terça-feira, 9 de dezembro de 2014

[Stanathan] Save A Soul



Save A Soul
Autora: Karen Jobim
Classificação: PG-13
Gênero: AU 
Advertências: Drama, Romance – Real life S/N. 
Capítulos: One-shot
Completa: [ x ] Sim [   ] Não

Resumo: Com a proximidade do natal, Stana tinha uma série de compromissos antes de terminar as gravações para passar o recesso de fim de ano com a família. Nathan Fillion fechava sua agenda para dezembro e o primeiro quartil do ano. O que não imaginavam é que um encontro ao acaso poderia significar tanto para sua vida.

Nota da Autora: Fui desafiada por uma foto. Penny praticamente me intimou a escrever uma oneshot. Achei que seria difícil mas as palavra fluíram e cheguei a conclusão de que nem daria para ser uma oneshot e que a história até poderia render continuação. Porém, vou me ater a dois capítulos somente. Tudo bem que a história fosse mais plausível no universo Caskett, mas tudo é possível quando se escreve....É só uma brincadeira para divertir. Acho que não ficou bacana e confesso que sinto falta da NC. Considerem essa minha fic de Natal para S/N. Enjoy!    




Save A Soul


Casa de Nathan Fillion – antes do Thanksgiving Day


Nathan estava no escritório lendo uma série de papéis que Michele o entregara. Tratava-se de contratos de eventos, relatórios financeiros, contribuições sociais, impostos além de cartas e presentes de fãs que ela sempre organizava para ele. Enfim,  assuntos normais para qualquer fim de ano. Michele estava sentada à frente dele digitando incansavelmente em seu notebook. Trabalhar com ela era muito gratificante, além da parte executiva e administrativa, muito bem gerida por sinal, ela sempre buscava os melhores eventos, novidades, incrementando sua agenda quando possível nas folgas das gravações de Castle.

Ele também a considerava uma amiga. Ela lhe dava excelentes conselhos na sua vida profissional e pessoal apesar dele não seguir a maioria quanto se tratava de sua vida pessoal, o que o levava a geralmente arrependimentos ou situações que poderia ter evitado. Isso a deixava irada. Muitas vezes rendiam discussões longas entre os dois. Foi assim quando ele resolveu voltar com Mikaela, depois quando Christina Ochoa abusou de sua condição de namorada deixando-o extremamente mal e ainda aprontou como amiga ao provocar deliberadamente o fandom de Castle. Ela abominava aquela atitude. De tanto ouvir as recomendações de Michele e não cumpri-las quebrando a cara, Nathan decidira mudar levando a sério os conselhos da assistente e amiga.

E não é que vinham funcionando muito bem? Ele estava mais tranquilo, relaxado. O clima no trabalho não podia ser melhor, desde que Castle e Beckett ficaram juntos havia uma atmosfera diferente, alegre e extrovertida. Isso melhorava a cada dia, no fundo, desde julho as coisas não podiam estar melhor. Interpretar um casal casado ao lado de Stana provara-se ser extremamente agradável, usar uma aliança era uma sensação prazerosa. Chegava a ser engraçado porque realmente gostava da sensação de estar casado com ela na ficção. Sabia que tinha vontade de se aquietar, formar um relacionamento sério com alguém que gostasse dele como era, respeitasse suas escolhas e não necessariamente curtisse tudo que gostava apenas para agrada-lo.

Michele ergueu os olhos da tela do computador para checar os papéis que ele assinara. Parecia estar tudo em ordem, faltava ainda uma outra pilha que estava nas mãos dele.

- Michele, eu estava olhando alguns números das minhas doações para algumas organizações e acho que deveria fazer mais. Acredito que preciso de um novo projeto, algo com um significado importante. Não sobre o meio ambiente ou água ou algum país. Talvez crianças. Sim, crianças essa é uma excelente causa. Acha que pode encontrar algo pra mim?

- Já que você mencionou, tenho um projeto que talvez você goste. Soube dele semana passada. Deixa eu pegar as informações para mostrar, eu guardei um folder aqui – enquanto ela remexia em sua pasta, Nathan continuava examinando os papéis enquanto ela procurava – ah, aqui. Tomei conhecimento desse projeto através de uma amiga médica que trabalha com o hospital sendo responsável por geri-lo lá. Trata-se de crianças com doenças complicadas como câncer , AIDS, autoimune, porém o que o transforma em algo social é o fato dessas crianças não terem família ou serem de filhos de mães ou pais que faleceram ou ainda com baixa ou nenhuma condição sócio-econômica para mantê-los saudáveis. A maioria delas vive em uma ala especialmente construída com doações. Existe uma ala hospitalar para aquelas crianças que infelizmente não conseguem ficar longe do hospital e um espaço onde elas brincam, estudam, se alimentam e dormem. Uma equipe de profissionais desde a enfermeira até a psicóloga ajudam nesse anexo.

- Como funcionam as doações?

- Há duas formas. Doações para a manutenção da ala do hospital ou a que leva o nome do projeto : Save A Soul. Nele, o doador adota uma criança ou quantas quiser para dar a ela não apenas ajuda financeira, mas amor. Você a visita, comemora aniversario, dependendo do estado de saúde pode até leva-la para passar um final de semana na sua casa. Então, isso parece com o que você tinha em mente?

- Muito. Gostei bastante da iniciativa. É possível visitar o local? Tem que agendar?

- O espaço é aberto para qualquer pessoa que queira ajudar faça uma visita. Eles acreditam que muitas vezes mesmo sem dinheiro, se a pessoa passar cerca de duas a três horas com as crianças já está ajudando a transformar a vida daqueles pequenos. De qualquer forma, se quiser, posso consultar minha amiga para saber se ela poderia nos receber em um horário agendado. Talvez fique até melhor para você devido aos compromissos de gravações.

- Excelente. Ligue para ela e confirme quando ela poderá nos receber. Daí, encaixamos a visita na minha agenda.

- David já sinalizou quando param as gravações?

- Deve falar nessa segunda. Imagino que vamos até dia quinze.

- E seu recesso? Você não comentou nada sobre viajar.

- Apesar de estar indo para o Canadá esta semana, vou passar o natal com a família. Esse ano não tenho pretensão de ir a um lugar diferente, estou me sentindo bem caseiro. Se você tiver uma sugestão, estou aceitando, afinal você é um pouco responsável por eu estar solteiro.

- Como é que é? Eu sou culpada por você estar sem namorada? Conta outra, Nathan. Só existem duas explicações para sua solteirice: ou você está decidido a escolher alguém para sossegar de vez e esquecer das suas noites de farra, ou você já está interessado e apaixonado, porém a pessoa nem te dá bola.

- Por que você pensa isso? – Nathan pareceu um tanto envergonhado.

- Porque eu venho observando suas atitudes a algum tempo, conheço você de longa data. Seu comportamento mudou, já não passa as noites na farra. Você está diferente. Como mulher consigo perceber algo em seu semblante e em suas atitudes. Longe de mim opinar sobre quem você namora ou deixa de namorar mas acredito que possa concordar comigo sobre suas últimas e péssimas escolhas. Realmente espero que dessa vez, escolha uma mulher inteligente, decente, bonita e que combine com você.

- Aposto que se eu deixasse você opinar sobre a minha escolha, me daria uma lista de mulheres para escolher que aprovasse, não? – disse rindo.

- Olha, até que não seria má ideia. Talvez você concordasse com algumas escolhas, outras nem tanto. De uma coisa tenho certeza, não seria uma lista longa e minha escolha não seria a mesma que a sua. Não vou tornar sua vida mais fácil e nem comprar uma briga com você sobre esse assunto. O melhor que você faz é curtir seu feriado e arriscar por si só no amor.

- Com medo de se comprometer ou de errar feio e eu cobrar de você?

- Que eu me lembre, não errei com nenhuma das anteriores.    

- Engraçadinha.

- Bem, estou indo. Vou conversar com a Mandy para confirmar sobre a nossa visita. Seu voo é na quarta pela manhã. Assim que tiver a resposta, ligo para você.


Segunda-feira


Em um dos intervalos de gravações, Stana atendeu o celular. Era sua irmã Gigi.

- Hey, Gigi!

- Stana, ainda ocupada com as gravações ou pode falar?

- Estou em intervalo. Manda.

- Acabei de comprar um pacote para o Hawaii. Não adianta dizer que não vai, que tem compromisso porque já falei com a mãe e Dona Rada concordou. Vai passar o thanksgiving na ilha com a sua irmãzinha querida. Nosso voo sai quarta à tarde. Trate de se arrumar, passo na sua casa às duas da tarde.

- Espera aí sua maluca. Quando voltamos? Tenho compromissos agendados, Gigi.

- Relaxa,sis. Eu consultei Larry e Nancy, não atrapalharemos em nada sua agenda. Estaremos de volta no dia 30.

- Pensou em tudo mesmo, hein? Sendo assim, Hawaii aqui vamos nós!

- Esse é o espírito, sis! Até quarta.   


Raleigh Studios – terça-feira

Nathan estava filmando as últimas cenas do episódio treze. As atividades estavam em ritmo lento pois estavam todos em clima de feriado. Acabaram de comprar vários bolinhos, rabanadas e eggnog. Dara chamava todos para fazer uma boquinha aquela hora da tarde. 

Estavam todos na mini copa saboreando o lanche. Ele adorava eggnog. Era capaz de tomar litros brincando. Servindo-se de uma caneca e um prato com rabanada e cinnabom procurou um lugar para sentar. A única cadeira vaga era ao lado de sua esposa da ficção que devorava um muffin de nozes. Ao tomar o primeiro gole da bebida suspirou.

- Esse é um dos motivos que adoro essa época de festas. Eggnog.

- Deliciosa mesmo. Rabanada, então? –sorriu para ele – onde vai passar o feriado?

- No Canadá com a família. Você vai para lá também?

- Não, ontem fui intimada pela minha irmã para irmos ao Hawaii. Pretendia ficar em Los Angeles, mas a Gigi aprontou essa comigo.

- Ah, excelente escolha da sua irmã Gigi. Você vai gostar. Belíssimas praias, paisagens de tirar o fôlego e a culinária bem diferente e apaixonante. Para os corajosos de plantão, o que posso incluir você tranquilamente, existe uma gama de esportes aquáticos além do surfe. Não deixe de mergulhar em Oahu. Uma das melhores experiências de mergulho que tive. É somente uma dica – ele completou evitando de parecer intrometido.

- Adorei. Dica anotada – ao olhar para o prato dele,viu o doce de canela e não resistiu – Nathan, você vai comer esse cinnabom? – disse mordendo o lábio inferior.

- Pretendia, mas pode comer. Pego outro para mim – ele deu a Stana o doce e levantou-se para servir-se novamente. Ao voltar para sentar ao lado dela, seu celular tocou no instante que dera a primeira garfada. Ainda mastigando atendeu. Ao ver o nome da Michele no visor, fez sinal para Stana atender enquanto mastigava. 

- Michele.... oi. É a Stana – disse rapidamente antes que a assistente dele pensasse qualquer coisa – ele está comendo, você espera um minuto?

- Claro! Tudo bem com você? – perguntou curiosa.

- Sim, tudo ótimo. Ah! Ele já pode falar. Happy thanksgiving para você, Michele.

- Obrigada, igualmente pra você – nem bem Nathan disse oi, foi logo recebendo várias perguntas – onde você está? Tudo bem por ai? O que está acontecendo e porque não atendeu o celular?

- Calma – virou-se para Stana – esse cinnabom está divino! – fazendo de propósito para Michele ouvir – ok, Michele. Diga o que precisa.

- Você não se explicou. Como eu espero que esteja trabalhando, serei breve. Falei com a minha amiga, ela pode nos receber no dia dois de dezembro. Tudo bem para você?

- Claro. Pode agendar.

- Será à noite, por volta das sete. Haverá um evento no hospital por conta do início das comemorações natalinas. É um ótimo momento para você conhecer toda a infraestrutura do local, as pessoas e principalmente as crianças. Posso organizar sua ida para lá. Vou busca-lo no estúdio e deixo você no Children’s hospital – ele não percebera a coincidência quanto ao local.  

- Concordo com você. Combinado. Bem, te vejo na volta. E mais uma vez, obrigado. Aproveite o feriado – desligou o celular guardando-o no bolso, ao olhar para seu prato reparou que o pedaço de cinnabom resumia-se apenas em um pedacinho – como pode? Stana foi você... – constatou que ela também não estava ao seu lado, ao levantar os olhos viu que Stana caminhava em sua direção com um prato na mão e uma caneca. Entregou ambos para Nathan.

- Culpada. Não resisti e comi. Você parecia demorar uma eternidade no telefone. Como senti remorso, peguei outro para você e trouxe mais eggnog.  

- Isso é que dá me sentar ao lado da formiguinha. Obrigado.

- Stana, Nathan – era David – voltamos a gravar em dez minutos. Somente mais duas cenas e estarão liberados para o feriado.

- Vou já para a maquiagem – disse Stana e virando-se para Nathan cochichou  – te vejo no set. Vou enrolar um pouco com Cindy para você poder comer, ok? – piscou para ele e saiu.

As filmagens tomaram mais duas horas deles e ao ouvir o último “corta”, ambos trocaram um sorriso. O feriado acabara oficialmente de começar. David agradeceu e dispensou-os. Antes de seguir para seu camarim, Nathan parou no corredor esperando por ela. Quando Stana finalmente terminou de falar com o pessoal, deparou-se com ele no corredor. Pensava que já tinha ido há tempos.

- O que ainda faz aqui, Nathan? Pensei que tinha um avião para pegar. Não está ansioso pelo feriado?

- Viajo apenas amanhã. Estava esperando você para desejar um ótimo feriado no Hawaii. Aproveite bastante. E obrigado por mais um ano de parceria – sem esperar que ela o respondesse, Nathan se inclinou e beijou-lhe o rosto, pegando-a totalmente de surpresa – até a volta, Stana – ele virou-se de costas para sua companheira de cena caminhando rumo à saída. Ainda um pouco afetada pelo gesto, ela decidiu fazer alguma coisa.

- Nathan? – chamou por ele fazendo-o virar – obrigada também, bom feriado. Até segunda – ele sorriu em retribuição ao belo sorriso que ela exibia para ele, piscou e acenou para Stana que logo seguira por outro corredor.

O feriado passou rápido para todos. Em seu último dia no Hawaii, elas escolheram um lugar exuberante com uma comida exótica para encerrar os ótimos dias que passaram ali em companhia uma da outra. Além de descansar bastante, Stana e Gigi abusaram do mar, aproveitaram a culinária local e fizeram alguns esportes que a ilha oferecia para diversão, inclusive o mergulho sugerido por Nathan. Realmente maravilhoso. Saboreando a sua última refeição, Stana comentou com a irmã.

- Foram dias excelentes. Só tenho a agradecer, Gigi. A ideia de passar o feriado no Hawaii valeu demais a pena.

- Se valeu! E fico feliz que tenha gostado. É bom fazer coisas com você de vez em quando. Curtir a vida faz bem. Talvez você se empolgue e faça isso mais vezes.

- Tenho que agradecer a Nathan. A dica do mergulho foi de primeira.

- Ah! Então foi ele quem te disse para mergulhar... agora entendi porque você não sossegou até que fizéssemos isso. Parecia que estávamos em uma missão – Gigi olhava para a irmã provocando.

- O que você está querendo insinuar, Gigi? Foi um dos melhores passeios que fizemos. Você mesma disse.

- Eu não insinuo nada. Acabei de dar um conselho se não reparou. Curta a vida – Gigi tomou um pouco mais da sua bebida enquanto refletia se devia abordar o assunto ou não. Ah, que se dane, pensou – olha, Stana sei o quanto você prefere ser reservada quanto a assuntos pessoais, seus relacionamentos e tal, mas caramba, sou sua irmã! Deveria ser sua melhor amiga. Então, na qualidade que me cabe tenho que confessar uma coisa. É uma curiosidade, pra ser sincera. Seis anos trabalhando ao lado de um homem charmoso e cativante como Nathan e nada? Quer dizer, como você consegue pelo amor de Deus? Se fosse eu no seu lugar, eu já tinha agarrado, namorado, transado e caramba! Talvez estivesse casada! Explica esse mistério para mim, sis...

- Não é mistério nenhum. Somos colegas e profissionais, nada mais.

- Ah, Stana... corta essa! Nunca rolou nada? Não estou falando de beijos na tela como o tal casal, quero saber de bastidores.

- Nada. Já disse somos profissionais. Você está parecendo mais uma das fãs de Castle do que minha irmã – ela disse virando a bebida, essa conversa estava ficando delicada e perigosa. Havia uma linha tênue que Gigi parecia estar disposta a cruzar que a deixaria muito desconfortável, mentalmente pedia para a irmã se conter ou desistir daquele tópico.

- Profissionais... sei. Alguns beijos foram bem – ela usou os dedos para enfatizar as aspas – “técnicos”. Vou fazer algumas observações sobre o seu modo de ver essa relação com o seu colega de cena. A primeira: não há como ficar ao lado daquele homem mais de dez horas por dia e não querer beijar aquela boca. Segundo: você pode gastar todas as suas palavras em qualquer idioma, mas a química na tela de vocês é surreal, o que indica desejo e tesão reprimido, ninguém atua tão perfeitamente assim. Terceiro: você não namorou ninguém desde que mandou o Kris pastar, graças a esse seu momento de bom senso, sis! Quarta: você pode não ter reparado, porém desde que você e ele começaram a interpretar um casal de verdade, seu jeito mudou. Você está diferente. Poderia enumerar mais algumas, paro por aqui voltando ao que falei no início dessa conversa. Curta a vida. Se estivesse em seu lugar, chamaria aquele pedaço de mau caminho para almoçar, jantar qualquer coisa e pagava pra ver.

- Gigi, você não tem jeito – Stana disse isso sem parecer nem um pouco convincente. Gigi aproveitou-se do momento de vulnerabilidade para perguntar.

- Só me responde uma coisa? Prometo que não toco mais no assunto.

- Somente uma, não tente me enrolar – Stana sabia que acabara de se atirar aos lobos.

- Você realmente não sente um tiquinho que seja de atração por ele, vontade de beijar os lábios daquele homem, apertar sua bunda e experimentar? Se você disser que ele não é lindo, eu vou ter que mata-la – o olhar da irmã fez Stana estremecer, mesmo sendo uma atriz, havia certos sentimentos incapazes de serem mascarados. Dessa vez, estava de mãos atadas.

- Ele é lindo sim, charmoso além de cavalheiro. Não nego o óbvio. Quanto a sua outra pergunta, eu – ela pausou, decisão que se arrependeu amargamente, pois os poucos segundos foram suficientes para denuncia-la quando o rosto enrubesceu diante da irmã – eu sinto atração, quero dizer já senti – droga! Estragara tudo – sou humana.

- Amém! Se sua resposta fosse outra eu ia pessoalmente mandar analisa-la porque seria a prova de que minha irmã era uma espécie de robô. Diante dessa informação, eu encerro meu caso. Estava certa. Existe bom gosto em seu sangue, afinal. Vamos pedir mais umas bebidas, quero brindar com você.

Stana riu do jeito da irmã, mas reconheceu que já era tarde. Gigi encontrou seu ponto fraco. A sensação era como se tivesse enfiado uma lâmina fina e longa capaz de tocar o fundo de seu coração onde escondia sentimentos fortes e complicados com os quais lutava para não ter que lidar. Infelizmente, sua mente acabara por absorver a relevância deles dando espaço para que Stana passasse toda a viagem de volta pensando em Nathan Fillion. 

A volta ao trabalho aconteceu no dia primeiro mesmo. Começariam as gravações do décimo quarto episódio. A grande maioria ainda estava em ritmo lento. Ele certamente estava, tudo por culpa de seu irmão. Eles não tiveram muito tempo livre para aproveitar naquele dia, a correria nem o deixou perceber que Stana durante uma pausa para o café o olhava de maneira diferente. Como se sorrisse permanentemente com os olhos.

Terminado o dia de gravações, Nathan deixou o estúdio por volta de cinco e meia. Nem sinal dela quando saiu. Dirigiu de volta para casa chegando lá em menos de trinta minutos, o que era um recorde. Enquanto se arrumava para o encontro com a amiga de Michele, Nathan pegou-se recordando a cena que gravaram hoje no estúdio. Estavam cada dia mais domésticos. O que não poderia ser diferente já que Kate e Castle eram casados. Isso mexia com ele como se fosse uma espécie de wakeup call, que mesmo esperada por conta da idade e do momento que vivia, o assustava um pouco. A maneira de sentir o fazia concentrar seu pensamento em uma única pessoa. Stana. Já vinha experimentando há algum tempo o domínio da sua mente ao conectar certas coisas a imagem dela. Poderia ser apenas uma resposta de seu subconsciente a constante repetição de atos e ações devido ao trabalho. Seu cérebro podia estar confundindo sua interpretação como parte da vida real.     

Ele sorriu diante do espelho. A quem ele pretendia enganar? Não era seu cérebro que estava pregando peças nele, era seu coração. O mais interessante era perceber que aquilo era algo óbvio para a maioria das pessoas. Quando esteve no Canadá com sua família para o Thanksgiving, seu irmão comentou sobre o recente casamento na série e a lua de mel no estilo faroeste. Queria saber se ele estava gostando da vida de casado, passou o feriado todo implicando com ele. Uma das respostas de Nathan foi que a vida de casado estava lhe fazendo muito bem, o que era a mais pura verdade. Exatamente por isso o irmão perguntou em sigilo como ele conseguia trabalhar ao lado de uma mulher tão incrível e ainda não ter se apaixonado por ela. Ele inventou qualquer desculpa para o irmão sem saber se o convencera.
No fundo, Nathan sabia que nutria sentimentos pela colega de trabalho, a admirava não somente pela beleza, mas por uma série de pequenas coisas. A forma como mordiscava seu lábio inferior quando queria provocar ou usar de manha, o jeito de mexer nos cabelos quando estava preocupada com alguma coisa, o olhar intenso que tinha o poder de envolver as pessoas sem dizer uma palavra sequer, o lado criança especialmente quando se via diante de doces. Seu cheiro. Filmar uma cena mais íntima mesmo que fosse de beijo o deixava em maus lençóis, bastava chegar muito perto para sentir o perfume da pele. Aquilo deixava-o tenso, precisava de muita concentração para evitar uma cena embaraçosa, infelizmente isso escapou de seu controle acontecendo algumas vezes durante a gravação. Exatamente como acontecia agora.

Percebendo que estava um pouco excitado, ele praguejou. Por que estava pensando nela? Devia estar se preparando para conversar e agradar um monte de crianças. O celular tocou. Michele.

- Estou aqui na frente. Temos meia hora para chegar ao Children’s Hospital.

- Estou indo. Assim que entrou no carro, trocaram um beijinho no rosto. Michele elogiou-o, estava muito charmoso naquela camisa vermelha combinando com o espírito do natal. No caminho, ela comentou um pouco mais sobre o que havia conversado com Amanda.

- Mandy como médica ficou muito feliz em saber de seu interesse pelo projeto. Ela também avisou que hoje é um dia especial, pois começavam oficialmente as comemorações natalinas no local. A enorme árvore de natal que fica no salão principal será  acesa hoje na presença de muitas crianças.

- Estou cada vez mais interessado.

- Ela comentou que essa é uma pratica do hospital há vários anos e isso é esperado e celebrado por todos desde o staff, passando pelo corpo médico e pacientes.

- Não vejo a hora de conhecer tudo – disse Nathan empolgado diante das palavras de Michele.

- Que bom, pois acabamos de chegar.

Eles desceram do carro entrando pela recepção muito enfeitada do hospital. Estavam quinze minutos adiantados. Michele se apresentou e indicou o nome da médica informando que tinha um encontro marcado para as sete horas. Nathan viu uma pilha de folders sobre o balcão, um em especial chamou sua atenção. “Celebrate XMAS lights!”. Convidava para o evento de hoje indicando as atividades: coral de crianças, peça natalina, brinde com eggnog e chocolate com mashmallow para as crianças, leitura de historias natalinas e a iluminação oficial da árvore de natal. O inicio das festividades estava marcado para as sete e trinta, com sorte ele conseguiria acompanhar parte delas.

- Michele?

- Olá, Amanda. Bom te ver – trocou dois beijinhos com a amiga e apresentou-a ao homem ao seu lado com o folder na mão – este é Nathan Fillion, meu amigo e esta é a Dr. Amanda Perkins.

- É um prazer Dr.Perkins – esticou a mão para cumprimenta-la. Era uma mulher muito bonita, percebeu assim como viu a aliança em seu dedo.

- Por favor, me chame de Amanda. Vejo que já está se informando quanto a algumas atividades do hospital – apontou para o folheto nas mãos dele – você não me falou que era ele quem traria. Estávamos comentando a pouco no conforto sobre a série Castle, uma feliz coincidência tê-lo em nosso hospital hoje. Creio que a Michele falou por alto sobre o programa que desenvolvemos aqui. Meu objetivo hoje é mostrar para você o nosso hospital, a ala onde o projeto acontece e como a parceria entre o time do hospital e nossos voluntários interage para o bem dessas crianças e claro apresenta-lo mais detalhadamente o funcionamento do “SaveASoul”. Começaremos com o tour no hospital, por aqui, por favor.

Durante a próxima meia hora, Nathan, Michele e Amanda circularam por corredores, salas, visitaram dependências pediátricas, berçário além de conhecer vários profissionais do hospital durante o caminho. O espaço destinado para o projeto era amplo e decorado com motivos infantis. Um lugar simples, mas bem cuidado por pessoas dedicadas sempre com um sorriso no rosto pelo que pode perceber. Esta era a sala de recreação onde as crianças faziam suas atividades e interagiam. Servia também como sala para visitas. Nesse momento estava fazia devido à festa que aconteceria logo mais no hospital.

Amanda mostrou a despensa com todo o material hospitalar, alimentar e de higiene mantido com doações de pessoas conhecidas, anônimas e pela comunidade. Esse era seu calcanhar de Aquiles. Na sala de reunião onde os membros gestores do projeto se reuniam para discutir tudo que era pertinente as suas crianças, havia um mural enorme com fotos e histórias de crianças que eles ajudaram a salvar ao longo dos anos, ela comentou que havia um arquivo grande guardado numa salinha com todos os casos de sucesso e também aqueles que infelizmente fracassaram. Nathan reparou nos demonstrativos financeiros e nos índices de acompanhamento da saúde das crianças.

- Hoje estamos com vinte e cinco crianças internadas e convivendo em nosso hospital. Dessas seis estão em estado critico sem poder deixar a ala pediátrica e duas na UTI, dez delas não possuem condições para se manter e três não tem família. As demais estão sendo acompanhadas diariamente por suas mães. Vou leva-lo rapidamente ao nosso dormitório da ala pediátrica apenas para conhecer as dependências, pois com exceção dos oito que lhe comentei, todos estão no salão principal do hospital para a festa.

Eles andaram pela ala pediátrica do projeto e Nathan estava realmente encantado com tudo. Ao terminarem o passeio, Amanda quis saber sua opinião.

- Então, Sr. Fillion o que achou do nosso projeto “SaveASoul”?

- Incrível! Um trabalho espetacular. Toda a sua equipe e o hospital estão de parabéns pela iniciativa. Eu adoro crianças, algumas vezes me sinto como elas e quando falei a Michele que gostaria de ajudar não podia ter escolhido um projeto melhor. Quero fazer uma doação em meu nome para o projeto a fim de ajudar nas despesas fixas, porém quero entender melhor como funciona o projeto em si. Michele mencionou que podemos escolher uma criança para acolher, como uma espécie de adoção. É isso mesmo?

- Sim, deixamos à escolha do doador. Caso ele queira, pode adotar simbolicamente uma de nossas crianças que não possuem família e condições de se sustentar. Tudo que pedimos deles é uma pequena dedicação de seu tempo para dar amor e atenção a elas. O doador pode visitar o seu adotado a hora que quiser, presentea-lo e dependendo da saúde da criança até levá-lo a passeios externos. Hoje temos dez crianças nessas condições. Se interessa-lo posso apresentar a você e ajudá-lo a decidir. A maioria é paciente com câncer e temos dois meninos com HIV.

- Eu adoraria. Podemos fazer isso agora? Michele,vou fazer um cheque nesse instante para o projeto - a assistente tratou de entrega-lo o talão - gostei da estrutura do hospital, quando as crianças ficam em estado crítico, vocês trabalham em conjunto ou apenas a equipe do projeto as atende?

- Não, esse foi um dos motivos porque escolhemos esse hospital como parceiro. Eles vivem pelas crianças e como você pode perceber, eles fazem questão de criar uma atmosfera alegre para que os pequenos esqueçam onde estão - o bípe da médica tocou - Ah! Excelente. A celebração das luzes vai começar é uma ótima oportunidade para conhecer uma dessas formas que acabei de falar e nossas crianças. Vamos descer?

- Claro - disse Nathan entregando o cheque à médica que prendeu a respiração ao ver a quantia ofertada. Sentiu os olhos encherem-se de lágrimas - vamos ver essas crianças.

- Com maior prazer.

- Eu infelizmente não poderei acompanha-los. Tenho um compromisso que não consigo adiar, mas sei que você está em boas mãos e somente pelo pouco que ouvi, você encontrou mais um voluntário e quer um aviso antecipado? Talvez você tenha arranjado outra criança. Como Kate Beckett costuma dizer, ele é uma verdadeira criança de nove anos louco por doce e brinquedos - eles riram - boa noite e Mandy, vamos marcar algo semana que vem, estarei mais livre quando Nathan me deixar para o recesso de natal - beijou Nathan e a amiga deixando-os próximo a recepção. Amanda guiou-o até o salão central do hospital onde a cerimônia já começara.

A decoração estava belíssima. Havia luzes, ainda apagadas, ao redor de todo o salão. A árvore de Natal devia ter uns três metros, recheada de luzes e enfeites como papai noel, bonecos de neve, bolas e bengalas. Embaixo várias caixas enfeitadas com laços de fita verde, vermelho e dourados. Um coral composto apenas por crianças cantavam canções de natal famosas vestidos com roupas vermelhas e usando um gorrinho de papai noel.

Amanda apontou para algumas das crianças explicando quais faziam parte do projeto. Ele reparou que o salão estava cheio. Não apenas de crianças, mas médicos, enfermeiras, pais e diversos doadores foi o que concluiu. Assim que a música terminou, houve uma pausa para arrumarem o piano para um dos médicos tocar. Nesse instante, Amanda pediu licença chamando suas crianças. Apresentou pelo menos umas quatro para Nathan. O ator brincou e conversou com elas se sentindo muito bem em companhia delas. Por conta da música, eles se afastaram do salão para que a conversa fosse melhor aproveitada.

Enquanto ele conversava com Peter, um dos meninos com HIV de sete anos, Amanda voltou com um garotinho lourinho com olhos castanhos amendoados. De sorriso fácil, ele brincava com o estetoscópio pendurado no pescoço da médica.

- Quero te apresentar um menino muito especial. Esse é Adam, meu garoto de ouro, ele é um dos gêmeos que fazem parte do projeto. Recém saído da UTI onde passou dez dias por causa de uma insuficiência respiratória. Ele e a irmã são órfãos. A mãe morreu no parto, não sabemos do pai. Adam nasceu com um problema cardíaco congênito. Já enfrentou três cirurgias e tem quatro anos. Os gêmeos são miúdos por conta das dificuldades de saúde que enfrentaram, felizmente estão bem melhores. Adam adora carrinhos. Cumprimente o tio Nathan.

O menino sorriu para ele passando a mão primeiramente no rosto. Nathan estendeu a mão para Adam que apertou e jogou-se para o colo automaticamente.

- Olá, Adam. Tudo bem?

- Oi, Tio Nate.

- É Nathan - corrigiu a médica.

- Não, pode chamar de Nate, é meu apelido carinhoso, eu gosto. Então, campeão quer dizer que você gosta de carros? Eu também! Você tem muitos carrinhos?

- Alguns, meu preferido é um de "bombeio", vou pedir pro papai noel um da polícia.

- Mesmo? E se eu te der um carro de polícia, você gostaria? - os olhos do menino brilharam e pela primeira vez, ele pode reparar na cor. Eram amendoados com leves traços que pareciam num dado momento verdes. Bastou isso para que caísse de amores pelo menino de vez, olhou para Amanda e sorriu - acho que me afeiçoei ao Adam. Que tal sentarmos ali para eu te mostrar meus carros? Sentou-se no chão com o garoto em seu colo. Já pegando o celular para mostrar as fotos vendo a curiosidade do menino aumentar.

- É um iPhone.

- Ah, já vi que entende das coisas.

- Mandy tem um branco. Quando ficar mais grande vou comprar um igual ao seu - ficou em pé para ver melhor o que Nathan fazia no celular.

- Sabia que você não resistiria - respondeu Amanda satisfeita – quer adotá-lo?

- Não tenha dúvida. Seus olhos me ganharam, me lembra alguém especial. E ainda gosta de tecnologia, um potencial nerd. Adam me ganhou por isso.

- Espere até você ver os olhos da irmã - ao ouvir a palavra irmã, Adam virou-se para Amanda.

- Mandy! Ta na hora da história de natal! Eve vai escutar, também quero - segurando na mão de Nathan, ele perguntou - vamos, tio? Ouvir história? Gosta?

- Adoro! Será que vão contar a da rena do nariz vermelho? Já ouviu? - perguntou Nathan se levantando do chão para oferecer colo ao menino que aceitou. Amanda ia ao seu lado. Aproximando-se do salão, Nathan ouviu uma voz contando algo sobre uma árvore de natal, reconheceria aquele tom melodioso em qualquer lugar, especialmente ao ouvir o sotaque característico da pronúncia do "Th". Seria possível?

- Não sei quem está fazendo a leitura hoje, acredito que seja uma das doadoras e - Nathan a interrompeu.

- É Stana... Sei que é - Mandy olhou surpresa para ele vendo um sorriso forma-se no rosto do homem quando a avistou - é claro, Children's Hospital, como não lembrei disso antes? - Amanda começou a prestar atenção no jeito que ele olhava para a contadora de história, só então ela reconheceu sua costar.

- É claro, Stana é sua parceira de trabalho. Ela é doadora assídua do hospital, um dos donos comentou na semana passada, tinha esquecido. Fico tão focada no Save A Soul que esqueço das outras atividades do hospital - mas a médica falava com as paredes, Nathan só tinha olhos para Stana e ouvia apenas a voz deliciosa contando histórias. Adam também parecia encantado prestando a máxima atenção ao que ela dizia, hipnotizado. Nathan pensou, quem era a encantadora de bebês afinal?

Quando a história terminou, Adam batia palmas incansavelmente.

- De novo! - gritou. Um senhor que Nathan deduziu ser um dos donos do hospital, aproximou-se dela para agradecer. Algumas fotos foram tiradas entre os dois logo que Stana desceu do pequeno palco onde sentara para ler. De repente, uma menininha começou a puxar o casaco que ela usava até que a atriz desse atenção a ela. Agachando-se para ficar na altura da garota, ela a cumprimentou ganhando logo um beijo na bochecha. A criança estava interessada nos cabelos da atriz e por fim esticou as duas mãozinhas pedindo colo. Stana a ergueu do chão beijando-lhe o rosto deixando uma marca vermelha na bochecha da garota.

- Como é seu nome, princesa?

- Eve...

- Muito prazer, Eve. Sou Stana. Seu nome é tão lindo como você, cadê sua mãe? - a menina apontou com o dedinho indicador para cima - Ah, está lá no segundo andar?

- Não, no céu com os anjinhos. Mandy que falou. Ela é bonita, a Mandy cuida de Eve quando estou dodói. Você é muito bonita também.

- Obrigada. Você parece uma princesinha, sabia? Olha lá - Stana apontou para um rapaz - vão acender a árvore.

Do lado de Nathan, Amanda observava a cena. Parecia uma feliz coincidência o fato de entre todas as crianças do salão, Stana ter se interessado justamente pela irmã de Adam. Resolveu não comentar o caso e se ateve a perguntar apenas se ele gostaria de ir até sua parceira de trabalho.

- Não, deixe-a à vontade. Aliás, vão acender as luzes. Prepare-se Adam.Um montão de luzes irão piscar, olhe para ali - Nathan apontou para o mesmo lugar continuando a conversa com o menino. Amanda achou interessante Nathan não querer invadir o espaço da colega, apesar de achar um tanto estranho.

O espetáculo colorido de luzes começou iluminando o teto, as laterais do salão para finalmente acenderem as luzes amarelas e piscantes da árvore. O grupo de crianças cantava "Santa Claus is coming to town" e Nathan balançava o menino no colo cantando também. Flocos artificiais de neve caiam no salão. Adam deu um grito ao ver a neve.

- Posso ir brincar na neve, tio? - vendo outras crianças invadindo o salão - por favor!

- Deixe ele ir, Nathan. Essa festa é para eles. Aproveitamos para conversar sobre o projeto e comer algo. Todos os meninos já comeram antes do show. Pode ir, Adam - Nathan o colocou no chão, mas antes fez um trato com o garoto.

- Pode ir brincar, mas promete que volta para ver meus carros?

- Prometo! E saiu correndo.

- Ele não vai voltar tão cedo, certo? - a médica sorriu balançando a cabeça concordando - tudo bem, como funciona esse lance da adoção no projeto? - Amanda se sentou no sofá pedindo para uma das moças que passavam para arranjar um prato de petisco e algo para beberem. Com calma, ela explicava a Nathan o que aconteceria se optasse por adotar Adam. Falou de suas responsabilidades, das visitas e do acompanhamento do projeto. Enquanto conversavam, alguém se divertia tanto quanto as crianças no salão. Stana sentara-se no chão mesmo apesar da insistência do diretor em não fazê-lo com um copinho para soprar bolhas de sabão na frente de Eve. Fazia de todos os tamanhos arrancando gritinhos da menina sempre que estourava uma delas em seu rosto. A cara de moleca de Stana acabava conquistando as crianças, porém nenhuma estava tão encantada como a pequena Eve. Quando acabou o sabão, a menina bateu palmas. Levantou-se para abraçá-la.

Sem cerimônia, sentou-se no colo dela. Somente então, Stana reparou na cor dos olhos da menina. Eram amendoados na cor de malte lembrando um bom whisky escocês.

- Você tem olhos lindos, Eve. Quantos anos você tem,princesa?

- Quatro. Como faz para ficar bonita assim, tia?

- Minha mãe disse que é preciso comer direitinho, bastante frutas, verduras, tomar muita água. Ela diz que nosso prato tem que ser bastante colorido.

- Ah, então não pode deixar o brócolis pro mano? Eu não gosto de brócolis.

- Quer saber de um segredo? Também não gostava, aí aprendi um truque. Gosta de queijo? - ela balançou a cabeça confirmando - ótimo! Se você colocar queijo ralado ou derretido fica uma delicia.

- Eu adoro queijo bem derretido. Tia Lu faz pra mim quando tenho vontade. É a melhor comida do mundo, queijo quente e "pantecas"- claro que Stana entendeu do que se tratava

- Panquecas são deliciosas mesmo, e morangos, uma calda de morangos deixa tudo especial, sabe conheço um lugar que faz o melhor queijo quente de Los Angeles. Você gostaria se eu trouxesse um sanduíche para você? - perguntou.

- Você pode?! - os olhinhos brilharam diante da possibilidade - Ah, vou ter que pedir pra Mandy, mas você terá que trazer para o Adam também senão vou ter que dar um pedaço pra ele, a tia Mandy diz que devemos dividir tudo porque somos "geneos", menos minhas bonecas porque meninos não brincam de bonecas. Mas quero muito um só pra mim, promete que trás dois, pra Eve e pro Adam?

- O Adam é seu irmão? Gêmeo?

- Sim, amo muito ele. Um monte assim - e abriu os braços o máximo que podia - ele estava ali brincando com a neve, sumiu!

- Já vi que nossa pequena Eve alugou seus ouvidos. Ela é falante demais. Quem vê assim, nem imagina que ela estava na UTI semana passada por problemas cardíacos. Ela e o irmão nasceram com uma doença congênita rara. Acredito que você não conhece o projeto da Dr.Amanda Perkins, certo? - perguntou o diretor do hospital.

- Não, pelo menos ninguém comentou.

- Ela quer falar com a tia Mandy, tia Stana vai trazer sanduíche pra Eve e Adam.

- O que você andou prometendo para Eve? Ela é boa de follow up. Se tiver interesse posso levá-la até Amanda. Seu projeto chama-se "SaveASoul", vamos comer uns salgadinhos que explicou do que se trata? Eve querida, que tal brincar um pouquinho com as outras meninas?

- Mas eu quero ficar com a tia Stana... Eu gostei dela.

- É uma conversa de adultos, Eve - vendo a tristeza misturar-se a agonia no rosto da criança, Stana contornou a situação.

- Façamos assim, eu vou conversar um pouco enquanto você brinca, quando for ver Amanda, chamo você. Combinado?

- Vai mesmo me chamar? - Eve perguntou desconfiada.

- Claro! Confia em mim, ou você não quer mais seu queijo quente?

- Quero! Ta bom - saiu saltitante pelo salão. O diretor caminhou com Stana até uma mesa repleta de salgadinhos e enquanto comiam, ele explicava o que era o projeto.

Na sala ao lado, Nathan estava sentado no chão mostrando as fotos de seus carros para Adam que estava maravilhado com os diversos modelos. Ele adorou a Ferrari vermelha, mas Nathan explicou que não era sua. Amanda aproximou-se deles para comunicar sobre o pedido dele.

- Os papéis estão prontos para você assinar, pode me acompanhar à minha sala? Vamos Adam acompanhar o tio? - eles se levantaram e segurando a mão do menino caminharam até a sala dela. Amanda ofereceu as cadeiras a sua frente para os dois. Durante a explicação, colocava todos os documentos a frente de Nathan para assina-los. Um a um, ele preenchia e devolvia até o ultimo.
- Por que o tio Nate riscou tanto papel? Não pode desenhar. Eu gosto de desenhar super herói. Gosto do Batman porque ele tem um carro legal.

- É mesmo? - disse Nathan - Que ótimo, o Batman é um dos meus favoritos porque tem os melhores brinquedos e muito dinheiro. Eu assinei esses papéis porque fiz um acordo com a doutora. A partir de agora, eu venho visitar você sempre. Quero vê-lo crescer, estudar e comer direitinho para não passar mal e voltar a UTI. Vou trazer um carrinho de polícia de presente de natal para você. E livros, certo?

- Mas eu não sei ler...

- Não tem problema, eu posso ler para você. Os desenhos dos livros são muito bacanas e podemos desenhar juntos se quiser. Se fizer isso promete obedecer à tia Amanda, comer direitinho e não fazer muita bagunça?

- Você vem brincar comigo todos os dias?

- Não posso vir todos os dias porque trabalho muito, mas sempre que tiver uma folga venho aqui, combinado? Se fizer tudo direitinho, quem sabe a tia Amanda te libera para ir a minha casa?

- Verdade, tia? Mas, eu posso levar a mana? Não quero deixar Eve sozinha, "geneo" não pode ficar sem a mana.

- Você não me apresentou sua irmã ainda, mas acredito que se você for, a tia pode liberar sua irmã também - de repente, a porta se abriu e um pequeno furacão loiro invadiu a sala.

- Tia Mandy, tia Mandy... Tia Stana quer falar com você - Amanda ouviu a voz do diretor chamando por Eve - Adam! Tia Stana vai comprar queijo quente pra gente! Um pra mim e outro pra você - rapidamente levou a mão à boca lembrando que a médica estava ali, cochichou no ouvido do irmão alto demais para todos ouvirem - Mandy tem que deixar primeiro, mas a tia Stana vai convencer ela, porque é muito legal – Nathan começou a rir no instante que Stana entrou na sala acompanhada pelo diretor. Ao vê-lo, ficou bastante surpresa.

- Pelo visto, Stana conquistou mais um coração – ele estava sentado de lado observando o jeito dos irmãos. 

- Nathan? O que faz aqui?

- Oi, Stana - ele se levantou da cadeira - Vim conhecer o projeto da Dr.Amanda. E quem é essa princesa? - Eve se apressou em cumprimenta-lo esticando a mão.

- Sou Eve, irmã de Adam. Muito prazer - ele se agachou para olhar diretamente para a garota, então ela soltou um suspiro - Wow!

- Sou Nathan. Muito prazer, Eve. Lindo nome - a menina virou-se para Stana.

- Você conhece ele? É muito bonitoooo... Ele é seu namorado?

- Eve! - o diretor repreendeu-a.

- Eu conheço sim, trabalhamos juntos.

- Amanda, acredito que você deva conhecer de vista uma das nossas doadoras, Stana Katic. Eu estava comentando sobre o seu projeto quando vi seu entrosamento com Eve, ela está interessada em entender como pode contribuir para essa experiência.

- Fico muito feliz - disse apertando a mão de Stana - é um prazer conhecê-la e poder compartilhar meu projeto com você. Que coincidência maravilhosa ter vocês dois aqui hoje, ainda mais por terem se engraçado justamente com os gêmeos. Sente-se, vou explicar a você o que é o "SaveASoul".

- Mas e o meu sanduíche? - perguntou Eve. Nathan se antecipou para dar uma certa privacidade a sua colega.

- Eve, por que não vamos lá fora conversar um pouco enquanto a Stana conversa com a Mandy? Já conheço bem o seu irmão e como posso levá-lo para passear e ele pediu para também levar você preciso saber do que mais gosta, obviamente além do queijo quente. Já percebi que é um favorito.

- Ta bom, você vai levar a gente pra onde se tia Mandy não deixa a gente sair?

- Vou lhe explicar. Vem. Quando saíram da sala, Stana perguntou.

- Nathan adotou o Adam?

- Sim, e o garoto adorou a ideia, mas nem por isso esqueceu da irmã. Será bem bacana se vocês fizerem uma adoção compartilhada. Isso somente é permitido porque são gêmeos. Enfim, deixe-me explicar. Por uma hora, Amanda e Stana conversaram. Ao abrirem a porta da sala, encontraram Nathan e os meninos na maior risada. Ele fazia caretas e mexia com os pequenos. Ela conhecia muito bem esse comportamento dele, brincalhão sempre cativava várias pessoas, era parte do seu charme até ela admitia. Ao ver Stana, a curiosidade de Eve falou mais alto.

- Então, tia. Pode trazer nosso sanduíche?

- Posso sim. Prometo que amanhã assim que sair do trabalho passo aqui para assinar uns papéis e trago seus sanduíches. Sabe aquela conversa que tivemos sobre comida, ficar com saúde e crescer para estudar e ser feliz? Vou ajudar você a fazer isso. Sou sua nova amiga no projeto da Amanda, você me aceita? - a menina correu para abraçar Stana.

- Sim, aceito muito tia Stana. Mandy tinha lagrimas nos olhos, lutava para não chorar.

- Nem sei o que dizer para vocês. Acho que esse foi o melhor presente de natal que eu poderia receber.

- É um prazer ajudar – Stana se abaixou para falar direito com a garota – prometa que vai obedecer a tia Mandy, comer e se comportar. Amanhã trago seus sanduiches. Que tal um beijo bem gostoso agora? – a menina segurou o rosto de Stana com as duas mãos analisando cada detalhe. Por fim, beijou-a na bochecha.

- Muito linda, você tia – acariciava os cabelos dela sorrindo – tia Stana, posso dar um beijo no tio Nathan? – ela sorriu balançando a cabeça e instintivamente mordeu os lábios fazendo Nathan suspirar.

- Claro que pode. A menina correu para perto de Nathan, deu uma boa olhada em seu rosto dele antes de beija-lo rapidamente e ficar vermelha. Isso fez Stana sorrir deixando um pequeno gemido escapar entre os dentes. Nathan se despediu de Adam que também ganhou beijo de Stana. Ambos cumprimentaram Amanda e seguiram pelo corredor. Como estava empolgada com o resultado de toda a noite, ela se reservou aos seus pensamentos. Sentia-se feliz por ter participado de um evento tão bonito. Apesar de ainda estar curiosa e intrigada para saber exatamente como Nathan acabara ali no mesmo evento que ela, tentava manter sua aparência reservada. Ao chegarem à porta do hospital, ele sorriu.

- Você estava ótima na leitura de hoje. As crianças adoraram. Parabéns.

- Obrigada, estava apenas fazendo um pouco para alegra-las. É como ler textos.

- Não quando se faz duas vozes. Muito bacana mesmo, o pequeno Adam estava hipnotizado ainda não sei se pela história ou por sua contadora.

- Certamente pela história – ela suspirou olhando para o céu por um momento até voltar a encara-lo – foi uma noite maravilhosa. Sinto-me realizada por ajudar a trazer um pouquinho de alegria e sorrisos para essas crianças.

- É, elas são incríveis. Especialmente os gêmeos. Você vai adotar mesmo a pequena Eve? Achei ela um barato!

- Vou. Ela é muito despachada. Amanhã passo aqui e trago os tão desejados sanduiches.

- Bem, melhor eu ir para casa. Temos gravações pesadas amanhã. Boa noite, Stana – ao invés de apenas acenar ou apertar sua mão, Nathan inclinou-se beijando o rosto dela. Stana congelou por um instante diante do gesto não esperado. Ao perceber que Nathan se aproximava de um taxi, ela estranhou chamando por ele.

- Hey, Nathan! Você está sem carro? – ele virou-se para encara-la. Stana já tinha ido ao seu encontro – resolveu praticar ATP hoje? – brincou.

- De certa forma. Vim com Michele, mas ela tinha outro compromisso. Não se preocupe, vou de taxi.

- Por que? Estou com um carro e motorista que a Nancy deixou a minha disposição. Vem, te dou uma carona.

- Eu não vou recusar – ele a seguiu até o carro permitindo que ela entrasse primeiro. Ao pegarem a estrada, ela resolveu perguntar como ele viera parar no Children’s Hospital – eu queria investir em um novo projeto com crianças. Coincidentemente, Michele conhece Amanda parece que estudaram juntas e tinha acabado de ouvir sobre o “SaveASoul”. Pedi para agendar um encontro com a doutora e havia esquecido completamente que essa era uma das instituições que você costuma trabalhar, a ficha caiu quando ouvi sua voz. Espero que não pense que estou invadindo seu espaço, realmente não tive a intenção.

- Não é meu espaço, Nathan. É um ótimo lugar que precisa do máximo de voluntários e doadores que possa encontrar. Com licença – ela chamou o motorista – você pode pegar a Sunset e parar no Starbucks 24h? Você se importa, Nathan? Estou precisando de um café.

- Claro que não, Stana. Adoraria tomar um café também – o carro parou. Eles saltaram e entraram na cafeteria. Ele se adiantara a ela e pedira o café para ambos. Também pegou um pedaço de brownie que levou para uma mesa reservada de canto. A cafeteria estava bem vazia, umas três meses com casais ou um grupo de quatro amigos. Quando a atendente chamou por Clooney e Kate, Stana teve que rir do toque especial de Nathan nessas escolhas. Claro que o dela era com o nome do grande ator que admirava não sabia porque ele usava o outro nome – aqui está. Clooney para você, Kate para mim porque pedi o café preferido da sua personagem. Cheers – ele ergueu o copo e ela brindou com ele – a uma noite de realizações.

Stana tomou um pouco do café observando o jeito de Nathan. Ele estava bonito como sempre trajando vermelho. Tirou um pedaço do bolo e levou à boca. Ele aproveitou a deixa para retomar a conversa.

- Voltando ao assunto do hospital. Realmente fiquei impressionado. Não tinha ideia da infraestrutura e do quanto é necessário para mantê-lo funcionando a todo vapor. Amanda me mostrou a ala pediátrica e sua própria ala para o projeto. Eu tive que doar especialmente após ver a maneira como a equipe cuida de tudo com zelo, amor. As histórias de sucesso registradas nas paredes da sala de reunião. Aquilo me tocou profundamente, tive que doar. Quando ela falou sobre o projeto, sabia que tinha que contribuir. Adam foi a cereja do bolo. Amanda contou a história dos dois, não?

- Sim, eu confesso que me emocionei ao saber. Mesmo morando em um hospital, tendo como sua família médicos, enfermeiros e atendentes, eles são crianças lindas, alegres, me faz pensar nas vezes que reclamamos da nossa vida ou ficamos chateados com alguém por algo tão mesquinho às vezes. Fico com vergonha só de pensar. Eve é aquela coisinha linda de olhar forte, determinado e que olhos! A cor deles te suga como um ímã. Dá vontade de mergulhar naquele tom puro malte.

- Então, você vai adota-la? – ele perguntou quando saiam da cafeteria.

- Claro, ela me conquistou.

- Concordo com sua observação. Ficamos tão focados em nossos próprios problemas que esquecemos que há pessoas com problemas tão maiores. Isso acontece porque o ser humano é por definição egoísta. Está em nossa natureza pensar primeiro em si, eu sou assim, você também além de outras tantas pessoas. Com o tempo, vamos aprendendo a ceder um pouco, melhoramos, precisamos estar nos policiando.

- Tem razão. O carro parou na frente da casa dele.

- Obrigado pela carona e pela noite agradável.

- Obrigada, Nathan. Pela companhia, o papo e pelo café. Da próxima vez será por minha conta – ela sorriu e Nathan se inclinou para beijar-lhe o rosto pela segunda vez naquela noite.

- Boa noite, Stana. Até mais.

- Boa noite, Nathan – ela viu o entrar em casa antes de mandar o motorista seguir para sua casa. Já na sua cama, ela recobrou os acontecimentos da noite, as palavras de Nathan e seu momento especial com Eve, seu último pensamento antes de dormir foram as palavras da irmã “curta a vida” e a última imagem foi o beijo na bochecha que ganhara dele.

No dia seguinte, as gravações progrediram com o calendário já desenhado para terminar os trabalhos no dia doze de dezembro. Isso colocava mais pressão sobre eles para seguir com o cronograma mesmo que isso representasse esticar as horas pela madrugada. Felizmente, eles cumpriram o programado e às sete deixavam o estúdio. Nathan percebeu que Stana viera de metrô hoje então, resolveu retribuir o gesto dela do dia anterior.

- Stana vai ao hospital hoje?

- Sim, estou de saída. Prometi levar os sanduiches, não posso falhar.

- Então, venha comigo. Você está a pé e devo uma carona por ontem - Stana acompanhou-o até seu carro. Não ia recusar se ele estava indo até lá – você já está com os sanduiches?

- Não, preciso comprar. Você pode pegar a avenida Princeton. Na esquina com a Flower tem uma lanchonete chamada Joe’s, pode parar em frente?

- Tudo bem. Ele seguiu as instruções dela parando o carro onde ela recomendara. Stana soltou e entrou na lanchonete. Dez minutos depois, ela estava no carro com uma sacola grande espalhando um cheiro maravilhoso de queijo tostado. Nathan manteve o ar desligado para não esfriar os sanduiches e pisou firme no acelerador. Em cinco minutos, estacionara na segunda fileira próxima à recepção. Dirigiram-se direto para a ala pediátrica do projeto. Ao abrirem a porta, uma das enfermeiras se aproximou.

- Estamos procurando por Adam e Eve. Sabe onde eles estão?

- Na outra sala brincando. Vou chama-los. A Dr. Perkins está no centro cirúrgico deve terminar em quinze a vinte minutos. Em menos de cinco minutos, os dois furacões surgiram na sala. Correram para abraça-los. Vendo a sacola sobre a mesinha para quatro pessoas, ela gritou de felicidade. Stana serviu os sanduiches para cada um deles, o que abriu um outro mundo para as crianças, dividir sua refeição na companhia de dois adultos diferentes era novidade para os gêmeos. Eles apenas comiam na companhia de crianças e no máximo uma ou outra enfermeira. 

Os quatro conversavam animadamente. Eve contava o que fizeram no dia e Adam defendeu a irmã quando Stana perguntou sobre o que ela havia comido no almoço. Aparentemente, todas as verduras e hoje não tinha brócolis. Nathan perguntou se eles gostaram da história lida pela tia Stana e disse que ia trazer uns livros para os dois lerem para os gêmeos.

- Vocês tem preferência por alguma história?

- A Bela e a Fera! – disse Eve.

- Ela só gosta de histórias de princesa – disse Adam meio emburrado.

- Mas nas histórias de princesa também tem o herói, uns com cavalo e espadas outros com força bruta – disse Stana - Podemos trazer outra que não seja de princesa, não Nathan? Que tal os três mosqueteiros?

- Isso! Muito bom e talvez uns quadrinhos do Batman, que tal?

- Ah! Eu quero – o menino gritou quase deixando Stana surda.

- Então traremos o Batman também – disse Nathan rindo por ela estar com a mão no ouvido. Amanda surge na sala e se depara com aquela cena. Os sanduiches inacabados nas mãos, Stana sentada no chão sorrindo bem à vontade e Nathan brincando com o carrinho de bombeiro fazendo todos os barulhos possíveis de sirene.

- Olá, boa noite! Estou vendo que está rolando uma farra por aqui. Como vão vocês? Não deem muita corda pra esses dois ou vão estar perdidos – eles se levantaram para cumprimentar a médica. Enquanto Stana ia até o escritório de Amanda para assinar os papeis, Nathan ficou encarregado das crianças. Ela não demorou muito. Assinou o que devia e entregou mais um cheque para o hospital e outro exclusivo para o projeto. Amanda não se conteve e a abraçou fortemente, não parava de agradecê-la por vários minutos. Ao voltarem para a sala de recreação depararam-se com Nathan de quatro e Adam sobre ele fazendo-o de cavalinho, seu cabelo estava cheio de chuquinhas. A primeira reação de Stana foi gargalhar. Claro que registrou a cena porém, lembrou-se do problema das costas dele e correu para acudi-lo.

- Meu Deus, Nathan! Suas costas. Adam querido, você pode sair daí, já brincou bastante. O tio Nathan não pode carregar muito peso nas costas se não fica com muita dor – ela tirou o menino de cima dele e ajudou-o a levantar – você está uma gracinha com esse cabelo – rindo novamente – está tudo bem com você? – ele percebeu o olhar de preocupação e sorriu.

- Está sim, espero que o reflexo da brincadeira não apareça amanhã. Obrigado – ela chamou Eve e Adam e pediu para ficarem perto de Nathan para tirar uma foto. Amanda não parava de rir. Depois da foto de Nathan, Eve insistiu em tirar uma foto com Stana e ela fez sua vontade. Após beijos e abraços, os dois se despediram dos gêmeos dizendo que voltariam naquela semana. Nathan deixou Stana em casa.

- Obrigada pela carona. Vou providenciar os livros e você cuida dos quadrinhos, ok? Eu me diverti muito hoje, eles são incríveis não? Crianças são puras, amo essa inocência.

- Sim, foi muito divertido apesar de eu ter feito todo o trabalho sujo dessa vez. Eles são uns amores. Estava pensando se você não se importar, podemos vir sempre juntos para visita-los, assim que terminar as gravações do dia já nos encaminhamos para o hospital, o que acha?

- Podemos fazer isso, quando tivermos ocupados com outros compromissos avisamos e o outro se encarrega de falar com eles. Apenas teremos que ter cuidado para não atrair atenções indevidas, não quero expor as crianças.

- Concordo com você. Não pretendo fazer nada que os deixe em situação difícil, são crianças especiais, precisam de cuidados.

- Boa noite, Nathan. Vejo você amanhã – ela sorriu e relutou se deveria beija-lo ou não. Ele foi mais rápido e puxou a mão dela até seus lábios, percebeu quando o rosto dela enrubesceu.

- Boa noite, Stana.

Os dias agitados das gravações continuavam, as noites eram preenchidas com o momento de diversão no hospital seguidos de muitas risadas, brincadeiras e fotos para registrar momentos importantes na vida daquelas crianças. Na sexta-feira, eles prometeram ler o tão esperado livro da “Bela e a Fera”, pois durante a semana Stana conseguiu convencer a pequena Eve a ouvir o clássico de Alexandre Dumas. Eve passou o dia aperreando as monitoras para colocar o aparelho de DVD na sala de recreação porque queria ter o filme por perto. Quando Stana e Nathan chegaram, a menina pulou em seus braços.

- Tia Stana! – tascou um beijo estalado na bochecha – você demorou hoje.

- Estávamos trabalhando. Pronta para ouvir a história da princesa Bela?

- Eeeee! Adam corre!!! Adam! – o menino surgiu do outra sala com um desenho na mão, ao ver Nathan abriu o sorriso.

- Olha o que desenhei, tio! É o Batman e o coringa! – mostrou empolgado o papel para Nathan que conseguiu distinguir o contorno do super herói. Feliz por ver a alegria das crianças, ele tratou de incentiva-las.

- Muito bem, Adam! Ficou super bacana. Então, vamos começar as leituras? – eles se sentaram nas almofadas espalhadas no chão, Stana e Nathan assumiram suas posições e deixando a veia de ator falar mais alto. As gargalhadas dos gêmeos atraiu a atenção de outras crianças e quando deram por si, a plateia tinha crescido tanto que inclusive as enfermeiras e monitoras estavam observando o espetáculo. Eles faziam vozes diferentes, dramas e Nathan arrasou como Gaston. Na cena preferida de Eve, a da dança entre Bela e a Fera, Eve pediu no ouvido de uma das monitoras para colocar o DVD. Ela se levantou se colocando entre eles.

- Essa é minha parte favorita. Quero música! Tia Stana, você vai dançar com o tio? Por favor... – Stana olhou para Nathan e pensou, por que não? Deu de ombros e lembrou-se que gostava da sensação de estar nos braços dele. Nathan pediu para que ela se sentasse. Aproximou-se de Stana fazendo uma referência, ele estendeu a mão para convida-la a dançar. Do momento que a musica começou a tocar, os dois pareciam ter se transportado para um mundo mágico, longe dali. Stana se aconchegou nos braços dele e se deixou levar pela personagem. Nathan rodopiava com ela pelo salão. Às vezes esqueciam onde estavam e mantinham o rosto colado, ela podia sentir o perfume amadeirado dele acabando por fechar os olhos. Quando a música acabou, eles ainda rodopiavam pelo salão. Ele sussurrou no ouvido dela.

- Acho que a música acabou... – eles se separaram sorrindo. Os olhares estavam fixos como um verdadeiro campo magnético unido por forças inexplicáveis. Eve se colocou de pé, o rosto marcado pelas lágrimas e um olhar de gratidão enquanto batia palmas para os dois. Ela abraçou Stana e Nathan e agradeceu muito por estarem ali. Eles prometeram passar no sábado à tarde para dar um beijinho neles, pois tinham compromissos à noite. Stana consultou a médica para saber se poderia trazer algumas guloseimas para os pequenos, Amanda liberou numa boa. Ao deixar Stana em casa, Nathan resolveu perguntar sobre o recesso a ela. Tinha uma ideia em mente, mas precisava saber se ia viajar.

- Você pretende viajar no hiatus? Vai passar o natal no Canadá?

- Provavelmente, estou esperando minha irmã se decidir. Isso se ela não inventar alguma viagem louca de uma hora para outra. Não pretendia sair de LA, você vai?

- Sim, pelo menos por enquanto vou para o Canadá. Estou perguntando porque estava pensando em fazer uma festa de natal para Adam e Eve na minha casa. Podíamos pedir a Amanda para libera-los, jantamos, trocamos presentes, enfim uma noite com direito a tudo que o natal pode proporcionar. Claro que não seria na noite correta, se fosse viajar, faríamos antes. Não adianta eu fazer essa festa sem a sua presença. Não pretendo chamar muita gente. Seria eu, você, os gêmeos, Amanda e Michele que foi quem me apresentou esse projeto. Você topa?

- É claro que sim, somente precisamos checar as datas.

- Se quiser, podemos fazer logo ao final das gravações assim não comprometemos nossas agendas.

- Ok, vou checar meus compromissos e aviso você. Até amanhã, Nathan.

- Hey, quer carona? Posso passar aqui para pegá-la.

- Amanhã vou de metrô, nos vemos lá – pela primeira vez, ela tomou a iniciativa e beijou-o no rosto – adorei a noite. Dirigindo de volta para casa, Nathan tinha um pequeno sorriso nos lábios. Suspirava ao lembrar do gesto dela e da possibilidade de comemorarem um natal juntos. Desde que embarcara nesse projeto, ele se sentia mais próximo dela, aos poucos iam se aproximando e desfrutando de momentos divertidos e agradáveis com Stana. Se esse era o caminho para aproveitar sua companhia de forma mais intima, ele faria o possível para esticar ao máximo esse período. Por conta do tempo que vinham passando juntos, ele estava ainda mais apaixonado por ela, porém não forçaria nada. Se tudo que conseguisse fosse apenas sua companhia, então que assim seja.

Nathan estava se arrumando para ir visitar os gêmeos quando sua campainha tocou. O jardineiro que trabalhava nas plantas do quintal atendeu a porta, pela voz soube que era Michele. A sua assistente não costumava aparecer sem avisar, porém levando em consideração que ele não parara durante a semana se dividindo entre as gravações e as visitas. Provavelmente queria atenção, afinal ela detestava quando ele se esquecia de fazer qualquer coisa que ela pedira ou enrolava para responder uma solicitação de algum evento, apesar de não lembrar se estava devendo algo para ela. Já pronto, apareceu na sala.

- Oi,Michele! Tudo bem? O que a trás aqui em pleno sábado?

- Além do fato de você não ligar mais para mim? Estava almoçando com Amanda hoje e quase não acreditei quando ela me contou que você adotou uma criança e anda aparecendo no hospital junto com ninguém menos que Stana. Pensei até ter ouvido mal, pedi para ela repetir e segundo a declaração de Amanda, vocês estão fazendo sucesso com as crianças, teceu milhares de elogios aos dois. Será que pode me explicar ou dizer o que anda pretendendo?

- Algum problema, Michele? Primeiro gostaria de agradecer a você por indicar o projeto de Amanda. Estou cada dia mais apaixonado por aqueles gêmeos. Encontrei Stana lá porque o Children’s hospital é uma das instituições que ela ajuda, portanto seu território. Porém, agora preciso saber, você tem algum problema com Stana?

- Claro que não, Nathan. Eu fiquei mesmo surpresa por saber que vocês dois estavam juntos todas as noites no hospital. Não esperava por isso – por dentro ela vibrava, sempre torcera para que o amigo se encantasse com a colega de cena – você poderia pelo menos ter me contado, fica feio para mim como sua assistente não saber o que anda fazendo. Você gostou mesmo do projeto?

- Nossa! Estou adorando Adam e Eve são crianças maravilhosas, super espertas e tão necessitadas de carinho. Bastam gestos simples, nada exagerado. Já que tocou no assunto, estou pensando em fazer uma festinha de natal aqui em casa para eles, não teriam muitos convidados, é apenas para dar um natal diferente aos dois. Pode organizar? Eu lhe entrego uma lista do que preciso que compre, inclusive os presentes. Estou dependendo de uma resposta de Stana para fechar a data.

- Tudo bem, passe a lista que faço isso para você.

- Agora você vai me dar licença, pois preciso sair. Vou para o hospital. Não quero chegar atrasado – ele beijou o rosto de Michele e pegou uma sacola cheia de doces e bugingangas – você vai aparecer no set por esses dias?

- Vou, por favor, não vai esquecer sua entrevista na segunda!

- Pode deixar.

No Children’s hospital, Stana já estava sentada no chão com os gêmeos quando ele chegou trazendo vários papeis coloridos, lápis, pinceis e adesivos para os meninos. Também trouxera uns sacos de jujuba, mashmallows e chocolates. Ela já tinha trazido sorvete e caramelo que iam comer mais tarde. Nathan puxou uma caixinha e entregou a ela. Era uma trufa com amêndoas feita de chocolate branco, seu preferido. Passaram a tarde desenhando. Nathan caprichara nos super heróis, nas mascaras para Adam e na coroa de princesa para Eve. Fizeram uma pausa para tomar sorvete que Eve devorou em questão de minutos retornando para os desenhos. Ao anunciarem que iam embora, Eve pediu para esperarem mais um pouquinho, continuando debruçada no desenho. Quando finalmente se levantou do chão com uma folha grande de papel na mão, aproximou-se de Stana e entregou o desenho. A menina desenhara os dois dançando como Bela e a Fera e encheu o desenho de coraçõezinhos. Ela escrevera seu nome, o de Stana e “eu te amo”. Os olhos da atriz se encheram de lágrimas.

- Você fez tudo isso? Escreveu meu nome e o seu?

- Eu copiei do livro. Obrigada, tia Stana – agarrou o pescoço dela e encheu seu rosto de beijos. Nathan observava o quanto aquilo mexeu com Stana. Castle já fizera ela se emocionar muito com determinadas cenas, mas era bom ter a oportunidade de vê-la emocionada com crianças.

- Você é muito linda! – abraçou a menina com todo o carinho. Eles se despediram e deixaram o hospital. Stana ficara realmente tocada com o gesto de Eve que até se esqueceu do ATP aceitando a carona de Nathan. Aproveitando o bom clima entre eles, Nathan parou em uma cafeteria. Eles se instalaram numa mesa de fundo bebendo o café.

- Você realmente ficou tocada com Eve hoje, não? Ainda está meio aérea.

- Desculpe, Nathan. Ela me pegou desprevenida. Realmente não esperava.

- Eu sim – ela ergueu a sobrancelha olhando para ele intrigada – é você, Stana. Seu jeito, sua meiguice, seu sorriso e sua beleza cativam as pessoas. Isso sem falar nas risadas, ali com aquela menininha você voltou a ser criança então como não esperar um gesto assim de alguém que passou boa parte da vida sem receber o carinho necessário? Bastaram pequenos gestos para fazê-la perceber o quão especial você é – percebeu quando ela mordeu os lábios na frente dele, ela realmente não esperava ouvir isso de Nathan.

- Obrigada, de verdade Nathan – esticou a mão para toca-lo – significa muito para mim.

- É apenas a verdade, Stana – disse sorrindo para ela enquanto ainda sentia a mão dela enroscada na sua, por um instante ninguém falou nada e os olhares permaneceram conectados. Disfarçando, ela puxou a mão e bebeu um pouco mais do café.

- Você vai mesmo fazer a festa na sua casa para Adam e Eve?

- Claro que sim. Pedi para Michele providenciar algumas coisas, mas ainda fiquei de passar uma lista com presentes para os meninos. Se quiser, posso colocar as suas coisas que ela cuidará numa boa. Isso claro se você realmente quiser participar.

- É claro que quero, como não poderia? Eu chequei minha agenda. Falei com a minha irmã, devemos ficar por LA mesmo então para não atrapalhar ninguém, podemos fazer dia 16, o que acha?

- Deixa eu ver minha agenda – ele checou o celular – não, dia 16 está perfeito. O que quer comprar de presente para eles? Vamos logo fazer essa lista.

- E trate de me dizer o que vamos comer, você não vai bancar isso sozinho.

- Não tem nada demais. É um jantar simples, Stana.

- Nada disso, é um jantar de natal e deverá ser comemorado como tal. Vou levar rabanadas, torta de chocolate, vinho e as batatas da minha mãe, a receita dela é divina. Você compra o peru e uns aperitivos, nozes, amêndoas essas coisas – ela puxou um caderninho moleskine da bolsa e passou a escrever tudo o que precisariam, de repente Nathan viu que perdera qualquer chance de organizar a festa. Ela já dominara o papel de organizadora e sinceramente, ele estava adorando vê-la assim. Saíram da cafeteria com tudo arrumado e a lista pronta para ser entregue a Michele.

Na visita da semana seguinte após o show do Larry King, eles comunicaram com a devida autorização de Amanda, a data da festa de natal. Combinaram que Stana iria pegá-los no hospital, pois levaria roupas adequadas para os dois vestirem naquela noite especial. Nathan e Stana ganharam tantos beijos e abraços que ficaram jogados no chão com os dois meninos revezando-se entre eles.

Na quinta-feira dia onze, Stana ficou presa nas gravações fazendo Nathan ir para o hospital sozinho. No fundo, apesar de estar acostumado com a companhia dela, achou o momento perfeito para o que tinha em mente para fazer com as crianças. Teve que explicar várias vezes o motivo dela não estar ali, porém quando revelou o que pretendia fazer com eles naquele dia, rapidamente ganhou a atenção e dedicação total delas, especialmente de Eve.

As gravações acabaram, as folgas começavam e Nathan se dedicava totalmente à festa de natal das crianças. Stana se juntou a ele algumas vezes, porém o grande envolvimento era dele. Isso porque ela se sentia um pouco intrusa na casa dele, não queria ser mal interpretada então evitava excessos. O problema era que cada vez mais, eles estavam próximos, passando muito tempo juntos e ela passou a olha-lo de forma diferente. Pela primeira vez, recordou porque se apaixonara por Nathan no passado e continuou nutrindo esse sentimento consigo, mesmo que isso representasse uma luta constante contra si mesma especialmente nos dois últimos anos com a relação de Castle e Beckett ganhando mais destaque na telinha.

Realizar esse trabalho social com Nathan, acabou por lhe mostrar um outro lado dele que não conhecia. Que era moleque e se misturava bem com as crianças não era segredo para ninguém, mas ela percebeu que era responsável, zeloso e diante do que presenciara, tinha certeza que ele seria um ótimo pai. Pensou em comentar o assunto com Gigi, mas desistiu por achar que a irmã faria uma verdadeira tempestade em copo d’água. Stana não podia negar, estava ainda mais apaixonada pelo homem charmoso de olhos azuis e isso estava se tornando uma espécie de tortura para ela porque em nenhum momento acreditava que Nathan sentisse o mesmo.

Festa de Natal – Dia 16

Tudo estava devidamente arrumado. As comidas encaminhadas, as sobremesas. A decoração perfeita. Embaixo da árvore, caixas e mais caixas de presentes estavam arrumadas com papeis brilhantes e laços enormes. Mesmo sem a iluminação, Stana se maravilhou com a quantidade de enfeites na casa. Pode dar uma olhadinha quando fora levar os doces e a comida que ficara a cargo dela. A festa começaria às sete já que as crianças não poderiam comer tão tarde.

Por volta das seis, Stana estacionou seu carro na frente do hospital. Descendo com duas sacolas, ela ajudou a arrumar Adam e Eve para a festa. A menina ficara linda no vestido amarelo claro estilo princesa. Ainda ganhou uma tiara. Adam vestia uma calça social preta e uma camisa de manga comprida azul, a cor preferida de Nathan. Ela tirou uma foto para registrar o momento no hospital sabendo que era apenas a primeira de várias que seriam feitas na noite de hoje. Às sete horas em ponto, Eve toca a campainha da casa de Nathan. Ao abrir a porta, ele os recebeu com um sorriso enorme. Beijou-os exclamando.

- Nossa! Vocês estão um charme. Essa é a Eve ou a Bela? Está uma princesa perfeita.

- Obrigada – Eve respondeu fazendo uma referência típica de dama.

- Adam, adorei a camisa. Lindo azul. Você está bonitão. Assim vai já arranjar uma namorada. Entre, por favor – ele afastou-se para os meninos entrarem correndo apenas para pararem estáticos diante da enorme árvore de natal repleta de presentes. Sua atenção, porém era totalmente de Stana, trajando um vestido curto na altura dos joelhos vermelho com um decote generoso, sem ser vulgar, no colo. O batom vermelho realçava os lábios maravilhosos enquanto os cabelos estavam presos em um coque com pequenas fivelas de strass deixando o pescoço exposto. Usava um brinco longo de ouro branco – você está belíssima, Stana. Seja bem-vinda – puxou-a para si e beijou-lhe o rosto. Ela o cumprimentou alisando a camisa nos braços, sorrindo.

- Obrigada, você está igual ao Castle – aproximou-se do ouvido dele – ruggedly handsome. Adorei a cor da camisa, combinamos – já que ele também vestia vermelho – é a cor do natal – ele a conduziu com a mão nas costas dela até o meio da sala. As luzes deram uma vida nova à sala arrancando um sorriso estonteante dela – nossa! Está lindo, Nathan! Adam, Eve, fiquem na frente da árvore para eu tirar uma foto de você – os meninos ainda um pouco zonzos obedeceram, ela percebeu que os olhinhos deles brilhavam e ficavam ainda mais bonitos, o de Adam estava bem verde, o de Eve clareara para um tom mel parecido com os seus, observou Stana.

Em seguida, ela cumprimentou Michele conversaram um pouco, mas logo perdeu seu espaço para a pequena e falante Eve. Nathan serviu bebidas para todos entregando uma taça de vinho a Stana. Amanda não se cansava de agradecer aos dois pelo que estavam fazendo por essas crianças. Adam estava admirando o trenzinho que percorria uma boa parte da estante de passando por uma pequena vila de casinhas em meio a neve. Nathan fez questão de mostrar a locomotiva ao menino ensinando com coloca-la para funcionar, os dois se entreteram ali e Michele passou um tempo observando a cena, soltou o seguinte comentário.

- Nathan tem um coração de ouro e alma de menino. Todos os dias agradeço por tê-lo conhecido. Ele merece ser feliz, ter uma família, imagina o pai maravilhoso que ele será. Infelizmente o amor verdadeiro ainda não sorriu para ele, acaba se perdendo em relacionamentos vazios com mulheres que não agregam nada em sua vida, apenas querem usa-lo como trampolim. Por causa dessa generosidade, acaba sofrendo. Gostaria de vê-lo ao lado de uma mulher inteligente, que o entenda e aceite as nerdices e manias dele. Alguém que o ajude a ser menino e homem nos momentos certos conservando parte da pureza que ele tem – vendo a forma como Stana absorvera essa informação, percebeu que valera a pena, ela estava sorrindo olhando para ele, soltando suspiros diante das palavras de Michele – desculpe, Stana. Nem devia estar enchendo seus ouvidos com essas coisas. você já tem sua dose de Nathan todos os dias e não é pouco. É que torço muito pela felicidade dele.

- Não precisa se preocupar, Michele. Concordo com você, todos devemos ter nossa chance à felicidade. Para ele não deveria ser diferente, Nathan tem um jeito diferente de tratar as pessoas, ver o mundo, algo só dele.

- Assim como você, Stana. Amanda me contou que você já trabalha com o Children’s Hospital a mais de quatro anos. Seus projetos são muito interessantes e o jeito como você abraçou o “SaveASoul” e a Eve em sua vida é memorável.

- Não se esqueça de Adam, abracei aos dois. Obrigada, Michele porém faço isso por acreditar ser o mínimo de retribuição que possa dar ao mundo quando recebi tanto em troca. Faço por prazer, amor.

- E exatamente por isso merece assim como ele, ser muito feliz – a conversa foi interrompida com a chamada de Amanda vindo da cozinha.

- Pessoal, está na hora de jantar. Todos para a mesa – Nathan sentou-se na cabeceira da mesa com Stana ao seu lado. Michele sentou-se na outra ponta da mesa para que Eve sentasse ao lado de Stana e Adam ao lado de Nathan com Amanda fechando a mesa. O peru estava lindo e de dar água na boca. Ele pegou a garrafa de vinho, serviu para os adultos. Em seguida, colocou refrigerante para as crianças e puxou um brinde.

- Ao momento especial das festas natalinas. É um prazer receber pessoas tão especiais na minha vida para esse jantar. Michele, meu anjo da guarda sem a qual seria totalmente perdido. Amanda por seu belo trabalho que proporciona uma segunda chance aqueles que sentem-se arrasados ou abandonados pela vida. A Adam e Eve por entrarem na minha vida de supetão e serem responsáveis por momentos agradáveis que me fazem ser criança de novo. A você, Stana por aceitar entrar nessa nova jornada comigo, mesmo sabendo que me atura há seis anos por mais de dez horas ao dia. Não sou uma pessoa fácil, por isso agradeço por encarar tudo sorrindo. Então, é isso.

- Posso acrescentar algo? – perguntou Stana.

- Não vamos comer ainda? Estou com fome – disse Adam arrancando gargalhadas de todos à mesa. Eve repreendeu o irmão.

- Adam! Isso é feio. A tia Stana quer falar palavras bonitas para a gente. Espera um pouco – revirou os olhos e completou – meninos! Pode falar tia – fazendo um esforço enorme para não rir do jeito da menina, pegou sua taça.

- Todos nós fazemos escolhas na vida grandes e pequenas. Eu estou feliz com as minhas porque me fizeram conhecer pessoas, alcançar e ajudar outras, se tivesse que mudar algo talvez não fizesse. Ou consideraria olhar certas coisas de maneira diferente. É por isso que acredito em segunda chance, todos nós a merecemos. Eu, você – olhou diretamente para ele – Amanda, Michele. Adam e Eve já conseguiram a deles. Sou feliz por fazer parte disso e por estar aqui.

- Bem colocado, Stana – disse Michele – agora, vamos comer?

O jantar foi em clima de risadas. A comida deliciosa foi saboreada ao som de conversas animadas, bebida e repetição de pratos. As crianças se lambuzaram com tanta gostosura. Após recolherem a comida, Michele e Stana foram pegar as sobremesas. Serviram torta de chocolate para todos além das rabanadas. Stana fez questão de cuidar da eggnog para eles entregando uma xícara a Nathan.

- Quando vamos entregar os presentes a eles? – perguntou sussurrando para Nathan.

- Por que não agora? – ele sorriu pegando na mão dela puxando-a até a árvore. Sentou-se de frente para os presentes e Stana o acompanhou tomando cuidado ao sentar – meninos! Que tal se começarmos a descobrir o que são todos esses presentes? – os meninos vieram correndo com as bocas todas sujas de chocolate. Stana fez sinal para a Amanda trazer um guardanapo e limpou o rosto deles – vamos ver o primeiro presente, essa caixa azul. Hum, aqui diz Adam – os olhos do menino arregalaram-se – tome. Stana você pode pegar esse embrulho comprido vermelho ao seu lado.

- Tudo bem, espero que seja para mim – brincou ela – ah, é da Eve – fez uma cara de desapontada enquanto a menina puxou o embrulho das mãos dela começando a rasgar o papel.

- O carro do Batman! – Adam exclamou – obrigado, tio Nathan - e o abraçou. Outro grito surgiu na sala.

- A Bela! Lumiere! A fera! Tia Stana! – correu e abraçou-a com força, encheu-a de beijos – obrigada, obrigada, obrigada!

- Que isso, é natal. Mas todos os presentes são meus e de Nathan então trate de agradecer a ele também.

- Posso mesmo beijar o tio? A tia deixa? – Stana ficou vermelha como sua roupa. Michele segurou o riso.

- Pode sim, Eve – foi outro festival de beijos. A entrega de presentes continuou. Adam ganhou seu carro de polícia e uma fantasia de Batman. Eve ganhou uma maleta de pintura e maquiagem e uma linda boneca estilo bebê. Nathan fez sinal para Eve, a menina entendeu o que ele queria. Com cuidado se aproximou da árvore puxando um embrulho amarelo bem largo, Nathan levantou-se para ajuda-la, pois era quase do tamanho dela.

- Tia Stana, esse é pra você. Meu e do mano – Stana olhava boquiaberta para a menina, fechou os olhos e suspirou. Isso deve ter dedo da Amanda.

- Pra mim? – pegou o presente e começou a abrir. Nem acreditou no que vira. Era uma espécie de mural cheio de fotos dela, de Nathan, Eve e Adam. O logo do hospital estava lá além da frase “SaveASoul”. Ficara lindo demais. Fotos que ela nem reparara terem sido tiradas, inclusive do seu momento de leitura – meu Deus, que presente mais lindo! Amanda, como você fez isso? – Amanda olhou com a testa franzida para Stana.

- Do que você está falando? Nem sei de onde veio isso! Está realmente lindo – então a ficha caiu. Só tinha uma pessoa que podia ter feito isso. Ela olhou para Nathan sorrindo e mordendo o lábio.

- Não acredito... você... – ela piscava os olhos para que as lágrimas não vencessem. O gesto tão simples tocou o coração de Stana.

- O tio ajudou a gente com as fotos, mas a colagem foi eu e Adam que fizemos.

- Vem cá, princesa... – abraçou a menina com força – foi o melhor presente que ganhei, obrigada Eve. Vem você também, meu pequeno príncipe – e repetindo o gesto começou uma brincadeira de cócegas com os dois. Amanda e Michele se entreolharam decidindo ir à cozinha. Dar um tempo aos quatro. Pela forma como Stana reagira, elas sabiam que ficaria envergonhada se tivesse que dizer algo a Nathan. Servindo-se de eggnog, Amanda perguntou.

- Michele, eles são sempre assim adoráveis um com o outro? Eles são perfeitos. Eu não me ligava no trabalho dela, fiquei impressionada ao ver que Nathan reconheceu a voz dela de longe quando Stana lia para as crianças. Comecei a ver o trabalho deles e nossa! Que química é aquela meu Deus! A quanto tempo estão juntos?

- Juntos? Você quer dizer na série? Seis anos. As personagens estão na sua terceira temporada namorando e agora casados, ops! Spoilers, desculpe.

- Seis anos de relacionamento? E por que não casam? – perguntou Mandy.

- Não, você entendeu errado. Seis anos de trabalho juntos. Eles não são namorados – a cara de espanto de Amanda fez a assistente rir – é, você não é a única a ficar pasma diante da revelação. Você supera. Aliás, se me permite dizer, talvez você seja a responsável por outra perspectiva na vida deles. Por isso, posso sugerir que vamos embora? Inclusive as crianças?

- Hum, acho que entendi seu ponto. Deixa eu tomar mais um pouco dessa eggnog e comer outro pedaço dessa torta de chocolate então podemos ir.

Na sala, Nathan se sentara para observar a interação de Stana com as crianças. Brincava tanto com o menino comentando sobre as aventuras de Batman e suas próprias em um carro de polícia, seja por ensinar a pequena Eve a como usar a maquiagem. Ele se perguntava se o fato de estar brincando com as crianças era uma maneira de evitá-lo por não saber o que fazer diante do presente que ele preparara. Não importava, ver o olhar dela de emoção e felicidade já fora suficiente. Stana levantou-se do chão e comentou.

- Brinquem um pouco sozinhos porque preciso de um pouco de eggnog. Nathan, você pode me servir? – piscou e prontamente ele se aproximou da mesa enchendo a taça de ambos. Entregou uma para a bela mulher a sua frente. Deixou um leve encostar do cristal simbolizar um brinde e bebeu. Stana o olhava intensamente.

- Nathan, eu ainda não sei o que dizer sobre aquela surpresa maravilhosa. Já não bastava essa festa, as noites e tardes na sua companhia e das crianças, ainda ganho aquele mural? Eu não estava preparada. Obrigada parece muito pouco para o que o presente significa – deixou a taça sobre a mesa e o abraçou, com seus lábios ao pé do ouvido murmurou – obrigada, Nate. Não vou esquecer – deu um beijo carinhoso na bochecha dele. Ao ficarem cara a cara, Stana sentiu o corpo amolecer diante daquele olhar, parecia que o mundo havia parado ao seu redor. Então, ouviram o grito de Eve.

- Azevinho!!! Tio Nathan e tia Stana! O tio tem que beijar a tia! - Com o grito, Amanda e Michele correram para ver o que acontecera justamente para encontrar os dois assustados debaixo do azevinho. Uma situação típica de saia justa. A menina continuou gritando ao ver Amanda – não é verdade Mandy? Tem que beijar sim! Beija logo tio! - sem jeito, Nathan olhou para Stana e beijou o seu rosto – não tio, é na boca. Nathan olhou para a criança que colocara as mãozinhas nos quartos esperando para ver a cena. Suspirou e pensou, que se dane, ao olhar para Stana viu o quanto ela estava envergonhada pela situação, mesmo assim, acariciou seu rosto, brincou com os parcos fios de cabelo que ela deixara caído em frente a orelha e puxou seu pescoço em sua direção beijando-a levemente nos lábios. Stana fechou os olhos e entreabriu os lábios dando permissão para ele avançar com o beijo. Com medo de exagerar e dar vexame, ele aprofundou um pouco mais o beijo, porém de maneira muito semelhante aos beijos Casketts. Em seguida, se separaram. Ela estava mais vermelha do que antes. Nathan pode ver o coração acelerado pelo decote do vestido.

- Pronto, satisfeita Eve?

- Nem que não estivesse – interrompeu Amanda – os dois, vão já arrumar esses brinquedos porque está na hora de irmos embora. Vamos, vamos.

- Mas Amanda nós não combinamos que eles iria dormir aqui? – perguntou Nathan. Michele olhava de canto de olho, Stana virar toda a taça de eggnog de uma única vez.

- Você não tinha me dito isso também, Nathan – retrucou Stana.

- Melhor ficar para outro dia... – disse Amanda.

- Ah, Mandy, por favor – os olhos de Eve suplicavam por uma resposta positiva.

- Não seria justo com Nathan cuidar de dois pestinhas sozinho.

- Que isso, estou acostumado. Tenho sobrinhos.

- Eu posso ajuda-lo – disse Stana.

- Você faria isso? – ele perguntou surpreso.

- Com o maior prazer – sorriu – posso começar agora mesmo. Amanda, você pode juntar os papéis de presentes? Eve junte seus brinquedos para que eu possa deixar a sala de Nathan ao menos apresentável. Você também, Adam.

- Baixou a detetive mandona, resolveu dar uma de Kate Beckett. Adora dar ordens – disse Nathan – tratem de obedecer ou ela vai colocar vocês de castigo no banheiro já que não tem celas por aqui.

- Engracadinho, se continuar assim eu vou já arranjar algo para você fazer.

- Acho que essa é minha deixa para ir embora – disse Michele se aproximando de Stana e cumprimentando-a uma vez mais – mantenha-o sob rédea curta mesmo, ele gosta de mulheres mandonas como Beckett – beijou as crianças – Nathan pode me levar até a porta? - ele nem pensou duas vezes, melhor agir como um cavalheiro do que Stana manda-lo fazer faxina, já na porta de sua casa, Michele comentou – aproveite a chance e faça algo de bom para você. Lembre-se das palavras dela: todos merecemos uma segunda chance e tenho certeza que aquilo foi uma indireta para você e depois de ver como Stana reagiu ao beijo no azevinho, é a sua hora querido. Não desperdice o momento.

- Michele....

- Acredite e faça acontecer. Boa sorte.

Nathan voltou para casa pensativo. Stana e Amanda já colocaram tudo em ordem, a médica se despediu deles dizendo que os esperava nos dias seguintes lá no hospital. Assim que Amanda saiu, Stana avisou que ia coloca-los na cama. Nathan se ofereceu para cuidar de Adam, ela não se importou. Após tirar a roupa de princesa que Eve vestia, Stana arrumou seus cabelos e a fez vestir a camisola. Deitada na cama, a menina esperou a tia cobri-la com o edredon.

- Boa noite, Eve. Sonhe com os anjinhos – disse ao depositar um beijo de boa noite na testa da garota, mas Eve não se renderia tão fácil.

- Canta para mim, tia. Somente uma música, para eu dormir. Por favor... deita aqui – Stana aconchegou-se ao lado da menina.

- Alguma preferência?

- Uma bem bonita. Tia, muito obrigada por tudo, de verdade – beijou o rosto dela – tia? Posso fazer uma pergunta? – Stana balançou a cabeça afirmativamente – você ama o tio Nathan?

- De onde você tirou isso?

- Do beijo e do jeito que olha pra ele. Ama?

- Gosto muito dele, de verdade.

- Gostar não é amar... posso gostar do Peter mas não amo ele...

- Ah, Eve... queria que fosse tão fácil, aqui entre nós? Pode guardar um segredo? Eu amo sim. Sou apaixonada por aquele jeito de menino, um homem com síndrome de Peter Pan.

- Não entendi, Pan não é aquele que não gosta do pirata?

- É sim, mas chega de papo e vamos dormir, feche os olhos enquanto canto para você – a menina obedeceu e a voz de Stana entoou a melodia.

“When you wish upon a star makes no difference who you are. Anything your heart desires will come to you. If your heart is in your dream no request is too extreme when you wish upon a star, as dreamers do. Like a bolt out of the blue ,fate steps in and sees you through. When you wish upon a star your dreams come true.” Boa noite, querida Eve.

Ela se levantou da cama permanecendo ali velando o sono de Eve por uns cinco minutes. Então, decidiu que era a hora de ir para casa. Quando desceu as escadas, encontrou Nathan sentado sobre um dos degraus tomando uma taça de eggnog. Sentou-se ao lado dele esbarrando o ombro nele. Ao fita-la, ele sorriu.

- Noite difícil? – ela perguntou.

- Não, uma noite mágica. Como há muito tempo eu não tinha. Quer um pouco? – disse oferecendo seu copo que ela aceitou tomando um pouco da bebida – voltei a ser criança com esses dois.

- Voltou? E desde quando você deixou de ser Nathan? – ele sorriu sem jeito – não precisa se envergonhar, isso é uma das coisas que mais admiro em você. A capacidade de manter seu lado infantil, inocente e brincalhão mesmo já tendo passado dos quarenta. Poucos conseguem ser tão cativantes ao demonstrar isso – ela passou a mão pela coxa dele.

- Vindo de você, é realmente um elogio e tanto. Sempre achei que isso te incomodava. Apesar de ser divertida e brincalhona, sei quanto não estou sendo agradável.

- Sabe mesmo? É isso que pensa quando mantenho uma certa distância de você? – perguntou. Conseguira disfarçar tão bem assim? Ela pensou.

- Às vezes, acredito que sim. Então, você me surpreende. Queria poder fazer você entender que uma boa parte do meu comportamento é um mecanismo de defesa para evitar de me machucar ou magoar os outros.

- Eu sei, funciona exatamente como o meu distanciamento – ela fitou-o séria.

- Stana, por que aceitou fazer tudo isso comigo? Por que ir ao hospital na minha companhia, construir lembranças ao meu lado, se doar para aqueles gêmeos maravilhosos e vir até a minha casa depois de tanto tempo para uma festa de natal quando poderia ter feito tudo isso sozinha? Responde, foi somente pelas crianças? – ela desviou o olhar, os dedos da mão brincavam com as folhagens verdes que envolviam o corrimão da escada. Ele a puxou pela mão erguendo-se dali – vem comigo – Nathan parou embaixo do azevinho colocando-a de frente para si. Ela pode perceber a intensidade nos olhos azuis.

- O que você está fazendo, Nathan?

- Cumprindo uma tradição de natal adequadamente – puxou-a pela nuca e dessa vez beijou-a como realmente queria. Ao sentir os lábios pressionados aos seus, ela abriu a boca deixando seus próprios lábios sentirem o gosto do beijo. Encostou o corpo no dele e abraçou-o colocando suas mãos em volta do pescoço dele. Nathan aprofundou o beijo introduzindo sua língua para explorar cada centímetro daquela boca. Suas mãos passeavam pelo corpo dela sentindo as curvas de certa forma já conhecidas. Ele a empurrou até o sofá, mas foi Stana quem o fez sentar para que pudesse estar sobre o colo dele explorando beijos e beijos. Quando afastou-se, ela fitou-o com um sorriso nos lábios.

- Nós não estamos mais sob o azevinho, Nate.

- Eu sei, apenas precisava de um pretexto para beija-la novamente.

- Por que?

- Ainda não sabe? Eu sou louco por você, apaixonado. Não posso mais fingir que não sinto nada. Especialmente depois que começamos essa temporada. Estamos casados na ficção e isso estava mexendo muito mais com meus sentimentos que qualquer outra coisa. Um simples café na sua companhia é diferente. E agora com o projeto, os meninos. Não consigo ficar tão próximo a alguém tão maravilhosa e pagar de avoado, bobo, quando tudo o que quero é demonstrar meu amor pela mulher mais extraordinária que conheço. Stana, eu não sei se isso vai tornar as coisas mais difíceis entre nós, se afetará nosso trabalho, porém eu tinha que tentar, tinha que expor o que sinto, arriscar. Eu sinto muito se isso soou como uma surpresa, ou talvez como uma tentativa desesperada por estar com você, dormir com você. Não foi. É uma demonstração de como meu coração vive em uma constante montanha-russa de sentimentos, querendo apenas um momento para ser compreendido, ser feliz.

Os olhos azuis estavam com uma coloração totalmente acinzentada. Stana sentiu seu coração batucando no peito. Fechou os olhos. Tinha uma das mãos apoiada no tórax dele.

- Stana, eu... – ela colocou o indicador sobre os lábios dele fazendo-o calar. Passando o polegar sobre a boca de Nathan, ela suspirou. Usando as duas mãos tomou-lhe o rosto e sorveu os lábios apaixonadamente. A temperatura de seu corpo subiu, um calor provocado pelo desejo fazia sua pele ansiar pelo toque. Sangue correndo pelas veias. Ele a colocou deitada no sofá, colocou o peso do seu corpo sobre ela continuando a beija-la, toca-la. Ficaram ali entre beijos, amassos e caricias por um longo tempo. Quando Nathan se ergueu para dar um pouco de espaço a ela, Stana sentou-se no sofá, ajeitou os cabelos e sorriu.

- Eu preciso ir embora. Nate, já estive apaixonada por você uma vez, tentei desapaixonar desesperadamente. Mas o coração é teimoso, sabe exatamente o que quer, não é fácil convencê-lo. Não tem sido fácil conviver com um sentimento tão forte por tanto tempo. Eu nunca deixei de estar apaixonada por você, tornou-se algo impossível. Como sou uma pessoa que acredita em segunda chance – ela parou de falar para respirar profundamente antes de continuar – eu preciso acreditar que essa é a minha chance, a nossa chance. Merecemos ser felizes. Eu quero nos dar uma chance de sentir sem reservas o que carregamos aqui – ela apontou para o coração dele e depois para o dela – sem pressa, sem alarde. Não podemos abrir o que queremos para o mundo, não ainda da forma que queremos. Então, eu vou pedir a você, de braços abertos para tentarmos fazer isso funcionar, você aceita fazer isso ao meu lado?

- É claro que sim, Stana. Tudo o que quiser desde que tenha você – ela passou os dedos pelo cabelo dele, beijou-o novamente e quando ela fez menção de se levantar para ir embora, ele segurou sua mão, os olhos de gatinho manhoso a fitavam – fique, Stana. Fique comigo esta noite – ela sorriu.

- Só existe um lugar que gostaria de estar com você, acredito que fica no andar de cima, portanto precisamos subir as escadas. Abrindo o sorriso, ele tascou um beijo na bochecha dela. Saíram quase correndo rumo ao quarto, entre quatro paredes, tudo se encaixou, a vida fez sentido novamente depois de um bom tempo. Puderam finalmente se entregar ao sentimento antigo deixando o amor ditar as regras nesse momento especial de suas vidas.

No dia seguinte, Stana acordou extremamente relaxada e feliz. Após o café, eles foram deixar Adam e Eve no hospital. Estavam mais tagarelas do que nunca. Uma ideia martelava na mente de Stana, sabendo que precisava mandar uma mensagem ao mundo ao ver aquelas duas crianças experimentarem a chance de ter uma família mesmo que torta e por alguns dias na semana. Segundas chances.

Um mês depois...

Ao abrir a revista EW e TVGuide nesse dia, fãs foram surpreendidos com uma foto de Nathan Fillion e Stana Katic com o seguinte título:  
“Meet their adorable adoptive twins”           

Após o primeiro choque, ao ler a reportagem as pessoas podia conhecer o projeto da Dr. Amanda Perkins e saber como ajudar a várias crianças que necessitavam apenas de um pouco de carinho para fazê-las sorrir e olhar para o mundo como uma criança realmente merecia. Stana concedeu a entrevista e pediu a ajuda de todos para fazer do projeto “SaveASoul” a segunda chance de fazer o bem a alguém.

Quando chegou à casa de Nathan, ele estava esperando por sua namorada no sofá da sala com a revista na mão. Após trocarem um rápido beijo, ela sentou-se ao seu lado.

- Estou orgulhoso de você. Como pode manter isso em sigilo? Se soubesse que ia fazer a reportagem tinha feito questão de contribuir.

- Mas você contribuiu! Amanda transcreveu suas palavras quando você conheceu o projeto. Quero muito que as pessoas comprem a ideia, acreditem no projeto.

- Eles irão, Stana. Com você como embaixatriz, todos irão parar para escutar como podem contribuir.

- Hey, você é parte disso também. É você naquela foto segurando Adam.

- Eu sei querida, sabe é maravilhoso descobrir que ao adotar simbolicamente Adam e você, Eve, salvamos dois órfãos. Acredito que esse projeto não podia ter escolhido um nome melhor... Save A Soul. Salvamos duas almas de anjinhos.

- É verdade, Nate. Mas, sabe qual é a coisa mais importante que aconteceu por conta desse projeto? Segundas chances. Em realidade, salvamos quatro almas. Adam, Eve, você e eu.

- Acho que isso faz de Amanda nosso cupido oficial... – ele brincou fazendo-a sorrir. Stana aproximou-se dele, beijando-o carinhosamente nos lábios, quebrando o beijo, ela encostou a boca sussurrando ao pé do ouvido.

- I Love you, Nate... thanks for saving my soul – ele a afastou por um instante para olhar dentro de seus olhos.

- Oh, Stana.... I Love you too. Nós salvamos um ao outro – puxou-a contra seu corpo para mais um beijo envolvente e apaixonado, feliz por finalmente ter alguém a seu lado que realmente o completasse.



THE END 

3 comentários:

Maria DA PENHA disse...

Achou mesmo que eu não iria comentar a FIC ? "Never"... Não depois de te perturbar para escrever rsrsrsrrs

Não preciso dizer que amo as suas fics pois já está ficando redundante e daqui a pouco você se enche de mim rsrsrs ...

A FIC ficou maravilhosa ... leve ... Carinhosa ... Fofo ... Como Stanathan é ... simplesmente lindo e mágico.

Quando você falou que senti falta do NC eu tenho que concordar que eu também AMO pois sonho com eles se tornando real ... mas tenho que te falar que ficou tão perfeito mesmo sem ser HOT ...

Por fim a FIC teve um nome bem sugestivo "Save A Soul" afinal creio que Castle ... Caskett ... Stanathan ... salvam minha alma e me fazem sonhar todo dia mais ... seja pela ficção de um Amor ou por um sonho de se tornar realidade ...

" I Love you, Nate... thanks for saving my soul"

"Oh, Stana.... I Love you too"

ALWAYS ... FOREVER ...

Eu te agradeço de verdade pela boa vontade e paciência de escrever,e tenho que te dizer que estou mega ultra feliz e boba por ter meu nome lá nas notas UAU !!! rsrsrrsr

Parabéns Karen ... <3

TITÍ disse...

AMAZING, as suas histórias stanathan deixam-me sempre a sonhar OBRIGADA!!

Marlene Caskett Stanatic disse...

Ok,ok...como vc sabe,minha fama ñ é das melhores,Wana que o diga...
Mas sem cena hot ficou tão leve e fofo Adam e Eve<--- EVE,esse nome deixa meu coração batendo a mil,essa cidade ta igual a minha um ovo e diferente daqui fez bem em ao casal,ele a reconheceu...me abraça pq isso é tão amor s2
Ela lendo e encantando,ai,ai...queria esta la :(
E o encontro foi demais,esses gemeos de sorte hein?!
O desespero dela quando viu ele como tio Nate cavalinho,isso moça cuide de seu homi U.u
O natal na casa do tio Nate,todos ganharam presentes,mas o casal foi o que mais curtiu(pensamentos pecaminosos)<---Mantendo minha fama hehehe
Fic linda e obrigada por isso :*