terça-feira, 17 de maio de 2016

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.53


Nota da Autora: Atendendo a pedidos, esse capitulo além de ter um dos meus episódios favoritos da S4, aborda uma ótima conversa de Dana e Kate que irá perdurar nos proximos capítulos. Espero que gostem e lembrando que com essa postagem, vou precisar de um tempinho pra ONO....Enjoy! 


Cap.53

Dias se passaram e a vida continuava sob controle. Beckett ia as sessões de terapia, escrevia em seu caderno azul, resolvia casos com seus detetives e com seu parceiro. Aliás, desde quando ela se abrira para Castle quanto a PTSD, a dinâmica entre eles mudou. Não sabia explicar ao certo. Eles continuavam parceiros, dividindo as atenções nas investigações e também compartilhando momentos juntos. A tal parceria com benefícios parecia ter alcançado um outro nível. Além dos cafés diários, dos jantares, da última aventura das algemas, Beckett sentia que o laço entre eles estava mais apertado. Pequenos gestos, palavras. Ela mesma não sabia explicar ao certo o que mudara. Por isso, levou sua preocupação até Dana.
Naquela tarde no consultório da terapeuta, Beckett parecia um pouco aflita. As mãos contorciam-se incapazes de ficarem quietas. Ela mordiscava a boca e seus olhos pareciam ter encontrado algo muito interessante para observar pela janela. Dana sabia que algo perturbava a mente da detetive, sendo assim, cutucou.
- Certo, Kate. Você já está no meu consultório por vinte minutos e não disse sequer uma palavra depois que nos cumprimentamos. O que está acontecendo? E nem adiante vir com o velho “nada” ou “estou bem” porque não sou qualquer pessoa e conheço muito bem sua linguagem corporal. Você está tensa, inquieta. O que a preocupa? Acredito que faz pelo menos um mês que não te vejo assim, meio que fora do eixo.
- Eu... não sei bem como explicar.
- Então, algo definitivamente aconteceu. Você teve outra crise de PTSD?
- Não. Faz três semanas que não tenho nada. Nem sensações, nem sonhos. Não é isso.
- E o que é?
- Está tudo bem. E esse é o problema.
- Ok, você terá que ser mais especifica.
- A minha vida, quer dizer, está tudo bem. Não tenho crises, o trabalho está fluindo. E minha parceria com Castle continua bem. Está tudo certo e tudo errado. Acho que desde que contei sobre a PTSD e agradeci a ele por ter salvo minha vida, as coisas têm sido diferentes.
- Diferente para bom ou ruim?
- Eu não sei! As vezes acho que é para melhor, mas... nossa relação, nossa parceria. Ela parece ter mudado. Estamos bem. Ultimamente parece que estamos saindo mais, curtindo mais, estamos mais juntos.
- E isso é um problema por que?
- Você não consegue ver? Dana, e se eu tiver me deixando levar por essa tal de parceria com benefícios além do que poderia? Se tiver contribuindo para um outro nível de intimidade que não esteja pronta para encarar ainda? Eu sei que você vai dizer que isso pode ser encarado como uma evolução em meu relacionamento com Castle. Posso até ouvi-la dizendo “Kate, isso é natural, você é apaixonada por ele”. Só que não é para acontecer agora. Eu ainda tenho problemas a resolver. Não estou pronta para entrar de cabeça em um relacionamento e muito menos dizer a Castle que sei que ele me ama. Não, definitivamente não estou pronta – ela passou a mão nos cabelos em sinal de nervosismo.
- Certo, gostei da sua interpretação de mim mesma. Minha resposta a isso poderia ser de concordância, porém, eu prefiro perguntar. Por que você está trazendo esse assunto à tona nesse momento?
- Dana, e se essa parceria for um erro? Se isso apenas estiver servindo de tapa buraco para algo maior ou mesmo para evitar que eu sabote meu tratamento? Eu não sei se deveria seguir adiante com isso...
- Kate, sabe quantos “se´s” você usou nos últimos minutos? Quatro evidentes e um implícito! O que significa que você está rodeando, rodeando e não dizendo o que realmente está se passando na sua cabeça. Você não pode basear sua terapia, seu tratamento em suposições. Tudo é uma questão de objetivo. Você diz que quer ficar bem, fazer o tratamento porque sua meta final é ser mais do que é, superar o seu passado e abraçar seu futuro, que nesse caso é o seu relacionamento com Castle. Foi para isso que nós duas concordamos em nos reunir duas vezes por semana. Para leva-la ao seu objetivo. Ao invés de ficar me dando desculpas através de suposições, por que não me diz o que está de fato te incomodando? E não fale da sua mãe, não é o seu passado que está te deixando aflita.
Kate fitou a terapeuta por um longo período de silêncio. Odiava o fato dela a ler tão facilmente.
- Tudo bem. Nós estamos ultrapassando os limites. Eu e Castle. Estamos domésticos demais. Isso não era para acontecer. Eu fazendo jantar para ele. Castle me deixando recadinhos além do café. Encontros e sedução. Da última vez, eu sugeri uma ideia para transarmos e acabamos enrolados como no caso, mas de uma forma boa. Dana, nós roubamos comida um do prato do outro! Isso está errado!
- Estaria errado se vocês não se permitissem. Alguma das partes reclamou?
- Não, mas esse não é o ponto. Você está querendo tirar por menos, o ponto é... droga! Eu não sei qual é o ponto, perdi meu argumento – dessa vez, Dana não conseguiu manter a pose de terapeuta e desatou a rir.
- Hey! Por que está rindo? Isso não é engraçado! Temos um problema sério aqui, você é minha terapeuta deveria me ajudar e não zoar na minha cara.
- Não estou zoando. Foi apenas engraçado. Só por curiosidade antes de continuar, o que exatamente você propôs para Castle? Algum joguinho de sedução? Fantasia?
- Não é da sua conta – Beckett fechou a cara visivelmente chateada com a terapeuta.
- Relaxa, Kate. Você quer ouvir minha explicação para o que está acontecendo? Puxa! Eu estou muito satisfeita. Essa sua declaração de que você e Castle estão ficando muito domésticos, nada mais é do que o reflexo do seu tratamento. A terapia está funcionando. Olha para você! Kate Beckett está se permitindo desfrutar de bons momentos na vida. Isso é progresso. Instintivamente, inconscientemente você deixou uma pequena brecha e Castle vem se aproveitando, vem se aproximando. E sabe o que é mais interessante, Kate? Você se deixou levar. Se abriu para a possibilidade.
- Você está me confundindo. Não jogue seus truques em mim, Dana!
- Não! – ela riu – não se trata de truque, estou dizendo para você que nosso tempo juntas tem valido a pena. Quer saber quem está confusa? A velha Beckett. Aquela que teima em viver no passado, angustiada atrás do algoz de sua mãe. A Kate que vê o medo e os muros como proteção, resistência. É ela quem está poluindo sua mente e fazendo você se questionar sobre o que vem melhorando na sua vida. Na verdade, não esperava que fosse diferente. Sabia que isso ia acontecer em algum momento. É natural. A questão aqui é como você decidira prosseguir.
- Velha Beckett? Como assim? Eu continuo a mesma, com meus problemas, esses mesmos que você citou.
- Não, você está evoluindo, mas parte de quem você foi por quinze anos ainda está viva. E você não irá perde-la. Deve encontra o caminho de sobrepô-la, tornar-se maior do que seu antigo eu. Você gosta dessa nova Kate, a que tem o lado doméstico?
- É, acho que sim.
- Você quer que ela continue a evoluir a ponto de derrubar todos os muros?
Kate fitava a terapeuta. Soltou um longo suspiro.
- Sim, eu quero.
- Então, continue. O que quer que esteja fazendo com Castle, continue. Porque, no fundo, isso está fazendo muito bem a você. E não se iluda, a velha Kate ainda não vai te abandonar. E tudo bem, porque eu também reconheço que não acabamos. Dúvidas irão surgir. Da próxima vez que ela a abordar, tente enxergar a situação sob outra perspectiva. Isso irá ajuda-la sobre que direção tomar.
- Tudo bem, Dana. Vou ter que lidar com isso – Kate se levantou do sofá, pronta para ir embora – obrigada, Dana. Nos vemos na quinta?
- Você não vai mesmo me contar o que você e Castle aprontaram?
- A curiosidade matou o gato, Dana.
- Droga! – Kate riu ao deixar o escritório. Era uma pequena vingança pelas vezes que a terapeuta e amiga a deixara inquieta.      

Duas semanas depois...

Beckett chegara cedo ao distrito. Nem bem tivera tempo de sentar em sua mesa, o celular tocou. Lanie. Tinham um novo assassinato. Ao receber as orientações de onde era a cena do crime, já imaginava que Castle ia adorar esse lugar, isso se não soubesse historias por trás dele. Ela desligou e acionou seu nome na lista de favoritos.
- Detetive Beckett... que bom ouvir sua voz as oito da manhã. Saudades?
- Não. Temos um caso. Está a fim de investigar ou está enrolado com seu livro?
- Você sabe que troco qualquer coisa por uma cena de crime ao seu lado...
- Certo, passo aí em quinze minutos.
Eles chegaram a cena do crime com Castle já animado. Pudera! O local era um clássico dos anos 40, época dos gangsters e mafiosos. Pennybaker Club.
- Wow! O Pennybaker Club, nos anos 40 todos os poderosos jogavam aqui. se essas paredes pudessem falar, imaginem o que diriam.
- É, mas a única história que precisamos ouvir é sobre... – Beckett esperou Lanie dar as informações da vítima. Stan Banks. Ferimento a bala. Tentou se defender sem sucesso. Não era um assalto, porem alguém revirou o corpo em busca de algo. Apesar de ser morador da cidade tinha uma chave de quarto de hotel. Ao conversar com a ex-mulher dele, descobriram que Stan começou a ficar obcecado por tesouros antigos. Primeiro um dobrão, uma moeda rara espanhola. Ficou pior depois que ele assistiu um documentário sobre Clyde Belasco, o caçador de tesouros. Obviamente, Castle sabia de quem ela estava falando. Stan tornou-se um também. Desistiu da carreira para buscar tesouros. Da última vez que se falaram, comentara o quão perto estava de achar a borboleta azul que ela não tinha ideia do que fosse.
Estava com problemas financeiros e um cara ligou para a ex-mulher falando que devia dez mil dólares e que se não pagasse, haveria consequências.
Vasculhando as coisas de Stan, não havia nada que os levasse a uma próxima pista. Castle procurava por referências a tal borboleta azul, não encontrando nenhuma. Muitos livros sobre gangsteres e os anos 40. Beckett, por outro lado, rastreou o telefone e conseguiu o número da pessoa que ameaçou Stan. Ryan foi checar.
Castle tinha uma espécie de diário nas mãos. Ria enquanto lia. Parecia estar se divertindo. Beckett olhou para ele sem entender.
- Esse diário nas coisas do Stan também é dos anos 40. Parece de um detetive particular. Ouça isso: “Geralmente as esposas começam a chorar quando veem fotos da traição de seus maridos. Mas não essa dama. Ela queria vingança. O que é pior: ter um caso com uma cliente ou depois cobra-la pelos seus serviços prestados? ” – sim, Castle estava fascinado. Ela sorriu.
- Fofo.
- Fofo? Esse cara parece um detetive durão saído de um dos romances de Raymond Chandler. Onde será que Stan conseguiu isso? – Beckett não parecia tão interessada e continuava escrevendo seus pensamentos sobre o caso. Castle aproveitou o descaso dela para pedir um favor – Beckett, se importa se eu levar isso comigo para casa essa noite? Pode ter a chave do que Stan procurava.
- Você só quer ler porque acha legal.
- Isso também.
- Certo, contanto que... – quando levantou a cabeça ele já estava há metros dela indo no rumo do elevador, incrível! – traga-o de volta na manhã... – ela praticamente sussurrou – garotos serão garotos...
Naquela noite no loft, Castle serviu-se de uma dose de whisky, sentou-se em seu escritório e deixou sua imaginação viajar diante da incrível história daquele detetive. Na verdade, ele podia ver o quadro claramente em sua cabeça. As imagens do conto tinham várias personagens, nada comparado ao detetive e a bela dama que com um olhar roubara seu coração. Castle se viu no enredo. Ele, Joe Flyn. Um detetive durão diante de um caso trazido por Sally McQueen, uma cliente que procurava por Vera McQueen, sua irmã que viera para Manhattan para ser uma dançarina. Vera tornara-se Beckett, a bela dama na visão do escritor.
Quando ele a viu pela primeira vez, sabia que a foto não lhe fazia justiça. Ela era um problema ambulante. E mesmo assim, bastou um olhar para saber que ele se encantara por Vera. Ela estava com um dos maiores mafiosos de Nova York. Tom Berenger. Logo, o chefão suspeitou dele fazendo seus capangas levarem-no para vê-lo. E Joe apanhou apenas por não conseguir tirar os olhos da garota. Jogado no fundo do bar próximos aos sacos e latas de lixo, ele tentava se recuperar, perguntando-se se valera a pena. Então, ela apareceu. Joe disse a si mesmo. Valeu. Ela valia cada soco. Estava preocupada com ele. “Está machucado? ” perguntou. “O que isso? Não foi nada. Você deveria ver o que o meu rosto fez com o punho do outro cara. ” Ele ajeitou o chapéu, ela sorriu aliviada.
- Qual o seu nome, valentão?
- Isso importa, boneca? – gritaram seu nome, os capangas chamaram por ela. Vera olhou para os dois e outra vez tornou a fitar Joe. Foi quando ele a viu. A borboleta azul pendurada no pescoço dela. Um último sorriso selou o encontro dos dois.  
- A borboleta azul. É um colar! – finalmente Castle saíra de seu transe.
No dia seguinte, enquanto Beckett e Ryan discutiam evidencias reais, ele apareceu na delegacia alegando que sabia o motivo porque Stan estava naquele bar. Não era pelas dividas como Beckett supunha. Explicou que Stan estava atrás do colar a borboleta azul cheio de diamantes e que vale cerca de um milhão de dólares. Mostrou a foto para Beckett.
- De onde você tirou tudo isso?
- Do diário do PI.
- Stan caçava um tesouro.
- Exato. Fiz uma pesquisa. A borboleta azul desapareceu nos anos 40 e há boatos de que está escondida no Pennybaker. Se ele achou um colar de um milhão de dólares, isso é motivo para assassinato. O colar antes pertencente a uma esposa de um nazista veio para a América e tornou-se propriedade de Tom Dempsey, o mafioso dono do bar. O bastão verde encontrado na cena do crime podia ser do escritório de Dempsey que de acordo com o diário era todo decorado em verde. Também dizia-se que o mafioso mantinha a joia em seu cofre no mesmo escritório. Beckett decide voltar com Castle a cena do crime.
De volta ao clube, Castle conta para Beckett a história do diário. Realmente Stan havia arrancado o bastão do escritório, mas o cofre não tinha nada dentro, estava inutilizado há anos. Mas Castle discordava dela.
- Esse não é o cofre secreto? – ela perguntou após Castle afirmar isso.
- Eis um fato engraçado. As pessoas mantem dois cofres, um fácil de encontrar, para coisas de menor valor, e outro, muito mais difícil de se localizar, para coisas especiais como a borboleta azul.
- Castle, onde está o cofre secreto? – ela já estava ansiosa para saber.
- Estou chegando lá. Faz cinco dias que Joe e Vera se conhecem e estão muito apaixonados.
- Depois de cinco dias? Qual é!
- Eles não perdiam tempo nos anos 40 – por que ela sentira que isso fora uma indireta? – na verdade, estavam tão apaixonados que arriscaram tudo – Castle tinha agora um olhar sonhador.
- E o que isso tem a ver com o nosso cofre secreto?
- E isso aconteceu nos bastidores – ele viajava outra vez na história, as vezes odiava como Beckett arruinava seus pensamentos com a logica – lá em cima. Estavam juntos, o que era perigoso porque ela era a garota do Dempsey. Quando eles olharam nos olhos um do outro, o coração de Kate acelerou...
- Você acabou de dizer Kate? Está se imaginando como o detetive e eu como a amante do gangster? – ela estava intrigada, claramente esse podia ser um dos motivos pelo qual ele estava tão fascinado pela história além de seu interesse como escritor.
- O que? Não! – Droga! Fora pego. Tinha que desmenti-la – e eu não disse Kate. Disse Fate. O coração do destino acelerou. Estava sendo poético. Deus! – mas ela não acreditara em uma palavra do que ele dizia. De costas para ele, sorria. Castle continuou – enfim, como dizia, eles estavam prestes a se beijar quando os capangas de Dempesey apareceram prontos para dar outra surra em Joe. Por sorte, Betsy, a cantora do bar apareceu e deu a entender que ele era, na verdade, seu namorado. Após livrarem-se dos capangas, Betsy virou-se para os dois. “Melhor ficar esperta, vera. Dempsey irá te massacrar se descobrir. Ele beija bem e tudo mais, mas caramba, essa delicia vale a pena? ”. “Ele é o creme do meu café” foi o que Vera respondeu. Eles tentaram escapar. Joe sabia que Betsy estava certa. Então, Vera pede para Joe fugir com ela levando o colar como garantia de dinheiro. Ela sabia onde o cofre ficava.
Kate interrompeu a narrativa dele já ansiosa pela nova descoberta.
- E?
- E, é isso. Foi a última anotação no diário.
- Como assim? O que aconteceu com Joe? Com Vera? – sim, por mais que não quisesse admitir, Beckett gostara da história.
- Não sei.
- Por que contaria uma história se você não sabe o final? – frustrada era o mínimo para definir sua reação no momento.
- Se quer o começo, meio e fim, escrevi 27 livros que pode escolher – ele a viu grunhir e revirar os olhos.
- Certo, então onde está esse cofre secreto? – avaliando melhor o local, Beckett suspeitou de uma estrutura de madeira, ao remove-la encontrou o cofre aberto. Stan o encontrara e isso o matou, a questão era quem fizera isso.
De volta a delegacia, Castle comentou que descobriu de quem Stan comprou o diário, da neta da secretaria de Joe. E Ryan revela algo interessante. O revolver 38 que matou Stan está ligado a um outro crime não resolvido que teve duas vítimas em 1947.
- Sabia que havia uma conexão – disse Castle.
- Quem eram as vítimas?
- Uma dama chamada Vera McQueen e um detetive Joe Flyn – Castle e Beckett trocaram olhares espantados.
- Assassinados. Isso é ruim. Eu sempre achei que os dois conseguiriam...
- É, não exatamente o fim que eu esperava – concordou Beckett.
- Ambos foram baleados com o 38 e o carro de Joe incendiado. O único suspeito na época foi Tom Dempsey, mas eles não tinham evidência suficiente para condena-lo.
- Aposto que Dempsey pegou os dois fugindo e os matou. A questão é como a arma está ligada a Stan?
- A menos que Dempsey matou Stan – sugeriu Ryan – ele teria 90 anos mas ainda seria possível.
- Não pode ser Dempsey. Ele morreu de um ataque cardíaco quatro meses depois que Joe e Vera foram assassinados – disse Castle – ainda assim, nós deveríamos olhar o relatório policial de 1947. Pode haver algo lá sobre a arma que ajudará na morte de Stan.
- Ok, irei ao armazém checar os casos antigos – disse Ryan.
- Espere, eu quero ir – Beckett riu e concordou. Esposito também tinha novidades. Clyde Belasco comprou todas as armas de Dempsey em um leilão incluindo duas 38. Também voou de Paris para Nova York uma semana antes de Stan ser morto e segundo informações, Belasco procura pela borboleta azul a quinze anos. Hora de chama-lo ao distrito.
Depondo, Belasco confirmou a compra e ofereceu-os para teste. Também que Stan foi procura-lo para saber informações sobre a borboleta azul. Ele queria toda a pesquisa sobre o bar. Stan também afirmou para ele que estava sendo seguido por um mustang branco. Alguém mais estava interessado no colar.
Enquanto isso, Castle e Ryan reviravam a caixa de evidências do crime de 1947. Havia a foto da cena, o carro queimado e os corpos, muita papelada. Era como procurar agulha no palheiro. Uma declaração da secretaria de Joe parecia bem curiosa. Castle começou a ler para Ryan e viajar novamente em sua própria história, imaginando, obviamente ele e Beckett.
“- Olhei todas as possibilidades, boneca. Não há forma de arrombarmos o cofre de Dempsey.
- Então, como o pegaremos?
- Fácil. Você saira com ele pela porta essa noite.
- Como? Já foi difícil despistar os capangas dele essa manhã. Será muito mais difícil se eu estiver usando a borboleta azul.
- Será moleza. Confie em mim. Especialmente com a ajuda de nosso amigo Jimmy Doyle.
- Quem é Jimmy Doyle? – Vera perguntou.
- Um lutador. Essa noite enfrenta Sugar Ray Robinson pelo título de meio-médio.
- E?
- Todo homem verdadeiramente irlandês se reunirá ao redor de um rádio, torcendo por Jimmy. Você esperará até uma parte animada da luta e então pedirá para se retirar. O responsável por te observar mal prestará atenção então você sairá pela porta dos fundos onde estarei esperando por você.
- Joe... – ela se aproximou do detetive sorrindo - é perfeito – nesse momento foram interrompidos pela secretaria que afirmava que era loucura.
- No que está pensando, Sr. Flyinn? Essa garota não é coisa boa.
- Do que você está falando? Olhe para mim, sou um novo homem. Um homem melhor. Não bebo desde que conheci Vera e se isso não é um milagre, não sei o que é.
- Era melhor você com uma garrafa do que com essa ai. E em que estão baseando esse relacionamento? Em um roubo e uma mentira?
- Que mentira?
- Acho que é hora de esclarecer as coisas, não? – disse Joe – boneca, não foi coincidência nos encontrarmos no clube. Fui contratado para te encontrar, mas eu não podia te dizer. É que...
- Seja direto, Joe. Quem o contratou? – Vera estava chateada e apreensiva.
- Sua irmã.
- Joe, eu não tenho irmã. “
- O que aconteceu depois? – Ryan perguntou.
- Eu não sei. Esse é o fim do depoimento – disse Castle – Sally enganou o detetive. Reviravolta clássica de filme noir.
- Mas por que? O que Sally planejava? – se perguntava Ryan claramente envolvido pelo história como Castle.
Na delegacia, Esposito recebe um chamado do gerente do hotel informando que um homem em um mustang branco acabara de entrar no quarto de Stan e que ainda estava lá. Beckett e ele conseguiram pegar o cara, surpresos por encontrar uma cópia de Tom Dempsey. O neto dele.
Castle e Beckett olhavam abismado para a semelhança. Conversando com o neto, descobriram que Stan inventou uma história sobre escrever a biografia do avô de Dempsey sem focar nos negócios ilegais. Ele deu acesso a Stan de todos os documentos do avô até descobrir que era uma mentira através de outra pessoa. Ele confirmou que havia uma cantora na época no bar do avô. Betsy Sinclair. Duas semanas atrás ela faleceu. Fui dar minhas condolências e quem ele encontrou lá? Stan conversando com um senhor. Assim que o viu saiu correndo. Depois, soube da morte dele pelos jornais.
Castle ainda tentou insinuar que ele seguiu Stan e o viu encontrar a borboleta azul por isso o matou. Mas Dempsey sequer sabia disso. E seu álibi confirmou que não matara Stan. Inconformado em não saber da história, Castle foi até a funerária e descobriu o motivo que levou Stan ao funeral. Encontrar Jerry Maddox, o bartender e aparentemente o ultimo link vivo que sabia da borboleta azul. Além disso, o sem teto que costumava ficar pelo bar estava sendo trazido ao distrito. Beckett convidou Castle para fazer uma visita a Jerry Maddox.  
Um enfermeiro abriu a porta. Ele quem cuidava do casal de idosos. Eles ofereceram sopa que Castle prontamente aceitou. Beckett recusou educadamente. Ao ouvir os acordes, Castle perguntou se ouvia “I can´t give anything but love” e o senhor confirmou dizendo que provavelmente não era sobre isso que estavam ali. Beckett tomou a frente dizendo que investigavam o assassinato de Stan. Jerry o reconheceu. A próxima pergunta era sobre a borboleta azul e ele confirmou que Stan fez muitas perguntas sobre o colar. Então, Castle perguntou sobre o assassinato de Joe e Vera. Claro que ele se lembrava, as notícias foram muitas e todos comentavam. Dempsey atirou neles a sangue frio. Castle perguntou se ele conhecia Sally. Jerry lembrava-se porem o ano era 46 logo que fora contratado no clube.
Então, ele contou a história. Dempsey não estava com Vera naquela época, andava com Priscila Campbell e ela tinha uma filha, Sally. Logo após Vera chamar a atenção de Dempsey, ele as abandonou, ficaram na sarjeta. Disseram que era a maldição da borboleta azul. Priscila se matou com remédios.
- Sally culpava Vera pela morte da mãe então ela conspirou contra Vera. De algum modo, ela usou o detetive para fazer isso. Ela deve ter armado para eles.
- Mas como isso nos ajuda a descobrir quem atirou em Stan? – perguntou Beckett.
De volta ao distrito, souberam que o sem teto reconheceu Clyde Belasco afirmando que ele o pagara 400 dólares para que o deixasse ficar no bar. Trazido para novo interrogatório Belasco revelou que estava lá quando Stan morreu, mas que não fora ele quem o matara. Ele se escondeu. Sua ideia era lhe dar um susto e pegar seu prêmio, o colar. Quando Stan retornou do escritório, ele segurava a joia. Então, alguém colocou um lenço em seu rosto com clorofórmio e ele apagou. Ao acordar, Stan estava morto e nem sinal da borboleta azul.
Infelizmente, o caso era circunstancial sem uma confissão. Beckett esperava que conseguisse um mandado para a casa de Belasco. Enquanto isso, Castle desfazia o quadro de evidências visivelmente decepcionado com o fim da história. Ele queria que através de Stan descobrissem o que aconteceu com Joe e Vera. Beckett retrucou que já sabiam que Dempsey os matara.
- Essa é a versão óbvia. E Sally? Qual a parte dela nisso e por que contrataria Joe?
- Acho que nunca saberemos.
- Não, algo mais estava acontecendo. Algo que não percebemos. Usando sapatos Salomé e uma roupa caipira, aquela ruiva era um passarinho recém-saído do ninho.
- Espera, o que você disse?
- Foi como Joe a descreveu no diário dele.
- Não, a parte sobre os sapatos?
- Salomé. É quando a fivela vem... – mas Beckett o interrompeu falando algo ao telefone e desligando. Ela acabara de ter um insight. Pegando uma foto, ela se dirigiu a Castle.
- Certo, dê uma olhada nessa foto. Há um sapato perto do carro. E olha qual o tipo de sapato.
- É um Salomé? Você não acha...
- Se a Vera estava no clube aquela noite estaria usando um vestido elegante e...
- E saltos – completou Castle – essa não é a Vera. É Sally.
- Mas não pode ser Sally, o bartender disse que a viu meses após os assassinatos. A menos que...
- Ele mentiu! – disseram os dois em sincronia.
- Mas isso acabou a meio século atrás. Por que mentiria?
- Beckett, eu acabei de perceber algo... – ela olhava para ele concentrada.
- I can´t give you anything but love…
- O que? – por um momento, ela se sentiu muito confusa. Estava falando com ela?
- Era o que tocava quando entrevistamos o garçom.
- Certo, certo – se recuperando do pequeno arrepio que sentira com as palavras dele – ele disse que essa era a melhor versão da música.
- Era a versão de Louis Armstrong. No diário, Joe diz que seu artista favorito é Satchmo. Qual o real nome de Satchmo?
- Louis Armstrong.
- Juntando tudo... a resposta é clara.
Batidas na porta. Assim que a senhora abre, sorri.
- Olá, novamente – ao ver Castle e Beckett.
- Olá, Vera – disse Beckett.
- E olá, Joe – completou Castle quando o ex-detetive apareceu ao lado da mulher. Claro que foram convidados a entrar. Beckett começou perguntando.
- O que aconteceu? Stan descobriu a verdade? Que vocês mataram duas pessoas para fugir com a borboleta azul? Então você o atraiu até o bar e atirou nele?
- Moça, você entendeu errado. Stan me encurralou no funeral da Betsy querendo saber como a conhecia. Então menti e disse que era bartender.
- Stan era esperto demais. Ele nos descobriu. Ele veio aqui querendo saber onde a Borboleta Azul estava – disse Vera – ele ameaçou nos expor.
- Como um cachorro atrás do osso. Então dissemos o que ele tinha que saber. Contamos onde estava. Mas não o matamos.
- Vamos lá, pessoal. Sabemos que foram vocês. Usaram a mesma arma dos assassinatos de 1947.
- Mesma arma? – disse Vera – guardamos aquela arma...
- Na gaveta do armário chinês – completou Joe ao ver o enfermeiro rapidamente correr até lá. Obviamente, Beckett era bem mais rápida e sacou sua arma.
- Nem pense nisso – disse apontando para ele. O enfermeiro era na verdade filho da senhora que vendeu o diário a Stan. Ele se candidatara ao emprego para descobrir mais sobre a joia, quando Stan soube de mais informação que ele, decidiu armar uma emboscada e pegar o colar. Usando clorofórmio. Exceto que fora Belasco quem desmaiou. Ele acabou lutando com Stan pela arma e atirando. Beckett levou-o para a delegacia. Após ficha-lo, ela mandou revistarem o apartamento dele.
Castle estava desmontando o quadro de evidencia quando ela se aproximou.
- Castle, olha o que encontramos no apartamento de Francis – ela mostrou o colar com a borboleta azul.
- Oh, meu Deus... – ele a pegou nas mãos – é linda!
- É falsa.
- O que?
- Confirmamos com um avaliador. É uma bijuteria bem trabalhada.
- Todo esse tempo e é uma réplica? Isso é... talvez uma reviravolta em uma reviravolta. Talvez a real tenha sido trocada por essa há anos.
- Seja o que for, isso não muda o fato de que ainda temos mais um caso para solucionar – disse Beckett. Eles voltaram no apartamento de Vera e Joe.
- Então agora que sabemos que Frankie matou Stan, ainda há duas mortes que precisam ser resolvidas. Sally Campbell e seja quem for que colocaram naquele carro.
- É hora de vocês esclarecerem o que aconteceu no dia 24 de junho de 1947. Na noite em que vocês desapareceram – disse Castle. Vera contou o que de fato ocorrera, ela conseguiu escapar dos capangas de Dempsey para encontrar com Joe que já esperava com o seu carro do lado de fora do bar. Porém, Sally e o marido os encurralaram. Sally tinha uma arma, a 38, queria vingança. Ela apontou a arma para Vera, mas o marido disse que ia pegar a joia. Nesse instante, Joe o segurou para impedi-lo e Sally acabou errando a mira e atirando no próprio marido. Foi quando Vera tentou tirar a arma das mãos dela, as duas lutaram e o tiro foi disparado acidentalmente. Sally estava morta. Joe tinha um plano. Colocou os dois corpos no carro e jogou gasolina nele, queimando-os. Preocupada, Vera perguntou se iriam prende-los. Castle e Beckett trocaram um olhar.
- Por que eu faria isso? Me pareceu autodefesa. Além disso, a mulher que procuramos chama-se Vera, não Viola. E um detetive chamado Joe, não um ex-bartender chamado Jerry.
- Não sabemos como lhe agradecer.
- Eu sei – disse Castle – respondam duas perguntas. Primeira se tinham a Borboleta Azul, por que não a levaram? Segunda onde ela esteve todo esse tempo?
- Estávamos livres até essa boneca aqui ter uma epifania. Ela concluiu que a joia era amaldiçoada. Eu a escondi em um tijolo falso do Pennybaker.
- Amaldiçoada ou não, nunca pensaram em pega-la? – perguntou Beckett.
- Eles não entendem, Joe – eles sorriam olhando um para o outro.
- Nós temos quatro filhos, sete netos, dois bisnetos... e um ao outro. Por que precisaríamos de uma Borboleta Azul? – Beckett sorriu diante da declaração. Eles se despediram e deixaram o apartamento.
- Acha que deveríamos contar a Joe e Vera sobre a Borboleta Azul? – perguntou Beckett.
- Não. Por que estragar tudo para eles? Os sonhos são feitos dessas coisas – eles entraram no elevador. Em sua mente, calado, Castle imaginava o final perfeito para aquela história em 1947. Vera e Joe olhavam uma para o outro. Ao fundo, o carro em chamas escondia a evidência de um crime e a prova de um amor. Joe segura a amada pela cintura puxando-a para perto. “Diga que me ama, Joe” foram as palavras de Vera, a imagem de Kate elegantemente vestida surgia claramente em sua cabeça. A resposta dele como o próprio Joe, foi única “Always”. E eles trocaram um beijo apaixonado antes de sumir no mundo.
O elevador já chegara ao térreo. Beckett notara a cara de bobo de seu parceiro. Parecia estar em outro planeta.
- Terra para Castle... hey! – ele a fitou – no que estava pensando?
- Nesse caso, no clima de filme noir. Sabe qual a melhor maneira de encerra-lo? Com uma rodada de bebidas no Old Haunt. O que me diz, Beckett? Posso te pagar uma bebida? – ela ponderou o convite, tinha um relatório para concluir. Ah, tudo bem. Ninguém morreria se ela deixasse a papelada para amanhã, afinal os rapazes já estavam adiantando tudo.
- Tudo bem, Castle. Em homenagem a Vera e Joe.

The Old Haunt

Castle e Beckett chegaram no bar por volta das sete da noite. Era uma quinta-feira, apesar de ser um dia que geralmente as pessoas começam a pensar no fim de semana, o ambiente estava calmo. Ele escolheu uma mesa próximo ao piano. Cumprimentou Eddy como sempre fazia e sentaram-se um ao lado do outro. O garçom se aproximou e ele pediu duas doses de Jameson.
- Quer comer alguma coisa, Beckett?
- Uns nachos não iam ser de todo ruim.
- Mande preparar uma porção de nachos com queijo, sour cream e guacamole. Obrigado – ao voltar com os copos da bebida, o rapaz trouxe também um potinho de amendoim. Assim que se afastou, Castle pegou o copo nas mãos e preparou-se para fazer um brinde – a mais um caso concluído, aos grandes detetives de antigamente e de hoje.
- Pensei que ia brindar ao mistério da Borboleta Azul... – ela sorriu brindando com ele e virando de uma vez o copo com a bebida. Castle fez o mesmo e sinalizou o garçom para repor o shot.
- Sim, a joia, o mistério. Tornam esse caso intrigante. Adoro essa atmosfera antiga, os anos 40, aqueles diários. Não foi à toa que comprei esse bar, Beckett.
- Você realmente gostou desse caso. É o tipo de assunto que combina com você, Castle. E admito que a história de Vera e Joe é muito interessante.
- É um verdadeiro filme noir – sorriu lembrando-se das imagens que formara dele e de Beckett em sua mente – falando nisso, Eddy, tenho uma solicitação. Pode tocar “I can´t give you anything but love”?
- Com prazer! – os acordes da canção começaram a serem dedilhados no piano. Ela sorriu. Tipico de Castle. Ele sempre se envolvia demais com certos casos. Mas ela também desenvolvera um carinho especial por esse mistério em questão. Afinal, era uma história de amor por fim. Eles tomaram duas outras doses de Jameson, saboreavam os nachos e quando a música terminou, ele estava pensativo.
- Hey! Terra para Castle. Você ainda está pensando sobre a joia, o fato dela ser falsa?
- Também, você tem que concordar comigo que seria bem mais interessante para a história que ela realmente valesse um milhão de dólares. Na verdade, eu estava lembrado das palavras de Joe e Vera. Quando eles disseram que não entendíamos. O fato é que eu compreendo muito bem o que eles quiseram dizer. Nenhuma joia ou dinheiro é mais valioso que a nossa história, o que construímos durante nossa vida. No caso deles, uma família feliz, satisfação e amor. Ainda tem um ao outro depois de todos esses anos. Queria um dia ser tão afortunado assim. Espero contar a história da minha vida nesse estilo um dia – ao falar isso, ele olhava intensamente para Beckett. Ela ficou embaraçada, remexeu-se na cadeira. Prendeu a respiração por alguns segundos voltando a respirar após um longo suspiro. Disfarçando, ela questionou.
- Que tal outra rodada?
- Não, chega de Jameson. Tem uma coisa que quero te mostrar. Está no escritório. Me acompanha? – ele não esperou resposta assumindo que estava implícita no silêncio dela. Eles seguiram até o corredor que levava ao escritório. Desceram as escadas. O lugar não mudara muito desde a última vez que ela estivera ali. Castle dera seu toque pessoal, colocara algum de seus livros espalhados, porém a essência de um lugar dos anos 20, 30 estava presente.
- Você não mudou muito isso aqui...
- Não, quis que continuasse o mais fiel possível ao seu tempo – indo até uma das prateleiras da estante, ele começou a remover alguns livros. Depois tirou uma espécie de fundo falso e da suposta parede, pegou uma garrafa de whisky. Não qualquer whisky. A mesma garrafa vermelha que servira de evidência quando investigaram o caso.
- Castle, como você tem uma garrafa dessas? Montgomery lhe deu apenas uma e nós a terminamos naquele dia no bar.
- Uma semana depois que a NYPD fez a limpa e concluiu seu trabalho no bar, eu pude finalmente fazer o reconhecimento da minha nova propriedade. Eu estava bisbilhotando o escritório, a estante, quando me deparei com esse esconderijo. Parece que nosso amigo não colocava seus ovos em um cesto somente. Atrás da parede falsa, eu encontrei mais cinco garrafas do mesmo whisky.
- Imagino sua festa ao descobrir esse pequeno segredo. E quantas garrafas você tem agora?
- Quatro. Eu bebi apenas uma. Logo após seu atentado, quando você me pediu para me afastar. Naquele dia, eu voltei ao meu loft e bebi muito whisky. Não era suficiente para dissipar a raiva e a frustração que eu estava sentindo. Então, eu me lembrei desse whisky. Vim até aqui, me sentei nessa mesa e bebi metade de uma garrafa. Eu fui para casa completamente acabado. No dia seguinte, eu retornei ao pub, terminei a outra metade. Foi quando me dei conta do desperdício que estava fazendo. Aquela bebida era muito valiosa para eu desperdiçar com algo tão triste. Fiz uma promessa para mim mesmo. Apenas voltaria a bebe-lo em uma ocasião especial. Como hoje. Não foi apenas o caso que foi especial. É sobre tudo o que passamos nos últimos meses. No dia em que me contou sobre a PTSD, a forma como confiou em mim e está se tratando. Isso merece um shot desse whisky especial, Kate. Eu queria fazer isso desde aquele dia em que me contou. Aceita uma dose?
- Aceito. Apesar de não considerar minha PTSD algo tão especial...
- Não é a PTSD em si, é o que ela representou. Aquela crise, ela quase a matou, Beckett. Você sabe disso. Não fazia muito tempo que havia escapado de algo difícil. Isso a torna especial. Assim como tudo o que Joe e Vera conquistaram em suas vidas – ele serviu os copos, entregou um deles para ela e ergueu o seu no ar.
- Qual será o brinde dessa vez? – ela perguntou.
- Aos momentos especiais e a parceria. Ela nos representa e nos molda a cada dia.
- Certo, a parceria. E a uma boa história, escritor. Saúde! – eles beberam a dose e Castle serviu mais uma. Após terminarem, ele guardou a garrafa para uma próxima vez. Arrumou os livros no lugar e ao virar-se, encontrou Beckett sentada em sua escrivaninha. As pernas cruzadas e tinha um chapéu no estilo de gangster como antigamente. Era um dos objetos da decoração. Sorria. Castle se aproximou dela. Beckett colocou o chapéu sobre sua cabeça e inclinou o rosto para o lado a fim de observa-lo melhor.
- Combina com você. Posso imagina-lo como um cara dos anos 40.
- Um detetive particular dos anos 40? Porque eu posso imagina-la facilmente como uma bela dama naquela época. Os cabelos, o vestido, o batom. Um belo casaco de pele de animal. Linda – ele não esperou por um sinal de permissão vindo dela. Apenas segurou seu queixo e a beijou. Kate cedeu ao gesto. Não quis se livrar do chapéu. Era um tempero a mais ao momento. Ela descruzou as pernas para que ele pudesse se aproximar ainda mais. Ela o abraçou aprofundando o beijo. As mãos dele nas suas costas. Ficaram vários minutos somente provando um ao outro, entregues aos beijos, aos simples toques. Não precisavam de nada além disso aquela noite.
Ao se afastar, Castle tirou o chapéu e ofereceu a mão para ajuda-la a descer da mesa. Sabia que era o momento de encerrar a noite. Estava satisfeito pelo breve instante em companhia dela. Juntos, eles retornaram até o salão do bar, Castle se despediu de Eddy e deixaram o Old Haunt.
Enquanto caminhavam na rua até o estacionamento onde Beckett deixara o seu carro, Castle assobiava uma canção antiga. Ela reconheceu a melodia, as palavras brincavam em sua mente “Sweet dreams till sunbeams find you, sweet dreams that leave all worries far behind you and in your dreams whatever they be… “, não resistindo citou a última estrofe que também era título da canção.
- Dream a little dream of me.
- Muito bem, Beckett. Vejo que seu conhecimento musical está afiado.
- Eu gosto muito dessas músicas antigas, especialmente interpretadas na voz do Blue Eyes – ele sorriu. Jurava que ela estava fazendo um trocadilho a ele e não somente uma referência a Sinatra. Após deixa-lo em casa, dessa vez sem um beijo de despedida, ela seguiu para casa.
Em seu apartamento, devidamente pronta para dormir, ela pegou o caderno azul e sentou-se na cama. Esquecera-se completamente de sua consulta com Dana ao final da tarde. A noite agradável com Castle abriu uma série de questionamentos outra vez sobre a relação deles. A história de Joe e Vera também contribuíra para isso. No fundo, Kate se pegou pensando sobre a última conversa com Dana e a nova forma que ela vinha assumindo. Cada dia que passava, ela tinha mais certeza que alguns limites estavam sendo transpostos, o que a deixava confusa, quase apavorada. Não seria o momento de recuar um pouco? Ou estava chegando perto de precisar revelar o que de fato sabia desde o dia de seu atentado?

Com esses pensamentos, ela acabou por escrever até a última folha do caderninho azul. Surpresa com sua divagação, ela sabia que teria que levá-lo em sua próxima sessão com Dana. Deixando-o na sua cabeceira, ela deitou-se enrolada nas cobertas e adormeceu. E sonhou. Exatamente como Castle sugerira. Sonhara com ele. Com beijos e carinhos. Com estrelas, pássaros e figueiras. Beijos ao luar e aos primeiros raios de sol, sonhara com ele exatamente como a canção dizia. 

Continua....

3 comentários:

cleotavares disse...

Ai ai! Katherine, você às vezes é tão difícil. Sabe o que mais amo nessa fic? Os ricos detalhes dos episódios,e que agora mais do que nunca são preciosos.

alessandra silva rodrigues disse...

Eita Fic Boa ...vem 54

Silma disse...

Maravilhoso capítulo! 🌟