domingo, 19 de março de 2017

[Castle Fic] A (Im)Perfect Love Story - Cap.10


Nota da Autora: Certo, o capitulo é pequeno, porém está cheio de momentos importantes e também emotivos. Citados nesse capitulo tem uma das frases mais bacanas que ouvi em Castle e mantive o trecho em inglês. Alem disso, tem referencia a bandas e cantores countries e outras coisas mais. Espero que gostem!  


Cap.10


Castle e Beckett curtiram muito os primeiros dias de sua viagem. Passaram por cidades como Boston, visitaram Harvard University, Chicago e tantas outras cidades pequenas e interessantes que cruzavam seu caminho. A cada momento uma nova descoberta, uma provocação e muitos, muitos beijos e carinhos que acabavam em noites de prazer em quartos de hotel. 
Beckett não se lembrara de outro momento onde estivesse completamente relaxada e feliz exceto no dia do seu casamento e na verdadeira noite de sua lua de mel em pleno rancho, um cenário desenhado para que se sentissem em um daqueles filmes antigos de John Wayne. Sorriu. Eles estavam no estado do Tennessee aproximando-se de Nashville para ser mais exata. Ela estava curiosa para visitar a cidade berço da musica country, não que fosse uma fã. Esperava que a atmosfera a fizesse recordar dos dias de sua lua de mel com Castle, mais que isso, ela precisava criar um clima para finalmente se abrir com ele. 
Estavam há vinte dias na estrada dos quais ela contava nos dedos de uma mão quando não fizeram amor ou trocaram umas caricias mais calientes. Por isso precisava conversar com o marido. Ela não contara a Castle que estava sem proteção desde que deixaram Nova York e mesmo sabendo que isso não era algo que chatearia o homem que caminhava ao seu lado na cidade de Knoxville, ela prometera: sem segredos. Ela revelaria o que estava pensando no próximo destino. Nashville.  
Dois dias depois, eles entravam na cidade do country. Castle estava empolgado. Já havia checado pela internet alguns dos bares famosos onde artistas começaram sua carreira. Mesmo não sendo fã do gênero, Beckett se deixava levar pelo marido. Podia reclamar o quanto quisesse de seus exageros, tudo da boca para fora. Adorava o jeito dele. 
— Beckett, que sorte a nossa! Lady Antebellum está tocando amanhã no Tootsie’s Orchid Lounge. Diz aqui que tem um pré-show de uma banda que toca Willie Nelson e Patsy Cline. 
— Castle, eu não sou fã de Lady Antebellum… 
— Temos que entrar no espirito, eles tem três palcos. Ah, Beckett, por favor, explorar é a regra numero um dessa viagem. Poderemos usar chapéus de cowboys e… 
— Menos, Castle - ela ria porque era exatamente isso que ela imaginara que ia acontecer quando chegassem ali - só falta me dizer que irá se vestir de Elvis quando chegarmos em Memphis. 
— Já me vesti em outra ocasião, isso é praticamente mandatório em Graceland. 
— Tudo bem, podemos checar o tal show. 
Na noite do evento, Castle apareceu com dois chapéus alegando que ela tinha que usar. Não aceitava um não como resposta. Ela revirou os olhos, mas acatou o que o marido pedia. 
O clube era muito bom. Beckett apreciou cada foto nas paredes. Muitos famosos passaram por ali. Castle escolheu uma mesa bem localizada com visão de palco e perto do bar. Voltou a se juntar a esposa trazendo duas doses de whisky. Fez amizade com a garçonete jogando seu charme para a moça que ficou empolgada em servir a mesa do bonitão até se deparar com Beckett. 
Ela notou que a moça ficara envergonhada ao vê-lo sentar-se ao lado de Beckett oferecendo sua dose de cowboy e beijando-lhe os lábios. Quando a garçonete se distanciou, perguntou. 
— Castle, por que a garçonete parecia envergonhada ao servir nossa mesa? 
— Talvez porque ela tenha pensado que o bonitão aqui queria algo mais além de servir bebidas quando jogou seu charme pedindo o whisky. 
— Você flertou com a garçonete? 
— Não, Beckett. Eu fui eu mesmo. Você sabe o que isso significa. Nem você resistiu… 
— E por acaso, ela não viu a sua aliança? 
— Eu estava com a minha mão no bolso - ela deu um murro nele - hey! Eu deixei perfeitamente claro que não queria nada com ela ao te beijar. 
— Sabe, Castle, Nashville é uma cidade extremamente fácil de se arranjar uma arma, ainda mais eu sendo policial. 
— E o que você faria com essa arma, Beckett? Brincaríamos de mocinho e bandido? Hum… você usando esse chapéu, segurando uma arma… posso ficar armado também, seria igual nossa lua de mel, não? 
— Não se engane. A arma não é para nenhuma cena de roleplay. É para atirar em você se ficar fazendo essas gracinhas, se oferecendo para outras mulheres. 
— Hum… detecto ciúmes, Kate? - outro murro. Ele a agarrou pela cintura sorvendo os lábios dela com vontade - não fique bravinha, amor. Só tenho olhos para você. 
— Acho bom mesmo. Preciso de outra dose de whisky - ele já ia se levantar, mas Beckett o empurrou no banco outra vez - pode deixar que dessa vez eu mesmo pego - ele adorava ver o lado ciumento de sua esposa aflorar porque trazia aquele jeito irritado que ele amava e certamente o deixava desejando-a ainda mais. 
O show começou e abraçados curtiam os bons momentos juntos. Rolavam uns beijinhos, umas mãos bobas, porém quando Hillary entoava o refrão da canção “Need you now”, ele já não podia resistir aquela bela mulher de olhos amendoados usando um chapéu bem ao seu lado acariciando sua coxa, provocando seus sentidos. Ele virou a dose de whisky de uma vez, não queria ficar mais ali. Ele se aproximou mordiscando o lóbulo da sua orelha, beijando seu pescoço e sussurrando de maneira provocante em seu ouvido. 
— Eu preciso de você agora… vamos sair daqui - ele a arrastou para fora do clube. Caminhavam com pressa de volta ao hotel. Castle parava em uma esquina ou outra para roubar um beijo ou para mordiscar os lábios dela. Pareciam dois adolescentes loucos e apaixonados. 
Ao chegar no quarto de hotel, tudo o que queriam era sentir um ao outro. Ele tirou suas roupas em tempo recorde deixando-a apenas de chapéu. Fez o mesmo com as suas. 
— Que tal relembrar nossa lua de mel, Beckett? 
A vontade de estar com o outro, o desejo que corria em suas veias a fez esquecer do que tinha planejado para aquela noite. Apenas queria sentir o corpo dele sobre o seu. Tirou o chapéu que usava e jogou longe. 
— Prepare-se, cowboy - e tomou seus lábios com vontade também livrando-se do chapéu que ele usava em meio a mordidinhas no lábio. Ela podia sentir a excitação dele contra sua coxa. Ela o jogou na cama, queria o controle ou pensava que queria. Explorava o peito dele com a boca, mordia a pele, usava a língua. Castle não a deixou ficar no comando por muito tempo. Trocaram de posição. Era sua vez de sugar-lhe os seios, tocar a pele e afastar as pernas para tocar seu centro. Em um verdadeiro jogo de gato e rato, eles se provocavam, se curtiam, se amavam. 
No momento que ela sentiu-o penetrar seu corpo, gemeu de satisfação. Castle movimentava-se dentro dela afundando-se um pouco mais até ser surpreendido por outro movimento de Beckett. Era sua vez de domina-lo, agarrava-se no estômago e no peito dele enquanto rebolava mantendo o contato intimo e intenso entre eles. Agarrou a cintura dela forçando-se rapidamente. Ergueu o corpo da cama. Beckett abraçou seu pescoço trocando um beijo ardente. Castle inclinou o corpo dela provando-lhe os seios e com uma nova estocada, ela gritou cedendo ao orgasmo. 
Ele tornou a deita-la na cama. Os movimentos não paravam. Ofegante, ela não desistia. Buscara seus lábios fazendo Castle se perder com sua língua provocando enquanto o beijava. Ele gozou. Deitados na cama permaneceram calados. Castle a puxou para cima de si, ajeitou os cabelos para trás da orelha. Sorria. Ela inclinou-se para beija-lo. Dessa vez, nada de urgência ou o louco desejo dominando. Era lento, apaixonado, sedutor. Ela se deixou aconchegar no peito dele. Adormeceram. 
Na próxima parada, Castle cumprira sua promessa se vestindo de Elvis na visita a Graceland. Até se meteu a representa-lo, ensaiando alguns versos de “Love me Tender” no microfone para Beckett na maior cara de pau no meio da rua arrancando aplausos de desconhecidos, deixando Kate vermelha com a demonstração calorosa de afeto em plena luz do dia. 
Como ela previra, ao chegarem no Texas, Castle pediu para alugarem a van e continuarem a viagem de moto apenas quando chegassem na California. Prometera que faria a rota da US1 de moto com Beckett. 
Ela não se incomodou. Um descanso era bom. 
A chegada a California trouxe outro ar a viagem. O estado ensolarado provava todos os dias porque recebera esse apelido. Em Los Angeles, eles fizeram passeios aos estúdios, ao teatro chinês, foram a Venice Beach e voltaram ao píer de Santa Monica. Sentados lado a lado observando o por do sol após uma caminhada na praia, as lembranças de um dia do passado retornaram a mente da capitã. 
— Lembra da nossa última visita a esse lugar? 
— Como poderia esquecer? E não estou falando da vista maravilhosa de você naquele maiô - eles riram - Royce. Ele foi o motivo de termos vindo a Los Angeles. A cena ainda está vivida na minha memória. Confesso que tive medo naquele dia. 
— Medo? - ela não entendeu ao que ele se referia. 
— Sim, medo que você simplesmente deixasse o impulso, a raiva apertar aquele gatilho. Meu coração dizia que você não faria isso, mesmo assim tive medo. Eu sei o que Royce significava, não pense que eu engoli aquele seu teatro ao telefone. Tudo bem, Kate. Todos nós tivemos nossas parcelas de relacionamentos frustrados. Aqueles que pareciam deixar a dúvida suspensa no ar. Engraçado como o suposto momento “e se” desaparece quando a pessoa que você ama, a única que você quer passar o resto da sua vida aparece diante de você. 
— Sua dúvida era a Kyra. 
— Sim, até o dia que a vi outra vez, ainda me perguntava se eu deveria ter ido procura-la em Londres. Nós ainda não estávamos juntos na época, mas eu já estava apaixonado. Eu me perguntava se a aparição de Kyra era um sinal dizendo para desistir de você. Mas Kate Beckett não é uma mulher fácil de se ignorar, muito menos esquecer. Eu vi como ficou mexida  durante aquele caso - ela ia abrir a boca para contestar - não negue. Lembro de suas palavras “ela é real”, como você, amor. Porém, foi quando eu a vi em perigo no caso do serial killer, quando a resgatei no seu apartamento que percebi que eu não podia lutar contra o sentimento. 
— Mesmo assim, quis se afastar. 
— Por medo de afeta-la. Foi a minha história que a colocou em perigo. E depois, Demming apareceu para atrapalhar tudo de novo. 
— E você resolveu voltar com sua ex-mulher. 
— Você recusou meu convite aos Hamptons. 
— Não vamos entrar nessa discussão. Sabemos que o nosso relacionamento nunca foi convencional - ela apertou a mão dele - e já que você está dividindo com a classe suas experiências, eu tenho uma para você. Royce foi sim uma pessoa importante na minha vida, na academia, pessoal e profissional. Ele me apoiou no caso da minha mãe. Foi o mentor, o professor, o amigo, uma paixonite, mas nunca o “e se” na minha vida. 
— E quem foi? 
— Acho que o único foi a perda da minha mãe. Na verdade, foi Royce que me mostrou que estava diante de um desses momentos quando vim até aqui investigar seu assassinato. Ele me deixou uma carta, nela Royce falava de você - ele a olhou surpreso, Beckett sorriu - eu me lembro exatamente das palavras - ela começou a recita-las - “Now for the hard part kid. Its clear that you and Castle have something real and you're fighting it. But trust me, putting the job ahead of your heart is a mistake. Risking our hearts is why we're alive. The last thing you want is to look back on your life and wonder "if only.”
Castle estava boquiaberto. Beckett continuou.
— Aquele foi meu momento porque na noite anterior eu quase cedi. Na verdade, eu ia. Voltei aquela sala, você tinha ido para o quarto para minha sorte. 
— Você está dizendo que podíamos ter ficado juntos antes do seu atentado? Como você pode considerar isso sorte, eu não estar lá? 
— Castle, babe, você sabe porque. Eu dormiria com você e depois me questionaria se fizera a coisa certa. Eu não estava sozinha e poderia ter estragado bem mais que a nossa amizade, a parceria. Quando li a carta de Royce e meses depois passei por toda aquela loucura para descobrir sobre Montgomery, minha mãe, eu sabia que não estava pronta. Havia uma grande dúvida na minha mente, não ao seu respeito, quanto a mim - ela falava olhando para o oceano a frente deles, a mão segurando a dele - Ao ouvi-lo dizer que me amava após ter sido baleada, eu sabia que para ser honesta com você primeiro precisaria ser honesta comigo mesma. A terapia me ajudou a enxergar o que eu queria ser - Beckett o fitou, ergueu a mão mostrando a aliança - E por isso estamos aqui. 
Por alguns instantes ele ficou sem palavras apenas fitando a esposa maravilhado. Ela tinha lágrimas nos olhos. 
— Não vai falar nada escritor? 
— Eu te amo, Kate - beijou-a apaixonadamente. 
— Always - ela se levantou, ofereceu a mão para ele - vamos nos preparar para pegar a estrada, chega de carro - de mãos dadas, eles caminharam de volta ao calçadão e em direção ao hotel. 
No dia seguinte, eles pegariam a Pacific Coast Hwy também conhecida como a número 1. Sairiam de Los Angeles passando por várias cidades menores fazendo a rota por Monterrey, Carmel, Big Sur até São Francisco. De lá partiriam para Vegas também via estrada parando em Yosemite e no vale da morte. 
A paisagem da viagem pela costa do pacífico era de tirar o fôlego. O conjunto da natureza, o céu, o oceano contribuíam para deixar tudo mais interessante. Passaram por Big Sur. As montanhas faziam Beckett se sentir viva. No porto de Monterey, eles pararam e saborearam uma lagosta incrível. Eles estavam parados abraçados observando o sol se perdendo no oceano quando Beckett suspirou e deixou as emoções a dominarem. Ela e Castle já estavam a mais de um mês com o pé na estrada. Voltar para casa era algo que não cruzava os pensamentos da capitã, outra coisa sim. 
— Isso é tão lindo. Traz uma sensação de paz interior - Castle beijou sua nuca - pela primeira vez, desde que todo aquele terror aconteceu. Eu sinto que estamos nos dando a chance de sermos felizes. 
— A paisagem está te deixando emotiva, Beckett? - ela virou-se para fita-lo. Suspirou - hey, o que foi? Você acabou de dizer que estava feliz, por que esse olhar? Essas lagrimas? - ela acaricia o rosto dele. 
— Eu preciso te contar uma coisa. Na verdade, trazer à tona uma conversa já adiada por nós dois há algum tempo. 
— Mais segredos? 
— Não é bem um segredo. Talvez uma omissão. Estou falando de futuro, babe. Para isso preciso falar do que aconteceu após eu acordar naquele hospital. 
— O que aconteceu é simples. Você e eu fomos feridos, nos recuperamos e estamos aqui vivendo nossa vida, nosso casamento. Felizes. 
— Essa é a versão reduzida do que experimentamos. Nas entrelinhas dela teve o seu sofrimento enquanto eu não acordava, depois o momento de tristeza porque estava dividido, brigado com sua filha e depois a volta da normalidade. Para mim, houveram sonhos enquanto eu dormia, a alegria de ver seu rosto outra vez, a preocupação de vê-lo triste e não saber o que fazer por causa de Alexis e reflexões sobre o futuro. Acho que desde que nos casamos nunca houve espaço para essa conversa do futuro. Eu tentei traze-la à tona uma vez, logo após aquele caso da suposta gênia, lembra? Você me disse que não precisava de gênio porque tinha tudo o que poderia desejar. Você me pegou de surpresa com as suas duas respostas. 
— Você estava falando da máquina do tempo? É verdade. 
— Eu sei. E naquela noite, o assunto que tentei investigar foi perdido pelas suas palavras, escritor. E não voltou então veio Loksat. 
— Kate, o que você está querendo me dizer? Qual é o mistério? 
— Eu venho pensando sobre o nosso futuro, Castle. E-eu não queria falar sobre isso com toda a situação com Alexis - ela colocou uma mão sobre o peito dele, não desviou o olhar quando falou novamente - desde que nós saímos de Nova York, eu não venho tomando nenhuma precaução, estou falando… 
— Beckett, você está falando…
— De família. Nossa família, Castle. Eu quero ter um filho com você. Não é algo para ter pressa, e-eu só precisava dividir isso com você. Eu acho que estamos prontos. Eu estou pronta. 
— Você está dizendo que todas as vezes que nós fizemos amor, nós podíamos… você está se sentindo diferente, é isso? Está achando que está gravida? - ela riu beijando-lhe os lábios. 
— Não, babe. Não estou grávida ainda. Parei de tomar meu anticoncepcional, mas cada organismo é diferente. Pode demorar. Tem mulheres que assim que suspendem, ficam grávidas na primeira tentativa, outras levam meses, anos. Eu apenas quero que você saiba que decidir tentar e se você achar que devemos esperar eu…
— Não, por favor. Eu não quero esperar, amor. Acho que já adiamos demais. Vamos continuar tentado. Eu sei que não vai demorar, posso sentir. 
— Você não está chateado por eu ter te escondido isso por mais de um mês? Nós prometemos sem segredos. 
— Claro que não. É uma coisa boa. Na verdade, a melhor coisa que você poderia me dizer depois que voltou para mim, Kate. Você está pronta - ele a beijou. Tornou a abraça-la por trás, olhavam o oceano. De repente, ele comentou. 
— Tenho que caprichar nas próximas. Preparar minha performance - ela olhou para o marido erguendo uma das sobrancelhas. 
— Você se deu conta de que isso não é uma competição ou uma corrida até a linha de chegada, certo? 
— Oh, Beckett, mas um dos meus nadadores cruzará a linha de chegada e quando isso acontecer, um pequeno bebê lindo e charmoso como o pai se formará dentro de você - ele tocou o ventre dela. Rindo, ela beijou o marido outra vez. 
— Castle, sem pressão… vamos apenas curtir o momento, tudo bem? Além do mais, quem disse que será um menino? Seu histórico mostra que não consegue viver sem as mulheres ao seu redor… 
— Só preciso de uma, você. Mas se você der a luz a uma menina igual a você, eu vou ser o homem mais feliz do mundo. 
— Até ela completar treze anos - ela viu o olhar de pavor no rosto dele. Castle balançou a cabeça. 
— Quantas vezes terei que pedir para não destruir minha história com a sua lógica? - rindo, ela o puxou pela mão. 
— Vamos, Castle. Hora de seguir viagem. 
Pernoitaram em Carmel. Depois, seguiram para São Francisco onde passaram três dias curtindo a cidade. De volta a estrada, Castle não via a hora de chegar a Vegas apesar das próximas paradas interessarem bastante a Beckett. Yosemite Park era um paraíso verde em plena California. Claro que Beckett aproveitou para colocar Castle para fazer umas trilhas consigo. Ele não reclamou. Era bom caminhar depois de tanto tempo sentado no banco de uma moto. Durante a trilha, ele não podia deixar de pensar na revelação de sua esposa. Estando a mais de um mês na estrada, juntos, a ideia de que a qualquer momento, em qualquer noite que fizessem amor poderiam estar gerando uma vida, dando inicio a sua nova família era incrivelmente maravilhosa. 
Lembrou em como pensara sobre isso quando ela estava em coma. Chegara a mencionar o desejo a Beckett. Tinha que reconhecer, a atitude de sua esposa o pegou desprevenido. Castle acreditava pelas suas experiências anteriores com ela que se alguém tomasse a iniciativa quanto ao assunto, seria ele. Beckett vinha considerando a ideia a algum tempo. O que será que a motivou? Seria a possibilidade de morrer? A segunda ou melhor terceira chance que recebera de viver? Fora influenciada por alguém? Ele pensou em Johanna. Tantas perguntas! Queria faze-las, não sabia como. 
Ela mencionara Alexis. Beckett teria abordado a questão antes se ele não estivesse brigado com a filha por causa dela. Entendia muito bem porque. Sua esposa tinha medo que ela estivesse falando de engravidar para suprir, substituir Alexis. Suspirou. Outra vez ele agradeceu pelo dia que ela invadiu sua festa de lançamento para interroga-lo. 
— Sem fôlego, Castle? Está calado. 
— Apenas apreciando a paisagem e pensando. Agradecendo para ser sincero. 
— Posso saber por que?
— Agradecendo pelo dia que você apareceu naquela festa de Storm Fall esfregando o distintivo na minha cara, no momento que mais precisava de algo diferente. 
— Você quer dizer no momento que precisava de uma nova distração. 
— Beckett, você nunca foi uma distração. Quer dizer… sim, porque me diverti muito te irritando, mas você me salvou. Eu voltei a escrever, fiquei intrigado com a sagaz detetive escondida atrás de um trauma e outros mistérios. E não estava errado quando disse que achei que você era o mistério que nunca solucionaria. Acredite, oito anos depois, Kate Beckett continua mostrando facetas escondidas, continua sendo meu mistério favorito. 
— Isso é bom? Pensei que não gostasse de ter segredos entre nós depois de tudo… 
— Isso é maravilhoso porque não se trata de segredos, não é nada que coloque em risco minha confiança em você. Na verdade, é um ingrediente fundamental para nos manter conectados, fortalecer o relacionamento. Você me surpreendeu mais uma vez. E Kate? Isso só me faz ama-la cada vez mais. Você estava tão preocupada que o nosso casamento virasse rotina, nos tornássemos chatos… como? Impossível! Nós somos incríveis e continuaremos sendo. 
Ela se aproximou dele. Afastou os cabelos grudados na testa pelo suor. Beijou-o. 
— Acho que chega de caminhada por hoje. Estamos precisando de um banho e um ótimo vinho para relaxar e brindar ao meu marido maravilhoso e nossa relação incrível - ele sorriu. 
— Adoro quando você fala assim porque vejo que acertei em várias coisas, fiz boas escolhas. 
— Ah, você certamente fez - Beckett ofereceu a mão que Castle aceitou na mesma hora seguindo o caminho de volta de mãos dadas com ela. Haveria tempo suficiente para perguntas. Não hoje.  
Seguiram pela estrada rumo a Las Vegas. O sol incomodava um pouco e Beckett sugeriu uma parada em uma das áreas de descanso da estrada. O corpo pedia por um café, porém o calor era maior. Disse a Castle que ia ao banheiro enquanto ele se decidia o que iria comer. Lavou o rosto sentindo-se bem melhor. Desconfiava que pegara uma insolação. O corpo estava moído, a cabeça pesava, tinha sono. Talvez devessem diminuir o ritmo de viagem. Ela prendeu os cabelos em um rabo de cavalo, molhou a nuca. 
Quando encontrou o marido, ele estava bebendo um milk-shake de chocolate. 
— Não comprou café? 
— Muito quente para café, fiquei na dúvida entre um frapuccino ou o shake. O que você quer comer? Verifiquei e não tem nada saudável. Pizza, sanduíche, frango frito - ela pegou o copo da bebida, provou e automaticamente levou o copo a nuca. Foi quando Castle notou o quanto ela estava pálida - Beckett, você está bem? 
— É o calor. 
— Você está pálida. Melhor se sentar - ele puxou-a para uma mesa. Beckett sentou-se colocando a cabeça entre as mãos. Castle deixou-a sozinha por uns instantes voltando com uma garrafa com agua gelada e um pratinho de frutas que encontrara no café - beba e coma. 
— Acho que peguei uma insolação - ela tomou um pouco da agua - ou talvez seja cansaço. Dirigimos muitas horas desde que saímos de Yosemite sem parar - ele se sentou ao lado dela. Abriu o pote de frutas e ofereceu um pedaço de melão no garfo para ela. 
— Por que não me disse que estava cansada? Podíamos ter parado antes. Você vai se recuperar e seguiremos para o primeiro motel que encontrarmos. Voltaremos para a estrada amanhã. Não temos pressa. Vou pegar algo para comer. 
Enquanto estava na fila, ele pensava nela. Preocupado. Um pensamento lhe ocorreu. Será? A vontade de perguntar era grande, contudo não podia aborda-la ali, no meio de estranhos. Retornou à mesa com dois pedaços de pizza e uma porção de breadsticks. Ela comia as frutas. Satisfeito, voltou a atenção ao seu prato. Castle reparou quando ela pegou um dos pãezinhos e comeu. Ela se levantou. 
— Vou pegar um café gelado. 
— Tem certeza? Não prefere um suco? Um shake de morango. Não acho uma boa ideia tomar café. 
— Castle, eu preciso de café - ele não disse mais nada. 
Beckett retornou com o copo. Parecia mais corada. Sentou e encostou a cabeça no ombro dele. 
— Está melhor? 
— Sim - ela puxou um saco com dois cookies, um de aveia e um de chocolate. Mordeu o de aveia oferecendo o outro para Castle - comprei para você. 
— Obrigado. 
— Preciso de um banho. Poxa, eu tinha um plano para nós, uma brincadeira. Vou ter que deixar para outra ocasião. 
— Tudo bem, temos tempo para isso - a curiosidade porém já tinha sido atiçada - o que exatamente era essa brincadeira? Alguma loucura? Vou gostar? Ah, Beckett… por que você fez isso? - ela riu - não, está errado. Precisamos nos concentrar em descansar. Você precisa estar bem para curtirmos Vegas - ela roubou um pedaço da pizza. 
— Hum… isso está gostoso. Quero um pedaço, compra para mim? - claro que ele satisfez a vontade da esposa. Ela comeu a pizza com gosto. Após certifica-se de que ela estava realmente bem, eles saíram do local. Pegaram suas motos e dirigiram por quinze minutos   até o motel mais próximo. Beckett agradeceu por poder tirar as botas e a roupa mergulhando o corpo numa banheira com agua gelada. Ficou mais de uma hora relaxando. Castle checava se estava tudo bem de tempos em tempos. 
Quando ela apareceu com os cabelos ainda molhados usando um roupão, ele sorriu lembrando-se daquela noite em que ela surgiu na sua porta molhada de chuva. O dia que deram um passo a mais na historia deles. 
Beckett sentou na cama. Ele a fitou. 
— Você curtiu bastante o banho, não? 
— Estava precisando. 
— Não fuja, vou tomar o meu e vamos deitar nessa cama para descansar. Verifiquei os arredores. Mais tarde vou comprar uma comida decente para nós. 
Vinte minutos depois, ele surgia usando um short de malha e camiseta. A temperatura do quarto estava agradável devido ao ar condicionado. Beckett estava escorada na cabeceira da cama. Assistia algo na tv. Um episódio de série médica. 
— Grey’s Anatomy? 
— Não tinha nada mais interessante. Acabei me lembrando de Johanna. Será que ela e Paul estão bem? 
— Aposto que sim. Aquele médico seria muito burro se deixasse uma mulher como Johanna escapar - ao vê-lo sentar-se ao seu lado, ela foi atraída pelo perfume. inspirou o pescoço do marido fechando os olhos. Ela amava fazer isso.
— Está cheiroso - ele aconchegou-a em seu peito. 
— Não quer esticar seu corpo? Está cansada, amor. 
— Estava esperando meu travesseiro particular - ele riu deitando-se na cama levando-a consigo. Beckett deitou a cabeça no peito dele. Suspirou e beijou-o sobre a camisa. 
— Eu tenho que perguntar. Esse cansaço, a palidez, tem certeza que não está gravida? - ela olhou para o marido, viu o traço de ansiedade e esperança nos olhos azuis. 
— Não, Castle. 
— Tem certeza? Você não está bem, está com sono, nós estamos treinando muito e… - ela colocou o indicador nos lábios dele. 
— Porque eu sei…
— Não é melhor fazer um exame? Posso ir numa farmácia comprar um daqueles de cinco minutos. 
— Castle, eu não estou grávida. 
— Como pode afirmar com tanta certeza? Você nunca ficou antes! Ou você já…
— Claro que não, Castle - ela sentou-se na cama. 
— Sö estou dizendo. Você não quer ter certeza? - ela olhou para Castle. Conhecia bem o marido que tinha. 
— Você não vai sossegar, certo? Vai me irritar até conseguir que eu concorde com o teste. 
— É bom saber que você me conhece tão bem, amor. Posso ir comprar? - ela revirou os olhos. 
— Tudo bem, mas Castle, por favor, não alimente esperanças. Não quero vê-lo triste com um resultado negativo - ele levantou-se da cama. Vestiu a calça jeans rapidamente. Pegou a chave da moto e a carteira. 
— Eu já volto. 
Beckett suspirou admirando o jeito do marido. Não sabia explicar porque, apenas não estava grávida. Não sentia como se tivesse. Ela entendia que não iria apressar as coisas, tudo aconteceria quando tivesse que acontecer. 
Castle retornou com uma sacola plástica contendo sorvete, batata chips, garrafa de suco, cerveja e o teste. 
— O que aconteceu com o discurso de comprar comida decente? 
— Esse é apenas um lanche. 
— Sorvete? Para o caso de ser negativo? - ele deu de ombros, entregou a caixa para ela que seguiu para o banheiro. Beckett retornou minutos depois com o objeto nas mãos. Viu o quanto Castle estava ansioso - cinco minutos. Castle, por favor, promete que não vai ficar triste. Eu conheço você, está empolgado com a ideia. Só porque eu parei de me proteger não quer dizer que estejamos desesperados. Vai acontecer naturalmente. 
— Eu estou ansioso, não vou mentir. Eu sei que pode demorar ou não - ele viu a preocupação nos olhos dela - hey, vai ficar tudo bem. Se você não estiver grávida, tentaremos de novo. 
— Eu sei disso, só não quero que você transforme isso em um projeto, uma prioridade. Estamos curtindo nossas férias. Isso não pode ser a nossa meta de vida - ele tocou o rosto da esposa. Sorriu. 
— Não é o momento de ficar paranóica, Beckett. Eu sei o que você está dizendo. O que deveremos ver no display? 
— Dois para grávida, um para não - ela virou o teste para que ele visse o resultado, pela cara dele sabia que estava certa - eu disse, não? 
— Uma outra vez. Chegaremos lá. Quer sorvete? Trouxe chocolate também - rindo, ela caminhou de joelhos até a cabeceira da cama. Ele fez o mesmo. Saborearam o sorvete, trocaram beijos. 
— Você não está decepcionado, babe? Por eu não estar grávida? 
— Não, Kate. Você sabe que meses atrás essa ideia sequer passava pela minha cabeça porque estava focado em ajuda-la, entendia que tínhamos uma missão. Não me importo de esperar um pouco mais - a reação dela foi beija-lo. Vendo que ela estava relaxada, Castle decidiu iniciar a conversa adiada.
— Beckett, você mesma já disse e reconhece o quanto sou curioso. Será que pode satisfazer essa curiosidade? - ela ergueu as sobrancelhas - não estou falando do lance de mais cedo. Estou falando da revelação sobre você querer um bebê. Quer dizer, era algo que eu esperava conversar algum dia, no futuro, sempre imaginei que seria eu a abordar o assunto. 
— O que você quer saber, Castle? 
— O que a fez tomar essa decisão? Foi a nova chance que recebeu, a experiência pós-coma? Ou alguém mais teve influência nisso?
— Como sempre, muitas perguntas - ela riu - foi um pouco de tudo. De toda a história de Loksat, o que mais me incomodou foi tê-lo magoado. Ter feito você sofrer agindo exatamente da maneira que Rita me alertou a não fazer. Eu arrisquei nossas vidas, não pensei nas consequências. Deve ter alguma explicação para que eu tenha recebido essa nova chance. Eu lembrei do que disse a você antes de sair de casa. Colocar tudo para trás a fim de viver nosso final feliz. Esse pensamento me incomodou. O que faltava no nosso final feliz? Eu vi nas discussões com Alexis que a entendia porque também sou filha, mas não conseguia entende-lo completamente porque não sou mãe. Durante uma conversa com Johanna… - ela parou de falar fechando os olhos. Castle apertou a mão dela. 
— Johanna perguntou se não pensava em ter filhos. Naquele momento, eu percebi que queria. Adoraria. Já vinha pensando sobre o assunto, mas a forma como ela falou que ia acontecer. A certeza nas palavras. Eu soube que não podia adiar mais. Relutei porque…
— Alexis. Você não queria falar por causa da minha filha - ele não precisava de confirmação, os olhos diziam tudo - Kate, tem ideia do quanto é maravilhosa? Antes você dizia não ser boa com bebês, mas ambos sabemos que essa não era a razão porque você evitava. Havia um vazio, um senso de família que foi perdido. Acho que finalmente você superou isso. Johanna, sua mãe, estará orgulhosa de você. E a outra Johanna… 
— O que tem ela, Castle? 
— Eu preciso agradece-la bem mais do que imaginava. 
— Castle, isso é loucura? Quer dizer eu gosto dela, conversar, rimos. Foi interessante vê-la tão vulnerável como eu, medo de assumir o que sente por Paul. A forma como ela me entende, dá conselhos… eu não sou assim! 
— Você é, Kate. Apenas passou muito tempo se escondendo por trás dos muros para perceber. Não é loucura. As vezes, a vida nos prega peças, nos traz pessoas que podem impactar nossas vidas de modo positivo ou negativo. Algumas são passageiras, outras vem para ficar. Johanna é uma delas. 
— Passageiras? 
— Não, você já criou um vínculo com ela desde que a médica a atendeu naquele hospital. Fazê-la ficar depende exclusivamente de você. 
— Você e seus papos de destino… - ela relutava em acreditar ou seria em ceder a ideia? 
— Funcionou para nós, não? Até as videntes acertaram - a careta dela foi engraçada. 
— Vidente? Faça-me o favor, Castle! Bando de charlatãs. 
— O que? Você já esqueceu? A filha de Vivian disse que um homem chamado Alexander seria muito importante para você. E eu lhe contei sobre a bela mulher que se mudaria para o meu loft e ficaria comigo para sempre. Acabei por descobrir que não se tratava da minha mãe. 
— Continue sonhando, Castle… não faz mal a ninguém - ele não se importava com as palavras de implicância. O belo sorriso no rosto de sua esposa e o brilho no olhar provavam que ela, assim como ele, também acreditava na história.     

Naquela noite eles não fizeram amor. Talvez pelo cansaço, a conversa, a ideia de futuro. Apenas dormiram nos braços um do outro. Pela manhã, após o café seguiram para Vegas. Ainda tinham alguns dias de diversão pela frente.  


Continua...

2 comentários:

rita disse...

A cada dia amando mais! Como sempre parabéns Karen. Beijos da amiga.

cleotavares disse...

Ownt! Que lindo a Kate revelando seu desejo de formar uma família com o Castle. Fiquei mais ansiosa que o Castle, pelo resultado do exame.
Continuem "treinando" queridos.