sábado, 20 de dezembro de 2014

[Castle Fic] I Never Told You



I Never Told You

Autora: Karen Jobim
Classificação: NC-17
Gênero: AU 
Advertências: Drama, Romance – Kate POV – S4. 
Capítulos: One-shot
Completa: [ x ] Sim [   ] Não

Resumo: Kate Beckett acabara de passar por uma experiência traumática. O principal caso de sua vida quase a levou à morte. Sentindo-se perdida, ela toma decisões drásticas para seguir adiante, mas seriam elas as mais acertadas?

Nota da Autora: Uma canção faz toda a diferença para qualquer história. Essa fic é baseada na música “I never told you”, aqui executada por Colbie Caillat. Um momento de introspecção para nossa valente Kate. Letícia, adorei a experiência de falar de Caskett através da canção. Fazia muito tempo que não escrevia uma songfic. Bem, essa não será bem isso, terá elementos. Chega de falar. Desconsiderem tudo que aconteceu em Castle após Knockout, há uma mistura desse episódio e de Rise, porém considerem uma história alternativa. É só uma brincadeira para divertir. Obrigada,Let! Enjoy!

P.S.: Desculpe pelo final clichê... juro que tentei evitar! Segue o link da música para acompanhar a fic: 


Atenção: NC-17...

I Never Told You


Kate estava sentada na varanda. Uma caneca de café em mãos e uma paisagem alaranjada registrada nas folhas das arvores a sua frente. Desde que saíra do hospital, ela refugiou-se no interior da cabana de seu pai localizada a vários quilômetros de Manhattan. Era parte da recuperação necessária após tomar o tiro durante o funeral de Montgomery. Foram 48 horas de descobertas e reviravoltas na vida de Kate. Perdera seu mentor, encontrara algumas explicações nada agradáveis sobre o caso de sua mãe, estivera por um fio. Vira a sua vida passar em frente aos seus olhos. Terminara seu namoro com Josh e se isolou.    

Mesmo estando junto com seu pai pelo último mês, esteve muito debilitada para pensar ou planejar o próximo passo de sua vida. O velho Jim cuidava dela sem reclamar, dava tempo a filha. Havia muitos anos que não opinava sobre as decisões que sua menina fazia. Quando Kate precisava de conselhos, ela podia pedir. Não era esse o caso.

Faltavam duas semanas para retornar a NYPD. Sentia-se melhor fisicamente. O mesmo não podia dizer de sua mente. Mais de dez anos de polícia nunca preparam um policial para levar um tiro ou matar. Claro que há o risco da profissão, aprende-se isso numa das primeiras aulas na academia. Essa era uma das lições que todos esperam conhecer apenas a teoria. Enfim, era a hora de colocar as coisas em perspectiva.

Estava novamente sozinha, por escolha. Seu rompimento com Josh foi amigável. No fim, ele nunca foi um namorado em potencial. Gostava dele, admirava-o pelo que fazia no campo da medicina. Contudo, sua admiração tornou-se um problema. Josh nunca estava por perto para apoia-la, celebrar, ouvi-la. Haveria sempre um paciente crítico, um programa social em outra cidade, o médico sem fronteiras. No fundo, ela constatou que eles nunca foram, nem seriam um casal. Josh era a versão masculina de Kate. Nenhum dos dois abriria mão do seu trabalho. No tempo que estivera com ele, Josh perdera todos os momentos importantes inclusive o dia dos namorados. E não era somente isso.

Havia um outro motivo. Algo que acontecera meses antes do atentado a sua vida. Um motivo capaz de deixa-la confusa, em conflito consigo mesma. Precisava entender o que esse aperto no coração significava. Ela não estava falando de dor física. O que sentia era psicológico. Seu motivo tinha 1,87 e lindos olhos azuis.

Não. Esse não era o momento de pensar sobre esse assunto. Necessitava de foco. Sua vida na NYPD, essa era a sua prioridade.  

Já ouvira muitas vezes que é natural fazer uma análise de toda a sua vida quando se passa por um evento traumático. Uma espécie de tradição como as realizações de fim de ano. Kate deveria enfrentar seus medos, expor seus sentimentos diante de um terapeuta. Era mandatório para ter seu distintivo de volta. Não se julgava confiante o bastante para discutir seu estado de espírito com um psicólogo. Porém, amanhã seria sua primeira consulta para convencer o profissional que estava bem, em condições de exercer suas funções como detetive. Seria uma tarefa árdua. Kate continuava tendo pesadelos com o episódio que enfrentara meses atrás. Ela precisava ter seu registro de volta, sua arma. Sem um distintivo, não havia Kate Beckett.  Sorveu o resto do café olhando para o pequeno lago. Em outro momento, talvez ela apreciasse o lugar como deveria, ou não. A quem queria enganar, era uma garota da cidade, uma típica novaiorquina. Levantando-se, entrou em casa para arrumar as malas.

À noite, o sono agitado a perseguiu. Era o mesmo pesadelo das outras noites.

“Eles mataram minha mãe o que você espera que eu faça? Beckett, todos ligados a esse caso estão mortos, deixe para lá. Da última vez que chequei era a minha vida, não seu brinquedo pessoal! Eu sei que você rastejou para dentro do caso de sua mãe e não saiu mais, como você se esconde em relacionamentos com homens que não ama. Você tem medo. Nós terminamos. Kate! Quem matou minha mãe? Castle, tire-a daqui. Nãooooo. O barulho de tiro. Montgomery caído. Novo tiro. Fique comigo, Kate. Eu te amo. Eu te amo, Kate. “

Então ela acordava ofegante com a imagem daqueles olhos azuis cobertos de medo sobre ela.   


Manhattan – dia seguinte


Ela passava a manhã viajando. Seu encontro com o psicólogo era na parte da tarde. Kate estava sentada esperando o momento para entrar no consultório. A secretária ofereceu-lhe café. As imagens do pesadelo ainda vagavam em sua mente. O que a fez lembrar-se dos últimos momentos com Castle no quarto do hospital. Ele estava abalado ao vê-la, sabia que deveria ter sofrido com tudo aquilo. Kate tomou sua decisão de afastar-se porque precisava achar seu equilíbrio novamente. Passaram-se quase três meses e ela não falou com Castle. Seus pensamentos foram interrompidos ao ser chamada ao consultório. O psicólogo a recebeu com um sorriso, Kate era boa em ler pessoas. Ele era um homem sério, talvez um tanto austero, mas ela gostou da sinceridade que viu em seus olhos.

- Olá, Kate. Por favor, sente-se. Primeiramente, gostaria de dizer que você não precisa ficar na defensiva. O que acontece aqui nessa sala diz respeito apenas a mim e a você. Quero que saiba, minha missão é analisa-la no intuito de coloca-la de volta à ativa o mais rápido possível. Eu li sua ficha, uma detetive realmente impressionante devo dizer. Agora, vamos falar do que aconteceu a quase três meses. Conte-me, Kate. Como você se sente após sua experiência, seus primeiros pensamentos – Kate respirou fundo, a partir de agora ela entraria em um terreno perigoso.

- Eu não me lembro muito do que aconteceu. Estávamos em um funeral. Capitão Montgomery. Estava fazendo o discurso no púlpito e de repente tudo ficou escuro, não me lembro de mais nada.

- Tem certeza? – Kate não respondeu – vamos falar um pouco de sua vida pessoal e o relacionamento com o caso da sua mãe. Isso virou uma espécie de obsessão para você. Na sua ficha diz que já passou por terapia para esquecer sua vingança pessoal. O que a fez voltar a procurar? Por que remexer em velhas feridas?

- Porque descobri novas pistas. Castle encontrou furos na investigação feita pelo investigador oficial do caso. Eu apenas fiz o trabalho que na época ele não se dispôs a fazer. Eu preciso da verdade, sou uma policial, luto por justiça.

- A qualquer custo? Pela forma que eu vejo, o caso da morte de sua mãe a fez fechar-se para outros aspectos importantes da vida. Você respira trabalho, casos e mais casos fechados com louvor. Tem uma das melhores pontuações na NYPD. Poderia classifica-la como workaholic, mas esse não é o caso, certo Kate? Em minha opinião profissional, você tem medo de seguir adiante. Não, pegar o assassino de sua mãe não pode ser sua meta de vida. Kate, você está se escondendo atrás de um motivo que tem mais de dez anos para não ser feliz, viver sua vida.

- Você não entende, eu não posso decepcionar minha mãe. Devo isso a ela.

- Não. Sua mãe está morta. Você não pode decepciona-la, Kate. O que você acha que sua mãe gostaria que fizesse com sua vida?

- Ela gostaria que eu seguisse em frente.

- Muito bem. O que o trabalho na NYPD significa para você?

- Tudo. Eu não sei quem sou sem meu distintivo. Eu entrei para a academia por causa do assassinato da minha mãe, porém lá descobri que podia ajudar outros que sofreram perdas como eu. Depois do meu período negro, a cada novo assassinato, a cada nova vítima, pensava em como aquele ato cruel devastava uma família, uma namorada, um marido. Eu me via neles, ainda me vejo. Todo novo caso é uma forma de honra-la, de mostrar que a justiça pode ser exercida para o bem comum. Algumas vezes, me esqueço disso. Quando isso acontecia, Castle estava ao meu lado para lembrar-me – um pequeno sorriso surgiu no canto dos lábios.

- Já que mencionou, fale sobre Castle. Ele é parte importante da sua vida, não?

- Castle é meu... – de repente sentiu dificuldade em rotula-lo – meu amigo, um espécie de parceiro na NYPD. Castle conseguiu sua entrada em meu distrito através da sua amizade com o prefeito. No início era realmente irritante tê-lo me seguindo para todos os lados, cenas de crimes, necrotério, perambulando e se metendo em todos os assuntos. Obediência não era o forte dele, não é – corrigiu – mas, depois, aprendi a lidar com ele. Castle se tornou importante para o trabalho, para os casos e de certa forma amenizou o meu dia a dia. Tornou-se meu amigo, apesar de ter feito voltar a analisar o assassinato da minha mãe, não o culpo. Abrimos novas portas juntos. De todas as pessoas, ele é quem talvez mais me compreenda – novamente a dor no peito apareceu, Kate engoliu em seco. Sua linguagem corporal não passou desapercebida ao terapeuta. 

- Interessante você dizer isso. Talvez você precise pensar um pouco mais sobre a real importância de Castle para você e para sua vida. No momento, vou me ater ao objetivo principal dessa nossa conversa. Você é uma mulher decidida, sabe o que quer. O título de melhor detetive da NYPD é seu por direito. Sua reputação mostra isso, comprova a policial que é. Vou lhe entregar meu parecer favorável ao seu retorno ao trabalho. Poderá voltar para o seu distrito – ele pegou um papel na pasta, assinou e carimbou – gostaria apenas de fazer uma observação. Você ainda tem uma carga emocional bastante elevada pelos últimos acontecimentos, porém não é somente seu stress pós-traumático que gera essa carga. Você tem uma lição de casa para fazer. Descobrir o que quer para sua vida pessoal. Temos batalhas demais para enfrentar na vida. Luta-las sozinho pode ser um erro. Sabe o que é ainda um erro maior? Acreditar que ninguém estaria disposto a lutar e seguir esse caminho ao seu lado. A você foi dada uma segunda chance. Reflita sobre isso – entregou o documento para Kate, sorria – aqui está.

- Obrigada, doutor.

- Se eu não a vir em outra oportunidade – estendeu a mão para cumprimenta-la – boa sorte, Kate. Eu espero que encontre o que procura e dê uma chance a si mesma – ela retribuiu o aperto de mão, deixou o consultório rumo ao seu apartamento.

Assim que entrou, sua primeira reação foi fechar os olhos. Sentiu o choro apertar-lhe a garganta. Ali naquele mesmo lugar ela dividiu suas teorias e seu conhecimento sobre o caso de sua mãe com Castle. A janela ainda estava lá, intacta. Foi também naquela sala onde discutiu com Castle. Lembrar-se disso agora trouxe lagrimas aos olhos. Castle fora duro com ela, não fora a primeira vez, porém fora a discussão mais séria entre eles, apertara botões que a fizeram se odiar. Tanto que ela o enxotou de seu apartamento. Ficara com raiva dele porque lhe dissera algumas verdades. Algumas vezes, ela não aceitava bem críticas, pelo menos não no primeiro momento. Passando as mãos pelo rosto para enxugar as marcas deixadas pelas lágrimas, balançou a cabeça decidindo esquecer toda essa historia por um tempo.

- Música. É disso que preciso. Um pouco de música – Kate ligou o som que ficava sobre sua bancada da cozinha. Iria cozinhar algo, retomar a rotina. Ainda tinha quase duas semanas para voltar ao trabalho. Usaria parte delas para colocar sua vida nos trilhos. Enquanto preparava uma massa, ela se entretia ouvindo canções agitadas, dançantes e bons rocks. Não se preocupou em montar uma playlist, quis por uma vez experimentar. A rádio conseguiu devolver parte do astral alegre que perdera esse tempo. Tinha seu laudo, retornaria ao trabalho que adorava executar. Aos poucos a experiência ruim seria esquecida. Serviu-se do macarrão acrescentando uma porção generosa de queijo parmesão.

Sentou-se no sofá para apreciar um pouco da sua culinária, um momento totalmente individualista. O prazer de experimentar os temperos, a mistura de tomate, parmesão, manjericão fizeram-na suspirar. Levantou-se para pegar o vinho na geladeira. Após um longo gole, retornou ao seu lugar colocando outra garfada generosa na boca. Em meio a esse pequeno momento de introspecção, uma nova canção ecoou pelo apartamento. Uma canção que tornou impossível para Kate não voltar seus pensamentos para alguém especial. Rick Castle.


“I miss those blue eyes, how you kiss me at night. I miss the way we sleep like there's no sunrise like the taste of your smile I miss the way we breathe. But I never told you what I should have said. No, I never told you I just held it in. And now, I miss everything about you I can't believe that I still want you and after all the things we've been through. I miss everything about you without you…”


A imagem do homem encheu sua mente. Aqueles olhos azuis tão profundos a cativavam. Sim, ele era seu amigo, seu parceiro mas... poderia ser mais do que isso? Ele a acusou de sabotar sua felicidade. Por que dissera aquilo? O que estava insinuando? Ela recordava as palavras dele quando ela o pressionou “eu não sei o que somos, nos beijamos e nunca falamos sobre isso, quase morremos congelados nos braços um do outro e nunca falamos sobre isso, então não, eu não tenho a mínima ideia do que somos. O que eu sei é que não quero vê-la jogar sua vida fora.”

Ela virou o resto da bebida de uma vez. Encheu a taça novamente. Escorada no sofá, deixou a mente vagar por aquela noite. Era apenas mais um dia comum no principio, todavia ela findou por encontrar ligações suspeitas com o caso da sua vida quando o detetive responsável pela investigação a ligou. Muitas pistas apareceram, mesmo após a morte de Reglan. Seu mais novo inimigo estava torturando Ryan e Esposito. Eles estavam ali estacionados, próximo a casa onde os rapazes estavam. Ela precisava de ideias, algo para despistar o segurança de tocaia. Castle sugeriu se passarem por um casal de namorados voltando meio de pileque de uma noitada. No momento que colocou os olhos no segurança, Kate sabia que não ia funcionar. Então, ela foi surpreendida por um movimento que não esperava. Castle a impediu de puxar a arma, puxando-a pela nuca e tomando-a em um beijo. Afastou-se, porém não estava surpresa por buscar-lhe os lábios de forma urgente, beijava-o, quase de maneira avassaladora.

Fechou os olhos. Um beijo. Um único contato íntimo em três anos convivendo com ele foi capaz de tira-la de seu eixo. Por um momento, esquecera que era um disfarce. As emoções estavam em seu limiar. Kate levou a mão à boca. Ela podia recordar-se com precisão da profundidade daqueles olhos azuis a fitando antes de envolvê-la em uma dança de lábios. Ela sentia falta disso, do jeito de olhar, do beijo, sentia falta dele. Por mais difícil que fosse para Kate Beckett, admitia pela primeira vez que as palavras pronunciadas por Castle antes de ver o mundo escurecer a emocionavam. Criavam uma mistura de medo e confusão que a aterrorizavam. Ele a amava, dissera sem qualquer ressalva. No fundo, ela sabia disso, era recíproco. Negava sempre que o pensamento aparecia em sua mente. Ainda podia ver a cara de decepção de Castle no hospital quando ela falou não se lembrar de nada referente ao tiroteio.

Não estava mentindo quando disse a ele que precisava de tempo. Não sabia como lidar com isso. Medo. Deveria render-se ao sentimento que nutria pelo escritor? Ela quase fizera isso quando foram a Los Angeles. Considerou que sua reação era justificável pela montanha russa de emoções que vivia caçando o assassino de Royce. Era apenas mais uma tentativa de enganar-se. “Você poderia ser feliz, você merece ser feliz, mas tem medo”.

Sim, ela optara por sabotar sua felicidade. O medo de perder o seu companheiro, seu amigo e parceiro caso nada disso funcionasse. Ela estava acostumada a tê-lo ao seu lado. Castle já dera várias provas de sua lealdade, de que estava disposto a seguir com ela onde a estrada os levasse. Se pudesse arriscar...

O aperto no peito voltou a dar sinais. Finalmente, ela compreendia o que aquilo significava. Saudade.

A garrafa de vinho estava pela metade. Ela não quis continuar naquela fossa. Não sem levar a si mesma a momentos de angustia e extremo stress. Largou as louças na pia da cozinha, tomou um comprimido para dor de cabeça e deitou-se na cama. Tentou em vão fechar os olhos para afastar da mente os pensamentos com relação a Castle. Recordou o beijo diversas vezes antes do analgésico a derrubar.

A noite não provou ser tranquila quanto ela esperava. Os pesadelos voltaram. O mesmo de todas as noites. Na mesma sequencia. A sensação ao acordar no meio da noite era de queda livre. Por duas vezes durante a madrugada, ela reviveu aqueles momentos.      

“Eles mataram minha mãe o que você espera que eu faca? Beckett, todos ligados a esse caso estão mortos, deixe para lá. Da última vez que chequei era a minha vida, não seu brinquedo pessoal! Eu sei que você rastejou para dentro do caso de sua mãe e não saiu mais, como você se esconde em relacionamentos com homens que não ama. Você tem medo. Nós terminamos. Kate! Quem matou minha mãe? Castle, tire-a daqui. Nãooooo. O barulho de tiro. Montgomery caído. Novo tiro. Fique comigo, Kate. Eu te amo. Eu te amo, Kate. “

Da última vez, porém, um novo elemento se juntou ao pesadelo. Psicólogos podiam justificar como parte do subconsciente afetado por lembranças de um dia intenso. Como fotografias permanentes. Kate entendia que não era essa a explicação apropriada em seu caso. Após a declaração, a sequência do sonho trouxe o beijo deles.

Sim, ela acordara ofegante novamente. Dessa vez, não por medo. Por prazer.

Kate checou o relógio de cabeceira. Cinco e meia da manhã. Precisava ocupar sua mente com outra coisa que não seu atentado ou sua vida pessoal. Hora de voltar à ativa e continuar a investigação que a colocou de cara com a morte.


12th Distrito


Kate Beckett chegou silenciosa a sua segunda casa. Ficou por uns instantes fitando a sua mesa. A cadeira ao lado, lugar cativo de Castle, estava vazia. De repente, as pessoas notam sua presença e a recebem com uma salva de palmas. Era bom estar de volta. Enquanto arrumava suas coisas, os rapazes se aproximaram dela. Estranharam vê-la de volta uma semana antes. Ela justificou o tédio da cabana como a desculpa. Em seguida, perguntou por novidades.

- Tiramos DNA da arma, mas não encontramos nada no sistema – disse Ryan – espere, Castle não te contou nada sobre isso?

- Não – respondeu Beckett rapidamente.

- Estranho… - retrucou Ryan pensativo – por que ele esconderia isso de você?

- Ele não está escondendo nada. Não falo com ele há um tempo.

- Há quanto tempo, exatamente?

- Praticamente desde o tiro.

- Por que? O que aconteceu?

- Nada aconteceu. Eu só precisava de um tempo.

- Ele te deixou sozinha por três meses? – Ryan estava mesmo impressionado.

- Gente, não é culpa dele. Eu disse que ligaria.

- Por que não ligou? – perguntou Esposito – porque ele esteve aqui, trabalhando no caso por meses – Kate não escondeu a surpresa ao descobrir - Ainda estaria aqui se a nova capitã não o tivesse expulsado.

- Ela o expulsou? Por que? – pela primeira vez, ela ficou preocupada com o que acontecera e com o que fizera com ele.

- Aparentemente sua delegacia não é lugar para um escritor delirante brincar de policial.

Ela ainda iria conhecer a capitã. Primeiro ouviu a história do banco, como Castle fez um trabalho reverso chegando à trilha de dinheiro. Fez sozinho a descoberta. Todas as novidades apenas serviram para deixa-la preocupada e sentindo-se culpada por  tê-lo afastado. O aperto no peito voltou a incomodar. O caso de seu atentado for a arquivado por Gates devido a falta de provas e pistas. Na linguagem da policia, esfriou. Os arquivos com a trilha do dinheiro estavam com Castle. Respirando fundo, tomou o resto de seu café, pegou o documento do psicólogo e preparou-se para exigir seu distintivo e sua arma de volta.

A Capitã, apesar de tudo, gostou de conhecê-la. Como o próprio psicólogo dissera, sua reputação a precedia. Após examinar o laudo, Gates entregou-lhe o distintivo, porém, para a arma, ela teria que passar pela prova de tiro, requalificar-se. De volta a sua mesa, ela refletiu sobre qual seria seu próximo passo. Os rapazes deixaram o distrito para atender a um novo homicídio. Pensando sobre tudo o que lhe foi contado nessa volta ao trabalho, sabia que precisava fazer algo para redimir o possível mal que causara a alguém. O olhar voltou-se para a cadeira vazia ao seu lado. Nunca pensou que sentiria tanta falta de tê-lo ao seu lado. Checando seu paradeiro pela internet, Kate pegou sua jaqueta e saiu.

Era mais uma tarde de autógrafos de seu novo livro. O terceiro da série. Heat Rises. Ele atendia os fãs agradecendo pela lealdade e pela dedicação ao seu autor preferido. Infelizmente, essas pequenas reuniões perderam um pouco o sentido. Fora difícil terminar o livro devido a tudo que acontecera. Estava em um lugar sombrio após ser praticamente dispensado por Kate. Descobrir que ela não se lembrava de nada que dissera, voltar a estaca zero, era muito doloroso. A ausência, ser ignorado depois de tudo o que passaram juntos o irritava. Continuava louco por ela, talvez nunca amasse ninguém da maneira como amava Kate Beckett. O reconhecimento disso o corroia por dentro. Mesmo assim, ele continuava a fazer seu trabalho de escritor.

Um após outro, os fãs se aproximavam com seus exemplares, davam seus nomes para receber o autógrafo e agradeciam. Castle sorria, procurava ser cordial. Dependia deles para manter a memória de sua musa perto de si. Perdera a conta de quantos livros assinara nas últimas semanas. Essa tarde já estava particularmente cansado por responder e perguntar sempre as mesmas cosas. Perdera a conta de quantas vezes disse a mesma frase.

- Devo dedicar a quem? – quando o novo exemplar surgiu na frente dele.

- Kate – a voz era inconfundível. Ergueu a cabeça para então seus olhos a encontrarem – pode dedicar a Kate.

O choque o fez engolir em seco. Ela continuava linda. Assinou o livro como se nada tivesse acontecido, mais uma fã ele procurou acalmar a si mesmo. Tão rápido como surgiu, ela saiu da frente dele. Nenhuma palavra além do repetitivo obrigada. Castle tentava não se abalar por isso. Seus esforços eram em vão. Aquela mulher o tirava do sério em todos os sentidos. Ela mexia com sua cabeça, seu corpo. Droga! Sentiu raiva de si por se deixar amolecer tão facilmente. Lembrou-se que não estavam se falando a três meses, não facilitaria como antes. Se Kate achava que podia aparecer em sua vida após tanto tempo sem ao menos um telefonema, estava enganada. Ainda nutria muita raiva por tê-lo esquecido, por julgar que ele não fosse importante em sua vida. Ele estava magoado, mesmo apaixonado ele ainda tinha orgulho próprio.

Quando encerrou o evento despediu-se de todos os que o ajudaram e não ficou surpreso por encontra-la esperando por ele na calçada. Era teimosa a esse ponto. Ele passou pela frente dela ignorando-a sabendo que ela o chamaria. Não deu outra.

- Castle, espere.

- Eu esperei três meses, você nunca ligou.

- Olha, eu entendo que está com raiva – virou-se para encara-la.

- Pode ter certeza que estou. Vi você morrer naquela ambulância. Sabe como é? Ver a vida se esvair de alguém – ele hesitou – de alguém que você gosta? – não, ela não havia experimentado nada parecido.

- Eu disse que precisava de mais tempo.

- Você disse uns dias.

- Eu precisei de mais.

- Deveria ter avisado – e sai andando novamente. Ela o segura pelo braço chamando sua atenção, fazendo-o olhar para ela.

- Eu não poderia ter ligado, não sem reviver todo aquele pesadelo. Tudo o que estava procurando me afastar. O que me fez mal. Tinha que digerir tudo aquilo.

- Josh te ajudou? – disse sarcástico, porém logo se arrependeu por ver o olhar no rosto dela. Kate virou as costas para evitar que ele visse as lágrimas que embaçavam seus olhos. A última coisa que faria era chorar na frente dele, não quando Castle estava tão irritado com ela, não ao perceber que o magoara. Isso não deveria ter acontecido. Tudo o que queria era trazê-lo de volta para o seu lado. Abraça-lo. Queria voltar a lutar suas batalhas ao seu lado. Percebera que talvez fosse tarde demais. Estragara tudo. Caminhou até a praça próxima de onde estavam. Avistou um balanço, sentou-se. Acariciava a capa do livro onde ele assinara seu nome. Leu a dedicatória. Sorriu. Mordiscava o lábio inferior. Por que fizera isso com ele? Por que insistia em dar cabeçadas? Percebeu quando ele sentou-se ao lado dela. Não sabia o que dizer, um pedido de desculpas não era suficiente naquele momento, portanto esperou que ele desse o primeiro passo.

- Está de volta ao trabalho?

- Sim, fui liberada pelo psicólogo.

- Ótimo – ele esperou alguns segundos para fita-la. No instante que vira aqueles olhos azuis tão escuros, sombrios, engoliu em seco. Esse não era o mesmo Castle que olhara para ela no dia do tiroteio. Será que estaria guardado por trás daquele olhar ou dentro do seu próprio coração? – você se lembrou de algo do tiroteio?

- Apenas pedaços aqui e ali. Eles vem até mim em pesadelos quase todas as noites – aquilo prendeu a atenção dele e amoleceu um pouco o olhar dele perante Kate. O aperto no coração voltara. Os olhos perderam-se nos lábios a sua frente por alguns segundos. Não estava preparada para contar a verdade a ele – sempre termina com o barulho do tiro e a escuridão. Não importa. Deve ser melhor assim. Eu preciso trabalhar, ocupar a mente. Tenho um exame de requalificação para fazer. Quero minha arma de volta.

- Certo. É melhor assim. O trabalho vai ajudá-la – ele se levantou – espero que se cuide, Kate.

- Castle não…

- Você estava certa. O que quer que tínhamos, acabou. Boa sorte, Kate – saiu caminhando deixando-a atônita olhando para o nada. De repente, uma ânsia de enjoo a invadiu. Sua cabeça doía. Dessa vez, ela não lutou contra as lágrimas, simplesmente as aceitou.

A angústia e o momento de solidão não acabou naqueles balanços. Encolhida na cama, ela chorou por longas horas até ser vencida pelo sono. Os pesadelos retornaram. Pela manhã, ela se arrastou da cama para o trabalho. Os olhos não conseguiam esconder a noite mal dormida. Após uma caneca de café, ela retornou a sua mesa. Tudo ali lembrava Castle. A cadeira parecia um fantasma perseguindo-a, lembrando que o seu parceiro, seu menino dos olhos azuis e de sorriso fácil não voltaria a se sentar naquele lugar. Estava sozinha agora. O mundo não parava, novos homicídios surgiam e nenhum deles traria Castle para o seu lado.

Não sabia bem por onde começar. Deveria insistir no caso da sua mãe e correr o risco de ser pega pela capitã? Era o correto a fazer, porém precisava de seu parceiro. Tinha que conversar com alguém. Nesse momento somente conseguia pensar em uma pessoa. Pegou seu casaco e deixou o distrito.

Ela andava de um lado a outro da antesala esperando por sua vez. Por alguns instantes fitou o celular em um dilema de ligo ou não ligo. Desistiu de apertar o botão verde quando a secretária mandou que entrasse. Kate sentou-se na poltrona de frente para o psicólogo.

- Kate, não esperava vê-la novamente por aqui.

- Eu imagino, nós policiais evitamos ao máximo nos submeter a qualquer análise de nossas mentes. Não foi por isso que voltei. Eu não estou bem. É difícil para mim admitir isso. Não se trata do trabalho, estou falando da minha vida. Eu menti. Eu me lembro do tiroteio.

- Quanto você se lembra?

- Tudo. Eu me lembro de tudo.

- Deve ter um motivo muito sério para você ter omitido essa informação antes. É por isso que está aqui?

- Sim. Eu não consigo dormir à noite. Os pesadelos estão lá revivendo tudo o que aconteceu antes, o momento do tiroteio. E a informação que me abalou mais do que o próprio tiro. Eu não sei como lidar com isso. Castle. Ele disse que me ama. Eu disse que não lembrava nada do que acontecera. Não estava pronta para discutir esse assunto com ele. Pedi um tempo. Demorei três meses e agora ele está com raiva de mim. Castle não irá voltar ao distrito, eu perdi meu parceiro, meu amigo para sempre.

- Conte-me os detalhes – Kate repassou tudo o que via em seus pesadelos, cada detalhe incluindo o beijo. Para o psicólogo estava muito claro o que tinha a sua frente – você disse que perdeu Castle para sempre. Tem certeza disso? Você já desistiu?

- Não é tão simples assim. Você não viu a mágoa no olhar dele.

- Kate, deixe-me perguntar uma coisa: você o ama?

- Sim, eu estou apaixonada por ele a um bom tempo. Achei que não precisaria experimentar algo como o que está acontecendo agora, nunca pensei que ele iria embora.

- E por isso você nunca falou de seus sentimentos para ele. Imaginando que Castle estaria ali para sempre. Quase como um animal de estimação, seguindo-a para onde ordenasse.

- Não! – ela ficou irritada – Castle é meu amigo, meu parceiro. Nós já enfrentamos muitas coisas juntos, perigos. Gosto de tê-lo ao meu lado, de ouvir sua opinião. Sem ele, eu não teria chegado tão longe no caso da minha mãe. Ele é importante para mim, ele me entende como ninguém já entendeu. Castle é a pessoa mais importante da minha vida.

O psicólogo sorriu. Deixou a caneta dentro da pasta, fechando-a.

- Kate, você mesma disse. Se sabe o que sente, por que não o procura? Por que não diz a ele o que me disse? O que a impede, que medo é esse que a consome?

- Eu não sei como ele vai reagir. E se ele interpretar como uma forma de trazê-lo para o distrito novamente? Se achar que eu estou usando-o? Eu não estou preparada para um relacionamento. Eu terminei um logo após o meu tiroteio. Estou menos ainda preparada para ser dispensada.

- Kate, você ouve tudo o que diz? Do meu ponto de vista e pelo que pude observar, Castle é louco por você. Tenho certeza que ele levaria aquele tiro por você se lhe dessem a chance. Tem que encarar as verdades que me contou hoje. Você o ama. Sente falta dele. Por que luta contra um sentimento tão bonito como o amor? Prefere ficar com os pesadelos, enfiar a cara no trabalho e esquecer-se de viver?

Ela passava as mãos pelos cabelos. As lágrimas caiam sem receio pelo rosto.

- O que você tem não é um problema, Kate. Você tem uma decisão a tomar. Não sou eu quem vai dizer o que deve fazer. O aconselhamento eu já dei. O medo não serve para nos paralisar, serve para nos fazer crescer, desafiar nossos limites. Não se renda. Você está bem, melhor que muitas pessoas no mundo. Sabe por que? Porque ama e é amada. Decida-se, Kate. Ser feliz nunca me pareceu tão fácil.  Faça um favor a você, não é tarde.

Ela suspirou. Limpou o rosto, ergueu-se da poltrona. Viu o psicólogo sorrir.

- Adeus, Kate. Fique à vontade para voltar se quiser. Algo me diz que não vai precisar.

Kate deixou o consultório pensativa. Na frente, havia um café. Entrou e fez seu pedido. Optou por sentar-se numa mesa de canto esperando não ser incomodada. Por um bom tempo, ela contentou-se em tomar o café e observar o movimento. Passava o polegar de leve no copo. O liquido já acabara. Estava pensando em pedir mais um. Ela sempre gostou de café, porém Castle apenas a deixou mais viciada desde que veio trabalhar na NYPD. Acostumara-se a receber sua dose matinal de café todas as manhãs dele. Acostumara-se a tantas outras coisas vindas dele.

Uma garçonete se aproximou pedindo licença. Perguntou se ela desejava mais um café. Kate aceitou. Após o primeiro gole, tornou a pensar em Castle. Suas teorias malucas. A forma como criava histórias mirabolantes para explicar casos que apenas serviam para diverti-la mesmo que fingisse irritação. O jeito moleque e a fascinação por coisas dignas de um menino de nove anos.

Alguém falou alguma coisa para a garçonete, no instante seguinte uma melodia encheu a cafeteria.                 


“I see your blue eyes everytime I close mine. You make it hard to see where I belong to when I'm not around you. It's like I'm alone with me. But I never told you what I should have said. No, I never told you. I just held it in and now, I miss everything about you (still you're gone). I can't believe that I still want you (and loving you, I never should've walked away). And after all the things we've been through (I know I never gonna go away). I miss everything about you without you.”


A mesma música. Kate não acreditava em coincidências. Mesmo assim, reservou-se o direito de continuar relembrando seus momentos com Castle ao som da canção. Ele a fizera rir muitas vezes, estivera ao seu lado em momentos difíceis como após atirar em Coonan para salvá-lo. Em outra época, eles implicavam um com o outro, Kate teve sua blusa manchada de café por Castle. Houve ciúmes de ambas as partes. Sorriu ao lembrar como o provocara naquele caso da boate, dançando na frente dele sensualmente. Gostaria de fazer isso novamente. Gostaria de ver um sorriso naquele rosto, o brilho naquele olhar.

Fechou os olhos e imaginou a carinha de felicidade no dia em que foram beber no The Old Haunt. Cantando, ente amigos. Tantas histórias, tantos momentos. Por que deveria escolher seguir em frente? Por que virar as costas a tantas lembranças boas, por que ele escolheu virar a pagina? Ir embora, abandonar uma das melhores épocas da sua vida?

Muitas perguntas sem resposta. Muitas dúvidas para a vida de duas pessoas. Virando o copo a sua frente, Kate levantou-se para ir embora. Por que não contou como se sentia antes? Entrou em seu carro, dirigiu a esmo sem qualquer plano, apenas a cidade de Manhattan agitada e iluminada. Era uma garota urbana, típica novaiorquina. O barulho das ruas, as luzes da Broadway e da Times Square a acalmavam.

Novamente se viu pensando nele. Agora as imagens que vinham em sua mente eram dos obstáculos. Castle a protegera e a salvara quando seu apartamento pegou fogo. Acolheu-a. Enfrentou bandidos a seu lado mesmo não estando armado. Quebrou com vontade a cara de Lockwood de porrada. Arriscava-se por ela. Apesar dos momentos irritantes, ele tinha domínio das palavras, fácil quando se é escritor, mas ele parecia ter sempre uma palavra de conforto. Ela nunca esqueceu a dedicatória de seu primeiro livro. Sabia que ele acreditava mesmo em ela ser extraordinária.

O radio que até a pouco tocava uma balada antiga do bom jazz americano, trouxe mais uma vez a mesma melodia de horas atrás na cafeteria. A letra invadiu a mente de Kate remetendo-a novamente ao beijo trocado alguns meses antes.  


“I miss those blue eyes, how you kiss me at night. I miss the way we sleep like there's no sunrise like the taste of your smile I miss the way we breathe. But I never told you what I should have said. No, I never told you I just held it in. And now, I miss everything about you I can't believe that I still want you and after all the things we've been through. I miss everything about you without you…”


Não foi apenas o beijo que encheu seu coração com uma sensação gostosa. Recordar o tempo que ficaram congelados dentro daquele container. Jogados a própria sorte. Vendo seus corpos sendo desafiados a cada minuto por uma temperatura não suportável pelo corpo humano. Aos poucos, eles foram se entregando à hipotermia. Seus dedos congelaram, seus rostos, lutavam para manter-se acordados. Ali, nos braços um do outro, ela também não tivera coragem de dizer o que sentia. Perdera a chance de revelar o que escondia a sete chaves em seu coração.  


“But I never told you what I should have said. No, I never told you I just held it in and now, I miss everything about you (still you're gone). I can't believe that I still want you (and loving you, I never should've walked away) and after all the things we've been through (I know I never gonna go away). I miss everything about you without you.”


Parada no sinal vermelho, ela ouviu os últimos acordes da canção. Podia ser o fim de uma era ou o início de algo realmente importante em sua vida. A escolha era sua. Arriscar nossos corações é a razão de estarmos vivos, foram as palavras de Royce. Assim que o sinal abriu, Kate virou a esquerda indo no caminho contrário ao seu apartamento.


Apartamento de Castle


Castle estava sentado no sofá, um copo de vinho nas mãos. Olhava para o nada. Havia se passado apenas um dia que vira Kate. Porém, como um fantasma, ela estava presente em seus pensamentos 24 horas por dia. Não, era errado compara-la com um fantasma. Ele a amava, agradecia por ter sobrevivido aquele tiroteio mesmo que isso significasse ficar longe dela para sempre. Seu coração doía. Teria uma missão muito difícil pela frente. Independente da raiva que sentia por ter sido deixado de lado, cortado abruptamente de sua vida, um sentimento tão forte como o dele não desaparecia instantaneamente. Não havia um botão ou um aplicativo que ordenasse seu coração a parar de ama-la, deseja-la. Três anos convivendo diariamente não podia ser esquecidos. Tiveram seus momentos. Muitas histórias para contar. É difícil deixar tudo para trás, abrir mão da melhor época de sua vida.

Não mais Nikki Heat. Teria que encontrar outro personagem. Talvez ressuscitasse Storm. Tomou um outro gole da bebida. Então ouviu as batidas na porta. Não esperava ninguém. Alexis estava passando a semana na casa de uma amiga estudando, sua mãe disse que ia para a noitada. Quem poderia ser às – consultou o relógio – dez horas da noite? Ao abrir a porta deparou-se com Kate Beckett. Ela estava vestida para trabalhar. Percebeu as olheiras abaixo de seus olhos. No mínimo virara no distrito e estava trabalhando até agora.

- Beckett...

- Castle, eu... preciso conversar...

- Acho que já dissemos tudo que podíamos um ao outro, não? – reparou nos olhos. Estava determinada e ao mesmo tempo parecia vulnerável, triste. O aperto no coração apareceu diante das palavras, porém a alegria de fitar aqueles olhos azuis rapidamente encheram-no com uma sensação de paz que nem ela conseguia explicar.

- Não, isso não é verdade. Eu nunca disse o que devia. Preciso que me escute – relutante, ele afastou-se para que ela adentrasse o loft. Ficaram frente a frente. Percebera que ela parecia observa-lo de uma maneira diferente – Castle, eu não sou uma pessoa fácil de se conviver ou entender. Minha vida é complicada, tem sido assim desde o assassinato da minha mãe. Vivia para o trabalho. Fechada numa redoma que criei com o simples propósito de afastar as pessoas. Odeio sofrer. A dor que senti com a perda da minha mãe não quero senti-la tão cedo. Esse é o motivo de me isolar. Nesses três anos que você esteve ao meu lado, excetuando os primeiros meses em que eu realmente te detestava, foram muito diferentes do que eu estava acostumada. Você me mostrou que posso me divertir trabalhando, que a vida é mais que vítimas de homicídios. Somos humanos, nos é permitido errar, rir, viver. Não tinha me atentado até me sentir ameaçada a ponto de perder minha vida, minha carreira, meu melhor amigo.

- O que você pretende com essa história? Quer me convencer a esquecer o que senti? Abandonar a raiva que você me fez?

- Não é uma história, Castle. Não sou escritora, você é. Estou aqui contando para você como eu me sinto. O que você significa para mim. Você é meu melhor amigo, mas não é o suficiente. Meu parceiro, também não é o ideal. Não quero o escritor, o palhaço da turma, o ajudante ou o menino. Quero o homem que você é. Quero Rick Castle, a pessoa que me acompanhou em momentos difíceis, que me deu conselhos, que arriscou sua vida para me salvar tantas vezes. Quero seu beijo, seu cheiro, o calor dos braços que me aqueceram uma vez quase estando congelados. Quero a pessoa que me trás café todos os dias, sabe exatamente como eu sou, meus defeitos e minhas qualidades. Quero o homem que amo. 

Kate se aproximou dele que ouvia atentamente, havia lagrimas novamente em seus olhos. Ela colocou as mãos sobre o peito dele, o olhar conectado ao dele. Passou uma das mãos em seu rosto.      

- Eu nunca disse que estava apaixonada por você, o quanto senti sua falta nesses três meses. Seu sorriso, seus olhos, sua voz. Tudo – uma lágrima escorreu pelo seu rosto – quando vi a mágoa nesses olhos azuis, o quanto eu o feri, meu coração doeu. Demorei para perceber que dar voz ao medo, apenas o afastava de mim. A saudade que senti por não tê-lo ao meu lado foi esmagadora.

- Kate... por favor...

- Eu me lembrei, Castle. Eu sinto tanto por ter feito você sofrer. Não merecia nada disso. Não você – ela passou a mão nos lábios dele – eu te amo, Rick Castle – ela não esperou pela resposta dele. Com as duas mãos tomou seu rosto colando os lábios nos dele. Dessa vez o beijo não foi urgente como o primeiro. Foi carinhoso, sensual e cheio de sentimento. Castle a envolveu com os braços. Ela se aconchegou suspirando no corpo dele. Há muito não sentia o frisson de ser tão querida e amada. Ele se afastou para fita-la. Kate sorria.

- Se soubesse que sumir da sua vida a faria perceber o quanto eu te amo, teria feito isso antes. Ela riu.

- Não foi somente isso, bobo. Eu quase cedi uma outra vez. Parece que a nuvem cinza que rodeava seus olhos sumiu. Somente vejo o azul cor de oceano – beijou-o novamente, ao se separar dele, pediu – faça amor comigo, Castle.

Ele se curvou para beija-la novamente, dessa vez havia uma certa urgência para provar-lhe os lábios, o pescoço, o colo. As mãos de Kate encontraram os botões da camisa desfazendo-os um a um. A jaqueta de Kate foi ao chão. A camiseta seria a próxima a ser descartada, porém ela se ateve aos beijos mantendo uma mão no rosto dele que se perdeu pelos cabelos obrigando Castle a puxa-la contra si. Ele entrelaçou os dedos aos dela levando-a para o quarto.

De frente para sua cama, Castle tirou cuidadosamente a blusa que ela vestia deixando à amostra o soutian. Livrou-se da sua camisa também. Kate colocou as mãos sobre o peito dele, querendo sentir o calor da pele. As mãos deslizaram para o botão da calça, porém antes que ela continuasse, ele a impediu deitando-a na cama, colocando o corpo sobre ela, perdendo-se em beijos.

Aos poucos, o restante das peças foi sumindo. Castle tirou a calça e o boxer. Também desabotoou a calça de Kate, aproveitando para fazer um belo passeio nas pernas longas dela, deixando uma trilha de beijos por onde passava. Depois, ele deixou suas mãos vagarem pela lateral do corpo até encontrar os seios. Com os polegares, acariciava os mamilos sobre o tecido do soutian. Desfez o fecho frontal, jogando a peça longe. Os dedos roçaram a pele dos belos mamilos. Então, beijou-lhe o colo rumo aos seios. Seus lábios roçaram o mamilo antes de abocanha-lo. Ao sentir o toque sugando-lhe o seio, ela arqueou o corpo gemendo. Repetiu o gesto no outro par, porém dessa vez usou a língua para brincar com ele. As mãos dela estavam em seus cabelos estimulando-o a continuar. Podia sentir a umidade tomando conta do seu centro.

Kate estava extasiada com o toque de Castle, com o calor de sua pele. Queria mais. Ele continuou vagando pelo corpo dela, abdômen, umbigo, as mãos retornavam aos seios apertando-os até dedicar sua atenção à última peça de roupa, a lingerie que cobria a parte mais desejada de seu corpo, antes de tira-la, Castle beijou-lhe o interior das coxas. Com a ponta dos dedos, puxou a peça de uma vez fazendo-a deslizar ao longo das pernas. Quando retornou colocando-se sobre o corpo dela, Kate o puxou para si em um beijo apaixonado. Pele contra pele. Era sua vez de explorar seu corpo.

Trocando de posição, Kate acomodou-se na cintura dele, mordiscou-lhe os lábios descendo por seu pescoço. As mãos vagavam pelo peito nu, vários beijinhos cobriam o caminho do pomo de adão até o tórax. Foi capaz de sentir o gosto dele, misturado a um perfume amadeirado, o suor masculino mexia com todos os seus sentidos. Roçou os dentes de leve próximo a um dos mamilos dele. Aproveitou para fita-lo. Os olhos azuis estavam representados em uma fina faixa, as pupilas dilatadas e a ereção armada contra sua coxa, tudo isso apenas a deixava mais excitada. Ela segurou o membro dele nas mãos, sorrindo acomodou-se para recebê-lo. Ao sentir-se sendo invadida pelo membro dele, Kate gemeu. As mãos apoiadas em seu peito para desfrutar do momento único antes de debruçar-se para beija-lo novamente. Começou a mover-se devagar. Experimentando a sensação de tê-lo dentro de si, aos poucos, o ritmo aumentou. Castle segurava em sua cintura. Juntos eles encontraram o movimento perfeito. Ela não conseguiu segurar o prazer que a invadia por muito tempo, em questão de minutos o orgasmo a atingiu como uma explosão. Castle estimulou o momento continuando a mover-se dentro dela.

Quando Kate debruçou-se sobre o corpo de Castle, ele a envolveu nos braços mudando de posição. Queria fazer esse momento durar por muito tempo. Afastando-lhe as pernas, ele a penetrou com os dedos. Ela gritou arqueando o corpo. Massageando seu clitóris, ele a trouxe de volta ao prazer usando os lábios para prova-la. Kate tremia debaixo de seu corpo, ele beijou-lhe os seios, sugou-os mais uma vez roçando seus dentes na pele macia. Então, ele a penetrou novamente.

Castle acariciou o rosto dela, beijou-a.

- Olhe para mim, Kate – ela abriu os olhos, uma das mãos dele, entrelaçou-se a sua – eu te amo, Kate – beijou-a novamente afundando-se dentro dela. Prestes a gozar, ela manteve os olhos nele, o corpo tremia, a pele arrepiava-se. Não podendo mais suportar, entregou-se completamente a Castle gritando seu nome fazendo-o atingir o êxtase junto com ela.

O quarto estava na penumbra. A respiração dela ainda demonstrava uma certa agitação. Castle deitou-se de lado para admira-la. A ponta dos dedos circulava a cicatriz recente. Ela colocou a mão sobre a dele. O solitário da mãe pendia caído para cima do seio direito. Os olhares se encontraram. Kate sorriu. A mesma mão que se juntara a dele, agora acariciava-lhe o rosto. Castle debruçou-se sobre o meio dos seios dela beijando a cicatriz.

- Eu devia ter protegido você.

- Shhhh – ela colocou o indicador nos lábios dele – não, era para acontecer. Recebi uma segunda chance, Castle. Escolhi você. Lembra uma vez que você me perguntou quando sabíamos que estamos apaixonados? Eu respondi todas as canções fazem sentido. Você pode achar estranho o que vou contar agora, eu estava muito confusa em como encara-lo, como contar o que eu sentia por você. Mas, foi através de uma canção que criei coragem, isso, alguns pensamentos e conselhos.  

- Ah, detetive Beckett... não sabia que era tão romântica! Qual era a canção? O que ela dizia?

- Eu não sei o nome. Falava de saudade. De como sentia falta de seus olhos azuis, seu beijo, tudo em você – ele sorriu beijando-a - Promete uma coisa para mim?

- O que você quiser.

- Promete não me deixar, não virar as costas para mim?

- Nunca mais. Não sou mais somente seu amigo. Sou seu parceiro no crime e na vida. Eu te amo, Kate.

- Eu também te amo. Obrigada por não desistir de mim.

- Always – ela o puxou para si beijando-o apaixonadamente. Segurou sua mão na dela, beijou-lhe a palma, respondendo.

- Always.     


THE END.      

  

Um comentário:

Marlene Caskett Stanatic disse...

ESSA MÚSICA É TUDO!!!!
Confesso que sempre que ouço lembro de Nathan, ai vem vc é faz uma fic tendo ela como tema.Tem como pedir mais??!!!
Amei♡