sexta-feira, 3 de abril de 2015

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.8


Nota da Autora: Desculpe a demora, porém o capítulo é longo e trata de um dos episodios que mais gosto da 2a temporada. Vocês vão encontrar uma pequena referência ao episódio 2x16 e o primeiro episódio do duplo abordando o caso parcialmente e a reação de Beckett quanto a ele. Espero não demorar tanto na continuação, de qualquer forma, peço paciência. Enjoy!  

Atenção...NC17!


Cap. 8


Beckett vinha contendo suas vontades muito bem quando se tratava de Castle. Talvez pelo período difícil que enfrentara ultimamente, ela deixara o assunto de lado. Porém, algo mais parecia estar ocupando sua mente. Não era apenas desejo. Ela continuava sendo seguida, ouvindo piadas e teorias malucas, por conta disso, percebeu que estava se afeiçoando cada vez mais ao escritor. Na verdade, a atração sexual foi apenas o primeiro passo para que Kate se deixasse levar pelos encantos de Castle. O único problema era que um relacionamento, na sua opinião, era errado e incerto. Além disso, seu comportamento era dúbio. Havia momentos que Castle parecia apenas querer curtir, sem qualquer responsabilidade, outras, ele demonstrava ser sensato e sensível como no caso de Coonan. Dúvidas e mais dúvidas.

Na semana anterior, ela ganhara um ótimo programa ao lado dele. Um jogo de baseball com tudo que tinha direito logo após conhecer o próprio Joe Torre. Kate retribuiu o gesto ensinando Castle a rebater. Ela ficara sensibilizada com a história de que nunca fora a um jogo com o pai. A experiência mexeu novamente com os seus sentimentos e seus desejos. Fora difícil resistir a vontade de beijar aqueles lábios quando estavam dentro do carro. Kate demonstrava autocontrole, mas somente ela sabia o quanto era complicada a luta que travava com seu corpo e sua mente para não se entregar.

Não voltara na terapeuta. Não queria tocar no caso de sua mãe, considerava assunto proibido, pelo menos por um tempo. Recebera uma chamada sobre um novo homicídio. O corpo da vítima foi encontrado no parque. Todo o cenário e as características indicavam crime sexual. Castle empolgou-se com o que viu. Avaliando a cena, Beckett comentou o tipo de algemas usadas, bom couro e feito à mão. Ele se surpreendeu com as colocações dela, ficando ainda mais interessado nos segredos de Kate Beckett. Indicou que apenas algumas lojas teriam aquele tipo de algema, ordenando aos rapazes para procura-las. Castle continuava assustado e ela apenas provocava.

A investigação empolgou a todos. Ryan e Esposito contataram sex shops para conseguir informações sobre as algemas. Também assistiam algumas demonstrações em seus sites. Eles estavam intrigados com algumas imagens. Os três não acreditavam numa cena que se desenvolvia no monitor, uma perfomance e tanto.

- Meu Deus! Como você consegue ficar nessa posição? – exclamou Castle contorcendo o pescoço. Ryan e Esposito também tentavam seguir os movimentos. Quando Beckett se aproximou, fez uma nova revelação, para ela era possível. Castle estava ficando cada vez mais interessado. Esposito implicava com Ryan sobre sua namorada imaginária e Kate o defendeu, segundo ela não traria seu namorado ali também. O comentário acendeu uma luzinha de preocupação na mente de Castle. Sorrindo e provocando, Beckett decidiu que era assim que gostaria de passar esse caso. Mexendo com a imaginação de Castle. Indo ao sex shop, a experiência continuou.

Castle começara a sugerir aparatos para o tal namorado imaginário que estava disposto a descobrir se era real ou um truque para deixa-lo intimidado. Mostrando uma das máscaras com zíper, sugeriu usa-la nele. O proprietário quis atende-lo como se fossem um casal de iniciantes, mas Beckett tratou de cortar o barato deles. Examinando a algema, reconheceu como sua e deu informações sobre o rapaz que a comprou. Tyler Benson e identificou a garota morta também. Jessica Margoulis. Ela estudava a sociologia da escravidão social e dominação. A colega de quarto não sabia do paradeiro e indo a universidade, o orientador do projeto revelou que Jessica passava muito tempo com madame Venom. As informações eram muito detalhadas. Castle novamente se surpreende com uma declaração de Beckett, após provoca-la, claro. Como ela conseguia provoca-lo de tal maneira, engana-lo tão graciosamente?  

O jogo de pensamentos e comentários com segundas intenções continuava entre eles, especialmente Beckett. Usando linguagem corporal ou mesmo a arma que aparentemente deveria ser a melhor de Castle, as palavras, ela criou momentos excitantes e complicados para ele. O tom de voz mandão tão típico da detetive recitando expressões na qual sugeria uma relação dominante fazendo de Castle o namorado submisso, o levara à loucura.   

Terminado o caso, Beckett pode conhecer finalmente a namorada de Ryan, Jenny era realmente muito bonita e eles formavam um belo casal. Ao ver os dois juntos e após toda aquela brincadeira provocante criada pela dominatrix, ela sentiu-se um pouco mal por ter desejado algo assim para ela. Nada errado nisso exceto por desejar algo como o que Ryan tinha com uma pessoa a princípio inusitada, Castle. Quando ele perguntou curioso sobre o namorado imaginário dela, até pensou em tortura-lo um pouco. Curiosamente e ainda surpresa por sua decisão, não o fez. Beckett despediu-se dele normalmente, porém toda a dinâmica e temática girando em torno de sexo, sensualidade e ideias diferentes sobre dominação e objetos propícios para atiçar a imaginação de pessoas sobre o assunto pareciam mantê-la ligada ao tema. Ela quis esquecer as sensações que persistiam em sua mente. Chegando em seu apartamento, Beckett jogou o casaco sobre o sofá, chutou os sapatos para longe e passou as mãos na cabeça soltando um longo suspiro.

Um banho quente, isso! Um longo banho faria sua mente relaxar e esquecer tudo. 

Contudo, Kate estava errada. Assim que deitou-se na água confortável e aquecida da banheira envolta em sais de vanilla, seu pensamento ao fechar os olhos voltou-se para Castle. Ela o provocara descaradamente, mas acabara se encrencando com o seu próprio jogo, o feitiço virou contra o feiticeiro. Agora, Kate Beckett se encontrava perdida lembrando-se da pergunta dele sobre querer fazer algo mais com suas algemas do que prender criminosos. Podia imaginar várias e todas envolviam Castle. Algemá-lo numa cama, cadeira, hum... numa cela do distrito... Pronto!

Seu corpo começara a reagir por causa dos pensamentos impuros e, admitia, deliciosos que ocupavam-lhe a mente. Um gemido involuntário escapou de sua garganta fazendo-a tocar em reflexo o próprio seio.

Deus! Que coisa louca! O que aquele homem tinha que mexia tanto com o seu equilíbrio? Sua sanidade? Será que ele também tinha o mesmo problema que ela ou Kate era a única perdida da história? Às vezes, ela gostaria de ser uma mosquinha naquele loft para saber o que fazia. Fechando os olhos, ela se rendeu aos pensamentos pecaminosos e surpreendentemente, relaxou imediatamente.

Em um outro canto de Manhattan, alguém mais lutava e se beneficiava de pensamentos impuros. Castle estava sentado à frente de seu notebook escrevendo um novo capítulo de seu segundo livro de Nikki Heat. Madame Vernon e seu lance de sexo submisso mexera com a imaginação do escritor que acabou idealizando uma cena entre seus personagens onde fazia um trocadilho a uma frase usada por ele mesmo para Beckett durante aquele caso. O problema é que escrever levava a pensar, pensamentos conduziam a sensações e seu corpo reagiu visualizando a silhueta de Kate. Sentiu a pontada na virilha e ao reler o que escrevera, um calor incômodo o dominou. Daria tudo para estar com ela nesse momento. De repente, o vibrador do celular o assustou fazendo-o engolir em seco. Ainda consternado, ele atendeu balbuciando o nome que aparecera no visor.

- B-Beckett? 

- Oi...eu, eu liguei para saber o que você estava fazendo. É besteira, estou atrapalhando, esquece - ela já ia desligar, porém Castle interviu impedindo-a com uma voz baixa que para ela soava sensual.

- Espera...eu estava escrevendo. O caso despertou minha veia criativa. Kate, está tudo bem?

- Você estava escrevendo uma cena de sexo sobre mim? - ela soou mais intrigada do que chateada.

- Tecnicamente, a cena é de Nikki e Rook, mas vou deixá-la considerar o que quiser. Você não respondeu a minha pergunta. Algum problema com o qual possa ajudar a brilhante detetive Beckett? - ela ainda estava perdida na parte onde ele falara sobre a cena. A curiosidade era uma vontade perigosa, constatou. Para quem estava inclinada a desligar o telefone, Kate decidiu se arriscar um pouco mais na conversa mesmo sabendo que poderia se ver em apuros dependendo da resposta que recebesse de Castle.

- Nikki irá usar um chicote, Rick? - ela falou provocando o que colocou o corpo de Castle em alerta.

- Kate Beckett!!! Você pensou isso de mim? Como ousa?

- Hahahaha! Tão inocente, Rick...

- Não, Kate. Não tem um chicote e apesar de parecer pervertido, posso ser um cara muito comportado e romântico. Ao contrário de outras pessoas... acho que tinha razão em querer fazer de Nikki uma vadia.

- Cala a boca, Castle.

- Você perguntou. Eu respondi. Então, quiproquó, Clarice. Está com saudades? Entediada, Kate? Foi por isso que me ligou? Oh! O que você está vestindo?

- Castle...limites, por favor.

- Então, responda a pergunta.

- Ok, eu estava me preparando para dormir, mas não consegui tirar a história do caso da minha cabeça.

- Sexo e fantasias tem esse efeito nas pessoas. Espere, você estava com esse tipo de pensamento na cabeça e decidiu ligar para mim? Estou começando a achar que você quer trocar ideias interessantes comigo ou talvez queira praticar algo? - ele instigou. Sabia que sua insinuação era equivalente a um blefe no jogo de pôquer. Podia afastá-la.

- Você se acha o último biscoito do pacote, não? O todo poderoso. O solteirão cobiçado pelas loiras siliconadas com mente tacanha. Não é tudo isso, Rick.

- Mesmo? É essa a opinião que você tem de mim? Para sua informação, eu sou um solteiro cobiçado e charmoso. Ao que me recordo, você bem que gostou quando esteve em meus braços, seus gemidos não negam.

- Para alguém que se acha, você esquece rápido regras básicas sobre mulheres e sexo. Nós fingimos, Rick.

- Oh, Beckett! Não jogue essa carta, péssima mão querida. Já tive minha cota de mulheres para saber quando é real. E acredite, foi mais que real, foi intenso.

- Deus! Você é muito convencido! - ela exclamara por ser a única coisa decente que poderia dizer nesse momento sabendo que ele estava certo e que a conversa apenas atiçara seu desejo.

- O que posso dizer? Confio no meu taco, Kate - essas palavras fizeram-na estremecer ao lembrar-se das vezes que ficara com ele.

- Menos, writer boy... acho que essa conversa me deu sono...

- Sei, uma desculpa muito tosca detetive. Eu perdoo sua falta de controle quando o assunto sou eu. Tudo bem. Sonhe comigo, é permitido.

- Boa noite,Castle.

- Até amanhã, Kate - ele desligou com um sorriso no rosto. Não somente ligara porque estava pensando nele, como sabia que sonhar com um momento a dois era certeza para ambos. Castle fechou o notebook indo diretamente para o banheiro, uma ducha gelada podia ajudar a se acalmar. Confirmando as suspeitas de Castle, ela demorou a dormir, porém acordar no meio da madrugada suada por um sonho erótico provou a bela detetive que o escritor tinha razão novamente.

Nada fora dito pelos dois na manhã seguinte. Castle, porém, notou que havia uma aura diferente, estava relaxada e a pegou olhando em sua direção com um sorrisinho maroto nos lábios, o que o fizera deduzir que acertara sobre o sonho. Dias depois no 12th distrito, uma nova atmosfera se formaria mostrando a Beckett um outro lado de Castle que era ainda não presenciara. Ele acabara de chegar na delegacia de muito bom humor.

- Oi!

- Oi!

- Pergunte porque estou aqui.

- Sabe, me faço essa pergunta todos os dias... - ela respondeu sarcástica.

- Era Paula, minha agente com ótimas notícias sobre meu livro "Heat Wave" quer adivinhar?

- Advinhar significaria demonstrar interesse.

- Vou dar uma dica. As manchetes serão: best-seller de Castle esquenta as telonas.

- Seu livro vai virar filme? - ela perguntou surpresa.

- E você será imortalizada nas telas do cinema.

- Tecnicamente Nikki Heat será, não eu.

- Sim, mas foi bastante divulgado que você era a inspiração. Quem você quer que a interprete? - não mostrando interesse, ela se sentou em sua cadeira. Já Esposito e Ryan vibraram com a notícia dando sugestões para atores os interpretarem na tela, quando Castle ia perguntar novamente sobre sua preferência, percebeu que ela atendera a uma ligação.

- Eu gostaria de reportar um assassinato.

- Pois não... Tem um endereço?

- Ah, qual a graça nisso? - fez sinal para os rapazes rastrearem a ligação.

- Quem é?

- Um fã. 

- Certo, conte-me mais sobre esse assassinato.

- Eu o cometi, é tudo que precisa saber - disse a voz do outro lado da linha. Desligou. Ryan informou que conseguira, era na Grand Central Station. Eles encontraram o corpo na segunda cabine telefônica. Alex Peterman, advogado ia pegar o último trem. O corpo fora acertado com cinco tiros de 45. Ninguém vira nada. Lanie comunicou que avisaria assim que tivesse mais informações. Castle não perdeu a chance de perguntar a ela quem gostaria de ver interpretando-a no filme, prontamente respondeu o que fez ele se voltar a Beckett ainda indignado pelo descaso dela.

- Viu? Já sei quem pode te interpretar. Angelina, não. Espere - Castle estava pensativo enquanto ela revirava os olhos - Kate Beckett, Kate Beckinsale. Chamaríamos de K-Becks - ignorando-o completamente, ela se voltou aos rapazes para saber maiores detalhes. Uma testemunha havia avistado um suspeito fazendo uma descrição bem clara dele. Após providenciar um desenho, ela olhava pensativa para o quadro de evidências. Castle notou a expressão fechada e preocupada.

- O que foi?

- Ele ligou para relatar seu crime. E aquela voz... É como se tivesse feito por diversão - ela o olhara incomodada - Não adianta, precisamos de mais informações. Lanie deverá nos procurar amanhã. Melhor ir para casa,Castle - estava certa, despediram-se é cedo pela manhã, Beckett ligou para acompanhá-la ao necrotério.

Lanie confirmou que morrera por múltiplos tiros e que tomara um martini uma hora antes de morrer. O que chamara a atenção da médica foram as balas. Estavam marcadas a mão. Castle logo se antecipou curioso com a descoberta. Ordenando as letras, ele formou uma palavra "kinki" e sorriu para ela. Mas, Beckett teve um insight e reordenando as balas formou a verdadeira mensagem dada pelo assassino. Nikki. O nome de seu alterego.

- Nikki Heat. Por isso ele me ligou. Por isso disse que era um fã. Dedicou este assassinato. Ele está mandando uma mensagem - disse Beckett - para mim - de repente, o assassinato tomara outra proporção e havia um clima tenso no ar. Alguém insano queria jogar com ela, a ideia fez o corpo de ambos estremecer.

De volta ao distrito, ela atualizara seu capitão quanto ao caso. Um claro exemplo de insanidade ou perseguição. A chave estava na ligação existente entre Beckett e Heat. De relance, ela notara o semblante preocupado de Castle. Ele parara de fazer piada, o que era algo atípico em se tratando dele. Resolveu não tocar no assunto por hora. Alguém bateu à porta da sala de Montgomery informando que havia uma ligação para a detetive Heat. Ela e Castle se entreolharam. Beckett dirigiu-se até sua mesa acompanhada do escritor e dos rapazes prontos para rastrear o telefonema.

- Conseguiu a primeira parte da mensagem?

- Consegui.

- Ótimo. A segunda está no carrossel do Central Park - e desligou. Sem perder tempo, eles deixaram a delegacia. Beckett contatou o CSU e ordenou que isolassem a área. A vítima era uma mulher, o MO também foi tiros, quatro dessa vez do mesmo calibre. Hematomas na lateral esquerda da mulher indicavam possíveis marcas nas costelas dando a entender que o assassino era canhoto. Lanie retirou as balas que novamente formavam outra palavra "will".

- Nikki irá, o quê? - perguntara Castle intrigado.

- Ele está mandando uma mensagem, mas não sei o que significa - disse Beckett.

- Agora é oficial, nosso cara é um serial killer - ela percebeu novamente a névoa de preocupação no rosto dele - pensei que um serial killer fosse o Santo Graal para os escritores.

- Sim, seria se o motivo não fosse Nikki Heat. Estou me sentindo um pouco responsável.

- Sério, assim como os Beatles foram responsáveis por Charles Mason e Helter Skelter, ou Jodie Foster por John Hinckley por atirar em Reagan.

- Se eu não tivesse criado Nikki Heat...

- Ele teria encontrado outro motivo para matar - de repente, vários carros pararam no acostamento. FBI. Beckett não estava gostando nada disso. Havia uma enorme possibilidade de perder a jurisdição desse caso. Viu uma agente dando ordens para outras pessoas até se aproximar dela.

- Nikki Heat, eu presumo - disse a agente apertando a mão dela.

- É Beckett. Detetive Beckett.

- Eu sei, li tudo sobre você na Cosmo. E você deve ser o escritor celebridade. Agente Jordan Shaw.

- Agente Shaw? - disse Castle - a mesma Jordan Shaw que resolveu o caso do estrangulador em Hudson Valey em 91?

- Também sou boa em Scrabble. Agora que já nos conhecemos, gostaria de ver o corpo.

- Agente Shaw, meu pessoal já cobriu a área. CSU recolheu provas e estamos vasculhando a área. Por mais feliz que eu esteja em ver a cavalaria estamos bem.

- Detetive, os deuses de Matlon Hall me enviaram para resolver um assassinato com ou sem sua ajuda. Agora, onde está o corpo?

- Isso vai para o filme - disse Castle fascinado com a presença da agente. Um dos rapazes se aproximou com uma bolsa. Havia uma carteira. Michele Williams, adestradora de cães. Ela detectou uma digital e quando pediu para levá-la ao laboratório, Shaw capturou a imagem.

- Pronto! Já está no laboratório sendo analisada. Sem sujeira, sem demora.

- Tem um aplicativo para isso? - Castle tinha os olhos arregalados, parecia um menino que encontrara o brinquedo preferido.

- Foi por isso que entrei para o FBI, Sr. Castle, pelos brinquedos.

No distrito, uma verdadeira invasão tomava conta do lugar. Equipamentos e caixas eram montadas por vários homens. Castle se aproximou dela que tinha cara de poucos amigos.

- Estão montando a sala de guerra. Conte-me tudo que sabe sobre a agente Shaw.

- Ela é você na versão federal. Com 25 anos ela solucionou o caso do estrangulador, salvou a vida da menina.

- Nunca o vi tão entusiasmado com uma pessoa antes - o comentário de Beckett demonstrava uma ponta de ciúmes, imperceptível para Castle. Este se mostrava maravilhado com os aparatos instalados, tudo digital. Em questão de segundos, eles compararam os perfis das duas vítimas traçando paralelos em suas vidas. Tinham todas as cenas e provas digitalizadas a sua frente. Viu um rapaz chegar com duas caixas contendo cerca de cem exemplares de Heat Wave. Shaw explicou que se o assassino é obcecado por Nikki então todos seriam.

- É preciso uma mente para caçar outra mente. Esse cara, ele comete assassinatos e liga para reportá-los. Ele gosta de aparecer. É diferente, a maioria nem sabe amarrar os sapatos. Diria pelo perfil que é um incendiário. Daí a escolha de Nikki Heat. Faça o resumo - ela ordenou que o outro agente falasse. Castle ficara incomodado com o jeito parco que tratavam seu best-seller. Beckett também estava envergonhada fazendo questão de dizer que era ficção quando mencionaram a transa entre Nikki e Rook, afinal todos os olhos estavam voltados para ela.A risada suprimida da agente Shaw indicava que não acreditava nisso, o próprio Castle se sentiu valorizado e satisfeito com a forma que todos entenderam a ideia de que eram ele e Beckett projetados nas personagens. Agente Shaw pediu que todos lessem o final do livro para descobrir o assassino. Um dos federais identificou a digital como presente nas duas cenas, com isso seguiram para prender o tal Donald Salt. Beckett e Castle se juntaram a ela ficando de tocaia enquanto esperavam os demais agentes para invadir o local. Nesse instante, Shaw percebeu que Castle cutucava seus óculos de visão noturna. Intrigada, começa a puxar conversa com Beckett.

- O que ele está fazendo?

- Ele...toca as coisas.

- Óculos de visão noturna, o meu é melhor. Sabe no meu terceiro livro de Heat, Nikki duelará com uma bela, porém sem sentimentos, agente do FBI. Chamarei de Federal Heat - os olhares frios de Beckett e Shaw caíram sobre ele - ou talvez não.

- A quanto tempo está dormindo com ele?

- Não estamos dormindo juntos. Ele só me observa.

- Sim, eu vejo como ele a observa. Eu faço perfis, raramente estou errada.

- Dessa vez está...errada.

- É verdade, tirando meu segundo casamento, essa é a relação mais assexuada em que já estive - Castle lançou um olhar maroto para Beckett que agradeceu mentalmente por ele não ter aproveitado o momento para se exibir com os supostos deslizes. 

- Se não estão dormindo juntos, por que o mantém por perto?

- Sabe que eu posso ouvir vocês? - retrucou Castle.

- Ele se mostrou surpreendentemente útil.

- Vou ter que acreditar na sua palavra – ela sorriu observando as ruas – ok, o time está aqui. Você – disse olhando para Castle – fique no carro.

- Castle, você a ouviu. Fique no carro – Beckett demonstrava uma satisfação enorme em seu sorriso por poder manda-lo ficar, não que ele fosse obedecer, conhecia muito bem o homem ao seu lado. 

O esquadrão, porém, estava adiantado. Quando estavam na porta, o suspeito chegou na porta de seu apartamento com um sacola de compras entendendo que algo muito sério estava acontecendo. Jordan gritou para que ele parasse de correr enquanto o perseguiam. Vendo o que acontecia, Castle não perdeu a chance. Abriu a porta e com a arma de choque da agente na mão, ele o atingiu derrubando-o. Beckett o algemou e percebeu que estava faltando um dedo mindinho. Levado a interrogatório, ele confessou ter visto um anúncio na internet pagando cinco mil dólares por um dedo, era um ótimo negócio. Contatou o telefone e tudo o que precisava era ter uma ficha criminal que o fizesse passar por um possível suspeito com recente quebra de condicional. Ele sabia que a detetive Heat o acharia. Em seu mindinho havia um recado para ela. Beckett desfez o curativo com calma de modo a não danificar a possível pista.

No esparadrapo, vários números pareciam formar uma espécie de código. Decifre o código, tenha a próxima pista. O agente Avery colocou a informação no sistema do FBI já rodando para descobrir o que aquilo significava. Porém, apesar dos brinquedinhos havia algo faltando para entender o código. Seu parceiro os considerou aleatórios, agente Shaw discordou dele.

- Não é aleatório. Ele comprou o dedo de um homem, para deixar uma digital que nos traria até este código. É como provoca Nikki: "É esperta o suficiente para resolver o enigma"? Então, qualquer que seja esta chave, ele acha que pode encontrá-la.

- Os números podem significar qualquer coisa – disse Beckett olhando para os números na tela. Castle também analisava atentamente os dados. 

- A coluna da esquerda é inferior que 300. A da direita, não é mais que 260. E parece que a combinação dos pares produz uma palavra.

- Palavras! – o rosto de Castle se iluminou pegando os exemplares do seu livro - É "Heat Wave". Quando é feito um manuscrito, o normal são 300 palavras por página. E "Heat Wave" tem menos que 300 páginas. A primeira coluna é o numero da página, 69... E a segunda coluna é uma palavra. 32, 33. "Eu".

-126, 80. "Vou" – checou Shaw.

-145, 204. "Matar" – checou Beckett.

-"Eu vou matar"...

- Esperem. Estou mandando o arquivo agora – disse Avery. Na tela, as palavras ganhavam vida formando uma frase que Castle leu em voz alta.

- "Eu... vou matar mais alguém antes... da meia noite de hoje, a menos que me impeçam".

- Meia noite. É daqui a 8 h – disse Beckett - Ele está nos impondo um tempo. Está nos desafiando a detê-lo.  

Meia hora depois, Castle retornava da minicopa com uma xícara de café nas mãos. De longe, pode observa-la sentada de frente ao quadro branco, seu verdadeiro objeto de trabalho. Os olhos focados nas informações já dispostas ali. Estava pensativa, seu semblante exibia preocupação. A forma como ela se envolvia na investigação sempre o intrigou. Ela mergulhava nos detalhes, cada pequeno fato importava. Dessa vez, sabia que ia além de fazer justiça e trazer paz para aquela família, havia a culpa. Apesar de não falar abertamente, ele pressentia em sua linguagem corporal, suas expressões que Beckett sentia-se culpada. Ele estava usando seu nome para matar. Tirar a vida das pessoas era um hobby, um jogo para aquele serial killer que se entitulava um fã. Castle também estava irritado consigo mesmo. Era sua personagem que dava a motivação para que aquele homem cometesse atrocidades contra a vida humana. Aproximando-se dela, ele escolheu brincar um pouco, quebrar o ambiente carregado que se instalara ao redor dela.

- Voltando à velha escola?

- O quadro sempre funcionou para mim. Tenho estudado as rotas de metrô, tentando traçar um padrão da Estação Central para o carrossel para a nova localização e, até agora, nada.

- Talvez haja algo sobre como escolhe as vítimas. Primeiro um homem, então uma mulher.

- Um advogado e uma babá de cães? Vamos encarar. Não há nenhum padrão – disse Beckett - Não há como prever aonde ele irá. São quase 9h00 e estamos sem tempo. E a cada crime que comete em nome de Nikki Heat...

- Uma mulher muito sábia uma vez me disse, "Você não pode culpar Jodie Foster por John Hinckley". Mas pode culpá-la por "A Ilha da Imaginação".

Avery recebeu o relatório do exame da fita onde estava o código, ambos voltaram à sala de guerra. Beckett pedia detalhes para o agente.  

- Positivo para formol, metanol e etanol – no mesmo instante, Shaw e Castle se entreolharam falando ao mesmo tempo.

- Fluido de embalsamento – de repente, Beckett se sentiu incomodada. A agente e seu suposto escritor faziam uma dança de possibilidades da mesma maneira como ela estava acostumada a ter com Castle por várias vezes. Não admitiria, mas naquele momento o sentimento ia além do incomodo, Beckett estava enciumada. Ela tentou interferir na dinâmica dos dois, porém a agente descartou qualquer ajuda comprando a teoria de Castle de que o nosso assassino trabalhava no necrotério. Resumindo a pesquisa usando a ideia dele, chegaram a seis lugares. Ordenou que as tropas o trouxessem até o distrito e por fim, dirigiu-se a Beckett. 

- Entendi o que quis dizer sobre ele ser útil.

A força policial se movimentou bem rápido. Vários suspeitos estavam nas salas de interrogatório, mesmo assim, Beckett não se dava por satisfeita. Aquilo estava errado. Estavam apenas perdendo tempo, ele estava brincando com eles da mesma forma que fizera com a digital. Eles estavam se perdendo. Quando se decidiu por deixar a sala de observação para continuar sua própria investigação, Ryan avisou que havia um telefonema para Nikki Heat. Claro que o mesmo seria monitorado. Respirando fundo, ela atendeu.

-Alô.

-Nikki? Você devia me deter. Quero que você me detenha.

-Diga-me onde você está.

- Você vem sozinha?

- Sim, só você e eu. Podemos resolver isso. Posso ajudá-lo. Só precisa confiar em mim.

- Diga-me algo... Como se sente sabendo que falhou? – aquelas palavras foram um golpe baixo. Para Beckett, era como uma facada no coração. Ela não o entendia, ela não decifrara seu jogo, errara. Isso custara a vida de outro inocente. Eles chegaram ao endereço rastreado. Fazia pouco tempo que ele saíra dali. Devia ter um corpo em algum lugar naquela garagem. Realmente existia uma vítima, sangue pelo chão e quatro cartuchos de balas denunciavam isso. Beckett deduziu que ele havia levado o corpo em sua caminhonete ou em um carro roubado provavelmente. Shaw disse que iria rastrear a placa logo que a identificasse na filmagem das câmeras de segurança da garagem.

-Mandaremos um alerta geral.

-Meu pessoal fará uma lista de todos os mensalistas desse estacionamento – disse Beckett querendo assumir o controle.

- Meu pessoal já está nisso. Tenho mais do que você. Tem uma unidade em seu apartamento – disse Shaw - Vá para casa. Descanse.

- Não é...

- Sem argumentos. Você não é útil pra mim se estiver exausta – eles deixaram a garagem. Beckett passou a mão nos cabelos, irritada. Um último olhar para Castle e decidiu ir para casa, mesmo que contrariada. Castle decidiu por não insistir nesse momento, sabia que precisava de um tempo sozinha. Droga! Ele também precisava desse tempo. Sua mente estava fervilhando diante dos últimos acontecimentos. Estava preocupado. Ao chegar em casa, encontrou sua mãe assistindo a TV ainda confusa pela situação que estava vivendo. Porém, bastou um olhar para o filho para saber que ele precisava de mais ajuda que ela.

- Tudo bem?

- Este caso, é só que... Se não fosse pelo meu livro...

- O que vai fazer, querido? Parar de escrever, por causa de um idiota com um parafuso solto?

- Não, é só que... Nunca tive a intenção de colocá-la em perigo.

- Deixe-me lhe dizer uma coisa sobre Kate Beckett. Essa garota sabe se cuidar. De verdade.

Ele compreendia o que a mãe queria dizer com relação ao lado profissional. O lado policial. Contudo, sua mãe não tem ideia de como Beckett era sensível e frágil quando as suas obrigações profissionais colidiam com as pessoais. Porque para Kate, sempre seria pessoal. Sua experiência no passado demonstrava isso. Não queria vê-la triste, ameaçada ou culpada. De fato, nunca se perdoaria se algo acontecesse a ela. Precisava estar ao seu lado. Esse era o tipo de caso que não se podia abandonar o parceiro, especialmente se ela pudesse estar em perigo. Não se importava com o que ela diria. Kate Beckett podia espernear o quanto quisesse, ele permaneceria ao seu lado.


Apartamento de Beckett


Kate chegara e dedicava-se a um bom banho. Reconhecia que estava cansada, a tensão do caso esvaíra suas forças. Estava frustrada por se encontrar numa enrascada como essa. Detestava ficar dependente de uma outra pessoa. Ela não era vítima, era uma detetive. Sabia lidar com bandidos, assassinos. Não era um bebê! Claro que sua mente não conseguia desligar do fato de ter um serial killer à solta matando em seu nome, ou melhor, no de Nikki.

A quem ela queria enganar? Ela era Nikki. Com sua experiência, Beckett deveria não se afetar com essa informação. Não podia se envolver com os detalhes. Era impossível. Ela se importava demais com tudo, as vítimas, as famílias. Não podia evitar. Era quem ela era.

Estava sentada no sofá comendo um pouco. Pedira comida chinesa. Passara mais de doze horas sem se alimentar. Como poderia? Sua mente estava nas vítimas e na vontade de prender aquele maníaco. À sua frente, estavam anotações e sua pasta do caso. Podia ter sido expulsa da investigação temporariamente, mas isso não a impediria de trabalhar em casa. Ainda tinha Castle. Diante dos últimos acontecimentos, ela tivera vários sentimentos contraditórios com relação a ele. Detestava a maneira como ele se empolgara com a agente Shaw. Por alguns momentos, parecia que a esquecera por conta dela. Sentira ciúmes dele. Novamente, outro sentimento a consumiu. Vê-lo preocupado com o desenrolar do caso, da sua possível influência sobre o maníaco apenas por criar Nikki foi algo bem interessante. Chegou a ser doce a maneira como ele encarou o impacto do seu trabalho na vida dela.

Perdida em pensamentos, ela havia se isolado do resto do mundo. Por isso, demorou um pouco para perceber alguns barulhos estranhos vindos do corredor. Beckett se levantou aproximando-se do armário próximo à porta procurando por sua arma backup. Ela sabia que uma patrulhinha estava na esquina de sua casa, vigiando-a desde que chegara em casa. Tratou de dispensa-los, apesar de não saber se a obedeceram. Porém, sua vigília ali não significava muito quando não se conhecia o real assassino à solta. Com extrema cautela, ela destrancou a corrente da porta preparando-se para abri-la de arma em punho. Com a porta escancarada e a arma apontada para o seu rosto, Castle encolheu-se todo diante da situação. Ao reconhecê-lo, o sentimento foi de surpresa.

- Castle? O que está fazendo aqui? – recuperando-se do susto, ele perguntou já se convidando para entrar.

- Vinho? – enquanto servia a bebida para os dois, Castle resolveu perguntar sobre a viatura.

- O que aconteceu com a segurança? Não vi ninguém.

- Eu os dispensei assim que cheguei – Castle olhou feio, não podia acreditar na teimosia dela.

- O que? As janelas estão trancadas, a porta está trancada. Estou armada – definitivamente não tinha argumentos contra isso, ainda assim se preocupava. Mas Beckett mantinha seu foco no caso, queria debatê-lo com Castle, sozinha, já que não teve essa oportunidade antes - Nosso cara matou os outros onde foram encontrados. Por que não esta menina? Por que não a deixou na garagem para a encontrarmos?

- Ele está mudando – Castle sugeriu sentando-se ao lado dela com as duas taças de vinho. Estendeu uma a Beckett.

- Ou esta vítima é especial. Não, obrigada.

- Não, a agente Shaw disse para nos distrairmos. Nada descontrai mais do que um vinho francês de 2000 – tornou a oferecer a bebida.

- Se a agente especial Shaw disse, então... – ela deixou escapar um sarcasmo.

- O que isso quer dizer?

- Nada. Apenas vi o jeito que a ouve, o jeito que olha todos os seus fantásticos equipamentos. Agora meu quadro não é bom o suficiente pra você? Precisa de um inteligente?

- Está com ciúmes?

- Não estou com ciúmes, estou envergonhada pela forma como age como criança, impressionado com sua matriz de dados. "Ela recolhe informações tão rápido, Agente Shaw. Diga-me tudo sobre ele".

-Você é ridícula.

-E agora faz uma teoria com ela.

-E daí?

- Você deveria teorizar comigo, ser da minha equipe.

- Pensei que estávamos na mesma equipe.

- Estamos. Só acho que se você tem uma ideia, deveria me contar primeiro.

- Tudo bem. Contarei. Agora beba seu vinho.

- Obrigada – ela sequer tomou um gole e recusou a taça - Mas estou cansada. E preciso ir dormir – disse indicando a porta.

- Não. Não vou embora. Estou aqui para te proteger.

- Com o seu vasto arsenal de inteligência? – provocou.

- Há um louco atrás de você por minha causa. Não vou deixá-la sozinha.

- Tudo bem. Estou muito cansada para discutir. Mas se eu vir a maçaneta virar, você verá, Sr. Castle, que durmo com uma arma.

- Entendido – ela se dirigiu ao quarto enquanto Castle se arrumou no sofá apoiando sua cabeça numa das almofadas e a taça de vinho nas mãos. Um sorriso de satisfação formou-se em seu rosto. Então Beckett estava incomodada com a presença da agente Shaw. Ciúmes. Isso era um bom sinal. É verdade que o momento não era tão oportuno para que ela demonstrasse esse tipo de atitude. Havia um serial killer no encalço dela. Um louco que se inspirava na sua personagem para matar e desafiar a bela detetive Beckett.

Ela provocara-o ao falar de sua proteção, porém Castle estava disposto a esquecer porque afinal, não era todo dia que Kate contava, mesmo que de modo torto, que tinha ciúmes dele. Fazia tempo desde que tiveram seu último momento íntimo. Sentia saudades de estar perto dela, não como fazia no dia a dia. Dividir a mesma cama, abraça-la. Sentir o calor de seu corpo. Não devia estar pensando nisso, não era apropriado ainda mais com ela a poucos metros de si, dormindo na cama, relaxada. Ele não se perdoaria se algo acontecesse com Kate. Precisavam prender esse assassino o quanto antes. Terminou a sua taça de vinho e começou a beber o que estava na dela. Virou mais um pouco da garrafa. A bebida era sua companheira da madrugada.

No quarto, Kate remexia-se entre os lençóis. Não conseguia dormir sabendo que Castle estava na sua sala, supostamente tomando conta dela. A culpa ainda estava presente em seu semblante. Não queria que ele se sentisse assim, Nikki Heat não tinha nenhuma responsabilidade por aquelas mortes. De repente, ela sentou-se na cama. Era estranho tê-lo tão perto de si e se manter alheia a sua presença. Não conseguiria.

Kate ficou surpresa ao constatar que expressara sua frustração para ele com relação a agente Shaw. Era ciúmes, lógico. Ele acertara em cheio. Conhecendo Castle, ele devia estar rindo com as paredes pela declaração dela. Ele já achara o máximo perceber ciúmes da parte dela, imagina agora com a confirmação. O que estava pensado? O cara estava na sua sala, preocupado com sua segurança e você pensando em ego? Em exibicionismo? Percebeu que queria conversar, talvez agora aquele vinho caísse bem. Consultou o relógio. Duas da manhã. Ergueu-se da cama. Vagarosamente abriu a porta do quarto temendo que ele estivesse dormindo.

Antes de anunciar sua presença, ela ficou parada admirando a silhueta do corpo dele. Não percebeu que ele estava acordado. Ela queria poder tirar a preocupação do semblante dele, porém como faria isso se nem ao menos conseguia entender o que motivava esse maníaco, por que essas pessoas, tantas mortes? Tudo era uma simples obsessão?  

- Não consegue dormir? – a voz baixa, quase como um sussurro a pegou desprevenida – sente-se – ele se ajeitou no sofá para dar espaço para que ela sentasse. Beckett suspirou e acomodou-se ao seu lado.

- Você vai ficar dolorido nesse sofá. Por que não vai para casa? – ela perguntou.

- Já disse a você. Estou aqui para protegê-la, cuidar da detetive mesmo que seja apenas um escritor já salvei sua vida antes. Além do mais, foram minhas palavras que criaram Nikki Heat, o que levou um maluco a matar e colocar sua vida em perigo. Detesto pensar que possa se ferir por minha causa. Não suportaria vê-la em uma cama de hospital, ou pior... – Beckett colocou o indicador sobre os lábios dele para fazê-lo calar-se.

- Pare de falar besteira, Castle. Ninguém vai morrer. Você é um escritor. Nikki, uma personagem e o assassino é um louco como tantos outros que já surgiram na minha vida. Ele já era mentalmente instável antes de Heat Wave.

- Ainda assim, detestaria saber que causei mal a você. Não me perdoaria, Kate. Eu me importo com você. Sei o quanto você é comprometida com o seu trabalho, com as vítimas, é capaz de esquecer da sua própria quando luta por eles – a sinceridade e ternura nos olhos azuis fez o coração de Beckett saltitar. Como ele poderia ser tão galanteador, tão encantador? Sentiu a mão dele sobre a sua. O toque suave, quente. Sentia falta daquelas mãos. Estava feliz por Castle ter insistido em ficar.

- Será que ainda tem um pouco daquele vinho? Eu poderia beber uma taça agora... – ela disse sorrindo – você tomou toda a garrafa? – perguntou ao ver as taças vazias sobre a mesinha de centro.

- Não, guardei um pouco para mais tarde – Castle disse pegando a garrafa que repousava ao lado da mesinha ainda pela metade. Encheu a taça dela e serviu-se de uma dose menor na sua. Kate sorveu o liquido devagar. Era um tinto encorpado delicioso. Percebeu que a mão dele continuava sobre sua perna movimentando-se em círculos. O simples gesto mexia com seus sentidos. Deixando o copo sobre a mesa, Kate tornou a fita-lo. O seu olhar dessa vez demonstrava desejo. Ele estava ali, espremido em seu sofá porque pensava poder protegê-la, mesmo sabendo que ela estava armada. Provavelmente se algo acontecesse naquele apartamento, seria ela quem defenderia os dois. Sorriu. Pouco importava o que aconteceria, era a atitude de Rick Castle que a fizera dar o próximo passo.      

Kate aproximou-se tirando a taça de suas mãos. Com uma leve batida de ombros, ela abriu o sorriso antes de tocar-lhe o rosto acariciando-lhe suavemente a pele com as costas da mão. Castle virou o corpo para observa-la melhor. Ela inclinou-se buscando a boca convidativa a sua frente. De olhos fechados, o beijo começou lendo e preguiçoso. Uma espécie de conforto experimental. Ele a deixara guiar, afinal fora ela quem tomara a atitude de iniciar um novo contato entre eles. Quando as mãos de Kate seguraram-lhe o rosto, sabia o que estava por vir. O beijo intensificou ganhando novas proporções. A língua invadiu sua boca buscando prova-lo melhor. Castle a puxou pela cintura para junto de si. As mãos escorregavam pelo corpo dela em busca da pele macia. Por baixo da blusa folgada, o toque dos dedos ágeis e quentes fazia Kate gemer entre seus lábios.

Castle projetou seu corpo sobre o dela deitando-a no sofá. Os lábios exploravam o pescoço, os ombros, o colo. As mãos mantinham-se ocupadas puxando a calça de moleton. Beijou-lhe entre os seios e mesmo sobre o tecido podia ver a reação positiva dela. Com as pernas longas à amostra, ele usava uma das mãos para toca-la e instiga-la em seu centro enquanto a outra acariciava seu seio por debaixo da blusa. O corpo dela arqueava, contorcendo-se contra suas mãos buscando contato com o corpo dele. Em meio às sensações, ela conseguiu elaborar algumas frases.

- Você tem muitas roupas, Castle... – após um gemido longo provocado por umas mordidinhas dele em sua pele das coxas, ela decidiu – vamos para o quarto, quero você na minha cama, sem qualquer roupa – ele a ergueu no colo dirigindo-se ao quarto. Colocou-a gentilmente na cama, sorrindo e roubando-lhe mais um beijo antes de livrar-se das calças e da camisa para se juntar a ela. Estava excitado por poder tê-la em seus braços novamente e por estar ali, em seu quarto. Quando juntou-se a Kate na cama, lembrou-se das palavras dela algumas horas antes.

- Você não tem uma arma na sua cama, realmente. Tem? – ele parecia incomodado com a ideia. Isso apenas fez Beckett sorrir.

- Não, está na gaveta da cabeceira. Só queria enfatizar quem manda nesse lugar. Vem cá, Castle. Termine o que começou – ele se inclinou sobre o corpo dela tomando-lhe em um beijo excitante. Suas mãos encarregavam-se de acariciar os seios, brincar com eles apertando os mamilos, puxando-os. Os lábios ainda estavam perdidos nos dela. Quando quebrou o beijo, sentiu as pernas dela enroscarem-se na sua cintura favorecendo o contato com o membro rijo e pronto para penetra-la. Antes, porém, Castle provou seus seios com a boca. Sugando-os, a língua contornando-os com destreza até ficar satisfeito ao vê-la contorcer-se e agarrar os lençóis com a mão. O corpo de Kate indicava que logo estaria próxima a um orgasmo. Então, ele dedicou-se a explorar outra parte do corpo que seria sua rendição. Afastando as pernas dela, não fez jogos, apenas a provou com a língua arrancando um grito prazeroso dos lábios da bela mulher entregue completamente aos seus cuidados e desejos.

Kate gemia recebendo o prazer das sensações que ele a proporcionava. Deus! Isso era muito bom! Sentia muita falta de ter aquele homem a acariciando, levando-a a lugares desconhecidos e fazendo-a esquecer qualquer outro problema por alguns minutos. Aos poucos, o tremor do corpo foi dando lugar a um calor excitante que a tomava da cabeça aos pés. A explosão do primeiro orgasmo aconteceu, fazendo-a agarrar-se nos lençóis com uma das mãos enquanto a outra empurrava o ombro de Castle implorando por mais, querendo mais.

Ele ergueu a cabeça para observa-la durante o orgasmo. Havia uma aura de prazer e beleza ainda maior em seu rosto. A pele vermelha, os olhos fechados e o som ininteligível escapando de seus lábios. Clamava por mais, ele deduziu e os gemidos passaram de prazerosos para reclamações. Castle sabia bem porque. Sorrindo, ele voltou a colocar seu peso sobre o corpo dela. Seu alvo dessa vez eram os lábios. Antes, ele mordiscou-lhe o queixo e brincou com a língua nos lábios dela. Kate o puxou pela nuca aprofundando o contato.

De repente, ela apertou-o contra suas pernas e trocou de posição. Estando sobre ele, Kate quebrou o beijo apoiando-se no peito dele com as mãos. Sorriu ao se inclinar novamente sobre os lábios dele usando a língua para explorar os lábios dele antes de render-se novamente ao beijo. Segurou o membro dele em suas mãos e preparou-se para recebê-lo. A sensação do corpo deslizando sobre o pênis duro era maravilhosa. O vazio desapareceu, deixando um gemido escapar de seus lábios. Kate começou a mover-se sobre o corpo dele. Castle atracou as mãos em sua cintura ajudando-a a impor o ritmo. Juntos, eles realizavam uma dança sincronizada. As mãos espalmadas no peito musculoso dele deslizavam até os braços fortes. Por um desejo maior, ela debruçou-se sobre o bíceps mordendo o músculo e sorrindo pelo gesto. Então, Castle deu uma estocada forte e rápida que a fez gemer. Repetiu o gesto fazendo Kate jogar o corpo para trás pronta para ser preenchida por um novo orgasmo de prazer.

Vendo-a sucumbir completamente ao prazer, Castle deixou sua mão deslizar sobre o corpo dela acariciando-a. Ergueu-se da cama encontrando-se com ela. Os lábios foram tocar o pescoço distribuindo beijinhos na pele quente. Novamente um beijo aconteceu. Kate deixou seus braços enroscarem-se ao redor dos ombros de Castle o que facilitou o contato e o sincronismo de ambos. Ele forçava-se dentro dela aumentando o prazer do orgasmo preparando-se para ceder ao pedido de seu próprio corpo. Beijou a garganta exposta a sua frente e com mais uma estocada, ele simplesmente deixou-se levar pelo desejo.

Enquanto desfrutavam juntos de mais um orgasmo, Kate deixava-se ser envolvida pelos braços fortes dele. Castle desabou no colchão trazendo-a consigo em meio a um beijo. As sensações provocadas por esse momento era diferente das demais. Havia um carinho a mais, um conforto a mais. O beijo que recebera e retribuíra a Castle naquele instante trazia sentimentos mais fortes, sinceros. Ao deitar-se sobre o peito dele, sentindo o calor do corpo e as carícias dele, ela relaxou sentindo-se bem pela primeira vez desde que esse caso começara. Kate ainda não sabia como explicar o que estava sentindo realmente. Apenas reconhecia que precisava desse momento, dessa demonstração de carinho. Adormecera quase instantaneamente após o último beijo trocado com Castle.

Pela manhã ao acordar, deparou-se com a cama vazia. Estranhou a forma como aqueles lençóis bagunçados e o colchão frio a deixaram com uma sensação incômoda. Levantando-se para ir ao banheiro, ouviu barulhos na cozinha. Vestiu-se com a mesma roupa de antes e encontrou-o em plena atividade na cozinha. O cheiro de café adentrava-lhe as narinas quase a convidando a jogar-se em seus braços pelo gesto. Ele fazia panquecas. Meu Deus! Que homem era esse? Era tudo resultado da culpa? A vontade era de tascar um beijo naqueles lábios, mas não seria a atitude correta. Eles estavam no meio de uma investigação, ela não poderia continuar seu momento de prazer com um corpo desaparecido. Estava na hora de esquecer o momento de deslize que se dera na madrugada e agir como se nada houvesse acontecido. Vestir a máscara uma vez mais. Haveria tempo para pensar e teorizar a respeito de seus atos daquela noite depois. Lembrou-se do que a agente Shaw falara sobre raramente errar nas suas avaliações quando insinuou que eles estavam dormindo juntos. Ela era boa, afinal não errara.

- Você ainda está aqui... E fazendo panquecas?

- Eu queria bacon e ovos, mas seus ovos estão estragados e seu bacon tem algo peludo.

- Sim, eu geralmente peço delivery.

- Percebi devido ao templo de isopor que tem na geladeira. Café misturado. Acho que seu filtro está quebrado. Pedirei um novo para você.

- Parece que você pensou em tudo – disse impressionada de ver a habilidade e a facilidade com que tramitava em sua cozinha.

- Com exceção do jornal – ele deixou o que segurava sobre o balcão dirigindo-se à porta para pegar o jornal.

- Castle, não temos tempo para o jornal. Há um corpo lá fora que tenho que encontrar.

- Parece que ele encontrou você – bastou abri-la e o corpo da mulher invadiu a sala do apartamento de Beckett. Ambos se olharam. Sabiam que o café estava suspenso. Além disso, deveriam dar explicações sobre o motivo de Castle estar ali. Um simples olhar dela o fez perceber sua preocupação. Ele se aproximou, acariciou o braço dela – hey, tudo bem. Vamos nos organizar, certo? Tome o seu café, você vai funcionar melhor com ele. Coma uma panqueca também. Precisa de energia para enfrentar o longo dia.

- Castle, teremos que chamar a equipe e o FBI... eu...

- Sim, você fará isso. Ninguém precisa saber o que aconteceu aqui à noite. Já deixamos bem claro que não dormimos juntos para a agente Shaw e quanto aos rapazes, acho que podemos dobra-los. Confie em mim, não direi nada. Será como das outras vezes, nunca aconteceu. Porém, antes de esquecermos completamente, quero que lembre-se do que disse. Não a deixarei sozinha. Ficarei ao seu lado e você pode contar comigo para o que precisar. Estou sendo sincero.

- Eu sei que está. Obrigada – ela respondeu com um belo sorriso antes de tomar um pouco do café e provar a panqueca – hum, essas panquecas estão muito boas. Você me surpreendeu, Castle.

- Ah, Kate... tenho meus segredos também – piscou para ela. Quinze minutos depois, ela ligava para o distrito. Eles não demoraram a chegar e como já esperava os olhares curiosos de Ryan e Esposito iriam transformar-se em perguntas bem capciosas para os dois. Ryan encarregou-se de entrevistar Beckett primeiro.   

- Você tinha acabado de acordar, certo?

- Sim. Castle estava acabando de fazer o café da manhã e foi até a porta...

- Que tipo de café da manhã?

- Como? – não acreditava que ele estava perguntando isso.

- Que tipo de café da manhã ele estava fazendo?

- Panquecas.

- Isso não é doméstico?

- Enfim, o jornal chega às 4h00, e nós acordamos às 7h00. O assassino teve 3 h para deixar o corpo sem ser notado.

- A que horas você e o Sr. Castle foram para cama ontem? – entendendo a pergunta dele, Beckett cortou logo o barato.

- Acho que terminamos por aqui – do outro lado da sala, Castle sofria o mesmo tipo de questionamento de Esposito.

- Cara, eu vejo a Beckett de pijama, taças de vinho na mesa.

- Não há nada acontecendo entre Beckett e eu. Não mais do que havia ontem.

- Cara, você fez panquecas? – perguntou Ryan. Diante das insinuações, ele afirmou.

- É apenas café da manhã.

- Panquecas não são apenas café da manhã – disse Esposito - É uma maneira comestível de dizer: "Muito obrigado pela noite passada".

- Castle, vamos lá, somos seus amigos. Detalhes – pediu Ryan. Pensando em uma maneira de para-los, Castle resolveu entrar no jogo dos dois.

- Tudo bem. Venham aqui – quando os dois se aproximaram ansiosos para ouvir o que Castle tinha a dizer, ele sorriu e gritou ao ouvido deles - Não há detalhes.

- Não consigo nem olhar para você agora – disse Esposito.

- Testemunha se recusa a cooperar – Ryan escreveu em seu bloquinho. Agente Shaw e Beckett estavam ajoelhadas observando o corpo.

- Agora sabemos porque ele levou o corpo – Shaw disse.

- "Sei onde você mora". Foi uma ameaça – afirmou Beckett.

- Mais que isso. Ele está dizendo que está desapontado com você. Na cabeça dele, ele te deu avisos claros de que mataria novamente. Se tivesse sido mais esperta, teria sido capaz de pará-lo. Ele está dizendo que este foi sua culpa – ao ver a preocupação e o medo no olhar de Kate, Shaw completou - Estou traçando o perfil dele, Detetive, não concordando com ele. O cara é um maldito maluco. Não o deixe te pegar.

- Falando em ironia... – Castle mostrou a noticia do jornal que perguntava se o maníaco atacaria novamente.

-Temos a identidade da vítima? – perguntou Beckett.

- Não, ainda não. Não tem bolsa, nem ocorrência de pessoa desaparecida. A van do legista está lá embaixo. Levaremos o corpo ao necrotério e pegaremos os projéteis. Só 4 ferimentos de entrada. Se o padrão se mantiver, teremos uma palavra de 4 letras.

- Engraçado. Também tenho uma palavra para ele – desabafou Beckett.

- Por que não escoltam o corpo ao necrotério e me contem o que descobrirem? – a agente deu uma olhada bem interessante em ambos - Assim que estiver vestida, claro – assim que ela se distanciou, Beckett apenas anuiu sem dizer qualquer palavra olhando para Castle. O show estava longe de terminar. Suspirou. Ao chegarem no necrotério, mais insinuações.

- Oi. Soube que estavam fazendo panquecas, quando o corpo foi abandonado.

- Nada aconteceu.

- Certo... – disse com um tom de descrença.

- Então, o que tem?

- Letras nos projéteis.

- B-U-...

- Burn! – disse Beckett – “Nikki will burn”, Nikki vai queimar.

- Isso é assustador – sussurrou Castle com um ar de preocupação ao fita-la. Era um dos pontos levantados pela agente Shaw que ele poderia ser um incendiário. Manteve o pensamento para si.

- As digitais da vítima não estão no sistema. Tem algo que possa identificá-la?

- Bem, encontrei formol nela.

- Sim, é do assassino. Também deixou nas outras cenas.

- Não eram traços. Estava embaixo das unhas dela, no cabelo. Ela trabalhava com fluido de embalsamento. Também achei traços de argila, poliuretano e sangue de animal. Não sei quem ela é, mas posso dizer o que faz.

- Ela é taxidermista! – Castle e Beckett se entreolharam ao dizer a frase juntos. 

- É tão fofo o modo como fazem isso – disse Lanie e nenhum dos dois se pronunciou apesar de um pequeno riso se formar no canto dos lábios de Kate. Parece que a sincronia e parceria deles estava de volta, em sua totalidade.

De volta ao distrito, Castle e Beckett contaram a descoberta para a agente do FBI. As vítimas estavam conectadas por fim. Avaliando as lojas de taxidermia, Ryan e Esposito identificaram a vítima e o motivo pelo qual o maníaco a assassinou. O cachorro. O maluco teve seu cachorro atacado por um rottwieller no parque morrendo em seguida. O dono levou o cão para ser embalsamado. Porém, não tinha dinheiro para pagar e não pode levar o cachorro. Dois dias depois, o lugar foi arrombado, computador destruído e o seu cachorro sumira. A agente Shaw lembrou-se que o seu pessoal entrevistou os clientes de Michelle e um rottwieller teve que ser sacrificado por atacar e matar outro cachorro.

Beckett ainda estava surpresa com tudo. A teoria fazia sentido, mas matar por causa de um cachorro? Ela não conseguia acreditar nisso.   

- Tudo por causa de um cachorro? O que isso tem a ver com Nikki Heat?

- O cachorro foi o gatilho. Talvez estivesse lendo o livro quando o cão foi morto. Quando aconteceu, de alguma forma, culpou Nikki – disse Shaw.

- Parece um pouco absurdo - disse Beckett .

- Deve ser amante de gatos. Detetive, ele está procurando uma razão para matar. É isso.

A primeira vítima, o advogado, foi quem os revelou a identidade do assassino. Ben Conrad, um cliente que fora recusado para abrir o processo contra o dono de um rottweiller que matara seu cão. A carteira de motorista revelou a foto. Um equivalente ao desenho feito anteriormente. Com o endereço nas mãos, era a hora de fazer justiça. Beckett viu a agente falando com sua filha ao telefone, esse foi o tipo de ação que a surpreendeu. Shaw ordenou que ambos ficassem ali, apesar do protesto de Castle, era o correto a fazer.

O telefone de Beckett tocou. Era o capitão. Bem Conrad estava ligando para Nikki. Pediu para coloca-lo na linha.

- Você se acha tão esperta, não é, Nikki? Acha que, só porque me achou, você venceu?

- Ele sabe que estamos aqui – Beckett tapou o autofalante para falar com Castle, deixou o telefone entre seu ouvido e o dele para que pudesse acompanhar o que ela conversava - Acabou, Ben. Hora de desistir.

- Não, não acabou.

- Ben, me escute. Está cercado. Preciso que abaixe a arma.

- Sabe que não posso fazer isto, Nikki.

- Ben, preciso que saia do apartamento com as mãos para cima.

- Este não é nosso jogo. Um de nós tem que morrer.

- Ninguém tem que morrer – Beckett insistia.

- Alguém sempre tem que morrer. E já que não pode ser você...

- Ben! – ela gritou ao ouvir o disparo. Era isso. Chegara tarde demais. Shaw ordenou a entrada da equipe. Porém, era tarde demais. A agente encontrou-o caído com uma poça de sangue ao lado. A arma era uma 45 provavelmente a mesma dos outros assassinatos. Ele estava planejando algo bem maior. Criava um detonador e possuía os esquemas do distrito, pretendia mata-la levando vários consigo. Acionando um telefone, eles puderam ouvir “Adeus,Nikki, adeus Nikki”.  

- Quando fez o perfil dele, disse que talvez fosse incendiário. Também disse que gostava de grandes cenas. "Nikki vai queimar" – disse Castle - Posso ver a poesia nisso – trocando um olhar com Beckett acrescentou - A terrível poesia homicida.

- Só não o havia descrito como suicida – disse a agente - Acho que uma vez que o encontramos, era a única forma que ele tinha de controlar a situação. Pelo menos Conrad nos salvou da confusão de um julgamento. E a melhor notícia é que sairei do seu pé.

- A melhor notícia é isto ter acabado – disse Beckett olhando através da janela perdida em pensamentos. Na rua, eles se despediram da agente do FBI. Castle ficou sozinho de frente para ela – vai ficar bem?

- Agora sim.

- Vá para casa, descanse. O pior já passou.

- Você também merece descansar. A noite foi bem agitada, não? – ela sorriu – obrigada pela companhia. E por se importar.

- Hey... – piscou para ela – tenho que proteger a integridade literária da minha personagem. Nikki é muito importante para mim. Não fique acordada até tarde, Kate. Ligue se precisar de mim – ele se distanciou seguindo para casa. Ele estava incomodado com o desfecho do caso. Sua mente não deixava de se perguntar porque tudo parecia tão certo. Em seu apartamento, ele revirava a pasta que trouxera do apartamente de Beckett. Procurava alguma explicação mais coerente. Algo não fazia sentido.

A filha engajou numa conversa com o pai sobre a vó que logo se juntava a eles. Durante a boa interação, algo chamou a atenção dele.

- Os machucados na 2ª vítima... O assassino usou a mão esquerda. E... Vê a letra dele? Olhe a inclinação do 4 e a volta do 6.

- É. Então ele era cachoto.

- Bem, Ben Conrad atirou em si com sua mão direita. Se o homem da janela era Ben Conrad, ele teria atirado em seu lado esquerdo. Ben Conrad não se matou. Ele foi assassinado pelo homem na janela. Ben não é nosso assassino. O verdadeiro só estava jogando conosco.

-Mas a evidência... – falou Alexis.

- Não, ela foi plantada para nos levar até o Ben. Ele quer que pensemos que acabou. Quer que abaixemos nossa guarda. Ele quer fazer uma grande cena. "Nikki vai queimar" – a realização o atingiu em cheio fazendo um arrepio percorrer sua espinha -Beckett!

- Meu Deus! – exclamou Martha.

- Montgomery tirou a segurança da casa dela. Ela está sozinha – discou o numero dela sem sucesso - Ela não atende. Ligue para o distrito – pediu a mãe - Diga para irem para lá imediatamente. Diga que estávamos errados, que o assassino está vivo. Tranque a porta. Não deixe ninguém entrar.  

Castle deixou o loft às pressas. Beckett tomava um longo banho enquanto o celular tocava insistentemente, o qual ela não ouvia devido ao barulho do chuveiro ligado. Assim que fechou a torneira, o som chamou sua atenção. Saiu da banheira enrolada numa toalha apenas para constatar que a pessoa ligando era Castle. Nossa! Como era insistente! Pensou suspirando antes de atender.

Ele corria nas ruas já bem próximo do prédio dela.

- Vamos, Beckett, atenda. Atenda o telefone! Atenda!

- O quê, Castle?

- Não foi Ben Conrad! – ele gritava - Ele não é o assassino! – corria e ofegava tentando fazê-la entender o que estava acontecendo - O assassino ainda está vivo! O assassino ainda está vivo!

Um pequeno clique seguido de um alarme chamara a atenção de Beckett dando real significado ao que Castle gritava ao outro lado do telefone.

- Adeus, Nikki – assustada Beckett não respondera nada ao telefone. Segundos cruciais a fizeram pensar que estava tudo acabado. Uma explosão tomou o ar espalhando fogo por todo o apartamento.

Boom.... as janelas completamente tomadas pelas labaredas. O grito de Castle sumira diante da ação do fogo.


- Kate! – ele olhava incrédulo para as chamas à sua frente. Não, isso não podia estar acontecendo. Ali nas ruas, Castle fora congelado pelo medo.


Continua...... 

5 comentários:

MarluLeles disse...

Quanta maldade em dona Karen...
Serio que vc pareou na mesma parte da série.
Ta mto perfeita...
Aguardando mais. ;)

Thais Ildefonso Pasquinio disse...

Que capítulo mais perfooooo!
Amo o duplo da 2 temporada.
Beckett com ciúmes é A+ HAHAHA
Adorei a noite deles juntos, teve mais carinho envolvido, super fofos.
Ansiosa pelo próximo, beijão!!

Beatriz Cardoso disse...

Cap lindo,fic MARAVILHOSA
mais uma coisa que eu me pergunto
e o Demming?
Vamos ver Castle com ciumes?
e a Gina ?

cleotavares disse...

Quase os dois poem fogo no ap antes do assassino.

Marlene Brandão disse...

Meu coração não aguenta isso não....Sofrendo neste momento!! !!!