quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

[Castle Fic] There's Always Tomorrow - Cap.35


Nota da Autora: Era para ser o último, ainda não! Esse é o penúltimo capítulo da fic. Ficou grande, por isso acabei decidindo por um novo capítulo. Essa vai deixar saudades para mim como escritora. Boas emoções para vocês. Espero que gostem e esperem pelo capítulo final. Aproveitem e comentem, ok? Enjoy! 

O blogger de brincadeira de novo , LOL. La Mer, aqui citada não me pertence. Apenas para fins de diversão. 

Atenção...NC17! 


Cap. 35


Segundos preciosos. Pequenas frações de tempo capazes de mudar vidas. Castle tinha esta missão exatamente nesse momento. A vida de um monstro em suas mãos. Seria tão fácil adiar a ligação para a emergência, tão simples deixa-lo queimar entre as ferragens do carro... e totalmente errado. Não fora assim que aprendera a fazer justiça. Kate Beckett, sua esposa, jamais aprovaria isso. Com o celular em mãos, ele discou para o 911. Assim que terminou de reportar o ocorrido, ele correu para tirar a esposa do carro. Cuidadosamente, carregou-a ouvindo os gemidos de Kate.

Em menos de três minutos, ambulâncias e um carro de bombeiro surgiam fechando a parte da estrada onde estavam. Rapidamente, os bombeiros procuravam apagar as chamas que se alastravam no carro com a ajuda de um paramédico que ministrava oxigênio para Bracken. Castle não estava realmente interessado no senador, queria cuidar de Kate. Havia vários pedaços de vidro pelos braços dela, o rosto tinha um corte perto do supercílio esquerdo. O ombro latejava e a simples tentativa de acomodá-la em seu colo, arrancou gritos de dor dela. Fez sinal para um dos paramédicos, mas antes de receber atendimento, ela queria saber o que estava acontecendo com o seu algoz.

- Eles estão trabalhando no carro para resgata-lo. Esqueça o senador por um instante, Kate. Você precisa de atendimento médico. Como se sente?

- Muita dor, acho que desloquei o braço. Minha cabeça vai explodir.   

Castle estava feliz por vê-la falando e consciente. Isso era um ótimo sinal. Ajudou-a a erguer-se para verificar se havia alguma lesão nas pernas. Tudo normal. Retirara os cacos de vidro maiores, tentado remover o máximo de sangue que podia. Kate observava o trabalho dos bombeiros assustada com a dimensão que o acidente tomara e nervosa para que conseguisse a chance de prender seu inimigo. Ele não pode morrer, era tudo o que pedia em silêncio.

McQuinn chegou às pressas no local. Chocado com a cena.

- Meu Deus! Como isso tudo aconteceu? Como você está, Kate?

- Ele tentou nos matar – de repente, ela lembrou-se do pendrive. Instintivamente, levou a mão até o cordão. Não encontrou nada – Castle, o cordão, o dispositivo – o pânico se instalou no rosto dela – as provas, não! Isso não está acontecendo! – ela tentou chegar próximo ao local onde o carro de Bracken estava, mas Castle a segurou para impedir. Puxou-a contra si sabendo que estaria machucando-a.

- Calma, Kate, calma – ele a abraça forte – o dispositivo sofreu algumas avarias, eu retirei do seu pescoço. McQuinn – ele chamou tirando o objeto do bolso – veja o que pode ser feito para recuperar os documentos – entregou os pedaços de plásticos e a placa de circuito quebrada – nem preciso dizer que todo o nosso esforço está em suas mãos – o agente examinou minusciosamente o que lhe fora entregue em pedaços.

- O chip de memória não foi afetado. Podemos recupera-los. Vou deixar dois agentes aqui para acompanhar a locomoção de Bracken para o hospital. Ficarão de prontidão na porta do quarto dele, serão instruídos para tal. Preciso da sua câmera, Kate. Jeff nos presenteou com um material de primeira.

- Como assim?

- Ele me ligou assim que perdeu o contato da câmera com a batida. Você tem o vídeo da discussão com o senador, a briga e a perseguição de carro. Gênio! Ele é fera! – disse McQuinn empolgado. Retirou a câmera do colete de Kate – devia cuidar desses machucados, os cortes podem infeccionar. Castle, certifique-se para que ela receba cuidados médicos. Estou voltando para a sede do FBI quero cuidar desse dispositivo pessoalmente. Pedi para Jeff me encontrar em uma hora lá. Eles devem aparecer por aqui a qualquer momento. Era só Nadine conseguir um assistente de câmera – ele viu Kate revirar os olhos – você duvidou que ela fizesse isso? – gargalhou – vejo vocês mais tarde.

- Quero ir até os paramédicos, o fogo cessou – disse Kate.

- Sim, você irá até lá só que para se tratar – ele retrucou. Aproximaram-se da ambulância, Bracken já tinha sido removido do carro e esperava sobre a maca. Kate passou um bom tempo observando-o, um dos rapazes limpava superficialmente seus machucados. Estava inconsciente, com o corpo coberto de queimaduras. Tinha um tubo de oxigênio preso pela máscara ao nariz.

- Senhora, precisamos removê-lo urgentemente. Precisamos tratar as quimaduras e verificar a hemorragia interna. Pode nos dá licença?

- Espere! – alguém gritou e Kate reconheceu a voz, Nadine – deixe-me captar ao menos uns segundos disso tudo. Filma tudo que puder, Joseph – Castle afastou-se da ambulância levando Kate consigo. Nadine falava sem parar e indicava tudo que precisava ser registrado. O carro do senador, o estrago das ferragens após a remoção da vítima, a ambulância sendo carregada e partindo. Em seguida, filmou o carro que Kate dirigia comentando como tudo acontecera.

Enquanto esperavam, Castle tirou vagarosamente e com cuidado o colete que ela ainda vestia. Pegou alguns lenços com os paramédicos e gentilmente limpava o excesso de sangue do rosto dela. Percebeu que as mãos de Kate tremiam. Quando Nadine deu-se por satisfeita, fez sinal para desligar a câmera e pediu para que colocasse o equipamento no carro. Aproximou-se dos amigos sorrindo.

- Nossa! Vocês adoram se arriscar, não? Sua aparência está horrível, Kate.

- O que você queria, Nad? Ela acabou de escapar da morte e o senador também.

- É o que esperamos, ele não pode morrer na mesa de cirurgia. Precisamos ir para o hospital – disse Kate.

- Disso não tenho dúvidas, vem, levo vocês até lá e depois sigo com Jeff para o bureau.

A viagem até a emergência foi rápida. Quinze minutos depois, eles adentravam o pronto-socorro do hospital. Castle explicou em resumo o que faziam ali, Kate mostrou o distintivo e identificou os agentes de McQuinn. A enfermeira explicou que o senador fora levado para a sala de cirurgia há cinco minutos, portanto restava a eles esperar por uma atualização. Vendo-se sem alternativas, enquanto os médicos trabalhavam em Bracken, ela deixou a enfermeira conduzi-la até a área de curativos para tratar de seus machucados.

O ombro estava deslocado e o braço sofrera uma luxação feia, felizmente nenhum osso quebrado. Limparam os cortes da testa, braços e pescoço. Ela levou ponto no supercílio e recebeu dosagens de antibióticos. O residente ordenou uma tomografia para afastar qualquer possibilidade de lesão interna no corpo devido à batida ter acertado em cheio sua lateral sobressaindo as manchas roxas que tenderiam a ficar piores. A dor de cabeça era abominável. Dizer que a cabeça latejava era no mínimo um modo muito gentil de descrever o que sentia. Olhar para a cara de preocupação de Castle apenas piorava tudo. Não gostava de vê-lo assim, impotente. Diacho, ela também detestava essa situação. O médico já solicitara a tomografia cerebral antes mesmo de vê-la gemendo pela dor de cabeça. Não queria correr riscos.

Após ser apalpada, examinada e exposta a equipamentos muito a contragosto, Kate foi colocada em um quarto para receber analgésicos e descansar pelo menos por algumas horas. O resultado da tomografia foi ótimo. Estava tudo bem com ela e pela primeira vez desde que tudo acontecera, ela viu Castle esboçar um sorriso. Antes de se livrar do médico por completo, perguntou.

- O paciente que foi trazido de ambulância, queimado do acidente, ainda está em cirurgia?

- Sim, acabei de me informar. Cirurgias envolvendo queimaduras são sempre mais demoradas e complicadas. Prometo que assim que acabar, peço para avisa-la.

- Obrigada, doutor.

- Descanse, tenente. O mundo não vai parar porque você precisou ficar umas horas em observação. Quando o médico saiu do quarto, Castle sentou-se na cama de frente para a esposa. Pegou sua mão esquerda, tocando os curativos com a ponta dos dedos para depois leva-la até os lábios beijando a aliança.

- Estava com medo que houvesse algo errado com você. Não estou mais acostumado a vê-la em perigo, Kate.

- Não, ultimamente esse tem sido o meu papel. Estou bem, Cas. Só ansiosa para saber notícias do senador. Quero terminar com esse caso de uma vez. Ficar algumas horas aqui, apesar de ser tedioso, me deixa perto dele. Dessa vez Bracken não vai escapar.

- Acredito nisso. Um passo de cada vez. Primeiro sua recuperação, depois teremos que contar com a recuperação apropriada do senador e por fim, você poderá prendê-lo. Está quase acabando, amor.

- Sim... – ela apertou a mão dele de leve, Castle beijou-lhe o rosto, mas ela mirou seus lábios sorvendo-os em um beijo tenro – estou desejando um café, babe...

- Vou ver o que posso fazer... – ele beijou-lhe a testa e sorrindo deixou-a sozinha.

Três horas depois, Kate já estava de pé andando pelo saguão do hospital. A curiosidade de saber o que estava acontecendo no bureau era apenas uma das inquietudes que ela sentia nesse momento. Castle a proibiu de falar com McQuinn, felizmente Nadine não conseguia manter as coisas somente para si. Mandou uma mensagem para eles comentando que os documentos estavam a salvo. Kate respirou aliviada.

A porta que dava acesso ao centro cirúrgico se abriu, o médico que operara Bracken viera à procura de Beckett.

- Lieutenant Beckett? Dr. Thomas. Acabei de sair da cirurgia do senador. Fui informado que vocês sofreram um acidente. Estava escoltando o senador?

- Não necessariamente. O que gostaria de saber é seu estado de saúde. Como ele está?

- Foi uma cirurgia difícil. O senador tinha hemorragias internas que foram contornadas, perdeu o baço. O corpo apresentava queimaduras de primeiro e segundo graus. Tratamos cada uma delas, mas a verdade é que o corpo está 30% queimado. Cheguei a pensar que não resistiria à cirurgia. De qualquer forma, ele ainda corre risco de vida. Está em coma induzido e francamente não espero que acorde pelo menos em dois dias. Está debilitado.

- Dr. Thomas é de extrema importância deixar o quarto do senador monitorado. Preciso que permita a presença dos dois agentes enviados pelo FBI em sua porta. Não podemos correr riscos.

- Tudo bem, eles tem permissão para ficar.

- Eu quero ser avisada assim que ele acordar – ela pegou um cartão que encontrara na recepção do hospital e escreveu seu nome e telefone entregando-o para o médico – aqui, não se preocupe com horário. Estou disponível 24 horas, ossos do oficio.

- Entendo perfeitamente. Com licença, tenente.

- Agora podemos ir para o hotel, não?

- Hotel? Não,Castle. Temos que nos encontrar com o pessoal no bureau.

- De jeito nenhum! Você não dorme a mais de vinte quatro horas, não se alimentou direito, sofreu um acidente, por Deus! Nada de trabalho. Você precisa descansar para amanhã se preparar para prender o senador – ela abriu a boca para argumentar – não adianta querer discutir. Não perderei meu tempo fazendo isso – ele a aconchegou nos braços e mudou o tom de voz – pelo amor de Deus, Kate. Tivemos muitas emoções para um dia. Vamos para o nosso hotel, você tomará um bom banho, faremos uma refeição decente e dormiremos. Bracken não vai a lugar algum e McQuinn certamente está se virando muito bem com seus assistentes.

- Eu estou bem, Castle. Não preciso descansar – ele apertou a lateral do corpo fazendo-a gemer alto – aii! Por que fez isso?

- Apenas reafirmando que precisa seguir exatamente o que disse antes. Vamos.

Tomaram um taxi com destino ao hotel. Para satisfazer a inquieta detetive, ele ligou para McQuinn colocando o celular em vivavoz para que o agente atualizasse suas atividades no caso. Como Castle imaginara, não fizeram muito além de coletar os vídeos e resgatar os documentos do pendrive danificado. Nadine já estava com sua matéria pronta esperando apenas pelo dossiê contra o senador ser concluído para inserir os comentários apropriados a fim de jogar a bomba na mídia.

A ligação acalmou Kate. O banho sugerido por Castle realmente a fez relaxar e após uma refeição caprichada com um belo filé, ela aconchegou-se nos braços dele e adormeceu quase instantaneamente. Castle permaneceu um tempo acordado pensando na loucura que acabaram de enfrentar e que esperava ainda para ser concluída. Nunca ele torcera tanto para um caso ser encerrado.   

Na manhã seguinte, eles vão ao FBI para ver o resultado do trabalho feito em campo. Estava tudo lá. Junto com McQuinn, ela organizou informações, revisou os documentos que seriam anexados ao processo e reviu os vídeos que, graças a Jeff, comprovara a obsessão do senador para com ela. O acidente era mais uma prova de que não somente foram ameaçados como perseguidos. O dossiê fora montado cronologicamente expondo como o então suposto candidato à presidência dos Estados Unidos começara sua carreira como deputado. Drogas, propinas, comércio ilegal eram algumas das armas usadas por Bracken. Apesar de não ter matado diretamente pessoas, suas ordens derramaram sangue de bandidos e de muitos inocentes. Aquele dossiê era o passaporte do senador para a perpétua.

Levaram o dia todo para concluir o melhor arquivo de evidências já feito por aquele time. Reuniam dados de quase vinte anos de falcatruas e crimes. A pasta seria apresentada à procuradoria do estado, ao promotor de justiça de New York, diretores-assistentes do FBI, o comandante da polícia de New York. Sabiam não haver necessidade de interrogatório. Estava tudo documentado. Bastava o senador acordar e Beckett leria seus direitos prendendo-o em seguida. As honras do gesto seriam concedidas a ela por sua longa história de luta contra William Bracken.

Deixaram o Bureau por volta das oito da noite. Nadine insistiu para saírem e relaxar um pouco, convite que Kate dispensou. Cansada, ela precisava de descanso e de um tempo sozinha. Insistiu em passar no hospital para ter noticias do senador. Castle a acompanhou.                                                   
A situação de Bracken não mudara. Continuava desacordado e sendo monitorado de hora em hora. As queimaduras pelo corpo pareciam mais brandas, ainda assim, ficara marcado para sempre, pensou Beckett. Uma delas era em seu rosto. Castle não queria entrar no quarto, respeitava a decisão dela, porém preferia ficar sem vê-lo, queria o mínimo de contato possível com esse assassino.

De mãos dadas, eles deixaram o hospital. Castle levou-a para jantar em um bom restaurante da capital. Ordenou um bom vinho e pela primeira vez desde que se dedicaram ao caso, conseguiram namorar um pouco.

- Estou orgulhoso de você. É impressionante como você não se deixa abater diante de tudo. Arrisca-se, luta. Conheço você muito bem para saber que torce pela recuperação dele, não porque quer ter o prazer de prendê-lo, de vê-lo atrás das grades. Esse é o seu principal motivo. Mas, apesar de ser um inimigo, você não deseja a sua morte. Isso a torna uma pessoa muito melhor que eu.

- Castle, não é bem assim...

- É sim. Eu estava vendo o fogo alastrar-se pelo carro. Pensei, como seria fácil deixa-lo queimar. Fora um acidente de toda a forma. Bracken estaria morto, nós livres e a justiça feita de uma maneira diferente. Podíamos expor seus podres e acabar com sua imagem frente ao público americano. Nada de honras políticas ou títulos ou menções honrosas de cidadão exemplar do governo americano. Eu o deixaria morrer. Não o fiz por você. É por isso que você é uma pessoa melhor que eu, nunca duvide disso. Há bondade em seu coração mesmo com aqueles que não merecem.

- Entretanto, não seria a forma correta de justiça, a merecida – ele mantinha os dedos entrelaçados ao dela, o nariz acariciava-lhe o rosto.

- Eu sei – beijou-lhe o rosto – não se preocupe, você terá a sua oportunidade de declara-lo preso, amor.

Voltaram a se reunir na sede do FBI no dia seguinte, Nadine pedira a Kate para ajuda-la com as informações pertinentes para montar sua matéria. Queria entregar uma bomba, porém não podia revelar todas as nuances do caso. A reportagem renderia pelo menos uma semana de audiência. A jornalista já insistira com Beckett para entrevista-la em rede nacional. Uma exclusiva. Beckett não respondeu de imediato, sabia que seria impossível escapar do alvo da imprensa. Nesse caso, preferia a companhia de Nadine, pois estava acostumada a lidar com ela.

Por volta das duas da tarde, ela precisava de café. Não apenas isso. Queria um tempo sozinha.

- Quer que eu pegue café para você?

- Não, Castle. Eu preciso tomar um ar. Minha cabeça está latejando.

- Está tudo bem mesmo? Você quer um analgésico? Seu corte da cabeça ainda não está totalmente curado. Se quiser eu posso...

- Não, Castle. Somente preciso organizar uns pensamentos. Eu volto logo. Ajude McQuinn e Jeff nos detalhes, sei que gosta de observar os geeks. Não demoro, prometo.

Ela desceu pelos elevadores abriu as portas do prédio e recebeu o ar frio em seu rosto. Apesar de ser final de verão ainda, Washington não é uma cidade realmente quente. A temperatura no mês de setembro devia estar entre os dezoito e vinte e três graus. Passou na cafeteria da esquina, a mesma que sempre frequentava quando trabalhara ali. O vendedor a reconheceu e preparou o latte exatamente como gostava. Atravessando o quarteirão, chegou em frente ao espelho d’água. Ficou por um tempo admirando a paisagem. Sentou-se nos degraus da escada.

Sorvendo um pouco da bebida quente, ela fechou os olhos por alguns instantes. Ao abrir, passou a observar as pessoas repensando no capítulo que estava prestes a fechar em sua vida. Às margens do espelho d’água, a visão do obelisco imponente impressionava. Era estranho pensar que estando tão próximo do fim, sentisse que ainda tinha uma dívida com sua mãe.

A alguns metros de Kate, uma garotinha vestida de bailarina rodopiava alegremente próxima ao lago aos olhos apaixonados da mãe. Observar aquela menina fazendo pliê, mexeu bastante com a tenente. O movimento circular repetitivo que a criança executava tinha uma certa familiaridade, algo que parecia escondido em algum lugar do seu subconsciente. Tomou um pouco mais do café então, aconteceu. O corpo relaxado ficou rijo, os olhos se arregalaram e a boca abriu-se estarrecida diante da descoberta. 

- La Mer... meu Deus! Eu sei porque é especial... Castle, preciso de Castle! – pegou o celular e discou. Sabia que ele estava entretido com os rapazes na sede do FBI – Castle, preciso voltar para New York. Venha me encontrar em Dulles, rápido!

- Aconteceu alguma coisa com Alex? – intrigado com a maneira que ela decidira deixar Washington.

- Não, eu acredito que solucionei de vez o mistério da canção e possivelmente o assassinato da minha mãe. Não demore, por favor.                                         
Eles encontraram-se no aeroporto. Sem dar maiores explicações, Kate pediu para que ele comprasse passagens de ida e volta, não pretendia demorar tanto em Manhattan. Castle resolveu não pressiona-la nesse momento. Chegando ao loft, ela correu para o closet que dividia com Castle. Na última prateleira, ela retira uma caixa com imagens e dizeres de Paris. Senta-se na cama e respira fundo enquanto acaricia a superfície.

- Eu já contei a você a importância da música “La Mer” para minha mãe e eu. Hoje ao ver uma garotinha vestida de bailarina perto do espelho d’água, eu me lembrei de um objeto muito especial. Quando eu completei dezesseis anos, minha mãe queria me presentear com algo diferente e único. Por mais que procurasse, ela não encontrou o que queria ou julgara apropriado. Decidiu mandar confeccionar. Ela tivera um cliente que tinha uma loja de instrumentos musicais e pediu para que fizesse uma caixa de música daquelas bem tradicionais, porém com uma diferença. Ela queria que a canção fosse “La Mer”.  Essa caixinha de música me acompanhou por anos. Quando fiz meu intercâmbio na Europa, no meu quarto em casa e no dormitório da universidade. Ia comigo para todo o lugar. Eu inclusive a levei para a Academia de polícia. Sempre que olhava para aquela pequena bailarina dançando ao som da nossa música preferida, lembrava o motivo que me levara até aquele lugar, que me fizera ser policial.

Castle percebeu que a voz dela embargara. Sentou-se ao seu lado colocando sua mão sobre a dela. Kate o encarou procurando pela compreensão em seu olhar, continuou.

- Então, veio o momento de loucura. A fixação pelo caso e o fundo do poço. Três anos intensos e difíceis. Uma das decisões que tomei durante a terapia foi de guardar a caixinha de música em um lugar longe dos meus olhos porque era um objeto que lembrava muito a minha mãe, me fazia pensar nos momentos felizes interrompidos naquele dia de janeiro, naquele beco fétido onde o sangue da minha mãe fora derramado. Por isso demorei para entender a ligação. Há anos não abro essa caixa. Está cheia de recordações da minha adolescência e juventude.

- Entendo que a caixinha é importante para você e sua mãe. Sei o que a canção significa para vocês, mas ainda não entendi como isso pode ajuda-la a solucionar o caso de Johanna.

- Ao voltar para casa durante aquele recesso, eu a trouxe comigo. Ela é um objeto único, algo somente meu e dela. Se minha mãe tinha intenção de mandar uma mensagem, deixar uma prova, esse seria o esconderijo perfeito. Não foi à toa que ela transcreveu a letra da canção no diário, Castle. Ninguém sabia da existência dela além de mim. Também tem mais um detalhe. Em meu primeiro encontro com Montgomery, ele me perguntou sobre as pistas do caso de minha mãe. Insistiu em saber se havia um áudio, uma fita. Tinha me esquecido disso depois que eu vasculhei todo o arquivo de Bracken através do notebook de Jeff em busca de provas. O tal áudio deveria ser a prova que acabou matando o capitão.

- E de alguma forma, você acredita que esse áudio esteja na caixinha de música?      

- Ou isso, ou algo que me leve a ele. A única certeza que tenho é de poder encontrar a chave para o enigma que já ultrapassa quinze anos.

- O que está esperando? Abra essa caixa, Kate – ela passou as mãos pela superfície. Castle percebeu que os dedos tremiam diante da excitação da possível descoberta. Retirando a tampa, deixou-a ao seu lado sobre o colchão. Dentre vários elementos, a caixinha de música estava no canto esquerdo superior. Feita de madeira nobre, possuía desenhos lembrando a paisagem parisiense. Kate a pegou nas mãos. Trocando mais um olhar com castle, a abriu.

Imediatamente, a canção começou a tocar. Uma pequena bailarina rodopiava ao som da melodia. Contudo, não foi isso que chamou a atenção de Castle. Enquanto Kate se emocionava observando o simples prazer que a caixa proporcionava, ele observava as fotos presas na tampa superior. Uma era de mãe e filha, sorrindo. A outra era de Kate de braços abertos aos pés da torre Eifel. Ele a pegou na ponta dos dedos. Viu Kate sorrir.

- Essa foto tirei no meu intercâmbio. Eu simplesmente adorei a França.

- Combina com você. Talvez possamos fazer uma viagem até lá algum dia. Você é muito parecida com sua mãe, tem o mesmo tipo de sorriso. Pronta para destruir essa memória? – Kate suspirou mordiscando o lábio.

- Acho que sim – Castle levantou-se da cama e sumiu para seu escritório. Voltou com uma chave de fenda e um estilete – aqui, vai precisar de alguma ferramenta para ajudar a levantar essa parte da madeira. Não tem parafusos. Deve ser colado – Kate enfiou a chave de fenda na lateral da caixa e empurrou contra a parede onde o pedaço fora grudado. Fazendo uma certa força não teve muito êxito. Castle estendeu a mão pedindo permissão para tentar. Preferiu o estilete. Com uma certa persistência, ele conseguiu quebrar um pouco da cola em excesso na lateral. Tentou uma, duas e na terceira vez conseguiu levantar um pouco da madeira. Usando a chave de fenda, ele arrancou o pedaço.

Ficaram olhando para o fundo da caixa sem dizer uma palavra sequer. Uma fita pequena daquelas usada em gravadores de jornalistas estava guardada ali, pelo que Castle podia prever, por mais de quinze anos. Com os dedos trêmulos, Kate pegou a fita nas mãos. Ficou olhando para ela por vários segundos. Ele levantou-se da cama voltando do escritório com um saco de evidências e um gravador.

- Você escolhe: podemos ouvir a fita agora ou ensacamos e levamos direto para o FBI. Deve ter as digitais de sua mãe nela. Depende somente de você, Kate. Ela passou as mãos pelos cabelos fitando-o com os olhos determinados de detetive.

- Toque – Castle sentou-se novamente ao lado dela pegou a fita de sua mão e colocou no gravador. Esperou por um sinal dela que se resumiu a um meneio de cabeça, apertou o play. Ali em seu quarto, as vozes de Bracken e Montgomery ecoaram quebrando o silêncio. Eles ouviram atentamente a conversa entre os dois homens. Kate buscou a mão dele querendo apoio. No meio da conversa, as lágrimas já rolavam de seu rosto até ouvir o nome da mãe ser pronunciado seguido da sentença de morte.

O áudo acabou. Ela permaneceu calada de olhos fechados. Castle desligou o gravador e colocou-o no saco fazendo o mesmo com a caixinha de música destruída. Somente então, ele tornou a olhar para a mulher ao seu lado. Erguendo o queixo dela para encontrar seu olhar, sentiu os braços de Kate o envolverem. Com o rosto enterrado no ombro, ela apertava seu corpo contra o dele querendo dividir aquele misto de emoções que sentia. Castle beijava seus cabelos e acariciava suas costas dando-lhe o conforto que podia.

Ao afastar-se dele, havia marcas de lágrimas em seu rosto. O olhar, porém demonstrava a determinação em acabar com esse mistério de uma vez por todas.

- Precisamos voltar para Washington.

- Eu sei, vou ligar para o aeroporto – ouviram a mexida na fechadura do apartamento – o que é isso?

- Deve ser Amy retornando do parque com Alex. São quase seis da tarde. Eles deixaram o quarto, Kate tinha razão. Ao vê-los no loft, a babá tomou um susto.

- Meu Deus! Quase me mataram de susto. Alex correu para abraçar as pernas da mãe. Kate o ergueu no colo. Amy comentou que ia dar um banho nele antes do jantar. Ordenou que cuidasse da comida enquanto ela ia dar o banho. Nada melhor nesse momento que passar um tempo com o filho.

Castle retornou ao quarto do filho dizendo que conseguira um voo apenas dez da noite. Ela concordou em pegar esse voo. Kate entregou o menino para o pai enquanto ia verificar se Amy já acabara. Sentaram-se à mesa para tomar um café preparado pela babá com direito a ovos e pão quentinho. Kate se divertia alimentando o filho. Levou-o para o quarto e o colocou para dormir. Despediram-se de Amy, Castle guardou os objetos na mochila e seguiram para o aeroporto.

À meia-noite eles posaram em Dulles. Não conseguiriam fazer nada a essa hora no bureau. McQuinn e os demais já deveriam estar longe da sede. Retornaram para o hotel. Na recepção, Castle recebeu vários recados deixados durante o dia para eles. Imaginava ser de Nadine. Já em seu quarto, Kate foi direto para o banheiro. Um banho a ajudaria para relaxar e dormir. As emoções desse dia foram grandes e já sabia que teria dificuldades para fechar os olhos.

Quando retornou ao quarto, Kate encontrou Castle com o telefone nas mãos.

- Acabei de falar com Nadine. Não contei nada sobre a nossa descoberta, disse que estávamos seguindo uma pista e pedi para que ela esteja no bureau às sete da manhã.

- Ótimo. Você falou com McQuinn?

- Sim, também tinha um recado dele – ela reparou que a mochila estava da mesma forma que trouxeram, ele não devia ter mexido – deite-se para descansar. Pedi um chá e torradas para comer algo antes de dormirmos. Vou tomar um banho. Dez minutos depois, a campainha do quarto toca, Kate recebe o mensageiro e despacha-o quase que no mesmo minuto. Castle saiu do banho e encontrou-a bebericando o chá e mordiscando uma torrada com creamcheese.

Sentou-se ao lado dela, beijou-lhe o ombro recebendo uma xícara das mãos dela. Comeram em silêncio. Em seguida, Castle ligou a televisão esperando ver o último noticiário, queria ter certeza de que a notícia sobre o acidente do senador não havia chegado aos ouvidos da imprensa. Aparentemente, estava tudo sob controle. Kate deitou-se ao seu lado cobrindo seu corpo com o edredom apoiando a cabeça no peito dele. Ao contrário do que pensara, o estresse e as reviravoltas do dia fizeram-na desabar na cama.

Kate sonhou com a mãe naquela madrugada. Elas estavam passeando a pé em Paris. Dançavam em plena rua, subiram a torre Eiffel e comeram guloseimas em cafeterias deslumbrantes regadas ao champagne. Talvez o sonho leve devia-se à lembrança despertada pela caixa de música e a certeza de que finalmente faria justiça à vítima mais importante da sua vida.

Ao acordar na manhã seguinte, Kate sentia-se relaxada. Pulou da cama às seis da manhã para se arrumar. Castle ainda dormia quando ela apareceu completamente pronta no quarto para acorda-lo com pequenas sacudidas. Esfreguiçando-se, ele se assustou ao vê-la pronta para trabalhar.

- Vamos, babe. Não quero me atrasar. Ainda vamos tomar café.

- Nossa! Você parece muito bem para quem dormiu menos de cinco horas.

- Castle, por favor...

- Tudo bem, estou indo.

Às sete horas em ponto, Castle e Beckett cruzavam as portas do bureau segurando cada um com seu copo de café. Tomaram o elevador seguindo para o quinto andar onde se montara a sala de guerra deles. Não se surpreenderam ao ver que Nadine e Jeff já estavam ali.

- Bom dia, McQuinn ainda não chegou?

- Foi pegar café. Sente-se, Kate. Castle não quis contar o motivo pelo qual vocês sumiram o dia inteiro. Quer saber a verdade? Estou me roendo de curiosidade. Por acaso descobriram algo mais para o nosso caso?

Kate que sentara-se de frente para Nadine sorriu do jeito impulsivo de abordar da jornalista. Tinha que admitir, ela possuía o verdadeiro dom jornalístico. Jeff mantinha-se calado diante do pequeno tsunami que era sua namorada. Opostos que davam certo, se completavam.

- Vamos esperar McQuinn, dessa forma conto tudo uma única vez.

- Alguem me chamou? Bom dia! – cumprimentou os colegas deixando as canecas com café sobre a mesa. Sentou-se ao lado de Castle.

- Bom dia, McQuinn – disse Kate – não vou tomar muito do nosso tempo porque a informação é muito importante. Encontrei mais uma prova contra o senador. Essa, em especial, é prova vital sobre o envolvimento dele no assassinato da minha mãe – ela olhou para Castle pedindo para que ele mostrasse. Ele tirou o gravador da mochila tirando-o do saco de evidência – essa é uma fita achada na caixa de música que minha mãe me deu de presente há vários anos. Eu sabia da existência de um áudio, porém não tinha ideia de que essa prova estava tão próxima a mim, até ontem. Castle, aperte o play.

Em silêncio, novamente Kate escutou a conversa entre Montgomery e Bracken. Ao final da gravação, os olhos de Nadine estavam arregalados diante da revelação. McQuinn estava sério e Jeff olhava fixamente para Kate.

- Então, de posse dessa nova evidência, quero que você inclua a fita no processo. Antes pode levar a caixinha que a guardava para teste de impressões digitais. Aposto que encontrará as minhas e as dela. Faça uma gravação do áudio, será mais seguro colocar a cópia no processo ao invés do original.

- Wow! Eu nem sei o que dizer... e olha que isso é difícil de acontecer comigo – exclamou Nadine.

- Qual o próximo passo, McQuinn? – perguntou Castle.

- Chegou a hora de expor os podres do senador, um a um. Vou agendar a reunião. Jeff, pode criar a cópia do áudio como Kate sugeriu? – ele pegou a caixinha que protegera a fita cassete durante anos – vou levar isso para o laboratório. Sei quem pode dar prioridade zero a isso. Vou tentar reunir todos até às dez da manhã. Vou precisar da sua ajuda para explicar o caso, Kate. Ninguém conhece o senador como você.

- Pode contar comigo.

Por volta das dez e trinta, Beckett e Castle entravam em uma sala de reunião enorme localizada no mesmo andar que estavam concentrados. Beckett reconheceu algumas caras de diretores do FBI, o procurador do estado e o comandante da polícia de New York. Para ela, havia apenas duas faces desconhecidas. McQuinn apresentou-os para o time de alta cúpula que esperava uma excelente explicação para dispor desse tempo para uma tenente da NYPD e um agente técnico da procuradoria.

- Senhores, não irei me demorar em fazer uma introdução do motivo que nos levou a reunir todos aqui hoje. Como alguns devem saber, a tenente Kate Beckett já trabalhou um tempo para o FBI onde esteve a frente do caso Denver, um dos maiores esquemas de corrupção, entorpecentes e assassinatos já cometidos contra os Estados Unidos. Infelizmente, a sujeira não parou por ali. Estive em New York trabalhando em parceria com a tenente para desvendar outras ligações desse escândalo nacional quando uma testemunha de suma importância foi assassinada – enquanto falava, Beckett colocava fotos ilustrativas no telão.

- Collins antes de morrer revelou o nome do mandante principal do esquema e não era o ex-senador Robert Denver. Trata-se de ninguém menos que o senador eleito pela cidade de New York, William Bracken. Lieutenant, por favor, continue – ao colocar a foto do senador em evidência, Beckett pode perceber a fisionomia surpresa da maioria. Diante do que viu, a coragem a dominou dissertanto minuciosamente por todos os detalhes do caso que provara o quão crápula era o senador.

A explanação detalhada durou duas horas. A cada nova revelação, os homens a frente do comando do FBI e da justiça ficavam cada vez mais surpresos. Beckett foi sabatinada de perguntas às quais respondeu competentemente. Satisfeitos com as explicações, Beckett comentou a última parte da notícia. O acidente pré-meditado contra a vida dela. Quando questionada pelo procurador do estado sobre a sua ligação e a obsessão do senador Bracken, ela respondeu.

- Durante meu trabalho na NYPD, meu caminho e o do senador se cruzaram algumas vezes. Já tive que protegê-lo, salvei sua vida, porém antes disso eu descobri que ele fora o mandante do assassinato de minha mãe, um caso aberto e sem solução até hoje. Não podia ataca-lo sem provas. Quando Collins contou de seu envolvimento com Bracken, sabia que tinha uma oportunidade de fazer justiça, por isso estou aqui.

- Você tem alguma prova de que o senador mandou matar sua mãe?

- Tenho, veja o quadro – McQuinn carregou todos os documentos, pistas e explicações do caso Johanna Beckett – o que vão ouvir agora é uma gravação na qual o senador confessa suas trapaças e assassinatos. É legítima e foi testada por reconhecimento de voz. A fita original também apresentou as digitais dela e as minhas. McQuinn, por favor.

Um silêncio incômodo se instalou na sala após a reprodução do áudio. Talvez porque para a maioria daqueles homens ali presentes, o senador fosse um exemplo de cidadania. Um político que luta e respeita seu país, com uma caminhada longa, com muitas batalhas e demonstrações de fidelidade aos Estados Unidos. Beckett quebrou o silêncio diante do olhar atônito de todos na sala.

- Creio, senhores, que diante dessas acusações, um interrogatório não se faz necessário. O senador terá muito o que explicar sobre todos os crimes cometidos contra a nação e pessoas comuns, cidadãos americanos.

- Conforme a tenente Beckett afirmou, estamos apenas aguardando o retorno do hospital para removê-lo de lá assim que pudermos. Essa investigação somente foi possível devido ao trabalho exemplar feito pela tenente quando ainda era do FBI no caso Denver e sua investigação pessoal que veio desenvolvendo durante os seus anos de polícia sobre o caso Johanna Beckett. Diante disso, nada mais justo do que dar a ela o direito à voz de prisão. No papel de agente responsável pelo caso, concedo essa responsabilidade a Beckett. Acredito que os senhores não tem qualquer objeção visto que grande parte dos crimes aconteceram na jurisdição de New York. Ele será autuado em Washington também, afinal esse é um crime federal.

- São acusações e provas bastante completas. Confesso que estou um pouco atuardido pela descoberta – disse o procurador do Estado – entretanto, não posso fechar os olhos a tudo o que expuseram aqui. Um excelente trabalho investigativo. Preciso de todo o material na minha mesa ainda hoje. E agente McQuinn, não há problema algum da Lieutenant Beckett realizar a prisão, aliás tenente, posso afirmar categoricamente que você foi uma perda enorme para o FBI. Poderia hoje ser você no lugar de McQuinn, sem ofensas.

- Tudo bem, eu concordo.

- Obrigada, senhor. Tem um último detalhe, senhor. A extensão dos ferimentos do senador ainda irão requerer cuidados especiais. Provavelmente o senhor queira um tempo maior para desloca-lo a unidade de cuidados do exército ou uma cela preparada para receber prisioneiros debilitados. Também gostaria de esclarecer outro ponto. Parte do motivo de eu não estar no FBI tem a ver com o senador. Ele me ameaçou e à minha família. Foi um dos motivos que não aceitei a oferta no passado. Hoje posso concluir que foi a melhor ameaça que já recebi. Bracken me fez um favor.

- É, parece que seu caso com o senador é bem complicado e longo.

- E está prestes a terminar, senhor. Se me permite – Beckett pegou um dossiê com mais de quinhentas paginas e entregou ao procurador – aqui estão as provas em ordem cronológica e também um disco contendo-as em formato digital.

- Vocês vieram preparados. Bom trabalho. Tenente, você é uma pessoa admirável. Consegue se preocupar com a saúde daquele que matou sua mãe, a ameaçou e quase a deixa viúva. Em meus trinta anos como defensor do Estado nunca presenciei algo assim. Louvável, simplesmente – ele se vira para os demais – senhores, acredito que temos muito a conversar antes que eu leve esse assunto delicado ao presidente. Agente, tenente, ficamos no aguardo do hospital. Podem nos dar licença?

Beckett e McQuinn deixam a sala. Assim que avista Castle, ela anda até ele desesperada por toca-lo.

- Como foi?

- Tudo bem. Um choque para todos, mas o objetivo foi alcançado. Esperamos apenas a ligação do médico para que Kate possa efetuar a prisão. Eles realmente gostariam de ter você por aqui, Kate.

- Esse trem já passou, McQuinn. E não volta mais.

- Acho que merecemos um belo almoço, não? – sugeriu Nadine – essa expectativa deu fome. Eles riram e saíram juntos com a jornalista para comer.

Passava das seis da tarde quando Kate voltara ao hotel acompanhada de Castle. Queria ligar para casa e saber como estava Alex, porém no instante que pegou o celular, a ligação apareceu no visor. Um número desconhecido.

- Beckett.

- Tenente, aqui é o Dr. Thomas. Você pediu para ligar de volta. O senador acordou.

- Obrigada, estamos a caminho – desligou e fitou Castle – Bracken acordou.

Castle e Beckett saíram às pressas para o hospital. No caminho, ligaram para Nadine encontrar-los lá, também avisaram McQuinn. Na recepção, ela perguntou pelo médico, pois precisava da permissão dele para entrar na área de doentes. Além disso, precisava saber as reais condições do senador. O Dr. Thomas levou cerca de cinco minutos para encontra-la.

- Tenente, desculpe. Estava com um paciente.

- Tudo bem. Qual a condição dele, doutor?

- Estável. A maior preocupação é com as queimaduras. Ainda estão em processo de cicatrização, requerem cuidados. E devido à perda do baço, ele terá que tomar umas injeções para aumentar sua imunidade ou o risco de infecção poderá se agravar. Com um certo zelo, ficará muito bem.

- Pode ser removido para outro lugar?

- Para casa? Talvez se continuar estável amanhã possamos libera-lo aos cuidados de uma enfermeira. Os curativos precisam ser muito bem administrados. Um ambiente asséptico é primordial nesse caso. Por que pergunta?

- Precisaremos removê-lo para um hospital do exército. O senador está a partir desse momento respondendo a um inquérito policial e um processo federal. Estou aqui na qualidade de representante da lei para informa-lo que será preso.

- Entendo. Nesse caso, posso providenciar toda a papelada e o que for necessário para a transferência.

- Ótimo. Ligue para esse número – ela avistou McQuinn chegando à recepção e fez sinal para que ele se juntasse a ela – esse é o agente McQuinn, o telefone que tem em mãos é do Major Ryan. Ele é médico do exército, saberá explicar o que o senhor precisa saber. Pode nos levar até o senador?

- Claro, me acompanhe. Seguiram pelo corredor enquanto Castle e Nadine já completamente equipada esperava para ter seu momento de glória com a reportagem sobre a prisão do senador. Na porta do quarto, estavam os agentes designados por McQuinn. A vigília tinha funcionado e deveria continuar até a remoção do preso para o outro hospital. Kate trocou uma ideia com o agente para que tivessem a mesma opinião sobre o que fariam, respirou fundo antes de entrar no quarto.

O senador estava deitado observando a TV, provavelmente notícias econômicas e curioso para saber se havia repercussão de seu acidente. Ao deparar-se com Beckett olhando-o, um semblante sério, percebeu que não fora dessa vez que a matara. Mesmo em uma cama de hospital, ele não perdia a pose e nem a arrogância como a própria Beckett ia constatar em seguida.

- Ora, ora detetive... a que devo a honra da sua visita? Veio se certificar se eu sobrevivi?

- Olá, senador Bracken. Vejo que para um homem que sobreviveu a um acidente grave, o senhor está bem. Pelo menos não houve dados cerebrais. Continua com a mente aguçada – pra não dizer arrogante, pensou – imagino que saiba por que eu e o agente McQuinn estamos aqui. O FBI autorizou uma investigação mais aprofundada depois do que aconteceu ao empresário da indústria têxtil, Jack Collins, lembra-se dele? Foi assassinado. Eu mesma investiguei o homicídio. Infelizmente, o criminoso ainda não foi achado. Descobri também que foi a mesma pessoa que tentou matar Nadine. Sabe quem o pagava? Você, senador – ela se aproximou um pouco mais da cama onde ele estava. Cruzou os braços. Calou-se por uns instantes. Nada de pressa. Circulou toda a extensão da cama – isso não é novidade, afinal aposto que mandou-o sumir do mapa. Ninguém some para sempre, nem mesmo fica impune. Um dia, ele também pagará pelo crime que cometeu. Eu cuidarei para que isso aconteça.  

- Quer ouvir uma ironia, senador? O assassinato de Collins foi em vão. Completamente fora de timing. Na ocasião da sua morte, Collins já havia sido interrogado e mencionado o envolvimento com seus negócios ilícitos. As gravações existem, estão em pose do FBI. A partir daí, foi bem interessante investigar o quanto você caminhou por rotas ilegais, desvios de dinheiro, assassinatos. Tudo pelo poder, não senador? Posou de bom moço ao destituir o senador Denver de seu cargo, fez média com a imprensa. Inclusive me elogiou para o Comandante da polícia e meu chefe no FBI! Aqueles que não o conhecem podem cair nesse jogo manipulador que usa para ludibriar as pessoas. Não a mim – Beckett inclinou-se na direção dele. Não desviava o olhar.

- Para ser presidente dos Estados Unidos vale tudo, não? O senhor estava disposto a fazer o que fosse preciso, legal ou ilegalmente. Foi sempre assim. Roubar, enganar, ameaçar e executar qualquer um que cruzasse seu caminho para a vitória, como fez com a minha mãe.

- Por favor, detetive essa história novamente? Que tal mudar esse disco furado?

- Você matou minha mãe porque ela descobriu parte do seu esquema de drogas com Vulcan Simmons, porque ela viu o que mandou fazer com o agente do FBI. Foi deixada lá, esfaqueada, sangrando no beco próximo ao covil de traficantes e criminosos que trabalhavam para você. Felizmente senador, essa história, o tal disco furado a que o senhor se refere, chegou ao fim. Não há como fugir, Bracken – Beckett estava muito próximo ao rosto dele agora, o olhar furioso e fatal da tenente fixo no semblante dele – acabou, eu encontrei a fita. Sua confissão.               

Percebeu o semblante de Bracken mudar. Mesmo com as marcas de queimadura no lado esquerdo do rosto que se estendiam pelo pescoço, conhecia muito bem as expressões daquele homem para entender que conseguira encurrala-lo. Um pequeno risinho formou-se no canto dos lábios de Beckett. Afastou-se do seu inimigo, virando-se para McQuinn.

- Agente McQuinn, pode explicar ao senador qual será seu próximo destino?

- Certamente, tenente. Senador, devido suas condições de saúde, o FBI está solicitando sua remoção para um hospital militar aqui mesmo em Washington para que receba o tratamento necessário devido ao seu acidente. Terá uma enfermeira a sua disposição e um médico do exército para supervisionar sua recuperação. Não se preocupe, estaremos levando você para a prisão de segurança máxima em três dias. Tempo suficiente segundo os médicos. O seu processo está sendo avaliado pelo procurador do Estado e autoridades do FBI. Receio dizer que perderá seu cargo federal, senador.

- Acredito que não temos mais o que conversar. Tem alguma pergunta, senador? – mas logicamente ele não tinha, aprendera que em situações como essa era melhor permanecer calado. Sem grandes comentários.

- Você está adorando tudo isso, não? Sonhava em prender-me. Era parte de seu objetivo pessoal, detetive.

- Não, meu objetivo e lema é proteger e servir, senhor. A justiça é minha base, a ordem meu compromisso. Mantê-las é minha responsabilidade. Desfrute do pouco de liberdade que ainda tem antes que façamos sua prisão oficialmente. Uma pequena correção, sou tenente e não detetive. Passar bem.

Beckett deixou o quarto do senador aliviada. Não deu voz de prisão porque quando o fizesse, teria o prazer de algema-lo. Podia esperar mais três dias. Nadine não escondeu a frustração de vê-la contar que o senador seria transferido no dia seguinte, portanto nada de coberturas ao vivo. A jornalista era insistente, adulou Kate o quanto pode para gravarem a entrevista exclusiva, tanto que a tenente acabou cedendo para evitar ouvir Nadine resmungando ao seu ouvido. Ao final da tarde, o procurador geral voltou a pedir a presença dela e de McQuinn para esclarecimentos adicionais em seu gabinete. Durante a reunião, Beckett recebeu a ligação do Dr.Thomas que infelizmente não poderia atender, porém o médico teve o bom senso de enviar uma mensagem informando que a transferência de Bracken estava agendada para nove horas da manhã.

No hospital, cedo pela manhã os preparativos estavam adiantados. Do lado de fora, uma equipe de segurança liderada pelo FBI já se encontrava a postos. Beckett aguardava na recepção pelo sinal de McQuinn para começar o transporte. Fez questão de acompanha-lo até o hospital militar. Não via a hora de colocar um par de algemas nele. Nadine acompanhada de um cinegrafista, começara a contar sobre o acidente do senador destacando seu estado de saúde. Para todos os efeitos, a transferência para o hospital militar fora apenas uma precaução adicional devido à importância da pessoa de alto escalão do governo, para sua própria segurança.


Três dias depois...


Kate Beckett estava pronta, de frente para o espelho. Sabia da jornada que enfrentara até ali, as dores, as lagrimas, as noites mal dormidas. O fundo do poço, o risco de vida e finalmente a rendição. Por mais de quinze anos sonhara com esse momento. Desejava dizer algumas palavras para aquele homem. Estava acima dele pela primeira vez, combateria seu poder com um par de algemas. Castle se aproximou dela, colocando as mãos em seus ombros, sorriu beijando-lhe o topo da cabeça.

- Está pronta, amor?

- Sim. Vamos acabar logo com isso. Precisamos voltar para New York. 

Na frente do Hospital Militar, uma viatura do FBI já aguardava para a remoção do senador até a prisão de segurança máxima. A imprensa representada por Nadine e mais dois carros da polícia para escolta-los além da própria condução de Castle e Beckett. Acompanhados do médico Major, receberam as últimas informações sobre a condição de saúde de Bracken e um documento assinado liberando sua transferência.

Ao entrar no quarto acompanhada de McQuinn e dois guardas, ela colocou as mãos automaticamente nas algemas. O senador estava sentado na cama com a enfermeira ao seu lado. Vestia um de seus ternos. Melhor assim, Beckett pensou. Seus dias de glórias chegaram ao fim.

- Bom dia, senador – ela foi direto ao ponto - Pode ficar de pé para que eu recite seus direitos? – observou o homem tão metido a onipotente erguer-se a sua frente com um olhar bem diferente de outros tempos. Um olhar de derrota. Ela se aproximou dele a passos firmes – William Bracken, você está preso por crimes contra os Estados Unidos da America, fraudes, roubos, comercio ilegal de drogas, sonegação de impostos e assassinatos, incluindo o homicídio da minha mãe, Johanna Beckett. Você tem o direito de permanecer em silêncio, tudo que dizer pode e será usado contra você no tribunal. Tem direito a um advogado se não puder pagar o Estado fornecerá um para você – ela o algemou com vontade sem deixar de encara-lo nem por um segundo.

Deixaram o hospital levando-o para a viatura. Nadine tentava arrancar uma declaração dele. Sem comentários era tudo o que dizia. Focalizou bem o rosto de Beckett naquele momento. Castle assistia tudo a uma certa distância, o sorriso no rosto cheio de orgulho por ver sua esposa e excepcional profissional finalmente fechar o caso mais importante da sua vida. Ela seguiria levando-o até a prisão, ele iria atrás acompanhando. Era o seu momento.

Fichado, fotografado e já nas roupas de prisioneiro, o bom e velho uniforme alaranjado, Bracken parecia bem diferente do homem arrogante e poderoso que roubava a cena quando aparecia na TV com seus discursos decorados e cheios de clichê demostrando um respeito que nunca teve pelo povo americano. Beckett acompanhou-o até o instante que os guardas abriram a cela. Solicitou alguns minutos sozinha com ele. McQuinn autorizou.

- Cinco minutos, Kate – a porta fechou-se atrás de si. Ela permaneceu calada apenas observando-o.

- Não vai dar pulos de alegria, Kate? Aposto que irá abrir uma garrafa de champagne logo mais com o superficial do seu marido. Isso é o tipo de coisa que ele é capaz de propor.

- Não estou aqui para bater papo. Somente quero dizer que novamente a justiça venceu. Foi preciso ameaças de morte, acidentes e uma última tentativa desesperada de me matar. Passei mais de quinze anos da minha vida atrás de respostas, honrar a memória da minha mãe lutando com um sistema de cobiça e poder em busca das provas certas. Aqui estamos nós, senador. Agora é sua vez de sofrer – ela observou o ambiente da cela – não há espelhos. Vou pedir para providenciarem um, assim cada vez que se olhar nele lembrará de mim, ao ver as cicatrizes na sua pele queimada saberá que estou viva. Serei uma lembrança do seu fracasso. Aquela detetive atrevida que lutou para coloca-lo no seu verdadeiro lugar, atrás das grades. Isso é um adeus, Bracken. Pouco me importa seu julgamento. Esse capítulo da minha vida acaba exatamente aqui.

Ela abriu a porta, mas antes de sair deu uma nova olhada nele.

- O laranja combina com você. Saiu fechando não somente a porta, mas também uma conexão com o passado que faria questão de esquecer.

Castle a aguardava do lado de fora. Não havia necessidade de palavras. Ele a tomou nos braços sentindo o corpo dela relaxar pela primeira vez naquele dia. Beijou-lhe o pescoço e deixou um sussurro escapar pelos lábios.

- Eu te amo, Cas... – permaneceram abraçados por um bom tempo até entrarem no carro e rumarem para o hotel. Kate recebeu uma ligação do procurador geral agradecendo seu empenho e seu trabalho. Ao ser perguntada se gostaria de acompanhar o julgamento, ela recusou educadamente dizendo que precisava voltar para sua cidade, afinal os assassinatos não paravam em New York.

Castle agendara um voo pela manhã. Também arrumara uma forma de levar seu carro de volta a Manhattan. Não via a hora de voltar para casa. O canal da ABC interrompera sua programação normal para colocar no ar a reportagem exclusiva sobre a prisão do senador. Tinha que admitir, Nadine Furst fez um excelente trabalho com o caso. Nunca esqueceria que fora ela quem insistiu na investigação. Sem seu jeito irritante pressionando-a talvez não tivesse conseguido tudo aquilo. Tinha uma divida de gratidão com ela e Jeff.

- Nadine está deitando e rolando com esse furo na ABC. Está onde adora.

- Ela mereceu cada segundo disso. Eu vou tomar um banho, quer sair para jantar? – ela perguntou mesmo não estando muito a fim – acho que o dia hoje pede uma garrafa de champagne – sorriu lembrando-se do comentário do senador – quer saber? Podemos ficar por aqui mesmo. 

Castle ordenou o champagne, o jantar e pediu para ser entregue dali a três horas. Sem fazer barulho, ele tirou as roupas ficando completamente nu. Seguiu para o banheiro. Kate estava de costas deixando a água lavar o shampoo de seus cabelos. Mantinha os olhos fechados. Percebeu o barulho da porta se abrindo, mas não se incomodou com isso. Castle afastou a porta do blindex entrando no espaço relativamente bom para caber duas pessoas. Abraçou-a por trás beijando-lhe o ombro.

- Vim ver porque você demora tanto nesse banho...

- Pensei que iria ter que chama-lo. Estou precisando de alguém para esfregar minhas costas – ela brincou.

- Que assim seja, sou muito bom nisso – ele pegou o sabonete liquido espalhou um pouco em suas mãos fazendo-as descer pelos ombros e toda a extensão das costas de Kate tomando a direção do abdômen e dos seios. Ele os acariciou, apertou os mamilos puxando-os para provocar prazer. Os lábios roçavam sua nuca, os dentes marcavam os ombros. Uma das mãos deslizou para o meio de suas pernas fazendo-a gemer em antecipação. Os dedos dele penetraram-na no instante em que sua boca fechava a dele em busca de um beijo.

Aos poucos sentia as pernas amolescerem devido ao contato mágico com seu clitóris. Sentia a ereção crescer contra suas costas. O movimento da mão aumentara, ela apoiara o corpo nele para resistir aos tremores do orgasmo que fazia seu corpo arquear. Castle a segurava abocanhando-lhe um dos seios, sugando-o somente para aumentar o prazer que sentia. Então, colocou-a de costas para a parede. Kate o puxou pela nuca sorvendo os lábios com paixão. O contato com o peito dele, sentir a pressão contra o próprio corpo, tudo a motivara a querer mais. Kate ergueu as pernas atracando-as em sua cintura. Não conseguia parar de beija-lo.

Quando Castle a penetrou ela gritou já quase em êxtase. Ele deslizara de uma única vez. Movimentava-se rapidamente dentro dela. Kate segurava-se em seu pescoço cravando os dentes no ombro quando sentiu a explosão de um novo orgasmo. Pedia para que ele não parasse. Sussurrava ao seu ouvido que queria mais. Prestes a deixar o prazer o dominar, Castle tomou-lhe os lábios em um beijo ardente, introduzindo-se completamente dentro dela, apoiando-se na parede para não deixa-la cair.

Passado o resultado do primeiro ato, ela deslizou as pernas até o chão procurando a firmeza para se manter em pé. Sorria acariciar o peito dele. Trocando de lugar, Kate o beijou apaixonadamente. Pegou o sabonete liquido em suas mãos e deu inicio a uma nova brincadeira. Tomou o membro dele em suas mãos espalhando o sabão ao longo da superfície. O simples gesto já causara uma pontada na virilha recebida por Castle como extremamente prazerosa. Terminaram o banho apenas para caírem na cama ainda molhados e recomeçar mais uma noite de amor.

De volta a New York, Kate tem uma bela surpresa ao chegar em casa. Mal abrira a porta do loft, o filho correu para abraça-la.

- Mommy, mommy, mommy.... – Alex abriu os bracinhos agarrando-se nas pernas da mãe. Kate estava maravilhada com o fato do filho chama-la assim.

- Meu amor... você aprendeu a falar “mommy”? Que coisa mais linda – Castle abraçou a filha que ria do jeito bobo de Kate diante da descoberta.

- Ele aprendeu há uns dois dias, foi um bom aluno. Estava torcendo para que você não falasse com ele esses dias porque iria estragar a surpresa – disse Alexis – eu e Amy nos divertimos muito com ele nos últimos dias.

- Espera, você ensinou isso ao Alex? E quanto a “daddy”? Custava? – Alexis ria da cara de indignação do pai.

- Logo ele vai estar dizendo isso também. Já fala “Apple”, Nikki, “juju” é suco, “meat”, bola e eu sou “Xis”.

- Que maravilha - disse Kate pegando Alex nos braços – diga quem é a mais bonita nessa casa, Alex. Diz pro papai.

- Mommy...mommy.

- E quem é esse? – Kate perguntou apontando pra Castle.

- Nikki. Kate e Alexis caíram na gargalhada.

- Não, filho. Sou “daddy” repita “daddy”.

- Nikki. Apple...

- Vou preparar um café – disse Kate caminhando para a cozinha – que tal fazermos um bolo, Alexis? Essa aula vai demorar...
Nos dias que se seguiram, os noticiários falavam apenas da prisão do ex-senador Bracken. A repercussão do trabalho conjunto do FBI e da NYPD rendeu por uma semana. Beckett foi chamada até a central com Gates para receber os cumprimentos diretamente do Comandante e do Chefe de justiça do Estado. Vários repórteres queriam entrevistas e sua participação em programas de televisão, Beckett recusara educadamente a todos. Sua lealdade continuava a ser de Nadine.

Logo no fim do mês, o resultado do julgamento de Bracken era decretado. Prisão perpétua, todos os seus bens foram confiscados. E um novo escândalo povoou a mídia, finalmente deixando Beckett trabalhar em paz. Seu curso em direito criminal seguia de vento em polpa. Casos e mais casos eram levados ao 12th distrito necessitando de sua investigação. Voltara a escrever com Castle o final da nova aventura de Nikki Heat. Tudo estava exatamente como deveria.

Cinco meses se passaram. Fevereiro já registrava temperaturas bem abaixo do normal, nevara na noite anterior e os termômetros marcavam 10 graus negativos. Agasalhada com casaco, luvas e cachecol, Kate esperava por Castle esquentando o corpo no interior da cafeteria. A vítima de seu novo caso estava a dois quarteirões dali, mas ela se recusava enfrentar o frio sem uma boa dose de café.
- Aqui, amor. Grande skinny latte two pumps sugarfree vanilla. Todo seu – ela pegou o copo sorvendo o liquido com vontade – onde está nosso presunto?

- Castle! Não fale assim! A dois blocos. Vamos antes que Lanie tenha um colapso, já mandou quatro mensagens e dois áudios.

- Nossa! Que insistência... investigar assassinatos nesse frio não é um programa agradável. Quer saber? Se solucionarmos esse caso até amanhã, prometo uma noite inesquecível para você, Lieutenant Beckett. Com direito a conhaque e lareira.

- Faria isso por mim? Ahhh – ela revirou os olhos sonhando com a imagem – o que estamos esperando? Nada como uma tórrida noite de amor para espantar esse frio.

Como pretendido, Beckett encerrou o caso na tarde seguinte. Não tinha sido tão difícil especialmente por ser um crime passional. As pessoas ainda faziam muitas loucuras por amor, inclusive matar. Estava de saída já sonhando com as maravilhas da noite que Castle preparara para os dois, saíra cedo do distrito para preparar-se sem dizer absolutamente nada, deixando-a ainda mais curiosa. De bolsa em punho, foi interceptada pela Capitã.

- Lieutenant, tem um minuto?      

- Claro.

- Entre e sente-se, por favor – Beckett obedeceu pensando em maneiras de surpreender Castle – prometo não me demorar muito. O assunto é do seu interesse e afirmo sigiloso – a última palavra prendeu a atenção de Beckett – tenente, acredito que mudanças estão por vir muito em breve. Mudanças que afetam diretamente a você.


Continua.....

Um comentário:

Marlene Caskett Stanatic disse...

Game Over para o senador!!!!
Meu emocional abalado mais aliviado,todos tiveram um papel fundamental para que a justiça fosse feita. Agora é correr para o abraço,Kate foi super digna fez do seu jeito e sambou. A comemoração particular no banheiro 66666666
O Alex "mommy", para que preciso vomitar arco-íris foi lindo demais ♡♡♡♡♡ fiquei até com dó do castelinho kkkkkkkkkkk
Agora o que Gates quer com Katherine????
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