segunda-feira, 5 de junho de 2017

[Castle Fic] Vendetta - Cap.3


Nota da Autora: Finalmente apareci. Desculpem o atraso, gostaria de poder dizer que sou paga para escrever, quem dera fosse meu full-time job! Enfim, vamos a algumas informações importantes sobre os próximos capítulos: tenham paciência. Essa historia tem muito background, ela é baseada em pontos de vista e estresse (aka angst psicológico), portanto faz-se necessário desenvolver o caminho até a grande ação e o angst (sim, ele vai chegar! aos poucos). Apenas aproveitem a jornada. Btw, teremos visitas em breve! Enjoy! 


Cap.3 

Beckett fitava o corpo da vitima com uma expressão tensa. Lanie lhe entrega o saco de evidências com o anel. Aço. Como era possível? Castle sabia que ela estava alarmada. 
— Você tem alguma teoria, Beckett? - pergunta Esposito. 
— Ela certamente está pensando em algo - disse Castle optando por não comentar o quão preocupada ela parecia e nem questiona-la diretamente. 
— Castle tem razão. Eu não apenas conheço a cena como posso afirmar que é de um serial killer. O que não faz sentido é que o responsável por essa morte deveria estar preso em Sing Sing. Ele pegou 50 anos e a ideia de condicional era passiva de discussão. Não é possível, simplesmente não pode ser. Os elementos da cena estão todos aqui. Os cortes no corpo, a coleira de espinhos, a marca do anel… ele deveria estar na prisão. 
— Quem é ele? - Ryan perguntou. 
— Andrew Logan. Foi preso há doze anos. Também conhecido como noivo de aço porque marca suas vitimas na mão direita com uma aliança de aço queimando a pele no local exatamente como a nossa vitima. 
— Talvez ele esteja preso ainda - sugeriu Ryan - podemos checar. 
— Sim, e se essa informação se confirmar, eu diria que estamos diante de um copycat. Como você conhece esse cara? O nome em si não me traz nada à memória, porém doze anos eu estava escrevendo sobre Storm, no auge mesmo… - disse Castle. 
— Eu estava na Roubos, 54th - declarou Esposito. 
— Eu, na narcóticos.
— Logan foi meu primeiro grande caso como detetive. Eu tinha conseguido meu distintivo há pouco tempo e como não tinha um parceiro, Montgomery me designou para o caso porque acreditava que um par de olhos frescos, não viciados, ajudaria na investigação. Eu acabei sendo a pessoa que encontrou a evidência que faltava para ligar Logan aos crimes. Ele não é fã de mulheres em geral. Sua obra como ele mesmo designara era uma demonstração disso. 
— Como começou? 
— A noiva o deixou. É dai que vem os maus tratos e o lance da aliança, sua marca. Ele matou  seis mulheres, apenas uma por impulso: sua mãe. Portanto ele não a considera parte da sua obra. Em sua mente perturbada, ele matou cinco mulheres do mesmo jeito que a nossa vitima atual, sendo a primeira a noiva. Precisamos ser extremamente cautelosos nesse caso. Cada detalhe importa. Lanie? Peça para os rapazes do CSU revirarem esse lugar de cima a baixo. Logan é conhecido por não deixar impressões digitais ou qualquer resíduo de DNA. As únicas vezes que fez, o condenaram - ela checa o relógio - são quase uma da tarde. Eu sugiro fazer uma pausa. Ryan, vejo você no distrito daqui a duas horas. Reuna tudo o que puder sobre a cena, cheque com os oficiais da patrulha o depoimento da vizinhança, câmera de segurança. Qualquer coisa estranha nas ultimas 48 horas. 
— Espo, você vai com Lanie para o necrotério, quero saber tudo o que puder sobre a vitima. Uma hora de pausa e uma hora para conseguir todas as informações. Eu ligarei para a prisão. Tenho que confirmar se Logan continua preso, então saberemos se estamos diante de um copycat. Eu também precisarei avisar ao comandante. Esse caso gerou muita repercussão na mídia, má impressão para a NYPD portanto nenhuma palavra sobre o que vimos aqui. Esposito, você tem minha permissão para amedrontar os oficiais quanto a isso. Castle, venha comigo. 
Ele se mantivera calado por um bom tempo deixando a capitã orquestrar o show. Ao entrar no carro, ele perguntou. 
— Você está bem? Fiz a coisa certa ao ligar para você? - ela suspirou. Passou a mão nos cabelos. 
— Sim, você acertou. E antes que fique com essa cara fechada e o ar de preocupação que não combina com você, eu estou bem. Apenas fiquei surpresa ao me deparar com uma cena do passado. 
— Então, ele foi seu primeiro serial killer? O grande caso? 
— Sim, eu já tinha trabalhado com outros assassinatos, prendendo caras realmente maus. Porém, foi o primeiro caso onde eu vi o que a mente humana é capaz. E ainda teve toda a ligação com mulheres. Eu era a única detetive do 12th, e a publicidade, a mídia fez muito alarde porque Logan matou cinco pessoas antes de ser pego. Tão ruim quanto Tyson. É por isso que terei a responsabilidade de comunicar o comandante. Contudo, eu preciso confirmar a prisão de Logan. 
— Mas antes, você precisa almoçar e depois voltaremos ao 12th. Podemos até pegar comida para levar desde que façamos a pausa que você mesma concedeu aos seus detetives. 
Beckett achou melhor não argumentar. Isso ajudaria Castle a encarar a situação com mais calma. A verdade era que ela não queria transparecer seu próprio nervosismo. Eles pararam em um restaurante chinês, escolheram seus pratos e rumaram para o distrito. Na sua sala à portas fechadas, eles desfrutavam a comida e Castle a manteve distante do telefone por quase uma hora. Finalmente, cedeu. Beckett pegou o telefone e ligou para o gabinete do diretor da Sing Sing. 
— Boa tarde, aqui é a capita Kate Beckett, eu gostaria de falar com o diretor Foster. É um assunto urgente. 
— Um minuto, vou confirmar se ele está disponível - ela espera na linha por dois minutos - ele irá atende-la, vou transferir a ligação - nos próximos segundos uma voz cansada a cumprimenta. 
— Capitã Beckett, aqui é o diretor Foster. Em que posso lhe ser útil? 
— Diretor, eu preciso de uma informação sobre um dos seus presos, contudo devo lhe pedir sigilo quanto a essa ligação. 
— Claro. De quem se trata? Algum cúmplice de assassinato? Alguém que tenha informações importantes sobre um caso em que esteja trabalhando? 
— Ainda não sei ao certo, mas dependendo do que me diga, terei uma ideia. 
— Qual o nome do preso? 
— Andrew Logan. Condenado a 50 anos em regime de segurança máxima. 
— Ah, Logan… - o jeito que o diretor falou não agradou Beckett - ele está conosco. É um cara pacato, se relaciona bem. Não apronta com os companheiros. Não tem histórico de mau comportamento. Faz seu acompanhamento psicológico regularmente. Por que pergunta? 
— Nada especifico. Apenas uma dúvida. Ele se mistura bem com os demais presos, então? Tem amizades? 
— Na prisão não existem amizades, Capitã. Eles aprendem a conviver. Existem grupos. Você sabe como funciona. Quando se é um assassino geralmente se tem o respeito dos demais. 
— Entendo. Bem, obrigada pela sua ajuda. Tenha um bom dia - Beckett desligou o telefone. Deixou escapar um suspiro de alívio. 
— Sente-se melhor sabendo que Logan está preso? 
— Um pouco. O que não me agrada é o fato dele ter um copycat. Um fã. Doze anos depois? Não soa estranho? 
— Se você levar em consideração que exaltar um serial killer por si só já é estranho, depois de tanto tempo torna-se bem pior - disse Castle - o que você vai fazer? 
— Tenho que avisar ao comandante. Você pode pegar café para mim enquanto faço essa ligação? - ele apenas sorriu. Era óbvio que ela queria um momento a sós para falar com o seu superior. Estava claro para Castle que esse era um assunto delicado. 
Sozinha, ela respirou fundo antes de ligar para a 1PP. Não podia passar qualquer insegurança para o seu superior. Imaginava que ele tinha conhecimento do caso. A secretária dele pediu para que a capitã aguardasse. Ele estava em uma ligação. Cinco minutos depois, ela volta para dizer que o Comandante não tem muito tempo para conversar. Sua próxima reunião será em quinze minutos. Beckett a convence de que é mais tempo do que precisa. 
— Capitã Beckett. O que você precisa tão urgentemente de mim que Gates não possa resolver? 
— Desculpe incomoda-lo, Comandante. Eu acredito que tenho um caso critico para a NYPD em meu distrito. Houve um assassinato hoje, quer dizer, descoberto hoje. A vitima está morta há mais de 24 horas. Trata-se de uma cena de um caso do passado, senhor. Um serial killer. O nome Logan, noivo de aço significa alguma coisa para o senhor? 
— Eu não ouço falar disso há muitos anos. Aconteceu há…talvez oito, dez anos? É claro que eu lembro, mas por que você está falando disso? Ele não está em Sing Sing? 
— Sim, comandante. Porém, os elementos da cena são os mesmos de Logan. Acredito que estejamos diante de um copycat. 
— Isso pode ser um problema especialmente se o seu suposto assassino começar a matar em série a exemplo de Logan. A publicidade, a mídia, não queremos repetir os problemas do passado. Capitã, como seu superior eu quero que assuma essa investigação pessoalmente. Mantenha sigilo, não quero qualquer comentário na mídia sobre o que você tem em mãos. 
— Certo, senhor. 
— Você já tem alguma suspeita? 
— Como disse, a cena é bem parecida com as de Logan. A equipe de peritos está trabalhando e meu time de detetives também para coletarmos o máximo de evidências possíveis, contudo não acredito em digitais nem DNA. Se esse copycat é realmente um fã, tomou todas as precauções necessárias para não deixar pistas. 
— Beckett, eu quero sua atenção total nesse caso. Desvende-o o quanto antes. Não quero uma fila de mortes dessa vez e você tem carta branca para usar todo o recurso que precisar. Falarei diretamente com a Capitã Gates sobre isso. Tem alguma linha de investigação para seguir? 
— Talvez, primeiro quero ouvir o que meus detetives conseguiram antes de pular em uma direção, já tenho uma ideia do que deveremos seguir. 
— Ótimo. Qualquer novidade me mantenha informado. 
— Sim, senhor. Obrigada - mal desligou o telefone, ela discou o numero de Gates. Castle a observava do lado de fora pelo vidro. Queria lhe dar a chance de colocar os pensamentos em ordem. Estava muito claro para ele que esse seria um caso bem complicado e sua curiosidade de escritor estava atiçada com o pouco que vira na cena. Entretanto, no momento que ele viu o semblante de Beckett, entendeu que o que tinham pela frente ia além de um caso de assassinato, além de um copycat. O envolvimento dela era um ponto importante e sua reação somente demonstrou que iriam entrar em rotas turbulentas. 
Vendo que ela estava escorada em sua cadeira outra vez olhando para o nada, ele se aventurou a entrega-lhe o café. 
— Um latte como você gosta, capitã. Tudo bem? 
— Sim, estou oficialmente responsável pela investigação. Palavras do comandante. Ele pediu para mantermos sigilo e não pouparmos recursos para evitar mais derramamento de sangue. Ele se lembra de Logan. 
— Ele também se lembra que era seu caso? 
— Não sei, achei melhor não mencionar isso a ele por enquanto - ela bebeu um pouco de café. Castle sabia que ela estava matutando algo naquela cabeça prodigiosa e teimosa. A questão era saber se estava pronta para dividir seus pensamentos com ele. Tentando ser sutil em sua abordagem, ele começou quase pedindo desculpas. 
— Sabe, eu quase me sinto mal por ter desejado um caso intrigante. Quer dizer, quando eu vi aquela cena eu praticamente vibrei pensando “pode ser grande, um serial killer, posso investigar com Beckett outra vez”. Sim, não vou negar que imaginei tudo isso. No entanto, se soubesse que era um caso ruim, difícil, eu não teria…
— Hey… deixa de bobagem, Castle. Você não poderia adivinhar que um amante de um serial killer ia resolver aparecer doze anos depois na minha jurisdição. Não é sua culpa. 
— Ah, então você está considerando o fato de que isso tenha sido proposital? 
— Não disse isso. 
— Beckett, sou eu e conheço você. Está intrigada e sei que está se perguntando: porque doze anos depois. Tem alguma teoria? Acha que ele conhece Logan? 
— Não sei. Não quero especular nada. Ele definitivamente conhece o trabalho de Logan. 
— Eu não. Preciso me familiarizar com tudo para ajuda-la. Afinal, seremos parceiros novamente. 
— Castle, não tão rápido. Quero primeiro ver tudo o que conseguimos. Montar um quadro e partiremos dai. 
— Você já tem uma linha de investigação. Posso sentir - ela balançou a cabeça, talvez ele soubesse exatamente ou desconfiasse que ela não estava colocando todas as cartas na mesa. De qualquer forma, Beckett optou por não fazer disso algo maior do que seria sem informações concretas.
— Eu quero evidências. Os rapazes já voltaram? 
— Sim, faz cinco minutos. 
— Ótimo, quero ouvir o que eles tem a dizer - ela se levantou saindo da sala. Castle suspirou. Não fora dessa vez. Reunidos de frente para o quadro de evidencias, Beckett analisava as fotos e as informações escritas por Ryan - o que você conseguiu? 
— Nenhum vizinho ouviu nada de estranho. O prédio tem poucas unidades ocupadas e nosso assassino não perturbou ninguém. Tudo indica que a vitima o conhecia. Não há câmeras de segurança no prédio ou nas ruas. Sem sorte ali. 
— O que nos faz concluir que se conheciam? - perguntou Castle. 
— Entrar em um prédio sozinha com um cara? Além disso, não há sinal prévio de luta segundo Lanie. Ele usou um tranquilizante para dopa-la o suficiente para montar a cena, inseriu álcool, o que provavelmente serviu de disfarce para o remédio. As marcas que vimos em seus pulsos foram feitas pelo movimento da própria vitima ao ser violentada. Ele usou três dildos de diferentes tamanhos e por ultimo um instrumento de penetração serrilhado que feriu a vagina da vitima. Ela teve orgasmos provocados pelos movimentos. Usou de força para machuca-la. A queimadura no dedo é compatível com a aliança encontrada no local. Ele não deixou qualquer vestígio no corpo. Não houve contato. Provavelmente estava de luvas todo o tempo. Segundo Lanie, ele repetiu o ritual várias vezes com diferentes intervalos entre eles. Por ultimo, a estrangulou.
— Obrigada, Esposito. Tudo o que me contou é compatível com o estilo de Logan, portanto é definitivamente um copycat. 
— A neve tem algo a somar no caso, Beckett? 
— Sim. Todos as mortes executadas por Logan foram no inverno. Duas em locais externos onde havia neve. Três internamente e ele se deu o trabalho de colocar neve. 
— Significa que se houverem outras mortes serão cometidas até o fim de fevereiro, inicio de março? - indagou Ryan. 
— Não necessariamente. Um das cenas ele usou neve falsa porque não havia a real disponível. Não sabemos até que ponto esse assassino irá copiar seu mentor. Cinco mortes? Uma, duas? Não sabemos suas intenções. E a vitima? Descobrimos algo relevante que possamos investigar mais a fundo? 
— Ela era estudante na NYU, porém não era muito sociável. Veio do Oregon para cá. Gostava de ficar sozinha. Tinha um emprego em um restaurante como hostess à noite, nos fins de semana. Frequentava a biblioteca pública e tem uma colega de quarto na universidade. Irei conversar com ela. Está vindo para cá. Teremos que informar a família. 
— Sim, Oregon você disse? - Esposito afirmou.
— Isso. Um irmão e a mãe. O pai faleceu há dois anos. Ataque cardíaco.
— Isso vai ser difícil. Apenas para reforçar. Eu estou responsável diretamente pela investigação. O comandante exige silêncio absoluto e rapidez. Esposito entreviste a colega e descubra os hábitos de Jane, se estava saindo com alguém, um namorado ou um possível amigo. Sugiro você ir ao apartamento dela, uma agenda, um notebook, precisamos saber o que ela fazia socialmente além da faculdade. Ryan, converse com professores e solicite informações de seu cartão da biblioteca. Talvez consigamos refazer seus passos nas ultimas 48 horas. Ela foi morta na segunda. Tente descobrir o que fazia. Eu irei falar com a família. 
Foi bem difícil contar o que acontecera para a mãe de Jane. Beckett teve que ser bastante delicada na forma como dava a noticia. O maior impacto foi recebido pelo irmão, mas nenhuma mãe está preparada para ouvir sobre a morte do filho. A dor mexeu com a capitã fazendo-a lembrar de seu próprio pesadelo quando Johanna fora assassinada. Mesmo após fazer justiça, você não esquece. Isso se torna parte do que você é. Para ela, sempre havia uma chance de honrar sua mãe através das vitimas que cruzavam seu caminho. Era sua forma de reparar um pouco da maldade no mundo. Dessa vez não seria diferente. 
Esposito reportou a Beckett o que a colega de quarto de Jane dissera. Ela era uma moça calma. Focada na sua arte. Cada nota contava. Quando não estava estudando, ela estava na biblioteca ou trabalhando de barista em uma cafeteria por algumas horas na semana. Dois empregos, vida de um típico estudante universitário. Também não tinha muitos amigos, era solitária porque havia uma certa discriminação quanto a sua origem. Os professores gostavam dela, aluna aplicada que não lhe dava problemas. Ryan explicou que foi fácil driblar os professores falando de uma oportunidade de emprego e que estava checando referências. 
Beckett ficou um pouco mais aliviada. Não havia muito o que pudessem fazer. Já passava das oito da noite e ela decidiu dispensa-los. 
— Esposito, amanhã quando você chegar ao distrito, preciso que junte todo o arquivo referente ao caso Logan desde os nossos relatórios, às evidências, as transcrições do julgamento inclusive a lista de jurados e presentes no tribunal. Havia câmeras portanto precisamos de tudo. Se o nosso copycat conhece o trabalho de Logan a ponto de recriar sua cena de crime, certamente acompanhou o processo ou pesquisou a fundo. 
— Você está insinuando que possa ser um policial ou um ex-policial? 
— Nesse ponto, não posso afirmar nada. Prefiro apostar minhas fichas no juri ou na plateia. Admiradores surgem nesse momento. Fãs realmente desequilibrados devo acrescentar. Faça pelo menos cinco cópias de todos os arquivos. Esse caso ficará entre nós quatro e Lanie. Quero que ela examine os relatórios do legista, talvez encontre algo que a ajude. Vejo vocês amanhã.
Castle e Beckett rumaram para o loft. Ele sabia que ela estava visivelmente cansada portanto decidiu que iria procurar esquecer os acontecimentos do dia. Ligaria para algum de seus deliveries favoritos, comeriam e mais tarde ofereceria-se para fazer uma massagem nela. Amanhã seria um novo dia e Castle pretendia entender tudo a respeito desse tal Logan e quem sabe descobrir qual era o maior medo de Beckett. Também sabia que todas as vezes que revisara um caso pela primeira vez, era possível achar algo que não fazia sentido ou um detalhe não explorado. Ele conseguira isso no caso da mãe dela. Poderia tentar novamente. 
— O que você quer comer hoje? Escolha. Mandarei buscar. 
— Eu não sei, estou cansada. Com dor de cabeça, não sei se tenho ânimo para comer. 
— Não vai me convencer com isso. Você irá comer nem que seja uma salada. Não aceito um não como resposta. 
— Tudo bem. Que tal árabe? Tabule, húmus, kafta, pães. 
— Sem problema. Vou providenciar enquanto você toma um banho para relaxar e depois que jantarmos você receberá uma massagem para fazer essa dor de cabeça desaparecer - ela sorriu, sabia a razão dele estar paparicando-a. Ficara preocupado diante da reação dela com esse caso. Felizmente não insistira em arrancar o real motivo que a assombrava. 
— Tudo bem, vou aceitar sua sugestão. Vou tomar banho. 
Meia hora depois, Castle a esperava com a comida sobre a mesa. Beckett reaparece na sala de pijama. O aroma característico de cerejas invade suas narinas fazendo-o sorrir e puxa-la contra seu peito para um beijo e um carinho no pescoço apenas para cheira-la. 
— Hum, você está cheirosa demais… vem, sente-se para comer. Eu provei o húmus, está delicioso - eles jantaram lado a lado, como sempre acontecia, Beckett arranjava um jeito de roubar comida do prato de Castle apenas por diversão. Um pedaço de pão ou um pouco de húmus, um mini quibe. Ele reclamava apenas para demonstrar que entendia a brincadeira. Naquela noite, optaram por vinho branco. Além de ser mais leve ajudaria a descansar porque ela beberia mais que o tinto deixando-a sonolenta devido ao cansaço de maneira mais rápida. 
— Esse jantar estava muito bom. 
— Agora vem a melhor parte, a massagem. 
— Eu jurava que você ia dizer a sobremesa. 
— Tem um ninho de nozes na geladeira se tiver interessada - ela não resistiu e beijou-lhe os lábios. Castle informou que ia tomar um banho rápido enquanto ela se deliciava com a sobremesa. Quando apareceu de pijama, Beckett já estava deitada. Temia que ela tivesse cochilado, mas assim que o ouviu saindo do banheiro virou-se para fita-lo. 
— Você chama isso de banho rápido? Devia estar a meia hora nesse banheiro - ele se aproxima dela beijando-lhe o pescoço. Beckett sentiu o cheiro delicioso da loção pós-barba misturada a colônia igualmente refrescante - hum, valeu a pena, está muito cheiroso, Castle. 
— Gosto de agradar. Vamos a massagem. Deite-se de bruços, Beckett - ela obedeceu. 
Com cuidado e carinho, Castle começou a massagear seus ombros, as omoplatas, cada uma das vértebras do pescoço arrancando gemidos da mulher deitada a sua frente. Ela estava cansada e tensa. Os nós de seus ombros demonstravam isso. As mãos de Castle deslizavam pelas costas dela desfazendo cada nó em sua coluna, o toque dele era incrível. Sentia o corpo relaxar como se estivesse sendo anestesiada. Gemia baixinho e as pálpebras começavam a ceder ficando pesadas. Faltava pouco para que dormisse. Ele fazia movimentos circulares subindo e descendo em suas costas. Beckett entrou no estágio letárgico do sono. Modo alpha. 
Castle notara que os gemidos começavam a diminuir, ela estava entrando no sono leve propriamente dito onde o corpo relaxa e a respiração diminui. Para finalizar a massagem, ele deposita vários beijinhos ao longo das costas dela e ombros, por haver pouca reação conclui que ela pegara no sono. Satisfeito, ele deitou-se ao lado dela e também adormeceu. 
Por que ela estava correndo? O que acontecera? De repente, ela sente uma pancada. Alguém a atingiu. Tudo ficou escuro. Beckett não tinha percepção correta do que estava acontecendo com ela. Então, a cena ficou clara. Do alto, observava o que se desenhara diante de seus olhos. Ela mesma estava deitada no chão em meio à neve. Seu corpo exibia cortes diversos e suas mãos estavam presas com duas algemas uma de cada lado mantendo seus braços afastado do corpo. Usava a coleira de espinhos havia bastante sangue ao seu lado. 
Alarmada, ela percebeu o que mais temia. Com seu próprio sangue, o assassino desenhara a letra V e escrevera logo abaixo na neve “Vendetta”. Ele a pegara. Beckett jazia morta sobre a neve. Não havia nada que pudesse ser feito. Era o fim. 
— Não!!! 
Ela acordou ofegante. Sentada na cama, ela não parecia ter acordado ainda. Se debatia enquanto um Castle assustado tentava segura-la próximo ao seu corpo impedindo-a de se bater ou ferir a si mesma. 
— Shhhh… está tudo bem. Estou aqui… - ele a embalava acariciando seu rosto - você está comigo. Foi somente um pesadelo. Respire fundo - ele afagava os cabelos da esposa. Suados. Igualmente como seu pijama. O coração dela batia apressadamente como se estivesse para explodir. Castle continuava seu trabalho de acalma-la. 
Aos poucos, a respiração voltava ao normal. Ela o abraçava com o rosto enterrado no peito dele. 
— Foi apenas um pesadelo. Está melhor? Quer uma água? - ela demorou para responde-lo. Nesse momento, ela tentava tirar a imagem da sua cabeça e substitui-la por algo bom, como o cheiro dele. 
— Não, eu só quero me deitar outra vez - ele a puxou consigo aconchegando-a em seu corpo. Castle acariciava seus braços e beijava sua testa - procure fechar os olhos, eu estou aqui - mesmo sabendo que Beckett não gostava desse tipo de proteção, ele optou por dar uma certa tranquilidade a esposa ao invés de questiona-la sobre o que se passou. Não era burro. Entendia que Beckett estava vivenciando algo complicado e sabia que não contara tudo o que deveria a ele.      
Beckett não se abala tão facilmente e se estava se deixando afetar pelo caso era porque tinha um significado maior. Ele compreendia que grandes casos para detetives deixavam marcas. Para alguém como Beckett, essas marcas tornavam-se profundas, quase pessoais. Se eles não conversassem em algum ponto e fossem honestos sobre toda a situação e o impacto dela em suas vidas, seria obrigado a pressiona-la. Não queria isso porque acabariam brigando. 
Felizmente ela não teve outro pesadelo apesar de ter dormido um sono bastante agitado. Castle a obrigou a tomar café e se alimentar antes de sairem para o distrito. 
— Como se sente essa manhã? 
— Estou bem, Castle. Olha, eu não vou ficar justificando o meu sonho ou o susto. Esse caso é de serial killer, foi meu primeiro de impacto como detetive. Sim, já vi muita coisa ruim ao longo dos anos. Vivemos situações difíceis, Tyson foi um exemplo disso. Não sei explicar, posso dizer apenas que uns casos nos atingem mais que outros. Esse é um deles. Talvez porque eu era jovem, ou ele atingia mulheres, pela brutalidade. Eu não sei. É como o caso da…
— Sua mãe. Sim, eu entendo. Beckett, você é uma lutadora, acima de tudo é humana. Esse seu lado de se envolver com o seu trabalho faz de você a melhor. Não deve se culpar ou se desculpar por isso. Eu gostaria, como seu marido de pedir algo a você. Não guarde tudo para si. Se algo lhe incomodar, se tiver uma teoria maluca, divida comigo. Hey! Eu sou o rei das ideias loucas! - o jeito como Castle falou a fez sorrir. 
Beckett aproximou-se dele puxando-o pela mão. Abraçada a ele, acariciou o seu rosto. Sorriu. 
— Você está certo. E-eu não sei dizer ao certo o que essa vitima pode ter de especial. Se é apenas um copycat ou se existe alguma ligação direta com Logan. Aconteceu na minha jurisdição, mas se estão relacionados porque esperar 12 anos é o que me incomoda. Existe um cúmplice ou trata-se apenas de um maluco que saiu pesquisando e resolveu imitar outro demente? Agora eu tenho muitas perguntas e nenhuma resposta. 
— O que me diz de irmos atrás das respostas então? 
— Você não vai me perguntar do meu sonho? Não está curioso? - ela o fitava de maneira intrigada e ao mesmo tempo provocando. A resposta de Castle a surpreendeu. 
— Você me conhece, Beckett. Eu sou curioso por natureza, porém eu respeito seu espaço. Quando estiver pronta para falar sobre isso, nós falaremos. Virá me procurar. A menos que eu perceba uma ameaça, eu esperarei o momento em que queira me contar - ela sorriu. Satisfeita, ela o beijou carinhosamente. 
Chegando ao distrito, o dia deles tornara-se bem complicado. Esposito tinha reunido todas as informações possíveis sobre Logan e entregou a cada um deles. Apesar de estar com o comando da investigação, Beckett tinha outros assuntos para lidar. Além disso, o comandante estava pressionando, querendo respostas. Castle notou o nervosismo e o stress evidente no semblante da capitã. Era o primeiro caso que ela investigava desde que assumira a nova função e todos os olhos e ouvidos estavam voltados a sua esposa. 
Ele ouvira discussões, longos telefonemas, perguntas capciosas para seus detetives e algumas broncas. Somado a isso, litros e litros de café. Como bom conhecedor de Kate Beckett, Castle sabia que não cabia a ele o papel de acalma-la ou chamar sua atenção tentando faze-la desacelerar diante de seu pessoal. Ela era a autoridade maior e merecia ser respeitada como tal. Se fosse questiona-la, faria em casa. 
Exatamente por isso, Castle optou por se dedicar a entender o caso que estava afetando sua esposa, porque era tão complicado, capaz de mexer com seus pensamentos, sua mente, seu sono.
Diante de tantas informações, ele começou a montar seu próprio quebra-cabeça. Castle leu todas as anotações das cenas dos crimes, os relatórios da policia, revisou as evidências. O julgamento foi longo durara uma semana e Beckett foi colocada no banco para testemunhar. Conforme ela mesma afirmara, não estava listada como investigadora primária. O detetive em questão também bastante ativo na área de homicídios morrera quatro anos depois em serviço. Não seria alguém que pudessem contar para refrescar a memória. 
Também ficou claro que foram os instintos de Beckett e seu bom olho que garantiram o sucesso do caso com a captura do suspeito. Dentre as anotações, ele também percebeu que apesar de se tratar de um serial killer, nenhum perfil psicológico de Logan fora solicitado. Deveria ter sido mandatário na época. Agora com Beckett a frente da investigação, iria sugerir isso. Sabia que ela alegaria não se tratar de Logan, mas quem quer que fosse, era doido o bastante para admirar um serial killer, um assassino vil. Ele sabia exatamente quem seria a pessoa ideal para trabalhar como consultora para eles.  
A lembrança da conversa com ela pela manhã fizeram Castle considerar algumas possibilidades. A primeira opção e aquela que Beckett supostamente vendia acreditar era o copycat. A segunda poderia ser um cúmplice, talvez um aprendiz de Logan embora os relatórios sempre demonstrassem que ele trabalhava sozinho, não poderiam descartar a ideia. Terceira e mais absurda, Logan. Certo, extrapolara demais já que Beckett confirmara que o cara continuava preso. E a ultima era aquela que Castle mais temia onde o motivo era pessoal. De alguma forma alguém queria feri-la, desacredita-la, vingar-se. Era nesse quesito que a opção de ser um policial se encaixava. 
Esposito e Ryan também não tiveram grandes progressos. Examinaram as transcrições do tribunal, revisaram a lista de jurados. Nenhum pareceu suspeito ou a favor de Logan. Todos eram cidadãos de bem, não que isso os eximisse de serem ou tornarem-se adeptos da mesma loucura. 
Alias, afirmar loucura era algo bem ridículo e demonstrava pouco caráter investigativo. Logan é um serial killer extremamente inteligente e como o perfil diz, uma pessoa comum. Beckett não gostou da resposta recebida ao questionar seus detetives. 
— Não é possível! Tem que haver algo! Alguém… você já viu as filmagens? Não tem ninguém suspeito? 
— Ainda estou esperando pelas gravações. 
— Então não venham para mim com esse ar derrotado, de que já desistiram. Revisem, leiam outra vez. Esse cara matava mulheres por um simples complexo ou por rejeição. Ele abusava delas, as torturava porque era incapaz de aceitar que a noiva e primeira vitima não o queria mais. Talvez seja difícil para vocês compreenderem o nível de tortura que ele exercia porque são homens. Ter objetos dentro de si, ferindo-a, rasgando-a. Sangrar por várias vezes diante dos mesmos atos? É vil. Cruel. Desumano. Tentem imaginar sua mulher, sua irmã, sua filha , sua mãe nessas condições e voltem a investigar. 
O puxão de orelha funcionou. Calados, eles voltaram para sua mesa e de cabeça baixa retomaram o trabalho. Castle aproveitou esse momento para servir um café especial a esposa e segui-la. Ela precisava descansar a mente. Entrou logo após Beckett em sua sala e fechou a porta lhe entregando o café. 
— O que foi? 
— Nada. Vim lhe trazer café - ela o olhava sem acreditar. 
— Castle, você não fechou a porta apenas para me entregar café. 
— Não. Eu acho que está na hora de dar uma pausa. 
— Pausa? Castle, eu estou com o Comandante no meu pescoço, meus detetives não encontram nada, uma vitima morta sem explicação. Sequer tenho o motivo do crime! Não posso me dar ao luxo de tirar uma pausa! Por acaso você está me sugerindo isso pelo jeito que falei com Ryan e Esposito? Porque se for, nem abra a boca. Eu não vou ouvir crítica de você. Se quer ajudar, não se meta - ali estava a prova de que o stress a dominava. Castle sentou-se na cadeira, abriu a pasta do caso na sua frente e a fitou. 
— Não estou aqui para critica-la. Sou seu parceiro. Resolvi vir discutir o caso com você se assim o quiser. Caso acredite que não precisa da minha ajuda, eu posso sair por essa porta e conversar com os rapazes. Você precisa de alguém para dividir o fardo e embora não tenhamos evoluído, há muito o que analisar e ponderar. Então, capitã Beckett? Quer ouvir minha opinião sobre o que pode ser o caso de Jane? Quer saber o que eu achei interessante nos relatórios da policia? 
Ela voltou para a sua cadeira. Bebeu um pouco mais do café que ele a oferecera. Deixando a caneca na mesa, ela encostou-se e levou as mãos aos cabelos. Suspirou. Então o fitou, porém não foi ela quem abriu a boca. 
— Você está preocupada. Está deixando a falta de respostas lhe afetar. O caso como um todo porque não está vendo-o como um único caso. Sua mente continua ligando a cena de ontem às suas lembranças de 12 anos atrás. Sei que é diicil. Não pense que não entendi o que você revelou aos rapazes há minutos atras. 
— Está dizendo que eu perdi o foco? 
— Não necessariamente. Estou sugerindo que avalie as possibilidades da morte de Jane como um caso isolado e como algo conectado a Logan doze anos depois. Acredite, eu fiz isso. Quer ouvir minhas conclusões? 
— Por que não? - Castle relatou todas as análises de motivo que o levaram a elencar suas quatro possibilidades. Beckett refutou na hora a terceira, era loucura de Castle porque Logan continuava na cadeia. Porém, não deixou de ficar preocupada ao ver que o marido considerara a conclusão de vingança como uma possibilidade. Ela temia isso do fundo do seu coração. 
— Agora que já ouviu minhas teorias, posso fazer uma observação? 
— Vá em frente. 
— Tenho certeza que podemos aprender e talvez identificar diferenças e semelhanças entre as cenas de Logan e a de Jane. O que não ficou claro na investigação anterior é porque não houve um perfil psicológico? Por que não tentaram entender como a mente dele funcionava? Era um serial killer. Não teria sido mais fácil para apanha-lo? 
— Eu não era a investigadora principal, Castle. Eu lembro que cheguei a perguntar sobre isso, mas o detetive não acreditava ser um serial killer até o terceiro assassinato. Ali já era tarde demais e com toda a pressão da mídia tudo começou a desandar. 
— Agora é o seu comando. Podemos contratar um profiler? 
— Como um profiler ajudaria a acharmos o assassino? É um copycat - a própria voz de Beckett a traíra.  
— Então se ele matar outra vez, não estaremos lidando com alguém tão desequilibrado quanto o próprio Logan? Estou falando de contratar um profiler para analisarmos Logan. Conhecendo-o profundamente poderemos ter uma ideia de quem seria esse copycat. No que acredita. Seu comandante lhe deu carta branca. 
— Acho que não seria o caso aqui, Castle. Ao menos não agora. Sequer esgotamos todas as possibilidades. 
— Você não concorda com o que diz. 
Beckett tentou disfarçar. Esse era um daqueles momentos que Beckett odiava o fato de seu marido ter razão, mais ainda dele a conhecer tão bem a ponto de saber que havia algo que ela não estava lhe contando. 
— Castle, que tal você estressar um pouco mais suas teorias com fatos e evidências antes de pedirmos ajuda? Podemos conversar sobre isso depois? Eu tenho que reportar ao comandante e francamente nem sei o que direi - nesse instante o telefone dela tocou - conversamos em casa, tudo bem? 
Ele não contestou. Saiu da sala deixando-a conversando ao telefone. 
Tinha um plano. 

Castle decidiu apostar na sua primeira cartada. Trazer Jordan Shaw para trabalhar com eles. Depois, ele arrancaria a verdadeira razão de sua esposa estar tão afetada e preocupada com Logan.  


Continua...

2 comentários:

cleotavares disse...

Ui! Que tenso! É isso aí capitã, longo trabalho pela frente. Vamos lá, você precisa conversar mais com seu parceiro, tirar esse peso todo. Somente de ler, já fiquei tensa, estou precisando de uma massagem dessa.
Eu já estava imaginando que a qualquer momento iria aparecer a segunda vitima.

"Simbora" pro próximo.

Priscila Barros disse...

Okay, esse caso promete abalar meu coração literalmente. Que cena de crime tensa, ainda mais com a Kate tensa assim, tendo pesadelos sobre isso. Meu coração tá na mão mesmo.
Mas eu bem que tô gostando de toda essa tensão, esse suspense e tudo desse caso. Eu tô gostando bastante hauahauahuhauahauahu.
Já tô ansiosa para os próximos passos dessa investigação ❤❤❤ obrigada por mais um capítulo, Kah! ❤❤❤