terça-feira, 16 de agosto de 2016

[Stanathan] Kiss and Don´t Tell - Cap.82


Nota da Autora: Então, preparadas para uma DR? A fim de passar um angst? Tudo bem, um pouquinho, só que não acabou ainda... de qualquer forma, esse capitulo está bem grande! Redimindo a demora... enjoy! 



Cap.82    


Stana saiu de casa em sua malha de ginástica, suada e descabelada. As lágrimas marcavam o rosto além de deixa-lo vermelho. Não tinha condições de dirigir, na bicicleta pedalou até que não conseguisse mais mover as pernas. Parou em uma esquina bem de frente a uma Starbucks. Uma bebida gelada caia bem, infelizmente ela não trazia nada consigo. Desceu da bicicleta sentindo o chão quente e a ardência. Só então reparou que estava descalça. Limpou o rosto com as costas das mãos, tentou ajeitar os cabelos. Definitivamente a notícia de Nathan a abalara. Como ele pode fazer isso com ela?

Não podia voltar para casa, não queria. Precisava se acalmar. Falar com alguém. Gigi. Sua irmã saberia lhe ajudar. Como não tinha celular, Stana decidiu pedalar até a casa de Jeff. Também não tinha certeza se Gigi estaria em casa. Não importava. Ela esperaria. Não tinha a mínima vontade de voltar para a sua casa.

Buscando forças na raiva que sentia, ela tornou a pedalar. Os pés machucados doíam, não se importava. Havia outra dor a dominando, a da decepção.

Meia hora depois, Stana bate a porta da casa do cunhado. Ela checou o relógio. Passava das três da tarde, a possibilidade da irmã estar era muito pequena, mesmo assim tocou a campainha. Três minutos depois, Jeff aparece.

- Stana? O que faz aqui? Está tudo bem? – ao olhar rapidamente a cunhada, ele sabia que não estava nada bem. Ao notar seus pés, Jeff se compadeceu – oh, meu Deus! Olhe seus pés, estão machucados. Entre, vou ajuda-la.

- Jeff, cadê a Gigi?

- Ela ainda não chegou do trabalho. Daqui a uma hora deve aparecer. Vem, vou arrumar uma bacia para você colocar seus pés de molho. Quer beber algo? O que aconteceu com você?

- Sem perguntas, por favor. Eu aceito agua, mas evite o interrogatório. Eu só quero falar com a minha irmã.

- Tudo bem. Nathan sabe que você está aqui?

- Não e você não irá contar, fui clara? – quase o fuzilou com o olhar.

- Sim, cristalina – disse entregando o copo com agua para Stana. Em seguida, ele tratou de preparar uma bacia com agua gelada para refrescar e aliviar as dores dos pés dela. Tinha certeza que estava incomodada com a dor. Ele a fez sentar na cozinha e colocar os pés de molho. Havia um pouco de sangue neles. Ela obedeceu porque estava com dor – quer comer alguma coisa? Um café talvez? – mesmo não tendo almoçado ou comido nada por pelo menos cinco horas, ela não estava em clima para comer. Pensar em comida lhe embrulhava o estomago.

- Não, estou bem – sem saber o que fazer para agradar a cunhada, Jeff apenas acatou seu pedido e calou-se. Eles ouviram um barulho de um celular vibrando, era o de Jeff. Gigi. Ele atendeu e ouvia o que ela falava, depois disse que tinha uma visita esperando por ela. Claro que comentou que era a irmã. Quando Gigi perguntou se Nathan também estava já pensando em fazer uma farra, Jeff disse “não” de um jeito que a namorada entendeu que tinha um problema pela frente. Chegava em dez minutos.

- Era a Gigi. Já está chegando. Se não se importa, eu vou tomar um banho. Fique à vontade, Stana.

- Tudo bem, Jeff. Eu ficarei bem.

Vendo o cunhado desaparecer no corredor, ela suspirou. Tirou os pés de dentro d´água massageando-os. Havia alguns pequenos cortes em algumas partes da pele. Stana fechou os olhos tentado manter-se calma para conversar com a irmã, mas a imagem de Nathan voltava-lhe a mente e o coração disparava com a adrenalina e a raiva.

A situação na residência dos Fillions também não era das melhores. Nathan estava sentado na grama. Fazia careta devido a dor. Stana sabia como socar alguém. Apesar da dor intensa, o ombro era o menor de seus problemas agora. Precisava encontrar a esposa. Saber onde ela estava. Tinha medo que ela fizesse uma besteira ou que pudesse ter despertado uma nova fase de depressão. Tentara ligar para a cunhada, ela não o atendia. Fizera o mesmo com o irmão. Nada. Onde eles estavam? Logo agora que precisava de sua ajuda?

Nathan jogou o celular longe na grama com raiva. O esforço do movimento fez o ombro doer ainda mais. Era como se alguém penetrasse sua carne o rasgasse por dentro. Prendeu a respiração e desabou na grama, incapaz de pensar em outra coisa senão Stana. 


XXXXXXX


Gigi chegou quinze minutos depois, encontrando a irmã sentada no sofá da sala fitando o nada. Pela cena a sua frente, ela já deduzira “problemas no paraíso”.

- Hey, sis... – sentou-se ao lado da irmã – o que faz aqui? – Stana não disse nada, apenas abraçou Gigi e chorou por pelo menos vinte minutos. Gigi acariciava os cabelos dela tentando acalma-la. O que quer que acontecera fora grave, ou Stana estava tendo outra crise de depressão devido a sua demissão. Ela se afastou do abraço da irmã e com o rosto marcado conseguiu falar.

- Ele me traiu, Gigi. Ele fez a pior coisa que podia, a única que não devia.

- Do que você está falando, Stana?

- Nathan... e-ele assinou com a ABC, ele vai continuar... não acredito que tenha feito isso, eles me demitiram! Bando de filhos da puta e Nathan é um deles!

- Ele assinou mesmo? Pensei que era boato.

- O que é boato? Ele me disse!

- Eu vi uma notícia no twitter de um desses sites de jornalismo televisivo, sobre Nathan e os outros terem assinado contratos com a ABC dando a entender que o show pode continuar sem você. Pensei que eram rumores.

- Não são. Ele assinou o contrato hoje.

- Vocês conversaram sobre isso? Antes dele ir para a negociação? Existia a possibilidade de Nathan assinar?

- Talvez. E-eu disse que ele não deveria tomar decisões baseadas em emoções, por causa do que aconteceu comigo. Nathan disse que não faria uma temporada de Castle sem mim. E-eu cheguei a dizer que talvez tivesse mesmo que isso significasse estragar a história. Ele estava irredutível, não faria Castle sem mim e agora... eu sinto que eu tenho culpa. Eu disse para assinar, não com todas as letras, mas... eu nunca pensei que ele fosse fazer isso de fato. Ele me traiu, Gigi.

- O que ele disse? Se estava tão certo que não faria mais Castle, por que assinou? – Stana ficou calada – você não perguntou a ele? – ela baixa a cabeça em sinal de “mea culpa” – ah, não! Stana, você conversou com Nathan?

- Não...

- Sis, assim não dá...

- Droga, Gigi! O que você queria? Ele me diz que assinou com a emissora, com as mesmas pessoas que me colocaram na rua, o que você pensaria? Não precisa ser gênio para saber que ele continuará fazendo Castle. É só somar dois mais dois! – ela gritava.

- Será? O que o fez mudar de ideia se estava tão certo que não faria a série sem você?

- Dinheiro, o que mais?

- Stana, nem você nem Nathan estão desesperados por dinheiro. Ambos têm investimentos, poupanças que os sustentam sem um novo trabalho por algum tempo. Mesmo a ideia de criar uma família não apavora aos dois financeiramente. Você simplesmente não conversou com seu marido.

- Eu não podia, tudo bem? Bastou Nathan dizer que assinou para que eu soubesse que fui traída. Não pensei! Eu só queria desaparecer, não queria vê-lo na minha frente, eu sai de casa descalça, Gigi! – disse apontando para os pés. Gigi suspirou.

- É essa a versão da história que você quer ouvir? A sua especulação? Não dará a chance de Nathan se explicar? Stana... – ela pegou a mão da irmã na sua – sei que está com raiva, magoada pelo que o estúdio fez com você, mas não pode inferir as coisas. Será que você pode ouvir a explicação do seu marido?      

- Você vai ficar do lado dele?

- Essa sua impulsividade me irrita! Não estou do lado de ninguém, estou atrás da verdade. É isso que vamos descobrir agora – Jeff apareceu na sala. Estava um pouco cabreiro com a situação, a discussão das duas estava quente.

- Gi, tem um minuto? É importante.

- Fique aqui, nem pense em fugir – ela olhou decidida para a irmã, o olhar ameaçador. Foi ao encontro do namorado – o que foi, Jeff? – ele mostrou o celular. Cinco ligações perdidas de Nathan.

- Eu não sei o que fazer. Stana disse para não contar que está aqui. Sei que está ligando para saber dela. Stana me proibiu de dizer onde estava. Deve ter chamadas no seu telefone também – ela vasculhou a bolsa atrás do aparelho constatando que o que Jeff dissera era verdade. Havia três ligações do cunhado.

- Deixa que eu ligo para ele. Vamos já acabar com essa briga – Gigi discou de volta para Nathan, o celular tocou apenas uma vez.

- Gigi, graças a Deus! Ela está com você? Por favor, ela saiu de casa faz horas, me diga que está com você – ela percebeu o desespero no tom de voz. Ele estava preocupado – ela nem me deixou falar...

- Ela está comigo. Já estamos voltando para sua casa. Quero acabar com essa confusão agora. Pode nos esperar.

- Obrigado, Gigi. De verdade – ela desligou.

- Vou leva-la, você quer ir conosco?

- Sim, é melhor.

- Certo, Stana. Hora de voltar para a sua casa. Quero tirar essa história a limpo.

- Gigi, eu não...

- Não há o que discutir. Nathan está nos esperando.

- Você ligou para ele?  Gigi, não devia...

- Na verdade, eu retornei uma das três ligações dele. Já ligou para Jeff cinco vezes. Está na hora de uma conversa franca – Gigi disse que dirigiria até a casa deles, viu sua irmã relutar o próximo passo – você nem comece. Não sei porque essa mania de não escutar ninguém, apenas sair correndo se achando a dona da razão. Vamos, Stana.

- Será que pode me emprestar um chinelo? – pediu sem graça – meus pés doem – Gigi revirou os olhos e desapareceu pelo corredor. Voltou segurando um par de rasteirinhas – obrigada...

Elas entraram no carro. Jeff se contentou de ir atrás deixando Gigi comandar a situação. Ela não estava para conversa e ele não era louco de contrariar a namorada. Chegaram a casa deles. Ao estacionar o carro, Gigi viu a relutância no semblante da irmã. Ela estava receosa de conversar com o marido.

- Stana, olhe para mim – ela obedeceu – você realmente acha que o Nathan ia fazer alguma coisa ruim que afetasse aos dois? Se ele assinou com a ABC, ele teve um motivo. Agora, desça desse carro e vá ouvi-lo – Gigi abriu a porta e saltou. Jeff a acompanhou. Devagar, Stana desceu do carro e entrou em casa. Ao vê-la, Nathan sorriu aliviado, passou a mão nos cabelos. Ele queria correr e abraça-la, porém, sabia que a distância era sua melhor estratégia. Ainda sentia dores dos socos que levara no ombro.

- Graças a Deus! Estava preocupado – Stana caminhou até o sofá sem dizer uma palavra – amor, será que podemos conversar agora?

- É claro que sim – disse Gigi – podem não, devem. Ela vai escuta-lo. Eu e Jeff estaremos no quintal. Qualquer coisa, grite – ela saiu puxando o namorado pelo braço. Nathan sentou-se ao lado dela, tentou tocar-lhe a mão, mas Stana recuou. Não estava pronta para ceder, para encara-lo. Ele suspirou. Era o jeito começar a falar.

- Stana, eu não quero que pense o pior de mim. Quando entrei naquela sala e me deparei com Alexi. Um ódio imenso me tomou. Tive que me controlar por várias vezes para não voar no pescoço dele porque ele nos traiu. Alexi sempre soube que iam lhe demitir. Ele estava trabalhando com os executivos em deixar Castle apenas comigo e os demais. A presidente trouxe-o para me convencer, como se pudesse!

- Acho que conseguiu, não? Você se vendeu por fim.

- Não admito que fale assim de mim. Você acha que faria qualquer coisa para te prejudicar? Nos abalar? Eu sei o que aquela demissão significou para você, sei o que Castle significa para você, eu nunca iria fazer algo que a ferisse, Stana. Eu vi o seu sofrimento bem aqui, nessa mesma casa. Eu fiz o que achei melhor para nós, para o nosso futuro. Não foi você mesma quem disse para eu não usar da emoção na hora da negociação? Eu me lembrei disso.

- Eu disse para não pensar emocionalmente, só que não esperava que você fosse correndo aceitar fazer uma nova temporada. Sem mim! Ser Castle sem Beckett! Você vai estragar tudo!

- Eu não assinei! Eu não vou fazer outra temporada de Castle.

- Mas você renovou o contrato! – ela gritou com Nathan.

- Eu renovei com a ABC, sou um mero empregado da emissora e não voltarei a representar o papel de Castle. Ele não me pertence mais, portanto se quiserem continuar a série, Castle e Beckett terão que morrer – ela ficou calada, fitava-o com os olhos arregalados – eu disse a você que nunca ia fazer algo que nos prejudicasse, eu assinei pensando no futuro, na nossa família. Ter algo fixo. Apesar que acredito que isso não vai durar, eles terão que pensar com cuidado no destino de Castle agora. Talvez logo esteja desempregado como você.

Ele percebeu os olhos dela encherem-se de lágrimas. Stana dá um longo suspiro, fita-o calmamente antes de assumir seu erro.

- Você não fará Castle?

- Nunca faria Castle sem você – as lágrimas já caiam incontroladas, ela se jogou contra o peito dele e o abraçou. Chorando, ela balbuciava – sinto muito, Nate... eu s-sou idiota... sinto... – ele afagava os cabelos dela.

- Shhh... tudo bem. Vai ficar tudo bem. Nós vamos superar isso. Viraremos a página. Eu terminarei outra temporada de ConMan, você terá seus filmes, analisaremos novos roteiros. Vida nova. E principalmente, começaremos nossa família.

- Sim, e viajaremos juntos. Só eu e você. Assim que ficar bom desse ombro. Oh, Deus! Seu ombro! Eu o machuquei. E-eu sinto muito... eu, a raiva...você está com dor. Por minha causa.

- Tudo bem. Nada doía mais do que vê-la desesperada saindo por aquela porta, Staninha.

- E-eu posso ter piorado tudo e...

- Esqueça isso. Então, estamos bem? – ele olhava para ela enquanto segurava-lhe o queixo.

- Sim, estamos bem – ela inclinou-se e beijou-lhe os lábios – estou perdoada?

- Não há o que perdoar, Staninha. Já passou. Podemos chamar aqueles dois para um café? Aposto que Gigi está se coçando para saber se nos resolvemos – ela sorriu – vá chama-los, eu vou preparar a bebida.

Stana seguiu até o quintal ainda limpando as lágrimas do rosto vermelho. Chamou pela irmã que veio de mãos dadas com Jeff.

- Então, essa cabeça dura conseguiu ouvir? Meu cunhado vai fazer Castle sozinho? Porque se for nem se preocupe que quem irá bater nele sou eu.

- Não, ele não vai.

- É agora que eu falo “eu te avisei”? – Gigi abre um sorriso – cadê ele?

- Fazendo café para vocês – elas entraram em casa. Nathan reparou que a esposa mancava.

- Stana, o que aconteceu? Você está mancando.

- Não foi nada.

- Foi sim – disse Jeff – ela chegou lá em casa descalça, os pés machucados por pedalar. Dei até uma bacia com agua gelada para amenizar a dor.

- Você saiu descalça... – o olhar de pena de Nathan irritou Stana.

- Está tudo bem.

- Você se feriu por minha causa.

- Considere uma espécie de vingança pelos socos que dei em você. Para Nathan, está tudo bem – mas o senhor teimoso não quis saber, voltou a cozinha para pegar uma bacia e oferecer conforto a esposa. Queria examinar pessoalmente os pés dela. Gigi foi logo gritando.

- Hey, Nathan! Você escapou de levar uma surra minha. Se aquela notícia que saiu no twitter fosse verdade, eu mesma acabaria com esse seu belo traseiro.

- Do que você está falando, Gigi? – Nathan apareceu na sala trazendo a bandeja com as canecas de café e alguns biscoitos. Colocou sobre a mesa e retornou para pegar a bacia. Forçou Stana a sentar ao seu lado com os pés de molho.

- Você também não viu? Está a maior confusão no twitter, alguém soltou uma notícia dizendo que Castle está prestes a ser renovado visto que os atores assinaram seus contratos com a ABC.

- Ela está jogando. Eu disse que deveria cancelar logo porque os fãs iriam lutar por isso. Acho que apenas deu mais munição para o fandom. Essa presidente vai se arrepender da graça. Ela acredita que vai manter o show sem a audiência. Disse para ela conversar com Shonda, porque talvez The Catch tenha uma chance nas segundas.

- Ela é burra? Como ela acha que um show se mantem sem público? – disse Gigi.

- Ela está perdida. Achou que estava fazendo um bom negócio ao demitir Stana. Agora a vingança vem a cavalo, ou melhor via twitter. Tenho certeza que as campanhas para cancelar Castle irão continuar e já ganharam apoio de muitos jornalistas. Ela está encurralada, como vai conseguir justificar a permanência de um show sem os seus protagonistas? Fora que jogou essa notícia para incitar o ódio dos fãs comigo. Não vai funcionar.

- Não mesmo, quer dizer, você vai continuar sendo xingado por um tempo, mas aposto que quando anunciarem o fim de Castle, tudo se acalma. Será triste, os fãs não queriam isso, mas a ABC provocou...

- É, nós temos mais é que esquecer esse assunto – disse Stana falando pela primeira vez – temos que nos concentrar em sua cirurgia e nas nossas férias. Além dos planos para o futuro...

- Cirurgia? Do que vocês estão falando? – Jeff não entendera nada.

- Eu farei uma pequena cirurgia na próxima segunda – Nathan falava disso com muita calma, ele se concentrava agora em examinar os pés da esposa, estavam feridos, havia pequenos cortes na pele. Ele os massageava enquanto conversava - Para reconstruir meu ligamento do braço direito. Lembra das porradas do basquete e da natação? Sabia que as sequelas apareceriam algum dia. É um procedimento simples, ninguém precisa se preocupar. Farei a cirurgia pela manhã e à tarde já estou em casa repousando.

- Stana vai acompanha-lo?

- Na verdade, não. Ela não pode, sabemos o porque. Ia pedir para Michelle, porém ela já anda quase todos os dias em hospitais, não seria justo com ela. Você pode me acompanhar, bro?

- É claro que sim. Por que não pediu antes? Qual o dia?

- Dia 16. Segunda-feira.

- O mesmo dia da Season finale de Castle... – lembrou Stana mordendo os lábios. Até ali, ela tinha mantido o pensamento sobre a série escondido em seu subconsciente. Essa história de negociação acabou por desperta-lo. Não queria tornar a lembrar daqueles últimos momentos, não. Queria focar em algo bom. Em viagens. Sim, precisava planejar a sua viagem com Nathan.

- Precisamos planejar nossa viagem. Ficar um tempo longe de Los Angeles.

- Sim, amor. Depois que receber alta completa da cirurgia e finalizar as pendências com Alan, nós iremos viajar.

- Um tempo longe fará bem a vocês. Eu apoio a ideia – disse Gigi – e quem sabe não se inspiram logo para me dar esse sobrinho ou sobrinha? – eles riram. Ainda ficaram conversando um pouco até a própria Gigi alegar estar cansada. Seu dia tinha sido bem movimentado. Despediram-se e a irmã deu um último conselho a Stana ao se ver sozinha em sua companhia.

- Sis, por favor, esqueça o assunto Castle. Programe essa viagem e vão curtir a vida, vocês merecem um descanso. Namorem bastante, façam muito sexo e desliguem dessa vida de ABC e séries, já dedicaram oito longos anos, é hora de virar a página. Cuide do seu marido e vá ser feliz!

- Vou fazer isso. Assim que ele se livrar dos médicos. Obrigada, sis. Só você para me ajudar nessas horas.

- E depois a complicada da família sou eu... – elas riram. Gigi deu um beijo no rosto da irmã – fique bem, eu tenho que cuidar do meu Fillion, deixei-o de escanteio por outro, até elogiei o traseiro do outro! Assim vou acabar sendo despejada. Preciso agradar meu homem – ela piscou para Stana.

- Você não presta! – rindo, ela viu a irmã se pendurar no pescoço do cunhado na saída de sua casa. Louca, completamente louca.

No dia seguinte, Stana acordou disposta a planejar a viagem deles para longe de Los Angeles. Com o ipad em mãos, depois de tomar café com Nathan, ela se sentou na mesa da cozinha e começou a pesquisa. Selecionou alguns lugares, potenciais voos e datas.

- Nate, quanto tempo você acha que precisa para a sua recuperação? Um mês?

- Foi o que o médico disse aproximadamente. Por que?

- Estou pensando nas datas para viajarmos. Que tal dezesseis de junho?

- Parece bom, acho que até lá o médico me libera. Para onde vamos? Lembre-se que eu tenho um compromisso na Alemanha dias 25 e 26 de junho. A convenção.

- Sim, estou pensando na Croácia. Tem uma ilha isolada na Dalmatia que é maravilhosa. Ideal para nos escondermos. Passamos uma semana lá, você viaja para a Alemanha e depois volta para me encontrar. Ai, decidimos o que faremos. O que acha? Quer ver umas fotos do lugar? Acho que você vai adorar. Prometo que não ficaremos isolados da civilização.

- Confio em você, amor – ele chegou abraçando-a por trás – essa foto é de lá? Essa é a cor do mar?

- Sim... lindo não?

- Fantástico! Pode agendar. Vou adorar andar com você por esse paraíso – ela sorriu roubando um beijo dele. Como uma criança na expectativa da viagem de férias para a Disney, ela deslizava os dedos pela tela programando a escapada do casal.

Era quinta-feira. As coisas na sede da ABC não estavam nada boas. Dungey estava sentada em sua sala lendo as ultimas noticias referente a Castle. Por incrível que pareça, ela tinha toda a grade da fall season pronta, exceto pelas segundas. A cada dia que passava após a negociação com Nathan Fillion e a noticia vazada na internet, a situação piorava. Os movimentos dos fãs nas redes sociais cresciam, eram petições, trendings, ameaças a conta da emissora e a última novidade eram as cartas que chegavam pelo correio. Sua assistente trouxera cinco grandes caixas de papel com reclamações, xingamentos e principalmente o pedido de cancelamento da série. Todas continham fotos do casal em diferentes momentos da série. Olhando a tela de seu notebook, ela resmungava.

- Quem esses fãs pensam que são? Como podem achar que ameaçar uma emissora grande como essa vai mudar alguma coisa? Um bando de idiotas que apenas fazem barulho e a droga da mídia apenas aumenta, joga fogo na loucura. Isso está um verdadeiro circo. Nathan não tem razão, não pode – visivelmente irritada ela atendeu o telefone à sua frente.

- Sra. Dungey, a secretaria do CFO ligou. Ela disse que ele quer vê-la na sala dele em meia hora.

- Tudo bem, estarei lá – essa não era uma boa notícia. Sabia exatamente o que poderia ser o tema da reunião. Ela precisava de argumentos, infelizmente não tinha nenhum. Ligou para Alexi e para seu azar, o produtor não tinha ideia de como parar essa confusão toda. Odiava pensar que Nathan e um bando de fanáticos na internet pudessem estar certos.

Meia hora depois, ela estava na sala do CFO. Visivelmente profissional, porém por dentro, ela estava com medo, nervosa.

- Imagino que saiba porque lhe chamei aqui. Temos um assunto muito sério para resolver. Uma pendência que não deve ser adiada. Nós ficamos sem tempo – o mesmo advogado que a acompanhou durante a negociação de Nathan entrou na sala – você deve estar acompanhando o que ocorre nas redes sociais. Sobre os fãs e a série das segundas, Castle.

- Sim, medidas desesperadas – ela disse.

- Tempos desesperados, Dungey. Na verdade, o que esses fãs estão fazendo é louvável, apesar de ser negativo, eles estão se apegando a um último fio de esperança pela série. Uma chance de salva-la.

- Eles estão pedindo para cancela-la! É insano.

- Sim, porque acreditam que depois de oito anos o cancelamento é a melhor solução.

- Estão errados, eles não entendem... – mas ele a interrompeu.

- Estão mesmo? Porque nas últimas semanas tudo que li e ouvi de fãs e jornalistas foi sobre o grande erro da ABC. Que argumentos você tem para me dizer que estão errados? Você tem um dos protagonistas e só!

- Na verdade, não temos os protagonistas – disse o advogado – o Sr. Fillion se recusou a reprisar o papel de Castle – o CFO estava espantado, não sabia desse detalhe.

- O que eles são? Um bando de fanáticos que querem causar problemas, se manter nas redes sociais, isso passa. Logo esquecem.

- Esses que você chama de fanáticos, são as pessoas ao redor do mundo que ajudaram a ABC a ganhar muito dinheiro durante oito anos. E você sabe que a internet é uma arma poderosa, especialmente o twitter para audiência. Esses mesmos fanáticos, nos deram dinheiro. Ontem eu escutei da minha filha que a emissora na qual eu trabalho é um lixo. Ela me disse que não sabemos tomar decisões e que ela assinara a petição para cancelar Castle.

- Não estamos discutindo a opinião de sua filha, estamos discutindo nosso trabalho.

- Exato, e nesse instante, você não fez sua lição de casa. Você não ouviu o que a audiência estava dizendo, nem os produtores. Como o responsável pelo dinheiro, eu tenho que interceder. Já falei com a diretoria da emissora. Escrevi uma nota e ela será publicada para a impressa. Estamos oficialmente cancelando Castle. Não irei jogar dinheiro no ralo por um fracasso. Investiremos em algo novo, comece a procurar por um piloto para preencher a grade na segunda.

- Ou pode usar a sugestão de Nathan. Colocar The Catch – disse o advogado. Literalmente soltando fogo pelas ventas, ela o encarou.

- Afinal, você é advogado da emissora ou do Sr. Fillion?

- Da ABC, é claro. Estou apenas atestando um fato.

- Está dispensada. Enviarei para você a declaração que deverá fazer quando os repórteres a procurarem. Ah, e Dungey? Espero que uma outra situação como essa não aconteça ou me fará rever a decisão de tê-la colocado no lugar de Paul Lee. 

Sem dizer uma palavra, ela saiu rapidamente da sala dele. Ao chegar na sua, pegou uma caneca e jogou-a no chão. Raiva, muita raiva. Fora vencida por uma atriz de rostinho bonito e um ator que se achava o dono da razão.   

XXXXXX

Nathan havia saído para encontrar-se com Alan e acertar algumas datas para a gravação da segunda temporada de ConMan a fim de conciliar sua operação e recuperação com a viagem marcada. Stana ficara em casa porque decidira que ia cozinhar para o marido. Nate prometera que voltava as duas da tarde para almoçar com ela. Estava fazendo uma comida simples. Um bolo de carne e poutine, pois sabia que o marido adorava o clássico canadense. Stana ficara tão desligada que não reparou em uma mensagem que recebera da irmã.

Quando Nathan chegou, sentiu o cheiro delicioso vindo da cozinha. Pela alegria que vira no rosto da esposa, sabia que ela estava alheia as últimas notícias. Isso lhe daria um tempo para prepara-la melhor.

- Hum, o que cheira tanto? Estou morrendo de fome, amor.

- Adivinha? Fiz algo para você se lembrar de suas raízes em Edmonton – ela colocou a travessa fumegando na mesa. Depois, trouxe o pirex com a carne.

- Poutine? Você fez poutine para mim? – ele a agarrou pela cintura e beijou-a com vontade – ah! Staninha... você não existe! Nem sabia que você conhecia a receita.

- Ah, poutine não tem segredo, Nate. E sou canadense. Aprendi a fazer na adolescência com dona Rada. Mesmo morando em Chicago, nós sempre fazíamos. Vamos logo comer, não tem quem tolere poutine frio.

Eles se sentaram à mesa. Empolgado, Nathan esqueceu completamente o que iria conversar com a esposa. O menu do almoço o pegara de surpresa. Ela o serviu e também saboreou a comida. Perguntou o que queria beber e optaram por cerveja.

- Como você esconde esse segredo de mim? Está uma delícia! Agora você será obrigada a cozinhar ao menos uma vez na semana para mim - ela sorriu.

- Mesmo de férias?

- Especialmente de férias.

- Não pode abusar. Lembre-se da sua dieta. Afinal, você está ficando cada dia mais gostoso... – ela mordiscou a orelha dele passando a mão no peito dele.

- Você está querendo dizer que antes eu não era?

- Claro que não! Você sempre foi gostoso. Sabe que eu adoro seu corpo, mas agora está mais definido e seus braços estão ainda melhores, o peito e... – ela parou de falar porque sua boca foi tomada pelos lábios dele calando-a. Ela se levantou sem quebrar o beijo e sentou-se no colo dele. As mãos de Stana passeavam pelo peito dele apertando-lhe os mamilos.

- Se esse poutine não tivesse tão bom, eu juro que jogaria você no chão e faria amor agora mesmo....

- Você está me trocando por um poutine, Nate?

- Não trocando, apenas adiando um compromisso... o da sobremesa... – ela gargalhou. Levantou do colo dele e tomou mais um gole da cerveja. Como um menino em frente ao prato de doce, ele devorou o resto do poutine. Ao terminar, levantou-se da cadeira e puxou-a pela mão colando-a em seu corpo – onde eu estava mesmo? Ah! Sobremesa, claro... – beijando-a com paixão, ele a conduziu até o quarto.

As roupas foram rapidamente esquecidas pelo chão. Na cama, em meio a gemidos e provocações, eles se amaram lentamente. Como dois apaixonados ansiando por um momento de prazer, pelo encontro dos lábios, o saborear da pele, a urgência do contato, a dança e a troca.

Uma emergência de amor em uma tarde qualquer.

Horas depois, eles permaneciam deitados. Nathan afagava os cabelos dela. De vez em quando recebia um beijo dela no peito, ou uma mordidinha na pele. Sabia que não poderia adiar a notícia por muito mais tempo, somente queria uma forma tranquila de contar.

- Hey, eu preciso ir ao banheiro.... – ela sorriu e virou-se para deitar a cabeça no travesseiro. Nathan e levantou da cama entrando pelo closet. De lá, gritou para ela – amor, você viu meu telefone?

- Deve ter ficado lá embaixo. O meu também, na cozinha.

- Não, estava no meu bolso.

- Ah, quando sair do banheiro você vê. Estou com preguiça de levantar daqui. Aproveita desce e traz o meu junto com café.

- Isso foi uma ordem, Staninha? – perguntou ao sair do banheiro.

- Foi. E você vai obedecer ao desejo de sua esposa que faz poutine para você.

- Chantagista! – ela riu. Nathan achou ótimo. Isso daria a ele a oportunidade de agir naturalmente. Desceu as escadas retornando quinze minutos depois com o celular dela, as canecas de café e seu próprio aparelho. Entregou o café a ela e comentou – hey... você viu? Parece que a ABC finalmente caiu em si.

- O que foi? – ela pegou o celular. Já ia acionar o twitter quando viu a mensagem da irmã “sis, parece que acabou. Castle foi cancelada.” Stana leu duas vezes a mensagem, em seguida olhou para Nathan – cancelaram... é isso? Aquela cena que gravamos será realmente o fim?

- É, tudo indica que sim. Terminou, Staninha. Não era o que queríamos, nem como queríamos, mas ao menos não levaram a ideia idiota adiante – ele sentou-se ao lado dela na cama. Ela bebia um pouco do café. Tornou a checar a repercussão da notícia no twitter. Viu mensagens de apoio de fãs, alguns chorando, outros indignados com a atitude da emissora e a maioria aliviados por não verem a história de Castle e Beckett ser destruída. Ela teve pena de seus fãs. Eles não mereciam aquele final, não depois de tudo que já fizeram pela série.

- É triste. Para os fãs. Eles nunca verão pequenas coisas que sempre sonharam. Como Beckett grávida, Castle babando nos filhos. O nascimento dos bebês. Tudo ficará apenas na imaginação deles. Deixamos uma lacuna na história, Nathan.

- Eu sei. Mas não é nossa culpa, Stana. A ABC provocou tudo isso. Somos vítimas como os fãs. A maioria entende isso. Se tem alguém para culpar será a emissora e Alexi. Afinal, ele era o chefe. Agora realmente é hora de virar a página – ele a puxou para si em um abraço. Stana repousou a cabeça no ombro dele. Depois de um longo suspiro, foi impossível esconder as lagrimas. Abraçada a ele, ela chorou mais uma vez pelos oito anos que ajudara a criar. Por sua personagem e principalmente pela série que fora diretamente responsável pelos melhores momentos de sua vida e por seu futuro. Castle mudara sua vida em todos os sentidos, especialmente ao lhe dar sua felicidade. Ela apertou Nathan com força contra seu corpo e beijou-lhe o rosto. Ele nada disse, não era o momento para palavras.

Com um movimento, ela o convidou para deitar-se outra vez. Ali abraçados na cama, eles perderam a noção do tempo. Não importava. Tinham todo o tempo do mundo. 

No domingo as vésperas da cirurgia de Nathan, ela estava nervosa. Mesmo que ele repetisse um milhão de vezes que era um procedimento simples, ela ainda não se dava por satisfeita.

- Você não entende. É uma cirurgia. Detesto não poder estar ao seu lado. Fico preocupada. A anestesia será suficiente? Você vai sentir dor? E se algo der errado?

- Hey... quer parar? – ele a abraçou pela cintura – apesar de achar lindo essa sua preocupação toda. Não precisa ficar agitada ou nervosa. A anestesia é local, ficarei o procedimento todo acordado e nada dará errado. Estarei em casa, ao seu lado, à tarde. Jeff irá me trazer e Gigi ficará com você pela manhã.

- Por que?

- Por que eu não quero que fique sozinha. Precisa que alguém a distraia ou vai pensar um monte de besteira. Esse mês vai passar rápido e logo estaremos indo para o nosso paraíso particular. Nossas sonhadas férias, Staninha, eu mal posso esperar... – ele a beijou. O gesto pareceu acalma-la – que tal dormirmos agora? Jeff passará aqui por volta das sete. A cirurgia está marcada para as nove da manhã.

Eles se aconchegaram na cama. Nathan tinha mais uma coisa para dizer a ela. Algo que já vinha pensando desde que soube do cancelamento da série.

- E amanhã, se o médico me liberar e disser que estou bem, eu farei um live tweeting.

- Amanhã?

- Sim, durante a series finale. Será o último. Isso se não tiver grogue. Será uma espécie de despedida para os fãs. Acho que eles merecem – ela ficou calada por alguns segundos, pensativa.

- É, você tem razão. Eles merecem. E você vem fazendo isso muitas vezes durante essa temporada.

- Sim, será a última vez. Tudo bem? – ela sorriu embora ele tenha visto um pouco de tristeza em seu olhar.

- Sim, por que não estaria? Vamos dormir. Você precisa relaxar para amanhã – beijou-lhe rapidamente os lábios e aconchegou-se ao lado dele. Fechou os olhos, porém demorara bastante para se render ao sono naquela noite. Sua mente fervilhava entre a operação de Nathan e a constatação de que amanhã o último episódio de Castle iria ao ar.

Segunda-feira 16 de maio

Stana acordou às seis da manhã. Estava nervosa por causa do procedimento de Nathan. Não era somente isso. Ela acordara no meio da madrugada após um sonho ruim. Nele, ela discutia feio com Alexi e quase brigara fisicamente com o produtor se Nathan não tivesse segurando-a. Era besteira dizer que havia esquecido ou superado o assunto. Foram anos de dedicação antes de receber a fatídica notícia de sua demissão e agora a do cancelamento. Não iria dizer nada para o marido porque não era o momento de preocupa-lo, sua mente deveria permanecer focada na cirurgia que faria logo mais.

Ela preparou ovos, cereal e cortou algumas frutas para os dois. Quando ele desceu as escadas para encontrá-la, vinha devidamente pronto.

- Bom dia, Staninha. Não precisava levantar cedo por minha causa. Podia ter ficado dormindo.

- Tenho o resto da manhã para fazer isso. Como você está se sentindo? – ela inclinou-se para beijar-lhe os lábios.

- Estou bem e você, trate de se livrar dessa pequena ruga na testa. Não combina com o seu belo rosto.

- Você sabe que eu irei ter rugas e envelhecer um dia, certo? Beleza não dura para sempre...

- Eu sei, isso não quer dizer que você irá dar margem para ela aparecer antes do tempo e você já tem umas marquinhas lindas nesse rosto, especialmente as do sorriso – ele tornou a beija-la envolvendo-a pela cintura – relaxe, amor. Estarei em casa antes das duas da tarde, prometo. Então, necessitarei da minha enfermeira 24 horas por dia. Vai usar o uniforme para mim?

- Vai sonhando...

- Ah, amor... ia ficar perfeito. Aposto que Beckett usaria para Castle – ele não se tocou do que a menção aos personagens poderia causar nela. Dessa vez, Stana apenas sorriu.

- Isso é o que você pensa. Que mania dos homens em denegrir a imagem das enfermeiras. São profissionais como quaisquer outras. Vocês que são enjoados quando estão doentes. Ficam inúteis. Não podem fazer nada e depois nós somos o tal sexo frágil.

- Não, vocês são nossas fortalezas. Por isso precisamos das mulheres.

- Está querendo se redimir... sei... – ele a beijou outra vez – hum, acha que vai me comprar com beijos?

- Eu acho...- e beijou-a uma, duas, três vezes... – já comprei – ela sorria. Era bom receber um carinho gostoso desses logo pela manhã especialmente após a noite estressante que teve.

- Vamos tomar café. A propósito, você está escalado para prepara-lo.

- E eu achando que ia apenas sentar e comer... você me explora, Staninha.

- Só quando o assunto é café e sexo – ela olhou-o maliciosa enquanto colocava um pedaço de kiwi na boca. Nathan preparou o café e sentaram-se lado a lado para fazer a refeição. Ela estava melhor, mas de vez em quando sua mente se perdia nos pensamentos da noite. Ele a pegou em um desses momentos e inferiu ser devido a cirurgia.

- Hey... ainda pensando na cirurgia? Já disse que vai ficar tudo bem – ela desconversou para evitar que o marido percebesse seus reais pensamentos.

- Eu só queria estar lá com você... seria o correto. A esposa acompanha o marido e vice-versa. Faz parte da vida de casal.

- Staninha, nós não somos um casal comum... esquece isso, vai!

Eles terminaram a refeição bem na hora que Jeff e Gigi chegaram. Nathan subiu para escovar os dentes e deixou a esposa conversando com os parentes. Eles evitavam o assunto cirurgia. Gigi dizia que queria chegar mais cedo, mas Jeff inventou de tomar banho depois dela.

- Precisa ver sis, ele demora mais no banheiro que eu! Ainda tive que fazer a inspeção relâmpago. Porque toda vez, ele deixa algo fora do lugar. Incrível!

- Hey! Não deixei nada fora do lugar. Sua irmã é exagerada. Para quem não gosta de atividades domésticas, ela é bem neurótica.

- Você deixou o creme de barbear aberto e ao lado do tubo de pasta de dente. Está errado – Stana apenas ria – ainda não aprendeu?

- Jeff, acho que esqueci de mencionar essa parte. Normalmente quando não se gosta de cozinha, a veia da arrumação é intensa. Gigi, não vai virar uma daquelas mulheres neuróticas por limpeza.

- Eu não sou neurótica. Só gosto das coisas em seu devido lugar – nesse instante, Nathan aparece na beira da escada.

- Estou pronto, podemos ir?

- Claro, antes que a Gi me acuse de sujar a sua casa também – ela olhou para o namorado e mostrou a língua. Ele jogou um beijo em retribuição.

- Viu o que tenho que aturar? – ela vira-se para Stana – ele não me leva a sério.

- Realmente é um sacrifício. Ter um homem que te ama, jogando beijos para você mesmo quando está azucrinando a paciência dele. Tenho tanta pena de você, Gigi! – a irmã revirou os olhos fazendo Stana rir. Ela e aproximou do marido para se despedir – e você, nada de querer inventar nessa cirurgia. Daqui para frente você será meu Iron man. Não demore muito e lembre-se que estarei com você. Em pensamento.

- Eu sei. Tenho certeza, Staninha. E apesar de ser teamcaptain, será uma honra ser seu Iron man particular – ele beijou-lhe os lábios – volto já. Não faça nenhuma besteira enquanto eu estiver fora. Vejo você mais tarde. Te amo.

- Também, até a lua e de volta.

Jeff e o irmão saíram finalmente deixando suas mulheres sozinhas. Por vários minutos, Stana se manteve ocupada recolhendo as louças do café, arrumando a cozinha, de repente ao terminar, sua mente apagou. As lembranças do sonho voltaram a persegui-la. Sentou-se no sofá e fitava o nada. Gigi sentou-se ao lado da irmã no sofá, acariciando-lhe as costas. Sabia que Stana queria muito estar indo com Nathan naquele momento. Era mais um sacrifício que eram obrigados a fazer em nome do segredo. Precisava distrai-la.

- Então, o que quer fazer? Podemos dar um mergulho na piscina, fazer uns exercícios, tomar sol. Ou podemos nos esparramar na sala de vídeo do Nathan, conversar, o que prefere, sis? Claro que também vou entender se quiser voltar a dormir ou fazer o almoço para quando ele chegar. Vai estar com fome – ao ver que a irmã não respondia, insistiu – hey! Terra para Stana, ele vai ficar bem, você sabe – então Gigi percebeu que a preocupação dela não era toda voltada ao marido. Havia algo mais incomodando-a e podia apostar que tinha a ver com o dia de hoje. O último episódio de Castle.

- Stana... fale comigo.

- Podemos ir para o meu quarto? Quero deitar mais um pouco – de todos os programas que Gigi imaginara para distrai-la, esse era de longe o seu menos preferido. Ficar deitada na cama era dar abertura para pensamentos errados e potenciais sinais de depressão. Infelizmente, não teria escolha no momento. Acataria o que a irmã pediu apenas para faze-la falar. Logo daria um jeito de tira-la da cama.

Elas subiram para o quarto. Stana se arrumou debaixo das cobertas deitando-se no lado que Nathan dormia. Bateu no colchão para a irmã acompanha-la. Sem alternativa, Gigi deitou.

- Estou com sono. Não dormi direito a noite.

- Por causa da cirurgia? Sis, não é nada – embora Gigi desconfiasse que não era por esse motivo, não incentivaria a discussão. Queria ver se ela traria o assunto à tona.

- Não foi bem por isso. Quer dizer, é uma cirurgia por mais simples que seja, ainda assim. Mas não foi o motivo para eu perder o sono e ter pesadelos. Castle, esse dia. Esse é o motivo – ela olhou para a irmã. Gigi podia ver os olhos apreensivos.

- Sis, por que se deixa afetar por isso? Acabou.

- Eu sei, acaba hoje, a última vez. Como você quer que eu reaja? São oito anos da minha vida. Tenho direito de me sentir triste. De pensar sobre isso. No sonho, eu brigava feio com Alexi, só não dei na cara dele porque Nathan me segurou. Gigi, é natural me sentir assim.

- Natural é se despedir, sentir saudades e pronto. Deixar que a ausência do trabalho ou o cancelamento de Castle afete sua vida a ponto de esquecer de todo o resto, não. Você e Nathan já contribuíram imensamente para fazer história. Agora é hora de seguir em frente, aproveitar as merecidas férias, pensar no futuro, na família que pretendem formar. Esqueça Alexi, ABC e todo o resto. Foque em você e Nathan. No que é importante.

As palavras de Gigi embora certas demoravam para entrar no cérebro de Stana. Ela ainda estava em estado nostálgico. Curtindo a dor da perda. Fechara os olhos. Era difícil não lembrar-se de momentos naqueles sets, corredores. Seus beijos, suas risadas, amassos. Era parte da história que criaram, era parte dela e de Nathan, não? Desconversando, ela disse para a irmã que precisava cochilar por meia hora, depois fariam algo. Não tendo como discordar, Gigi apenas se manteve em silêncio.

Meia hora depois, ela sabia que Stana não estava dormindo profundamente. Talvez naquele estado letárgico do sono. Precisava desperta-la. A última coisa que queria era ver sua irmã deitada o dia todo na cama.

- Sis, hey... vamos levantar... você tem um almoço para preparar. Hey, Stana... – ela abriu os olhos, Gigi sorriu - Logo seu paciente mais rabugento vai chegar e você terá muito trabalho pela frente. Levante-se – Stana esfregou os olhos e sentou-se na cama – já sabe o que vai cozinhar?

- Só um purê de batatas e uma salada. Tem frango de ontem. Fiz no jantar – ela foi para o banheiro, lavou o rosto e preparou-se para receber o marido com uma cara decente. Ainda eram dez da manhã. Desceram juntas para a cozinha. Gigi se serviu de um pouco de suco de laranja enquanto observava a irmã descascar as batatas em silêncio. Incomodada com a falta de barulho, ela falou.

- Você pode conversar enquanto cozinha sabia? Não quero te ver perdida em pensamentos porque sei o que está se passando nessa cabecinha teimosa. Pare de pensar em despedida e Castle, ok? Se não conversar vou ser obrigada a colocar uma música bem alta e até a dar umas tapas em você.

- Gigi, quer parar? Não estou pensando sobre isso. Estava imaginando o que eu e Nathan poderíamos fazer nas férias. Já decidimos o destino. Dalmatia – claro que ela não estava pensando sobre a viagem, mas a pequena mentira branca trouxe alivio ao semblante de Gigi.

- Ah, você vai se esconder com ele numa daquelas ilhas! Ora, sis, o que se faz numa ilha deserta? Sexo, muito sexo!

- Gigi!

- Estou falando alguma mentira?

- Não, mas não precisa se restringir apenas a isso. Podemos fazer escaladas, curtir o mar, acampar.

- Sim, todas essas coisas naturebas que você adora. Algo me diz que o Nathan não vai curtir muito essa sua ideia, a menos que a recompensa seja sexo – Stana revirou os olhos – o que? Não estou falando nenhuma mentira. Nathan é um cara bem urbano. Fazer uma trilha, andar de bicicleta uma vez ou outra, tudo bem. Fazer somente isso nas férias? Sem chance! Ele vai ficar entediado. Precisa de civilização.

- E quando isso acontecer, eu o levarei para a cidade. Jantaremos em bons restaurantes. Passearemos pelas ruas de Split, podemos adentrar a Croácia indo para Zagreb, namoraremos nas margens do rio Sava...

- Hum... está ansiosa para essa viagem não?

- Muito. Eu e Nathan precisamos de um tempo juntos. Sem ninguém por perto ou ameaças de paparazzi. Ele terá que ir a Alemanha devido a um compromisso, mas nada que afete nossas férias. Quero muito ficar sozinha com ele, sem preocupações.

- Quanto tempo vão passar lá?

- De uma semana a dez dias, depois podemos procurar outro destino. Não quero voltar para Los Angeles logo. Estamos perto da Itália ou quem sabe eu possa encontra-lo na própria Alemanha. Londres também não seria um destino ruim. Um contraste depois da calmaria da Dalmatia.

- Qualquer que seja o destino, vocês aproveitarão bem. Acho que meu sobrinho ou sobrinha pode ser o resultado dessa viagem... está na hora, não?

- Sim, não que eu tenha pensado sobre isso ou conversado com Nathan, mas seria um bom momento.

- Terão muitas horas para prática... – Stana riu jogando o pano de prato na cara da irmã.

- Oh, mente poluída. Se cuida porque desse jeito quem vai engravidar primeiro é você! – a cara de pânico de Gigi fez Stana gargalhar – é, não parece tão divertido agora suas escapadas, certo? Não se preocupe que eu e Nate vamos encontrar a melhor hora para começarmos nossa família – ela conferiu a panela com as batatas, amassou o purê e colocou o pirex no forno para gratinar – está tudo encaminhado, é só Nate chegar que esquento o frango. Talvez eu tenha que cortar tudo, não sei se conseguirá comer com a mão esquerda.

- É, capaz do braço ficar imobilizado. Antes deles chegarem, será que você pode me dar uma ajuda com umas dicas de maquiagem? – era tudo invenção de Gigi para manter a irmã com a cabeça ocupada porque ela sabia que se tivesse a chance, logo voltaria a pensar no que o dia de hoje representava. Quanto menos tempo, Stana pensasse em Castle, melhor.

Uma hora depois, Nathan e Jeff chegam em casa. Ao descer as escadas, Stana se deparou com o marido sorrindo. O braço direito imobilizado com um curativo no ombro e preso a uma tipoia. Definitivamente, ele não usaria esse membro para nada. O semblante estava tranquilo e ao mesmo tempo sonolento.

- Como foi tudo? Está se sentindo bem? – ela perguntou aproximando-se dele.

- Tudo bem. A cirurgia foi rápida e um sucesso. Devo ficar com o braço imobilizado completamente por duas semanas e depois continuo usando a tipoia por mais duas a três semanas dependendo da reação. Para ser sincero, estou morrendo de fome e com muito sono. O médico me deu um analgésico que já está fazendo efeito. Tudo que quero é comer e cama – olhando para a esposa com um sorriso nos lábios comentou – está pronta para me dar comida na boca, Staninha? Cadê seu uniforme de enfermeira?

- É sis, será uma longa recuperação. Acho que eu e Jeff vamos deixá-los à vontade.

- Stana, aqui estão os remédios e os horários que deve tomar. Esse aqui – apontou para um dos fracos – você somente dá a ele se a dor estiver muito intensa, basta meio comprimido. Está na receita. Divirta-se cuidando do meu irmão.


- Algo me diz que ela vai sofrer... – disse Gigi olhando para o namorado – pelo menos ele irá mantê-la ocupada evitando que pense besteira. Vamos, amor – ela virou-se para o outro casal – divirtam-se e não se matem – rindo deixaram a casa deles. Stana tinha um longo trabalho pela frente. Porém, contrariando as expectativas, seria substituído por outra coisa, bem mais séria.  


Continua... 

10 comentários:

Denise Ribeiro disse...

adoro os capítulos grandes......

Gabriela Mendonça disse...

Ai meu Deus... a bichinha saiu descalça kkkkk Adorei o cap, e o bom (ou ruim) é que a gente vai relembrando os fatos... Já quero saber dessas férias, apesar que eles nem podem ficar se exibindo, tem que se esconder do jeito que a Stana da vida real faz kkkk. Esse evento da Alemanha, so lembro dele falando que ela beija bem (me diz que vc vai usar isso, Kah?)
Se o Nate for tão chato e fresco como o Castle foi quando machucou o joelho... meu pai coitada da Stana.
Achei maravilhoso a chefona da ABC, tomando esporro. bem pregadooo.

cleotavares disse...

Já disse que amo a Gigi,sempre olhando os dois lados, trazendo a paz ao casalzinho "complikate".
Ah! e com relação a Dungey, me senti vingada. Tomara que a realidade tem sido parecida. "Porém, contrariando as expectativas, seria substituído por outra coisa, bem mais séria." What??? O com foi dessa vez? Assim, essa coisa vem mai séria, pode ser boa, não é, Kah?

rita disse...

Muito boa!! Adoro essa fic! Todos os dias procuro para ver se você postou capítulo novo. Abraços.

alessandra silva rodrigues disse...

Ah essas férias...bora encaminhar babe stanathan

Silma disse...

Que dó da minha bichinha saindo descalça e machucando os pezinhos!
A bicha têm um temperamento forte!!!!Tragam um prêmio pra Gigi que sempre traz a paz pra esses dois cabeças duras!!!
Sr.Nathan abusando da boa vontade meu povo!!!
E essas férias que nem chagaram e já prevejo fogos de artifícios e sexo.A Gigi q falou só repeti...Kkkkkk

Vanessa Belarmino disse...

E não é que quem sofreu foram os pezinhos da Staninha... Nem bike e nem ombro haha

Pausa para minha Diva Gigi! Ela deu show nesse cap. Botou ordem na casa divinamente. Manda quem pode e obedece quem tem juízo. Hhahaha
Esse olhar katic hein!!! Mas não seria Gigi se não deixasse suas perolas

"- E depois a complicada da família sou eu... – elas riram. Gigi deu um beijo no rosto da irmã – fique bem, eu tenho que cuidar do meu Fillion, deixei-o de escanteio por outro, até elogiei o traseiro do outro! Assim vou acabar sendo despejada. Preciso agradar meu homem – ela piscou para Stana." Melhor frase, tive que parar pra rir.. 😂😂😂😂
Amei a filha do CFO, o próprio CFO e esse advogado de Castle (pq da ABC q não é) 😂😂😂😂
Eu adoro o pavor da Gigi quando falam dela ter filhos kkkkkk

Stana de enfermeira vai render, vai querer mata-lo hahaha
Férias! Ja to de olho na Europa! 😍
Tava tudo bem e ai a autora vem com esse final... Aiiii!
Depois do seu "aguardem", já quero o próximo... Rumo aos 100! Fazendo campanha já 😉

Pâmela Bueno disse...

Só falar que AMO a Gigi hahahhaha e nossa...Stana ta agindo muito no impulso, super sensível... espero que seja oq eu estou pensando kkkk mas agora me deu medo dessa última parte "Porém, contrariando as expectativas, seria substituído por outra coisa, bem mais séria." Meeeeedo!! kkk Estou muito curiosa!!! Espero ansiosamente o próximo

Priscila Barros disse...

Tava adiando a leitura do capítulo por motivos de: não quero esperar muito pelo próximo, mas não resisti e li tudooo <3
Como ficar com raiva dessa cabeça dura da Stana quando ela sai descalça e machuca os pés??? Muita dó dela, tadinha! Tadinho do meu bundudo também, com esse ombro machucado, preocupado com a Stana.... Ai quanta dor "Porém, contrariando as expectativas, seria substituído por outra coisa, bem mais séria."

OMG!!!! O QUE VAI ACONTECEEER???? KAH VOLTA AQUI, PLMDDS!!!!!!!!

Priscila Barros disse...

Meu comentário não foi completooo, arghhh! Preciso dizer o quanto ameeeeei o vrááá que a presidente da abc tomooou! Kah, te amo! Você lavou nossa alma nessa fic <3