tinha. Não estava saindo com ninguém naquele momento, sinceramente Kate Beckett nunca se entregara ao amor desde que a tragédia maior de sua vida aconteceu. Nunca conseguira superar o caso de sua mãe e desde então isso vem moldando a pessoa na qual se transformara. Fechada para o mundo, envolta em seus muros que não permitiam ninguém entrar. Seus relacionamentos eram baseados em atração, casualidade e sexo. Alguns foram paixões mais demoradas se você considerar quatro meses como um tempo longo.

Por que pensava sobre isso agora? Ela não estava atraída por Castle. Como poderia ter divagado tanto de um assunto a outro? Mordicava o lábio inferior em sinal de nervoso. E se estivesse? Se todo esse pensamento no estilo psicologia barata quisesse dizer que ela estava atraída por ele? Castle podia ser uma das suas conquistas. One night stand. Fecharia a porta e jamais o veria novamente, já fizera isso com tantos outros. Diante de tantas ideias sem sentido, Beckett decidiu por libera-lo o quanto antes, assim poderia voltar a sua vida normal. Não é isso que dizem? Longe dos olhos, longe do coração?

Beckett ergueu-se deixando sua sala rumo às celas. Era possível enganar a mente, não o coração. Talvez por isso ela sentiu um aperto ao descer as escadas para encontra-lo.

Castle estava tagarelando com seu companheiro de cela, o silêncio o irritava por isso resolveu contar como era sua vida no outro mundo alternativo, infelizmente não fazia um bom trabalho porque seu ouvinte achava tudo o que ele contava barato e surreal, como disse estava mais para uma das histórias de ficção do escritor que vida real, de fato ele chamou de invenção. Então ela surgiu de frente para ele informando algo que não esperava.

- Sua mãe não quis vir até aqui pagar sua fiança novamente.

- Bem, ela sempre acreditou em amor difícil.

- Parece que não funcionou com você – Beckett começou a destrancar o cadeado – o que há com você e esse caso, Mr.Castle?

- Sou um autor de mistério, quero saber como a história termina.

- Com você... – ela abriu a porta da cela – indo para casa.

- Você vai me deixar ir?

- Bem, eu poderia mantê-lo durante a noite, mas aí teria que preencher a papelada.

- Não... não... – frente a frente, Beckett sentiu o impulso de conversar, contar ao menos uma parte da história. Sua curiosidade parecia falar mais alto quando estava perto dele, como se Mr.Castle fosse, por si só, um mistério.

- Você estava certo. Nós nos conhecemos antes. Em uma turnê de um dos seus antigos livros de Derrick Storm. Eu esperei na fila por mais de uma hora pelo seu autógrafo. Eu adorava aqueles livros.

- Você nunca me contou isso – Castle quase sussurrou impressionado.

- Bem, nós somente nos conhecemos há um dia. Apesar de parecer muito mais tempo.

- Eu tenho esse efeito nas pessoas – ela sorriu, como era bom vê-la sorrindo. Continuaram andando pelo corredor, lado a lado, da mesma forma que faziam tantas vezes. Aproveitando a chance, ela tomou coragem para continuar a conversa e perguntar o que queria.

- Sabe, tem algo que eu queria te perguntar.

- Qualquer coisa.

- Por que você matou Derrick Storm? – porém, quando a conversa parecia adentrar em um ambiente favorável para Castle trazê-la para o seu lado, eles foram interrompidos.

- Capitã – era Esposito – achamos algo.

- Bem, talvez outra hora – ela estendeu a mão, ele a apertou – boa noite, Mr.Castle – e seguiu com o detetive. Só que a Beckett desse mundo ainda não sabia o quão teimoso Castle podia ser. Ele não deixou o distrito e manteve-se escondido no salão acompanhando as novidades da investigação, não iria desistir fácil. Tinham um novo suspeito, um cara com uma tatuagem de um rinoceronte no pescoço. Foi aí que a ideia surgiu. Seria uma desculpa, à principio, com possivelmente resultados que acabariam ajudando-o com o caso e com Beckett, afinal tinha a desculpa perfeita. Nada de pesquisa para livro baseada nela, Kate era mais esperta que isso. Bateu à porta da sua sala.

- Hey...

- Não combinamos que iria embora? – ele titubeou ao ver os elefantes sobre a mesa dela. A Beckett desse universo não tinha a mínima ideia do que havia dentro deles e o quão importante para sua vida era aquele enfeite. E pensar que ele quase pedira para que ela os jogasse fora.

- Tive uma ideia sobre o caso.

- Você não está nesse caso.

- Na verdade, estava pensando em você. – isso direto ao ponto, o máximo que podia acontecer era ela enxota-lo do seu distrito – posso lhe pagar uma bebida? É o mínimo que posso fazer. Devo isso a você.

- Certo, eu não acho que isso seria uma...

- Se vier, conto porque matei Derrick Storm – era tentador. Ele percebeu como ela relutava em aceitar o convite. No fim, a curiosidade falou mais alto, ou assim Beckett procurou enganar-se.

O bar escolhido por Castle tinha um propósito. Era um dos pontos de encontro dos torcedores de rúgbi australiano que tinham como símbolo um rinoceronte vermelho. Ele esperava conseguir alguma pista do suspeito, ao invés disso, acabou passando um bom tempo ao lado de sua musa, a quem ele planejava convencer de que tinham uma história. Estavam sentados em uma das mesas. Castle bebia cerveja enquanto Beckett saboreava uma dose de whisky.

- A mulher mais jovem a se tornar capitã. Impressionante.

- Não é isso tudo. Se realmente for basear uma personagem em mim, ela será entediante.

- Duvido que possa ser entediante – como ela pode dizer isso? Ela é a melhor detetive da NYPD. Onde foi parar toda aquela energia? A excitação por colocar assassinos atrás das grades? O pensamento o entristeceu.

- Minha vida é basicamente feita de papelada e política.

- Ah, você sente falta das ruas – ela pensou por um momento, sua mão vagou pelo colo em busca de uma corrente.

- Para ser sincera, acho que não fui feita para ser uma detetive de homicídios.

- Por que diz isso?

- Porque o caso que me fez querer ser uma policial, eu nunca fui capaz de solucionar – por que ela estava dizendo essas coisas para ele? Era um estranho. Castle notou a tristeza no olhar ao vê-la tocar o solitário na ponta do cordão, aquilo a deixava amarga, diferente. Queria poder arrancar essa nuvem de pensamentos ruins ao redor dela, mostra-la que sua vida, suas decisões e conquistas foram importantes. Não, era preferível não entrar em detalhes. Se essa loucura em qual viviam tinha qualquer relação com tempo e espaço, revelar informações desse tipo poderia afetá-la profundamente. Beckett passou um instante olhando para o anel, não podia entrar nesse território, precisava mudar o rumo da conversa.

- Enfim, de volta a você. Por que você matou Derrick Storm?

- Para minha editora, meus leitores esse foi meu maior erro. A explicação não tem nada de complicado, na verdade é bem simples. Quando eu escrevia as aventuras de Storm era divertido, engraçado, passava horas da madrugada bolando cenas malucas e intrigantes para aqueles que leriam as histórias. Então, de repente, tudo ficou chato. A excitação, a busca pelo prazer desapareceu. Eu me vi escrevendo um livro sem vontade, tudo havia se transformado em um trabalho comum de pessoas ordinárias. A magia acabara.

- E você diz isso aos seus leitores? É ridículo. Uma desculpa esfarrapada. Já pensou em bloqueio de escritor? Falta de criatividade? Talvez o problema não fosse Storm e sim você.

- Talvez. Kate, posso te chamar de Kate?

- Acho que sim, isso é tipo um encontro não, Rick? – ele fez uma espécie de careta – o que foi? Deduzi errado, disse algo errado?

- Não, não... é que eu não estou acostumado ao ouvir as pessoas me chamando de Rick, especialmente você – agora era ela quem franzia as sobrancelhas mas relaxou ao ver o sorriso no rosto dele. Castle sentiu que era sua chance. Observou o copo vazio sobre a mesa.

- Hummm.... estamos precisando de mais bebidas. Não saia daí, quando eu voltar com o seu whisky, eu tenho uma história para contar. Louca, é verdade, mas é parte do motivo da morte de Storm. Espere, ok? – Beckett balançou a cabeça e sorriu exatamente como fizera várias vezes diante dos devaneios de Castle. Isso fez seu coração doer.

Castle foi até o bar. Pediu duas doses de whisky e uma cerveja.

- Não, esquece a cerveja. Substitua por outra dose de whisky – o barman colocou os três copos na frente dele. Castle virou um dos copos de uma vez. Precisava criar coragem para contar a Beckett a história de suas vidas, no tempo real de suas vidas. Haveria consequências. Tudo dependeria de como ele agiria. Beckett poderia pensar que ele era um maluco completo ou entenderia que era parte do escritor criativo que aflorava. O interessante era que em nenhuma das versões, ele se via convencendo-a. Será que essa era realmente a maneira ideal de contar a Kate o quão era especial? Suspirou e pegou os dois outros copos. Era o momento da verdade.

- Aqui está seu whisky.

- Obrigada. Vejo que optou por me acompanhar na bebida.

- Sim, precisava de algo mais forte – ele passou a mão nos cabelos e no rosto, coragem, Castle repetia mentalmente para si – Kate, o que vou lhe contar é a história de como minha vida mudaria após a morte de Storm. Por mais absurdo que você possa achar quero que mantenha a mente aberta, apesar de saber que seu ceticismo é grande. Eu não sei como explicar o porque, somente dizer como era a minha vida em um intervalo de seis anos até essa manhã. Não julgue, escute. Caso não consiga reverter o que aconteceu, espero ao menos influencia-la, mostrar a você o quão extraordinária você é ou ainda pode ser.

- Nossa, a história nem começou e você já está me cantando? Isso vai ser divertido.

- Você não tem ideia – suspirou, tomou um gole de whisky e começou – há seis anos atrás na festa de lançamento de Storm Fall, uma detetive muito similar a você me procurou para fazer umas perguntas referente a um assassinado que ocorrera naquela noite. Beckett era linda como você tinha o cabelo curto, olhos em tons que oscilavam entre verdes e amendoados e – percebendo a expressão estranha e o bico formado, resolveu mudar um pouco – ok, a coisa de nome pode ficar confusa, vou chama-la de Nikki.

- Parece nome de vadia...

- De novo? De qualquer forma, onde eu estava? Ah Ela tinha o cabelo curto, olhos verdes intensos e precisos. Era extremamente focada no que buscava, vivia para o trabalho. Eu a ajudei nesse caso e de repente, eu sabia que tinha achado minha inspiração para um novo romance. Usei minha influência com o prefeito e seu capitão concordou com a proposta de segui-la nas ruas para fazer pesquisa e conhecê-la melhor a fim de escrever. Ela não ficou feliz, na verdade estava bem irritada – Castle ficou uns segundos olhando para o nada, relembrando seus primeiros momentos com Beckett, os primeiros casos – ela falava igual a você que meu papel era acompanhar e observar não participar e irritar. Eu era irritante, ainda sou, mas agora você, quer dizer, ela acha fofo.

- Ela amoleceu então, qualquer bom policial sabe que não podemos colocar a vida de civis em risco. Bem, como isso é ficção acho que tudo é válido. Até ela achar... fofo.

- No inicio, Nikki me detestava. Com o passar do tempo, aprendeu a conviver comigo. Passamos por casos difíceis, outros divertidos, mas o que me deixava admirado era a forma como a detetive Nikki Heat cuidava de cada um deles. Ela os respeitava, os honrava. Cada vítima era importante, independente de seu passado, ali ela os tomava sob suas asas e procurava justiça. Forte, determinada não admitia que sua investigação terminasse em um beco sem saída. Sempre haveria uma pista, uma peça faltante do quebra-cabeça e ela se recusava a desistir. Era, ou melhor, é um prazer vê-la trabalhar. Aos poucos, ela foi me cativando. Quando eu lancei o primeiro livro, Heat Wave, parecia o fim. Havia um clima nostálgico entre nós e mesmo não querendo admitir, a detetive já começava a sentir minha falta, se acostumara.

- Posso imaginar você é meio irresistível... – ao se dar conta do que dissera em voz alta, mordeu os lábios – quer dizer, ela achava não?

- Não admitia, mas obrigado pelo elogio. Acontece que o livro fez tanto sucesso que minha agente negociou mais três. Mesmo fingindo estar contrariada, por dentro ela estava aliviada. Um dia até confessou para mim que me ter por perto fazia seu trabalho ser um pouco menos difícil. Enfrentamos muita coisa juntos, trabalhamos com FBI, CIA, máfias, lidamos com bombas. Corremos risco de vida várias vezes. Sempre juntos.

- Essa sua vida alternativa em nada se parece com um passeio no parque. Bem movimentada, não?

- Sim, ela se irrita porque costumo contar quantas vezes já salvei a vida dela – ele ia começar a pisar em terreno perigoso - Acontece que Nikki tinha um grande problema, um caso não resolvido que a assombrava. Não vem ao caso quem era ou porque não havia fechado essa porta de seu passado. Porém, isso a consumia, a transformou. Ela foi baleada por causa desse caso, esteve entre a vida e a morte. Naquele dia, eu não pude impedi-la de levar aquele tiro. Eu me culpo por isso todos os dias.

- Ela morreu?

- Não, ela continua viva. Aquele tiro a transformou. Ao vê-la quase sem vida naquele gramado, eu me desesperei. Eu disse que a amava – ele engoliu em seco tentando brigar com as lagrimas que ardiam em seus olhos. Kate esticou a mão para toca-lo, conforta-lo e um arrepio percorreu sua espinha – o interessante foi que ela escondeu de mim por quase um ano que ouvira a minha declaração. Hoje eu entendo que ela precisava de tempo, lutar contra o trauma. Quando o destino e seu algoz resolveram brincar novamente com a sua vida, eu senti que ia perdê-la. Essa fortaleza, a teimosia e a determinação de Nikki podiam matá-la.  Eu nunca esquecerei aquele dia. Eu despejei tudo sobre ela, quis sacudi-la para que entendesse que eu não era mais o escritor irritante de quatro anos atrás, eu era mais que um parceiro e eu implorei para que ela não jogasse sua vida fora. Ah, Kate... a teimosia é uma virtude mas também um dos maiores defeitos. Você – rapidamente corrigiu - Nikki não quis me ouvir. Então eu decidi que não ia estar por perto para vê-la morrer. Você tem ideia do que é ver a pessoa que você ama se esvair pelos seus dedos e você impotente sem poder fazer nada? – Castle tinha lágrimas nos olhos,engolira em seco.

- Eu conheço o sentimento, Castle, ao menos de uma forma diferente. Sua Nikki parece um pouco comigo quando era mais nova, uma iniciante na NYPD.

- O que mudou? O que a transformou em alguém tão conformada e pragmática?

- As circunstâncias, a vida. Ela é bem diferente dos seus livros de ficção, Castle.

- Você não precisa me dizer isso. Você já presenciou a morte, Kate? Levou um tiro, correu perigo iminente? – perguntou para fazê-la falar, já sabia a resposta.

- Não, alguns arranhões, facadas. Nunca um tiro.

- Você é um das pessoas sortudas na polícia, não foi ferida em combate.

- E o que aconteceu depois que você se separou da sua detetive da ficção?

- Ela quase morreu. Nikki teve que estar à beira da morte para finalmente ouvir seu coração. Ela me procurou. Nós fizemos amor pela primeira vez naquela noite. Era um sonho realizado depois de quatro anos. Continuamos namorando e trabalhando. Ela teve a chance de trabalhar em DC. Foi quando a pedi em casamento. Nikki não foi feita para o FBI, não. Ela se preocupa demais, se envolve nos casos. É passional por suas vitimas mesmo que finja ser o exemplo da racionalidade. Preto no branco. A justiça e a verdade. Vincit Omnias Veritas – ele percebeu Kate estremecer ao som daquelas palavras - Íamos nos casar há cerca de três, quatro meses atrás, porém fui sequestrado. Eu a deixei sem noticias por dois longos meses. Não me recordo de nada que aconteceu nesse período. Fui encontrado desidratado, com insolaçãoem um barco à deriva. Nada disso importava. Nada doía mais do que o olhar triste que vi no rosto de Nikki. Tudo o que eu queria era poder apagar esses últimos meses e aparecer no dia do nosso casamento. Dar a ela o final feliz que tanto merecia, não pude. E isso me corroí por dentro. Depois de tudo o que ela já passara na vida, nós passamos. Tínhamos direito à felicidade – ele virou o resto do whisky – por um erro, um único pensamento idiota, eu vim parar aqui.

- Wow! Que história.... tenho que parabeniza-lo – ela tentava disfarçar porém, a voz sai embargada e discretamente limpou uma lágrima teimosa no canto do olho - Sabe que daria uma boa série de TV?

- Kate, a história não tem valor algum quando a personagem principal não está ao meu lado. Talvez essa seja uma maneira bizarra do destino brincar comigo pela dor que a causei, ou pode ser que minha vinda até aqui tenha um propósito maior. Mostrar à verdadeira Kate Beckett quem ela realmente é. Não há outra forma de colocar isso. Nikki Heat é você, Kate.

- Sua Nikki é ficção – ela esticou o braço para toca-lo buscando conforta-lo. Ele estava afetado por toda a história que contara, pelas lembranças.  

- Não, ela é bem real. Está olhando para mim nesse exato momento com um olhar capaz de fuzilar uma pessoa viva, o olhar que a torna inquestionavelmente a melhor detetive da NYPD. Agora estou entendendo. Se eu não puder voltar para a minha Kate, ao menos devo transformar você em tudo o que realmente é. Apenas me escute – ele pegou a mão dela na sua – você é extraordinária. Não se curva, não desiste, se acomodar? Jamais. É uma guerreira. Frustrante, louca, desafiadora e extremamente teimosa. Viciada em café, dona do sorriso mais lindo que vi na vida. Acima de tudo, você é justa mesmo que a vida ainda não tenha sido com você. É impactante, linda, uma tigresa na sala de interrogatório e um verdadeiro mistério, o maior de todos. Não se feche para o mundo, Kate e jamais deixe ninguém dizer que você é menos que perfeita, independente de suas imperfeições. Não deixe o seu passado frustra-la, use o presente para ir além, buscar respostas e nunca desista. Um dia, você poderá encontrar alguém que esteja disposto a ficar ao seu lado. Sempre.

Kate olhava fixamente para Castle. Um olhar que ele era capaz de traduzir perfeitamente. Pensativo e de cumplicidade. Será que conseguira fazê-la entender o seu verdadeiro valor? Se ele não conseguisse voltar para sua Kate, escreveria sobre ela nessa realidade. Não poderia privar o mundo de sua musa e talvez, afetasse essa outra mulher brilhante escondida por trás de um distintivo de capitã e muros. Ela parecia atordoada com tudo o que ouvira, apesar de notar que relaxara um pouco mais. Não demorou para que Castle soubesse que fim essa história teria.

- Eu... eu não sei o que dizer. Em mais de dez anos de polícia, nunca ninguém me leu tão perfeitamente como você fez agora. Cada palavra dessa história me descreve. Eu não sei se isso é um truque seu, se foi resultado de pesquisa ou outra coisa. Por mais que eu diga a minha mente que há uma explicação lógica para o que ouvi, eu simplesmente não consigo me convencer, não basta inventar ou tentar enganar meu coração. É surreal. De alguma forma, a sua ficção maluca não parece idiota ou um bando de mentiras. É convincente. Você não estava inventando, pude ver a dor em seus olhos – ela passou a mão pelos cabelos, nervosa – Castle, eu não sei como explicar. Apesar de te conhecer a um dia, sinto que é a experiência de uma vida inteira. Não sei se você achará o que procura, sua Nikki ou seu suposto mundo alternativo. Tudo o que eu sei é que preciso ouvir meus instintos, meu coração como há muito tempo não ouvia.

- E o que ele te diz? – a voz saiu rouca.

- O coração quer o que quer – sem pensar novamente, ela tomou o rosto dele com as duas mãos e beijou-o. O sabor do whisky ressaltava na boca, mas era a mesma sensação, o mesmo beijo. Dessa vez, não apaixonado e sim cheio de desejo. Castle a envolveu em seus braços intensificando o contato e o ritmo dos lábios, provocando-a, com a língua explorava cada pedacinho. Kate mordiscou seu lábio inferior fazendo-o gemer. Ao se separarem em busca de ar, ela sorria.

- Então, Rick Castle quer conhecer o que realmente “heat” significa?

- Adoraria...

Ela saiu puxando-o pela mão. O apartamento de Beckett era o mesmo de antes do incêndio, o que era compreensível já que os livros de Nikki não existiam. Foram direto para o quarto. Ela tirou o blazer expondo a silhueta perfeita naquela blusa. Castle fechou os olhos por um momento encostando-se contra a porta. Estava prestes a dormir com Kate Beckett, não a sua noiva, mas alguém que ela poderia ter sido se realmente não o conhecesse. Isso não poderia ser considerado traição, certo? Era a mesma pessoa apenas em uma realidade diferente. Sentiu a mão dela sobre o seu peito, os lábios beijaram-lhe o queixo.

- O que foi? – ela perguntou fazendo-o abrir os olhos.

- De repente, fui tomado por uma sensação de deja vu só que um pouco diferente.

- Está pensando em sua Nikki da ficção?

- Não, estou pensando em você, Kate Beckett desse mundo. Pensando que se isso for uma noite apenas, que ela a ajude a encontrar seu caminho e eu o meu.

- Quem disse que precisa ser apenas uma noite? – ela desabotoou a camisa dele enquanto o beijava. Castle puxou a blusa que ela usava revelando os seios perfeitos. Então o desejo os consumiu. Ele a puxou rente ao seu corpo sentindo o calor da pele. Kate desfez o botão da sua calça e repetiu o gesto com a dele deixando-a cair ao chão. Empurrou-o contra a cama. Somente de calcinha, ela subiu nele voltando a beija-lo intensamente. Os lábios deslizavam pelo peito dele provando-o. Os dentes mordiscaram um dos mamilos fazendo-o gemer. Arrancou o boxer que usava deixando a ereção despontar livre. Sentada sobre as pernas dele, acariciava o membro com as mãos. Castle estava em êxtase com aquilo, mas aquela noite não era somente sobre ele ou uma transa rápida.

Com um movimento preciso, Castle trocou de posição com Kate. Em meio a beijos, ele escapou dos lábios dela para explorar cada centímetro do corpo esbelto à sua mercê. As mãos percorriam o colo, os polegares tocavam-lhe os mamilos e seguiram para contemplar o local tão desejado. Afastou uma das pernas e usando os dedos a penetrou sentindo a umidade calorosa já como reflexo do desejo. Com os lábios, sorveu um dos seios fazendo-a arquear o corpo. Continuou sua provocação até ouvi-la gemer mais alto. Sabia que estava prestes a alcançar o clímax. Ela também.

O toque dos dedos dele dentro de si, os lábios devorando-lhe os seios, a sensação de conhecimento de seu próprio corpo. Ele sabia exatamente como toca-la. A libido aflorara e o tremor que Kate sentia formigar-lhe a pele era resultado da vinda de um orgasmo poderoso. A respiração entrecortada a fez gemer e ofegar quando a onda de prazer a tomou. Intensa, forte, veio tirando-lhe o fôlego.

Enquanto os efeitos do orgasmo dominava o corpo dela, Castle continuava a instiga-la por mais prazer. Ergueu seu quadril um pouco do colchão e a provou. O contato dos lábios dele tão intimamente contra seu centro, apenas provocou uma nova onda do orgasmo que mal chegara ao fim. Kate agarrava-se aos lençóis deixando o corpo sentir completamente toda e qualquer sensação. Uma vez mais atingiu o céu. Foi então que Castle a penetrou em um único movimento. Ao fita-la, percebeu que mantinha os olhos fechados. Acariciando-lhe o rosto, pediu.

- Abra os olhos, Kate. Olhe para mim – ainda não se movera dentro dela. Kate o obedeceu. Ao fazer isso, ela se deparou com a intensidade sincera daqueles olhos azuis. Sentiu uma ternura tão forte a envolvê-la que suspirou ao perceber que havia lagrimas formando-se em seus olhos. Aquilo era surpreendente, Kate não se recordara de ter experimentado nada assim até hoje.

Somente percebendo como ela estava inteira ali e que finalmente sentia o real significado de sua entrega e devoção, ele começou a movimentar-se dentro dela. Rapidamente, seus corpos se ajustaram. A dança era a mesma de tantas vezes, para ele no mesmo estilo, mais cadenciado talvez, porém, suficiente para leva-los ao delírio, ao êxtase ou como descrito em um bom romance, ao paraíso. Uma, duas, três vezes. Exaustos, adormeceram um ao lado do outro.

Os primeiros raios de sol invadiram o quarto despertando Castle. Sentado na cama, se deparou com Beckett entrando no quarto segurando duas canecas, estava completamente vestida para trabalhar. Caminhou até ele entregando-lhe o café.

- Bom dia... dormiu bem?

- Sim, por um momento eu pensei... nah, esquece. Obrigado pelo café.

- É meu combustível da manhã. Só funciono após a primeira dose.

- Sei exatamente como é – ele provou o primeiro gole e sorriu – “skim latte two pumps sugarfree vanilla”. O favorito de Nikki Heat.

- Acho que temos mais em comum do que pensei – disse sorrindo – está tarde, quase dez horas. Já devia estar no distrito. Ryan me ligou, pegaram o cara, o da tatuagem. O caso está encerrado. O advogado dele é muito bom, irá fazer um acordo com a promotoria.

- É isso? Acabou? E quanto ao artefato?

- Foi só uma pista que esfriou, Castle. Nem sabemos se existiu ao certo.

- Existiu! Eu sou prova viva disso, por favor, Beckett não desista. Não pode terminar assim.

- Tanto pode como terminou – ela reparou no olhar triste que se formara em seu rosto – desculpe, Castle. Esse não é um de seus livros.

- Beckett, eu não sei o que acontecerá a partir de agora, não sei se posso ainda ser o homem que fui há seis anos atrás. Por isso quero dizer algo importante para você. Tudo o que você faz importa. Todos os momentos, todas as decisões tomadas, afetam as pessoas ao seu redor, muda o mundo em milhões de formas imperceptíveis. E não importa qual seja a sua realidade, você pode melhorá-la.  Por favor, me promete uma coisa.

- O que? – ainda surpresa pelas palavras dele.

- Seja extraordinária. Não desista. O caso que tanto a assombra, resolva-o – ele pegou a corrente nas mãos observando o solitário - Revisite cada pista, cada anotação, arquivo ou diários. Procure e encontrará.

- Não é tão simples assim.

- É mais simples do que você imagina. Descomplique.

- Castle, por que está me dizendo isso? – ela engoliu em seco antes de perguntar – é uma despedida? Você irá desaparecer da minha vida tão rapidamente quanto entrou?

- Eu não sei, Kate. Realmente não sei. Só quero que saiba, o que quer que aconteça, você será sempre a minha musa – ele tocou o rosto dela acariciando-o vagarosamente - Minha Nikki Heat, mesmo que as lembranças existam somente na minha cabeça – inclinando-se em direção a ela, beijou-a mais uma vez – vá trabalhar, seja a mudança que quer ver no mundo.

- Dalai Lama... – ela se ergueu da cama, mordeu os lábios e suspirou. Castle também se ergueu da cama – irei vê-lo novamente?

- Eu não sei, talvez.

- Se isso não acontecer... – e o tomou com as mãos em seu rosto em um beijo intenso, sentiu os braços dele a envolverem. No fundo, inexplicavelmente ele sabia que era um beijo de despedida. Apenas esperava que pudesse voltar para o lugar onde realmente pertencia, aquele que chamava de lar.

Ao se separarem, Beckett tinha os olhos mareados de lágrimas.

- Queria que soubesse, eu e você não foi uma noite apenas. Se não encontrar sua verdade, volte. Não seja um estranho. Preciso ir. Feche a porta antes de sair, certo? Sabe onde me encontrar.

Por um momento, Castle ficou parado a observando partir, tal qual fizera em seu primeiro caso. Ainda afetado por tudo que aquele encontro representou, ele finalmente decidiu vestir-se. Nesse momento continuava sem rumo. Precisava achar uma forma de recuperar aquele artefato.

Durante uma hora, ele zanzou pelas ruas de Manhattan. Sem destino, sem perspectiva. Sentia falta da sua Kate. Queria voltar para ela, para o seu mundo e casar-se enfim. Ele remoera inúmeras possibilidades, porém conseguira chegar apenas a uma conclusão. Precisava da Capitã Beckett para encontrar aquele artefato. Decidido a convencê-la, Castle parou em uma carrocinha de café e comprou café para ambos. Quando seguia para o distrito, foi surpreendido por um homem armado que o arrastou até a velha planta onde na manhã do dia anterior se deparara com o artefato.

Marcus Lark, o real dono do artefato, o aguardava. Depois de um discurso sobre realidades diferentes, tecnologia alienígena e arrependimentos, Marcus exigiu que Castle explicasse como o artefato funcionava. Humilde e inocentemente, ele disse a verdade. Não sabia. Ele estava tão perto de sua chance de reencontrar seu caminho para casa e ainda assim tão longe. Com uma arma apontada às costas. Seria esse seu fim nessa realidade? Quando Marcus mandou seu capanga atirar nos joelhos dele, pensou que definitivamente seria o seu fim. Contudo, uma voz lhe devolveu a esperança.

- NYPD, larguem suas armas – Beckett. E o tiroteio começou. Tentando se esquivar das balas, ele conseguiu apanhar o artefato e usou-o para acertar o rosto de Marcus derrubando-o. Virou-se para ela que já estava ao seu lado.

- Como me achou?

- Eu não consegui parar de pensar sobre o que me disse. Não desistir. Resolvi rever o caso e acabar aqui foi pura sorte.

- Ou destino – Castle comentou.

- Por que você está aqui? O que eles queriam de você? – Castle olhou para o artefato em suas mãos, resignado.

- Algo que eu não tinha – ele ouviu um barulho de arma engatilhada, no reflexo previu o que poderia acontecer – cuidado! – ele se jogou na frente dela no exato momento que o tiro a atingiria, salvando-a. Ela atirou de volta acertando o cara. Ao cair no chão ensanguentado, percebeu ser o fim. Ainda segurava o artefato quando Kate se debruçou sobre ele, visivelmente preocupada.

- Mr. Castle, você salvou minha vida. Por que? – ele respondeu com as únicas palavras que faziam sentido, a verdade independente de qual realidade se encontrava.

- Porque eu te amo, Kate – ele começou a apagar.

- Não! Fique comigo.... por favor, fico comigo Castle... – para ele tudo escureceu.


XXXXXXX


- Castle, hey Castle – uma voz conhecida chamava seu nome – Castle, Castle? – ele abriu os olhos.

- Beckett? – ainda assustado tentando se orientar.

- Sim – um sorriso perfeito se formara.

- É você... – ele procurou a mão dela e constatou o anel de noivado ali – minha versão de você. Estou de volta. E não estou morto.

- Você bateu a cabeça? – perguntou preocupada ainda não entendendo o que ele queria dizer com estar de volta.

- Quanto tempo eu apaguei?

- Não sei, nos separamos. Ela o ajudou a levantar e Castle pode ver que eles prenderam Lark e seus capangas.

- Só não encontramos o objeto que ele roubou – Castle tirou o artefato do bolso e antes de entregar a ela quase implorou.

- Antes de segurá-lo não pense nem por um segundo que gostaria de estar em outro lugar.

De volta ao distrito, ele contou a Beckett detalhes da experiência que tivera.

- Sonho, realidade alternativa. O fato é que minha vida estava longe de ser maravilhosa sem você. Foi mais que um sonho. Quase uma dura realidade a qual não pretendo revisitar. Toda essa experiência, as dificuldades que enfrentei no universo paralelo e as que nós tivemos que encarar nesse mundo, me fez perceber que somos mais que nossa dor, cada segundo conta. Não vamos desperdiçar esse tempo, Kate. Não temos que esperar pelo momento certo para ser feliz, ter o nosso momento de final feliz. Apenas decidimos e fazemos. Meu amor por você, os seis anos que estamos juntos me mostraram isso. Foi preciso experimentar a ideia de te perder para finalmente compreender o que passou e o quanto você sofreu – ele pegou a mão dela na sua – então, Katherine Beckett, quer se casar comigo?

- Eu já disse sim – o sorriso despontou no rosto.

- Quer casar comigo agora? – a expressão do rosto dizia tudo. Eles iriam dar o próximo passo, lado a lado como deveria ser desde o momento em que se viram apaixonados. Agora. Always.


Em um outro universo...


O monitor cardíaco continuava emitindo o zumbido irritante. Fazia 24 horas que ela estava ali sentada esperando um sinal. Não arredara o pé daquele quarto nem por um segundo. Próximo à cadeira que estava, três copos grandes e vazios de café estavam empilhados. Fora como se mantivera acordada graças à compaixão de uma enfermeira. Percebeu quando a cabeça dele se moveu. Rapidamente, levantou-se, aproximando-se da cama. Ele abriu os olhos. Kate tomou a mão dele na sua e sorriu.

- Hey... como você se sente?

- Zonzo e dolorido. O que aconteceu?

- Você não se lembra? Sabe quem eu sou?

- Seu rosto me é familiar, mas eu não consigo me lembrar do seu nome.

- Kate. Meu nome é Kate e você salvou minha vida.

- Eu devia conhecê-la? Eu sinto que sim...

- Você me conhece, somos.... mais que amigos. Você gosta de mim e eu de você. Não se preocupe, podemos resolver isso. Sei exatamente como.  

- Kate... você é linda, o que prova que tenho bom gosto. Não sei dizer ao certo, mas você me lembra alguém especial. Só que o nome dela era Nikki – ao ouvir o comentário, ela abriu o sorriso.

- Bem, Castle deixe-me contar uma história. Um belo dia, um escritor de mistérios famoso por seus Best-sellers decide matar seu personagem. No dia do lançamento de seu último livro da série Storm, ele é abordado por uma detetive da NYPD. Seu nome era Kate Beckett...


Um ano depois...


Batidas na porta de seu apartamento a arrastam para abrir a porta. Tinha passado a noite em claro revirando os diários da mãe apesar de Castle ter pedido para não fazer isso sem ele. Na sua frente, seu namorado com uma bandeja contendo dois copos de café, um saquinho de papel provavelmente com bagels e um envelope amarelo.

- Acordei você? Ou não dormiu? Trouxe café, você está precisando – coloca as coisas sobre a mesa dela e repara nos vários diários sobre o local. A janela onde ela montara seu próprio quadro branco do assassinato da mãe estava aberta, por isso a cara sonolenta. A teimosa passara a noite revirando as lembranças do caso – você estava investigando sem mim? Depois de ter quase implorado para não fazer isso sozinha? Poxa, Kate...

- Desculpe, mas eu acho que descobri uma coisa. Minha mãe guardou uma prova contra o seu assassino em algum lugar, irei precisar de sua ajuda para encontrarmos. Tem a ver com o meu ex-capitão.

- Eu prometo que ajudo, mas antes, tenho novidades. Eu terminei, Kate. Finalmente – viu os olhos dela se arregalarem e o sorriso expandir no rosto – a história de Nikki Heat. Veja – entregou o envelope para ela que retirou um calhamaço de páginas, eram mais de trezentas com certeza. Folheando o material, seus dedos pararam na dedicatória, acariciava a folha enquanto lia. “To the extraordinary KB and all my friends at 12th”.

- A dedicatória...

- Você realmente é extraordinária – se aproxima dela e beija-lhe os lábios – eu tenho um problema. Já pensei em todos os títulos possíveis, nenhum parece ser o certo. Tem uma lista aí nesse envelope será que você pode me ajudar a escolher um? – ela deixou os papeis de lado, levantou-se da cadeira e envolveu seus braços no pescoço dele.

- Eu tenho o título perfeito. Pode chama-lo de Heat Wave.

- Gostei... soa misterioso e um tanto sexy. De onde você tirou esse nome?

- Eu ouvi a algum tempo atrás quando investigava um caso. A mesma pessoa que me disse esse título também me garantiu que eu conheceria alguém disposto a estar sempre ao meu lado. Ele tinha razão. Estou feliz por você, tenho a sensação de que Nikki Heat fará sucesso.

- Realmente acredita, Kate?

- Sim, acredito. Pode ser também somente o meu lado de fã e namorada do escritor falando mais alto – ela passava os dedos no rosto dele – você é um homem maravilhoso, Rick Castle. Eu te amo.

- Eu também te amo, Katherine Beckett. Os lábios se encontraram para dar aquele momento especial, o tom perfeito. Ela soltou um grito quando ele a ergueu em seu colo e a levou de volta para o quarto.    

Não importa o universo, algumas coisas nunca mudam. Era assim para Castle e Beckett, o mundo conspirava a favor deles, encontrava-os onde estivessem apenas para uni-los independente de tempo ou espaço, sem coincidências. Pré-destinados para estarem juntos. Always.      


THE END

3 comentários:

tatiana_greys anatomy disse...

Awnnnnnn <3
Acho q de todas as oneshots q vc já escreveu, essa é a melhor *-*

Marlene Caskett Stanatic disse...

Ficou muito linda,amo os momentos Caskett ainda mais em dose dupla,surtei com o epi. e agora com a fic..,APPLLAAUUSSEE!!!

Maria DA PENHA disse...

Meu Deus Karen ...
Borboletas no estomago ... nem sei o que escrever ou falar diante dessa fic ...
Não é novidade para você que amo todas mais essa foi ... !!!
*Extraordinária?
*Surreal?
*Perfeita?
*Maravilhoso?
*Fora do comum?
*Inacreditável?
Juro que não sei a palavra certa ...
Parabéns ...
Penha Pestana <3