segunda-feira, 2 de março de 2015

[Stanathan] Kiss and Don't Tell - Cap.40


Nota da Autora: E nossa princesinha está de volta! Também alguns pensamentos novos começam a pairar na mente de Stana, parece que tudo caminha para descobertas a surgirem aos poucos pelos capítulos. Mas, quando tudo parece cor de rosa....desconfiem - Calma! Isso é assunto para os próximos capítulos! Enjoy! 


Cap.40                 

Na quinta-feira, eles tiveram a reunião de produção do próximo episódio e já começaram as filmagens. Cada evolução no cronograma era boa porque tinham chance de terminar a temporada mais cedo. Não que eles reclamassem, porém era bastante cansativo. O roteiro indicava umas boas situações de ciúmes para Beckett. Era bom mostrar o lado inseguro de Kate de vez em quando.

Desde que ela se aventurara no estúdio ficando presa com Nathan, vinha pensando no que ele dissera sobre fantasias. Ela não se importaria em arriscar-se outra vez para agrada-lo ou a si mesma. Porém, se fosse fazer isso seria planejado para evitar alguns riscos. Por enquanto, manteria esses pensamentos apenas para si, quando surgisse a oportunidade conversaria melhor a respeito disso com Dara.

Os convidados desse episódio apenas estariam disponíveis para gravação na segunda, a data correta para inicio do episódio. David não se preocupou com isso se podia adiantar cenas com Nathan e Stana. Eles estavam ganhando dias e por conta disso poderia até libera-los mais cedo na sexta.

Na madrugada, Stana experimentou algo bem diferente. Naquela sexta, antes de ir para o trabalho, Stana permaneceu um pouco mais na cama, pensativa. Tudo devido a um sonho que tivera por volta das quatro da manhã. No sonho, Stana estava numa praia.

Sentada na areia, ela avistara uma criança vindo correndo em sua direção. Devia ter uns três anos. Uma linda garotinha com um sorriso que lembrava o dela, cabelos castanhos claros e os olhos azuis tal qual os de Nathan. Ela gritava “mommy,mommy”. Trazia em suas mãos uma conchinha marrom e rosa. “Daddy me deu essa conchinha, ele disse que antes de chegar à praia, ela jogou uma perola linda que nem eu”. “Foi mesmo?” perguntou. Colocando a menina em seu colo, ela avistou Nathan se aproximando. “Você e suas historias, babe”. Ele inclinou-se para beija-la, sentou-se ao lado dela.

“É, verdade. Daddy esqueceu de mencionar um detalhe muito importante. Quando encontramos uma concha, devemos admira-la e devolve-la ao mar em sinal de boa sorte”

“Mas, ela é tão linda! Queria levar para casa. Podíamos coloca-la na piscina”.

“Eu sei, amor. Mas o que é do mar deve permanecer no mar.”

“A mamãe tem razão. Vamos devolvê-la?” – a crianca deu um beijo na mãe e de mãos dadas com o pai seguiu para o mar.

Ela não acordou assustada, um pouco surpresa, confusa, talvez. Stana ficou se perguntando porque teria um sonho como esse. Estaria sendo influenciada pelo último roteiro? A possibilidade de bebês Caskett? No sonho, sua filha era linda e o mais importante, ainda estava casada com Nathan. Era filha dele. Suspirou. Seria seu relógio biológico agindo? Dando sinais de alerta? Resolveu não comentar nada com ele, poderia ser apenas um truque de seu subconsciente.

Descera para tomar café, Nathan já a esperava comendo um brioche. Por ser sexta-feira, ela tinha escolhido ir de bicicleta para o estúdio mesmo sob os protestos dele. Gostava de manter a rotina de andar sem carro pelo menos uma vez por semana, às vezes duas. Quando optava pelo metro, acabava voltando com ele para casa, pegando a carona a uma certa distância do local de trabalho.   

Ela acabara de filmar uma cena no loft e estava desejando um café. Quando estava na copa, ela sondou Dara sobre as horas reais de funcionamento do estúdio, fora uma boa encontra-la sozinha. Dara captou no ar que ela queria aprontar.

- Pelo visto não ficou satisfeita com a sua última besteira. O que você está querendo dessa vez, Stana?

- Não é nada demais, apenas uma coisa que Nathan me confidenciou, outra que eu já imaginava... enfim, detalhes que fazem o relacionamento não cair na rotina. Momentos a dois, preciso somente da privacidade.

- Caramba! Quem vê você falar assim vai pensar que está casada há dez anos e tem problemas conjugais. Vocês dois não param de inventar loucuras com a desculpa de apimentar a relação. Tenho medo de vocês, sério!

- Dara, apesar de formalmente não termos um ano de casados, nosso relacionamento já tem quase sete anos – piscou para a amiga – será que você não poderia dar uma ajudinha?

- Tudo bem, não vou prometer nada. Posso dar uma olhada nos cronogramas de gravação e edição, se encontrar uma brecha, aviso você. Nem adianta pedir juízo porque se eu não ajudar, fará do seu jeito mesmo!

- Obrigada. Você é uma amiga maravilhosa... – terminou o café e seguiu para o set.

Stana gravou mais uma cena com Nathan, quando estava se preparando para outro take, Dara surgiu no estúdio com uma cara preocupada. Tinha o celular da atriz nas mãos.

- Stana, é melhor você atender. É da escola de sua sobrinha. É urgente.

A palavra urgente fez o corpo de Stana estremecer. Pegou o celular já angustiada, Nathan trocou um olhar com Dara. O que quer que houvesse acontecido, ele teria que estar preparado para ajuda-la sem expor o segredo deles.

- Sim, sim sou eu. Anne, o que? Ah, não! – Stana ia ficando mais pálida a cada segundo, Nathan puxou-a para uma cadeira – como? Hospital? Não, espere! Eu estou indo até aí, Anne não vai a lugar algum sem a minha autorização – ela desligou, branca como uma vela – Anne! Eu preciso ir até a escola, oh Deus! – ela estava apavorada.

- O que aconteceu? – perguntou Nathan.

- Ela se feriu, ninguém consegue falar com meu irmão, minha cunhada... preciso do meu carro – de repente, ela lembrou-se – oh, Deus! Eu vim de bicicleta... – ela tremia. Dara voltou correndo para o lado dela com um copo cheio com água e açúcar.

- Beba isso. Você está muito nervosa e não resolverá nada para a menina nesse estado.

- Não, eu não quero. Apenas preciso ir busca-la.

- Isso é uma ordem, Stana – disse Dara energicamente – beba! – suspirando, ela obedeceu.

- Dara, eu acredito que devemos parar as filmagens por hoje. Pelo menos as cenas comigo e Stana – disse Nathan.

- Eu concordo – disse o diretor – podemos filmar com você e Molly.

- Não, quando falei parar estava me incluindo sim. Não vou deixar Stana ir sozinha, nesse estado de nervos para a escola de sua sobrinha. Vou leva-la – Dara suspirou aliviada. Sabia que Nathan não iria deixa-la desamparada naquele momento, independente do que pudesse acontecer depois.

- É o melhor a fazer – concordou a produtora – é melhor você leva-la, Nathan. Ligue avisando o que aconteceu e se precisam de ajuda.

- Claro! – ele ofereceu a mão para sua esposa – vamos, Stana. Anne está esperando você – ajudou-a a se levantar, colocando sua mão na parte inferior de suas costas, ele a guiou para o seu carro no estacionamento. Assim que a acomodou no carro, sentou-se no lugar do motorista, porém não deu a partida. Precisava primeiro entender o que acontecera, talvez a reação de Stana fosse um pouco além do que deveria, ou não.

- Stana, amor, o que realmente aconteceu? Anne está bem? – ao fita-la, Nathan pode ver as lágrimas se formando.

- A professora disse que... que foi um acidente, ela estava brincando e... precisamos encontra-la, a escola... eles querem leva-la para o hospital... oh, Nate, minha princesa... – uma lágrima escapou pelo rosto dela. Nathan pegou sua mão trêmula, beijou-a.

- Tudo bem, amor. Você precisa se acalmar, por Anne. Qual o endereço da escola? – respirando fundo, ela lhe forneceu a informação e Nathan ligou o carro na esperança de chegar ao local o mais rápido possível. Por sorte, a escola não era tão longe do estúdio.

Chegando a escola, Stana se identificou querendo logo saber notícias de Anne. A supervisora levou-os até a enfermaria.

- Desculpe tira-la do trabalho, mas não conseguimos contato com os pais e você é a única responsável depois deles – a mulher olhava para Nathan surpresa e admirada, curiosa por entender o que ele fazia ali. Parecia preocupado também.

- O que aconteceu? Stana ficou tão nervosa que não nos explicou – disse Nathan – tivemos que parar tudo e eu vim acompanha-la, não tinha condições de dirigir.

- Coisas de criança realmente. Anne estava brincando no play, acho que algo de superheróis, ela gosta dessas coisas. Então se descuidou ao tentar acertar o Matt e caiu sobre o braço. Ela estava pindurada no nível superior do brinquedo. Nós já apoiamos o braço em uma tala, mas precisa de um raio x, certamente está quebrado. Fizemos também assepsia nos joelhos ralados.

A supervisora abriu a porta da enfermaria e Stana respirou aliviada por ver a menina. Estava sentada em uma das macas com o braço envolto em tala e pano. O rosto denunciava dor, estava meio chorosa. Um aperto se formou no peito da tia, por mais que Anne parecesse bem, ela não gostava de vê-la sofrendo ou doente.

- Tia Stana! – arregalou os olhos – tio Nathan! – Stana foi até a menina sentando-se ao seu lado. Deu um abraço carinhoso e leve nela, beijando-lhe a testa. Nathan acenou de longe, piscando para a menina.

- Você está bem, docinho?

- Dói, tia. Anne está com dor. A tia pode fazer passar? Por favor? – os olhinhos de súplica arrasaram o coração de Stana. Detestava isso. Crianças não deveriam sentir dor.  Lembrou-se das palavras de Nathan, precisava manter a calma para ajuda-la.

- Claro, docinho. Eu e Nathan iremos leva-la ao hospital. Eu estou sem carro hoje e ele ofereceu-se para nos dar uma carona – a menina sorriu entendendo o que a tia queria dizer, virando-se para a supervisora, perguntou – foi mesmo um acidente ou alguém a machucou de propósito? – ficara desconfiada devido ao nome do garoto.

- Acidente, coisa de criança... – Stana encarou a mulher e depois a sobrinha, não acreditava nisso. Nathan também percebeu que algo não batia na hisória, porém o melhor era tirar Anne de lá.

- Stana, é melhor levarmos Anne ao hospital, certificar-nos de que está tudo bem com ela. E você ainda tem que avisar a mãe dela.

- Tem razão. Pode andar, Anne?

- Posso, tia. Mas, a Anne tem mesmo que ir para o hospital? Eu não gosto de injeção, tenho medo – a carinha de pânico era genuína.

- Não terá injeção, amor. Vamos tirar uma foto do seu braço e ver se o médico precisará enfaixa-lo. Depois, vamos rever esses curativos do joelho, talvez tenha que tomar algum remédio, mas é só isso. A tia vai levar você em um lugar bem legal. Nem vai parecer um hospital, prometo – a menina olhava séria para Stana como quem ponderava as promessas da tia – então, vamos?

- Eu pago um sorvete para você depois – propôs Nathan arrancando o primeiro sorriso verdadeiro de Anne.

- Assim tá bom, Anne gosta – de mãos dadas com a sobrinha, eles deixaram a escola. Já no carro, após acomodar a menina no banco de trás, Stana pegou o celular, queria evitar problemas para os dois. Ligou para o seu contato no Children’s Hospital.

- Alice, tudo bem? É a Stana. Preciso de um favor. Minha sobrinha precisa de cuidados médicos, porém eu queria um pouco de privacidade. Sei que todos são muito atenciosos aí, mas entrar pela frente, todos irão querer me cumprimentar, falar comigo e não quero assustar a criança mais do que já está com a ideia de ir a um hospital. Será que você consegue me ajudar? – ela ouvia na linha o que a outra tinha a dizer – não, claro! Problema nenhum, apenas quero preserva-la. Tem sido uma manhã complicada. Eu agradeço, de verdade Alice. Chegamos em dez, quinze minutos. Entraremos pelos fundos. Certo, obrigada.

Ao desligar, virou-se para a sobrinha toda enrolada no banco. Sentia dor. Tentou o telefone da cunhada, sem sucesso. Deixou recado informando que pegara Anne na escola e estava verificando se estava tudo bem com ela, pediu para retornar a ligação.  Voltou sua atenção para Nathan, percebera que ele já estava no caminho do hospital. Ele colocou a mão sobre a coxa dela, Stana apertou-a por uns segundos.

- Vai ficar tudo bem, amor. São coisas de infância. Quem nunca passou por isso? – disse sorrindo.

- Sei que pode acontecer, mas ainda assim.... você terá que virar à esquerda, pegue a rua de trás.

- Vai ficar tudo bem – ele repetiu.

Eles conseguiram entrar no hospital pela entrada indicada por Alice. Ela os encaminhou para uma enfermaria particular. Uma técnica já esperava por Anne. Alice estranhou a presença do co-star de Stana, talvez por isso ela não queria que soubessem da sua ida ali? Logo teria uma resposta para isso.

- Alice nem sei como agradece-la, tudo está meio louco hoje. Eu fui trabalhar de bicicleta, quando recebi a ligação da escola de Anne me desesperei. Ainda bem que existem pessoas boas ao meu redor – deu um sorriso sincero na direção dele - Nathan se ofereceu para busca-la comigo. Ela caiu, precisa de um raio x e de curativos. Deve ter quebrado o braço esquerdo.

- Não se preocupe, trataremos bem dela. Já vou chamar o ortopedista enquanto Rachel cuida dos curativos – virou-se para Anne, sorrindo – olá, mocinha! Deixa a tia dar uma olhada nos seus joelhos? Onde mais tem dodói?

- Vai arder. Lá na escola a moça mexeu e ardeu – colocando-a sobre a cama, a técnica explicou com toda a paciência para Anne o que faria. Mostrou cada um dos instrumentos e materiais que usaria para limpar tudo e sarar logo – tem certeza que não vai doer? – a menina ainda não tinha sido completamente convencida.

- Sim, esse remédio é especial. Limpa toda a sujeira sem arder. Vou colocar somente um pouco para você sentir – deu uma demonstração sobre um dos cortes do joelho. Anne não sentira nada. Stana observava agoniada, não largava a mão da sobrinha, mas queria poder abraçar Nathan por conforto. Se sofria tanto somente de ver um simples curativo ser feito em Anne, imagina quando fosse com a filha dela. Assustou-se com o pensamento. A meniana parecia ter criado confiança na atendente – tem outro dodói aqui – ela apontava para o ombro esquerdo coberto pela tala improvisada – tem sangue também.

- Tudo bem, esse tenho que limpar com mais cuidado porque seu bracinho deve estar quebrado e não quero que sinta dor. É melhor esperar o doutor para checa-lo e depois faço o curativo, está bem?

- Alguem chamou um médico? Tem alguma Anne aqui? Parece que ela é uma menina bem boazinha, mas caiu numa brincadeira... será que é um caso para a luva especial de gesso? – ele sorria. Stana já o vira numa das festas beneficientes do hospital, era jovem. Moreno claro, de olhos verdes – olá, Stana.

- Olá, Josh – sorriu para ele sob o olhar desconfiado de Nathan.

- Sou eu, Anne. Eu cai. O que é uma luva de gesso?

- Ah, é um negocio bem legal que se usa para consertar uma parte do corpo se estiver quebrada. Vamos dar uma olhada se esse é o caso? – ele conversava alegremente com Anne para distrai-la enquanto remexia em seu braço para que não sentisse tanta dor. A menina reclamava choramingando um pouco, porém prestava atenção nas coisas que o médico falava – que tal tirar uma fotografia desse bracinho? Você pode ir comigo e Rachel até a outra sala? Sua tia ficará esperando aqui mesmo – ela olhou para a tia apreensiva.

- Pode ir, docinho. Não vou a lugar nenhum. E o Josh é um ótimo médico e divertido.

- Não, o Josh é chato! Ele não deixava a tia ficar com o moço bonito. Ele bateu no Castle! – Nathan não resistiu e caiu na gargalhada, A desconfiança pelo trato do médico com Stana sumiu diante do comentário arrasador de Anne – é verdade, não tio?

- Anne, só você! É verdade, mas esse é outro Josh. Aquele já era – ele virou-se para Stana – tem certeza que não quer ir com ela?

- Tudo bem, mas a tia não vai poder entrar na sala com a Anne. Entendeu, docinho? – ela fez que sim com a cabeça. Stana deixou o quarto segurando na mão da sobrinha, dirigindo um último olhar para Nathan antes de sair. A caminho da sala de raio x, Josh notou a aliança no dedo de Stana. Aquilo era novo. Da última vez que estivera no hospital, ela não usava nada nos dedos. Ficou se perguntando se a menina era mesmo sobrinha ou filha da atriz, era muito parecida com ela, mesma tonalidade de pele, cor dos olhos.

- Você casou? – ele perguntou pegando Stana de surpresa, apontou para a aliança no dedo dela. Felizmente, Anne estava atenta à conversa como se não tivesse acreditado muito no que Nathan dissera sobre aquele médico.

- Ah, eu... – Stana corou.

- A tia estava gravando quando a professora ligou, A policial que é casada, com o Castle.

- É, saímos tão rápido do estúdio que nem trocamos de roupa. Felizmente não era uma cena de pijamas – ela sorriu, Deus abençoe essa garotinha.

- Eu também me casei. Acho que você o conheceu, Ray? Trabalha na administração. Cabelos acobreados. Sardas.

- Acho que me lembro dele.

- Bem, daqui sua tia não pode passar. Voltamos logo – ela os viu entrar na sala de raio x. Esperava que não demorassem realmente. Dez minutos depois, Anne saia pela porta. O médico pediu a Rachel para providenciar o material necessário para engessar o braço da menina – ela quebrou o rádio, ficará no gesso pelo menos um mês. Foi uma fratura pequena e superficial, mas requer cuidados.

- Anne não quebrou nenhum rádio! Anne caiu – Stana riu já um pouco mais aliviada.

- Anne, rádio é o nome do ossinho que fica no seu antebraço. Olha só, você irá usar gesso! Eu usei também no braço, tinha uns oito anos.

- Mesmo? E o tio? Usou também?

- Você terá que perguntar a ele.

- Eu vou pegar algumas coisas e já volto ao quarto para enfaixa-la, tudo bem? – Stana assentiu levando Anne para a enfermaria onde Nathan estava. Nem bem chegaram, a menina já foi passando o relatório para o tio.

- Anne quebrou o rádio, o osso sabe? Vai botar... como é o nome que o Josh que disse? Ah, sei lá, o “coiso”. Ele perguntou se a tia tinha casado – a cara de Nathan que esboçava um sorriso, fechou-se séria para Stana – eu disse que a tia estava trabalhando, que a aliança era da Kate, né? Anne guarda o segredo. A tia ficou vermelha.

- Ele perguntou? Por que o interesse, Stana?

- Só uma simples conversa, Nate. Nada demais.

- Nada demais, exceto que ele é bonito e você ficou vermelha – Stana passou a mão no cabelo, mais essa agora – eu vi o jeito que ele a cumprimentou.

- Nathan, eu fui pega de surpresa. Essa é mesmo a aliança da Kate, não a minha. Ciúmes, não. Nem precisa.

- Josh é casado, tio.
- Isso não quer dizer... – ela o interrompeu.

- Josh é gay, Nathan! – disse irritada – é casado com um rapaz, Ray. Podemos focar em Anne, agora?

- Tá, desculpa. Eu... desculpa. Estamos todos nervosos, não? – ele sorriu sem graça. Aproximou-se e beijou-lhe a testa, acariciando os braços dela. Stana deixou a mão deslizar pelo peito dele. Suspirou e afastou-se com medo de ser pega de surpresa.

- Tia, o que é gay? – Stana olhou para Nathan com os olhos arregalados. Ele fez uma cara de quem diz “foi você quem começou”.

- Depois falamos sobre isso, docinho. Primeiro seu gesso. Você não queria perguntar algo pro seu tio? – a lembrança do gesso fez a menina esquecer o termo.

- É mesmo, tio você já quebrou o braço? Usou o “coiso”?

- Não no braço, mas quebrei o pé quando estava com dez anos e o nariz no hockey quando estava na escola, além de ferrar meu joelho. Todo mundo assinava no meu gesso do pé, era como uma bota. Meu irmão desenhou o escudo do capitão America e o símbolo do lanterna verde nele – o médico entrou quando ele contava essas histórias, Stana já estava bem melhor, até implicou com ele.

- Nerd!

- Então, Anne, preparada para colocar o gesso e deixar todo mundo escrever no seu braço? – ele sorriu para a garota começando a trabalhar formando a proteção ao redor do braço quebrado. Stana e Nathan observavam atentos aos gestos do médico. Nesse instante, o celular dela tocou. Era a cunhada.

- Oi, não. Está tudo bem. Estou com ela no hospital. Ela quebrou o braço, nada grave. Não se preocupe, assim que acabarmos aqui, vou leva-la para casa – escutou a cunhada se lamentar e agradecer por alguns minutos e desligou – sua mãe vai esperar em casa por você. Quer saber como tudo isso aconteceu, confesso que eu também. Mas, podemos deixar para amanhã – o rosto da menina se iluminou.

- Eu ainda vou sair com a tia?

- Claro, se a sua mãe não lhe proibir. E você prometer se comportar direitinho. Darei um jeito de convencê-la.

- Prontinho, princesa! Que tal eu assinar para estrear? O que me diz?

- Não, você não vai assinar. Não gosto de Josh. A tia Stana e o tio Nathan podem.

- Anne, por favor – Stana ficara extremamente sem graça – desculpe por isso, Josh. Ela normalmente não é assim.

- Tudo bem, coisa de criança. Eu sou o cara chato que vai deixa-la imobilizada por um mês. Como está a dor? Esse remédio é para se tomar de doze em doze horas, para evitar qualquer inflamação nos ferimentos e esse para dor. Está tudo aí na prescrição. É melhor que ela não vá à escola por uns três dias, precisa se adaptar a vida com o gesso. Vou escrever uma recomendação para entregar na escola – entregou a receita a Stana.

- Obrigada. Vamos, docinho. Sua mãe está aflita por notícias – ela desceu a pequena da cama que estendeu a mão livre para a tia. Nathan vinha logo atrás delas segurando a bolsa e o casaco de Stana e Anne. Quem os visse, pensaria que se tratava de uma família. O mesmo pensamento ocorreu a Stana ao vê-lo arrumar o lugar no carro para Anne com todo o cuidado. Certo que estava confortável e preso para garantir a segurança da menina, ele fechou a porta.

- Stana, você não prefere levar meu carro? Para que seu irmão e sua cunhada não fiquem desconfiados de eu aparecer junto com você na casa deles. Posso pegar um taxi. Não tem problema. Hoje não voltaremos para o estúdio mesmo, pode ficar mais tempo com Anne, sei que você quer.

- Não, você vai comigo. Falaremos o mesmo que já foi dito. Afinal, se Markus checar a história na escola estaremos cobertos. Além do mais, como vou justificar a assinatura que Anne certamente irá fazer você deixar nesse gesso?

- Quanto a isso, eu tenho uma ideia. Mas, não sei se Anne esperaria até a outra semana.

- Vamos, Nate. Já veio até aqui. Não vai acontecer nada – ela acariciou o rosto dele – você foi maravilhoso até agora, prometo não demorar, será somente o tempo de conversar um pouco com ela, dar as orientações aos pais e combinar o nosso passeio de amanhã. Eu estou determinada a entender essa história da queda. A supervisora não pareceu falar a verdade.

- Tambem, achei. Vamos amor, antes que Anne ultrapasse o vidro querendo descobrir o que tanto conversamos – ao virar-se, Stana encontrou a menina com o rostinho espremido na janela fazendo todo o esforço para tentar ouvi-los. Riu do jeito da sobrinha. Nem bem entraram no carro, Anne foi logo perguntando.

- Tia, o que vocês conversavam? É sobre a mamãe? Ela vai ficar brava se o tio Nathan chegar lá em casa? Porque eu não acho, é só a tia mentir como fez para a professora.

- Anne, sua tia não mentiu para ninguém. Ela realmente não foi de carro hoje comigo. Quis usar a bicicleta. Não diga isso da sua tia, é feio.

- É tia? Eu pensei que era pra não dizer o segredo. Desculpa.

- Em parte, era sim. Mas, Nathan está certo. Eu estava de bicicleta que aliás, ficou no estúdio. Ah, na segunda eu pego.

Eles chegaram na casa do irmão de Stana em poucos minutos. Após a comoção em ver a filha, os pais quiseram saber detalhes de como tinha acontecido, o que eles fizeram e qual a real situação de Anne. A mãe de Anne se culpava por ter escolhido justamente aquele dia para ir fazer exames no médico. Stana explicou tudo o que ouvira, inclusive suas suspeitas de que havia mais na historia. Também aproveitou para dizer o porque de Nathan estar ali. Eles pareciam ter comprado a ideia numa boa.

Markus agradeceu aos dois pelo cuidado com a filha. A irmã sempre o ajudando com a menina. Adorava ver o carinho dela com Anne. Ficou surpreso com a forma que Nathan tratava sua filha, conversava com uma ternura, um jeito simples e encantador. Uma imagem que ele não conhecia do ator que por vezes pensou ser bem exibido e antipático. Sempre achou que Stana não deveria se aproximar dele, apesar de suspeitar que a irmã sentia-se atraída por ele. Quando Stana mencionou a saída com a sobrinha no sábado, enfrentou resistência.

Depois de muito convencimento com a cunhada onde até mesmo Nathan opinou, conseguiram acalmar a apreensão da mãe. Stana reparou que Anne aquietara-se. Estava calada, julgou ser o efeito do remédio. A criança precisava descansar. Passara por muito stress o dia todo.

- Melhor você ir para o seu quarto, meu amor. Você está cansada. Precisa dormir para o remédio fazer efeito e ficar boa logo. Vem, vou coloca-la na cama – disse Stana vendo que ela já estava sonolenta, tentou carrega-la, porém, além de pesada, tinha medo de machucar o braço dela. Nathan prontamente apressou-se em ajuda-la pegando Anne no colo carregando-a até o quarto com a indicação de Stana.

Colocou a menina na cama enquanto Stana arrumava os lençóis e a manta. Ajustou a temperatura e ligou o abajur da cabeceira. Os pais de Anne vinham atrás ainda abobados com o jeito dos dois. Até nisso eles eram sincronizados. Stana a cobriu, beijou-lhe a testa e a bochecha sorrindo para a sobrinha.  Ao ver que Nathan se afastara, Anne chamou por ele.

- O tio não vai dar um beijo em Anne? Precisa assinar o “coiso” de Anne – Nathan sorriu trocando um olhar com Stana. Aproximou-se da cama, sentando-se com cuidado ao lado dela. Beijou-lhe a testa.

- Outro dia eu assino, está bem? Você tem que dormir. E isso não é um coiso, é um gesso.

- Não, tio. Quero que seja o primeiro, depois a tia Stana – ele olhou para a esposa, pedindo orientação. Sabia que não podia dizer que faria amanhã – por favor, tio.

- Faça logo, ba...Nathan – Stana foi até a escrivaninha dela pegando um pincel, ainda se recriminando por quase chama-lo de babe na frente do irmão e da cunhada. Entregou o pincel azul para ele. Nathan assinou em um canto do gesso. Passando a caneta para a esposa, viu que ela assinara ao lado dele fazendo uma careta e um coração – pronto, Anne. Agora, hora de dormir. Sua mãe vai ficar com você e contar uma história, tudo bem? Amanhã venho pega-la.

- Tá, tia Stana – ela já fechava os olhinhos, sonolenta. Nathan saiu do quarto com Markus deixando as mulheres arrumarem os últimos detalhes. Cinco minutos depois, Stana se juntava a eles.

- Vamos? Mano, fique de olho se ela sentir alguma dor, avise o médico. O telefone está no receituário.

- Obrigada, sis. Você é um anjo. Você também, Nathan. Não precisava tanto trabalho com Anne – apertaram as mãos.

- Que isso, trabalho nenhum. Anne é uma menina adorável. Só estava ajudando mesmo. Adoro crianças.

- Mesmo assim, não é sua obrigação – Nathan não pode deixar de trocar um sorriso com Stana.

Eles entraram no carro e Nathan dirigiu para casa. Assim que chegaram e adentraram a sala, Stana o abraçou forte. Todo o stress do dia podia ser aliviado agora. Ele acariciou as costas dela, guiou-a até o sofá. Sentando-se com ela escorada em seu peito, ele começou a massagear seu pescoço. Estava cheio de nós.

- Ele tem razão, você não tinha que se dar ao trabalho.

- Não concordo, Anne é minha sobrinha, eles não sabem que eu amo a filha deles, mas você sim. 

- É por isso que eu te amo, Nate. Demais – ela o fitou alcançando os lábios para perder-se em um beijo apaixonado.

No sábado pela manhã, conforme prometera a Anne, Stana apareceu para busca-la depois das dez horas. Combinara com o irmão que ficaria com a sobrinha até a noite. Assim que chegaram na casa, ela pretendia ditar algumas regras para Anne. Sabia que havia muito pouco o que fazer devido ao braço, então havia separado alguns jogos de tabuleiro que não exigiriam tanto dela, além de ser uma excelente forma de diversão para todos.

Por mais curiosidade que tivesse, não ia interroga-la ou sondar a criança logo de cara. Ela queria deixa-la relaxada para que Anne não se sentisse acuada ou mesmo achasse que a tia estava querendo respostas para lhe aplicar um castigo. Ao ver Nathan, a menina correu para abraça-lo. Somente estando na frente dele foi que percebeu não poder fazer o gesto da mesma maneira de antes. Procurando não constrangê-la, Nathan puxou-a para seu colo no sofá e tratou de conversar.

- Acho que formamos um trio e tanto ontem, não? Conseguimos cuidar de você e manter o segredo intacto diante de muitas pessoas. Somos um ótimo time – ele estendeu a mão para fazer um hi-five com a garota que sorriu – como você está se sentindo? Dormiu bem? A dor diminuiu?

- Estou bem, tenho um pouquinho de dor e fica chato para dormir. Mamãe não saiu do lado da minha cama ontem. Foi muito legal. Só que a Anne não pode fazer muitas coisas. Não dá para brincar de videogame, ou luta e até de boneca. De que vamos brincar, tio Nathan?

- Ah, eu e sua tia escolhemos alguns jogos que podemos brincar. Tem jogo da vida, detetive e cara a cara, que tal?

- Parece legal! – Stana sentou-se ao lado da sobrinha dando-lhe um beijo na bochecha.

- Estou feliz que você esteja bem, docinho. A tia ficou muito preocupada. Tem que prometer que vai tomar os remédios direito para ficar logo boa e nada de estripulias, combinado?

- Combinado – ela sorriu para tia.

- Agora, quem está pronto para levar uma surra no jogo? – Stana perguntou apontando para Nathan.

- Vai falando e se prepare para perder. Vamos jogar, Anne? – eles sentaram ao redor da mesa de centro para jogar. Mais cedo, Stana tinha preparado uma lasanha para o almoço, algo simples para que pudesse dar o máximo de atenção para a menina. A brincadeira seguia animada, a competitividade entre eles era de nível muito alto. Todos os três queriam ganhar. Muitas vezes, trocavam farpas e ameaças entre si, o que corroborava para o resultado ser bastante comemorado pelo vencedor. Em duas rodadas de Jogo da Vida, Nathan foi derrotado uma vez por Anne outra por Stana. Isso definitivamente deixou-o de mau humor. Sugeriu a troca de jogo. Elas acataram e Stana aproveitou para colocar a lasanha no forno.

Finalmente, ele conseguira ganhar uma partida. Vibrou feito um ganhador de uma medalha olímpica. A maré de sorte não estava mesmo ao lado dele, as duas partidas seguintes foram vencidas por Stana que ordenou uma parada para o almoço. Sentaram-se à mesa e ela serviu a massa para todos.  Comiam e conversavam alegremente, Anne estava super à vontade, mesmo que com alguma dificuldade que a tia logo tratava de resolver.

- Está muito gostosa, tia! Vou querer mais um pedaço!

- Está mesmo – concordou Nathan.

- Vá com calma, docinho. Você está apenas na metade – Stana adorava esses momentos com a sobrinha e realmente sentia por não convencer o irmão deixa-la dormir essa noite em sua companhia. Novamente, foi inundada com uma sensação gostosa de prazer em ver a interação entre sua sobrinha e seu marido. Nathan seria um bom pai, se quisesse. Ele tem um jeito todo especial com crianças, pensava nesse assunto como um desejo e não uma possibilidade. Era estranho saber que não chegaram a ter uma conversa desse tipo. Ele mencionara uma vez para ela, algum tempo, mas foi bem antes dela mesma se imaginar casada com Nathan.

- Qual é a sobremesa, tia Stana? – a vozinha a fez voltar a atenção ao que acontecia ali a sua frente.

- Menina, você já acabou o segundo pedaço de lasanha? – ela balançou a cabeça afirmativamente – e ainda quer comer? Por que não esperamos um tempo para fazer a digestão e depois tomamos o sorvete? Nathan, você me ajuda a dar uma organizada na cozinha? Veja um pouco de TV que já levo sua sobremesa, Anne.

A garota obedeceu. Isso deu um espaço para Stana conversar com o marido sobre a dúvida que pairava em sua mente, a respeito do acidente de Anne. Ambos cochichavam para não serem ouvidos pela pequena.

- Você acha que é uma boa hora para perguntar dela sobre as confusões na escola? Tenho certeza que o tal acidente está relacionado com o castigo do outro dia. Já sabemos que envolve o mesmo garoto, o tal Matt.

- Acho que o sorvete é uma excelente moeda de troca. Sirva e vamos conversar – Stana preparou uma bandeja para os três com sorvete e calda, além de uns chocolates M&M’s. Nathan já estava com Anne conversando sobre o desenho que passava na televisão. Apoiando as guloseimas na mesa, ela sentou-se de frente para a menina mostrando o pote no qual jogara muita cobertura e salpicava os pedacinhos de chocolate.

- Que tal? – ofereceu a colher a ela, os olhinhos brilharam diante da guloseima. Nathan, a outra criança, já pegara o seu – aqui está a colher, posso segurar para você ou podemos apoia-lo na mesinha, o que prefere? Eu não me importo de segurar. Seu tio já está devorando o sorvete!

- Pode segurar, tá? – ela meteu a colher com vontade no potinho e saboreou o sorvete de chocolate lambendo os beiços – está muito bom, tia. Não vai comer?

- Claro que sim! – Stana provou o doce entrando no clima descontraído com os dois. Nathan comia fazendo palhaçadas que levava a sobrinha as gargalhadas, como apertar a cobertura direto na boca. Nesse ambiente alegre, resolveu que chegara a hora de entender o que afinal acontecera com sua princesa – então, Anne, conte para mim como você ficou de castigo na escola – a menina a olhou desconfiada – você prometeu contar, assim como eu prometi sair com você. 

- Tá bem, tia. Mas eu já disse que o Matt é um idiota.

- Essa parte já entendi, mas por que ele é um idiota? O que ele fez?

- Anne estava no recreio, tinha comido e queria brincar. Alice queria pular amarelinha só que eu queria brincar com os meninos de polícia e ladrão. Quando fui pedir ao Jeff e peguei uma das armas, o Matt disse que não podia brincar porque era menina. Eu disse que estava errado porque brincava todo o tempo com meninos especialmente meu tio. Ai, falei que a tia era policial. Ele disse que você não era e nem aquele cara metido a balofo que andava com ela. Ele chamou o tio Nathan de balofo! Eu disse que não era! E ele que era sim, balofo e gay – Stana arregalou os olhos – eu nem sei o que ele queria dizer, mas fiquei com tanta raiva que o empurrei e dei um soco no olho dele. Ninguém chama o tio Nathan de gordo e da outra coisa. Anne queria bater mais, só que a professora chegou. Matt fez um escândalo pior que as meninas.

- Anne... – Stana ainda não sabia o que dizer. Nathan sorria ao ouvir a história da menina querendo defende-lo. Estava orgulhoso. Por outro lado, Anne percebeu que a tia estava pensativa.

- Tia Stana, a Anne não disse o nome do tio nem revelou o segredo. Não fica triste.

- Anne, por que fez isso? Não pode resolver as coisas batendo nos outros.

- É, eu sei. Mas o Matt pediu.

- Por acaso ele tem algo a ver com sua queda? – a menina baixou a cabeça calada – tem, certo? E você escondeu isso da sua professora, por quê? Conte exatamente o que aconteceu.

- Eu... eu estava brincando com Jeff, Alice, Martha e Paul de superheróis. Eu tinha uma espada que a gente fez no dia da aula de artes. Eu estava em cima do escorregador lutando com o Jeff. Matt passou e empurrou ele na grama, ele conseguiu não cair, mas disse para ele não empurra-lo. Disse que não mandava nele, que empurrava quem quisesse e puxou minha espada, eu escorreguei e cai no chão.

- Puxa! Esse menino é um idiota mesmo! – exclamou Nathan recebendo um olhar de repreensão de Stana.

- Quando eu estava no chão, ele disse para eu chamar a minha tia idiota metida a policial para prendê-lo. Eu fiquei com muita raiva, mas doía muito e só conseguia chorar.

- Anne! Por quê? Você deveria contar a professora.

- Ninguem fala mal da minha tia e do meu tio. Ninguém! Eu queria dizer... – Nathan sentou-se ao lado dela, beijou-lhe a cabeça  quando ela começou a chorar – eu queria dizer que tenho os melhores tios do mundo, mas Anne não pode por causa do segredo. Desculpa, tio. Anne não fez por mal. Tia, vai castigar a Anne?

- Não, meu amor. Eu estou surpresa com você. E orgulhosa! – beijou a menina – é bonito defender os outros, mas não pode omitir o que seu colega fez.

- Não, tia. Por favor, Anne não quer falar com a professora porque eu ia falar do tio. Não pode – a menina foi bem enfática ao usar a última frase.

- Ela tem razão, Stana. Se formos insistir nessa história podemos criar mais problemas para Anne na escola. Além de chamar a atenção para nós. Vamos encarar como um acidente. O que sua cunhada pode fazer é perguntar sobre o menino numa reunião de pais e mestres, sondar. Ele me parece muito encrenqueiro e danado, deve ser daqueles da lista negra.

- Acho que sim – suspirou – tudo bem. Vamos esquecer isso, mas por hora quero que me prometa se o Matt implicar e principalmente bater em você, conte para sua mãe. Outra coisa muito importante, não fale com ele porque não vai dar certo. Aprenda, não se bate em mulher.

- Eu sei, tia. – Nathan aproveitou para reforçar os conselhos de Stana.

- Anne, eu fico muito feliz em saber que me defendeu. Tenho uma menina inteligente e maravilhosa que gosta de mim, contudo você precisa ouvir sua tia. Faça o que ela pediu.

- Então, não estão com raiva da Anne?

- Não, meu amor. Você está se tornando uma menina linda e responsável, amorosa. Pode defender as pessoas, mas sem violência.

- Eu mal posso esperar para mostrar meu “coiso” para a Alice. Ela vai ficar com inveja de ver que o tio e a tia assinaram. Não vou mostrar pro Matt. O Jeff vai contar para ele.

- Anne...olha a implicância! – a garota sorriu. Stana levantou-se recolhendo as louças para a cozinha. Quando voltou, encontrou a menina escorada no ombro de Nathan quase cochilando. Era o efeito do remédio. Ela acariciou os cabelos da criança – amor, vamos dormir um pouquinho no quarto, você está cochilando. Carregando-a em seus braços, Stana subiu as escadas colocando-a gentilmente na cama. Nathan foi atrás para ver se ela precisava de ajuda, mas a garota estava tão sonolenta que apenas acomodou-se na cama e continuou dormindo. Eles resolveram ficar no quarto do casal para garantir que Anne teria assistência se precisasse.

Deitados na cama, Stana ainda pensava sobre a confusão de sua sobrinha na escola. Por estar calada, Nathan imaginava que estava matutando algo, não dormira, pois de vez em quanto esfregava o corpo no dele, ou acariciava as suas mãos sobre o estomago dela.

- Por que está calada, está pensando em Anne, não?

- Estou, no que ela fez. Defendendo a mim e especialmente a você. Estou preocupada com esse tipo de comportamento na escola, esse menino, o tal do Matt, fico pensando no que ele pode aprontar. Gay... eles falando disso. Ainda bem que Anne esqueceu a palavra. Nem sei como explicar para ela.

- Sabe sim, explicará com a verdade. E amor, isso é normal na época de escola, imagina quando a nossa pequena chegar no ensino médio, aposto que será fogo, daquelas de criar confusão. Rebelde que nem a tia – Stana virou-se para fita-lo, tinha um sorriso nos lábios, parecia encantada.

- Você disse nossa pequena... ela não é, quer dizer...

- Você sabe que eu amo essa garota, e ela deixou bem claro que sou o tio dela, o melhor tio do mundo – ela percebeu que Nathan estava todo bobo com o carinho de Anne – eu estou entendendo o que você está querendo fazer, quer se culpar pelo que aconteceu. Na sua cabecinha, sua sobrinha quebrou o braço porque foi nos defender e ao nosso segredo. Adivinha? Não é nossa culpa.

- Como pode dizer isso? Colocamos um peso grande nas costas de Anne. Ela é apenas uma criança.

- Stana, ela está bem com isso. Leva a sério essa cumplicidade entre nós e ganha muito com isso. Eu particularmente me divirto, a revolta dela com o médico porque se chamava Josh foi incrível.

- Não tão incrível quanto a sua crise de ciúmes – ela retrucou.

- Tenho um certo trauma com esse nome. Sabe que, vendo essa sua preocupação com Anne, o zelo, todo o carinho, eu me pergunto se você não está preparada para ser mãe. Na verdade, preparada está, a pergunta é se quer agora – Stana encarou-o com surpresa. Depois que tivera o sonho, toda essa ideia estava muito recente na sua mente – o que foi? Falei alguma besteira? Você quer ser mãe um dia.

- Não, é que assim falando nesse assunto, de repente, fiquei surpresa. Só isso.

- Surpresa por eu achar que você será uma boa mãe e pelo fato de eu também querer ser pai?

- Não. O momento pareceu um pouco... – infelizmente Stana não terminou a frase, foi interrompida pelo grito de dor vindo do quarto de Anne. Ela se levantou correndo para ver o que acontecera com a menina. Anne estava sentada no espaço entre a porta do banheiro e a cama. O joelho direito, coberto com o curativo, sangrava bastante. As lágrimas escorriam pelo rostinho vermelho.

- Anne, o que aconteceu? – Nathan tratou de erguê-la colocando-a sentada na cama. Stana agachou-se ao lado dela – vou buscar a caixa de primeiros socorros. Você se bateu não? – ela fez que sim com a cabeça – eu já volto – Stana tirou o curativo verificando o machucado. O sangue escorria pela perna.

- Eu fui fazer xixi e bati no armário... tá doendo... – Nathan voltou com o material. Sentou-se ao lado de Anne.

- Essas coisas acontecem, sua tia vai limpar direitinho, passar um remédio e cobrir. Vai ficar ótimo. Ah, você nem imagina o que já ralei minhas pernas. Vivia caindo de bicicleta. Quebrei o pé por causa do meu irmão, estávamos no telhado. Usamos uma escada para pegar a bola de futebol americano. Jeff tirou o apoio da escada, pisei em falso e cai, de pé. Não deu outra. Ainda fiquei de castigo por um mês.

Enquanto ele conversava com Anne, Stana limpara todo o ferimento, passara um antiinflamatório e já colocava um novo curativo. A menina nem percebeu.

- Prontinho! Viu como não doeu?

- Já, tia? Não doeu mesmo – Stana ajeitou-a na cama esticando as pernas da sobrinha – tia, eu estou com fome. Tem lasanha ainda?

- Anne, são quatro da tarde. Não é hora de jantar. Vou pegar umas frutas para você. Fique com seu tio um instante.

- Ah, não! Anne não quer fruta – ficou logo emburrada.

- Essas você vai querer, já volto!

- Tio, conta mais história de quanto era do tamanho da Anne? – Nathan se acomodou ao lado dela e começou a contar. Ficaram um bom tempo entretidos. Stana pode ouvir as gargalhadas dos dois. A birra e a dor parecia ter passado. Quando entrou no quarto, a menina beijava o rosto do tio. Oferecendo a cubinha para a garota, viu que acertara em cheio. Eram frutas sim, morango, banana e kiwi cobertos com nutella. Sentou-se de costas para Nathan apoiando-se no seu corpo. Ficou ouvindo as bobagens que o marido aprontara na infância, as frutas desapareceram.

- Tia, sua vez, conta uma história da policial? Uma bem legal! – Stana atendeu ao pedido da menina. Agora, os três riam lembrando da forma como eles se divertiram naquele episódio do velho oeste. Depois de muito falar, ela esperava que pudesse dar uma pausa para dar banho nela, jantar e entrega-la aos pais. Anne ainda queria outra explicação – sabe laçar mesmo? Que nem cowboy, tia?

- No caso da sua tia é cowgirl, sim, ela me laçou direitinho. Em todos os sentidos – ele acariciou os braços de Stana, beijou o pescoço dela.

- Pode beijar, tio. Acho tão lindo, na boca – os dois se entreolharam, lembrando que prometeram evitar certas caricias próximos a Anne – vai, tio – Stana deu de ombros e Nathan beijou-a carinhosamente. Após bater palmas, ela colocou a tia em cheque novamente – posso fazer uma pergunta?

- Claro!

- O que é gay, tia Stana? Aquilo que o Matt chamou o tio. E você falou do Josh. O que é? – Nathan tentou segurar o riso. Stana mordeu os lábios. Não tinha como escapar – responde, tia! 

- Certo. Ser gay é quando você gosta de uma pessoa do mesmo sexo.

- Então, a Anne é gay porque gosta da tia? E da mamãe? – a menina franzia o cenho, intrigada.

- Não, amor. Você não é gay. Tem que gostar que nem eu e o Nathan, para namorar, beijar na boca, casar...

- E fazer sexo? Menino com menino? – Nathan acudiu a esposa que estava com cara de espanto.

- Sim, Anne. Fazer sexo também. São duas pessoas que se amam do mesmo sexo, da mesma forma que eu e sua tia. Entendeu? Porém, esse assunto não deve ser comentado na escola. Matt é um menino muito ruim e mal educado. Promete que não vai falar disso na escola?

- Tá, então Josh casou com um menino e com certeza o tio Nathan não é gay porque ele casou e ama a tia Stana. Que menino burro! Não sabe de nada! – com essa declaração, os dois caíram na gargalhada para depois encher a menina de beijos.



Continua...

2 comentários:

Maytê disse...

Amei muito capítulo rsrd amaria mais se o grito de Anne não tivesse atrapalhado a conversa de bebês de Stanathan! Affs As vezes acho a Anne uma criança inconveniente kkkk nunca vi rsrs

Marlene Stanatic Caskett disse...

AAAAAH O SONHO DA STANA ♡_♡
Nesse cap. tivemos de tudo um pouco,fiquei assustada com que aconteceu com a pequen, isso rendeu ciúmes adooooooro.
Sem deixar de citar Anne defendendo o tio ♡_♡ vou ali vomitar arco-íris.