terça-feira, 21 de abril de 2015

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.11


Nota da Autora: Kate irá aos Hamptons? Essa é a grande pergunta desse capítulo. Qualquer que seja a resposta, vale lembrar que a fic é AU, então não vai seguir exatamente os acontecimentos da série. Já alerto que nem tudo será flores, existem sempre percalços no caminho desses dois. Enjoy! 

Obs.1: Eu li todas as ideias e sugestões, pude aproveitar algo e ainda estou pensando sobre outras... e aviso, o capítulo ficou enorme, poderia até quebra-lo em dois, mas não teria o mesmo impacto.  

Obs.2: As músicas citadas na fic foram eternizadas na voz do eterno Blue Eyes, Sinatra. A primeira "You Go to My Head" .A versão que deixo aqui é cantada por Diana Krall (because of reasons...) https://www.youtube.com/watch?v=9Xeg6loLL5w  . A outra que utilizei parte dos versos é "All or Nothing at All" - perfeitas para o momento do casal. 

Yes, be aware...NC-17


Cap.11


Beckett começara o caso frustrada. Nada que pesquisasse sobre a vítima era real. Também não adiantava muito o fato de Castle ficar repetindo como um disco furado que era uma fachada para a CIA. Tudo indicava um assassino profissional. Todos os documentos eram falsos. O carro registrado para a mesma companhia que supostamente a vítima trabalhava. Encontraram uma caneca com uma mensagem indicando um lugar para se encontrar. Ao fim da mensagem, a caneca se autodestruiu, concluindo que estavam falando de um espião. Apesar de não haver confirmação nenhuma das agências, o capitão ordenou que tratassem como um caso normal, seguindo as pistas.

Enquanto estavam no café aguardando algum movimento suspeito, ele tornou a falar sobre o convite dos Hamptons.

- Falando em normal, falava sério quanto ao fim de semana.

- Você está mesmo me convidando para a sua casa nos Hamptons?

- Prometo, sem piadas. Apenas uma fuga amigável. Seria divertido.

- Sim... – ela respondeu e corrigiu-se imediatamente – não. Sabe, alguns de nós precisam trabalhar.

- No Memorial Day? Pense bem, você precisa relaxar depois de tudo o que houve – ela não respondeu e foram interrompidos por um possível suspeito que Beckett prendera levando para o distrito. O interrogatório não deu em nada, mas após uma vasta revista no quarto de hotel onde a vítima estava hospedada, Castle entendeu do que se tratava. Um jogo, tudo era parte de um jogo. Pressionando o cara preso, eles conseguiram os dados que queriam. Enquanto Ryan e Esposito tentavam descobrir quem estava à frente da Spy Adventures, Castle tirou umas horas para ir ao loft. Na verdade, ele fora meio obrigado já que Beckett recebera um convite para almoçar de Demming.

Definitivamente as coisas não estavam caminhando da maneira que queria. Sua mãe conseguiu um papel numa peça de verão, portanto também não ia para os Hamptons. Ele estaria completamente sozinho se Beckett não aceitasse o convite. Era triste. Mesmo com o livro para terminar, não esperava ser abandonado por todos naquele feriado. Pior, saber que sua musa estava com outro cara tornava tudo mais difícil de aceitar.

O convite para o almoço parecia a oportunidade perfeita para Kate conversar sobre seu relacionamento com Tom. Principalmente, após a sugestão tentadora de Castle sobre o feriado. Claro que ela não iria trabalhar, disse aquilo para despista-lo. Estava balançada com a proposta. Contudo, o almoço estava tão agradável que Kate perdera a coragem de mudar o rumo da conversa. Para completar, Tom queria passar o feriado com ela. Disse que estava checando um lugar muito bacana próximo a sua casa de praia. Novamente, Kate travou. Por que as coisas pareciam estar se complicando cada vez mais para ela? De volta ao distrito, enquanto Castle não chegava, ela ficou por ali na companhia de Demming. Então, um daqueles momentos estranhos aconteceu. O escritor encontrou-os em um carinho íntimo, muito à vontade. A cena era muito ruim de se ver, pelo menos para ele que nutria sentimentos pela detetive.

Beckett ficou sem graça por deixa-lo presenciar uma situação assim, especialmente quando sua intenção era acabar com o tal romance. Demming passou por ele cumprimentando-o. Beckett se recompôs.

- Não devia ter interrompido sua festa.

- Não, sem festas. Estava esperando por você. Finalmente encontramos alguém na Spy Adventures, eles nos encontraram em seu escritório. Aliás, sua ex-mulher ligou. Ela disse que você a está evitando porque está atrasado na entrega do seu manuscrito de Naked Heat – ela o olhou séria – é um título interessante. Quando ia me contar?

- Estava esperando pelo momento perfeito, só não aconteceu.

- Ela está nua na capa de novo, não? – ela perguntou.

- É, mais ou menos, sim.

- Isso é ótimo, ninguém vai rir de mim.

No escritório da agência, Beckett e Castle foram informados de como tudo funcionava nas missões dadas e quais foram os últimos passos de Roger Farraday, nome real da vítima. Identificando pessoas que fizeram tarefas com ele, Beckett reconheceu a mulher do café. Conversando com ela, descobriu que Roger pegara uma maleta que a agencia não tinha ideia de onde surgira. Havia algo errado ali. Estavam na frente do quadro branco discutindo o caso quando Demming apareceu inesperadamente. Educadamente, os dois homens se cumprimentaram. Beckett se afastou para conversar com ele, porém a proximidade acabou facilitando para que Castle ouvisse sobre o que falavam.

Demming confirmava o convite e o tal lugar já estava disponível. Beckett disse que ia checar e respondia depois. Castle suspirou resignado. Era o fim. Ela não aceitaria ir para os Hamptons com ele, estaria sozinho e chegara a hora de dar um tempo. Não podia ficar ao redor dela vendo-a sorrir e beijar um cara que não era ele. Tinha que se afastar. Ficara magoado por ela não ter sido honesta como da primeira vez, quando dissera que ia sair com o policial.

- Casa de praia? Achei que ia trabalhar nesse fim de semana.

- É, desculpe Castle, eu devia ter te contado. Só não queria que as coisas ficassem estranhas entre nós agora que eu e Tom estamos...juntos – após uma longa troca de olhares, ele respondeu.

- Não, eu entendo. Você quer que sua vida particular seja particular.

- Sim, mas não quero que ninguém se sinta desconfortável – ela evitava olha-lo ao dizer isso.

- Não, claro que não. Na verdade, torna o que vou dizer mais fácil – ele tornou a ficar de frente para ela – bem, com as minhas obrigações com o meu livro, eu estava pensando que seria um bom momento para uma pausa.

- Uma pausa? – ela não esperava por isso.

- É, Deus sabe que deve estar cansada de mim te seguindo esse tempo todo, eu preciso mesmo conseguir trabalhar. E com todos ocupados, achei que seria uma boa oportunidade para ficar no Hamptons, sair da cidade por um tempo.

- Por quanto tempo?

- O verão, pelo menos. Acho que esse será nosso último caso – as palavras a atingiram mais do que supunha. Ele estava indo embora. Será que... será que o que Dana previra estava acontecendo? Aquele realmente era um momento estranho. Até mesmo Ryan e Esposito perceberam o clima desconfortável entre os dois mesmo quando deram informações importantes do caso, eles não estavam prestando atenção. Beckett precisava se recompor. Pedindo um minuto antes de entrar na sala de interrogatório para falar com o próximo suspeito, ela estava quase em lágrimas.

Encostada na parede de um dos banheiros, ela respirava profundamente tentando engolir o choro. Fizera tudo errado. Com medo de magoar Tom, acabara fazendo exatamente isso com Castle. Ele estava tão sério ao dizer aquelas palavras, tão arrasado. Podia ver a falta de brilho nos olhos azuis. Tudo por culpa dela. Ele estava indo embora, por causa dela. Nada disso estava certo, Kate se encontrava em uma encruzilhada. Precisava tomar uma decisão. Mas primeiro, tinha que fechar esse caso para que sua atenção estivesse toda voltada para o que faria com Tom e Castle.

Outras pistas, nada claro. O caso estava parado. Castle a viu analisando novamente o quadro branco em busca de respostas. Aproximou-se e despediu-se, tinha um jogo de pôquer em sua casa. Ao vê-la sozinha, Esposito resolveu investigar como ela estava se sentindo após o anúncio de Castle.

- Então, esse é o último caso de Castle. Ryan e eu estamos pensando em dar uma festa de despedida.

- Não é como se ele não fosse voltar – sim, ela ainda nutria a esperança de que ele voltasse.

- Tem certeza disso? – ela finalmente desviou o olhar do quadro para encarar o amigo – por que acha que ele está te seguindo esse tempo todo? O que, pesquisa? O cara já fez pesquisa o suficiente para escrever 50 livros. Olha, qualquer que seja a razão, tenho certeza que não inclui vê-la com outro cara – com essas palavras, ele se afastou deixando Beckett pela primeira vez realmente preocupada. Se até Esposito enxergava isso, então... mordiscou os lábios apreensiva.

Ela estava escrevendo seu relatório parcial do caso quando se pegou olhando para a cadeira cativa de Castle vazia ao seu lado. De agora em diante, ela ficaria assim. Aquilo fez seu coração doer, tirou seu ânimo. Não tinha que terminar assim, eles podiam continuar investigando, serem parceiros ou amigos. Sem complicação, sem mágoas, não? O que você está dizendo, Beckett? Um monte de coisas sem sentido. Não havia como agirem de maneira igual quando ela deixava o distrito todas as noites e se encontrava com outro homem. Isso tinha que parar. Seus pensamentos foram interrompidos por Demming que viera pega-la para jantar. Resignada, levantou-se olhando uma última vez para a cadeira.

Antes de ir ao distrito, Kate fez uma rápida parada no consultório de Dana. Ela estava dividida entre os convites, seus significados e sua decisão que embora já tomada ainda a deixava sensível e frustrada por estar no meio de vários sentimentos complexos, algo difícil para alguém como ela lidar.

- Bom dia, Kate. O que a trás tão cedo aqui? Aconteceu de novo? – ela pode ver o sorrisinho safado da terapeuta.

- Apesar desse seu sorrisinho de vitória, pode tira-lo do rosto. Pelo menos por enquanto, Dana. Eu terei um dia pesado pela frente, estou em um caso complicado e as coisas que estão acontecendo no terreno pessoal estão afetando meu julgamento, meu trabalho e meu foco.

- Problemas com Tom?

- Não, problemas comigo mesma. Tenho dois homens incríveis, mesmo que diferentes, disputando minha atenção. Um deles é meu suposto namorado, o outro é um famoso escritor que me transformou em sua musa. Como se não fosse complicado o bastante, agora tenho dois convites para o feriado do Memorial Day.

- Garota de sorte! Kate Beckett, preciso desse seu mel! – a gargalhada de Dana ecoou na sala, ela realmente considerava Kate uma mulher espirituosa e que poderia ter o mundo a seus pés, nesse instante queria fazê-la relaxar – ok, sem brincadeiras aqui. Obviamente, você precisa tomar uma decisão. Se já está namorando Tom, o que é tão complicado? – ela provocou – parece uma decisão fácil para mim.

- Sério? Você está mesmo dizendo que tudo é simples? Você?

- Por que não? Você mesma já descartou a possibilidade de um relacionamento com Castle, se envolveu com Tom, não precisa ser um gênio para descobrir o que fazer, a menos... você, finalmente, está repensando sobre sua relação com Castle?

- Os últimos dias tem sido muito estranhos. Ele parece estar se distanciando cada vez mais de mim. Sim, continuamos investigando crimes, trabalhando em teorias, mas bem menos que antes, ele tem passado mais tempo escrevendo. Queria dizer que é apenas porque ele está com o prazo do seu segundo livro apertado, porém não é a resposta. Ele está começando a me evitar. Ele costumava trazer café todas as manhãs para mim. Isso não acontece mais com frequência. Está tudo mudando.

- E você não gosta da mudança? Cada um seguindo sua vida?

- Eu pensei que gostaria... isso não é inteiramente verdade. Qualquer decisão que eu tome, vou acabar magoando um ou outro, talvez os dois. Não sei se estou preparada para enfrentar o olhar de tristeza, especialmente de Castle. Eu sinto que se continuar com Tom, perderei Castle. Ele desaparecerá da minha vida de vez. Ele não precisa de mim para escrever seus livros.

- Interessante. Não era o que você realmente queria quando tudo isso começou? Parece que o destino está agindo a seu favor, não? Ou será que dessa vez, Kate, você está considerando admitir, pelo menos parcialmente, seus sentimentos e sua admiração por Castle? Você não quer que ele vá embora. E está inclinada em aceitar o convite dele para o fim de semana, não?

- Não ainda... – Dana entortou a boca – ok, ok, eu preciso saber se ele trataria esse final de semana como algo entre amigos. Eu não quero complicar as coisas, estou inclinada a passar um tempo com Castle porque eu não quero perder o que construímos até aqui. Trabalhar com ele é divertido, interessante, apesar de irritante a maioria das vezes.

- Mentirosa! Você gosta desse joguinho de “eu te irrito, você me provoca”.

- Você está esquecendo que tem uma terceira pessoa no meio disso tudo. Não é fácil partir o coração de alguém que aparentemente não fez nada errado além de mimar, agradar e aparecer no pior tempo possível na minha vida. Rompimentos são difíceis, especialmente quando você não pode culpar o outro por isso. Eu não posso explicar porque terminaria meu namoro com Tom se nem ao menos sei o motivo.

- Kate, tem razão, não é simples. É confuso, frustrante, mas você não pode ficar enganando duas pessoas assim. Não pode enrolar os dois, mesmo que sua decisão seja afastar-se de ambos, você tem que fazer algo. Prepare-se para sentir-se mal, chateada, talvez enxergar coisas que podiam não estar ali antes. É seu subconsciente testando-a. Escolha o melhor momento e faça o que tiver de fazer. Não importa o resultado, tem que ser feito.        

- Você está certa. Obrigada. Tenho que ir trabalhar.

- Tenha um bom dia, Kate. Boa sorte e um ótimo feriado para você – ao fechar a porta do seu consultório, Dana sorriu. Havia um pensamento que ela não compartilhara com sua paciente. Ela sabia que a decisão tomada por Kate, traria alegria e alivio para sua vida. E se ela realmente decidisse ouvir seu coração, prolongaria esse momento maravilhoso para o resto de sua vida.

Quando Castle a encontrou naquela manhã, a primeira coisa que Beckett notara era que ele não trouxera café. Carregava apenas um copo já pela metade. Um pouco mexida por essa realização, ela engoliu em seco e decidiu focar no caso. Aparentemente, os dois tiveram a mesma ideia quanto ao ângulo que estavam investigando. Numa sequencia de erros e acertos, além de reviravoltas capazes de deixar o escritor e a detetive boquiabertos, finalmente resolveram o caso.

Ao dar o relatório final para seu capitão, ouviu uma frase muito intrigante que caíra feito uma luva para a situação que se encontrara. Como os sinais do subconsciente descritos por Dana.

- É triste ver que um homem bom teve que morrer porque outras pessoas não tiveram a coragem de dizer o que realmente sentiam.    

- Tem razão – ela concordou – é triste. Notou que Castle estava desligando o telefone. De repente, não podia evitar de sorrir. Um sorriso bobo aparecera em seu rosto e insistia em ficar. Enquanto dizia que ia deixar o distrito por algumas horas a fim de levar Alexis até Princeton, ele notara o jeito dela.

- O que foi? – perguntou.  

- Nada – exceto que era uma mentira. Disse que voltaria para sua festa surpresa. Assim que ele saiu, ela avistou Tom no salão. Era hora. Chamando-o para um local mais reservado, ela não apenas recusou o convite do feriado como decidiu acabar a relação. Triste, Demming queria saber o que fizera de errado. A resposta dela foi sincera: nada. Ela era o problema.

Com a volta de Castle ao distrito, os rapazes, Montgomery e Lanie bebiam cervejas enquanto Castle contava da sua pequena aventura ao levar sua filha para o programa de verão. Dramático como sempre, arrancava risadas dos policiais. Era visível que iam sentir falta dele ali. Todos eles. O sentimento era recíproco. Nesse instante, Beckett entra na sala pegando uma cerveja.

- Olha quem se livrou do trabalho – Castle brincou.

- Oh, Castle...Eu não sou somente trabalho – disse tomando um gole da cerveja e dando um sorrisinho na direção dele.  

- Não entre em um concurso de bebidas com ela. Pode te detonar – disse Lanie.

- Oh, eu não preciso beber para detona-lo – provocou Beckett.

- O que deu em você? – Lanie brincou com a amiga. Beckett sem dar muita importância ao comentário, inclinou-se na frente de Castle e falou quase sussurrando.

- Castle, você tem um segundo?

- Claro – ambos saíram da sala – o que foi?

- Olha, eu sei que não sou a pessoa mais fácil de se conhecer, e nem sempre falo o que penso, mas... esse ano, trabalhando com você, eu me diverti muito.

- É, eu também.

- Então, eu só vou dizer isso de uma vez... o convite, para os Hamptons, ainda está de pé? Um momento de diversão entre amigos, sem complicações? Sem cobranças?

- Sim, o convite permanece. Mas, e quanto a Demming? Você não ia para a casa de praia dele?

- Não mais. Eu... nós terminamos.

- Oh... – ele fez um semblante sério, preocupado, porém por dentro estava vibrando, essa era a melhor notícia que recebera desde que falara em deixar o distrito – sinto muito. Se quiser, posso ser seu ombro amigo nesse processo de recuperação. Rompimentos são duros. Só depende de você, Kate.

Kate. Como era bom ouvi-lo chamando-a pelo seu primeiro nome novamente.

- Então, é um sim. Eu passarei o feriado do Memorial Day com você.

- Garanto que você não irá se arrepender. Saímos de Manhattan na sexta? Por volta das três? Posso passar no seu apartamento. Prometo que terei kits preparados para curar seu rompimento romântico. Serão quatro dias de descanso e diversão. Com o toque especial de Rick Castle. Terá o pacote completo do Memorial, Kate – ela apenas sorriu. Sentia-se bem melhor ao ouvir o tom leve em sua voz. Estava fazendo a escolha certa. Naquele momento, não pretendia nada além de gozar do feriado em boa companhia. Não havia desejo, sentimento, atração a guiando. Talvez um pouco do toque de seu coração.

- Vamos voltar para a sala. Todos devem estar curiosos sobre o que estamos conversando aqui. E eu nem preciso dizer que esse final de semana deve permanecer um segredo meu e seu. Para todos os efeitos, eu queria me despedir e agradecê-lo apropriadamente.

- Tudo bem, posso viver com isso.

Eles retornaram para a sala. Os olhares curiosos não negavam que todos estavam aflitos para saber o teor da conversa deles. Como haviam combinado, Castle contou de maneira bem peculiar que acabara de receber elogios e agradecimentos da detetive. Demonstrava o quanto estava surpreso e claro, aumentava a mentira, arrancado protestos de Beckett e gargalhadas dos demais.

Fora uma excelente semana. Com altos e baixos, era verdade. No fim, a quinta-feira fechara com chave de ouro para Rick Castle. O seu feriado prometia ser bem diferente de todos os anos anteriores. Para alguém que esperava ficar entediado por três meses, ele recebera a melhor notícia possível. Estava com um sorriso solto nos lábios e de coração leve. Mais um passo fora dado, com seu charme e seu jeito brincalhão, Castle sabia que podia fazer a detetive esquecer rapidinho o seu último flerte.

Em seu apartamento naquela noite, Kate começou a separar suas roupas e objetos para o final de semana. Uma excitação tomara conta de si. Era interessante perceber que Dana tinha razão. A partir do momento que se decidiu, o alivio fora seu primeiro sentimento. Isso e o sorriso de Castle, apenas confirmava o quanto estava certa ao aceitar aquele convite. Lembrando-se das recomendações de Dana em várias sessões, ela se preparava para encarar aquele fim de semana de cabeça aberta. Não perderia tempo analisando demais. O que aconteceria naqueles quatro dias, não cabia a Kate dizer ou planejar. Deixaria os momentos a guiarem. Uma coisa era certa: estar na companhia de Castle, próximo à praia sem ninguém por perto, era um convite tentador ao perigo, o que significava que os desejos, as vontades, estariam constantemente a testando.

Não importava. Era tempo de se divertir.


Sexta-feira – 3:30 pm


A buzina da Ferrari disparava na frente do prédio de Beckett. Castle ligou para o celular dela avisando que podia descer. Quando Kate apareceu trajando uma simples calça jeans, camiseta branca e uma jaqueta de couro vermelha, ele não segurou o gemido. Da mesma forma que ela não escondeu a surpresa diante do belo carro.

- A Ferrari, Castle? Realmente precisava?

- É verão, feriado. Não seja tão certinha, Kate. Esse carro combina com os Hamptons.

- Exibido! – ela falou rindo colocando a sua pequena mala na parte de trás do carro. Sentada ao lado dele, percebeu a forma casual de Castle. Uma camisa polo cor de rosa e calça jeans. Os óculos escuros, apesar de esconderem os belos olhos azuis, completava o visual que o deixava ainda mais charmoso.

- Preparada para pegar a estrada? Com sorte não pegaremos trânsito na via expressa, ainda está cedo. A maioria somente sairá do trabalho depois das cinco.

- Vamos lá, pise fundo, Castle ou serei obrigada a tomar a direção.

- Não, mesmo. Esse é meu carro. Quem dirige sou eu.

O percurso da estrada foi tranquilo. Não havia muitos carros na pista o que possibilitou chegarem mais cedo ao local. Quando Kate se deu conta de onde realmente estava, prendeu a respiração. Piscou várias vezes antes de acreditar no que via. A vista da casa era simplesmente espetacular. Não havia como negar. Era impossível não se apaixonar pelo lugar. Castle, como um bom cavalheiro, abriu a porta para ela oferecendo-a a mão. Kate enroscou sua mão na dele, sorrindo extasiada ao ver tanta beleza.

- Wow! Estou impressionada. Que lugar é esse?!

- Espere até você ver a vista de trás, com o mar. Você vai adorar. Vem –puxou-a – tem muito o que lhe mostrar – eles entraram na casa. Enquanto caminhavam por cada cômodo, o deslumbramento de Kate só aumentava. Tudo era incrível, a sala, os quartos, a varanda do quarto dele com vista para o lindo mar. Porém, quando Castle abriu a porta da sala para o quintal, aquele foi o momento de tirar o fôlego. A grama verdinha, o azul do mar, o brilho do sol deixando seus raios alaranjados tocarem a água fazendo refletir um brilho incomum tornando a paisagem divinamente linda.

- Castle, isso é deslumbrante! Lindo demais! Não sabia que seria tão surpreendente assim – ele estava sorrindo, adorando a reação dela. Certamente aquele lugar já tivera sua cota de festas malucas, a julgar pelo estilo dele, muitas coisas impróprias já se passaram ali. Melhor não pensar nisso, ela disse para si mesma.

- Estou feliz que esteja gostando do que vê. Que tal irmos até a piscina? É a última parte da casa que falta mostrar a você.

Sim, a piscina também não deixava nada a desejar. Outro lugar excelente para relaxar. Não havia nada discreto quando se falava em tamanho naquele lugar, a piscina era enorme. Ela iria se divertir ali. Satisfeito por terminar o pequeno tour, ele a convidou para entrar e tomar uma bebida para começar o fim de semana em grande estilo.

Castle serviu uma pela bebida à base de vodca e frutas vermelhas. Deliciosa. Eles sentaram-se no sofá, conversando um bom tempo sobre diversos assuntos. Ele contou que comprara essa casa depois de seu décimo Best-seller, Alexis tinha cinco anos e passar o verão ali, tornara-se uma tradição.

- Aposto que já deu muitas festas aqui. Daquelas que fazem as pessoas se arrependerem do que fizeram numa noite.

- É verdade. Não posso negar. Meredith e eu demos várias festas do arromba aqui. Mesmo depois que me separei dela, continuei aproveitando os verões. Claro que você não está interessada em minhas aventuras. Algumas são impróprias para contar a uma policial. Melhor nos preocuparmos com o nosso jantar. Algum pedido especial, Kate?

- Você que deve me dizer, afinal é sua tradição de verão.

- Vamos de churrasco, então. A lua estará muito linda no céu e não podemos deixar de aprecia-la. Por que não fazemos assim, você pode subir para o seu quarto, descansar um pouco, tomar um banho se desejar e por volta das sete vamos para a beira da piscina? Nesse intervalo, eu providencio o que será necessário e podemos relaxar.

- Não lhe dará muito trabalho? Não quer minha ajuda?

- Que nada! Churrasco é bem simples, especialmente porque depois iremos para a fogueira comer marshmallows de sobremesa. Você é minha convidada, nada de se preocupar com esses detalhes.

- Tudo bem, vou subir e descansar um pouco. Vejo você mais tarde.

Kate decidiu-se por aproveitar a mordomia da casa de Castle. Ele comentara que tinha vários empregados, porém decidira por dispensa-los para que se sentisse mais à vontade. Sem grandes regalias que a deixasse desconfortável. Pelo menos, foi isso que ele disse. Ela acreditou que ele estava sendo sincero. Nisso, Castle era bastante transparente. A banheira com sais e água quente foi um bálsamo para o corpo dela. Kate se deitou, fechou os olhos e permitiu-se apagar por um tempo. Invariavelmente, diante de tanto relaxamento, ela acabou trazendo Castle novamente para seu pensamento.

O encantamento do lugar contribuira para isso. Essa experiência de verão seria algo diferente do que estava acostumada em seu dia a dia. Por mais que a personalidade brincalhona de Castle estivesse sempre presente quando estavam investigando um caso, um momento a sós, sem armas, distintivos ou sangue era completamente novo. Não sabia muito bem o que esperar, dependendo dela, não jogaria todas as suas fichas naquela primeira noite.

Escolheu uma calça legging e um blusão de alcinhas que deixava seus ombros à amostra. Nos pés, uma sandália baixa e apenas um batom e rímel nos olhos. Ao descer as escadas, encontrou Castle na cozinha preparando-se para levar as carnes para a churrasqueira.

- Bem na hora, Kate. Já estou indo para a área da piscina. Separei um vinho californiano delicioso, está na geladeira. A menos que queira cerveja.

- Não, prefiro o vinho. Deixa que eu pego.

- Tudo bem, te encontro na piscina.

Quando voltou ao local da piscina, ela gostou da imagem que viu. Castle, de bermudão, manejava a churrasqueira como um profissional. Ao lado dele, pode ver várias toras de madeira que provavelmente seria usado para a tal fogueira. O fogo já estava bem intenso, por isso resolveu levar uma taça de vinho para ele.

- Aqui – entregou o copo para Castle – esse vinho é muito bom. Leve e quando bem gelado refresca.

- Com fome? Vou cortar umas linguicinhas e pão de alho para você provar. Sem querer abusar, pode pegar a salada na geladeira?

- Claro! – quando ela voltou, os petiscos e algumas carnes já estavam à mesa. Kate sentou-se de frente para ele, tornou a beber o vinho e provou a linguiça. O sorriso despontou no rosto – apimentada, gostei. A carne está deliciosa também.

- Obrigado – ele dividia sua atenção entre ela e a churrasqueira, conversando, rindo e observando o que se passava na praia. Por ser verão, o sol apenas se poria por volta das nove da noite, deixando o movimento nas praias agitado. Muitos jovens em férias de verão, surfistas e alguns casais românticos faziam passeios na extensão de areia à frente deles. Kate não via a hora de fazer o mesmo logo pela manhã. Correr naquela areia com o vento batendo em seu rosto devia ser uma sensação maravilhosa.

O vinho acabou, em vez de mudarem para a cerveja, Castle sugeriu um chocolate bem gelado. Uma de suas especialidades, ele dissera. Dessa forma, ela observou-o montar a fogueira a sua frente logo após descerem alguns degraus para chegar à praia. Foi rápido o processo de fazer fogo, sentada em uma tora de madeira próxima às escadas, via Castle se esmerando em fazer o chocolate. Entregando uma caneca bem cheia e gelada a Kate, também colocou um graveto com alguns marshmallows na ponta para que ela os assasse na fogueira. Tinha o mesmo em mãos ao sentar ao lado dela.

- Para quem nunca foi escoteiro, até que você se vira bem com uma fogueira.

- São anos de experiência. Como está o chocolate?

- Delicioso. A área fica bem movimentada nessa época do ano, não? A praia está bem frequentada, não vejo a hora de aproveitar um pouco desse mar. Pretendo acordar muito cedo amanhã para curtir essa maravilha. Não se preocupe, Castle. Eu trouxe biquíni. Além disso, você não precisa me acompanhar, pode dormir à vontade. Principalmente se tiver a intenção de passar sua madrugada escrevendo, não foi para isso que você veio para cá?

- É, foi por isso. Mas posso tirar um tempo para acompanhar minha convidada.

- Castle, não quero problemas com sua editora... você está com o prazo estourado.

- Não estou. Você não conhece a Gina. Ela adora colocar pressão antes do tempo. Prometi um manuscrito a ela no fim do verão, ela terá.

- Não foi o que ela me disse ao telefone. Quer um manuscrito que você deveria ter entregue a duas semanas. Não quero me tornar a desculpa por você não escrever. O que me leva a outra pergunta. Naked Heat. Qual a história? Por que esse título?

- Você quer que eu te dê spoilers do meu livro? Ah, Kate... não posso.

- Como não? Sou sua inspiração, sua musa. Por direito deveria ler seu manuscrito.

- Isso não vai acontecer, Kate. Ainda estou nas preliminares da história.

- Não acho isso justo – ela torceu a boca, arrancando um sorriso de Castle. Ao olhar para o céu, ela reparou na lua despontando bela, era interessante como o tempo passa quando se está curtindo um momento – nossa! Olha essa lua, que brilho – naturalmente, ela deixou encostar a cabeça no ombro dele. Sem cerimônia, ela relaxou comendo um dos marshmallows que assara na fogueira. Sentiu a mão dele acariciando sua perna de leve, talvez uma retribuição ao instante que passavam juntos.

Era assim que as coisas aconteciam entre eles. De forma sutil, sem cobranças, sem maiores imposições. Às vezes, essa química e cumplicidade assustava Kate, não nesse momento. Ali, sob a luz da lua, ela se deixava levar por gestos simples. A mão acabou esbarrando na dele, mantendo-se comodamente colada, sentindo a pele quente. Castle virou o rosto atraído pelo cheiro delicioso do perfume dela, estava presente nos cabelos. Por impulso, beijou-lhe a testa. Kate ergueu a cabeça deixando seus lábios muito próximos aos dele. A vontade de beija-la era imensa, porém lembrou-se do comentário que fizera quando ela aceitou seu convite. Ele a ajudaria a recuperar-se de um rompimento. Não seria forçando-a a dormir com ele que conseguiria convencê-la do seu real propósito.

A não conclusão do gesto surpreendeu Kate. Ela esperava um beijo, queria isso. Ele sorria. Estava testando seu limite? Castle virou a caneca sorvendo o resto de chocolate enquanto ela comeu o último marshmallow do graveto, um pouco sem graça. Consultou o relógio e espantou-se por saber que já passava das onze da noite. Não estava tão cansada como imaginara depois do dia com muitas notícias de cunho emocional, contudo se queria acordar cedo para aproveitar bem sua estadia ali, o melhor seria se recolher depois desse balde de água fria.

- Acho que vou dormir. Esticar o corpo. Quero levantar cedo amanhã – Castle percebeu que seu gesto a confundira. Ela esperava que ele a beijasse. Isso era um ótimo sinal. Para não deixa-la com o pensamento de que desistira dela, ele acabou tocando no assunto teoricamente esquecido por Kate.

- Talvez seja bom para você relaxar mesmo. Afinal, sei que ainda não deu tempo para absorver tudo o que aconteceu desde o fim do seu relacionamento. Eu vou tentar escrever um pouco. Fique à vontade – assim que ouvira o que ele falara, o sorriso despontou no rosto. Então era isso. Castle estava dando um tempo para que ela se “curasse” do rompimento com Tom. Era incrível. Ele realmente estava cumprindo o que prometera.

- Tem certeza que não quer ajuda para limpar e organizar tudo?

- Não, para isso tenho as minhas fadas. Pode ir dormir, Kate. Para provar que ele não iria cuidar de nada, Castle a acompanhou de volta a casa. No início da escada, ele despediu-se dela – boa noite, precisando de qualquer coisa estarei no escritório ou no meu quarto, você já sabe onde fica.     

- Boa noite, Castle – e antes de subir os degraus, ela se inclinou para beijar-lhe o rosto – obrigada pela consideração, você sabe.

- Tudo bem, Kate.

Em seu quarto, ao trocar a roupa de dormir e cair na cama, Kate estava satisfeita. Qualquer acontecimento naquele fim de semana seria exclusivamente decisão dela. O gesto dele foi muito compreensivo e fofo. Talvez não passasse de uma jogada inteligente do escritor, Kate preferiu não considerar o passo como algo estratégico.

Às seis da manhã do outro dia, Kate descia as escadas pronta para fazer sua corrida matinal à beira da praia. Antes, preparou um suco saudável e encarou a vista da varanda da casa. Ao respirar profundamente, pode sentir o iodo invadir seus pulmões. Ela adorava o cheiro do mar. Após um alongamento, ela começou sua corrida bem próxima ao mar.

Por uma hora e meia Kate correu e caminhou sentindo a brisa gelada bater em seu rosto, mexer com seus cabelos. Sentia-se renovada após esse tempo na praia. Retirou os tênis deixando seus pés entrarem em contato com o mar. Não via o momento de nadar naquela água. Mantendo-se com os pés fincados na areia, Kate sentia as ondas geladas quebrando em sua pele, a maré sugando parte da superfície imperfeita onde estava apoiada fazendo-a afundar com uma sensação deliciosa. De volta ao quintal de Castle, viu as últimas brasas da fogueira da noite anterior se desintegrando. A área da piscina estava devidamente arrumada. As fadas, lembrou-se sorrindo.

Kate planejara várias atividades para aquele sábado. Queria curtir a piscina, a praia, bronzear-se, esquecer das ruas barulhentas e perigosas de Nova York por algumas horas. Antes, tinha uma missão. Preparar um ótimo café da manhã para Castle. Após se ambientar na cozinha dele, Kate separou todos os ingredientes que precisaria para fazer ovos com bacon, panquecas, suco de laranja, frutas e iogurte, especialmente para ela. Com uma certa agilidade, ela manuseava os utensílios de cozinha muito bem, exceto a cafeteria. Tinha que concordar com Castle, essas máquinas a odiavam.

Passava das oito da manhã quando Castle apareceu na cozinha ainda esfregando os olhos, sonolento. Sentiu o cheiro do bacon tostando na frigideira.

- Bom dia, Kate.

- Bom dia! Você está com cara de quem precisa de uma dose gigante de café. Infelizmente, vai ter que fazer porque sabe da minha relação com essa máquina – ele sorriu aproximando-se do balcão para preparar a bebida para os dois.

- O que você está fazendo?

- Nosso café da manhã, tem tudo que você gosta. Estou terminando de fritar os ovos e o bacon para sentarmos à mesa e comer. Pode levar essas panquecas? – Castle obedeceu enquanto ela tirava os ovos do fogão. A mesa estava muito bonita, simples, arrumada e com um pequeno vaso de flores que ela colhera quando voltara da praia – estou morrendo de fome – ele entregou uma caneca cheia de café a ela e sentou-se de frente para Kate.

- Você está bem disposta. Como estava a praia?

- Maravilhosa. É tão bom poder sentir a brisa no rosto, o cheiro do mar, aquele matizado de cores. Muito diferente da atmosfera de Manhattan. Revigorante. E você escreveu ontem à noite?

- Sim, fui até umas três da manhã, o que me rendeu mais um capítulo.

- E quantos capítulos terá esse livro?

- Eu planejei 22, escrevi com o de ontem, seis. Ainda tenho longas noites pela frente, nada preocupante, tudo dentro do prazo. Terei todo o verão para isso, as palavras estão fluindo melhor.

- Não era à toa que Gina estava irritada com você. Estava com bloqueio? Talvez se deixasse eu ver o plot, podia ajuda-lo. Dar umas sugestões...- ela fazia uma cara manhosa enquanto comia as frutas.

- Boa tentativa, mas ainda é não.

- Castle, coma um pouco de fruta com iogurte. Você só comeu as frituras, quase acabou as fatias de bacon – ele olhou para a mulher a sua frente sorrindo, ela estava cuidando dele, um gesto muito carinhoso – olha o tanto de calda que colocou na sua panqueca. Precisa se alimentar melhor.

- Tudo bem… acho que Alexis deixou uma substituta – ele obedeceu o que ela dissera colocando um punhado de frutas dentro de um potinho com iogurte para comer – qual a sua programação para hoje?

- Aproveitar ao máximo a praia. Quero utilizar o ambiente de praia, o som do mar para meditar. Adoro fazer reflexões olhando para o mar. Também pretendo me bronzear, curtir o lugar.

- Sim, reflexões são boas. Você deve estar querendo pensar em sua vida depois dos últimos acontecimentos.

- Você está se referindo ao meu rompimento com Demming – ela disse lembrando-se do comentário feito ontem à noite.

- Também, seu relacionamento, o caso do serial killer, as mudanças. Foram muitas emoções em um curto espaço de tempo. Quando a convidei para vir comigo, queria que você tivesse um momento de descanso, espairecer. O que planeja fazer hoje vai ajudar.

- Castle, sobre o relacionamento com Demming, não é algo que deva se preocupar. Eu estou bem. Tom é um cara ótimo, fácil de gostar, mas simplesmente não era para ser. Não foi culpa dele. Eu nem deveria estar falando disso com você, isso é passado.

- Kate, eu não me importo que queira conversar sobre esse assunto comigo. Eu disse que seria seu ombro amigo se precisasse, portanto não se acanhe. Quero que se sinta bem – Castle sabia que esse jeito de lidar com a situação iria ajuda-la em sua reflexão, muito provavelmente pensar sobre a vida incluía algo com o escritor – enquanto você curte sua praia e sua reflexão, vou escrever um pouco mais e depois vou acompanha-la. Umas braçadas na piscina serão boas para relaxar e me dar energia para escrever. E quanto à noite? Pensei em sairmos para comer uma bela lagosta. Tem um restaurante maravilhoso no píer.

- Eu não sei, Castle….

- Vamos, Kate. Você está aqui para curtir. Um jantar delicioso, um bom vinho branco ou quem sabe uma champagne, uma boa companhia para dar as boas vindas ao verão. É um lugar transado, nada chique. Combina com a estação. Posso fazer a reserva pela manhã.

- Tudo bem, vou jantar com você. Vou trocar de roupa. O sol e o mar me esperam – Castle acompanhou-a com o olhar. A calça legging realçava as curvas do corpo esbelto da bela detetive. O top curto deixava os seios em evidência, além da barriga de fora. Como ele gostaria de toca-la. Sorrindo, falou para si mesmo, tudo a seu tempo. Pelo menos a certeza de que Demming era passado, o deixou bastante animado.

Ele se dirigiu ao seu escritório. Sua imaginação estava bem disposta depois desse café na companhia de sua Nikki Heat. Não viu quando ela deixou a casa trajando um biquíni azul, sacola e canga. Kate fez exatamente o que dissera a Castle. Uma nova caminhada a beira-mar antes de mergulhar nas águas geladas. Ficou um bom tempo apenas se refrescando. Esticou a toalha na areia para observar o mar.

Até ali, seu final de semana estava sendo muito bom. Não iria racionalizar sobre o que poderia ou não acontecer. Não escondera seu receio quando conversara com Dana. Ela não estava preparada para se entregar em um relacionamento, mesmo que fosse com Castle. O seu emocional não funcionava como antes. Tinha muito medo de se machucar, de sentir a dor terrível que a tomou após a morte da mãe. Suspirando profundamente, ela decidiu esquecer os assuntos que a deixavam tristes, era um momento para relaxar.

Quando Castle chegou à área de piscina com duas cervejas bem geladas nas mãos, encontrou Kate deitada em uma das espreguiçadeiras. A visão dela em um biquíni era de tirar o fôlego. Não percebera sua aproximação porque estava de olhos fechados mesmo com os óculos escuros. Os raios do sol cintilavam sobre a pele alva fazendo da imagem algo mais sedutor. Castle engoliu em seco antes de andar até ela. Kate percebeu a sombra, abrindo os olhos e tirando os óculos, apenas para encontra-lo de bermuda, camiseta e óculos escuros. Um pedaço de mau caminho.

- Resolveu se juntar ao meu momento relax? – ela disse pegando uma das garrafas de cerveja que ele segurava. Castle ainda não conseguia falar, além de não tirar os olhos do corpo de Kate. Percebendo, ela tratou de colocar ordem. Pelo menos para implicar um pouco com ele – Castle…Castle! Quer parar de me olhar assim?

- E-eu…não estava…eu... – ele olhava feito bobo para Kate que estava com cara de poucos amigos, da mesma forma que fazia quando ele tinha alguma ideia idiota, tudo encenação. Ela virou a cerveja na boca e o empurrou contra a outra espreguiçadeira. Bateu a sua garrafa na dele simbolizando um brinde e tomou mais um pouco.

- Vou dar um mergulho. Tinha pensado em pedir para passar bronzeador nas minhas costas, mas não sei se você terá condições de conversar ou fazer algo, quem sabe até a minha volta, você não saia desse estágio catatônico? – para piorar a provocação, ela saiu desfilando com o bumbum empinado na frente dele até mergulhar na piscina. Ainda hipnotizado por tanta beleza e sensualidade, ele virou a garrafa de cerveja de uma vez.

Procurando se recompor, Castle tirou a camisa, passou as mãos nos cabelos e buscou por um instante de concentração para não deixar sua excitação atrapalhar o momento. Sim, a imagem mandara pontadas insistentes à região da sua virilha. Ele debatia consigo mesmo se deveria se juntar a ela na piscina ou simplesmente aguarda-la com a loção bronzeadora nas mãos para ter um momento tão sonhado com Kate Beckett.

Ela acabou respondendo por ele. Após umas três voltas na piscina, Kate saiu vindo ao encontro dele.

- Então, Castle, acha que consegue cumprir a simples tarefa de passar loção nas minhas costas?

- Claro que sim. Deite-se, Kate – ela agradeceu a presteza dele. Mais alguns segundos de frente para Castle sem camisa ia deixa-la em maus lençóis já que se vira a um passo de agarra-lo. Com destreza, ele espalhava o creme pelo corpo dela combinando movimentos que lembravam carícias e toques de massagem. Aquilo fez Kate relaxar a ponto de gemer baixinho, o que arrancou um sorriso faceiro de Castle. Ele continuou sua tarefa adorando poder desfrutar novamente daquele corpo em suas mãos. Lambuzou cada uma das longas pernas e espalhou um pouco da loção no bumbum deixando sorrateiramente seus dedos passearem vagarosamente rente a curva do biquíni. Ela se arrepiou diante do toque arrebitando o bumbum. Deus! Era muita tentação, especialmente porque ela não deixava barato. Enquanto apreciava o toque delicioso das mãos de Castle no seu corpo, gemia baixinho para provoca-lo. Ainda não sabia, porém estava funcionando brilhantemente. Ele estava excitado diante de tudo, precisava se recompor, resolveu provocar também. Inclinando-se sobre o corpo dela, aproximou seus lábios da orelha de Kate, não sem antes roça-los em seu pescoço sussurrando – pronto, Kate. Está feito.

Afastou-se caindo diretamente na piscina o mais rápido que pode para que ela não percebesse o que acontecera. Kate deitou-se estrategicamente sobre a espreguiçadeira com a cabeça virada para a piscina a fim de observa-lo. Castle dava grandes braçadas esperando que o esforço e o contato com a água gelada retirassem aqueles pensamentos impuros de sua mente e fizesse seu corpo voltar à condição normal.

Deitada e relaxada após uma quase sessão de massagem de Castle, Kate se deixava apreciar a bela vista da piscina. Cenário perfeito para um feriado. O céu azul, sol, água cristalina e um homem como Rick Castle e seus braços perfeitos nadando bem à sua frente. Os movimentos dos músculos, bíceps, torso, costas, um show à parte. Não podia ficar melhor que isso. Na verdade, poderia sim. Como será que ele se sentiria caso ela decidisse acompanha-lo? Certamente não iria perguntar.

Castle estava em meio a um mergulho quando ela pulou na água e foi ao seu encontro. Ao encara-lo, Kate fazia questão de manter a proximidade de seus corpos. Balançava as pernas com o intuito de tocar as dele. Estar com ela tão próximo de si, já provocava sensações conhecidas o bastante por ele para ser consideradas perigosas.

- Pensei que quisesse se bronzear ao sol...

- Sabe, eu não sou uma daquelas mulheres que adoram espreguiçar-se ao sol por horas a fim de conseguir a cor de pele perfeita. A piscina, a água refrescante está bem mais interessante.

- Novas descobertas sobre Kate Beckett. E eu achando que você era uma rata de praia.

- Não, eu adoro a praia, curtir o mar especialmente se estamos acompanhados, mas não significa que precise morar lá. Agora se me dá licença, eu vou nadar mais um pouco – ela deslizou sua mão do ombro ao peito de Castle, afastou-se dele em seguida mergulhando na água. Ele sabia que estaria morto até o final daquele dia se Kate continuasse provocando-o dessa maneira. Escorado na borda, ele se deu ao luxo de observa-la nadando em sua piscina. Confessava que adorava esse joguinho de indiretas e sensualidade, era prazeroso realizar essa dança com ela.

Para comprovar o que estava pensando, sentiu novamente o corpo de Kate passando rente as suas pernas, propositalmente tocando suas coxas com as mãos. O movimento se repetia a cada volta que dava. Até o instante que surpreendeu o próprio Castle emergindo bem a sua frente, seu corpo molhado praticamente grudado ao dele.

- Simplesmente refrescante, não acha Castle?

- Sim... muito.

- Todo esse exercício, o sol, a água gelada pelo corpo...- ela mordiscou os lábios, falava sensualmente – me deixou morrendo de fome... – o dedo indicador deslizava pelo peito molhado de Castle e seus narizes quase se encontraram quando ele baixou o rosto com o intuito de buscar seus lábios, Kate sorriu afastando-se no mesmo momento, agora pressionando o indicador no peito dele com seu jeito mandão – o que vamos comer?

Ele jogou a cabeça para trás. Droga, Kate! Era tudo o que pensava. Ela era terrível quando o quesito era provocar.

- Algo rápido? – ela não entrou no jogo dele.

- Sim, quero voltar à praia para mais uma caminhada. Você poderia me acompanhar, somente se não for atrapalhar sua escrita, claro!

- Não vou escrever mais hoje. Estou pensando em massa ou salsichas, ainda tem um pedaço de carne.

- Podemos usar tudo. Quer ajuda?

- Para fazer massa? Não!

- Vamos, Castle. Não seja orgulhoso – puxando-o pela mão, eles saíram da piscina, rapidamente dominando a cozinha. Quinze minutos depois, eles sentavam-se na varanda saboreando o almoço.

Após um pequeno descanso numa das espreguiçadeiras e mais uma garrafa de cerveja, os dois saíram para caminhar na praia. Kate tinha sua canga presa à cintura, Castle não voltara a colocar a camisa, levava-a pendurada no ombro. Durante o passeio, quando as ondas banhavam seus pés, Kate acabou enroscando seus dedos nos dele. Um gesto simples, mas que dizia muito sobre a relação deles. Ao voltarem da praia, Castle lembrou-a da reserva para o jantar. Precisavam estar no restaurante às oito horas o que dava a eles apenas duas horas para se arrumarem.

Quando Kate desceu as escadas, usava um belo vestido floral em tons de amarelo e laranja. A saia era leve indo um pouco acima do joelho. Os saltos altos davam vida ao modelito com uma maquiagem leve realçando os olhos. A boca tinha um batom no tom pêssego que combinou com a pele levemente bronzeada.

- Pronta para uma noite de verão – disse Castle – está linda, Kate.

- Obrigada. Você está charmoso também, Castle. Vamos?

O jantar no restaurante do píer foi além das expectativas de Kate. O lugar era bonito e casual, de modo a se sentir bem sem grandes regras de etiqueta ou ostentação. Castle pediu champagne para comemorarem a chegada do verão, sim era a desculpa mais esfarrapada que ela já ouvira para alguém querer beber uma garrafa de Don Perignon. Uma entrada de siri, seguida de uma deliciosa lagosta na manteiga acompanhada de um risoto de limão siciliano e amêndoas, simplesmente divino. Para a sobremesa, um refrescante sorvete de abacaxi com toque de pimenta e hortelã. Uma mistura perfeita. Tanto que Kate perguntou se eles não podiam levar um pouco para casa. Lógico que Castle fez a vontade dela.

De volta à casa, Castle pegou uma nova garrafa de Don Perignon em sua adega. Kate guardou o sorvete para mais tarde. Enquanto ele os servia da bebida, ela perambulava pela sala desvendando cada espaço dali. Ele veio ao seu encontro com a taça. Depois do primeiro gole, ela continuou andando prestando atenção em cada detalhe. Na noite anterior, Kate já havia reparado no belo piano ao canto. Aproximando-se do instrumento, tocou-o com gentileza. Abriu a tampa para olhar as teclas brancas e negras.

- Um belo piano. Steinway. Você toca?

- Um pouco. Quando se tem uma diva do teatro como mãe, o piano é mandatório – sorrindo, Kate tomou um pouco mais da bebida, colocou cuidadosamente a taça sobre o piano sentando-se no banco analisando as teclas minuciosamente. Castle escorou-se na lateral do piano a fim de entender o que ela pretendia. Então, seus dedos tocaram algumas teclas do piano, testando a afinação. Olhando novamente para Castle, sorriu e deslizou as mãos sobre o teclado deixando o som encher a sala e a voz suave começava a cantar um clássico de Sinatra que não podia ter sido melhor escolhido, pois retratava tudo o que ela sentia nesse momento.                                

You go to my head
And you linger like a hauntin' refrain
And I find you spinning round in my brain
Like the bubbles in a glass of champagne

Sorrindo, ela mantinha os dedos trabalhando e os olhos fixos nos de Castle.

You go to my head
Like a sip of sparkling burgundy brew
And I find the very mention of you
Like the kicker in a julep or two
The thrill of the thought that you might give a thought
To my plea, casts a spell over me
So, I say to myself get a hold of yourself
Can't you see that it never can be?
You go to my head
With smile that makes my temperature rise
Like a summer with a thousand Julys
You intoxicate my soul with your eyes
Though I'm certain that this heart of mine
Hasn't a ghost of a chance with this crazy romance
You go to my head

Castle percebeu que havia algo especial na maneira como ela cantava a letra daquela canção, era especialmente para ele. Pode notar pelo jeito que o corpo e seus olhares se dirigiam a ele. Sentou-se ao lado dela no piano, seus braços esbarrando um no outro. Ao invés de tocar junto, ele passou a cantar.  

The thrill of the thought that you might give a thought
To my plea, casts a spell over me
So, I say to myself get a hold of yourself
Can't you see that it never can be?

Novamente ela tomou os próximos versos para si, sorrindo e olhando intensamente para Castle.

You go to my head
With smile that makes my temperature rise
Like a summer with a thousand Julys
You intoxicate my soul with your eyes
Though I'm certain that this heart of mine
Hasn't a ghost of a chance in this crazy romance
You go to my head

Quando terminou, o sorriso no rosto de ambos era deslumbrante. Kate o olhava tão intensamente que o seu corpo reagia apenas aos olhos brilhantes amendoados sentindo um aperto grande nas calças. Ela retirou a mão do teclado, uma repousava sobre o seu colo e a outra foi aos cabelos. Em um gesto simples, mas extremamente sensual.

- Sinatra... wow! Estou impressionado, Kate.

- Não há ninguém como ele, sou apaixonada pelo Blue Eyes – Castle entendeu a mensagem subliminar nessa colocação – você não o adora?

- Mais do que a mim mesmo – com essas palavras, ele despertou todo o desejo que ela nutria por ele. Kate encarou aqueles olhos azuis inclinando sua cabeça até seus lábios tocarem os de Castle. Beijou-o intensamente sentindo as mãos dele passearem pelo seu corpo. Ela ansiara demais para sentir os lábios dele novamente, da mesma forma que ansiava pelo toque dos dedos em sua pele, em seu centro. Já sentia o desejo aflorando pelos poros e a umidade formar-se apenas com o calor das mãos e as línguas se provocando.

Castle quebrou o beijo e surpreendeu Kate ao erguê-la colocando-a sentada sobre o piano. Ele abriu o zíper do vestido dela para facilitar despi-la. Logo a peça de roupa estava ao chão e Kate apenas de calcinha sentada no instrumento com os pés sobre o teclado. Inspirada pelo que ele sugerira tão depressa, ela retirou a camisa dele e quando queria continuar a tirar sua roupa, porém Castle a impediu segurando suas mãos.

Ele sorveu seus lábios em um novo beijo apenas para atiçar. Em seguida, seus lábios deslizaram pelo pescoço, colo e entre os seios. Os polegares tocaram os mamilos enquanto as mãos seguravam os seios apertando-os. Cabia perfeitamente nas mãos de Castle. Kate gemia e arqueava o corpo na direção dele, ansiando por mais do toque quente e maravilhoso. Castle beijou-lhe o estomago, deixando marcas de dentes na pele. Gentilmente a deitou sobre a superfície fria e lisa. Livrou-se da calcinha, em resposta ela afastou as pernas deixando claro que estava pronta para ele. Castle tirou as calças ficando nu. O membro despontava duro, ela podia ver nos olhos o desejo destacado nas pupilas escondendo grande parte do azul dos olhos.

Apoiado no banco, Castle inclinou-se sobre ela provando-a, exatamente como ele sabia fazer. O corpo arqueava, os gemidos escapavam de sua boca e com exímio talento, ele a levava rumo à bela loucura de um orgasmo. Assim que obteve o que queria, ele parou para observa-la. Ficava extremamente linda sob o efeito do prazer. Puxando-a pela cintura, ele a colocou novamente sentada. Um beijo intenso tornou a acontecer e dessa vez, sentado no banco, Castle a trouxe para perto de si, acomodando-a perfeitamente deslizando seu membro dentro dela. Com os braços ao redor do pescoço dele, ela gemeu ao senti-lo inundar seu interior vagarosa e deliciosamente.

Juntos, eles trocaram beijos, mordidas, abraços, amassos. Tudo entre os dois era intenso demais, louco demais, prazeroso demais. E mais cedo do que se previra, ela tremia nos braços de Castle levando ambos a uma explosão de prazer. Assim que se recuperaram da onda que os dominou, ele a carregou diretamente para seu quarto onde novamente buscaram o carinho, o toque, a constante necessidade dos beijos. Emaranhados, os lençóis enroscavam-se nas pernas de ambos adormecidos após o terceiro round da noite.

Kate foi a primeira a acordar naquela manhã de domingo. Ainda preguiçosa pelo cansaço das aventuras da madrugada, ela dedicou aquele momento para pensar na noite maravilhosa que tivera. Talvez fosse o tempo de racionalizar, ponderar e inclusive considerar ir embora dali. Não, esse não era nem de longe o pensamento que vagava na mente de Kate. Ela viera aos Hamptons com a mente aberta, depois de ouvir tudo que Dana lhe dissera sem esquecer sua própria opinião quanto ao assunto, desde que colocara os pés ali, ela se sentia tão leve, tão bem. Não iria deixar ideias e julgamentos estragar o belo momento que estava vivendo. Não significava que havia mudado de opinião quanto a relacionamentos, ainda estava insegura. Mas a exemplo da primeira vez que estivera com Castle, ela experimentara sem reservas. Era exatamente isso que queria fazer naquele feriado.

Castle espreguiçou-se na cama, um dos braços buscavam por ela, para trazê-la para perto. Kate se deixou levar aconchegando-se ao corpo quente e macio dele. Ele acariciava os braços dela até puxa-la completamente para si prendendo-a. Os lábios brincavam em seu pescoço.

- Bom dia...

- Bom dia... – ela virou o rosto para beijar-lhe os lábios – está com fome?

- Sim, de você – então começou a devorar-lhe o pescoço fazendo Kate virar-se na cama para ficar de frente para ele. Castle não perdeu tempo e a prendeu entre ele e o colchão começando a manhã com uma bela rodada de sexo matinal. Quase uma hora depois, os dois caminhavam de mãos dadas até a cozinha. Dessa vez, foi Castle quem preparou o desjejum para ambos. O domingo tinha tudo para ser preguiçoso. Passaram algumas horas na praia, caminharam, jogaram-se no mar e trocaram caricias. Voltaram para casa e após um mergulho na piscina, eles tomaram banho para tirarem um belo cochilo durante a tarde.

Acordaram famintos. Ele não queria deixa-la cozinhar novamente, portanto um delivery foi a solução encontrada. Após a refeição, novos amassos se seguiram no sofá festejados à base de café. Os fogos do feriado deveriam ser disparados naquela noite. Castle sugeriu que assistissem da praia. Podiam jantar antes de ir para a área externa. Novamente, Kate concordou desde que ela pudesse fazer o jantar. Contrariado, ele aceitou quando ela prometeu que não tomaria muito tempo nem daria trabalho. Faria uma lasanha.

Enquanto Kate estava na cozinha, Castle retornou ao escritório para escrever. Ele estava extremamente feliz com o desenrolar do fim de semana. Além das pequenas descobertas sobre Kate Beckett, a inspiração para sua história voltara a todo vapor. Não pretendia forçar nenhuma situação com ela, queria que aproveitassem o momento, ao tempo dela, pensou. Os dedos voavam no teclado já no seu segundo capítulo da tarde, quando foi brindado pela presença de Kate.

- Trouxe um pouco daquele sorvete maravilhoso para você. Pode dar uma parada na escrita para comer – ele continuou digitando por um tempo até concluir a ideia – vejo que está animado.

- Pronto. Agora posso parar – provou o sorvete enquanto ela massageava seus ombros querendo ver o que ele tanto escrevia para o próximo livro de Nikki Heat. Entendendo o propósito dela, ele travou o notebook.

- A curiosidade matou o gato, detetive Beckett. Como vai o nosso jantar?

- Está quase pronto. Vou montar e mais tarde é só colocar no forno. Você pode me dizer a que horas vamos jantar?

- Os foguetes não são disparados antes da meia-noite, então podemos começar com uma bebida às nove, jantar sem pressa por volta das dez e depois seguimos para a praia. O que você acha?

- Parece ótimo. Coma seu sorvete, vou voltar para a cozinha – antes, ela roubou uma colher do doce gelado, o que fez Castle puxa-la para si beijando-lhe a boca.

- Hum... esse sorvete é muito bom mesmo.

- Bobo! – e saiu rindo da brincadeira.

Dez minutos depois, Castle decidiu ir à cozinha pegar um café além de ser uma ótima desculpa para ver o que ela estava fazendo. Ao aproximar-se a viu escorada no balcão montado a lasanha. Ela cantarolava baixinho a mesma canção de ontem de Frank Sinatra. Era incrível como essa letra se parecia com a relação dos dois. Ainda não se recuperara da bela surpresa de saber que Kate tocava piano e tinha uma bela voz para cantar. Ele ligou a cafeteira e abraçando-a por trás, deu um beijo no rosto e perguntou.

- Quer um café?

- Aceito. Terminou de escrever?

- Quase. Vou fazer mais uma cena e encerro por hoje. Daí, apenas volto a escrever quando o feriado acabar e você voltar para a cidade. Quero muito dedicar minha atenção apenas para você.

- Gostei dessa parte – ela virou o rosto e beijou-o. Castle se aproveitou do contato para puxa-la para si, de corpos colados, eles se perderam por alguns minutos nos lábios um do outro até que o cheiro delicioso de café indicara que estava pronto para ser degustado. Ele serviu uma caneca a ela, pegou a sua e simulou um brinde. Sorveram a bebida enquanto Kate terminava a lasanha. Satisfeita, colocou-a no congelador.

- Já que você irá escrever mais um pouco. Eu vou tomar um longo banho.

- Ah... isso não se faz. É tentador.

- Concentre-se no seu trabalho, Castle – subiu as escadas rebolando para atiça-lo.

Castle voltou até o seu escritório. Fez algumas anotações em seu bloco de apoio, pequenas ideias para outros capítulos. Inclusive, o sorvete. Escreveu a palavra “pineapple” sublinhando a mesma seguida de uma seta onde escrevera outras palavras “sexo/safeword”. Salvou o seu trabalho e subiu as escadas correndo direto para o quarto de Kate. Reconhecendo o barulho do chuveiro, ele sorriu livrando-se das roupas que usava. Kate estava de costas lavando os cabelos. Ele entrou sorrateiramente no blindex abraçando-a por trás.

- Surpresa... – em menos de um minuto, ele a empurrava contra a parede de azulejos para uma nova viagem ao mundo do prazer.

À noite, após bebericarem um excelente vinho tinto, comer um delicioso antepasto preparado por Kate, era a vez da lasanha. Extremamente gratinada, o queijo se derretia e dissolvia na boca.

- Nossa! Está simplesmente fantástica, Kate. E eu achando que iria impressiona-la com meus dotes culinários. Mandou super bem, detetive.

- Obrigada.

Terminado o jantar, eles seguiram para a praia. O show dos fogos foi fantástico. O céu ficara extremamente iluminado e belo. Depois, eles ficaram namorando até Kate sugerir que entrassem. Tinha outra ideia em mente. Quando passaram pela piscina, ela desfez os nós do vestido longo que veio inteiramente ao chão. Castle descobriu que ela não usava mais nada por baixo. Sorrindo maliciosa para ele, a luz do luar refletindo em seu corpo. A satisfação de vê-lo boquiaberto diante de si, despertou o desejo arrepiando a pele da ponta dos pés à espinha.

- O que foi, Castle? Pelo que me recordo, foi você mesmo que me disse para nadar nua em sua piscina. Algum problema? – ele suspirou e ainda com a cara de abobado pela audácia da detetive, respondeu.

- Nenhum... problema... fique bem co-confortável – ela gargalhou mergulhando na piscina. Maravilhado com a ideia, ele despiu-se rapidamente e pulou atrás dela.

Os corpos se encontraram, se enroscaram e um beijo intenso aconteceu. A única coisa que não fizeram naquela piscina foi nadar. No dia seguinte, foram brindados por uma forte chuva de verão que os impediu de sair de casa. Bolaram na cama por quase toda a manhã. Entre canecas de café, restos de lasanhas e algumas frutas, eles faziam amor. Sim, Kate já passara do estágio no qual considerava o ato apenas sexual. Desejo, atração sim. Contudo, fatores como carinho, cumplicidade e entrega transformavam o encontro de seus corpos em algo mais íntimo. Somente deles.  

Castle tanto insistiu que Kate acabou cedendo ao pedido dele para vê-la tocar novamente para ele. Não fugindo de sua preferência, ela escolheu canções do grande Blue Eyes dentre elas, cantou outra letra com linda interpretação. Pareciam escolhidas a dedo quando a ouvira cantar “all or nothing at all, half a love, never appeal to me… please don’t put your lips so close to my cheek. Don’t smile or I’ll be lost beyond recall. The kiss in your eyes the touch of your hand makes me weak and my heart may go dizzy and fall”. As palavras aplicavam-se aos dois.

Tarde da noite, eles estavam deitados lembrando que ela ia voltar para Manhattan na manhã seguinte. O fim de semana perfeito estava acabando. Qual seria o próximo passo? Talvez nenhum dos dois soubesse realmente. Castle intimamente gostaria que Kate se rendesse a possibilidade de experimentar um relacionamento. Estava disposto a fazer funcionar. Não tinha qualquer dúvida que a mulher deitada ao seu lado o tinha fisgado por completo. Também sabia das reservas dela, Kate tinha um problema sério quando o assunto era expressar emoções. Era reclusa. Parte devido ao que acontecera com sua mãe, a dor, o medo. Essas certamente eram perguntas que Castle gostaria de saber a resposta, porém dependia exclusivamente dela para explica-las.

Beijou-lhe a testa decidindo não forçar absolutamente nada. Ela daria o tom do que eles fariam em seguida. Kate estava pensativa deitada sobre o peito dele. Os dias nos Hamptons representaram muito mais para ela que todos os últimos anos de relações frustradas, mais até que o mês inteiro que passara com Demming. Ela admitia que há muito tempo não se sentia tão envolvida por alguém. As coisas com Castle, embora meio tortas, pareciam despertar uma parte de Kate que estava adormecida. Não era uma relação fácil, a palavra “complicada” ainda parecia a melhor definição para ambos. Porém, o clima dos últimos dias passados com ele, sem compromisso, gerou uma resposta positiva para ela. Não a ponto de fazê-la iniciar um relacionamento, mas suficiente para não deixar aquela ligação intensa entre os dois desaparecer.

Um dia quem sabe, ela possa dar um passo mais largo, arriscar-se, por hora o jogo de sedução e as trocas de carinhos funcionavam muito bem. Aos poucos, Kate Beckett parecia aberta a deixar as sensações de estar apaixonada começarem a dominar algum dos seus atos.

- O que você pretende fazer depois que eu for embora?

- Escrever. O que mais me restaria? Tenho um prazo a cumprir. Apesar que, diante dos novos acontecimentos, talvez eu termine antes do planejado.

- Como assim? Que acontecimentos?

- Um final de semana especial com a minha musa parece ter despertado completamente a minha criatividade. Estou com muitas ideias e consigo ver várias cenas se formando em minha mente. Você fez isso.

- Nossa! Um fim de semana? Interessante. Estou com sono – e cansada, pensou. O corpo ligeiramente dolorido pelos momentos íntimos tão intensos - Amanhã quero dar um último passeio na praia antes de pegar a estrada.

- Podemos fazer isso. Aconchegaram-se e dormiram em seguida.  

Na manhã seguinte, ele a despertou com uma bandeja caprichada de café da manhã na cama. À refeição, seguiu-se uma nova troca de caricias que culminaram em um poderoso orgasmo. Desceram para a praia. O sol forte iluminava toda a extensão do mar, céu limpo, vento forte. Kate e Castle caminhavam de mãos dadas na praia, rindo, chutando a água, apostando corrida. Qualquer um que os visse de longe os tomariam como um casal de apaixonados. O que não deixava de ser verdade. Embora não admitindo, ambos estavam envolvidos completamente nesse estado de espírito. Os toques, os sorrisos, a cumplicidade mostrava isso.

Kate decidiu-se por um último banho de mar antes de deixar os Hamptons. Jogando a canga sobre a toalha que trouxera, ela saiu correndo para um mergulho na água gelada. Castle a observou por um instante antes de juntar-se a farra. Ali, com a água por volta da cintura, eles trocaram beijos, levaram caldos, foram empurrados pelas ondas e se divertiram como duas crianças.

De volta à casa, Castle já tinha um olhar meio saudosista. Embora a separação deles fosse algo planejado e iminente, ele não imaginava que ia sentir tanta falta dela. Na verdade, o fim de semana acabou sendo bem melhor do que esperava. Ele estava preparado para apenas desfrutar da companhia de Kate sem maiores contatos. A noite de sexta quando ele recusou um possível beijo deixara essa ideia em sua mente. Felizmente, tudo caminhara ao seu favor. Agora, isso tornava o adeus um pouco mais complicado.

Ele estava pensativo na varanda de seu quarto quando ela surgiu de cabelos molhados trajando uma calça jeans e uma camisa branca de botões. Abraçou-o por trás beijando-lhe as costas.

- O que faz ai?

- Estava pensando sobre o ótimo feriado que tivemos. Queria que não acabasse, queria que ficasse um pouco mais do verão comigo – sabendo que essa conversa surgiria em algum momento, Kate optou por dar a ele sua visão dos fatos. Ela o fez virar-se para fita-la.

- Eu também adorei o nosso feriado. Castle, eu não sei o que você espera disso tudo. Foram momentos ótimos, nos divertimos, relaxamos. Tudo tão bom. Não quero criar expectativas. Para que complicar as coisas? Já temos tanto a considerar em nossas vidas. Você tem seu livro, eu estarei me readaptando em um novo apartamento tentando esquecer os danos causados nesses meses passados.

- Eu poderia argumentar e vencer todas as suas dúvidas com justificativas mais que plausíveis. Você sabe que é verdade. Mas não irei fazer isso, Kate. Respeito seu modo de pensar e encarar o que aconteceu. Não estamos no meio de uma guerra onde o tudo ou nada é nossa única opção. Eu apenas preciso saber, depois de tudo, estamos bem?

- Sim, estamos bem – ela acariciou o rosto dele levemente com a palma da mão – me leva até a estação?

- Farei melhor. Não deixarei você voltar de trem e metro para casa. Vou chamar o James.

- Não, Castle não precisa – ele não deu ouvidos aos protestos dela. Discou um número no celular, agendou o que queria e desligou. De mãos dadas, desceram as escadas com Castle segurando a pequena mala de Kate. Colocou-a sobre o sofá e continuou puxando-a para a varanda da sala, seu lugar favorito. Mais uma vez, ela contemplou o mar.

- Vou sentir falta dessa vista – Kate deixou escapar. Fitando-a, percebeu que havia uma oportunidade ali.

- Só da vista? – sorriu maroto – diga-me detetive Beckett, como você irá se virar sem o seu parceiro extremamente inteligente capaz de desvendar os mais intrigantes mistérios de um caso?

- Você está se referindo a um escritor irritante com teorias nada convencionais que não conhece regras e não ouve ninguém mesmo que sua vida dependa disso? – ela sorriu – sou policial há dez anos, acho que consigo me virar.

- Ouch! Você fala isso da boca para fora, mas tenho certeza que durante os três meses do verão haverá momentos que se pegará pensando: o que Castle faria? Qual a historia por trás disso?

- Ah, Castle... quem sou eu para contrariar um instante tão ilusório seu? Continue sonhando...

- Mr. Castle! – ouviram alguém chamando na frente da casa, provavelmente o motorista.

- Estou indo – Castle gritou. Virando-se para Kate, ele resolveu, como se diz no pôquer, mostrar sua mão – olha, Kate, se por acaso você quiser voltar para um fim de semana aqui. Matar as saudades do mar – ele piscou para ela – será sempre bem-vinda. Adoraria ter você perambulando pela casa, tocando piano e quem sabe nadando nua outra vez na minha piscina. É apenas um convite. Se não tiver um caso, poderia vir aos Hamptons, eu tiro folga de escrever, alugamos um barco ou posso te levar a alguns lugares realmente interessantes da vizinhança. O que me diz? Promete que vai pensar no assunto?

- Castle, o que falei sobre não criar expectativas?

- Não é disso que estou falando. É apenas uma sugestão, sei o quanto gostou de ficar aqui. Sem pressão.

- Tudo bem, sem pressão. E o que aconteceu aqui, diz respeito apenas a nós dois, Castle.

- Eu sei. Nem precisava falar. Então, vai pensar no meu convite?

- Vou. Melhor eu ir, o rapaz está esperando.

- Uma última coisa – ele a puxou para seus braços e beijou-a carinhosamente. Kate inclinou o corpo aproximando-se ao máximo do calor do corpo dele – pronto, algo para lembrar-se de mim em Nova York. Foram abraçados até o encontro com James. Castle os apresentou e deu as orientações para que ele a levasse diretamente ao seu apartamento na cidade. Antes de entrar no carro, eles trocaram outro olhar. A despedida foi com direito a sorriso e piscadela.

Na estrada a caminho de Nova York, Kate apreciava a paisagem relembrando os momentos do fim de semana. Três meses. Em outros tempos, nada significariam para ela. Agora, se perguntava se não era muito tempo para sentir falta dele ou mesmo ficar longe de Castle. A lição aprendida pela detetive após esse Memorial Day era de que,inexplicavelmente, Castle derrubara a primeira camada de um muro construído tão habilmente pela dor e o medo nesses últimos anos.


Sorrindo, ela murmurava os versos da canção “Though I'm certain that this heart of mine hasn't a ghost of a chance in this crazy romance, you go to my head”… sim, definitivamente estava se perdendo aos poucos com Castle. Por mais louco que parecesse, seu coração queria mais daquela loucura, apesar de tudo.


Continua.... 

5 comentários:

Luciana Carvalho disse...

Tava acompanhando essa fic no NYAH, de repente entro nesse blog e me deparo c vários cap que haviam saído e eu nem imaginava!!! N vai postar mais por lá?
Mudando de assunto... tô amandooooo o rumo dessa fic, ainda mais vendo a Kate lutar p n se entregar ao amor q tá sentindo por castle!
Ansiosa pelo próximo.. imagino como será p ela voltar p NY sozinha depois de tudo que viveram nos Hamptons!!!!Kate in love..

Thais Ildefonso Pasquinio disse...

Capítulo perfeito, feriado perfeito, Caskett perfeito, socorro!!
Que sonho esses dois juntos <3
Foi tão lindo que parece isso mesmo, um sonho!
Se eu já tô sentindo saudade deles, imagina a Kate?! Três meses é muito tempo :'(
Até o próximo! Bjsss

Marlene Brandão disse...

Esse feriado foi lindo,agora vamos ver o que rola já que não tem mais Tom e o Cas vai ficar longe por um tempo, ela terá tempo para por as coisas em ordem... Amei o piano e a música meu a cara deles mesmo os momentos hot's muito digno :)

cleotavares disse...

Oh! Tão lindos juntinhos. E agora, o que esses 03 meses tem pra nós?

Silma disse...

Que capítulo maravilhosO!!! 😍