terça-feira, 6 de outubro de 2015

[Stanathan] Kiss and Don't Tell - Cap.55


Nota da Autora: Ok, vocês pediram e eu atendi. Vamos esquentar as coisas para o nosso casal? Alguém mencionou ciumes? Quer tal um pouquinho de angst na vida quase perfeita dos nossos fofuchos? Tudo valera a pena! Hora de nos divertir. Um lembrete: uma parte desse capitulo foi escrito antes do episodio de estreia portanto existem lacunas a preencher, não se preocupem! Eu vou criar a continuidade do jeito que deve ser! Enjoy!  



Cap.55


Raleigh Studios


Stana chegou bem a tempo de pegar os produtores reunidos com alguns dos escritores da série, dentre eles Chad. Claro que fez a maior festa ao encontra-los. Beijos e abraços depois, ela sentou-se ao lado de Alexi para ouvir o que eles tinham a dizer.

- Acredito que você ira ficar bem satisfeita com o que preparamos para a premiere de Castle. Queríamos um episodio de impacto depois da ultima season finale. Achamos que devíamos isso aos fãs, não tivemos um cliffhanger e quando você comentou sua ausência na primeira semana de gravações, eu e Terence começamos a conversar e a ideia simplesmente surgiu. Por que não fazer um episodio duplo onde exploramos pontos de vistas diferentes?

- Já achei interessante. Falem mais sobre isso.

- A ideia do ponto de vista seria mostrar um caso bem tenso pelos olhos de Castle e na sequencia pelos olhos de Beckett. Agora que ela será a capita do distrito, sua responsabilidade aumenta bastante, mas ela tem históricos perigosos com criminosos do seu passado, então por que não pegar um desses lances do passado para servir de base e tira-la de sua zona de conforto? E nasceu XY e XX, os dois primeiros.

- Começamos com o ponto de vista de Castle, o que lhe dará tempo de trabalhar seus últimos dias de filmagem do filme e retornar para fazer suas cenas na semana seguinte sem prejudicar a historia ou o tempo de gravação. XX será o seu ponto de vista e tudo será bem conectado – disse Terence.

- Podem me dar mais detalhes de como ela acaba envolvida nesse caso? – e Alexi já empolgado se pos a explicar a dinâmica dos episódios para Stana. Ouviu a cada comentário, destaques de cenas, a entrada de uma nova personagem e no geral aprovou. Logicamente, ela tinha algumas ressalvas com os próximos passos da relação de Castle e Beckett, porém decidiu não comentar suas preocupações logo de uma vez. Era sua primeira reunião entre os produtores, era sua primeira experiência comandando os bastidores e ajudando a compor a historia de um show. Tinha muito o que aprender com eles, daí o motivo de não despejar algumas palavras contrarias as ideias dele logo de cara. Era um terreno ainda desconhecido o da escrita.  

- Gostei da ideia dos pontos de vistas e isso vai ajudar a mim sem prejudicar Nathan e os outros. Tudo isso é novidade para mim, preciso me acostumar com o outro lado da série. Agora não somente recebo o script para decorar as falas, eu realmente aprovo o que está escrito. Isso me deixa amedrontada e ao mesmo tempo é excitante. Vocês me perdoarão se eu, de repente, surtar com algumas situações, não?

- Claro que sim, Stana. Sabemos que isso é novo para você, contudo se tem uma pessoa que conhece bem a série e suas nuances, essa pessoa é você. Pode nos dar ideias e toques quando sairmos do foco.

- Bom saber disso. E quanto aos demais episódios? Vocês já tem algo desenhado?

- Sim, venha comigo até a sala vizinha. Temos vários quadros brancos com as nossas ideias. A temporada vai começar bem dinâmica para Castle e Beckett – Stana o acompanhou até o local onde estavam as informações. Ficaram conversando e discutindo sobre os possíveis episódios por pelo menos duas horas. Despediu-se da dupla e marcaram um novo encontro para a semana que vem antes deles retornarem com as filmagens para alguns ajustes finais da premiere e dos três próximos episódios.

Ela deixou o estúdio por volta das oito da noite. Relativamente cedo para o que planejara. Resolveu passar em uma delicatessen para comprar uma torta especial para Nathan. Um pequeno mimo para seu marido. E de certa forma para ela também. A reunião com os produtores deixou Stana com uma sensação estranha e a cabeça fervilhando. Torcia para que Nathan estivesse de bom humor para ouvi-la.

- Já em casa, Staninha? Pensei que ia aparecer depois das dez sendo o mais otimista possível – ele falou ao vê-la surgir na sala com um pacote nas mãos.  

- Também pensei o mesmo, felizmente uma das meninas teve um problema pessoal e a grade de gravação mudou. Anteciparam minhas cenas o que foi ótimo porque consegui sair mais cedo para ir ao estúdio falar com Alexi e Terence. Sai de lá a pouco.

- Ah, sua primeira reunião como produtora! Como foi? Teremos muitas surpresas nessa temporada? Algum bandido bem maligno como o 3XK? Estou curioso.

- Olha, foi o meu primeiro dia. Ainda estou me ambientando nesse novo mundo além dos scripts. O que posso dizer é que a historia da premiere que acaba sendo um episodio duplo é bem dinâmica. Vão explorar no primeiro a visão de Castle e no segundo a visão de Beckett, uma ótima maneira de adequar nossos cronogramas sem prejudicar a série. Também me mostraram os próximos e as ideias que estão bolando. Falaram da nova atriz.

- Nova atriz?

- Sim, haverá uma nova detetive vinda da Inglaterra ao que parece. Quer saber minha opinião? Não gostei. Nada contra a atriz, mas não vejo necessidade de trazer outra pessoa para o distrito. Parece que estão querendo substituir a Beckett detetive, sabe?

- Em todos os sentidos? – ele brincou – detecto ciúmes, Staninha? Por acaso essa atriz é bonita e Castle pode gostar dela?

- Não! Esse não é o ponto!

- Ah, sim. Esse é totalmente o ponto. Stana, Castle não poderia se interessar por nenhuma outra mulher, ele é simplesmente louco pela Kate. Olha tudo que já passou para conquista-la? Eles vão investigar casos juntos? Porque com Beckett cuidando do distrito como capita, talvez não tenha tempo para investigar casos como fazia antes. Você se lembra que Gates se envolvia somente nos cabeludos... deixe o ciúme de lado...

- Não se trata de ciúmes. Estou preocupada com a recepção dos nossos fãs. Eles detestariam ver Castle investigando casos com outra detetive. A graça do show é vê-los desenvolver teorias e solucionar assassinatos juntos.

- Mas quando Castle não podia voltar ao distrito, o lance do PI acabou se transformando em uma competição saudável e que os uniu numa dinâmica ainda melhor como casal.

- Sim, adorei aqueles episódios. Gostaria de ver mais disso até porque as cenas gravadas no seu escritório renderam ao casal ótimos momentos. Isso será diferente, posso sentir. A sensação que tenho é que vamos ficar mais tempo separados.

- Você conseguiu perceber isso no script? Não pode tomar esse episodio como padrão porque você vai ter poucas cenas nele, certo?

- Sim, mas a forma como ela parece entrar na vida do pessoal do distrito, eu não sei. Ela terá muito tempo com Alexis e com você, acho que haverá um certo encantamento de ambos os lados de maneira diferente. Quanto a minha personagem, sou apenas a chefe, mais uma naquele ambiente de policia.

- Responda uma pergunta: tem beijo no primeiro episodio?

- Tem, por que essa pergunta?

- Para saber se o clima de romance continuava no ar. E também se terei a oportunidade de beija-la no set ou se teremos que fazer hora extra... – isso trouxe um sorriso ao rosto preocupado de Stana – falando sério, amor. Não sabemos como tudo isso funcionará, sugiro dar um crédito para os rapazes. E em se tratando de relacionamento, saiba que pode ficar despreocupada. Tanto seu marido da ficção quanto o da vida real não tem nenhuma intenção de amar outra pessoa se não você. Esqueça essa nova atriz...

- Toks, esse é o nome dela. Toks Olangundoye. Eu sei que tudo isso será novo para mim, mas eu conheço o suficiente do universo de Castle e Beckett para dizer que não teremos boas impressões vindas dos nossos fãs com relação a ela. Tem outras coisas também, so que não quis parecer dona da razão logo na primeira oportunidade. Os caras fazem isso há anos, essa é a minha primeira vez.

- Tem razão, por isso mesmo o melhor a fazer será deixar rolar os primeiros episódios, viver as cenas e numa próxima reunião já embasada você pode opinar sobre as personagens e estarei ao seu lado se vierem me perguntar sobre alguma tensão entre Castle e Beckett direi que pode acontecer desde que não afete seus sentimentos. Adoro quando eles discordam e discutem porque podem fazer as pazes de um jeito muito especial. Você me entende certo, produtora?

- Alto e claro. 

- Apenas por curiosidade, você ficou incomodada com a tal Hayley porque ela chama Castle de Rick, não? Você não admite essa intimidade logo de cara.

- Espera, eu não mencionei o nome da personagem e não falei sobre Rick. Como você sabe disso?

- Eu tenho uma confissão a fazer – ele estava sentado com um pedaço de torta a sua frente, levou uma garfada a boca sob os olhares atentos de Stana.

- Desembucha! – ela disse puxando a torta de perto dele.  

- Eu recebi o roteiro de Alexi para avaliar. O que não contei a você é que eu também sou produtor de Castle.

- Você o que? – sim, ela estava surpresa – como pode me esconder algo assim? Você mentiu para mim?

- Eu omiti. Na verdade, lembra como você estava estressada com todoa a situação da renovação, se os executivos aceitariam sua proposta e quando vi a ideia de se tornar produtora, isso foi um alivio para mim porque eu sabia que essa possibilidade era concreta.

- Como você sabia de tudo isso e não me falou? Espera, quando saiu a renovação do seu contrato, já incluía o cargo de produtor?

- Sim, mais uma razão para eu não comentar com você. Talvez você fique com raiva de mim diante do que estava passando. Você não percebeu o quanto essa história afetou seus ânimos, Stana. Sei que sentiu frustração, medo, dor, fiz o que julguei melhor para você. Imaginei que seus agentes lidariam bem com a negociação e quando vi que isso não aconteceu, resolvi interceder. Pode me xingar se quiser, pode não querer falar comigo, porém eu agi da forma que achei mais apropriada naquele instante para ajuda-la. E funcionou.

- Você deveria ter me contado!

- E te deixar ainda mais nervosa, pilhada? Sei que perdeu muitas horas sem dormir, não se alimentou direito. Eu estava bem aqui.

- Acho que tem razão, mesmo assim, somos marido e mulher devia ter me contado antes. Você não teve nada a ver com a aprovação do meu cargo de produtora?

- Apenas indiretamente usando as ferramentas legais que seus agentes deveriam ter coberto já na primeira minuta do contrato.

- Esta dizendo que eu sofri e me angustiei sem necessidade? Por incompetência da minha agência?

- Não exatamente. Para você entender melhor, nosso antigo contrato de sete anos com a ABC previa em uma das clausulas que em caso de renovação, o contratado poderia negociar o direito de produtor do show ao qual participaria com no mínimo de cinco anos de atuação ou o mesmo poderia sugerir um outro programa desenvolvido por ele onde exerceria a função de produtor. Eu cheguei a pensar em usar esse artifício para patrocinar ConMan, mas tinha certeza que a ABC não compraria a ideia. Resumindo a emissora já previra o próximo passo para nós. Por isso achei era uma questão de negociação até ler o seu contrato.

- E por que não me falou dessa possibilidade?

- Eu meio que fiz isso sutilmente fazendo-a chegar nessa conclusão, aceitar a ideia e procurar um modo de ficar confortável com isso e poder vender-se aos executivos. Depois, apenas redigi a clausula e enviei para os meus advogados pedindo para redigirem igual a minha.

- Então, você deu um empurrão...

- Sim, mas a sua reunião, seu poder de convencimento e conhecimento da série foi o que tornou tudo possível – percebeu que Stana estava calada fitando o nada, pensativa – por favor, fale alguma coisa, me xingue, me bata qualquer coisa menos a indiferença – ele fitou-a por alguns segundos. Tomando seu queixo com a ponta dos dedos, Nathan forçou-a a olhar para o seu rosto.

- Nathan, você está adorando isso não?  

- Não está com raiva?

- Como poderia? Você me ajudou direta ou indiretamente. Se preocupou em me deixar dona da situação. Wow! Você deve mesmo me amar, não?

- Ainda tem duvidas do quanto? O universo não me parece suficiente – ele inclinou-se para beija-la carinhosamente. Depois, colocou uma nova garfada da torta na boca. Stana aproveitou para enviar o dedo no pedaço que ele comia e leva-lo a boca.

- Agora que sabe exatamente do que estou falando. Qual sua real impressão da nova personagem?

- Ela não esta ali para fazer amigos. Não se envolve exceto por Alexis. Tirando o sotaque britânico que pode ser interessante, não consigo ver Castle interessado nela. Quanto a querer separar o casal, vamos esperar. Como disse, pode ser bom se render uma reconciliação caliente... eu admito. Tenho certeza que isso não vai acontecer, ao separarem o casal devem ter um motivo bem mais forte e convincente que uma inglesa. Nem conhecemos porque Kate está fugindo. O segundo script está incompleto -- ela riu do jeito dele. Vendo-o encher a boca com mais um pedaço de torta, perguntou.

- Gostou da surpresa? Achei que essa torta podia adoçar o seu dia e o meu.

- Como quer que eu responda a sua pergunta? Palavras ou ações? – ela mordiscou os lábios fazendo uma cara sapeca. Não deu outra. Como ele adorara a surpresa, a recompensa rendeu ao nosso casal uma deliciosa noite de amor.

A pequena folga que tivera no dia anterior por causa do imprevisto com a colega de elenco simplesmente sumiu na sexta. Começara a filmar por volta das seis da manhã, tanto que saiu de casa com Nathan ainda dormindo. As horas cansativas se acumulavam ao longo do dia. Quando fizera sua primeira pausa já passava das quatro. Precisava comer, mas não estava nem um pouco interessada naquela comida de buffet que tinha a disposição no estúdio. Em vez disso, combinou com a diretora que iria passar sua uma hora e meia de almoço em algum lugar próximo dali. Não houve objeção. Poderia retornar as seis da tarde.

Stana pegou sua bolsa deixando o estúdio a procura de um pequeno bistrô ou uma cafeteria. A primeira coisa que queria era um café descente, depois uma comidinha diferente. Não estava com vontade de comer salada hoje. Ela dobrara a esquina quando avistou um toldo vermelho que chamou sua atenção. A aparência lembrava um café, mas olhando de perto tratava-se de um bistrô frances. O lugar a conquistou de imediato. Uma pequena surpresa bem próximo do trabalho.

Essa não foi a única descoberta de Stana naquele lugar aconchegante. Ao entrar solicitando mesa para uma pessoa, ela admirava a decoração a caminho de sua mesa. Mal se sentou, a garçonete lhe serviu água, entregou o menu e perguntou se era a primeira vez dela ali. Com a confirmação de Stana, a moça passou a falar sobre as especialidades da casa, como funcionava, suas recomendações. Ela estava tão envolvida no discurso que não viu o rapaz se aproximar da mesa até que chamou por ela.

- Stana? É você mesmo!

- Alfonso! Que surpresa boa! – ela se levantou por um instante para cumprimentar o amigo com um beijo e um abraço – o que faz por aqui?

- Sou frequentador desse lugar. Nunca a vi por esses lados.

- Estou filmando aqui perto. Acabei de descobrir esse lugar. Ainda não almocei.

- O senhor deseja se sentar com ela? Posso arrumar a mesa para dois – disse a garçonete gentilmente.

- Sim, por favor. Que hora melhor para colocarmos o papo em dia senão em um belo almoço? Você já esta de volta a ativa com Castle? Pensei que fosse somente em julho. Tudo bem, essa é a primeira semana de julho.

- Isso mesmo, porém somente na quinzena. Estou filmando outro filme. Sister Cities. Estamos no meio das gravações. Hoje por exemplo estou trabalhando desde as seis da manhã. Dez horas seguidas. Tenho uma pausa de duas horas e volto ao estúdio para mais três cenas. Ai encerro por hoje.

- Caramba! Que ritmo esse seu. Você não para nunca? Eu também estou fazendo a minha serie. Muito o que escrever, mas hoje não volto ao estúdio daqui vou direto para casa. Já sabe o que vai comer? Posso te dar umas dicas ótimas. Quer um almoço reforçado ou um pequeno lanche?

- Lanche e não se acanhe, nada de salada para mim. Preciso de energia e café.

- Sempre o café. Já que nos encontramos que tal me dar umas dicas do que fazer em LA? Ainda estou descobrindo a cidade.

- Será um prazer – eles iniciaram uma conversa sobre as opções de comidas, fizeram os pedidos e logo voltaram o tópico para o trabalho. Ela estava curiosa para saber como ele estava se saindo com a serie.

Não muito longe dali, Nathan acabara de sair de uma Starbucks. Seu dia de filmagens estava encerrado. Havia apenas um roteiro para revisar e fazer correções. Nada que não pudesse fazer no conforto de seu lar. Caminhava tranquilamente pela calcada quando ao ver o nome da rua, lembrou-se que Stana deveria estar filmando em algum lugar perto dali. Não conseguia se lembrar do nome correto, estava na porta da geladeira. De qualquer forma, de que adiantaria? Não é como se pudesse entrar no set para fazer uma visita. Saboreando seu café, continuou a caminhada.

Ao virar a esquina, Nathan foi surpreendido por uma cena inesperada. Passava pela porta de vidro de um lugar bem arrumadinho, uma mistura de cafeteria e delicatessen. Não conhecia o lugar, mas podia apostar que Stana adoraria algo assim. Nem bem pensou na esposa, ele se deparou com uma imagem bem estranha. Piscou os olhos duas vezes e até colocou os óculos para ter certeza do que via diante de si.

Em uma das mesas no meio do salão, ele avistou Stana sorrindo e conversando animadamente com um homem. Não demorou para reconhece-lo. Era o mesmo que estivera com ela no deserto da Jordânia, o da foto que o fez sentir ciúmes e raiva dela. O que eles estavam fazendo ali? Pareciam bem a vontade. Logo ela que sempre tivera muitas ressalvas sobre aparecer deliberadamente em publico, estava tranquilamente trocando risadas sem medo algum de ser flagrada por um fotografo ou jornalista.

A raiva começou a tomar conta de Nathan a exemplo do que acontecera quando vira a foto naquela vez. Porém, nessa a situação era diferente. Uma foto te fazia imaginar, uma cena como essa mostrava a naturalidade, o verdadeiro comportamento entre as duas pessoas. Ela parecia bem a vontade, aproveitando um momento agradável. Para piorar, ele presenciou o momento que Stana ofereceu uma garfada de seu prato diretamente na boca do cara.

Nathan teve que controlar todos os seus impulsos diante da cena. Sua vontade era invadir o local e tirar satisfações do que estava acontecendo ali. Custou muito mais do que sua dignidade e paciência. Sentia-se traído por ser obrigado a ignorar uma situação como essa. Ele não podia fazer perguntas, brigar ou dar umas porradas no cara sem expor seu relacionamento e arriscar o segredo. Não podia ficar mais nem um segundo ali ou não responderia por si.

Enquanto caminhava afastando-se dali sentia o sangue fervilhar. Ele contraia e distendia os punhos, louco para socar algo ou alguém. Queria gritar para desabafar sua frustração. O que ela estava fazendo? O que aquele cara queria com ela? Por favor, Nathan olhe para a Stana! é obvio que ele queria leva-la para cama! Mas, por que ela não percebia isso? Ela não seria capaz de trai-lo, certo? Não. Talvez fosse um almoço qualquer, nada demais. O problema era que Nathan não simpatizara com aquele tal de Alfonso desde o primeiro momento.

Detestava sentir raiva e ciúmes dela. Infelizmente, era algo que não podia evitar ou controlar. Stana era sua esposa, o amor da sua vida. Pensar em traição por parte dela seria por si so uma traição. Mais fácil dito do que realmente praticado. Somente de imaginar outro homem a abraçando, beijando-a ficava vermelho e fora de si. Queria socar qualquer coisa para extravasar aquele sentimento ruim.

E foi o que fez. A vitima foi um poste de iluminação que apareceu em seu caminho. Se acalmar seria uma missão quase impossível, porém ele tinha que voltar ao seu normal. Se iria confronta-la, não podia perder a razão. Quando Stana chegasse em casa naquela noite, teria que explicar o que exatamente acontecia naquele bistrô.

Ela não apareceu antes das dez da noite. Estava realmente cansada após o dia extremamente puxado. Tudo o que ansiava era um banho quente e cama. Sequer tinha condições de comer. O cansaço era tanto que ate subir as escadas tornou-se um obstáculo enorme. Nathan deveria estar no quarto assistindo algum filme ou lendo. Jogou o casaco na poltrona que ficava logo na entrada do quarto, fez a mesma coisa com a bolsa e os sapatos deixando-os espalhados pelo chão do recinto. Ele estava sentado na cama com uns papeis a mão, provavelmente roteiros de ConMan. Espontaneamente, ela iniciou uma conversa.

- Oi, Nate. Nossa! Estou tão cansada.

- Dia puxado? – ele perguntou mantendo o tom da voz bem baixo e sem tirar os olhos dos papeis.

- O pior. Estou filmando desde seis da manhã. Parece que deixaram todas as cenas difíceis para a sexta-feira. Pior que amanhã tem mais. A partir das sete da manhã – ela se inclinou na cama para beija-lo – vou tomar um banho, já volto – Nathan apenas observou o jeito dela indo para o banheiro. Ela parecia muito tranquila, como se nada tivesse acontecido. Deixaria que ela tomasse seu banho. Ele já esperara até agora, o que seriam mais alguns minutos?                       

Quando Stana deitou-se na cama ao lado dele instintivamente ergueu a mão para tocar-lhe o peito. Endireitando-se na cama para ficar sentada, ela começou a passar creme nas pernas. Seus pés doíam. Ela não percebeu que ele a olhava de maneira diferente.

- Nossa, meus pés estão me matando. Você não quer fazer uma massagem? – a carinha delicada e inocente dela o fez ceder – sinto meus músculos da nuca doerem e as costas. E ainda tenho que trabalhar amanhã – disse chorosa.

- Foi tão pesado assim o seu dia? – ela percebeu um tom de descrença na voz dele.

- Bem, estou trabalhando desde as seis da manhã até as dez da noite. Mais de quinze horas. Repassando texto, repetindo cenas, sob holofotes e ensaios. Senti tensão e stress. Caramba, estou muito cansada. Foi como um dia daqueles em Castle, sabe? Mal me alimentei e acredite comida é o menos importante na minha mente agora. Quero dormir.

- Muitas horas. Interessante, não foi a impressão que tive por volta das cinco da tarde. Não parecia nada difícil ou tenso, aliás longe de estar estressada.  

- Do que você está falando, Nate? – ele largou o pé dela olhando-a seriamente. Algo não estava certo.

- Eu a vi muito tranquila almoçando com seu amigo. Ouvi muitas risadas, um clima mais que agradável – ela notou o sarcasmo e o ressentimento na palavra amigo.

- Ah! Eu encontrei com Alfonso por acaso. Ele se sentou na minha mesa. Estava no meu intervalo de almoço. Já disse que trabalhei demais. Ele frequenta o lugar e era minha primeira vez ali. Acho que você ia gostar também.

- Sei, primeira vez...

- Nathan, você me escutou? Qual é o problema? Ah, não... ciúmes? De novo essa historia?

- Sim, de novo. Por que? Não posso ter ciúmes de um cara que obviamente quer você?

- Ele é um amigo, um colega de profissão! Não tenho qualquer interesse amoroso em Alfonso. Você duvida de mim, do meu amor? Eu te amo, Nathan! Ou você não tem certeza disso?

- Não se trata de duvidar, mas se são apenas colegas o que você acha que a imprensa vai achar se visse uma foto sua assim no jornal? – ele mostrou a foto que tirara no instante que ela dava comida para Alfonso – para alguém tão reservada, você não me parecia preocupada com a possível repercussão de algo assim... não é a primeira vez que vejo você de sorrisinhos com aquele cara. Inconscientemente, esta mandando todos os sinais errados.

- Eu estava apenas dando uma prova de comida para ele! Nada demais! Eu costumava fazer isso todo o tempo com você. 

- E olha para nós agora! A única razão pela qual não invadi aquele lugar para tirar satisfação com ele e quebrar a cara dele,  porque essa era a minha vontade, foi por causa de você, do nosso segredo, do nosso casamento. Droga, Stana! Não tenho sangue de barata! Eu vi o jeito que ele olhava para você.

- Meu Deus! Por que você insiste numa crise de ciúmes que não existe? Não lhe dei motivo para isso. Primeiro foi a foto no twitter, agora um almoço ao acaso. Alias, o que você fazia por aquelas bandas? Seu set fica do outro lado da cidade.

- Estava checando uma locação. Mas não mude de assunto. Você realmente não pensou que poderia colocar todo o nosso disfarce, nosso segredo em risco?

- Não, talvez não considere um almoço casual com um amigo uma ameaça a nossa relação. Minha mente não pensa tanta maldade assim. Não tenho nada a provar, Nathan. Eu não fiz nada errado. Nunca dei motivo para você desconfiar de mim e não tenho que ficar aqui provando para você o quanto te amo ou a minha fidelidade. Quer dar ataques de ciúmes infundados? Ótimo! Faca o que quiser, mas eu não sou obrigada a ficar ouvindo seus chiliques. Estou muito cansada para isso – ela levantou-se da cama pegou o creme que usava e uma manta. Nathan podia ver como o rosto dela estava vermelho.

- Aonde você vai, Stana?

- Vou dormir no quarto de hospedes, na cama de Anne. Preciso descansar porque tenho trabalho amanhã – ela se encaminhou até a porta.

- Stana, volta aqui...

- Boa noite, Nathan. Aproveite bem a cama sozinho – ela já virava a esquerda entrando no quarto e fechando a porta. Ouviu um barulho. Sabia que era ele esmurrando alguma coisa. Não importava. Ele que baixasse a bola e percebesse quanto errara. Crises de ciúmes, era só o que faltava. Deixaria com que ele se acalmasse passando a noite sozinho, Nathan precisava curtir a raiva. Amanhã era outro dia, descansada e com a cabeça fria, ela resolveria aquela pequena crise.

Pela manhã, Stana não teve muito tempo para fazer algo com relação a briga da noite. Acordara atrasada para sair. Depois de um banho rápido, deixou a casa com um iogurte em mãos. Nathan ainda dormia, parecia dopado de sono. O trabalho a consumiu até quase três da tarde. Definitivamente, não tivera tempo de pensar sobre o desentendimento com o marido.

Para Nathan, o dia fora um pouco diferente. Acordou por volta das nove. Ela já não estava em casa. Após um rápido café da manhã que se constituía de uma caneca de café puro e um pão frances, ele recordara a discussão de ontem. Não duvidava da fidelidade de Stana. Ele era humano. Como não poderia sentir ciúmes de sua esposa? Ela é linda, sexy, uma pessoa fantástica, meiga, divertida. Lógico que abutres gostariam de se aproveitar dela. Não considerava o que dissera ontem errado. Estava em seu direito de marido. Reconhecia que pegara um pouco pesado. Podia pedir desculpas? Sim, mas ainda estava com a raiva correndo nas veias. Se fosse começar uma conversa com ela desse jeito, era capaz de se exceder novamente. Se Stana optou pelo seu espaço, ele daria esse espaço a ela.     

Ele aproveitou para arrumar a sua mala, uma bem pequena. A viagem era quase uma ponte aérea. Ele ainda teria que passar no QG de Conman para revisar algumas cenas e o cronograma de filmagens. Estavam entrando na ultima semana. Saiu de casa pouco mais de dez da manhã.

Quando voltou para casa, Stana estranhou o silencio. Nathan não estava na sala, nem na cozinha. Ao chegar no quarto do casal, encontrou a cama arrumada sem sinal dele. Tornou a descer ate a cozinha. Ela pretendia checar o pequeno cronograma com a programação de compromissos de ambos que mantinham na porta da geladeira presa com magnéticos. Tinha quase certeza que o voo dele era apenas uma da manhã. Estava certa.

Resolveu verificar um pequeno bloco de notas que mantinham sobre o balcão próprio para deixar recados um para o outro. Não havia uma palavra sequer dele. Revendo a hora no relógio, Stana não acreditava que ele tivesse saído para o aeroporto as quatro da tarde. Era loucura. Tornou a subir as escadas e ficou surpresa por não encontrar a malinha preta. Então era isso. Ele se mandara sem se despedir dela. Claramente ainda estava chateado com a discussão ou com o fato dela ter deixado-o sozinho.

De repente, a discussão lhe pareceu boba, idiota. Por que foram brigar justamente as vésperas de uma viagem? Eles nunca se separavam brigados. Stana sentou-se na cama para digerir a cruel realidade. A sensação era extremamente desagradável. Tinha uma ultima chance de falar com ele, saber se estava bem e desejar uma boa viagem. Pegando o celular, ela discou.

O celular dele tocou uma, duas, três, cinco vezes antes de cair na caixa postal. Resignada, ela jogou-se na cama.

Nathan olhava para a tela do celular com a foto dela sentindo a vibração do toque insistente. Optara por não atender. Era melhor que passassem um tempo sem se falar até que estivessem calmos, na verdade até que ele estivesse pronto para encara-la e pedir desculpas. Alan observava o amigo. Sabia pelo seu semblante que não estava bem. Para testa-lo, fez uma pergunta simples para a qual não obteve resposta.

- Hey, Nate! Você me ouviu? Nate!

- Desculpe, o que você disse?

- Não importa. O que está acontecendo com você? Está tudo bem?

- Eu não dormi muito essa noite. Estou um pouco aéreo. E provavelmente não terei outra noite de sono com esse voo a uma da manhã. Estarei quebrado no evento em Houston.

- Por que não toma um comprimido para ajudar a relaxar e dormir? Se tomar por volta de oito ou nove da noite quando entrar no avião já ira se sentir pronto para dormir. Que tal? Em ultimo caso, sempre existe a bebida. Umas doses de whisky ou taças de vinho podem ter o mesmo efeito e suspenda o café.

- Não é uma má ideia.

- Podemos voltar para o roteiro? Quero ver se terminamos em uma hora para eu libera-lo. Quem sabe não dá um bom cochilo antes de ir para o aeroporto?

- Tudo bem, vamos trabalhar.

XXXXXXX

Ela estava preocupada. Não ter nenhum sinal de Nathan era muito estranho. Ele ainda estava com raiva dela, era a única explicação para ignora-la desse jeito. Será que antecipara seu voo? Ou decidira acampar em outro lugar apenas para deixa-la apreensiva?

- Droga, Nathan! A crise de ciúmes foi exclusivamente sua. Eu não dei motivo para duvidar de mim. Você que deve se descupar e não me ignorar por completo como se quisesse me punir afastando-me de sua vida - Ótimo! Agora estava falando sozinha. O pior era saber que não podia ligar para os amigos em busca dele, nem mesmo para Alan. Afinal, existia uma grande chance dele estar por lá ou no set de ConMan. Não podia arriscar o segredo deles. Não se quisesse o bem de sua relação – Nathan... por que você não me liga? Detesto ser esquecida.

Ela consultou o relógio novamente. Quase seis da tarde. Decidiu tomar banho, esfriar a cabeça. Quem sabe quando terminasse não se deparasse com ele no quarto? Infelizmente era pura ilusão de Stana. Ao retornar ao quarto, percebeu que não havia noticias em seu celular. Novamente ligou para ele, dessa vez iria deixar recado. Assim que ouviu o bipe, falou.

- Nate, sou eu. Onde você está? Estou preocupada. Mesmo que esteja com raiva de mim pode pelo menos dizer se está bem? Seu voo e somente uma da manhã. Por que não vem para casa? Love u. XS

Essa seria a primeira de, pelo menos, três mensagens. Algo dizia para Stana que ela não obteria resposta. Onde será que ele poderia estar? Não no aeroporto. Michelle! Isso! Ele poderia estar na casa da sua assistente. Já que ia viajar a trabalho podia muito bem ter ido até lá com a desculpa de que precisava discutir algo antes de pegar o avião para o Texas. Ela tinha o telefone de Michelle. Olhando fixamente para a lista de contatos no seu iphone, Stana debatia consigo mesmo se deveria fazer aquela ligação.

Quando terminara o trabalho com Alan, ele resolveu rodar pela cidade de carro. Curtir algumas paisagens da Califórnia. Uma das paradas fora em Santa Monica. Caminhou pelo píer por alguns minutos chegando até sua extensão final. Indubitavelmente, as lembranças surgiram. Fora exatamente ali que comemorara um de seus aniversários durante as filmagens da terceira temporada. Ele se lembrava dos momentos agradáveis ao lado dos amigos, do pessoal da técnica, do bolo e principalmente do abraço de aniversário que ganhara de Stana.

Não adiantava querer fugir. Todos os lugares o faziam lembrar-se dela. Seja porque já estiveram nele ou porque havia uma historia que remetia seu pensamento a ela. Era besteira querer apaga-la nem que fosse por uma tarde de seu pensamento. Parecia que estava gravada em seu cérebro para sempre. Suspirando, ele retornou ao carro e decidiu por fazer uma visita a Michelle. Talvez ao lado dela, ele conseguisse pensar em trabalho para variar.

Ao abrir a porta, Michelle se surpreendeu de vê-lo ali. Estava com uma aparência cansada. Algo em seu semblante não parecia certo. Era quase como se detectasse tristeza nos olhos dele.

- Hey! Você não tem um avião para pegar hoje?

- Sim, devo estar a meia-noite no aeroporto.

- Então, esqueci de lhe informar alguma coisa sobre a convenção? – ela se afastou dando passagem para que Nathan entrasse – ah, não! Você não veio aqui para dizer que cancelou sua ida a Houston! Não vou aceitar mesmo estando com essa cara péssima. Já cancelamos um evento por você estar doente, não podemos cancelar o segundo.

- Não estou doente. Somente cansado, não dormi direito. Você não teria algo para relaxar ai?

- Comprimidos ou álcool?

- Alcool. Não confio nas pílulas. Posso perder o voo ou mesmo não chegar ao destino.

- Vou lhe servir de whisky. Sente-se – ela se aproximou de um pequeno bar que possuía, preparou a bebida e entregou a ele – algo que queira discutir comigo sobre o evento ou outra coisa? Como andam as coisas em ConMan?

- Está tudo bem. A próxima já será a ultima semana. Daí faremos apenas a ultima parte de edição. Está ficando muito bom. Estava com Alan até as três da tarde – ele bebericou a bebida encostando-se para relaxar na poltrona da sala de Michelle. Ela se sentou numa cadeira de frente para ele.

- Você só tem mais dez dias para a volta de Castle. Ansioso? Agora é produtor.  

- Eu realmente não sei. Tenho umas ideias, já li os primeiros roteiros. Parecem muito bons, espero que possa dar minha contribuição – Michelle ia fazer outra pergunta quando foi interrompida pelo toque de seu celular. Estranhou a ligação. Ela conhecia o numero. Estava surpresa por receber um telefonema dessa pessoa.

- Que estranho! É a Stana – Nathan a fitou forçando uma cara de interrogação, porém no fundo ele se perguntava como ela desconfiava que ele poderia estar ali e o que estava pensando se arriscando ao ligar para Michelle - Alo?

- Oi, Michelle. É a Stana. Desculpe estar ligando para você em pleno sábado a noite, mas não consegui falar com Nathan. Ele me deu o seu numero uma vez caso precisasse encontra-lo – isso Stana, use sua veia de atriz para fazer esse ato sair perfeito. Ela encontrara um pretexto para ligar.

- Você quer falar com Nathan? – ela olhou com um olhar questionador para o homem a sua frente. Ele disfarçou dando de ombros – sobre o que?  

- Na verdade, eu cheguei a algum tempo em casa e quando fui verificar minha correspondência tinha um envelope grande da ABC. No meio dos meus papeis vieram alguns documentos para Nathan incluindo parte do script da season premiere. Devem ter se confundido e feito um pacote só. Eu já liguei para o celular dele, mas só cai na caixa postal. Deixei recado faz algum tempo. Como não me retornou, pensei que pudesse estar com você. Ele está em Los Angeles?

- Está na cidade sim, viaja hoje a noite para o Texas. Deve estar se arrumando. Quer que eu passe na sua casa para pegar os documentos? – então ele não alterou a passagem. Será que a estava testando? – Stana, os documentos – Michelle a trouxe de volta.  

- Documentos? Ah, não. Tudo bem, eu tenho uma reunião na emissora na segunda, posso deixar no escritório para que entreguem na casa dele. Só achei estranho ele não me atender, deve estar ocupado com os preparativos da viagem. De qualquer forma, obrigada. Tenha um bom fim de semana, Michelle.

- Você também - e desligou. Virando-se para Nathan, perguntou – que diacho foi isso? Uma ligação no mínimo esquisita. Stana disse que ligou para você no celular e você não atendeu. Ela parecia segura de que o faria.

- Eu geralmente a atendo. O que ela queria?

- Disse que recebeu uns documentos seus por engano. E a copia do script da premiere. Mas não entendi porque me ligou se já pensava em deixar no escritório da emissora. Ela parecia querer saber na verdade se você estava aqui comigo. Tem algo acontecendo que eu não sei, Nathan?

- Não – ele desviou os olhos de Michelle fingindo checar o celular. Não queria que ela notasse qualquer sinal errado ao olhar para ele – ah, ela realmente me ligou. Pela hora, eu estava com Alan. Não devo ter percebido com o celular para vibrar – ele vira que tinha recados no seu voicemail. Não poderia escuta-los agora. Terminou a dose de whisky e de repente se deu conta de algo realmente importante. Ele não estava usando a aliança. Não que fizesse isso em eventos, o problema era que não lembrava de onde a deixara – acho que já vou indo. Tenho que fazer umas coisas antes de embarcar.

- Nathan, esta tudo bem mesmo?

-Sim, tudo bem. Te vejo na volta, Michelle – ele saiu apressado. Ao entrar no carro, deu partida muito rapidamente para sair logo dali. Precisava estar em algum lugar calmo para pensar. Onde deixara a aliança? Seu maior medo era que tivesse perdido ou deixado em algum lugar que criasse todas as desconfianças e medos possíveis em Stana - Droga! – ele esmurrou o volante. Ele sempre levava a aliança consigo. Geralmente, colocava no bolso, na carteira ou na caixa de seus óculos escuros. O fato era que ia na sua mala acompanhando-o – onde eu deixei? Se ela achar... será por isso os recados? - parado em uma vaga próxima a Venice beach, Nathan criou coragem para ouvir as mensagens dela. Eram três.

“Nate, sou eu. Onde você está? Estou preocupada. Mesmo que esteja com raiva de mim pode pelo menos dizer se está bem? Seu voo e somente uma da manhã. Por que não vem para casa? Love u.XS” esse era o primeiro, já no segundo a voz dela parecia mais nervosa.

“Nate, por favor...pode ao menos me dizer se está bem? Isso não é engraçado.” O ultimo fora deixado a cerca de dez minutos atrás. Havia urgência na sua voz.

“Nate, são nove da noite. Você não voltou em casa. Isso quer dizer que não o vejo a mais de doze horas. Quer parar de ser teimoso e ao menos dar um sinal de vida. Não sei mais o que fazer. Se essa era sua ideia de punição, parabéns! Você conseguiu me abalar. Por favor, babe, não faz isso... te amo.”

As ultimas palavras mexeram com ele. Talvez estivesse pegando pesado demais com ela. Ele reconhecia que esse era um de seus maiores problemas, levava as coisas ao extremo. Especialmente quando se tratava de Stana. Ele ficava cego de ciúmes. Pelo menos ela não mencionara a aliança, mas isso não queria dizer que era um bom sinal. Podia ter achado e tirado suas próprias conclusões. Por um breve momento, ele se sentiu tentado a responde-la.

- Não, se voltar para casa ou ligar ela me fará muitas perguntas e vamos acabar brigando de novo. Melhor seguir para o aeroporto. Posso jantar e beber enquanto espero a hora de embarcar – ligou o carro e rumou para o aeroporto. Ele sabia exatamente o que fazer para indicar que estava vivo.

A preocupação de Stana não diminuiu. Já entendera que fazia parte da briga ser ignorada por ele. Nathan podia ser um amor, carinhoso, porém quando teimava com uma coisa era o fim. Perdia completamente a noção e a razão. Ela estava cansada de olhar para o celular esperando um sinal de fumaça. Desceu as escadas de volta a cozinha. Abriu o freezer e se serviu de uma dose generosa de sorvete. Escolhera come-lo sentada na cama deles, mais especificamente do lado dele.

Com as pernas cruzadas e o travesseiro de Nathan nas costas, ela ligou a TV com o intuito de se distrair. Podia sentir o cheiro característico dele naquelas roupas de cama. Estava passando um programa culinário e Stana se deparou com um pensamento um tanto patético. Olhe para ela. Sentada em seu quarto, sem noticias do marido em pleno sábado a noite vendo comidas na TV enquanto se enchia de sorvete. Como isso pode acontecer? Seria uma daquelas crises do casamento?

Ela estava preocupada com a situação e se acabara por criar uma desconfiança através de Michelle. Fora um erro ligar. Agira no desesepero, no impulso. Esperava não ter estragado tudo. Ao olhar para a cabeceira onde Nathan colocava seus roteiros ou livros que estava lendo, ela viu algo brilhando atrás do carregador de celular. A aliança dele. Stana segurou a respiração.

Por que a aliança de Nathan estava ali? Isso não era do seu feitio. Ele sempre levava a aliança consigo nas viagens. Nunca esquecia a menos... oh, Deus! Ele deixara de propósito? Segurando a peça na palma de sua mão, Stana mordia os lábios. Sentia o coração batendo rapidamente. Não... era demais para uma crise de ciúmes, certo?

Mas aquela altura dos acontecimentos, Stana não conseguia pensar se isso era parte da punição que ele resolvera dar a ela ou se realmente era algo bem mais serio. Confusa, machucada e preocupada, ela viu o medo se apoderar de si. Estava tudo errado. Eles se amavam! Não era uma crise de ciúmes que acabaria com o seu relacionamento. Ela se recusava a aceitar tal disparate após tudo o que passaram, o que viveram.

Contudo, a ideia de uma crise era tão absurda que ela mal conseguia pensar. O que deveria fazer? Isso tinha que parar. Ela fitou o celular jogado sobre o colchão ao seu lado. Seu ipad estava sobre uma das prateleiras do armário. Se ligasse, ele não atenderia. Já estaria embarcando, pois eram quinze para uma. Precisava fazer alguma coisa. Sentiu a garganta arder. Talvez pela força que fazia para não ceder as lagrimas.


Abriu a geladeira e serviu-se de uma taça de vinho. Virou-a quase que instantaneamente voltando a encher o copo. Ao fechar a porta, ela se deparou novamente com o cronograma, era a segunda vez que olhava para aquele papel. Pensou por alguns segundos. Decidida a não ficar curtindo fossa ou se culpando pelo que acontecia, Stana resolveu agir e exorcizar esse demônio do ciúme de vez.           


Continua....

5 comentários:

cleotavares disse...

Eita! o bicho vai pegar( no bom sentido), ela vai pro aeroporto?

Pâmela Bueno disse...

como assim parou agora????? MEU DEUS eu preciso do próximo capítulo AGORAAAAAAA pelo amor de deus posta logo esse capítulo ou eu vou morrer....... por favor hahahah desesperada kkkk

Luciana Carvalho disse...

Como assim acabou aí???? Carambaaaa, posta logo o próximo!! Tô angustiada com esse cabeça dura
do Rick!!! Viajar brigado não é bom!!!

lady bug disse...

achei essa fic por esses dias e MEU DEUS, simplesmente não consegui parar de ler, MELHOR Stanathan que já li na vida
simplesmente AMEI, tô apaixonada na fic e meu eterno coração Stanathan shipper fica acelerado em cada linha que leio
garota, vc arrasa <3

Marlene Brandão disse...

PUTA QUE PARIU!!!!
DESCULPA MAS NÃO DÁ PRA TER OUTRA REAÇÃO,ESTOU OFICIALMENTE NA FOSSA. CARAMBA,JÁ ODEIO ESSE AMIGO DELA DESDE AGORA!
QUE DOR,NÃO AGUENTO VER MEUS SHIPPER SEPARADOS OU BRIGADOS.
"DÓI MEUS SENTIMENTOS! "
PRECISO DE MAIS!!! !!