quarta-feira, 6 de julho de 2016

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap. 58



Nota da Autora: Mais um capitulo. A razão de eu estar postando é porque passarei trës dias longe de fics devido ao trabalho e não gostaria de deixar ninguem triste, apesar de que hoje não foi um bom dia. O capitulo é interessante, vou defini-lo assim... e tudo aqui tem um propósito... minha história, minha lógica. Espero que gostem! 


Cap.58

Três semanas se passaram após o pequeno quase deslize de Beckett na sala de reunião do distrito. Desde ali, ela fazia de tudo para evitar ao máximo qualquer contato com o escritor por menor que fosse, mesmo que isso a custasse a sanidade em alguns dias.
Esses quatro últimos dias estavam sendo particularmente difíceis devido a um caso complicado que investigavam. Duas mortes, muito dinheiro, drogas e chantagem. Pelo menos quatro suspeitos e muita perseguição pelas ruas de Nova York. Finalmente, Ryan consegui uma pista valiosa em um dos vídeos retirados de uma câmera de transito e após cavarem informações no sistema, chegaram a um nome.
Estavam de tocaia no apartamento do cara esperando ele aparecer. Castle estava com ela em sua viatura, Esposito e Ryan estavam na calçada em frente ao prédio. Foi Espo quem percebeu o sujeito se aproximando, assim que tentou aborda-lo, ele percebeu que se tratava de polícia e saiu em disparada. Os dois detetives seguiram em seu encalço e Beckett usou o carro para encurrala-lo em uma esquina. Porém, ele era arredio e escapou a primeira vez. Sacou uma arma e atirou na direção de Ryan.
Beckett fez uma nova manobra e ameaçou jogar o carro contra ele forçando-o a mudar de direção levando uma rasteira de Esposito que o derrubou no chão. Ryan correu ao encontro do parceiro e algemou o suspeito. De volta a delegacia, Beckett levou uma hora para fazê-lo suar de verdade e confessar o duplo homicídio, além de revelar o nome de seu cúmplice, um dos suspeitos prévios que eles encontraram durante as investigações.
Eles estavam esperando apenas Esposito arrancar a confissão do cúmplice para dar o caso como encerrado. Meia hora depois, Espo entrega o cara para um dos policiais a fim de ficha-lo. Exausto, ele se deixa cair na cadeira.
- Que caso! Esse deu trabalho!
- Nem me fala! – concordou Ryan.
- Agora é preparar o relatório e deixar o promotor arrasar com eles, vai demorar para deixarem a prisão depois de tudo o que aprontaram – disse Beckett.
- Hum, Beckett? Você não está dizendo que temos que fazer o relatório agora, certo? – perguntou Esposito.
- Bem, quanto mais cedo a promotoria tiver as informações, mais cedo eles irão para Sing Sing. Não quer isso?
- Claro que sim, mas será que não podemos deixar a papelada para amanhã?
- É Beckett, dá um tempo para os rapazes. Eles trabalharam muito nesse caso – disse Castle percebendo o quanto Espo queria se livrar da chatice da burocracia. Ela olhou para Castle intrigada.
- Por que você está defendendo-os? Ao contrário de você, eles tem obrigação de fazer relatórios, Castle.
- Detetive, são sete da noite. Relaxe um pouco.
- É Beckett, amanhã faremos isso logo cedo – ele piscou para Castle - Cara, eu estou precisando mesmo é de uma gelada. O que me diz, bro – ele olhava para Ryan – que tal comemorarmos o fim desse caso no bar do Castle?
- Ótima ideia, Esposito. Estou dentro, Ryan? – Castle já estava todo animado.
- Por que não? Só não posso me demorar muito. Tenho que ir para casa encontrar a Jenny.
- E você, Beckett? – perguntou Esposito.
- Vocês não querem fazer a papelada, alguém terá que fazer. Eu passo, vou terminar o relatório – Castle olhou para ela incrédulo.
- Ah, corta essa, detetive, não seja estraga-prazer. É hora de comemorar o trabalho em equipe. Formamos um ótimo time – disse Castle – os rapazes merecem. E você também. Vamos, Beckett.
- É, vamos Beckett – disse Ryan.
- Até o Ryan que é encoleirado vai... – disse Espo. Ela revirou os olhos.
- Tudo bem. Mas não quero saber de desculpas amanhã. Vocês farão o relatório mesmo que estejam de ressaca – eles riram. Pegando seus casacos, eles saíram do 12th distrito para o The Old Haunt.
Era uma quinta-feira e a casa estava cheia já entrando no ritmo do fim de semana. O bom de se conhecer o dono era o fato de que sempre haveria uma mesa reservada para ele e os amigos. Começaram tomando cerveja, duas rodadas depois, estavam tomando whisky. Em meio a risadas e deboches por causa das histórias que Esposito contara de suas aventuras na 54th, eles estavam curtindo a noite.
Quando Castle pediu uma nova rodada de Jameson para os quatro, Beckett comentou após esvaziar seu copo alertando o garçom para encher o copo outra vez.
- Castle, você é um grande fã desse whisky, não?
- Devo confessar que gosto muito.
- Já imaginava. Foi por isso que deu o nome de Jameson ao jornalista que segue Nikki? Pelo seu amor a bebida?
- Não!
- É verdade! Agora que você falou, Beckett – concordou Ryan – por que que outro motivo ele teria para chamar um cara com esse nome? Quer dizer, tantos nomes interessantes como Kevin... e ele escolhe Jameson. Kevin Rook.
- Oh, Castle... parece que você tem outro grande fã – Beckett implicou.
- Obrigado Ryan, mas detesto discordar de vocês. O nome do Rook não tem nada a ver com o whisky.
- Mesmo? – ela não acreditava nisso – e de onde veio tal inspiração tão peculiar, escritor? – ela perguntou virando mais uma dose. Já perdera a conta de quantos tomava e estava começando a se sentir afetada pelo álcool.
- É em homenagem a um grande escocês de visão. Um homem de negócios que em pleno século 18 viu uma oportunidade e criou um ícone no mundo da bebida.  
- Em resumo, o que disse antes. Tudo pela bebida – disse Beckett e foi a vez dele revirar os olhos.
- Certo, está na hora da saideira – disse Ryan – preciso ir para casa. Jenny está me esperando e já passa das dez da noite.
- Cinderella, Cinderella, bee-be-de-bo-bee-de-boo – Castle implicou.
- Não ligue para ele, Ryan. Você é sortudo por ter alguém te esperando em casa, ao contrário dele e de Esposito. Certo, Espo? – mas o detetive sequer percebeu que estavam falando com ele. Estava muito interessado numa morena que estava sentada no balcão bebendo um mojito - Espo? Alguém está perdido ou pensando se vai se dar bem essa noite...
- Pensando em mudar de lugar, Esposito? – nada dele responder - Javier? Hey! – Castle gritou. Finalmente o amigo virou-se para fita-lo – nossa! A morena te pegou, não?
- Acho que tenho grandes chances...
- Só há uma forma de descobrir – disse Castle. Ryan virou a dose de whisky e tratou de se despedir.
- Eu realmente preciso ir, pessoal. Castle quanto eu devo? – nesse instante o celular de Beckett tocou.
- Por conta da casa, Ryan. Não se preocupe... – disse o escritor. Ao ver Beckett atender a chamada, Esposito se desesperou.
- Por favor não me diz que temos um caso...eu realmente preciso falar com aquela morena – ele estava quase implorando para a detetive.
- Não é um caso, eu preciso atender essa chamada – e Beckett se afastou da mesa. Ryan se dirigiu para a porta e Esposito foi em seu encalço para investir na morena deixando Castle sozinho na mesa.
- Ótimo, rapazes...todo mundo foi embora e...- ele bebeu a dose de whisky – fiquei falando sozinho...- contrariado, ele entortou a boca. Talvez fosse uma boa hora para ir ao banheiro.
Ele se dirigiu ao banheiro masculino não reparando que Beckett tinha optado por atender a ligação no corredor que dava acesso às toaletes justamente por causa do barulho do salão. Ela conversava com Maddie animadamente. A amiga estava em Los Angeles para uma conferência de donos de restaurantes e acabara de encontrar um sapato exclusivo e perfeito que Kate iria amar ter. Aproveitou a ligação para conversar já que se lembrara da amiga. Ela não se importou, afinal era bom falar com alguém diferente e também estava meio alta devido a todas as doses de Jameson que consumira. Só que esse não era o único motivo que a amiga ligara. Ela queria convidar Kate para aparecer em um evento especial que aconteceria em seu restaurante na semana seguinte. Um evento beneficente e como sabia que Castle continuava trabalhando no 12th e era uma ótima pessoa e chamariz para esses lances, ela não aceitaria um não como resposta. Tudo que Beckett disse era que pensaria sobre o assunto. Maddie falou que a procuraria em Nova York. 
Quando Castle voltava do banheiro, Beckett estava finalizando a ligação com Maddie. Ao caminhar no corredor, viu que um cara bem grande vinha em sua direção zonzo e cambaleando provavelmente por causa da bebida. Tentando evitar um possível choque e propenso desastre caso o sujeito quisesse tomar satisfações com ele, Castle desviou-se para o lado embora seu corpo ainda se chocara com o do homem fazendo-o perder seu balanço e tombar diretamente contra Beckett imprensando-a na parede com o seu corpo.
O contato involuntário acendeu um alerta na mente da detetive. Ficaram muito próximos. Castle ainda pressionava seu corpo sobre Beckett. As bocas a centímetros de se tocarem. Então, ele reparou que a detetive não tirava os olhos de seus lábios. Ali, tão próximos, tão convidativos, chamando por ela, provocando... em resposta sem perceber, ela reagia, os lábios entreabertos extremamente instigantes pareciam estar ponderando seu próximo passo. Tentando-o a quebrar regras, ultrapassar os limites uma vez impostos por ela. Como ele queria beija-los, porém não ousaria tomar a iniciativa.
Os segundos pareciam infindáveis. Não ousava se mexer.
De repente, os olhos amendoados deixaram a boca e encontraram os olhos azuis e Castle pode ver o desejo ali presente. Em um movimento rápido, ela o puxou pela nuca e sorveu seus lábios em um beijo sedutor e intenso. Ela mordiscava-lhe os lábios e aprofundava o contato puxando-o ainda mais contra si, o que o fez praticamente esmaga-la contra a parede. Ao sentir a língua dela invadir sua boca, ele não resistiu. Suas mãos começaram a viajar pelo corpo dela matando as saudades da silhueta que tanto adorava tocar. Saudades de envolve-la em seus braços.
Beckett não pensava naquele momento, queria apenas sentir.
Sentir os dentes mordiscando de leve o lábio inferior dele, o gosto da boca com o sabor de whisky, a pressão de suas línguas roçando uma na outra. Seus lábios devorando-a completamente. O beijo entre eles era algo extremamente poderoso. O cérebro se rendia mandando jatos de adrenalina em suas veias, sentiu o toque dos dedos dele por baixo da blusa acariciando o estomago. Queria mais. Ansiava por mais.
Os dedos dela enroscavam-se nos cabelos dele rente a nuca, um carinho simples e tão poderoso, capaz de causar arrepios e o fazer gemer entre seus lábios. Kate sentiu o corpo arrepiar quando as mãos de Castle roçaram seus seios. O corpo reagiu imediatamente arqueando-se contra o homem que a abraçava, seu centro estava úmido e o estomago parecia uma sinfonia de borboletas.
Ela rompeu o beijo ainda aérea pelas sensações que a inundavam. Castle pode perceber o quanto ela o desejava. Não pensou duas vezes. Puxando-a pela mão, ele a levou para o seu escritório. Nunca descera aquela escada tão rapidamente. Colocou-a sentada em sua mesa e Kate envolveu-o em um abraço pela cintura dele fazendo seus lábios perderem-se em seu pescoço. Mordiscou a orelha de Castle e rapidamente voltou sua atenção para os lábios. As mãos de Castle já estavam por baixo da camisa que ela usava.

Era difícil resistir a tudo que poderia acontecer. Suas reservas, seu bom senso parecia abandona-la no instante que aquelas mãos e aqueles lábios a tomavam. A sensação de arrebatamento era intensa demais para ser descrita em palavras. Kate, por sua vez, desfez alguns botões da camisa dele e quando sentiu a mão de Castle em seus seios, gemeu antecipando o que viria depois. Então, como quem acorda de um transe, ela o empurrou. A princípio, mantendo as mãos espalmadas em seu peito. Castle a olhava com desejo embora tivesse uma grande interrogação em seu rosto. Ajeitando a camisa e passando as mãos no cabelo, ela finalmente falou.

- Não! Eu não posso. Nós...não... – a voz desapareceu ao fitar o homem a sua frente. Ele podia desaparecer de sua frente, talvez se não visse o quanto ele a desejava conseguisse respirar fundo e superar essa sensação louca que tinha de jogar-se em seus braços outra vez.

- Por que? – a voz de Castle saiu terrivelmente sexy o que apenas piorava tudo o que sua mente já lutava por reprimir. Castle a instiga - Você quer detetive.... por que não pode? Renda-se, Kate...

- Rick, por favor... – ele sabia que todas as vezes que ela o chamava assim, o assunto era muito importante.

- Admita... – ele tornou a acariciar seu rosto, aproximou-se e roçou os dentes no queixo dela, os lábios começaram a beijar-lhe o pescoço bem próximo ao ouvido, sabia ser esse um de seus pontos fracos. Kate fechou os olhos. Precisava de um pouco de autocontrole, o mínimo de autoestima por si mesma, mas como quando...

- Deus... – ela murmurou – não faz isso, Rick... não posso...

- Pode e você quer... faço falta... – ele continuava sussurrando essas palavras perto do ouvido dela enquanto a beijava ou sugava sua pele – gosta do meu beijo, não foi o que disse na mensagem que deixou na minha caixa postal? – percebeu que falara além do que devia, então rapidamente sorveu os lábios dela. Porém, era tarde demais.

Ofegante e lutando contra todo o desejo que corria em suas veias, ela o empurrou.

- Não, Castle!

- Kate... – ele deixou escapar ao ver o quanto ela estava afetada com tudo.

- O que você disse? Mensagem? Eu deixei mensagem para você?

- Esquece, Kate.

- Não, do que você está falando? – ela já pulara da mesa afastando-se o quanto podia dele. Precisava da distância. Os olhos ansiosos esperavam pela resposta. Castle escolheu mostrar a prova ao invés de entrar numa discussão sem sentido. Ele sabia que acabara de extinguir suas chances de se dar bem naquela noite. Pegou o celular e acessou sua caixa postal. Ao ouvir sua voz, claramente afetada pelo álcool daquela noite, ela não podia acreditar que dissera isso, que fizera isso. O que ela estava pensando? Não, definitivamente não estava pensado. Era a bebida falando, não? Exatamente como agora.

- Deus! – ela escondeu o rosto nas mãos, embaraçada pelo que fizera. Castle podia ter escolhido não contar sobre isso, porém ele não queria mentir para ela.

- Está tudo errado! Essa não sou eu, é o excesso de vinho falando. Assim como agora, o excesso de Jameson. Droga! – Castle tenta se aproximar e rapidamente ela se esquiva dos braços dele.

- Kate, é você. Não culpe o álcool. Ele apenas amplifica o que sentimos.

- Castle, pare de falar! Não tem parceria com benefícios, isso foi um erro, um deslize e... eu vou embora... – Castle tenta segurar a sua mão impedindo-a de subir as escadas. O puxão a fez cair diretamente em seus braços. Ele não pensou, apenas a beijou. Seus lábios a tomaram tão intensamente que as pernas de Beckett amoleceram como gelatina. A razão desaparecera por alguns minutos deixando sua mente em branco, apenas sentindo o beijo avassalador de Castle.

Quando ele finalmente a soltou, optou por deixa-la escolher o que fazer. Sem dizer uma palavra com medo de trair tudo que tentava negar naquele instante, Kate apenas o olhou por mais alguns segundos. Os lábios inchados do contato, as pupilas dilatadas. Ela suspirou e virou-se de costas fazendo o caminho de volta ao bar. Então ele falou, novamente provocando-a.

- Não se esqueça de tomar um banho gelado, detetive.

Sentou-se por fim na cadeira do escritório para se recompor do que acabara de acontecer. Aos poucos, ele sabia que estava levando a detetive a beira da loucura. Jogo de sedução é bom, mas beija-la de verdade era muito melhor. 

Kate saiu como uma bala pela porta do Old Haunt. O coração acelerado, as emoções amplificadas. Por que fizera isso? Por que não era capaz de resistir aquele maldito escritor? O beijo... ela tocou os lábios fechando os olhos. Perdendo-se na lembrança de minutos atrás. Ela entrou no carro e dirigiu o mais rápido que pode para chegar em casa. Ele tinha razão outra vez, precisava urgentemente de um banho gelado.

Ela dormira pessimamente na noite anterior. Após o banho, não conseguiu para de pensar no que ocorrera entre ela e Castle no bar. Lembrou-se das palavras de Dana, da tal endorfina. Desejo, vontade, e porque não simplesmente aceitar que era tudo saudade de ficar perto dele, intimamente, domesticamente? Isso não ajudava sua terapia, atrapalhara seu tratamento. Mentiras atrás de mentiras, ela pensou.

Beckett estava inclinada a se convencer de que precisava continuar focada. Castle a desconcentrava, ele a fazia esquecer... droga! Ele a fazia feliz. Até quando negaria o fato? Até quando ela demoraria para seguir em frente e contar a verdade? Contar que sabia que ele a amava?

Essa era a pergunta de um milhão de dólares, não? Por mais que a remoesse, Beckett não conseguia sentir-se completamente pronta para responde-la. Outra vez, ela acordara no meio da madrugada chamando por ele e totalmente excitada.

XXXXXXXXX

Para sua completa surpresa, Castle não mencionara absolutamente nada sobre a noite anterior ao chegar ao distrito na manhã seguinte. Será que estava pretendendo fazer algo mais tarde, deixa-la embaraçada outra vez? Ao contrário do que pensava, a última coisa que Castle queria era vê-la chateada. Para ele, a noite anterior serviu de acalanto para os dois, porém principalmente para Kate. Sabia que isso iria faze-la repensar suas escolhas, iria confundi-la um pouco mais. Ele apenas fizera seu papel provocando-a. Era aí que ele contava com a perspicácia de Dana. A terapeuta saberia como abordar todo o assunto sem deixa-la pensar em desistir, em fugir como a velha Kate provavelmente faria.

Ele dedicou-se a ouvir as besteiras de Esposito que chegara empolgado comentando sobre a morena. Eles tinham saído e a noite rendera. Ao perceber a conversa totalmente chauvinista entre os homens, Beckett resolveu colocar ordem na casa.

- Hey, Esposito! Da última vez que chequei, você tinha um relatório para me entregar. Não estou vendo você digitando e Castle, se não quer fazer papelada, não atrapalhe os rapazes. Faça algo de útil ou vá para casa – Esposito e Ryan olharam diretamente para Castle.

- O que deu nela? – Ryan perguntou.

- Está de ressaca – disse Esposito.

- Não, está chateada porque você estava falando da morena. Sabe que ela odeia esse clube do bolinha. Vou me fazer útil – ele se levantou indo para minicopa ouvindo Ryan murmurar um “boa sorte com isso”. Castle demorou mais do que se propunha quando começara a preparar uma nova dose de café para Beckett. Na verdade, estava dando tempo a ela de se acalmar. Queria evitar que ela soltasse os cachorros e toda a frustração da noite anterior nele.

Finalmente, ele voltou ao salão com duas canecas de café fumegando.

- Por que demorou tanto para fazer um café? – ela perguntou assim que ele sentou em sua cadeira cativa.

- Ora, detetive, estava me fazendo útil como você pediu. Tive que fazer algumas ligações para Gina. Estamos negociando uma turnê para os quadrinhos.

- Você vai viajar? – de repente, a constatação de que ele podia se afastar alguns dias não foi recebida muito bem. Ela não gostou de saber da possibilidade.  

- Por mais que adore ficar nesse distrito investigando casos com você, minha parceira – ele foi bem enfático na última palavra – eu ainda sou um escritor. Ou tento. Pode não parecer, mas tenho obrigações também - Ela calou-se. Não sabia como responder ao comentário dele. Estava certo, era um escritor. Seu escritor favorito. Resolveu voltar sua atenção ao café e ao relatório a sua frente.

Ela voltara ao consultório de Dana no dia seguinte. Não sabia o que esperava ouvir da terapeuta quando contasse sobre seu deslize. Ela sorriu frustrada. Claro que imaginava, do seu jeito enigmático, Dana iria festejar o ocorrido e ainda faze-la responder um monte de perguntas capciosas.

Assim que ela entrou no consultório, apenas por observar a linguagem corporal de Kate, Dana sabia que algo acontecera. Esperou a amiga se sentar no divã. Viu-a passar a língua nos lábios. Após acomodar-se, ela fitou a janela por um instante até que Dana começasse a falar.

- Eu não me importo quando pacientes vem ao meu consultório apenas para fitar o nada, ficarem calados. Eu ainda ganho dinheiro com isso. Só tem um probleminha no seu caso, Kate. Eu sei que tem algo para me contar somente não sabe como fará isso. Vá em frente, me acuse de bruxaria.

- Não adiantaria. Ninguém acreditaria em mim e você não poderia ser queimada na fogueira. É bem capaz de eu parar no hospício por isso – Dana riu – tudo bem, tenho algo para contar. Eu estou decepcionada comigo mesma. Eu não tenho autocontrole e não sei o que fazer.

- Poderia ser mais clara?

- Ah, caramba! Vou ouvir todo o tipo de crítica por isso... eu descobri que tenho um sério problema para manter meu autocontrole perto de Castle em situações mais... intimas...

- Ué, mas até onde eu me lembro foi você que impôs o fim da tal parceria com benefícios, o que você anda fazendo de intimo com Castle se somente iam investigar casos? Pobrezinha, não consegue se controlar ao lado daquele homem charmoso, cheiroso e com belos olhos azuis? Que pena!

- Dana! Você é minha terapeuta! Eu te pago para me dar conselhos, não zoar da minha cara!

- Ah, Kate... nem preciso. Você mesma acaba se zoando. O que aconteceu?

- Tivemos um pequeno momento no Old Haunt e eu...

- Espera! O que você estava fazendo no bar do Castle? Achei que qualquer momento fora distrito e casos estavam abolidos da sua vida e da sua parceria com ele – Kate revirou os olhos. Por que ela ficava martelando a mesma tecla?

- Não foi escolha minha. Eu não queria ir, mas os rapazes pediram e eles não sabem o que aconteceu comigo e Castle. Nós tínhamos concluído uma investigação difícil, queriam comemorar. Eu não aceitei a princípio, queria evitar de estar com Castle nesses momentos mais simples e domésticos, porém eles insistiram e não podia decepcionar meu time. Fomos para o bar, depois de umas boas rodadas de whisky, eu tive que atender um telefonema, aliás esse é outro assunto que preciso conversar, enfim – Kate conta tudo o que se passou. Dana não demonstrava qualquer sentimento de espanto ou de reprovação. Beckett é boa em ler pessoas, mas a amiga era boa em esconder emoções. Ao terminar seu relato, ela suspirou.

- Eu não sei o que fazer. Ele tem esse efeito em mim, parece que faz de propósito. Não posso me render a cada sorriso ou toque, não posso ter sonhos eróticos com Castle! – a terapeuta teve que se controlar para não rir da angustia de Kate diante de si - Eu preciso de autocontrole, Dana.

- Terminou? – Kate balançou a cabeça concordando – certo, quanto tempo faz que voce rompeu a parceria com Castle? – ela viu Dana consultando suas anotações e escrevendo alguma coisa no caderno. Sim, Dana escrevera “novo recaída. Adiar experimento de hoje. Foco relacionamento.  

- Pouco mais de um mês? – respondeu relutante.

- Sim, e incrivelmente você já teve duas recaídas. Não, foram três. Claro que apenas uma com real contato. O que isso lhe diz?

- O óbvio. Que sou fraca e não estou focando em meu tratamento como deveria.

- Fraca em que sentido?

- Você sabe em que sentido! De deslize, de me render a Castle.

- E depois de tudo isso, você ainda acredita ser uma boa ideia manter a parceria como está?

- Sim, eu já disse que não voltarei atrás. E você deveria me ajudar. Por que fica fazendo essas perguntas sobre Castle? Preciso focar no meu tratamento! – ela parecia um pouco irritada.

- Kate, foi você quem começou. Você falou de Castle. Tudo bem, aumente o estoque de chocolate e nós seguiremos em frente. Qual era o outro assunto que você queria abordar? – a detetive ficou vermelha na mesma hora, a terapeuta riu – deixe-me adivinhar, diz respeito a Castle... – Dana queria gargalhar, mas conteve-se. Kate escondeu o rosto nas mãos soltando um longo suspiro.

- Maddie, ela me convidou para um jantar beneficente no Q4 na sexta. Ela quer que leve Castle.

- Oh, você conhece a dona do Q4? Esse restaurante é badaladíssimo, super frequentado e difícil de conseguir reserva...

- Dana! Pode esquecer o restaurante e focar no meu problema?

- Certo, desculpe. Ela sabe da sua história com ele?

- Não, mas já insinuou que gosto dele no primeiro contato que teve, ao conhece-lo. Maddie quer a presença dele porque sabe que é famoso e atrai pessoas e dinheiro para esse tipo de evento. Dana, eu não posso ir com ele.

- Kate, por que não? É apenas um evento, um jantar. Não se trata de nada doméstico. Não estarão sozinhos. Quais as chances de você acabar na horizontal com o cara? – Kate mordiscou os lábios, o gesto gritava culpa em alto e bom tom, Dana não se deixou intimidar e instigou – será uma oportunidade de testar o seu autocontrole, de provar para si mesma que é capaz de sair com Castle sem cometer deslizes – Dana sabia muito bem que estava jogando-a no fogo, Castle ia agradece-la por isso – você já falou para ele sobre o evento?

- Não. E não acho que seria uma boa ideia.

- Como não? Que melhor chance de aumentar seu foco do que correndo risco? Convide Castle como Maddie pediu. Explique o motivo do evento e ele entenderá que está fazendo um favor simples, afinal a dona do evento requisitou sua presença. O que me faz pensar, por que ela não o convidou diretamente?

- Ela quis me dar a chance de fazer isso porque na cabeça pratica de Maddie, eu e ele nos entendemos bem e somos mais que parceiros, entende? Mas disse que se não receber meu RSVP até amanhã, ela mesma aparece no distrito para convida-lo.

- Parece que você não tem muito tempo, Kate, o que prefere: se arriscar ou deixar Maddie fazer uma cena no 12th?

- Você fala como se eu tivesse uma boa alternativa, as duas são péssimas!

- Tudo depende do ponto de vista. Acho que acabamos por hoje. Hey, você por acaso não descolaria um convite para mim? Esse restaurante é um dos melhores de Manhattan, nunca tive a chance de experimentar.

- Nem que me pagassem eu daria um convite para você. Ia ficar me analisando a noite toda. Já basta eu ter que me concentrar com Castle do meu lado. Prometo que a levo para almoçar lá qualquer dia.

- Vou esperar por isso – e Kate sequer percebeu o que dissera sobre o futuro evento ao lado de Castle. Concentração, tai algo que Dana duvidaria que a detetive tivesse no evento. Parecia que o destino estava conspirando a favor do escritor afinal.

No dia seguinte, Beckett passou uma boa parte de seu tempo pensando em como abordaria Castle sobre o evento sem deixar passar a ideia de que seria algo além de sua parceria, afinal desde o último deslize, nenhum dos dois comentou a situação. Ela porque não queria passar por um novo embaraço e ele porque... espera, por que ele não se aproveitou do ocorrido para pressiona-la ou provoca-la? Ele mesmo dissera que ela não resistia, que queria beija-lo, ficar com ele. Então, o que significava esse silêncio? Será que Castle estava cansando dela? De ficar mostrando que poderiam ficar juntos ou simplesmente resolveu agir como ela queria? Não, ela conhecia Castle o suficiente para saber que não obedecia a regras. Isso não era do feitio dele. O que se passava na mente dele? Sem qualquer resposta para as perguntas, Beckett resolveu por conversar com Castle ao fim do dia. Faria o convite para o evento e se por algum motivo, ele não aceitasse, poderia começar a se preocupar.

Eram por volta das seis da tarde quando Castle voltara da minicopa com duas canecas de café para encontrar sua parceira vestindo o casaco.

- Perdi alguma coisa? Achei que íamos revisar as finanças da nossa vítima e do seu sócio. Por que você está de casaco pronta para sair?

- O juiz não está disponível para nos dar um mandado para quebrar o sigilo bancário do sócio. Somente pela manhã. Sem isso, não sobra muito para nós investigarmos. Hora de ir para casa – ela viu a cara de frustração dele, então provocou – deve ser uma ótima notícia para você assim pode dedicar-se ao seu livro. Quantos capítulos do novo Nikki Heat já escreveu?

- Gina ligou para você? – perguntou de olhos arregalados – ela não ousaria!

- Pela sua reação, você não tem feito muito progresso. Está com seu prazo estourado? Com bloqueio, Castle?

- Não! Nada de prazo estourado, eu só...eu, meio que... Nikki não tem cooperado comigo ultimamente – havia um duplo sentido na colocação dele – a escrita emperrou a cerca de um mês atrás... – certo, ele estava se referindo a ela.

- Talvez eu tenha algo para ajudá-lo. Quando estamos bloqueados ou sem ideia, espairecer ou mudar de ares pode auxiliar.

- Você está sugerindo sutilmente que eu suma do distrito, Beckett? Nossa! Você realmente está focada em seu tratamento...

- Não, Castle! Não foi nada disso – de repente, ele viu um certo pânico em seu olhar - Estou me referindo a um evento. Maddie fará um jantar daqui a dois dias, na sexta. Ela me convidou, será um daqueles lances beneficentes que você está acostumado a ir. Na verdade, acho que ela quer mais sua presença que a minha.

- Ela me convidou?

- Sim, ela praticamente me intimou a leva-lo e caso eu me recusasse, ela viria pessoalmente aqui no distrito convida-lo. Preciso confirmar nossa presença hoje sem falta. Então, você quer ir?

- Um jantar beneficente em um dos melhores restaurantes de Nova York em sua companhia, detetive? Eu diria sim a todas as alternativas, porém, não foi você que me obrigou a não fazer programas fora do ambiente de trabalho em sua companhia? Eu entendo esse convite como um dos tipos de benefícios que costumávamos fazer juntos, aqueles que você considerou domésticos, não? Diante do exposto, terei infelizmente que declinar o convite, mas tenho certeza que você saberá explicar os motivos para Maddie – Beckett revirou os olhos diante da resposta dele. Por que ela dava margem para Castle provoca-la?

- Tudo bem, Castle. Eu me expressei mal. Você está correto sobre suas colocações se esse fosse de fato um jantar qualquer. Não é. Trata-se de um evento, não um encontro em um restaurante. Não há nada de intimo ou doméstico nisso tudo. Já expliquei que Maddie não aceitará um “não” como resposta, portanto pense nessa ocasião como a retribuição de um favor. Lembra quando eu compareci na leitura da dramatização da sua mãe? Venha a esse evento comigo e estaremos quites.

Ele a olhou por alguns segundos. Parecia estar lhe observando, tentando enxergar mais do que via. Captar um sinal. Sorriu e deu de ombros.

- Tudo bem. Posso conviver com isso. Seria uma pena perder a chance de saborear esse jantar, apesar de que seria enriquecedor ver Maddie a questionando sobre o real motivo de não me convidar para o evento em pleno distrito. Como seu parceiro, irei poupa-la do vexame. Pode confirmar minha presença, detetive. A propósito, qual o traje?

- O que você acha? Vindo de Maddie só podia ser black-tie.

- Você tem um vestido ou quer que eu providencie um? – ele alfinetou.

- Não preciso da sua ajuda, Castle. Não sou Cinderella.

- Ouch! Da última vez, você não reclamou...

- Cala a boca, Castle! – rindo, ele pegou o casaco e começou a caminhar em direção ao elevador.

- Até amanhã, detetive. Estou ansioso pelo evento. Talvez Nikki saia da toca.

Ela ficou estática no meio do salão do distrito. Às vezes, ela tinha vontade de soca-lo.  

No caminho de volta para o seu apartamento, ela ligou para o número que Maddie lhe dera e confirmou sua presença no jantar. Depois, ela fez uma segunda ligação. Não ia nem de longe dar o gostinho de Castle a bancar com relação ao lance black-tie. Ao terceiro toque, a voz soou divertida do outro lado.

- Hey, Kate! Qual é a boa?

- Dana? Que barulho é esse? Você está bem?

- Estou ótima! Apenas relaxando, bebendo na companhia de uns amigos. Chama-se happy hour, você deveria tentar algumas vezes.

- Acredito que você sabe bem o que o ultimo happy hour fez comigo... deixa para lá, você está ocupada. Eu me viro sozinha.

- Hey, Kate, para com isso.  Pode falar, em que posso ajuda-la?

- Preciso que me ajude a encontrar um vestido – o sorriso de Dana se iluminou.


- Pensei que nunca ia pedir... onde você está?

Continua.... 

7 comentários:

Camila Lorrane disse...

Kate e seus Deslizes kkkkkkk ta cada dia mais dificil se render ao escritor hahahahaha

Pâmela Bueno disse...

Como assim acabou?? ah meu deus!!! não sei se aguento esperar para ver esse jantar... a Kate ta caindo cada vez mais nos encantos do Castle e vendo que não ta conseguindo se controlar kkkk queria que acontecesse alguma coisa com o Castle pra ela ver que pode perder ele e que não consegue viver sem ele hahahah ou um ataque de ciúmes sei lá, alguma coisa kkkk mais confio na sua escrita para ver o que vem pela frente hahahah na verdade to mega ansiosa...

luciana disse...

Karen já aprendeu a me deixar apreensiva nessa fic.Toda vez acaba na melhor parte!! :(
Acho q esse jantar vai dar o q falar, e Maddie vai deixar o casal em maus bocados!!kkkkkk
Por favor n demora!! Não vejo a hora deles se renderem um ao outro de uma vez!!

alessandra silva rodrigues disse...

Qqr sia se mata alguem do coraçao mulher...to sentindo q esse jantar promete 😁

Vanessa Belarmino disse...

Haja chocolate até ALWAYS (ou até onde Beckett aguentar)... hahaha
Eu to achando ela muito forte,isso sim... Fraca nada... Trabalha com o homem todo dia, teve ao menos duas grandes chances de ceder lindamente e apesar de uma escorregadinha (afinal ninguém é de ferro, ne?), ela se manteve bem firme... Mais ou menos... Mas tudo bem... haha
Dana é a melhor pessoa. Não canso de dizer... Zoando Kate, ou melhor jogando na cara que ela mesma se zoa....kkkkk
Castle sempre o provocador... Ele joga muito bem..
Acho que lentamente a Kate está percebendo que esse lance de acabar com o benefícios não foi tão eficiente. Afinal se antes ela achava que se distraia com ele, agora pensando nele 24 horas, está bem pior né... Eu to amando esse medinho dela de que ele não esteja tão disposto a esperar, medo de perdê-lo. Tão teimosa essa mulher... Poderia estar vivendo sua Roma, em NY. Mas prefere se punir... Se boicotar... E dar desculpas esfarrapadas... Paciência! Ela tem seu tempo... #Esperaremos
Dana e Maddie juntas, seria meu sonho? OMG, Dana precisa ir a esse evento... Arruma um boy pra ela... Please..hahaha

cleotavares disse...

A Dana é muito legal, amo quando ela "zoa" a Kate. Estou amando as provocações do Castle.E a Kate,o que dizer da Kate? Eu diria que ela está assim.....
"Mais fácil aprender japonês em braile
Do que você decidir se dá ou não"

Silma disse...

Agradecida ao universo pela vida Dana.Melhor pessoa 😂😂👌🏽