terça-feira, 7 de abril de 2015

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.9


Nota da Autora: Sei que deixei vocês no vácuo, mas sabemos como essa história termina não? O capítulo está grande, espero que gostem e no próximo algumas boas reflexões. E ainda não sei o que farei com o Demming... sério, ele parece desnecessário nessa história, mas ainda não será no próximo capítulo, já ouviram falar da saga do apartamento? Aguardem... Enjoy! 


Cap.9


- Kate! – o segundo de pânico passou e tudo o que ele pensava era em encontra-la. Precisava salvá-la. Sem se importar muito com o que acontecia ao seu redor, Castle atravessava a linha de carros ao som de buzinas e xingamentos. O tempo virara um inimigo. As labaredas do fogo consumiam as janelas do apartamento tornando a angústia dele maior a cada passo que dava em direção a ela. Meu Deus! Como isso foi acontecer? Ela podia estar... não! Nem por um instante devia pensar assim. Cometeram um erro grave nessa investigação, erro de principiante. Talvez pela pressão, o significado. Pare Castle, não é hora de procurar os porquês, tinha que encontra-la ou não se perdoaria por isso.

Jogando o corpo contra a porta do apartamento, ele gritava por Kate. Não podia ser assim, não era para terminar assim. Tentou uma, duas, três vezes, nada. Respirou fundo para reunir todas as suas forças e tentar mais uma vez. A porta veio abaixo. Castle chamava por ela a cada passo que dava.

- Kate! – não acreditava no que via, o estado do apartamento estava horrível. Fogo e labaredas por todos os lados – Kate? - Onde ela se metera? Então, ouviu uma respiração fraca seguida de um acesso de tosse. Apressou o passo entrando no quarto dela – Kate! – viu a mão segurando-se na borda da banheira prestes a levantar. Ela estava ali – Kate? Kate! Você está viva! Nossa, e está nua.

- Castle, se vire!

- Sabe, seu apartamento está em chamas. Talvez não seja o melhor momento para modéstia.

- Castle, me passe uma toalha.

- Suas toalhas estão em chamas.

- Que tal o roupão?

- O... – em chamas também - Tem algo para vestir que seja inflamável? – virou-se para fita-la e levou uma tapa de Beckett - Desculpe.

- Me dê sua jaqueta.

- Tudo bem – ele tirou a jaqueta entregando-a para ela tentando manter o rosto longe de observa-la. Ele estava preocupado em saber se estava tudo bem, ela preocupada em não ficar nua e vulnerável na frente dele.

- Não olhe!

- Não estou.

- Não olhe!

- Eu não estou olhando. Apesar de já ter visto isso antes, então não sei porque... – mas parou de falar para dar um minuto a ela - Tudo certo?

- Sim. Mergulhei na banheira assim que explodiu – ele se virou para ajuda-la.

- Pode andar? – colocando seus braços ao redor do corpo dela, Castle a ajudou a sair da banheira. Estava mancando. O rosto também estava ferido. As demais partes do corpo, ele não podia notar. Aliás, ela nem deixaria o que para ele não fazia sentido uma vez que já tinham se vistos nus, na verdade apenas um dia atrás. 

- Sim, só estou um pouco ferida.

- Vamos. Com calma. Sim, com calma – ele a guiava pelo apartamento destruído pelas chamas - Está com dor?

- Bem, não tanto quanto você. Está te matando, não é?

- O quê?

- Ter que esperar para me contar como derrubou a porta.

- Quer que eu conte do começo? – Isso! Um pouco de bom humor seria ideal para acalma-la, manter a força e o foco ao invés de sucumbir. Sabia fazer isso muito bem. Levou-a até a rua onde os bombeiros já trabalhavam para apaziguar e mais tarde exterminar o fogo por completo. Chegando até a ambulância, Castle acompanhou atento o trabalho dos paramédicos mantendo uma certa distância para não deixa-la desconfortável. Conseguiu uma roupa para que ela trocasse. Ao ver que estava tudo em ordem, Castle resolveu voltar ao apartamento. Ver como estava o andamento das coisas. Avistou a agente Shaw indo em direção a ambulância. Seria bom as duas conversarem sozinhas.  

- Beckett, como está?

- É, estou bem – ainda com os cabelos desalinhados, um curativo no braço e o ferimento com sangue seco na testa, ela mantinha a aparência calma embora por dentro estivesse sendo devorada por um turbilhão de sentimentos.

- O que viu quando veio para casa?

- As portas estavam trancadas, como as deixei, as janelas fechadas e... Eu não sei. Nada parecia fora do lugar. Mas não sei, sabe, porque achei que o caso tinha acabado.

- Não está, mas você sim.

- O quê?

- Até acharmos o cara certo.

- Espera. Este é meu apartamento. Certo? Minha vida e meu caso.

- Certo,tudo bem. Minhas regras. Fará o que eu disser, quando eu disser e da forma que eu disser. E terá uma unidade de segurança com você o tempo todo – disse Shaw.

- Tudo bem.

- Ótimo – viu o capitão se aproximando.

- O fogo está apagado. Pode subir, se quiser.

Ela voltou ao apartamento. Era a primeira vez que percebia os estragos deixados pelo incêndio. Muitos objetos de decoração e pessoais se perderam, provavelmente suas roupas, sapatos. Felizmente, existiam alguns itens muito valiosos que não estavam ali. Kate os mantinha guardados em um depósito pessoal por falta de espaço no apartamento. O cenário causava-lhe dor e tristeza. Enquanto tentava compreender o tamanho do estrago buscando por alguns objetos, a agente do FBI e sua equipe avaliavam e procuravam por evidências do que causara o incêndio.

Tateando pelo chão, encontrou o solitário de sua mãe. Imediatamente perguntou.  

- Alguém achou o relógio do meu pai?

- Não está no corredor – Castle respondeu.

- Os danos não são tão ruins no seu quarto. Mas suas roupas cheiram à fumaça e explosivos – disse Esposito. Isso era um bom sinal. Pelo menos ainda tinha o que vestir.

- Alguém sabe se o seguro paga por lavagem a seco? – ela perguntou tentando manter a situação de maneira controlada e fingir que estava bem com o rebuliço causado por essa explosão em sua vida. Shaw estava abaixada checando o chão.

- Tenho o centro da explosão aqui – disse ela mostrando o local para Beckett que se agachara para olhar.

- Tinha que ter sido um artefato pequeno, ou eu teria visto.

- O laboratório terá o resultado pela manhã, mas isto é ciclonita. Mesma coisa que achamos no apartamento de Ben Conrad. O que te alertou?

- Não fui eu. Foi o Castle – ela procurou o olhar dele, pode ver em seu semblante que estava agradecida,feliz de certa maneira por estar viva.

- Nosso suposto assassino, Ben Conrad, se matou com a mão direita. O homem que Det. Beckett e eu vimos na janela segurava a arma com a mão esquerda. O tiro foi disparado assim que ele saiu de vista. Ele não teria tempo para trocar de mãos tão rápido. Nosso assassino verdadeiro matou Ben Conrad, colocou a arma em sua mão, fazendo parecer suicídio.

- Estávamos do lado de fora. Ouvimos o tiro. Não havia ninguém fora daquele apartamento. Então, se Ben Conrad não se matou...

- Então nosso assassino estava no apartamento o tempo todo – disse Beckett.

- Como diabos o perdemos? – era o que a agente Shaw se perguntava.

- Vamos descobrir – disse Castle.

Eles voltaram ao apartamento de Ben Conrad. Vasculhavam cada cômodo em busca de respostas, evidências, qualquer coisa que pudesse indicar a presença do assassino e seus passos. Beckett vestia um uniforme da NYPD. Era incansável, queria respostas. Felizmente, encontrou um fundo falso através do guarda-roupa, um possível esconderijo. Lá dentro, havia roupas, sapatos e as barbas falsas, tudo para o assassino se parecer com Conrad corroborando para a investigação encontra-lo. O rapaz fora mantido prisioneiro por todo esse tempo. Beckett estava frustrada.

- Enquanto isso, nosso assassino estava aqui, escondido na passagem secreta. Ele estava aqui o tempo todo, e nós o perdemos – nesse instante, o celular dela toca – Beckett.

- Você deveria estar morta.

- Sinto muito te desapontar.

- Deveria ter acabado, Nikki. Deveria ter terminado! – ele estava com raiva - Mas agora... Agora tenho que continuar – ouviam-se os gritos da mulher e disparos. Dessa vez ele usara o celular da vítima para que eles encontrassem o corpo. Gloria Rodriguez estava voltando para casa. Esse assassinato era diferente, fora cometido por raiva, em vez de ser planejado como os demais. A bala não trazia letras como antes.

- Só porque eu sobrevivi.

- Não pode se culpar por isso – disse Shaw – como ele sabe que sobreviveu?

- Ele estava olhando... As consequências.

- Tudo no perfil desse cara me diz que ele estava observando as cenas dos outros crimes – então foi aí que chegaram à conclusão correta. Ao comparar as cenas dos crimes procuraram na multidão, mas o camaleão como a agente Shaw gostava de apelida-lo não se deixaria ver porque era como eles, estava vestido de policial. De volta ao distrito, eles compararam as fotos e encontraram. O mesmo policial em trinta fotos. Nenhuma com uma visão clara de seu rosto porque é esperto, sabe onde as câmeras estavam, ele conhece a estratégia. Quando Beckett sugeriu colocar Ryan e Esposito para falar com os outros policiais, Castle disse que não ia adiantar. Chateada, ela retrucou.

- Tudo bem, tem uma ideia melhor? Porque não tenho nenhuma. E se não o pegarmos logo, ele matará novamente.

- Não pode levar para o lado pessoal – disse Shaw.

- O diabo que não. Ele explodiu meu apartamento. Acho que é bastante pessoal.

- Sabe como capturaram o Filho de Sam? – perguntou a agente.

- Uma multa de estacionamento. Berkowitz estacionou perto de um hidrante – respondeu Castle.

- Só temos que achar nossa multa, e pegaremos esse filho da puta – disse Shaw - Inteligente como é, ele tem uma falha fatal, a arrogância. Não basta ser inteligente. Ele quer que saibamos isso. Ele quer que saibamos que ele nos enganou. Todas suas primeiras vítimas, o advogado, a baba de cães, a taxidermista, todas estavam ligadas à morte do cão de Ben Conrad. Como poderia nosso assassino conhecer todas as figuras da vida de outra pessoa?

- Ele deve ter conhecido Ben Conrad – sugeriu Castle.

- É onde começamos. Tratamos Ben Conrad como a primeira vítima nesse caso. Então descobrimos onde ele cruza com nosso assassino.

Castle pediu licença para retornar ao loft para ver a filha e trocar de roupa. Perguntou se Beckett queria algo, o que ela recusou. Agora, mais do que nunca queria focar no trabalho e pegar esse cara. Montara um novo quadro de evidências sobre Ben Conrad. O cara era um solitário. Não tinha amigos, namorada. Apenas o cachorro. Nem isso depois. A irmã confirmou o que Beckett já imaginara. Além disso, ele perdera o emprego há alguns meses, desde então enviava currículos sem sucesso em cafeterias com internet grátis, fora o cachorro sua única alegria era o Knicks. Castle retornou trazendo café para ela. Diante de discussões, ele sempre cotava algo que Shaw dizia. Isso começava a irrita-la. Observando a foto do apartamento de Conrad, percebeu que faltava uma televisão. Sendo assim, deveria assistir os jogos do Knicks em algum bar da vizinhança.

- Certo, procurem em todas as cafeterias no raio de cinco quadras do apartamento de Conrad. Vejam se alguém se lembra dele conversando com um cliente. Castle e eu ficamos com os bares – virou-se para Castle com um olhar incisivo - E se continuar citando Jordan, aumentarei muito o rádio.

- Ciúmes... – ele disse brincando com os rapazes sem que ela ouvisse. No fundo, estava adorando isso vindo de Beckett.

Eles rodaram por vários bares sem qualquer chance de reconhecimento da vítima. Castle estava frustrado por não terem nada, ao entrarem em mais um bar, ele quase jogou a toalha. Mas, tudo indicava que vieram ao lugar certo. Havia uma faixa pendurada saudando o serial killer com o nome de Conrad. Após conversar com a dona do estabelecimento, Beckett descobriu que Ben conversara com outra pessoa e juntos tomaram um taxi para casa. O endereço era no West Village na esquina da Varick com Downing. Julgando pela descrição que receberam do cara, era um tiro no escuro.

Jordan Shaw juntou-se a eles com várias informações sobre a suposta personalidade do assassino. Detalhes que poderiam formar seu caráter. Suspeitava que ele vivia sob uma identidade falsa. Beckett argumentou que eram muitas informações que os deixavam em um ângulo bem amplo. Da mesma forma que o endereço, seria difícil achar um suspeito. A agente concordou, porém às vezes tinha-se sorte ao compilar tudo o que sabia em busca de uma resposta. Colocando os dados no potente computador do FBI, eles encontraram dezessete possíveis suspeitos. Reduzindo o número através dos registros criminais, Shaw esperava encontrar algo. Beckett assistia a tudo um pouco descrente. Quando tudo parecia perdido, uma identidade se destacou.

- Chris Doherty. Temos uma habilitação recente, mas, de acordo com o número de sua previdência social, Chris Doherty morreu há 6 anos – disse o agente.

- Ele vive sob uma identidade falsa – disse Beckett olhando surpresa para o quadro digital - Então quer dizer que nosso morto, supostamente, está vivo?

- Seu endereço o coloca a meio quarteirão da Downing e Varick.

- Certo. Agora estou oficialmente impressionada – confessou Beckett.

- Não fique. Não até que ele esteja sob nossa custódia – disse Shaw - Vamos!

Ao chegarem ao endereço do suspeito, a primeira coisa que chamava a atenção era um bando de folhas escritas penduradas no teto, o conteúdo de um manuscrito provavelmente. Isso até Beckett se deparar com um mural em sua homenagem, tecnicamente. Ali estavam fotos, entrevistas, o nome de Nikki Heat, a capa do livro de Castle, os jornais reportando o crime. Ver aquilo a sua frente, fez seu estomago revirar. Sentia-se explorada de uma forma inexplicável. Ela não era a única incomodada com tudo aquilo. Castle também estava enojado com o que vira. Ele era um louco, um insano. Ainda assim, era o seu trabalho que o motivara a matar. Como escritor, Castle nunca evidenciara algo assim. Ao se deparar com uma cópia de Heat Wave, Castle abriu a capa e encontrou sua assinatura.

- Eu assinei isso. "Para Scott, escreva o que você sabe."

- Scott? Você se lembra dele?

- Não, mas eu assino centenas de livros – observando ao seu redor, ele encontrou um calhamaço de papel. Sabia bem o que era.

- Seu manifesto? – perguntou Shaw.

- Seu manuscrito – disse Castle.

- Dead Heat? – Beckett se aproximou dele para ver o material.

- "Heat examinou as balas, cada uma delas perfeitamente gravada com uma letra. Ela as reorganizou como peças de scrabble, até seu nome ser escrito".

- Um livro? Tudo isso sobre um maldito livro – Beckett reclamou frustrada.

- Escrevia sobre seus assassinatos muito antes de Nikki Heat – disse Shaw folheando outro manuscrito - Noites de Terror. Parece que é sobre ele matando prostitutas em Seattle.

- Me lembro desse caso. Pensei que tinham pego o cara.

- Não só o pegamos, como o encontramos morto. Ele se enforcou.

- Outro bode expiatório, como Ben Conrad.

- Ele escapa como assassino. Por que escrever sobre isso? Por que arriscar? – Beckett se fazia essa pergunta tentando entender o motivo que o levava a matar.

- A escrita é provavelmente um sintoma de sua psicose, como um troféu. Ele quer memorizar a façanha e se distanciar disso, virando realidade em ficção. E, então, vem Nikki Heat, feita sob medida para sua psicose. Uma parte real, uma parte ficção, assim como ele. Quem melhor para ele desafiar? – a análise da agente fazia sentido. 

- Ele devia saber, ao ir atrás de Beckett, que perceberíamos que Ben não era o assassino. Para que revelar o plano?

- É parte da emoção – disse Beckett - Ele precisa agravar, para se sentir vivo.

- Ou... Ele é um psicótico, obsessivo-compulsivo, e já decidiu como isso tem que acabar – ela segurou o manuscrito indo direto para a última pagina. Seus agentes constataram que não havia uma digital sequer no apartamento, o que a fez deduzir que devido a ser incendiário, pode ter perdido as digitais. Decidiram ficar de tocaia. Apesar da agente Shaw ter falado para Castle colocar o livro onde achara e desocupar o local, ele acabou escondendo em seu casaco. A curiosidade de conhecer o que o assassino pensava fora maior.

Escondidos em um trailer, elas monitoravam o lugar esperando pela volta de seu morador. Castle passava o tempo lendo a historia escrita para Nikki pelo psicótico. Estava se sentindo muito mal por tudo aquilo. Claro que não podia deixar de comentar sobre o que lia.    

- Cara, está tudo aqui, as balas gravadas, os telefonemas de gato e rato, o código. Só que é Nikki Heat investigando, e ela sempre está um passo atrás dele.

- Até agora – disse Beckett.

- Castle, qual parte do "desocupar" você não entendeu? – perguntou Shaw.

- Tudo – fazendo cara de desentendido.

- Para futuras referências, significa: "Sai fora e não leve nada".

- Desocupar. Legal. Desocupar...

- Ele é sempre assim? – perguntou a agente para Beckett.

- Castle tem a necessidade de atenção de um Cocker Spaniel.

- E a lealdade...- complementou a agente - O modo como ele te segue. Pelo que observei, esta parceria não ortodoxa... funciona bem para você – Jordan disse sorrindo.

- Por enquanto – concordou Beckett.

- É suficiente? – essa era uma pergunta que Beckett evitava responder mesmo para si apesar de estar sempre em sua mente. Ao invés disso, optou por devolver a pergunta de outra forma.

- É o suficiente para você subir em um avião 6 vezes por ano, capturando serial killers por todo o país?

- Eu estaria mentindo, se dissesse que é fácil.

- Como gerencia isso? – Beckett começava a sentir uma certa admiração pela mulher a sua frente.

- Você perde uns aniversários e faz muitas ligações. Meu marido a coloca na cama todas as noites, diz a ela que a mamãe está matando dragões – isso fez ambas sorrirem. Ao observar o monitor, a agente Shaw notou um cara no telhado dando bandeira, exceto que não era um dos agentes. Era o suspeito. Saíram em busca dele, porém ordenando que Beckett permanecesse na van, já que era o alvo. O problema era que a agente Shaw não conhecia a teimosia de Beckett. Ao observar o monitor, percebeu que o suspeito estava indo na direção contrária aos agentes. Sem pensar duas vezes, engatilhou sua arma e saiu da van fechando a porta na cara de Castle.

Numa caçada desenfreada de gato e rato pelas ruas de Nova York, Beckett corria para alcançar seu inimigo. Das ruas, eles foram parar em uma estação de metrô. Pulando catracas, correndo pelas escadas e fazendo malabarismos ela o seguia com sangue nos olhos. Queria prende-lo a qualquer custo. Infelizmente, por um breve segundo, ele conseguiu entrar no trem deixando-a para trás, mas não sem antes fazer uma ameaça simbólica de que ia mata-la.

Com as imagens da câmera do metrô, eles finalmente identificaram o cara. Scott Dunn. Problemas psicológicos, registros juvenis e claro queimara as mãos ainda jovem em um incêndio onde foi condenado. Além disso, ele sumira do radar desde 2004 passando a viver sob identidades falsas desde então. Jordan Shaw exigiu todas as informações sobre o assassino em suas mãos em uma hora e chamou Beckett para segui-la.

- Você está fora.

- Desculpe, o quê?

- Eu disse para ficar na van.

- Acabei de solucionar o caso – replicou Beckett.

- Preciso de pessoas em quem posso confiar.

- Espera aí... – ela estava irritada, porém a agente não iria voltar atrás.

- Desculpe, está fora do caso. Com muita raiva, Beckett invadiu a sala do seu capitão acompanhada de Castle exigindo ficar no caso. Montgomery sabia que era uma luta perdida e para Beckett era melhor que ficasse longe de tudo. 

- Ela tem a jurisdição. Não há nada que eu possa fazer.

- Senhor, este caso é meu. Ele está atrás de mim. Goste ou não, já estou na linha de frente.

- Você e Castle o encontraram. Fizeram o mais difícil. Eles congelaram suas finanças, alertaram as autoridades de transporte. Seu rosto está nos jornais, ele está encurralado.

- Você me ensinou que, quando um animal está encurralado, é quando ele é mais imprevisível.

- Sim, e também é quando comete erros. Ele faz algo estúpido e nós o pegamos. E você está esgotada há dias. Precisa ir para casa e dormir.

- Senhor, eu não tenho uma casa – a realização do fato a pegara em cheio.

- Sim, você tem – Castle respondeu - É um prédio seguro, com um quarto extra, com pessoas que se preocupam com você, e com federais na porta. É o prédio mais seguro na cidade.

- Obrigada, mas não poderia – disse olhando para Castle.

- Você pode e você irá – ele fora gentil e enfático na sua colocação, o que fez Beckett o olhar incrédula.  

- Detetive, tirei a segurança do seu apartamento, isso deu a ele a chance de chegar até você, não cometerei o mesmo erro duas vezes. Considere uma ordem.

Castle ergueu-se da cadeira indicando que deveriam sair dali. Sabia que ela estava irritada e poderia até descontar nele. Não importava. Tinha motivos de sobra para estar assim. O cara comprara uma briga pessoal com ela mesmo que através de seu alterego. E pensar que ele era responsável por parte disso. Ele quem a expusera daquela forma, à mídia, a uma cidade, ao país e principalmente ao lunático. No corredor do distrito, ele arriscou.

- Podemos ir?

- Pode me dar um minuto? Vou ao toalete – andando a passos largos, ela sumiu pelo corredor. Bateu a porta com força e chutou a lixeira próxima a pia. Olhando-se no espelho, falava mentalmente para se acalmar. Não havia muito o que fazer pelo menos naquele momento. Não tinha um apartamento graças a um lunático. Parte de sua vida destruída e nem poderia vingar-se apropriadamente. Passou uma água no rosto, suspirou depois de enxugar o rosto. Não precisava chegar de cara amarrada na casa de Castle. Ele estava apenas sendo gentil. Era como o ditado, o que não tem remédio, remediado está. Ela pegou a bolsa e o casaco encontrando-o em frente ao elevador.

Com uma muda de roupa que mantinha em seu armário no distrito, eles seguiram calados até o apartamento dele. Porém, antes de subir, Beckett decidiu por pedir desculpas.

- Castle, antes de subirmos, eu gostaria de me desculpar. Eu sei que você está se sentindo culpado. Da mesma maneira que eu também tive esse sentimento. Estamos errados ao pensar assim. Nós não podemos nos render. Obrigada pelo apoio. Foi importante para mim.

- Era o mínimo que eu podia fazer por você me aguentar seguindo-a todo tempo e por ter quebrado sua porta.

- Como se isso fosse realmente o grande problema – disse sorrindo. Entrando no loft, ele mostrou onde ela dormiria, o banheiro e informou que ficasse à vontade. Pediu licença para trocar de roupa, na volta, preparou um café. Sentados um de frente para o outro. Era inevitável falar no caso.

- Quem imaginaria que eu viraria sem-teto e sem caso no mesmo dia?

- Sei que sou o rei de não seguir ordens, mas estava certa em perseguir Dunn.

- E Agente Shaw estava certa em me tirar do caso. Teria feito o mesmo se estivesse no lugar dela. Estou muito perto dele.

- Tenho certeza que depois disso tudo, está um pouco arrependida por me deixar te seguir.

- Não, não isso. Todas as coisas irritantes que faz, mas não isso – acho que você não tem ideia, Castle, ela pensou - E você? Está arrependido de ter escrito "Heat Wave"?

- Da forma que vejo agora, se não fosse por Nikki Heat, esse cara continuaria matando, porque não teria achado ninguém inteligente para pegá-lo – ao vê-la começar a abrir um sorriso, implicou - Estou falando, é claro, da Agente Especial Shaw – fazendo biquinho mas entrando na brincadeira, ela jogou um pano na direção do rosto dele e se despediu.

- Boa Noite, Castle.

- Boa noite.

Após um banho e a troca de roupa, Kate deitou-se na cama. Apesar do cansaço, não conseguia simplesmente dormir. Sua mente estava cheia de pensamentos, os mais variados possíveis. O fato de que quase morrera, a perda de seu apartamento, o maníaco matando inocentes por causa de um livro, a perda do comando, Castle.

Ele salvara a vida dela. Estava em dívida com o escritor. Não era apenas isso. O modo como ele se preocupara com ela era muito doce. Tudo bem que ele estava meio hipnotizado pela agente do FBI, porém não era essa lembrança que persistia em sua mente. Era a última noite que passaram juntos, o cuidado, o carinho, a preocupação. A pergunta da agente ainda pairava em sua mente. Seria suficiente? Também ainda não agradecera Castle de maneira apropriada por salvar sua vida. Melhor não pensar muito sobre isso agora. Podia ter sido tirada do caso, mas isso não significava que talvez não precisassem dela. Afinal, Nikki era a chave de tudo. Após um longo suspiro, ela deixou as lágrimas escorrerem pelo seu rosto.      

Castle também demorava a dormir. Mesmo confiante no trabalho da agente Shaw, não havia dúvidas de que a vida de Kate estivera por um fio. Se tivesse demorado alguns minutos mais, ela poderia não ter resistido. Falara da boca para fora quanto ao arrependimento de escrever o livro, essa não era a palavra. Continuaria escrevendo sabendo que a cada nova história estaria  incentivando um ser vil ou maluco a praticar atos de violência, a matar. Em cada momento desses, ele estaria colocando-a em risco. Apesar de saber que ela podia se cuidar, somente de imagina-la em perigo sentia um frio percorrer-lhe a espinha. Esperaria essa loucura acabar e então ajudaria Beckett a encontrar um novo apartamento. Ela poderia ficar ali o quanto precisasse.

Kate mostrava-se uma fortaleza, uma leoa diante da situação de extremo perigo. No fundo, porém, ele já conhecia um pouco daquela personalidade teimosa e determinada. Ela estava sofrendo. Sua vontade era abraça-la, acalenta-la. Dar o carinho que precisava naquele momento. Infelizmente não podia fazer isso. Ela não admitiria mesmo querendo.  

Uma nova reviravolta acontecia no caso. Ao deixar o distrito, agente Shaw falava ao telefone com a filha. Tranquila, ria e conversava indo em direção ao seu carro. Quando desligou o celular e girou a chave na ignição, foi surpreendida por ninguém menos que o serial killer. Fora sequestrada.

Na manhã seguinte, Kate estava na cozinha lidando com panelas enquanto preparava o café da manhã no loft. Uma forma de retribuir o que Castle fizera por ela não apenas após a noite que lhe fizera companhia como também por dar-lhe abrigo.

- Martha! – meio sem graça por ser pega na cozinha quase que bem à vontade.

- Kate.

- Estou aqui por ordens do FBI.

- Querida, não sou eu quem vai julgar.

- Sinto muito, não ia me impor a isso, mas minha casa...

- Virou cinzas. Não, eu sei. Bem, isso explica revista pelo belo rapaz com fones de ouvido. Achei que fosse Richard fazendo um relato dramático, sobre as condições de minha visita sem aviso prévio.

- Acabei de acordar e, literalmente, senti cheiro do café e do bacon. Visita para devolver sua chave? – ele brincou beijando o rosto da mãe.

- Muito engraçado... – enquanto ela falava, Castle esticou a mão para roubar um pedaço de bacon, mas Beckett o impediu batendo com a espátula em sua mão - Não, estou procurando por minhas luvas azuis, pois estas não combinam. Bem, ela cozinha.

- Na verdade, minha mãe era uma cozinheira incrível. Ela costumava fazer o brunch de domingo, e eu tinha que escolher entre panquecas, omeletes, waffles.

- Isso é engraçado. Nos domingos, minha mãe me mandava preparar gelo e um Bloody Mary.

- Não escute ele. Isso só aconteceu 2 vezes. No máximo.

- Vovó! – e Alexis pulou para abraça-la deixando os dois novamente sozinhos.

- Parece que foram meses. Faz só um dia – disse Castle fazendo Beckett sorrir ao observar a cena. O celular dela tocou.

- Com licença. Beckett – aproveitando que estava ao telefone, Castle provou os ovos - Certo. Já estou indo. Castle, era o agente Avery. Jordan, não chegou em casa ontem à noite.

Eles seguiram com Avery para o local onde o carro de Jordan fora abandonado. Ela lutou com ele, mas não evitou ser levada em outro carro roubado. Do momento que chegara ao local, Beckett assumira tudo mesmo com a presença do FBI ao seu redor. Tomando a frete, ela descreveu exatamente como tudo acontecera. Nesse instante, o celular tocou.

- Beckett.

- Não ha nada como o laço entre namoradas, não é, Nikki? Deve sentir mesmo falta dela.

- Onde ela está?

- Em segurança, por enquanto.

- Se você machucá-la, irei...

- Isso depende de você, não é? Esta é sua história, Nikki, não dela. Ela é só um adicional. A revelação dos fatos só funciona se for entre eu e você. Venha para o Terminal de Barco do Battery Park, à meia-noite. E venha sozinha, ou ela morre.

- Como posso ter certeza que ela ainda está viva?

- Te mandarei um e-mail – de volta ao distrito, Beckett checou sua caixa e lá estava o vídeo com a imagem de Jordan amarrada em um quarto qualquer. Para ela, ver uma cena assim somente aumentava sua raiva e a vontade de caça-los.

- Não me importo se é sua história, Detetive. Eu a trarei de volta viva – disse Avery.

- Não é minha história, é dele – retrucou - E se Agente Shaw estivesse aqui, ela diria a mesma coisa.

- O que ele tem planejado, é uma armadilha – afirmou Castle.

- Se eu não aparecer, ela morre – disse Beckett.

- Mas se aparecer, as duas morrem.

- Temos que chegar até ele antes da troca – analisando a imagem da filmagem, Montgomery viu uma possibilidade no canto da tela. Sabendo que poderia usar os recursos do FBI, ela dirigiu-se ao agente – Agente Avery, se não se importa que eu volte à investigação, sugiro que levemos esta festa para outra patamar.

Na sala de guerra montada pelo FBI, era Beckett quem comandava, indicava o que fazer, pesquisar. Descobriram que o prédio ficava no sul e leste da cidade de costas para a ponte Whitestone. Ela pediu para tocar o áudio novamente, mas dessa vez sem as vozes e o trânsito. Barulho de metro, estrutura elevada. Ordenou que cruzasse os mapas com a visão do local. E o sistema do FBI fez maravilhas indicando exatamente o endereço do prédio onde ele estava mantendo a agente refém. Com a equipe tática, eles montaram a operação. O prédio era monitorado pelos artefatos do FBI incluindo o equipamento térmico que indicava duas pessoas no prédio naquele exato momento. Castle olhava para tudo aquilo sem realmente sentir a verdade naquilo. Não fazia sentido.

- Isso é errado.

- O que é errado?

- Me sinto a Princesa Leia quando a Millenium Falcon escapou da Estrela da Morte. É muito fácil.

- Como assim?

- Quero dizer a falha na janela, esperando para gravar a mensagem quando o trem passava. Ele nos trouxe aqui. Se lembra como era perfeito com Conrad?

- É, eu entendi a parte da armadilha, mas não significa que ficarei parado. É minha parceira lá.

- Ela estará morta no momento que você entrar.

- Por isso não entraremos. A troca de reféns acontecerá à meia-noite. Isso significa que ele tem que movê-la antes. Iremos em silêncio, assumiremos nossas posições. E, assim que Dunn sair...o pegarei... Como o cão raivoso que é – saiu para juntar-se a equipe. Castle olhava o monitor pensativo. Estavam apenas os dois ali e de alguma forma, ela talvez tivesse o mesmo sentimento.

- Não sei como ele está fazendo isso, mas ele não está lá.

- E em que está baseando isso?

- Não sei como sei. Eu só...

- Você só o quê? Castle, nós nos conhecemos o suficiente para eu saber que, às vezes, suas teorias bobas estão certas. Então, se tem motivos para acreditar que ele não está lá, tem que me dizer o porquê, agora.

- Só porquê... Não é como eu escreveria.

- O que acontece na sua versão? – ela perguntou.

- Ele nos deixa pensar que o achamos, para nos atrair até aqui. Deixar o FBI se encontrar no prédio, só que ele não está lá.

- Onde ele está?

- Próximo, assistindo. Assistindo o desenrolar. Ele tem algo planejado. Se fosse eu, esperaria até todos entrarem, tomarem posição e, então, explodiria o prédio.

- De onde ele estaria assistindo? – ela continuava a perguntar já achando a ideia dele completamente aceitável.

- Eu não sei. Ele quer mostrar que é mais esperto que nós, então estaria em algum lugar próximo e fora do caminho.

- Castle, se fosse você, de onde estaria assistindo?

- Não assistiria do prédio onde eles estão. Assistiria daqui – apontando para o prédio da frente – ela analisou por uns segundos, no fundo ele já a convencera bem antes.

- Vamos – eles deixaram a van e subiram as escadas laterais do outro prédio. Quase chegando ao andar correto, ela estendeu a arma para ele.

- Você quer que eu segure enquanto amarra os sapatos?

- Não, quero que pegue só para garantir – eles subiram cautelosamente. Entrando no local, ela avaliava todos os espaços a sua frente. Então, pode vê-la sentada na cadeira presa, tal qual o vídeo. Escorada a parede, chegara a hora do tudo ou nada, ela sussurrou para ele.

- Castle, ele está lá. Vou afastá-lo. Liberte Agente Shaw e consiga ajuda. Castle, você é meu único backup – a confiança impressa no olhar trocado - Certo, vá.

- Achei que fosse de mim que estivesse atrás – ela apareceu de arma em punho.

- Nikki... Você veio.

- Mãos para cima, Dunn, ou te derrubarei.

- Tenho uma ideia melhor, Nikki. Por que não abaixa sua arma? – mostrando o controle em sua mão - Ou detonarei os 19 kg de ciclonita que tenho no prédio do outro lado da rua, transformando Agente Avery e toda sua equipe em vapor. Se atirar em mim, Nikki, meu corpo pode ficar tenso e apertar o botão. Você quer mesmo arriscar?

- Eles não estão mais no prédio. Só os mandei entrar lá para te confundir.

- Está mentindo.

- Por que estariam lá, se eu sabia que você estava aqui? – ela falava com firmeza, para instiga-lo - Encare isso, Dunn. Eu te derrotei. Nikki Heat venceu.

- Não. Não! – desesperado ele jogou o controle para assusta-la com intuito de pegar a arma e sair correndo. Beckett atirou e saiu correndo atrás dele. Castle entrou nesse instante soltando parte dos nós da corda que amarrava a agente.

- Onde está meu pessoal?

- Do outro lado da rua, sentado em 19 kg de ciclonita.

- Ela estava blefando?

- Estava traçando o perfil.

- Vá ajudá-la! Ele pode atacá-la. Vai, eu me livro disso.

Beckett caminhava com cuidado pelos corredores. Olhos atentos a qualquer movimento suspeito.

- Dunn... Desista! – a arma sempre empunhada esperando por um elemento surpresa, preparada para atacar e se defender caso seja preciso - Ninguém precisa morrer - Mas ela não esperava que o ataque viesse de cima. Dunn pulou bem próximo a ela agarrando-a por trás. Beckett não se deixou abater, ela lutava procurando livrar-se da arma. Castle assistia a luta até o momento que o vira derruba-la no chão fazendo-a perder a arma. Sem defesa, Beckett viu a arma apontada para sua cabeça. 

- É assim que minhas histórias acabam. Com um outro alguém morto.

- Não! – o grito de Castle ecoou seguido de um tiro que acertou a mão em cheio fazendo a arma voar para longe dele caindo aos pés da agente Shaw.

- Acredito que seja sua chance – disse Shaw para Beckett. Ela se ergueu agarrando as mãos de Dunn prendendo-as na algema.

- Isso não acabou, Heat.

- Não é Heat – travou as algemas - É Beckett. Você tem o direito de permanecer em silêncio, então cale a boca – ela o entregou a Shaw - Obrigada.

- Idem – respondeu escoltando o maníaco para fora do prédio. Virando-se, ela fitou Castle. Ele estava assustado e abatido. Não é todos os dias que você testemunha algo assim, uma experiência tão próxima da morte.

- Ótimo tiro, Castle – ainda assustado, ele confidenciou.

- Estava mirando a cabeça dele. 

De volta ao distrito no dia seguinte, Beckett encontrou o pessoal do FBI já desmontado e levando os equipamentos da sala de guerra. Ao chegar a sua mesa, viu a agente durona Jordan Shaw. Ela queria mesmo trocar algumas palavras antes dela partir.

- Agente Shaw.

- Estava te escrevendo um recado. Dunn está sendo levado para a Tombs, onde aproveitará sua estadia na UTI, com os criminosos mais perigosos do estado.

- Bem, ele conseguiu seus 15 minutos de fama. Era o que ele queria o tempo todo.

- É, mas será nas nossas condições.

- Quero que saiba que aprendi muito com você neste caso – disse Beckett.

- Você fez a maior parte do trabalho pesado. Honestamente, o que mais me impressionou foi você entrar com o Castle.

- Sabe algumas pessoas achariam imprudente – confessou Beckett.

- Tomou uma decisão difícil, usou os recursos que tinha. Diria que isso é heroico e, de certa forma, poético. No fim, Dunn, de fato, encarou Nkki Heat. Afinal de contas, ela é parte você, parte Castle – a agente esperou um tempo antes de completar seu pensamento - Ele se importa com você, Kate. Você pode não ver, pode não estar pronta para isso, mas... Ele se importa.

- É, bem, a situação com Castle é... – ela o viu chegando de elevador - complicada – ela nem acreditou que dissera aquilo a Jordan, não comentava esse assunto com ninguém além de sua terapeuta. Talvez falara por saber da discrição e do modo como ela era boa em perfis. Já sacara que entre eles havia um algo mais. Tanto que a forma com a qual retribuíra o olhar de Beckett deixava claro que acertara mais uma vez.

- Senhoras – Castle se aproximou cumprimentando-as. Chegara a hora das despedidas.

- Detetive Beckett. Foi um prazer – disse apertando a mão dela.

- Nos vemos por aí.

- Castle. Obrigada por sua ajuda. Você é um bem valioso na equipe da Detetive Beckett – disse sorrindo, o que fez Beckett sorrir também principalmente pelo comentário de Castle em seguida.

- Seria legal se ligasse para ela e a lembrasse disso, às vezes. Com a agente indo embora, Castle sentou-se na sua cadeira cativa colocando uma pequena sacola na frente dela. 

- O que é isso?

- Abra – ela obedeceu.

- O relógio do meu pai. Obrigada.

- De nada. Eu o encontrei destruído, mandei consertar. Tenho boas notícias.

- É?

- Falei com Avery sobre comprar um desses carros incríveis, sem as armas, claro, mas posso enchê-lo com minhas próprias máquinas. Poderia ter "Escritor" pintado na janela de trás – ela se levantou sorrindo em busca de café, ele continuava falando - Ryan e Esposito têm um carro melhor que o seu. Estou envergonhado de levar criminosos no banco de trás daquela coisa, e não sei do seu assento, mas o meu terá uma mola que acerta...

- Castle, cala a boca e tome um café – ele a obedeceu por um momento. Enquanto tomava a bebida, aproveitou o tempo para ficar observando-a. Estava esperando o momento certo para saber se ela trabalharia até tarde ou iria se dar um descanso após esse caso complicado. Queria muito preparar um jantar especial para comemorarem. Somente não gostaria de parecer muito insistente, teria que ser um convite casual.

- Vai trabalhar até tarde?

- Ainda tenho o relatório do caso para concluir, arquivar a papelada, desmontar o quadro. Enfim, talvez consiga sair no horário caso outro homicídio não apareça. Por que pergunta?

- Para que eu possa te esperar para jantar.

- Sobre isso, eu conversei com o capitão e ele conseguiu uma autorização para que a NYPD pague por uma semana num hotel até eu encontrar meu próximo apartamento.

- Você está recusando minha hospedagem? Para que gastar recursos do governo quando você pode ficar comigo? Deixe de bobagem. Volte para o loft, jantaremos juntos e conversaremos um pouco mais sobre esse assunto. Vou espera-la.

- Tudo bem. Até mais tarde, Castle. Voltou a sua mesa para focar em seu relatório. Por volta das seis da tarde, ela terminara todas as suas atividades. Somente então, ela lembrou-se do convite de Castle. Era um simples jantar, nada demais. Seria bom relaxar um pouco depois de tudo que acontecera nesses últimos dias. Dobrou a sacolinha onde estava o relógio. Tocou o visor carinhosamente em seu braço. Ele se importa. As palavras da agente Shaw voltaram-lhe à mente. Salvara sua vida novamente. Duas vezes no mesmo caso. Recordou-se do que dissera sobre sua relação. Complicada, mas por que? Não era uma questão de confiança, caso contrário não teria feito o que fizera diante do perigo. Atração, também existia. Desejo, comunicação. Diversão. Por que diacho julgara complicado? Era uma questão deles ou exclusivamente dela? De entender seus sentimentos? Passando as duas mãos no rosto e nos cabelos, ela decidiu não pensar mais sobre isso, pelo menos naquela noite.

De casaco na mão, ela se encaminhou para a saída. Antes de ir para o loft, Kate passou na lavanderia para pegar uma nova muda de roupa que mandara lavar. Perdera algumas peças naquele incêndio, mas a maioria estava intacta. Bem como os sapatos. Alguma coisa teria que ser a seu favor. Ela tinha tanto por fazer... o caso a consumira e por conta disso, sequer conseguiu dar entrada no seguro para resgatar a franquia e o valor para ajuda-la a procurar um novo lugar. Já de frente para o loft, ela sacudiu a cabeça para que esquecesse esses pensamentos pelo menos por essa noite.

Ao abrir a porta, ela sentiu o aroma do alho inundando a sala. O que quer que fosse o jantar, aquele refogado já ganhara sua devoção e a de seu estomago também. De repente, percebeu o quanto estava com fome. Castle estava de costas mexendo em algo sobre o fogão. Vestia uma calça jeans e uma camisa de malha com mangas três quartos. A imagem combinava com ele. Casual, bonito, doméstico. Parecia bem à vontade naquele lugar.

- O que cheira tanto?

- Ah, você chegou. Meu jantar surpresa. Você não perde por esperar – ele virou-se para fita-la com a frigideira na mão – terminou seu relatório chato?

- Terminei – ela se aproximou do balcão curiosa para ver se descobria qual era o menu. Quando ela tentou olhar o que ele fazia, Castle escondeu o jogo virando-se de costas para a detetive.

- Por que você não vai tomar um banho, trocar de roupa? É o tempo que eu termino por aqui. Ficará mais relaxada. Preciso de mais uns quinze minutos.

- Tudo bem, já volto – o banho fez bem, o cansaço tinha atingido todos os seus ossos. A água agiu como um bálsamo. Vestindo uma calça legging e uma blusa branca com o símbolo da NYPD, ela desceu as escadas. O cheiro estava ainda melhor. Bacon, sentia o odor delicioso de bacon.

- Bem na hora, detetive. Sente-se e sirva-se de uma taça de merlot. É muito bom – ela fez o que ele dissera. Viu Castle colocando a massa no prato, o vapor espalhava-se pelo ar. Estava fumegando. Ele colocou a travessa sobre a mesa. Voltou até o balcão para pegar o queijo parmesão fresco que cortara em grandes lascas – Carbonara. Minha especialidade – ela bebericava o vinho.

- Hum... segredos de Rick Castle. Não sabia que era cozinheiro também. O vinho está ótimo.

- Tenho meus pequenos truques, não são muitos nessa área, mas me servem bem.

- Estou com água na boca, louca para provar essa massa. Podemos comer?

- Claro! Pode deixar que lhe sirvo – Castle tomou a frente dela colocando o macarrão muito cheio de creme – sugiro você prova-lo antes do queijo somente para saber o real sabor, depois o parmesão é mandatório – em seguida serviu a si sentando-se ao lado dela. Viu quando Beckett levou a primeira garfada à boca. Ela fechara os olhos para assimilar melhor o gosto.

- Castle, isso aqui está delicioso! Meu Deus! O bacon, o ovo, o creme. Bom demais.

- Fico feliz que tenha apreciado – eles jantaram conversando numa boa sobre vários assuntos que não exigiam muito pensar dos dois, um deles foi sobre culinária, o ato de comer e saborear diversas comidas de culturas diferentes. Terminado o jantar, ele buscou a sobremesa na geladeira. Que melhor companhia para uma massa que um tiramisú? E a torta estava deliciosa, apesar da confissão de que fora comprada, Beckett não deixou de elogiar. Enquanto ela degustava mais uma taça de vinho, Castle fazia um café para os dois. A bebida, o jantar, o ambiente a fizeram relaxar.

Ela estava sentada no sofá. Castle se aproximou entregando uma caneca de café vendo que a mesma já tinha colocado a taça sobre a mesa. Beckett sorveu um primeiro gole. Estava precisando dessa bebida quente. Naquele momento, a vontade de beija-la era enorme, porém não podia avançar o sinal e colocar tudo a perder. Ele queria explorar problemas maiores e mais significativos que o simples fato de estar com ela ali, em sua sala.

- Acho que esse foi o caso mais difícil que já enfrentamos juntos. Não sei se deveria estar contando isso para você, mas houveram momentos que pensei não haver saída. Duvidei que fóssemos pegar esse serial killer e meu maior medo era que isso tivesse uma consequência drástica. Não iria me perdoar se algo acontecesse a você, Kate. Falei algumas coisas da boca pra fora, mostrando uma confiança que eu não tinha.

- Pensei que confiasse no trabalho da agente Shaw. Você me pareceu um fã. Queria até escrever um livro sobre ela! O que mudou? Eu já disse que não é sua culpa o que aconteceu.

- Admiro muito a agente, ela é fantástica. Competente, inteligente, mas ela não é você, Kate. Naquele prédio diante do perigo iminente, você foi fundamental. Soube agir numa rapidez e precisão incrível. Jogou com ele, blefou. Ali tive certeza de que não poderia ter escolhido melhor inspiração para Nikki Heat. Você fez justiça à minha personagem exatamente como imaginei.

- Exceto pela parte em que quase morri atingida pelo meu inimigo. Fiquei feliz por ter entregue minha arma a você. Devo lhe agradecer por salvar minha vida, aliás por duas vezes. Só espero que isso não se torne um hábito.

- Por mais que seja muito bom ouvir você dizendo que salvei sua vida, prefiro que esteja bem. Sem arranhões, sem tiros, sem visitas ao hospital. Ainda tenho muitas historias para escrever sobre Nikki. Muitos casos a solucionar ao seu lado.

- Mesmo? Você pelo menos tem ideia do número? Só para eu me preparar.

- Não sei, você não pode apressar a mente do escritor. Não é assim que funciona, detetive – ela sorriu terminando o café. Não terminara de agradecer como gostaria.

- Castle, brincadeiras à parte, eu realmente devo minha vida a você. Não teria pensado a tempo para sobreviver aquele incêndio se você não tivesse me alertado. Eu já havia baixado a minha guarda, para mim o caso estava encerrado. Além de me ajudar, me ofereceu um lugar para ficar e recuperou o relógio do meu pai. Não sei como retribuir. Não sou uma pessoa apegada a coisas materiais, mas algumas são muito importantes.

- Como o relógio do seu pai, eu sei.

- Sim, você não precisava fazer tudo isso por mim. Não tinha a obrigação de me socorrer, sou bem grandinha para me virar sozinha. Mesmo assim, obrigada – ela apertou a mão dele esboçando um sorriso sincero e lindo. Apenas por segurar sua mão, ela já sentia os efeitos do toque. Castle aproximou-se um pouco mais dela, roçava o polegar nas costas da mão.

- Kate, não fiz por obrigação ou culpa. Fiz porque me importo com você. Quando ouvi a explosão e as chamas saindo pelas janelas do seu apartamento eu não sabia o que pensar. Precisava que estivesse bem, viva. Eu temi que o pior acontecesse e eu não iria me perdoar por isso – ele passou as costas da mão acariciando-lhe o rosto – nunca me perdoaria.

- Não pode pensar assim. Sou uma policial, esses são os riscos da minha profissão.

- Mas eu criei Nikki Heat e foi isso que atraiu Dunn em primeiro lugar. Quantas vezes você precisar da minha ajuda, para qualquer coisa, estarei aqui. Do seu lado – Kate olhou para aqueles olhos azuis, como poderia resistir? Ela inclinou-se em sua direção, acariciou o queixo dele com a ponta dos dedos e tomou os lábios dele nos seus. O beijo começou lento, doce. Então ao afastar os lábios, deixou sua língua deslizar para o interior da boca de Castle intensificando o contato. Ele a puxou para perto de si, diminuindo a distância entre os dois. O balé dos lábios era suficiente para acender a chama do desejo que sempre os tomava logo após o contato de seus corpos.

Lutar contra essa sensação tornava-se difícil a cada minuto que o beijo era prolongado. Kate ainda estava confusa com os acontecimentos, os sentimentos da última vez que cederam à vontade de seus corpos. Querer ir adiante seria simples, fácil. Não podia. As consequências, teria que encara-las em seguida. Estava na casa dele, a filha estava ali.

Quando sentiu as mãos de Castle acariciarem seus seios, sabia que era a hora de parar antes que o inevitável acontecesse. Empurrando-o de leve, ela quebrou o beijo.

- Não, Castle... não – ele escorou a testa na dela, havia algo incomodando-a.

- Por que? – ele sussurrou.

- Eu não sei, sua filha está aqui, estou na sua casa, esse relacionamento... é profissional não vamos misturar as coisas.

- Realmente é esse o motivo, ser profissional ou você está escondendo alguma coisa?

- Castle, por favor... – ele podia ver a dúvida em seus olhos. A briga que enfrentava entre dizer sim ou não. Queria poder convencê-la de que não havia mal nenhum em ceder. Porém, conhecia Beckett o suficiente para compreender que se a forçasse, estragaria tudo e certamente eliminaria todas as suas chances de conseguir o que desejava.

- Tudo bem, a escolha é sua. Terei que respeitar somente quero que considere tudo o que aconteceu, o que falei e lembre-se que sempre irei me importar. O que quer que aconteça, estarei aqui. Nem que seja para irrita-la – Kate ficara mexida pelas palavras – agora relaxe e descanse – ele se levantou do sofá recolhendo as canecas – Ah! Antes que me esqueça, se precisar de ajuda para encontrar um novo apartamento, estou às ordens. E Montgomery me entregou os papeis do seguro, falta apenas você ir até o escritório assinar para liberarem o dinheiro.

- Você fez isso? – não sabia se estava irritada pela intromissão ou surpresa.

- Não quis me intrometer, eu só achei que com tudo que acontecia adiantar o serviço não faria mal. Pedi ao meu advogado. De qualquer forma, não precisa pressa. Você é bem-vinda para ficar aqui o tempo que quiser. Mi casa es su casa.

- Eu não sei o que dizer...

- Não diga nada, você já me agradeceu demais para um dia, Kate. Boa noite.

- Boa noite.                       

Kate seguiu para o quarto de hóspede. Trocou a roupa pelo pijama e sentou-se na cama. Deus! O que estava acontecendo com ela? Você rejeitou um homem maravilhoso porque não sabe ao certo o que sente. Porque está em dúvida sobre o que significa tudo isso? Ele salvou sua vida, duas vezes. Quantos já fizeram o mesmo? Lembrou-se do que dissera a agente Shaw. É complicado. Sim, ela era uma mulher muito complexa quando se tratava de sentimentos, de entrega, de confiança.

Por que não podia esquecer o significado, as consequências e deixar a análise para depois e obedecer apenas o desejo? Ele estava ali tão perto, estavam tão envolvidos. E o toque... Kate passou a mão nos cabelos, pensativa. Querer, poder. Levantou-se da cama, abriu a porta do quarto. Na ponta dos pés, seguiu até as escadas. Quando chegou a sala, a droga da razão a encontrou. O que eu estou fazendo? Mas, a curiosidade de desbravar o desconhecido apartamento de Castle parecia ser mais forte que ouvir o chamado racional. Ela encaminhava-se para o lado do escritório quando se deparou com o próprio escritor parado em frente à tela da televisão olhando para a estática com um copo de whisky na mão. Pressentindo sua presença, ele virou o rosto em sua direção.

- Beckett? Está perdida ou não consegue dormir? – como ela não respondeu, ele continuou – se for insônia, pode me fazer companhia – ela se sentiu pressionada diante da possibilidade a sua frente, não seria um erro. Então, ela desconversou.

- Eu só ia... água... não, esquece. Vou voltar para a... – contudo Castle já estava de pé. O rosto quase colado no dela.

- É água que você quer? – a voz de Castle saiu como um sussurro. Fora involuntário, de verdade. Mas vê-la de pijamas a sua frente afetou sua mente – desculpe, eu... – ele não terminou a frase. Kate o puxou pela nuca e envolveu-o em um beijo intenso. Deslizou seu corpo querendo sentir o corpo dele junto ao seu, o calor, a proteção. Queria sentir o desejo exalando pelos poros. As mãos de Kate deslizaram pelas suas costas perdendo-se por baixo da camisa que ele usava. O calor da pele em contato com a ponta dos dedos frios dela era tão gostoso. Para Castle aquele toque era um ativador de desejo, como um clique que despertasse a libido. O membro já estava ereto, esperando por ela.

Castle não queria dar o próximo passo. Deveria vir dela, afinal fora Kate quem jogara o balde de água fria. Ela o segurou pelos ombros empurrando-o contra o sofá. Se ela estava pensando em seguir adiante com o que começaram, melhor levar essa festa para outro lugar.

- Não aqui, Kate – puxando-a pela mão, Castle a levou para seu quarto. Assim que fechou a porta atrás deles, ela levou um tempo para se movimentar. Estava observando o ambiente. A parada dela, causou um certo medo nele. Será que ela desistiria? Porém, Kate se aproximou envolvendo seus braços na cintura dele deixando as mãos vagarem pelas costas quentes. Sem avisar, retirou a camisa dele jogando-a no chão. Os lábios tocaram-lhe o peito vagando apenas para sentir o gosto da pele. Imediatamente, Castle livrou-se da blusa do pijama expondo os seios dela. Com cuidado, deitou-a na cama colocando seu corpo sobre o dela. Sorriu ao encontro dos olhares.

A partir de um novo beijo extremamente sensual, eles se entregaram ao momento de prazer. Toques, beijos, cheiros. As mãos se perdiam sentindo a pele, os lábios sugavam os poros e sabores. As pernas enroscadas aprofundavam o contato. O momento entre os dois tornou-se leve, íntimo e sedutor. Não era uma transa apenas. Eram duas pessoas completamente atraídas pela outra, necessitadas de carinho, cheiro, desejo. Uma entrega sincera. Nada para atrapalhar. Com sentimentos ou não, ambos usufruíram da noite como se fossem um só. O orgasmo intenso a fez gemer alto pelo menos duas vezes na noite. No último encontro de prazer, eles juntos sucumbiram ao poder da explosão tão ansiada.

Kate ficou uns minutos deitada ao lado dele. Contemplava a silhueta do corpo deitado de lado com o rosto virado para fita-la. Aqueles olhos azuis realmente eram sua perdição. Suspirando, ela levantou-se da cama sorrindo, vestiu novamente o pijama. Castle sentou-se na cama.

- Onde você vai?

- Para o meu quarto. Não quero provocar nenhuma situação inconveniente.

- Não seria nada disso. Fique. Por favor...

- Não, Castle. É melhor assim. Boa noite – antes dela abrir a porta, ele levantou-se segurando o braço puxando-a para si. Os lábios tomaram os dela em um beijo carinhoso. Ao quebrar o contato, deslizou a ponta dos dedos acariciando a pele dos braços expostos.

- Boa noite, Kate.

Ela subiu as escadas vagarosamente. As pontas de seus dedos tocando os lábios. Um pequeno sorriso se formava no rosto dela.
Pela manhã, Kate foi brindada por um café da manhã especial. Bacon, ovos e panquecas. O cheiro do café quentinho atiçou suas narinas. Alexis já estava sentada no balcão quando ela apareceu pronta para ir para o distrito. Castle, ao vê-la, adiantou-se para servi-la da bebida que era fundamental para a detetive logo cedo pela manhã.

- Bom dia, Detetive Beckett.

- Bom dia, Alexis. Olá, Castle – recebendo a caneca de café das mãos dele.

- Nossa, detetive! Está realmente com pressa de voltar ao trabalho, não?

- Na verdade Castle, irei à seguradora resolver o lance da apólice. Devo chegar ao distrito praticamente na hora do almoço. Não tenha pressa em sair para me encontrar.

- E eu vou correr antes que chegue atrasada na escola – beijou o pai – tchau, Beckett.

- Boa aula – ela sentou-se no balcão. Serviu-se de uma panqueca e roubou um pedaço de bacon provando-o – você manda bem nas panquecas. Estão bem gostosas.

- Obrigado. Tem certeza que não quer minha companhia para enfrentar os caras do seguro? Sou uma testemunha de qualquer modo e você sabe como esse pessoal tende a ser chato.

- Não precisa mesmo, Castle. Essa etapa da seguradora não será tão difícil assim. Vou passar no meu apartamento, ver como ficaram as coisas realmente. Preciso ter uma ideia do tamanho do prejuízo antes de negociar com os agentes. Posso fazer isso sozinha. O que certamente me fará perder tempo e algumas noites de sono será encontrar outro lugar para morar. Talvez sua ajuda seja boa quando estiver sem saber o que fazer.

- Não por isso. Posso contatar um amigo meu que é corretor. Se me disser como pretende que seja seu novo apartamento, eu adianto algumas opções, marco até visitas para você. Que tal?

- Não seria má ideia. Eu te falo à noite – terminou a panqueca e comeu um pouco mais do ovo e bacon. Levantou-se pensando em retocar a maquiagem para sair o quanto antes, não podia perder o primeiro horário já que não agendara nada. Castle cobriu sua mão com a dele, fixando o olhar nela.

- Está tudo bem conosco?

- Está sim, Castle. A detetive e o escritor estão bem. E sobre ontem, não pense que eu mudei de ideia foi apenas uma fraqueza de corpo, resultado do stress dos últimos dois dias. Vamos deixar de lado essa história. Tudo bem?

- Por enquanto, faremos como você quiser.

Quinze minutos depois, Kate deixava o loft. Ela iria até a seguradora resolver o problema de sua moradia. Contudo, havia algo bem mais urgente para ser analisado. Ao subir as escadas e abrir a porta, sentiu o coração palpitar. Tinha que desabafar.

- Ela já chegou? – Kate perguntou à secretaria.

- Daqui a quinze minutos. Você não tem consulta agendada hoje, Srta. Beckett.

- Não, é uma emergência. Sei que ela irá me atender.

- Ela tem o horário das dez livre, se quiser terá que esperar.

- Não me importo, tenho a manhã toda – a terapeuta chegou ao consultório com apenas cinco minutos de folga para sua primeira consulta. Sorriu para Kate. Para ela estar ali, o assunto só poderia ser um: Rick Castle. Checou a agenda percebendo que a secretaria a colocara para as dez da manhã. Faria o possível para atendê-la o quanto antes. Por volta das nove e quarenta, o paciente sai da sala. Kate prendeu a respiração por uns segundos.

- Vamos lá, Kate? – Dana indicou o caminho fechando a porta atrás de si. Foi até o canto da sala, serviu um café para as duas entregando a caneca nas mãos da detetive. Sentou-se na sua cadeira observando o jeito como ela mordia os lábios, clássico sinal de nervosismo. Era melhor acabar com toda a ansiedade que a rodeava nesse instante – então, Kate, faz um tempo que não a vejo. Estranhei sua ausência. O que a trás aqui hoje?

Kate passou a mão pelos cabelos, bebeu um novo gole do café e suspirou.

- Aconteceu de novo...


Continua.....

5 comentários:

Jaque Sebastiao disse...

To amando tanto essa fic que nem sei.. Essa interação entre eles ta demais!!!! Amoo o cuidado dele com ela e o fato de um não resistir ao outro.
Katezinha se entrega logo a esse sentimento, todo mundo já percebeu que você ama esse homem.
E acho desnecessário o Demming na história, quero mais é eles se entendendo.
Parabéns Karen <3

Thais Ildefonso Pasquinio disse...

Ave Maria que meus elogios estão se esgostando hahaha
Mas a Fic é muito perfeita e merece muitos elogios!
A continuação do episódio duplo foi ótima. Mas o restante foi ❤
O cuidado do Castle com ela é lindo. Kate quer, mas tem medo e, aos mesmos tempo, ele a traz segurança. Mesmo com essa relação "complicada", amo esses momentos fofos deles. O beijo na sala foi tão amorzinho *-* estou cada vez mais encantada.
Parabéns, Karen!

Marlene Brandão disse...

Amei... foi tudooooooo!!!!!!
O jantar, o papo e o beijo.... Depois broxei com ela dizendo não. Então,depois foi um"Ah que se dane"e se deixou levar (thank You God ) o jeito que ele cuida e se preocupa com ela é PERFEITO!

cleotavares disse...

Ah! Kate, que medo de amar é esse, mulher?

Silma disse...

Que capítulo maravilhoso foi esse? O coração chega até parar de bater com todas essas emoções!
Pense em uma pessoa difícil e multiplique por 450 vezes,o resultado dar dona Kete...!
Lê o "dane-se" dela não têm preço.O cuidado,carinho,atenção,companheirismo e o amor que ele sente por ela é instigante.