Nota da Autora: Estamos chegando as emoções finais.... divirtam-se! Ah, desculpem pela mudança de formato no final do capitulo, o blogger é doido às vezes. E comentem...
Cap.34
Por alguns
segundos, Nadine ficou calada apenas olhando para Kate. Havia um clima de
ansiedade e mistério no ar até que ela quebrou o silêncio.
- Não sou eu
quem vai lhe contar o que descobrimos. Éo Jeff. Ele é o responsável por tudo
que está prestes a revelar. Vá em frente – disse Nadine fazendo sinal para o
namorado.
- Tudo bem.
Quando você decidiu colocar fim ao projeto, eu estava no meio da minha pesquisa
para quebrar os códigos do servidor, o computador central do senador. Ao ver
Nadine naquela cama, eu pirei. Não podia acreditar que você estava desistindo,
especialmente depois do que acontecera a sua amiga. Também sei que você já
esteve em meu lugar quando Castle entrou em coma. Foi difícil entender a
história que você nos contou até aquele momento. Estive em seu lugar. Naquele
instante, sabia que não estava disposto a deixar tudo para trás.
- E você
simplesmente resolveu fazer as coisas da sua cabeça, simplesmente por que quis?
Agiram pelas minhas costas mesmo sabendo do risco? Pelo amor de Deus! Nadine
acabara de sair de um acidente que podia ter custado a sua vida e pronto? Quão
loucos vocês dois são?
- Entendo
perfeitamente sua revolta. Mas não fiz nenhuma loucura. Estava em terreno
conhecido. Peço desculpas, Kate. Assumo toda a responsabilidade por isso. Devia
isso a você e a Nadine. O senador não podia sair impune. Confesso que trabalhei
no escuro, foram bons dias sem ter certeza se ia conseguir penetrar na
fortaleza do inimigo. Mas, eu consegui! Claro que isso foi apenas o começo. Há
milhares de arquivos ali, um verdadeiro arsenal de anos.
Jeff se
aproximou de Kate colocando o notebook as suas vistas. Digitando alguns
comandos, ele mostrou a quantidade de pastas que cumpunham o HD do senador.
Clicando em uma pasta específica, ele abriu um arquivo.
- Esse é o tal
projeto de lei que Bracken pretende levar ao conhecimento do senado e do
presidente. Analisei cada página desse documento. O sistema, como sabemos, é
potente. Tem uma camada de proteção sofisticada e principalmente, o poder de
vigiar todos os computadores do governo, controle total de IP’s e
consequentemente vidas e planos estratégicos. Eu escrevi pessoalmente uma análise
técnica apontando os prós e, mais importante, os contras ressaltando o perigo
gerado através da invasão de privacidade. Pretendo entregar para as autoridades
como um alerta do caso.
Kate olhava
tudo atentamente, apesar de surpresa com a dedicação de Jeff, ainda não vira
algo potencialmente poderoso que pudesse justificar o terror que Nadine fizera
ao chegar no loft.
- Então,
comecei a fuçar os arquivos. Cruzando as informações do caso de sua mãe,
especialmente a data da morte, escolhi a pasta especifica de 1999, sem me esquecer
do ano anterior. Foi como procurar agulha no palheiro. Um grande emaranhado de
documentos sem fim. Juro que cheguei a pensar em desistir, que era inútil essa
busca. Mas, ler suas anotações me ajudou a continuar, Kate. E foi isso que eu
encontrei. Veja você mesma e me diga se não é tudo o que precisávamos para
colocar o safado atrás das grades?
Ele digitou
uma série de comandos expandindo na frente de Kate, o primeiro dos documentos.
Não precisava dizer mais nada. Afastou-se dela sentando-se ao lado de Nadine.
Castle aproximou-se dela para saber o que era tão importante. Ali estava.
Provas irrefutáveis da vida corrupta e criminosa de Bracken. O arquivo continha
descrições de como agir dentro do comércio de drogas, nomes de mulas,
policiais. Viu o nome de Montgomery e Reglan. A cada página lida, Kate
respirava fundo. Os olhos ágeis e inquietos devoravam as palavras. Era
revelador.
Quando ergueu
a cabeça para fitar Castle, ele percebeu que estava nervosa. Tinha lágrimas nos
olhos. Por mais de quinze anos, ela buscara algo que a fizesse prender o
responsável pelo assassinato de sua mãe, várias lutas em vão. Aquele arquivo
era parte da suposta pasta que se perdera no incêndio causado pela bomba que
matou um dos seus algozes, o tal Madoxx. Jeff mexeu novamente no computador,
abriu mais dois arquivos para Kate.
Novamente,
provas das falcatruas de anos do senador bem antes dele ter sequer um cargo
importante. A morte do agente do FBI que até hoje tinha um final inconclusivo,
descrito totalmente ali. Fitando Jeff, ela finalmente falou.
- Jeff, eu não
sei o que dizer. São provas concretas. Precisamos usa-las.
- Não tão depressa,
Kate. Eu fiz questão de mostrar a você sobre o sistema do senador porque ele é
realmente um software de tirar o chapéu. É ai que mora o nosso principal problema.
O sistema de defesa da máquina não me permite baixar os documentos, nem gravar
em outro lugar. Como uso a função de espelho, significa que não estou realmente
presente apenas virtualmente. A única forma que o sistema permite a gravação
dos arquivos é fisicamente. Em outras palavras, para tê-los teremos que invadir
a casa do senador.
Kate andava de
um lado a outro da sala tentando digerir as últimas palavras de Jeff. Pela
primeira vez, sentia que tinha uma chance em potencial de encurralar o seu
inimigo, faze-lo pagar pelos maus feitos. O problema era que nada era fácil em
se tratando do senador. A ideia de Jeff, invadir a sua propriedade era um risco
para todos os envolvidos. Ela não podia estar pensando nisso, uma tenente da
NYPD não podia burlar a lei. Ainda assim, seu coração, sua mente desejavam
vê-lo atrás das grades. Mesmo não havendo uma prova concreta de que mandara
matar sua mãe, as evidências que ela mesma juntara ao longo dos anos
corroboravam com o que vira naqueles arquivos. Os motivos, o mesmo beco,
estavam lá. As informações se completariam. Sentia que estava pisando em uma camada
muito fina de gelo. A decisão que tomasse seria perigosa.
- Kate, nem
tudo está perdido. Temos material suficiente para conseguir um mandado. McQuinn
pode juntar todos os dados que temos. Ele pode pedir um mandado em Washington.
A comarca de New York está fora de cogitação – disse Nadine.
- Sobre qual
alegação? Olha, seu juiz nós invadimos o sistema do senador e sabemos que ele
esconde provas de vários crimes que cometeu? Nenhum juiz irá concordar com
isso, além de estarmos queimando cartuchos porque como saberemos que o juiz em
questão não é corrupto? Só o que conseguiremos serão processos em nossas
costas. Eu irei responder para a Corregedoria, Jeff provavelmente receberá um processo
de invasão de privacidade e McQuinn, uma suspensão no mínimo.
- Tem que ter
alguma forma.... – Nadine apertava a testa pensativa.
- Nem os
arquivos das câmeras podemos usar, se bem que não adiantaria. Não há nada ali
que incrimine Bracken. Todos os movimentos que fazemos nos incriminam de alguma
maneira.
- Nem todos –
disse Castle – podemos montar um caso consistente para conversar com um juiz
honesto. Lembram-se dos laranjas? Das contas ligando Collins, Vulcan e Bracken?
Depósitos, IP’s, tudo pode ser conectado com o caso Denver investigado pelo
próprio bureau. É um começo. O que descobrimos nas nossas investigações
pessoais, pode ajudar McQuinn apesar de usarmos ferramentas de hackers, usamos
também recursos do FBI, certo? Para todos os efeitos, ele estava em New York
para investigar um suposto elo entre o caso Denver e...
- O agente
responsável pela investigação contra Collins – Kate completou mais animada –
sim! As gravações feitas no distrito, Collins implica Bracken. Podemos montar
um caso convincente – ela trocou olhares com Castle, às vezes esquecia o quanto
adorava tê-lo como parceiro de todas as horas, estava tão frustrada com as
notícias que sequer lembrara-se dos demais elementos da investigação. Caminhou
até onde ele estava e beijou-lhe o pescoço sussurando ao seu ouvido – obrigada,
babe.
- E o que você
está esperando, Kate? Ligue logo para McQuinn! – disse Nadine sabendo que não
precisaria gastar seu latim para persuadir Kate.
- Jeff,
Nadine, vocês podem nos dar licença um minuto? – segurando na mão de Castle,
ela o puxou para o quarto. Frente a frente com ele, se analisavam com o olhar.
Nenhuma palavra fora dita durante um longo minuto. Ela o abraçou forte,
inalando o cheiro dele, de olhos fechados como quem busca forças e afirmação.
Afastando-se dele, finalmente expos seus pensamentos.
- Você sabe o
que tudo isso significa, não? Uma vez que eu faça essa ligação para McQuinn,
não haverá volta. Estaremos expostos novamente, Castle. Sabe que eu não ficarei
como observadora nessa investigação, vou me entregar pessoalmente para
conseguir atingir o meu objetivo. Irei participar da invasão na casa do
senador, entrarei no covil do inimigo. Não poderia ser diferente. Se você
disser que não aceita o risco que estamos prestes a correr, preciso que me fale
agora. Diga não, Castle. Você é a única pessoa capaz de me fazer virar as
costas para tudo isso.
Ele acariciou
o rosto dela, o olhar praticamente implorava para que ele não fosse contra a
sua vontade. Kate conhecia Castle suficiente para entender que jamais deixaria
ela atirar-se sozinha nessa missão. Nem ela queria. Se fosse enfrentar o
inimigo, necessitava do seu parceiro ao seu lado. Ia ser uma batalha dura. Ao
fazer isso, tornavam-se definitivamente alvos, porém nunca tiveram uma chance
tão concreta de apanhar o senador.
- Vá em frente
Kate – apertou a mão dela – eu estarei ao seu lado. Essa é a nossa luta - toda
a confiança de que ela precisava estava ali naquele olhar. Segurando seu rosto
com as mãos, inclinou-se e beijou-a ternamente. Kate acenou com a cabeça e de
mãos dadas voltaram para a sala. Viu o misto de ansiedade e expectativa nos
rostos de Nadine e Jeff. Suspirando, Kate pegou o celular e discou o numero de
McQuinn.
- McQuinn,
temos um novo avanço para o caso Collins envolvendo o senador. Sente-se e
prepare-se para digerir o que tenho a falar – ela explicou calmamente as
últimas descobertas de Jeff, suas implicações e o porque dela estar dividindo
tudo isso com ele. Colocando a ligação em viva-voz, Kate explicou o que
pretendiam, era a hora de montar o plano, a estratégia.
- Kate, eu
entendi o que querem fazer a seguir. Mas, irão esperar pelo mandado, certo? Eu
conheço um juiz que pode autorizar o que precisamos. Ele não gosta de Bracken e
até hoje tem dúvidas sobre sua índole. Você não vai fazer nenhuma besteira, é
por isso que está me contatando, diga que sim.
- Bem que
gostaria se o criminoso fosse outro. O mandado é por segurança, para termos um
documento que nos dê respaudo para invadir a casa do senador. Quero evitar de
ser presa, mas em nenhum momento pensei em chegar ao local em pleno dia pedindo
licença. Temos que fazer isso na surdina, pega-lo de surpresa. O que precisamos
de você é o mandado e que contacte a minha Capitã explicando a necessidade de
me ter ao seu lado para continuar a investigação. Você não irá pedir, irá
exigir minha presença em Washington. Enquanto isso, nós iremos trabalhar no
plano de invasão. Ligue quando tiver notícias do documento e McQuinn, nem
preciso lembra-lo que esse assunto é estritamente confidencial. Deixe isso
claro para o juiz também.
- Tenente
Beckett, eu admiro sua audácia. Do meu lado, farei tudo que puder para ajudar a
sua caçada.
- Obrigada,
McQuinn.
- O pontapé
inicial foi dado – disse Nadine – qual o próximo passo?
- Primeiro, eu
preciso trabalhar. Não posso sumir do distrito assim. Encontrem-nos aqui em casa
hoje à noite, temos muito a fazer – disse Kate.
O trabalho no
distrito tinha tudo para ser entediante, porém um novo caso manteve-os ocupados
até o final do horário. Beckett passou algumas instruções para Ryan e Esposito
continuarem com a investigação na manhã seguinte. Fizeram progresso durante os
interrogatórios e na opinião dela poderiam fechar mais um caso no dia seguinte.
Não via a hora de estar em casa. Deixaram o distrito umas seis e meia. Além de
um banho rápido, Kate ainda arranjou tempo para alimentar Alex e coloca-lo para
dormir. Castle encarregou-se de algo para comer. Passavam quinze minutos das
oito horas quando Nadine chegou ao loft acompanhada de Jeff. Logo em seguida,
Tory apareceu.
Na sala,
Castle tratou de colocar a tela onde geralmente discutiam os livros de Nikki e
também onde eles já montaram anteriormente um arquivo relacionado à Johanna.
Ele se antecipara a todos preparando um arquivo completo da maioria das
informações que já coletaram de suas sessões anteriores. Nadine ficou
impressionada. Jeff sentou-se no notebook que alimentava o arquivo para
enriquecer com os novos dados. Havia também um quadro branco. Kate nunca abria
mão dele. Foi diretamente para ele.
Com um pincel
na mão, Kate escreveu palavras chaves para ajuda-los a discutir os próximos
passos. A missão do grupo era definir a estratégia para conseguir os arquivos
comprometedores. Ela escreveu três palavras: agenda, invasão e ferramentas.
- Vamos lá.
Enquanto McQuinn trabalha para conseguir nosso mandado pró-forma, temos que nos
preparar para a invasão. Tory, você e Jeff conseguem hackear a agenda do
senador para saber quais dias ele estaria longe de Washington? Acho arriscado
montarmos a operação com ele na cidade.
- Checo isso
sem problemas – disse Tory.
- A que horas
você imagina invadir a casa do senador? – perguntou Castle.
- De
madrugada. Por volta de uma da manhã – ela respondeu – não podemos levantar
suspeitas, a noite todos os gatos são pardos. Também não podemos arriscar de
levar uma equipe grande. No mínimo três pessoas e por causa disso – virou-se
para Jeff – você terá que me ensinar o passo a passo para usar as ferramentas
corretas e entrar no sistema.
- Espera, três
pessoas? – perguntou Nadine – então quem vai ser o sortudo que acompanhará você
e Castle?
-
Provavelmente alguém que domine a tecnologia no computador caso eu não garanta
conseguir acessar o sistema. Pode ser McQuinn ou Tory, desculpe Jeff não vou
arriscar sua vida nessa caçada, você não é policial.
- Kate,
podemos fazer melhor – disse Tory – mesmo levando um especialista em
informática podemos preparar equipamentos que possibilitam a sua comunicação
com Jeff. Tem ferramentas para isso. Jeff poderá ficar ligado a você e observar
através de uma câmera tudo o que está fazendo. O FBI consegue isso facilmente.
- Bem
lembrado, Tory. Vou pedir a McQuinn – anotou no quadro como uma ação – além
disso, precisamos de todos os detalhes sobre a casa do senador. Pode levantar a
planta para nós? – perguntou escrevendo no quadro onde uma espécie de check
list se formava. Discutiram outros pontos relevantes – uma vez dentro da casa
do senador, teremos quer ser rápidos e forçar naquilo que nos interessa.
Invadimos o computador principal, procuramos os arquivos por nome, gravo no
pendrive e damos o fora.
- Você falando
parece bem objetivo e rápido, mas quanto tempo realmente ficarão no local? –
perguntou Nadine.
- Jeff, quanto
tempo você acha? – perguntou Kate.
- Com uma boa
internet e considerando que o equipamento é muito bom, diria que umas duas
horas no máximo. É preciso fazer alguns testes. Posso dizer que esse tempo
tende a ser menor porque quando você estiver frente a frente com o computador,
bastará rodar o programa para encontrar a senha, depois trata-se apenas de
garimpar os lugares certos para os documentos. Ah, tem mais um detalhe: sugiro
você avaliar os arquivos que encontrei além dos outros que eu possa ter
descartado, afinal você conhece muto das possíveis falcatruas do senador, pode
perceber outros detalhes que passaram por mim.
- E qual sua
ideia para que eu veja os outros arquivos?
- Posso
instalar os programas no seu notebook e deixar você apta para fuçar os arquivos
embora eu ache um pouco arriscado. Quanto menos IP’s logados na rede de Bracken
melhor, mesmo com a proteção invisível. Minha sugestão é que use o meu. Posso
deixa-lo com vocês. Qualquer outra pesquisa ou trabalho que tenha que fazer
posso usar outra máquina.
- Ótimo, eu
agradeço – disse Kate. Distribuíram tarefas, dicutiram outros detalhes como a
função de Nadine para preparar a reportagem que deveria ir ao ar assim que Kate
desse a ela o sinal para cobrir a prisão do senador. O local onde Kate
imaginava prende-lo era o Capitólio, claro que tudo isso aconteceria após a
avaliação do material resgatado na invasão. Encerraram a reunião depois das
onze da manhã, com tarefas para todos e a ansiedade pelo retorno de McQuinn com
o mandado.
Sozinhos
novamente, Castle compreendia o quanto essa agitação injetava uma nova energia
nas veias da amada. Kate estava movida a adrenalina nesse instante. A revelação
de Jeff e Nadine poderia ter gerado brigas, insatisfações, porém acabou
trazendo um novo caminho para uma guerra já tida como esquecida. Uma nova
perspectiva. Ele aproximou-se a abraçando por trás.
- As nossas
vidas vão ficar agitadas nos próximos dias, não amor?
- Sim, você já
reparou que os perigos parecem sempre buscar a nós dois mesmo quando não queremos?
– ele sorriu beijando-lhe o ombro – eu sinto muito por isso, Castle. Aposto que
você acreditou que por uma vez na vida poderíamos viver um período normal,
criar nosso filho, fazer o trabalho rotineiro.
- Kate, até
parece que você não me conhece. Normal é chato. Eu sou escritor não um
contador. Gosto da adrenalina tanto quanto você. É verdade que se pudermos
evitar sermos mortos, eu agradeço. Mas, estou acostumado a tudo isso, me casei
com a melhor detetive da NYPD, desculpe tenente. Se você desistisse, então
ficaria preocupado. Um dia, terei o prazer de contar nossas aventuras a Alex –
ele a virou de frente para fita-la – eu acredito que conseguiremos pega-lo,
iremos fazer justiça.
- Eu também,
ainda assim não posso dizer que estou completamente confortável com tudo. Eu
preferia que você não viesse comigo para Washington, ou melhor, não gostaria de
vê-lo arriscar-se na invasão. É apenas um desejo íntimo, para protegê-lo, porque, no fundo, sempre enfrentamos tudo
juntos.
- Pelo menos
você sabe que não irei concordar em deixa-la sozinha – beijou-o rapidamente nos
lábios.
- Vem, quero
checar Alex antes de irmos para a cama.
No dia
seguinte, eles foram trabalhar no distrito continuando a investigação do caso
que começaram ontem. Castle e Beckett procuravam não pensar muito sobre o que
realmente queriam estar fazendo. Já haviam combinado que hoje iriam avaliar
juntos os arquivos encontrados por Jeff. Como Kate imaginara, Gates não fez
qualquer menção sobre o contato do FBI. Sinal de que McQuinn ainda não
conseguira o que precisavam.
À noite, após
dar o jantar de Alex, eles se sentaram no escritório de Castle com o notebook
de Jeff e uma pizza para ler os arquivos que supostamente poderiam ajudar no
caso contra o senador. Kate elencou além do ano anterior ao de morte de sua
mãe, mais dois onde sua própria vida se interceptou com criminosos que
trabalharam para Bracken. Ela seguiu a sequencia de Jeff e identificou vários
documentos complementares aos que já haviam sido identificados por Jeff.
Menções a Dick Coonan, Reaglan e ao próprio Maddoxx. Castle identificou um
documento no qual era mencionado as rotas dos navios que traziam as cargas
contrabandeadas pelas empresas de Chicago e do Alabama ligadas ao caso Denver.
Era mais um arquivo a entrar na lista dos copiados.
Apesar de
muitas informações, Kate ainda estava desconfortável por perceber que nenhum
deles estava realmente conectado ao caso do assassinato de sua mãe. Os arquivos
mencionavam ordens para matar, infiltramento de pessoas sem ligações com a sua
organização. Intrusos que demonstravam pouco perigo quando se podia apaga-los.
O nome de sua mãe não aparecia em arquivos. Isso a incomodava. Queria ter uma
prova concreta para pega-lo de jeito.
Quando se
deitaram naquela noite, Castle percebeu a insatisfação dela. Tentando agrada-la
com carinhos, ele acabou percebendo que Kate não estava no clima.
- O que foi,
amor? Deveria estar empolgada com tudo que descobrimos hoje e vejo esse olhar
preocupado, como se algo faltasse, incomodasse. Estamos tão perto, mas a
sensação não lhe contagiou. Diga o que se passa na sua mente.
- Sei que as
coisas estão caminhando muito bem. Estamos perto de fazer justiça, porém
nenhuma dessas provas mostra o envolvimento do senador no assassinato da minha mãe.
Como uma pessoa representante da lei, devo me preocupar em montar o melhor caso
possível para prendê-lo fazendo-o pagar por todas as vidas e famílias que ele
arruinou, contudo outra parte de mim está estremecida e incomodada no âmbito
pessoal.
- Eu posso
entender parte da sua frustração, Kate. Sempre achei que quando chegássemos a
esse momento de prender Bracken, seria principalmente pela morte de sua mãe.
Estou há muito tempo envolvido nessa historia para não querer o mesmo. Esse foi
o motivo pelo qual comecei a mexer nesse caso, porque apoiei suas
investigações. Para dar o final merecido ao caso que a persegue desde a sua
entrada na polícia. Não pense que estou satisfeito com o rumo também. Queria
poder encontrar algo irrefutável sobre a morte de sua mãe, mas depois de
revirar todas as nossas anotações, cadernos e diários de Johanna, sinceramente
não sei o que mais poderia fazer.
- Eu sei que
você está pensando o mesmo que eu, onde está a pista que prova tudo isso? Não
consigo parar de pensar que a resposta está ligada aquela canção.
- La Mer... –
disse Castle.
- Sim, eu
sinto. Meu instinto quer me dizer alguma coisa que ainda não entendi.
- Talvez se
você desligar sua mente, possa lembrar. Quando estamos focados demais em algo,
acabamos comprometendo nossa mente, o modo de pensar. Tente não pensar sobre
isso, dedique-se a ajudar McQuinn e à operação. Uma nova perspectiva pode ser a
resposta capaz de fazê-la encontrar o caminho correto para entender o que essa
canção representa – ela inclinou-se sobre o corpo dele beijando-lhe os lábios.
- Obrigada.
Você sempre encontra uma forma de me acalmar.
Dois dias
depois...
Beckett estava
na sala de interrogatório questionando o principal suspeito do assassinato que
investigavam. Castle observava através do vidro ela e Esposito arrancarem os
detalhes do crime e uma confissão quando Tory ficou ao seu lado.
- Bom que
esteja aqui sozinho. Consegui acessar a agenda do senador. Acredito que
encontrei a janela de tempo perfeita para a operação. Precisamos avisar McQuinn
para que ele aja rápido com esse mandado.
- Vou falar
com a Kate. Vá para o loft depois do expediente. Por sorte, iremos encerrar
esse caso em poucos minutos. Podemos ganhar muito tempo se esse mandado sair
logo.
- Tudo bem,
estarei lá.
Conforme
Castle previra, o suspeito fora fichado, o caso encerrado e a família
comunicada em um intervalo de apenas duas horas. Assim que ficou a sós com
Kate, contou a novidade de Tory. Quando estavam de saída para sua próxima
reunião no loft, Gates chama a tenente em sua sala.
- Pois não,
senhora.
- Sente-se,
Beckett – obedeceu à capitã como quem não sabe de nada, contudo já imaginando o
assunto – há meia hora atrás, fui contactada pelo FBI. Agente McQuinn para ser
mais exata. Ele me contou que a investigação do assassinato de Collins abriu um
outro caminho que o ligou ao ex-senador Denver e ao senador Bracken. Como você
é uma especialista no assunto Denver, pediu minha permissão para envia-la a
Washington a fim de trabalhar com o FBI nesse caso – vendo que Beckett a ouvia
atentamente sem emitir uma reação sequer, continuou - Eu disse que precisaria
conversar com você, saber como estava de trabalho. A verdade é que disse a
McQuiin que a liberaria, mas essa é a minha opinião, já a sua...
- Capitã,
eu...
- Não, Beckett
espere. Deixe-me terminar. Tenente eu não quero força-la a fazer nada contra
sua vontade. O caso Denver foi muito importante para sua carreira, porém também
trouxe momentos bem amargos e difíceis. Sofreu tendo que lidar com bandidos
cruéis que não abriram mão de persegui-la e quase mata-la. Além do que fizeram
com o seu marido. Eu entenderei completamente se você optar por não aceitar a
missão. Mesmo o agente tendo pedido exclusivamente por você, respeitarei sua
decisão.
- Obrigada,
Capitã Gates. Eu aprecio sua posição com relação a esse problema, a minha vida
pessoal. Nesse caso, porém, eu estaria sendo negligente com a justiça e com o
que jurei defender se me abstivesse de ajuda-lo nessa hora.
- Admiro sua
atitude, Lieutenant. Se essa é a sua decisão, está autorizada a se apresentar
em Washington amanhã na sede do FBI. Delege seus casos abertos para Ryan e
Esposito. Apenas peço que retorne a New York tão logo termine de investigar o
caso do Bureau. Preciso de você aqui.
- Sim,
senhora. Muito obrigada pela consideração.
- Por nada,
você é minha melhor detetive. Não posso deixar de apoia-la quando você
precisar. Boa sorte em DC e se você precisar de ajuda, basta me contactar.
- Ótimo! Boa
noite, senhora.
Castle estava
aguardando na minicopa com uma caneca de café na mão. Ao ver o semblante da
esposa um pouco mais relaxado, suspirou. Queria vê-la bem.
- Então?
- Hora de ir
para casa. Temos que nos arrumar para ir a Washington.
- Bom saber
porque acredito que teremos muitas informações para colocar nosso plano em
ação. Vamos, o pessoal deve estar chegando lá em casa.
Loft dos
Castle
Kate chegou
indo direto para o quarto de Alex. Aproveitou enquanto colocava-o para comer
para conversar com Amy. Precisaria da sua dedicação esse tempo que estava em
Washington. Ela animou-se por ver que tudo estava caminhando como deveria.
Castle abriu a
porta para Jeff e Nadine que chegaram primeiro. O geek correu para o notebook a
fim de mostrar o que conseguira da casa de Bracken. Quando Kate saiu do quarto
onde deixara Alex dormindo acompanhando Amy até a porta, cumprimentou os amigos
por alto vendo que estavam bem entrosados nos trabalhos. Mal fechara a porta
após a saída da babá, a campainha tocou novamente. Tory.
- Desculpe o
atraso. Tive que passar na loja de informática e acabei perdendo o metro. Jeff,
você está bem à vontade com o notebook de Castle... aqui – jogou uma sacola
para ele – veja se é isso que queria. Oi, Nadine!
- Sente-se
Tory. Estou colocando alguns aperitivos nas tigelas e já começamos. Kate, pode
me ajudar a levar as coisas para a mesa?
Em quinze
minutos, estavam todos sentados na sala saboreando petiscos e prestando atenção
em Kate de pé perto do monitor.
- Vamos lá. A
capitã Gates chamou para comunicar a solicitação de McQuinn como já havíamos
previsto. Portanto, amanhã eu e Castle estamos indo para Washington encontrar
com ele na sede do FBI. Precisamos de algumas informações – Tory ergueu a mão
pedindo permissão para falar – diga, Tory.
- Consegui
acesso à agenda do senador, temos a época perfeita para colocar o plano em
prática. Na próxima semana, o senador estará aqui mesmo em Manhattan por três
dias. Seria a hora perfeita para fazermos a visitinha, desde que McQuinn
consiga o mandado assinado.
- Hum, bem
interessante Tory. Acredito que conseguiremos o mandado. Ele tem pelo menos
mais cinco dias antes de irmos até a casa do senador. E quanto ao local? É esse
o arquivo, Jeff? – ele anuiu com a cabeça – certo, vejo dois pisos. Aqui é a
entrada principal. Esse lugar marcado é a sala onde estão os computadores?
- Exato – ele
se levantou ficando próximo ao monitor onde a planta estava aberta –
basicamente, o primeiro obstáculo que vocês irão se deparar, é a senha do
portão. Para isso, vocês irão usar um decodificar portátil que McQuinn conhece
muito bem. Ele não terá problema em liberar a entrada de vocês. O equipamento,
esse que pedia a Tory comprar, já estará com o código padrão do sistema do
senador. Depois, sigam pelo quintal e novamente usem o aparelho para fechar a
porta principal. Somente depois da senha é que poderão arrombar a fechadura
como policiais fazem.
- É garantido?
Podemos usar o equipamento sem medo? – perguntou Castle.
- Sim. sem
problemas tem a mesma estrutura do software. A sala onde o computador está fica
no térreo à esquerda. Sigam para lá diretamente. Então, se tivermos a câmera
posso ajuda-los lá dentro, se não, McQuinn sabe o que fazer desde que
conversemos um pouco sobre isso.
- Por esse
motivo, iremos com vocês para Washington – disse Nadine – podemos não
participar diretamente da caçada e da invasão, mas estaremos lá. Vou gravar
algumas reportagens que planejei para irem ao ar no decorrer do mês para
preencher parte do meu horário no jornal das nove. Vou conversar com o meu
chefe para trabalhar da filial de Washington. Nem precisam se preocupar. Não
falarei nada sobre o caso, apenas direi que estou trabalhando em uma matéria
importante que pode ser um grande furo para a emissora.
- Certo. Eu e
Castle sairemos daqui pela manhã. Devemos ficar em um hotel indicado pelo FBI.
McQuinn passou as informações para meu email. Vou retransmiti-las para vocês.
Então, encerramos por hoje. Agora é correr atrás de colocar o senador atrás das
grades.
- Vamos
conseguir – disse Jeff – você terá sua justiça, Kate. Assim como eu e Nad.
- Lutarei por
isso.
Castle
acompanhou todos até a saída. Kate organizava as últimas informações que levariam
para discutir com McQuinn. Em seguida, ela dedicou-se a arrumar os documentos,
equipamentos, arquivos para depois fazer a mala de ambos. Foram dormir mais de
duas horas da manhã. Ao acordar, Kate parecia bem animada. Com carinho, ela
enroscou-se no corpo de Castle para gentilmente toca-lo enchendo-o de
beijinhos. Logo ele despertou puxando-a para si engajando-os numa dança própria
do casal. O contato de pele sobre pele fazia o corpo de Kate estremecer. As
poucas roupas que usavam perderam-se no chão ficando apenas o lençol sobre o
colchão. Sentada sobre o membro dele, movia-se com destreza instigando o prazer
pulsando pelas veias. Castle acariciava seus seios acabando por sentar-se na
cama devorando-lhe os mamilos. Em minutos, atingiram o clímax tremendo ao sabor
do orgasmo.
Meia hora
depois, Kate seguia para o banheiro extremamente satisfeita, pronta para
encarar os próximos dias quando somente a vitória interessa. Após o café, ela
passou um bom tempo com o filho nos braços até sentir que ficaria tudo bem. Seguiram
para a capital do país de carro. A viagem durou um pouco mais de quatro horas.
Castle estacionou na frente do hotel onde se hospedaram e logo após
instalarem-se, decidiram almoçar antes de aparecer no bureau.
Ao entrar
novamente pelas portas do J.Edgar Hoover, Kate sentiu um excitamento por estar
pisando ali. Tinha plena consciência de que poderia estar trabalhando naquele
lugar, liderando equipes e quem sabe até tornar-se uma diretora assistente se
quisesse. Competência possuía, desejo? Nem tanto. Entretanto, a principal razão
porque não estava ali era sua família. Por causa da ameaça de Bracken e a saúde
de Castle, ela fez sua escolha. Hoje tinha certeza. Não mudaria. Seu lugar
sempre fora na NYPD e se tivesse que crescer, seria ali. Castle estava ao seu lado,
observando-a.
- No que está
pensando? Sente saudades?
- Não, o
contrário. Ao entrar aqui, vejo que estou no lugar certo. Vamos, precisamos nos
identificar – Beckett se apresentou à recepção mostrando seu distintivo,
falando o motivo da visita e mencionando que Castle estava com ela. O guarda
fez a ligação para McQuinn que em menos de dois minutos já liberava os dois
passando pela revista, examinando a arma de Beckett e os materiais que traziam
nas pastas e mochilas. Satisfeito, deixou-os pegar o elevador rumo ao terceiro
andar. McQuinn já os esperava na frente do elevador a fim de evitar que os
amigos passassem por alguma situação constrangedora. Mesmo sendo uma ex-agente,
as pessoas ali no Bureau podiam ser bem antipáticas e arrogantes.
- Hey, Lieutenant
Beckett! Seja bem-vinda a divisão de crimes da procuradoria. Não houve muita
mudança por aqui. Preciso fazer uma pergunta antes de seguirmos direto para os
nossos afazeres. Villante está por aqui, quer falar com ele?
- Não que
tenha algo contra o seu chefe, mas podendo evitar. Sinceramente? Não estou
muito a fim de cruzar com ele, apenas se não tiver opção.
- Ótimo! Foi o
que imaginei. Então, já estou preparado para isso. Vamos entrar no elevador
novamente. Tenho uma sala de conferências reservada somente para nós no quinto
andar. Todos os meus dados e arquivos já estão por lá. Jeff me ligou ontem à
tarde. Disse que está disponível para mostrar como ele trabalhou para acessar o
software, além de insistir no uso de câmeras. Você não está pensando em leva-lo
para a operação, está? – ele abriu a porta da sala dando passagem aos dois –
entrem e me ponham a par de tudo – Beckett observou até o instante que as
portas estavam fechadas e o técnico ligou o sistema do FBI enchendo a tela em
tamanho de 80 polegadas com o caso que montara.
- Não.
Discutimos bastante e montamos uma estratégia para que a operação seja bem sucedida.
Temos informações para compartilhar com você. Não podemos arriscar e levar
muita gente, seremos eu, você e Castle – ela apontou para o marido – por razões
óbvias, ele é meu parceiro e não aceitaria ficar de fora. Contudo, o Jeff pode
ser de extrema valia para nós. É a pessoa que mais conhece o software que
protege e comanda a casa do senador. A ideia da câmera veio de Tory. Ela tem
razão, caso tenhamos problemas em decifrar algo, seria muito bom tê-lo por
perto.
- Eu concordo
com a decisão de Kate em manter Jeff através das câmeras. Tanto que ele e
Nadine estarão aqui amanhã – comentou Castle – você tem alguma novidade sobre o
mandado?
- Sim, falei
com o juiz Taylor essa manhã e segundo informações deveremos ter o documento
até o final do dia.
- Isso que é
uma boa notícia – exclamou Kate – deixe-me dividir com você o que imaginamos
para essa operação – durante os próximos trinta minutos, Beckett dissertou
sobre tudo o que discutiram, montaram e programaram pensando na invasão a casa
de Bracken. Colocou preocupações, cuidados e todos os equipamentos que
precisariam levar para o local, todos cedidos pelo FBI, claro.
McQuinn também
mostrou o caso que montara até ali e durante o resto do dia, os três
incrementaram o dossiê sobre o senador. O agente fez um requerimento para
conseguir todos os equipamentos necessários e passou uma boa parte da tarde
verificando os programas que Jeff colocara no notebook que emprestara a Kate,
se familiarizando com as linguagens e as interfaces. Concluiu que precisaria
trocar algumas ideias com o hacker para não ter problemas ao operar o
equipamento de Bracken permitindo o resgate de arquivos poderosos contra o senador.
À noite,
McQuinn levou-os para jantar em um restaurante tailandês famoso de Washington e
por algumas horas, eles se esqueceram do caso, aproveitando um momento de
descontração entre amigos. Mais tarde no hotel, ela falara por facetime com
Martha para ter notícias do filho. Já vestindo o pijama deitando-se ao lado de
Castle na cama, ela pegou o diário da mãe que deixara na cabeceira. Sim, Kate
trouxera um deles em sua companhia. Justamente aquele que tinha a letra da
canção “La Mer”. De alguma forma, sentia-se conectada a esse mais que aos
outros.
Assim que
escorou suas costas na cabeceira da cama, Castle acariciou suas pernas
beijando-lhe o rosto. Kate abriu o diário folheando calmamente as páginas em
busca de algo que pudesse ter deixado escapar. Ele sabia que a lembrança por
trás da canção a estava consumindo. Agia da mesma maneira quando alguma coisa
não se encaixava, fazia questão de buscar o verdadeiro sentido para o que a
incomodava.
- Foi um dia
proveitoso, não? McQuinn estava bem adiantado no dossiê e ficou satisfeito com
a nossa estratégia. Você acredita que ele pode realmente quebrar todas as
barreiras que precisamos para acessar a casa e computador central do senador?
- Acredito que
sim, ele é muito esperto e bem preparado. Nós só conseguimos chegar às provas
do caso Denver por causa dele. Só precisa conversar um pouco com Jeff. Mesmo
assim, Jeff estará conosco através da câmera. Estou confiante. E com o mandado
em mãos, torna-se bem mais fácil. Estamos amparados por lei.
- Sim, isso me
deixa mais tranquilo. Apenas um pouco. Mexer com o senador, apesar de todas as
precauções, é sempre arriscado – ele puxou o diário com cuidado das mãos dela
fechando-o – vamos dormir, Kate. Precisa descansar. Espero poder passear um
pouco pela cidade para nos sentirmos relaxados antes de começar essa operação.
- Relaxar?
Temos que ficar concentrados, Castle. Estamos falando de uma operação pesada e
arriscada feita na madrugada. Não estamos em Washington para fazer turismo.
- Eu sei
disso, mas não quero que você fique pilhada. Iremos nos concentrar no domingo
quando estaremos todos juntos, faremos teste e acertaremos os detalhes para
invadir a casa do senador na madrugada de terça para quarta. Amanhã iremos ao
Washington Mall, passearemos pelo Smithsonian e almoçaremos em um bom
restaurante. Na parte da tarde poderemos nos dedicar ao caso, pois Nadine e
Jeff já estarão na cidade.
Kate desligou
o abajur da sua cabeceira e aconchegou-se ao peito dele fechando os olhos em
busca de descanso.
Meio a
contragosto, Kate acabou aceitando o convite de Castle para um pequeno passeio
pela cidade. O resultado foi bastante adequado. Ela conseguiu se divertir e
esqueceu por um minuto que dali a um par de dias estaria realizando a missão
mais importante da sua carreira.
Nadine e Jeff
chegaram a Washington por volta de duas da tarde. Hospedaram-se no mesmo hotel
onde Castle e Beckett estavam apenas por uma questão de logística. Facilitar o
contato e sua locomoção durante aqueles dias. Ao retornarem do almoço tardio,
Castle recebeu o aviso na recepção que a Srta. Furst procurara por eles e
pedira para entrarem em contato assim que retornassem dando-lhes o número da
suíte onde estava.
Ao entrarem no
quarto, Castle pegou o telefone para chama-los. No mesmo instante, o celular de
Kate tocou. Tory.
- Hey, Kate!
Como está Washington? McQuinn está tratando vocês bem?
- Oi, Tory.
Por enquanto, tudo bem. Já temos o mandado.
- Excelente.
Também tenho uma ótima notícia para vocês, o senador acaba de entrar no salão
de embarque do aeroporto de Dulles, au revoir DC, olá New York. O que
significa, barra limpa. Resolvi monitora-lo usando as câmeras através de um
programa de reconhecimento facial. Até que foi fácil. A segurança do aeroporto
é boa, mas com os programas que temos passei pelas barreiras após uma certa
dedicação. A previsão é ficar na cidade até quinta pela agenda.
- Bom saber
disso, obrigada Tory e fique atenta, podemos precisar de você.
- É só ligar,
Kate – ela desligou esperando Castle sair do telefone.
- O senador
está a caminho de Manhattan. Temos a área livre para trabalhar. O que Nadine queria?
Está ansiosa, não? Parece que é de cinco meses.
- Disse que
vão descansar até as cinco. Jeff já ligou para McQuinn marcando o encontro para
amanhã às dez horas no lobby do hotel. Seguiremos para o bureau daqui. Nadine
deve ir à redação na segunda gravar sua participação nos jornais. Segundo as
previsões de Jeff, estaremos de volta ao hotel antes das sete da noite. E você
não pensou que ia escapar de sair com os dois, certo? Nadine não perderia a
oportunidade por nada.
- É, eu
imaginei. Pelo menos temos uma folga. Vou ligar para casa, quero falar com
Alex.
O domingo como
ela própria previra foi bastante proveitoso. McQuinn já tinha a sua disposição
todos os instrumentos necessários para a operação. Jeff conseguiu passar todos
os detalhes e dicas para o agente além de testarem a câmera que funcionou
perfeitamente. Como um verdadeiro professor, munido de um guia que ele mesmo
criara, o hacker transmitiu todos os conhecimentos e comandos importantes para
McQuinn. Kate não tinha noção de quanto Jeff era detalhista até vê-lo obrigar o
agente a refazer passo a passo a invasão do sistema pelo menos duas vezes.
Diante do que presenciara, ela podia dizer que estava segura do sucesso da
operação.
Madrugada de
terça para quarta – 1am
O carro de
McQuinn, uma SUV, estacionara na esquina da casa do senador. Ele estava
acompanhado por um outro agente. Castle vinha logo atrás com um Ford Taurus
cinza alugado pelo Bureau. Estacionou na outra esquina. Jeff estava em seu
quarto de hotel, acompanhando pelas câmeras que McQuinn e Beckett carregavam. Nadine
estava ao seu lado quase roendo as unhas de tanta ansiedade.
Todos vestiam
coletes à prova de balas, melhor prevenir do que enfrentar os prejuízos depois.
Beckett respirou fundo ao olhar para o portão da mansão do senador. Em poucas
horas, ela poderia estar longe dali com todos os arquivos necessários e esperar
por ele aparecer no Capitólio na quinta para uma verdadeira surpresa.
Com o
decodificador em mãos, McQuinn o aplicou contra a caixa de comando que pedia a
senha para o portão. Em cinco minutos, a senha verdadeira aparecera no visor.
Ele digitou os números e o portão se abriu.
Castle e Beckett
trocaram um olhar encontrando a confiança que já os guiara tantas vezes. As mãos
buscaram uma a outra, entrelaçando-se. Um imperceptível aceno de cabeça a fez
dar o próximo passo.
Cuidadosamente,
eles adentraram o quintal da casa de Bracken rumo à entrada principal.
Novamente, o agente repetiu o gesto para desvendar o código de segurança. Um
novo número surgiu na tela, Kate foi quem digitou dessa vez. Ao ver a luz verde
indicar que o acesso era permitido, ela quebrou a fechadura. Antes, porém, ela
retirou sua arma backup e entregou a Castle. Era uma questão de precaução.
Trocando um olhar com ele e o agente, acabou entrando na casa.
Seguindo o
mapa da planta em mãos, dirigiu-se a passos largos para a esquerda encontrando
o cômodo onde estava localizado o computador principal e o servidor do software
idealizado por Bracken. McQuinn sentou-se de frente para o monitor e ligou a
unidade. Rapidamente uma tela apareceu pedindo senha. Enfiando um pendrive na
entrada USB na torre da CPU, ele rodou o programa em busca da senha de seis
dígitos. A primeira etapa fora quebrada em meia hora, em seguida um novo
firewall específico esperava por eles. Seguindo religiosamente os passos de
Jeff, ele entrou finalmente no computador.
McQuinn
levantou-se dando lugar a Beckett. Ela colocou um outro pendrive no equipamento
e abriu a interface dos arquivos. Com a lista de documentos gravados em sua
memória, ela saiu vasculhando o arquivo nome a nome. Copiando-os com cuidado
para a unidade de memória que dispunha. O processo era um pouco lento devido ao
esquema e a arquitetura concebida pelo próprio sistema.
Enquanto Kate focava
na cópia dos arquivos, Castle bisbilhotava as estantes do escritório do
senador. Felizmente ou infelizmente, não havia nada suspeito naquelas
prateleiras cheias de livros que despertasse a curiosidade dele. Jeff
acompanhava o passo a passo da tenente dando toques para tornar o serviço mais
rápido. McQuinn checou o relógio, quase três da manhã. Pelas contas de Kate
faltavam apenas dois arquivos dos que considerava primordiais para serem
copiados. Aproveitando que estava ali, ela havia selecionado dois anos
específicos da carreira do senador para copiar a fim de examina-los depois,
apenas esperava que tivesse espaço suficiente no dispositivo.
O computador
emitiu um som indicando que a gravação estava completa. O agente levantou-se
para checar a entrada da casa, iria colocar um lacre na porta. Deixaria o
indício de arrombamento e um documento legal do FBI. Levou os equipamentos para
o carro e chamou por Kate através do rádio.
- Onde vocês
estão? Precisamos ir não há nada que nos interesse mais aí. Saiam logo!
- Já estamos
de saída. Pode ir – respondeu Kate. Ela e Castle mesmo após terem terminado,
estavam bisbilhotando a casa. Kate pendurara o pendrive no cordão que usava
protegido dentro das roupas, por baixo do colete. Por ser uma operação padrão
do FBI, não podiam se recusar a usar colete. McQuinn os obrigara e Kate acabou
por concordar que era uma proteção a mais para o dispositivo que carregava.
Eles saíram da casa já caminhando para o portão, então foram surpreendidos.
Nada menos que o senador em pessoa. A sombra no escuro fez Kate congelar e
alcançar a mão de Castle num instinto puramente protetor colocando-se à frente
do marido em um instinto puro de uma boa policial.
- O que você
está fazendo aqui? Isso é invasão de domicílio!
- Não se eu
tiver um mandado – ela apontou para um pedaço de papel preso em um dos bolsos
do colete – com esse documento posso vascular essa casa de cabo a rabo sem que
você me impeça, não quero fazer isso agora.
- O que você
fez, tenente? Por que está aqui? Não estou acostumado a visitas indesejadas às
quatro da manhã.
- Chegamos
cedo? Desculpe, podemos voltar outra hora – ela provocava e também percebera
que o senador estava sozinho. Não havia nenhum guarda-costas com ele. Isso
facilitava na hora de um possível embate.
- Você está
debochando da minha cara? Esqueceu que sou uma autoridade e que você apenas
está viva porque eu quis assim?
- Por que você
quis? Não sabia que você era Deus. Parece que não anda fazendo um bom trabalho.
Suas últimas tentativas de poder fracassaram, não? Castle está vivo, Nadine
está viva, ou você pensou por um instante que eu não saberia do seu
envolvimento em tudo isso? Não estou aqui numa caçada pessoal, o FBI me chamou.
Vá em frente! Pode checar com o meu distrito, direto com a minha Capitã ou com
algum de seus informantes, o que achar mais conveniente. Ao contrário de você,
que parece estar sempre me rondando como uma espécie de obsessão, estou
trabalhando pela justiça. Ameaças não funcionarão dessa vez, o Bureau federal
quer explicações suas. Volto em outra hora, alguma que você considere oficial.
Bracken avança
na direção de Beckett, mas Castle o interrompe. Ele o empurra fazendo o senador
tintubear. Quando Bracken veio com a mão pronta para acertar o rosto dele,
revidou dando um murro na cara do senador.
- Corre, Kate!
– ela permanece parada vendo a luta entre os dois. Ambos se desvencilhavam das
tentativas de socos e pontapés enquanto seguravam em seus paletós – Corre que eu
te alcanço. Vai para o carro – percebeu que ela sacara a arma e estava mirando
na direção deles, esperando o momento de atirar. Na distração, Castle leva um
soco que corta-lhe os lábios com o anel usado pelo senador, porém conseguiu dar-lhe
uma rasteira fazendo-o cair. Saiu correndo puxando Kate consigo. Ela ainda
segurava a arma, pronta para atirar no seu inimigo.
- Nem pense
nisso, ele não vale a pena.
Castle estava
no banco do passageiro, mandava Kate acelerar. A câmera registrara o momento da
discussão e da briga, seria mais munição para o processo. É claro que eles não
sabiam disso. Jeff percebeu o que acontecera e acionou o botão para gravar.
Contaria mais tarde para eles. Kate entregou o rádio para Castle a fim de se
concentrar na direção. Viu que o senador entrara no seu carro e já os seguia.
- McQuinn, o
senador apareceu. Ele está nos seguindo – disse Castle – ele está atrás de nós.
Cuidado com a direção – alertou para Kate – ele largou o rádio se segurando
como podia – pelo menos você não atirou nele. Quando a vi segurando a arma, me
desconcentrei. Por isso ele me atingiu.
- Você está
bem, babe? – ela disse olhando rapidamente para o rosto marcado por sangue e
uma superfície levemente roxeada.
- Sim, nada
que um analgésico não cure. Ele está emparelhando conosco. O que será que ele
quer?
A primeira batida foi na lateral próximo à traseira
do carro. Kate segurou bem o veículo e acelerou mais um pouco para se livrar
dele. Bracken não desistiu. Começou então uma perseguição pelas ruas de
Washington em plena madrugada. Castle ouviu alguém chamar pelo rádio, mas nem
cogitava a possibilidade de procura-lo no chão do carro. Kate andava em zigzag
desviando de carros estacionados na calçada, fazia o possível para manter a
distância do senador, porém estava ficando bem difícil. Uma nova batida
proposital atingiu o carro. E mais outra. Os braços de Kate lutavam para não
perder a direção.
- Qual é a
desse cara? – perguntou Castle assustado.
- Ele quer nos
matar, Castle. Eu não estou aguentando mais. Meus braços doem – uma nova
pancada fez o carro derrapar para o lado forçando Kate a puxar toda a direção
para o lado oposto a fim de não bater no meio fio. Virando rapidamente à
esquerda, Kate pensou ter enganado o senador por não ver seu carro fazer a
mesma manobra. Fora somente impressão. Entravam agora em numa parte estreita da
estrada. Uma curva perigosa até encontrar a autoestrada principal. A aproximação
do senador era iminente. O carro que ela dirigia deu um solavanco a ser
atingido na traseira. Ela segurou a direção bravamente.
Entendeu o que
queria fazer. Bracken estava tentando tira-la da estrada. Jogou o carro
novamente sobre o dela levando Kate para próximo do vidro quase fazendo-a bater
a cabeça. Engoliu em seco. Seu algoz partira para o tudo ou nada.
- Acho que
irritamos o senador de verdade – comentou Castle.
- Ele não vai
conseguir isso tão facilmente – exclamou ela – segure-se, Castle.
Ela pressentiu
que um novo ataque se aproximava, quando o carro do senador tocou em cheio a
sua lateral, Kate freou. O movimento brusco fez o senador perder o controle
capotando o carro. Não sem voltar a atingi-la o que levou Kate a bater no meio
fio e rodar acertando em cheio a traseira do carro de Bracken com o lado do
motorista. O impacto fez o vidro lateral se espatifar sobre ela. A mão
ensanguentada apertou a de Castle.
Ele olhava
apavorado para o rosto machucado e os pedaços de vidro que penetraram a pele de
Kate. Com a voz fraca, pediu a ele.
- Ligue para a emergência... p-preciso
dele...vi-vooo.... – a dor no ombro fazia a cabeça de Kate latejar. Castle
olhou apreensivo para onde o senador estava. Imóvel, permanecia dentro do
veículo. Castle arregalou os olhos, o carro de Bracken começava a pegar fogo.
Continua....
Um comentário:
Oi? O.O
Que cap foi esse,a coisa ta feia And Noé???
Pelo menos Alex ta bem,quero justiça!!!
Vamos para o próximo e tbm quero o desgraçado vivo
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