segunda-feira, 30 de março de 2015

[Stanathan] - Kiss and Don't Tell - Cap.42


Nota da Autora: Demorei mas consegui terminar um capítulo para vocês, aos poucos vou pagando minhas dívidas. É um capítulo angst até certo ponto, nada de prolongar essa angústia! Afinal, na ficção nosso casal existe e pode tudo, certo? Enjoy! 

Atenção.....NC17! 


Cap.42

Stana não derramou nenhuma lágrima a caminho de casa. Encontrava-se na fase da irritabilidade. A sensação de impotência era a pior que poderia sentir. Ainda não se recuperara do choque de ver aquela mulher se esfregando nele. Imagina se ela tivesse ouvido as propostas indecentes da tal Krista.

Estacionou o carro na garagem e entrou em sua sala. O apartamento estava bem cuidado. Sua irmã tinha um zelo muito grande pelas coisas. Dirigiu-se até a geladeira, pois sabia que Gigi teria uma garrafa de vinho esperando por ela. Tinha. Serviu-se de uma taça e bebeu-a de uma vez. Ia encher a segunda, porém decidiu-se por um banho e esperar a irmã para conversarem.

Ao sair do banheiro já em um roupão que encontrara no armário, Stana deu de cara com Gigi sentada na cama. Um único olhar bastou para perceber que a irmã não estava bem.

- Hey, sis... que bom que ainda faz dessa sua casa. Você me pegou de surpresa, me deixou preocupada. Quer comer alguma coisa? Posso fazer umas panquecas ou bolinhos... não, você está precisando de vinho ou sorvete.

- Vamos de vinho primeiro, pelo menos uma taça. Estou com muita dor. Cólica – pelo olhar de Gigi, ela confirmou – é isso mesmo. Estou naqueles dias e isso somente torna tudo pior.

- Vou servir a bebida, me encontre na cozinha assim que estiver pronta. Quinze minutos depois, ela encontrou a irmã na sala com um prato de queijos e nachos além das taças e a garrafa de vinho. Sentou-se ao lado dela para poderem conversar. A fim de criar coragem, Stana mordiscou um nacho, tomou um pouco do vinho ainda decidindo por onde começar. Gigi resolveu pela irmã.

- Deixe-me adivinhar. Nathan. Ele aprontou com você? Brigaram?

- Sim, não. Quer dizer, eu estou com raiva. Não quero falar com ele.

- Desse jeito você me deixa mais confusa. Afinal, brigaram ou não?

- Não ainda, porque sai sem falar com ele. Não podia. Gigi eu nem sei se há motivo para brigar, não posso afirmar que ele fez alguma coisa, eu estou irritada por causa dos hormônios e porque... eu tive uma crise de ciúmes!

- Ele te deu motivo para tal?

- Não por vontade. Inconscientemente. Tudo começou com uma atriz convidada – enquanto Stana contava o ocorrido na minicopa, o lance do café e a forma como Anne colocara ordem na casa, Gigi observava o comportamento da irmã. Para ela ficou claro que tudo se resumia a ciúmes, não apenas o sentir, mas o não expressar. Após terminar de contar a primeira história, Gigi quis dar sua opinião.

- Olha! Tenho que tirar o chapéu para Anne. Que garota ligada! Colocou a oferecida direitinho em seu lugar. Que orgulho dessa minha sobrinha. Stana, tenho que ser sincera com você. Pela historia que contou, eu não consigo entender porque está com raiva de Nathan. Ok, o lance do café foi uma pisada de bola, porém não há motivo claro e iminente que ele estaria dando bola para a mulher. Ela tentou, entregou até o telefone. Isso não quer dizer nada. Não tem como eu concordar com você.

- Eu sei, mas ainda teve outra situação. No dia seguinte, eu já tinha visto aquela mulher em uma foto com ele no evento de games que ele compareceu. Era apenas uma foto e não queria parecer paranoica, então guardei somente para mim a suspeita. Não fui com a cara dela e tinha razão. Krista Allen, esse nome lhe lembra algo?

- Não sei....Krista...ah, fala logo!

- Atriz pornô, Emanuelle... resumindo típica piriguete. A mulher é terrível.

- Stana é uma foto! Não está exagerando?

- Era uma foto, Gigi. Do nada a mulher apareceu no estúdio. Toda se insinuando para ele. Nathan tem uma mania de ser um ótimo anfitrião para quem chega ali. Trata todos bem, bajula, sorri demais e acaba mandando a reação errada. Principalmente quando se trata de mulheres interesseiras. Ele não percebe que faz isso, sabe aquele tipo de mulher que se aproxima apenas para ter ascensão pessoal e profissional? Olha, ela namora o Nathan Fillion, sortuda! Vamos convida-la para isso ou aquilo. Sempre foi assim, um bando de interesseiras, alpinistas sociais.

- Tudo bem, resume a história. O que ela fez?

- Ela o agarrou! Ela imprensou-o na parede e beijou-o, fez pior a mão dela apertou a calça dele. Eu não aguentei ver mais o resto, sai correndo. Dara deu um jeito, a piranha foi embora, mas eu não consigo parar de sentir raiva. Eu me sinto tão... ele é meu marido! Será que não tenho direito a uma crise de ciúmes?

- Espera, ele correspondeu? Ele a beijou de volta ou deu qualquer sinal de interesse?

- Não, acho que não. Por que eu nem posso expressar minha raiva? Eu devia dar uns socos nele!

- Stana, claro que não. Ele não fez nada para que você nutrisse essa raiva toda. Ele foi atacado. Você mesma disse que a piriguete não tinha vergonha na cara. Eu imagino como você está se sentindo. A raiva, a frustração e os hormônios não estão deixando você pensar corretamente. Há outra explicação para tudo isso, vou tentar... – Gigi foi interrompida pela campainha – quem será a essa hora?                 

Ao abrir a porta, deu de cara com Nathan. Pode perceber que tinha o semblante preocupado.

- Oi, Nathan.

- Ela está aqui?

- Sim, estava me contado o que aconteceu. Não é uma boa ideia vocês se falarem agora, ela está muito irritada, está tudo recente.

- Tudo o que, Gigi? Eu não fiz nada! Preciso falar com ela. Quero entender porque ela está me ignorando, me tratando como se fosse minha culpa.

- Nathan, é isso que estou tentando fazê-la enxergar, se for falar com Stana agora pode colocar mais lenha na fogueira, ela vai se irritar mais e pode dizer coisas que não deveria. Ela está com ciúmes, é natural. Tem esse direito apesar de não poder demonstrar. Esse é o problema. Deixe-me lidar com isso.

- Eu sinto muito, Gigi. Mas, eu preciso arriscar. Eu me recuso a ver Stana com raiva por algo que não fiz – ele entrou na sala contrariando o pedido de Gigi. Suspirou ao vê-lo ficar cara a cara com a irmã. Não seria nada bom esse encontro.

- Stana... amor, converse comigo.

- O que você está fazendo aqui, Nathan? Eu disse que não quero conversar.

- Sei o que disse, mas não concordo com a sua atitude. Não concordo em ser ignorado e desprezado sem ter feito absolutamente nada. Não saio daqui enquanto você não me falar o motivo dessa raiva toda.

- Motivo? É isso que você quer? Motivo? Que tal um bando de piriguetes dando em cima de você? Uma mulher descarada te passando o telefone, pedindo para ligar e eu sem poder botar ordem na casa?

- Stana, eu joguei o papel fora! Eu não ia ligar para ela. Como você pode pensar isso?

- E a sua amiguinha pornô? Meu Deus, Nathan como você pode atrair tanta gente interesseira? Uma mulher dissimulada, sem pudor algum. Ela te agarrou no seu trabalho, parecia um desentupidor de pia na sua boca e ainda fez pior. O que você quer que eu pense de uma mulher vulgar que é capaz de apertar suas partes intimas em pleno público? Coloque-se no meu lugar. Imagine como eu fiquei ao me deparar com aquela cena?

- Stana eu não tive culpa, ela me agarrou!

- Culpa ou não, de alguma forma você criou uma expectativa, uma brecha para que ela fizesse isso. Apesar de que acredito que ela é cara de pau o bastante para ataca-lo sem qualquer abertura. Eu tive que assistir a tudo, calada. Você é meu marido e simplesmente não posso fazer nada quando esse tipo de mulher se aproxima de você. Eu me sinto impotente, como um nada.

- Você está irritada e com ciúmes à toa, nenhuma mulher me interessa.

- Não estou com ciúmes à toa! – ela gritava – eu tenho o direito de ter ciúmes do meu marido especialmente se ele tem um péssimo habito de atrair piriguetes e aventureiras. Alpinistas sociais dispostas a trocar favores sexuais por aparição na mídia. Krista não foi a primeira nem será a última. Minha vontade era pular no pescoço dela e da-lhe um soco no meio das fuças. Mas não posso, isso é irritante. Não quero sofrer desse jeito, engolir calada cada sapo.

- Você está sendo exagerada. Entendo você sentir ciúmes, porém eu não tenho nada com essas mulheres. Minha paixão é você, só tenho olhos para você. Por que não esquece isso? Estamos juntos, casados. Temos tanto para aproveitar, não podemos nos deixar levar por essas brigas sem fundamentos... por favor, esqueça isso amor.

- Você acha que não quero? Eu me sinto sufocada por não poder agir nesses casos. Minha sobrinha me defendeu de uma oportunista, uma menina de sete anos, Nathan.

- Stana, você está dizendo que não quer continuar com o segredo?

- Não, eu não estou dizendo isso. Somente não sei se posso suportar esse tipo de situação, não sei. Quantas piriguetes você irá bajular a cada evento? Quantas vão se aproveitar do seu jeito galanteador, do seu sorriso e da sua ingenuidade? – ele viu os olhos brilharem com as lágrimas que se formavam.

- Espere, você realmente acha que faço isso de propósito? Que bajulo essas mulheres? É isso que pensa de mim? Porque agora você me ofendeu, se é assim, melhor eu ir embora e quando você recuperar o juízo talvez pense em se desculpar. Não posso ser acusado de algo que não fiz.

Ele rumou até a porta. Stana acompanhou-o com os olhos. Estava tudo errado, a briga, a raiva, ele e ela. Infelizmente não conseguia fazer nada agora. Precisava entender o que se passava com ela, acalmar-se.  Eu preciso de um tempo longe, preciso pensar, era tudo o que tinha a declarar, porém as palavras não saíram antes de Nathan fechar a porta atrás de si.

Stana sentou-se no sofá derrotada. O coração disparado diante da situação. Brigara com Nathan sem motivo? Ele tinha razão? Será que chegara ao seu limite? O segredo deles virara um peso para ela? O que fazer agora? Viu quando a irmã se aproximou agachando-se ao seu lado. Fitou-a com uma certa compreensão no olhar, mas Stana também notou um ar de preocupação.

- Stana, acho que você deveria se deitar, esfriar a cabeça.

- Você não aprova o que eu fiz. Acha que exagerei, não?

- O que eu acho ou não, nesse momento não interessa. Você tem que pensar e ponderar. Depois, quando você se sentir melhor, podemos conversar. Vem, vamos para o quarto – Gigi colocou-a deitada, apagou as luzes do quarto e sentou-se ao lado dela na cama. Sabia que a irmã estava errada por acusar Nathan, porém compreendia a pressão de estar numa relação tolida de ações. Viver em segredo é difícil para qualquer um, para sua irmã deveria ser ainda pior apenas pelo fato de conviver com o marido 24 horas por dia. Gigi sentiu pena de Nathan, ele saiu derrotado. Não sabia até que ponto deveria se manter calada. Defender a irmã é sua obrigação, porém depois da cena que assistira entre os dois, qualquer comentário adicional poderia ser mal interpretado.  

Deitou-se fechando os olhos. Cerca de uma hora se passou até que ela ouvisse o choro da irmã cessar. Stana sentou-se na cama, começando a falar sozinha, mas certa de que Gigi estaria acordada para opinar caso achasse válido.

- Eu não agi corretamente. Forcei uma situação extrema. Eu sei que temos um acordo. Nosso segredo foi proposto por mim. Quis o anonimato porque imaginei que nos daria maior privacidade para usufruir da nossa relação, do nosso amor. Tem funcionado muito bem. O problema é que nunca pensei que pudesse ser dominada pelo ciúme. Ao manter a relação apenas no profissional, não tenho direito de opinar sobre o que ele faz da sua vida. Pelo menos aos olhos dos outros. Isso é estranho. Alguém flerta ou agarra meu marido e eu não posso externar que não gostei ou que estou com ciúmes ou mesmo marcar meu território porque realmente para quem nos vê, não há nenhum território, eu não mando absolutamente nada. É como se o nosso casamento, nossa união, existisse apenas na minha fantasia. Como posso lidar com isso?

Ela passou as mãos na cabeça, depois cobriu o rosto. Estaria conseguindo expressar sua frustração ou não estava falando nada coerente? Seu casamento com Nathan era real. Essa era uma briga de casal real. Queria poder dizer que ele errara para tornar seu fardo menos pesado, contudo não podia. Ele viera atrás dela, querendo uma explicação que Stana não sabia dar. Gigi sentou-se na cama. Passou a mão pelas costas dela, beijou-lhe o rosto e puxou-a num abraço para então falar.

- Primeiro de tudo, Nathan te ama. O que vocês tem é real. Sobre o segredo, bem, a decisão envolve sacrifício dos dois, vocês escolheram, está funcionando. No ambiente de trabalho onde estão inseridos, isso é importante. Uma união como essa causa burburinho. Já se deu conta que se tivessem ido a público com a noticia, talvez as brigas e intrigas fossem maiores? Ciúmes faz parte. Na relação de vocês, ele tem um peso diferente. Sabe o que deve fazer?

- O que? – perguntou Stana olhando concentrada para a irmã.

- Deve conversar com Nathan abertamente. Seja sincera e exponha seus sentimentos, como você se vê diante do ciúme. Mostre o quanto se importa. Eu duvido que ele ficará chateado diante disso. Aposto que se falar, ele vai perceber que tudo aconteceu por excesso de amor. Vai se sentir realizado, feliz. Mas primeiro você terá que pedir desculpas, Stana.

- Desculpas por sentir ciúmes?

- Não, desculpas por gritar com ele, despejar sobre Nathan uma frustração e reconhecer que ele não teve culpa. Não precisa ser de imediato, encare o problema e se convença de que o entendeu antes de falar com ele. Leve o tempo que precisar – Gigi acariciou os cabelos dela – vamos dormir. Você ainda terá trabalho amanhã.


Raleigh Studios


Stana chegou para trabalhar bem cedo. Tinha compromissos com o cronograma do episódio já que saíra no meio da tarde de ontem. A primeira pessoa que a viu foi Dara. Estava com o rosto abatido, um pouco de olheiras. Abraçou a amiga carinhosamente arrastando-a para a minicopa. Serviu café para elas sentando-se frente a frente.

- Dara, eu preciso ir gravar...

- Não se preocupe. Os rapazes ainda estão ajeitando as câmeras e a iluminação. Você está adiantada hoje. Está melhor? – Stana deu de ombros - Certo, é uma pergunta retórica. Bobagem minha. Preciso contar uma parte da historia que você não viu. Talvez isso ajude a tomar sua decisão ou melhorar seu humor.

- Quem disse que eu preciso tomar uma decisão?

- Ora, você brigou com seu marido por um motivo errado, não sabe como lidar com a situação e tem que resolver essa confusão entre você. Uma das decisões é voltar para sua casa. Outra é conversar de maneira civilizada com Nathan, deixando claro para ele como está se sentindo. Estou errada?

- Não, nem você nem Gigi. Ela falou sobre isso ontem depois que Nathan foi atrás de mim no meu apartamento.

- Então imagino que a conversa não foi promissora. Óbvio, basta olhar para você. Sendo assim, o que tenho para falar é válido. Apenas me escute. Vou contar exatamente como a cena de ontem terminou.

Dara relatou tudo o que presenciara entre Krista e Nathan, palavra por palavra além da saída muito desagradável da mulher do estúdio. Observava as reações de repulsa à mulher quando repetiu as palavras pronunciadas pela tal piriguete, vulgares e ofensivas para o ambiente. Também notou quando Stana mordeu os lábios no momento que relatava qual fora a atitude de Nathan. Naquele gesto estava a prova de que ela acreditava nele. Então, o que a impedia de fazer as pazes de vez com o marido? Esquecer tudo isso...

- Stana, você deveria conversar com ele. O que falta para se acertarem?

- Eu já entendi o que você está dizendo. Reconheço que Nathan não teve culpa, mas o problema é com a situação. Esse lance do ciúme, ainda não tinha sentido nada assim. Nunca fui uma pessoa ciumenta, isso também não quer dizer que aturo abusos. Sou uma pessoa que adora indiretas, sempre coloquei mulheres em seu lugar com palavras e olhares. Sou sagaz quanto a isso. Poderia colocar qualquer uma no chinelo que se atrevesse a dar em cima dos meus namorados. Já com Nathan, não posso fazer isso. Fico tolida diante dele porque não sou sua esposa oficialmente para todos. O que vão pensar de mim se resolvesse ficar dando lição de moral em mulheres que se jogam para o Nathan? Seria entitulada a chata da vez e sem motivo aos olhos deles.

- É, não é tão fácil assim. Consigo entender o seu dilema. Acredito que tudo é uma questão de diálogo. Tire um tempo para sua reflexão, pense no que irá dizer. Quando estiver preparada, chame-o para conversar. Iria sugerir um lugar neutro, mas na verdade o melhor lugar é a casa de vocês. Nas próximas horas, concentre-se em trabalhar. E por favor, sem agressão ou xingamento entre vocês. Já foi difícil o bastante convencer que tinha passado mal ontem.

- Tudo bem, Dara. Não vou sair na tapa ou rolando com o Nathan pelo estúdio. Sou profissional acima de tudo. Melhor ir para a maquiagem.

Stana sumiu pelos corredores. Para sua sorte, as cenas hoje eram do distrito. Não tinham cenas de casal. Era investigação pura. Nathan chegou meia hora depois dela. Estava emburrado, mal dormira. Era impressionante como ele se acostumara a tê-la ao seu lado. Ressentia a briga com a esposa, não admitia seu comportamento diante da injustiça que ela parecia inclinada em cometer. Ao passar pela frente da sala dos escritores, ele procurou por Dara. Ela não estava lá. Ás vezes, Nathan se surpreendia em quanto era bobo por aquela mulher. Ficara parado na frente do trailer dela por dez minutos, apenas querendo ouvir sua voz. Em outros tempos, consideraria a atitude um pouco patética, hoje culpava o bom e melancólico amor.

Achou Dara no set do distrito. Ao avista-lo, tratou de se aproximar do ator notando que ele tinha o mesmo semblante de Stana, aborrecido e cansado.

- Hey, Nathan...

- Onde ela está?

- No camarim, provavelmente terminando a maquiagem. Nathan, evite falar desse assunto com ela. Stana precisa desse tempo para então conversar adequadamente com você. Não force nada – ela percebeu que ele ia retrucar – antes que me diga, eu sei que você não fez nada. Eu presenciei tudo. Apenas quero que tenha em mente que essa situação é bastante complicada para Stana. Tente se colocar em seu lugar. Como você se sentiria se encontrasse alguém flertando com sua mulher, insinuando-se e de repente lhe agarrando bem na sua frente? Louco, não? Possivelmente, gostaria de avançar no sujeito, não? – ele assentiu com um suspiro. Dara deixou a mão pousar no ombro dele, sorriu.

- Exato! Só que você não iria poder bater no cara. Você teria que se controlar porque existe um acordo entre os dois. Um segredo. Estão casados, são marido e mulher, porém apenas aos olhos um do outro. Para o resto de nós, vocês são colegas de trabalho, nada mais. Entende porque é tão difícil para ela? Ter ciúmes e não poder se expressar, colocar ordem na casa? Dizer que você é somente dela?

- Eu sei, mas ela não precisa ter ciúmes. Eu sou dela, só quero essa mulher. Devia saber disso.

- Acredite em mim, ela o ama e sabe que você sente o mesmo. Porém, tem o direito de sentir ciúmes. Isso faz bem a qualquer relação e convenhamos, se o que aconteceu com você fosse com Chad, eu enchia você de porrada e depois ela, piriguete não tem vez comigo – isso fez Nathan sorrir pela primeira vez desde que começaram a conversar – agora sim, vamos nos concentrar no trabalho. Tenho certeza que logo vocês estarão numa boa – o diretor chamou por ele e novamente sorrindo, ele caminhou até o rapaz.

Stana apareceu no set bem na hora de gravar a cena, procurando evitar qualquer conversa com o marido. Uma hora depois, terminaram as duas cenas. Uma nova deveria ser gravada entre os três detetives. Ela pediu licença para ir ao banheiro antes de gravar. Quando retornou, Seamus se aproximou dela.

- Stana, está tudo bem? Você me parece cansada ou chateada com algo. Quer conversar?

- Estou bem, eu realmente não dormi direito. É somente isso.

- Certeza? – ela deu um sorriso para o amigo. Era incrível como eles prestavam atenção em tudo. Eram mesmo como uma família.

- Sim, apenas cansaço. Vamos logo gravar – ela sugeriu evitando prolongar a conversa.

A tarde passou bem rápido diante de todo o trabalho que tinha para fazer. Fizeram uma pequena pausa à noite por volta das sete horas. Ela contentou-se com um muffin e um café deixados por Dara na sala dos escritores. Nathan seguira o conselho da amiga e se recolheu em seu trailer. Estava odiando essa situação toda, não aguentava essa indiferença de Stana. Mesmo compreendendo o dilema devidamente exposto, ele queria acabar com tudo aquilo. Esquecer o que aconteceu. Estava com saudades de abraça-la, beija-la. Dormir mais uma noite sozinho seria uma tortura.

Faltavam mais duas cenas da investigação a serem filmadas para que fosse dispensado. Ela ainda precisaria continuar no estúdio. Pelo menos foi o que ouvira o diretor conversando assim que terminaram a outra cena. Uma das assistentes veio chama-lo. Hora de voltar.

Primeiramente, eles avaliavam as posições na área para que fizessem um primeiro ensaio. Nathan não podia evitar de olha-la com ternura. Inconscientemente, ela passava a língua nos lábios, o gesto era tão ingênuo para os outros e tão sensual para ele que chegava a doer o coração. Outra vez, mexia no cabelo como quem não quer nada fazendo-o imaginar uma porção de coisas. Deus! Quanto tempo mais teria que aguentar essa distância, essa indiferença?

O diretor comentou algo perguntando a opinião de ambos. Foi a primeira vez que Stana encarou-o. Trocaram uma ideia e acabaram por concordar com a maneira para filmar, ele percebeu a forma como ela se perdeu um pouco mais, prolongando o contato. Aquele gesto, fez o coração de Nathan pular uma batida. Não percebeu que segurava a respiração. Os olhos estavam amendoados. Não sabia se era sua imaginação, porém em sua mente parecia que ela queria esboçar um sorriso. Ensaiaram a cena por duas vezes. Satisfeitos, deram o sinal para o diretor seguir em frente com a gravação.

Quarenta minutos depois, a última cena era finalizada. Nathan despediu-se de todos os integrantes no set. Ao passar por ela, tomou coragem e a cumprimentou.

- Boa noite, Stana. Se quiser conversar, sabe onde me encontrar. Bom trabalho para você.

- Boa noite, Nathan – respondeu quase sussurrando ainda sem querer demonstrar qualquer sinal de que estava próxima de terminar essa briga entre os dois. Percebeu o semblante cabisbaixo dele, sentiu-se culpada. Ainda iria trabalhar, não podia pensar nisso.

Depois de duas horas, Stana finalmente deixou o estúdio rumo ao seu apartamento. Os conselhos de Dara ficaram em sua mente por grande parte do dia. Reconhecera que precisava se desculpar, porém não se sentia completamente pronta para uma conversa cara a cara. Não negaria que estar longe dele era extremamente difícil. Encontrou Gigi na cozinha tomando uma tigela de cereal.

- Hey, sis... quer lanchar? Deve estar com fome. Sinceramente não a esperava aqui hoje. Coloquei um resto de comida chinesa na geladeira.

- Não se preocupe comigo – Stana pegou uma caixinha de blueberries, sentou-se ao lado da irmã jogando um pouco de granola e iogurte natural no recipiente. Gigi observava o jeito da irmã. Queria que ela decidisse de vez sua situação com Nathan. Ficar longe dele fazia mal aos dois. Percebeu que não estava usando a aliança. Seria esquecimento ou um mau sinal? O dilema para Gigi era grande. Sob qualquer circunstância, ela tinha a obrigação de ficar ao lado da irmã. O problema era que nesse caso, encontrava-se entre a cruz e a espada, era a única pessoa que podia abrir os olhos de Stana. Defender Nathan deveria ser sua prioridade, mas tinha medo da reação da irmã.  

- Stana, como foi seu dia?

- Trabalhoso. Cansativo – respondeu sem olhar para Gigi.  

- E Nathan? – ergueu os olhos para encontrar os da irmã. Suspirou. Antes que qualquer outro comentário fosse feito por Stana, Gigi continuou – sis, não me leve a mal ou fique chateada, mas eu realmente pensei que vocês tinham se acertado. Esperava que caísse em si e voltasse para sua casa, ao lado dele. Eu sou sua irmã e te amo, quero vê-la feliz. E definitivamente você não está feliz. Desculpe ter que falar isso novamente, contudo se isso é sua ideia de castigo para fazer Nathan provar do suposto veneno, não irá funcionar. Não quando a ação afeta a ambos. Por que não vai até ele, abre seu coração e pede desculpas de uma vez para se reconciliar e transar loucamente?

- Gigi! Você só pensa nisso?

- Claro que não. Estou apenas lhe dizendo o óbvio. Você está arrasada com a situação, machucada. Mas, sabe o que é pior? Você está se roendo por dentro, deixando o orgulho a dominar quando tudo o que queria era estar em seus braços. E sim, precisam de uma DR, precisa colocar para fora e sexo, minha querida Stana, é parte obrigatória do pacote. Descarte esse sentimento ridículo e besta, troque-o por carinho, amor e vários orgasmos.

Stana não aguentou a colocação da irmã rindo pela primeira vez desde que chegara em casa. Tinha razão. Deveria dar o braço a torcer, porém uma interrogação perdurava em sua cabeça.

- E se ele não tiver disposto a me perdoar? E se me acusar de insensível, neurótica ou outra coisa?

- Bem, isso pode acontecer. O risco existe – Gigi calou-se propositadamente ao ver o semblante da irmã demonstrar extrema preocupação – Stana como você pode ser tão insegura? Você é linda, talentosa, inteligente e tem um pedaço de homem ao seu lado. Ele podia arrasar com você se quisesse, mas não irá fazer isso. Ele é absolutamente louco por você! Qual a parte de que Nathan te ama que ainda não entendeu? Por que perder mais tempo remoendo essa briguinha idiota? Vai logo atrás dele, sis. Termine com essa agonia.

- Eu não sei... eu preciso pensar.

- Esqueça o pensamento, o coração é o que importa.           

Stana levantou-se calada. Deixou as louças na pia e seguiu para o quarto. Após um banho rápido, ela deitou-se na cama com o olhar fixo no celular. A vontade de ligar era imensa. Na sua cabeceira, estava o script com as cenas do dia seguinte. Folheando-o, percebeu que havia somente três cenas para amanhã. Duas no distrito e uma no loft. Cena de casal. Seria o último dia de gravação daquele episódio que tanto desconforto causara aos dois. Era bom virar a página, começar uma nova história. Contudo, não poderia iniciar um episódio brigada com Nathan. Na verdade, não poderia filmar essa cena estando de mal com ele.

Olhou mais uma vez para o celular, deciciu por não ligar. Levantou-se vestindo uma calça jeans e uma camiseta branca. A jaqueta de couro completava o visual. Pegou as chaves do carro, a bolsa e calçou seu tênis de corrida. Gigi estava certa, chega de sofrer criando um clima ruim entre os dois. Queria muito olhar para o rosto dele, toca-lo, estar perto dele. Antes, porém, tinha que dizer exatamente como se sentia.

Passava da meia-noite quando Stana girou sua chave na porta. O silêncio e a escuridão na sala provava que ele já deveria estar dormindo. Subiu as escadas vagarosamente mantendo o mesmo clima. A luz do quarto estava apagada exceto por uma nesca percebida pela fresta de baixo da porta. Provavelmente originária do abajur de cabeceira. Podia estar lendo ou apenas adormecera esquecendo-se de desliga-la.

Vagarosamente, abriu a porta. A silhueta dele despontava na cama por baixo do edredon. Stana parou no meio do quarto para observa-lo. Apenas por estar no mesmo lugar que ele sentia a leveza tomar conta de seu coração. Criando coragem, ela se aproximou dele, sentou-se no colchão ao lado dele, esticando a mão para toca-lo no rosto com cuidado.

- Nathan – sussurrou repetindo o gesto – Nathan... – viu quando ele abriu os olhos azuis sonolentos para fita-la. Virou-se no colchão para ter a certeza de            que não estava sonhando.

- Amor? É você? – esfregou os olhos erguendo-se no colchão ficando sentado a seu lado – você voltou...

- Eu sei que é tarde, mas eu preciso conversar – ele bateu palmas acendendo as luzes do quarto – desculpe pela hora. Acordei você e temos gravações cedo pela manhã.

- Tudo bem. Eu disse que quando quisesse, podia me procurar – ele abriu um sorriso. Ela estava ali, mesmo com os olhos cansados ainda estava linda – estou pronto para ouvi-la – Stana subitamente levantou-se da cama, começou a caminhar de um lado para o outro no quarto. Durante o caminho até a casa, ela pensara e repensara em tudo que ia dizer. Repetira e ensaiara tudo. Agora, sua mente era um branco total. Como um quadro de evidências ainda por ser montado.

- Droga! Eu achei que sabia tudo o que tinha para dizer. Eu não sei por onde começar.

- Pelo começo. Conte-me tudo o que está lhe incomodando. Ponha tudo para fora – permanecendo de pé, ela respirou fundo e deixou as palavras fluírem, oriundas diretamente do coração.  

- Nathan, eu sinto muito. Os dois últimos dias foram extremamente estressantes e frustrantes para mim. Devo considerar que para você também. Mas, não poderia deixar de ser afetada pelo que presenciei. Odiei o fato do ciúme ter subido à minha cabeça. Não irei me desculpar por sentir ciúmes, por ser passional e humana. Consegue entender o quanto me doeu ver aquela mulher vulgar se insinuar e agarra-lo sem que eu possa fazer exatamente nada? Minha vontade era dar uns tabefes naquela piriguete e mostrar que ninguém dá em cima do meu marido! Nunca me senti tão impotente na vida. Nós somos casados. Mesmo assim, não podia exercer meu direito de esposa – ela passou a mão pelos cabelos.

- Eu sei que concordamos com isso, temos um segredo a zelar, ainda assim não podia aceitar tão facilmente o fato de ver aquela demonstração ridícula de mau gosto. A mulher praticamente queria te engolir, Nathan! Como pode atrair tanta mulher aproveitadora? Meu estomago embrulhou, meu sangue ferveu. Eu precisava sair dali. É tão estranho não poder expressar o que sinto diante de uma situação como essa... – dessa vez, Stana se aproximou dele tornando a sentar-se na cama de frente para o marido.

- Desculpe, sei que você não teve culpa. Nunca duvidei de você. Eu te amo tanto... eu só... – segurou a mão dele – eu somente queria que entendesse meu lado.

- Você está dizendo que não quer manter nossa relação em segredo? Tem medo que isso se repita?

- Não. Precisamos do segredo porque muito provavelmente expostos, esse tipo de problema triplicaria. O segredo continua, não desisti disso. Eu apenas queria poder ter mais controle diante de uma situação dessas. Não sei se teremos como evitar uma nova briga no futuro, ou uma exposição seja de qualquer lado, quero que entenda que não fiz nem farei por mal.

- Eu sei que sim, Stana. Não se preocupe quanto a isso. Sentir ciúmes, achei bem bonitinho da sua parte e meio estranho, devo acrescentar. Você é linda, é a mulher que amo, como pode pensar que a trocaria por alguém? Ainda mais por uma mulher como Krista? Acho que precisamos esquecer tudo isso – ele ergueu a mão esquerda apontando para a aliança – vê essa aliança aqui? Ela é o símbolo do meu amor. Exibo-a com orgulho, mesmo que para tantos seja somente um objeto cenográfico. Eu e você sabemos que é real e isso basta – então Nathan percebeu que ela não usava a sua.  O olhar de ternura desapareceu de seu rosto dando lugar ao semblante sério. Stana sabia que a reação era pela ausência do mesmo objeto em sua mão.

- E-eu deixei a minha aliança no trailer. Eu esqueci de coloca-la quando terminei de me trocar hoje. Por favor, Nate, não fiz por mal. Minha cabeça estava confusa. Pode me perdoar?

- Você tirou a aliança... isso é... eu nunca pensei... – ele respirava profundamente várias vezes, puxava o ar querendo manter a calma. Murmurava mentalmente um pequeno mantra para que acreditasse que o gesto não fora proposital “tudo bem, ela estava nervosa, não fez por mal”. De repente, viu a mulher a sua frente se debulhar em lágrimas. A imagem de Stana chorando partia-lhe o coração.

- Nate, por favor... e-eu te amo...e-eu prometo que não tiro mais, me perdoa – Nathan enxugou as lágrimas com seus polegares. Ainda mantinha a expressão séria ao fazer esse pequeno gesto.

- Stana, eu não posso mentir para você. Sua atitude me magoou. A demonstração de dúvida quanto a uma possível traição foi algo que me ofendeu e irritou profundamente. Entendo que não foi fácil assistir ao ataque de Krista. Porém, não esperava que você considerasse ou escolhesse brigar ao invés de me ouvir. Perdoar? Sim, eu perdoo porque eu te amo. Mas meu coração ainda dói ao me lembrar disso.

- Nathan, eu... – ele a impediu de falar.

- Não, Stana, ainda não terminei. Mesmo com a dor, o problema é que simplesmente não consigo ficar longe de você. Eu preciso tê-la ao meu lado. É algo inexplicável. É mais forte que eu. Consegue entender isso? Você é meu vício, Stana. Um vício que não quero me livrar para o resto da nossa vida juntos – ele puxou o rosto dela com as duas mãos sorvendo os lábios em um beijo intenso. Dor, mágoa, amor e desejo misturados davam tom ao reencontro. A cada minuto de beijo, as sensações ruins desapareciam deixando o sentimento puro do coração reinar soberano enquanto o sentimento dominante do corpo explodiu em um gesto rápido e viril diante da bela mulher.

Nathan a deitou sobre o colchão, prendendo-a com as mãos enquanto suas pernas a prendiam embaixo de si. Seus lábios devoravam cada centímetro de pele que encontrara. Stana sequer reparou quando ele livrou-se da camiseta, da calça, da lingerie. Apenas as sensações de prazer dominavam seu corpo. A pele quente rendia-se ao toque por vezes bruto, por vezes excitante. Ele devorou-lhe os seios, mordiscando, instigando e sugando-os a ponto de fazê-la gritar. Stana sentia a umidade aumentar em seu centro. Arqueava o corpo clamando por mais. Quando os lábios de Nathan provaram o local mais desejado, ela imediatamente sentiu o corpo arrepiar-se e explodir de prazer.

Como um exímio comandante, ele fazia uma viagem saboreando cada centímetro do corpo de Stana. Encheu seu corpo de beijos, fazendo uma trilha até encontrar os lábios que tanto amava. Um novo beijo apaixonado se seguiu. As línguas realizavam um balé sincronizado que apenas aumentavam o prazer e necessidade de nunca parar de se tocarem. Se amarem. Ele a penetrou vagarosamente prolongando o prazer de vê-la contorcer-se e pedir por mais e mais. O ato de mordiscar o lábio inferior era um convite irrecusável para beija-la novamente.

Como acontecera tantas outras vezes, a sincronia de movimentos continuava perfeita. Ele amava voltar para casa. Deslizava dentro dela provocando sensações indescritíveis. Puxou-a em sua direção mantendo o contato de seus corpos mesmo sentados. Envolvendo seus braços no pescoço de Nathan, ela se dedicou a provoca-lo com movimentos eróticos que apenas aumentavam o prazer de tê-lo dentro de si. O orgasmo os arrebatou com força, quase como se os tirasse de seus próprios corpos findando em um último beijo avassalador.

Os corpos estavam jogados sobre o colchão. Stana sobre Nathan. Ele beijou-lhe o ombro.

- Deus! Como eu sou dependente de você, Staninha... dois dias sem estar aqui, foram dois dias mal dormidos. Seu corpo me completa na cama. Seu cheiro, seu calor. Adoro o meu vício.

- Não podemos nos magoar desse jeito. Ambos sofremos demais. Por que eu tenho que ser tão apaixonada por você a ponto de fazer besteira? Somos dois loucos, isso sim!

- Sim, tenho que concordar. Dois loucos de amor.

- Pelo menos amanhã não teremos que gravar emburrados um com o outro. Temos uma cena de casal...

- Esse foi o motivo de você ter vindo a essa hora me procurar? – perguntou Nathan intrigado – pelo trabalho?

- De certa maneira, sim. Mas, não foi o principal motivo.

- Era saudade, então?

- Também... – ela sorriu ao ver o arquear de sobrancelha de Nathan – principalmente o sexo.

- O que? – ela caiu na gargalhada.

- Sexo de reconciliação é o melhor que existe, não? Estava com saudades de tudo, sexo inclusive é parte fundamental dessa equação.

- Eu devia ficar chateado com essa declaração. Mas, confesso que você tem razão – eles trocaram um novo beijo – vamos dormir, Staninha. Amanhã tudo volta ao normal – aconchegando-a de conchinha ao seu corpo, dormiram quase que imediatamente.            

Na manhã seguinte, Stana acordou primeiro que ele. Quando Nathan a encontrou na cozinha, já totalmente pronta para sair, foi surpreendido com um café fresquinho e panquecas, exatamente como ele adorava. Meia hora de refeição, eles finalmente deixaram a casa rumo ao estúdio. Ela entrou primeiro, cumprimentando a todos com um belo sorriso. Ao passar pela sala dos escritores, deu um tchauzinho para Dara que entendeu na mesma hora que ela fizera as pazes com Nathan. Finalmente!

A atmosfera do set era ótima. O dia do trabalho fora um passeio. Depois de dois dias, ouvia-se a risada de Stana pelos corredores. A última cena gravada foi a Caskett. Quando Stana completou sua frase subindo no estomago de Nathan, sabia que o deixaria sem ação novamente. Foi exatamente o que aconteceu. Stana se projetou sobre o membro dele quando inclinou-se para beijar-lhe o pescoço, a surpresa foi tanta que Nathan sequer teve a atitude de toca-la. Ao ouvir o corta, ela deu um sorrisinho safado para Nathan. Quando fez menção de sair de cima dele, sentiu a mão a segurando. Stana entendera o recado. Afastou um pouco o corpo a fim de não estimular as partes íntimas dele. Cuidadosamente, sentou-se ao seu lado na cama.

- E encerramos por hoje. Chad acabou de me avisar que David e Rob estão esperando vocês na sala dos escritores, querem falar sobre o próximo episódio.

- Obrigada. Você vem, Nathan?

- Vou já. Preciso passar no meu trailer antes – ela entendia o motivo. Provavelmente, queria um tempo para se recompor antes de encarar uma reunião. Tudo estava bem novamente. Muito bem. Não conseguia tirar o sorriso do rosto. Dara quando a avistou entrando na sala, foi logo implicando.

- Parece que o dia de trabalho foi leve, não? Você está relaxada, sorrindo e são quase onze da noite...

- Foi um dia bom, sim. Isso não quer dizer que esteja querendo mais. Preciso comer alguma coisa.

- Tome um café para repor as energias. A reunião não deve demorar muito e tenho certeza que vai precisar estar bem para mais tarde – Dara a fitou com um sorriso sarcástico no rosto – cadê o Nathan?

- Ele foi ao trailer, disse que logo estaria aqui – encaminhou-se para a máquina de café servindo-se da bebida quando ele apareceu na porta também sorrindo.

- Estou louco por um café! – ele exclamou já se colocando ao lado de Stana. David apareceu com um calhamaço de papeis nas mãos. Deixou sobre a mesa.

- Sirvam-se de café e depois sentem-se. Prometo que serei rápido, sei que estão cansados e amanhã tem mais. Na verdade, talvez tenha uma boa noticia para os dois, diria até que bem melhor para Stana – ambos entreolharam-se e voltaram sua atenção ao produtor. Devidamente acomodados na mesa sorvendo o café quente, prepararam-se para ouvi-lo.

- Fiquei curiosa agora, David – ela disse.

- Bem, finalizamos o episódio de número dezessete hoje. Amanhã faremos qualquer ajuste fino necessário, porém já teremos nossa reunião de produção e as primeiras cenas para filmar. O episódio é centrado no Ryan, portanto a pessoa que mais irá trabalhar nele é Seamus. Já tive uma conversa preliminar com ele. O que me leva ao nosso assunto. Provavelmente vocês terão alguns dias de folga nesse período. De oito dias irão filmar quatro talvez. Ainda preciso repassar o cronograma completo com Rob. Animem-se, amanhã é sexta-feira e devo ter uma resposta para vocês na segunda.

- E não é somente isso. Meu episódio solo também pode proporcionar um novo break para você, Stana. Ainda não finalizei, mas vocês saberão quando possível – disse Dara.

- Alguma razão especial para vocês estarem dando essas folgas para nós? – perguntou Stana desconfiada.

- Não se anime muito. Estamos em inicio de fevereiro e as filmagens do meu episodio devem ocorrer no fim de março. É apenas uma questão de assuntos e cronogramas, nenhuma teoria da conspiração – disse Dara.

- Estão dispensados – disse David – amanhã estejam aqui às sete, ok? – entregou o script a ambos.

- Tudo bem. Boa noite a vocês – disse Nathan.     

- Até amanhã – respondeu Stana. Quando ia saindo da sala, Dara a puxou.

- Você não vai me contar o que rolou? Eu te ajudei!

- Depois, Dara. Boa noite – piscou para a escritora rindo.

No estacionamento, cada um pegou seu carro e deixaram o estúdio. Chegando em casa, Nathan foi direto ao refrigerador pegar uma cerveja. Estava com vontade de beber ao menos uma garrafa. Sabendo que ela preferia uma taça de vinho, tratou de servi-la já entregando a bebida a Stana assim que ela cruzara a sala de casa. Sentaram-se no sofá. Ela não resistiu e foi logo comentando.

- Você não achou estranho o fato de David nos comunicar que poderíamos ter dias de folga? Não lhe pareceu um pouco combinado ou forçado como se quisessem nos agradar de alguma forma?

- Não sei, Staninha. Na verdade, esse lance de folgas é meio difícil de acontecer, quer dizer “folga” deve ser um dia, dois no máximo. Você ouviu David dizer que o cronograma ainda não estava totalmente fechado. Não fique tão animada.

- Não estou animada e sim, preocupada. Será que estão tentando nos agradar por causa dos nossos contratos? Algo a ver com a negociação que deve ocorrer a partir do final de março, início de abril?

- É difícil dizer, talvez seja resultado do nosso bom trabalho. Estávamos atrasados, ainda acredito que estamos. Pode ser que após reverem as datas e a quantidade de episódios, perceberão que não estamos tão ruins assim – ele virou a garrafa bebendo o último gole restante da cerveja – esquece isso, amor. Que tal aproveitarmos um bom banho relaxante no chuveiro? Prometo esfregar suas costas direitinho – ele pegou a mão esquerda dela na sua, beijou o dedo com a aliança, feliz por vê-la usando-a novamente.
 .
- Você ficou bem animado com aquela última cena, não? – brincou Stana já acariciando o peito dele deixando a mão deslizar até as calças.

- O que você esperava depois daquela insinuação? Você não presta, Staninha... arrasa comigo com essas provocações. Foi sempre assim, e ainda se faz de desentendida. Que coisa feia... – ele ria já inclinando-se para beijar-lhe os lábios. O toque de Stana em seu membro apertando-o, fez Nathan gemer entre seus lábios.


- Vamos para o chuveiro, Nate. Quero relaxar – assim que ele levantou-se do sofá, ela mordiscou a orelha dele, provocando – quero ver estrelas durante o banho. Sua responsabilidade – apertou o bumbum dele gargalhando quando Nathan beijou-lhe a garganta. Não importava que horas dormiriam ou se estariam cansados amanhã, ela queria perder-se em seus braços agora, sem qualquer reservas. Aproveitar o hoje era seu objetivo. Carpe diem, pensou.


Continua.... 

2 comentários:

cleotavares disse...

Que bom que se reconciliaram. A Gigi é mesmo uma amor, sempre apoiando os dois. Tomara que esqueça a Krista e não apareça mais na fic.

Marlene Stanatic Caskett disse...

NOSSAAAAAAA!!!!!!
Fiquei com o ♡ na mão e piorou quando ela ñ estava usando a aliança,super amo a Gigi é a Fada madrinha Dara. Elas foram fundamentais para essa reconciliação,ainda estou com vontade de dá na cara da Bitch.Não é fácil manter um segredo,tem que engolir sapo pra caramba.
Esse cap foi top demais :)