Nota da Autora: o que posso dizer....o angst continua! Também quero avisa-las que a partir desse capitulo, a história torna-se quase que completamente AU. Podem existir menções a twitters, fotos, porém chegou a hora de desvincular das redes sociais e avançar no futuro do nosso casal. Espero que curtam a abordagem, os plots e se não gostarem, pode comentar. Ao contrario do que a maioria espera com Nathan operado, a abordagem foi outra, vocês entenderão. E não adianta querer matar a escritora... Enjoy!
Cap.83
- Certo, babe. Antes de você cochilar na
cadeira, vou fazer seu prato. Após o almoço, você se deita e descansa. Quando o
médico disse que você pode tomar banho? Por causa dos curativos?
- Amanhã, mas ele disse que são resistentes a
agua e não vão causar nenhum dano a cirurgia – ele se sentou na cadeira
observando a esposa preparar seu prato. Stana se juntou a ele, trazendo dois
pratos de comida.
- Acha que consegue comer com a mão esquerda ou
eu terei que alimentá-lo? Já cortei todo o frango e é apenas purê, então não
deve ser tão difícil. Quer tentar?
- Por que não? – ele sorriu para ela - mas não
me importaria se você me desse na boca. Pode me mimar um pouquinho? – a carinha
de cachorrinho pidão estava lá, isso a fez sorrir.
- Como esse meu marido é manhoso! – ela
inclinou-se e beijou-o. em seguida, fez o que ele pediu. Ficaram entretidos ali
até que Nathan sentiu a necessidade de conversar, faze-la falar para evitar que
vagasse em pensamentos obscuros, ele sabia que ela não esquecera que dia era
hoje e de qualquer forma, ele teria que tocar no assunto porque faria seu
último live tweeting. Escolheu começar a conversa pelas beiradas, não
diretamente no assunto.
- Como foi sua manhã com Gigi? Ela não te
perturbou muito com os problemas domésticos dela e de Jeff, certo?
- Por que pergunta? Seu irmão reclamou depois
daquela pequena discussão na nossa frente?
- Não diria reclamar, ele apenas perguntou se
você tinha mania de limpeza, sabe para comparar?
- É melhor Jeff não entrar nesse território, se
ele mencionar que eu sou isso ou aquilo, conheço minha irmã, ela vai pirar. Vai
dar briga.
- Não, Jeff é muito tranquilo com essas coisas.
Ele já leu Gigi direitinho. Não chegarão nesse ponto, mas acho que ele irá
implicar para deixa-la no limite – ela riu – se esse não foi o assunto...
- Falamos um pouco das nossas férias. Comentei
onde pretendemos ir, o que quero fazer... tantos lugares, tanto tempo ao seu
lado, queria que esse mês voasse para nós desaparecermos de Los Angeles o mais
rápido possível.
- Sim, amor. Acho que estamos precisando dessa
escapada. Infelizmente, eu tenho que lidar com o tratamento e com Alan antes de
ir. Terá que ter um pouco de paciência.
- Eu sei – ela serviu a última colher e encheu
a boca de Nathan. Terminou seu próprio almoço e ergueu-se da mesa com os pratos
– agora podemos subir. Você vai para a cama e eu irei cuidar das louças – eles
subiram as escadas, Nathan se livrou dos sapatos, ela ajudou-o a tirar a calça
e vestir um short, abriu os botões da camisa deixando-o com o peito exposto à
sua frente. Pela primeira vez, ela pode examinar o que acontecera com o marido.
O curativo era pequeno, ela o tocou com delicadeza temendo que a área estivesse
dolorida. Sorriu ao encontrar os olhos dele. Percebeu que estava grogue, caindo
de sono devido a medicação – deite-se, babe – ela o ajudou. Após ajeitar os
travesseiros, ela beijou-o nos lábios e já ia se distanciar para deixa-lo
dormir quando Nathan segurou seu pulso com a mão esquerda.
- Será que você pode se deitar um pouquinho ao
meu lado? Estou com saudades... – ela sorriu, aparentemente os próximos dias
seriam assim, um marido manhoso ansiando por carinho, ela não se importava de
fazer o papel da companheira e mima-lo. Gostava disso.
- Não quero te machucar, então você pode mudar
de lado? Afaste-se um pouco mais para o centro da cama para que eu possa deitar
do outro lado – ele obedeceu e Stana se aconchegou no peito dele com a cabeça
em seu ombro bom. Nathan estava querendo mantê-la por perto porque queria
evitar que Stana começasse a pensar muito sobre assuntos difíceis e sucumbisse
a uma possível depressão.
- Você podia cantar para eu dormir...
- Menos, Nate. Você não precisa exagerar, além
do mais está quase dormindo. Não vai levar nem cinco minutos para apagar.
- Você que pensa. Deveria dormir um pouco
também, Staninha...ia aju...- ele não terminou de falar, já se entregara aos
efeitos do remédio e aos braços de Morpheus. Ela ficou alguns minutos apenas ouvindo
a respiração calma dele. Então, sua mente começou a vagar por mares impróprios,
perigosos, a forma que estavam deitados a lembrou do que faziam no set. Era
estranho estar nessa posição. Estava sempre do outro lado. Como Castle e
Beckett. Eles transferiam seus próprios hábitos para as personagens. E assim,
Stana começou a reviver momentos de tantos anos. Novamente, partes daquele
filme de oito anos encheram sua mente.
As lembranças, sejam engraçadas ou intensas, a
deixavam mexida. Conversas com Dara, ideias discutidas com Terri, Marlowe
tirando sarro de sua paixão pelo casal e de seu lado shipper, as implicâncias
de Nate com os rapazes, suas escapadas pessoais no set, eram tantas memórias
perfeitamente arquivadas em sua mente, tantas emoções diferentes. Agora seriam
apenas momentos saudosistas, parte de um tempo que não voltará mais. Destruído
por ganancia e orgulho, por pessoas que não entendiam seu real significado,
executivos despreparados e escritores invejosos por não serem capazes de
criarem algo tão genuíno como Castle. Ela tinha certeza que não haveria outra
história de amor tão completa e tão linda como a de Castle e Beckett. Talvez,
apenas uma. A sua própria história com Nathan.
Então a onda de saudade e perda a atingiu outra
vez. Deitada sobre um Nathan adormecido, Stana chorou por todos os maravilhosos
momentos que não teria mais. Não poderia entrar naquele estúdio que fora sua
casa por oito anos, era apenas o vazio agora. Não haveria uma mesa para a
capitã, não haveria a máquina de café. O loft se fora, o lar de Castle e
Beckett. O quarto, a sala onde momentos importantes da história deles foram
criados, moldados. Tudo se fora. Era apenas um enorme galpão. A vida que
existira uma vez dentro daquele pé direito tão alto desaparecera, se fora no
vento. Perdera-se fisicamente para sempre, viveria apenas nas memórias de quem
circulara pelos seus corredores e nos registros das imagens gravadas em cada um
dos 42 minutos de 173 episódios. Tão perto dos duzentos... essa era uma marca
no mundo da televisão que eles não iriam atingir. Um recorde que Castle não
iria bater.
E ela chorou, soluçou e finalmente com a cabeça
latejando e o coração apertado, ela fechou os olhos e adormeceu.
Quando Nathan acordou, percebeu que Stana se
espremera ao lado dele procurando não acordá-lo e também não machuca-lo. Checou
o relógio. Sete da noite. O remédio o derrubara de fato. Queria poder sentir-se
um pouco mais esperto, mas as drogas pareciam estar ainda em seu corpo. Com
sede, ele decidiu se levantar com muito cuidado para não acorda-la. Pelo jeito
que ela dormia, sabia que ela simplesmente apagara ali depois dele. Não havia
feito outra coisa. O que era bom, a menos que a razão de ter dormido não fosse
cansaço e sim o resultado de choro e divagação. Ao checar o semblante da
esposa, ele descobrira a resposta. Sim, a mente dela se perdera outra vez em
pensamentos sobre os últimos acontecimentos difíceis que enfrentaram.
Ele suspirou. Queria poder arrancar essa dor de
seu peito. Stana não superara o fim tão abrupto de sua personagem, da série e
da sua vida profissional com a ABC. Claro que entendia sua dor e frustração. O
processo, a forma como tudo acontecera fora muito amadora, antiética e
desrespeitosa após oito anos de dedicação. Embora concordasse com sua revolta,
ele não queria vê-la entregar-se ao lado ruim, a tristeza que o fim dessa parte
de suas vidas representava. Stana não podia ceder a depressão.
Levantou-se da cama, inclinando-se para
beijar-lhe o topo da cabeça. Deixaria que ela dormisse um pouco mais antes de
desperta-la. Desceu as escadas, bebeu um pouco d´agua enquanto preparava um
café fresco. Analisando suas opções na geladeira, ele decidiu que ao invés de
cozinhar, pediria uma pizza. Hoje à noite ele tinha um compromisso que acabaria
por leva-la as divagações. Não podia evitar. Porém, prometera a si mesmo que
não deixaria sua esposa se entregar a depressão.
Ele discou o número do delivery e pediu a pizza
preferida dela. Assim que a comida chegasse a acordaria e iriam para a sala de
tv.
O plano de Nathan parecia perfeito, nenhum
problema para executa-lo, exceto pelo poder da mente. Esquecera quão forte e
poderosa a mente humana tendia a ser. Agindo por conta própria, tomando o lugar
e fazendo do corpo, seu prisioneiro. Ele seria surpreendido por esse poder tão
logo começasse a assistir o episódio essa noite.
A pizza chegou e Nathan após preparar a sala de
tv, o que fez com alguma dificuldade de quem depende apenas de um braço, ele
subiu as escadas para acorda-la. Com um beijo no pescoço, caricias e palavras
carinhosas, ele a viu abrir os olhos.
- Que horas são?
- Hora do jantar, amor. Vem, pedi pizza para
nós. Está quentinha.
- Eu não estou com fome...
- Mas você vai comer. Pedi a sua favorita. Vem
– ele estendeu a mão para ela – está na sala de tv – então ela se lembrou
porque. Ele iria fazer um live tweeting. O último de Castle. Ela engoliu em
seco levantando-se da cama e acompanhando-o até o sofá da sala. Sobre a mesa
estava a pizza, guardanapos, café fresco e agua.
- Nada de álcool?
- Eu não posso beber. Se quiser, fique a
vontade.
- Não. Quero café – pegou uma das canecas e
despejou o liquido quente. Nathan sentou-se no sofá com Stana a seu lado. A
televisão já estava ligada na ABC apenas esperando o começo do episódio. Ele
pegou um pedaço de pizza e começou a comer, ela se distraia com o café acabando
o conteúdo da caneca em dez minutos.
- Você ainda não tocou na pizza. Tem que comer
ao menos dois pedaços.
- Eu pensei que era eu quem deveria estar
preocupada com você. Sou eu que estou de babá, não?
- Seria, mas tenho que me certificar de que
você está alimentada para aguentar cuidar de mim – ele reparou que ela voltara
a encher a caneca com café, suspirando, ele pegou um pedaço de pizza e entregou
na mão dela – coma, Stana. Não vou falar novamente – ela o olhou séria,
pensando se deveria recusar e brigar com ele ou calar-se. Decidiu calar-se e
comer porque lembrara-se que ele estava doente, a base de remédios e não era a
sua vez de ser teimosa e chata. Mordiscou um pedaço da pizza e acomodou-se no
sofá. Ainda sentia um pouco da dor de cabeça provocada certamente pelo choro de
mais cedo.
Continuou comendo calada. Nathan não gostava
desse silêncio. Era uma porta aberta para maus pensamentos. Querendo vencer
esse obstáculo de estar ao lado de uma Stana apática e introspectiva, ele
comentou.
- Amanhã, será que você pode me atualizar sobre
a nossa viagem? Qual o roteiro, o que pretende fazer, lugares que iremos
visitar. Quero estar a par do que faremos. O que acha? Você não vai me deixar
no escuro, certo?
- Não. Posso te mostrar.
- Você já pensou onde poderemos ir após a
Alemanha?
- Não, alguma sugestão?
- Ainda não sei. Talvez a Grécia ou a costa amalfitana.
Estaremos perto da Itália de qualquer forma. Ou sempre podemos voltar ao
Canada.
- Não quero ir a Grécia. Itália ou Londres
podem ser algumas opções.
- Londres? Hum... talvez – a conversa foi
interrompida por uma chamada de Castle na tv. Series finale. Cada vez que ouvia
essas duas palavras, Stana sentia seu coração parar por alguns segundos. Ela
virou o rosto lentamente da tv para encarar Nathan. Ele apertou a mão dela. Palavras
não eram necessárias. Com muito custo, ela terminou seu segundo pedaço de pizza
apenas para agrada-lo. Não tinha fome e sentia-se enjoada. Serviu-se de mais
café. O episódio de “Dancing with the stars” acabou e Nathan já estava a postos
com o celular na mão esquerda. Stana se aconchegou no sofá apoiando a cabeça no
ombro bom. Suspirou. Mesmo não querendo passar pela dor, a curiosidade era
maior.
Calados, eles tinham os olhares voltados para a
tela. Nathan dividia-se entre o episódio e o celular. Evitava comentar sobre
Beckett, sobre emoções e principalmente sobre Stana. Era, para todos os
efeitos, o cara indiferente, considerado traidor e sem coração por alguns fãs.
Isso tudo estava presente em suas menções no twitter. Teria que conviver com
esse estigma.
De vez em quando, virava seu rosto para
observa-la. Ela estava atenta. Pressentia quando seu corpo estava mais tenso
diante das imagens. A verdade era que rever cada uma daquelas cenas mexia com
ambos, porém desconfiava que a atingia muito mais.
A cena filmada na externa, antes de entrarem no
tiroteio, estava na tela. Ele sentiu-a apertando sua mão e um pequeno soluço
diante da imagem. Ela e ele, testas coladas, lagrimas por cair e tanto
sentimento. Aquele “eu te amo” fora deles, verdadeiro, puro. Ele lembrava de
cada segundo assim como ela. Stana chorava. Ele inclinou-se e beijou-lhe a
testa. Como ele gostaria de evitar que ela sentisse essa dor. Dava tudo para
ouvir sua gargalhada outra vez, tirar aquela nuvem negra de tristeza e revolta
de seu olhar. Aquilo estava longe de acabar.
Quando a cena dele com o soro da verdade foi ao
ar, ela foi pega de surpresa. Sabia que todos elogiaram a performance dele,
porém assisti-la conhecendo todo o significado e o sentimento envolvido era
completamente diferente, era avassalador. A forma como Castle falara de
Beckett, em se apaixonar, em faze-lo sorrir, em desafia-lo. Todas aquelas
palavras, uma linda declaração de amor que certamente a fazia recordar-se de
todos os momentos, seus momentos juntos. Ela soluçava. Não consegui para de
chorar. A dor de Castle era sua dor agora. Nathan a envolvera em seu braço e
beijara-lhe a cabeça. Odiava ser ele o causador de toda aquela tristeza.
- Eu sinto muito, amor... não chore, por favor...
– ao ouvir o misto de preocupação e culpa em suas palavras, apenas a fez chorar
mais. Não era culpa dele, embora fosse assim que ambos se sentiam culpados por
ter que dizer adeus tão abruptamente a tudo. Ela não suportava assistir ainda
assim, ao ver a interpretação de Nathan, ela não resistiu e puxou-o para um
beijo.
- Eu te amo, meu Deus... Nate... – ela disse
essas palavras no mesmo instante que suas personagens se encontraram naquele
abraço que durara para os dois mais que os segundos na tela. Dali em diante,
ela não precisou assistir. Simplesmente ouvira as falas, os tiros e chorava.
Era o fim.
- Amor? – Nathan chamou por ela. Ao ouvir as
falas do piloto, Stana levantou a cabeça para ver o que acontecia. E ali na sua
frente estava o final mais improvável e triste para uma linda história de amor.
Os sorrisos, os gêmeos, os olhares e a declaração de amor mais importante.
Always.
Nathan puxou o rosto dela para fita-lo.
- Staninha... esse é o final deles, não é o
nosso. Nossa história está só começando – ele limpou parte das lagrimas que
marcavam seu rosto inutilmente já que ela não conseguia parar de chorar. Seus
lábios tocaram os dela levemente, beijando-a com carinho – sinto muito, amor,
eu te amo tanto... por favor... não se deixe levar por isso.
- Oh, Nate... e-eu não... consigo...
desculpe... – ela balbuciava entre o choro, levantou-se e olhou-o mais uma vez
– vou dormir... – e simplesmente desapareceu deixando-o sozinho. Arrasado por
ver o que ela estava causando a si mesma, ele desligou a tv e escreveu seu último
tweet. “Castle off. Mic drop”. Resignado e possesso pelo mal que fizeram a
pessoa que mais amava na vida, ele seguiu para o quarto. Viu o remédio na
cabeceira da cama. Analgésico, provavelmente sua cabeça estava estourando. Ele
tomou o próprio remédio que deixara sobre a mesma cabeceira. Deitou-se ao lado
dela. Apesar de estar de olhos fechados, Nathan sabia que ela não estava
dormindo. Via o claro movimento de seu peito ainda perdido entre respirar e
chorar. Essa noite a deixaria sentir a dor, a culpa, a tristeza. Esperava que
assim, ela pudesse reergue-se e virar a página de vez. Beijou-lhe a testa e
sussurrou.
- Eu te amo, Stana... – foi surpreendido por um
sussurro claro e emotivo.
- Always.
XXXXXXX
Na manhã seguinte, Nathan foi o primeiro a
acordar. Ao observa-la reparou que dormia. Melhor assim. Levantou-se com
cuidado da cama e foi para o banheiro, após a higiene pessoal um pouco mais
complicada por estar com pouca mobilidade, ele decidiu preparar um café para
então acorda-la.
O que Nathan não sabia era que Stana não estava
de fato dormindo. Na verdade, ela acordara de um sonho ruim por volta das três
da manhã e não pregou mais o olho. Após vê-lo se levantar, ela pensou em tentar
dormir. Talvez ele estivesse preparando café. Seria bom tomar um pouco do
liquido e tentar dormir depois. Seu sonho fora com partes do episódio que
assistira ontem exceto que não havia aquela última cena anos depois. Como o
pesadelo de qualquer fã, ela acordara sobressaltada. Estava desperta o bastante
para fechar os olhos na madrugada. Permaneceu deitada pois sabia que Nathan
precisava descansar. Ele acabara de fazer uma cirurgia.
Ao ouvir passos na escada, ela rapidamente
acomodou-se de volta a cama fingindo dormir. Nathan se aproximou com duas canecas
na mão esquerda apoiada na tipoia. Nem sabia como conseguira subir as escadas.
Deixando-as sobre a cabeceira, ele inclinou-se beijando a cabeça da esposa, a
testa, e chamando por ela.
- Staninha... acorde... já é de manhã.
Staninha... – fingindo estar se espreguiçando, ela abriu os olhos.
- Hey...
- Trouxe café – ela sentou-se na cama. Nathan
deu uma das canecas a ela. Stana sorveu o liquido devagar – bom dia... – ele
lhe deu um selinho.
- Bom dia, babe. Como está seu braço?
- Estou bem, um pouco dolorido, o que o médico
disse ser normal pois o musculo teria que se adaptar a posição dos pinos. Estou
com fome... que tal descermos para tomar um café decente?
- Ainda estou com sono, mas está na hora de
cuidar do meu paciente – ela deu um sorriso e levantou-se da cama indo até o
banheiro. Dez minutos depois, desciam as escadas juntos. Ela preparou ovos,
esquentou pães e serviu-o de suco de laranja. Colocou cereal e leite
disponíveis sobre a mesa e Nathan acionou a cafeteira para uma nova dose de
café. Mesmo sentados à mesa, ele reparou que ela não comera nada. Apenas bebera
café.
- Não vai comer os ovos? Nem o cereal?
- Estou sem fome, eu disse que ainda queria
dormir.
- Estava pensando em fazer uma visita a Alan
para tratar do nosso cronograma de gravações e ajustar as datas para a nossa
viagem.
- Nate, você acabou de ser operado. Não pode
fazer nada que force seu braço. E além do mais, não pode dirigir.
- Eu pego um taxi. Afinal, você não quer que eu
resolva logo tudo para que viajemos o mais rápido possível?
- Claro, mas você tem pelo menos um mês. Seu
médico precisa lhe dar autorização para viajar. Não é simplesmente resolver tudo
com Alan e pegar o avião. Você fez uma cirurgia, mesmo simples, ainda é uma
cirurgia. Requer cuidado.
- Eu sei, amor. Não farei nada para prejudicar
minha recuperação. Só quero conversar com o Alan, ele também vai precisar se
programar – ela bocejou na frente dele. Então, Nathan observou o rosto da esposa.
Ela tinha olheiras – você está mesmo com sono... faremos assim, você me ajuda a
me arrumar, pego um taxi, vou conversar com Alan e você aproveita para dormir
mais um pouco. Quando voltar almoçamos juntos. Trago comida.
- Parece um bom plano – juntos subiram as
escadas. Ela o ajudou a se vestir e após um beijo, ela se despediu dele na
porta de casa. Retornou ao quarto e tomou dois comprimidos para dormir. Em
poucos minutos, ela apagou. Eram dez
horas da manhã.
Nathan chegou ao pequeno estúdio onde produziam
ConMan em meia hora. O transito em Los Angeles estava caótico. Ao vê-lo de
tipoia no braço, Alan se espantou.
- O que aconteceu com você? Levou uma surra na
rua dos fãs de Castle?
- Haha! Sem graça. Eu fiz uma pequena cirurgia.
Meus ligamentos resolveram parar de trabalhar de vez. É por isso que estou
aqui. Quero revisar o cronograma de gravações da segunda temporada com você.
- Claro! Nem quero fazer você trabalhar em
recuperação. Quanto tempo precisa ficar afastado?
- Esse é o problema. Na verdade, eu gostaria de
saber se não podemos aproveitar essa pequena mudança e acrescenta-la em nossos
roteiros, reescrever algumas cenas de modo que eu possa filmar sem prejudicar o
pouco tempo que temos. Você vê algum problema nisso? Não devem ser muitas
cenas.
- Problema, não. Mas, você não deveria ficar de
repouso? Por que insiste em filmar?
- É que eu já tinha me programado para fechar
esse compromisso e viajar. Preciso ficar um tempo longe de LA. Ainda tenho uma
comic na Alemanha, então pensei em aproveitar minha ida e dar uma volta pela
Europa. Preciso ficar longe desse meio hollywoodiano por um tempo.
- Nossa! O final de Castle mexeu tanto com você
assim? Quer dizer, sei que são oito anos, tem o costume, as amizades. É triste
ver essa rotina acabar. Onde você está pensando em ir?
- Talvez Croácia, Itália, Londres.
- Hum, Nathan isso tem alguma coisa a ver com o
que aconteceu com a sua costar? Quer dizer, não me leve a mal. A forma que as
coisas aconteceram... é estranho, ela gosta da Europa, não?
- Alan se você está me perguntando se eu tive
algo a ver com a demissão de Stana, saiba que fiquei tão chocado como todo
mundo. Aliás, o que fizeram com ela foi vergonhoso. Ela deu oito anos da vida
dela pela série, construiu uma das personagens mais amadas pelo público. Eu
trabalhava ao lado dela, sei o quanto ela se doou. Eu a admiro como atriz.
Merecia respeito.
- Concordo. Eu sei que você a conhece um pouco.
Você está com saudades da convivência.
- De certa forma, eram longas horas juntos.
- Você sabe que não é bem isso que estou
dizendo, você gostava dela, era atraído por ela. É uma mulher linda e beija-la
não era nenhum sacrifício.
- Alan, era trabalho. Somos profissionais.
- Nathan, para cima de mim? Sei o quanto você
pode ser “profissional”, eu lembro da Morena. E o jeito que você fala dela é
diferente. Há um brilho diferente no seu olhar, seu semblante muda.
- Alan, que droga você anda fumando? O que eu
sinto pela Stana é admiração por uma colega de trabalho. Agora será que você
pode focar nas nossas mudanças de roteiro? Você não me respondeu se é possível.
- Claro que é. Posso reescrever algumas cenas.
Vou te mandando as mudanças aos poucos. Tem alguma ideia que já queira colocar
em prática? Acho que com uma semana consigo revisar tudo.
- E pelo volume de cenas, posso filmar tudo em
dez dias. Posso já começar na semana que vem. Quer dar uma olhada em algumas
adaptações agora? Eu pensei sobre algumas cenas...
- Claro, sente-se aqui – lado a lado de frente
para o computador, Alan e Nathan entraram em um brainstorm sobre as mudanças
das cenas de ConMan. Juntos, reescreveram alguns detalhes, pensaram em outros e
o tempo passou sem que percebessem. Quando estavam próximos de terminar, Nathan
se assustou ao checar o relógio. Três da tarde. Esquecera completamente do que
prometera a Stana.
- Ah, droga! Eu tenho que ir. Estou atrasado
para um compromisso. Você me manda o resto das mudanças ao longo da semana?
Segunda-feira estarei aqui para começar a filmar.
- Fique tranquilo. Eu te ligo se precisar.
Nathan saiu apressado. Ela dever estar morrendo
de fome, pensou. Vai acabar brigando. Passou em um dos restaurantes chinês que
ela gostava e pegou a comida. Quando chegou em casa, estranhou o silencio, era
quase quatro da tarde.
- Stana? Amor... hey, cadê você? – nenhuma
resposta. Deixou a comida sobre o balcão e subiu as escadas. Nathan a encontrou
dormindo. Parecia serena. A quanto tempo estava assim? Será que dormira
esperando por ele? Ficou com pena de acorda-la. Resolveu comer e guardar algo
para que ela comesse depois.
Ele almoçou, limpou a cozinha e foi para a sala
de tv jogar. Acabou se distraindo demais porque o braço não conseguia fazer os
comandos e jogar com uma mão somente era algo bem difícil. Por volta das sete
da noite, ele estranhou que ela não tivesse aparecido. Entrou no quarto e a encontrou
do mesmo jeito que há três horas atrás. Percebeu o vidro sobre a cabeceira.
Remédio para dormir. Um arrepio percorreu seu corpo. Será que ela havia tomado
comprimidos para dormir? Quantos? Ele se lembrou da reação dela de ontem ao ver
o episódio. Não! Ela pode estar em crise, possível depressão. Não pensou duas
vezes, iria acorda-la.
- Stana? Hey... – ele tocava o ombro dela de
leve – amor, acorde – nada. Beijou-lhe o rosto e acariciou os cabelos –
Staninha, acorda por favor... sou eu... Stana... – outro beijo e finalmente ela
se mexeu, virou-se na cama e abriu os olhos vagarosamente. Um alivio percorreu
o corpo de Nathan, suspirou – hey... você está bem? Desde que horas está
dormindo?
- Não muito. Como foi a reunião com Alan? – ela
perguntou sentado na cama.
- Foi boa. Acho que conseguiremos filmar tudo
antes de viajar.
- Você trouxe o almoço? Quer que eu lhe sirva?
- Stana são sete horas da noite. Desde quando
você está dormindo?
- Desde que voce saiu...
- Meu Deus... amor, voce tomou remédio para
dormir? – apesar de não responder, sua cara dizia tudo – quantos comprimidos?
- Nate...
- Quantos, Stana?
- Dois... eu só queria apagar. Estava tão
cansada...
- Amor, não faça mais isso. Eu fiquei
assustado. Por que você estava tão cansada?
- E-eu não dormi a noite... acordei três horas,
não consegui mais dormir depois do meu sonho. Aquelas imagens de Castle e
Beckett baleados passavam várias vezes na minha mente e... e-eu fui demitida
e...Alexi queria você apenas... – Nathan não deixou que ela continuasse.
Sentou-se ao lado dela na cama e com a mão esquerda ergueu o queixo dela para
fita-lo.
- Hey... está tudo bem. Foi só um sonho ruim.
Por que você não me disse antes? Tinha ficado em casa, com você. Procure
esquecer isso, Stana. Por favor...
- É difícil. Ontem depois de ver aquelas cenas,
eu me lembrei de tudo. Aquelas crianças, filhos de Castle e Beckett que nunca
poderei contracenar, Castle não vai carregar seus filhos no colo, filmar o
parto ou leva-los ao parque como fez com Alexis. Kate não vai dividir essas
tarefas com ele, curtir a família....oh, Deus... – ela já estava chorando outra
vez, automaticamente deitou-se na cama em posição fetal. Nathan se compadeceu
da imagem tão frágil e triste da esposa. O que ele podia fazer? Precisava
arranca-la daquela cama.
- Não, amor. Você não pode pensar assim. Castle
e Beckett são personagens, eles não são nós. Pelo menos não totalmente, são
parte de nós. Você precisa lembrar que essas pequenas coisas que imaginou para
eles, serão feitas por nós dois. Eu e você, juntos iremos viver esses momentos
pelos dois com os nossos filhos – ela continuava chorando – vem, levanta, não
posso fazer esforço para tira-la dai. Quero abraça-la, mas preciso que me
ajude. Por favor, Stana, não pode sucumbir assim... – o rosto dele era de pura
preocupação, se ela entrasse nessa paranoia certamente seria vencida pela
depressão. Ele não podia deixar isso acontecer, não agora que estavam melhor,
próximos de viajar, fazendo planos.
- Stana... – finalmente ela o encarou. Ainda
haviam muitas lágrimas em seu rosto, os olhos vermelhos. Como um clique de um
interruptor, ela percebeu o que estava fazendo. Ele estava operado, precisava
dela. Lentamente, sentou-se na cama.
- Desculpe... eu não sei como... eu queria
esquecer, preciso te ajudar... e-eu sinto muito, babe – ela aproximou-se dele e
beijou-lhe o rosto – eu vou tentar melhorar... – ela limpou os olhos e o rosto
– você quer comer? Posso fazer o jantar. Eu preciso de um café para despertar.
- Você precisa se alimentar, amor ou ficará
doente.
- Primeiro o café – ela se levantou da cama
devagar. De pé, ela enroscou o braço no dele e juntos deixaram o quarto. Ela
esquentou o resto da comida e o serviu. Nathan havia passado um novo café,
Stana encheu a caneca e enrolou comendo apenas um pedaço minúsculo de frango.
Ele estava preocupado com o estado dela. Stana perguntou se ele não queria tomar
banho e pelas próximas duas horas se dedicou a cuidar de Nathan.
Deu banho, trocou de roupa, o fez tomar o
remédio e deitou-se ao lado dele na cama enquanto assistiam a um filme juntos.
Finalmente, ela disse estar com sono. Para não contrariá-la, ele resolveu
dormir também, mal descansara nesse primeiro dia de recuperação. Ficou mais
tranquilo ao ouvir a respiração dela indicando que estava dormindo pesado. Foi
bem mais fácil adormecer em seguida.
Por volta das quatro da manhã, Stana desperta.
Sua mente estava outra vez remoendo as cenas de Castle, a sua demissão e as
lembranças que tinha daqueles oito anos. Sentou-se na cama com cuidado para não
acordar Nathan. Não pregou o olho até as oito da manhã quando decidiu
levantar-se e fazer um café. Ao descer as escadas, uma leve tonteira a
acometeu. Sim, estava fraca, porém não tinha a mínima vontade de comer.
Preparou o café e distribuiu-o em duas canecas. Um pouco de cafeína e açúcar a
faria bem. Tomou metade da sua e serviu-se de mais. Pensou em retornar ao quarto
para acorda-lo com o café, mas era melhor levar algo para comer. Assim, ela
começou a preparar os ovos. Estava quase terminando quando ele apareceu na
cozinha.
- Você levantou faz tempo?
- Uns quinze minutos. Estou fazendo seu café.
Tenho que cuidar do meu paciente – ela bebia mais um gole de café – aqui estão
os ovos. Quer cereal?
- Você não vai comer?
- Já tomei café e comi uma tigela de cereal –
ela apontou para a pia onde havia uma tigela, estava mentindo, apenas não
queria que ele a obrigasse a comer. Colocou a caneca de café quente a sua
frente – quer torradas francesas, esquento para você.
- Claro – ela fez o que ele pediu e voltou sua
atenção para a pia a fim de lavar as louças e não deixar rastros de sua própria
mentira – você dormiu melhor essa noite?
- Dormi - outra mentira.
- Tem certeza?
- Sim.
- Você ainda tem olheiras, amor. Posso ver o
negro abaixo dos seus olhos.
- Não me recuperei totalmente de ontem... – ele
suspirou. Decidiu mudar de assunto.
- O que você acha de me mostrar o que vem
programando para a nossa viagem juntos? Podemos traçar alguns passeios,
escrever um roteiro e decidir os próximos destinos. O que acha?
- Sim, podemos fazer isso – ela não pareceu tão
animada. Mesmo assim, ele iria insistir. Precisava ocupar a sua mente com algo
que não a fizesse pensar na série, na sua personagem e nem na demissão. Ela
teria que vivar essa página.
- Ótimo! Depois do café, vamos para a sala de
vídeo, pegamos o notebook e iremos preparar nossas aventuras. Nathan a arrastou
para a sala logo após o café. A princípio, ela estava animada, participando e
mostrando a Dalmatia para ele. Comentou alguns passeios que podiam fazer, o que
explorar e ele fazia perguntas para engaja-la na conversa. Ficaram umas duas
horas trocando ideias, então Stana disse que ia ao banheiro e Nathan sugeriu
que desse uma pausa para pensar no almoço. Iria para a cozinha e a esperaria
lá.
Vinte minutos se passaram e ela não aparecera. Ele subiu as escadas e a
encontrou deitada na cama, dormindo outra vez. Era fato, Stana estava em
depressão. A ficha de Nathan caíra, ela não comera pela manhã. E provavelmente
não dormira bem a noite. Stana mentira para ele. A realização disso o deixou
apavorado. Será que ela tomara remédios novamente? Receoso, ele checou a cabeceira
e os armários do banheiro onde colocara o vidro. Aparentemente não fora mexido,
porém encontrou outro frasco no chão ao lado dela da cama. Queria acreditar que
ela apenas cedera ao cansaço, mas seu instinto lhe dizia outra coisa. Ela tomara
comprimidos. Sem querer entrar em pânico naquele momento, decidiu deixa-la
descansar. Se não acordasse em três horas, ele começaria a se preocupar.
Dedicou um pouco do seu tempo ao ver o que Alan
lhe mandara no email sobre os roteiros. Acabou ligando para ele e se entretendo
com o trabalho. Ao terminar o que fazia, percebeu que já havia se passado
quatro horas. Ele estava com fome. Ela também deveria estar. Ao sair da sala de
vídeo, deparou-se com a esposa descendo as escadas. O semblante pálido, os
olhos fundos e o rosto demonstrava que estava fraca. Visivelmente mais magra.
Nathan sentiu um aperto no coração. Respirou fundo. Sabia que não adiantava se
dirigir a ela cobrando, isso só pioraria o estágio da depressão.
- Hey... você acordou. Estou morrendo de fome,
quer almoçar? Podemos fazer apenas uns sanduiches, que tal?
- Posso fazer para você. Eu não quero.
- Não está com fome?
- Quero café.
- Stana... – nesse momento, ela descia os
últimos degraus da escada. Por estar fraca, ela sentiu tudo rodar e quase caiu
se não fosse o reflexo de Nathan que a apanhou quase sem jeito por estar usando
o braço esquerdo – você está fraca. Precisa se alimentar. Vai acabar
desmaiando.
- É só tomar café. Açúcar no sangue. Vem, faço
seu sanduiche – ela caminhava lentamente até a cozinha. Nathan observava seus
movimentos. Parecia um zumbi. Aquilo partia seu coração. Ele não sabia o que
fazer. Levou mais tempo que o normal para preparar seu sanduiche, seu
raciocínio estava lento. Ela estava passando por uma fase difícil, o problema
era que ele não tinha ideia de como lidar com isso e faze-la melhorar,
recuperar-se e voltar a ser a sua esposa. Palavras seriam suficientes?
Ele comeu o sanduiche enquanto pensava na
melhor forma de aborda-la. Stana sentara-se a sua frente e bebia uma caneca de
café. Pelo terceiro dia tudo o que ela ingerira fora café. Ela ficaria doente
desse jeito. Nathan pensou em começar a conversa em território neutro.
- Nós não terminamos de discutir nosso roteiro,
precisamos decidir qual o próximo destino depois que eu voltar da Alemanha.
- Temos tempo.
- Sim, mas teremos que providenciar passagens,
hotéis, ver se não queremos assistir a algum espetáculo, essas coisas...
- Nate, eu não estou com cabeça para isso
agora... podemos programar isso depois. Temos quase um mês.
- Você não está com cabeça. Por que?
- Estou cansada, não quero pensar sobre isso
agora.
- Você não está cansada. Você está fraca, não
se alimenta direito há três dias. Só toma café. Sei que mentiu para mim, não
comeu cereal. Stana, por favor, converse comigo, eu não quero vê-la doente ou
pior... se está triste, chateada e sofrendo, pode falar comigo. Sou eu, seu
marido. Lembra o que prometemos? Na alegria e na tristeza... apenas converse
comigo, me diga o que posso fazer. Não quero vê-la definhando dia após dia,
amor. Quero minha esposa de volta, minha Staninha... – a dor nos olhos azuis
era grande, perceptível. Ela mesma notara, ele estava triste e preocupado.
Sabia que estava fazendo mal aos dois, infelizmente, ela não tinha forças para
discutir, para lutar, estava cansada e tudo o que queria era dormir e chorar.
Foi exatamente o que fez.
- Sinto muito, Nate... – as lágrimas voltavam a
inundar-lhe o rosto – eu estou cansada...e-eu só quero...eu...dormir e... –
desatou a chorar e saiu correndo de volta ao quarto. Com um ar de desespero,
Nathan fechou os olhos e apelou para a única pessoa que talvez pudesse fazer
Stana acordar, tira-la daquele estado catatônico e depressivo que se encontrava.
Pegou o celular e discou o número da cunhada.
- Hey, Nathan! Tudo bem?
- Gigi, eu preciso de você. Sua irmã... eu não
sei mais o que fazer...Stana... eu estou desesperado. Por favor, venha para
cá... – o tom de agonia na voz do cunhado acendeu todos os alertas na mente de
Gigi. Com o coração apertado, ela respondeu.
- O que aconteceu? Algum acidente? Ela está
passando mal?
- Não... ela apenas não é a minha Stana... ela
está em depressão, Gigi. E-eu não sei, ela não me ouve... preciso de ajuda.
- Não faça nada. Estou a caminho.
Continua....