domingo, 27 de março de 2016

[Castle Fic] Is This The End ?




Is This The End?

Autora: Karen Jobim
Classificação: NC17 – Drama
Capitulos: Oneshot - Songfic
Quando: S4 – antes de 47 seconds...
Disclaimer: Castle e Beckett não me pertencem...são da ABC yada yada yada... conteúdo criado para diversão, todos os direitos da autora reservados!
Castle e Beckett estão perseguindo um assassino pavoroso, um serial killer louco. Infelizmente, o número de vítimas só aumenta e para piorar, eles estão correndo contra o tempo literalmente falando. Em pleno outubro, um furacão aproxima-se de Nova York. Seria a sede de justiça de Beckett é tão forte que a faria arriscar a própria vida? Será o amor de Castle tão grande para segui-la numa possível caçada sem volta? Vidas em jogo e uma catástrofe. O resultado pode ser inimaginável.

Nota da Autora: Uma oneshot baseada na música da Adele chamada “All I Ask”. Apesar da canção ser recente, usei para ambientar a situação da S4 antes de Always. Aliás, esqueçam tudo que aconteceu em Castle depois do episódio mencionado, nada de bomba, a ameaça agora é outra. Novamente, não irei entrar em detalhes do caso, ele é somente o cenário para que a música entre no clima da fic. Vocês verão as frases da música nas palavras de Beckett. Também ferrei a linha do tempo já que Always aconteceu em maio e o furacão em outubro, mas ninguém precisa saber disso. Aproveitem a viagem.

PS.: Sugiro ouvir a canção apenas a partir do momento indicado. Colocarei um pequeno aviso a partir daí podem deixar a música em loop infinito. Desculpe, por mim eu colocaria as letras em inglês que é bem mais bonito, porém ficaria estranho. Sendo assim, segue o link da música no YouTube e da letra. 



Atenção - NC17!




Is This The End?


Nova York – Fim de Outubro 2012


O telefone toca às seis da manhã. Um novo assassinato. Era parte da rotina de ser policial. Esse era o quarto corpo encontrado naquela semana. Será que dessa vez o assassino deixara alguma nova pista capaz de rastreá-lo? Esperava que sim. Levantou-se da cama rumo ao banheiro. Quinze minutos depois, deixava seu apartamento com o celular na mão. Precisava avisar Castle. 

Na cena do crime, ela avaliava os detalhes. Tudo era exatamente igual às outras vezes. A vítima, outra jovem torturada e com o corpo marcado por bitucas de cigarro. Sem unhas, cabelos cortados, sobrancelhas arrancadas, uma verdadeira demonstração contra a vaidade. Um louco, era a conclusão de Beckett. Ela ouviu o que Lanie tinha a dizer preliminarmente, também recebeu informações de Ryan até agora sem sorte para digitais ou fibras. Continuem procurando, fora seu recado para os peritos. Com Castle ao seu lado, retornou ao 12th. 

Ele notara que Beckett estava calada e pensativa. Ela não gostava de ficar sem opções em uma investigação especialmente em um caso como esse que envolve mortes em circunstâncias bizarras. Ele mesmo não conseguia aceitar que alguém pudesse fazer isso com outro ser humano. Jovens de vinte anos, involuntariamente, pensava em Alexis. 

Beckett tinha os olhos fixos na tela do computador. Procurava alguma pista, qualquer coisa que estivesse escondida ou que passará desapercebida anteriormente. Bufou frustrada. Os dedos apertavam com força as teclas. Vendo a irritação dela, Castle segurou-lhe o pulso. 

- Hey, que tal respirar um pouco? O teclado não pode ser culpado pelo assassinato. Vem comigo, vamos tomar um café. Precisa espairecer. 

- Não posso, Castle. Jovens estão morrendo e eu não consigo uma pista sequer para pegar o culpado. 

- Você pode e irá tomar um café comigo. Esqueça o caso por alguns minutos, clareie sua mente e depois volte a buscar justiça - ele a puxou pela mão rumo à sala de descanso. Começou a preparar café para ela. Beckett observava o que ele fazia. Por que ela dava ouvidos ao que Castle dizia? Porque na maioria das vezes ele estava certo, embora não gostasse de admitir - aqui está, detetive. Skin latte com toque de vanilla. Nada de açúcar. 

- Obrigada. Você comprou algum café novo? Onde conseguiu a vanilla? 

- Tenho meus segredos, Beckett - ela sorriu bebendo o café - esse caso é realmente assustador. Entendo sua irritação. Eu mesmo me questiono que critérios ele usa para escolher suas vítimas, eu não sei. Alexis pode ser uma vítima.

- Critério, Castle? O cara é louco. Como se leva alguém desse nível a sério? É doente. Precisamos entender como a mente doentia dele funciona, assim podemos conseguir algo nesse caso. 

- Você respondeu assim porque está chateada. Sabe que há um padrão, um motivo. É natural reagir dessa maneira diante de um caso tão vil, contra qualquer indício de compaixão ou sentimento pela vida humana. Você está preocupada porque isso a lembra Jerry Tyson - ela o olhou surpresa porque era exatamente isso que se passava em sua mente - Eu a conheço, detetive. 

- E se não conseguirmos? Quantas jovens irão morrer por minha causa? 

- Primeiro, não é sua culpa, você acabou de afirmar que o cara é louco. Segundo, a Beckett que eu conheço não desiste fácil e por último e não menos importante, eu irei ajuda-la. Vamos pega-lo, Kate. 

Ela terminou o café pensativa. Sempre podia contar com Castle. Ele nunca deixava de dizer as palavras certas para acalma-la, traze-la de volta a sua realidade obrigando-a a manter o foco. Cada vez mais, ela percebia que ele se tornara parte importante de sua vida.  Desde seu atentado, Beckett começava a reavaliar suas escolhas na vida, porém fora depois de se ver perdida e dominada por uma crise de PTSD que ela passou a avaliar o que acontecia em sua vida com outros olhos. Momentos dramáticos, situações drásticas mudam a perspectiva do ser humano dissera seu terapeuta. Mas, por que pensava nisso agora? Ela sorriu percebendo que Castle não tirara os olhos dela um só instante. 

- Posso saber por que está quieto, me olhando? 

- Gosto de vê-la pensar, você se desprende de tudo, cria seu universo particular. Desculpe, vícios de escritor. 

- Certo, escritor. Hora de usar sua criatividade para achar uma pista para o caso - eles sentaram-se de frente para o quadro de evidências. Repassaram detalhe por detalhe. Nada parecia aflorar, iluminar seu caminho na investigação. Beckett resolveu pressionar Lanie. A ligação para a médica pouco lhe rendeu em termos de informações. Não havia DNA, tudo fora meticulosamente feito sem deixar pistas. Porém, ao checar o nome da vítima no sistema para ver seu histórico médico, ela descobrira que a garota tivera um namorado no ensino médio que desaparecera e nunca fora encontrado até um ano atrás. Curiosa, Lanie puxou o arquivo da autopsia. Era o mesmo modus operantis. Beckett respirou fundo após agradecer a médica e desligou.

- Talvez tenhamos uma pista apesar de significar que encontraremos mais vítimas. Ryan! Pode vir aqui? – o detetive se aproximou.

- Acabei de falar com Lanie. Jessica, a vítima de número quatro, tinha um namorado no ensino médio que foi morto da mesma maneira. Ambos tinham dezesseis anos na época. Não sei se há ligação, mas como não acredito em coincidências quero que cheque a informação para mim. Eles estudavam em St. James, uma escola pública no Brooklin. 

- É claro. Apenas me dê uns minutos.

- Lanie irá me enviar a cópia dos arquivos. Enquanto isso, eu e Castle tentaremos achar algo em comum com as outras vítimas. Talvez elas tenham namorados desaparecidos também, pode ser um padrão.

- Por que esperar quatro anos para matar novamente? Matar jovens em nome da vaidade, homens e mulheres, isso é bem neurótico. Será que nosso assassino é feio? Ou se acha feio? Tem complexo do espelho?

- Não temos muito para afirmar qualquer coisa. Suposições não ajudam na investigação. Vamos nos concentrar nas vítimas. Anna, Cristina, Lisa e Jessica. O que essas meninas têm em comum além da beleza? Por que elas foram escolhidas?

- Lisa tinha um namorado desde a escola. Estavam noivos. Lembra o rapaz que entrevistamos aos prantos? Ele disse que estava com ela há quatro anos. Isso sugere que namorados desaparecidos não é a ligação que procuramos.

- Castle está certo. A escola é – Ryan entregou uma impressão para Beckett – todas as vítimas estudavam na mesma escola. Todas frequentavam grupos diferentes, mas eram conhecidas. Não amigas. Nosso suspeito deve ter frequentado a mesma escola. A turma de 2008 era formada por 34 estudantes. Dezesseis rapazes. Estou puxando as fichas no sistema.

- Precisamos de um anuário. Vou pedir a mãe de Jessica. Se ela disponibilizar, eu irei busca-lo. Continue investigando – ela pegou o telefone para falar com a senhora, menos de dois minutos depois, ela se levantou - Vem comigo, Castle.

As investigações com o anuário acabaram valendo a pena. Dos dezesseis rapazes, apenas quatro tinham ficha policial e um estava preso. Os onze restantes estavam sendo investigados por Ryan e Esposito. Beckett e Castle se concentraram nos demais. Ela duvidava que o assassino tivesse histórico de crimes, por isso quanto mais rápido ela descartasse-os, mais tempo teria para ajudar os rapazes. Ao final do dia, o instinto de Beckett estava correto. Também sua lista de suspeitos fora reduzida para cinco pessoas segundo a informação dos rapazes. Três deles não moravam nos Estados Unidos. Um estava estudando na Califórnia, um em Washington e o outro lutava contra o câncer no hospital há mais de seis meses.

- Certo, o que os cinco nomes restante nos dizem? Sabemos que todos vivem em Nova York exceto por Mark que é de Jersey, o que não é suficiente para tira-lo da lista ainda. Todos têm vidas normais, profissões. Dois deles são casados. Os demais vivem sozinhos. Quero que cavem fundo a vida deles. Descubram se possuem ligação com qualquer uma das vítimas. Eu ficarei com dois. Vocês com três deles.

- E quanto a mim? – perguntou Castle.

- Você irá me ajudar – eles se debruçaram na pesquisa. As horas avançaram e não se importavam com o detalhe. Estavam tão envolvidos em achar o suspeito e resolver o caso que estavam alheios ao que acontecia na cidade de Nova York.

Os noticiários mostravam imagens de outros estados afetados por ondas gigantes, os ventos devastavam ruas, carros, casas. A tempestade aproximava-se de Manhattan e um furacão se formava. As autoridades começavam a decretar estado de emergência para todos os moradores. Os aeroportos iriam ser fechados em dois dias. A expectativa dos meteorologistas era de que a cidade fosse atingida dali a três dias.  O prefeito decidiu liberar seus funcionários contando apenas com a polícia, bombeiros, agentes federais e profissionais médicos. Todos deveriam ficar de sobreaviso. Não havia como prever o que estariam prestes a enfrentar.

Era recomendável estocar comida e se dirigir a abrigos especializados para furacão, porões, casas com estruturas para tentar se proteger contra o que iria desafia-los nos próximos dias.

Por volta das três da manhã, exaustos e com o organismo movido a café, decidiram parar. Ou melhor, Castle os forçou a parar.

- Chega, Beckett. Olha para você, está exausta. Suas mãos estão frias, trêmulas por causa do excesso de cafeína. Não estamos mais raciocinando como deveríamos. Precisamos dormir um pouco. Retornamos as sete da manhã, o que me diz?

- Estou com Castle – disse Ryan. Esposito também concordou.

- Sim, bro. Preciso dormir.

- E se ele matar novamente? Não, obrigada. Vocês podem ir, vou ficar por aqui – Castle fechou o arquivo que ela trabalhava puxando-o de suas mãos.

- Não. Você virá comigo, faço questão de leva-la em casa. De que adianta se exaurir e estar tão cansada que não será capaz de enfrentar seu suspeito quando o encontrar? A noite está encerrada. Vamos, Beckett – ela revirou os olhos. Era voto vencido. Reconhecia que estava cansada. As vezes essa preocupação dele a incomodava porque ela sabia o que estava por trás de cada gesto. Decidiu não discutir. Os rapazes já levantavam vestindo seus casacos.

- Parece que não tenho muita escolha.

- Não, você não tem.

Castle chamou um taxi e a levou até em casa. Não deixou-a usar o carro da polícia porque conhecia Beckett o suficiente para saber que ela poderia trapacear. Fez questão de vê-la entrar em seu apartamento. Se quisesse fugir depois dele ir embora, teria poucas alternativas já que o metro tivera parte do seu serviço a noite suspenso.

- Não se preocupe, Castle. Eu prometo que não sairei de casa. Vejo você as sete.

Esse era o plano, porém o cansaço era tanto que acabou perdendo a hora. Com os olhos fundos, os cabelos amarrados em um coque e um copo de café grande, ela chegou ao 12th com duas horas de atraso apenas para ser surpreendida por uma grande movimentação no salão. Gates comandava e dava ordens para os detetives. Castle estava sentado na cadeira cativa com uma pasta nas mãos. Ryan conversava com a capitã.

- O que está acontecendo aqui?

- Pela sua pergunta posso entender que realmente descansou e sequer viu as notícias na televisão. Ameaça de furacão. Um dos maiores já previstos. Irá atingir Nova York em dois dias ou menos. Gates está coordenando as atividades da NYPD que recebeu do prefeito e do comandante.

- E quanto a nossa investigação? Tem um louco à solta matando jovens.        

- Kate, não ouviu o que disse? Um desastre natural está prestes a atingir Nova York. Essa investigação não é prioridade, nenhuma aliás. A segurança das pessoas, gerenciar o pânico é o mais importante agora.

- Não acredito nisso. Ainda temos dois dias. Podemos pega-lo, Castle. Vou falar com Gates.

- Não vai adiantar, acredite. Nossa! Você está realmente cansada para não assimilar a gravidade disso.

Mas ela não o escutou. Seguiu em direção a capitã. Ao vê-la, Gates fitou-a séria.

- Detetive Beckett, que bom que decidiu se juntar aos seus colegas. Temos muito a fazer antes do furacão atingir Manhattan. Escute quero que verifique com todas as outras delegacias quantos policiais ficarão disponíveis para patrulhar as ruas e garantir que nenhuma pessoa esteja perambulando pelas ruas. Preciso que monte equipes de revezamento. Também quero saber o que pretende fazer, vai se juntar ao grupo de apoio ou vai querer trabalhar no pós-evento?

- Senhora, eu estou no meio de uma investigação importante. Estamos a poucos passos de pegar o suspeito e...

- Beckett, eu suspendi qualquer investigação conforme a ordem do prefeito. Não podemos nos dar ao luxo de ter detetives trabalhando em casos quando a cidade está sob uma ameaça de furacão. Não vou arriscar a vida de pessoas e nem de meus funcionários. Estamos diante de algo grande, temos que nos abrigar. Esse furacão está avaliado como potencial categoria cinco. Você se lembra do que Katrina fez a Nova Orleans alguns anos atrás? Eles estimam que podemos ter a mesma proporção de danos. Aliás, você pode dizer ao Mr. Castle que ele está dispensado. Deveria estar com a família dele, pode até sair do estado ainda. Os aeroportos serão fechados antes do previsto, no máximo em 24 horas.

- Mas senhora tem um monstro lá fora mantando jovens!

- Nada de “mas”, Beckett. Nada de investigação. Nosso foco é o furacão. Ele é o nosso monstro agora. Estamos entendidas, detetive? – Beckett meneou a cabeça – ótimo, agora vá fazer o que lhe pedi.  

Beckett retornou a sua mesa possessa. Castle sabia que não adiantava defender o ponto de vista da capitã nesse momento. Na verdade, ele não estava entendendo porque ela parecia não ligar para a tragédia que estava prestes a tomar a cidade. Não assimilara ou havia algo mais? Talvez fosse melhor mostrar a cobertura das notícias para ela.

- Gates suspendeu as investigações e me colocou para fazer trabalho burocrático. Ah! Ela também o expulsou do distrito. Se quiser me ajudar podemos continuar a nossa busca em meu apartamento.

- Beckett, vem aqui um minuto – ele a puxou pelo braço levando-a até a mini copa. Pegou o celular e mostrou o que estavam reportando nos noticiários – apenas veja – ela permaneceu calada vendo os vídeos da CNN. Sua feição começara a reagir ao que via, os olhos atentos de detetive arregalavam-se diante das possíveis consequências que estavam por vir, ele inclusive a viu boquiaberta diante da situação, após o final da reportagem, ela permaneceu olhando para a tela do celular. Por alguns momentos não disse nada. Ao fita-lo, o semblante demonstrava que finalmente entendera a gravidade da situação.

- E-eu acho que não assimilei o que vocês diziam antes. O que você está fazendo aqui, Castle? Gates tem razão, deveria estar a caminho de algum lugar seguro com sua filha, sua mãe.

- Alexis e minha mãe estão bem. Na Califórnia. Eu decidi ficar em Nova York. Mesmo Gates não me querendo na delegacia, não quero deixa-la sozinha. Você sequer estava me ouvindo. Somos parceiros, Beckett. Devo cuidar de você, manter sua retaguarda segura.

- Castle, você não é policial...

- Melhor parar. Não vai me convencer com o discurso, além do mais, eu sei que você não vai obedecer sua capitã, mais um motivo para que eu não saia do seu lado. Qual o seu próximo passo assumindo que continuará a investigação em paralelo as atividades que Gates lhe deu? – ela parecia surpresa. Como sabia que ia fazer isso? Kate se assustava com o jeito como Castle a conhecia.

- Vou pedir para Ryan continuar investigando Antony. A vida dele é bem suspeita. Perdeu o pai cedo, foi criado pela mãe, sua profissão é enfermeiro. E se olhar a foto, pode ver que não é dotado de beleza.

- Posso ajuda-la com isso.

- Tudo bem.

Por baixo dos panos, os quatro continuavam investigando o crime a pedido de Beckett. Não deixaram de atender a capitã, porém mesmo com todos os esforços nada fora encontrado ainda. As horas passaram rápido e a situação do furacão apenas piorou. Quando Beckett entregou o trabalho que Gates pediu, a capitã agradeceu e perguntou em que ela iria trabalhar. A detetive optou pelo pós-evento. Ao voltar para sua mesa já pensando em ir embora, Ryan tinha uma novidade.

- Pode ser um tiro no escuro, mas Antony era apaixonado por Jessica. Encontrei um suposto amigo e fofoqueiro da turma. Barry. Ele me contou que no ensino médio, Antony queria muito namorar Jessica. Ele pediu para as demais meninas, vítimas dele, para ajudá-lo a conquistar Jessica, chegou até a oferecer dinheiro porque apesar de serem de grupos diferentes, todas tinham uma fraqueza por roupas da moda e maquiagem. Nenhuma quis ajuda-lo. Zoaram dele, disseram que ele era feio demais para Jessica nota-lo, afinal ela namorava o atacante do time de futebol.

- O namorado que ele também matou.

- Isso. Talvez seja um crime passional com proporções gigantescas.

- E muito ódio. Esperar quatro anos para se vingar é meio extremo – disse Castle.

- Isso porque ele não é uma pessoa normal. Por que o namorado antes? Quatro anos antes? – se perguntava Ryan.

- Pelo objetivo. Ele pensou que sem o namorado teria chance com Jessica – disse Castle. Beckett que estava calada apenas ouvindo a conversa resolveu perguntar.

- E qual o paradeiro dele?

- Tentei encontra-lo, mas é uma missão quase impossível. Não há registro de sua vida social. A única coisa que achei foi uma propriedade no nome da mãe dele. Está abandonada há alguns anos aparentemente. A mãe faleceu há dois anos.   

- Uma propriedade abandonada pode ser o lugar ideal para manter suas vítimas. Onde é essa casa, Ryan? – perguntou Castle já imaginando a ansiedade de Beckett. Não duvidava que ela iria querer ir até lá.

- Esse é o problema. O endereço informa que a propriedade fica na estrada para Long Island. Com as normas de segurança devido ao estado de alerta, é quase impossível chegarmos até lá.

- Por que não? Somos da polícia.

- Não importa, Beckett. A NYPD está envolvida em atividades na cidade, as estradas são de responsabilidade do exército e do departamento de transito agora. E mesmo que conseguíssemos chegar até lá é completamente arriscado. Estaremos indo na direção do furacão. Gates jamais deixaria. Além do mais, Antony não vai matar ninguém no meio do furacão. 

- Gates sequer sabe que estamos investigando o caso. Ela não é um problema. Você já parou para pensar que ele já pode estar com outra vítima? Ainda tem muitas meninas na turma dele.

- Por que não fazemos o seguinte: Ryan e Espo tentam se comunicar com todas as outras meninas dizendo que se trata de um procedimento padrão da NYPD por causa do furacão, nos certificamos que todas estão bem, se houver alguém desaparecido, iremos até a casa de Antony.

- Eu voto no plano de Castle – disse Ryan, Esposito levantou a mão concordando. Sem alternativa, Beckett teve que acatar.

- Enquanto eles procuram, você irá para sua casa ter certeza que tem tudo o que precisa para sobreviver ao furacão. Comida, abrigo, na verdade, ia te chamar para ir para o loft. Tenho um quarto do pânico.

- Em um prédio? Acha que será protegido por isso? Os melhores lugares para ficar são os porões. Talvez eu tenha que ir para a cabana do meu pai. Vou esperar até amanhã pelo resultado do caso. Se não der em nada, você pode vir comigo para a cabana do meu pai. Garanto que é mais segura que o loft.

Em seu apartamento, pela primeira vez, Beckett se atualizou em todas as notícias pertinentes ao desastre natural que se aproximava de Nova York. Era mais sério do que imaginara. Se fosse tão arrasador quanto o Katrina, muitos iriam morrer. Ela poderia estar entre essas vítimas. Pensando sobre isso, ela começou a reavaliar sua vida até ali. Após o seu atentado, nada mudara muito. Não prendera o assassino de sua mãe até hoje e nem seu atirador. Bem, havia algo que mudara. Castle. Apesar de estarem trabalhando juntos como antes, o sentimento dele mudara. Ele a amava. Todos os dias, Beckett era lembrada disso. E quanto aos sentimentos dela? O que aconteceu depois de saber a verdade? Era exatamente nesse momento de conflito que ela se encontrava.

Durante a terapia, Kate esforçava-se para deixar seu passado para trás, sentir-se bem ao fazer isso para que pudesse aceitar o que Castle disse para ela antes de brigarem e ela sofrer o atentado. Ela merecia ser feliz. Ainda duvidava se poderia ser. A revelação de Castle apenas piorou tudo. Antes de serem rotulados de qualquer outra coisa, ela e Castle eram amigos, parceiros, confiavam um no outro. O próximo passo era difícil. Avassalador na opinião de Kate. E se não desse certo? Como ficaria a amizade? Ela já tivera essa discussão com o terapeuta. O resultado não fora animador na opinião dela. Que resposta de livro de autoajuda era aquela? Não viva de “e se?”, faça acontecer. Nunca saberá se não tentar.

Fácil falar. Por que os terapeutas não se colocam no lugar dos pacientes? Afinal, por que estava pensado sobre isso mesmo?

O furacão. A ameaça. A possibilidade de morrer. Seria o fim? Ou um novo começo? Aquele “e se?” que a perseguia desde a carta de Royce poderia se tornar um desejo não realizado, um momento perdido, apenas palavras ao vento? Afinal, o que ela sentia por Castle?

Carinho, respeito, amizade, orgulho, admiração. Beckett suspirou. A quem você quer enganar? Dizia a si mesma. O que você sente por ele é amor. Seu único problema era saber se estava pronta para dar o próximo passo. Confiante o suficiente para cruzar a linha.

No dia seguinte, as notícias sobre a tempestade eram desanimadoras. A situação estava pior. A velocidade do vento já estava três vezes maior do que esperado para essa época do ano. As primeiras tempestades estavam previstas para o fim dessa tarde. Ao chegar na delegacia, Beckett encontrou com os rapazes. Castle chegou logo em seguida com o café. Ao receber aquele copo das mãos dele, ela sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Esse poderia ser o último café que ele trazia para ela. Após agradecer ficou olhando-o por alguns segundos. Ao perceber o que fazia, recompôs-se e pediu o status atual sobre a tarefa de ontem.

Esposito reportou que nenhuma das outras moças da turma de Antony estava desaparecida. Apenas uma delas estava viajando a trabalho para a Califórnia. Beckett não ficou feliz com a história. Algo dentro dela queria perseguir esse sujeito, era como se ele fosse sua válvula de escape para não pensar em tudo o que acontecia ao seu redor. Na verdade, Beckett estava assustada com tudo. Não que sua coragem estivesse ido embora, isso era algo bem difícil de acontecer com ela. Eram todas as ideias malucas que povoavam seus pensamentos. Ela sonhara com Castle aquela noite. Sonhara que eles estavam juntos no furacão. Ela o vira morrer sem dizer o que sentia. Aquele sonho a fizera perder o sono desde as três da manhã.

- Beckett...hey...Beckett! – Castle já a chamara várias vezes – terra para Kate? – ela olhou para o homem a sua frente -Tudo bem?

- Sim, desculpe, estava pensando no caso.

- Não temos mais um caso, Beckett. Não há ninguém desaparecido. Esse era o combinado, deixaríamos o caso de lado se todas as possíveis vítimas estivessem a salvo.

- Uma delas não está.

- Ela não está em Nova York.

- Isso é o que assumimos como verdadeiro. E se ela nunca tiver entrado no avião para a Califórnia? Já pensou nisso? Ele pode tê-la raptado no meio do caminho.

- Beckett, não comece...

- Castle, a vida de uma mulher pode estar em perigo!

- Caso não tenha notado a vida de milhões estão. Incluindo a minha e a sua. Tem um furacão a caminho. Sandy é como estão chamando. Categoria cinco, sabe o que isso significa? Todos corremos risco de vida. Bancar a justiceira agora não vai fazer muita diferença. Irá colocar sua vida em risco.

- E se ele a matar? Não vou conseguir viver com a ideia de que eu poderia ter evitado a tragédia caso o corpo dela apareça.

- E se... você não sabe se poderá impedi-lo, Beckett. Não seja teimosa.

- Preciso tentar, não posso viver na dúvida – então ela mesma assustou-se com o que dissera. Não era exatamente o contrário que ela estava fazendo em relação a ele? Sacudiu a cabeça, não podia perder o foco – eu irei checar a propriedade. Se não tiver ninguém lá, volto para Nova York. Não precisa vir comigo, posso me virar sozinha, você deveria ir se proteger – ela engoliu em seco. Era assim que iria se separar dele? Não que acreditasse que poderia morrer na tempestade, contudo as duas palavrinhas permaneciam lá. Como martelos em sua mente. E se. Antes que pudesse dizer algo mais, ele falou.

- Vou com você.

- Castle, não.

- Se você é corajosa o bastante para se arriscar, eu sou louco o suficiente para segui-la. Não adianta querer me convencer do contrário, detetive. 

- Não vou – ela suspirou de certa forma aliviada por ele querer acompanha-la - pegue o endereço e as direções corretas com Ryan. Vou falar para a capitã que irei checar se os limites da estrada têm policiais suficientes. Preciso dar a ela um motivo para sair daqui.

Quinze minutos depois, em meio a protestos irritados de Esposito e Ryan, Castle e Beckett deixaram o distrito. Foram no carro que Beckett normalmente usava a serviço da NYPD. Ela percebeu que ele carregava uma mochila.

- O que tem na mochila?

- Espero que nada que possamos precisar. Vim preparado. Algo me dizia que o dia de hoje me reservaria uma aventura a la Beckett – sorriu.

O céu em direção da estrada de Long Island já estava negro. Nuvens carregadas escondiam o azul daquela manhã. A direção ficava complicada devido ao vento, porém nada faria Beckett desistir. Castle sugeriu que pegassem café e algo para comer, pelo GPS seriam duas horas de viagem até o local onde ficava a casa. Ela não objetou. Com cafés grandes, eles pegaram a estrada.

Ainda faltavam meia hora para chegarem ao destino quando a chuva começou a cair. Pesada, forte. Era difícil enxergar. Beckett dirigia com cautela. Castle tentou verificar o site da previsão do tempo, o sinal de internet estava ficando escasso. Parte de Manhattan já estava sem energia. Foi tudo que conseguiu ver com a baixa conexão. Ele temia isso. Ficariam isolados de tudo. Somente os dois. Ele realmente não esperava que fossem encontrar Antony na casa, nem uma vítima. Apenas decidiu vir com ela para protege-la. Não podia deixa-la só. Estava se arriscando, mas era isso que as pessoas fazem por quem amam, não? Se isso o transformava em um idiota, ele seria com prazer. Tudo por Kate.

Finalmente chegaram a tal casa. Era uma propriedade de dois andares. Castle já reparara que pelo estilo e por ser uma casa antiga provavelmente teria um porão. Isso era um bom sinal porque os ajudaria a se proteger do Sandy. 

De arma em punho, Beckett correu até a porta principal. Não havia nenhuma movimentação. Como Ryan previra, deveria estar abandonada a algum tempo. A chuva encharcava suas roupas. Ele tentava verificar se havia uma outra entrada lateral ou traseira. Uma porta simples. Ele gritou por ela, obviamente o barulho da tempestade não a deixava ouvi-lo. Ele deu a volta encontrando-a perto de uma janela espiando o interior.

- Beckett! Pode entrar pela porta traseira! Vamos! – ele segurou sua mão puxando-a consigo. Entraram na casa. Ela tirou o casaco, parte de suas roupas estavam secas, apenas a calça e os sapatos estavam molhados. Castle fez o mesmo. Em seguida, com o olhar típico de detetive, ela começou a avaliar o lugar. O que parecia uma casa abandonada por fora, tinha outro aspecto por dentro. Sim, alguém não vinha ali pelo menos há uma semana.

- Essa casa não está totalmente abandonada. Tem alguma comida, sinais de que alguém está aqui com frequência – ele estava mexendo nas gavetas da cozinha – o que você está procurando?

- Velas. Acredite, detetive, elas serão úteis logo mais.

- Será que tem um porão? – de repente um estrondo a assustou. Um galho de árvore entrara pela janela estilhaçando o vidro – Deus! Não é seguro ficarmos perto de janelas – a luz da cozinha piscou – vai me ajudar a encontrar o porão?

- Não preciso. Sei exatamente onde é. Vê aquele pequeno corredor? Provavelmente há uma escada ali. E você tem razão não é seguro ficarmos aqui. Estaremos abrigados no porão. Ahá! Achei – ele balançava as velas e a caixa de fósforos – eles chegaram próximo ao corredor e Beckett logo viu a escada. Trocou um olhar com ele que deu de ombros. Desceram as escadas. Ela ia na frente de arma em punho somente por precaução. Não havia ninguém. O local era habitável. Havia uma cama de casal, uma pequena cozinha, uma estante e um pequeno banheiro. Podia ser o cativeiro para vítimas. Beckett andava pelo pequeno espaço. Procurava por sinais de que Antony usara aquele lugar para maltratar e matar suas vítimas.

Castle a observava de longe sabendo o que ela estava fazendo. Tentou verificar se havia sinal no celular. Uma barra de sinal e nada de internet. Seria uma longa noite. Lá fora a tempestade somente aumentava. Vários estrondos como o da árvore foram ouvidos. Não tinha ideia do que acontecia lá fora, porém tinha certeza que a estrada estava bloqueada.

- Tem material de depilação aqui, Castle. Creme e cera. Alicates. Ele torturou as moças aqui. Isso é uma cena de crime.

- Infelizmente não podemos lacra-la ou não teremos como nos abrigar da tempestade. Pelo menos, não encontramos outra jovem – ele se aproximou da parede onde estava o controle do aquecedor. Ajustou a temperatura para manterem-se aquecidos – não sei quanto tempo ficaremos aqui. Essa tempestade destruiu muita coisa e o Sandy sequer começou.

- Você acha que estamos na rota? No caminho do furacão?

- Sim, estamos. Logo perderemos energia e os sinais de comunicação com o mundo exterior – ela checava o telefone querendo ligar para o distrito.

- Já perdemos. Não consigo ligar para os rapazes. Parece que somos somente eu e você – ela se aproximou da pequena janela. Do lado de fora, Beckett podia ver árvores e estrago para todo o lado. Viu cercas voando. Engoliu em seco. Sem dizer uma palavra, ela sentou-se em uma cadeira próximo ao pequeno balcão da cozinha. Ele sentou-se ao seu lado. A energia se foi, deixando-os no escuro.

- Um homem prevenido vale por dez, Beckett – ele pegou as velas e acendeu-as. Podia ver o sorriso entre as chamas.

- Não posso reclamar, mas você tem algum cobertor nessa mochila? Porque logo o gás do aquecedor acabará e vai ficar bem frio aqui – ele puxou a manta da mochila. Ela sorriu – olha, para quem nunca foi escoteiro você está se saindo bem. Tem algo para comer?

- Claro. Mas vamos ver se esses armários não têm algo antes de acabarmos com o nosso suprimento. E ainda tem a cozinha do andar de cima – Castle checou todas as portas. Apenas utensílios e nada de comida, nem ao menos um pacote de biscoitos. Ouviram novos barulhos, como se o mundo estivesse literalmente acabando. Um pensamento nada adequado para o momento. Ele subiu as escadas. Beckett ficou sozinha pensando sobre o que acontecia. Seria essa tempestade ou furacão o fim para eles? Ela e Castle acabariam morrendo ali, isolados do resto do mundo e engolidos pela tempestade. Viu quando ele desceu as escadas. Um olhar de pavor em seu rosto.

- O que aconteceu? Por que você está...

- Beckett... não podemos sair daqui, a casa... a casa se foi, praticamente está toda destruída. Não há mais um telhado adicional sobre as nossas cabeças. Parte das paredes também. E-eu sinto muito – ele sentou-se no chão ainda transtornado com o que vira. Havia uma sensação de perda, de vazio e ao mesmo tempo ele estava agradecido por estar ali com ela. Se esse era o fim, se teria que morrer, que fosse ao lado dela.

Ela se aproximou dele, trouxe a mochila consigo. Sentou-se ao seu lado. Colocou a mochila no colo e abriu procurando comida. E de repente, estava boquiaberta.

- Oh, Castle... você trouxe café. French vanilla? E batatas chips. E chocolate – ela sorria.

- Não é o melhor café. Só precisamos de água para prepara-lo, mas já é alguma coisa – ela suspirou. Levantou-se e voltou com duas canecas com água natural. Entregou a ele – quer que eu prepare?

- Você sempre foi melhor nisso que eu – ela ficou de frente para Castle ajoelhada observando-o preparar o café. A cada minuto que passava, ela sentia que estavam em um beco sem saída. Ela os trouxera até ali e agora, não era capaz de pensar em esperança. O medo que viu estampado no rosto dele foi suficiente para que finalmente entendesse que seu destino naquele lugar era a morte. E não havia nada que pudesse fazer para evitar isso de acontecer. Apenas apoiar um ao outro. Sentiu a garganta fechar, arder pela pressão das lágrimas. Era culpa sua.

- Aqui está, Beckett – ela pegou a caneca, provou o café. Sorriu. Castle sorriu de volta. Era sempre assim, como um ritual. O ritual deles. E talvez estivesse fazendo isso pela última vez.

- Castle, eu sinto muito por tê-lo arrastado aqui comigo. Foi egoísta, insano. Agora é minha culpa estarmos presos aqui e a beira da... – ele colocou o indicador nos lábios dela impedindo-a de continuar.

- Você não me arrastou, Beckett. Eu quis vir com você. Eu quis estar aqui. Não é sua culpa. Você não controla o tempo – ela sorriu sem graça – vamos comer e esperar. Não sabemos exatamente o que vai acontecer.

- Acho que você somente quer evitar o inevitável.

- Kate, enquanto estivermos aqui, um ao lado do outro, haverá esperança – ela olhava para o rosto dele, havia medo, mas também outra coisa naquele olhar. Ternura, talvez? Ela calou-se. Terminou o café. O que será deles? Por um bom tempo, eles ficaram calados. Beckett estava novamente pensando nas situações de “e se?”, ela já evitara tantas delas nesses quatro anos ao lado dele. Não deveria ser a melhor hora para pensar nisso. Ah, por favor! Quem ela queria enganar? Além de não ter muito o que fazer, isso era praticamente o fim para eles. Como Castle reagiria se ela contasse que sabia que ele a amava? Era tarde demais? Eles brigariam? De repente, um estrondo foi ouvido. Um raio de luz invadiu o porão. Ela deu um grito, assustada.

- Acho que acabamos de perder o aquecedor. É melhor se cobrir, Kate, vai ficar bem frio aqui. Pelo menos não tão frio quanto daquela vez que ficamos presos no container. Congelados. Está tudo bem? Você está calada.

- É, talvez. Eu não sei – ela parecia confusa. O que se passava na mente dela agora? – me deixe quieta um pouco, tudo bem?

- Tudo bem – ele jogou o cobertor sobre os dois, apoiou sua cabeça na parede e fechou os olhos. Conhecia Kate Beckett o suficiente para saber que algo a perturbava naquele momento. A ideia de estar perto da morte, ou a realização de que poderiam morrer. Ela poderia pensar o que quisesse, no momento certo ele diria o que precisava antes que qualquer coisa acontecesse com eles. Se fossem morrer juntos, dessa vez ele se certificaria de ter ao menos um beijo da mulher que amava.

O tempo passou de maneira estranha. Não sabia dizer quantas horas estavam ali. Já era noite com certeza. Sentiu o corpo dela tremer ao seu lado. Estava mais frio do que gostaria.

- Hey... está com frio? Vem aqui – ele a envolveu em seus braços. O contato com o corpo dele a fez arrepiar novamente. Não de frio, o sentimento era outro. Ela suspirou. Um novo estilhaço. A pequena janela se quebrou. Os pedaços de vidro espalhados no chão. Um deles atingiu seu braço fazendo um pequeno corte. O sangue escorria sujando a manta. Castle vasculhou a mochila em busca de papel. Apertara contra o corte querendo estancar o sangue. Por sorte fora algo superficial. Eles apenas trocavam olhares e gestos. Não havia necessidades de palavras porque não sabiam como escolhe-las diante do momento peculiar que experimentavam. O vento entrava pelo pequeno buraco junto com a chuva. Beckett entendeu que a partir de agora não teriam muito tempo.

Iriam morrer.

¯¯¯

Ela já se esquivara muitas vezes de fazer o que o seu coração pedia. E agora, a beira de sua própria morte, ela não queria ter nenhum arrependimento. Diria a verdade, mesmo que isso significasse que iriam brigar, dizer o que não queriam ou algo pior. Não queria mais mentir para ele.

- Castle, tem algo que você precisa saber. Eu não sabia como lidar com tudo isso. Queria me convencer primeiro de que poderia estar preparada para aceitar. Mesmo que seja tarde demais, não quero morrer com isso.

- Ainda não estamos mortos, Kate. Tenha um pouco de esperança.

- Como você consegue ser tão otimista numa hora dessas?

- Quando você acredita em destino e mágica, as coisas tendem a ser um pouco mais otimista do que realmente são. Não pode me culpar, sou um escritor. O que você quer me contar? – o sorriso que estava em seu rosto desapareceu. O semblante sério denotava o tom da conversa.

- Tenho que falar sobre meses atrás. Três meses após meu atentado. Eu estava fazendo terapia. Ainda estou.

- Pensei que você tivesse parado assim que conseguiu sua aprovação para voltar a NYPD.

- Não podia. Eu tenho muitos assuntos não terminados. Problemas do passado que vem afetando diretamente o meu presente, meu futuro. Precisava trabalhar nos muros que criei, que me impedem de seguir em frente, eu nem sei quem eu sou sem esses problemas, essas obsessões. E agora, olha aonde esse senso de justiça me trouxe. Estamos prestes a morrer, Castle. Não tente negar, talvez ambos tenhamos arrependimentos na vida, você pode ter esperança, mas a verdade é que esse será o nosso fim. Eu e você morreremos nesse porão em algumas horas, ou em alguns dias.

Ela se levantou. Deixou o conforto dos braços dele. Ela precisava manter distância para dizer as próximas palavras. Envolvia seus braços na própria cintura.

- Eu me lembro do que você me disse naquele dia do meu atentado. Quando tentava salvar minha vida. Eu sei, Rick. É estranho porque tenho me esforçado para me encontrar como pessoa para finalmente aceitar as suas palavras. O destino tem seus truques não? Eu agi errado com você, evitando sentimentos, escondendo a verdade – ela já sentia as lágrimas ardendo – Deus! Por que isso é tão difícil? – ele estava muito sério. Kate virou-se de costas para não ter que olhá-lo. Queria controlar o choro que parecia querer vence-la.

- Você sabia. Todo esse tempo. Quatro anos, Kate. Eu venho esperando isso por quatro anos. É ridiculamente irônico o momento que escolheu para me contar, não? Parece piada ou uma brincadeira de mau gosto. O que mais está escondendo de mim?

- Nada. Eu escolhi te contar porque...

- Porque estamos prestes a morrer? Tinha medo de carregar a culpa de nunca ter me dito que vem escondendo que sabia dos meus sentimentos. Por que, Kate? Olhe para mim, Kate. O que você quer de mim? – ela virou-se para encara-lo. Não podia conter as lágrimas.

- Eu simplesmente não sei porque você me ama. Eu não sou... Deus, Castle! Eu precisava contar, não podia morrer com esse segredo. Eu...

- O que você quer, Kate? – o rosto sério iluminado pela parca chama da vela a assustara. Aqueles olhos azuis sempre tão ternos estavam frios, diferentes. E se. As duas palavras ecoavam em sua mente. Engoliu em seco e falou.

- Eu quero você. Podemos fingir, podemos esquecer. Como se não tivéssemos medo do que virá ou medo de que nada reste para nós. Eu sei que não haverá amanhã. Não sou idiota. Vamos morrer. Eu só queria... você. Eu não preciso da sua honestidade, está em seu olhar. Consegue ver nos meus? Você sempre foi o mais sensível de nós dois, tenho certeza que meus olhos falam por si só. E uma vez que você é a única pessoa que importa para mim, eu preciso te pedir.

Castle se levantou indo ao seu encontro. Ela o fitou longamente.

- Eu não quero seu perdão, eu quero que você faça amor comigo. Porque se essa é a minha última noite com você, quero que me abrace não mais como uma amiga, a parceira. Me dê lembranças boas, me ame como sempre quis, como os amantes fazem porque para mim o que importa é como isso acabará por que, e se eu nunca amar novamente? Quero que seja você, meu último amor. Deixe essa ser a forma de nos lembrarmos um do outro. Tudo o que eu peço, Castle é que faça amor comigo.   

Ele a encarava. Kate aguardava ansiosa. Outro grande “e se” formava-se em sua mente. Ele pode negar seu pedido, então como conviver com o momento estranho e humilhante? O coração batia acelerado. Ele pegou sua mão. Levou-a até os lábios. Beijou-a. Com a outra mão envolveu sua cintura, puxando-a para o seu encontro. Nenhuma palavra fora dita. Ele acariciou seus cabelos, seu rosto e finalmente inclinou-se para beija-la. O choque provocado pelo encontro dos lábios arrepiou-lhe todo o corpo. O beijo começou sensual, carinhoso e evoluiu para algo mais intenso. As mãos de Kate o envolviam puxando-os pelas costas, subindo pelos ombros e segurando seu rosto. Ela lembrava-se claramente do primeiro beijo deles. Fora incrível, mas esse? Era sensacional, indescritível.

Agora as mãos de Castle subiam da cintura para encontrar os botões da camisa que ela usava. Um a um, ele os abriu jogando a camisa no chão. O sutiã branco cobria os seios perfeitos. Ele viu a cicatriz deixada pela bala. Sem cerimônias inclinou-se entre os seios dela para beijar o local. Tornou a olhar para ela. Abriu o fecho da lingerie deixando-a deslizar gentilmente pelos braços dela. O contato com o ar frio fez os mamilos enrijecerem de imediato. Com o polegar, ele roçou o mamilo direito seguindo até a cicatriz novamente tocando-a e seguindo para o mamilo esquerdo. Tornou a beija-la. Agora tomado pelo prazer.

Castle a guiava até a cama. Colocou-a deitada sobre o colchão. Tirou sua camisa, a calça, por último o boxer. Completamente nu, ele estava bem na frente dela. Admirando a mulher tão bela e tão vulnerável deitada naquela cama. Então inclinou-se para abrir a calça que ela usava, puxou-a deslizando a peça pelas longas e esbeltas pernas. Segurando uma delas ele a encheu de beijinhos. Castle fazia uma trilha pela perna, coxa, estomago até chegar nos seios.

Ele estava entre as pernas dela. Sugou um dos seios vagarosamente ouvindo os pequenos gemidos de Kate. A língua brincava com o mamilo. Depois foi a vez dos dedos apertarem o bico enquanto a boca voltara a encontrar a dela. Ele ajeitou os cabelos dela olhando-a nos olhos. Um novo beijo surgiu após a troca de sorrisos. Kate o abraçava. Gostava do peso dele sobre seu corpo. O toque dele era quente. Tudo o que sentia naquele momento era calor. Quebrando o beijo, Castle continuou a exploração do corpo dela. A cada gesto, ela sentia como se seu corpo tomasse choques, eletrizada. Sentiu que ele tirava a calcinha que ela vestia. E então apenas gritou.

Sentir os lábios dele em seu centro elevou a experiência para um outro nível. Instintivamente uma das mãos agarrava-lhe os cabelos pedindo mais. A outra tentava agarrar-se ao lençol da cama. Ela gemia mais e mais com os pequenos truques que Castle fazia com a língua dentro dela. Não aguentaria muito. Talvez seja esse o ponto que ele queria chegar. Fazê-la perder a noção de tudo, se entregar.

E foi o que aconteceu.

Não houve um aviso ou um pedido. Seu corpo simplesmente começara a tremer embaixo do dele. Kate arqueou as costas tremendo quando o primeiro orgasmo a atingiu. Castle não parou. Ele a estimulava deixando-a em transe, pronta para recebe-lo. Erguendo-se um pouco, ele ajeitou o corpo colocando o seu peso sobre Kate outra vez. Podia ver o desejo estampado em seus olhos, o prazer refletido em seu corpo. Mas ainda estava longe de acabar. Tudo o que eu peço foram suas palavras. Kate teria tudo, seu corpo, sua alma, seu amor incondicional. Se essa era sua última noite, faria dela uma memória para recordar.

Ele a beijou novamente. Havia ternura e amor naquele toque. Então, ele a penetrou. Kate gemeu. A sensação de prazer era deliciosa. Fazia algum tempo que não experimentava algo assim. Castle começou a mover-se dentro dela. Os movimentos eram impulsionados pelo sentimento e pela tensão do momento. A agua começava a encher o local. Nenhum deles notara.

Kate movimentava-se com ele, ambos em busca de satisfazer não apenas a curiosidade de estar juntos, mas experimentar o sentimento que os unia silenciosamente por tanto tempo. O contato da pele, a fricção dos corpos, frio e calor, medo e prazer. Era uma experiência nova e completamente desesperada. O ritmo aumentava. Castle estava perto de alcançar o orgasmo, porém não iria sem ela. Beijou-a novamente. E de novo, fitou-a uma vez mais. As pupilas estavam dilatadas.

- Por favor, Castle... – o corpo já conseguia sentir os efeitos, a cabeça zonza e quando a nova explosão aconteceu pela segunda vez, ela deixou escapar – eu te amo, Castle.

O orgasmo atingiu a ambos com violência, não apenas pelo prazer frustrado finalmente liberado, mas pelo que o momento representara para os dois. Estavam fracos, sem energia suficiente e o ato de fazer amor os exauriu quase que imediatamente. Medo e prazer, era uma combinação quase letal. Ele deitou-se ao lado dela aconchegando-a e cobrindo seus corpos com a manta. Adormeceram.

A água continuava a invadir o porão. Devia estar com cerca de cinco dedos do chão. Dormiram o resto da noite. Seu destino era incerto.  Não sabiam o tamanho da destruição acima deles, francamente não importava. Ambos adormeceram com duas certezas. A morte estava próxima e eles se amavam.

Quanto Kate abriu os olhos jurava estar morta. O porão estava com cerca de trinta centímetros de agua, porém não fora isso que ela notara. A chuva continuava lá fora. Estava fraca e tinha dificuldades em se ambientar. O corte no braço estava mais vermelho, o sangue seco começava a misturar-se a poeira. Podia infeccionar. Castle mexeu-se na cama. Tentava se erguer. Ambos experimentavam os primeiros sinais da desidratação. Ela ouviu um barulho. Graças a agua no chão. Lembrou-se que trouxera sua arma. Onde ela estava? Ele a fitou. Sentada no colchão, tudo rodou e Beckett o reconheceu.

Surpreso, Antony viu a arma sobre o balcão da cozinha. Apesar de estarem meio dopados provavelmente por falta de comida ou agua, ele não iria arriscar. Percebeu que estavam seminus. Pegando a arma, ele apontou para Kate. Por reflexo, Castle se jogou em frente da bala que o atingiu em cheio um pouco acima do quadril esquerdo. Ele caiu. Kate soltou um grito.

- Não!!!

Ela o viu tombar. Colocou seus braços tentando apoia-lo, chamou por ele.

- Castle... hey, olhe para mim – ela tentava segura-lo colocando-o na cama impedindo de atingir a agua, ele a olhou antes de fechar os olhos – o que você fez? – juntando todo o resto de suas forças, Beckett avançou em Antony. Ela brigava pela arma. Deu-lhe alguns chutes, golpes de luta que usava para se defender, mesmo assim estava difícil tirar a arma de suas mãos. Ela começava a fraquejar, sentia-se zonza. Tentou um último puxão, mas ele a empurrou fazendo-a bater a cabeça na quina da mesa. A testa sangrava e agora via tudo dobrado a sua frente.

Não podia ser o fim. Viu a mochila de Castle e por instinto colocou a mão lá dentro. Encontrou através do tato uma faca. Ergueu-se e correu o quanto pode até a direção dele gritando. Atingiu seu braço fazendo-o soltar a arma. Beckett a amparou não antes dela disparar bem na direção de sua coxa. A dor era insuportável. Ela apontou a arma e disparou duas vezes. Antony caiu no chão. Seu sangue misturava-se com a água.

Beckett tremia. Tentava voltar até a cama onde Castle também sangrava. Não entendia porque decidiu levar a mochila dele consigo. Mancava de volta ao colchão, virou o conteúdo. Antes de literalmente desmaiar sobre o corpo de Castle na tentativa de fazer pressão sobre o ferimento, ela fez algo que não se recordaria depois, seu corpo entrava em choque.

Era exatamente o fim. A última lembrança de Kate fora a última noite com Castle. Tudo o que peço... ela não ia amar novamente. Não depois de Castle.

XXXXXXXX

A cidade de Nova York e seus arredores estavam em completo desastre. Muitas áreas foram devastadas. Casas destroçadas, carros perdidos, árvores, trechos de estradas. Sandy deixou um caminho de destroços por onde passou. Vidas perdidas, famílias destruídas. A tal desejada esperança apareceu apenas doze horas depois da louca tormenta com os primeiros raios de sol.

Ryan olhava assustado pelo vidro da janela de observação. Talvez nunca esquecesse a imagem que se deparara há oito horas atrás. Seus amigos, seus teimosos justiceiros. Além deles, encontrara o corpo de Antony. Beckett fizera a sua justiça, mas o preço que pagara teria valido a pena?

- Kevin, estão nos chamando. Castle acordou – ele caminhou cabisbaixo ao lado do parceiro. Ao abrir a porta do quarto, ele não conseguiu dar um novo passo. O amigo estava pálido. Fraco. Respirou fundo antes de se aproximar. Sabia a primeira pergunta que ele faria.

- Hey, bro – disse Esposito – você nos deu um susto. Temos que reconhecer que você é um homem prevenido. Seu lado geek salvou sua vida. Só o Castle mesmo para levar consigo um telefone via satélite. Essa é a única razão porque está aqui, isso e claro o desempenho dos médicos – eles perceberam que Castle esforçava-se para produzir sons. Finalmente, a voz fraca perguntou.

- Kate? – Ryan e Esposito trocaram um olhar. Ele sentiu o coração acelerar e doer. Não. Isso não podia estar acontecendo.

- Castle. Encontramos vocês dois jogados em meio ao sangue. Achamos que ambos estavam mortos. Apesar de você parecer visivelmente mais comprometido pelo tiro que levou, ela estava pior. Não por causa da perna, o golpe na cabeça. Ela teve um rompimento do aneurisma. Depois de uma cirurgia extensa com toda a dedicação dos médicos... – a voz de Ryan embargada de emoção.

- Não, ela não pode ter morrido...

- Ela entrou em coma, Castle. Não sabemos por quanto tempo ou se ela irá acordar. Se isso acontecer, ela pode ter sequelas – as lágrimas vertiam do rosto de Castle. Isso era pior do que quando ela o expulsara de sua vida, pior que vê-la desmaiar após o atentado em seus braços.

- Eu preciso vê-la.

- Você ainda está muito fraco, bro. Precisa estar melhor, então o médico poderá libera-lo para vê-la.

- Não, Espo. Eu preciso falar com ela, Kate vai me ouvir. Ela tem que acordar.

- Castle, sabemos que não é fácil. Estamos aqui há oito horas esperando que vocês reagissem. Queremos que se prepare para o que verá. Eu vou chamar o médico – Esposito deixa ao quarto. Ryan aproxima-se da cama. Toca o ombro de Castle em sinal de solidariedade.

- Ela salvou minha vida, Ryan. Eu não fiz nada com o telefone. Foi ela. Kate... justo agora, por que? – Esposito retornou com o médico. Depois de um exame minucioso e de uma discussão intensa, ele resolveu liberar para que Castle visse a parceira. De frente para a UTI privada que ela se encontrava, Ryan empurrava a cadeira de rodas. Fitou o amigo.

- Está pronto? Preciso dizer que você pode se assustar com a imagem que está prestes a ver. Tem certeza que quer fazer isso, Castle?

- Tenho. Ela é a minha vida, Kevin – ele suspirou e abriu a porta empurrando a cadeira de rodas em direção a cama. A figura deitada na cama parecia bem menor do que a mulher que ele conhecia. Pálida, Castle deixou escapar um “meu Deus” assim que a viu – pode me deixar sozinho? – Ryan assentiu e deixou o quarto.

Castle permaneceu imóvel observando-a.

- Kate, o que você fez a si mesma? – ele tocou a mão dela, estava tão gelada... – o que foi acontecer conosco? Você não pode perder a esperança como perdeu naquela casa. Você tinha certeza que iriamos morrer. Não há amanhã. Como pode pensar assim? Eu lhe dei a lembrança que queria. Use-a, Kate, use-a para voltar para mim. Você é a única que importa, a quem devo recorrer? Tudo que peço é que essa não seja a última noite com você. Merecemos muito mais. Não quero ser cruel, mas eu sei que se esse for o fim, eu nunca irei amar novamente. Eu preciso de você, Kate. Eu conheço você, sei que também precisa de mim. Eu te amo, Kate, por favor, fique comigo.

Ele começou a chorar com a cabeça apoiada no estomago dela. Por que a vida fizera isso com eles? Ela merecia ser feliz. Ela o salvara e agora ele não podia fazer nada. Sentia-se completamente impotente. A tão mencionada esperança que Kate dizia que ele tinha, sumira. Não sabia no que acreditar. Alguém estava mexendo com ele, tocavam seu cabelo.

- Hey... – ele não queria sair dali. Era por isso que o tocavam. Queriam leva-lo de volta para o seu quarto – senhor Castle, precisa voltar para o seu quarto. Tomar seus remédios.

- Não, quero ficar com ela – o rosto marcado pelas lágrimas.

- Amanhã, você pode voltar a vê-la – a enfermeira se compadecia da dor dele.

- Se ela acordar e eu não estiver aqui... – a enfermeira abaixou-se para fita-lo.

- Vamos fazer um acordo? Todo os dias eu trago você para vê-la, passar a tarde e parte da noite com ela e caso ela acorde, prometo que você será o primeiro a saber.

- Ela é tudo para mim – com muito sacrifício, a enfermeira conseguiu leva-lo de volta ao seu quarto.
Uma semana se passou. A vida de Castle resumia-se em velar o sono de Kate. Não havia qualquer melhora em seu quadro que indicasse que ela acordaria. Os médicos não conseguiam dar um prognóstico favorável. Mesmo assim, ele não desistia. Dia e parte da noite sentava ao lado dela, dizendo palavras bonitas, contando histórias, relembrando seus casos.

¯¯¯

Naquele dia em particular, ele sentia-se mais triste que o normal. Um peso parecia esmagar seu coração. Ele sonhara com Kate. Revivera os momentos naquela casa em Long Island. Em seu sonho, porém, ela morria em seus braços devido a um tiro disparado por Antony. Ele o matara, mas o ato não a traria de volta. O ambiente em que estavam tinha um cheiro pútrido, agua, sujeira, sangue. Isso lhe fava náuseas. Ele cansara de viver.

Acordara assustado. Ofegante.

Havia um clima sombrio no ar. Estava com o coração apertado.

Ao chegar no quarto, viu que a flor que estava no pequeno vaso a cabeceira da cama estava morta. Castle estava cansado. Kate parecia mais fraca, mais pálida. Seus lábios estavam quase sem cor. A enfermeira que o trouxera fizera o mesmo comentário.

- Sei que não é isso que quer ouvir, mas talvez seja a hora de se preparar para o pior. Ela não reage aos medicamentos, está muito pálida. Não quero ser a pessoa que lhe tira as esperanças, a realidade é cruel mesmo com quem amamos.

Antes de sair, ela deixou a televisão ligada. A dor que Castle sentia no peito parecia querer sufoca-lo. Os olhos ardiam sentindo as lágrimas invadindo-os. Ele olhou para a tela. O prefeito de Nova York fazia um discurso sobre o resultado das perdas com o Sandy. Imagens devastadoras tomavam a tela. Isso o fez recordar aquele dia. Cada minuto, cada gesto. Amigos, amantes, amor, dor, medo e prazer. Tudo em apenas uma noite. Não deveria acabar.

Ele se aproximou mais dela. Tomou sua mão entre as suas. Baixou a cabeça criando coragem para conversar com Kate. Trazer a esperança novamente para sua vida.

- Hey, detetive... você se lembra o que me disse alguns dias atrás? Disse que eu era otimista. Eu estou tentando, Kate. Contudo hoje há uma energia estranha no ar. Como se uma nuvem negra pairasse sobre nós. Todos dizem que o fim está próximo. Nosso fim. O problema é que nem começamos. Lembra do que disse? Você queria que eu fosse seu último amor. Agimos como amantes desesperados em meio a uma tormenta, em tempo de medidas drásticas. Eu me recuso a aceitar que aquilo foi o fim para nós. Tudo o que fizemos, o nosso ato de amor não pode ser o único, nosso último momento juntos. Temos tanto a explorar, a viver. Se você desistir agora, não haverá amanhã. Não quero viver em um mundo sem a sagaz Kate Beckett. Como poderei amar novamente? – as lágrimas caiam molhando o rosto.

- Se ao menos pudesse olhar em seus olhos mais uma vez. Se você pudesse ver o quanto meus olhos estão tristes. Não quero que nos lembremos de nós como uma noite apenas, é cruel. Devolva-me o sorriso, o desejo de amar e ser amado outra vez. Como escritor, eu ensinei a você que preciso do amanhã, porque ele nos traz esperança. Diga que ainda existe amanhã.

Ele se inclinou sobre o corpo dela, o polegar desenhou seus lábios. Deu-lhe um cálido beijo. Deitando a cabeça em seu estomago, ele chorou. Sentiu o toque nos cabelos. Era sempre assim, a enfermeira usava esse gesto para indicar que era o momento de ir.

- Não... tudo que peço é um pouco mais de tempo... preciso dela.

- Hey... – o toque era leve, carinhoso - existe amanhã – a voz, ele reconheceria aquela voz mesmo se tivesse debaixo d´agua - o que aconteceu depois da tempestade? – ela sorria timidamente para ele.

- Kate, meu Deus! Vo-você está bem? Você se lembra do que aconteceu? – ao fazer essa pergunta, o medo tomou conta dele. Teria o destino lhe pregado outra peça?

- Pedaços aqui e ali... a quanto tempo estou aqui?

- Uma semana. Para mim parece uma eternidade. Kate... sabe por que está aqui?

- Você está cansado, Castle. Seus olhos... – ela sorriu – adoro o brilho em seu olhar, mas onde está? Só vejo lágrimas – ele riu sem forças. O momento era avassalador - O furacão. Pensei que morreríamos, eu o matei... você ferido...

- Estou bem. Eu só queria que acordasse.

- E-eu não esqueci... o mais importante, não esqueci, Rick. Você, o que vivemos. Eu não quero esquecer, não quero uma única noite.

- Não, teremos quantas noites você quiser, eu tive tanto medo...

- Você me salvou. Levou um tiro por mim – ela deixava os dedos tocarem o rosto dele levemente.

- É isso que parceiros fazem.

- Parceiros e amantes? – ela riu ao dizer as palavras. Seus dedos enroscaram-se nos dele.

- Sim, amantes também, obrigado por ativar o telefone e me salvar.

- Eu fiz isso? Não me recordo... a última coisa que lembro é de ter deitado em seu peito.

- Seu instinto de policial nos salvou, Kate. Obrigado por não desistir de fazer justiça.

- Always...

- Deus! Como eu te amo, Kate Beckett. A ideia de perder você era...

- Shhhh passou. Apenas me ame, é tudo o que eu peço – ele aproximou o rosto do dela, os lábios se tocaram dando início a um beijo apaixonado - Eu também te amo, Rick Castle.

Eram eles novamente.

O escritor e sua musa, prontos para solucionar novos crimes.

Não era o fim. Era um recomeço, depois da tempestade.




The End 

3 comentários:

rita disse...

MARAVILHOSA, EMOCIONANTE, EXTRAORDINÁRIA!! Nada que li até hoje foi tão REAL!! Abraços e parabéns.

cleotavares disse...

Amei. Que coisa "marlinda" o amor desses dois.
Agora esse tal de Antony mereceu o tiro. Como uma pessoa atira na Kate Beckett seminua? Sério, cara?

Camila Lorrane disse...

To sem palavras essa fic acabou comigo 😭😭😭😭😭 apenas amei quase morre achando que Kate Beckett tinha morrido Castle do seu lado falando quanto ama sua Detetive sim eu chorei lendo essa Fic 😭😭😭