sábado, 18 de abril de 2015

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.10




Nota da Autora: Demorei, mas saiu o capitulo. Li as mensagens e as sugestões. Como essa é uma fic AU, resolvi dar uma misturada tirando o foco do que realmente iria acontecer da 2a para a 3a temporada. Reflexões e reflexões. Kate está mesmo confusa e cega porque no fundo morre de amores pelo escritor. Nesse capitulo também veremos a saga do apto. E quanto aos Hamptons... fica pra próxima postagem! Enjoy!  


Cap.10    


Dana não falou nada a princípio. Gostaria de deixa-la tomar a iniciativa completando seu primeiro pensamento. Kate caminhou até o divã tentando ficar mais à vontade diante da terapeuta. Vendo que sua paciente tinha dificuldades para continuar a conversa, ela tomou a frente da situação perguntando, o que daria a Kate uma chance de falar abertamente.

- Imagino pelas suas palavras que “aconteceu de novo” significa que você dormiu com Castle. Estou certa?

- Sim, foi exatamente isso. Só que... isso não foi tudo o que aconteceu.

- Por que você não me explica melhor o que aconteceu? De preferência com o máximo de detalhes.

- Eu não sei como explicar o que exatamente essa situação representou. Na verdade, Castle e eu dormimos juntos, porém mais coisas aconteceram desde a última vez que estive aqui. Eu encontrei a pessoa que atirou na minha mãe, a mando de alguém poderoso. Infelizmente, eu não consegui descobrir quem era porque ele tomou Castle como refém em pleno distrito. E-eu atirei nele, em Coonan, para salvá-lo. Ele se sentiu culpado por ter me feito perder a pista sobre o assassino da minha mãe. Chegou a dizer que estava tudo terminado entre nós, a nossa parceria – ela corrigiu rapidamente antes que passasse a ideia errada.

- E foi por isso que dormiu com ele? Para não deixa-lo partir? Como se sentiu sobre isso?

- Não! Eu disse a ele que não foi sua culpa, falei que era importante tê-lo ao meu lado, tornando meu trabalho mais fácil. E se não fosse pela sua insistência, não teria encontrado o algoz da minha mãe. Quando vi Castle na minha frente dizendo que ia embora, eu fiquei triste, senti um vazio. Quer dizer, eu me acostumei a tê-lo ao meu lado. Suas ideias idiotas me fazem rir.

- Então, você dormiu com ele?

- Não, Dana. Tivemos um caso complicado com a intervenção do FBI. Um serial killer estava matando em nome de Nikki Heat e me desafiou a pegá-lo. O problema é que quando se tem o FBI à frente de uma investigação, a probabilidade de você ser expulsa do seu próprio caso é bem iminente. Meu capitão concordou em me afastar do caso porque o assassino queria me matar. Ele apareceu no meu apartamento. Disse que não me deixaria ficar sozinha porque se tudo aquilo estava acontecendo, era por sua causa, afinal ele criara Nikki Heat. Claro que não era bem assim, mas eu estava muito cansada para argumentar qualquer coisa com Castle. Por conta do caso, eu não conseguia dormir, também ficava me lembrando que ele estava bem ao lado, na minha sala – Kate passou a mão nos cabelos. Suspirou.

- Eu acabei encontrando-o acordado. Conversamos e... nós transamos. Só que... dessa vez foi diferente. Eu não sei dizer porque. Acho que estou falando bobagens. Devo ter sido envolvida pelo efeito do caso, acabei interpretando sinais de maneira errada. Não aconteceu somente dessa vez – ela deu uma pausa percebendo que Dana fazia algumas anotações - O assassino colocou uma bomba no meu apartamento, se não fosse por Castle, eu poderia estar morta. Ele me ajudou, me deu abrigo. Não tenho um lugar onde morar, estou procurando apartamento. Enquanto isso, estou no loft de Castle. Foi onde dormimos juntos novamente.

- Então, dessa segunda vez, você atribui o ato a uma espécie de gratidão pelo que ele fez? – instigou Dana sabendo que essa não era nem de longe a resposta. Kate estava apaixonada pelo escritor e não conseguia admitir ou ainda não caíra a ficha.

- Não. Aconteceu porque eu estava com vontade. Porque o corpo falou mais alto – Kate suspirou uma vez mais – tudo bem, acredito que as circunstâncias foram propícias para isso acontecer. Estava muito mexida com tudo que acontecera, não é todo o dia que você se vê expulsa de seu próprio caso, sem teto e sem noção do que fazer. Castle foi realmente atencioso diante de toda a situação. Foi parceiro. Era um caso difícil. Pela primeira vez em muito tempo, eu posso dizer que a parceria funcionou muito bem. Ele foi meu backup e não decepcionou. Ele salvou minha vida novamente.

- Parece que Castle tem uma tendência a príncipe encantado. Já lhe salvou algumas vezes, não? – provocou a terapeuta.

- Não é bem assim. Ele não é nenhum príncipe.

- Não é o que o seu comportamento me diz. Dormiu com ele duas vezes em um mesmo caso. O que isso significou para você?

- E por que tem que significar algo? – Kate retrucou sabendo que a terapeuta se referia ao lance do comportamento da relação. Viu quando a mesma ergueu a sobrancelha – eu estava com os nervos à flor da pele, preocupada com as mortes, as ameaças. Sexo foi uma válvula de escape. Talvez tenha exagerado na minha maneira de explicar.

- Você não está sendo honesta, Kate.

- Tudo bem – ela soltou um longo suspiro – eu me senti segura. Confortável. Não foi apenas sexo. Talvez ambos estivéssemos procurando um conforto, a companhia um do outro para nos dar uma certa confiança. Precisava de forças para enfrentar o que vinha pela frente. Castle proporcionou isso com seu toque, seus beijos, seus carinhos.

- Kate, você percebe o que acabou de me falar? A meu ver, seu ato deixou de ser uma questão de desejo, apenas sexo. Para mim, você dormiu com Castle por vontade própria, guiada por seu coração. Seus sentimentos. Diria que o seu diferente significa íntimo. Você sabe que estou certa. Pode negar, mas tem sentimentos por Castle.

- Se por achar que diferente é um algo mais, está errada. Eu não tenho um relacionamento com Castle. Não tenho sentimentos por ele. Como eu disse, foi um impulso causado pelo misto da emoção.

- Kate, seja sincera. Sim, vocês tem um relacionamento profissional, são parceiros e quer você aceite ou não, existe cumplicidade e sentimento. Você pode não estar pronta para aceitar o que sente, pode preferir não enxergar o óbvio, porém seu coração continua mandando os sinais. A culpa, o zelo, que outro homem faria tudo o que Castle está fazendo para você se não se importasse? Ele criou uma personagem inspirada em você, ele se importa, Kate. Pode escolher não acreditar, ignorar, se fingir de cega. No fundo, sabe que existe um algo mais. Se prefere ser teimosa, se recusa a admitir que poderia estender seu relacionamento para o âmbito pessoal, é uma decisão exclusivamente sua. Não posso obriga-la a ceder. Apenas gostaria de ressaltar que da forma que enfrentou as dificuldades, suas experiências de quase morte, manter a carapuça de cabeça dura pode ser um mau negócio, Kate. A vida é muito curta para perdermos tempo com discussões filosóficas ou sem sentido. Viva o presente.

- É complicado.

- Não, a vida é simples. Nós que gostamos de complica-la, Kate.

- Não posso ficar aqui discutindo o que deveria fazer. Meu relacionamento com Castle não é a prioridade. Preciso de um lugar para morar.

- Concordo, sua moradia é importante. Só que você não está desesperada, tem onde ficar. Além do mais, você não viria até aqui conversar comigo se o seu lance com Castle não fosse relevante, se não tivesse balançada pelos últimos acontecimentos. Pode tentar se enganar por algum tempo, viver na cegueira, contudo sentimentos sempre falam mais alto. Não importa o que aconteça, haverá um modo dele atingi-la. Espero sinceramente que você perceba o quanto antes que está lutando em vão. Torço para que escute seu coração. Derrube os muros, Kate. Esse é o caminho.

Kate permaneceu calada. As palavras da terapeuta sendo absolvidas vagarosamente por ela. Nada era fácil entre eles e Kate não se sentia pronta para encarar seus sentimentos como deveria ser.

- Melhor ocupar minha mente com um teto para morar.

- É sua escolha. Se precisar conversar, estarei aqui – a detetive se levantou do divã. Embora tivesse ido ao consultório da terapeuta em busca de conselhos e respostas, Kate saiu dali com mais dúvidas do que chegara. Confusão era o que sentia diante dos argumentos de Dana. Por que as pessoas insistiam em imaginar um relacionamento entre ela e Castle? Era algo tão óbvio assim? Ela não estava pronta. Havia tanto o que fazer, sua vida estava uma bagunça e precisava deixar esses sentimentos estranhos de lado para se organizar, necessitava tomar as rédeas, ter o controle para se sentir segura novamente.

A tarde resumiu-se a visitas a órgãos públicos e à seguradora. Recebera um telefonema de Esposito sobre um caso, porém pediu para que ele e o parceiro cuidassem dele. De volta ao loft por volta de seis da tarde, Kate encontrou a casa em silêncio. Ou era assim que imaginara. Castle estava em seu escritório rearrumando as coisas. Ao vê-la cruzar a sala de estar, ele levantou-se para encontra-la. Ao ver a preocupação claramente em sua testa, ele sorriu sabendo que precisava alegra-la.

- OI, Beckett. Pensei que chegaria mais tarde, não estava no distrito. Onde esteve durante à tarde? – ao ver o pequeno bico se formar, ele optou por mudar de tática – deixa pra lá. Tenho boas noticias para você, se quiser conversar agora.

- O que foi, Castle?

- Tomei a liberdade de conversar com uma amiga corretora. Ela me passou uma relação com cinco apartamentos potenciais para venda. Disse que pode nos levar até os endereços para que você avalie os imóveis. Fica a sua disposição.

- Castle, eu disse que ainda ia pensar sobre o assunto. Demorei mais tempo do que pretendia nesse lance de resgate de seguro – de repente, uma outra ideia lhe ocorreu – espera, você está insistindo em encontrar um apartamento... estou incomodando? Quer que eu vá embora?

- Claro que não, Kate. Não seja temperamental. Eu quero ajuda-la, me sinto responsável pelo que aconteceu ao seu apartamento. Por isso, quis encontrar algumas soluções. É lógico que a escolha será sua, se quiser desconsiderar o que consegui, tudo bem. Não ficarei chateado.

- Desculpe, Castle. Sei que você só está querendo ajudar. É meio complicado escolher uma nova moradia. Eu tenho um dinheiro fixo para encontrar o local ideal, numa vizinhança relativamente barata próxima do trabalho e de preferência que não tenha que gastar muito em reforma. Poderei aproveitar alguns móveis do meu apartamento.

- Isso é ótimo. Aqui – ele estendeu o papel para ela – dê uma olhada sem compromisso, caso queira conversar com a corretora, posso pedir para vê-la no distrito.

- Obrigada. Eu vou analisar e aviso. Vou tomar um banho, estou realmente cansada.

- Não quer jantar?

- Depois... – Kate subiu as escadas rumo ao quarto que ocupava no loft de Castle. Após um banho demorado, ela se viu avaliando os endereços que ele havia lhe entregado. Queria muito tornar fácil essa experiência de caçar um novo imóvel e estava considerando seriamente a possibilidade de pedir a opinião dele e sua companhia para as visitas. Incrível como por mais que tentasse manter sua relação com Castle no âmbito profissional, algo sempre a colocava de volta no terreno considerado por si mesma nebuloso. Ele estava pronto para ajuda-la, então por que não aproveitar-se disso? Não era como se estivesse dependendo da opinião dele para escolher sua nova moradia, nem que estivesse estendendo um convite para morarem juntos. Chacoalhando a cabeça, ela se assustou com seu último pensamento. De onde veio essa ideia? Não podia deixar as colocações de Dana dominar sua mente.

Café. Definitivamente precisava de uma dose de café. Talvez um bom sanduiche ou uma salada para satisfazer seu estomago. Desceu para a cozinha já desejando aquele café encorpado da máquina de expresso que ele tinha em casa. Encontrou-o sentado no sofá assistindo o noticiário com um copo de vinho nas mãos.

- Hey, quer um pouco de vinho?

- Até que não seria má ideia, mas meu corpo grita por cafeína.

- Ah, o eterno vício. Fique à vontade. Quer comer? Posso preparar uma refeição rápida. Uma saborosa omelete. Que tal?

- Não quero dar trabalho. Pode deixar que eu me viro – ele se levantou seguindo em direção a cozinha. Ao ver que ela apanhava com a máquina de expresso, sorriu. Aproximou-se dela retirando a caneca de sua mão.

- Sente-se, Kate. Você e essa máquina realmente não se conversam. Deixe-me preparar um Castle especial para você. E seu café preferido, com essência de vanilla – abriu a geladeira retirando os ovos, queijo mussarela, provolone – vejamos, cebola, alho, salsa. Definitivamente, salsão. Bacon e cogumelos. Tempero... pimenta do reino, sal marinho. Orégano, quer algo picante detetive?

- Por que não? – ela respondeu já salivando diante da mistura proposta por Castle.

- Sendo assim, pimenta calabresa. Prepare-se, pois você não vai querer parar de comer essa omelete. Eu garanto – Castle manejava habilmente a frigideira mostrando sua facilidade em preparar esse tipo de alimento. Enquanto esperava, Kate sorvia um pouco do café. Puxou o papel do bolso com as sugestões de imóveis dadas por ele. Vendo que ela se mostrava receptiva as suas sugestões, resolveu comentar – vejo que está considerando os imóveis que sugeri. Parecem atrativos?

- Realmente não sei como responder a sua pergunta. Se sua corretora considerou você como padrão, tenho um grande problema nas mãos. Você é milionário. Eu sou uma simples policial.

- Eu não disse que era para mim. Usei Alexis e segui uma ideia que se aplicasse bem a você.

- Sendo assim, você acha que podemos marcar as visitas para sábado? São cinco imóveis. Creio que conseguimos avalia-los em um dia.

- Avalia-los? Você está me pedindo para acompanha-la?

- Seria um problema para você, Castle?

- Claro que não. É um prazer ajuda-la, detetive. Vou agendar logo pela manhã – ele retirou a omelete com a espátula colocando-a no prato a sua frente – aqui está, bon appetit, ma cherie!

- Merci - Assim que provou o primeiro pedaço, Kate fechou os olhos – Castle, isso está realmente delicioso! Você não vai comer? Devia.

- Está bom mesmo? – ele perguntou sorrindo por ver que conseguira fazê-la abrir um sorriso maravilhoso. Sem pensar duas vezes, ela encheu o garfo levando até a boca de Castle – hum... acertei mesmo. Vou fazer um para mim. Então, ele se entreteve cozinhando enquanto Kate se divertia saboreando a comida. Ainda conversaram um bom tempo antes dela pedir licença e se recolher para dormir.

No dia seguinte no distrito, o trabalho estava devagar. Beckett auxiliou Ryan e Esposito a fechar o caso do dia anterior, restando aos dois terminar o relatório. Um outro colega detetive pediu a ajuda dela para encontrar uma nova pista. Castle, como sempre se intrometera no assunto acabando por contribuir para a investigação, o que animou bastante o policial. Claro que ele não perdeu a oportunidade de se autoelogiar.

- Está vendo, detetive Beckett? Eu sou realmente útil para vocês, policiais. A NYPD deveria mandar fazer uma foto gigante minha e pendurar na parede bem no meio do distrito.

- Sei, sei. Seria uma boa ideia se nosso distrito tivesse um problema com insetos e moscas.

- Ouch! Que insensível você é, Beckett. Tudo bem, sei que está falando da boca pra fora. Afinal, você é uma grande admiradora desse escritor. Devo acrescentar, em todos os sentidos – foi terminar a frase que Castle sentiu o beliscão com vontade em sua orelha – ai, ai, ai...

- Cala a boca, Castle – virou-se dando as costas para ele sorrindo.

Por ser sexta-feira, ela organizou suas pastas, respondeu os emails e arquivos todos os casos fechados que ainda estavam sobre sua mesa. Após uma nova caneca de café preparada por Castle, decidiu declarar o expediente como encerrado. Ao procura-lo nos arredores, percebeu que ele sumira. Aliás, fazia pelo menos quinze minutos que não ouvia sua voz. Com a caneca vazia em mãos, ela dirigiu-se para a minicopa. Castle estava de costas aparentemente discutindo ao telefone.

- Gina, eu sei. Conheço minhas responsabilidades muito bem. Tenho um compromisso para escrever minha próxima história de Nikki Heat e vou fazê-la. Não espero que você entenda os últimos acontecimentos, o quanto estou envolvido com a NYPD. Não estou falando de distração, Gina. A minha musa quase morreu, eu quase levei um tiro. Será que você consegue compreender a extensão disso? – Beckett manteve-se escorada na porta sem fazer qualquer barulho para não indicar sua presença, ouvia atentamente a discussão – Gina, eu já disse para você. Até o fim do verão você terá seu manuscrito em mãos. Tem minha palavra. Não, quer um manuscrito em duas semanas? Por que? Não é assim que funciona. Certo, falamos depois – ele desligou o celular e deixou um suspiro frustrado escapar-lhe entre os lábios.

Ele vinha planejando ir até os Hamptons no verão para escrever o segundo volume da série. Começara logo após fechar o contrato com a editora, porém diante dos últimos acontecimentos, ele sequer lembrou-se de escrevê-lo. Parara no capitulo cinco. Na verdade, Castle queria aproveitar a oportunidade e convidar Kate para acompanha-lo aos Hamptons durante o verão. Depois de todo o stress que vinha vivenciando, ela merecia um descanso, uma parada. Seria uma forma de relaxar e estar perto dela. Somente não encontrara a maneira de convida-la apropriadamente sem parecer metido, arrogante ou denotar segundas intenções.

Percebendo que era seguro entrar na minicopa agora, fez propositalmente um certo ruído para chamar a atenção dele. Castle virou-se para encara-la.

- Ah! Você está aí. Por um momento de felicidade achei que tinha desaparecido da minha vida – disse provocando-o.

- Não será tão fácil assim, Beckett. Quer mais café? – disse ao ver a caneca vazia que ela trazia em mãos.

- Não. Estou de saída. É sexta-feira. Parece que os assassinatos resolveram tirar folga no fim de semana. Você conseguiu falar com a corretora?

- Sim, está agendado. Ela nos encontrará no loft às 9 horas. Veremos os cinco endereços do papel que lhe dei e se algum a agradar, ela está aberta a negociar.

- Ótimo – colocou a caneca dentro da pia e dirigiu-se à porta, ao notar que ele não se mexera, ela se manifestou – vai ficar de plantão, Castle? Você vem ou não?

- Claro! Vamos. Estava com vontade de comer uma massa. O que acha da gente sair? Jantar numa cantina deliciosa que eu conheço no início da Union Square. As almôndegas são de morrer.

- Eu passo. Prefiro um hambúrguer suculento e bem cheio de gordura. Eu pago.

- Seu desejo é uma ordem. Estou dentro.

Na manhã seguinte, às nove horas em ponto a corretora estava na porta do loft. Juntos, eles se dirigiram para o primeiro apartamento. Em menos de quinze minutos já deixaram o local. Kate simplesmente detestou. O lugar era o oposto do que ela gostava, a decoração ridícula e o espaço muito mal aproveitado.

- Eu realmente sinto muito pelo local. Deveria saber que o estilo não era bem o que vocês procuravam. Minha escolha foi baseada na vizinhança, pois é um bairro muito bom. Vamos para o segundo.

Na segunda tentativa, o apartamento era muito clean, as cores claras davam uma atmosfera de amplitude muito boa. Kate adorou o quarto, o escritório e a pequena varanda. Esse era um potencial candidato.

- Que lugar encantador! – ela deixou escapar. Castle admirava o espaço com cuidado, realmente gostando do que vira.

- O quarto é muito bom, tem um closet para todos aqueles seus casacos. Gostei particularmente da sala com a pequena varanda. Ótima para beber um vinho ao fim da noite – disse ele sorrindo para a policial. A corretora ficou animada por ver a alegria dos dois.

- Sim, certamente é um ótimo espaço. Tem tudo que um jovem casal gosta podendo desfrutar de todos os momentos a dois. combina com vocês para ser sincera.

- Não somos um casal – retrucou Kate.

- Ah, desculpe – disse a corretora sem graça – é que eu pensei... desculpe.

- Tudo bem, é um erro comum. Afinal, quem dispensaria um cara bonitão como eu? – disse Castle todo faceiro para irritar Beckett.

- É verdade – disse a corretora – poucas como eu e Kate. Sou casada – diante da cortada recebida, Kate caiu na gargalhada.

Apreciando um pouco mais do que via a sua frente, Kate estava balançada com aquele apartamento. Sua localização era ótima e tinha tudo para ser sua nova moradia, exceto o preço. Kate quase caiu para trás quando ouvia a quantia, porém manteve-se calma e séria para não demonstrar seu choque diante da profissional.

O terceiro era um loft localizado em um bairro ruim. Velho conhecido de confusões pela detetive em seus dias de patrulha. A fama do bairro era lastimável, portanto descartado na avaliação de Kate. Na quarta tentativa, ela torceu o nariz e Castle foi bem enfático na sua análise.

- Quanto mau gosto distribuído em tão poucos metros quadrados! Kate, esse é definitivamente um não. Horrível!

- Castle, menos! – ela resmungou baixinho - Caramba! Desculpe, Alice.

- Tudo bem, é importante ser sincero. Para mim é uma avaliação para futuras referências. Vamos para o próximo?

O quinto e último apartamento trazia um estilo bem diferente e próprio de todos os demais. Localizado na mesma vizinhança do antigo apartamento, o loft ficava no último andar de um prédio de cinco. Com um visual eclético e meio industrial, vinha com grande parte dos moveis, estantes para vários livros, uma cozinha agradável, um pequeno escritório antes do quarto e separado da sala de estar igualmente aconchegante. Tinha uma pequena lareira e uma excelente iluminação proporcionada por uma daquelas surpresas que só se encontrava em Manhattan, janelas que vão do teto até o chão e uma metade de parede onde uma escada levava a uma porta com acesso ao telhado.

Observando o lugar, Kate chegou à conclusão que poderia viver ali. Claro que tudo dependeria do preço, porque não queria criar expectativas diante do que já presenciara anteriormente com o segundo apartamento. Castle estava calado ainda observando o lugar. Percebendo detalhes. Ela estava curiosa para saber qual a opinião dele. Voltando a rua, a corretora entregou a tabela com todos os preços das unidades visitadas. Eles agradeceram e voltaram para o loft, não sem antes pegar comida chinesa no caminho. Eram quase quatro da tarde e estavam famintos.

Já no loft de Castle, devidamente sentados para fazer a refeição, Kate colocou a informação de preços diante de si para digerir valores e possibilidades. Ainda queria ouvir a opinião de Castle quanto ao que vira.

- Deixe isso de lado por hora. Vamos aproveitar nossa comida. Prometo que faço um café e podemos conversar depois. Pela minha avaliação, acredito que você pode escolher um dos cinco para morar. Não terá necessidade de sair pelas ruas de Nova York novamente procurando outras opções.

- Você fala isso porque não depende do dinheiro. Afinal, você é um escritor de Best-seller milionário.

- Você não me mostrou os valores... – ele disse querendo tirar por menos o comentário dela.

- Não foi você que me disse para aproveitar o almoço? – respondeu fazendo-o provar da mesma moeda.

- É justo. Preso pela mesma armadilha que lancei - eles terminaram a refeição enquanto conversavam sobre outros assuntos que não fossem imóveis. Ela ria das histórias malucas de Castle e aproveitou para perguntar sobre como e porque ele roubara um cavalo no Central Park. Beckett sempre teve curiosidade de saber. Infelizmente, o conto não era tão bonito assim - Tem certeza que quer saber?

- Sou uma pessoa curiosa, Castle e algo me diz que essa sua aventura é boa.

- Infelizmente, sinto decepciona-la, detetive Beckett. Você não fará bom juízo da minha pessoa.

- Não seria novidade...

- Ok... eu mereci – disse entortando a boca - De qualquer forma, eu estava em uma festa daquelas, muito boa mesmo. Bebida à vontade, comida e mulheres, muitas mulheres. Eu perdi a conta de quanto bebi. Eles tinham uns coquetéis maravilhosos à base de whisky e vodca que te faziam querer vira-los um atrás do outro. Também perdi a noção do que acontecia ao meu redor. O salão de festas do prédio dava para o parque. De repente, uma loira muito louca se aproxima de mim. Claro que ela também estava muito chapada. Começamos a dançar e virar copos. Tudo era diversão até que o clima esquentou...

- Nossa! Poupe-me dos detalhes, principalmente a parte que você tira a roupa e faz sexo com ela.

- Não foi o que aconteceu. A maluca simplesmente deu a entender que queria transar, até aí nada de mais. O problema foi quando ela começou a tirar minha roupa e cismou que eu era o amor da vida dela. Eu nunca tinha sido agarrado em público de maneira tão estranha. Ela queria transar ali mesmo, gritava juras de amor. Eu não conseguia me livrar dela, era forte ou talvez era a loucura falando mais alto. Estava desesperado. De verdade. Consegui escapar um instante dela e sai correndo rumo ao parque, só que a maluca veio atrás. Não pensei duas vezes. Ao me ver correndo em pleno Central Park nu, sabia que precisava arranjar uma forma de ir imediatamente para casa. Então, eu vi o cavalo. Foi instinto puro. Acho que aquele cavalo nunca correu tanto na vida. Ainda bem que o prefeito é um fã. Muito tosca essa história, não?

- Muito. Mas ainda estou intrigada com o fato de você ter sido dominado por uma mulher e fugir de sexo.

- Ela era muito forte e eu estava muito bêbado!

- Pensei que gostasse de fazer sexo com pessoas loucas, não foi o que você me disse sobre Meredith?

- Até a loucura deve ter limites, Kate – a cara de espanto de Castle ao declarar isso fez Kate gargalhar. Ele levantou-se para preparar o café enquanto ela recolhia as louças sujas. Sentaram-se no sofá para falarem das visitas e trocarem opiniões sobre o que viram.

- Vamos lá. Vou fazer um resumo sobre o que vi. Apartamento número um. Feio e mal aproveitado. O segundo, definitivamente meu preferido. Combina com você, estiloso, com classe e clean. Perfeito para a detetive Beckett. O terceiro em um bairro muito perigoso. O quarto nem merece comentário. Já expus minha opinião. O quinto também é muito bom. Achei interessante a vista, a iluminação. É uma boa opção, não sei se gosto tanto da decoração assim, tem uma certa leveza e pode ser funcional. Mesmo assim, fico com o segundo. Agora é sua vez.

- A minha avaliação é bem parecida com a sua, portanto irei resumi-la. Estou em dúvida quanto ao segundo e o quinto. O problema é o valor. Não posso pagar pelo segundo. Está acima do meu orçamento em duzentos mil dólares. Já o outro, está me deixando com cinquenta mil a mais para reparos e decoração, além da parcela mensal do financiamento do resto.

- Kate, você tem que morar no lugar que mais te agrada. Aquele que você consiga chamar de lar. Não deve pensar no que pode ou não pagar. Tem que se dá uma chance de escolher o melhor.

- Você fala isso porque não tem problemas com dinheiro. Não posso arcar com um lugar desses, Castle.

- Se quiser, posso financiar o restante para você – Kate olhou para ele intrigada. Como ele poderia estar dizendo isso a ela?

- De jeito nenhum! Não quero seu dinheiro. Eu trabalho desde meus quinze anos, sempre vivi dentro do meu orçamento. Não será agora que fugirei disso. Sou uma detetive, sei qual é o meu limite e a única maneira de conseguir comprar um novo apartamento agora é por causa do seguro. Tenho umas economias, mas nem de longe poderia arcar com isso.

- Tem certeza? Poderia ser um empréstimo...

- Não, Castle. A decisão está tomada. Eu realmente gostei do último apartamento que vimos. Em especial aquela escada e a passagem para o telhado. Está dentro do que posso, no mesmo bairro e acredito que posso ser bem feliz ali. É aconchegante, moderno. Também posso colocar alguns dos meus objetos do antigo apartamento.

- Tudo bem. Você apenas deve ter certeza de que está fazendo o que te agrada, sendo assim...

- Vou ligar para a Alice. Espero que não demore com tanta burocracia – pegando o telefone, ela discou o número no cartão. Começou a negociar com a corretora ali mesmo na frente de Castle. Conversa vai, conversa vem e ele percebeu que a cara de Beckett não era das melhores. Esperaria o contato acabar para entender o porquê. Dez minutos depois, ela desligou.

- Então?

- Então que o apartamento pode ser vendido, porém eu somente poderei me mudar daqui a quinze dias! Isso é tão frustrante! Depois de muita negociação consegui reduzir esse prazo para dez dias.

- Kate, tudo bem. Ninguém está te expulsando. Fique o tempo que precisar.

- Eu sei disso, Castle. Porém, é muito chato. Aqui não é realmente minha casa. Sinto que estou, de certa forma, incomodando, tirando seu conforto, da sua mãe, de Alexis.

- Nada disso. Você não está atrapalhando ninguém.

- Pelo menos eu já encontrei um novo lugar. Segunda-feira tenho que encontrar com ela no banco para concluir a transação. Além disso, vou precisar encaixotar o que sobrou do incêndio no meu antigo apartamento.

- Você tem dez dias para fazer isso. Posso ajuda-la sem problemas. E talvez chamar Espo e Ryan. Aposto que não se recusariam.

- É uma boa ideia. Vou propor a eles para o próximo fim de semana.

- Agora que você já acertou tudo, que tal uma taça de vinho para comemorar sua nova casa? A ocasião merece.

- Tem razão. Eu aceito – Castle levantou-se sorridente para buscar o vinho.

Nos dias que se seguiram, muitas novidades cruzaram o caminho de Castle e Beckett. Além de estarem em contagem regressiva para a saída dela do loft, a atmosfera na delegacia mudou no último caso. Um antigo companheiro de Esposito apareceu pedindo ajuda em um caso. Até aí, nada demais se o rapaz não fosse simpático, charmoso e bonito. Logo à primeira vista, Castle percebeu o olhar comprido dele para sua musa. Da mesma maneira que pegou a detetive observando Tom Demming. Castle fazia o possível para prolongar a estada de Kate em seu loft, transformando as noites em eventos divertidos ou jantares gostosos. Beckett conseguira convencer os amigos a fazerem a mudança dela. Aconteceria no próximo sábado. Quer dizer, encaixotaria tudo. A mudança mesmo somente três dias depois.

Beckett conhecera Demming antes de ser apresentada por Espo. Encontrara com ele na academia do distrito. Não escapara a detetive o belo corpo do policial, o sorriso e a postura. Também percebeu a reação nada amigável de Castle ao conhecê-lo. De repente, ela considerou isso uma boa oportunidade de implicar com o escritor. Visivelmente tomado pelo ciúme, ele costumava desprezar tudo que o detetive sugeria. Beckett aproveitava-se disso deixando-o de escanteio, o que aborrecia ainda mais o seu suposto parceiro.

Os dias foram passando, o caso foi concluído, mas não sem antes Castle acusar Demming de policial corrupto e aparentemente as coisas voltavam ao normal no distrito. Ou assim pensou o escritor. Demming parecia não querer deixar a divisão de homicídios. Felizmente, Castle e Beckett tinham outra preocupação em mente. Fazer a mudança. Trabalharam juntos desde a sexta à noite até à tarde de domingo. Beckett tinha razão, o apartamento ficara muito gracioso quando ela colocou seu toque lá dentro. Bem ao estilo de Kate Beckett.

Terminado os trabalhos, Castle abriu uma garrafa de vinho que trouxera para comemorar. Em seguida, sugeriu que eles voltassem para seu loft, tomassem um banho e saíssem para jantar. O plano não funcionou como ele gostaria. Kate afirmou estar muito cansada, sem ânimo para sair. Essa ainda não seria a primeira noite que passaria em seu novo apartamento. Ela ainda tinha roupas e objetos pessoais no loft que pretendia trazer no dia seguinte. Fizeram uma refeição leve naquela noite e Castle já estava um pouco triste pela partida iminente dela.

Na segunda seguinte, outro caso caiu no colo de Beckett. Novamente, o detetive Demming estava presente para ajudar. Ciente da dinâmica existente entre Castle e Beckett, ele sabia que deveria ir com calma se quisesse ter uma chance com a detetive. Primeiramente, ele aproximou-se do escritor para saber que tipo de relacionamento eles tinham. Quando Castle muito a contragosto revela que a natureza era apenas profissional, fica claro que acabara de deixar o caminho livre para Demming. Da sua posição, Beckett foi brindada por uma competição interessante entre dois homens charmosos, inteligentes e teimosos que decidiram disputar sua atenção.

Kate estava lisonjeada com a atenção dedicada de ambos. Que mulher não ficaria? O problema era que mesmo vendo em Demming um potencial relacionamento para se desvencilhar de vez daquele desejo que nutria e sentia por Castle, ela não se sentia confortável em experimentar essa nova situação. Estava dividida. Tom a convidara para jantar, convite que aceitara apesar de ainda não ter revelado nada a Castle. Passara um tempo convivendo com o escritor quase que 24 horas por dia, enfrentaram momentos difíceis juntos, criaram um vínculo diferente. Por mais que ela tentasse negar ou fugir, uma espécie de amizade crescia entre os dois. Havia respeito. Havia desejo. Kate não queria feri-lo, não depois de tudo que ele fizera para ajuda-la.

Castle também estava apreensivo com o lobo rondando sua área. Era a última noite de Kate no loft e ele ainda não estava preparado para não encontra-la sentada de frente para o seu balcão todas as manhãs na hora do café. Também não encontrara a forma ideal para convida-la aos Hamptons no verão.

À noite, eles jantaram depois de Kate arrumar todos os seus pertences. As caixas estavam na sala de Castle esperando por ela. Prometera a Castle que jantaria com ele essa última noite. Felizmente, estavam somente os dois no loft. Sentada no sofá bebericando mais uma taça de vinho, criava coragem para ir embora e agradecê-lo por tudo. Claro que continuaria tendo-o como sombra, porém nesses tempos em que dividiram o mesmo teto, acabaram desenvolvendo uma dinâmica diferente. Kate tentava imaginar o que Dana falaria se soubesse disso.

- Eu realmente preciso ir – disse Kate colocando a taça sobre a mesinha de centro – me ajuda a levar as caixas para o carro?

- Claro. Vem, são apenas duas. Posso leva-las – Castle se levantou pegando as duas caixas de uma vez. Não estavam tão pesadas, imaginou. Estava errado – caramba! O que você colocou aqui? Chumbo?

- Roupas, maquiagens, cremes. Vamos, posso levar uma.

- Meu Deus! Melhor levar uma de cada vez ou posso dar um jeito na coluna. E a resposta é não. Você irá ficar sentada aqui apenas observando, não quero ferir minha masculinidade mais do que ela já foi afetada hoje.

Beckett sabia que ele estava falando de Demming. Percebeu a mudança clara no olhar do escritor. Mesmo sem ter feito nada, sabia que já o machucara. Isso é tão estranho, pensou. Por que Castle ficaria tão enciumado com a presença de Tom? As palavras de Dana ecoaram em sua mente “ele se importa”. Precisava ser honesta com ele. Não iria esconder que havia uma possibilidade dela namorar o detetive. Assim que ele voltara ao apartamento com o dever cumprido, ela tinha duas missões. Agradecer pelo apoio dado e contar sobre o encontro.

- Estão na mala do seu carro. Tem certeza que não quer que a acompanhe até o apartamento? Pode precisar de uma mãozinha com aquele peso todo.

- Eu me viro – ela se aproximou dele. Ficaram alguns segundos frente a frente olhando um para o outro. Como se quisessem prolongar o momento daquela despedida. Torna-la real era difícil – Castle, gostaria de agradecer por tudo. Poucas pessoas fariam o que você fez por mim. Salvando minha vida duas vezes, me dando abrigo, me apoiando. Tenho uma dívida com você.

- Não, Kate. Fiz o que era certo, o que estava ao meu alcance. Você não me deve nada. As minhas ações foram altruístas, fiz porque a admiro, gosto de você e tive minha contribuição nessa confusão toda. Acredite, você merece cada um dos gestos – ele aproximou o rosto dela. Milímetros separavam seus lábios. Castle não esperou um sinal. Inclinou-se sorvendo os lábios a sua frente carinhosamente. O contato que iniciava devagar, com cautela, começava a despertar as mesmas reações que sempre aconteciam quando ambos se tocavam. Automaticamente, as mãos dela enroscaram-se no pescoço dele deixando os dedos deslizarem pelos cabelos dele enquanto aprofundava o beijo. Castle a envolvia pela cintura, aproximando-a da parede, colando seu corpo no dela.

Por mais que ansiasse por esse contato, Kate entendia que era errado continuar e atravessar o próximo nível. Com as mãos no peito dele, empurrou-o de leve, querendo afasta-lo de si antes que fosse tomada pelo desejo que acendia dentro de si e cometesse uma nova loucura.

- Castle... por favor... pare... – agora, ele devorava o pescoço dela fazendo o coração palpitar e a voz ficar rouca – Castle... não! – conseguiu empurra-lo. No rosto dele, uma grande interrogação se formara – prometemos que não faríamos mais isso. Não podemos complicar as coisas. Eu tenho outra noticia para falar. Prefiro ser honesta com você.

- Você ainda acredita que o que fazemos esporadicamente é para passar o tempo, curtição?

- Não quero discutir sobre isso. Falamos em manter nossa relação no âmbito profissional. Não vamos misturar as coisas. Realmente estou muito agradecida por sua ajuda. Por me aturar todo esse tempo e ainda oferecer seus conhecimentos para encontrar um novo apartamento. Significou muito – Beckett se afastou ainda mais dele, passando as mãos nos cabelos. Certamente o que iria contar não era agradável. Ele já conhecia alguns trejeitos da detetive e esse gesto era sinal de nervosismo.

- O que foi, Kate? Sei que não vai me contar uma coisa boa. Seu rosto, sua linguagem corporal já a entregaram. Melhor falar de uma vez.

- Demming. Ele me convidou para sair. Um jantar. Um encontro – como suspeitava, a expressão de derrota e tristeza se fizera presente nos olhos azuis – eu aceitei, Castle. Será melhor dar uma chance a mim, a ele. Não sei se dará certo, não estou me sentindo preparada para começar um relacionamento, mas talvez seja o melhor a fazer nesse momento. Quanto a nós, nada muda. Você continuará me seguindo, Tom não trabalha no mesmo distrito que eu, então...

- Então será mais fácil para que eu não veja o que acontece entre vocês. Entendi, Beckett. Aprecio sua honestidade mesmo não entendendo sua escolha. Não se preocupe, não irei atrapalhar a sua vida. Estou correndo contra o tempo com o segundo livro da série, preciso me concentrar em escrever. A pesquisa irá continuar, seremos bons profissionais.

- Castle, eu não quero que pense... não queria magoa-lo, eu só pensei... – ele a cortou procurando dar um fim aquela conversa.

- Não importa mais o que pensou, Beckett. Você tomou uma decisão, cabe a mim respeita-la – a forma como ele pronunciara seu nome. Beckett, não Kate. Foi frio, distante. Uma apunhalada em seu coração.

- É melhor eu ir agora. Mais uma vez, muito obrigada de verdade – ela caminhou para a porta, engoliu em seco ao olhar novamente para o loft e em seguida para ele – boa noite, Castle. Vejo você amanhã no distrito?

- Claro. Afinal, tenho trabalho a fazer. Boa noite, detetive Beckett – a porta fechou atrás de si. Boa noite. Seco, rápido não o tão agradável “até amanhã”. Suspirando, Kate desceu pelo elevador rumo ao seu novo apartamento. Sua primeira noite ali seria bem diferente do que imaginara. Resignada, ela colocara na cabeça que se convenceria que fizera a coisa certa.


Duas semanas depois...


Castle tentava se adaptar ao novo modo de vida de Beckett. Aparentemente, sua relação com o detetive estava caminhando bem. Ele percebia o cuidado da detetive ao se pronunciar quanto ao assunto. Kate conseguia ser bastante discreta, o que ajudava evitando que ele presenciasse algo desagradável entre os dois namorados. Mesmo em um relacionamento, Castle não estava completamente convencido de que a mudança fizera bem a Kate. Para alguém vivendo uma suposta nova paixão, ela não parecia nem um pouco empolgada.

Na verdade, durante um caso que investigavam ela encontrara uma antiga amiga Maddie. Castle aproveitou-se da oportunidade para tentar descobrir segredos de Kate Beckett. Convidando-a para jantar, ele acabou usufruindo de um momento gastronômico extremamente agradável na companhia dela o que parecia ter despertado um pouco de ciúmes na detetive. Tanto que ela acabou por atrapalhar o jantar.

Quando Beckett se trancou na sala com a amiga, Maddie a acusou de estar querendo sabota-la novamente como já fizera no passado, quando ambas gostavam do mesmo garoto e acabaram brigando e se separando depois disso. Maddie a acusou de estar tendo uma crise de ciúmes e sacara logo que a amiga gostava de Castle. Acusou-a de querer ficar e transar com ele. Beckett entrou em pânico, pois não só a suposição da amiga não estava totalmente errada, como ele ouvira tudo o que conversavam da sala de observação.

Mesmo que o real motivo por interromper o jantar tivesse referência com o caso, Beckett admitia para si mesma que ver Castle com a amiga foi duro. Sim, tivera ciúmes principalmente por saber que Maddie era uma mulher inteligente e atraente. Podia certamente dormir com o escritor se quisesse, quanto a ela? Não havia nada que pudesse fazer. Fora ela quem decidira se comprometer com Tom em um relacionamento. Ao contrário de Castle que estava livre para fazer o que quisesse. O que isso importava? Era a pergunta que não queria calar em sua mente. Talvez fosse a hora de visitar Dana novamente.

Para Castle, a noticia serviu de estimulo. A declaração de Maddie e a expressão que ele vira no rosto de Beckett, amansaram seu coração indicando que nem tudo estava perdido. Apesar de machucado com o novo relacionamento da detetive, talvez ainda houvesse esperança. Infelizmente, nem tudo são flores. Até ali, a relação de Beckett com o namorado era algo distante do escritor, como uma situação hipotética sendo descrita em sua mente criativa. Conforme o ditado, o que os olhos não veem, o coração não sente. Invariavelmente, o ditado podia se tornar real algum dia. E aconteceu. Castle presenciou um beijo trocado entre Demming e Beckett na saída da minicopa, estraçalhando seu coração.

Ver é bem pior que imaginar. Arrasado, Castle decidiu ir mais cedo para casa alegando que precisava escrever. Uma mentira leve que não faria mal a ninguém. Ele não podia ficar naquele lugar olhando para ela após ter presenciado aquela cena lamentável.

Em seu loft, ele se serviu de um copo de whisky. O liquido desceu rápido, de uma vez, queimando toda a extensão da garganta. A imagem continuava passando em sua mente como se fosse um vídeo em constante looping. Não estava acostumado a perder, doía. Contudo, não foi o beijo em si que o incomodou. Foi o fato de que nem de longe aquele beijo se parecia com os dele. Faltava paixão, química, desejo. Beckett optara por estar em um relacionamento apenas para não se envolver com ele. Era isso? Ele não era homem suficiente para ela? O que a fizera fugir dele e se entregar para um estranho? Perguntas e mais perguntas. Todas sem uma resposta coerente ou certa.

Talvez fosse a hora de recuar. Tirar seu time de campo por um tempo. Passar o verão nos Hamptons escrevendo ainda era sua melhor opção para afastar-se do que lhe fazia mal sem que criasse um clima estranho entre eles. A verdade é que sua parceria tornara-se incerta. Até que ponto ele estava disposto a encara-la com outro? Castle estava desistindo até mesmo de convida-la para acompanha-lo no verão. Não parecia certo se analisasse racionalmente.

Ele se preparava para tomar uma nova dose de whisky quando sua mãe apareceu em seu escritório.

- Olá, kiddo. Escrevendo? – perguntou ao vê-lo sentado a frente do notebook. Porém, logo percebeu o semblante triste do filho – o que aconteceu? Brigou com a detetive Beckett? Esse seria o único motivo dessa tristeza em seus olhos – Castle olhava espantado para a mãe, Martha entendeu aquele gesto – o que? Sou sua mãe. Conheço você muito bem a ponto de saber quem é capaz de afetá-lo desse jeito. Quer conversar sobre isso?  

- Eu não briguei com a Beckett. Eu só não estou acostumado a perder.

- Perder? Até onde sei a relação de vocês estava indo muito bem. Quero dizer a convivência porque até hoje ainda não entendi o que vocês realmente tem. Via a interação aqui em casa, as risadas, o tempo que passavam juntos conversando. O que mudou?

- Ela parece estar namorando um detetive engomadinho.

- Ah! – ciúme detectado, Martha pensou – filho, você está com ciúmes dela. Richard, desculpe minha sinceridade, mas como você pode ter perdido algo que nunca teve? Você disse como se sentia em relação à Katherine? Chegou a sugerir um outro tipo de relacionamento entre vocês? Se não fizer, como ela vai saber que você está interessado em mais? Quando você começou com a ideia de segui-la, não a agradou. Porém, ela se adaptou e as coisas começaram a fluir entre vocês. A questão é ela gostou dessa nova etapa, quer mais? Você não sabe.

- Mãe, eu sei o que quero. Estava pensando em convida-la para ir passar o verão nos Hamptons comigo, agora já não sei se é uma boa ideia.

- Por causa do detetive. Richard, você a conhece mais do que eu. Acha que tem chance dela aceitar uma proposta como essa? Lembre-se que Beckett não é uma das suas garotas de uma noite que usa e depois manda embora. Ela é uma pessoa centrada, que não aceita casualidades. 

- Eu não sugeriria se não soubesse que a possibilidade do sim existisse. Não havia segundas intenções no convite. Pelo menos, não aparentemente.

- Não há, você quer dizer. Ou já desistiu de convencê-la? Vai deixar esse detetive ficar com a garota? Não foi isso que lhe ensinei, Richard – ela estava de frente para o notebook do filho, percebera a pagina em branco – além do mais, se você não resolver logo isso, talvez nem consiga escrever seu livro. Bloqueio, hum? Gina não irá gostar nada de saber disso. Você já está atrasado com os prazos. Tome uma decisão. Ou Beckett ou talvez não haja uma Nikki Heat – ela beijou o rosto do filho e subiu para o seu quarto. Castle estava pensativo. Valia a pena arriscar?


XXXXXX


Beckett seguia com seu relacionamento mantendo o pé atrás. Nada contra o seu par. O problema era ela. Tom era um cara atencioso, divertido, alguém que ela podia conversar sobre trabalho sem criar aquele clima tedioso. Estavam saindo há quase um mês e não passavam de jantares, cinemas, bares. Quanto ao nível do envolvimento, Kate não passava dos beijinhos e uns esporádicos amassos. Faltava algo. Ela também percebera que sua união com Tom, começava a ter um efeito ruim em sua relação com Castle. Continuavam desvendando crimes, trocando ideias e teorias. Porém, havia uma nova atmosfera, uma animosidade no ar. Ele saia cedo do distrito, estava se dedicando ao seu livro. Isso era bom, contudo Kate desconfiava que tinha mais que apenas o compromisso de escrever. Será que ele estava evitando-a?  

A própria Beckett se perguntava por que ela não conseguia avançar em seu namoro com Tom. Por que ainda não dormira com ele? As perguntas geravam dúvidas que martelavam em sua cabeça sem trazer qualquer conclusão sensata. Por esse motivo, decidiu marcar uma conversa com Dana.

Estava esperando sua vez e arquitetando como contaria à terapeuta que estava namorando outra pessoa que não era o Castle. Precisava passar a ideia como uma coisa boa. Fazê-la acreditar que estava tudo bem. Seu papel ali era identificar como tratar o próximo passo, avançar para a terceira base como os jovens gostam de dizer. De repente, aquilo soou tão ridículo para Kate. Ela era uma mulher feita, podia tomar suas decisões sozinha. Por que estava indo atrás de uma terapeuta para ouvir o que deveria fazer? Fora um erro vir ali? Ela já se encontrava de pé prestes a deixar o consultório quando a porta se abriu e Dana apareceu sorrindo.

- Olá, Kate. Estarei com você em um minuto. Preciso passar uma orientação para as meninas na recepção. Pode entrar na sala – Kate não teve coragem de dizer não. Entrou e esperou sentada no divã. A terapeuta voltou logo em seguida. Sentando-se de frente para Kate, Dana pegou seu caderno de anotações, caneta, verificou suas últimas notas e achou um assunto confortável para começar a conversa. Sabia que da última vez, forçara uma situação com a detetive. Jogara em seu colo a falta de decisão e a definição de seus sentimentos por Castle. Escolhera um tópico tranquilo e neutro para fazê-la relaxar.

- Então, Kate. Lembro de você comentar sobre o seu apartamento. Já conseguiu um lugar novo? Está devidamente instalada?

- Ah, sim – Dana viu a mulher a sua frente relaxar com a pergunta – deu um pouco de trabalho, em especial a mudança e a papelada. Felizmente, tive ajuda.

- Até que você encontrou um lugar rápido. Pensei que ia levar mais tempo.

- Eu também, mas Castle tem bons contatos no ramo imobiliário e isso facilitou muito.

- Ele te ajudou a encontrar o apartamento?

- Sim, conseguiu a corretora e visitou os candidatos comigo. Na verdade, ele preferia que tivesse demorado mais. Estava gostando de me ter por perto praticamente 24 horas no dia.

- E você? Se sentiu confortável durante o período que esteve no loft?

- Foi interessante. Claro que não era uma coisa definitiva. Todos nós queremos nosso canto, nosso espaço. Ali eu era uma hóspede, mas todos fizeram eu me sentir em casa.

- Imagino que isso tenha fortalecido sua relação com Castle, sua parceria. Como se sentiu quanto a isso?

- Bem, Castle é um ótimo anfitrião. Tem aquela necessidade de fazer com que você se sinta bem, à vontade. Nossa parceira ia bem até um mês atrás – ela fitou a terapeuta para escolher bem as palavras – eu conheci alguém. Um detetive que apareceu no meu distrito pedindo uma ajuda em um caso. Tom. Eu vi que Castle não gostou muito disso. Eu me aproveitei disso para provoca-lo, mas agora que estou namorando, percebo que houve uma mudança no modo de tratarmos um ao outro. No trabalho, as atividades fluem, porém sinto que ele está mais distante. Anda escrevendo muito ultimamente, segundo ele está apertado com o seu prazo para a editora. Só que... não acredito que seja apenas isso.

- O seu namoro com Tom afetou sua relação profissional com Castle. É essa a conclusão que chegou?

- De certa forma, sim – Kate percebera o tom usando pela terapeuta ao dizer profissional – não é que ele torça o nariz para o meu namorado, ou diga que ele não serve. Noto as diferenças em pequenos gestos. Eu faço o possível para não comentar nada sobre Tom e o nosso relacionamento perto dele, sou bastante discreta. Mesmo assim, percebo. Ele sempre me entrega o primeiro café da manhã. Isso não aconteceu durante a primeira semana que comecei a sair com Tom. Quis ser honesta com ele achando que seria melhor. Acho que errei.

- Não, honestidade é sempre o melhor caminho. O que acontece com Castle é natural. Você não gosta de ver alguém que se importa desfilando por ai com outro. É estranho.

- Eu não desfilo por ai, não fico esfregando o namoro na cara dele.

- Claro que não. Porque se preocupa com ele, com o que pode pensar. Não quer magoa-lo, estou certa? – Kate balançou a cabeça em concordância – foi o que pensei. Kate, posso fazer uma pergunta? Como está seu relacionamento com Tom?

- Tom é uma pessoa ótima. Divertido, charmoso, ótimo detetive. Educado. Aquela pessoa que você relaxa ao olhar nos olhos. Estamos bem.

- Deixe-me ser um pouco mais objetiva. Você já dormiu com ele? – a pergunta pegou Beckett de surpresa. Enrubesceu na hora com o comentário – pela sua reação, a resposta é não.

- Ainda estamos nos conhecendo.

- Estão juntos há quanto tempo? – perguntou Dana.

- Um mês.

- Certo, um mês. E você dormiu com Castle após dois dias. Kate, essa sua desculpa de que estão se conhecendo é bem ridícula vindo de alguém como você. Sejamos francas. Está adiando o acontecimento porque está dividida pelos seus sentimentos por Castle. Teme magoa-lo ou pior, não se sente atraída por Tom da mesma maneira para dar esse próximo passo.

- Isso não tem nada a ver com a minha atração por Castle. Nós, nós ...

- Estão se conhecendo. Pelo menos você admitiu que sente atração. Como é o beijo de Tom, Kate? Ele te faz viajar? Sente os pés levitarem ou aparecem as borboletas no estomago em antecipação ao que está por vir? – a face e o silêncio de Kate confirmaram o que a terapeuta já sabia – sim, foi o que pensei. Estava meio óbvio. Por que investir em um relacionamento fadado ao fracasso ao invés de apostar em um que tem potencial para dar certo? Qual o problema em arriscar e seguir sua vontade, seus sentimentos por Castle?

- Você insiste em dizer que deveria me relacionar com Castle. Às vezes, acredito que você esquece que não sou uma pessoa fácil de se lidar, que tenho problemas de relacionamentos. Você conhece minha história. Desde a morte da minha mãe, algo mudou aqui dentro. Não consigo me entregar, confiar. Tenho medo de fracassar, me machucar ou até colocar tudo a perder. Não estou pronta. Não posso me envolver sem sentir-me segura.

- E ainda assim, está em um relacionamento falso com Tom, sem sentido, simplesmente por não conseguir lidar com o desejo e a atração por Castle, porque é mais fácil prender-se a uma relação apática do que procurar entender o que sente realmente por Castle. Você falou de se entregar, confiar. Não esqueci seu passado, Kate. Conheço-o muito bem. Castle foi a primeira pessoa em anos, desde William, que você deixou entrar na sua vida. Mesmo que de maneira torta ou forçada. Confiou sua vida a ele. Não apenas uma única vez. Sendo assim, você pode optar por esconder-se atrás de Tom. Porém, isso não tornará sua vida fácil. Castle continuará lá – a terapeuta fitou os olhos amendoados da detetive antes de continuar.

- Não estou dizendo para se atirar nos braços do escritor. Você precisa estar pronta para investir em algo mais sério. Estou sugerindo analisar aquela opção que realmente a faz sentir-se bem – Dana consultou o relógio – somente lembre-se que a possibilidade de Castle desistir de você também existe, se ele virar a pagina, será tarde demais. Nossa hora acabou. Se quiser pode marcar a próxima sessão. Espero que tenha ajudado você a tomar a melhor decisão.

Kate sorriu.

- Todas as vezes que saio daqui, estou mais confusa do que quando cheguei. Você tem esse poder sobre mim, Dana.

- Não é verdade – Dana riu - Você tem esse poder. Estou aqui para orientar, porém toda a decisão sempre será sua.

Beckett saiu caminhando pelas ruas, a mente vagando em meio às palavras que ouvira. Dana tinha razão? Estava sabotando o seu relacionamento com Castle ao tentar algo com Tom? De toda a história revisada na companhia da terapeuta, ela tinha uma certeza: não podia enganar Tom, dar a ele falsas esperanças. Precisava encontrar uma maneira de terminar a relação sem fazê-lo sentir-se culpado.

Castle estava em casa na manhã seguinte, de frente para o seu notebook. Em vez de escrever, ele assistia um filme antigo. Desde a última conversa com a mãe, ele não tinha um pingo de criatividade para escrever. Não estava gostando do rumo que seus personagens estavam tomando. Na verdade, ele se deixara afetar pelo relacionamento de Beckett. Como escrever sobre Nikki e Rook enquanto sua musa estava distribuindo suas atenções e carinhos para Demming.

Para piorar, Gina não parava de ligar. Ou melhor, o telefone não parava de tocar insistentemente, ele sabia que era ela querendo o tal manuscrito que não tinha. Alexis decidira ir para um curso de verão em Princeton. O que significava que provavelmente estaria sozinho nos Hamptons. Era uma fase complicada de sua vida. Logo quando esperava ter Kate ao seu lado, talvez convencê-la a ficar com ele... tudo desmoronara. Estava desanimado. Alguém podia morrer para anima-lo. Atendendo aos seus pedidos, o celular tocou. Beckett.

Combinou de passar na casa dele para irem juntos à cena do crime. Ainda abalado pela ausência de Alexis por todo o verão, Castle tentava se recompor do baque. Se tinha algo que prezava eram as tradições criadas na família. As atividades do verão nos Hamptons eram algumas delas. Assim que entrou no carro, Beckett notou o semblante triste. De imediato, pensou ser sua culpa por conta do relacionamento com Tom. Então, ele comentou que seus planos para o verão estavam sendo destruídos um a um. Sorrindo, Beckett instigou. 

- Anime-se, Castle. Temos um assassinato – ele sorriu de volta.

A caminho da cena, enquanto caminhavam pelo parque, Castle contava das tradições de verão. Ao enumera-las, sentiu-se esperançoso e o convite que evitava fazer à Kate acabou saindo naturalmente.

- Fogueiras, marshmallows assados, contar histórias de terror, dormir tarde. Fazemos isso desde que ela tinha cinco anos.

- Parece legal. Meio mágico, na verdade – disse Beckett. Isso serviu de estímulo para Castle dar o próximo passo.

- É, sabe, deveria vir. Vista para o mar, tem piscina. Pode se deitar na borda, se bronzear...

- Castle, você está mesmo se esforçando para me ver em um biquíni – provocou.

- Se não se sente confortável com um, pode nadar nua – Beckett virou o rosto para sorrir. Mentalmente, ela pensava “touché”.


Coletaram tudo o que precisavam da cena do crime e retornaram para o distrito. Tudo indicava que esse caso seria dos bons. Ele logo sugeriu CIA. Novamente, Castle a tentou mostrando uma foto do mar tirada da varanda de seu quarto. Agora que pegara o jeito com a forma de aborda-la sem parecer intrometido ou muito insistente, poderia fazer muitas tentativas ao longo do dia. Não tinha nada a perder, para ser sincero, o “não”, ele já tinha.


Continua.... 

5 comentários:

Thais Ildefonso Pasquinio disse...

Como você ousa parar ali???
Volte aqui, Karen! Hahahaha
Vamos falar do capítulo.
As conversas com a Dana são simplesmente maravilhosas! Amo demais.
Ela e o Castle estavam indo tão bem, até aparecer o Demming, ave isso dói demais!

''- Então será mais fácil para que eu não veja o que acontece entre vocês. Entendi, Beckett. Aprecio sua honestidade mesmo não entendendo sua escolha. Não se preocupe, não irei atrapalhar a sua vida.'' SOCORRO QUE ISSO MATOU, ESTOU CHORANDO EM POSIÇÃO FETAL!
Adorei o capítulo, apesar dos pesares hahaha
Ansiosa pela continuação!
Parabéns, Karen!

Marlene Brandão disse...

Gosto do Tom..... Gosto muito!
Ele concerteza é alguém na fila do pão,se tem um que tenho nojo é o Josh... Esse não é nadinha na fila do pão.
Esse trecho que Tata citou tive que começar a juntar meus caquinhos :"(
Ela foi honesta,achei certo mas magoou,Dana é tudooooooo adoro ela,pelo simples fato de tentar acordar a Beckett,tem um homem incrível ao lado e ainda não vê ou tem medo de aceitar o que ele tem a oferecer.. .. Agora é ver o que tem pela frente!

cleotavares disse...

E aí? Será que vai ou não vai. Ou a Gina vai atrapalhar. Hummmm Indo pro próximo.

Iza Mendes Di Biase disse...

História envolvente, prende a atenção e faz desejar pelo próximo capítulo. Parabéns!
Particularmente não gosto do tempo verbal utilizado, mas isso modifico mentalmente na leitura. Quanto a Dana, ela poderia simplesmente ser a Lanie Parish; os conselhos não são profissionais e imparciais a colocando numa posição de amiga intima.

Silma disse...

Vedo o Tom aparecer o coração começa acelerar!