quinta-feira, 15 de junho de 2017

[Stanathan] Kiss and Don't Tell - Cap.114


Nota da Autora: Apesar de estar atrasada na minha timeline, eu decidi postar esse capitulo porque não era justo com as minhas leitoras. Tem um pouco de tudo. Saudades, maternidade, para quem amou novo encontro de irmãs e um pouco de tensão, afinal vamos reconhecer que nem tudo são flores. Problemas fazem a vida mais interessante.... O capitulo está grande e já me desculpo pelo final, because of the reasons! Hahaha! Enjoy! 


Cap.114  

Stana ainda estava se acostumando à nova rotina sem Nathan. A primeira semana mostrou a ela o quanto sentia falta do marido especialmente na hora de dormir. Usava uma camiseta dele próximo ao seu travesseiro porque sentir o seu cheiro ajudava. As ligações eram diárias,  contudo a maioria era corrida afinal Nathan estava se adaptando ao novo ambiente de trabalho. O cronograma apertado de filmagens também tinha sua parcela de culpa nisso.  
Era quinta-feira e ela não iria trabalhar, era seu dia de folga. Tinha uma externa para gravar amanhã apenas. Dona Cookie havia arrumado o tapetinho para Katherine ficar acomodada com os brinquedos enquanto preparava o almoço. Stana observava a filha que estava distraída brincando com um elefantinho de pelúcia. A atenção da menina mudava de brinquedo para brinquedo. Uma bola cor de rosa que Kate estava segurando, rolou para longe. De repente, a pequena começou a se arrastar no tapete encolhendo as perninhas. 
No instante seguinte, ela estava engatinhando rumo a bola. Cookie foi quem primeiro notou a novidade.Impressionada, ela chamou por Stana que acabara se distraindo com o script de Absentia. 
— Stana, corre aqui. Você precisa ver essa cena.   
— O que foi, dona Cookie? - a sogra apenas apontou para onde Katherine estava. A mãe levou a mão à boca na mesma hora, surpresa - ela está…
— Sim, ela está engatinhando. Pegue seu celular, querida. Precisamos registrar isso. Ela está indo em direção à bola - Stana correu para pegar o celular começando a filmar os movimentos da filha. O sorriso não saia de seus lábios.
— Nate vai amar isso. Tenho certeza. Katie, olha para a mamãe - a menina virou-se procurando por Stana - vem cá, meu amor. Vem com a mamãe… - Kate começou a engatinhar em direção à mãe. Era muito fofo ver o bumbum arrebitado e as coxas grossas se movendo. Sim, ela herdara do pai, o que Stana achava lindo e ficava ainda maior com a fralda descartável. A menina chegou até onde a mãe estava e pediu colo. Ela parou de gravar e ergueu a filha do chão. 
— Você engatinhou, meu amor. Daddy vai ficar orgulhoso. Vamos mandar o video para o nosso daddy babão? - Stana encheu a menina de beijos fazendo-a gargalhar gostoso. Cookie observava a cena encantada com o jeito da nora. Ela era uma mãe incrível. Terminando de paparicar a filha, ela mandou uma mensagem e o video para Nathan. Imaginava que ele veria de imediato e ligaria. Esperou uns quinze minutos e a resposta não veio. Um pouco desapontada, ela subiu as escadas para trocar a fralda de Katherine e lhe dar um banho. 
Nathan estava gravando. Não percebeu as mensagens e o video que Stana enviara porque seu celular ficara no camarim improvisado no seu trailer. Apenas uma hora depois de uma sequencia de três cenas, ele teve um pequeno intervalo de quinze minutos para usar o banheiro e tomar um café antes de gravar novamente. Por hábito, ele checou o celular. Ao ver o codinome “gorgeous” em sua tela, abriu a mensagem “Hey, babe. Tenho uma surpresa para você.Assista o video e me ligue. XS.” Curioso, ele logo pensou que era uma brincadeira sexy da esposa. A saudade mexia com os dois. Clicou no link. A voz de Stana ao fundo fez seu coração derreter diante da imagem. Seu bebê, sua pequena Katherine estava engatinhando. Ria feito bobo ao admirar as perninhas grossas ainda desajeitadas movimentando-se e arrebitando ainda mais o bumbum que a esposa fazia questão de atribuir a sua genética. Stana chamava pela filha que sorria indo em direção a mãe.
Nathan tinha lágrimas nos olhos. Katherine era um verdadeiro milagre em suas vidas. Muitas vezes se pegava pensando em como ele e Stana superaram todos os obstáculos que encontraram e geraram uma menina tao linda. Claro, a mãe era beleza pura, mas a concepção, a jornada. A filha deles era um ato de amor, o resultado, o fruto de um sentimento profundo e incrível que ele não esperava experimentar na vida e mesmo assim, acontecera. 
Ele ligou para a esposa. No segundo toque ela atendeu. 
— Hey, você estava ocupado? 
— Sim, filmando. Acabei de ver o video. Oh, Stana… como eu pude perder isso? - ela reparou no brilho dos olhos azuis devido as lágrimas. 
— Você não perdeu, babe. Por isso mandei o video. Ela vai engatinhar para você. Katie, vem cá. É o daddy, meu amor - Stana virou a câmera para que o marido pudesse observar a filha movimentando-se. Ele chamava pela menina. 
— Katie, é o daddy… estou com saudades da minha princesinha - a pequena prestava atenção à voz indo em direção ao celular. Procurava pelo pai. Ela riu vendo o rosto de Nathan. 
— Dadada… - sentou-se na frente do telefone e bateu palminhas. Stana ficou impressionada. 
— Ela já bateu palmas antes? 
— Não! É a primeira vez. E vejo que você aprendeu a chamar por mim, Kate. Isso eu venho praticando com ela. Wow! É maravilhoso, Staninha - ele ouviu alguém bater na porta do seu trailer - preciso ir, meus amores. Joga beijo para o daddy. Você também, amor - a pequena encostou o rosto no celular como se beijasse o pai. Stana riu e pegou o aparelho todo babado. 
— Se cuida, babe. Estou com saudades. Liga mais tarde. Eu te amo. 
— Também te amo, Staninha. 
Assim que terminou as filmagens do dia, Nathan recusou um convite de Ryan para beber alegando cansaço. Deixariam para outra ocasião. Pegando suas coisas, ele seguiu para o único lugar onde tinha privacidade para falar com a esposa. O quarto de hotel onde ele residiria  pelos próximos três meses. Primeiro tomou um banho para espantar parte do cansaço e da dor nos músculos devido ao esforço do dia. Em seguida, ordenou um filé com legumes para jantar e meia garrafa de vinho tinto. Devidamente relaxado, após o jantar sentado na cama e com uma taça de um delicioso shiraz na mão, ele pegou o celular e tornou a ligar para a esposa. Ao ver a ligação ser atendida estranhou o ambiente escuro.  
— Stana? - aos poucos sua visão foi se acostumando e pode notar o que acontecia.  
— Hey, babe...- ela sussurrava - não fale nada, ela está quase dormindo - sentada na cama, Stana tinha o peito exposto, o roupão apenas sobre os ombros. Katherine estava deitada em seu colo mamando em seu seio. Os cabelos agora escuros contrastando com a pele alva. Ela acariciava a cabeça da menina que tinha os olhos fechados. Nathan suspirou diante da imagem. Sua esposa era a definição da perfeição, com a filha nos braços era algo sublime. De repente, ele viu a pequena soltar do seio da mãe dando um gemido de satisfação de olhos fechados literalmente esparramada no colo da mãe. Stana beijou a testa da menina e acomodou-a ao seu lado na cama. Pegou o celular.  
— Desculpa, Nate. Você espera eu colocá-la no berço?  
— Claro - Stana ergueu-se da cama levando a menina em seu colo. Cinco minutos depois, ela reapareceu.  
— Pronto, agora somos só eu e você.  
— Eu estava gostando de apreciar meus dois amores. Stana, você tem noção de quanto é perfeita? Como mulher, como mãe... e-eu não consigo entender o que fiz para merecer você.  
— Como não? Nossa história, nosso relacionamento todo evoluiu por sua causa. Quando eu estava fraca e insegurança, você me fez forte. Pare de me elogiar porque tenho muitos defeitos.  
— E eu amo todos eles. Inclusive o ciúme - ela riu - estou com saudades, amor.  
— Eu também. Como está o trabalho?  
— Muito bem, estamos à frente do cronograma. Alguns dias são cansativos, outros bem divertidos. É apenas nossa segunda semana. Outro dia Ryan me convidou para tomar uma cerveja depois do trabalho, aliás fez isso hoje e eu recusei porque queria falar com você. Estávamos conversando sobre a vida, encontrar alguém e querer a calmaria. Ele me perguntou se eu não me sinto sozinho, se não quero algo constante na minha vida e comentou que reparou no meu jeito. Disse que não era mais aquele cara galanteador que deixava as mulheres suspirando. Eu não sabia o que dizer!  
— Mas você teve que dar uma resposta, não?  
— Sim, eu disse que estava dando um tempo de relacionamentos. Acredita que ele me perguntou se eu gostava de Michelle e se ela seria a pessoa que eu me casaria quando achasse que estava na hora? - ela riu.  
— Sabe, isso não é tão difícil de imaginar. Ela está sempre com você, envolvida em sua vida profissional há anos. Nem sei como você conseguiu mantê-la longe de tudo por tanto tempo, ela nem desconfia da nossa relação. Eu não conseguiria.  
— Venho pensando sobre isso. Não acho justo com ela, amor. Você não ficou chateada com o comentário de Ryan? Com ciúmes? 
— Não. Michelle é como uma irmã para você, Nate. Sei que ela se preocupa e cuida de você. E gostei de saber que você só usa seu charme comigo.  
— Você merece, Staninha. E como vai Absentia?  
— No ritmo final. Acredito que bem antes de você voltar para o Natal, terminamos. Estão falando na próxima semana. Deus, Nate! Nunca pensei que fosse tão difícil ficar longe de você. Se passaram apenas duas semanas e eu já conto os dias para você voltar. Sua mãe é incrível, uma excelente companhia só que... droga! Eu detesto essa abstinência! Preciso de você. Sei que não é a mesma coisa, mas fale comigo, Nate. Por favor, me deixe experimentar um pouco de loucura.  
— Abra esse roupão outra vez, Stana - ela obedeceu - imagine que eu estou tocando sua pele. Meus dedos deslizando sobre a maciez dela, o polegar rodeando os mamilos. Faça isso, Stana. Faça o que estou mandando, imagine o meu toque. Vamos... - ela deslizou a mão pela própria pele tocando o colo, os seios, exatamente como ele dizia. A voz de Nathan a guiava como um mestre fazendo-a explorar seu próprio corpo da maneira que ele gostava de agir. Os primeiros arrepios subiam pela sua espinha, um gemido escapou de seus lábios.  
— Isso, Staninha... continue, fale o que está sentindo. 
— Calor... desejo... quero mais. Você está me deixando excitada.  
— Ótimo. Então é hora de tirar a calcinha  - Stana novamente seguiu o que o marido dizia, ao ficar completamente nua, Nathan percebeu o gemido em antecipação ao que viria - quero ver sua mão entre as suas pernas, exatamente do jeito que eu faço todas as vezes para lhe dar prazer - ele observava a forma como Stana se tocava. O rubor em seu rosto e os gemidos estavam deixando-o louco. Ele também sentia muita falta de estar com ela. Sua voz foi tornando-se mais fraca e rouca o que só fazia Stana chegar mais perto do orgasmo. Minutos depois, ela sucumbiu ao orgasmo. Não era a única que estava sem fôlego. Nathan tentava se controlar ao máximo para finalizar a conversa. A expressão no rosto, porém demonstrava que era tarde demais. Ambos ficaram calados por alguns minutos, então Stana comentou.  
— Por que você faz isso, Nate? Só aumentou a minha vontade de fazer amor com você.  
— Você pediu. Acho que ajudei a saciar um pouquinho essa vontade não?  
— Sim, ajudou mas não é a mesma coisa. Não é você.  
— Eu sei, amor. Acredite, eu sei muito bem.  
— Nate? Você não consegue se programar para passar um fim de semana aqui? Dois dias apenas, por favor. Acredito que na próxima semana as filmagens de Absentia acabam. Talvez tenha que voltar no fim do mês apenas para refazer alguns takes, irá depender da edição.  
— Eu verei o que posso fazer. Durma bem, amor. Amo você.  
— Eu também. Sonha comigo. 
— Isso é bem fácil - ela jogou um beijo para o marido. Desligou. Levantou-se da cama e foi até o banheiro. Depois dessa experiência, ela precisava de um banho gelado. O mesmo acontecia a quilômetros de distância com Nathan.  

XXXXXXX

Jeff resolveu fazer uma visita a Gigi em seu escritório naquela sexta-feira. Era a sua chance de chegar a desconfiança incômoda que o perturbava nos últimos dias. Não por Gigi. Conhecia muito bem sua esposa e talvez nem mesmo ela tivesse se tocado do que acontecia. Ninguém tirava da cabeça de Jeff que havia alguém querendo cantar de galo no seu terreno.  
Por volta da uma da tarde, ele apareceu de surpresa procurando por ela. Um dos jovens o reconheceu e veio logo o cumprimentar.  
— Oi, Jeff! Está procurando por Gigi? Ela está na sala de reunião atualizando o cronograma do projeto.  
— Ela está sozinha?  
— Acho que sim ou Marcus está com ela. Ele é o estagiário de arquitetura que a ajuda com o CAD. Vem, levo você até lá - o rapaz girou Jeff até a sala de reunião onde Gigi estava. 
— Ela não foi para a loja hoje? 
— Não, está desde cedo no escritório. não sei se ela pretende ir a loja - entrando na sala, o rapaz se dirigiu a ela — hey, Gigi, você tem… 
— Ralph, eu disse que não queria ser incomodada. Estou muito ocupada. Quem quer que seja vai ter que marcar hora para a próxima semana. 
— Tem certeza? É uma visita muito especial… - Jeff apareceu na sala, ela virou-se pronta para dar uma bronca no rapaz quando viu o marido de pé a olhando. 
— Jeff! - o sorriso despontou - o que faz aqui? 
— Hey, Gi. Vim te buscar para almoçar, mas se estiver muito ocupada eu… - ela já estava de pé próximo a ele.
— Para você, tenho todo o tempo do mundo - ela inclinou-se e beijou-lhe os lábios - rapazes, estou na minha hora de almoço. Tirem uma hora e depois voltem aqui e concluam as atividades. Quando eu voltar, farei os ajustes necessários. Vamos, amor - saiu puxando Jeff pela mão - nossa! Estou feliz com a surpresa. Você quase nunca vem ao meu escritório e ainda para me levar para almoçar! O que vamos comer, gostoso? Ou sua ideia de “almoço” é outra? - Jeff teve que rir. 
— Não, Gi. Nós vamos realmente almoçar. Que tal sushi? É rápido e sobra um tempo para nós namorarmos. 
— Eu não tenho somente uma hora, amor. 
— Mas eu não quero atrapalhar seu trabalho. 
— Tudo bem, sushi e amassos. Parece uma ótima combinação.  
No restaurante, eles conversavam um pouco sobre o projeto de Gigi. Jeff encontrou sua oportunidade para sondar porque ela não havia ido para a loja. 
— Nem sabia se ia te encontrar no escritorio. Foi um tiro no escuro. Achei que ia estar na loja.  
— Eu vim direto para o escritório porque precisava atualizar umas documentações, plantas, o cronograma do projeto de forma geral. Estamos avançados. Por que não me ligou? 
— Se ligasse não seria surpresa. 
— Eu gosto quando você faz isso - ela se aproximou dele roubando-lhe um beijo - na verdade, eu queria que você visse como a loja está ficando. Podemos ir até lá na semana que vem. 
— Talvez… - Jeff sorria, conseguira a abertura que queria. 
— Você tem noticias do seu irmão? Eu não falei mais com a sis, acho que ela anda bem triste. Vou ligar para ela… o que acha de fazermos uma visita hoje? Assim podemos jantar por lá, comer os quitutes de dona Cookie. 
— Não falei com o mano, mas mamãe me ligou ontem. Disse que ele está bem, porém você tem razão, ela comentou que Stana está solitária. 
— Então vamos visita-la. Eu também estou com saudades da minha fofinha. Sei que não deve estar sendo fácil para Stana. Aqueles dois são muito grudados. Como nós. Detesto ficar muito tempo longe de você. 
— Eu sei - Jeff beijou-a outra vez. Estava satisfeito por estar saboreando um almoço gostoso ao lado da esposa e sem qualquer sinal do tal cliente. Não que isso acabasse com as suas desconfianças. Ele certamente iria aproveitar o convite de Gigi para ver a loja e testar pessoalmente como essa interação de cliente/arquiteta acontecia. Por hora, decidiu ficar com o momento descontraído ao lado da esposa. Terminado o almoço, eles acabaram ficando uma meia hora dentro do carro na garagem do prédio onde Gigi trabalhava curtindo um bom amasso. Por muito pouco não fizeram ali mesmo no carro. Ofegante, Gigi o fitou. Os olhos cheios de desejo. 
— Eu juro que se não tivesse tanta coisa para finalizar no meu projeto hoje, eu arrancava suas roupas no primeiro quarto que encontrasse. Ou banheiro. Qualquer lugar fechado. 
— Ah, minha Gi… a ideia é tentadora, mas preciso trabalhar. Guarde essa empolgação para mais tarde - ela mordiscou o lóbulo da orelha dele, sorveu seus lábios mais uma vez em um beijo sensual e finalmente saiu de seu colo. Respirou fundo, ajeitou os cabelos e a roupa, retocou o batom. 
— Acho que estou apresentável outra vez - suspirou - vejo você mais tarde, gostoso - ela saiu do carro - ah! ligue para a sogrinha avisando que vamos até a casa de Stana para ela cozinhar o suficiente para todos nós. 
— Tudo bem, eu ligo. Não vá trabalhar muito. Nada de chegar tarde, viu? 
— Prometo - ela saiu correndo em direção ao elevador. Foi a vez de Jeff recostar a cabeça no encosto do carro e suspirar. Essa mulher era a sua perdição. 
Eram seis da tarde quando Gigi chegara em casa toda serelepe carregando um buque enorme de rosas vermelhas. Encontrou Jeff sentado no sofá vestido casualmente, de cabelos molhados, pronto para sair e jantar com a mãe. Ao vê-lo com uma camiseta e jeans, Gigi abriu o sorriso. Nem se preocupou em deixar o buque sobre a mesa, aproximou-se logo dele sentindo o cheiro do perfume amadeirado. 
— Hey, amor… você está um gato! Irresistível. E esse perfume… hum…. - ela cheirou o pescoço dele, mas Jeff a afastou fitando as flores. 
— O que é isso? Quem te deu essas flores? 
— Ah, foi o Steve. Eu acabei indo até a loja no fim da tarde entregar a planta baixa e o cronograma atualizado do projeto. Terminamos a fase 2 com duas semanas de antecedência, não é o máximo? Ele ficou tão surpreso e satisfeito que me deu esse buque. Sinto que estou com um pezinho no meu titulo de sócia, Jeff. 
— Então, ele lhe entregou flores pelo seu trabalho? Veio com algum cartão? 
— Sim, buques normalmente vem - ela o olhou desconfiada - o que foi, Jeff? Tem alguma coisa que você não está me contando? 
— Eu só perguntei do cartão. Vai me deixar ver? 
— Claro… - ela estendeu o pequeno cartão para o marido, continuava observando os gestos dele. Jeff abriu o pedaço de papel e leu “para a talentosa e eficiente Gigi. Você inspira a todos e transforma qualquer projeto em uma obra de arte. Essas flores não lhe fazem justiça, são apenas um pequeno gesto da minha admiração. Steve.” diante do que lera, ele não teve dúvidas que suas suspeitas estavam corretas. Gigi também desconfiou pela linguagem corporal do marido ao ler o cartão o que poderia estar acontecendo - você está com ciúmes, gostoso? - a forma como ela perguntara isso era divertida. 
— Não… - Jeff negou embora não tivesse sendo bastante convincente. 
— Jeff, eu conheço você… 
— Tudo bem. Sim, eu estou com ciúmes. Um outro cara lhe deu flores! E esse cartão meloso? Segundas intenções! 
— Não é nada disso. Foi um gesto de agradecimento. Totalmente profissional. 
— Profissional? Essas flores não lhe fazem justiça? Isso soa como uma cantada para mim, Kristina. 
— Jeff, quer parar? Você está chateado porque eu recebi flores de outro homem. Para sua informação, o gesto não é a mesma coisa do que me convidar para ir para cama. 
— O que? Ele já deu a entender isso? Você é minha, Kristina! 
— Quer parar de me chamar de Kristina? Não aconteceu nada. Você está imaginando coisas. Eu não quero brigar, Jeff. E eu não tenho qualquer interesse em outro homem a não ser você então que tal parar com essa crise de ciúmes boba e me dar um beijo? - ela colocou as flores sobre a mesinha de centro da sala - não quero estragar a nossa noite… 
Ele olhava para a esposa. Sabia que ela falara a verdade. Droga! Não podia perder a razão. Mesmo sabendo que o gesto era uma espécie de marcação de território e que Gigi ainda não percebera as intenções do tal Steve, ele não queria brigar, não queria deixar um clima ruim entre os dois. Passou as mãos nos cabelos. 
— Desculpe, é só que a ideia de um outro homem… - ela colocou o indicador sobre seus lábios impedindo-o de continuar. 
— Shhh… tudo bem, gostoso. Eu já disse que sou sua… - ela o beijou. Esfregando as mãos pelo peito dele, Gigi se demorava sorvendo os lábios do marido - você me deixa excitada quando fica com esse ar de possessão e ciúmes. Não me interessam as flores, gostoso. Prefiro mil vezes fazer amor com você. 
— Gi, isso é tentador, mas prometi a mamãe que estaríamos lá às sete…. - ela checou o relógio. 
— São seis e quinze… você sabe que conseguimos fazer maravilhas em quinze minutos. Ainda podemos chegar em tempo. Vem cá, você me provocou, Jeff… - ela o empurrou no sofá perdendo as roupas em tempo recorde. Jeff já abrira a calça mostrando o quanto estava pronto para ela. 
Foram os quinze minutos mais prazerosos que tiveram a semana inteira. Devidamente recuperados, eles saíram de casa. 
Ao chegar na casa em Studio City, Gigi foi logo abraçando a irmã e tascando um beijo estalado na bochecha da sogra. 
— Que saudade, sogrinha! - ela não largava Cookie abraçada a ela e beijando a sogra. Jeff ria do jeito da esposa - e cadê minha fofinha? 
— Deve acordar logo. Está na hora de jantar. Está cheia de novidades. Ela engatinhou ontem. 
— Jura? Eu quero ver… foi só uma tentativa ou ela realmente aprendeu? 
— Aprendeu e sozinha. Tomei um susto quando vi. Vou mostrar o video que gravei para o Nate. 
— Ele deve estar chateado por perder isso. 
— Não, ela engatinhou para ele e ainda o chamou de “dada”. Ah! Está batendo palmas também - Stana falava orgulhosa. Pegou o celular para Gigi ver a filmagem. 
— Só assim para ela largar da minha mãe - Jeff implicou. Beijou a mãe. 
— Deixe de ser implicante, gostoso. Esse é o papel do Nathan. Meu Deus! Que coisa mais fofa! Olha essas perninhas… ah, sis, ela é linda e pegou a genética, não? Preciso vê-la fazer isso - um chorinho surgiu na sala - Katherine acordou. Vou busca-la - subia rapidamente as escadas.  
— Veja se precisa trocar a fralda - lembrou Stana - já posso esperar pelo grito se isso acontecer. Eu devia deixar ela se virar. Afinal precisa treinar. 
— Stana se você falar isso para Gigi, ela vai dizer que treina muito. 
— Não foi nesse sentido, Jeff - ela ria do cunhado que ficava vermelho mesmo quando tirava uma brincadeira - ela ainda está trabalhando muito? 
— Sim, segundo Gigi está adiantada no projeto. 
— Sis! Vem aqui! - Stana trocou um olhar com a sogra e subiu as escadas. Quando retornaram para a sala, a irmã se ocupou com a sobrinha. Além de sentar-se ao lado da menina, ela passou a brincar levando a bola ou outros brinquedos para que Katherine a seguisse e engatinhasse. Gigi estava fascinada. A segunda missão da noite foi persuadir a pequena a falar seu nome. Katherine estava sentada mordendo um dos bichinhos de plástico. De frente para ela, Gigi sorria e conversava. 
— Vamos, Kate. Está na hora de dizer o nome da dinda. Repita comigo “Gigi”. Vamos, meu amor: “Gigi” - a menina olhava atenta para a tia enquanto ela repetia várias vezes até que finalmente largou o brinquedo e se pronunciou. 
— Dada…dada…
— Não, Kate. É Gigi. Gigi. 
— Dada…dada… - e batia palmas. 
— Ah, você fica linda batendo palmas, mas é Gigi. 
— No! Dada…dada… 
— O Nathan enfeitiçou essa menina, só pode. Meu nome é tão fácil! - ela continuou tentando absorta no mundo de bebês ao lado da irmã. Jeff observava o jeito da esposa sorrindo. Olhando para a mãe, comentou. 
— Eu estava certo. Sobre o cliente. Ele está querendo algo mais com Gigi. Deu a ela um buque de flores parabenizando pelo desempenho no projeto. Nós quase brigamos por causa disso. 
— Filho, você confia em Gigi? - dona Cookie fora direto ao ponto. A resposta de Jeff foi imediata.
— Claro que sim, minha Gi é louca por mim, ela me ama. É no cara que não confio. 
— Gigi sabe se cuidar, Jeff. Ela é esperta e não leva desaforo para casa. 
— Ela não percebeu as intenções do cliente. Acho que está tão concentrada no trabalho que não percebeu. Estava lá, na mensagem do cartão, o tipo de agradecimento que sugere outra coisa. Eu quero ver com meus próprios olhos como ele age perto dela. 
— Tenha cuidado, Jeff. Não faça nada que vá se arrepender. Controle esse ciúme, filho. Você não gosta de briga, não é seu estilo. 
— Eu sei, mãe. Gigi me deixa assim. Não quero dividi-la com ninguém.
Enquanto isso, as irmãs conversavam entre si. A curiosidade de Gigi era grande em saber como andavam as coisas entre Stana e Nathan. Já iam para a terceira semana separados. 
— Como você está, sis? Está aguentando a ausência do meu cunhado? 
— É bem complicado, Gigi. A forma como nós nos acostumamos com o relacionamento acaba por dificultar tudo. Eu me acostumei a tê-lo ao meu lado sempre. Nós nos falamos quase todos os dias. Mesmo tentando agitar a ligação, simular você sabe, a coisa de outra maneira, não é igual. Chega a ser frustrante saber que você não pode abraçar o outro, sentir seus lábios. 
— Ah, sexo por telefone pode ser divertido uma vez ou outra, mas nem chega perto do sexo real. Fazer amor, estar um nos braços do outro. Eu sei que é difícil. Se uma semana para mim é um caos, nem quero imaginar o que serão meses. 
— Nem me lembre! Eu pedi para ele tentar vir um fim de semana. Por enquanto, eu ainda estou ocupada, contudo as filmagens de Absentia terminam na próxima semana. Quando eu ficar mais tempo em casa será ainda mais difícil. 
— Oh, sis - Gigi abraçou a irmã em sinal de compaixão - sinto muito. Ele falou se é possível vir lhe visitar? 
— Disse que ia ver a possibilidade. Não tive resposta. 
— Sabe, se quiser dar uma chance a Outlander… que o Jeff nao me ouça. 
— Sério, Gigi. O que tem de tão interessante nessa série? 
— Tudo, sis. É muito boa. A personagem é incrível, a história, as cenas de sexo. É uma maneira de se ocupar. Bem interessante devo acrescentar - Stana riu - gostava quando o motivo dos ciúmes de Jeff eram apenas o ruivo… - o pensamento saiu espontaneamente, Stana ia perguntar da irmã se estava tudo bem, porém Gigi se distraiu com Kate brincando e conversando com a menina ao se aproximar de Jeff. 
— Quer encomendar um bebê para nós, amor? - Jeff provocou a esposa - você mesma já disse que está a um passo de se tornar sócia. 
— Jeff, não começa… - Gigi falou. Conhecendo a irmã, Stana tratou de mudar o rumo da conversa. 
— Já? Terminou o seu projeto, sis? 
— Ainda não. Estou adiantada e Steve está muito satisfeito. Tenho certeza que irá falar bem de mim para o meu superior. 
— Não tenho dúvidas disso, por ele você já é sócia - disse Jeff. Gigi notou o sarcasmo no comentário do marido. Olhou-o intensamente dando-lhe um um pequeno aviso. 
— Jeff… - Stana percebeu o clima estranho e trocou um olhar com a sogra que confirmou silenciosamente as suspeitas de ciúmes do cunhado. Ela, outra vez, mudou o foco. 
— Nem acredito que estou prestes a finalizar Absentia. Mais uma semana e terei que esperar pela estreia. 
— Quando será afinal? Março mesmo, Stana? - perguntou Jeff. 
— Sim, ao que tudo indica. 
— E o mano? Como está? Aposto que se acabando nos Ceasars - Stana riu. 
— Ótimo! Não fosse a saudade de mim… ele está se divertindo. Não é fácil ficar longe - dona Cookie chamou a atenção deles para a mesa. Sentaram-se para jantar e o clima de família reinou. 
Mais tarde, antes deles irem embora, Stana aproveitou que Jeff estava com Katherine para conversar com a irmã. 
— Sis, acho que estamos precisando de outro almoço. Você está com problemas? Com Jeff? Eu entendi o sarcasmo. 
— Ah, sis… e-eu não sei. Acho que é bobagem dele, mas… 
— Não acho prudente conversar aqui com ele por perto. Pode arranjar umas duas horas amanhã para almoçarmos? É sábado. Tenho certeza que dona Cookie não se importa de ficar com Katherine. 
— Eu diria que acho possível, ele não vai se importar de eu sair com você. Por outro lado, eu devia aproveitar o fim de semana para me dedicar um pouco ao meu marido. Esse sarcasmo também está relacionado com carência. O trabalho vem tomando boa parte do meu tempo. Que tal no meio da semana? Quando você puder. 
— Terça? 
— Combinado. Só faça o convite em alto e bom tom. Assim ele fica ciente. Vai que acha que eu estou… deixa para lá - o comentário da irmã apenas atiçou a curiosidade de Stana um pouco mais. 
— Pode deixar, observe - ela caminhou até onde o cunhado estava, Katherine ao ver a mãe se jogou para o seu colo balbuciando algo para Jeff inteligível e se aconchegando no colo da mãe de modo a roçar a boca nos seios de Stana - ela quer mamar, sabe que é hora. 
— Nós já vamos também - disse Jeff vendo Gigi mordiscar o pé da sobrinha e logo em seguida colocar a mão na cintura do marido. 
— Sis, podemos almoçar juntas na terça? Com essa história de estar longe do Nathan, eu realmente preciso conversar com alguém. E não posso desabafar com qualquer pessoa. 
— Terça está bom. Eu estou a frente com o projeto. Assim tenho o fim de semana pro meu maridinho gostoso… - ela beliscou o traseiro de Jeff. 
— Aproveita porque você pode. Você também, Jeff. Lembre-se do quanto eu e seu irmão gostaríamos de estar na situação de vocês - apenas o comentário de Stana já fez Jeff ficar envergonhado. Gigi segurou o riso. Sabia que a irmã estava alfinetando o cunhado de forma sutil. Ela se aproximou da sogra e beijou-a várias vezes. 
— Como sinto sua falta, sogrinha. Pode fazer uma carne assada daquelas especial para mim? 
— No domingo? 
— Não sei. Estaremos disponíveis no domingo, amor? - ela olhava para Jeff com uma cara safada. 
— Nós temos compromisso, o aniversário… esqueceu? 
— Ah, o aniversário… verdade. Pode ser uma noite dessas. Eu ligo para combinarmos - ela deu outro beijo em dona Cookie, outro em Stana, cheirou a cabecinha de Kate e voltou para o lado do marido. 
— Diga Gigi… vamos, Kate, para a dinda. Gigi… 
— Dada! - Gigi revirou os olhos. 
— É inútil! Jeff se despediu da mãe e da cunhada, fez um ultimo carinho na sobrinha e seguiram para casa. No meio do caminho, Gigi vira-se para fita-lo - que aniversário você estava falando? 
— Achei que tinha entendido que por aniversário, eu mentia descaradamente para não sairmos de casa. 
— Hum, foi o que eu pensei. Queria apenas confirmar - ela deixou a mão deslizar pela coxa dele, deslizando sorrateiramente até o meio das pernas e voltando para ficar sobre o joelho dele - sabe, podemos começar a comemoração de aniversário hoje e estende-la por todo o fim de semana - Jeff pisou no acelerador, não via a hora de chegar em casa - acho que isso é um sim - ela gargalhou. 
Não deu outra. Mal entraram em casa, as roupas foram se perdendo pelo chão, os braços se encontrando, as mãos explorando e as bocas colidindo em beijos intensos. Jeff claramente estava mandando uma mensagem com seus gestos. Gigi percebera, mas naquele instante, não estava interessada em questionar somente em aproveitar. De fato, não pensava em dormir cedo naquela noite. 

Segunda-feira 

Enquanto tomavam café, Jeff fingiu-se de bobo e acabou perguntando o que queria saber. 
— Você vai direto para o escritório, amor? 
— Sim, preciso fazer algumas conferências com fornecedores e checar uns pagamentos com o pessoal do financeiro. Por que? 
— Nada. Amanhã você já vai almoçar com Stana, então estava pensando em quando poderia ir a loja para ver o seu trabalho. Quarta? Podemos almoçar e depois ir até lá, prometo que limpo minha agenda. 
— Quarta é um bom dia. Eu confirmo para você. Preciso ir, não quero chegar atrasada. Esse fornecedor europeu é bem chatinho - ela deu um beijo no marido e subiu as escadas correndo. Cinco minutos depois, ela saia de casa. 
Os planos de Jeff acabaram por não funcionar da maneira que gostaria. Após uma reunião com um dos seus clientes, ele recebeu a notícia de que precisaria ir a Nova York para uma visita a fim de verificar alguns detalhes de uma campainha na quarta. Para isso, viajaria na terça à noite e retornaria na sexta-feira à tarde. Gigi não ia gostar da notícia. 
À noite, ele a esperava com uma boa massa e um vinho merlot delicioso. 
— Hum… o que cheira tanto? 
— Oi, amor. O jantar está quase pronto. É o molho das almôndegas. Quer tomar banho antes? Assim eu espero você para fazer a massa - ele beijou-lhe os lábios - precisava caprichar essa noite, acredito não ter boas notícias. 
— O que aconteceu? - ela olhava franzindo a testa para o marido. 
— Acho que não vou conseguir cumprir meu plano da quarta. Eu soube hoje que preciso viajar para Nova York amanhã. 
— Ah, não! Mais uma semana? 
— Não, Gi. Volto na sexta à tarde. Iremos passar o fim de semana juntos. 
— Poxa, amanhã? Acho melhor eu cancelar o almoço com a sis para ficar com você. 
— Não tem necessidade, amor. Eu viajo à noite. Vá almoçar com a sua irmã, ela está precisando de você. É por isso que cozinhei para nós hoje. Vamos ter um jantar saboroso, beber, namorar e fazer amor. Está bom para você? 
— Perfeito. Eu já volto - ela subiu as escadas parecendo um furacão. Ao retornar para a sala, estava apenas de roupão. 
— Gi, você por acaso não vai colocar uma roupa? 
— Tenho roupas suficientes, meu Jeff. Estou tornando a coisa mais simples para nós. 
— Vo-você está nua? - os olhos azuis arregalados. Automaticamente sentiu uma pontada na virilha. 
— Não necessariamente. E pare de ter esses pensamentos na hora do jantar, eu estou com fome. Quero o meu fettuccine com almôndegas. Você está fazendo fettuccine, certo? Nada de espaguete.    
— Sim, Gi. Sua massa favorita. 
A noite a dois foi um sucesso. Jeff fez tudo o que prometera para a esposa e esperava que ao retornar não tivesse nenhuma surpresa. 

Terça-feira

Gigi encontrou a irmã em um pequeno bistrô próximo a Venice beach. Stana chegara primeiro e já saboreava um suco verde. Ela sentou-se de frente para a irmã. 
— Desculpe o atraso, Stana. Eu me enrolei com umas peças e acabei pegando muito trânsito. Você vai tomar essa gororoba? Achei que o momento pedisse álcool. Você não quer afogar as mágoas? Eu certamente preciso de uma boa taça de vinho. Não vai me dizer que eles não vendem isso aqui… 
— Vendem sim. Achei que você estava trabalhando. Não vai voltar para o escritório? Já pedi nossa comida. 
— Hoje não. Já são quase duas da tarde, daqui que almocemos, colocamos a conversa em dia, vai levar tempo. Se considerar só o tempo de deslocamento nesse trânsito chegarei lá às sete da noite. Além do mais, eu não estou com cabeça. 
— Eu estava certa, então. Você e Jeff estão com problemas. 
— Não! Quer dizer, não é bem problemas. Jeff está viajando hoje e só volta na sexta. Estou no mesmo barco que você agora. 
— Deixa de ser exagerada. Ele está aqui no fim de semana. Sua situação não é nem de longe igual a minha, pare de agir como se dependesse de sexo. Você não é uma ninfomaníaca. 
— Quem falou em sexo? Tivemos uma bela despedida ontem. Três vezes - ela ria - você tem razão, Jeff está…. eu não sei como dizer isso, mas acho que ele se sente ameaçado pelo meu cliente. 
— Como assim? 
— E-ele insinuou que eu dou muita atenção ao Steve. Outro dia eu cheguei em casa tarde do trabalho. Ele estava me esperando preocupado se eu tinha jantado, eu não liguei. Na verdade, eu errei porque acabei comendo na loja. Steve pediu comida chinesa. Jeff não gostou nada de saber que ele ficava até tarde comigo. Na opinião dele, o cara está lá somente por minha causa. 
— Ele tem razão para isso? Viu alguma coisa? Acredito que o comentário sarcástico daquela noite está relacionado com isso, não? 
— Sim, mas eu não fiz nada. Eu trato Steve como qualquer cliente. O problema é que esse projeto vem consumindo muito do meu tempo e perdi noção das horas. As vezes, tratava um assunto até tarde ao telefone com ele. Tudo trabalho. Naquela sexta em que fomos para sua casa, quase brigamos porque eu cheguei com um buque de flores. Steve me deu para agradecer por meu trabalho. Jeff viu segundas intenções no gesto. Implicou até com o cartão. E eu encontrei as flores no lixo na manhã de sábado, não falei nada para ele, mas me chateou. De verdade. Ele não confia em mim? Diz que sim, mas não pode falar o mesmo do meu cliente. 
— Gigi, posso fazer o papel de advogado do diabo? - a irmã deu de ombros - vocês são super ciumentos, melhor dizendo, possessivos. Quando Jeff vê a esposa dele recebendo agradinhos de outro homem, falando várias vezes com ele ao telefone. Usando o primeiro nome. Claro que vai pensar em segundas intenções. Não por sua causa. 
— Eu o chamava de Sr. Mackenzie, somente uso o primeiro nome porque Steve pediu para deixarmos de formalidades.  
— Bem conveniente, não? 
— O que? Você concorda com o Jeff? Acha que Steve está me cercando de alguma forma? - Gigi suspirou - sis, quanto você acha que é parecida com Jeff? Ele parece ser um homem inseguro? O lance do passado, de traição, será que isso causou alguma mudança no modo como ele enxerga um relacionamento? 
— Não acredito que Jeff seja inseguro. Pelo contrário, ele sabe bem o que quer e não duvida que é capaz de conquistar. Acho que o lance entre vocês é mais de ciúme e possessão. Se isso está ligado com o antigo relacionamento, eu não saberia dizer. Talvez possa perguntar a dona Cookie - nesses instante o celular de Gigi toca. Jeff. 
— Hey… já está no aeroporto? 
— Sim, vou embarcar em meia hora. Liguei para me despedir e dizer para se comportar na minha ausência. Nada de ficar trabalhando até tarde ou assistindo muita televisão. Você sabe do que estou falando… 
— Prometo que não vou. Queria dormir e acordar somente na sexta quando você voltar, assim não sentiria tanto sua falta. 
— Eu sei. Se cuida, Gi. Eu te amo. 
— Também amo você, gostoso. Boa viagem - ela desligou o telefone, fitava o nada por uns instantes. Ao se lembrar que não estava sozinha, retomou a conversa - É, talvez eu converse com a sogrinha. E-eu não sei o que fazer. No fundo, acho que essa viagem do Jeff veio em boa hora. Eu ia leva-lo à loja… 
— Gigi, seu marido conhece o Steve? Já se encontrou com ele? Melhor. Descreva o seu cliente para mim. 
— Ah, sei lá. Steve é um coroa charmoso, bem cuidado, porte atlético. Tem mais de 50 anos, mas pode passar por 45 facilmente. Grisalho, olhos verdes. Ele é bonito e simpático. Pouco me importa. E Jeff não o conheceu. Quer dizer, ele sabe qual a rede de lojas dele porque eu mostrei e… - ela reparou o olhar da irma - o que foi? 
— Não consegue enxergar? Se coloque no lugar de Jeff. Eu aposto cem dólares com você que não só Jeff sabe quem é o Steve, viu a foto dele e considera-o uma ameaça exatamente por tudo o que você falou. Na cabeça de Jeff, ele é o seu tipo. 
— Você não acredita nisso. Não pode achar que eu sequer tenha pensado nisso, você me conhece, sis! Isso é loucura!
— Mesmo? Você disse que ele é charmoso, bonito, deu detalhes de aparência. Não preciso somar 2+2 para imaginar os pensamentos de Jeff quanto ao assunto. Lembrando que estou fazendo o papel de advogado do diabo aqui outra vez. 
— Mas ele sabe que eu sou casada! Deixei isso claro desde o inicio. Uso aliança, o anel e a minha gota! - automaticamente levou a mão ao colar - Jeff sabe que levo isso à serio. Não tiro esse colar por nada. 
— Sabe mesmo? É uma joia. Jeff entende que você gosta muito dela. 
— Nao é uma joia, Stana. É o símbolo do nosso amor - Stana sorriu. 
— Talvez você devesse dizer isso a ele. Exatamente como disse para mim. 
— Ele sabe. 
— Será? Ele sabe que você o ama, confia na esposa. Mas, sis, homens pensam diferente de mulheres. Se quer um conselho, você deveria leva-lo à loja. Quando ele vir sua relação profissional com o Steve, vai se acalmar. Especialmente se você deixar claro para o rival de que não vive sem o seu marido. E fale para Jeff sobre tudo o que ele representa, a joia. Isso vai ajudar. 
— Vou pensar no assunto. Acho que preciso de outra taça de vinho antes de irmos. Não vou para casa agora. Quero falar com a sogrinha e ver minha Katherine, vai me ajudar a ficar mais calma. 
— Claro, sis. O que você precisar. 
Elas deixaram o restaurante juntas. Gigi seguiu o carro de Stana. Ao chegarem em casa, ela chamego um pouco com a sobrinha para depois se sentar ao lado da sogra que lia tranquila no sofá da sala. 
— Deu uma folga para o trabalho, minha filha? As vezes é bom. 
— É sim, o almoço com a sis foi bem proveitoso. 
— E vai ficar para o jantar? Meu filho vem para cá depois? 
— Jeff viajou hoje, dona Cookie. Trabalho de última hora. Eu adoraria jantar com vocês, detesto a ideia de ficar naquela casa sozinha. Tem mais uma coisa, sogrinha. Eu queria saber algo sobre o passado de Jeff. Sobre o noivado - Cookie fitava a nora intrigada apesar de ter uma ideia de onde essa conversa iria terminar - ele me contou que quase casou, foi traído. E-eu preciso saber. Meu Jeff era possessivo com a outra também? A experiência deixou alguma espécie de trauma nele? - a sogra sorriu. Acariciou o rosto da mulher a sua frente. 
— Isso tem a ver com a situação de ciúmes entre vocês, não? - a cara de espanto de Gigi dizia tudo - ah Gigi, eu sei. Conheço meu filho muito bem. Ele está incomodado. Vamos por parte. Respondendo a sua primeira pergunta. Traição não é algo simples de superar. Jeff não tem trauma, contudo não posso dizer que o medo não exista. Quanto a ser possessivo, não tem nada relacionado com a experiência anterior. É você, minha filha. Você o tocou de uma maneira que ele é dependente. Dai a possessão. Ele é louco por você, Gigi. É um sentimento tão forte que o deixa vulnerável ao ciúme. Jeff não é de perder o temperamento, de se irritar, mas ele não consegue se controlar ou se sentir bem com a ideia de você passar mais tempo com outro homem que não seja ele. 
— Ele disse isso? 
— Não com essas palavras, mas sim. Ele a ama demais, Gigi. E confia em você. 
— Eu também o amo. Não quero nada com Steve, ele é meu cliente. Não entendo porque Jeff sequer pensa que isso poderia acontecer. 
— Ele viu algo nesse tal de Steve que o deixou alerta - Gigi suspirou, se deixou escorrer no sofá e fechou os olhos. Dona Cookie a puxou para deitar em seu colo. 
— Droga! Eu sou louca por ele… acho que cabe a mim consertar tudo isso, não? Tirar essa impressão errada da cabeça dele. 
— Você sabe como convence-lo, Gigi. E vai conseguir. Por hora, você vai curtir um pouco do meu colo e depois vou preparar uma carne assada para nós. Será uma noite apenas para garotas. 
E de fato, o clima do jantar foi o melhor possível. Gigi sentiu-se mais calma e antes de ir para casa, agradeceu à irmã pelos conselhos. 

Sexta à tarde

Stana tinha chegado em casa por volta de meio-dia. As filmagens de Absentia estavam oficialmente encerradas. O diretor contudo disse que após a edição se encontrassem algo que precisava ser regravado ou de uma transcrição de audio, ele ligaria para ela. 
Após o almoço, dona Cookie disse que ia se deitar um pouco e Stana sentara-se no tapetinho de Katherine para brincar com a filha. Estava rindo e jogando a bola cor de rosa na direção da menina e se divertindo de costas para a porta. As gargalhadas de Katherine eram muito gostosas de se ouvir. Ela jogou a bola na direção da filha, porém a menina não parecia interessada como antes. De repente, se colocou em posição de engatinhar. 
— Dada…dada…
— Oh, meu amor, seu daddy está trabalhando. Não podemos ligar para ele agora. Talvez à noite e… - ela viu que a menina disparou engatinhando e repetindo “dada”, Stana se virou para ver aonde a filha estava indo e ficou boquiaberta diante do que viu. 
— Olá, minha princesinha. Parece que a mamãe está um pouco surpresa - Nathan pegou a filha nos braços, aproximou-se da esposa - hey, amor. Estou em casa - o sorriso no rosto de Stana iluminou-se. Ela levantou-se rapidamente jogando-se no corpo do marido passando seus braços no pescoço dele com cuidado para não machucar a filha em seu colo. 

— Você está em casa… - sorveu seus lábios com vontade.  

Continua...

6 comentários:

Madalena Cavalcante. disse...

HEEEEEEEEELP!
QUE TIRO DE CAPÍTULO!
Nossa Kate engatinhando *---------* que cena mais gostosa de ler meu Deus, e falando dada *---------*
Tadinhos dos meus nenéns, essa distância é realmente uma bosta ><
Com pena do Jeff e esse ciúmes! Espero que essa situação se resolva logo, o coitado sofre demais com isso Jessus!

E ESSE FINAAAL?????!!!!! QUASE MORRO AQUI, DE TÃO LINDO QUE FOI!!!!!!!!!¡!!
OBRIGADA KAH ❤️

Fernanda Monica Souza E Silva disse...

Nossa que fins foi essa simplesmente deslumbrante, emocionante na verdade .
A princesinha da Kate engatinhando e chamado o dada dela foi espetacular de ser ver merece milhares de corações ❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤.
Staninha morrendo de saudades do Nate nossa o que foi aquilo,pelo Telefone pura luxúria amei vê-Los ser entregando ao momento 💖💖💖💖💖💖💖💖💖💖💖
Dona Cookie sempre sendo uma mãezona para todos, ela é incrível uma pessoal iluminada 💞💞💞💞💞💞💞💞💞💞
E o que falam do nosso segundo melhor casal Jeff e Gigi eles são formidável, Jeff com ciúmes tenho um pouco de medo do desenrola da história, mas tenho certeza que eles vão superar essa face 💕💕💕💕💕💕💕💕💕💕.
Ps.KAH parabéns pó essa fins ficou simplesmente espetacular, não vejo a hora de vê a próxima, fico ansiosa toda vez espero que não demorem muito pois já estou realmente mal acostumada 💟💟💟💟
Quero agradecer pelo seu trabalho Obrigada de verdade você merece muitos aplausos 👏👏👏👏👏👏👏👏👏.
A tinha me esquecido que final foi esse a Princesinha Kate engatinhando indo ao encontro do dada dela foi incrivelmente espetacular ,fiquei imaginado a carinha da Staninha morrendo de amores pela cena que ser passava diante de seus olhos 💗💗💗💗💗💗💗💗.
Isso só me mostra o quanto de talento você tem ,pois consegue nos transportar para a cena .Obrigada e obrigada ❤❤❤❤❤❤❤❤❤

Géssica Nascimento disse...

Que capítulo mais lindo foi esse!!! Teve de tudo um pouco: amor, saudade, ciúmes, insegurança, fofuras e mais fofuras!! ADOREI!!!!
Parabéns, novamente Karen!!!

cleotavares disse...

Ownt! A Kate engatinhando que fofo. A D. Cookie um amorzinho ajudando a Stana. Eu acho que vou dá razão ao Jeff, esse cara está mesmo dando em cima da Gigi, e pela descrição o cara é bonitão,hein!
E esse final, ein? A escritora gosta de deixar a gente com "água na boca", não é?

Amo muito essa fic,meu xodó.

Marta Santos disse...

Omg morrendo de amores por esse capítulo , a princesinha Kate engatinhando 😍 Socorro!!! QUE COISA MAIS LINDAAAAAA , SOBRE ELA TER O BUMBUM DO PAI 👌👌. AQUELE PACOTINHO LINDO CHAMANDO O DADA DELA😍. Sobre Jeff , esse ciúmes , com fundamento que acredito , so espero que mais bichinhos não se estranhe 😐 , que tudo se resolva , Jeff quebre a cara do Steve e tudo certo 😂😂😂. Sobre a Srana fazer coisinhas no celular com Nate, distância da nisso😈 , é sobre esse final , EU NÃO ESTOU BEM , OBRIGADA.

Kah 💙💙💙💙

Vanessa Belarmino disse...

A leitora sumida resolveu tomar vergonha na cara e colocar essa história maravilhosa em dia.
Não vai ser nada fácil para SN ficar separados todos esse tempo, mas eles vao dar um jeitinho. Afinal é isso que a gente faz quando ama não é?
Eu amei ver Kate engatinhando, que fofinha. Morri de rir com a parte da genética. haha
O tempo está passando tão rápido. Nossa!
A emoção do Nate foi lindo de ler tb. E a princesinha chamando ele de Daddy, coisa mais fofa.
Engraçado que eu fico boba feito o Nate vendo Staninha amamentando Kate, é tão lindo. Acho que estou com o instinto maternal aflorado.♥ Culpa sua por BB hahahaha
Achei muito legal eles conversarem sobre coisas da carreira, é como se eles estivessem na cama conversando sobre como foi o dia. Gostei tb de Stana não ter ciumes de Michelle. E claro que ia rolar festinha hahaha
Jeff marcando o território. Meus bichinhos são tão lindinhos juntos. ♥ Claro que a coisa sempre esquenta né hahaha
Tb não gostei dessas flores e nem do cartão. To com o Jeff nessa. Não achei nada profissional, ainda mais que o cara sabe que ela é casada.Mas não quero ser advogada do Diabo hahaha
Claro que Jeff está com ciúmes, rolou até dois Kristina hahaha
Gigi tenta acalmar a fera, mas vai ser dificil.
Visitinha para a sis, ela ta precisando. Gigi querendo fazer Katie falar o nome dela hahaha
Acho lindo o relacionamento que Dona Cookie tem com os filhos (e com as filhas tb). Jeff desabafando com a mãe e ela sabiamente dando bons conselhos.
Jeff sendo sarcástico e todo mundo percebendo. Adorei Stana botando panos quentes e mudando de assunto e depois ja falando com a irmã sobre isso, e marcando nosso almoço preferido.
Adoro essas cenas domesticas de Giff. ♥
Vamos ao almoço. Adorei Stana fazendo o papel do advogado do Diabo. Aliás fiquei impressionada com a forma que Stana leu Jeff,ganharia os 100 dólares facilmente.
Senti uma certa identificação, como se ela teria feito a mesma coisa.
Amo que elas sempre dão bons conselhos uma para outra. Pq né cada hora o vento bate de um lado hahaha
Dona Cookie falando do filho, coisa mais linda. Meu bichinho ta alerta mesmo.
Quero levar dona Cookie para casa, to precisando de colo.
É impressão minha ou toda vez que é para eles conversarem, eles partem direto para a sobremesa? hahaha
Ta virando um bola de neve e sei bem como foi a avalanche.
Ah, que surpresa boa, Nate deu uma fugidinha pra ver suas mulheres. ♥