domingo, 1 de março de 2015

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.6


Nota da Autora: Nesse capítulo, temos a entrada de uma nova personagem. Ela é uma homenagem a linda Gillian Anderson, você verão o trocadilho no nome. Kate está muito confusa com os últimos acontecimentos que acontecera com Castle. Após ceder uma vez mais à tentaçào, ela estava determinada a evitar que isso voltasse a se repetir. Para isso, apelou para uma ajudinha. Ela só não contava com o aparecimento de alguém bem especial na vida de Castle. 



Cap.6

                
Beckett fez sua escolha ao surpreendê-lo ao final do lançamento do livro de Nikki Heat. Por estar empolgado com a possibilidade de escrever sobre o suposto agente britânico que não podia ser nomeado, acreditou que haveria uma grande chance de abandonar a saga de sombra da detetive. Era um excelente plano quando Kate pensou em executa-lo, uma espécie de despedida.

O que ela não contava era com o sucesso de Heat Wave. Tinha suas dúvidas quanto ao envolvimento de Castle no telefonema para o prefeito e para o seu capitão. Sendo sincera, brigou, esperneou, porém após o desentendimento com o escritor em plena festa de lançamento, percebeu que não estava totalmente pronta para deixa-lo partir.

Diante da constatação da existência de três outros livros, Kate precisava encarar o fato de que Castle estaria cada vez mais em sua vida. Todos os dias, em cada investigação. Iria ouvir besteiras, teorias malucas, cantadas, exibicionismos típicos de homem. Também não podia deixar de reconhecer que ele a ajudaria ao longo do caminho. Até aquele momento, era trabalho e responsabilidade para com o seu capitão, com a NYPD. Por isso, acabou entrando em mares a muito tempo não navegados, expondo sua sexualidade a priori, para um charmoso estranho, abrindo-se para a experiência da conquista e do desejo. Um única noite, transformou-se em várias outras transas deliciosas, deveria reconhecer, ao lado do escritor.

Chegara o momento de reflexão, de decisão. Não poderia ficar criando atmosferas e joguinhos sensuais com Castle agora que sua presença no 12th distrito iria se intensificar. O que começou como uma forma de dar uma chacoalhada na sua vida ordinária, acabou se tornando uma atração capaz de dar a Beckett crises de vontades, as quais não conseguia explicar. Sentia uma imensa vontade de desabafar esse assunto com alguém. Queria dividir as dúvidas que pairavam em sua mente, ter outro ponto de vista.

Pensara em Lanie, mas conhecendo a amiga saberia que seu conselho seria o de aproveitar ao máximo a oportunidade de ter um cara como Castle, rico, charmoso e divertido em sua cama. Não era de alguém para botar ainda mais fogo nessa situação que Kate precisava. Ela procurava entender se essa sua necessidade que batia de vez em quando era apenas desejo e prazer sexual ou se havia algo diferente acontecendo com ela ao pensar em Castle.

Análise. Teria que usar a razão para avaliar o que sua mente estava querendo lhe dizer. Não poderia ser somente suas conclusões, havia a necessidade de uma segunda opinião. Suspirou fundo após colocar o colar com o solitário da sua mãe no pescoço aquela manhã. Não iria adiar. Hoje mesmo ela faria a ligação para a sua antiga terapeuta. Havia algo estranho na sua relação com Castle e apenas uma pessoa que já a conhecia bem poderia ajuda-la a lidar com a confusão que reinava em sua cabeça.

Meia hora depois que chegara ao distrito, Castle surgira em frente a sua mesa com duas canecas de café fumegante.

- Bom dia, detetive Beckett! Linda manhã para pegarmos assassinos juntos, não?

- Ah, Castle! Detesto acabar com sua alegria, mas parece que os loucos resolveram dar um tempo nos homicídios e te decepcionar. Quer fazer papelada comigo? Estou com dois relatórios atrasados por conta da sua festa de lançamento.

- Nem em um milhão de anos faria esse trabalho chato!

- Deve ser por isso que você é um escritor e eu carrego a arma. Ser detetive tem seus momentos sem glamour, Castle. Bem-vindo ao mundo real.  

- Confessa, você adora implicar comigo como se eu vivesse no pais das maravilhas.

- E estou errada, Alice?

- Haha! Estou morrendo de rir, não está me vendo rolando no chão? – ele passou a mão nos cabelos – certo, mesmo sabendo que você dirá que não está interessada, o que é apenas uma demonstração sua de puro charme, irei aproveitar a falta de crimes nessa cidade, fato raro, para ir assinar o meu contrato milionário para escrever três novos livros de Nikki Heat. Sabe o que isso significa, detetive Beckett?

- Eu pareço interessada? – ela fazia cara de desdém.

- Muito... – ele sussurrou com o rosto quase colado ao dela – significa que você não vai se livrar tão cedo de mim. Isso não é ótimo? – ele a viu rolando os olhos e sorriu. Adorava implicar com Kate. Ela ficava muito linda com raiva – se me dá licença, vou assinar nossa parceira – afastou-se dela erguendo-se da cadeira – se alguém morrer, não hesite em me ligar.

Assim que Castle saiu, ela pegou o telefone entrando em contato com a sua terapeuta. Marcara uma consulta para hoje logo após o expediente.


Consultório da Dr. Anderson


Kate aguardava na sala de espera. Apenas a secretaria no computador. Não podia negar que estava ansiosa. Fora difícil tomar a decisão de vir até ali, expor problemas pessoais por sua livre e espontânea vontade. Esse ambiente trazia recordações nada agradáveis para ela, da última vez que estivera em um consultório assim, precisamente nesse mesmo lugar, enfrentara a perda da mãe, a dura realidade de ser resgatada de um buraco profundo que se metera ao investigar quase de maneira doentia o assassinato da mãe. Uma dos pontos que se recordara com precisão eram as olheiras profundas e seu peso na época, chegara aos 45 kg, parecia uma caveira ambulante.

Dessa vez, o motivo era outro. Tão pessoal quanto, porém nada doloroso comparado ao caso da mãe. Kate consultou o relógio, passava quinze minutos da hora marcada. Sim, estava ansiosa. Não seria fácil falar sobre Castle sem parecer algo banal para uma terapeuta, mas conhecia a Dr. Dara Anderson o bastante para saber que ela trataria a sua preocupação com todo o cuidado necessário simplesmente por conhecer Kate o suficiente, saber como sua linha de pensamento funciona.

A porta do consultório se abriu. A terapeuta despediu-se de seu paciente e sorriu para ela.

- Olá, Kate. Vamos entrar? – ela a acompanhou. A médica fechou a porta atrás de si indicando o divã para que sentasse – aceita um café? Uma água? Lembro que você é viciada em café com essência de baunilha.

- Sim, eu aceito o café – sabia que era uma forma de controlar o nervosismo. Observou a médica sentar-se na poltrona a sua frente. Ela entendia que estava sendo analisada, cada gesto. Para Kate não era diferente, seus olhos eram treinados para estarem sempre alerta tanto ou mais que a terapeuta. Tomando um novo gole do café, ela suspirou.

- Então, Kate. Fiquei surpresa quanto Susi me confirmou sua consulta. Faz muito tempo que não te vejo. Continua muito bonita. Estou curiosa para saber o que a trás aqui. Estive em um congresso e depois tirei férias, estava na Europa há um mês e meio. Estou precisando de coisas novas. Quer começar?

- Estou aqui, não? – ela suspirou – não pense que foi fácil.

- Sei que não. Imagino que o assunto não é sobre sua mãe. Ainda na polícia, certo?

- Sim, o assunto envolve o trabalho e uma pessoa – Beckett esperou que a médica a interrompesse, mas não ocorreu – eu continuo trabalhando como detetive no 12th distrito. Vivia minha vida normalmente, de casa para o trabalho, noites em plantões e investigando crimes nas ruas de Nova York sem me importar com muita coisa além de fazer justiça. Até uns meses atrás, dez meses para ser mais exata. Eu fui chamada para resolver um homicídio, a filha de Jonathan Tisdale. A cena do crime lembrava um caso que eu lera em um livro de mistérios de Rick Castle, o escritor. Você conhece, não?

- Sim, Derrick Storm. Li todos os seus livros menos o último no qual ele matou o investigador. Espere, estou me lembrando de outra coisa – Dana checou as suas anotações de Kate – é, tinha uma vaga lembrança. Foram os livros dele que a ajudaram durante a recuperação da perda da sua mãe. Você me contou isso. O que tem ele? Era suspeito?

- Não. Ele se ofereceu para ajudar nas investigações, o que tornou-a um pesadelo. Ele é teimoso, incapaz de obedecer alguém, irritante, narcisista e...

- Oh, calma! Assim vai usar todos os maus adjetivos existentes para uma única pessoa. Por que tanta irritação ao falar dele? O caso não foi resolvido?

- Foi. Castle é charmoso, bonito, não posso negar. Durante a investigação, ele usou algumas cantadas me provocando. Então eu fiz algo que não me imaginei fazendo em um longo tempo. Eu cedi à tentação. Aceitei ter uma única noite com ele, desestressar, sentir o momento do sexo outra vez, afinal que mal iria fazer? Eu não o veria mais, somos de ciclos totalmente diferentes. Eu me entreguei e como a muito não sentia, me senti revigorada, satisfeita. Então, o pesadelo começou. No dia seguinte, meu superior me comunicou que Castle já tinha escolhido sua nova personagem para o próximo livro. Por conta disso, ele alegou ter que fazer pesquisa o que significa ser minha sombra. Não pude recusar apesar de deixar claro para o meu capitão que não concordava com aquilo. Mas, era bom para a NYPD, o Comandante aprovou, o prefeito recomendou. Ele tem o prefeito de Nova York em discagem rápida!

- Então, imagino que o fato de ter dormido com ele na noite anterior é o que a incomoda. De alguma forma sente-se exposta, quase fragilizada como profissional na frente dele. Problemas de autoridade.

- É, isso também. Eu deixei claro que se seria obrigada atura-lo me seguindo todos os dias, ele estava proibido de mencionar o ocorrido para qualquer pessoa, especialmente dentro do distrito.

- Se está aqui é porque ele a desobedeceu, presumo. Isso pôs em cheque sua carreira, sua autoridade no comando de suas funções de detetive?

- Não, realmente. Ele chegou a mencionar uma vez apenas para mim como um argumento e logo o fiz esquecer. Esse não é o maior problema. O livro saiu. Aparentemente, a história foi um sucesso.

- Aparentemente? – questionou a terapeuta já supondo que ela lera.

- Certo, foi um sucesso. Heat Wave é muito bom, bem no estilo de Castle. Por conta disso, ele acaba de fechar um contrato para escrever mais três livros de Nikki Heat.

- Agora você me deixou curiosa para ler o primeiro. O que há de tão errado em simplesmente repetir o que já vinham fazendo, investigar, teorias, passaram dez meses do suposto incidente, não fique racionalizando em um único ponto, é passado. Você precisa aprender a simplesmente deixar de se preocupar tanto, deixar as coisas para trás – a médica a observou por um minuto, Kate desviara o contato olhando para o nada. Viu a agitação das mãos – a menos... – Dana se inclinou para focar o rosto de Kate – existe algo que você não está me contando, Kate?

Ela engoliu em seco. Fora para isso que viera até ali, não? Passando as mãos nos cabelos, suspirou e fitou a terapeuta mais uma vez. Não tinha porque esconder dela.

- Não foi apenas uma vez. Eu não resisti, nós não resistimos. Ele fica me provocando, me dando motivos... – ela estava irritando-se, porém por trás desse sentimento havia outros. Nervosismo, ansiedade e medo. Ela se levantou começou a caminhar pela sala – eu não sei o que deu em mim, parece que depois de dormir com Castle, de repente virei essa maníaca cheia de desejo. Eu não sou assim, quer dizer, não muito. Mas ele tem que ficar me provocando com aquele sorrisinho cínico e aqueles olhos azuis. Não posso simplesmente virar a válvula de escape para Castle, nem ele para mim. Ele foi casado duas vezes isso não é um bom sinal – ela calou-se por uns instantes, balançou a cabeça – já não estou falando coisa com coisa.   

- Na verdade, está sim. Kate, o que há de errado em se sentir atraída por alguém? Pelo que me contou, ele não é apenas irritante como você diz, há motivos que a atraem até ele sem ser físicas. Seja honesta, fale um pouco mais sobre o escritor.

- Ele é irritante sim, superficial! Ele transou com a ex-mulher que veio até Nova York!

- Isso a deixou com ciúmes?

- Não... – mas sua expressão não era convincente – não, Dana. Não foi ciúmes, eu só...

- Queria o que ela tivera, outra oportunidade de ficar com ele – vendo que Beckett não a contestou, continuou - As qualidades, Kate. Fale-me do que admira nele. 

- É um ótimo escritor. Ele é inteligente, vê uma investigação de maneira diferente da minha mesmo que cheguemos a mesma conclusão juntos na maioria das vezes. Ele tem uma filha, parece ser um bom pai. Só que nada disso muda o fato dele ser intrometido, não aceitar ordens e achar que tudo pode ser resolvido com um dos seus amigos – disse isso debochando de Castle.

- Entendo, da forma que você descreveu-o, a personalidade dele não parece lhe incomodar tanto.

- Ele mexeu no caso da minha mãe! Eu pedi para não fazê-lo.

- Ah, isso trás uma outra perspectiva ao caso. O que aconteceu?

- Eu o expulsei do distrito, ele não contestou depois dos meus argumentos. Então, ele voltou e se desculpou de uma forma que fez meu coração perceber a sinceridade das suas palavras. E... nós transamos novamente. O caso se repetiu na festa de lançamento de Heat Wave. Dessa vez, eu planejei. Quase desisti, é verdade, porque discutimos no meio da festa. Como eu disse, ele consegue me irritar.

- Foi a última vez? – Dana perguntou.

- Sim, mas esse não é o problema.

- E qual é?

- Eu não sei o que está acontecendo. Essa foi apenas a última vez porque aconteceu há dois dias atrás. Eu me pego pensando em como vou conseguir resistir outra vez. O problema é que às vezes não consigo separar o escritor do homem, meu desejo insiste em dominar a razão. Isso não pode acontecer. É meu trabalho. Não quero arriscar nada por umas horas de sexo. Por uns encontros e beijos e.... – ela não terminou. Sentou-se escorada no divã tentando ordenar seus pensamentos.

- Eu consigo entender a confusão que deve estar em sua mente. A pergunta que você gostaria que eu respondesse era como parar isso? Como não pensar no seu desejo, tratar Castle como se fosse qualquer um, estou certa? – Beckett meneou a cabeça em concordância – a resposta que eu posso lhe dar é que... você está em meio a um misto de sentimentos. Minha opinião? Você não quer apenas sexo com Castle, da mesma forma que não quer, no fundo, perder a parceria dele. Mesmo que não tenha admitido ainda para mim, eu a conheço. Hoje ele está ajudando-a em seu trabalho, mas adivinha? Ele não é um detetive, não é da NYPD, portanto não tem nenhuma objeção para que você tenha qualquer tipo de relacionamento com ele – Kate fez menção de contestar, contudo a terapeuta a impediu.

- Ainda não, Kate. Apenas escute. Você não sabe o que sente por Castle. Precisa entender claramente. Existe um sentimento ou apenas atração? Precisa descobrir quem é Castle para você, um escritor qualquer que entrou e sairá brevemente da sua vida? Um possível parceiro de trabalho? Um rolo? Esse é o “X” da questão que não vamos resolver hoje.

- Como assim?

- Por hora, você já me contou uma boa parte da sua relação com Castle, porém para ajudar a definir como lidar com ele e que tipo de relacionamento existe entre vocês, terá que me fornecer um pouco mais de informações. Faremos isso juntas. Em várias sessões. Quero maiores detalhes do comportamento nos casos e sua reação a ele. Mesmo horário amanhã?

- Espera, eu pensei que você fosse me dar uma solução ou abrir minha cabeça, chacoalhar meu juízo para cair na real. Pensei que ia dizer que fiz besteira.

- Kate, não funciona assim. Pelo pouco que me contou não é tão simples. Confie em mim novamente. Não perca seu sono tentando achar respostas, se fosse fácil, se você tivesse certeza, não teria vindo até aqui.

- Tudo bem, mesmo horário amanhã. Obrigada, Dana.

- É um prazer, Kate – a terapeuta a viu sair pela porta. Sorrindo, Dana Anderson já entendera tudo. A chegada de Rick Castle provocara uma reviravolta na vida da detetive. Ia demorar um pouco, era verdade, mas Kate ia perceber o que acontecia com seu coração. Ela já estava apaixonada por Castle, apenas não conseguir enxergar ou admitir. Levantando-se da poltrona, a terapeuta voltou a sua mesa para fazer algumas anotações. Sua próxima parada seria numa livraria. Estava curiosa para ler Heat Wave.

Quando chegou em casa, tudo o que ela queria era banho e cama. A sessão com a terapeuta fora interessante, contudo em nada ajudara para saber como agiria no dia seguinte. Tudo bem, ela sabia que essas coisas não se resolvem em duas horas apenas. Dana certamente já tinha algo em mente ao mencionar as várias sessões. Isso não a incomodava. Colocar para fora suas dúvidas, ter uma pessoa neutra para ouvi-la e opinar era bom. Seguira o primeiro conselho de sua terapeuta, não pensaria nisso essa noite. 

No dia seguinte, Kate voltou ao distrito começando um novo caso ao lado de Castle. Tentou agir da mesma forma de antes, parecia estar surtindo efeito. Pelo menos não discutiram muito com relação a teorias malucas e houveram especialmente por se tratar de um crime na lua cheia.

À noite, retornou ao consultório da terapeuta e contou mais detalhes sobre a participação de Castle em seus casos. As boas e as más que no fundo somente se tratavam de implicâncias quanto ao jeito dele encarar a vida. Os encontros se estenderam pela semana toda, Kate estava gostando de ter alguém com quem conversar. Nessa sexta-feira, ela comentou sobre o caso que estavam investigando. Acabavam de prender o culpado e Kate não pode deixar de ressaltar uma certa admiração pelo comportamento de Castle em relação a filha.

- Eu já comentei para você que Castle tem uma filha, Alexis. É adolescente. Uma menina ótima, centrada, posso dizer com toda a certeza bem mais responsável que o pai. Entretanto, o que vi durante esse caso, uma roqueira que Alexis gostava muito fora assassinada. Pude ver a relação dos dois, como ele se preocupa e faz tudo para mima-la, talvez compensar a ausência da mãe. Nem parece o moleque de doze anos que passa o dia falando besteiras ao me seguir. Foi impressionante ver esse outro lado de Castle.

Dana sorriu. Aos poucos, Kate deixava escapar suas predileções e admiração por Castle. Tinha certeza que isso se repetira mais vezes. As semanas foram seguindo casos aparecendo e Kate contava sua percepção dele em cada caso. Kate teve que reconhecer, desde que começara a terapia, não houvera recaída. Pensamento e vontade, sim. Contato físico ou beijo, não. Era uma terça e Kate chegara realmente bufando no consultório. Irritada era pouco para descrevê-la.

- Você está bastante agitada hoje, Kate. Sequer sentou-se – andava de um lado a outro do consultório – quer me contar o que aconteceu?

- O que aconteceu? Castle aconteceu! Não sei o que ele tem na cabeça. Simplesmente se envolveu com uma das potenciais testemunhas, isso que ele fez. Pior, se deixou enganar porque ela era, na verdade, a mandante e assassina. Ao menos admitiu isso no fim.

- Quando você fala se envolveu, quer dizer que ele dormiu com uma suspeita?

- Ele disse que não, ela certamente queria. Mas, eu não sei.

- É isso que está deixando você irritada, o fato dele estar se envolvendo com outra pessoa que não seja você? Isso é ciúme?

- Eu? Com ciúme de Castle? De onde tirou essa ideia? – não estava sendo convincente, claro – não tenho qualquer ciúme dele, por que teria? – Dana deu de ombros – o que você está insinuando, Dana?

- Nada. Eu fiz uma simples pergunta. Considerando a raiva que você chegou aqui e a história que contou, me pareceu óbvio.

- Óbvio? Acho que você não está me entendendo. Eu cheguei aqui com raiva porque Castle quase estragou uma investigação importante de assassinato por se encantar com uma loira e pensar com a cabeça de baixo. Além de homicídio, havia prostituição envolvida, coisa pesada.

- Desculpe-me, Kate. Não é o que está parecendo.

- Você entendeu tudo errado, Dana. Não foi nada disso – vendo que a terapeuta ficou calada, insistiu – fala alguma coisa, não é esse seu papel? Analisar e dar um parecer?

- Dessa vez vou me dar o voto do silêncio. Deixar a reflexão a seu critério.

- Sendo assim, você está errada em seu julgamento e acho que essa sessão terminou. Quero dar um tempo, posso voltar na semana que vem. Kate saiu chateada com a terapeuta. Não admitia que jogasse na sua cara uma resposta tão ridícula como ciúmes. Ela não tinha esse tipo de sentimento por Castle, tinha? A pergunta da detetive seria respondida no seu próximo caso, de uma maneira inesperada. Alguém importante do passado de Castle cruzaria seu caminho fazendo-a encarar que a possibilidade levantada pela terapeuta não era tão despropositada assim.

XXXXXXXXX

Naquela manhã, Beckett ligara para Castle sem receber retorno, provavelmente andara ocupado. Uma pena, esse era o tipo de assassinato que ele adoraria. Morte em um casamento. A vítima era Sophie Ronson, viera de Los Angeles para ser dama de honra no casamento. Asfixia, o assassino a sufocou por trás, tinha um brinco faltando, parecia ter sido arrancado. Não estava no quarto. A chave foi usada pela última vez às 3h18. Os demais estranharam a ausência de Castle, mas continuaram suas tarefas. Beckett entrevistara os noivos mesmo não conseguindo muita coisa deles.

Finalmente suas maluquices foram resolvidas. Ele estava simulando uma cena para o próximo livro de Nikki Heat estando todo amarrado numa cadeira. Ao checar o telefone, pegou o endereço do crime e correu para encontrar a detetive. Porém, Castle ia ter um encontro inesperado. Ao surgir no hotel, foi logo pegando detalhes com Ryan e Espo sobre o crime. A conversa enveredou-se para os vestidos das damas de honra. Espo teceu um comentário.

- Devia ter visto os vestidos delas. Horríveis.

- Vestidos de dama de honra devem ser horríveis.

- Por quê? – perguntou Esposito.

- Pra noiva parecer mais bonita – disse Beckett.

- Viu? Não existe uma mulher que não pense no casamento, nem Kate Beckett – disse Castle - Diga que nunca tirou a foto de um vestido de noiva da revista.

- Nunca tirei a foto de um vestido de noiva da revista.

- Você está mentindo – Castle afirmou e repetiu para os rapazes - Ela está mentindo. Então, quem é a noiva sortuda?

- O nome dela é... – mas Castle reconheceu-a assim que ela virou-se. Alguém que não via a muito tempo, alguém muito importante de seu passado.

- Kyra?

- Rick? Rick Castle.

- Vocês se conhecem? – perguntou Beckett ao presenciar os olhares íntimos entre os dois.

- Isso seria uma meia verdade – disse Castle ainda olhando encantado para Kyra. Sua mente estava a caminho de uma viagem a antigas memórias.                            

- Li em algum lugar que estava trabalhando com a polícia, mas nunca teria esperado...Faz quanto tempo?

- Muito tempo.

- Você está exatamente o mesmo.

- E você está melhor – respondeu Castle.

- Você sempre soube como transformar uma frase. Isso é... Tão surreal. É o dia do meu casamento, e você... aparece.

- Castle, Lanie conseguiu algo para nós.

- Já vou – mas ele não parecia se importar muito com que Beckett dizia. Eka seguiu para falar com Lanie um pouco intrigada com a situação, era obvio que eles se conheciam em outros sentidos, mas Castle parecia bem encantado com a noiva. Depois de pegar as informações sobre o caso, ela comentou para a médica que Castle tinha uma historia com a noiva. Ao perguntar se isso a incomodava, Beckett negou o que não era verdade. Gostaria de saber mais sobre esse passado dele.

Após um momento estranho com o noivo, Kyra acabou deixando-o. Beckett o encontrou ainda aéreo observando a noiva partir.

- Kyra Blaine.

- Eu imagino que ela seja alguém muito especial – jogou Beckett recebendo uma resposta que não era do feitio de Castle.

- Ela foi aquela que me deixou – aquela informação balançou Kate Beckett. Ela era especial. Não sabia ao certo o que estava sentindo. Não podia pensar nisso agora, tinha uma investigação para terminar. Continuou trabalhando, em busca de pistas. Ainda havia muitas perguntas sem respostas quando Kate dividiu o elevador com a noiva. Era um momento tenso para as duas, em especial para Beckett. Só que ela precisava estabelecer uma conversa, queria descobrir um pouco mais da relação dos dois.

- Era sobre o Mike? – Kyra perguntou. 

- Não. Só seguindo umas pistas – Beckett respondeu e engatou a conversa - Seu vestido é lindo, a propósito.

- Muito obrigada. Kate, certo?

- Isso.

- Sinto como te conhecesse de Nikki Heat, a dedicação. Ainda leio todos os livros do Rick - confessou.

- Bem, grande parte do livro é só resultado da imaginação hiperativa do Castle – Beckett tentava ser descolada quanto ao assunto, fingir não ter importância.

- É engraçado que o chame assim. Castle. Quando o conheci, era apenas Rick, seu 1º best-seller ainda estava fresco – a porta do elevador abriu-se - Imaginação hiperativa ou não, sei que só dedica seus livros à pessoas com quem realmente se importa – deixou o elevador com um sorriso, confundindo ainda mais os pensamentos de Beckett. Com o aparecimento do padrinho, eles descobriram que Sophie drogara-o com ropinol. Estando ocupada com novos detalhes da investigação, Castle aproveitou o momento para ter alguns minutos sozinho com Kyra. Sabia onde acha-la.

Kyra estava provando o bolo de seu casamento. Cortou um pedaço para Castle e comentou que a essa hora deveria estar dançando com seu marido naquele salão. Era tudo tão estranho. Então, ele perguntou movido por lembranças.

- Você se lembra da última vez que dançamos?

- Sob o relógio da Estação Grand Central. Ia para o JFK pegar um voo para Londres. Achei que me seguiria - confessou.

-Disse que precisava de espaço.

- Não quis dizer para sempre – um silêncio incomodo pairou sobre os dois - Então, já fez tudo isso antes.

- Duas vezes.

- E a cada vez, pensou que era a certa?

- Parecia a coisa certa a se fazer no momento – pela primeira vez Castle entendeu que nunca casara por amor, pelo menos não o verdadeiro.

- Mas não era, era? – ele balançou a cabeça concordando - Algumas garotas diriam que o que houve foi um sinal.

- O assassinato?

- E você – ele a olhava examinando e pensando o que poderia ter sido a sua vida se estivesse ido atrás de Kyra. Ela mexia com ele quase da mesma forma que...

- Castle – ele virou-se para fita-la completando o pensamento. Beckett. - Estamos indo. Achei que queria carona.

- Tenho que subir. Devem estar me procurando – Kyra desconversou e saiu. Beckett observava o jeito dele. Parecia perdido. Ela nunca tinha o visto daquela maneira. Sentiu o coração apertar, um desconforto a tomava. Ela deu tempo para que ele se ajustasse, para que pudesse retomar o que tinham a fazer. No elevador, o silêncio ainda estava entre eles até que Castle resolveu quebra-lo.

- Nos conhecemos na faculdade. Ficamos juntos por quase 3 anos.

- Eu não perguntei.

- Perguntou, mas não alto.

- Ela é diferente de suas ex-esposas – Beckett comentou e era isso que a fazia especial, pensou.

- O que quer dizer?

- Ela é real. Não achei que tentaria algo real – ela percebeu a compreensão dele a ideia - Rompimento difícil?

- Foi há muito tempo.

Eles se separaram. Castle decidiu que já tivera emoções demais por um dia. Beckett atendeu a um chamado de Lanie sobre algumas descobertas no corpo da vítima. Após a parte técnica, a amiga questionou a detetive.

- O amor perdido de Castle?

- O que tem? – tentando fazer-se de inocente. 

- Garota, vou te bater. Você trabalham juntos, todos os dias, ele escreve uma cena de sexo sobre você, que me fez beber água gelada e agora que a noivinha aparece não me diga que não sente ciúme.

- Por favor! Você inalou muitos fluídos de autópsia – disse Beckett se dirigindo a porta, não podia falar desse assunto com Lanie.

- Não é porque você não vê, que os outros não veem.

- Cale a boca! – gritou do corredor.

De volta ao distrito, ela foi lembrada uma vez mais sobre Kyra, os rapazes encontraram o livro com a dedicatória de Castle a ela. Fingindo não se importar, Beckett focou no seu quadro, quando teve um insight. O cartão magnético de Mike. Coincidentemente, Castle voltara ao distrito com a mesma ideia. No hotel, não apenas encontraram o brinco perdido da vítima como descobrirarm que o interesse de Sophie era no noivo. Levado para interrogatório, Greg confessa que ele estava em seu quarto e que já dormira com ela antes, isso deixou Castle irritado obrigando Beckett a tira-lo da sala. As coisas não seriam fáceis diante dessa situação.

Ao terminar, Beckett teve que deixa-lo ir. Viu Castle um pouco desolado em sua mesa. Teria que enfrenta-lo, dizer-lhe verdades. Infelizmente, ela precisava não se deixar afetar por toda essa historia do passado de Castle.

- Não acredito que deixará simplesmente ele ir embora.

- Não tenho evidências suficientes para sentenciá-lo.

- Não me diga que acredita nessa história. É um filme pornô ruim.

- Exatamente, se você fosse inventar uma história, inventaria algo como aquilo?

- E daí? Esse cara é um burocrata, não um contador de histórias. Não o torna menos culpado.

- Não me entenda mal, ele continua sendo nosso melhor suspeito. Só não estou pronta para sentenciá-lo assassino. Como parece estar.

- Por isso que me tirou do interrogatório?

- Estava claro que eu conseguiria mais sozinha. Está próximo demais do caso para ver isso.

- Quer dizer, estou próximo demais dela.

- Sim, sabe como sei disso? Se não estivesse você teria visto a possibilidade de Kyra ter matado Sophie.

- Isso é impossível.

- Vê, não é o que Richard Castle diria. Ele descreveria uma cena da noite anterior ao casamento, onde Kyra não conseguia dormir, então ela desceu e foi ver Greg. Apenas para ver Sophie saindo do seu quarto e pensar que seu noivo poderia traí-la, na noite anterior ao casamento, foi demais. E então ela seguiu Sophie até o quarto dela e a enfrentou as coisas ficaram violentas, Sophie acabou morta. Você tem que ficar longe dela, Castle, até esse caso ser concluído – era um aviso, porém também era uma proteção para si mesma. Gostaria de evitar sentir-se tão insegura, sem explicação.

Castle foi para casa. Remexer em itens do passado. Também foi surpreendido com uma ligação de Kyra. Contrariando todos os avisos e a própria razão, ele aceitou se encontrar com ela em seu antigo lugar secreto, um telhado.
Ela chegou primeiro, conversaram sobre os velhos tempos. De como passavam as tardes naquele lugar. Kyra comentou que Greg dissera a verdade sobre ele e Sophie, Castle perguntou se acreditava nele. Não queria vê-la sofrer, porém Kyra disse ser muito tarde para isso. Estava frio, ele gentilmente envolveu-a em seus braços.

- Senti sua falta, Rick. Não tinha percebido o quanto, até te ver ontem.

- Senti sua falta também – então ele a beijou, matando as saudades que julgava ter dela. Era uma volta ao passado. Sim, porque naquela noite, Castle descobriu coisas interessantes sobre ele mesmo e sobre o que esperava de sua vida no futuro.

De volta ao seu loft, deitado pensativo na cama, Rick Castle se pegou encarando realidades esquecidas. O encontro inesperado com Kyra o fez perceber que na verdade nunca amara realmente as suas duas ex-esposas. Não como se deve amar alguém para toda a vida. Meredith era a mãe de sua filha, era grato pelo presente que recebera dela. Amava ser pai e Alexis era seu tesouro. Mas Meredith nunca poderia ser a mulher de sua vida. Nem Gina. Esse sim foi um casamento de total empolgação. Quando reencontrou Kyra, ele entendeu. Talvez ela tivesse sido a mulher da vida dele, aquela que o deixou, a dúvida se ela era o amor da sua vida pairava até hoje à noite. Sentira saudade de estar com ela, saber o que fizera. E só. Ao beija-la esta noite, foi invadido por uma sensação de nostalgia. Kyra era o seu passado e o fez perceber que nem que estivesse descomprometida eles teriam chance. Seu coração não a queria. Mesmo confuso sobre tantas outras coisas, ele não a queria. Fechou os olhos, suspirando. Um novo rosto povoava seus pensamentos. Kate Beckett.

XXXXXXX

Antes de sair da delegacia naquela noite, ela ordenou uma equipe de vigilância para seguir Kyra. Conhecia Castle o suficiente para saber que ele estava propenso a fazer alguma besteira. Ela odiava ter que coloca-lo na berlinda, mas o que presenciara esses dois dias confirmaram o quão balançado estava com esse encontro.

Seguiu até o consultório da terapeuta. Ela não tinha sessão marcada hoje, contudo precisava desesperadamente conversar. Esperaria até a saída do último paciente se fosse preciso. Pela hora, ela devia estar quase livre. A secretaria estranhou quando Kate entrou pela porta. Informou que estava em seu último cliente. Tinha um compromisso em uma hora e que a probabilidade de atendê-la era quase nula. Mesmo assim, Kate disse que esperaria.

Dez minutos depois, a porta do consultório se abriu. O rapaz cumprimentou a terapeuta mais uma vez, despediu-se da secretaria e saiu. Dana Anderson escorara-se na porta fitando Kate.

- O que faz aqui, Kate?

- Preciso conversar. Aconteceu uma coisa séria.

- Kate, eu tenho um compromisso em uma hora, estou com pouco tempo para atendê-la.

- Por favor, Dana. Tentarei ser breve, mas preciso conversar ou posso comprometer um caso em que estou trabalhando – a terapeuta fez sinal para que a seguisse ao consultório. Assim que sentou-se na poltrona, percebeu que Kate continuava de pé, felizmente começara a falar – não sei porque isso está me afetando tanto. Não é como o caso da ex-mulher, é pior. É quase surreal.

- Primeiro você terá que dizer exatamente do que se trata, lembre que estou com pouco tempo. Você dormiu com Castle de novo?

- Não! – replicou imediatamente – é esse caso. A morte de uma dama de honra. Castle conhece a noiva, tem uma história com ela. Está envolvido pessoalmente e não consegue ver as coisas com objetividade. Eu sei que ele vai fazer alguma besteira, acho que ele vai atrás de Kyra. Eu pedi para ele se afastar, mas ele nunca me ouve mesmo.

- E qual é o real problema quanto a essa ex de Castle? Afinal sabemos que ele já namorou muitas mulheres, é um solteirão milionário. Por que está te incomodando tanto se ele não trabalhar nesse caso de maneira adequada? Pensei que você até preferisse, vive reclamando de tê-lo a seguindo – a terapeuta foi bem na ferida deixando Kate sem alternativa a não ser falar o que a consumia.

- Kyra não é qualquer uma. O próprio Castle confirmou. Ela o deixou, ela se foi. Eu nunca o vi tão mexido por encontrar uma pessoa. Ele deve tê-la amado muito. Foi importante. Talvez ainda seja. O que me intriga é que eu não a imaginaria como uma namorada ou até noiva de Castle. Ela é diferente, tão real...

- Como você? – Dana perguntou. As sobrancelhas de Beckett ergueram-se e a fizeram sentar no divã – Kyra não é uma socialite, uma atriz ou modelo. É uma pessoa normal, como você detetive. Foi isso que a assustou? Não o fato de Castle ter se apaixonado por alguém comum, mas ser capaz disso indicando que a ideia de apaixonar-se por você não é ridícula ou inapropriada. Além do ciúme, claro.  

- Não estou com ciúmes – a terapeuta entortou a boca para ela – certo, eles tem cumplicidade, intimidade. A reação dele foi totalmente diferente daquela com Meredith. Ele a defendia do próprio noivo. Eu vi um lado de Castle que não conhecia. Tocado e encantado. Ele a conheceu na faculdade, ficaram juntos três anos, existe uma história.   

- E o que a faz pensar que esse mesmo comportamento ele não dispensa a você? Kate, eu li o livro. A forma como ele fala de você é diferente, é com orgulho, sentimento. Se dissesse que o livro é uma declaração de amor a você, não estaria exagerando apesar de você provavelmente me odiar por isso. Por que não admite pelo menos o ciúme? O resto você entenderá depois.

- E se eu tiver com ciúmes não dele, mas da forma como ele a olhava, da ligação, do entendimento silencioso. Por querer isso também para mim.

- Vindo dele? – a terapeuta perguntou, Kate arregalou os olhos.

- Não! Na minha vida. Por que tudo tem que ser sobre ele?

- Por que não seria? Foi o que lhe trouxe aqui em primeiro lugar, não?

Ela permaneceu calada. Sabia que a terapeuta tinha razão. Fora sua relação com ele que a fizera chegar até ali. Sentir o que não queria sentir, expor-se a outro, sua história, seus receios, sua vida.

- Eu entendi.

- O que precisa, Kate? Por que veio aqui? Pelo que vejo, compreendeu bem o que esse acontecimento significa para você e sua relação com Castle. Ao menos por hora. Você concorda?

- E se eu cometer um erro? Se eu acabar falhando e colocar o caso a perder? Ou fazê-lo tomar uma decisão que não queira?

- Você só saberá agindo. Confie em seus instintos.

- Obrigada – ela levantou-se do divã, um pouco menos confusa de quando chegara ali. Ouvira verdades que ainda não estava pronta para encarar, estava melhor. Só esperava que ele também estivesse.

Quando chegou ao distrito, recebeu em primeira mão as fotos da vigilância sobre Kyra e seu maior pesadelo tornara-se realidade. Ele não somente se encontrara com a ex-namorada como tiveram uma espécie de “revival”, ele a beijou. Um soco no estomago. Ela respirou fundo. Estava com inveja por tudo o que aquilo representava, ainda por cima teria que encontrar um meio do aborda-lo e seu maior medo era que ele negasse.

Fingindo uma situação diferente envolvendo o fato dele desobedecê-la e mexer em suas coisas, Beckett pode perceber a culpa em seu semblante, como o de alguém que esconde algo errado. Castle sabia que deveria ser honesto com ela, então abriu o jogo.

- Eu a vi ontem à noite.

- Eu sei.

- O quê? – mostrou as fotos tiradas - Você me tinha sob vigilância?

- Não você, a Kyra.

- Por que tem a Kyra sob vigilância?

- Ela é uma suspeita de assassinato.

- Não, não, veja, o assassinato de Sophie foi um crime isolado de paixão. Observar Kyra após o fato seria um desperdício dos recursos da polícia, que ambos sabemos que você não faria.

- Eu tinha que ter certeza de que você não faria nada estúpido, coisa que fez – ela revelou por fim.

- Apenas nos beijamos. Isso é tudo o que aconteceu.

- É tudo o que aconteceu até agora – disse irritada. Ela ia levar a discussão adiante se Esposito não os tivesse atrapalhado.

- O financiamento... Tudo bem?

- Sim – ela respondeu.

- Não – ele retrucou.

Então Esposito recebeu a permissão de Beckett para compartilhar o que descobrira. Dentre as diversas descobertas, Sophie estava quebrada, o que levantava as suspeitas sobre como pagara pelo vestido, as drogas e todos os apetrechos necessários para uma dama de honra. Checando um vídeo da loja de noivas, eles acharam a resposta. Ted, o tio de Greg. Juntos, ela e Castle trabalharam em sincronia para arrancar uma confissão do velho.

Depois, Castle mostrou a gravação feita por Sophie quando esteve no quarto de Greg para Kyra.

- O plano de Teddy funcionaria também, só que ele não contava com uma coisa – Castle admitiu - Greg. Ele é um homem bom, Kyra. Um homem confiável. E ele ama você.

- Eu sei. E eu o amo, também. Mas isso não significa que eu não vou pensar em você de vez em quando.

- É melhor – ela pegou o casaco levantando-se.

- De todos os assassinatos... De todas as cidades, de todos os casamentos...Você apareceu justo no meu.

- Estou feliz por isso – disse Castle vendo Kyra sorrir. Ela inclinou-se e beijou-lhe o rosto. Beckett assistia a tudo.

- Obrigado, Rick – quando viu que Kyra ia deixar a sala, ela disfarçou fingindo trabalhar. A noiva aproximou-se dela. Kate ergueu os olhos do papel para encara-la.

- Ele é todo seu – e sorrindo, Kyra deixa a delegacia. Beckett volta a fitar a sala onde Castle estava. Ele continuava com um olhar perdido, não sabia se conseguiria ser boa companhia para ele essa noite, não custava tentar. Levantou-se chamando a atenção dele ao bater de leve na porta.

- Hey, está com fome? Estou pensando em passar em algum lugar antes de ir para casa. Pode me acompanhar se quiser.

- Não sei se estou a fim. Você já quer conversar comigo? Pensei que estivesse com raiva por ter desobedecido suas ordens.

- Lembre-me novamente, Rick – enfatizando o nome dele – quando você as obedeceu? – ele fez uma careta de culpado – foi o que pensei. Então, última chance, vai ou fica?

- Acho que um sundae de chocolate cairia bem – ele se levantou. Kate pegou seu casaco e saíram juntos rumo ao elevador – você não esqueceu que tem um casamento amanhã, certo? Kyra me convidou, nada mais justo você me acompanhar.

- Eu não tenho roupa, Castle.

- Você já foi dama de honra seis vezes, vai saber achar alguma coisa.

Na lanchonete, nada demais ocorrera. Eles não comentaram o assunto. Preferiram conversar sobre outras coisas, até o momento quando Castle pagou a conta. Ele olhou-a calmamente, esticou a mão para toca-la. Kate estranhou o gesto, afinal ele ainda estava com o olhar enfeitiçado por Kyra, na sua opinião.

- Desculpe. Você me alertou quanto ao meu envolvimento. Pediu para que eu tivesse cuidado e eu fiz tudo errado. Deixei-me envolver pessoalmente e não participei da investigação como deveria. Eu a decepcionei.

- Você não é obrigado a participar de todos os casos, especialmente quando há um vínculo pessoal. Não precisa se desculpar – ela tirou a mão debaixo da dele evitando um maior contato que poderia levar a outro patamar se não tivesse cuidado – “A Rose for everafter”, esse foi o livro que dedicou a Kyra. Você gostava muito dela, eu me recordo da história. Não, você a amou – ela corrigiu com um sorriso sincero – por que não deu certo, Castle?

Ele pensou por um instante. Ele se fizera essa pergunta nos últimos dois dias. Finalmente sabia a resposta, apenas não podia compartilha-la de maneira apropriada.

- Não era para acontecer. Ela não era a escolhida – o sorriso sincero de Kate acalmou seu coração da mesma forma que fez com o da detetive.


No dia seguinte, eles compareceram ao casamento de Kyra e Greg. Dessa vez, nenhum contratempo. A celebração ocorreu como deveria. A noiva propositalmente mirou Beckett com seu buque. Surpresa, a detetive sorriu. Não acreditava em superstições de casamento. Às vezes, até se perguntava se haveria de se casar um dia.


Continua.... 

4 comentários:

Thais Ildefonso Pasquinio disse...

Show esse capítulo!!!
Adorei a Dana. Ela me lembrou muito a Dra. Mira *-*
Kate perdidinha com o que sente pelo Castle, oh tadinha haha
E o ciúmes?? Adoro!
O melhor foi a Dana cutucando ela.
A Kate falando: - E se eu tiver com ciúmes não dele, mas da forma como ele a olhava, da ligação, do entendimento silencioso. Por querer isso também para mim.
Ai gente, isso foi tão sentimental!
Nossa, se eu for falar cada parte que gostei vou citar o capítulo todo!
Foi tudo sensacional... Espero ver mais da Dana nos próximos capítulos!
Parabéns, Karen, essa fic sem dúvidas é a melhor que já li. Não tô falando isso para puxar saco porque não é do meu feitio fazer isso.
Beijão! Até o próximo...

cleotavares disse...

Oh! A Kate está com os quatro pneus arreados pelo Castle, e não quer admitir.

Marlene Stanatic Caskett disse...

"MAS EU ME MORDO DE CIÚMES... "
HAHAHAHA Adooooooooro!!!!!!
Tá difícil resistir ao charme do escritor hein Beckett?!
Amei a Dana super mais que demais ao quadrado,a chegada da Kyra foi tudoooo,a coisa ficou tensa e estranha só que no fim tudo se resolveu. A cada cap mais apaixonada estou :)

Silma disse...

Prazer "Meu nome é Kate mais meu sobrenome é ciúmes",Kkkkkkkk. Gamada no escritor né dona Kate!!!