quinta-feira, 28 de julho de 2016

[Castle Fic] One Night Only?! - Cap.61


Nota da Autora: Apesar do dia ser meu, tem capitulo novo de presente para vocês. Vamos curtir um angst interessante com Beckett? Está na hora de Dana testar nossa detetice... será que ela vai passar no teste? Hummm.... leiam e descubram...não tenho ideia de quando será a proxima postagem e prometo que o angst é até light... reflexôes, reflexôes... enjoy! 


Cap.61

Passados alguns minutos nos quais ele ainda recordava o beijo, Castle lembrou-se que precisava dar um telefonema importante. Tinha que alertar Dana da história que contara para Kate a fim da terapeuta não se contradizer e acaba gerando um problema ainda maior para todos. A terapeuta atendeu ao segundo toque.

- Não me diga que descobriu outro prato divino para nós saborearmos?

- Não. Eu apenas quero alerta-la sobre uma possível visita ou ligação de Beckett.

- O que aconteceu?

- Ela esteve no restaurante e Maddie deixou escapar que estávamos jantando juntos na noite anterior. Você conhece-a tão bem quanto eu, ela pensou que estávamos trocando figurinhas sobre o tratamento dela. Achou que eu a pressionei para contar sobre as suas sessões como se estivesse espionando-a. Tive que inventar uma história. Você vai precisar confirma-la quando ela a procurar.

- Tudo bem, o que devo dizer? – Castle explicou tudo para a terapeuta, falou da reação de Beckett e ainda mencionou o jantar, incluindo seu antes e depois – interessante. Vou esperar para ver o que ela vai me dizer. Obrigada por avisar, Castle. Amanhã ela tem consulta comigo. Posso precisar de você em algum momento. Fique alerta.

- Você quer que eu vá para o consultório?

- Não precisa. Talvez tenha que ficar de olho nela. Saberei mais amanhã. Boa noite, Castle.

- Boa noite, Dana.

Beckett optou por não confrontar a terapeuta naquela noite, abordaria o assunto no dia seguinte durante a sua terapia. Apesar da irritação inicial quando descobriu através de Maddie sobre os dois, a noite acabara sendo bem interessante. O sabor da vingança era bom, mas devido ao efeito causado nela não podia ser considerado um sucesso total. Kate Beckett precisou de um banho gelado para afastar os pensamentos pecaminosos da mente. Infelizmente, a agua gelada não apaga os registros do subconsciente e ela sonhou com o escritor. Um sonho bem ao estilo Nikki Heat.

Castle não aparecera no 12th distrito até quatro da tarde trazendo dois copos de café. Ela se perguntara onde ele andava o dia todo, porém apesar da curiosidade, ela resistiu a vontade de ligar. Esposito e Ryan aproveitaram a deixa para zoar com ele.

- Oh, Castle...o que aconteceu? Seu despertador quebrou?

- Chegou cedo para amanhã...

- Faço minhas as palavras deles. Mais um pouco e você perdia o jantar. Em que fuso horário você acha que trabalhamos?

- Estava trabalhando. Escrevendo até agora. As cenas de Frozen Heat saltavam da minha mente para o computador. Escrevi quatro capítulos. Falta muito pouco para conclui-lo. Quer saber a verdade, detetive? Você me inspirou ontem com a sua visita. Por isso resolvi retribuir a gentileza trazendo café – ele reparou na pilha de pastas sobre a mesa dela – como foi sua noite? Dormiu bem?

- Porque não dormiria?

- Depois daquele pequeno deslize, quem sabe o que poderia se passar, não? – Beckett ignorou a pergunta. Bebia tranquila o café - Vejo que ainda está às voltas com os casos antigos. Será que a morte tirou férias? Hum, sabe que até fiquei com vontade de dar uma escapada? Pena que a única viagem programada em meu futuro envolve trabalho.

- Já tem data para a sua turnê? – perguntou curiosa sorvendo um longo gole do café.  

- Ainda não. Gina está esperando confirmações de locais. Em outros tempos, a convidaria a vir comigo... agora não é mais possível. Limites. Preciso ir. Voltarei ao loft, minha cabeça está fervilhando. Tudo graças a você, Beckett – ele se levantou de sua cadeira cativa, sorriu e completou – se alguém morrer, me ligue.

Beckett apenas balançou a cabeça. Era estranho não tê-lo por perto no distrito. Ele estava levando bem a sério o lance da escrita. Em outros tempos estaria procrastinando para terminar o livro. Ela checou o relógio. Mais meia hora de papelada e deixaria o distrito rumo a sua consulta.

Consultório de Dana

A terapeuta reservara o horário das cinco para a sessão com a detetive. Pedira para sua secretaria cancelar a consulta da hora anterior, pois precisava se preparar para uma terapia pesada. Dana não tinha ideia da resposta de Kate ao seu experimento. Decidira que iria deixar a detetive começar o diálogo. Pelo aviso de ontem dado por Castle, ela já imaginava qual era o primeiro ponto. De certa forma, isso era bom porque a paciente se sentiria bem, determinada e com a autoconfiança nas alturas. Deveria estimular que Kate comentasse do jantar no Q4 e também da sua própria refeição na casa de Castle.

Quando a detetive chegou, a secretária mandou-a entrar seguindo a orientação da terapeuta. Kate não achou estranho, estava um pouco atrasada. Dez minutos para ser mais exata. Entrou no consultório se desculpando.

- Oi, Dana. Eu me atrasei. Desculpe por faze-la esperar.

- Tudo bem, Kate. Estava fazendo umas anotações aqui. como você está?

- Ótima! Mas antes de eu lhe contar porque, quero saber algo muito importante – disse a detetive sentando-se no divã de frente para a terapeuta – por que diachos você estava jantando com Castle no Q4? Ele anda te convidando para jantar a fim de descobrir sobre meu tratamento? – usou a mesma abordagem que tivera com o escritor. Precisava confirmar a história. 

- Você está afirmando que Castle me convidou para jantar, como um possível encontro?

- A palavra que a Maddie disse que ele usou foi jantar de negócios.

- Foi tudo uma coincidência. Você ficou de me arranjar uma mesa para jantar no Q4. Acontece que estava passando na frente dele na outra noite e a vontade de comer o nhoque de Rocco era tão grande que resolvi arriscar. Estava falando com a hostess quando Castle me avistou e fez sinal para que fosse até a sua mesa. A princípio, estranhei por encontra-lo sozinho jantando. Afinal, estamos falando de Rick Castle, vê-lo só é algo atípico. Ele me explicou que era um jantar de negócios, mas sua convidada, sua editora não pode acompanha-lo. Disse que seria um pecado desperdiçar uma reserva no Q4 se podia saborear o nhoque. Ele me convidou para sentar na mesa e depois de pedirmos nossa refeição, começamos a conversar sobre culinária, cursos, pratos famosos. Ele é uma excelente companhia e não sabia que era tão apaixonado por gastronomia. Maddie se juntou a conversa por um tempo. Ela é divertida. Gosto do jeito como encara a vida – era uma pequena alfinetada em Beckett – enfim, foi isso. Uma noite agradável com boa companhia e aquele nhoque divino. Jantar com Rick Castle é extremamente prazeroso. Nem todos os homens apreciam a boa culinária. Gostaria de ir a um jantar de degustação acompanhada dele.

Dana observava as reações de Beckett. Parecia ter considerado a história como verdadeira.

- Não sabia desse seu amor pela gastronomia. E Castle ficou bastante impressionado.

- Acho que temos mais em comum do que imaginava. Desenvolvi meu amor por culinária quando passei aqueles seis meses na França. Mas quero saber de você, o que sentiu quando descobriu que eu e Castle estávamos juntos? Descreva para mim.

- Raiva... e medo. Conheço bem o jeito de Castle, ele sempre dá um jeito de enrolar as pessoas com sua conversa e arrancar informações importantes, as vezes segredos.

- Mesmo? Se ele é tão bom como ainda não arrancou de você sobre o segredo que vem escondendo dele? – alfinetou Dana. Viu Kate morder os lábios. Mas não perdeu a pose.

- Porque sou melhor. Tanto que lembra-se da nossa última conversa? Na qual você me aconselhou a não querer me vingar da provocação dele? Sinto informa-la, Dana que estava errada. Você achou que eu não resistiria se tentasse entrar no jogo dele. Eu me vinguei, paguei na mesma moeda. Ele ficou chupando dedo – certa de seu triunfo, Beckett contou o que acontecera na noite anterior. Como usara as palavras para deixa-lo na vontade. Ao terminar sua narração, Dana que fizera algumas anotações percebera que a detetive estava relaxada, quase de bom humor e bem satisfeita com o que acontecera. Isso seria bastante providencial para estudar a mudança de seu humor e emoções uma vez que fizesse a tal experiência. Mesmo sabendo que Beckett não concordaria com ela, Dana resolveu comentar sobre o ocorrido na noite passada. Sua intenção? Estourar a bolha de Kate.

- Certo, deixe-me ver se entendi corretamente. Você provocou Castle após invadir o loft dele para questiona-lo demonstrando claramente ciúmes, depois dele a convidar para um jantar agradável e tranquilo em família... qual a palavra mesmo? – Dana olhava maliciosa para Kate – ah, doméstico! Provocou-o usando a mesma estratégia de Castle... interessante.

- Interessante? É isso que tem a dizer? Eu provei que você estava errada. Eu me vinguei. Quid pro quo.

- Tem certeza, Kate? Ciúme, loft, jantar, provocação.

- Não era ciúmes. Era preocupação e sim, jantei com ele e a filha. Não foi como antes.

- Diga, ao sair do loft, como se sentiu?

- Excelente. Eu me vinguei, esqueceu? – de repente ficar sentada no divã não pareceu uma boa opção para Beckett. Levantou-se indo em direção a janela. 

- Você sabe ao que estou me referindo... como se sentiu, corpo, mente... após a provocação? – Kate ficara calada, a terapeuta a encurralara outra vez. Dana percebeu a reação – precisou de um banho gelado ao chegar em casa, Beckett? – a resposta estava estampada no rosto dela.

- Droga! – foi tudo que conseguiu dizer.

- Hum, Kate? Isso não foi uma vingança. É um clássico caso do feitiço virar contra o feiticeiro. O que prova que eu continuo certa.

- Não! Eu me vinguei. Deixei-o plantado com gosto de quero mais. Eu sei... – mas as palavras já não pareciam tão convincentes.

- Seria uma vingança se não causasse qualquer efeito em você, o que sabemos não ser verdade.

- Por que você tem que fazer isso?

- O que? Falar a verdade? Estourar sua pequena bolha de ilusão? Detetive, eu apenas relato o óbvio – Dana se levantou da sua cadeira dirigindo-se a cafeteira, estava na hora de falar sério. Devagar e cautelosamente – quer café, Kate? Sente-se, relaxe, fique à vontade.

- Aceito café, sim – ainda incerta do que a terapeuta estava tramando, ela retornou ao divã. Escolheu recostar-se no pequeno sofá. Fechou os olhos por um instante, suspirou. Ao abri-los, encontrou a terapeuta sentada a seu lado com um envelope pardo em suas mãos. Entregou-lhe o café. O cheiro da bebida quente encheu seus pulmões. Kate tomou um pouco do liquido – isso está bom. Que café você está usando?

- Um brasileiro que comprei na Starbucks, edição especial.

- E você serve isso para todos os seus pacientes?

- Não. Apenas para os especiais. Kate, eu tenho um assunto importante e delicado para conversar com você. Tenho segurado por duas sessões devido aos momentos de desequilíbrio emocional que vem experimentando. Quer dizer, toda a irritação, a endorfina... porém, não posso mais adiar.

- Dana, do que você está falando?

- Um dos seus detetives encontrou uma possível pista que indicava uma conexão com um caso em particular. O seu atentado – o semblante sério voltou a molda-la.

- Por que não me procuraram? E como você ficou sabendo disso e... Castle. Só pode ser ele.  

– Kate, eles ficaram receosos de contar para você. Procuraram Castle porque acreditam que ele seria a pessoa mais adequada para contar. Ele sabe o quanto esse assunto lhe domina, a contamina para ser mais exata. Então, ele me procurou.

- Esse foi o motivo de vocês jantarem juntos? Para discutir sobre como me contar?

- Não, Kate. O jantar foi puramente uma surpresa. Castle considerou que o assunto era delicado demais para ele lhe contar com o seu tratamento e a PTSD, por isso me procurou. A história da evidência não acaba ai.

- Vocês estavam agindo pelas minhas costas?

- Pelo contrário, todos estavam preocupados com você. Em como reagiria. Eles sabem da delicadeza do assunto. Castle me procurou por isso. Kate... – a terapeuta pegou a mão dela na sua - Não se trata apenas de seu atentado. A informação está ligada a outro caso – ela olhou diretamente para a detetive – é sobre a sua mãe.

No mesmo instante que Dana acabara de falar, ela viu a cor no rosto de Kate desaparecer. Estava pálida. A mão que ainda segurava estava gelada. Tinha medo dela desmaiar.

- Respire, Kate. Você está bem? Quer uma agua?

- Não... eu – ela suspirou – eu estou bem... continue. É isso que tem nesse envelope? Informação para reabrir o caso?

- Sim. É o momento da verdade, Kate. Há meses atrás, logo após sua crise de PTSD você entrou nesse consultório e pediu para que eu a ajudasse a colocar seu passado de lado, pediu para eu ensina-la a ser mais do que era, se descobrir. Eu venho fazendo desde então. Você fez progressos incríveis. Alguns nem sequer percebe, mas seu tratamento não chegou ao fim. E Kate? Parte dele pode ser definido por esse momento.
Dana fez uma pausa para observa-la. Séria, mas o rosto também revelava ansiedade, medo e dúvida. No fundo, a terapeuta odiava ter que fazer isso com ela. Entendia as consequências do ato que estava apresentando, como terapeuta e amiga precisava fazer isso.

- Você se lembra da nossa conversa sobre a vida lhe apresentar situações nas quais teria que decidir? Esse é um desses momentos. Você tem uma escolha a fazer. Pode ver o que há no envelope ou pode simplesmente esquecer que eu mencionei isso. O que vai ser, Kate? – Dana segurava o envelope deixando-o disponível para que a detetive o tocasse caso quisesse. Podia imaginar as milhares de interrogações na mente da sua paciente agora. Dúvida, temor. O senso de justiça gritando e lutando contra toda a vontade de virar a página e seguir em frente.

- Então, Kate, o que vai ser? – Beckett engoliu em seco. A ardência na garganta provocada pelo choro começava a sufoca-la. Naquele instante, ela sabia o que estava em jogo. A busca de uma vida contra a sua própria evolução a caminho de sua felicidade. As mãos tremulas tocaram o envelope. As lágrimas começaram a rolar.

- Eu sinto muito, Dana... – a terapeuta já tinha a sua resposta.

- Tem certeza, Kate?

- É mais forte que eu... desculpe – ela abriu o envelope com cautela. Os dedos trêmulos puxaram duas folhas de papel apenas para revelar um nada. Páginas em branco. Nenhuma única palavra. Ela deixou escapar um suspiro seguido de uma palavra antes de olhar para a terapeuta – não... – ela entendeu. O rosto marcado pelo choro foi erguido do papel para encara-la. A voz baixa e embargada.

- Não, não... isso é... – Kate foi ficando vermelha, as lágrimas ainda escorriam pelo rosto – não tem nada aqui! Como você pode... Você me enganou, Dana... – a realização a pegou de surpresa. Era um teste? – não existe evidência ou pista, certo? Isso não passou de um teste, uma mórbida brincadeira. Como você pode fazer isso comigo? Depois de tudo o que eu lhe confidenciei. Um teste, um maldito e sádico teste?

- Sim, Kate. E você falhou... sinto muito – Dana se levantou do sofá, queria dar espaço a ela. Pegou o envelope amassando-o e jogando na lata de lixo – eu realmente sinto muito por tê-la exposto a isso. Por remexer em feridas tão dolorosas. Contudo, eu precisava realiza-lo por dois motivos. O primeiro era saber até onde consegui afeta-la com a terapia, o segundo mostrar a você que seu tratamento não terminou. Eu vi a sua luta interior, você relutou em abrir o envelope. Tentou esquecer. Não foi o suficiente. Você fez uma escolha e apesar de ser a errada para o momento, você me mostrou que estamos no caminho certo.

- Você me traiu! Você me fez acreditar... a coisa mais importante da minha vida... Como, Dana? Como eu posso estar fazendo progresso? Eu falhei! Eu escolhi saber, não pude deixar isso para trás! – ela andava de um lado a outro do consultório. Beckett detestava fraquejar, errar.

- Sim, porém em outros tempos, você não debateria o assunto internamente em sua cabecinha. Você não sofreria tanto tentando decidir. Isso é evolução. A velha Kate teria agarrado esse envelope com unhas e dentes e corrido porta afora para a delegacia, ávida por respostas, por ficar cara a cara com um possível suspeito. Por isso sei que estamos no caminho certo. Não chegamos lá ainda, mas estamos perto.

- Quanto dessa história é verdade? – ela voltou a sentar-se no sofá - Sobre Castle e o resto?

- Nada. Absolutamente nada. Eu inventei tudo. Não há evidência, nem pista. Como disse, foi um teste. Não me odeie por isso, Kate.

- Dana, eu sei que está fazendo seu trabalho. Acabou de esfregar na minha cara que não estou pronta para alcançar o fim do tratamento. Sou fraca, me deixo levar pelo senso da justiça e da vingança. O caso da minha mãe é delicado, quase um tabu. Não odeio você, por mais cruel que tenha sido seu teste, estou com raiva. De mim, por agir do jeito que agi. Esse assunto... não me faz bem. Eu preciso de um tempo.

- Tempo para pensar? Analisar e refletir porque ainda não está pronta para colocar toda essa história para trás? Posso conviver com isso.

- Você abriu a ferida. Derrubou minhas defesas. Eu preciso de tempo para encontrar o equilíbrio outra vez. Não tome como pessoal, mas eu terei que me afastar. Talvez não apareça por algumas semanas.

- Kate, entendo que precise de tempo, desistir da terapia não é o melhor caminho.

- Não estou desistindo, Dana... eu só preciso ficar sozinha – ela se levantou e saiu pela porta sem se despedir. Dana suspirou. Tomou um gole do café. O clima pesado ainda estava no ar. Esperava que não tivesse pressionado demais. Como terapeuta, sabia que dessa vez ela não se esconderia na toca do coelho. Não, Kate Beckett era uma nova mulher. Fez algumas anotações no arquivo de Kate. Ao terminar, pegou o celular. Castle tinha que ficar alerta aos movimentos dela.

Ele estava sentado na frente do notebook escrevendo, sua imaginação estava fervilhando. O celular tocou. Ele sorriu.

- Hey, Dana... tudo bem? Descobriu um novo paraíso gastronômico que podemos visitar? – ele andava tão focado na escrita que nada mais parecia importar.

- Castle, não é por isso que estou ligando – notou a seriedade na voz da terapeuta – Kate acabou de sair do meu consultório. Eu fiz a tal experiência, consegui o resultado que queria, mas ainda não tenho certeza de como isso afetará Beckett – ele tinha esquecido o que a terapeuta falara no jantar.

- Não sabia que ia fazer isso hoje. O que quer que faça? Quer que eu vá atrás dela?

- Não. Kate disse que precisava ficar sozinha. Eu ainda tenho esperança que ela tente lhe procurar, não posso afirmar nada. Somente peço que fique atento ao que ela fizer. Se notar que está agindo estranhamente, me avise.   

- Dana, eu posso ir até o apartamento dela agora? Afinal, o que você disse para ela a ponto de afeta-la assim?

- Sinto muito, Castle. Não posso dizer. Sigilo médico-paciente, você entende.

- Sim, entendo. Você me deixou preocupado.

- Desculpa. Não queria que pensasse em coisas ruins. Não vá atrás dela, Castle. Kate precisa de um tempo para digerir o que acabou de experimentar. Apenas fique de olho e seja você. Amanhã.

- Tudo bem. Obrigado por confiar em mim para ajuda-la, Dana.

- Não é a mim que estará ajudando, Rick. É a Kate. Ela confia em você, o que me faz confiar também. E a confiança serve como uma via de mão dupla. Você a ama. Isso é o que importa. Mantenha-me informada, ok?

- Claro. Boa noite, Dana – ao desligar o telefone, a vontade de escrever desaparecera. Castle ficou pensativo. Queria ligar para ela. Mas diria o que? Não havia caso para ser discutido, não estavam juntos, sem benefícios. Por que motivo ligaria? Não, isso era errado. Tinha que seguir as recomendações da terapeuta. Fechou o notebook e serviu-se de uma dose de whisky sentando-se em seu sofá. A mente vagava querendo adivinhar o que Beckett estaria fazendo.

XXXXXXXX

Kate Beckett andava pelas ruas de Nova York sem um destino especifico. Apenas caminhava, a mente entrara em um loop recordando a última hora que passara no consultório da terapeuta. Estava chateada com sua reação. Triste por perceber que ainda não estava pronta e mexida por ter que encarar o assunto mesmo que de maneira fictícia. Era difícil, complicado, doloroso.

Seus passos a levaram para um lugar comum. De grandes reflexões. Ela sentou-se no balanço a princípio apenas para compreender o porquê estava ali. Depois, ela se permitiu chorar. Suas mãos seguravam as correntes com força enquanto o pranto lavava seu rosto. Dizia baixinho apenas para ela mesma.

- Sinto muito, mãe. Eu não queria falhar... eu não queria.

Mais calma, ela fechou os olhos. A imagem que surgiu em sua mente foi a de Castle. Os olhos azuis, o sorriso. Era uma forma de lembra-la porque estava fazendo isso. Queria ser mais do que era. Queria reencontrar aquela garota cheia de sonhos, de vida que aprontava no colegial. Queria ser destemida em sua vida pessoal da mesma maneira que era na profissional.

Falhara. Dana lhe desafiara e ela falhara, terrivelmente em sua opinião. O que isso dizia sobre ela? Quando seria capaz de assumir seus sentimentos, falar abertamente com Castle sobre tudo o que acontecera, sobre o que ouvira claramente após seu tiro? Isso teria um fim? Dana falara que evoluíra. Será mesmo? Porque para ela parecia que continuava pegando a estrada errada. A terapeuta a forçara a responder uma das perguntas. Talvez a mais temida. Para Kate, era essa a situação que poderia encontrar ao longo do caminho e Beckett podia se ver perdendo o chão quando isso acontecesse.

Enxugou as lagrimas que marcavam sua face.

Por que se deixava consumir pelo assassinato de sua mãe? Sua vida não deveria ser dirigida por isso. Ela merecia justiça, merecia ter seu caso encerrado de maneira digna. Nós falamos pelos mortos, mas não comandam nem dominam nossas vidas. As palavras de seu capitão vieram-lhe subitamente. Dana já dissera que ela não estaria falhando com a mãe. Não a decepcionaria. Será que Johanna Beckett gostaria de ver sua filha trocando sua chance de ser feliz por uma caçada desesperada e cega a um assassino que não sabia quem era?

Ela aprendera a honrar a mãe em cada caso, em cada vítima. O senso de justiça fazia parte de quem ela era, uma característica herdada da própria mãe confirmada pelo seu pai que apenas intensificou-se após a sua perda. Não seria o gesto suficiente? Honra-la ao invés de vinga-la? Claro que sua mãe merecia justiça, mas Kate já concordara que essa saga não poderia definir sua vida. Por isso seu comportamento, seu entendimento dessa experiência é importante. Quanto mais rápido compreendesse, mais rápido poderia se curar e encerrar a terapia e então... restava Castle.

Levantou-se do balanço e caminhou de volta ao seu apartamento. Perdera a noção das horas. Não importava. Ela precisava de tempo para analisar, se estruturar. Com isso, Beckett fez algo inusitado, fora da caixa para a detetive.

12th Distrito

Castle chegara na delegacia por volta das dez da manhã trazendo dois copos de café. Estava curioso para saber como Beckett estava e se ia comentar sobre o assunto com ele. Foi direto para a mesa dela, colocando o copo em frente ao monitor do computador como já fizera diversas vezes. Ela não estava ali, deve estar na minicopa. Sentou-se em sua cadeira cativa. Ao invés de Beckett, quem apareceu foi Esposito. Sem cerimônia, ele fez menção de pegar o café de cima da mesa, ato que Castle impediu protegendo bravamente a bebida de Beckett. 

- Hey! O que você está fazendo? Quer morrer? Ou você pensa que porque é detetive, Beckett não vai atirar em você se beber o café dela? Pense outra vez. Beckett e café formam um relacionamento muito sério, qualquer ameaça é letal.

- Estou apenas evitando que esfrie ou estrague, bro.

- Onde ela está?

- Não está aqui.

- Foi ao tribunal assessorar em algum caso? 1PP?

- Não, Castle. Ela não veio trabalhar hoje. Não sabemos porquê. Ela ligou para a capitã. Tudo que Gates disse foi que Beckett pediu uma folga para resolver um problema pessoal.

- É, você sabe se aconteceu algo com o pai dela? – perguntou Ryan se metendo na conversa.

- Não que eu saiba, mas não é como se ela me dissesse tudo – os dois detetives olharam para ele não acreditando em nenhuma palavra – estou falando sério!

- Castle, você sabe que esse tipo de atitude não é normal vindo da Beckett, faltar trabalho? Um dia de folga para tratar de algo pessoal? Não combina com ela. E nós sabemos que pessoal é sinônimo de perigo quando se trata de Beckett... – disse Esposito.

- Ou ela tem um novo namorado e não quer que ninguém saiba... – disse Ryan recebendo olhares incrédulos dos outros dois.

- Você acha que isso pode ter relação com a mãe? Com o caso? – então a ficha de Castle finalmente caíra. Só podia ser sobre isso, o tal experimento de Dana, que outro assunto podia ser tão delicado? Mesmo que suas suspeitas estivessem certas, não podia compartilha-las com os rapazes.

- Não. Duvido que seja algo relacionado ao caso da mãe. Se fosse, não aconteceria de um dia para o outro. Ela estava bem ontem. Pode ser o pai ou algo com ela mesma. Sabe, essas coisas de mulher – os rapazes olhavam para ele intensamente – o que foi?

- Não é óbvio? É você quem terá que descobrir.

- Claro porque se alguém que pode levar uns gritos ou um tiro de Beckett sou eu.

- Você é um cara inteligente, Castle – Esposito piscou para ele – nos conte o que descobrir ou sobre a surra que levar depois que ela o expulsar a pontapés. Isso seria engraçado de ver... – e os detetives saíram rindo. Pelo menos não pareciam tão preocupados com a detetive. Se tivesse um pouco mais de abertura com a capitã, ele certamente perguntaria a ela exatamente o que Beckett lhe disse. Não era o caso. Pegou os dois cafés entregou aos rapazes e deixou o distrito. Na rua, a primeira ligação que fez foi para Dana.

- Dana, pode falar? – com a afirmação positiva do outro lado, ele continuou – você realizou o tal experimento? Olha, eu não sei o que você conversou com a Beckett, mas isso mexeu com ela.

- Em que sentindo? Está irritada? Triste?

- Dana, Kate não veio trabalhar hoje – a informação surpreendeu até mesmo a terapeuta – isso não é algo que combine com Beckett. O que quer que você tenha feito, a afetou de verdade. Ela ligou pedindo a folga, alegou problemas pessoais. Estou preocupado. Por acaso tem alguma relação com o caso da mãe dela?

- Castle, você sabe que não posso contar o que conversamos. Não é correto. Respeite o sigilo, a confidencialidade. Acredite, Kate reagiu ao experimento como eu imaginava. Sua ausência no distrito não foi algo que previ embora possa entender. Ela pediu um tempo para mim, um tempo da terapia. Ela precisa pensar. Tem algum caso rolando?

- Não, apenas papelada.

- O que facilita o seu afastamento.

- Dana, e se você a pressionou demais?

- Não fiz isso. Acredito que seja a hora perfeita para entrar em ação. Não ligue. Vá ao apartamento dela, haja casualmente, porém expresse a preocupação.

- Como se eu nem sei o que aconteceu?

- Você sabe o suficiente. Kate Beckett não foi trabalhar hoje. Se ela se sentir à vontade, conversará com você. Não a pressione para se abrir. Deixe que ela decida se quer fazer isso. Sei que vai encontrar a melhor maneira de aborda-la. Você sabe como fazer isso.

- Tudo bem. O experimento tem algo a ver comigo?

- Castle...

- Já entendi... ética, não pergunto mais.

- Ligue depois para me contar como foi. Suas observações serão importantes.

Castle desligou o celular. Porém, ao invés de ir direto ao apartamento dela, optou por passar em casa. Se o que Dana comentara realmente procedia, o fato de sua ausência referir-se a necessidade de tempo e espaço, ele obedeceria sua vontade.

De volta ao loft, ele maquinava a melhor maneira de aborda-la. Na verdade, precisava encontrar uma maneira de justificar sua ida ao apartamento dela. O fato dela não ter ido trabalhar era o pretexto para bater a sua porta, para ser convidado a ficar e passar um tempo com ela, teria que fazer melhor que isso, afinal Kate poderia dizer que não queria falar com ninguém o que arruinaria completamente seus planos.

Castle perambulou pelo seu loft por duas horas até encontrar algo que podia satisfazer sua ideia. Depois, sentou-se no escritório de frente para o computador e consultou o que precisava. Ela não recusaria o que ele tinha a oferecer.

Por volta das quatro horas, ele deixou o loft rumo ao apartamento de Beckett. No caminho, fez duas paradas estratégicas. Ao chegar no prédio, não precisou ser anunciado pois o porteiro dela já o conhecia. Castle agradeceu o gesto de não interfonar. De frente para a porta do apartamento, ele respirou fundo antes de tocar a campainha.

Kate estava sentada no sofá bebendo uma caneca pela metade de café já frio. Sobre a mesa, haviam fotos da mãe e dela, uma pequena caixinha de lembranças e um bloco amarelo de anotações com vários pensamentos escritos. Sim, ela usara o método que Dana lhe ensinara para pensar melhor e ajuda-la na análise. Passara o dia entre o quarto e o sofá remoendo pensamentos. Seu combustível fora o café e sequer deu conta de quantas horas haviam se passado. O toque da campainha a assustou, porém, lembrou que pedira para o seu porteiro subir com a correspondência há cerca de uma hora atrás. Ao abrir a porta, ela se deparou com outra pessoa trazendo o que recebera do correio. Castle estava a sua frente. Uma sacola pendurada em um dos braços, envelopes na mão esquerda e uma bandeja de com dois copos grandes de café na mão direita.

- Olá, detetive! Achei que estivesse precisando de suas correspondências. E por que não um café? – ele estendeu os envelopes para Beckett forçando sua entrada no apartamento – na verdade, seu porteiro pediu que aproveitasse a viagem e trouxesse as contas. Meu objetivo aqui é outro.

- Acho que não preciso perguntar o que você está fazendo aqui... vai me dizer de qualquer forma.

- Sim, café? – ela pegou um dos copos da bandeja e rapidamente voltou a sala recolhendo todas as fotos da mãe e guardando-as na caixa antes que ele percebesse. Castle apoiou a bandeja de café no aparador da sala – se importa de irmos para a cozinha enquanto explico o motivo da minha visita?

- Como se eu tivesse escolha, olha Castle eu já imagino porque está aqui e qualquer ideia que tenha se passado na sua mente, não é a hora nem lugar para apresenta-la para mim. Você devia ir embora.

- O tempo da minha visita dependera exclusivamente de você, Beckett. Imagine a minha surpresa ao chegar hoje ao distrito para levar seu café, torcendo por um assassinato e descobrir que tinha pedido um dia de folga. Isso não é comum para Beckett foi o que pensei, ao saber que alegara motivos pessoais, sabia que estava com algum problema. Pensei em seu pai, mas você certamente informaria se ele estivesse doente ou em uma emergência seja para mim ou para os rapazes. Então, sabia que se tratava de outra coisa. Talvez estivesse doente, embora parecesse muito bem ontem para mim. Descartei essa possibilidade. Somente consegui pensar em outro problema, uma investigação. Obviamente não é isso porque não estaria em casa se tivesse seguindo pistas e seu porteiro disse que não saiu de casa, o que confirma minha teoria. Portanto Kate pensei que qualquer que tenha sido a razão para você pedir esse dia, dar um tempo, dizia respeito unicamente a você.

- Wow! Você dedicou muito tempo pensando sobre os motivos da minha ausência.

- Sou escritor, pensar e criar teorias e cenários faz parte do trabalho diário, risco da profissão.

- Se decidiu que o motivo da minha ausência no trabalho não o interessa, por que está aqui, Castle? Não faz sentido.

- Ah! Eu sei como você costuma agir quando tem sua mente focada em determinado assunto. Você se esquece do mundo e posso apostar que passou o dia todo a base de café. Não se alimentou. Está com um ar cansado para quem ficou em casa o dia inteiro e esse, detetive, é o motivo da minha visita. Alimenta-la.

- O que?

- Trouxe seu jantar. Não cozinhei, comprei. Está em embalagem aquecida mesmo assim, irei colocar no forno. Torta de frutos do mar. Cinco minutos e estará perfeita – ele já ligara o forno e colocara a torta lá dentro. Acionara o timer.

- Castle, você não precisava. Olha, eu realmente agradeço sua gentileza e preocupação, mas estou bem e somente quero ficar sozinha. Não irei fazer nenhuma loucura se é isso que está pensando e colocando esse olhar preocupado em seu rosto... apenas, me deixe.  

- Kate, eu não estou aqui para espiona-la ou questiona-la. Vim apenas trazer o jantar, sem segundas intenções. E perdoe-me se insistir, porém não arredo o pé antes de vê-la comer. Precisa de combustível para pensar. Finja que não estou aqui. Apenas coma – o olhar encontrou o dela. Beckett notara o semblante tenso. Outra vez, ele a assustara por conhece-la tão bem. Era verdade, não comera nada. Estava a base de café desde a hora que acordara. Ela suspirou e sentou-se na mesa. Ao vê-la ceder, Castle sorriu. Primeira parte de seu plano fora concluída com sucesso, pensou ao ouvir o timer disparar.

Ele serviu a travessa da torta quente colocando-a na frente dela, entregando a espátula para servir-se. Após colocar um pedaço em seu prato, ela tomou um pouco do café e olhou para ele.

- Tem torta suficiente para duas pessoas. Você não vai comer?

- Você quer minha companhia para desfrutar a refeição?

- Por favor, Castle. Não vou comer tudo isso e chega a ser perturbador o jeito como me olha. Coma. Já que se recusa a ir embora antes que eu acabe de comer, ao menos me faça companhia adequadamente.

- Tudo bem – Castle viu o gesto como progresso, pegou um prato e serviu-se de torta. Começou a comer calado. Assim que Kate deu a primeira garfada, percebeu o quanto estava com fome. Para tornar tudo melhor, a comida estava deliciosa.

- Isso está delicioso.

- Que bom que gostou. É de um pequeno bistrô no Soho. Pelo menos você está se alimentando – ela sorriu e permaneceu calada pelos próximos minutos. Era estranho dividir uma refeição com Castle sem conversar, porém ele estava cumprindo o que prometera. Se fazendo ausente. Esse comportamento a fez pensar sobre o que acontecera ontem e sobre suas próprias reflexões. Talvez não houvesse alguém com quem ela gostaria mais de dividir seus pensamentos do que Castle, porém ele também era parte de sua análise, de seu tratamento. Não seria correto. Resolveu ater-se a uma conversa mais comum.

- Então você esteve no distrito. Nenhum caso novo?

- Não, os rapazes estavam atolados na papelada.

- Vocês chegaram a teorizar juntos sobre os motivos de eu não ter ido trabalhar?

- Um pouco, mas eles não pareciam tão incomodados com a sua ausência – ótimo, ela pensou, menos oportunidades para responder perguntas – apesar que estavam torcendo para procura-la e levar uns pontapés.

- Bom, isso não aconteceu, mas quem sabe? Ainda temos tempo – ela se serviu de outro pedaço da torta – quer vinho? Tenho um chardonnay aberto – certo, ela estava começando a gostar do que estava acontecendo ali, pensou Castle.

- Por que não? Vinho branco sempre cai bem com frutos do mar – ela serviu a ambos e retornaram a conversa.

- Progrediu em seu livro? Você estava bem animado...

- Sim – mentiu. A última coisa que fizera hoje fora escrever, seus pensamentos todos estavam voltados para Beckett – mais dois capítulos finalizados. Cheguei a metade da história – ela apenas sorriu. O resto da refeição se deu em silêncio. Kate recolheu seus pratos até a pia, Castle bebeu o liquido que ainda restava em sua taça e preparava-se para ir embora. Pegou o casaco e dirigiu-se até a porta – agora que você já está bem alimentada, posso ir para casa tranquilo. E faça um favor para nós dois, Beckett. Não beba mais café por hoje. Você já extrapolou sua dose de cafeína do dia. Nem sei como seu estomago resistiu.

- Você já vai? – embora não quisesse, ela acabou soando surpresa com a decisão de Castle em cumprir o acordo. No fundo, ela queria uma companhia, não corrigindo, ela queria a sua companhia. E ao mesmo tempo, queria tentar explicar sem comprometer o assunto.

- Sim, foi para isso que vim.

- Olhe, Castle, me desculpe se eu soei brusca ou meio que o expulsei mais cedo. Foi errado. Você não precisa sair correndo. Pode ficar mais um pouco.     

- Quer que eu fique?

- Pelo menos uma hora mais. Vamos para o sofá. Eu te ofereceria sorvete, mas o meu pote de chocolate acabou ontem.

- Sabia que tinha esquecido alguma coisa – ela sorriu. Castle decidiu investir mais um pouco – você me parece preocupada, Beckett. Por acaso você não teve uma nova crise de PTSD, teve? Pensei que já tivesse melhor, afinal você vem fazendo terapia regularmente.

- Castle, não é PTSD. Não quero que fique preocupado. Sei que está. Eu não posso lhe dizer o que aconteceu exceto que tem a ver com o meu tratamento. Precisava de um tempo para organizar minhas ideias. Eu estou me esforçando. Descobri coisas interessantes sobre a minha pessoa. Comecei a entender a forma como lido com certos assuntos. Há momentos bastante delicados nos quais sofro para enxergar o que deveria. Até ontem não tinha percebido como eu moldei minha vida ao redor de certos pilares. Dana abriu minha mente. Nada é fácil, exige dedicação. O caminho é complicado, mas Dana tem me ajudado muito. Desculpe, não posso revelar mais nada.

- Tudo bem, eu compreendo. Você acha que evoluiu? Desde a última vez que conversamos? – era obvio que ele se referia a quando ela rompera a parceria com benefícios.

- Dana diz que sim, eu demoro a perceber na maioria das vezes, mas sei que ela está certa. Queria poder dizer que estou perto de concluir meu tratamento, descobri que não.

- Você acha que vai demorar muito? – ele parecia ansioso ao fazer a pergunta.

- Eu realmente não sei. Espero que não.

- Sinceramente, eu também – ele se levantou do sofá – é melhor eu ir andando. Você precisa de uma boa noite de sono, Kate.

- Eu o acompanho até a porta – fez questão de abrir a porta para Castle e sorrir fazendo um último comentário – obrigada pelo jantar, Castle. E por se preocupar.

- Always... – a voz era sincera - É sempre um prazer, Beckett. Descanse. Vejo você amanhã no 12th – sorrindo, deixou o apartamento. Apesar de toda a conversa enigmática, ele sabia que ela falara da mãe. E Dana tinha razão, havia progresso.


Kate foi dormir mais calma naquela noite. A visita de Castle a fizera bem. Dessa vez, nada de provocações ou pensamentos impuros, ele a tranquilizou somente por estar ali, apoiando-a sem ao menos saber o que de fato acontecera. Mesmo não revelando muito, ela pode colocar alguns pensamentos para fora e ver que apesar de sua última briga e dos joguinhos com o escritor, Castle realmente se preocupava com seu bem-estar. Não o enganara ao dizer que não tinha ideia de quanto o tratamento chegaria ao fim, no entanto, torcia para se redescobrir de vez e criar coragem o mais rápido possível para dizer o que sabia e o que sentia a Castle.

Continua... 

5 comentários:

Camila Lorrane disse...

Wow Dana pego pesado com Kate mais pelo que vimos a nossa Detetive ta Progredindo Castle sendo fofinho com ela espero que essa Bolha estore rapido Ka amei o cap fico per como sempre 💖💖👏👏

cleotavares disse...

Apesar do choque inicial do teste da Dana, eu prevejo bons ventos daqui pra frente. E o Castle? é muito amor traduzido em paciência, merece um prêmio.

Luciana Carvalho disse...

Aiii que saudade dos benefícios dessa relação!!! Dana conseguiu testar Kate direitinho, por um minuto até eu acreditei na história toda!! Kkkkkkkkkkk
Castelinho tenha paciência que a hora de vcs tá perto!!!

Vanessa Belarmino disse...

Olha eu aqui... O/
Nossa, esse experimento da Dana foi pesado. Eu fiquei coisada, imagina a Beckett. Eu sofro junto! 😭
Só queria dizer que os balanços foi sacanagem... E o "Always" tb! </3
Castle todo fofo preocupado... Ao menos há evolução no tratamento e o fato da própria Kate perceber isso, é um avanço enorme...

Silma disse...

Ai 😓 tia Dana pegou pesado com minha bichinha 😓 a Kate ficou um farrapo de tanta dor no coração!! Ainda bem que temos Castle pra consolar ela!